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Novembro | Dezembro 2017

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UniversoUPF

Jornadinha e suas tendas Bate-papo entre crianças e escritores foi realizado nas tendas da 8ª Jornadinha Nacional de Literatura, no Espaço Lendas Brasileiras, Clarice Lispector Foto: Gelsoli Casagrande

Jovens leitores fizeram perguntas sobre a obra e a vida dos escritores que participaram da Jornadinha

Desafio de ilustradores Iniciativa inédita no Brasil, o Slam de Ilustração se transformou em uma grande performance de ilustradores com a participação do público da Jornadinha. A atividade, coordenada por Volnei Canônica, contou com a participação dos ilustradores Daniel Kondo, Ivan Zigg, Mariana Massarani e Roger Mello, nos dias 5 e 6 de outubro. Inédita no Brasil – algo parecido só havia sido feito na Feira do Livro de Xangai, na China –, a atividade desafiou os ilustradores a, divididos em dois grupos, criar desenhos a partir do tema escolhido pelo coordenador. As regras, no entanto, eram feitas pelas duas mil crianças do 6º ao 9º ano do ensino fundamental que acompanharam a ação. Ao sinal dos gritos de guerra inventados pelas crianças, os ilustradores trocavam de lugar, passando a intervir um na ilustração do outro em uma performance/competição de ilustradores. Além dos ilustradores, 12 crianças da plateia foram convidadas a participar da brincadeira. Ao final, os times ainda foram desafiados a criar uma história baseada nas ilustrações desenvolvidas em um jogo que acabou com todos vencedores e sem julgamentos do que é mais bonito. “Às vezes, é bom lembrar que o bonito não existe, é o interessante que nos provoca, que mexe com nossos sentimentos. Quem ganhou? Todos nós!”, comentou o coordenador da atividade. Foto: Gelsoli Casagrande

“Quem tem pergunta aí?” A indagação dos apresentadores das tendas Yara, Malazarte, Negrinho do Pastoreio e Curupira, localizadas no “Espaço Lendas Brasileiras, Clarice Lispector” – nome alusivo à obra da escritora Como nasceram as estrelas (1987) – da 8ª Jornadinha Nacional de Literatura, agitou as crianças, que levantavam as mãos e gritavam o mais alto possível para serem os escolhidos para perguntar aos autores. A Jornadinha recebeu 20 mil crianças do 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental. A programação contou com a participação de autores premiados como Daniel Kondo, Lúcia Hiratsuka e Jean-Claude Alphen, além de nomes como Alexandre de Castro Gomes, Edson Gabriel Garcia, Eliandro Rocha, Felipe Castilho, Heloisa Prieto, Luiz Antônio Aguiar, Márcia Leite, o angolano Ondjaki, Pablo Morenno, Pedro Duarte, Renata Tufano, Renata Ventura, Rosana Rios e Selma Maria. Durante os meses que antecederam a Jornadinha, as crianças leram os livros

dos autores e realizaram diversos trabalhos baseados nas obras, reforçando um dos principais objetivos das Jornadas Literárias, que é a formação de leitores, processo iniciado na infância. “O livro é muito perigoso. Ele forma opinião e faz a gente refletir, buscar nossa singularidade no mundo. O livro faz a gente olhar para nós mesmos e expressar aquilo que a gente sente. E esse encontro presencial com os leitores mostra que o escritor não é um morto, que fica lá na prateleira da biblioteca. Mostra que o escritor está vivo, que pensa, que é contemporâneo. Esse encontro é importante para manter viva a literatura”, declara a escritora Selma Maria. O encontro com os escritores era, claro, o momento mais esperado pelos alunos. E eram muitas as perguntas. Em algumas tendas, as crianças fizeram fila para tirar suas dúvidas e matar sua curiosidade sobre a obra e a vida dos escritores. “No seu livro Roupa de Brincar, o armário é o coração?”, perguntou uma das crianças para o escritor da obra, Eliandro Rocha,

que respondeu: “Quem escreve somos nós escritores, mas a interpretação é do leitor. Você pode ler a história do seu jeito. Então, se você acha que é o coração, é o coração”, respondeu o escritor. Quatro mil crianças por dia se revezaram entre as tendas e o Espaço Suassuna, na grande lona, que também recebeu as crianças, que assistiram a atividades artístico-culturais, como shows artísticos e contadores de histórias.

Slam de Ilustração foi um dos grandes destaques da Jornadinha. A atividade foi inédita no Brasil – algo parecido só havia sido feito na Feira do Livro de Xangai, na China

A Jornada invade a cidade e cumpre a missão Centenas de pessoas acompanharam o Caminho das Artes durante as três noites de programação na Rua Independência A música de Cassia Eller, interpretada por uma jovem passo-fundense no meio da Rua Independência no entardecer de 5 de outubro, dizia que “alguma coisa aconteceu. Tá tudo assim tão diferente”. E realmente estava. A arte, em suas diversas manifestações, ocupou a rua e coloriu o espaço que antes era apenas marcado pelo cinza do asfalto e pela passagem dos carros. As centenas de pessoas que acompanharam a programação gratuita das três noites de atividades do Caminho das Artes viram a 16ª Jornada Nacional de Literatura cumprir mais uma missão: a de jornalizar a cidade. Montado na Rua Independência, entre a rua Capitão Eleutério e a rua Fagundes

Foto: Leonardo Andreoli

Programação do Caminho das Artes teve apresentações de poesia de rua, intervenções visuais, teatro e música ao vivo

Revista Universo UPF #20 - Novembro e Dezembro  

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