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EconomiABC

Análise de Conjuntura

dezembro/2013

Faculdade de Administração e Economia

Ciências Econômicas

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EconomiABC Análise de Conjuntura Universidade Metodista de São Paulo Faculdade de Administração e Economia Curso de Ciências Econômicas Observatório Econômico Reitor Prof. Dr. Márcio de Moraes Diretor da Faculdade de Administração e Economia Prof. Dr. Luciano Venelli Costa Coordenadora do Curso de Ciências Econômicas Profa. Ma. Silvia Cristina da Silva Okabayashi Professores Prof. Me. Sandro Renato Maskio Prof. Me. Alexandre Borbely Estagiária Bruna Romualdo Teixeira

www.metodista.br/observatorio-economico

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A

s opiniões emitidas nesta publicação são de exclusiva e inteira responsabilidade dos autores, não exprimindo, necessariamente, o ponto de vista do Observatório Econômico ou da Faculdade de Administração e Economia da Universidade Metodista de São Paulo. É permitida a reprodução deste texto e dos dados nele contidos, desde que citada a fonte. Reproduções para fins comerciais são proibidas.

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SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO PANORAMA ECONÔMICO MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA INFLAÇÃO MERCADO DE TRABALHO COMÉRCIO EXTERIOR PIB DO GRANDE ABC OPINIÃO

5 6 10 13 16 19 21 24


APRESENTAÇÃO E

sta quarta edição do Boletim EconomiABC dá um passo importante rumo a missão de produzir e democratizar o conhecimento para aperfeiçoar políticas públicas, além de contribuir para o crescimento e desenvolvimento econômico e social. Com este propósito, o Observatório Econômico, lança nesta edição o indicador para o nível de atividade econômica do Grande ABC, o iABC, que será um instrumento valiosíssimo para a análise da conjuntura econômica da região do Grande ABC. As recentes publicações e pesquisas publicadas pelo Observatório Econômico têm solidificado o caminho na construção de um centro de referência nas discussões econômicas sobre a economia do Grande ABC. Alunos envolvidos na elaboração do Boletim: COMÉRCIO EXTERIOR Amanda Silva Godoy Gustavo Diaz Garcia FINANÇAS Geovana Gonçalves Ferreira Willian Alves de Souza INFLAÇÃO Anne Caroline Silva Oliveira Dalvino Torquato dos Reis Junior MERCADO DE TRABALHO Cristiane Tiemi da Silva Ganaka Luís Henrique de Morais Bezerra PANORAMA ECONÔMICO Alex Paulo Lopes Nogueira Bruna Romualdo Teixeira

Silvia Cristina da Silva Okabayashi Coordenadora do Curso de Ciências Econômicas Universidade Metodista de São Paulo

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PANORAMA ECONÔMICO N

o terceiro trimestre de 2013, alguns indicadores mostraram-se mais estáveis, comparativamente ao primeiro semestre do ano. Entre esses estão a tendência de redução da inflação anualizada, a melhoria no fluxo de investimentos segundo os dados trimestrais do PIB nacional, a redução dos índices de inadimplência, entre outros. Esta leve melhoria em alguns fundamentos macroeconômicos levou tanto o FMI como o mercado financeiro nacional a revisar para cima a expectativa de crescimento econômico brasileiro para este ano. Ao mesmo tempo, a economia brasileira apresentou uma pequena elevação no déficit público nominal no último trimestre, assim como do estoque da Dívida Mobiliária Federal, que está na casa de 1,4 trilhões há cinco meses. Outro ponto preocupante é o saldo da Balança Comercial, que registra um déficit acumulado de US$1,8 bilhões até outubro, e poderá terminar o ano com um resultado negativo, após 13 anos. Neste período, em uma análise focada na recente evolução da economia brasileira, a revista inglesa The Economist publicou a matéria “Has Brazil blown it?” (O Brasil estragou tudo?), na qual argumenta por que não foram concretizadas as expectativas quanto ao progresso da economia brasileira, conforme matéria publicada na própria revista, em 2009, intitulada “Brazil takes off” (O Brasil decolou). O quadro abaixo traz alguns dos indicadores apontados pela revista The Economist, comparativamente a outros países do mundo. Indicadores Macroeconômicos Mundiais 2012 / 2013

Estados Unidos Zona do Euro Alemanha França Inglaterra BRICS Brasil Rússia India China África do Sul Chile Argentina

PIB (PPP ) 15.684.750 12.197.531 3.400.579 2.608.699 2.440.505 13.954.363 2.395.968 2.021.960 1.824.832 8.227.037 384.315 268.177 474.954

Inflação (% a.a) 1,85% 2,22% 2,04% 1,33% 2,64% 5,84% 6,57% 1,12% 2,50% 5,65% 1,49% 10,00%

Investimento 16,16% 17,99% 17,22% 19,90% 14,28% 36,93% 17,64% 24,46% 34,92% 46,88% 19,41% 24,90% 23,79%

Carga Tributária 31,76% 35,70% 45,16% 51,96% 35,16% 26,67% 37,25% 37,03% 19,19% 22,64% 27,92% 23,88% 32,25%

Taxa de juros 0,50% 1,75% 1,75% 1,75% 0,50% 6,52% 9,50% 8,00% 6,00% 2,25% 7,00% 0,50% 15,40%

FONTE: FMI E BANCO MUNDIAL 1- PIB APURADO SEGUNDO O CRITÉRIO DE PARIDADE DE PODER DE COMPRA 2- TAXA DE JUROS NOMINAL, SEM DESCONTAR O EFEITO DA INFLAÇÃO 3- O INDICADOR DE COMPETITIVIDADE FOI EXTRAÍDO DE UM ESTUDO DO FMI

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Competitividade 5º 4º 23º 10º 56º 64º 60º 29º 53º 34º 104º

Liberdade Econômica 10° 19° 62° 14° 100° 139° 119° 136° 74° 7° 160°

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C

om a 6ªmaior economia do mundo, comparativamente a outros países, a economia brasileira também apresenta atualmente uma das maiores inflações, assim como uma das maiores taxas básicas de juros. Considerando o estágio de desenvolvimento da economia brasileira no cenário internacional, a carga tributária também é elevada, comparável à média apresentada pelos países da Zona do Euro, e superior a dos EUA. Como se não bastasse, o volume de investimento também é pequeno para uma economia em desenvolvimento. Todos esses fatores pesam negativamente na avaliação das condições econômicas e, consequentemente, em sua capacidade de atração de investimentos e ações empreendedoras. Em recente estudo sobre competitividade lançado pelo FMI, a economia brasileira ocupa a 56ª posição, atrás de países como Chile e África do Sul, entre outros. Segundo a revista The Economist, juntam-se a estes a ampla intervenção do governo e redução da liberdade de atuação na economia brasileira, assim como a falta de eficiência nos procedimentos burocráticos do Estado, a corrupção, o desgaste dos equipamentos de infraestrutura existentes, entre outros. Todas essas questões apontadas pela The Economist são plausíveis. Entretanto, é importante acrescentar que tais características estão presentes na economia brasileira há vários anos, com pequenas variações, desde antes de 2009. Infelizmente, não fomos capazes, ainda, de promover modificações no sistema econômico brasileiro que resultassem na expansão do fluxo de investimentos, na melhoria da eficiência na utilização dos recursos públicos, e que tornassem o ambiente econômico mais atrativo à atuação dos empreendedores. Por isso, temos visto a economia brasileira crescer míseros 3,2% a.a, em média, nos últimos 20 anos*. Ficamos tão mal acostumados que, não raro, assistimos a anúncios que exaltam um crescimento de 3% ou 3,5%. Na edição anterior do Boletim EconomiABC, pontuamos uma observação do Banco Mundial sobre a necessidade dos países em desenvolvimento, incluindo o Brasil, realizarem reformas estruturais. Os recentes reflexos das ações de contenção da inflação e a pequena melhora na taxa de investimento foram suficientes para melhorar a expectativa sobre o crescimento econômico em 2013. Para o FMI, o Brasil deverá crescer 3,5% neste ano, enquanto o relatório Focus, do Banco Central, que capta a expectativa do mercado interno, aponta que o crescimento deverá ser de 2,43%.

*Se fizermos o mesmo cálculo para os últimos 5, 10 ou 15 anos, a taxa média de crescimento continua sendo em torno de 3%, com uma variação de apenas 0,6%, indicando que não houve nenhum período sobressalente de crescimento econômico nos últimos 20 anos.

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Considerando o desempenho médio do indicador de atividade econômica do Banco Central, o IBC-Br, nos 12 meses compreendidos entre setembro de 2012 e agosto de 2013, a economia brasileira cresceu aproximadamente 2,2%, mais do que nos 12 meses anteriores, quando a variação apresentada foi de 1%. É importante destacar que, desde meados de 2012, os dados trimestrais do PIB vêm apresentando uma aceleração da taxa trimestral de crescimento, o que tenderá a resultar em um crescimento econômico maior em 2013, comparativamente a taxa de 0,87% de 2012.

Crescimento Trimestral do PIB (%) (comparado a igual período do ano anterior) 10,00%

8,00% 6,00% 5,3% 4,00%

3,9%

3,5%

3,1%

2,8%

2,4%

0,00%

0,87% 1,34% 1,38% 2,48% 1,92% 0,80% 3,28% 2,68%

2,00%

-0,6%

-2,00% -4,00% 1T

2T

3T

4T

2008

1T

2T

3T

4T

1T

2009 Brasil - % a.trim.

2T

3T

4T

1T

2T

2010 São Paulo - % a.trim.

3T

4T

1T

2T

2011

3T

2012

4T

1T

2T

3T

4T

2013

Mundo - % a.a.

FONTE: FMI, IBGE E SEADE

Setorialmente, o desempenho da indústria de transformação, em desaceleração desde o segundo semestre de 2011, é o que mais preocupa, tendo em vista a capacidade de geração de valor adicionado do setor e a de impulsionar outros setores na cadeia de produção. Os dados do Relatório Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2012 revelaram que houve uma expansão de apenas 0,42% nos empregos da indústria no ano passado, com queda no emprego de trabalhadores do sexo masculino no setor. Entre outros fatores, a indústria tem sido afetada pela dinâmica do setor externo na economia, cujos saldos da Balança Comercial tem se deteriorado. Desde a segunda metade da década de 1990, no período da âncora cambial, o saldo da Balança Comercial não se mostrava tão deficitário no acumulado entre janeiro e outubro.

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O baixo desempenho da atividade econômica refletiu-se no ritmo de geração de empregos. Até o terceiro trimestre de 2013, houve uma redução de 16% na geração de empregos formais no Brasil, comparativamente ao mesmo período de 2012. Apenas o setor da indústria de transformação apresentou um aumento de empregos formais nos três primeiros trimestres de 2013, que foi de aproximadamente 9% em relação a igual período do ano anterior. No Grande ABC, houve a geração de 8.742 empregos até o mês de setembro deste ano, 50% a mais em relação a igual período de 2012, quando a indústria apresentou uma perda de mais de 7.000 empregos formais no ano. Neste ano, a indústria registra um aumento de 2.393 empregos, insuficiente para recompor as perdas de 2012. Em 2013, a economia do Grande ABC registra também uma desaceleração na geração de crédito, um saldo deficitário na Balança Comercial, uma desaceleração no nível de atividade comercial, entre outros fatores. Todas estas variáveis nos ajudam a compreender a expectativa de crescimento econômico para a região, conforme apresentaremos por meio do indicador de crescimento econômico do Grande ABC, o iABC, que será analisado no penúltimo item deste Boletim. O comportamento da economia e as expectativas sobre como fecharão os principais indicadores neste ano de 2013 serão influenciados pela nova postura da política econômica do governo federal. Os próximos meses deverão apresentar um novo aumento da taxa básica de juros, segundo as próprias atas do Banco Central, o que deverá reverter a tendência anterior de estimular a atividade econômica via impulso ao consumo. Entretanto, há um ingrediente novo neste final de ano: as apostas sobre o comportamento da economia e a política econômica do governo para 2014, quando haverá a tão esperada Copa do Mundo e a eleição presidencial. Além dos desafios impostos pela própria política econômica, há também maior nível de cobrança registrado nos seguidos protestos que, nos últimos meses, vêm ocorrendo em diferentes estados do país.

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MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA D

esde o segundo semestre de 2012, o volume de operações de crédito já sinalizava uma tendência de desaceleração. Com a mudança no objetivo da política monetária, que passou a ter como foco a desaceleração da inflação, o Conselho de Política Monetária (COPOM) elevou 5 vezes seguidas a meta para a taxa básica de juros na economia. Com isso, o Brasil passou a ter uma das maiores taxas de juros do mundo. Conforme pode ser visualizado na tabela de Indicadores Macroeconômicos Mundiais, enquanto a taxa básica nominal de juros no Brasil é 9,5% a.a, no conjunto de países que compõe o BRIC a média é 6,52% a.a, enquanto na Zona do Euro é 1,75% a.a. e nos EUA é 0,5% a.a. Em um contexto já marcado pelo o elevado nível de endividamento das famílias brasileiras e de inadimplência, a taxa média de crescimento mensal das operações de crédito no Grande ABC, que foi de 1,97% a.m. em 2010 e 2011, diminuiu para 0,82% a.m. em 2012, e para 0,45% a.m. em 2013. Os reflexos desta quase estagnação na expansão das operações de crédito são negativos para a atividade comercial e para a o desempenho da economia regional. Operações de Crédito no Grande ABC (milhões de R$ de set/2013 - deflacionado pelo IPCA) 25.000

milhões de R$

20.000

15.000

10.000

5.000

0

OPERAÇÕES DE CRÉDITO

FINANCIAMENTOS IMOBILIÁRIOS

FONTE: BANCO CENTRAL DO BRASIL

FONTE: SERASA EXPERIAN

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A Pesquisa Mensal do Comércio, realizada pelo IBGE, revela que o crescimento das vendas no comércio varejista apresentou um crescimento de aproximadamente 3,79% no período de janeiro a agosto de 2013, em relação a igual período do ano anterior. Em 2012, essa mesma análise revelou um crescimento aproximado de 9,4%. Esse desempenho é semelhante, tanto no Brasil como no Estado de São Paulo. Nas grandes datas comemorativas e de maior movimentação comercial, o desempenho comercial foi bastante aquém nos principais centros comerciais, comparativamente ao ano passado, incluindo o Grande ABC. As pesquisas regionais têm revelado uma diminuição da disposição dos consumidores em utilizar mecanismos de crédito, ao longo deste ano de 2013.

Atividade Comercial (média de 2011 = 100) 150 140 130 120 110 100 90 80

70

IBGE - Brasil

jul/13

set/13

mai/13

jan/13

mar/13

nov/12

jul/12

set/12

mai/12

jan/12

mar/12

nov/11

jul/11

set/11

mai/11

jan/11

mar/11

nov/10

jul/10

set/10

mai/10

jan/10

mar/10

set/09

nov/09

jul/09

mai/09

jan/09

mar/09

nov/08

jul/08

set/08

mai/08

jan/08

mar/08

60

IBGE - São Paulo

FONTE: BANCO CENTRAL DO BRASIL

Por outro lado, a redução no ritmo e a geração de crédito têm possibilitado a diminuição dos índices de inadimplência, especialmente nos últimos 4 meses. Ainda assim, o nível de inadimplência atual é o dobro do apresentado no final de 2009. Segundo o Banco Central, o endividamento médio das famílias brasileiras corresponde a cerca de 45% da renda anual, e o grau de comprometimento mensal da renda com serviços da dívida é de cerca de 21,4%.

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Inadimplência - Região Metropolitana de São Paulo (média de 2009 = 100) 300

Diminuição de 25% nos últimos 5 meses.

250 200

150 100

Diminuição de 14% nos últimos 5 meses.

50

jan/08 mar/08 mai/08 jul/08 set/08 nov/08 jan/09 mar/09 mai/09 jul/09 set/09 nov/09 jan/10 mar/10 mai/10 jul/10 set/10 nov/10 jan/11 mar/11 mai/11 jul/11 set/11 nov/11 jan/12 mar/12 mai/12 jul/12 set/12 nov/12 jan/13 mar/13 mai/13 jul/13 set/13

0

Financeiras e Cartão de Crédito

Geral

FONTE: SERASA EXPERIAN

FONTE: IBGE Com o aumento da taxa básica de juros (Selic) nos últimos meses, o custo das operações de crédito (como o cheque especial e o capital de giro) vem apresentando uma leve elevação, o que tornará menos atrativa a utilização dos mecanismos de crédito para consumo e aumentará o custo para empresas que necessitarem de mecanismos de financiamento. TAXAS DE JUROS (% a.a.) dez/10

dez/11

dez/12

jun/13

jul/13

ago/13

set/13

Selic

10,75

11,00

7,25

8,00

8,50

9,00

9,5

TJLP

6,00

6,00

5,00

5,00

5,00

5,00

5,00

Capital de Giro

21,40

20,21

15,05

17,96

17,99

18,89

19,16

Cheque Especial

170,71

169,60

138,04

136,79

137,49

138,87

143,26

FONTE: BANCO CENTRAL DO BRASIL

Por fim, é importante ressaltar que o volume de recursos depositados em poupança no Grande ABC apresenta uma trajetória de crescimento, reflexo direto do volume de renda que circula na região, que detém uma das maiores rendas per capita do país. No âmbito nacional, o crescimento dos depósitos em poupança também tem ocorrido, embora de forma menos acentuada.

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Depósitos em Poupança no Grande ABC (milhões de R$ de set/2013 - deflacionado pelo IPCA) 14.000 13.000

milhões de R$

12.000 11.000 10.000 9.000

8.000 7.000

jul/13

mai/13

mar/13

jan/13

nov/12

set/12

jul/12

mai/12

mar/12

jan/12

set/11

nov/11

jul/11

mai/11

jan/11

mar/11

nov/10

set/10

jul/10

mai/10

mar/10

jan/10

set/09

nov/09

jul/09

mai/09

mar/09

jan/09

6.000

FONTE: BANCO CENTRAL DO BRASIL

INFLAÇÃO A

pós a inflação acumulada em 12 meses pelo IPCA ter registrado 6,7%, no último mês de julho, acima da margem superior estabelecida como meta inflacionária pelo Banco Central, o governo reverteu às orientações da política econômica, especialmente a monetária, e vem conseguindo reduzir a inflação. No mês de setembro, a inflação acumulada nos últimos 12 meses era de 5,86%, muito próxima aos 5,84% registrados no ano de 2012. O governo já deixou claro que continuará seguindo a mesma orientação na execução da política monetária, tendo como foco a redução de possíveis pressões inflacionárias também em 2014. Por outro lado, é importante lembrar que este método de combate à inflação, via repressão da demanda, já foi utilizado várias outras vezes no Brasil, e seu reflexo afeta negativamente o crescimento econômico, que vinha sendo impulsionado, nos últimos anos, pelo estímulo ao consumo. Ou seja, continuaremos a vivenciar o famoso ciclo “stop and go”.

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Inflação Acumulada em 12 Meses (IPCA - IBGE; em % a.a.)

5,86% 5,66%

6,27%

6,09% 5,77%

6,70% 6,14%

5,83%

6,50% 5,84%

6,49%

6,59% 5,97%

5,85%

6,31%

6,15% 5,20%

4,72%

4,49%

4,00%

4,49%

5,00%

5,54%

6,00%

5,53%

5,45%

7,00%

5,84%

8,00%

3,00%

2,00%

Brasil

Região Metropolitana de São Paulo

banda inferior

Meta

banda superior

FONTE: IBGE

A

inda que de forma menos intensa, a inflação registrada na região metropolitana de São Paulo também desacelerou nos últimos meses. A CRAISA vem registrando quedas no preço da cesta básica no Grande ABC. O maior preço registrado no ano foi de R$ 444,61, na primeira semana de junho, e o menor preço foi de R$ 408,57, na última semana de agosto. Recentemente, os preços estiveram em constante variação, com tendência de redução entre junho e agosto. Entre o fim de setembro e o mês de outubro, houve aumentos consecutivos nos preços, o que demonstra que os preços da cesta básica são preocupantes para o período.

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Cesta Básica - Região do ABC (em R$) R$ 460 R$ 440,89

R$ 440

R$ 432,54

R$ 430,32 R$ 424,40

R$ 420

R$ 414,27

R$ 400

R$ 414,95

R$ 403,23

R$ 380 R$ 380,55 R$ 360

R$ 357,90

R$ 340 R$ 320

out/13

jul/13

abr/13

jan/13

out/12

jul/12

abr/12

jan/12

out/11

jul/11

abr/11

jan/11

R$ 300

FONTE: CRAISA

o

s grupos com maiores altas de preços medidas pelo IPCA em São Paulo foram habitação, transportes e vestuário. No grupo habitação, os aumentos, de 0,45% em agosto e de 0,57% em setembro, podem ser explicados por conta dos reajustes de aluguéis e aumentos dos valores de condomínios. Com relação a este último, tais valores podem ser observados já há alguns anos. Tais aumentos são influenciados pelos reajustes contratuais, bem como pelos dissídios coletivos de funcionários. No grupo transportes, houve um aumento na inflação de 0,51% em setembro, puxado especialmente pelos preços das passagens aéreas, que aumentaram 20,12% em setembro. O aumento de preços no grupo vestuários, de 0,72% em setembro, foi influenciado por conta da chegada da primavera e, também, pela aproximação do fim de ano, épocas em que a demanda por esses artigos costuma aumentar. Diante deste contexto, mediante a execução de uma política monetária restritiva, o desafio imposto à equipe econômica será o de manter a inflação sob controle e, ao mesmo tempo, estimular o crescimento da economia e a geração de empregos. O mercado de trabalho vem diminuindo seu ritmo de geração de empregos, fruto da diminuição no ritmo da atividade econômica. Em um ano pré-eleitoral, o tempo não é um aliado.

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MERCADO DE TRABALHO A

geração de empregos formais acumulada nos 3 primeiros trimestres do ano diminuiu pouco mais de 16% no Brasil. Houve redução no ritmo de geração de empregos em todos os setores da economia, com exceção da indústria de transformação. Ao mesmo tempo, a taxa de desemprego medida pelo IBGE permanece em torno de 5,4%, com poucas variações ao longo de 2013. No Grande ABC, o mercado de trabalho apresentou um comportamento diferente, mas não distante da conjuntura que envolve a economia nacional. O volume de novos empregos formais gerados no Grande ABC, foi de 8.742 até setembro de 2013, 50% a mais que em relação igual período de 2012. Destes, 2.393 foram gerados na indústria, especialmente no primeiro trimestre, dando sequência a um ciclo de rotatividade após as perdas de emprego no setor, em 2012. A divulgação do RAIS, referente ao ano de 2012, revelou que houve uma pequena redução no volume de trabalhadores formalmente empregados na região, comparativamente ao ano de 2011, o que revela o desaquecimento da atividade econômica em 2012.

Desemprego no Grande ABC (% da PEA) 16

2500

14,4

14

R$ 2.058 2000 R$ 1.902

11

10

10,5 9,4

8

8,1

1500

R$

% da PEA

12

6 4

1000

2 0 jan/08 mar/08 mai/08 jul/08 set/08 nov/08 jan/09 mar/09 mai/09 jul/09 set/09 nov/09 jan/10 mar/10 mai/10 jul/10 set/10 nov/10 jan/11 mar/11 mai/11 jul/11 set/11 nov/11 jan/12 mar/12 mai/12 jul/12 set/12 nov/12 jan/13 mar/13 mai/13 jul/13 set/13

500

FONTE: SEADE

FONTE: MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR

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M

esmo com a melhora no volume de geração de empregos formais neste ano, a taxa de desemprego da região do ABC, que era de 9,4% da população economicamente ativa no início do ano, atingiu 11,2% no mês de agosto e 10,5% no mês de setembro. Nesse mesmo período, o salário médio real dos trabalhadores ocupados no Grande ABC diminuiu de R$2.058,0, em dezembro de 2012, para R$1.902,0, em agosto de 2013, uma redução real de pouco mais de 7,5%, segundo dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego do SEADE/ DIEESE. Já o salário médio estimado dos trabalhadores no mercado formal de trabalho, no Grande ABC, teve uma pequena redução real de 2,22% no mesmo período, segundo dados do CAGED. Os gráficos a seguir apresentam os salários médios estimados no mercado formal de trabalho.

Renda do Emprego Formal - set/2013 Grande ABC

R$ 2.371

São Bernardo do Campo

R$ 2.791

São Caetano do Sul

R$ 2.305

Diadema

R$ 2.280

Mauá Santo André

Ribeirão Pires Rio Grande da Serra

R$ 2.187 R$ 2.034 R$ 1.783 R$ 1.727

FONTE: CAGED/RAIS – MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO

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Setorialmente, o maior salário médio é encontrado na indústria de transformação, em virtude da capacidade de geração de valor adicionado do setor. Por isso, o desempenho desse setor, que perdeu postos de trabalho no ano passado, deve ser analisado com cautela.

Renda do Emprego Formal no GABC - set/2013 Total

R$ 2.371

Indústria

R$ 3.430

Serviços

R$ 1.874

Construção Civil

R$ 1.842

Comércio

R$ 1.663

FONTE: CAGED/RAIS – MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO

Comparativamente ao ano passado, não houve significativas alterações no volume de empregos formais e nem em sua distribuição entre os municípios e setores da economia, alterações estas que demandariam tempo e reestruturação produtiva. Entretanto, merece destaque o comportamento do setor de serviços, que tem sido o maior gerador de empregos no mercado formal da região nos últimos anos. Com uma grande diversificação, grande parte desse setor é movimentada pela própria demanda da indústria, tendo em vista a reorganização do processo produtivo.

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COMÉRCIO EXTERIOR A

Balança Comercial do Grande ABC apresentou um déficit de US$ 156 milhões no saldo acumulado entre janeiro e setembro de 2013, apesar do superávit de US$ 165 milhões registrado em setembro, influenciado especialmente pelo segmento de bens intermediários, que vinha apresentando seguidos déficits ao longo do ano. A Balança Comercial Brasileira também apresentou, nesse período, o pior déficit desde o final da década de 1990. O déficit acumulado até outubro soma pouco mais de US$ 1,83 bilhões (FOB), ante um superávit de mais de US$ 17 bilhões no mesmo período de 2012. Esse é o pior resultado para o período desde 1998. Os principais fatores explicativos para esse comportamento são a lenta retomada do ritmo de expansão do comércio internacional, bem como a taxa de câmbio. Embora o Real tenha se desvalorizado desde o início deste ano, com um pico nos meses de junho e julho, este ainda continua valorizado. Analisando a questão de forma mais ampla, se por um lado a desvalorização do real tende a melhorar a competitividade dos produtos basileiros no exterior; do outro tenderá a pressionar uma elevação no preços dos bens importados, aumentando a pressão sobre a política monetária para combater a inflação, fato que fez o Banco Central intervir fortemente no mercado cambial nos meses de junho, julho e agosto. Saldo da Balança Comercial do Grande ABC - milhões de US$ 2,6

300

O défict acumulado até o terceiro trimestre de 2013 2,37 soma US$ 156 milhões.

2,4

250

2,2

150

2,08

100 2

2,00

50

1,97

1,8

0 -50

Saldo em milhões de US$

Câmbio R$: US$

200

1,6 -100 1,4 jan/08 mar/08 mai/08 jul/08 set/08 nov/08 jan/09 mar/09 mai/09 jul/09 set/09 nov/09 jan/10 mar/10 mai/10 jul/10 set/10 nov/10 jan/11 mar/11 mai/11 jul/11 set/11 nov/11 jan/12 mar/12 mai/12 jul/12 set/12 nov/12 jan/13 mar/13 mai/13 jul/13 set/13

-150

saldo

câmbio

FONTE: MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR

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Entre janeiro e setembro, enquanto as importações cresceram 21,98% em comparação ao ano passado, as exportações aumentaram apenas 6,62% no Grande ABC. Setorialmente, a comercialização de bens intermediários apresenta um resultado deficitário de US$ 782 milhões até setembro, fruto da substituição dos fornecedores locais por fornecedores internacionais, para atender as cadeias de produção de bens finais. Esses dados demonstram o efeito da política externa na indústria local, especialmente a que atua no fornecimento de bens intermediários. Os demais segmentos apresentam resultados positivos, ainda que menores aos do ano passado.

COMPOSIÇÃO DO COMÉRCIO EXTERIOR DO GRANDE ABC Jan - Set de 2013 (US$ FOB) EXPORTAÇÕES IMPORTAÇÕES BENS DE CAPITAL 1.375.415.058 1.038.000.009 BENS INTERMEDIARIOS 2.896.204.554 3.678.624.770 BENS DE CONSUMO 869.629.571 629.955.510 COMBUSTIVEIS E LUBRIFICANTES 66.615.886 16.973.567 DEMAIS OPERAÇÕES 4.179 1.104.888 TOTAL 5.207.869.248 5.364.658.744

SALDO 337.415.049 (782.420.216) 239.674.061 49.642.319 (1.100.709) (156.789.496)

FONTE: MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR

Em uma cadeia produtiva na qual a produção industrial apresenta significativa capacidade de geração de valor adicionado, direta e indiretamente, a desaceleração das exportações e a ampliação da participação dos importados no mercado local têm enormes impactos sobre a economia regional. Alguns dos dados referentes aos anos de 2012 e 2013, como a deterioração do saldo da Balança Comercial, a redução no ritmo de expansão das operações de crédito, a desaceleração na expansão da atividade comercial, a geração de empregos e da expansão da massa salarial, contribuem para avaliarmos o desempenho da economia do Grande ABC nesse período. O grande desafio colocado para a economia brasileira e, também, para a economia do Grande ABC, consiste na retomada dos fluxos de investimento, o que demandará ações de longo prazo. O Grande ABC perdeu o posto de principal região montadora de automóveis para o interior paulista, que, nos últimos anos, tem apresentado uma das maiores taxas de crescimento econômico.

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A busca pelo desevolvimento de outros canais de produção, voltados ao desenvolvimento tecnológico, parece ser um caminho necessário. O desafio que se coloca é viabilizar a construção deste novo escopo produtivo, que dependerá de articulações e de grande capacidade de planejamento.

PIB DO GRANDE ABC: iABC Desde o ano de 2012, a equipe do Observatório Econômico da Universidade Metodista de São Paulo vem trabalhando na construção de um indicador de nível de atividade econômica para o Grande ABC. Esta iniciativa surgiu a partir da constatação da necessidade de termos um indicador que avaliasse, em tempo real, o desempenho da economia do Grande ABC, tendo em vista que a divulgação do PIB do Grande ABC, pelo SEADE, ocorre com pouco mais de 2 anos de defasagem. Neste final de 2013, por exemplo, o SEADE divulgará o PIB dos municípios paulistas referente ao ano de 2011. A construção do indicador, denominado iABC, ocorreu por meio do desenvolvimento de um modelo econométrico em série temporal. Após organizarmos todas as principais variáveis econômicas referentes à região do Grande ABC, acessíveis em periodicidade mensal, realizamos os testes necessários para averiguar quais delas correlacionavam–se com a trajetória do PIB regional. As variáveis que passaram a incoporar o modelo, após a execução de todos os procedimentos técnicos para sua construção, avaliam a trajetória das operações de crédito, das relações de comércio exterior, da geração de empregos, entre outras variáveis técnicas, o que possibilitou, por exemplo, captar a trajetória de tendência do PIB do Grande ABC. O gráfico a seguir apresenta a trajetória do iABC, resultado da estimação realizada a partir do modelo construído. Comparativamente ao dado real do PIB do Grande ABC, a estimativa do iABC mostrou-se bastante próxima, ao longo do período entre 1999 e 2010, inclusive no ano de 2009, quando o comportamento do PIB refletiu os efeitos da crise de 2008.

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PIB do Grande ABC 2002 = 100 150 140 130 120 110 100

90 80 70 60

1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 T T T T T T T T T T T T T T T T T T T T T T T T T T T T T T T T T T T T T T T T T T T T T T T T T T T T T T T T 1999

2000

2001

2002

2003

2004

2005

2006

PIB do Grande ABC - SEADE

2007

2008

2009

2010

2011

2012

iABC - Observatório Econômico

FONTE: SEADE E OBSERVATÓRIO ECONÔMICO/UMESP

Entretanto, no período entre 2011 e 2012, o indice iABC revela uma recessão de 1,3% em 2011, e de 5,7%, em 2012. A tabela a seguir mostra que o comportamento da economia do Grande ABC tem aderência ao comportamento do desempenho econômico do Brasil e do estado de São Paulo, com diferentes intensidades, dada as respectivas diversificações na estrutura econômica.

Crescimento Comparado do PIB (% a.a.)

2008 2009 2010 2011 2012

Brasil

São Paulo

Grande ABC

5,17 -0,33 7,53 2,73 0,87

5,9 -0,8 7,9 2,2* 1,3*

6,43 -7,07 11,83 -1,3* -5,78*

FONTE: IBGE, SEADE, OBSERVATÓRIO ECONÔMICO * Valores estimados. As estimativas para o estado de São Paulo são realizadas pelo SEADE As estimativas para o Grande ABC foram extraídas do modelo preditivo deste trabalho.

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O comportamento de algumas variáveis econômicas da região nos ajuda a explicar o resultado do índice iABC. Os recentes dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, referente ao RAIS de 2012, revelaram que houve uma redução no número de trabalhadores formalmente empregados na região do Grande ABC, com significativa redução no número de empregados na indústria de transformação. O saldo da Balança Comercial, que vinha se recuperando nos anos de 2010 e 2011, após a crise de 2008, vem se deteriorando desde o ano de 2013. Apenas para efeito de comparação, em 2011 no acumulado de janeiro a setembro, a Balança Comercial do Grande ABC registrava um superávit de US$ 1.105 milhões, que reduziu para US$ 486,3 milhões em 2012, e transformou em um déficit de US$ 165 milhões em 2013. Outro ponto importante a ressaltar, refere-se ao volume de operações de crédito, que detém forte correlação positiva com o desempenho do setor comercial. Com as ações de estímulo ao crescimento econômico adotadas pelo governo federal a partir do início de 2009, que incluíam o estímulo ao crédito, estas operações passaram a apresentar uma trajetória exponencial ascendente no Grande ABC, até meados de 2011. A partir de então, até os dias atuais, as operações de crédito passaram a ter um comportamento descendente e, em 2013, apresentam-se quase que estagnadas. Por fim, é fundamental esclarecer que os modelos preditivos não têm o objetivo de antecipar o resultado exato do comportamento futuro do fenômeno econômico estudado. O grande ganho que podemos obter com um indicador de atividade econômica e sua natural evolução qualitativa está na possibilidade de termos em mãos um instrumento que nos permita inferir, da forma mais aproximada possível, o comportamento da economia local, quase que em tempo real. Para os empreendedores, que necessitam do melhor nível e qualidade de informações possíveis para a sua tomada de decisão, bem como para os gestores públicos, que têm o desafio de desenhar políticas de estímulos à economia local, a utilidade desse indicador poderá ser de grande valia.

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OPINIÃO A IMPORTÂNCIA DAS ECONOMIAS REGIONAIS Os fatos ocorridos na economia mundial nos últimos anos têm nos permitido observar diversos aspectos da natureza dos ciclos econômicos. Em especial, o fato de que mesmo grandes empresas, com elevado grau de internacionalização; assim como as economias mais ricas e desenvolvidas, também demonstram elevado grau de dependência em relação à dinâmica macroeconômica. Em geral, provocada por fatores sob os quais os mesmos não têm governabilidade plena (ou mínima). No mundo contemporâneo, se de um lado as ações do setor privado são responsáveis pela maior parte da geração de riqueza nas economias, as intervenções do poder público, quando eficientes, podem contribuir para a estabilidade e o impulso da atividade produtiva, e mesmo amenizar efeitos cíclicos inerentes à dinâmica econômica capitalista. Com a intensificação das relações econômicas entre os países nas últimas décadas e, em especial, a internacionalização das cadeias de produção, aguçadas pela velocidade com que avançam o acesso às informações têm contribuído para diminuir as incertezas dos empreendedores do setor privado, e a criar melhores subsídios para as ações de políticas públicas. A exemplo da disseminação dos efeitos da crise financeira internacional, nos últimos anos, que ainda hoje se reflete na queda da capacidade de crescimento da economia mundial, tem ampliado a demanda por informações econômicas. Não somente na dimensão global ou nacional, a disseminação de dados e análises em nível regional também se mostra importantes, dado que nos diferentes países a geração de riqueza apresenta-se, invariavelmente, concentradas em regiões, caracterizadas pelo ganho de escala, proporcionado pela infraestrutura, especialização produtiva e tecnológica e concentração de mão de obra qualificada, entre outros fatores. Uma das intrigantes questões levantadas nestes últimos anos refere-se, especificamente, às diferentes formas como a crise atingiu diferentes países e regiões, assim como estas demonstraram diferentes capacidades de reação, que tem ampliado o interesse por estudos regionais. Segundo Marcio Pochmann (IN CARVALHO, 2007, p. 9-10) “a dimensão continental do Brasil impõe enormes desafios a seus municípios, diversas regiões e áreas metropolitanas.

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Assim, para compreender a dinâmica do crescimento econômico brasileiro não há como escapar de um estudo das dinâmicas das economias de suas regiões”. Compreender a dinâmica da economia municipal, sua integração com a economia regional, bem como sua inserção na economia nacional, são imprescindíveis aos empreendedores privados na definição de estratégias de atuação local, ainda que tenham foco na economia nacional e/ou internacional, bem como aos gestores públicos na construção de políticas e voltados a estimular a atividade produtiva e o desenvolvimento. O indicador que o Observatório Econômico está divulgando nesta edição vem atender uma demanda regional, para melhor entendimento do comportamento da economia local. Se um indicador, como o próprio nome já diz, apenas indica a tendência de comportamento do fenômeno estudado, este complementa outras informações disponíveis, enriquecendo o volume de informações acessíveis para a construção de avaliações e análises mais sólidas sobre a região do Grande ABC. O próximo desafio colocado, e que certamente fará parte do questionamento dos leitores desta edição do Boletim, é o desmembramento deste indicador para os diferentes municípios.

Sandro Renato Maskio

Prof. de Economia da Universidade Metodista de São Paulo Cordenador do Observatório Econômico da mesma instituição Economista da Secretaria de Desenvolvimetno Econômico da Prefeitura de Santo André

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A serviço do desenvolvimento do Grande ABC. Patrocine esta iniciativa! E-mail: observatorio.economico@metodista.br Tel: 4366-5035

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