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Projeto Leituras Boêmias propôs a realização de debates e discussões informais, abertos à comunidade, em bares da cidade e espaços culturais

Ao todo, sete exposições foram montadas no Espaço Moacyr Scliar

Novembro | Dezembro 2017

UniversoUPF

dos Reis, o Caminho das Artes reuniu, durantes três dias, do entardecer até o fim da noite, diferentes expressões artísticas e todas as pessoas da comunidade foram convidadas a participar gratuitamente. Na programação, apresentações de poesia de rua, intervenções visuais, teatro e música ao vivo. Assim como os cerca de 150 envolvidos na organização da programação inédita precisaram entender a melhor forma de realizar as atividades durante as noites, o público também se envolveu aos poucos. O número de participantes aumentou conforme os dias se passaram e eles também começaram a entender a ocupação daquele espaço. A professora do curso de Arquitetura e Urbanismo e coordenadora do Escritório Modelo de Arquitetura e Urbanismo (Viva!Emau) da UPF, Dra. Carla Portal Vasconcellos, que integrou a comissão organizadora do Caminho das Artes, contou que as pessoas chegavam aos poucos para conhecer o espaço e as atividades que aconteciam ali e então passavam também a ocupá-lo e a interagir com tudo que estava acontecendo. Na última noite, acadêmicos e professores do curso de Arquitetura e Urbanismo também participaram com intervenções e exposição fotográfica. A

iniciativa, segundo a professora, propôs a retomada da cidade pelas pessoas e também que a comunidade se sentisse participante da Jornada de Literatura. A Rua Independência foi escolhida, entre outros fatores, por ser um espaço que tem muito significado para a cidade. “É muito difícil construir espaços que tenham significado, mas é muito fácil de destruir”, explicou. Na opinião de Maria Lúcia Casanova, visitante do Caminho, aproximar a Jornada da comunidade trouxe alegria especial para quem passou pela rua. “As apresentações foram maravilhosas e essas ações fazem a diferença na vida cultural da cidade. Seria ótimo se tivéssemos isso sempre”, destacou. A vida da cidade passa a ter outra cor, segundo Diego Fossatti, que também percorreu o Caminho das Artes. Acompanhado da esposa e do filho pequeno, ele prestigiou as intervenções artísticas e ressaltou a importância de a Jornada estar mais próxima das pessoas. “Nem sempre a comunidade consegue ir até o Campus I para acompanhar as atividades, então, trazer a Jornada até a comunidade faz a vida da cidade ficar mais colorida”, explicou. A atividade contou com diversos parceiros, entre eles: Sociedade dos Poetas Vivos, MAVRS e cursos de Artes Visuais e Arquitetura e Urbanismo da UPF, Grupos Artísticos UPF Teatro Escola de Atores Dia, Musiclass, Academia Passo-Fundense de Letras e Viva!Emau/UPF.

A literatura na informalidade de um bar A rua Independência também foi o ponto de encontro para os amantes da literatura e da boemia. Foi com a crônica “Chegadas e partidas”, do escritor Felipe Pena, que o projeto Livros na Mesa: Leituras Boêmias deu seu pontapé inicial no bar Maktub. Iniciativa inédita nas Jornadas Literárias, o projeto propôs a realização de debates e discussões informais, abertos à comunidade, em bares da cidade e espaços culturais. Ao todo, foram realizados seis encontros, que aconteceram, além do Maktub, no Botecco, no Quina e na Casa de Cultura Vaca Profana e contaram com a presença de escritores como Zeca Camargo, Pedro Gabriel, Felipe Pena, Alice Ruiz, Rafal Coutinho, Tico Santa Cruz e Michel Laub, entre outros. Todos os encontros tiveram ainda a presença de músicos locais tocando para os convidados. Presente na primeira noite do projeto, o professor Miguel Rettenmaier se disse absolutamente impressionado pelo respeito do público que esteve nos bares. “As pessoas respeitosamente ouviram e interagiram com nossos escritores. Isso aponta que nós estamos numa circunstância privilegiada de recepção e de comportamento de plateia. As pessoas estão aqui vendo os escritores, entrando em contato com eles na informalidade de um bar, mas com um respeito muito grande pelo que está acontecendo”, destacou. Essa informalidade, segundo o professor, foi pensada justamente com o objetivo de que as pessoas estejam em uma forma de união e de sensibilização coletiva do texto literário. Para o professor, trata-se de uma iniciativa muito promissora. “Acho que é um momento histórico na Jornada”, finalizou.

A arte em suas diversas formas Fotografias, gravuras, pinturas, colagens e vários outros tipos de artes plásticas também puderam ser conferidos por toda a comunidade durante a 16ª Jornada e a 8ª Jornadinha Nacional de Literatura. No total, sete exposições foram montadas no Espaço Moacyr Scliar apresentando obras de artistas convidados e também do acervo do Museu de Artes Visuais Ruth Schneider (MAVRS). A organizadora das exposições, professora e coordenadora do curso de Artes Visuais da UPF, Me. Mariane Loch Sbeghen, destacou que os visitantes puderam conferir diferentes técnicas. Dentre as peculiaridades dessa ativida-

de, destaca-se a exposição de obras de Carlos Scliar, primo do homenageado Moacyr Scliar, e de Mariana Valente, neta de Clarice Lispector. Além disso, foram expostas obras de Ruth Schneider e de fotógrafos de Passo Fundo, como forma de marcar o aniversário de 160 anos do município. O público também pôde conferir e interagir com as obras dos escritores e ilustradores Rafael Coutinho e Daniel Kondo, convidados da Jornada e da Jornadinha, e dos acadêmicos do curso de Artes Visuais da UPF. Além do Espaço Moacyr Scliar, as exposições também foram espalhadas em outros pontos do Campus e da cidade.

Revista Universo UPF #20 - Novembro e Dezembro  

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