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#01 EDIÇÃO AN0 19

QUAL É O RUMO DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS? PÁGINAS 24, 25 E 26

N E S TA E D I Ç ÃO

VAMOS TROCAR FIGURINHA? PÁGINAS 5, 6 E 7 IMPACTO DOS DESENHOS ANIMADOS PÁGINAS 16, 17, 18 E 19 EXISTE UM SALVADOR DA PÁTRIA? PÁGINAS 20 E 21 A MODA AGENERO PÁGINAS 31, 32 E 33 MUSCULAÇÃO, CROSSFIT OU TREINO FUNCIONAL? PÁGINAS 34 E 35


IMAGEM

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ÍN DICE

AMAZÔNIA-1: O BRASIL NO ESPAÇO TECNOLOGIA

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SOBRE PLANTAR O AMOR CRÔNICA

NA MINHA ÉPOCA NÃO ERA ASSIM... PAIS E FILHOS

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ÁLBUM DA COPA: MAIS DO QUE UMA PAIXÃO FUTEBOL

A DOIS PASSOS DO MERCADO CURIOSIDADES

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A RUA É O PALCO CULTURA

TIREM AS CRIANÇAS DA SALA COMPORTAMENTO

Foto número 101 do projeto centoevintedois, por Gustavo Torres. O projeto, em plena execução, trará até sua conclusão 365 fotos numeradas com detalhes de São José dos Campos trazendo a história de cada lugar da cidade com uma visão única do autor. instagram.com/ centoevintedois

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MAKE BRASIL GREAT AGAIN COMPORTAMENTO

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POR QUE O BRASIL É AFETADO POR TANTAS DOENÇAS TROPICAIS? SAÚDE

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ESTILO, EXPRESSÃO E LIBERDADE COMPORTAMENTO

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS: UM OLHAR ADIANTE CAPA

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MUSCULAÇÃO, CROSSFIT OU TREINO FUNCIONAL? FITNESS

“DE CARONA” NO TRANSPORTE PÚBLICO JOSEENSE CIDADANIA

COLABO RADORES

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1 - Adrielle Oliveira 2- Alexandre Furtado 3 - Alice Aires 4 - Alice Ferreira 5 - Ana Carolina

6 - Ana Tainara Rosa 7 - Bianca Batistioli 8 - Bruno Andrade 9 - Carolina Bluhm 10 - Caro-

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line Cherulli 11 - Caroline Leal 12 - Cibele Bonacasata 13 - Fábio Paranhos 14 - Flora Santos 15 - Gabriel Lemes 16 - Gabriela Mancilha 17 - Giovane Vieira 18 - Giovanna Goulart 19 - Heloísa Porcini 20 - Isabella König 21 - Isaias Menezes 22 - Júlia Rodrigues 23 - Laís Garbulho 24 - Letícia Neves 25 - Luiz Santos 26 - Marcela Maria 27 - Mariana Sanches 28 - Matheus Sanchez 29 - Naiara dos Santos 30 - Pedro Augusto 31 - Pedro Henrique Elias 32 - Rafaella Fagundes 33 - Stephani Almeida 34 - Thais Fernanda 35 - Ticiane Rizzi 36 - Vitor Vilas Boas 37 - Yan Bertone 38 - Yasmin Marioto 39 - Fredy Cunha

EXPEDIENTE JORNAL LABORATÓRIO DO CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL – JORNALISMO (FCSAC) – TURMA 2017 REITOR Prof. Dr. Jair Cândido de Melo DIRETOR DA FCSAC Prof. Msc. Celso Meneguetti COORD. DE COMUNICAÇÃO SOCIAL – JORNALISMO Prof. Dra. Vânia Braz de Oliveira EDITOR-CHEFE Prof. Esp. Fredy Cunha (Mtb 47292) PROJETO GRÁFICOProf. Esp. Lucaz Mathias e Alunos do 6º período de Jornalismo CONSELHO EDITORIAL Prof. Dra. Vânia Braz de Oliveira e Prof. Esp. Fredy Cunha Universidade do Vale do Paraíba – UNIVAP Av. Shishima Hifumi, 2.911, Urbanova, São José dos Campos – SP 12.244-000 / Tel.: (12) 3947-1083, www.univap.br Dúvidas e sugestões pelo e-mail: fredy.cunha@univap.br.

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REVISTA LABORATÓRIO FCSAC/UNIVAP - S. J. CAMPOS - ANO 19, EDIÇÃO 1 - 2018

É PAUTA! POR PROF. FREDY CUNHA

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EDITORIAL E “sai do forno” uma nova edição da nossa ‘revista laboratório Foca em Foco’, da Univap. A primeira de 2018! Os alunos do 3º ano de Jornalismo são os responsáveis pelo conteúdo que você lerá nas páginas seguintes deste material. Mais uma vez, foram eles os idealizadores de cada um dos temas abordados a seguir. Desde a ideia da pauta, passando pela escolha da imagem e fechando com a escrita da reportagem... Cada passinho foi tratado com carinho por essa equipe de repórteres. Política, comportamento, saúde, cidadania e entretenimento são algumas das editorias trabalhadas nesta edição. Meu convite é para que você, leitor, leia cada uma das reportagens, mesmo aquelas que não estão entre os seus temas preferidos. Vale a pena a leitura, assim como valeu o esforço de cada ‘repórter/aluno’ nas diversas etapas da construção de nossa revista.

Antes que ela chegasse às suas mãos, teve um processo de empenho e de dedicação de cada um. E nós, professores, acompanhamos este processo com satisfação. Desde a primeira conversa entre professores (editores) e alunos (repórteres), notou-se o desejo de contar boas histórias, de ilustrar as reportagens da melhor maneira possível e de, juntos, adentrar numa ‘caminhada’ para a construção de um material interessante, mesmo produzido por jovens estudantes. O importante foi atingido mais uma vez: o zelo pela qualidade da informação, que é algo que vai muito além da estética do texto ou daquilo que entendemos como ‘pauta de qualidade’ – algo tão subjetivo e que pode nos levar a pensamentos equivocados do que é “bom” ou “ruim” de ser abordado. Tudo pode ser mostrado, mesmo que nem tudo nos agrade. A você, caro leitor, desejamos uma excelente leitura!

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CRÔNICA

FUTEBOL

álbum

SOBRE PLANTAR O POR CIBELE BONACASATA

Acredito que gostar de alguém seja como plantar uma planta. Para que ela cresça forte e saudável é necessário nutri-la com frequência e alimentos necessários. Enquanto a plantinha precisa de dióxido de carbono, água e luz solar para a sua fotossíntese, precisamos de demonstrações de carinho, cuidado e afeto para que nossos sentimentos cresçam fortes e saudáveis. Se for bem alimentada, o que antes era uma simples e frágil plantinha acaba se tornando um lindo jardim. É aí que nossos sentimentos estão mais estáveis, mais fortes e mais decididos. Há pessoas, porém, que não são mais jardins no meu coração. São florestas. Estes são os amores incondicionais que tenho por alguns indivíduos. Um amor que se renova por si só. Que é autossustentável e que pode passar anos sem receber uma

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visita, que permanecerá floresta. E aí quando reencontramos a pessoa, vimos que nada mudou. Por outro lado, quando alimentamos a plantinha que outra pessoa plantou, temos o amor platônico. Se for uma florzinha, pode ser bonito e saudável. Mas se for cultivado por muito tempo, pode-se tornar um jardim cheio de rosas espinhosas e plantas venenosas. Ainda, se for cultivado ao ponto de se tornar um amor platônico incondicional, será uma floresta medonha. O amor platônico pode ser traiçoeiro, porque vemos na outra pessoa projeções de nossos sentimentos, que deturpam a realidade. Às vezes pode ser tão forte que sempre que nos deparamos com um problema, corremos para aquela floresta, para o amor ilusório, como se isso fosse nos proteger dos males da vida. E, na verdade, este escape é como um remédio que

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inibe a dor, mas não cura a doença. Meu conselho: ateie fogo em toda esta floresta. Corte o mal pela raíz. Destrua este amor angustiante e quem sabe, quando você enxergar o mundo real perceba que gastou tanto tempo idealizando este falso amor, que se esqueceu do principal: a sua floresta própria. Seu auto amor. O amor próprio, assim como os outros, também precisa ser plantado, cultivado e bem cuidado. Quem tem um bom amor próprio, não se refugia em outros corações. Possui árvores grandes, com muitos frutos e raízes fortes. Frutos para serem distribuídos por aí. Para contagiar as pessoas ao seu redor. Espalhar sementinhas de uma floresta tão segura de si, que nascerá saudável também em outros corações. Assim como as plantas, o amor também é essencial para nossa vida. Plante o amor e viveremos em harmonia!

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

AMOR

DA COPA

690 figurinhas, 32 Seleções e um sentimento: prazer em colecionar. 5


FUTEBOL

MAIS DO QUE O FUTEBOL atrai milhares de fanáticos pelo mundo, movidos pela paixão ao esporte e por seus clubes do coração. Esse sentimento se estende para fora dos campos e manifesta-se com mais entusiasmo durante o maior evento do esporte mundial: a Copa do Mundo. POR CAROLINE CHERULLI, FLORA SANTOS E MARCELA MARIA

té, começou a colecionar com seu pai na Copa de 82, quando tinha apenas sete anos e, atualmente, possui nove álbuns completos. A FEBRE DOS ÁLBUNS Essa prática é quase uma terapia para os aficionados pelo futebol. Antes mesmo da Copa começar, eles já estão com seus álbuns completos e pensando nos próximos. Mas por que é tão bom colecionar? Para Frederico, é difícil apontar somente uma razão. Ele diz que o momento em que chega em casa com os envelopes recém-comprados e começa a abri-los é uma das melhores sensações. “É um prazer sem explicação, só quem curte sabe. Dá vontade de passar o dia inteiro abrindo e colando as figurinhas”.

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Os álbuns de figurinhas com as fotos dos jogadores das seleções fazem sucesso entre todas as idades e muitos desses colecionadores começaram ainda pequenos. O estudante de Rádio e TV Vinícius Mazini, 20 anos, de Taubaté, iniciou seu primeiro álbum em conjunto com seu irmão mais velho quando ainda eram crianças. Segundo ele, toda a família coleciona e a mais animada é a sua mãe, que fica responsável pela compra dos cards. “Hoje, é uma diversão da família inteira, cada um compra um pacotinho e vamos aos poucos montando o nosso álbum”, conta. A participação familiar é mais comum do que as pessoas pensam. O jornalista Frederico de Oliveira, 42 anos, também de Tauba-

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E nessa animação, os colecionadores desenvolvem técnicas para controlarem quais cromos possuem. “Nos dois primeiros álbuns, eu escrevi em um papel todas as figurinhas e ia riscando à medida que as colava. No último álbum, fiz o processo parecido, mas dessa vez em uma planilha de Excel”, conta Juan Richard, técnico de automação, 20 anos, de São José dos Campos. INTERAÇÃO Os colecionadores fanáticos promovem grandes encontros em praças, bares e espaços públicos para trocarem cromos entre si. Em Taubaté, a Praça Santa Terezinha é o ponto de encontro mais conhecido. “Em anos de Copa, tem domingo que fico mais de quatro horas por lá e consigo trocar com mais de 100 pessoas”, afirma Frederico. Com a ansiedade para completar o álbum, há quem pague caro por um cromo especial. É o caso do Vinícius, que chegou a pagar 20 reais no escudo da Seleção Brasileira. “Teve uma vez que estávamos na praça e a minha mãe brigou com a pipoqueira porque ela estava cobrando 40 reais no escudo. Ela ‘virou o bicho’ nesse dia e, no fim, pagamos 20 reais”, conta em meio a risadas. Em 2010, Frederico adquiriu em um site de leilões a versão europeia do álbum da Copa de 82. “Paguei cerca de 350 reais por ele completo. E, certa vez, comprei envelopes lacrados das Copas de

uma paixão 82 e 86, por 60 reais cada. Esses foram meus maiores gastos”. Talvez, por este motivo o álbum virtual lançado pela Panini não tenha feito tanto sucesso entre os colecionadores, afinal, tanto Frederico quanto Vinícius foram taxativos: o álbum virtual não tem a mesma graça. “Eu cheguei a tentar colecionar online, mas enjoei. Não é a mesma coisa. Acho que tem a questão do contato com o papel, em poder interagir de forma mais próxima com outras pessoas na hora de trocar”, afirma Jorge Victor, estudante

de Odontologia, 21, também de São José. FUTURAS GERAÇÕES Como muitos começam a colecionar com a família, transmitir essa tradição para as próximas gerações é uma certeza. “Passarei essa paixão para meus filhos e até para os jovens que tenho contato. É um passatempo saudável e cultural”, conta Frederico. “A coleção de figurinhas é um prazer independentemente do resultado em campo, mas se o Brasil vai bem, tudo fica mais gostoso”, disse o jornalista.

“Teve uma vez que estávamos na praça e a minha mãe brigou com a pipoqueira porque ela estava cobrando quarenta reais no escudo. Ela ‘virou o bicho’ nesse dia” Vinícius Mazini

VOCÊ SABIA? SEGUNDO A PANINI, o Brasil é o país onde há mais colecionadores. ANUALMENTE, a Panini arrecada em média US$ 1 bilhão com suas figurinhas.

A PRODUÇÃO DOS ÁLBUNS começa antes dos jogadores serem confirmados pela comissão técnica. O PRIMEIRO ÁLBUM para uma Copa do Mundo foi lançado em 1970, no México.

TUDO PELAS FIGURINHAS! Na Colômbia um professor foi acusado de roubar as figurinhas de seus alunos. R$ 280,70 é o preço gasto para completar um álbum sem comprar figurinhas repetidas!

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CULTURA

Músicos de rua usam as calçadas da cidade como palco para expressar sua liberdade musical

“Eu sou o anônimo da rua, esse é o meu prazer. Eu não imagino uma coisa mais da hora (sic) do que tocar na encruzilhada”

palco

A RUA É O

POR ALICE FERREIRA, BIANCA BATISTIOLI, CAROLINA BLUHM E STEPHANI ALMEIDA

“Na igreja, eu assistia à orquestra e queria estar lá”, é isso que Jonatas Rodrigues Lemes da Silva, 21, diz quando perguntam qual a motivação para tocar violino. Desde novembro de 2017, ele viu nas ruas de São José dos Campos uma oportunidade de expressar sua arte e sustentar sua família. A calçada é o palco de Jonatas e a plateia está sempre em movimento. O músico gosta de experiência que o ambiente proporciona. É isso que o motiva: o contato com um público que desconhece seu trabalho. Aos 11 anos, o interesse pelo instrumento erudito nasceu e o primeiro violino foi presente do pai, que sempre o incentivou. Os estudos se iniciaram pela

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religião e duraram três anos. Depois disso, afastou-se da igreja, mas nunca do violino. O objetivo do violinista é sensibilizar as pessoas e fazê-las sentir como ele se sente, mesmo que elas não conheçam a música e de onde ela vem. O saxofonista Rodolfo Rondinelli Ceregatti, 36, de Mogi Mirim, compartilha da mesma motivação do violinista. Ele escolheu tocar na rua e viver no anonimato. “Eu não estou aqui na rua esperando passar um empresário, que vai descobrir o meu talento e me colocar para tocar em um teatro, me botar (sic) na televisão, vai falar o meu nome... Não! Eu sou o anônimo da rua, esse é o meu prazer. Eu não imagino uma coisa

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mais da hora (sic) do que tocar na encruzilhada (sic)”. Mas fazer música na rua não é uma tarefa fácil. Para Jonatas, que é cristão e só toca música gospel, mesmo ao se afastar da igreja, a dificuldade é o preconceito pelo ritmo musical. Ele sempre ouve o mesmo questionamento: “por que você não muda o seu repertório?”. A resposta é simples: “é isso que eu tocava quando era pequeno, é isso que eu toco agora e é isso que eu vou tocar amanhã”. Para ele, a música cristã representa a essência do artista. Já para Rodolfo, o difícil é desacelerar as pessoas e fazê-las sentir o ‘Dó Ré Mi Fá Sol’, como diz. O músico viaja pelo Brasil e por alguns países da

Rodolfo Ceregatti

América Latina para ter contato com outros ambientes e culturas e diz que a recepção dos cidadãos varia muito da cidade em que ele está. Para o saxofonista, em São José, as pessoas são menos aceleradas e isso possibilita um contato maior com o público. Ainda assim, chamar a atenção de quem passa pela rua é uma missão árdua. INDEPENDÊNCIA Os artistas de rua prezam por sua independência e não se interessam por oficinas ou programas oferecidos pelo município. A Fundação Cultural Cassiano Ricardo* programa diversas intervenções, mensalmente, para artistas inscritos no projeto ‘Arte nas Ruas’. Rodolfo diz que isso foge do seu ideal de artista e que a arte

na rua é uma coisa totalmente autônoma e informal. Ele se autodenomina artista de rua, mas diz que quando é proibido de tocar em algum lugar, se justifica dizendo que está pedindo esmola. “Cada um é cada um, eu não estou interessado em como eu vou ser classificado”, disse. DESTINO A história do violinista das ruas aconteceu por acaso. “Eu estava sem trampo (sic) no final do ano e resolvi vender bala no centro. Fiquei até as 16h e não vendi nada. Tinha um carinha (sic) tocando violino e eu pedi para tocar, para relaxar. Então comecei a tocar, de costas para o estojo dele, sentado de qualquer jeito, tocando só para mim mesmo. Uma mulher passou e jogou um monte de nota de R$ 2,00 e eu pensei: ‘Nossa, estou mos-

cando (sic) aqui vendendo bala, deveria estar tocando violino!’”. O caso se repete com Rodolfo, que trabalhava como professor de piano, concursado pela prefeitura de São Paulo. Decidiu tocar nas ruas para aprender e adquirir uma experiência que não seria possível dentro de um salão. Sobre essa decisão, diz que “não vai me faltar, nunca, a minha subsistência. Se eu formar uma família, eu crio tranquilamente com esse trabalho, com total confiança e responsabilidade”. * A reportagem tentou contato com a Fundação Cultural Cassiano Ricardo para entender seu posicionamento sobre os artistas de rua da cidade, mas o órgão não se pronunciou até o fechamento desta matéria.

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TECNOLOGIA

AMAZONIA-1: O BRASIL NO ESPAÇO O primeiro satélite de observação da Terra: projetado, integrado, testado e operacionalizado no país

POR GABRIELA MANCILHA, RAFAELLA FAGUNDES E TICIANE RIZZI

Mas o que muita gente não sabe é que no INPE existem diversas áreas para serem visitadas gratuitamente. Além de ser uma prestação de contas, é também uma oportunidade de conhecer mais sobre o espaço e suas curiosidades. O LABORATÓRIO DE INTEGRAÇÃO E TESTES (LIT) é uma dessas áreas. Conhecido como “mini NASA” (alusão à agência espacial norte-americana), foi criado em dezembro de 1987 com a intenção de atender às necessidades do Programa Espacial Brasileiro para montar, integrar e testar satélites, e também ajudar empresas privadas a realizar testes em aparelhos eletrônicos. O trabalho desenvolvido no Laboratório contribui diretamente com o desenvolvimento

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dos e colocados no espaço e permanecem em órbita ao redor da Terra. Esses equipamentos são fundamentais para uso de tecnologias terrestres, comunicação e estudos sobre o planeta, além de auxiliar no controle das mudanças climáticas, monitoramento e transmissão de sinal para equipamentos e eletrônicos.

do Brasil e de outros países da América do Sul, já que é o único a realizar testes para satélites neste hemisfério. Países como Alemanha, Rússia e China também são parceiros do LIT, ampliando seu re- UM DOS PROJETOS do INPE é o conhecimento Amazonia-1, que pelo mundo e será o primeibuscando aliaro satélite de obdos que utiliservação da Terzem os testes e ra inteiramente que o auxiliem projetado, inteno lançamengrado, testado e to dos satélites operacionalizabrasileiros, já do no Brasil. que, atualmenDe acordo te, o Brasil não com o gerente de possui veículo integração, monlançador (foguetagem e testes Guilherme Venticinque te), nem investido Amazonia-1, mento nessa área. Guilherme Venticinque, a imporOs satélites artificiais (cons- tância do satélite contribui não só -truídos pelo homem) são lança- com o projeto espacial, mas tam-

“A tecnologia que nós estamos usando para o Amazonia-1 é só o começo para a autonomia espacial”.

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bém no desenvolvimento investido na tecnologia brasileira. “O Brasil poderia importar satélites já prontos de outros países, mas o pensamento é justamente fazer com que o investimento fique no Brasil, Brasil e ajude a desenvolver a tecnologia espacial brasileira. A tecnologia que nós estamos usando para o Amazonia-1 é só o começo para a autonomia espacial”, conclui. Além de ser um avanço para o Brasil, o Amazônia-1 terá uma missão importante para a sustentabilidade nos próximos anos, já que sua principal função será a de monitorar o desmatamento da Amazônia. Uma das características do satélite são as imagens geradas, que permitirão o mapeamento das regiões desmatadas. Os dados contidos nas imagens poderão alertar o desmatamento da Amazônia e das regiões agrícolas brasileiras, além de cooperar com programas ambientais já existentes. Outros países estão com os

olhos voltados para o projeto. O engenheiro da computação, Diego Montecin, conta que a própria NASA destacou a tecnologia desenvolvida aqui. “Os equipamentos que estão compondo o satélite são de ponta, já ouvimos elogios vindos da NASA pela inovação do projeto”. O satélite vai conseguir mandar imagens de qualquer parte do

planeta a cada cinco dias e possui uma capacidade significativa de dados de um mesmo ponto do planeta. A previsão de lançamento do Amazonia-1 é o ano de 2019. Para mais informações sobre visitas ao INPE, é só entrar no site e preencher o formulário (www.inpe. br/comunicacao_comunidade/ visitas/).

fotos: Rafaella Martins

O INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS (INPE), sediado em São José dos Campos, produz tecnologia espacial para auxiliar o desenvolvimento e o bem-estar dos brasileiros.

Equipe do Laboratório de Integração e Testes (LIT) responsável pelo Amazonia-1.

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PAIS E FILHOS

NA MINHA ÉPOCA

NÃO ERA ASSIM... Como lidar com a geração de crianças tecnológicas?

POR ANA CAROLINA, ANA TAINARA ROSA E BRUNO ANDRADE

Você certamente já ouviu essa frase e, se está com 18 anos ou mais, também já deve ter começado a utilizá-la. É praticamente impossível que, atualmente, haja uma infância sem a influência dos equipamentos eletrônicos. A verdade é que, com o passar dos anos e com as evoluções das gerações, as coisas mudam mesmo, não podemos negar que a tecnologia mudou o mundo em que as crianças estão se desenvolvendo. Mas será que estamos conseguindo nos adaptar a essas mudanças?  Uma porta-voz do Royal College  de Terapeutas Ocupacionais, em Londres, disse ao portal Galileu que, embora existam pontos  positivos no uso da tecnologia, há também impactos preocupantes, como sedentarismo, interações apenas virtuais e crianças passando cada vez menos tempo ao ar livre.  Alice Leite tem apenas 6 anos e nasceu na geração Alpha – a que mais possui acesso à informação e à tecnologia. Há um ano, ela, que é de São José

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dos Campos, tem seu canal no YouTube e conta com mais de 10,5 mil inscritos. Sua página no Instagram tem mais de 17,9 mil seguidores (dados referentes à data de fechamento desta reportagem: 3 de abril). Ela sonha em ser atriz e cantora. Mas será que a criança já percebe o que essa exposição significa? Em entrevista à revista Foca em Foco, seus pais,  Misleide Leite, 34 anos,  e Marcos Oliveira, 38 anos, se mostram atentos quanto a essa exposição. A criança não tem acesso às redes sociais diretamente. Ela só é a protagonista do nome “Alice Leite” e a mãe afirma:  “tudo é monitorado por mim e pela assessoria dela, então eu mostro uma coisa ou outra, deixo ela dar os corações (que significam as curtidas no Instagram), porque ela gosta, falo para ela quando uma pessoa que ela gosta comentou ou disse algo, mas diretamente ela não tem acesso”.   Sobre o celular,  que muitas crianças já possuem desde cedo, a mãe diz: “ela possui, mas o celu-

lar dela não tem nenhuma das redes socais. Tem o WhatsA-

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Misleide, Marcos Leite e filha Alice

pp com contato somente dos pais e avós. Ela não vai com o celular para a escola, porque acreditamos que ainda não tem idade”. E de acordo com o pai da menina, o acesso dela ao  YouTube é sempre monitorado. “Vemos o que ela está assistindo e orientamos sobre quais vídeos pode e quais não pode acessar”, diz Marcos.  Ainda sobre o celular, ele não é visto só negativamente,

mas pode ser utilizado para o bem e para o aprendizado. Alice antes do contato com o “papel e caneta” na alfabetização, já tinha contato com a tecnologia. Os pais baixaram diversos jogos educativos para auxiliar no desenvolvimento da menina e foi muito positivo. COMO TUDO COMEÇOU A pequena  participou de um desfile com apenas 4 anos, foi aplaudi-

da de pé,  gostou dessa ideia e sentiu  o desejo  de  desfilar novamente. Por  coincidência,  a mãe foi desligada da empresa onde  trabalhava, surgindo  a oportunidade de estar mais perto da filha. Foi aí que a inscreveu em uma agência de talentos, em São Paulo. Com o tempo, várias oportunidades foram surgindo, naturalmente.  Hoje, Alice é uma influência digital para muitas crianças por meio das mídias,  porém  é necessário que, assim como os pais dela, outros pais tenham consciência da importância da orientação para os seus filhos na utilização da Internet. Paula  Bertapeli, pós-graduada em psicopedagogia e gestão educacional, de São José, dá alguns alertas.  “O apoio, seja familiar ou escolar, é de extrema importância. É preciso manter a rotina da criança com brincadeiras saudáveis, como idas ao parque, clubes,  entre outros. Momentos em que a criança não utilizará qualquer tipo de aparelho. Além de incentivá-la a resolver seus pequenos conflitos com diálogo, interagindo com o outro, para que a mesma desenvolva segurança e autonomia”. 

5 DICAS PARA ORIENTAÇÃO DOS FILHOS Daniel Barbosa, psicólogo, de São José, nos traz essas dicas:

NÃO PROÍBA!  Mas faça compreender os limites e as normas estabelecidas por vocês (pais). PASSE MAIS TEMPO COM SEUS FILHOS!  E sem uso de aparelhos tecnológicos! Se dê a oportunidade de curtir o tempo com eles: deixem a louça para depois e sejam criativos. SEJA EXEMPLO!  Eles tendem a reproduzir as atitudes dos pais. Não utilize excessivamente seu aparelho celular e mantenha-os longe dos olhos da criança para evitar um estímulo. APRESENTE BRINCADEIRAS!  É preciso compreender a situação da criança que já nasceu inserida nesse meio e, talvez, esteja se desenvolvendo sem que sejam apresentadas a ela alternativas de lazer e distração. TENHA PACIÊNCIA!  Faça uma redução gradual para diminuir o tempo de exposição da criança ao aparelho. Impedir o uso de uma hora para a outra não é o recomendado, mas paciência, pois é possível que a criança não entenda o motivo e tampouco deixe o vício de lado.

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CURIOSIDADES

A DOIS PASSOS DO MERCADO Parque Tecnológico Univap é visto como ponte entre Universidade e mercado de trabalho

“Inovação, desenvolvimento tecnológico e parceria com a universidade.”

LOCALIZADO NO CAMPUS URBANOVA, o Parque Tecnológico Univap é um ambiente para inovações. Desde sua inauguração, em abril de 2005, já abriga 34 empresas que desenvolvem projetos em diferentes áreas do conhecimento. POR CAROLINE LEAL, CIBELE BONACASATA, LAÍS GARBULHO E NAIARA DOS SANTOS

Equipado com salas de reuniões, auditórios, sala de treinamentos, informática e segurança 24h, o local conta, ainda, com um modelo de gestão autossustentável, em que as próprias empresas são capazes de manter o custeamento de toda a instalação. João Batista do Prado Júnior, professor da Univap e diretor do Parque, explica que essas empresas pagam o valor de um aluguel, uma contribuição para o fundo de pesquisa e condomínio. “A gente administra o Parque com o dinheiro que as empresas colocam aqui e o que sobra a gente manda para a Fundação Vale-paraibana de Ensino (FVE), para aplicar em educação”. Ou seja, além de autossustentável, o Parque Tecnológico também contribui em

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investimentos para a FVE. Para o Prof. João Batista, o Parque é importante por ser “o elo de ligação entre o conhecimento e as empresas”, e ainda afirma que o lugar é um facilitador, uma vez que esse conhecimento gerado dentro da Universidade alcança as empresas e vira “produto” (conhecimento, bens ou serviços). Se para o Parque o conhecimento vira produto, para o aluno a Universidade vira um espaço para oportunidades de negócio. INCUBADORA Para o empreendedor que tem a ideia inicial mas ainda não tem uma empresa formada, o Parque conta com uma Incubadora, ideal para empresas que estão nascendo e grande incentivo aos alunos que queiram começar o próprio negócio.

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Além de facilitar com um espaço físico de baixo custo, os empresários podem usufruir das instalações da sede do Parque, como as salas de reuniões, de treinamento e auditório. Segundo o Prof. Dr. Manoel Otelino da Cunha Peixoto, também professor da Univap e gestor da Incubadora, a intenção é que todos os espaços sejam ocupados apenas por empresas e empreendimentos de alunos, ex-alunos e familiares. Ele destaca que a gestão não pode recusar nenhum pedido, desde que a empresa respeite e se adeque aos requisitos da seleção. A Incubadora participa do Sistema de Incubadoras de São José dos Campos, e, também, faz parte do sistema FVE, sendo o aluno o principal objetivo da

instituição. Amparadas pelas instituições, os incubados também são auxiliados por professores da Universidade. As empresas incubadas, que hoje são oito, entram em processo de crescimento e se tornam empresas parceiras da Universidade, do Parque Tecnológico e, principalmente, dos alunos. EMRESAS PARCEIRAS Inovação, desenvolvimento tecnológico e parceria com a Universidade, são os pré-requisitos para uma empresa fazer parte do Parque Tecnológico Univap, de acordo com o diretor do local, Prof. João Batista”. A parceria com a Universidade pode ser feita de várias maneiras. A mais comum é a oportunidade de estágio ou emprego para os alunos. Mas ela, também, pode se dar a partir de parcerias com as faculdades, equipamentos ou professores. Clara Ribeiro Cardozo, estu-

dante de Engenharia de Produção e bolsista na empresa Daruma, sediada no Parque, acredita que os alunos têm espaço para crescer dentro da instituição e conta que seu processo para entrar na empresa foi simples. De acordo com sua experiência, recomenda aos outros alunos que fiquem atentos aos anúncios e entrem sempre em contato com os coordenadores dos cursos, que são os responsáveis por fazer essa ponte. Clara também comenta a vantagem que é trabalhar no mesmo local em que estuda e do conforto de não ter de se deslocar por grandes trajetos diariamente. Os estagiários, porém, não são os únicos beneficiados com a localização das empresas. Rodrigo de Freitas, 26 anos, ex-aluno da Univap, é administrador e fundador da empresa Idealize. Ele viu no local uma oportunidade de iniciar o seu negócio. Em conjunto com seus

sócios, Gabriel Doria Xavier, 23, e Wálison Silva, 24, que cursam Engenharia Aeronáutica e Engenharia de Produção, respectivamente, mudou o escritório da startup para dentro do Parque Tecnológico, onde perm aneceu até recentemente. Na visão do empreendedor, um ambiente universitário é perfeito para vender a ideia de inovação, pois assim é possível contar com o auxílio de professores e também da própria Universidade. E foi assim que Rodrigo contratou sua primeira estagiária de comunicação, entrando em contato com o diretor da faculdade. Alunos e empresários, ou “alunos empresários”, são beneficiados com o Parque Tecnológico Univap. Mais do que abrigar micro, pequenas e médias empresas, este polo de inovação também é um lugar para integração e, consequentemente, oportunidades.

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Crédito: Luiz Madureira

João Batista


COMPORTAMENTO

POR ADRIELLE OLIVEIRA, ALICE AIRES E LUIZ SANTOS

Em tempos de Internet e nha rosa que domina o IBOPE, vida corrida, os desenhos aniarrota, pisa na poça de água e mados se tornaram mais do desobedece aos pais, por exemque um entretenimento para plo, os pequenos aprendem a as crianças. Agora são também reproduzir o som, começam a aliados dos pais. Essa babá elerolar na lama durante a chuva e trônica entretém os pequenos se tornam mais rebeldes do que enquanto cojá é natural da mem, os ajudam idade, por mais a pegar no sono que seus pais e e faz uma longa familiares intarde sem muisistam que isso tos afazeres se não é certo ou tornar muito educado. mais agradável Mas ser dee divertida. E em sobediente, com meio ao colorido um comportaCleire Duarte e aos diálogos, mento rude, é muitos ensinamentos são passapouco perto do que outros sudos para a criançada. cessos de audiência ensinam Ser cordial, aprender boas em canais abertos e fechados. maneiras, ajudar o próximo, Violência, vocabulário chulo, perdoar, se alimentar bem, bullying, entre tantos outros abcuidar dos bichinhos de estisurdos, são amplamente repromação... Estas são algumas das duzidos pelas emissoras e conlições que quase todos os dese- sumidos pelas crianças, muitas nhos animados propõem de al- vezes, sem qualquer supervisão guma forma ao seu público-alvo. dos pais. No processo de aprendizado e desenvolvimento infantil, não FALA, ESPECIALISTA! A prohá muitos critérios e discernifessora Cleire Duarte, de São mento do que é certo ou errado. José dos Campos, especialista Há sim, pequenas pessoas em em psicopedagogia, de São José construção querendo aprender, dos Campos, acredita que os sedentas por conhecimento, desenhos animados são parte seja ele qual for. fundamental do desenvolvimenNesse contexto, a maneira to cognitivo das crianças, com mais fácil de aprender é imitantodos os aspectos lúdicos, mas do, reproduzindo o que lhe é entambém vê que é preciso ter cuisinado. Nesse jogo da imitação, dado. “Os desenhos influenciam não há filtro, mas, sim, muita a construção da personalidade confiança por parte da criança das crianças, dependendo da e uma responsabilidade por parmensagem que eles transmitem te dos produtores, roteiristas e por meio de seus personagens. ilustradores. Podem, sim, modelizar comSe a Peppa Pig, a porqui- portamentos. Acredito que são

“Os desenhos influenciam na construção da personalidade das crianças, podendo ser prejudiciais.”

TIREM AS

crianças DA SALA!

Foto: Luiz Santos

Até que ponto podemos confiar nos desenhos animados que as nossas crianças assistem? 16

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COMPORTAMENTO

Ilustração: Nill Silva

de uma ideia e começa a desenvolver, vamos recheando o conceito já com a preocupação de falar com um público amplo. Buscamos temas que rendam boas histórias. Não fazemos séries educativas nem didáticas. Se dá pra contar uma história legal e discutir um problema relevante para a sociedade, ótimo. Se não, a gente fica com a história legal”, afirma.

prejudiciais quando estimulam a violência e comportamentos negativos”. Para ela, a saída é buscar alternativas com viés educativo. “Desenhos que motivem a criatividade e a construção do imaginário, que tenham histórias com bons exemplos de comportamentos, que estimulem a solidariedade, o respeito, a empatia e busquem a resolução de problemas”. Na teoria, é fácil e poético produzir conteúdos alternativos para o mercado. Porém, esse tipo de produto nem sempre é viável ou rentável. Os desafios dentro de um estúdio de criação são muitos. As cobranças, maiores ainda. Já parou para pensar como funciona o processo criativo dentro de um estúdio ou agência de animação? Quais são as prioridades? O OUTRO LADO Para Paulo

APRENDER...ERRANDO Mas e quando o assunto é representatividade? Até que ponto é importante que os personagens representem as minorias, a diversidade, mostrem que falhar e ter medo é natural? Um exemplo de transformação no roteiro e Muppet, sócio do Birdo Studio enredo de alguns desenhos in(empresa que produziu algumas fantis são os que vemos em grananimações para canais como des animações da Walt Disney Cartoon Network e TV Cultu- Pictures e Pixar, por exemplo. ra), quando a equipe de roteiro O modelo de princesa intoe ilustração pensa na criação de cável, que vive à espera de um um personagem, entre os vários príncipe que a salve e dê sentido aspectos levados em conside- a sua vida, já não é mais aceito. ração nessa construção, o mais As mulheres, por muitos anos importante é a estiveram subdiversão. “Claro missas, em seque procuramos gundo plano na passar valores sociedade. Mas, legais nas nosassim como na sas séries, mas vida real, o proacima de tudo, tagonismo tem queremos que ganhado espaço. as crianças se Nas telinhas, divirtam, deem essa transforPaulo Muppet risada e se immação também portem com nossos personatem atingido os contos de fadas gens”. e contado histórias de meninas Muppet relembra ainda que fortes, que lutam pelo que deseo produto principal é entreteni- jam e que não precisam de um mento. Todas as outras cobranpríncipe para ter um final feliz. ças e ideias ficam em segundo Merida, Moana e Elsa são plano. “Depois que a gente gosta alguns desses exemplos. A pri-

“Procuramos passar valores legais, mas acima de tudo, queremos que as crianças se divirtam.”

meira mostrou suas habilidades para não ter que se submeter a um casamento arranjado. A segunda, se aventurou no Oceano Pacífico para proteger seu povo e ajudar a natureza a encontrar novamente seu equilíbrio, enquanto Elsa mostrou o quão importante é a aceitação pessoal e que há um universo de problemas a serem resolvidos sem qualquer intervenção de um príncipe salvador. Nesse sentido, Muppet acredita que: “às vezes, nossos personagens são pessoas horríveis e a gente confia que as crianças justamente não vão querer ser como eles. Errar e aprender são alguns dos fundamentos do roteiro. Só pode aprender quem erra, só pode ser corajoso quem tem medo, só pode vencer quem perde. É difícil e chato contar uma história na qual seu personagem acerta sempre”. Esse pensamento é reafirmado pelo roteirista e desenhista Nill Silva, de São José dos Campos. “Certamente, as crianças se espelham nos personagens, sendo heróis ou mesmo vilões. Os vilões têm imitadores momentâneos, pois as crianças descobrem que o crime não compensa. Os heróis e mocinhos têm seus defeitos, mas o que os diferem dos vilões é que se esforçam para serem corretos e, assim, permanecer quando percebem o real sentido do bem”.

acompanhar o mundo de fantasia nas telinhas? Não é fácil encontrar uma criança que não tenha preferência por um desenho animado e é natural vermos essa criança imitando comportamentos do seu personagem preferido com o passar do tempo. Jéssica Alves, de São José dos Campos, é mãe da Yara, de 3 anos, e relata que grande parte do dia sua filha passa assistindo a algum tipo de desenho Nill Silva animado e que, mesmo acompanhando o comportamento da menina, ela é agressiva diante da telinha. “Minha filha assiste a desenhos de 6 a 8 horas por dia. Ela tem dois personagens favoritos, um que a ensina a ser curiosa e ter vontade de aprender ciência, que no meu

ponto de vista é bom e importante. O outro personagem já é mais ‘mimação’ e desobediência aos pais, que neste caso não acho legal. Ainda assim, converso e explico o certo e o errado, mas ela não compreende e por se tratar de uma coisa que para ela é legal, acaba parecendo correto”. Muitas vezes, passa despercebido o personagem que é “fofinho” e com uma voz meiga e infantilizada, entretanto, a criança nem sempre tem a maturidade para compreender que aquele comportamento não é bacana e, simplesmente, acaba replicando em diversas oportunidades e, caso não sejam corrigidos, esses valores podem até prejudicar sua socialização com o próximo.

“Certamente, as crianças se espelham nos personagens, sendo heróis ou mesmo vilões.”

PAIS LIGADOS Por meio do mundo lúdico, a criança começa a ter noção do certo e do errado, do bem e do mal. Mas será que os pais têm toda noção disso? Qual o tempo ideal para a criança Foto: Adrielle Oliveira

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COMPORTAMENTO

MAKE BRASIL GREAT AGAIN

Sinais do Nacionalismo crescente: EXAGERO DESMEDIDO DO AMOR PELA PÁTRIA XENOFOBIA COM REFUGIADOS E ESTRANGEIROS INTOLERÂNCIA CONTRA RAÇAS E RELIGIÕES

shutterstcok.com

A FORTE FIGURA DE UM HERÓI NACIONAL

Referência à campanha de Donald Trump, eleitores de Jair Bolsonaro adotam o slogan. POR HELOÍSA PORCINI, FERNANDA E YASMIN MARIOTO

O nacionalismo exacerbado, o forte gesto de continência entre os dedos e o discurso de salvador da pátria, nunca estiveram tão em alta. A instabilidade política e econômica abre espaço para os discursos totalitários. Achou que estivéssemos em 1945? Estamos em 2018! Hoje, o enaltecimento dos valores nacionais é uma onda que afeta o mundo inteiro, principalmente Europa e os Estados Unidos. A intolerância com os refugiados de países em guerra, por exemplo, é um problema que o mundo vem enfrentando e que vai na contramão dos ideais que pregam a união entre os povos. A fala do deputado federal Jair

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Bolsonaro, ao afirmar em entrevista ao Jornal Opção, de Goiás, em 2015, que “refugiados são a escória do mundo”, resume bem esse momento. Grande parte do reflexo desse fenômeno é o aparecimento de políticos que defendem os valores nacionais de forma radical. São pessoas que defendem uma mudança drástica na vida da comunidade, ao apoiar a criação de políticas públicas excludentes, radicais e, em alguns momentos, homofóbicas e racistas. Como podemos ver no caso Trump, nos EUA, e no aumento da força de partidos de direita conservadora em alguns países da Europa, como Itália e Espanha.

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A influência europeia e norte-americana chega ao Brasil e ganha forças a partir de seu representante mais famoso em território nacional. Com as eleições cada vez mais próximas, Bolsonaro dispara na frente com 18% das intenções de voto, num cenário sem o ex-presidente Lula (segundo o DataFolha). De acordo com os dados demográficos do DataFolha, os eleitores potenciais do pré-candidato são, majoritariamente, homens, sendo um terço de jovens de 24 anos e quase um terço tem Ensino Superior. Eles se concentram, em sua maioria, na região Sudeste e apenas um quarto possui baixa renda. Outro fator relevante é que apenas 5% dos simpatizantes de Bolsonaro são partidários. Um quinto do eleitorado do PSDB abandonou o partido e migrou para a figura única do deputado.

Em boa parte, o grupo que mais se identifica com as ideias do político possui emprego fixo, renda média e mora em áreas desenvolvidas do país. Para esse grupo, o déficit se concentra nas políticas de segurança pública. E essa questão é, justamente, a carta-chave de suas propostas e o que estampa suas campanhas e discursos. Além de defender os valores familiares e conservadores. A Internet tornou-se um meio eficaz de comunicação para o pré-candidato. Ele usufrui das Redes Sociais para propagar suas ideias e alcançar, também, os eleitores mais jovens, utilizando seus discursos considerados conservadores. SOLUÇÃO? A necessidade de um herói, o mal-estar social, o desespero e a indignação com o atual cenário político e social do

Brasil fazem com que a legalização das armas e o fim dos direitos humanos seja algo consolador. Bolsonaro defende o nacionalismo, quando propaga os valores de uma disciplina que não é algo decidido pela maioria, mas, sim, por uma pequena parte privilegiada, que acredita nas decisões rápidas, fortes e enérgicas como fonte de solução para todos os problemas do Brasil. Planos políticos a longo prazo não são discutidos. O imediatismo é a característica mais forte do candidato, uma vez que a sociedade clama por soluções rápidas e por uma figura que levante a autoestima do país, criando o sentimento de patriotismo nas pessoas. Porém, quando se entra na esfera de seu plano econômico, observam-se ações privatizadas e fortes diálogos acordistas com os norte-americanos. “É possível que ele não re-

presente o pensamento do país, mas, sim, o comportamento imediatista do eleitor brasileiro”, comenta Robson Pereira, cientista político, de São José dos Campos. Mas esse imediatismo não pode ser um empecilho para que a população deixe de pesquisar mais sobre o candidato em questão. Para facilitar e agrupar todas as informações sobre os candidatos, foi criado o site ‘’Ranking dos Políticos” (www.politicos.org.br), que aponta o nível de popularidade, participação e criação dos Projetos de Lei, envolvimento em processos judiciais e qualidade legislativa. Segundo a socióloga Eliana Aparecida, de São José dos Campos, as questões políticas no Brasil podem ser comparadas a eleições de prédio. “O morador reclama dos problemas mas delega para o outro e não cobra. É necessário que se discuta, fale mais, conheça as propostas dos indivíduos e como esses indivíduos vão realizar essas propostas que eles estão colocando”. É preciso levar em consideração os apoios e alianças políticas e, até mesmo, o comprometimento na hora de fazer acordo com outros países, para que não haja, no Brasil, mais um presidente engessado dentro do Congresso Nacional. Esse é um dos problemas que as democracias rápidas enfrentam, pois não há uma projeção real do tamanho e da dimensão de determinados problemas. Para que a democracia exista em sua plenitude, é preciso educação preparada a longo prazo. O país não depende apenas de uma única figura ou partido para que haja mudança.

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SAÚDE

POR QUE O BRASIL É AFETADO POR TANTAS mais sobre os perigosos males, como: DOENÇAS TROPICAIS? Saiba dengue, febre amarela, zika e chikungunya POR FÁBIO PARANHOS, ISAIAS MENEZES, PEDRO AUGUSTO E VITOR VILAS BOAS.

Dengue, febre amarela, zika e chikungunya. Nos últimos anos, a população brasileira tem vivido em meio a surtos dessas doenças. Mas você sabe os motivos? Uma das explicações mais consistentes é que o nosso país tem ambientes favoráveis para a reprodução de mosquitos como o Aedes aegypti, o Haemagogus e o Sabethes (transmissores das doenças citadas). O clima quente e úmido das nossas cidades, as florestas e a falta de saneamento básico em comunidades periféricas formam o cenário ideal para o surgimento desses agentes, especialmente

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durante o verão. A falta de cuidado por parte da população também é um grave problema. E além das vacinas e repelentes, é importante se proteger contra essas doenças também por meio da informação, especialmente pela identificação dos sintomas, formas de prevenção e de combate aos mosquitos. DENGUE A dengue é transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti, que se reproduz em locais com água parada. De acordo com dados do Ministério da Saúde, a doença foi identificada no Brasil em 1986.

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Somente entre os dias 31/12/2017 e 03/02/2018, foram registrados 22.586 casos prováveis de dengue no país, dos quais 9.526 na região Sudeste – 42,2%. Os principais sintomas da dengue são: febre alta – entre 39ºC e 40ºC –, dor de cabeça, fraqueza, dor atrás dos olhos, coceiras na pele, perda de peso, náuseas e vômitos. Em casos mais graves, o paciente pode sentir dores abdominais intensas e apresentar sangramento de mucosas. ZIKA VÍRUS Outra doença transmitida pelo Aedes aegypti, o zika vírus foi identificado pela primeira vez no Brasil em 2015, quando houve um surto de microcefalia registrado em diversos estados brasileiros, principalmente em Pernambuco. De acordo com dados das Secretarias de Saúde dos Estados e Distrito Federal, atualizados em abril de 2016, foram mais de 2.542 casos de microcefalia confirmados no Brasil, sendo 1.152 somente na região Nordeste. Os sintomas do Zika vírus são: dor de cabeça, dores nas articulações, manchas vermelhas na pele, febre, coceira e vermelhidão nos olhos. Em casos mais graves, o paciente pode apresentar inchaço no corpo e dor de garganta. A chikungunya é transmitida pelos mosquitos Aedes aegypti

e Aedes albopictus, sendo uma doença infecciosa causada pelo vírus CHIKV. CHIKUNGUNYA De acordo com o Boletim Epidemiológico da Secretária de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, entre os dias 01/01/2017 e 02/09/2017 foram registrados 171.930 casos prováveis de febre de chikungunya no país, dos quais 121.734 (70,8%) foram confirmados. Os principais sintomas da chikungunya são: febre alta, dores intensas nas articulações dos pés e das mãos, dor de cabeça, dores nos músculos e manchas vermelhas na pele. SURTO DE FEBRE AMARELA No período de 1º de julho de 2017 a 20 de fevereiro de 2018 foram confirmados 545 casos de febre amarela no Brasil. Marcos Cardoso, morador do bairro Vila São Geraldo, zona norte de São José dos Campos, foi diagnosticado com a doença e acredita ter sido picado pelo mosquito Haemagogyus em uma horta nos fundos de sua casa. “Depois de dois dias sentindo tonturas, moleza no corpo, febre, com nenhuma vontade de trabalhar, minha esposa me pediu para ir à UPA (Unidade de Pronto-Atendimento). Fiquei por volta de cinco dias internado, fazendo todo o tratamento e tomando os medicamentos. Depois desse período, pude voltar para minha casa”.

ENTREVISTA O CLÍNICO-GERAL Gideão Carlos de Souza, de São José dos Campos, falou com a reportagem da revista Foca em Foco e esclareceu algumas das principais dúvidas da população sobre a febre amarela. FOCA Por que a vacina contra a febre amarela não é indicada para pessoas alérgicas ao ovo? GIDEÃO A vacina é feita com vírus atenuado (em que o vírus se encontra vivo, porém, sem a capacidade de produzir a doença), elaborada dentro de ovos de galinhas, assumindo assim algumas de suas propriedades, causando reações alérgicas em pessoas que tem alergia ao ovo. FOCA Existem outros possíveis portadores da febre amarela, além do macaco e do ser humano? GIDEÃO Não, somente o macaco e o homem (não imunizado) entram neste ciclo. FOCA Qual a diferença entre a dose completa e a dose fracionada da vacina contra a febre amarela? GIDEÃO Certa época, teve uma epidemia de febre amarela em uma região da África e, devido ao surto, não havia a possibilidade de produzir a quantidade necessária de doses completas para toda a população. Então foi necessário fracionar a vacina para alcançar um maior número de pessoas. Antigamente, a dose completa era dada de 10 em 10 anos, mas com o tempo foi se identificando que ao tomar esta dose, as pessoas se tornavam imunes pelo resto da vida. E ao tomar a dose fracionada, a imunização varia de 3 a 8 anos. FOCA Em caso de suspeita de dengue ou febre amarela, o que fazer? GIDEÃO A primeira opção deve ser sempre se dirigir ao hospital mais próximo, para, assim, em casos mais graves como dengue ou febre amarela, identificar a doença e iniciar o tratamento assertivo e de maneira eficiente.

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CAPA

Foto: Gustavo Torres

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS: UM OLHAR ADIANTE

POR GABRIEL LEMES E MATHEUS SANCHEZ

Uma pausa. Pense na São José em que você vive. Mais de 700 mil habitantes, 250 anos de história e muitos desafios que uma cidade localizada no interior, mas com infraestrutura de metrópole, tende a enfrentar, tais como mobilidade urbana, habitação, saúde, entre tantos outros. Quando falamos do futuro, pensamos nos aspectos que envolvem a qualidade de vida da população e como será o seu desenvolvimento. Da década de 1950 até o presente, a cidade desenvolveu-se de maneira acelerada, deixando de ser sanatorial para adquirir características de polo tecnológico. E o futuro? Teremos espaço para todo mundo? Como será a “capital” do Vale do Paraíba para as novas gerações? Engana-se quem pensa que o futuro é algo distante. As mudanças ocorrem rapidamente e essas transformações podem ser sentidas já na próxima década. Visionário. Não há palavra que define melhor o poeta e professor José Moraes Barbosa. “Cria” da casa, ele é uma figura que representa o cidadão participativo, que não fica parado, e que se preocupa com o rumo da cidade. Além de lecionar, Moraes é frequentador de palestras, manifestações e movimentos em prol do futuro joseense. O Parque Vicentina Aranha, sanatório em décadas passadas e, hoje, um dos locais mais frequentados da cidade, foi o cenário de um bate-papo descontraído com Moraes. MEIO AMBIENTE Moraes, que também é ambientalista, ressal-

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ta que a cidade é uma das mais poluídas do país e que a geografia local dificulta a dispersão da poluição. A visão de uma cidade arborizada, com bastante área verde, segundo ele não é característica de todo o município. “Se você visitar a periferia, vai perceber que não tem área verde. Você está em um oásis (referindo-se ao Parque Vicentina Aranha)”. O planejamento é a solução para um ambiente melhor e, consequentemente, melhora na qualidade de vida. HÁ ESPAÇO PARA TANTOS CARROS? O historiador José Moraes comenta, também, sobre o crescimento da frota de carros na cidade. Mais de 400 mil carros representam um desafio para a mobilidade urbana local. O ideal seria investir em transporte público de qualidade. “Nosso transporte coletivo atual é ruim, desconfortável, caro e poluidor. Seria fundamental que houvesse investimento no transporte público de massa”, opina. Moraes é claro: para ele, é possível termos um transporte público gratuito, já que o município se auto sustenta, sendo uma das poucas cidades do Brasil que não necessita de recursos do Governo Federal. SAÚDE COMPROMETIDA Ao olhar para o passado, vê-se que o sanatório Vicentina Aranha foi um local em que muitos tuberculosos procuravam por tratamento. Hoje o cenário é o oposto, uma vez que o sanatório virou um parque, sendo uma das poucas áreas verdes da cidade.

Foto: Gabriel Soares

Questionamos diferentes moradores sobre o futuro da cidade. Da visão histórica ao imaginário infantil

“Se você visitar a periferia, vai perceber que não tem área verde”. José Moraes Porém, para Moraes, a tendência é que os casos de doenças respiratórias aumentem, já que a cidade não possui o mesmo clima de antigamente devido à quantidade de automóveis e indústrias que há hoje. Isso, por exemplo, não permitiria um tratamento adequado de tuberculosos nos dias atuais. TEM COISA BOA TAMBÉM Apesar dos problemas e desafios enfrentados, São José se destaca pelo empreendedorismo e inovação. Esses fatores são característicos de um polo como São José e geram reconhecimento em nível internacional para a cidade. No cruzamento entre a Av. Nelson D’ Ávila e a Rua Dolzani Ricardo, duas vias importantes localizadas no “coração” da cidade, Rodrigo Barbosa, 31 anos, vive a experiência de empreender na “capital” do Vale do Paraíba. O engenheiro, formado pelo ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), e mais dois cole-

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CIDADANIA

Executivo), do Guichê Virtual, comenta que as empresas de grande porte instaladas no Vale do Paraíba, como Embraer, Vale, Ericsson e as diversas startups (que é colocar uma ideia em prática, no formato de uma empresa) vivenciam a escassez de profissionais de tecnologia e, por isso, oferecem oportunida-

“Os parques tecnológicos, as incubadoras e os fomentos em diversas esferas formam talentos e atraem profissionais” Rodrigo Barbosa gas de trabalho, Thiago Carvalho e Halyson Valadão, fundaram o Guichê Virtual, em 2013. Já em 2017, o Guichê ganhou mais um sócio, Alberto Graciano, quando a empresa adquiriu a G&M soluções, detentora do portal Netviagem. A empresa é líder na venda de passagens de ônibus online. INFRAESTRUTURA Para Rodrigo, São José dos Campos se destaca pela excelente infraestrutura. “Não perde em nada para os grandes centros urbanos”. A infraestrutura que a cidade oferece em diversos setores contribui para a instalação de empresas e torna o município um terreno fértil para novas ideias. MERCADO DE TECNOLO GIA O CEO (Chief Executive Officer, em tradução livre: Diretor

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des com remunerações bastante competitivas. É provável que essa seja a área a ser explorada, não somente no futuro, mas já no presente da cidade. “Os profissionais de tecnologia podem encarar a escassez como uma ótima oportunidade para ascensão na carreira”, completa Rodrigo. STARTUPS SÃO O FUTURO São José dos Campos e outros municípios do Vale se tornaram um celeiro de startups. O Guichê Virtual é somente uma delas. “Os parques tecnológicos, as incubadoras e os fomentos em diversas esferas formam talentos e atraem profissionais”, diz Rodrigo. Devido a esse investimento das startups, ele enxerga um futuro empreendedor positivo para a cidade. SUPER-HERÓIS Cinco anos, muita energia e esperteza que uma criança dessa faixa etária tem. Pedro Henrique dos Santos Oliveira, que mora no Aquárius, zona oeste da cidade, contou um pouquinho de como ele acha que vai ser o futuro. O menino, que sabe ligar o próprio computador para ver seus youtubers favoritos, diz que quer ser médico quando crescer. Pedro tem uma visão de

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futuro muito distinta da percepção do poeta Moraes e do empreendedor Rodrigo, algo bem particular de sua idade. Em meio aos seus diversos brinquedos, ele diz que quer que todo mundo tenha super poderes na cidade. A definição de super poder fica a critério do leitor. Pode ser o de mudar o futuro, de combater a corrupção ou de ajudar o próximo. Desse ponto de vista, não seria nada mal um futuro em que todos pudessem ser super-heróis. São diferentes pontos de vista de São José dos Campos. Como a cidade será de fato no futuro, se teremos carros voadores, “heróis”, espaço para todos ou uma melhor qualidade de vida, só saberemos nos próximos anos ou nas próximas edições desta publicação, feita por estudantes de Jornalismo. Mas a construção de um futuro diferente, passa pelos atos realizados no presente. A reflexão que fica acerca do tema é; “o que você, leitor, faz para ter uma São José melhor no futuro?”.

Apesar de já apresentar algumas melhoras, transporte de São José ainda é motivo de insatisfação

Foto: Gabriel Lemes

Foto: Guichê Virtual

CAPA

Pedro Henrique já sabe usar redes socias.

“De carona” NO TRANSPORTE PÚBLICO JOSEENSE

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CIDADANIA

crédito fotos: Luiz Oliveira

DIARIAMENTE, MILHARES DE PESSOAS UTILIZAM O TRANSPORTE PÚBLICO JOSEENSE como principal meio de locomoção para chegarem a seus destinos. Jovens, adultos, idosos. Todos dependem desse serviço, que é um direito do cidadão, segundo o inciso V do artigo 30 da Constituição da República Federativa do Brasil: “Organizar e prestar, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, os serviços públicos de interesse local, incluído o de transporte coletivo, que tem caráter essencial”. POR GIOVANNA GOULART, JÚLIA RODRIGUES, LETÍCIA NEVES E PEDRO HENRIQUE ELIAS

Entretanto, não é difícil encontrar passageiros insatisfeitos com a qualidade oferecida pelas empresas contratadas pela prefeitura, para prestar este serviço. As reclamações são uma constante: cerca de 500 por mês, segundo dados fornecidos pela Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob). Dentre as principais, estão a falta de pontualidade das linhas e a superlotação dos ônibus devido ao escasso número de veículos para determinadas regiões. Os passageiros ficam à mercê desta situação, sem expectativa de reais possibilidades de melhoria.

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Joana*, 26 anos – cobradora em uma linha da cidade –, que trabalha há 5 anos no transporte público de São José dos Campos, expõe a falta de segurança em seu trabalho. Ela ainda relata que as reclamações sobre a lotação dos ônibus nos horários de pico e a demora das linhas aos fins de semana são constantes entre os passageiros. O motorista José*, 65 anos, que já atua no transporte público da cidade há 25 anos, disse que falta conscientização por parte dos motoristas de carro quanto à prioridade do corredor, além de criticar o

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itinerário de alguns dias específicos. “O corredor de ônibus é ruim, são poucos ônibus e muitos carros nele. Os horários de domingo e feriados são horríveis. O trânsito precisa melhorar pois os carros de passeio nos atrapalham muito”. Ele ressaltou, porém, que a empresa responsável pelos ônibus da cidade ajuda e promove melhorias para os cobradores e motoristas, com treinamentos e atividades frequentes. A segurança parece ser um aborrecimento contínuo. Jackson*, 62 anos, é cobrador de ônibus há 24 anos e relata já ter sido assaltado inúmeras vezes quando trabalhava nas linhas da zona sul da cidade. Mesmo fazendo o Boletim de Ocorrência (procedimento obrigatório em assaltos a funcionários das empresas de ônibus), Jackson lamenta o fato de não ter havido divulgação dos delitos na imprensa. Na linha em que ele trabalha atualmente, nenhum roubo aconteceu. Para a passageira Amanda Silva, de 21 anos, que utiliza diariamente a linha Tesouro (nº 214), a principal questão do transporte público em São José é a pouca quantidade de ônibus em circulação, que chegam até determinadas regiões. “No meu bairro, em especial, que é onde as linhas terminam e co-

meçam na região, temos acesso a cerca de 5 linhas de ônibus para transitar na cidade. Isso não seria um problema se o cidadão não precisasse esperar pelo ônibus de 20 minutos a meia hora em alguns horários, quando não há ônibus circulando no bairro”. Ainda é necessário considerar o comportamento diário dos passageiros e sua colaboração para uma viagem mais tranquila. Segundo a passageira, a maioria dos que utilizam o transporte público cumprem seu papel de cidadão, mas ainda existem exceções. “Uma situação que vejo acontecer frequentemente é a de passageiros que comem algo durante o trajeto no ônibus e deixam seus restos ou embalagens nos assentos, ou jogam pela janela, mesmo sabendo que há locais de despejo de lixo disponíveis no interior do veículo”. Ao contatar a Prefeitura de São José dos Campos, foi levada em conta a proposta de governo do atual Prefeito, Felício Ramuth. Quando o tema é mobilidade urbana da Joana* cidade, a proposta foi: “investir em recursos sustentáveis e transportes de massa e a interligação dos modais”. Foi questionado se os joseenses conseguirão ver melhoras antes que seu mandato termine (2017-2020). Por meio de sua assessoria, a Secretaria de Mobilidade Urbana da cidade deixa claro que, entre as

propostas de melhorias, está a nova licitação dos ônibus urbanos, que já começou a ser estudada pela SeMob, com interligação junto a outros modais, por exemplo, a bicicleta. “Toda essa mudança deve acontecer até 2020”, diz a resposta da assessoria.

“Nesses últimos dias, ocorreram muitos assaltos e isso acaba nos deixando com medo sem saber o que fazer”.

APLICATIVO Uma novidade seria um aplicativo da Prefeitura que está em fase final de testes, para ajudar o munícipe a programar sua viagem de ônibus de forma a economizar tempo. O aplicativo vai permitir que o usuário consulte a localização das linhas em tempo real, além de outras informações. Por fim, a assessoria diz que ocorre um constante in-

centivo por parte da Prefeitura para o uso da bicicleta, para o transporte a pé e, também, quanto à integração entre modais (ônibus e bicicleta, por exemplo). Até o segundo semestre, será lançado um programa que tem como incentivo a proteção ao pedestre e, também, a quem anda de bicicleta. Esse programa terá como foco o centro da cidade e alguns bairros adjacentes ao centro. Isso será gradativamente ampliado e proporcionará uma nova visão sobre o transitar por toda cidade, segundo o Poder Público. Ao entrar em contato com a Delegacia de São José dos Campos, a respeito do número de ocorrências relacionadas ao transporte público da cidade, não houve retorno.

*Para preservar a identidade das fontes, foram utilizados nomes fictícios

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COMPORTAMENTO COMPORTAMENTO

UNISSEX É UM TERMO USADO para serviços, cortes de cabelo e, com mais frequência, na moda. Mas você já ouviu falar em moda agênero, genderless ou gender free? Quebrando a barreira de gêneros com muita ousadia, a moda agênero só tem uma regra: ‘todo mundo pode tudo’. POR ISABELLA KÖNIG, MARIANA SANCHES E YAN BERTONE

ESTILO, EXPRESSÃO E

liberdade Modelo KORSHI 01, grife agênero. Foto Divulgação.

A moda agênero quebra as barreiras de masculino e feminino, expressando uma identidade única.

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A moda já não é mais uma ditadura e, para acompanhá-la no século XXI, basta ser você mesmo. É expressar, por meio do que você veste, a sua personalidade e as suas ideologias. As peças agênero atendem a essa necessidade do consumidor e são vistas em todas as esferas no mundo fashion: estão nas araras de lojas fast fashions (lojas de departamento), são a força de grifes alternativas e marcam presença em passarelas renomadas de grandes marcas mundiais. Professora especialista em moda, Ilma Godoy, afirmou, durante o Trend Talk, evento de moda e comportamento que aconteceu no dia 1º de março em Florianópolis (SC), que “o movimento da moda sem gênero é pautado por uma necessidade de mudança que vem com o desejo de autenticidade do público dos millenials (os nascidos entre o início da década de 80 e meados da década de 90)”. A modelagem oversized, aquela roupa com a modelagem mais larga, a mistura de estampas e a brincadeira entre cores consideradas femininas ou masculinas são pontos chave de peças ousadas, que quebram paradigmas e preconceitos. Para Pedro Korzempa Shibaki, criador e diretor da grife agênero KORSHI 01, de São José dos Campos, há muita naturalidade em construir um armário

sem gênero. “O processo de construir roupas agênero sempre me foi muito natural. Acho que por alguns anos a moda masculina tem sido muito limitada, eu passei a fazer roupas que coubessem, que ficassem boas em todos os corpos, independentemente do gênero”. O empreendedor também acha que a tendência veio para ficar. “Acho que fod*** o que o outro tá usando (sic). Veio para ficar”. Já para o sociólogo Daniel Lipparelli Fernandez, de São José, há uma extrema ligação com o mercado, o que pode fazer com que o estilo se perca. “A moda, como todas as formas que aparecem no mundo pela via do mercado, tem um tempo de duração, pois logo outros ditam outros costumes e dizem o que é ou não ultrapassado. Quero dizer com isso que toda moda fixa torna-se obsoleta”. Para Laura Bradshaw, médica psiquiátrica e fotógrafa, de São Paulo, que usa a moda como forma de analisar o hábito humano, as vestimentas são consequências do comportamento social do momento. “Para toda ação, há reação. Somente observando a tendência do comportamento da sociedade, poderemos saber as consequências e mudanças que a moda, essa linguagem de expressão de um tempo, irá trazer”.

REVOLUÇÃO ATEMPORAL Engana-se quem pensa que esse movimento começa agora. Revolucionária, Coco Chanel apostou, em 1920, em uma linha de roupas femininas com inspirações navy, mais confortáveis, com tons escuros e tecidos fluídos, indicando uma direção completamente oposta ao estilo rígido imposto às mulheres da época. Mais tarde, em 1966, Yves Saint Laurent trouxe o “le smoking”, o smoking feminino, sinalizando uma mudança no guarda-roupa das mulheres. A liberdade dada por Chanel ganhou poder com o novo traje, que representava uma nova atitude feminina. Nas décadas seguintes, a moda agênero, a androgenia cultural ou o unissex foram criando o seu espaço em mundo conservador. Mick Jagger, em 1969, dá mais destaque para o agênero usando o “vestido de homem”, desenhado pelo estilista inglês Mr. Fish, em uma apresentação dos Rolling Stones no Hyde Park, em Londres. David Bowie, Prince, Ney Matogrosso e Lady Gaga são alguns dos nomes que consolidaram a tendência nas últimas décadas. Mas foi só em 2015 que ela veio fortemente à tona. Comandada pelo diretor criativo da Gucci, Alessandro Michele, a coleção masculina de inverno da marca trouxe para as passarelas homens vestidos com peças de renda, blusas com grandes laços nas golas e calças boca-de-sino com cintura alta. É considerado no meio um evento transgressor.

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inovação, em parceria com a McKinsey & Company, empresa de consultoria empresarial norte-americana, reconhecida como a líder mundial no mercado de consultoria empresarial, os “Zs”, constantemente, quebram estereótipos e não ligam para definições de gênero, idade ou classe. Quebram rótulos, buscam uma identidade fluída e entendem as diferenças. Abraão Vianna, 26 anos, de São José dos Campos, formado em Marketing, considera que a moda de verdade está nas ruas, nos metrôs e nos fluxos dos centros urbanos. “Acredito desde sempre que não deveriam existir rótulos e regras para o que as

Alexia Zaroni, Rebeca Chaves e Victor Soares, estudantes de Desing de Moda na UNIVAP.

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pessoas devem ou não usar. Usamos o que queremos e pronto! Acredito também que criticar o traje alheio é desrespeitar a história da pessoa”. A geração dos pós-millenials pode não ser o maior problema, mas, ainda assim, existe o preconceito. Lucas Felipe de Paula, estudante do último semestre de jornalismo, em Sorocaba, foi criado em uma família conservadora, mas depois que entrou na faculdade sentiu-se à vontade para explorar a relação de gêneros. Na primeira vez em que comprou uma peça de outro gênero, Lucas tinha ido a uma loja pagar uma conta no atendimento ao cliente, que ficava no Foto: Isabella König

PÓS-MILLENIALS “É um lance de autoconhecer-se e perceber que você não tem que usar o que as pessoas dizem que é certo ou errado mas, sim, o que você se sente à vontade usando”. As palavras do fundador da KORSHI 01 traduzem o sentimento que a geração pós-millenials (nascidos entre meados dos anos 90 e 2010) carrega. Também conhecidos como geração Z, eles são ultra cognitivos, além de ser a primeira geração nascida na era digital e de exaltar a individualidade. Segundo uma pesquisa desenvolvida pela Box 1824, agência de pesquisa de tendências em consumo, comportamento e

andar da ala feminina. Acabou se interessando por uma peça, experimentou, gostou e levou para casa. “Mostrei para minha avó e ela gostou. Ela achou bonito antes de eu falar que era feminino e depois olhou com outros olhos”. O que motiva Victor Soares, estudante de Design de Moda da Universidade do Vale do Paraíba (UNIVAP), de 19 anos, a escolher suas roupas é a liberdade em poder usar e abusar de coisas que foram taxadas em sua infância. Para ele, as roupas sem gênero são questão de identidade e não só tendência. “É uma questão de autossuficiência. É você se sentir bem e livre usando aquilo que te agrada. A moda agênero mostra a identidade que você possui, mas, no fundo, ela sempre existiu dentro de você”. AS MARCAS E A TENDÊNCIA Percebendo as necessidades de consumo do mercado, as grandes marcas apostam em campanhas que abordam a tendência, mas que nem sempre elas são bem recebidas. A rede espanhola de roupas e acessórios Zara, uma das queridinhas das fashionistas, foi uma das fast fashions que entraram neste rumo, porém ela não acertou. Em 2016, a marca lançou a sua primeira coleção de roupas sem gênero com o nome Ungendered e acabou recebendo mais críticas do que elogios pela ação. Modelos de ambos os gêneros estampavam as imagens promocionais da campanha com roupas nos mesmos padrões: calças jeans e camisas, e moletons básicos. Toda essa

simplicidade causou polêmicas. No Twitter, os internautas questionavam a ideia de que roupas sem gênero devem ser básicas e afirmaram que esperavam mais ousadia da marca. A C&A, cadeia internacional de lojas de vestuário e a segunda maior rede de lojas de departamento no Brasil, lançou a campanha “Misture, ouse e divirta-se”, em março de 2016, apresentando um novo olhar da empresa sobre as possibilidades que a moda traz. “Queremos mostrar que as peças de roupas podem ser combinadas e usadas de diversas formas, em diferentes ocasiões, independentemente do gênero ou qualquer outra divisão”, disse  Elio Silva, vice-presidente de operações e marketing da empresa, em entrevista à revista ELLE. A campanha foi bem recebida pelo público, mas ainda assim a marca recebeu críticas por manter a divisão por gêneros nas lojas físicas e online. Acompanhando a ideia de inovação e ousadia da moda agênero, a loja de departamento inglesa Selfridges aboliu os departamentos feminino e masculino da loja, juntando todas as roupas em um único departamento. O desejo da marca é que os clientes comprem suas roupas para que elas sejam uma expressão direta da individualidade de cada um deles e não atreladas a gêneros. A mudança foi temporária e, atualmente, a loja online conta com a separação de peças por gêneros. Nova atitude social ou oportunidade de mercado? Só o tempo poderá dizer.

GOSTOU DA IDEIA? Quer saber onde encontrar? Dá uma olhadinha em algumas dicas que separamos para você! @KORSHI01 A Korshi01 é uma marca de roupas com design contemporâneo, que inova no estilo de vestimenta, oferecendo versatilidade a quem usa seus produtos, alguns deles com mais de uma função. MELISSA www.melissa.com.br @melissaoficial A Melissa é uma marca de calçados brasileira, que iniciou seu projeto de internacionalização na década de 80. Hoje, trabalha questões de identidade em vários países e se posiciona a favor de produtos agênero, vendo a moda como forma de expressão e liberdade. BRECHÓS Brechós online são uma forma de venda de roupas usadas, por meio da Internet. O Instagram é bastante utilizado para a interação entre clientes e anunciantes. Em brechós, você encontra peças com as quais se identifica e se sente mais confortável! Vale lembrar que os brechós físicos também são uma boa opção para venda e até mesmo troca de peças. DICAS QUE AMAMOS: garimpodiario @aquelebrechó @again.brecho

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Foto: natalia momberg

ESPORTE E SAÚDE

FOTO: alexandre furtado

MUSCULAÇÃO, CROSSFIT OU TREINO FUNCIONAL? Saiba quais são as características e diferenças entre as modalidades

POR ALEXANDRE FURTADO E GIOVANE VIEIRA

Cada vez mais, a busca por um corpo perfeito tem se tornado uma meta. A prática de exercícios físicos é uma das chaves para conquistar a forma ideal e garantir um futuro cheio de disposição e qualidade de vida. Por isso, a procura por treinos de alto desempenho tem sido grande para aqueles que desejam ter uma vida “fitness”. Mas diante das opções no mercado, qual é o tipo de treino mais adequado? Musculação, Crossfit ou treino funcional? Tudo depende do objetivo desejado. Emagrecimento, ganho de massa muscular, definição, entre outros. Veja quais são as características e diferenças. MUSCULAÇÃO A muscula-ção é um treinamento voltado para a hipertrofia dos músculos. Ou seja, é ideal para quem está buscando aumento da massa mus-cular. Para a personal trainer Ka-

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rina Almeida, de Santo André, “a frequência varia muito, mas o treino pode ser feito todos os dias se bem dividido. O ideal é treinar ao menos três vezes na semana”. Não existe contraindicação. A musculação pode ser feita desde a adolescência até a terceira idade, com treinos adequados à faixa etária e à necessidade de cada indivíduo. A modalidade traz grandes ganhos no fortalecimento muscular em um curto espaço de tempo, se bem executada. A musculação é a base de todas as modalidades esportivas, portanto, pode ser praticada em conjunto com diversas atividades que podem, inclusive, se complementar, como corrida, bicicleta, natação e esportes coletivos. CROSSFIT O Crossfit veio revolucionar todos os treinos de condicionamento físico. Muito usado para treinamento de mili-

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tares nos países estrangeiros, a modalidade tem fama de ser um treino pesado e de alto gasto calórico. Tem o objetivo de desenvolver capacidades físicas de força, agilidade, resistência em um mesmo treino que contém atividades aeróbicas. Ou seja, a modalidade envolve exercícios que ajudam no emagrecimento e definição muscular. Não existe uma frequência pré-determinada, pois, todos os dias, os treinos têm objetivos diferentes. Segundo a personal trainer Karina, quando bem adaptada, não há contraindicações. “Qualquer pessoa pode praticar o Crossfit sendo bem instruída quanto à execução de alguns exercícios, sendo ajustados à faixa etária e a possíveis problemas de saúde”. É possível praticar o Crossfit em conjunto com outras atividades físicas. Porém, segundo a profissional, é desnecessário por ser uma atividade que envolve um pouco de cada uma dessas modalidades.

TREINO FUNCIONAL Com a correria do dia a dia, o treino funcional pode otimizar o tempo e o espaço. Para o personal trainer Douglas Restivo, também de Santo André, a modalidade se caracteriza pela semelhança do trabalho às situações cotidianas, ou seja, baseia-se no princípio de especificidade. No início, a pessoa pode usar apenas o corpo como instrumento. Acessórios e outros aparelhos são incluídos aos poucos. O treino busca a melhoria das condições físicas, como: força, potência, resistência, agilidade, coordenação e equilíbrio. “O objetivo é promover ações musculares conjuntas e simultâneas, proporcionando um trabalho corporal globalizado”, afirma Douglas. O resultado é uma estética atlética, mas sem muitos músculos, como na musculação. Pode ser feito todos os dias sem restrição, mas o ideal é manter a

frequência de, no mínimo, duas a três vezes por semana. Não existem contraindicações, pois muitos exercícios são realizados em nossa rotina diária. Como em todas as modalidades, caso haja alguma restrição física, podem ser feitas adaptações. Não existe um local específico. Pode ser praticada em estúdios, parques, academias e prédios. Normalmente, são aulas mais individualizadas ou para pequenos grupos. CUSTO-BENEFÍCIO Para quem procura algo mais em conta, a musculação é a melhor opção. Os valores variam de R$ 60,00 a 250,00 mensais. A personal trainer Karina exalta a praticidade. “A vantagem da modalidade é que se tem livre acesso a dias e horários que se adequam na rotina de quem pratica”. Já no treino funcional, o custo varia muito. Há treinos com profissional particular ou aulas

em turmas. Nos estúdios, o investimento médio é de R$ 200,00, porém normalmente tem dias e horários restritos. O Crossfit tem um custo médio de R$ 200,00 mensais com dias e horários livres para utilizar o Box (local do treino). “Todas as modalidades necessitam de investimento financeiro e de tempo. O mais importante é ter acompanhamento profissional”. TENDÊNCIA Atualmente, o Crossfit é a modalidade em alta. Chegou há menos de 10 anos no Brasil. Para Karina, o método é dinâmico. “Tudo isso, tornou o Crossfit uma atividade física bem procurada nos últimos anos, po is conseguiu englobar bons resultados físicos, treinos em que há uma grande socialização com outras pessoas e pequenas competições que estimulam os praticantes a buscar uma constante evolução”.

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Revista Foca em Foco - ed 01 ano 19  
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