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Produzido pelos alunos do Curso de Jornalismo ANO 37 - Nº 1072

De 9 a 22 de novembro de 2017

Guilherme Portugal/RRJ

anos 49

Com foco na qualidade e variedade de produtos, o tradicional Mercado Municipal, localizado no Rudge, comemora aniversário este mês. Pág. 3 Gabriel Argachoy/RRJ

» FUTEBOL

Veja as expectativas dos times do ABC para temporada 2018 Pág. 9

Maristela Caretta/RRJ

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RÂNSITO - Mapeamento

aponta principais vias congestionadas da cidade; lentidão atinge média diária de 50 km em horários de pico. Págs. 4 e 5

» ESPECIAL

São Bernardo preserva tradições japonesas Págs. 6 e 7


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Rudge Ramos JORNAL DA CIDADE editorial@metodista.br Rua do Sacramento, 230 Ed. Delta - Sala 141 Tel.: 4366-5871 - Rudge Ramos São Bernardo - CEP: 09640-000 

Produzido pelos alunos do curso de Jornalismo da Escola de Comunicação, Educação e Humanidades da Universidade Metodista de São Paulo

DIRETOR Kleber Nogueira Carrilho COORDENADOR DO CURSO DE JORNALISMO Rodolfo Carlos Martino EDITORA-EXECUTIVA E EDITORA DO RRJ Camila Escudero (MTb: 39.564) EDITOR DE ARTE José Reis Filho (MTb 12.357) ASSISTENTE DE FOTOGRAFIA Maristela Caretta (MTb 64.183) EQUIPE DE REDAÇÃO - Álvaro Augusto, Ariel Correia da Silva, Bárbara Caetano, Bruno Pegoraro, Daniela Pegoraro, Felipe Freitas, Gabriel Argachoy, Guilherme Guilherme, Iago Martins, Luis Henrique Leite, Luiza Lamas, Mariana Cunha, Marina Harriz, Rodrigo Monteiro e alunos do curso de Jornalismo. TIRAGEM: 10 mil exemplares Produção de Fotolito e Impressão: Gráfica Mar-Mar

CONSELHO SUPERIOR DE ADMINISTRAÇÃO Almir de Oliveira Júnior, Andrea Rodrigues da Motta Sampaio, Cassiano Kuchenbecker Rosing, Marcos Gomes Tôrres, Oscar Francisco Alves Jr., Recildo Narcizo de Oliveira, Renato Wanderley de Souza Lima. Suplentes: Eva Regina Pereira Ramão e Roberto Nogueira Gurgel. Esther Lopes (Secretária) e bispa Marisa de Freitas Ferreira (Assistente do Conselho Geral das Instituições Metodistas de Educação). DIRETOR GERAL - Robson Ramos de Aguiar DIRETOR DE FINANÇAS, CONTROLADORIA E GESTÃO DE PESSOAS - Ricardo Rocha Faria DIRETOR DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO, MARKETING E SUPRIMENTOS - Ronilson Carassini

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DIRETOR NACIONAL DE ENSINO SUPERIOR - Fabio Botelho Josgrilberg GERENTE JURÍDICO - Rubens Gonçalves de Barros REITOR: Paulo Borges Campos Jr.; Coordenadora de Graduação e Extensão: Alessandra Maria Sabatine Zambone; Coordenadora de EAD: Adriana Barros Azevedo; Coordenador de Pós-Graduação e Pesquisa: Davi Ferreira Barros. DIRETORES - Nilton Zanco (Escola de Ciências Médicas e da Saúde), Kleber Nogueira Carrilho (Escola de Comunicação, Educação e Humanidades), Carlos Eduardo Santi (Escola de Engenharias, Tecnologia e Informação), Fulvio Cristofoli (Escola de Gestão e Direito) e Paulo Roberto Garcia (Escola de Teologia).


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CIDADE

Mercadão do Rudge completa 49 anos Produtos de qualidade e lojas tradicionais do bairro são diferenciais Fotos: Guilherme Portugal/RRJ

Guilherme Portugal Lorena S. Ávila

O MERCADO Municipal Hélio Masini está completando 49 anos neste mês. O tradicional espaço de compras do Rudge é conhecido pela diversidade de produtos e proximidade com os comerciantes, o que acaba cativando os consumidores. Conhecido simplesmente como Mercadão, é o único da região a resistir ao tempo – funciona desde de 1968. Com aproximadamente 50 lojas, o local vende de tudo: verduras, legumes, cereais, temperos, doces, frutas, flores, laticínios, carnes, aves, massas, bebidas, roupas, calçados, papelaria, utensílios domésticos, artesanato, jornais e revistas. O espaço conta também com um restaurante por quilo, um japonês e uma cafeteria. “Nesses 34 anos que frequento o Mercado, eu encontro de tudo. Eu pego meu carrinho e venho fazer compras sempre”, diz a moradora do bairro Nilma Bueno de Oliveira. A lojista Marlene Faria José, 76, tem um açougue no espaço desde sua inauguração. Ela diz que a qualidade, tanto dos seus produtos como dos outros lojistas, é o que agrada e fideliza os clientes. “Trabalhamos com a melhor mercadoria e procuramos fazer sempre o melhor possível”. Ainda de acordo com Marlene, sua loja, em específico, tem clientes de vários lugares, não só de São Bernardo como de São Paulo tam-

O espaço foi fundado em 1968 e tem, hoje, cerca de 50 lojas que vendem uma infinidade de produtos

bém. “Tem uma moça que vem da Vila Mariana, e outra que vem lá de Guararema fazer compras aqui pelo menos uma vez por mês”. O local é usado também como passagem de pedestres, por ficar no quarteirão entre a avenida

RÁPIDAS  Novembro Azul As Unidades Básicas de Saúde (UBS) do Rudge promovem neste sábado (11) ações da campanha do “Novembro Azul”, que buscam conscientizar os homens sobre o câncer de próstata e cuidados com a saúde. Das 8h às 14h, nas unidades da rua Ângela Tomé, 246, e Rua Aura, 79, médicos estarão de plantão para tirar dúvidas e encaminhar os pacientes para realização de exames. 

 Turismo Industrial

Caminho do Mar e a rua Ministro Oswaldo Aranha. Além disso, serve como passeio dos estudantes de colégios dos arredores, que costumam frequentar a pastelaria, a lanchonete e a papelaria. São aproximadamente mil pessoas circulando

 Abandono

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nos espaços das lojas por dia. Aos sábados, esse número aumenta para quase duas mil pessoas. Sônia Centulho é proprietária da papelaria do Mercadão e é também presidente da Associação dos Lojistas. Ela fala que os comerciantes se reúnem com o propósito de encontrar maneiras de gerar mais movimento. “Mesmo com os horários apertados de todos, divulgar e destacar o espaço tem sido o foco”, diz. No mês passado, o Mercadão buscou usar o Outubro Rosa não apenas para apoiar a causa, mas também como ação de marketing para atrair mais movimento. Um evento em parceria com o Grupo de Apoio à Mulher Mastectomizada foi realizado com o objetivo de conscientizar as clientes. “Além desses eventos gerarem mais movimento é uma forma de devolvermos para os nossos clientes algo de bom. Quando contratamos cantores ou corais é muito legal, a música alegra o ambiente e quem está passando por aqui”, diz Sônia. Claudio de Mateus tem uma loja de artesanatos há cinco anos e fala que a circulação do mercado é boa, mas espera que os eventos possam trazer mais consumidores. Segundo ele, nesses 50 anos em que mora no bairro, sempre gostou dos artigos alimentícios do mercado, mas se preocupa com o movimento. “Acho que a Praça de Alimentação deveria ser expandida. Só tem um restaurante no andar dela. Isso seria um grande chamativo”. A administração do Mercado Municipal vem da prefeitura de São Bernardo e está sob a coordenação da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo (SDET). O espaço funciona de segunda a sábado, das 8h às 19h. O endereço é Avenida Caminho do Mar, 3344. Há estacionamento com capaciadade para até 60 veiculos, que funciona no sistema rotativo. 

Guilherme Guilherme/RRJ

O 2° Congresso Brasileiro de Turismo Regional será realizado nesta quinta (9) e sexta-feira (10), no Senac São Bernardo (av. Senador Vergueiro, 400 – Centro). O evento terá palestras, debates, além de visita monitorada a empresas e apresentação de trabalhos acadêmicos sobre a temática. 

 Dia da Consciência Negra Em comemoração do dia da Consciência Negra – no próximo dia 20 – o Núcleo de Arte e Cultura da Universidade Metodista de São Paulo promove nesta sexta-feira (10), às 19h30, mais uma edição do Sou Show Afro, evento que propõe reflexão e debate sobre o tema por meio de apresentações artísticas. Interessados em participar devem comparecer ao campus Rudge Ramos (rua Alfeu Tavares, 149) e levar um litro de leite longa vida. 

O espaço que era utilizado pelo Centro de Ação Psicossocial (CAPS), na rua Sacramento, no Rudge, está desativado. No local, há ratos andando sobre o lixo amontoado, além de pichações nos muros internos e externos e mato alto. O espaço

pertence à Prefeitura de São Bernardo, que, segundo os moradores e comerciantes vizinhos, iniciou uma reforma no começo do ano, mas, suspendeu as obras. Até o fechamento desta edição, a prefeitura não retornou para esclarecimentos. 


CIDADE

Guilherme Mazer

EM SÃO BERNARDO, trânsito engarrafado já é parte da rotina dos moradores e de quem trafega pelas principais vias da cidade. Segundo dados do site de monitoramento de trânsito Maplink, a cidade registra médias diárias de 50km de congestionamento, variando de acordo com o dia da semana e a hora. Os piores índices costumam ser registrados às terças-feiras, das 7h às 8h e das 18h às 19h. Para quem faz parte dessa estatística, chegar ao destino desejado é tarefa árdua. É o caso do vendedor Paulo Cesar, 54, que mora nas proximidades da avenida do Taboão e conhece como poucos o cotidiano de estresse nas vias do bairro. “Esse pedaço todo dia está engarrafado. Dependendo do horário, fica tudo parado”. Cesar também comentou que não acha que há alternativas suficientes para escoamento do trânsito desta região, já que as únicas vias possíveis para o caminho que realiza diariamente, da casa ao trabalho, são as avenidas Taboão e 31 de Março. Estas duas avenidas fazem parte de uma vasta gama de pontos de congestionamento na cidade de São Bernardo, como apurado pela reportagem. As avenidas Caminho do Mar, Senador Vergueiro, Doutor Rudge Ramos, João Firmino, Castelo Branco, Lucas Nogueira Garcez, Piraporinha, Pereira Barreto e a Via Anchieta também encabeçam este grupo de gargalos do escoamento de veículos no município. Alguns pontos específicos destas vias são críticos. A própria reportagem, após apurar a situação na avenida do Taboão, demorou mais de 1h15 para percorrer um trecho de 3,9km, da avenida 31 de Março até a Universidade Metodista, no Rudge (foto). O semáforo localizado próximo ao Extra Anchieta, Corredor ABD e avenida Lions trava a livre circulação de carros. Dependendo do horário, o motorista pode demorar de 30 a 45 minutos para cruzar o trecho. Para Ricardo da Silva, que trabalha como taxista na região há dois anos, um ponto, em especial, atrapalha o andamento de sua rotina: a entrada da Via Anchieta para a Lucas Nogueira Garcez. “Os semá-

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Pontos críticos de trânsito causam transtorno em SBC Lentidão na cidade é de 50 km em horários de pico, conforme mapeamento Guilherme Mazer/RRJ

foros dificultam um pouco você andar por essa região. Eu acho que se fizessem um outro acesso vindo da Anchieta ajudaria muito, já que quatro pistas afunilam em apenas duas na Lucas, o que piora muito o trânsito”. Em uma cidade não planejada como São Bernardo, a malha viária apresenta deficiências. O desenvolvimento de ruas e avenidas não acompanhou o crescimento da população e da quantidade de automóveis no município, o que causa um problema crônico de falta de mobilidade. Ainda segundo dados do site Maplink, nos horários de pico, a cidade chega a ter 70km de lentidão. Ainda tratando dos picos de congestionamento, o motorista Bruno da Costa, 27, lembra que a situação piora em locais próximos a escolas e fábricas. “O trânsito fica muito intenso nos horários de entrada e saída dos trabalhadores, além de alunos saindo das aulas. Isso acaba aumentando o fluxo de carros”. Bruno

Av. Doutor Rudge Ramos é ponto importante de passagem de veículos vindos de São Paulo e São Caetano (acima); o mesmo acontece com a Via Anchieta, que escoa carros provenientes da capital paulista (ao lado)

Maristela Caretta/RRJ

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Reprodução/Google

PONTOS CRÍTICOS Cruzamento entre as avenidas Lions, 31 de Março e o Corredor ABD configura um dos pontos mais complicados do trânsito de São Bernardo. O trecho recebe veículos vindos de Diadema, Santo André, São Paulo (Anchieta) e do bairro Taboão, causando um gargalo no tráfego do município

também aponta que um dos problemas da cidade é a engenharia de tráfego, que segundo ele, faz de tudo

para piorar a situação. “Na João Firmino, aconteceu o pior caso de todos. Fizeram uma divisão na pista

na frente de um Centro de Formação de Condutores e acabou travando tudo”. 


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CIDADE

Fotos: Maristela Caretta/RRJ

Trânsito causa estresse diário em motoristas Julia Peres

DE ACORDO com pesquisa feita pelo Observatório Nacional de Segurança Viária no início de 2017, o Estado de São Paulo tem o menor índice de agressões no trânsito do Brasil, sendo registrados cerca de 11,8 mil mortos todos os anos. Muitas vezes em meio ao caos dos congestionamentos, as pessoas brigam, discutem ou até chegam a agredir uns aos outros. O estresse é uma das causas dessas discussões recorrentes. E não são apenas as pessoas que utilizam seus automóveis que estão incluídas nesta estatística, mas também as que dependem de transporte público. Caroline Martins mora em São Bernardo e estuda em São Paulo. Ela conta que demora cerca de 2h30 para chegar à faculdade. “Me sinto cansada. Muitas

vezes, cansa mais do que o próprio curso. As condições do transporte público são estressantes”. As consequências desse excesso de estresse resultam em várias doenças, além dos picos de raiva comuns de quem desenvolve tal condição. Palpitação, gastrite nervosa, e até mesmo úlcera, são algumas das patologias. “Às vezes, são pessoas que têm um grau alto de ansiedade, o que gera picos de estresse, xingamentos, imediatismo ou pessoas muito controladoras”, afirma a psicóloga Hezide Akemi de Martini. Muitos dos indivíduos utilizam o trajeto como válvula para descontar a raiva. André Ferreira Barbosa, fala como lida com a irritação. “Hoje em dia, não tenho mais alterações de humor no trânsito. Você começa a criar estratégias. Eu assistia vlogs no carro e ouvia muita música para enfren-

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Excesso de tempo gasto em congestionamento pode causar picos de raiva

tar os congestionamentos”. Pesquisa feita pelo site Boa Vontade, junto aos psicólogos da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (ABRAMET), indica alguns meios de evitar a

impaciência e o nervosismo no trânsito. Pensamentos positivos, ficar atento aos horários em que o trafego é mais intenso na cidade, se programar ao longo do dia, ser cordial, respirar fundo

caso se depare com algum acontecimento estressante e sempre ter caminhos alternativos para evitar os congestionamentos são algumas das medidas recomendadas para o dia a dia. 

cidade já formada que colaborem para melhorar a situação do trânsito? Russo: Sim, um exemplo de medida paliativa são os convênios entre estacionamentos e lojas, oferecendo vagas para clientes. A cidade poderia investir de forma mais contundente em transporte público também, incluindo metrô. Poderia ser instalado um sistema de rodízio no município, o que ajudaria em dias de maior intensidade de tráfego.

Vergueiro: uma das principais avenidas de São Bernardo, que liga o Rudge ao Centro

grama automaticamente para atender a demanda da melhor forma possível, também é uma alternativa.

Planejamento de tráfego de São Bernardo é falho Letícia Gonçalves

SÃO BERNARDO é uma cidade que apresenta malha viária mal organizada. Com a lentidão visível do trânsito do município, motoristas e usuários de transporte público têm problemas de locomoção, principalmente em horários de pico. Para entender melhor sobre o tema, a reportagem buscou informação com um especialista. Rogério Russo, 49, morador de São Caetano, é graduado pela Universidade de Santa Catarina em Segurança e Engenharia do Trânsito e atua no Departamento de Trânsito de São Paulo (DETRAN-SP). A seguir, os principais trechos da entrevista. Rudge Ramos Jornal: Como é feito o planejamento de tráfego de uma cidade? Rogério Russo: O planejamento do trânsito de uma cidade é de inteira responsabilidade da prefeitura. São colhidas

informações sobre número de bairros, quantidade de escolas, clubes, movimentação de veículos nas principais vias, fluxos de horário de pico, rodoviárias, entre outros. Também são levadas em conta a quantidade de empresas e as características únicas de cada município. Só assim, é possível fazer um projeto viário completo. RRJ: Como você avalia o trânsito de São Bernardo? Russo: É um trânsito caótico. São Bernardo é uma cidade grande, com mais de 800 mil habitantes. Sendo assim, não é tarefa fácil controlar um tráfego dessa magnitude. Ter uma boa equipe, com secretário e funcionários qualificados, é crucial. A cidade foi projetada para o tráfego de 60 anos atrás, com um projeto imediatista. Faltou pensamento futurista, com ruas largas e estacionamentos em forma de bolsão, por exemplo. RRJ: Existem medidas a serem tomadas em uma

RRJ: Os tempos dos se-

máforos ou semáforos trifásicos interferem na criação de engarrafamentos? Russo: Os trifásicos não interferem, desde que periodicamente seja feita a manutenção e o estudo do fluxo de carros nos horários de pico da forma devida. O semáforo inteligente, que analisa o tráfego e se pro-

RRJ: O quanto “ajuda” ou “atrapalha” a cidade possuir rodovias? Russo: Ajuda muito. São Bernardo é bem preparada nesse sentido. Por contar com montadoras como Scania, Ford, entre outras, a Rodovia Anchieta cumpre o papel de escoar as carretas que não teriam como coexistir com o trânsito comum de uma cidade regular. 


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ESPECIAL

Fotos: Nielly Nunes/RRJ

Nielly Nunes

COM MAIS de 100 anos da imigração japonesa, São Bernardo é uma das cidades que ainda registra a chegada dos estrangeiros ao Brasil. Praças, colégios, restaurantes e espaços culturais demonstram a presença dos japoneses no município. Para quem quer conhecer a cultura ou manter vivo os costumes, São Bernardo conta com diversos estabelecimentos que oferecem um pouco do Japão. Na cidade existem quatro associações que preservam a cultura da ilha e, em conjunto, comemoram anualmente o aniversário da imigração, o chamado Japão em São Bernardo. Três delas são a Associação Harmonia de Educação e Cultura, Associação Cultural Mizuho e o Bunka SBC. Todas são instituições filantrópicas e oferecem atividades ligadas ao país. Antigamente, conhecida como casa de estudantes, a Associação Harmonia, hoje, também é um colégio. Fundada na década de 1950, o local foi criado por iniciativa de um grupo de descendentes de japoneses. A ideia era ter uma casa de apoio aos seus filhos, que vinham do interior para a capital do estado estudar. Mais antigo que o colégio, a Associação Cultural Mizuho foi fundada em 1935 e é um espaço de preservação da cultura, atividades esportivas e sociais japonesas. O local surgiu na mesma época em que dez famílias japonesas chegaram a São Bernardo e compraram mais de 145 mil hectares de terra. Na época, o espaço da associação cultural foi reservado para a convivência e preservação da cultura tradicional nipônica. O Mizuho sempre foi aberto à população por meio de aulas de dança e esportes tradicionais do Japão. Frequentador da colônia desde menino, Artur Nakahara é coordenador da associação e comenta que aconteceram várias mudanças entre as gerações. “Tudo isso [bairro] era mato e não tinha nem ônibus, íamos até o centro a pé. Como não tínhamos nada para fazer, a nossa Mercado Mizuho, criado em 1970, leva o nome da primeira colônia japonesa de São Bernardo

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CURIOSIDADES 4 No Mizuho existe um memorial de agradecimento para as alma das galinhas. A avicultura auxiliou na prosperidade da colônia. 4 No dia dos Finados, 2 de novembro, é rezada uma missa em memória das árvores que deram frutos para a colônia . 4 Na educação japonesa, você “passa de ano” conforme a quantidade de caracteres aprendidos a cada período letivo. Quanto mais souber, mais graduado fica. 4 A maior comunidade japonesa fora do Japão é o Brasil. Os nativos dizem que os descendentes de japoneses daqui são mais fiéis a cultura do que aqueles que nasceram lá.

São Bernardo é considerada cidade irmã de Tokuyama, no Japão, e ganhou uma praça em homenagem

4 Na cultura japonesa, respeita-se muito o idoso e a criança. O idoso representa a história e a criança o futuro.

Espaços na cidade mantêm a história e costumes da...

...cultura japonesa

preservo o espírito japonês”. A colônia japonesa Mizuho foi a primeira a se formar na cidade. Pela atividade agrícola do local, as famílias fundaram a Cooperativa Agrícola de São Bernardo, fato que deu nome ao bairro hoje (bairro Cooperativa).

Bunka S.B.C Com intenção similar ao Mizuho, O Bunka SBC é uma associação também criada para Locais como o Mizuho e Bunka SBC têm dança, manter as tradições japonesas. comida típica e cursos educacionais do Japão A frequentadora Adriana Saiúnica diversão era chegar para jogarmos fubeca”, diz. to, 42, comenta que todas no campo e brincar com os Ele ainda acrescenta “o meu as documentações são aramigos. Aqui era um espaço coração é brasileiro, mas mazenadas em um acervo

próprio. “Oferecemos aulas de minyo (uma música mais tradicional), karaokê, escrita japonesa com pincel (chamada shodo), lutas, idioma japonês e muito mais”, diz. E não são só em associações que os descendentes de japoneses se fazem presentes. Comércios criados por eles na década de 1970 ainda resistem, e um deles é o Mercado Mizuho. O estabelecimento foi fundado em 1973 próximo ao bairro Cooperativa. O nome do estabelecimento foi uma referência à colônia japonesa, como comenta o comerciante Jorge Kioshi Sakata, 60. “Nós sempre tivemos muito contato com o pessoal da colônia, desde que viemos para cá”. Praça e Parque Em 1975, a prefeitura de São Bernardo entregou à cidade a Praça dos Meninos, que tem fortes traços da cultura oriental. Ela foi idealizada pelo vereador Kyoshi Tanaka e é uma homenagem à colônia japonesa na cidade. A presença dos imigrantes está até mesmo em um dos bens tombados de São Bernardo. A Cidade da Criança, parque temático municipal, possui o Jardim Japonês, espaço que também mantém viva a cultura japonesa na cidade. 


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ESPECIAL

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Comida típica do Japão torna-se presente em São Bernardo Tayla Sanchez

A CULINÁRIA japonesa foi incorporada pelo brasileiro. No ABC, há presença de comidas típicas, tais como rodízios de sushi, sashimi e bolos salgados a base de carne e vegetais. Inicialmente de forma tradicional, com arroz adocicado, pouco shoyu e presença de wasabi (tempero picante), os pratos nipônicos foram adaptados ao gosto popular. Os brasileiros inventaram e modificaram uma porção deles. Alguns ingredientes foram acrescentados, como creme de avelã, cream cheese, morango e banana. Quem é do ramo afirma que os restaurantes que servem pratos típicos do Japão tornaram-se presentes no ABC há cerca de quatro anos. No começo, os estabelecimentos costumavam oferecer um menu à la carte. Com aumento da procura, houve espaço para um novo tipo de cardápio: o rodízio. Antigamente, conhecido como festival

de comida japonesa, no rodízio as pessoas podiam experimentar pequenas porções de diversos pratos na mesma refeição. A preferência do brasileiro foi percebida, por exemplo, pelo baiano Robinson Monteiro, 30, proprietário do restaurante Asami Sushi, no centro de São Bernardo. No ramo há 13 anos, ele comenta que, hoje em dia, os restaurantes buscam mais agradar aos brasileiros do que preservar a tradição da culinária japonesa. “Com uma grande variedade de sabores, a gente procura atender a todos os gostos. Quem não come peixe cru, por exemplo, pode pedir os fritos”, comenta. Os temperos e condimentos foram dosados ao gosto brasileiro. Nivaldo Batista, 37, é um dos gerentes do Yukisue Sushi, no Jardim do Mar, e diz que o tradicional foi dando mais espaço para novas possibilidades. “Fomos mudando e acrescentando

Tayla Sanchez/RRJ

Restaurante localizado na avenida Nações Unidas, próximo ao centro de São Bernardo (acima); Yuksue, restaurante que possui duas unidades na cidade e que tem mesas no estilo tatame (ao lado)

ao paladar dos brasileiros. Aqui usamos muito molho shoyu, mas no Japão as pessoas consomem em menor quantidade”, disse. Os ingredientes também passaram por adapta-

Costumes japoneses ainda são passados de geração em geração Thalita Ribeiro

RESPEITO aos mais velhos, disciplina e idioma. Essas são algumas das heranças que os japoneses imigrantes deixaram às futuras gerações, mesmo depois de mais de 100 anos que eles vieram para o Brasil. O ABC também abrigou esses imigrantes, especialmente a partir da década de 1930. Muitos nativos não estão mais vivos, mas, em São Bernardo, quem conviveu com familiares vindos do Japão ainda conserva os costumes e cultura em casa. Quem cresceu em meio à cultura japonesa sente a influência na criação e costumes estrangeiros. A dona de casa Terezinha Kayoko Abe Motoda, 54, é

descendente de japoneses, e conviveu com os avós que eram nativos do Japão. Ela conta que aprendeu a falar primeiro o japonês, um costume que já veio do seu pai. “Ele queria manter a tradição e cultura. Como morávamos com meus avós, falávamos japonês em casa para que entendessem também”, disse. A dona de casa tem duas filhas, e disse que também tentou passar essa vivência para elas. “Ensinei algumas palavras do japonês, mas preferi não forçar, pois eu tive dificuldades com a língua portuguesa quando cheguei na escola.” Terezinha também morou com outros familiares. Ao todo eram 14 pessoas e ela comentou sobre a hierarquia e união familiar

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ções. Profissional na culinária japonesa, Rudhison Salomão, 35, disse que muita coisa mudou. “Quando comecei a trabalhar, o temaki era de maionese e cebolinha. Hoje, usamos

muito o cream cheese. O sushi, chamado de califórnia, era preparado com abacate, pepino e kani. Agora usamos manga ao invés de abacate” comentou ele, acrescentando que o brasileiro inventou o sushi doce, com chocolate, creme de maracujá e goiabada. A estrutura dos restaurantes japoneses do Brasil também foram modificadas quando comparadas com as do Japão. “Os tatames, geralmente utilizados pelos japoneses, são mais baixos e as pessoas precisam sentar no chão, sem os calçados. Muita gente não gosta disso”, comenta Robinson. 

Thalita Ribeiro/RRJ

A professora Luiza Nakahara ensina taiko para crianças entre 8 e 13 anos; segundo ela, é uma forma de passar para outras gerações a cultura e o costume nipônico

presenciada por ela. Durante as refeições, a família precisava estar toda reunida. Na hora do banho, a preferência era pelos homens mais velhos, até chegar na mulher mais nova. “Foram coisas que marcaram a minha infância”. Esses costumes também são retratados pelo aposentado Ricardo Sadaaki Saito, 68. Filho de japonês, Saito

comenta que, em casa, nas refeições, enquanto seu pai não começava a comer ninguém comia. O agradecimento no momento da refeição também era comum. “Nós fazemos até hoje aqui em casa. É um costume em que agradecemos pelo alimento e para quem o preparou”, disse. Saito também falou que o que considera mais im-

portante em sua criação é o respeito ao próximo, vindo da cultura japonesa. “Aprendemos a respeitar o que é do outro, o espaço do outro. Isso é muito forte para mim.” Aqueles que já têm familiares falecidos, preservam o costume de lembrá-los no altar japonês. É o caso do comerciante Alberto Koiche Takaesso, 64. Seu pai já é falecido e, pela cultura e costumes, o comerciante acende incenso em memória do familiar todo dia primeiro e 15 do mês. “As minhas irmãs vêm até a minha casa para acender também, pois o altar dos nossos pais fica comigo”, disse Takaesso ao explicar que o filho mais velho é responsável por cuidar dos pais, mesmo depois de falecidos. 


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ESPORTES

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Times do ABC já planejam 2018 Veja como as equipes estão se preparando para o calendário e campeonatos do ano que vem Divulgação: Beto Garavello/PSA

Gabriel Argachoy/RRJ

Guilherme Papa

COM O fim do ano se aproximando, as equipes de futebol do ABC já olham para 2018. Esporte Clube Santo André, São Bernardo Futebol Clube, Esporte Clube São Bernardo e Associação Desportiva São Caetano são os times que já têm planejamento. A reportagem do RRJ conversou com dirigentes desses clubes para ver o que o torcedor pode esperar em 2018. EC Santo André O ano de 2017 do Ramalhão pode ser considerado decepcionante. No retorno à Série A do Campeonato Paulista, a equipe batalhou até a última rodada para não ser rebaixada. “A campanha do Campeonato Paulista foi abaixo do esperado. A gente esperava se classificar para as quartas de final e, quem sabe, para a semifinal. Tivemos que brigar para não sermos rebaixados e conseguimos, o que é muito importante para um time menor, especialmente na parte financeira”, disse Juracir Catarino, diretor do EC Santo André. Emerson Livolis, vice-presidente do time, afirmou que vai manter a comissão técnica para o próximo ano. “Já temos conversa muito adiantada com Sérgio Soares (técnico), mas ainda não está assinado”, explicou. Livolis comentou que o treinador tem participado do planejamento para a temporada, assim como na

São Caetano 2x1 Juventus da Mooca, no Anacleto Campanella, pela Copa Paulista de 2017

questão dos reforços. Dos nomes que podem chegar ao Ramalhão, o vice-presidente afirmou que alguns atletas já estão próximos do clube. “Com conversas bem adiantadas, temos pelo menos meia dúzia de atletas”. São Bernardo FC O Tigre não teve a mesma sorte que seu vizinho e foi rebaixado no Paulistão em 2017. No segundo semestre, o clube participou pela primeira vez da Série D do Campeonato Brasileiro e teve uma campanha razoável. O São Bernardo chegou às oitavas de final e acabou eliminado pelo São José (RS) nos pênaltis. Para a disputa da Série A2 em 2018, o executivo de futebol, Egard Montemor Fernandes Filho, disse que haverá um corte no orça-

mento. “Nós teremos uma verba menor, mas todos os clubes têm a verba igual a gente. O nível do São Bernardo vai ser o nível da A2, assim como todos os outros clubes, que vão montar seus elencos baseados no patrocínio que buscam, que é difícil de conseguir, e no dinheiro da televisão”. Montemor afirmou que não terá mudança na comissão técnica. “O treinador Wilson Júnior e a comissão técnica têm contrato até o final do ano que vem”. EC São Bernardo O “Cachorrão” disputou uma competição menos “badalada” que os outros times da região, o que não significa ser mais fácil. Atuando na quarta divisão do Campeonato Paulista, a equipe garantiu vaga na Série A3 de 2018. O EC São Bernardo mostrou uma campanha sólida desde o início do torneio, em abril. Brenno Presutto, ge-

Região recebe a 81ª edição dos Jogos Abertos do Interior Guilherme Guilherme

CINCO CIDADES do ABC (Santo André, São Bernardo, São Caetano, Mauá e Ribeirão Pires) vão receber a 81ª edição dos Jogos Abertos do Interior “Horácio Baby Barioni”, entre os dias 16 e 26 de novembro. São esperados dez mil atletas, de 183 cidades do Estado de

São Paulo, de acordo com a Secretaria de Esportes, Lazer e Juventude do Estado. Esta é a primeira vez que uma região – e não uma única cidade – é escolhida para ser sede do evento. A abertura dos Jogos Abertos será realizada na sexta-feira (17), em São Bernardo, no Ginásio Paulo Cheidde, o Baetão. O evento, que contará com a delegação

rente de futebol, comentou sobre reforçar o elenco para a disputa da Série A3. “Eu, juntamente com o Ricardo Cesar da Costa (treinador), tenho o monitoramento de alguns atletas. Jogadores que podem vir no ano que vem e agregar no elenco”, explicou. “Mas ainda nada está definido, nada 100% concretizado”, completou. Outro tema abordado pelo gerente de futebol foi a comissão técnica para 2018. “A princípio, não tem nada definido. Em breve com certeza anunciaremos novidades”. AD São Caetano O Azulão está de bem com a torcida. Após ser campeão da Série A2, e subir para a Série A, a equipe vive um bom momento na Copa Paulista. O campeão deste torneio pode escolher entre uma vaga na Copa do Brasil ou na Série D do próximo ano. Como o título da Série A2 já garantiu a participação na Copa do Brasil, fatu-

Maristela Caretta/RRJ

das cidades participantes, está marcado para as 15h. Como ocorre todos os anos, os atletas devem ficar alojados nas escolas estaduais dos municípios-sede.

Aplicativo é lançado para acompanhar os jogos

No total, 55 escolas servirão de alojamento. Destas, 23 ficam em São Bernardo, 22 em São André, sete em São Caetano, duas em Mauá e uma em Ribeirão Pires. Ao todo, são 38 modalidades, sendo que a disputa de alguns esportes será

Estádio Bruno Daniel não recebe partida de futebol há mais de cinco meses

rar a Copa Paulista significa o retorno do AD São Caetano às divisões nacionais. Para disputar o Paulistão em 2018, o diretor de futebol da equipe, Genivaldo Leal, disse que o time poderá ganhar novas peças. “Existe sim a possibilidade de vir alguns jogadores para reforçar o elenco. Temos uma relação com mais de 200 atletas, e estamos analisando juntamente com o treinador Luiz Carlos Martins para vermos o que é melhor”. O torcedor do Azulão Agostinho Folco, presidente da torcida “Bengala Azul”, também acredita na necessidade de mais jogadores para o time. “Vão precisar de reforços, jogadores com mais qualidade. Esperamos que a diretoria consiga fazer com que entre mais atletas”. 

dividida por idade. No caso do basquete, handebol, vôlei e futsal, atletas com até 21 anos estão em uma categoria separada da livre, em que não há limite de idade. O futebol masculino é disputado apenas por atletas jovens, com até 20 anos. Para acompanhar a competição, foi lançado um aplicativo chamado “Jogos Grande ABC”. Até o início da disputa, o app deve conter a programação completa das partidas, o ranking de medalhas por cidade e o endereço dos alojamentos. 


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De 9 a 22 de novembro de 2017

RUDGE RAMOS Jornal da Cidade Fotos: Lorena S. Ávila/RRJ

Lorena S. Ávila

Jovens contadores de histórias criam peça baseada nos livros de contos de fadas com o projeto Contando História, na Fundação Criança SBC

Era uma

VEZ... Fundação Criança SBC leva o projeto cultural ‘Contando História’ a milhares de crianças do município

Sou fã desse projeto e acho incrível. Com certeza as crianças que crescem convivendo com a arte serão futuros adultos diferentes e muito melhores.” Thaís Póvoa

Atriz e Produtora Cultural

As obras lidas vão desde livros como Dom Quixote, O Pequeno Príncipe, até contos de fadas da Disney, movimento que incentiva uma leitura plural, envolvendo clássicos a livros atuais. Os textos que são mais complexos ganham formas de narrativa diferenciadas, com uma linguagem mais fácil. O projeto elabora as oficinas de acordo com a programação pedagógica de cada escola e professor. Os estudantes que têm o compromisso de transmitir o conhecimento e a cultura para as crianças também são beneficiados. Com brilho nos olhos, a estagiária Fabiana dos Santos, 18, conta que descobriu no programa a paixão que sente por Artes

Murilo Rodrigues

LER É como adentrar universos nunca antes explorados, desbravar o mundo e se redescobrir. É com essa visão que a Fundação Criança SBC criou o projeto Contando História, que há dez anos leva o ensino literário para mais de 40 mil crianças no município. O estímulo à leitura não só permite que os garotos adquiram conhecimento, como ajuda a criar vínculos familiares e comunitários com a sociedade. Josenildo Gonzaga, o Jô, é coordenador de programas sociais. Para ele, o Contando História gera um enorme impacto social e faz muito mais do que apresentar os livros para as crianças. “A leitura é um instrumento para a promoção social. Não é somente sobre contar histórias para outras pessoas, tem a ver com a construção da vida delas”, disse. Ainda segundo o coordenardor, os jovens que trabalham no projeto apresentam melhoria da autoestima, nas relações familiares e interpessoais, além da superação das condições de vulnerabilidade. “Muitos deles enfrentam a depressão, embates sexuais, problemas com drogas”, explica. Já em relação às crianças beneficiadas pelo projeto, Jô afirma que é uma questão afetiva e psicológica. “Quando a criança se desperta para os livros, ela consegue trabalhar seus conflitos, angústias e desejos, além de adquirir um aprendizado. Contar histórias é um ato de carinho”. Atualmente, o projeto presta assistência para alunos de escolas públicas, as EMEBs, e conta com a participação de adolescentes e jovens de diversas comunidades como auxiliares. A rotina dos participantes é realizar leituras, entre outras intervenções culturais como teatro e debates, levando ao público adaptações literárias e, consequentemente, criando um interesse ainda maior pelas histórias.

Espaço conta com incentivo a leitura com obras que vão de Dom Quixote até contos de fadas da Disney

Cênicas e Pedagogia. “Esse projeto me ajudou muito a ter autonomia, a sair de casa e descobrir outras coisas. Não só pelo curso que eles oferecem, mas por todo o aprendizado que a gente leva. Me ajudou muito a abrir a mente e a ver que o mundo não é só o que a gente acha que é”. A atriz e produtora cultural Thaís Povoa, mãe de uma aluna que participa do projeto, reconhece a importância do comprometimento artístico.“Eu conheço o Contando História há muito tempo, sou fã desse projeto e acho incrível. Com certeza as crianças que crescem convivendo com a arte serão adultos diferentes e melhores”. Os estudantes de 15 a 17 anos que querem participar do projeto podem se inscrever por meio de um edital público postado no site da Fundação Criança São Bernardo. Os selecionados têm aulas de cidadania, direitos humanos e técnicas básicas de leitura oferecidas pelo órgão. O projeto ainda conta com uma bolsa auxílio da Secretaria da Educação. Os encontros são realizados nas bibliotecas das escolas municipais de São Bernardo. Ainda esse ano, a Fundação Criança estará com uma programação especial em comemoração dos dez anos do projeto Contando História. É possível encontrar mais informações sobre o projeto no site da Fundação Criança http://www.fundacaocrianca.org.br/. 


RUDGE RAMOS Jornal da Cidade

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CULTURA 11

Biblioteca Móvel do Sesc incentiva a leitura na região Lorena S. Ávila

A INICIATIVA cultural BiblioSesc, um caminhão com livros que passa por São Caetano e Diadema, permite que os moradores de cada região peguem livros emprestados. O projeto ainda oferece intervenções artísticas na rua, como músicas, rodas de bate papo e encenações. Atualmente, 56 caminhões circulam por todo o país, principalmente em municípios e cidades pequenas do interior. Os beneficiados pelo caminhão literário têm acesso a mais de dois mil livros de gêneros variados, como terror, aventura, fantasia, ficção científica, romance, livros nacionais, estrangeiros e infantis, além de revistas e jornais. Essa pluralidade permite que os leitores não apenas encontrem as suas histórias favoritas, como estimula que eles conheçam outros tipos de literatura. Para André Carlos, Bibliotecário responsável por comandar o BiblioSesc do

ABC, o incentivo à leitura é mais que essencial nos dias atuais, e o trabalho de levar o conceito para mais lugares é gratificante. “Para mim, é uma grande satisfação, eu gosto disso. O BiblioSesc é muito legal e anda por várias cidades, a gente se diverte, faz rodas de conversa. Acaba criando um clima de comunidade com as pessoas e até mesmo um vínculo”. Cada semana, leitores de todas as idades visitam o caminhão, mas são as crianças que frequentam mais os pontos de parada. Os livros infantis e infanto juvenis são os mais procurados. Já suspense, mistério e terror estão entre os preferidos dos adolescentes e adultos que procuram por Agatha Christie e Arthur Conan Doyle, autor de Sherlock Holmes. A microempreendedora Eliany Rodrigues foi visitar o BiblioSesc com a filha e aprovou. “Nesse mundo globalizado e com a internet cada vez mais fácil para todos, nos distanciamos dos livros. ‘Sentir’ o

São Bernardo oferece livros em braille Guilherme Portugal

O ESPAÇO Braille da Prefeitura de São Bernardo oferece literatura para pessoas com deficiência visual. No local, os portadores de deficiência têm a oportunidade de ler obras em braille e escutar os chamados áudiolivros também. O projeto funciona dentro da Biblioteca Monteiro Lobato e tem um acervo constituído por mais de mil livros em braille e aproximadamente 250 livros gravados (arquivos disponibilizados em CD). O espaço está completando 20 anos em 2017. Elaine Magarotto é responsável pela Biblioteca Monteiro Lobato desde 1996. “A biblioteca, em 1997, tinha um acervo muito grande de braille. Houve uma iniciativa de

bibliotecárias, na época, de montar um espaço, o que seria o Espaço Braille”. A diretora também explica que o local não possui o maior foco em empréstimos de livros. “Hoje, atendemos de uma outra forma, fazemos um atendimento muito mais social do que propriamente emprestando livro”. Há um trabalho voltado para a audição do deficiente e impressão em braille para professores e estudantes. Já Cristiane Aparecida, que é a responsável pelo espaço e que também é deficiente visual, revela que muitos dos frequentadores hoje não leem mais em braille, e acabam usando mais os áudiolivros. Os materiais para deficientes visuais são todos doados pela Fundação Dorina Nowill para Cegos.

Fotos: Gulherme Portugal/RRJ

O caminhão literário estaciona nos espaços públicos dos municípios

livro para mim é muito importante e é o que me faz querer incentivar minha filha e todos a minha volta a lerem”. Ainda de acordo com Eliany, o BiblioSesc faz com que as crianças e os adultos deixem um pouco de lado as mídias digitais para se aprofundarem “de corpo e alma na leitura e aguçar a imaginação de forma verdadeira e plena”.

Não é só quem gosta de ler que sente mudanças com o BiblioSesc. O auxiliar Wellington dos Santos afirma que muitas coisas mudaram em sua vida desde que começou no projeto. “Para mim, tem gerado um impacto grandioso. Eu estou lendo muito mais desde que comecei a trabalhar aqui. Os outros leitores acabam despertando o meu interesse nos livros

que estão lendo. Eu acabo aprendendo muito mais. Sinto que é algo importante e muito positivo. Levo isso para a minha casa e livros para a minha filha que já tem se interessado muito por leitura”. No ABC, o BiblioSesc percorre as ruas de São Caetano e Diadema. Datas, locais e horários estão disponíveis no site: www. sescsp.org.br. 

lizados para empréstimos a todos, mas os CDs de áudiolivros só podem ser emprestados aos usuários com deficiência. Para a retirada de material, é necessário se cadastrar levando comprovante de endereço e RG. O empréstimo dura no prazo de 15 dias, mas pode ser renovado pelo mesmo período. Os interessados em participar das oficinas em

braille precisam ligar e se inscrever pelo telefone 2630-5100. As oficinas são oferecidas pela própria coordenadora que apresenta o braille para todos os públicos. O espaço funciona de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h, e aos sábados, das 8h às 14h. A Biblioteca Monteiro Lobato fica na Rua Jurubatuba, 1.415, Centro. 

Obras em braille contribuem na formação intelectual do deficiente visual

Flávio Henrique de Souza frequenta o espaço de vez em quando e diz gostar, embora existam críticas. “O trabalho que a Cristiane apresenta aqui é muito importante, mas ainda assim poderiam melhorar a acessibilidade. Falta o piso tátil para deficientes visuais que usam bengala”. O espaço oferece também equipamentos especiais: impressora, acesso à internet, máquina de escrever, regletes (instrumento de escrita manual em braille), punções (utilizado para reconhecer os pontos em relevo), sorobãs (aparelho de cálculo) e ampliador para usuários com baixa visão. Além disso, há atividades culturais e de leitura em braille e libras, com a proposta de inclusão social de maneira interativa. Os livros são disponibi-


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RUDGE RAMOS Jornal da Cidade

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