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HUM R Para todos os meus ex-alunos, como a Luiza, pelo seu riso preso, para Tainá, pelo seu riso envergonhado, para Sabrina pelo seu riso tímido, para Roberta, Melina, Bruna, Silvia, Bárbara e Cíntia pelo riso tão doce, para os manos Davi e Daniel e tantos outros, pelo riso solto e debochado.

POR: Prof. Carlos Araujo araujoquimica@terra.com.br

Se considerarmos o diagnóstico de que vivemos em uma sociedade depressiva, é plenamente justificado o resgate do humor – talvez a maior das virtudes freudianas. Afinal, se a depressão – e suas variantes mais brandas, como a distimia, o “mau humor crônico” – tornou-se de fato a epidemia psíquica das sociedades atuais, pode-se facilmente concluir que faltam, em nossa cultura, humor e prazer de viver. A sociedade liberal depressiva, através da aliança com a indústria da medicação da alma, terminou por fabricar um novo homem medicado, anestesiado, polido e sem humor, esgotado pela negação de suas paixões, envergonhado por estar afastado do ideal que lhe é proposto. A situação atual estaria caracterizada pela derrota do sujeito: em lugar das paixões, a calmaria, em lugar do desejo, a ausência de desejo, em lugar do sujeito, o nada, e em lugar da história, o fim da história. O humor pode servir como uma espécie de lubrificante social, criando um clima no qual nada, nem ninguém, deve ser levado muito a sério, evitando conflitos e tensões. O humor é aquilo que seduz e aproxima as pessoas, cada vez mais individualistas, com dificuldades em “explodir” de riso, em sair de si, em sentir entusiasmo, em entregar-se à jovialidade. Pelo humor, o que é assustador adquire um tom de “bobagem”, algo como: “Olhem! Aqui está o mundo, o amor, o sexo, o vestibular de medicina, a química, a matemática, que parecem tão perigosos! Não passam de um jogo de crianças, digno de que sobre eles se faça uma piada”. Devemos considerar sempre como mais adequado, entretanto, o humor transformador, crítico, irônico e não apenas o humor irreverente, descontraído. O humor descrito por Freud, por exemplo, é dotado de uma dignidade particular, sobretudo por ser rebelde e não resignado. É a afirmação radical do sujeito frente à adversidade, seja ela de que natureza for: amor, sexo, vestibular, morte. É transformador como uma reação química, pois gera novas idéias e concepções, demolindo ou decompondo os fundamentos da situação problemática inicial. Para Freud, são risíveis, a moralidade, ou seja, a repressão das pulsões sexuais e agressivas; a autoridade, ou seja, o poder dominador e castrador; e a morte, pela sua inevitável presença limitante. Pelo humor, a angústia da frustração e da castração é substituída pelo riso irreverente e transgressor, e a paralisia da impotência, é destruída pelo poder da alegria.


A comicidade se especializa em trazer à luz o que é feio, tedioso, o que é ocultado ou pouco notado, ajudando a entender a desagregação do mundo atual, um mundo que é o nosso, sendo, ao mesmo tempo, alheio a nós, assaltado por forças ocultas e poderosas que nos transformam em fantoches, máquinas. Para muitos estudiosos, em um primeiro momento, a criança dá sentido ao mundo estabelecendo relações simbólicas entre o seu próprio corpo e o mundo dos objetos. Seria a “sexualização do universo”, no qual o sujeito e o mundo externo formam um corpo único. Posteriormente, a educação e a sociedade reprimem essa corporalidade, valorizando as atividades mentais supostamente “superiores”. Nesse universo assexuado, segundo alguns, ocorre um alheamento do mundo, uma alienação entre sujeito e objeto. Dessa forma, tanto a palavra obscena como o gracejo indecente, adquirem, no mundo adulto, uma força “mágica”, em virtude de sua riqueza emotiva, de sua identificação imediata e de sua potência motora, isto é, capaz de produzir uma ação transformadora, como na infância. Nesse sentido, a palavra poética se aproxima do dito humorístico e também das palavras obscenas, uma vez que, na origem, toda poesia e todo humor são eróticos, cantam, encantam e reencantam o mundo. Quando o humor e o riso podem emergir entre as pessoas, é sinal que houve uma reativação do espaço criativo, tão freqüente nas nossas atividades infantis, e tão necessário na nossa vida adulta e profissional. É importante poder-se rir na sala de aula, ainda que o conhecimento produzido e adquirido traga consigo sempre alguma dor. Rindo, estudar deixa de ser um fardo, pois adquire qualidade e não a obsessão da quantidade, sempre pesada, insossa e volátil para a mente consci-ente e para a memória. Aprender a raciocinar, a usar a inteligência, a gostar de aprender, a interessar-se com entusiasmo e alegria pelos conteúdos e não apenas tentar absorver passivamente informações, monotonamente, sem criatividade, emoção e prazer. Por tudo isso, eu fiz a minha opção: gosto de brincar e de rir, vou sempre trabalhar brincando e morrerei rindo. Mesmo assumindo o risco de dizer bobagem, de contar piada sem graça e de não agradar aos maus humorados estressados. Professor Carlos Araújo “O riso é a menor distância entre duas pessoas, mais ainda que o beijo ou o abraço” (Dr. J.C. Rodriguez Jurado)

“A fonte secreta do riso não é a alegria, mas a mágoa, a aflição, o sofrimento. Não há humor no céu” (Mark Twain)


RIR ƒ ƒ ƒ ƒ ƒ ƒ ƒ ƒ ƒ ƒ ƒ ƒ ƒ ƒ ƒ

5 minutos de risada equivale a 45 minutos de exercício aeróbico. gargalhadas movem 400 músculos em todo o corpo. até os 6 anos de idade rimos cerca de 300 vezes por dia. O adulto ri de 10 até o máximo de 100 vezes por dia. o riso, com seus movimentos descontrolados move os músculos, massageando os órgãos internos provocando um relaxamento e uma conseqüente sensação de conforto e prazer. aumenta a oxigenação com 100% de aumento da capacidade pulmonar. libera endofirnas que dão a sensação de prazer. regula a pressão sanguínea. aumenta o sistema imunológico. tem função analgésica, alivia a dor. favorece a capacidade de pensar com maior flexibilidade, complexidade e amplitude. favorece a sexualidade. combate o estresse. otimiza a produtividade. favorece as relações interpessoais. facilita e favorece a criatividade, provocando mudanças fisiológicas e comportamentais importantes.

FONTES: o Do Humor e do Grotesco na Psicanálise e Da Institucionalização do MalEstar ao Mau Humor, de Daniel Kupermann o La Risa y El Humor, como Técnicas Antiestrés, de María Elena Villa Abrille o Como Manter o Bom Humor, de Conceição Trucom

Humor e sua Importância  

A importância do humor no ato de estudar e aprender.