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Produzido pelos alunos do Curso de Jornalismo ANO 37 - Nº 1069

De 31 de agosto a 13 de setembro de 2017

Sobe o número de mortes no trânsito em São Bernardo Crescimento no primeiro semestre de 2017 foi de 65% em relação ao mesmo período do ano passado; pilotos de moto e pedestres são as principais vítimas. Pág. 3

» SAÚDE

» ESPORTE Maria Cecília Reina/RRJ

Luciana Serpeloni/RRJ

Cada vez mais mulheres optam por ajuda de doulas durante a gestação Págs. 4 e 5

Cerca de 600 alunos praticam o badminton nas escolas da cidade; centro de treinamento é inaugurado. Págs. 8 e 9 Divulgação

» CULTURA Peça “Trair e coçar é só começar” volta a São Bernardo Pág. 12

» EMPREGO Inglês é essencial para se destacar no mercado de trabalho Págs. 6 e 7

João Souza/RRJ


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RUDGE RAMOS Jornal da Cidade

De 31 de agosto a 13 de setembro de 2017

CIDADE

RÁPIDAS

Ariel Correía e Iago Martins

 Metodista comemora 20 anos como universidade Paula Maiquez/RRJ

A Metodista está comemorando, em 2017, 20 anos como universidade. A instituição nasceu em 1938, com a abertura da Faculdade de Teologia da Igreja Metodista, no Rudge. Em 1997, quando já tinha 17 cursos de graduação e cerca de cinco mil alunos, conquistou o reconhecimento como universidade. Atualmente, são 21,7 mil alunos divididos em 80 cursos presenciais e a distância, outros 30 de pós-graduação (especialização e MBA) e nove programas stricto sensu (mestrado e doutorado). Além do campus Rudge Ramos, possui outros dois em São Bernardo: os campi Planalto e Vergueiro.

Estacionamento Rotativo A nova cabine do Rotativo São Bernardo, instalada este mês no Largo do Rudge, funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, e aos sábados, das 8h às 14h. Entre os serviços prestados, estão a compra de

Segurança

Ônibus

cartão ou talão que deve ser fixado no carro durante período de estacionamento nas ruas, bem como o recebimento do valor da infração para quem ultrapassar o período de tolerância. Outras duas cabines deste tipo já funcionam na Praça Lauro Gomes e na Vila Euclides.

Horta Urbana

Daniela Pegoraro/RRJ

JORNAL DA CIDADE editorial@metodista.br Rua do Sacramento, 230 Ed. Delta - Sala 141 Tel.: 4366-5871 - Rudge Ramos São Bernardo - CEP: 09640-000 

Produzido pelos alunos do curso de Jornalismo da Escola de Comunicação, Educação e Humanidades da Universidade Metodista de São Paulo

DIRETOR Kleber Nogueira Carrilho COORDENADOR DO CURSO DE JORNALISMO Rodolfo Carlos Martino EDITORA-EXECUTIVA E EDITORA DO RRJ Camila Escudero (MTb: 39.564) EDITOR DE ARTE José Reis Filho (MTb 12.357) ASSISTENTE DE FOTOGRAFIA Maristela Caretta (MTb 64.183)

EQUIPE DE REDAÇÃO - Alvaro Augusto, Ariel Correia da Silva,

Bárbara Caetano, Bruno Pegoraro, Daniela Pegoraro, Érika Motoda, Felipe Freitas, Gabriel Argachoy, Guilherme Guilherme, Iago Martins, Luis Henrique Leite, Luiza Lamas, Mariana Cunha, Marina Harriz, Rodrigo Monteiro, Thalita Ribeiro e alunos do curso de Jornalismo.

TIRAGEM: 10 mil exemplares - Produção de Fotolito e Impressão: Gráfica Mar-Mar

Está em fase de testes a implementação de um sistema para pagamento de passagens de ônibus municipais por meio de cartão de crédito. A ideia é que o funcionamento seja parecido com o utilizado em transações financeiras no varejo, sem a necessidade do uso de senha, semelhante ainda ao Cartão Legal. A opção, ainda sem data para ser implantada, está prevista apenas para três linhas com grande circulação: 01, que realiza o trajeto Esperança/ Taboão; 05, Jardim Laura/Paço Municipal; e 33, Jardim Pinheiro/Paço Municipal.

Empreendedorismo

Uma horta comunitária já está funcionando em um terreno cedido pela Eletropaulo na rua Afonsina, no Rudge. O espaço é gerenciado pela Associação Global de Desenvolvimento Sustentado (AGDS) e já atende 14 famílias. Nele, são plantados diversos tipos de verduras e legumes para consumo e venda. Interessados em cultivar um lote devem entrar em contato pelo e-mail agds@ agds.org.br. O único requisito é ser morador de São Bernardo. Investimentos como material, sementes, adubo etc. são de responsabilidade das famílias.

Rudge Ramos

Uma base da Guarda Civil Municipal (GCM) de São Bernardo foi inaugurada no último sábado (26), na Vila Marchi. O objetivo é reforçar a segurança na região e servir de apoio para o atendimento de ocorrência nos bairros Assunção, Jardim Planalto e Calux. O espaço foi construído na antiga sede da Secretaria de Obras. Segundo informações da prefeitura, aproximadamente 100 GCMs devem trabalhar efetivamente no local.

Os interessados em abrir um negócio em São Bernardo têm até o dia 29 de setembro para participar da chamada pública para recolhimento de projetos do Centro de Empreendedorismo e Inovação Tecnológica (CEITEC), que funciona como uma incubadora de empresas. O objetivo é auxiliar novos empresários no planejamento e implementação do negócio, no que diz respeito às áreas jurídicas, financeiras, tecnológicas, etc. De acordo com o edital (disponível no site www.saobernardo.sp.gov.br), 20 projetos devem ser selecionados para iniciar em 2018.

DIRETOR DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO, MARKETING E SUPRIMENTOS - Ronilson Carassini

CONSELHO SUPERIOR DE ADMINISTRAÇÃO Aires Ademir Leal Clavel (vice-presidente); Esther Lopes (secretária); Rev. Afranio Gonçalves Castro; Augusto Campos de Rezende; Jonas Adolfo Sala; Rev. Marcos Gomes Tôrres; Oscar Francisco Alves Jr.; Valdecir Barreros; Renato Wanderley de Souza Lima (suplente). DIRETOR GERAL - Robson Ramos de Aguiar VICE-DIRETOR GERAL - Gustavo Jacques Dias Alvim DIRETOR DE FINANÇAS E CONTROLADORIA - Ricardo Rocha Faria

REITOR: Paulo Borges Campos Jr.; Coordenadora de Graduação e Extensão: Alessandra Maria Sabatine Zambone; Coordenadora de EAD: Adriana Barros Azevedo; Coordenador de Pós-Graduação e Pesquisa: Davi Ferreira Barros. DIRETORES - Nilton Zanco (Escola de Ciências Médicas e da Saúde), Kleber Nogueira Carrilho (Escola de Comunicação, Educação e Humanidades), Carlos Eduardo Santi (Escola de Engenharias, Tecnologia e Informação), Fulvio Cristofoli (Escola de Gestão e Direito) e Paulo Roberto Garcia (Escola de Teologia).


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CIDADE

De 31 de agosto a 13 de setembro de 2017

Cresce o número de mortes no trânsito de São Bernardo Primeiro semestre de 2017 teve 65% mais mortes em comparação com o mesmo período do ano passado Érika Motoda Thalita Ribeiro

AS MORTES no trânsito aumentaram em São Bernardo em 2017. No primeiro semestre deste ano, 51 pessoas morreram. No mesmo período de 2016, foram 31 mortes, ou seja, uma alta de 65% na comparação. Carros e motos foram os veículos que mais se envolveram em ocorrências fatais, com 23 e 48 casos, respectivamente. São Bernardo não é a única cidade do ABC a registrar o aumento. Nos sete municípios da região, a quantidade de mortes no trânsito, neste ano, foi de 130. Em 2016, foram 118. As informações são do Infosiga, banco de dados do Estado de São Paulo sobre segurança no trânsito. Na opinião do engenheiro de tráfego Rogério Russo, as cidades deveriam investir em três vertentes da mobilidade urbana para resolver o problema: infraestrutura, fiscalização e prevenção. Infraestrutura As condições do tráfego interferem na direção e, consequentemente, nos acidentes e quantidade de mortes no trânsito. As placas, por exemplo, são colocadas em locais que não facilitam a tomada de decisão do motorista. “Você tem que pensar muito rápido para entrar em uma rua. Se você para o carro com esse trânsito, o pessoal já buzina”, disse o engenheiro. Neste caso, recorrer a

aplicativos como Waze ou Google Maps, ou estudar o trajeto antes de sair de casa, pode ajudar. Fiscalização Russo defende blitz, batidas policiais de improviso para flagrar supostas infrações. Para o engenheiro, esse tipo de ação pode coibir aqueles que andam de forma agressiva no trânsito, ou bebem ao dirigir. “Essas pessoas vão pensar duas vezes, pois sabem que, a qualquer momento, podem ser abordadas”. Hoje, disse o especialista, as pessoas que cometem crimes não têm receio de serem punidas. “Não há dolo no trânsito, o que existe é a lesão corporal e homicídio culposo (atos não intencionais), que têm a pena menor”. Prevenção Enquanto as condições de vias públicas permanecem da forma apontada por Russo, os motoristas podem

MOTOS

2017 2016

48 40

AUMENTO DE

20%

3

ACIDENTES NO TRÂNSITO

AUTOMÓVEL

tomar alguma atitudes a fim de evitar acidentes. Ele citou a prática da direção defensiva e preventiva, que consiste na condução do veículo de forma a prever possíveis adversidades e tomar decisões que possam evitar colisões ou atropelamentos. Além disso, Russo alertou que os pedestres são prioridade. “Mas isso não acontece mesmo quando há semáforos nas faixas”, afirmou. Nos últimos seis meses, 47 pedestres morreram vítimas de acidentes de trânsito, segundo o Infosiga. Em 2016, no mesmo período, o número foi de 45.

2017 2016

23 19 23%

AUMENTO DE

PEDRESTE

47 45

2017 2016

AUMENTO DE

4,4%

BICICLETAS

2017 2016

CAMINHÕES

2017 0 2016 0

5 5

SOMA DE ÓBITOS

 ONIBUS

2017 2016

0 0

CIDADE

2017

2016

Diadema

21

AUMENTOU

17%

18

Maua

10

DIMINUIU

9%

11

Ribeirao Pires

20

AUMENTOU

54%

13

Santo Andre

27

DIMINUIU

31%

39

SB. Campo

51

AUMENTOU

65%

31

S. C. do Sul

1

DIMINUIU

83%

6

Total

130

10,17%

118

Fonte: Infosiga/SP

DE OLHO NA CÂMARA

Câmara aprova relatório final da CPI do lixo Luis Henrique Leite

POR UNANIMIDADE, a Câmara dos Vereadores de São Bernardo aprovou, nesta quarta-feira (30), o relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do lixo. A comissão foi instaurada para analisar a parceria público-privada

feita entre a Prefeitura e a empresa contratada para recolhimento de resíduos na cidade, a SBC Valorização de Resíduos. O texto do relatório final apontou problemas no cumprimento do contrato e considerou o modelo de pagamento estabelecido como não-benéfico para a prefeitura. Um caso que

chama a atenção é o de uma usina de lixo no Alvarenga que já deveria estar em funcionamento, mas ainda se encontrava no processo de obtenção de licenças. Para o vereador e relator da CPI, Juarez Tudo Azul (PSDB), é necessário auditorias nas contas e no contrato. “É preciso verificar se tudo aquilo que foi

pago, foi executado. Agora quem vai buscar se houve dolo é o Ministério Público”. Já a vereadora Ana Lice (PT) aprovou o relatório, mesmo o documento apontando irregularidades no contrato firmado na gestão anterior, do seu partido, dizendo que a culpa não foi do ex-prefeito Luiz Marinho. A comissão foi instaura-

da em fevereiro, em meio a uma greve dos coletores de lixo, que estavam sem receber desde setembro do ano anterior. Em junho, a prefeitura chegou a um acordo com a SBC Valorização de Resíduos para o fim do contrato em 180 dias. A prefeitura deve abrir novo processo de licitação para o serviço.


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SAÚDE

Luciana Serpeloni/RRJ

Luciana Serpeloni

“MULHER que serve.” Essa é a definição de origem grega para o nome “doula”, profissional que dá suporte físico e emocional para a parturiente, antes, durante e após o nascimento do bebê. É a doula que durante o trabalho de parto humanizado, auxilia a paciente a encontrar as melhores posições durante as contrações, faz massagens para aliviar a dor, acalma e ajuda o acompanhante a participar ativamente na “hora H”. Carolina Carvalho Bertoletto, 35, moradora de São Caetano, é odontopediatra e professora universitária. No dia em que conversou com a reportagem, estava na 39ª semana de gestação de sua primeira filha. Ela disse que ter uma doula para acompanhar sua gestação foi fundamental, pois deu segurança, calma e amparo. “Minha doula tem experiência, ela vai cuidar de mim. Sinto-me preparada”, disse Carolina. Confiança Sempre tendo em mente passar pelo parto normal, a professora procurou um obstetra no hospital. Porém, percebendo que esse parto não seria humanizado, foi o momento em que ela começou a conversar com a Larissa, sua professora de yoga, e se informar melhor sobre o assunto. A professora Larissa Leal Gonçales, 40, também é doula. Trabalha no Espaço Santosha, em São Caetano. A odontopediatra se identificou com a profissional. “Tenho confiança no trabalho dela”. A grávida e o marido,

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Doulas

encorajam mães na hora do parto Método torna gestante mais preparada e segura

Larissa Leal além de professora de Yoga é doula de Carolina Carvalho, que deu à luz em maio deste ano

Luiz Augusto Lorenson, 39, analista de sistemas, participam da roda para gestantes e casais no espaço, onde são esclarecidas as dúvidas. Nas sessões, realizadas gratuitamente a cada 15 dias, as segundas-feiras, há relatos de outros pais no grupo de apoio ao parto humanizado. Larissa trabalha com gestantes há oito anos, dando aulas de yoga para futuras mães. Ela auxilia como doula há quatro anos, desde o pré-natal até o pós parto.

Seu trabalho vai além de amparar e preparar psicologicamente a mulher: disse que “empodera” o marido. “O pai tem um papel tão importante quanto imagina. Ele é o representante legal da mulher e tem a voz ativa para requerer qualquer intervenção antes, durante ou pós parto. Ele tem esse poder, sim”, disse Larissa. Além da doula, existem obstetrizes, ginecologistas obstetras, acupunturistas e nutricionistas que fazem parte da equipe de parto humanizado no Espaço Santosha. Em tempo: no dia 04 de maio de 2017, com a ajuda da doula, nasceu Maria Clara na maternidade do Hospital São Luiz, em São Paulo. 

Licença-paternidade passa a valer por 20 dias Lívia Biazi

EM JANEIRO deste ano, começou a valer a lei que estabelece a licença paternidade por 20 dias. Mas o benefício só vale para pais que trabalham em empresas cadastradas no programa Empresa-Cidadã ou para quem é servidor público federal. A licença é válida também para os pais que adotarem crianças de até 12

anos de idade. No entanto, os beneficiários não podem realizar atividades remuneradas durante o período de afastamento e devem solicitar um requerimento à empresa, com no mínimo dois dias de antecedência para obter o benefício. Quem vai se aproveitar da nova lei é o técnico químico Nilton Ricardo Rodrigues, 34. Pai do pequeno Arthur, de um ano e nove meses, Rodrigues aguardava a chegada dos gêmeos Gael

e Heitor, ocorrida em junho deste ano quando conversou com a reportagem do RRJ. Funcionário da Sabesp, Rodrigues conta que já está com a licença programada para 20 dias. “Tinha planejado as minhas férias para junho, mas depois do benefício estendido, não sei se irei juntar a licença com as férias”, afirmou. Rodrigues conta que, quando Arthur nasceu, teve apenas cinco dias de licençapaternidade. Mas

para eles, o tempo foi pouco. A mãe ainda precisava de auxílio para cuidar do bebê recém nascido. Antes, o prazo de licença era de cinco dias. Thiago Andreosa, 32, operador de máquina, que mora em Mauá, queria ter aproveitado mais os filhos quando eles nasceram. Pai da Hadassa, 6, e Benjamin, de quase um ano, ele considera que, na época, esse “tempo foi muito curto”. Andreosa afirma que, por três dias, ficou no hos-

pital. Nos outros dois, passou em casa tentando “se adaptar aos bebês”. Mas não conseguiu, principalmente quando sua primeira filha nasceu. “Fiquei perdido. Não me programei. São tantas responsabilidades e pouco tempo para administrá-las.” Já no segundo filho, fez diferente. Mas ainda assim os dias não foram suficientes para cuidar da mulher, se dedicar ao bebê, dar atenção à filha e realizar os afazeres domésticos.


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Parto humanizado prioriza conforto e bem-estar da mulher Natália Florentino

NORMAL OU – por incrível que possa parecer - cesariana. Humanizar o tratamento dado às mães na hora em que dão à luz seus filhos é o que importa. O parto humanizado é o que prioriza o bem-estar e conforto da mãe. Tanto que esse método é defendido pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e integra diretrizes do Ministério da Saúde. Segundo o Unicef, “[Esse método] deve respeitar as expectativas da mulher e levar em conta as condições de saúde dela e do bebê”. “Não estava doente para ter filho no hospital”. Decidida, a jornalista Liora Mindrisz, 31, casada e mãe da Adélia, 2, afirmou desde o início da gravidez que não daria chances à cesariana. “Sabia dos benefícios do parto normal, e a cesárea era uma cirurgia que eu não gostaria de fazer.” Adélia nasceu de forma natural e humanizada em uma casa de parto, em Sapopemba, bairro da zona Leste de São Paulo. “Fui para o chuveiro, depois para a banheira e para a bola de pilates. Tive autonomia para andar, comer, ouvir música. Adélia não nasceu em uma mesa cirúrgica, com luzes fortes e intervenções desnecessárias”. Liora mora com a família no Centro de Santo André e encoraja outras grá-

SAÚDE

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vidas a optarem pelo parto natural. “Se eu fiz o meu bebê, ele pode passar por mim. Nosso corpo foi feito para isso”, disse referindo-se a algumas orientações arbitrárias que, em muitos casos, influenciam mães a desistirem do parto normal e realizarem cesáreas de forma desnecessária. O Brasil ainda ocupa o 2º lugar no mundo em incidência de cesarianas, de acordo com dados do Unicef. Grande parte acontece de forma eletiva e sem esperar o trabalho de parto espontâneo, que mostra que o bebê está “pronto” para nascer. Informação Camila Marpica, 27, é mãe da Lorena, de 6 meses, que por pouco não nasceu antes do tempo. Mesmo saudável durante a gestação e disposta a dar à luz de forma natural, foi surpreendida pelo obstetra, ao

Ranking de partos por cesarianas no Brasil Norte

5º Lugar

Centro-Oeste

1º Lugar Sul

2º Lugar

Nordeste

4º Lugar Sudeste

3º Lugar

Fontes: MS/SVS/Dasis- Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos, 2014

completar 38 semanas, para fazer uma cesariana. “Se não tivesse me informado sobre parto durante toda a gravidez, era bem possível que tivesse me rendido à pressão dele”, contou Camila, que é bancária e moradora do bairro Valparaíso, em Santo André. Camila não teve dúvidas, mudou de médico. “Uma amiga indicou uma médica humanizada que aceitou pegar meu caso”. Na 40ª semana, a ban-

cária entrou em trabalho de parto espontâneo. O que Camila e o marido, Ricardo, não esperavam é que o nascimento de Lorena traria mais emoções que o de costume. “No caminho para o hospital, as contrações pioraram. Até a hora que tive certeza de que ela nasceria no carro.” Lorena veio ao mundo pelas mãos de uma doula sob orientação da obstetra (por telefone). Apesar dos riscos, Camila afirma que Lívia Biazi/RRJ

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O número de cesárianas realizadas no Brasil recuou

1,5% em 2015. É a primeira vez desde 2010

nem ela nem o marido sentiram medo. “Fomos inundados de amor. No hospital, ela ficou no meu colo o tempo todo e teve o cordão umbilical cortado só quando ficou branquinho. O tempo dela e o meu foram respeitados”. Indução Já a designer gráfica Marília Piva, 29, moradora de Santos, passou pela cesárea. Mas não foi impedida de ter um acompanhamento humanizado da gestação do único filho, Benjamin, de quase um ano. Marília disse que a gravidez foi “super tranquila”, indicando que o sonhado parto normal aconteceria. Surfou quase todo dia, autorizada pelo obstetra. Quase não engordou. Isso até os seis meses, quando foi surpreendida por uma pré-eclâmpsia, que encurtou sua gravidez e a obrigou a decidir com qual tipo de parto daria à luz seu filho. “O médico me deu a opção da cesárea ou de induzir o parto normal. Se ele não fosse humanizado, nunca cogitaria a indução”. Benjamin nasceu aos 7 meses. Tive uma cesariana humanizada. Eu estava muito nervosa e ele [obstetra] me abraçou e me tranquilizou”, disse, entre um choramingo e outro de Benjamin. 

“Foi uma correria, sem tempo para ajudar. Os cinco dias não serviram para praticamente nada”.

Benjamin, no colo do pai, Thiago, que teve cinco dias de licença quando o filho nasceu

Trabalho para dois Quem teve mais sorte no número de dias foi Felipe Sanches, 28, moradora de São Bernardo. Ele é operador de produção da Basf Brasil, empresa química que é cadastrada no programa e adotou a ampliação da licença de 10 para 20 dias para os pais. Quando ele soube da nova política, sua mulher já estava no oitavo mês de gestação do segundo filho. Ele teve direito ao benefício.

receber melhor as visitas, que, de acordo com ele, “não são poucas”. Para Sanches, os dias a mais representam também um fortalecimento no vínculo afetivo entre o pai e o recém-nascido. Ele conta que nos primeiros dias os laços de amor se formam: “Tudo começa pelo afeto e as expressões de carinho”. Segundo ele, esse processo ocorre de forma gradual, “em casa, junto à família”.

Contemplado com dez dias, Sanches afirma que a empresa é quem escolhe o período de afastamento e, mesmo não recebendo o tempo máximo, se sentiu alivia-

do com a licença estendida. “Estar mais tempo em casa me permitiu cuidar melhor deles, dando a atenção e o carinho que eles precisavam.” Outra vantagem da li-

cença mais longa, segundo Sanches, é poder dividir as tarefas com a mulher, como dar assistência na recuperação, cuidar do filho mais velho, organizar a casa e


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ECONOMIA

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De 31 de agosto a 13 de setembro de 2017 João Souza/RRJ

Inglês é o diferencial para jovem no mercado

Fluência no idioma é essencial para abrir portas no mundo profissional

Beatriz Moya

Segundo uma pesquisa da Catho, site de busca de empregos, no Brasil apenas

5%

da população falam uma segunda língua e menos de

3%

têm fluência em inglês

O MERCADO de trabalho está cada vez mais exigente. Uma forma de melhorar o currículo é fazendo cursos complementares a graduação. Estão disponiveis no mercado diversos programas de aperfeiçoamento, como informática, línguas, entre outros. Para a química Camila Castro, 27, cursos de línguas estrangeiras foram essenciais para ela

conseguir o emprego que tem hoje”. Para mim, foi super importante. Alguns trabalhos exigem a comunicação com outros países e com outras pessoas que não falam português”, afirmou Camila. Além de ser fluente em inglês, espanhol e alemão, Camila fez mestrado em química e pretende fazer um doutorado na Holanda, onde mora e trabalha desde o meio deste ano pela empresa Akzo Nobel, de São Bernado.“Pretendo fazer

futuramente um doudorado, vejo muitas pessoas que trabalham no meu departamento que têm doutorado, então penso que é um caminho e acho importante que a gente nunca pare de estudar, se atualize sempre”, explicou a química. Segundo uma pesquisa da Catho, site de busca de empregos, no Brasil, apenas 5 % da população falam uma segunda língua e menos de 3% têm fluência em inglês. “Os jovens não entendem essa necessidade e fazem do inglês como se fosse uma coisa massacrante, como se fosse uma obrigação’’, disse a professora particular de inglês Marcia Ohta.

Nosso trabalho é

INFORMAÇÃO

Camila Castro em seu trabalho na empresa Akso Nobel, em São Bernardo, antes de ser transferida para a Holanda

Uma forma de aperfeiçoar uma segunda língua seria fazer um intercâmbio e desenvolver a fluência. “É recomendado que o jovem vá para esses países com o intuito de aprender e procurar lugares onde não existam brasileiros ou que não vão muitos brasileiros. Em que possa trabalhar com outras pessoas de nacionalidades diferentes”, explicou a professora. Segundo Marcia, inglês era um diferencial, mas hoje em dia passou a ser essencial para ingressar no mercado de trabalho. Os cursos de capacitação vêm fazendo a diferença na hora de escolher um candidato para uma vaga. “O curso de capacitação fundamental em todos os processos seletivos é o curso de inglês e tem um diferencial na seleção dos candidatos que fizeram intercâmbio”, afirma a gerente de Recursos Humanos Roberta Negri. Para ela, quanto mais fluência o candidato tiver, melhor na hora de contratar. Segundo a gerente, “jovens da classe média têm mais interesse em aprender e se dedicar a um segundo idioma. Nas classes com menor poder aquisitivo, eles até têm interesse, porém não têm recursos financeiros”. Com a internet os jovens têm tudo na mão. Uma boa forma de aprender outros idiomas é por aplicativos e aulas na internet. Existem muitos sites para aprender idiomas de graça, como ABA English, Learn English, Duolingo, Inglês Gratuito, Englishtown, entre outros. 

Se você tem alguma reclamação ou quer sugerir um assunto para que ele se transforme em pauta e reportagem, fale com a Redação: WhatsApp

Tel: 972003275


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ECONOMIA

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Bárbara Gomes/RRJ

Conheça as atitudes adequadas na hora da entrevista de emprego Bárbara Gomes

CONTRATAÇÕES e demissões são comuns em um ambiente de trabalho. Muitas vezes, não só o desempenho profissional conta na hora da admissão: o comportamento profissional também é avaliado, principalmente, durante a entrevista de emprego. O proprietário do escritório de advocacia BCF Nelson Flora ressalta alguns pontos importantes para uma entrevista ser bem sucedida “Seja pontual, mantenha contato visual com o entrevistador, informe-se sobre o traje usual da empresa e não fale mal de seu atual ou antigo emprego”, afirma. Mostrar entusiasmo, não usar gírias comuns, manter o celular desligado, separar os documentos

solicitados com antecedência, não fumar antes da entrevista, evitar mascar chicletes ou balas, falar apenas o necessário e ser sociável o tempo todo também estão entre as recomendações de Flora. O profissional faz questão de lembrar que, dependendo da empresa, piercings e tatuagens não devem aparecer durante a entrevista. Para ele é importante que os funcionários passem seriedade para os clientes, e para isso ele observa primeiramente a vestimenta e o vocabulário do entrevistado. “Como trabalho no ramo de advocacia, exijo trajes sociais, vocabulário formal e uma ortografia excelente, sem gírias ou abreviações”. O advogado relata também que, durante a entrevista, já teve

Jovens deixam emprego fixo e abrem o próprio negócio

Beatriz Dotta preparando as encomendas de chocolate

Advogado Nelson Flora e candidata conversando sobre a oportunidade de emprego

problemas com alguns profissionais. “Observei falta de postura, falta de contato visual e muitas gírias de internet”. A estudante de administração Amanda Gonçal-

ves diz que evita seguir os padrões da moda no trabalho. “Calças e camisetas rasgadas estão em alta, porém não é elegante usar no ambiente de trabalho, por isso procuro sempre usar roupas clássicas, sem muitas cores chamativas”. Amanda revela que já teve problemas durante a entrevista. “Estava sendo entrevistada e meu

Camila Traldi

EM UMA época cercada pela modernidade e ideias inovadoras, muitos jovens em busca de independência e novos rumos profissionais têm deixado os empregos em empresas para abrir o próprio negócio. Pesquisa feita em dezembro de 2016 pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) traçou o perfil de jovens empreendedores. O estudo Jovens Empresários Empreendedores mostrou que dois em cada três jovens brasileiros pensam em abrir o próprio negócio nos próximos anos. Os principais motivos são: a realização de um sonho (76,4%), qualidade de vida (75,6%), altos ganhos financeiros (70%), mercado promissor (66,1%) e não ter chefe (64,5%). Um dos exemplos é a jovem Beatriz Dotta que, aos 20 anos, decidiu investir em sua carreira profissional e abriu um ateliê gastronômico para trabalhar como prestadora de serviços, fazendo encomendas de doces para eventos. “Quando comecei a fazer faculdade de gastronomia, passei a trabalhar em restaurante como estagiária, mas essa área é pouco

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celular não parava de tocar. Isso desviava minha atenção e eu me perdia totalmente do assunto. Sem contar que cheguei 20 minutos atrasada”. A estudante comenta que não conseguiu a vaga, mas garante que em outras entrevistas de emprego manteve o celular desligado e procurou sempre chegar com antecedência.  Fotos: Camila Traldi/RRJ

Ovo de páscoa decorado pela prestadora de serviços

valorizada mesmo para quem já é formado. Então, decidi abrir um MEI, que é um registro para microempreendedor”. A prestadora de serviços ainda ressalta o que foi mais difícil na hora de investir no próprio negócio. “A dificuldade foi conquistar o mercado, ter a clientela. Porque quando você é novo no mercado, as pessoas olham com desconfiança”. Ela ainda destaca a importância da divulgação para conseguir ter seus próprios clientes. Outra dica, desta vez dada pela analista do Sebrae Daniela Farcic, é bus-

car todo tipo de informação antes de abrir o negócio. É preciso ter planejamento, identificar a atividade que interessa e que queira investir, além de fazer um plano de negócio. Para quem não definiu qual vai ser o negócio, é preciso fazer uma pesquisa de mercado”, diz. Para a especialista, fazer essa pesquisa de mercado é importante para traçar as metas, avaliando qual a região e o tipo de atração que quer realizar e identificar o interesse das pessoas naquele tipo de produto ou serviço. 


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ESPORTE

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RUDGE RAMOS Jornal da Cidade Maria Cecília Reina/RRJ

Praticantes jogam em centro no Rudge, inaugurado no último dia nove Arquivo pessoal/ Yunni Moretti

Yunni Moretti é atleta do clube Bunka SBC

Nathalia Freitas

IMAGINE uma quadra de tênis, em campo aberto ou fechado, a rede e raquetes. Só que no lugar da bola, uma peteca. Esse é o badminton, modalidade que tem conquistado espaço em São Bernardo nos últimos anos. Com investimentos da Federação de Badminton do Estado de São Paulo (FEBASP), que tem sede no Rudge, e apoio da Prefeitura, hoje a cidade possui duas associações oficiais de badminton: a Bunka São Bernardo e a São Bernardo Badminton (SBB). Manoel Gori, presidente da FEBASP, técnico do SBB e também atleta, foi responsável pelo início da prática do esporte na região do ABC. “Em São Bernardo, o Badminton existe há 12 anos, foi quando fundei o São Bernardo Badminton Clube e a Liga de Badminton da cidade”, lembra Gori. O presidente também diz que o badminton entrou para os Jogos Escolares de São Bernardo em 2006. Segundo o treinador do SBB, Daniel Madureira, isso gerou um aumento do número de praticantes da modalidade na região. Atualmente, há cerca de 600 alunos praticando o esporte nos colégios da cidade.

Badminton ganha espaço em São Bernardo Além de clubes específicos, há cerca de 600 alunos praticando o esporte nos colégios da cidade

REGRAS DO JOGO • Jogado em duplas, trios ou individualmente.

• No fim de cada partida há um intervalo de dois minutos.

• Quem completar 21 pontos primeiro vence o jogo. • No caso de um empate em pontos a 20, a partida é disputada até o jogador/dupla/trio abrir dois pontos de vantagem. • O vencedor sai entre a melhor de três partidas. • A cada 11 pontos marcados há um descanso de um minuto.

De acordo com o professor Herbert Fusita, técnico no colégio Stagio, o badminton não se resume a uma prática esportiva, mas vi-

• A peteca oficial é feita de pena de ganso e pesa entre 4,7 e 5,5 gramas. • As raquetes são feitas de materiais resistentes como a fibra de carbono ou titânio. • A quadra oficial mede 13,4 metros de comprimento por 6,10 metros de largura. • A rede possui 1,55 metro de altura.

rou um modo de eliminar barreiras sociais. Nele há duplas mistas (masculino e feminino) e atletas regulares jogando com atletas

surdos e cadeirantes. Além de ser uma modalidade fácil, já que não demanda um grande espaço, pode ser praticada em locais diferentes,

como na praia e no campo. Os únicos requisitos são agilidade e flexibilidade. Todo investimento e dedicação dos atletas em relação ao esporte vêm trazendo bons resultados, já que, pela primeira vez, a equipe do SBB foi campeã nos Jogos Regionais deste ano. O evento foi realizado em São Bernardo e reuniu 30 cidades da Grande São Paulo e da Baixada Santista. O time havia participado em 2006, 2007, 2010 e 2016, mas ganhou o título somente no último mês de julho. Em fevereiro do ano passado, com o apoio da FEBASP e da Prefeitura de São Bernardo, o município serviu de sede para a primeira Etapa Nacional de Badminton, competição realizada pela Confederação Brasileira de Badminton. O evento ocorreu no Ginásio Poliesportivo e reuniu cerca de 300 atletas de todo o país, divulgando e estimulando ainda mais a prática do esporte na cidade. O jovem Yanni Moretti, 13, joga no Bunka e conta como o esporte lhe faz bem. “Apesar de ser uma atividade fácil, que não tem muitas regras, ele trouxe mais foco na escola, permitindo que eu me concentrasse em coisas que nem sequer prestava atenção. Fez com que eu tivesse mais dedicação, principalmente aos treinos.”. Além de oferecer foco aos jovens, o badminton também traz uma série de benefícios aos jogadores. “O esporte propicia melhora significativa nos domínios cognitivo, afetivo, social e psicomotor, organização e orientação espacial. Além disso, reforça o desenvolvimento do corpo: força, resistência aeróbica, velocidade e flexibilidade”, relata o treinador Madureira. 


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Roberta Orsi

Praticantes de badminton representaram São Bernardo na 23ª edição das Surdolimpíadas, evento para deficientes auditivos realizado na Turquia, em julho de 2017. Dos seis atletas que participaram da modalidade, quatro deles são ex-alunos da EMEB Neusa Basseto, escola localizada no Rudge e que oferece a prática do esporte para surdos. Segundo a diretora da EMEB, Cristiane Gori, os atletas representaram o Brasil devido a posições no ranking nacional que acumularam nos últimos três anos. Para conseguirem maior êxito treinaram junto aos jogadores de alto rendimento do São Bernardo Badminton (SBB). “Nessa modalidade os praticantes especiais de badminton da cidade não conseguiram premiação, mas vivenciaram diversas experiências”, afirma a diretora.

ESPORTE

De 31 de agosto a 13 de setembro de 2017

Deficientes auditivos participam de campeonato na Turquia O número de deficientes auditivos que optam pela prática do esporte cresceu muito nos últimos anos por conta da maior divulgação do badminton nas escolas e clubes do município. Antes, esse incentivo só ocorria em relação a outros esportes, e passou a melhorar com a participação de brasileiros na modalidade nas Olimpíadas de 2016. O treinador Daniel Madureira conta que após a inserção da inclusão social no badminton, a demanda e o investimento no esporte cresceram, mas ainda há dificuldades de recursos financeiros. Os atletas seguem procurando apoio e patrocínio de empresas. A EMEB Neusa Basse-

Arquivo pessoal/Cristiane Gori

Time de atletas deficientes auditivos com o técnico Manoel Gori nas Surdolimpíadas, na Turquia

to, que em 2017 completa 60 anos, é uma escola exclusiva para deficientes auditivos e “uma referência em educação bilíngue para surdos no cenário nacional”, diz Cristiane. Este ano, a direção da escola pretende ampliar a prática do badminton também para cadeirantes, o que entraria na modalidade parabadminton e traria mais alunos para a escola no Rudge. Conheça as regras O parabadminton é a

adaptação do badminton para deficientes físicos ou mentais, com a finalidade de desenvolver a inclusão social e a realização pessoal de cada atleta. As regras da modalidade são as mesmas do badminton convencional, elaboradas pela Federação Mundial de Badminton (BWF). A diferença é apenas com algumas mudanças feitas de acordo com cada deficiência e uma divisão de classes baseada nas necessidades especiais de cada atleta. As duas classes

esportivas do parabadminton são Wheelchair, para cadeirantes, e Standing para pessoas que andam. De acordo com o treinador do São Bernardo Badminton, Daniel Madureira, as deficiências elegíveis para o parabadminton são lesão medular, poliomielite e paralisia cerebral. Compreende também a distrofia muscular, amputações, esclerose múltipla, acidente vascular cerebral, más formações, lesões de plexo braquial, síndromes, nanismo, entre outras. Fotos: Maria Cecília Reina/RRJ

Maria Cecília Reina

Uma quadra ruim, escura e deteriorada. Era assim que se encontrava o ginásio da Vila Mussolini, no Rudge, abandonado há praticamente oito anos. Foi necessário a mobilização da população, especialmente de atletas, técnicos e pais de esportistas, para que o local se transformasse no principal centro de treinamento de badminton do ABC. De acordo com o secretário de Esportes da Prefeitura de São Bernardo, Alex Mognon, o espaço foi remodelado para se adaptar ao esporte, totalmente revitalizado em parceria com a Federação de Badminton do Estado de São

São Bernardo ganha centro de treinamento no Rudge Ramos Paulo (FEBASP). A inauguração do Centro de Treinamento de Badminton ocorreu na noite de 9 de agosto. Foi Manoel Gori, presidente e técnico do São Bernardo Badminton, que começou a buscar investimentos para o esporte na cidade e, posteriormente, para a reforma do ginásio. “Em 2008, quando foi inaugurada a quadra, eu falava para a minha esposa que aqui ainda seria um

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centro”, afirma Gori. Agora, o local possui nova pintura e iluminação, melhorias nas arquibancadas e também uma quadra adaptada para receber atletas portadores de deficiências. A comunidade de São Bernardo participou ativamente da restauração do Centro de Treinamento de Badminton. Guilherme Morales, pai de dois atletas do time São Bernardo Badminton, conta que decidiu

Manoel Gori, técnico do SBB e presidente da FEBASP, em seu discuso na inauguração do CT

participar da reforma e ajudar em ações em benefício do clube SBB. “Os voluntários para colaborar na reforma do CT foram pais e atletas do clube. A participação se deu na área de pintura e na organização para podermos continuar com os treinos dos atletas”, diz Guilherme. O pai dos atletas também conta que os horários eram revezados conforme a disponibilidade dos envolvidos.

O Secretário de Esportes, Alex Mognon, afirma que a revitalização do centro é uma obrigação da prefeitura para com os praticantes de badminton. “Estamos reparando a injustiça de 12 anos com a modalidade badminton. Há 12 anos essa modalidade não era reconhecida, pois no Brasil nós não tínhamos essa cultura ainda”. A cerimônia de inauguração contou com a participação dos deficientes auditivos que foram para as Surdolimpíadas na Turquia e de atletas do São Bernardo Badminton, que realizaram uma partida da modalidade. No CT estavam expostos todos os troféus já conquistados pela equipe SBB. 


10 CULTURA

Música coreana conquista fãs

RUDGE RAMOS Jornal da Cidade

De 31 de agosto a 13 de setembro de 2017

“강하게 나를 포 용 나는 의식이있어 때까지 저를 흔들”.

“Abrace-me fortemente e me balance até que eu fique inconsciente”.

K-pop alia música, moda, diversidade e coreografias ritmadas à cultura dos jovens brasileiros Fotos: Divulgação

 dança, coreografia, línguas e boas maneiras. Os artistas que se destacam são reunidos em grupos e assim são lançados à mídia. A estudante e fã de k-pop Celyne Xavier, 17, afirma que a primeira coisa que chama atenção nas apresentações desses grupos são as coreografias. “Tudo neles é criado e organizado à perfeição. Não é simplesmente uma apresentação ou um vídeo, os grupos ensaiam diariamente, o figurino tem de ser perfeito, assim como a maquiagem e os passos de dança. Após o grupo ser debutado, ou seja, ser lançado oficialmente, a empresa investe e os artistas retribuem trabalhando duro. O k-pop é uma indústria em ascensão nos dias de hoje”. A reportagem fez um levantamento com fãs e adeptos ao estilo e as bandas mais conhecidas e aclamadas no momento, são: 2NE1, BTS, Monsta X, Super Junior e Got-7. 

 Mayara Serra

“강하게 나를 포용 나는 의식이있어 때까지 저를 흔 들”. Você consegue traduzir o que está escrito? Não? Lá vai: “Abrace-me fortemente e me balance até que eu fique inconsciente”. Pode parecer uma frase qualquer, mas faz parte de uma música cujo estilo é conhecido como k-pop. Tem origem coreana e está atraindo adeptos no Brasil. Original da Coreia do Sul desde 1960, o Korean Pop, mais conhecido como k-pop ou pop coreano, alia diversidade, moda e coreografias ritmadas. As músicas pop sul-coreanas são marcadas pela mistura de vários gêneros musicais como rap, hip-hop, eletrônico, blues e pop-rock. A estudante Julia Rocha, 17, afirma que o k-pop não é só um estilo musical, mas também um estilo de vida que muda o comportamento dos fãs, como vestimentas e vocabulário. “Conheci o gênero em 2012 por meio de um clipe musical exibido no supermercado e a partir de então me apaixonei e comecei a

2NE1, grupo que  Banda faz sucesso entre os fãs

grupo sul-coreano (Bangtan Boys),  GOT7,  BTS que, assim como os outros, boyband sul-coreana que,

pesquisar. Meu estilo mudou, minhas roupas mudaram, assim como meu cabelo, que atualmente é colorido. O k-pop quebra muitos tabus e me ajuda bastante”. A chegada do k-pop no Brasil começou com o suces-

so internacional do cantor solo Psy, autor da música “Gangnam Style”, que obteve um bilhão de visualizações no YouTube e fez com que os jovens passassem a se interessar pela cultura coreana, afirma Julia.

brasileiros

atualmente, é composta por sete garotos

passaram por treinamentos intensivos

Os Idols, como são chamados os jovens músicos, não têm vida fácil. São treinados por agências e empresas a fim de se tornarem ídolos juvenis. Após anos de treinamento duro composto por aulas de canto,


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De 31 de agosto a 13 de setembro de 2017

Meninas do ABC criam o Royal Renato Sehn

O K-POP é um gênero musical famoso no continente asiático, principalmente na Coreia do Sul. A música que mistura canto e dança e já tem adaptação brasileira, que ficou conhecida como b-pop, o pop brasileiro. No ABC, oito meninas entre 15 e 18 anos formaram, no ano passado, um grupo de cover de k-pop: o Royal. A trupe faz apresentações em festivais de animes, que são eventos de desenhos japoneses direcionado principalmente para o público jovem, e em eventos de k-pop que, inclusive, funciona um em Santo André a cada seis meses conhecido como Up!ABC. Julia Rocha é uma das líderes do Royal. “Tudo começou por conta do grupo de k-pop sul-coreano BTS,

que canta em inglês e em coreano. Nós apenas íamos fazer cover, mas vimos que todas as integrantes gostavam de dançar e cantar e então decidimos seguir carreira”, disse. Hoje, as meninas estão indo além do k-pop e já estão se mudando para o b-pop. Para entendermos melhor esse b-pop, um exemplo bem famoso é o da cantora Anitta. Sua música tem a dança e o canto em conjunto, mas mesmo assim o seu estilo ainda é mais influenciado pelo funk. Julia conta que o grupo tem uma agenda rigorosa para manter a forma nas apresentações. “Toda segunda-feira nós treinamos a parte física, as quartas-feiras, temos o ensaio de canto com as vocalistas e, aos domingos, o ensaio geral com todas as meninas”, afirmou a integrante.

Fãs sentem falta de loja física na região Raphael Coneglian

OS FÃS DE k-pop, que moram na região do ABC, precisam buscar diferentes alternativas para comprar produtos do gênero musical coreano. Isso acontece pelo fato de a região não contar com nenhuma loja física desse tipo. A maior procura é por camisetas, CD´S e pôsteres de grupos famosos. “Lojas físicas voltadas exclusivamente para produtos de k-pop só existem duas em toda a região da grande São Paulo. As duas na Liberdade”, disse Ariane Rocha sócia de uma das lojas. Os fãs precisam buscar formas de adquirir os produtos e às vezes não têm muitas saídas. “Se quero comprar peço pela internet ou tenho que ir para o centro de São Paulo”, disse Alana Moura, que mora em São Bernardo e é apaixonada pelo gênero musical. As compras em plataformas online acabam sendo um caminho bem mais fácil para muitos fãs. Porém, Danielly Brito opta por outro método: “Existem vendas

em grupos de WhatsApp e Facebook. O vendedor posta fotos e preços dos produtos, e o interessado pode entrar em contato”. Danielly acredita que uma loja física no ABC faria sucesso: “Existem muitos ‘kpoppers’. Se a pessoa tem de 13 a 14 anos, e os pais não confiam em comprar pela internet, complica bastante”. Ariane disse que o gosto pelo k-pop, no Brasil, já é antigo, porém o crescimento é bem recente. E isso é possível notar na procura de aulas, “Só no começo de 2016 para o começo de 2017 tem aumentado a procura. Em 2015, o público era bem menor”, completou. A criação de lojas físicas poderia incentivar a popularização do gênero. A dificuldade de encontrar CD’S, roupas e demais acessórios de k-pop tem trazido questionamentos sobre a região do ABC não possuir nenhuma loja do gênero. “Se houver uma loja no centro e tiver algum diferencial, talvez seria possível atrair até mesmo o público de São Paulo para cá”, comentou Alana.

Arquivo Pessoal

CULTURA 11

O grupo Royal surgiu há cerca de um ano e é composto por oito meninas

Com tanto convívio, o grupo fortaleceu uma amizade maior e uma mudança na vida social. Ana Leonardi é uma das cantoras e afirma que, se não fosse o k-pop, sua vida seria diferente. “Se eu não tivesse conhecido o k-pop, eu não teria entrado no Royal. A minha entrada fez eu me tornar uma pessoa mais responsável com tudo”. Já a rapper Gabriella Nunes conheceu uma cultura diferente. “O k-pop passa uma alegria, uma nova cultura e aos poucos eu a aderi, usando alguns gestos e algumas falas. Me sinto uma nova pessoa”. As meninas do Royal possuem um sonho e até o final do ano pretendem realizá-lo. “Nós iremos lançar uma música com clipe. Nós pretendemos por meio de nossas futuras músicas transmitir amor e alegria”, concluiu Julia.  Fotos: Raphael Coneglian/RRJ

As lojas físicas exclusivas para produtos de k-pop priorizam a venda de pequenos acessórios e roupas

Para os apaixonados, a tendência é o gênero ganhar muito mais fãs no Brasil. Com isso, a procura por produtos também vai aumentar. O professor de k-pop Tiago Tang diz que a busca por produtos deve continuar. “Enquanto houver k-pop, vai haver muita procura”. 


Roteiro 12 CULTURA

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De 31 de agosto a 13 de setembro de 2017

MÚSICA Tributo à Tim Maia Neste sábado (2), às 20h, Léo Maia, filho do cantor Tim Maia, apresenta no palco do Sesi São Bernardo (av. José Odorizzi, 1555, Bairro Assunção, tel.: 4344-1000) o show “Tributo à Tim Maia”. No set list, estão sucessos como “Gostava Tanto de Você”, “Não quero dinheiro”, “Primavera”, entre outros. Léo Maia começou a carreira em 2005 e tem três discos gravados. Na apresentação deste sábado, ele deve compartilhar com o público, entre uma música e outra, histórias de seu pai, morto em 1998, vítima de choque séptico (um colapso do organismo causado por infecção generalizada). O

Mariana Cunha e Barbara Caetano

TEATRO Fotos: Divulgação

TRAIR E COÇAR É SÓ COMEÇAR A comédia volta a São Bernardo para mais uma apresentação no Teatro Lauro Gomes (r. Helena Jacquey, 171, Rudge, tel.: 43683483), nesta quinta-feira (31), às 21h. Em cartaz há 31 anos – recorde registrado no Guinness Book – e mais de seis milhões de espectadores, é o espetáculo de maior sucesso da história do teatro brasileiro. Os ingressos custam de R$ 30 a R$ 60. A peça já ganhou vários prêmios, entre eles, o Quality Cultural, e já foi adaptada para o cinema e a TV. De autoria de Marcus Caruso, a trama conta a história de Olímpia, empregada

espetáculo é gratuito e possui classificação livre. Os ingressos podem ser reservados no site do Sesi (www.sesisp.org.br). Banda Capela O conjunto se apresenta neste domingo (2), às 20h, no Teatro Lauro Gomes (r. Helena Jacquey, 171, Rudge, tel.: 4368-3483) para comemorar o lançamento de cinco anos do primeiro álbum “Música de Cabeceira”. A cidade faz parte da história do grupo e é o local onde gravaram e ensaiaram as músicas de estreia. A banda já participou do reality “Breakout Brasil” e tocou na edição de 30 anos do Rock in Rio, em 2015. Os ingressos custam R$ 40.

INFANTIL

doméstica que, após ver a patroa ser assediada pelo síndico do prédio, passa a achar que ela está traindo o marido. O elenco atual é formado por Anastácia Custódio, que interpreta Olímpia, Renato Scarpin, Mario Pretini, Tânia Casttello, Carla Pagani, Miguel Bretas, Ricardo Ciciliano, Siomara Schröder e Beto Nasci. A direção original e concepção é de Attílio Riccó e o atual diretor é José Scavazini.

O mundo imaginário

Turma da Mônica

O musical infantil é atração do teatro Lauro Gomes (r. Helena Jacquey, 171, Rudge, tel.: 43683483), neste domingo (3), às 17h. Dirigido por Ana Paula Navarro, traz histórias e canções que transitam no universo da imaginação infantil e prometem resgatar o encantamento com as coisas simples da vida em crianças e adultos. A dupla Beto Paschoal e Lais Böker divide o palco, além de assinar as composições apresentadas. Os ingressos custam R$ 20.

Este é o último final de semana da Turma da Mônica no São Bernardo Plaza Shopping (r. Rotary, 624, Ferrazópolis, tel.: 4128-2200). O espaço temático é dividido em três cenários, compostos por um labirinto formado por árvores, um pula-pula com moldes de nuvens e um planeta com vários desafios a serem percorridos. No domingo, personagens da turma de Maurício de Souza estarão no local para fotos com as crianças e familiares. A sessão de 15 minutos custa R$ 15.

CINEMAS COMO NOSSOS PAIS

Emoji: O Filme Textopolis é a cidade onde todos os emojis vivem e compartilham um sonho: serem usados nos textos dos humanos. Todos precisam manter apenas uma expressão facial, exceto Gene, que possui um problema de sistema que permite trocar de rosto por meio de um filtro especial. Gene irá encarar uma jornada no mundo dos aplicativos mais famosos do planeta, determinado a se tornar um emoji normal como todos os outros. Classificação livre. Os Guardiões

Murilo Rodrigues

Uma organização secreta chamada Patriota recruta quatro russos durante a Guerra Fria e modifica seus DNAs para que se

tornem super heróis e possam defender o país de ameaças de outro mundo. O pequeno grupo representa os diferentes povos da União Soviética e a identidade de seus membros é mantida em sigilo para não expor os demais agentes secretos. O filme é estrelado por Alina Lanina, Sanzhar Madiyev, Sebastien Sisak, entre outros. Classificação 12 anos. Atômica A protagonista do filme Lorraine Broughton (Charlize Theron) é uma agente disfarçada do MI6, do departamento de inteligência britânico. Ela é enviada para Berlim, durante a Guerra Fria, para investigar o assassinato de um agente e recuperar uma lista de agentes duplos. Para isso, Lorraine precisará trabalhar ao lado de David Percival (James McAvoy). Classificação 16 anos. Dupla Explosiva O maior guarda-costas do mundo tem um novo cliente: um assassino de aluguel que está prestes a testemunhar na Corte Internacional de Justiça. Juntos, precisam deixar de lado as intrigas do passado para chegarem ao julgamento

Rosa, personagem interpretada por Maria Ribeiro, é uma mãe de família que tenta equilibrar todas as suas obrigações pessoais e profissionais. Ao mesmo tempo, precisa estabelecer uma amizade com a mãe, com quem tem um relacionamento conflituoso. O filme foi o vencedor de seis prêmios no Festival de Gramado deste ano, incluindo melhor filme, melhor atriz, melhor ator e melhor direção. 14 anos. a tempo. Samuel L. Jackson, Ryan Reynalds e Gary Oldman protagonizam o filme. Classificação 14 anos. SÃO BERNARDO Extra Anchieta (Cinemark) D.P.A - Detetives do Prédio Azul Planeta dos Macacos: A Guerra A Torre Negra Bingo: O Rei das Manhãs O Filme da Minha Vida Annabelle 2 - A Criação do Mal Atômica

Emoji - O Filme Dupla Explosiva Polícia Federal - A Lei é Para Todos Golden Square Shopping (Cinemark) Annabelle 2 - A Criação do Mal Atômica Diário de um Banana: Caindo na Estrada Bingo: O Rei das Manhãs Polícia Federal - A Lei é Para Todos A Torre Negra Emoji, O Filme Metrópole (Playarte)

Dupla Explosiva A Torre Negra Emoji - O Filme João, O Maestro Detetives do Prédio Azul Polícia Federal - A Lei é Para Todos O Filme da Minha Vida Bingo - O Rei das Manhãs Como Nossos Pais Atômica O Acampamento Planeta dos Macacos: A Guerra IT - A Coisa Os Guadiões Annabelle 2 - A Criação do Mal. 

Edição1069