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Universidade 2012 UniversidadeMetodista MetodistadedeSão SãoPaulo Paulo• •Ano Ano9 8• •número número100 93 ••Agosto Maio dede2011

DROGAS EDITORIAL

Prof. Dr. Marcio de Moraes Reitor

Cigarro e álcool, drogas legalizadas e socialmente aceitas Os produtos estão entre os mais usados pelos jovens e tem a capacidade de melhorar a convivência social, mas até quando o seu uso é estimulante e não invasivo? Giovanna Verrone

Por seu preço baixo, pela quantidade que pode ser adquirida em só um pacote e pela facilidade de compra, o cigarro pode ser consumido facilmente. Se antes, era sinônimo de status, hoje ele já não é mais bem visto como antes. Menores de 18 anos não podem comprar o produto, o fumo em locais fechados é proibido, o preço do maço está cada vez mais alto e as pessoas mais conscientes. Para se ter uma ideia da gravidade dos malefícios causados pelo cigarro, cerca de seis pessoas por minuto morrem por causa do fumo no mundo. “Antigamente o cigarro era socialmente aceito, por ser uma droga excitante e não se conhecer os efeitos negativos. Agora não mais”, comenta Maria Flora de Almeida, diretora técnica e médica do Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas. De acordo com Maria Flora, “fatores biológicos contribuem se existe herança genética e propensão decorrente de hábitos familiares. Além desses, o lado psicológico é muito importante. O indivíduo pode passar a fumar para ser aceito em um determinado grupo, impressionar, desafiar outras pessoas ou para autoafirmação”. Segundo uma pesquisa realizada pelo IBGE em 2008, na região sudeste são 10,4 milhões de fumantes. O percentual de usuários em São Paulo que tem 15 anos ou mais está acima dos 16%. Entretanto, campanhas e projetos contra o fumo têm colaborado com a decisão de parar de fumar. Daqueles que pensaram em deixar o cigarro, 65% o fez por causa das advertências encontradas na parte de trás dos maços.

Gabriela Rodrigues

Qual a linha que separa o que é aceito ou não pela sociedade? E qual a diferença se algo é aceito ou não quando isto lhe faz mal? No caso das drogas, existem dois tipos de substâncias: as ilícitas, proibidas pela justiça e, por isso mesmo, mal vistas pela sociedade; e as lícitas, cujo perigo está exatamente em sua legalidade, o que faz com que muitas vezes sequer sejam encaradas como drogas pelas pessoas. Para quem sofre com o uso e abuso deste tipo de droga, pouco importa se são ou não aceitas: o fato é que fazem mal, tanto à saúde, quanto às pessoas em volta e, em última instância, à sociedade como um todo. O cigarro de todo dia que, anos depois vem cobrar sua fatura em forma de um câncer; a cervejinha inocente que, ingerida de forma exagerada, pode culminar em um acidente de trânsito podem ser tão fatais quanto as drogas proibidas. Para alertar sobre este perigo, preparamos nesta edição do Espaço Cidadania algumas matérias, em que apresentamos um pouco da história de como se deu este processo e mostramos dados que dão a dimensão do problema no Brasil. Também acompanhamos a história de Leonardo Junior, que deixou de fumar na mesma época em que seus pais. Ele conta sua luta e as vantagens de ser um ex-fumante. Se você sofre ou conhece alguém que sofra com este problema, listamos diversas entidades que podem lhe servir de apoio. Boa leitura,

De fácil acesso, é comum o alto consumo de álcool e de cigarro entre os jovens

B EBIDAS ALCOÓLICAS O consumo excessivo de bebidas com álcool pode causar dependência química, doenças como câncer, derrame, cirrose, inclusive sobrepeso, por possuir um alto teor calórico, e num caso mais grave pode levar à morte. Além de prejudicar quem bebe, há riscos para quem não bebe. Uma pessoa alcoolizada pode provocar acidentes de trânsito ou agir de forma violenta, dada a alteração de comportamento. Jovens, adultos e, em alguns casos adolescentes, bebem com frequência. Segundo pesquisa realizada pela Unesp em Botucatu (SP), três em quatro estudantes menores de 18 anos já consumiram bebidas alcoólicas. No último Levantamento Nacional sobre o Uso de Drogas entre os jovens de 18 a 24 anos, 78% afirmam já terem bebido e 19% já estão dependentes. “O jovem acompanha as propagan-

das, vê os familiares bebendo, vê os amigos, e acaba aderindo à bebida. O que esquecem de dizer é que o álcool faz mal ao corpo e à mente. A família aceita, por falta de informação e de conscientização”, afirma Geraldo Ponciano, diretor Administrativo da Associação antialcoólica de São Paulo e ex-alcoólatra. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, 32,4% dos brasileiros ingere mais de 60 gramas de álcool por semana, o que é considerado excessivo. Assim, para diminuir o alcoolismo, o Governo tem investido em diferentes iniciativas, entre elas a Lei Seca, que pune motoristas que dirigirem com mais de 0,2 gramas de álcool por litro de sangue, programas de saúde e centros de apoio ao viciado. Há ainda clínicas especializadas e propagandas que reforçam a importância do consumo consciente da bebida.


FÉ E CIDADANIA

Cigarro: parar é uma

Drogas

Um retrato do dia de um ex-fumante

Gustavo Carneiro

Hugo Fonseca Alonso Júnior, 33, é bacharel em Teologia e Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo e professor de Teologia nas aulas de Educação a Distância (EaD) da Metodista. Nesta entrevista, ele conta um pouco sobre os malefícios das drogas, tanto as legalizadas, como as ilegais, e questões políticas referentes ao tema. Espaço Cidadania: Quais são os pontos negativos de alguém que usa drogas legalizadas (cigarros e bebidas alcoólicas)? Hugo Fonseca Alonso Junior: As drogas legalizadas são responsáveis pelos maiores problemas de adicção, perda da saúde e óbito, em termos mundiais. O uso indiscriminado da bebida alcoólica é responsável por mais mortes indiretas do que as mortes causadas pelo uso de lança perfume, cola ou maconha. No entanto, devido ao status alcançado, os cigarros e as bebidas receberam aprovação judiciária, legislativa e executiva. O ponto nuclear do uso de drogas legalizadas é o desconhecimento do impacto que geram à saúde. Espaço Cidadania: Recentemente foi aprovada uma lei no Uruguai que legaliza o uso de maconha, com o objetivo de diminuir a violência no tráfico. Qual é a sua opinião sobre o assunto? Você acha que o Brasil deveria fazer o mesmo? Hugo Fonseca: Não só no Uruguai, mas também na Argentina, há avanços nas discussões e leis sobre o uso da maconha pela população. No Brasil, recentemente, um grupo de influentes pensadores tem debatido o tema da descriminalização. Em outros países, já há uma legislação que orienta o uso medicinal e recreativo da maconha. Não entendo que a legalização seja o passo a ser dado em nosso país. Especialmente, porque há um estágio anterior ao da legalização, a saber: o da descriminalização. Espaço Cidadania: O que leva as pessoas a usarem drogas, em sua opinião? Hugo Fonseca: As razões são diversas. Freud fez uso da cocaína tanto clinicamente quanto para prazer pessoal; a maconha é utilizada tanto para “viajar” quanto para celebrar a Jah, na religião Rastafári; o vinho é um elemento religioso, com presença nos textos sagrados e relevância teológica, em diversas confissões de fé, entre as quais o judaísmo e o cristianismo; assim como aprendemos, por meio das obras de Carlos Castañeda, sobre a dimensão transcendente da mescalina; há ainda aquelas pessoas que, com dificuldade de dormir ou então a partir dos primeiros sinais de ansiedade ou estresse, fazem uso indiscriminado de medicamentos farmacêuticos (alopáticos em geral). O uso de drogas pode ser associado desde desequilíbrios psicológicos a tendências hedonistas, ou ainda, pode-se verificar que alguns grupos humanos usam determinadas substâncias entorpecentes ou alucinógenas pelo seu fervor religioso e/ou aceitação social. Espaço Cidadania: Como se pode reverter esse processo, tanto no seu início (o tráfico) quanto no fim (a reabilitação de usuários)? Hugo Fonseca: Os tratamentos podem trilhar dois caminhos: o da abstinência ou o da redução de danos. Para tanto, há agentes como os conselheiros para uso indevido de drogas, clínicas especializadas e tratamento medicamentoso. É fundamental ressaltar que a reversão desse processo não se dá sem apoio de outras pessoas. É necessário que uma rede afetiva se crie ao redor das pessoas com adicção e em estado de alerta. Podemos pensar que a reversão de tais processos se dá de modo complexo: íntimo e coletivo; social e econômico; psicológico e filosófico, material e espiritual.

Leonardo Junior, 28 anos, atualmente morador da cidade de Camaçari, Bahia, acorda na segunda feira às 6h30, toma seu café com leite, se arruma para o trabalho e sai de casa exatamente às 7h. O trabalho é longe e o trânsito infernal. Pelo menos agora não tem que se preocupar mais se esqueceu do isqueiro ou se pegou o maço de cigarros que sempre deixava na cabeceira. Isso porque há dois meses resolveu, junto com os pais, largar o vício de fumar. Leonardo é projetista automobilístico e começou a fumar aos 22 anos, após uma época estressante no trabalho. A presença do cigarro já era constante, pois seus pais fumavam e o coordenador do projeto estava sempre fazendo pausas para fumar. “Já havia experimentado cigarros e cigarrilhas especiais, mas após aquele projeto da empresa, não aguentei, comprei um maço e sai contente para casa.” A jornada de trabalho na época ia das 8h às 22h30, com trabalho para terminar em casa, passando diversas noites em claro. Em sua rotina diária, estava sempre presente um maço de cigarros. Era um ao acordar, um ao ir ao banheiro, outro após refeições e vários durante a jornada de trabalho. Foram mais de seis anos fumando, e as consequências do cigarro ainda não eram aparentes. “Sentia falta de fôlego natural, normal de quem fuma, mas nunca tive complicações, por isso estava acostumado”. Nesses seis anos foram mais de 43 mil cigarros e cerca de 14 mil reais gastos com o vício. Em relação a isso Leonardo deixa bem clara a sua opinião: “se eu fizer conta de tudo que gastei com besteira, não fugiria dessa regra. Era gostoso e me fazia bem, então tudo bem. Pessoas gastam milhões com roupa que não precisam, carros, bares, por exemplo, eu gastava com cigarro”. A decisão de parar de fumar veio quando seu pai, também Leonardo, resolveu largar o cigarro, depois de 30 anos fumando. “Apoiei meu pai e me juntei a ele nesse processo. Minha mãe, que também era fumante, resolveu parar também, então fomos os três de uma vez só”. Com o apoio da família foi mais fácil conseguir parar, mas o vício no cigarro não é uma luta fácil e, segundo ele ainda existe uma luta interna. O projetista conta que faz de tudo para não pensar no cigarro e que precisa beber muita água no processo. “Ainda não estou livre do vício, mas me sinto melhor, porque agora não

Divulgação

Giovanna Verrone

estou com um cigarro me acompanhando a cada momento, mas tenho que me controlar”. Fazer um esporte foi a solução que ele encontrou para ajudar nesse processo, uma vez que contribui com o condicionamento físico e distrai a mente. “Procuro praticar algum esporte depois do trabalho, ocupa a cabeça e melhora a respiração, mas é complicado por causa da falta de condicionamento que muitos anos do cigarro me trouxeram”. Ao fazer exercícios o corpo libera endorfina, que dá sensação de bem-estar, a mesma sensação do cigarro. Parar de fumar é um constante trabalho mental, pois é preciso foco e concentração. Assim como o álcool, nem todos estão aptos ou dispostos a parar. “É importa ter a mente tranquila. Se desesperar porque está sem o cigarro não vai ajudar. Tem que pensar em coisas que goste e focar no objetivo. Cigarro faz mal. Pode não ser agora, mas um dia fará”. Por mais que sua opinião sobre o cigarro seja sincera, Leonardo deixa claro que o que mais quer é conviver bem com o cigarro, sem fumar, mas admite: “amigos ex-fumantes contam que esquecer um dia que se foi fumante e de como era gostoso fumar, não dá. Então, temos que tomar cuidado para não termos uma recaída”.


a decisão Arquivo pessoal

ENTREVISTA

“O álcool gera muito mais casos de atendimentos médicos do que o uso do crack, maconha, cocaína ou outras drogas ilícitas” Por meio da Secretaria Nacional de Políticas de Drogas, o Governo desenvolve ações para implementação de políticas públicas de prevenção, tratamento e reinserção social dos usuários, dependentes de drogas e suas famílias

Nesta entrevista, Paulina Duarte, secretária da Senad, explica de que maneira o Governo tem atuado em relação às drogas e afirma que, quando o assunto são as bebidas alcoólicas, “a dificuldade é lidar com a questão cultural envolvida”.

AMPLIANDO O CONHECIMENTO Filme Obrigado por fumar Uma comédia com Aaron Eckhart, Robert Duvall e Katie Holmes na qual Nick Naylor (Aaron Eckhart) é um porta-voz de uma marca de cigarros que começa a manipular informações sobre os efeitos do tabaco depois que o senado obriga a colocar fotos atrás dos maços. Documentário Fumando espero O documentário retrata o amor e ódio de quem fuma. Uma retrospectiva histórica, da sua criação até sua chegada às telas de Hollywood, sem deixar de pontuar os malefícios do vício, com imagens chocantes e alertas de profissionais da saúde. Livro Intervenções Breves: Tabaco Carina Ferreira-Borges, Hilson C. Filho

O fumo do tabaco continua a ser um dos mariores flagelos dos nossos dias e da nossa civilização. Este livro é um manual técnico que mostra os problemas provocados pelo tabagismo.

Espaço Cidadania: Qual o papel da Senad? Paulina Duarte: A Senad tem como missão institucional articular e coordenar a Política Nacional sobre Drogas, ou seja, trabalhar para que as ações de Governo e de toda a sociedade sejam alinhadas com o que está preconizado na nossa política. Trabalhamos na perspectiva da implementação de políticas públicas de prevenção, de tratamento e de reinserção social dos usuários, dependentes de drogas e suas famílias. Temos, também, ações conjuntas com a Polícia Federal e outras forças de segurança, especialmente, na capacitação desses agentes na implementação e aplicabilidade da Lei nº 11.343/2006 (Lei de Drogas). Além disso, a Senad é responsável pela capacitação de diversos públicos para o atendimento adequado a usuários, dependentes de drogas e seus familiares. Mais de 200 mil profissionais já foram capacitados por meio dos cursos promovidos pela Secretaria. São educadores, profissionais da saúde, assistência social, segurança pública, operadores do direito, lideranças religiosas e comunitárias. A realização de estudos e pesquisas, em nível nacional, também é competência da Senad. Espaço Cidadania: Quando se fala em drogas, normalmente a referência é àquelas consideradas “pesadas”, como o crack, e a necessidade de combatê-las. E no caso das socialmente aceitas? A ação é também de combate? Paulina Duarte: Com base na Política Nacional sobre Drogas, trabalhamos tanto na implementação de políticas públicas voltadas para drogas lícitas quanto ilícitas, até porque se formos verificar, estatisticamente, as drogas

lícitas são as que geram mais problemas de saúde pública no Brasil. É o caso do álcool, que disparadamente, em termos de prevalência, gera muito mais casos de atendimento médicos do que o uso do crack, maconha, cocaína ou outras drogas ilícitas. Não existe esta questão de drogas pesadas ou leves, trabalhamos as drogas de maneira global. Nos nossos cursos, trabalhamos tanto a questão das drogas lícitas quanto ilícitas, sendo que a maior parte deles trata da prevenção ao uso de crack, álcool e outras drogas, como tabaco e medicamentos. No caso do álcool e de medicamentos, há necessidade de fiscalizar, principalmente a restrição de acesso para menores de idade e a exigência de receitas médicas. Temos de ter cuidados ao utilizar o termo combate para nos referir à prevenção do uso de drogas, pois a sociedade não está em guerra com o usuário ou o dependente de drogas. Temos, portanto, que enfrentar a questão do uso e abuso de drogas. Sejam elas lícitas ou ilícitas; e deixar o combate para o tráfico ilícito de drogas. Espaço Cidadania: Quais têm sido as principais ações da Secretaria quanto à abordagem das drogas lícitas? Paulina Duarte: A Senad trabalhou com diversos parceiros para formulação de uma política específica sobre o álcool. Desde 2007 temos a Política Nacional sobre o Álcool, que prevê ações educativas, ações de prevenção à violência associada ao uso de álcool, a relação álcool x trânsito e a propaganda de bebidas alcoólicas, entre outras questões, justamente porque o Governo está sensível ao problema também das drogas lícitas. Fazemos capacitações para que os profissionais estejam preparados para abordar esta temática. No mês de agosto, por exemplo, vamos iniciar um curso de prevenção no ambiente de trabalho destinado a cinco mil profissionais das áreas de Recursos Humanos, comissões internas de Segurança no Trabalho e equipes de saúde. Este treinamento será uma ação preventiva focada muito no álcool e tabaco, além das drogas ilícitas. Trabalhamos, também, em conjunto com o De-

Isaac Amorim

GABRIELA RODRIGUES

partamento de Polícia Rodoviária Federal no alerta ao perigo do consumo de bebidas alcoólicas associado ao ato de dirigir. A Senad também distribui, nacionalmente, para escolas, secretarias e outros órgãos, milhares de exemplares das cartilhas da Série por Dentro de Assunto, que aborda todos os tipos de drogas. Espaço Cidadania: E quais têm sido as dificuldades encontradas neste aspecto? Paulina Duarte: A dificuldade é lidar com a questão cultural que envolve as bebidas alcoólicas. O álcool está muito associado dentro da cultura a momentos de celebração, de confraternização, de alegria. Há o fato também de a propaganda de cerveja não sofrer restrições, o que torna as ações educativas muito mais complicadas. O nosso desafio é sensibilizar a sociedade em geral para os malefícios associados ao consumo inadequado do álcool, sensibilizar os pais e as famílias em relação à bebida alcoólica, pois sabemos que muitas vezes os adolescentes começam a beber em casa, em festas de família, onde existe uma tolerância maior na questão cultural.


Giovanna Verrone

Pesquisas mostram que o cigarro e o álcool estão entre as maiores causas de mortes e doenças no mundo. A estimativa da Organização Mundial de Saúde é de que, até 2030, 80 milhões de pessoas morrerão em consequência do fumo. O cigarro é a principal causa mortis evitável do planeta, segundo a OMS. Cerca de um terço da população mundial adulta, um bilhão e 200 milhões de pessoas, são fumantes. Aos consumidores de tabaco, em comparação com um não fumante, é dez vezes maior os riscos de adoecer de câncer de pulmão, cinco vezes maior de sofrer enfarto e duas vezes maior de ter derrame cerebral. O uso do álcool é comum entre os jovens e entre os pais, mas o excesso dele pode causar grandes problemas. Uma em cada 25 mortes está ligada ao álcool. A bebida está associada ao câncer, doenças do coração, desordens psiquiátricas, acidentes e violência, sem mencionar outros duzentos tipos diferentes de doenças mais simples. Para se ter uma ideia, em dez anos, quem costuma consumir um maço por dia acaba fumando cerca de 73 mil cigarros e gasta mais de 22 mil reais no período. “O baixo valor do produto contribui para o consumo. Além disso, o marketing é grande e há uma indústria forte por trás, o que reflete em um grande número de usuários”, afirma a diretora técnica e médica do Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas, Maria Flora de Almeida. Para diminuir o consumo do cigarro, diversas leis foram estabelecidas, como a Lei Anti-fumo, que proíbe fumar em locais fechados, e a obrigatoriedade de imagens sobre problemas e doenças consequentes do hábito atrás dos maços. Quanto ao álcool, o governo proibiu a venda de bebidas para menores de 18 anos. Em supermercados e lojas, é obrigatório apresentar um documento de identidade no momento da compra, além de não ser permitida a aquisição do produto, caso o consumidor esteja acompanhado de uma criança.

Em vigor desde 2008, a Lei Seca multa e suspende a carteira de motorista, caso o condutor do veículo esteja com o nível de álcool entre 0,1 mg e 0,29 mg. Acima disso, a penalidade é de até três anos de prisão. Aqueles que se recusam a fazer o teste do bafômetro são multados e têm o veículo apreendido. Policiais frequentemente realizam blitz em pontos estratégicos das cidades com o objetivo de prevenir acidentes, já que 30% das mortes no trânsito são causadas por embriaguez. Segundo o diretor administrativo da Associação Anti Alcoólica de São Paulo, Geraldo Ponciano de Vassoura, a mídia é grande influenciadora do alto consumo de bebidas. “O jovem vê as propagandas que sempre destacam coisas boas do álcool, mas nunca os efeitos negativos e o prejuízo que ele traz ao corpo. O alcoólatra só vem procurar ajuda quando está no fundo do poço, quando já perdeu emprego, família, amigos. Às vezes perde até a vida”.

PROGRAMAS

DE

Gabriela Rodrigues

Projetos auxiliam na luta contra a dependência química

Segundo pesquisas, o cigarro e o álcool estão entre as maiores causas de mortes e doenças no mundo

APOIO

Em todo o país, existem diversos projetos que ajudam aqueles que desejam parar com o vício do cigarro, da bebida ou das drogas. Centros de Atenção Psicossocial Os CAPS são serviços de saúde municipais, criados pelo governo, que realizam atendimentos diários. Entre suas principais funções estão a reinserção social do paciente com a família e a sociedade. Em São Bernardo do Campo (SP), pode-se entrar em contato pelo telefone (11) 4348-1600. Também pode ser encontrado o CAPS especializado na área infanto-juvenil, aonde são oferecidos aos jovens tratamentos mentais, com grupos terapêuticos, oficinas, consultas psicoterápicas, tratamentos psiquiátrico e farmacológico, e medicação. Contato: (11) 4365-2411. A Secretaria de Saúde de São Paulo dis-

ponibiliza em seu site o endereço de todos os CAPS do estado. Acesse www.saude.sp.gov.br. Alcoólicos Anônimos O Alcoólicos Anônimos (AA) é um grupo de homens e mulheres que compartilham suas experiências, forças e esperanças, para resolver problema comum e ajudar outros a se recuperarem do alcoolismo. O único requisito para se tornar membro é o desejo de parar de beber. No site do AA (www.alcoolicosanonimos.org.br), é possível localizar endereços dos grupos de todo o País. Associação Antialcoólica do Estado de São Paulo A entidade não possui vínculos políticos ou religiosos e é formada por alcoólatras e ex-alcoólatras com o intuito de ajudar aqueles que têm dificuldade de largar a

bebida. Contato: (11) 3106-0694. Narcóticos Anônimos Instituição mundial sem fins lucrativos tem como missão ajudar na recuperação contra as drogas. Formado por homens e mulheres de todas as idades, as reuniões têm o intuito de auxiliar os membros a permanecerem sem utilizar nenhum tipo de droga. No site da entidade, é possível buscar por estado os endereços das reuniões. Instituto Marat Localizado em São Paulo, o centro especializado em tratamento ao tabagismo utilizando a acupuntura. Com 35 anos de história, o Instituto não utiliza nenhuma outra técnica além do uso das agulhas. Mais informações no site www.fumo.com.br ou pelo telefone (11) 3255-5532.

Espaço Cidadania é uma publicação mensal do Instituto Metodista de Ensino Superior. Tiragem: 3.000 exemplares

mar Silva Pinto de Castro, Paulo Bessa da Silva, Nicanor Lopes, Léia de Souza. Redação: Bruna Cravo e Gustavo

Conselho Diretor: Paulo Roberto Lima Bruhn (Presidente), Nelson Custodio Ferr (Vice – Presidente), Aureo Lidio

Carneiro (alunos da Faculdade de Comunicação). Edição: Alexandra Martin (MTb 26.264) e Israel Bumajny (MTb

Moreira Ribeiro, Kátia Santos, Augusto Campos De Rezende, Carlos Alberto Ribeiro, Osvaldo Elias de Almeida, Marcos

60.545)

Sptizer, Ademir Aires Clavel, Oscar Francisco Alves, Regina Magna Araujo (Suplente), Valdecir Barreros (Suplente).

Projeto Gráfico e Editoração Eletrônica: Timbre Consultoria em Marca e Design.

Diretor Geral/Reitor: Marcio de Moraes. Diretor de Comunicação: Paulo Roberto Salles Garcia. Coordenação

Redação: Rua Alfeu Tavares, 149 • Edifício Ró • Rudge Ramos • 09640-000 • São Bernardo do Campo • SP

Editorial: Gerência de Comunicação do IMS e Agência de Comunicação da Faculdade de Comunicação Conselho

Telefone: (11) 4366-5599 E-mail: imprensa@metodista.br Versão Online: www.metodista.br/cidadania

Editorial: Clovis Pinto de Castro (presidente), Elena Alves Silva, Luiz Roberto Alves, Paulo Roberto Salles Garcia, Dag-

Os textos podem ser reproduzidos, desde que citada a fonte e seus autores.

Espaço Cidadania - Agosto/2012  

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