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Juventude, participação e autonomia. Sistematização de uma experiência: do protagonismo juvenil à cultura de direitos, estratégias de trabalho com a juventude / Dayana Souza, Selli Rosa e Silva (Org.). – Belém, UNIPOP, 2012. 86 p.: il.

ISBN 978-85-63312-22-8

Inclui bibliografia.

1. Juventude. 2. Participação de Jovens. 3. Cultura e direito. 4. Instituto Universidade Popular – UNIPOP. I. Souza, Dayana, org. II. Silva, Selli Rosa e, org. III. Título. CDD 22. ed. 361.613


Belém - Pará - Amazônia 2014


Equipe Gestora Aldalice Moura da Cruz Otterloo Diretora Geral Julia Gietl Gorayeb Diretora Administrativa Simone de Fátima Espindula Diretora Financeira

Patrícia Maria da Silva Cordeiro Pedagoga e Coordenadora do Programa

Soraia do Socorro Luz Pinheiro Coordenação Pedagógica Assessoria de Comunicacao

Gildenê Lima Apoio Administrativo – Marabá

Élida Cordeiro de Almeida Galvão Projeto Grafico

Suanne Espíndola Apoio Administrativo – Belém

Damaris Dutra Apoio Administrativo – Santarém Revisao do Texto

Breno Augusto Mendes dos Santos

Lúcia Isabel Silva Zilda Luz Pinheiro e Soraia do Socorro Luz Pinheiro

Equipe do Programa Juventude, Participacao e Autonomia

traducao

Débora do Socorro Nascimento Ribeiro Assistente Social e Educadora Social Diego Souza Teófilo Historiador e Educador Social 4

Equipe Administrativa

Márcia Cristina dos Santos Silva Assistente Social e Educadora Social

Melina Marcelino impressao Gráfica Supercores


SumArio 10. Agradecimentos 12. Acknowledgements 15. Apresentação 18. Presentation 21. Instituto Universidade Popular – Que espaço é esse? 29. Aprendendo Sobre a(s) Juventude(s) 41. Programa Juventude, Participação e Autonomia 41. Do Protagonismo Juvenil à Cultura de Direitos...Estratégias de trabalho com a Juventude 45. Etapas de um caminhar coletivo: Metodologia de Desenvolvimento do Programa JPA nas Comunidades Educativas

45. 1º Passo – Mobilização de Jovens por comunidade e o papel estratégico das Parcerias institucionais 47. 2º Passo – Ter o Educador Social como Referência 48. 3º Passo – Da elaboração à implementação dos planos de ação nas comunidades 52. Comunidades envolvidas no Programa JPA 53. Eixos transversais de trabalho educativo do JPA 54. Comunicação Popular 58. Educação Ambiental 69. Ecumenismo e Diálogo Interreligioso

75. Olhares e Vozes de Jovens Participantes do Programa Jpa 81. Considerações: A Caminhada Continua 83. Consideration: The walk goes on... 85. Referências Bibliográficas

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Campanha de Educação Ambiental na Ilha de Cotijuba - 2008

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“No início tudo era novo, estávamos tímidos, nervosos, ansiosos. Imaginávamos um curso totalmente diferente, mas ele realmente foi diferente. Um curso surpreendente, onde cada sábado era uma surpresa, uma pessoa diferente, e outro ponto de vista, mas o que todos tinham em comum era a vontade imensa de ensinar e fazer da gente, construtores de um grande futuro. No decorrer dessa caminhada aprendemos valores, aprendemos a ouvir, a respeitar, a se expressar, a lutar pelo que achamos que é certo e principalmente aprendemos a enxergar um futuro bem melhor, sem preconceitos, sem corrupção e principalmente sem violência, um futuro com oportunidades para todos. Hoje, damos uma pausa nessa trajetória de sobrevivência, pois com tantos obstáculos, acabamos entrando em um jogo, onde só vence aquele que tiver perseverança, aquele que tem certeza que é capaz. Afinal nós somos capazes!” Jaqueline Monteiro Loureiro, 17 anos - Estudante. Bairro Terra Firme CARTA SOBRE SUA TRAJETÓRIA NO PROGRAMA JUVENTUDE, PARTIPAÇÃO E AUTONOMIA - 2009 7


Agradecimentos

Cada um de nós compõe a sua história E cada ser em si carrega o dom de ser capaz de ser feliz (ALMIR SATER & RENATO TEIXEIRA, 1990).

O trecho desta música nos revela o significado dos processos desencadeados pela UNIPOP com as juventudes da Região Metropolitana de Belém e dos municípios de Marabá e Santarém por meio do Programa Juventude, Participação e Autonomia, que neste percurso de mais de dez anos, vem criando oportunidades para que adolescentes e jovens se redescubram como sujeitos do processo educativo e autores de sua própria história. Por isso, nossos agradecimentos... A todos(as) os(as) adolescentes e jovens que a despeito da situação de negação de direitos em que vivem e com grandes dificuldades socioeconômicas, responderam ao nosso convite para se engajarem na luta em defesa de uma sociedade justa e solidária, com promoção e defesa de direitos e por condições dignas de vida; A todos os familiares desses adolescentes e jovens, muitos dos quais enfrentando sua descrença na possibilidade de mudança da situação em que vivem, conseguiram se inserir nos processos formativos e compreender a importância de sua presença na ação transformadora das injustiças sociais;

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Aos facilitadores e facilitadoras dos processos formativos: rodas de conversa, oficinas, encontros, pesquisas, que colocaram suas competências e habilidades a serviço da construção de uma sociedade em que o respeito às diferenças de gênero, raça, religião, geração e orien-


tação sexual e a vivência do afeto, fossem elementos essenciais da ação pedagógica e da sua humanização; Aos apoiadores internacionais como Christian Aid e, através dela, as Fundações Madelaine Mabey e Greenbelt, além do GFID-GTF, do Reino Unido, assim como EED e Campo Limpo, da Alemanha; e apoiadores nacionais como CESE - Coordenadoria Ecumênica de Serviço, Instituto Ayrton Senna, FNS/CNBB e FLD - Fundação Luterana Diaconia e a partir de 2011, a empresa patrocinadora brasileira Petrobras, através do Programa Desenvolvimento e Cidadania, que souberam compreender a importância de se investir na construção de oportunidades para a juventude, na perspectiva de fortalecer a democracia, qualificar a participação social na conquista de políticas públicas e, ao mesmo tempo, garantir o desenvolvimento institucional da UNIPOP; Aos parceiros locais como FAMCOS, SDDH-MBA, FASE, CEPEPO, Centro Sócio Cultural São Domingos de Gusmão, Associação de Pais e Educadores MOARANA, Centros Comunitários, Associações de Moradores, Pastorais de Juventude, Igrejas, Centros Culturais, Escolas e Universidades públicas e privadas, Centros de Defesa, Conselhos, SENAC, Grupos de Hip-Hop, Lar Fabiano de Cristo, PUPDH/UFPA, UNICEF/Rede Vitória Régia, Empresas com responsabilidade social e tantos outros, que comprometidos com a causa, cederam espaço e infraestrutura, contribuíram na mobilização, participaram dos planejamentos e avaliações e possibilitaram avançar no trabalho coletivo e compartilhado. A cada um e cada uma o nosso muito obrigado pelos resultados alcançados para que os adolescentes e jovens inseridos no Programa JPA, construíssem um novo projeto de vida.

Equipe da UNIPOP /Programa Juventude, Participação e Autonomia 9 9


Acknowledgements Each of us makes up our own history And each being in itself carries the gift of being able to be happy (Almir Sater & Renato Teixeira, 1990).

The passage of this song reveals the significance of the processes triggered by UNIPOP with the youths of the metropolitan region of BelĂŠm and the towns of Maraba and SantarĂŠm through the Youth, Participation and Autonomy Program, in this way for more than ten years, UNIPOP has been creating opportunities for young people to rediscover themselves as subjects of the educational process and authors of their own history. Therefore, our acknowledgement ... To all adolescents and young people despite the denial of their rights in which they live and with great socioeconomic difficulties, they responded to our invitation to engage in the fight for a fair and caring society, with promotion and defense of their rights and decent living conditions; To the families of those adolescents and young people, many of whom are facing their disbelief in the possibility of changing the situation in which they live, they managed to insert themselves into formative processes and understand the importance of their presence in the transformation action of social injustice;

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To all facilitators of the formative process: workshops, meetings, surveys, that they put their skills and abilities to serve the construction of a society where respect for differences of gender, race, religion, generation and sexual orientation and the experience of affection, were essential elements of the pedagogical action and its humanization;


At international backers such as Christian Aid and, through it, Foundations Madelaine Mabey and Greenbelt, beyond GFID-GTF, the UK, as well as DSE and Campo Limpo, Germany, and national supporters as EESC - Ecumenical Service Coordination, Institute Ayrton Senna, FNS / CNBB and FLD - Lutheran Diakonia Foundation and from 2011, the sponsoring Brazilian company Petrobras, through the Development and Citizenship, who knew understand the importance of investing in building opportunities for youth with a view to strengthen democracy, social participation in qualifying winning public policies and at the same time ensuring the development of institutional UNIPOP; To the local partners such as FAMCOS, SDDH-MBA,FASE, CEPEPO, Social Cultural Center SĂŁo Domingos de GusmĂŁo, Association of Parents and Educators MOARANA, Community Centers, neighborhoods Association, Youth Ministry, Churches, Cultural centers, Schools and Universities (public and private), Defense Centers, Councils, SENAC, Hip-Hop Groups, Lar Fabiano de Cristo, PUPDH / UFPA, UNICEF /Rede Vitoria Regia, Companies with social responsibility and so many others, who committed to the cause, gave infrastructure and contributed in the mobilization, participated in the planning and evaluation and made possible all the progress in the collective and shared work. To everyone who helped us, our huge thanks for the reached results that all the teenagers and young people inside the JPA Program could build a new life project.

Team UNIPOP / Youth, Participation and Autonomy Programme

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Oficina Formativa com jovens na Ilha de Cotijuba, 2009


Apresentacao Não importa que doa: é tempo de avançar de mãos dadas É tempo, sobretudo, de deixar de ser apenas a solitária vanguarda de nós mesmos. Se trata de ir ao encontro. Se trata de abrir o rumo. Os que virão, serão povo, e saber serão, lutando (MELLO, 1978).

A Poesia de Thiago de Mello “Para os que virão” faz um convite aos que se integram e participam de movimentos, grupos e ações de Juventude, a contemplar a experiência de trabalho com adolescentes e jovens, socializada nesta cartilha. Esperamos que você, assim como nós educadores, que vivenciamos essa experiência e carinhosamente a registramos e relatamos , desfrute e compartilhe dessa caminhada. O conjunto de informações temáticas, relatos, depoimentos e fotos, aqui disponibilizado, desvela o percurso desenvolvido ao longo dos últimos dez anos, demonstrando não só os passos seguidos, mas também os resultados de enfrentamento e superação de desafios que a equipe do JPA (e o conjunto da UNIPOP) aceitou experimentar e desenvolver no Programa Juventude Participação e Autonomia (JPA), em Comunidades Educativas (CE) da Região Metropolitana de Belém e nos Municípios de Santarém (região do Baixo Amazonas) e Marabá (Sudeste paraense), nos quais o foco é o desenvolvimento de uma educação voltada para a participação concreta e efetiva de adolescentes e jovens, em cujas ações possam descobrir suas potencialidades e possibilitar a transformação de suas habilidades pessoais em competências,

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através de momentos interativos e integrativos de formação e estímulo a pensamentos críticos e propositivos para o exercício de sua autonomia. Pretendemos que esta produção seja um instrumento de socialização das lições aprendidas pela UNIPOP, a partir da vivencia de processos específicos com este segmento juvenil, dando visibilidade às ações coletivas que vêm sendo gestadas junto com eles e elas, dentro de uma metodologia de trabalho que pretende possibilitar sua reaplicação com a adolescência/ juventude, como um aprendizado validado e que pode ser experimentado nos mais diversos contextos sociais, com características semelhantes. Temos a convicção de que as lições aprendidas são resultantes tanto dos saberes e olhares que os/as adolescentes/jovens trazem para o centro da roda formativa quanto dos saberes e olhares dos parceiros que contribuíram conosco na construção dos caminhos possíveis. A riqueza do diálogo estabelecido com estes diferentes sujeitos revela o quanto ainda temos que aprender sobre sua realidade e sobre a utilização de novas ferramentas pedagógicas, para continuar alimentando a deles e a nossa paciência histórica diante de tantos desafios, para continuarmos firmes na luta por um mundo mais justo e solidário. Esperamos que a sistematização e a divulgação desses nossos aprendizados contribuam para problematizar processos, repensar as práticas e, quem sabe, qualificar ainda mais ações formativas e, principalmente, possam ressignificar a atuação com a juventude.

Boa leitura! :)

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Construção de bandeiras de luta da juventude, 2012.

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Presentation

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It does not matter that hurts It is time to advance with hold hands It is time, above all, To not be only The lonely avant-guard of ourselves Going to the point is the reason To open a the path For the ones who will come, will be the people, And they will be the knowledge, struggling. (MELLO, 1978).

The poetry of Thiago de Mello “For the ones who will come” make an invitation to the people who are part and take part in movements, groups and actions to the Youth, to contemplate the experience of working with teenagers and young people, socialized in this brochure. We expect that you, as us the educators, who live this experience and full of affection register it, enjoy and share this path. All the thematic information, reports, deposition and photos in here available, disclose the track developed during the last ten years, showing, not only the followed steps, but also the results of the overcome challenges that the JPA team (and the UNIPOP group) has accepted to experience and develop in the Youth Participation and Autonomy Program (JPA), in the Educational Communities (CE) from the Belem Metropolitan Region and the cities of Santarém (Low Amazon Region) and Maraba (southeast of Para), where the focus is the development of an education directed to the concrete and effective participation of teenagers and young people, witch in those actions be able to find out their potentiality and give to them the possibility to transform their personal abilities in competences through interactive movements and


integrative training and encouraging critical thinking and proposals for the exercise of their autonomy. We intend that this production become a instrument of socialization of the UNIPOP’s lessons learned from its own experiences and specifics process with this youth category, providing visibility to the collective actions managed with them based in a work methodology that searches the possibilities of reapplying it together with the youth, as a validated learning and that can be experienced in the more diverse social contexts with similar characteristics. We are convicted that every lesson learned are results of the young’s sensitive experiences, bring to the center of the learning process as much as the experiences of the partners who contributed with us in the construction of the possible path. The established dialog fortune with the different subjects reveals everything we still have to learn about it reality and the utilization of new educational tools to keep feeding their and our historical patience against all challenges to stay strong, fighting for a fair and solidarity world. We expect the systematization and propagation of the learning can contribute to the process problematization, rethinking the practices e, who knows, the qualification of more and more formative actions and, mainly, to re- signify the work with youth.

Have a good reading! :)

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Jovens do Curso de Comunicação Popular, 2008.


Instituto Universidade Popular Que espaco e esse? O Instituto Universidade Popular - UNIPOP é uma entidade civil de Educação Popular, sem fins lucrativos, de Utilidade Pública Estadual (Lei 5.797, de 17/10/94) e Utilidade Pública Municipal (Lei 8.275, de 14/10/2003). Nasceu da mobilização de um conjunto de entidades, movimentos sociais e igrejas comprometidas com a educação popular e o exercício da cidadania, para ser um espaço plural de formação de lideranças populares, agentes pastorais e fortalecimento da democracia. Foi fundado oficialmente em 27 de outubro de 1987, com três áreas temáticas: Formação Teológica Ecumênica Popular; Formação Sócio-política e Formação em Arte-educação, com ênfase ao Teatro do Oprimido. Ao longo de seus 25 anos de existência, tem se legitimado como uma entidade de formação para a cidadania ativa, ecumênica, de educação e teatro popular, cujo princípio metodológico básico de seus processos formativos, está no pluralismo político, de gênero, étnico-racial, cultural e religioso. Para isso trabalha para formar lideranças democráticas dos e para os movimentos sociais, educadores sociais, arte-educadores, agentes pastorais e grupos de adolescentes e jovens. Tem como missão o fortalecimento da sociedade civil por meio da promoção e efetivação dos direitos, com formação, articulação e controle social, na perspectiva de uma nova cultura política de participação e de justiça socioambiental na Amazônia. Como Princípios Orientadores da formação de todos os sujeitos inseridos nas atividades propostas pela UNIPOP ou demandadas por outras organizações, que nos estimulam a acreditar na construção de um outro mundo possível, defendemos: Valorização da Vida; Justiça Socioambiental; Democratização da sociedade; Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso. Face às constantes denúncias de violação de direitos no Estado do Pará, UNIPOP instituiu como eixo articulador das ações formativas e de mobilização da Instituição, a luta pela promoção, defesa e garantia dos direitos humanos, na perspectiva dos Direitos Humanos Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais (DHESCAS), desenvolvendo nesse sentido, as seguintes ações: com o Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE), do Rio de

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Janeiro, assumiu a coordenação, na Região Metropolitana de Belém, da pesquisa Juventude Brasileira e Democracia: participação, esferas e políticas públicas. Investiu no fortalecimento do Fórum DCA e no Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente (CEDCA), onde assumiu sua presidência de setembro de 2008 até setembro de 2010. A partir de julho de 2007 até fevereiro de 2009, atuou na Comissão de Metodologia/Fórum Social Mundial (FSM) e como representante da Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais (ABONG), esteve à frente do Comitê Coordenador do FSM, realizado em Belém, de 26 de janeiro a 1º de fevereiro de 2009. Como estratégia de Mobilização e Articulação contribui para a Voce Conhece a construção e fortalecimento de redes Plataforma DHESCA? e fóruns na perspectiva de maior incidência política como o Fórum da AmaA Plataforma Dhesca Brasil é uma zônia Oriental (FAOR), desde 1993, articulação nacional, composta por uma rede que congrega hoje mais de mais de 30 entidades, que desde 2001 300 organizações entre ONGs, entidatrabalha para a efetivação dos direitos des populares e movimentos sociais, humanos previstos em diversos tratanos 04 Estados da Amazônia Oriental dos e pactos internacionais, dos quais (AP, MA, PA e TO), na qual UNIPOP ino Brasil é signatário. tegra sua coordenação executiva; a AsA Plataforma Dhesca Brasil constitui sociação Brasileira de ONGs – ABONG, o capítulo brasileiro da Plataforma organização em defesa dos direitos e Interamericana de Direitos Humanos, dos bens comuns e o Fórum EcumêniDemocracia e Desenvolvimento – co Brasileiro, focando o eixo Religiões PIDHDD - que atua em toda a América por direitos, fortalecendo sua identiLatina na área dos direitos econôdade institucional. A partir de 2008 inmicos, sociais e culturais (DESC). Os veste na mobilização e articulação do direitos ambientais foram incluídos Fórum Social da Pan Amazônia visando pela sociedade civil brasileira, o que construir novos paradigmas sobre demodificou a sigla DESC para DESCA. senvolvimento e bem viver, em defesa (www.dhescbrasil.org.br). da Mãe Terra e dos direitos dos povos da Pan Amazônia, os quais vêm sendo


violados pelos grandes projetos de energia, mineração e monocultura na região. Em todas essas articulações busca também contribuir para fortalecer uma participação democrática e um novo modelo de sociedade, solidária, sustentável e com justiça socioambiental, na Amazônia, no Brasil, na Pan Amazônia e no mundo. Vem desde 1998, desenvolvendo ações com o segmento juvenil envolvendo grupos de adolescentes e jovens em bairros periféricos da Região Metropolitana de Belém, inserindo a ilha de Cotijuba (2006) e os municípios de Marabá e Santarém (2009). Desenvolve processos formativos baseado na Educação para o Desenvolvimento Humano, utilizando os fundamentos metodológicos da Educação Popular. Por quê? Porque são componentes essenciais da democracia. É mais que a simples instrumentalização funcional de grupos populares em conhecimentos e “destrezas” de aplicação imediata à sua vida material. Trata-se de criar espaços, estímulos e conhecimentos para que a consciência espontânea do trabalhador, jovem, educador social, desabroche em consciência de indivíduo singular, de classe social e de espécie humana e frutifique em ação transformadora: entendida como ação de alcance tanto imediato quanto histórico, tanto exterior - de construção do mundo - quanto interior - de construção de si próprio enquanto sujeito singular e plural, individual e coletivo. As lideranças adolescentes/jovens que participam das ações promovidas pela UNIPOP são responsáveis pela aplicabilidade em seus grupos/bairros (culturais, esportivos, de Igreja, centros comunitário, de escolas, entre outros), estimulando a criação de projetos a partir da realidade existente, buscando alternativas para executá-los e para que incidam em políticas públicas. Nosso propósito é possibilitar a cada adolescente/jovem o desenvolvimento de suas habilidades, de elaborar idéias e colocá-las em prática, estimular seus potenciais, autoestima e mudança de atitudes, reforçando sua capacidade propositiva e empreendedora para um empoderamento pessoal e coletivo, rumo a uma sociedade justa e solidária. O que buscamos? Oportunizar a cada adolescente/jovem inserido no Programa Juventude, Participação e Autonomia, a possibilidade de encontro consigo e com o outro (identidade pessoal e coletiva) e fazer deste percurso um processo de construção de novos paradigmas, crenças e valores que promovam e garantam, não somente seus direitos, mas os direitos de homens e mulheres na integralidade de sua dignidade de ser humano, além da efetivação de seus deveres.

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Oficina de Teatro com jovens de Marabรก, 2010.


Como trabalhar num contexto cada vez mais adverso e violento com a adolescência/juventude, que estimula cotidianamente o consumismo, mas lhe nega as condições mínimas de acesso? A violência é a principal causa de mortes de adolescentes e jovens nas periferias urbanas. O extermínio promovido por agentes do Estado que atuam na ilegalidade, traficantes e outros, cresce vertiginosamente. Contudo, setores conservadores defendem a redução da maioridade como resolução do problema da violência. Mais cárceres, menos escolas. Mais recursos para presídios e menos à cultura, à educação e ao lazer. Mais celas e menos empregos. É o que imploram tais segmentos. Não se dão conta que os adolescentes e jovens são as principais vítimas da violência no Brasil, com a concentração dos índices de homicídio envolvendo a juventude. Entre 15 e 19 anos de idade, a taxa de homicídio é de 43,7%, que salta para 60,9% quando se trata da faixa etária entre 20 e 24 anos e atinge 51,6% entre aqueles de 25 a 29 anos. Em 30 anos, a taxa de homicídios entre os jovens aumentou 204%, enquanto entre a população não-jovem a elevação foi de 100%. No Pará, por exemplo, mais da metade dos óbitos juvenis – 50,8% - foi causada por homicídios (WAISELFISZ, 2011a). Então, trabalhar com a adolescência/juventude é ter clareza sobre o contexto onde atuamos e que valores movem as nossas ações. Como motivar os/as adolescentes/jovens para compreender a importância de sua participação e se preparar para elaborar propostas que venham ao encontro de suas expectativas? Qual sua concepção de mundo e de sociedade? Que cidade querem para viver? Que desafios estão dispostos e preparados para enfrentar? Como possibilitar espaços que visibilizem suas vozes e desejos? Estas e outras perguntas orientam nossa constante busca para fazer deste Programa um espaço de construção de estratégias e ações com a adolescência/juventude, na direção de um mundo efetivamente justo, solidário, com garantia de direitos e exercício de uma participação cidadã, com vivência de valores e crenças que enfrentem a homofobia, a intolerância religiosa, o machismo, o racismo e ampliem a sua capacidade de dialogar e compreender as diferenças.

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Congresso Jovem da Pastoral da Juventude, 2012.

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“O JPA contribuiu e ainda contribui em minha formação, me ajudando a refletir sobre as situações atuais de nossa realidade... As oficinas são enriquecedoras, se antes tinha uma visão sobre o mundo em que vivemos e os problemas que nele acontecem, agora passo a perceber que esses problemas podem ser resolvidos desde que estejamos a par do que se trata... E é através das formações em grupo, que procuramos encontrar as soluções, momentos esses que a UNIPOP/ JPA oferece a tantos jovens, e que eu tenho o prazer de fazer parte, pois vem contribuindo bastante em minha vida. Hoje sou uma pessoa mais crítica em relação ao que acontece na sociedade, tento aprender outros conhecimentos e me envolver em assuntos e solução de problemas de minha comunidade, como por exemplo, a conquista da Escola Estadual Albertina, na Folha 06. Procuro meios que impeçam os problemas de continuarem acontecendo e esses meios tenho encontrado nas formações que participo e que o JPA oferece, tanto que em cada oficina faço um resumo desses momentos para relatar no outro grupo que participo, o JUAC/ PJ e convido outros jovens a participarem.” O JPA faz parte da minha historia de vida! Elida Santos da Silva, 22 anos - Marabá-PA. Participante desde 2009. Coordenadora Paroquial da Pastoral da Juventude Unidos no Amor de Cristo (JUAC).

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Campanha de enfrentamento ao abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes, 2009.


Aprendendo Sobre a(s) Juventude(s) A juventude, por definição, é uma construção social (...) originada por múltiplas formas (...) estereótipos, momentos históricos (UNESCO, 2009, p.23).

Mais do que generalizar ou banalizar o uso dos conceitos ou apregoar caracterizações imutáveis e universais inerentes a um período/momento de vida em qualquer tempo ou lugar, interessa-nos aqui discutir as condições concretas nas quais estes períodos são vividos, pensando que estas condições vão resultar em múltiplas adolescências ou juventudes. León (2005) ao propor uma revisão sobre a construção das noções dos termos adolescência e juventude, defende a necessidade de pluralizar as percepções, discutindo e situando os contextos nos quais se desenvolvem adolescentes e jovens, as situações que atravessam, as oportunidades de acesso que tem. O autor propõe alguns fatores de análise: gerações e classe de idade, estilos de vida juvenil, os ritos de passagem e as trajetórias de vida e as novas condições juvenis. Pensa-se que incorporar critérios situacionais na análise da vivência adolescente e juvenil, contribui para compreender os processos concretos de desenvolvimento e de transição dos sujeitos, assim como as condições nas quais tais transições se processam. Chama-se atenção para os processos de transformação social experimentados, em especial para o acirramento das desigualdades e da pobreza, os quais têm, nas gerações mais novas, os seus maiores e piores impactos. Como afirma León (2005. p. 17): Estes possíveis itinerários de vida ou de trânsito à vida adulta desde a etapa juvenil, também podem ter finais diversos devido à pluralidade de juventudes e condições juvenis possíveis de identificação, onde encontramos, segundo seus resultados, “trajetórias bem-sucedidas” ou “trajetórias fracassadas”, dependendo das situações biográficas dos jovens, onde a variável que mais discriminará e será fator de previsibilidade, serão os desempenhos e credenciais educativas obtidas pelos sujeitos neste trânsito até a vida adulta; além da acumulação, apropriação e transferência diferenciada dos capitais cultural, econômico, social e simbólico.

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A adolescência / juventude, como todas as etapas da vida, é resultante dos processos de interação entre um sujeito, com suas características individuais, com os diferentes contextos dos quais participa – das oportunidades, estímulos que estes contextos podem oferecer e das condições, fatores pessoais que cada sujeito é capaz de construir nestas relações – daí porque nenhuma análise dos processos de desenvolvimento pode ser feita sem considerar estas variáveis. Pensar adolescência / juventude como construção histórica e relacional impõe então indagar quais as oportunidades concretas de formação estão sendo oferecidas a estes sujeitos de forma a que possam, mais do que atingir uma identidade adulta única, realizar seus próprios processos e movimentos de expressão e negociação identitária, suas formas próprias de constituírem-se sujeitos. Se estes períodos da vida são determinados cultural e historicamente, quais direitos básicos se acham garantidos nestas trajetórias? As condições materiais de vida, o acesso à educação, saúde, alimentação, ao lazer e as possibilidades de vivências, sociabilidade, formação de vínculos seguros estão garantidas de forma ampla a todos os adolescentes e jovens? Das respostas a estas e outras possíveis perguntas pode depender a forma como se pensa a perspectiva de inserção de cada adolescente e jovem, os seus processos de atuação / ação no mundo social, as formas pelas quais constrói seus espaços e alternativas, enfim, a construção de projetos de vida. Diversos estudos permitem de antemão responder, com base em indicadores concretos, algumas destas perguntas (BRITO, 1996; SANDOVAL, 2002; SILVA e RISUENHO, 2006; LIBÓRIO e KOLLER, 2009; SILVA, 2011). Pode-se dizer que tais estudos permitem falar de fatores de vulnerabilidade em escala, relativos à juventude, no sentido em que a presença de certas condições atua como condicionante ou geradora de outras. De forma acentuada, vê-se a precariedade ou não de acesso à saúde, educação, trabalho, renda, acesso a informações, como a tônica da vivência do tempo da adolescência / juventude e a explicitação das formas diversas como a negação destes direitos condiciona as possibilidades ou impossibilidades de buscar este acesso, de trabalhar as condições de melhoria da vida. Educação, cultura, lazer e sociabilidade aparecem condicionadas à renda, ou seja, negadas aos mais pobres ou aos moradores das periferias das grandes cidades. Sabe-se que quando se fala de vulnerabilidades na adolescência / juventude, se está, na verdade, falando de sentidos diversos, mas complementares. Fala-se de vulnerabilidade


como ausência ou escassez de recursos ou renda, esta, via de regra, resultante de inserção precária ou não inserção no mercado de trabalho dos jovens ou de suas famílias. Entretanto, esta ausência gera outras formas de vulnerabilidades – aquela que está relacionada à falta de acesso, ou acesso precário, a bens e serviços, como moradia, educação, saúde, saneamento, violência e toda esta lista de problemas citados pelos/as jovens que denunciam a ausência do poder público e a não efetividade de políticas públicas, que de alguma forma, atinge a população em geral, mas rebate mais fortemente na população mais pobre. Portanto, no caso da adolescência/juventude, sobretudo a mais pobre, as vulnerabilidades tomam lugar não apenas em função de carências de recursos ou capacidades, mas também, na medida em que elas se integram e se interrelacionam ao contexto social, geográfico e econômico que caracterizam a vida da população em bairros periféricos nos quais faltam os investimentos públicos e sobram fatores de exposição à violência em suas diversas formas de expressão. O contexto da Região Metropolitana de Belém (RMB), onde o JPA se desenvolve, é revelador de alguns dados desta exclusão social. A RMB é formada por cinco municípios, sendo Belém a capital, o maior deles, com uma população de 2.139 milhões de habitantes, dos quais 809.674 são jovens entre 15 e 29 anos. 29,5% das crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos estão trabalhando, sendo que grande parte destes não concluíram nem o Ensino Fundamental. Sobre trabalho, os dados indicam que 58,9% daqueles que trabalham ganham até um salário mínimo mensal e cerca de 3% da população de 5 a 9 anos, está trabalhando. Existem mais de 95 mil pessoas sem instrução ou com apenas um ano de escolaridade e 232 mil pessoas com 01 a 03 anos de escolarização (SEGEP, 2006). Juventude hoje é algo tão dinâmico e amplo, quanto às diversidades e pluralidades existentes em nosso mundo, que alcançou no ano de 2011, 07 bilhões de habitantes. Dentre estes, estão jovens do Brasil e da Amazônia: negros, índios, quilombolas, do campo, assentados, ribeirinhos, entre outros, que partilham dessa heterogeneidade não apenas identitária, mas também de dinâmicas e de projetos de vida diferenciados. Significa ainda ponderar sobre toda a diversidade desse segmento, que sonha, luta, erra, acerta e a todo momento busca se encontrar para responder a si mesmo e ao mundo. Um novo olhar sobre a adolescência/juventude é preciso! Um olhar que entenda suas especificidades humanas e sociais. Para isso é necessário priorizar uma política pautada no desenvolvimento integral, que trate o jovem como sujeito de direitos, que resgate e fortaleça va-

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lores humanos, estimule a sua participação na transformação da sociedade, lhe dê condições e oportunidades justas e dignas. Uma política que respeite a diversidade desse segmento, que atenda tanto ao adolescente/jovem urbano quanto ao da zona rural, em que as oportunidades sejam igualitárias e respeitadas em seus contextos (TEÓFILO, no prelo).++ Por isso, tratamos sobre adolescências e juventudes para dar conta das inúmeras possibilidades presentes neste segmento, pois estamos falando da maior geração jovem de todos os tempos, congregando uma “população com mais de 50 milhões de brasileiros entre 15 a 29 anos, ou 27,4% da população do país”¹, ao mesmo tempo em que se aprova na Câmara, no ano de 2011, o Estatuto da Juventude brasileira.

Mas pra que servirá este Estatuto? O que pode significar na vida de cada sujeito? É importante conhecer o que esse documento traz de importante para garantir os direitos da juventude, com destaque nos campos da educação e do trabalho. Veja abaixo:

As políticas públicas previstas pelo estatuto têm como base a geração de trabalho, renda e profissionalização dos jovens; condições especiais de jornada de trabalho que possibilitem compatibilizar o emprego e os estudos; direito a meia passagem nos transportes públicos intermunicipais e interestaduais para jovens dentro dessa faixa etária. No campo educacional, o estatuto prevê a necessidade de financiamento estudantil para os jovens matriculados regularmente em instituições com boas notas no Ministério da Educação; e a obrigatoriedade de o Estado oferecer ensino médio gratuito, inclusive no horário noturno. O texto trata ainda dos direitos à saúde, cultura, ao esporte e lazer, ao meio ambiente equilibrado e à igualdade, considerando os 30 30

recortes de gênero, cor e deficiências físicas (NASCIMENTO, 2011). ________________ ¹ Livro Orçamento Juventude 2003-2010. Uma proposta metodológica para o controle social das políticas públicas de juventude. Grégory Carvalho e Iradj Roberto Eghrari, 2010.


O texto ao lado demonstra que a aprovação do Estatuto vem consolidar e garantir os direitos à educação, à profissionalização, à igualdade, à saúde, à cultura, ao desporto e lazer e ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. Logo, o estatuto, se colocado em prática, só trará benefícios para a população jovem e para nossa sociedade. Como controlar para que isso seja feito? Por que é tão importante trabalhar, organizadamente, para que os/as jovens sejam efetivamente beneficiados por este Estatuto? Para que possamos ultrapassar essa triste realidade revelada pelas estatísticas negativas a seguir:

11,1% da população jovem é analfabeta

No Pará, o índice de analfabetos Jovens concentrase no sexo masculino e raça negra.

53,1% dos Jovens de 14 a 24 anos estão fora das salas de aula

61,3% das mortes de jovens são causadas por acidentes de transporte, homicídios e suicídios.

Piauí, Acre e Pará são os estados que apresentam as maiores taxas de mortes por causas naturais: em torno de 60 em cada 100 mil jovens.

Na região Norte, apenas 17,6% dos Jovens tem acesso à internet.

Dados sobre a população jovem. Fonte: IBGE (2010), Waiselfisz (2007). A mudança nesse cenário será gradativa, mas é somente pela tomada de iniciativa, participação efetiva e pela busca de conhecimento, que as nossas juventudes terão como ter vez e voz neste espaço político de disputa de poder e de significados, para promover e garantir seus direitos.

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Jovens do Curso de Comunicação fazendo a cobertura do Dia de mobilização e Ação Global em Belém, 2009.


O que você, Jovem, tem feito para conquistar seus direitos e efetivar políticas públicas? Em nossa atuação com este segmento e seus diferentes perfis, observa-se que alguns temas são recorrentes quando definem suas expectativas de projetos de futuro. São eles: educação, trabalho e participação, temas estes que pelos estudos feitos também caracterizam e definem juventude. A educação é uma das etapas mais significativas, pois traduz o período de preparação e formação para a vida adulta. É ela que vai direcionar sua vida, Voce sabe o que sao politicas publicas? dependendo de como é realizada. Por isso deve ser desenvolvida com fins na formação integral, social e qualitativa de cidadãos e cidadãs. Políticas Públicas são O trabalho aparece como uma discussão comdiretrizes que norteiam plexa e fundamental que exige a consideração da diações de responsabilidade versidade e das contradições que marcam a inserção do Estado, devendo estar dos jovens no mercado de trabalho. Por um lado, a articuladas com a cultura percepção da entrada no mundo do trabalho com gapolítica vigente, órgãos púrantia do acesso (renda, consumo, bens etc.), e por blicos e agentes da socieoutro, as condições de precariedade que tem marcadade civil, considerando a do essa entrada, em especial para os jovens pobres e que e a quem se destinam ainda, o fato de que, o mesmo trabalho, reivindicado os benefícios. como correlato de inserção social, acaba muitas vezes funcionando como impeditivo da realização de outros direitos (continuar os estudos, obter melhor qualificação, por exemplo). A participação social é um caminho a que poucos têm acesso. Lutar, buscar e garantir direitos pelo viés da participação é algo ainda pouco difundido e experimentado pela adolescência/juventude. Não estar alienado política e socialmente, ainda é privilegio de uma pequena parcela dessa geração, já que, a mesma sociedade

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que reivindica a participação, também não dispõe os mecanismos e não valoriza as formas de participação surgidas dos próprios jovens. A construção da identidade e da formação do jovem, bem como seu modo de ser, depende do contexto em que ele vive e dos itinerários construídos ao longo de sua vida, como afirma León acima, dos costumes e valores aprendidos no contexto familiar, das suas experiências e de sua interrelação com sujeitos de outras culturas, com outros conhecimentos. Nesse sentido, o destaque ao termo “juventudes”, no modo plural, vem firmar a diversidade dos jovens do Brasil, da Amazônia e do Estado do Pará, pelos diferenciados modos de vida, condições sociais e geográficas, grupos étnicos e religiosos. Um trecho da letra da música “O trem da Juventude” da banda Paralamas do Sucesso (1988), nos mostra bem como ser jovem é um estado efêmero e que precisa ser vivido intensamente, mas com responsabilidades, pois...

“O trem da juventude é veloz. Quando for olhar já passou. Os trilhos do destino cruzando entre nós pela vida, trazendo o novo”.

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As responsabilidades, os compromissos assumidos, a exploração de suas potencialidades, as experimentações, as relações, tudo parece muito dinâmico. Suas dimensões sociais, seus impulsos, preferências e características, tudo único e singular. A construção da identidade é algo processual, como uma ponte entre o estar e o vir a ser, entre eu e os outros. A compreensão e o reconhecimento de suas qualidades e limitações é o primeiro passo para a construção do que chamamos de “identidade”. O segundo passo é o desenvolvimento de sua autoestima a partir das experimentações vividas. Quando uma pessoa é estimulada a refletir sobre suas ações e junto com isso obtém as condições favoráveis para elaborar um projeto de vida, fica mais fácil se encontrar, principalmente quando o caminho entre o querer ser e o projeto de vida tem sentido e direção. O percurso não deixa de ser repleto de desafios, mas se torna mais compreensível.


Voce sabe o que e um projeto de vida? O projeto de vida pode ser entendido como a ação do indivíduo de escolher um, dentre os futuros possíveis, transformando os desejos e as fantasias que lhe dão substância em objetivos passíveis de serem perseguidos, representando, assim, uma orientação, um rumo de vida. Os projetos podem ser individuais e/ou coletivos; podem ser mais amplos ou restritos, com elaborações a curto ou médio prazo, dependendo do campo de possibilidades. Quer dizer, dependem do contexto sócio- econômico- cultural concreto no qual cada adolescente/jovem se encontra inserido, e que circunscreve suas possibilidades de experiências. O projeto possui uma dinâmica própria, transformando-se na medida do amadurecimento dos próprios [adolescentes] jovens e/ou mudanças no campo de possibilidades (DAYRELL, 2005, p. 34-35).

Em nossa sociedade, cada vez mais consumista, os jovens se tornam alvo fácil e acessível, principalmente para os veículos de comunicação de massa em que são demarcados e explorados por situações e fatos contemporâneos, ao mesmo tempo, transformam-se em consumidores e produtos. A pesquisadora Maria Rita Kehl (2004, pag. 91-92), afirma que “[...] ser jovem virou slogan, virou clichê publicitário, virou imperativo categórico – condição para se pertencer a uma certa elite atualizada e vitoriosa”. Agregados sistematicamente pelos valores sociais (de mercado) de cada objeto de consumo, fortalecidos cada dia mais pelos meios de comunicação. Ser jovem hoje é sinônimo de estética, consumo desenfreado, problemática social, revolução e publicidade. “Dizem que eu sei nada. Dizem que eu não tenho opinião. Me compram, me vendem, me estragam” (RUSSO, 1996).

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Jovem Valmeres Santos, da Comunidade GuamĂĄ, na ConferĂŞncia Metropolitana de Juventude, 2011.


Você concorda com essas afirmações? Como dialogar, agregar forças e canalizar (pensamentos e ações) para direção contrária, daqueles e daquelas adolescentes e jovens que estão cada vez mais impregnados com a cultura individualista? Estes tão diferentes sujeitos, com tantos pensamentos, comportamentos, atitudes e compreensões diversas, plurais e até mesmo singulares das juventudes de hoje, que é preciso nos perguntar sobre como trabalhar com tantas experiências e suas multiplicidades. Perceber que não se está sozinho e que tantos outros estão na mesma luta, passando pelas mesmas dificuldades, na mesma realidade social, são indicadores que devem motivar o encontro consigo e com o outro, para o sentido de coletividade, pela busca da superação dos desafios reais e pela interação relacional de cada adolescente e jovem, dentro de seu ritmo e no desenvolvimento de suas habilidades. Essas são reflexões importantes para a construção de seus projetos de vida e de suas realizações pessoais e grupais. “E é tão bonito quando a gente entende Que a gente é tanta gente onde quer que a gente vá E é tão bonito quando a gente sente Que nunca está sozinho por mais que pense estar” (GONZAGUINHA, 1982). Assim é iniciado o processo de construção da autonomia, da liberdade e da independência (pessoal e profissional), a partir de experiências juvenis, compostas como “molas mestras” para o alcance e realização de projetos de vida, relacionados diretamente às escolhas feitas e às tomadas de decisões, diante das condições e oportunidades apresentadas em suas trajetórias de vidas. E pensando no avanço de tantos estudos sobre as juventudes, na importância desse segmento para a sociedade, seus enfrentamentos, vigores e necessidades, que apresentamos a seguir, o histórico do programa que tem atuado com Jovens de Belém, Marabá e Santarém, o Programa Juventude, Participação e Autonomia. 37 37


O JPA me levou a um novo modo de ver, sentir, endender, decidir e agir na minha comunidade. Hoje eu sei lidar com os desafios e conhecer melhor o outro lado das comunidades junto com outros jovens. Além de ter desenvolvido o meu potencial, o JPA propõe o abraço a uma causa que dá novos sentidos ao que se é e ao que se quer para nossa vida e para as pessoas ao nosso redor.

Amanda Santos, 25 anos, Bairro Distrito Industrial/Ananindeua-PA. Participante desde 2004. Graduanda em Pedagogia e integrante do Grupo de Teatro da UNIPOP. 38 38


Programa Juventude, Participacao E Autonomia Do Protagonismo Juvenil à Cultura de Direitos... Estratégias de trabalho com Adolescentes e Jovens. Há 12 anos, a UNIPOP trabalha com o segmento juvenil. Primeiramente sob o título de Protagonismo Juvenil, com momentos formativos promovidos na sede da UNIPOP, com adolescentes e jovens da RMB. Em sua maioria, esses Adolescentes e Jovens, foram indicados por coordenações de grupos das áreas de atuação da UNIPOP, articulados também por outros projetos e programas promovidos pela Instituição. O Curso Protagonismo Juvenil era desenvolvido durante o período de 04 meses, com 15 temáticas² teórico-metodológicas, em conexão com o contexto social, de maneira interativa e integrativa, a partir de concepções sustentadas nos princípios norteadores e na visão institucional, com carga horária total de 120h, para uma média de 20 a 30 jovens, na faixa etária de 16 a 24 anos. Nessa trajetória, sempre buscávamos renovar tanto as indicações feitas pelos representantes das comunidades parceiras da UNIPOP, quanto às estruturas pedagógicas e metodológicas, dialogando com o contexto social e político do momento. Em 2007, o Curso tem seu nome e metodologia reformulados, a partir de uma avaliação participativa com educadores e jovens, passando a se chamar Cultura de Direitos e Participação Juvenil, contando com a mesma média de participantes e usando o instrumento metodológico a serviço da reflexão e abertura de possibilidades. Este espaço também foi trabalhado como espaço de expressão, descoberta de identidades e reconhecimento de suas múltiplas habilidades, na medida em que vivenciam seu tempo, desfrutam e enfrentam seus desafios, traçam caminhos para suas vidas no momento presente, são estimulados pelas trocas de experiências e diálogos durante o curso, a pensar e agir coletivamente. Entre as últimas temáticas do curso, estava a de Elaboração de Projetos, onde os jovens participantes, após exercícios teórico-práticos, eram distribuídos em grupos e convidados a realizar uma ação intitulada: “um novo olhar sobre seu bairro”. O objetivo era observar e registrar aspectos e singularidades de seus respectivos bairros e elaborar um plano de ação (com ações específicas e prazos para realização). Na sua matriz continha: atividade, objetivo,

_____________________ ² 1-Apresentação do Projeto na Comunidade; 2-Identidade e grupalização (relações interpessoais); 3-Comunicação como Direito Humano; 4-Leitura Crítica da Mídia; 5-Direitos Humanos; 6-Família e a Comunidade; 7e 8 - Violações de Direitos: violência contra a criança e o adolescente (exploração e tráfico, violência doméstica, violência sexual, violência psicológica, violência fatal e negligência, violência institucional); 9-Direitos da Criança/adolescente: histórico e noções do ECA; 10-Sistema de Garantia de Direitos; 11-Iniciativas empreendedoras e Ofícios criativos; 12-Educação Ambiental; 13-Arte-Educação; 14-Políticas Públicas e Controle Social; 15-Sistematização e Avaliação do processo formativo.

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recursos, cronograma e responsável; depois, cada adolescente e jovem buscaria desenvolver a ação proposta em seu bairro, procurando parceria de organizações locais para realização do plano.

Plano = projeto Ação = efeito de atuar; poder de efetuar uma atividade Plano de Ação = Projetar um conjunto de ações/atividades possíveis de serem realizadas

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Ao final do Curso, 05 planos foram elaborados pelos jovens participantes, oriundos dos bairros da Terra Firme, Barreiro, Telégrafo, Ilha de Cotijuba e Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém (RMB). Destaca-se que em suas propostas foram respeitadas limitações quanto à produção textual e estruturação e/ou formatação dos planos. Após ajustes e considerações nas propostas, os jovens entravam em campo para a implementação dos planos, no ano seguinte. Esses planos eram acompanhados e monitorados pela equipe de educadores da UNIPOP, periodicamente, nos cinco bairros. Apesar das dificuldades econômicas enfrentadas pela UNIPOP, face à crise econômica mundial impactando diretamente nas agências que nos financiavam, pequenas conquistas foram merecedoras de elogios e grandes superações foram identificadas no âmbito individual e coletivo. Nesta primeira caminhada rumo à experimentação da autonomia dos jovens nas suas comunidades, a primeira lição aprendida – tanto para os educadores quanto para os jovens envolvidos – foi perceber a importância do respeito às dimensões: política, pedagógica, ambiental e sociocultural de cada bairro; observar suas dificuldades e desafios; saber equilibrar ritmos diferenciados, comprometimento e responsabilidade de cada jovem com a realização da ação proposta.


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Nessa caminhada, as lições aprendidas foram possibilitando novos ajustes, se expandindo para outras regiões do Estado do Pará, direcionando o projeto para um Programa mais amplo, a partir das bases dialógicas e conceituais de juventude que lhe dão sustentação, explicitadas a seguir:

AU IA TO M NO Conceitos que formam o Programa JPA Fonte: UNIPOP, 2011 41 41


Objetivo do Programa O Programa Juventude, Participação e Autonomia ou simplesmente Programa JPA, nasce com objetivo de contribuir para o empoderamento da juventude amazônica, fortalecendo e ampliando ações individuais e coletivas pela promoção e garantia de seus direitos. As ações do Programa JPA têm como proposta metodológica o desenvolvimento humano, por meio da Educação Popular ,voltado para a formação e participação efetiva de jovens, enquanto atores e atrizes atuantes, solidários e competentes em suas habilidades pessoais e relacionais em espaços de discussão e atuação coletiva, fortalecendo o sentimento de pertencimento e valorização de seu espaço de moradia e atuação coletiva.

Voce sabe o que e empoderamento?

Essa palavra tem origem inglesa (empowerment), mas um importante educador brasileiro chamado Paulo Freire deu outro sentido a ela. Para ele, empoderamento está interligado à transformação das relações e dos sujeitos sociais, em que problematizando a realidade vivida se “conscientiza” e se liberta das relações de dominação.

A Educação Popular têm como principio metodológico trabalhar a relação entre conhecimento, arte, cultura e prática social, a qual interage com o desenvolvimento da identidade (pessoal e coletiva), das habilidades comunicacionais (oral, escrita e de leitura) e da descoberta de si e do mundo.

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A partir da experiência de realização de diversos cursos formativos dentro do espaço da UNIPOP, somado à necessidade de expansão, de alcance do público jovem no próprio bairro, espaço de moradia e muitas vezes de atuação de juventude, a UNIPOP, mais uma vez se desafia, contando com o apoio das organizações parceiras, pelas redes de atuação, como


fóruns e conselhos, e delimita seu raio de atuação a partir do tempo de envolvimento de um bairro junto aos projetos da instituição e fecha como meta para o triênio 2010 a 2012 o acompanhamento e monitoria a 15 comunidades educativas na Região Metropolitana de Belém, no Oeste e no Sudeste paraense. Todo esse processo de trabalho com a juventude é desenvolvido de acordo com 03 passos metodológicos de acompanhamento aos grupos, os quais explicaremos a seguir.

Etapas de um Caminhar Coletivo: Metodologia de Desenvolvimento do Programa JPA nas Comunidades Educativas 1º Passo – Mobilização de Adolescentes e Jovens por Comunidade e o Papel Estratégico das Parcerias Institucionais Por isso vem, entra na roda com a gente, também, você é muito importante, vem! (ERNESTO CARDOSO, s.a.). A dinâmica e estratégia de ação do Programa JPA, não é criar uma ação nova na comunidade, mas sim analisar e fortalecer o que já existe. Buscamos desenvolver a experimentação de uma nova compreensão de coletividade e de comunidade, onde o trabalho em equipe e a articulação de ações compartilhadas são fortalecidas e ressignificadas em prol da melhoria da qualidade de vida das pessoas e de suas comunidades, buscando sinergia nas relações e nas situações pensadas e realizadas, gerando mudanças, transformando vidas, tendo como resultado, práticas e metodologias educacionais e relacionais que ofereçam segurança e dignidade em

Avaliação do Programa com jovens de Ananindeua, 2010.

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sentido amplo à valorização da dignidade humana. Quando saímos de nossa sede, adentramos em contextos diferenciados, mas levando em consideração que há trabalhos sendo desenvolvidos nas comunidades. Não trabalhamos na perspectiva de realizar um processo isolado, mas sim dentro da ótica do trabalho em rede, construindo um processo de fortalecimento coletivo e somando forças em diversas lutas (TEÓFILO, no prelo). Organizações locais, parceiras da UNIPOP, são convidadas a indicar e mobilizar lideranças adolescentes e jovens de suas áreas de atuação para participarem de processos formativos em suas respectivas comunidades. A proposta é fazer com que os/as adolescentes e jovens envolvidos/as, se percebam enquanto sujeitos de direitos e posteriormente desenvolvam ou fortaleçam sentimento de pertencimento ao seu bairro, comunidade e espaço de moradia. Essa chamada ou “convocação de vontades”, como escreveu Bernardo Toro (1996), acontece de maneira dinâmica e gradativa, pois “significa convocar discursos, decisões e ações no sentido de um objetivo comum, para um ato de paixão, para uma escolha que “contamina” todo o quotidiano” (TORO & WERNECK, 1996). Os adolescentes/jovens são mobilizados e sensibilizados dentro de um principio metodológico, onde o Programa JPA busca a junção entre a integração dessas juventudes e a interação do contexto social das comunidades. O desafio estava posto. No início de 2008, foram realizados os primeiros encontros com os jovens participantes do curso para aprimoramento das ações propostas e possíveis dificuldades relacionais, físicas, estruturais e até mesmo políticas nos bairros. A socialização das dúvidas e a organização para implementação de como e por onde começar, bem como as trocas de experiências também pautaram os encontros iniciais. De 2009 a 2011, em cada ano uma experimentação nova, interagindo adolescentes e jovens de anos anteriores, adentrando gradativamente, assim como, saindo dessas categorias e se tornando adultos em busca de seu espaço de trabalho. Nesse processo diversas ações foram implementadas, vivenciadas e ressignificadas, movimentos e eventos sociais fortalecidos e potencializados pela inserção da juventude. Inúmeros adolescentes e jovens vivenciaram momentos históricos, como a experimentação na diversidade do Fórum Social Mundial (FSM), nas discussões e elaboração de propostas para Conferências, nos protestos e reivindicações sociais. Passar por todos esses movimentos e sentir o quanto a atuação marca e demarca no tempo e espaço, valores para a vida, a sua multiplicação torna cada sujeito militante mais humano a cada dia.


2º Passo - Ter o Educador Social como Referência A presença do educador, seu papel e sua influência, deve se tornar referência na vida dos adolescentes e jovens envolvidos no Programa JPA, mas sem criar vínculos de dependência. A referência e os valores agregados à figura desse profissional, quando bem construídos numa relação dialógica, são internalizados pelos adolescentes e jovens a partir de processos educativos, em que o comportamento, conhecimentos, experiência, o respeito e mais ainda, a qualidade da relação estabelecida entre educandos e educadores, dignificam o sentido do processo pedagógico e estimulam a participação consciente e cidadã de cada sujeito envolvido. O Educador Social é algo mais que um animador cultural [...] ele deve continuamente desafiar o grupo de participantes para a descoberta dos contextos [...]. Por isto os Educadores Sociais são importantes, para dinamizarem e construírem o processo participativo com qualidade. O diálogo, tematizado – não é um simples papo ou conversa jogada fora, é sempre o fio condutor da formação. Mas há metodologias que supõem fundamentos teóricos e ações práticas - atividades, etapas, métodos, ferramentas, instrumentos etc. O espontâneo tem lugar na criação, mas ele não é o elemento dominante no trabalho do Educador Social, pois o seu trabalho deve ter: princípios, métodos e metodologias de trabalho (GOHN, 2009).

A reciprocidade, no que tange a atenção, apoio e cuidado, é possibilitada pela abertura (processo de conquista e respeito), pelo compromisso com as pessoas envolvidas e pelo interesse comum, em prol da melhoria das condições de vida e suas relações. O simples gesto de saber ouvir, do olhar sem cobrança e sem pressão, da partilha de conhecimentos, da confiança, do toque com respeito e solidariedade, tudo isso faz parte de uma “corrente” que dá sentido ao processo educativo, qualifica a relação e cria ferramentas de segurança, estimulando o desenvolvimento de seus potenciais. A presença educativa e o monitoramento em cada etapa das ações se tornam fundamentais para o alcance dos resultados. A implementação e adequação de agendas entre educadores e grupos de adolescentes e jovens e as situações relacionais conflituosas entre os adolescentes e jovens participantes dos grupos começam a aflorar. Mas os processos de

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transformação de si e do conjunto de sujeitos envolvidos favorecem a ampliação e o nível de consciência dos adolescentes e jovens sobre suas ações individuais e coletivas. Desse modo destaca-se, de acordo com Gohn (2009) e Freire (2009), que a ação do educador social deve ser composta por 03 importantes etapas: 1- Diagnóstico do problema e de necessidades, 2- Construção de um plano de trabalho e 3- Implementação do plano para motivação e desenvolvimento do processo de participação de sujeitos e/ou de sua comunidade. Nessa importante atuação, o Educador Social, tanto ensina como aprende, através do diálogo, com sensibilidade para compreender diversos contextos e culturas, por via de temas geradores que provocam reflexões e proposição de transformação sobre a realidade.

3º Passo – Da Elaboração à Implementação dos Planos de Ação nas Comunidades.

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Todos os/as adolescentes e jovens participantes dos processos formativos são convidados a elaborar um Plano de Ação que tenha por objetivo o fortalecimento das atividades já realizadas pelas organizações locais nas quais estão envolvidos. Outro desafio é fazer com que todos os/as adolescentes e jovens se responsabilizem e desenvolvam o que foi planejado, de forma intencional e estrategicamente pensada e organizada, visando à resolução de problemas reais. O método pedagógico proposto pelo Programa JPA, se preocupa em conectar contextos sociais, singularidades, identificação de habilidades, e criar oportunidades para a realização de processos formativos que respondam às complexidades éticas, políticas, relacionais, humanas, de gênero e raça, como um todo, que possibilite a dinâmica da interação e a integração bem como a reflexão sobre seus comportamentos e atitudes, oportunizando a educação como acontecimento, como prática social e como experimentações, em consonância com a Educação Popular. O percurso metodológico busca facilitar o processo do ensino e da aprendizagem, onde todos aprendem fazendo, desenvolvendo e transformando suas habilidades em competências pessoais, tendo como base os 04 pilares da Educação apresentados pelo organizador Jacques Delors, no relatório da UNESCO (2010), como proposta para o Desenvolvimento Humano:


Aprender a Conhecer: Aprender para conhecer supõe, antes de tudo, aprender a apren-

der, exercitando a atenção, a memória e o pensamento. Desde a infância, sobretudo, nas sociedades dominadas pela imagem televisiva, o jovem deve aprender a prestar atenção às coisas e às pessoas. [...] O processo de aprendizagem do conhecimento nunca está acabado, e pode enriquecer-se com qualquer experiência. Neste sentido, liga-se cada vez mais à experiência do trabalho, à medida que este se torna menos rotineiro. A educação primária pode ser considerada bem-sucedida se conseguir transmitir às pessoas o impulso e as bases que façam com que continuem a aprender ao longo de toda a vida, no trabalho, mas também fora dele (p. 92-93).

Aprender a Fazer: Aprender a conhecer e aprender a fazer são, em larga medida, indissociáveis. [...] Aprender a fazer não pode, pois, continuar a ter o significado simples de preparar alguém para uma tarefa material bem determinada, para fazê-lo participar no fabrico de alguma coisa. Como conseqüência, as aprendizagens devem evoluir e não podem mais ser consideradas como simples transmissão de práticas mais ou menos rotineiras, embora estas continuem a ter um valor formativo que não é de desprezar (p.93).

Aprender a Viver junto: Sem dúvida, esta aprendizagem representa, hoje em dia, um dos

maiores desafios da educação. O mundo atual é, muitas vezes, um mundo de violência que se opõe à esperança posta por alguns no progresso da humanidade. [...] Parece, pois, que a educação deve utilizar duas vias complementares. Num primeiro nível, a descoberta progressiva do outro. Num segundo nível, e ao longo de toda a vida, a participação em projetos comuns, que parece ser um método eficaz para evitar ou resolver conflitos latentes (p. 96-97).

Aprender a Ser: Todo o ser humano deve ser preparado, especialmente graças à educação

que recebe na juventude, para elaborar pensamentos autônomos e críticos e para formular os seus próprios juízos de valor, de modo a poder decidir, por si mesmo, como agir nas diferentes circunstâncias da vida (p.99).

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Após o conhecimento desses quatro pilares, frisa-se que a educação ocorre ao longo da vida e não apenas na escola. Os saberes que se aprendem na família, na comunidade, na escola, na igreja, se misturam e, portanto, não podem ser desprezados, mas sim conectados numa atuação integrada, ampliada e coletiva. Estimular outros adolescentes e jovens da comunidade para somar e participar das rodas de discussão e diálogo no próprio bairro, dando vida e valor ao que está sendo proposto dentro da comunidade, é algo fundamental para juntar articulação e experiência. Conflitos pessoais e coletivos também fazem parte das juventudes pela busca de suas autonomias, o que leva alguns grupos a uma mudança qualitativa de atitude e de tomada de iniciativa tanto para readequação do planejamento quanto para a execução das atividades e consequentemente dos resultados obtidos. O objetivo é de primeiramente sensibilizar para a participação espontânea de jovens do próprio bairro nos processos formativos e fortalecer o sentimento de pertencimento ao seu espaço de moradia, e fazer deste também, espaço de formação. Compreender e exercitar o sentido do caminhar coletivo, em que “comunidade” tem em seu significado a qualidade do que é comum. O termo “Comunidades Educativas” começa a se integrar e dinamizar nos planos de ação dos adolescentes e jovens. Mas para que estas se constituam espaços formativos é fundamental adentrar em seus contextos e características sociais, culturais e ambientais, identificando comportamentos e atitudes de seus moradores, suas diversidades, particularidades, potencialidades e prioridades, para que cada adolescente e jovem envolvido no processo educativo reconheça este espaço e se sinta representado nele. Muitos são os desafios, mas as pequenas conquistas precisam ser reverberadas como eco de ações políticas e sociais que possibilitam e desencadeiam novas reflexões, comportamentos e valores incorporados no seio das relações pessoais e na conquista de outros espaços e melhores condições de vida. Mensurar o que não pode ser medido, elencar as melhorias subjetivas, o aprimoramento na qualidade de vida e lutar pela garantia de seus direitos pode representar o caminho percorrido e projetado por adolescentes e jovens, que hoje se tornaram adultos com mais possibilidades de acertos em busca de seu espaço na sociedade e de se engajarem em espaços coletivos de proposição de políticas públicas. 48 48


“Pra gente mudar o mundo é só estar junto. Não é pedir muito. Basta ceder um pouco, respeitar o outro, amarem todos, ser justo. Na lembrança, a infância, inocência de criança é a esperança. É tempo de mudança, confiança”. (LEE, 2006) O processo de articulação com a juventude, sua participação e conseqüentemente a busca pela autonomia foi, e ainda é, um passo desafiador para as ações da UNIPOP e ao mesmo tempo, de empoderamento da juventude, mas como canta Negra Lee, acreditamos que “é tempo de mudança, confiança”.

Em síntese, a metodologia do JPA segue os seguintes passos:

Visita à Comunidade para articulação de parceiros e/ou entidades que trabalham com juventude.

Fortalecimento e referência do Educador na Comunidade, a partir da elaboração e desenvolvimento do Plano de Ação

Elaboração e execução de planos realizados com e pelos jovens para transformação da sua comunidade

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Comunidades envolvidas no Programa JPA Inicialmente, as comunidades de trabalho do Programa Juventude, Participação e Autonomia eram cinco: Terra Firme, Barreiro, Telégrafo, Ilha de Cotijuba e Ananindeua. Com a vinda e demanda de outros jovens do curso de Formação Sócio-política, a inserção da UNIPOP em fóruns e redes e ampliação do trienal, buscou-se envolver um número maior de comunidades na RMB para 13, além da expansão para os municípios de Santarém e Marabá, como pode ser visualizado abaixo:

maraba

santarem

terra firme

telegrafo

TAPANA

ANANINDEUA

BENGUI

50 50

sacramenta

PEDREIRA

CABANAGEM

BARREIRO

CONDOR

COTIJUBA

Esquema de Comunidades educativas do JPA, 2011.

CREMACAO

GUAMA


O trabalho nestas comunidades da RMB e dos municípios de Marabá e Santarém segue a metodologia já descrita e é realizado de acordo com o Plano de Ação anual do Programa JPA, que tem como base o Plano Trienal da UNIPOP. Estes planos são construidos coletivamente, com educadores de diferentes áreas de formação, e reformulados de acordo com as vivências e práticas educativas, pesquisas e estudos na área da juventude e das constantes análises de conjuntura que fazemos, as quais problematizam a realidade e nos provocam a enfrentar novos desafios, além da mobilidade dos sujeitos com os quais atuamos, que podem alterar seus itinerários de vida por uma série de fatores: sociais, economicos e culturais ao longo dos percursos pedagógicos, sobre os quais devemos estar atentos em nossas ações.

Eixos transversais de trabalho educativo do JPA No Programa JPA, as ações são tranversalizadas por 3 eixos: 1- Comunicação Popular, 2- Educação Ambiental e 3- Ecumenismo. O primeiro foi selecionado como estimulador do trabalho com os/as adolescentes e jovens, por compreendermos que a juventude tem necessidade de se comunicar e de expressar seus pensamentos nas redes sociais (facebook, orkut, twitter, MSN, etc.) e outros espaços. A temática da Educação Ambiental, além de sua relevância, por estarmos na Amazônia, sempre foi pauta de movimentos que compunham a UNIPOP, de entidades financiadoras e de destaque nas falas dos/das adolescentes e jovens, que têm demonstrado profundo interesse na discussão do tema. Mais que isso, relaciona-se à própria história de organização do Instituto, com participação na Eco92 e na coordenação das 3 Conferências Infanto-juvenil pelo Meio Ambiente. A discussão sobre Ecumenismo, é um eixo que nasceu junto com a UNIPOP, em 1987, cuja primeira atividade formativa foi um Curso de Formação Teológica Ecumênica. Entretanto, no trabalho com a juventude, começou a se fazer presente a partir de 2000. Ao perceber as diferentes origens religiosas dos/das adolescentes e jovens e por conta de nossa inserção no Movimento Ecumênico, decidimos exercitar essa discussão por dentro dos processos for-

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mativos. Para a própria equipe, muitos dos quais novos na entidade, é inovador e estamos aprendendo sobre o tema paulatinamente, com outros movimentos de diferentes entidades e igrejas, que defendem o diálogo inter-religioso, o respeito e a comunhão. Adiante, apresentamos de forma mais analítica, uma abordagem sobre a importância dos eixos temáticos.

1 - Comunicação Popular [...] a comunicação é um ato pedagógico e a educação é um ato comunicativo [...] (FREIRE, 1981). Você já parou para pensar o quanto que a comunicação é importante em nossa vida? Que afeta diretamente nosso modo de pensar, agir e vestir? A maneira como vemos o mundo ou até mesmo o que nos levou a ler essa cartilha? A todo momento sentimos a influência da comunicação em nossas vidas. As primeiras palavras pronunciadas por uma criança, o ato de observar o mundo e as pessoas ao seu redor, reproduz o que ela conseguiu captar em seu cotidiano e inicia uma relação com um mundo, antes desconhecido. A reflexão proposta pretende chamar atenção para o ato da comunicação, em como as pessoas se relacionam, dividindo e trocando experiências, ideias, sentimentos, informações e assim vão modificando a sociedade onde estão inseridas. A Comunicação está em toda parte, no que se vê (e não se vê) na fala, no ouvir, cheirar, comer, dentre outras maneiras. Ela é inerente ao ser humano, mesmo quando não pronunciamos nenhuma palavra. 52 52

Curso de Comunicação Popular, 2009.


A comunicação humana é um processo que envolve a troca de informações, utilizando os sistemas simbólicos como suporte para este fim. Estão envolvidos neste processo uma infinidade de maneiras de se comunicar: duas pessoas tendo uma conversa face-a-face, ou através de gestos com as mãos, mensagens enviadas utilizando a rede global de telecomunicações, a fala oral ou a escrita que permitem interagir com as outras pessoas e efetuar algum tipo de troca informacional (Freire,1992). À luz de Paulo Freire, que nos convida a “ler o mundo com outros olhos”, criando assim um novo mundo 3, a comunicação também contribui para a formação de sujeitos autônomos, conscientes de seus direitos e com posicionamentos críticos e propositivos. Como fator importante em nosso desenvolvimento pessoal e profissional, a comunicação é também abertura de diálogo onde se constrói conhecimentos. Só conseguimos nos relacionar a partir do momento em que temos propriedade de quem somos e qual impacto causamos nos grupos sociais com os quais interagimos. Diante de nossa realidade podemos perguntar “Por que vivemos assim?” Qual o motivo de tanta violência? Por que pessoas morrem nas portas dos hospitais? Por que minha escola não tem boa infraestrutura e professores mais motivados para lecionarem boas aulas? O simples fato de fazer estas reflexões já os torna questionadores de suas realidades. Ter consciência disso faz parte de uma ação corajosa de quem busca uma comunicação plena, com potencial transformador e democratizante. A todo momento, recebemos e ficamos expostos a diversas informações via televisão, internet, jornal impresso, rádio, na rua, a caminho da escola, numa festa, diante de panfletos, cartazes, outdoors, em conversas com amigos, dentre outros. Nosso maior desafio é selecionar o que realmente interessa para nossa vida. Não dá para receber uma informação de maneira passiva, sem analisar a fonte e a veracidade dessa informação. Bernardo Toro (1996) diz que uma das aprendizagens mais importantes para o ser humano é saber ler criticamente os meios de comunicação. ________________ 3

Id, 1992.

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O processo de comunicação deve ser compreendido como uma política pública tão importante para a sociedade quanto à educação, à saúde, à segurança, dentre outras. Muitas vezes, ela não é incluída nas discussões do poder público - que não demonstra interesse em (in)formar o cidadão sobre sua gestão – e nem da sociedade civil, que não prioriza a via comunicacional como eixo e ferramenta fundamental de incidência política. Não há compreensão da mesma como importante ferramenta de mobilização social para promoção e construção de instrumento político-pedagógico, e que precisa ser construída de forma que dialogue e se articule com as demais políticas. Acreditamos que é somente com participação ativa e propositiva de adolescentes e jovens que se romperá a cultura da acomodação e se construirá uma nova, com uma educa-

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ção orientada para o desenvolvimento humano das próximas gerações – onde as vivências e valores solidários, responsáveis e humanizadores qualificarão mulheres e homens mais comprometidos com a valorização da vida. A monitoria desse movimento deve ser feita pela via do controle social, apropriado aos cidadãos e cidadãs que trabalham diariamente para fortalecer a democracia em nosso país. Com o avanço e a diversificação dos meios de comunicação – jornal, rádio, TV, cinema, telefone, internet etc. – olhares atentos focaram na importância da comunicação nos tempos atuais, fazendo com que as vias comunicacionais ganhassem mais espaço em todas as esferas Foto: Jovens do Curso de Comunicação Popular na caminhada do Dia Nacional de Enfrentamento ao Abuso e à Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes, 2009.


institucionais. Da política à saúde, da literatura às relações interpessoais, das artes à educação, a comunicação firmou seu papel na interlocução dessas instituições e atividades sociais. A partir de estudos mais aprofundados sobre Comunicação, esta ganhou novas aplicabilidades, visibilidades para a vida em sociedade, valorizando os processos comunicacionais. Com isso, diversas reflexões no campo das ciências humanas apareceram, dentre elas, a Comunicação Popular 4 a qual a UNIPOP insere como eixo articulador em processos formativos com adolescentes e jovens. Nosso objetivo é possibilitar a relação entre teoria e prática, desenvolvendo e apresentando a comunicação pelo viés da educação popular na qual o trabalho se mostra como mola propulsora para a abertura de perspectivas de estudos e ações interativas e integrativas nos espaços de moradia e atuação dos sujeitos sociais. Para tanto, é necessário reconhecer que a comunicação é um dos mais importantes eixos transversais do processo educativo, o que garante o sucesso das bandeiras em torno das lutas sociais. É nessa perspectiva que a UNIPOP realiza há 05 anos o Curso de Comunicação Popular, que visa fortalecer a atuação de adolescentes e jovens como comunicadores na Região Metropolitana de Belém, na participação efetiva desses sujeitos nos processos de produção, democratização e socialização de informações de suas comunidades, bem como a atuação em Redes de discussão. No curso possibilitamos aos adolescentes e jovens troca de experiências, vivências integrativas, produção de diversos instrumentos de comunicação, busca pela autonomia, criação de senso de responsabilidade e de trabalho em equipe, num percurso formativo de 120h, com a duração de 05 meses. A partir do momento em que esses sujeitos discutem e aprofundam cada tema apresentado no curso, e depois escrevem, entrevistam, fotografam ou produzem vídeo ou áudio, se apropriando dos resultados, transformam seus potenciais, seus comportamentos, atitudes e tomadas de decisões. A divulgação/socialização de situações/fatos de sua comunidade e de seu entorno social, a inserção e participação coletiva em redes e espaços de discussão como Fóruns e Conferências de juventude, têm contribuído para a construção social desses adolescentes e jovens. A participação nesses espaços já possibilitou a divulgação de importantes matérias com visibilidade regional e nacional como na Revista da Rede Viração. ________________ 4

Comunicação Popular como “uma realização da sociedade civil, que se constitui historicamente e, portanto, é capaz de sofrer as metamorfoses que o contexto lhe impõe, admitindo o pluralismo e ocupando novos espaços ou incorporando canais de rádio e televisão e outras tecnologias de comunicação, como as redes virtuais” (PERUZZO, 2004, p.120).

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A rede Viração , com o lema “Mudança, Atitude e Ousadia Jovem” é uma organização não governamental (ONG) de Educomunicação e Mobilização Social entre adolescentes, jovens e educadores. Conta com apoio institucional de importantes entidades como Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI) e Núcleo de Comunicação e Educação da Universidade de São Paulo. Tem, especialmente, informado através de revista impressa e eletrônica a mais de 3,5 milhões de pessoas no Brasil, já que conta com a participação de conselhos editorais jovens de 22 estados brasileiros, dentre eles o Pará, com jovens e educadores da UNIPOP, e no Distrito Federal, além de representantes de escolas públicas e particulares, projetos e movimentos sociais. Também oferece cursos e oficinas de capacitação em comunicação popular de jovem para jovem, com grupos e comunidades de todo o Brasil.

2 - Educação Ambiental A UNIPOP sempre esteve envolvida nas discussões sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento sustentável, tendo em vista a crise ecológica global que vivemos e que provoca impactos na nossa Região Amazônica. Sua inserção orgânica no Fórum da Amazônia Oriental, do qual é fundadora e na Articulação da Pan Amazônia, lhe possibilita conviver, debater, aprofundar questões socioambientais, o que lhe garante certo acúmulo para reaplicar este debate nos processos formativos com juventudes e com educadores sociais e arte-educadores.

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Para começar é preciso entender a relação entre Desenvolvimento, Sustentabilidade e Meio Ambiente para, a partir daí, compreender como a UNIPOP construiu sua proposta de Educação Ambiental.


Desenvolvimento - A humanidade está hoje na direção da não sustentabilidade, caminhando rapidamente para tornar a Terra inabitável: estamos desmatando numa velocidade incrível por toda parte, seja para vender a madeira, seja para exportá-la, seja para dar lugar a grandes pastagens e plantações de produtos exportáveis (no caso brasileiro, soja e etanol, principalmente). Esquecemos o que já sabíamos: as florestas são fundamentais para garantir a biodiversidade, mas também, entre outras coisas, para termos chuva e lençóis freáticos abundantes. Nossa água doce está sendo utilizada em uma quantidade muito acima de sua capacidade de reposição. Além disso, ela está sendo poluída pelo não-saneamento (despejo de esgotos diretamente nos rios), pelos agrotóxicos (que descem dos campos para os rios), pelas indústrias e seus produtos tóxicos, pela mineração (na qual muitas vezes também são usados produtos tóxicos). Por outro lado, o aquecimento global está derretendo fontes de água doce que são as geleiras, os glaciares e as calotas polares, o que pode tornar a vida muito difícil para inúmeras cidades no mundo e até ameaçar a existência de certos países. Nossos alimentos são cada vez mais envenenados pelos pesticidas e agrotóxicos – o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, à frente dos EUA. Alguns alimentos que consumimos são carregados destes produtos. Nós os colocamos em nosso organismo numa quantidade pequena, mas dia a dia, ano a ano, ingeridos continuamente, estes venenos produzem doenças, entre as quais o câncer. Nosso ar é permanentemente poluído pelo uso de combustíveis fósseis (gasolina, diesel), e por mais que a poluição incomode cada vez mais os habitantes das grandes cidades, não é possível contê-la, pois a cada dia aumenta o número de automóveis nas ruas. Podemos afirmar que o automóvel se converteu no grande ídolo da nossa civilização, de sua lógica de produção e consumo. Por que isto ocorre? Porque estamos numa civilização capitalista, um sistema econômico baseado na busca do lucro e, por isso, na exploração do trabalho e na busca frenética por produzir e vender e, portanto, por induzir ao consumo. É por isto que nossa sociedade é uma sociedade de consumo, porque as pessoas precisam consumir sempre mais. Esta é a lógica do capitalismo contemporâneo. Esta é a concepção de desenvolvimento hegemônica no mundo E nesta concepção, a propaganda é absolutamente fundamental, para tornar as pessoas consumidoras, para convencer as pessoas de que precisam comprar e, depois de comprar, comprar novamente. Os produtos não são feitos para terem durabilidade, eles são feitos para se tornarem rapidamente obsoletos de modo a que as pessoas tenham necessidade de

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comprar um novo. Mais produtos, mais embalagens, tudo isso gera lucros para as empresas, mas também consome intensamente as matérias primas de que são feitos os produtos, além de aumentar a quantidade de lixo que é descartado num volume maior que a capacidade do meio de absorvê-lo. Este tipo de desenvolvimento é desagregador, porque tende a produzir fortes desigualdades. A distância entre os ricos, impondo padrões de consumo inalcançáveis, e os pobres, com suas esperanças cada vez mais frustradas, produz o ambiente propício para a proliferação do crime e da violência. A vida se mercantiliza, tudo vira mercadoria, inclusive as pessoas e o espaço público. Por isso, temos de pensar uma nova concepção de desenvolvimento, centrado na satisfação das necessidades humanas, na produção daquilo que é necessário para viver (habitação, alimentação, trabalho, saúde, educação, transporte, cultura, lazer, segurança, atividades físicas e espirituais 5). Desenvolvimento não é sinônimo de crescimento econômico, como é tratado pela teoria econômica dominante (e reproduzido pela grande mídia); desenvolvimento não é sinônimo de produtivismo-consumismo. Desenvolvimento é desdobrar as potencialidades existentes nas pessoas e na sociedade para que tenham vida e possam bem viver 6. Isto implica garantir proteção social para que as pessoas se sintam seguras face às dificuldades imprevistas que podem atingir o ser humano. Nosso objetivo é a vida e não a produção: a produção é um meio, não um fim. Trata-se de melhorar as condições de vida, o viver bem, juntos, e trabalhar para obter o que é necessário para atingir este objetivo.

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Cf. Lowy, Michael, “Ecosocialism, democracy and planification”, 2007 (apud www.europe-solidaire.org) ; Ecologia e socialismo (São Paulo, Cortez, 2005); Marcos Arruda, 2006. 6

Cf. Marcos Arruda, Tornar real o possível, Petrópolis, Vozes, 2006.


Debate sobre Educação Ambiental no Encontro de Juventude, na Ilha de Cotijuba, 2008.

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Sustentabilidade - De acordo com Leonardo Boff (2011), este termo pode ser vis-

to como adjetivo e substantivo. Na primeira ocasião pode ser agregada a qualquer coisa, sem modificar a sua natureza. Por exemplo, algumas empresas, com a intenção de diminuir a poluição de uma fábrica, coloca filtros em suas chaminés que jorram gases poluentes. Entretanto, a forma como a empresa se relaciona com a natureza não muda. Continua-se degradando e objetivando o lucro. Logo, não houve mudança. No caso de ser substantivo, a sustentabilidade exige transformação, a começar pela visão da realidade, na reinvenção da minha relação com o outro e da preservação do meio ambiente e seus ecossistemas. Na nossa região amazônica vivemos num permanente conflito em virtude da disputa para garantir o acesso, uso e controle da grande riqueza de nossos recursos naturais. Estes conflitos aumentam com a execução de grandes projetos de infraestrutura: hidrelétricas, portos, aeroportos, hidrovias, rodovias, gasodutos, sistemas de comunicação, redes de energia e postos de fronteira que estão sendo implantados para garantir justamente a expansão acelerada do capital na nossa região, cujos impactos socioambientais têm sido nefastos às populações tradicionais (indígenas, ribeirinhas, extrativistas, agricultoras familiares, remanescentes de quilombos) e outros segmentos, em particular às mulheres e jovens, provocando a insustentabilidade de sua segurança alimentar e, portanto, da vida. O que é necessário para mudar isso? E como obter o que é necessário sem destruir as condições que nos permitem viver na Terra, sem acabar com a água, com os peixes, com os animais, com a terra cultivável, as florestas, com o multiculturalismo, com a diversidade social e biológica? Como organizar a sociedade de modo que haja trabalho para todos?

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Meio Ambiente - De acordo com o Art. 225 da Constituição Federal de 1988 “é direito de todos ao meio ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”. Devido a não integração dessas palavras, aos desastres ambientais catastróficos, a pouca importância com a preservação e o não reconhecimento de que nós, seres humanos, somos responsáveis pelos atos contra a natureza, que a educação ambiental é uma proposta que deve ser fortalecida na atual sociedade, pois é parte essencial na “mudança de valores, comportamentos, sentimentos e atitudes, que deve se realizar junto à totalidade dos habitantes


[...] de forma permanente, continuada e para todos [...]” resistente “a um modelo devastador das relações de seres humanos entre si e destes com o meio ambiente” (MEC/MMA/UNESCO, 2007, p.20). Um dos grandes problemas é que não nos reconhecemos ainda como parte do meio ambiente, não valorizamos nossos bens naturais e muitas vezes nem nosso corpo, quando comemos alimentos que não trazem benefício algum ou quando ingerimos bebida alcoólica, cigarro e qualquer outro tipo de droga. Preocupados com esses aspectos e na busca de qualidade de vida para estas e futuras gerações que jovens têm se motivado a participar de redes e grupos que buscam transformar esse cenário, sem ser apenas no “adjetivo”, como destacou Boff (2011), mas com voz ativa e ideias simples que podem ocasionar revoluções.

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Oficina sobre Meio Ambiente em SantarĂŠm, 2009.


Você é assim? Tem vontade de mudar a sociedade? Então venha conosco! Para começar você pode, em sua escola e/ou comunidade, criar um Coletivo Jovem pelo Meio Ambiente (CJ), que são grupos informais existentes em todo o Brasil, compostos por jovens lideranças, membros ou não de organizações de juventude. Isso se fortalece com o sentimento de corresponsabilidade com a sua comunidade, cidade, país e mundo. A UNIPOP apoia esse tipo de grupo, que tem como norte, três princípios 7:

Jovem educa jovem: assume que entre jovens a comunicação flui com mais facilidade, e que eles próprios ensinam e aprendem entre si. Trocam informações e experiências, negociam situações, pensam e conversam sobre o mundo e agem sobre sua própria realidade. Trata-se, portanto, de um princípio prático que envolve o intercâmbio entre os jovens dos CJs e os estudantes das escolas bem como entre os membros dos CJs e entre outros estudantes.

Jovem escolhe jovem: cabe aos jovens dos CJs o processo de seleção dos delegados

eleitos nas escolas para participarem da Conferência Nacional, em Brasília. Como não seria possível que todos os delegados eleitos nas escolas fossem automaticamente participar do evento final, o CJ cumpria aí um papel importante de escolha de delegados, a partir de critérios e de um regulamento. Esse processo possibilitou delegações (na primeira e na segunda edição da Conferência) bastante diversificadas, com representantes de diferentes etnias, populações tradicionais, biomas e regiões como indígenas, ribeirinhos, quilombolas, meninos e meninas de rua, estudantes portadores de necessidades educacionais especiais, jovens do campo, de municípios do interior, meninos e meninas.

Uma geração aprende com a outra: a ideia não é a de isolar os jovens no seu próprio

mundo deixando-os por fora da realidade tal qual ela se apresenta hoje. Destaca-se desse princípio a importância do diálogo entre as diferentes gerações (crianças, jovens, adultos, idosos) e em cada uma delas. Sabemos o quanto as pessoas mais experientes e vividas podem ajudar os jovens com orientações, conselhos, indicando caminhos e alternativas e ajudandoos a colocar os pés no chão. Trata-se, portanto, de um papel de educador, que reconhece no jovem uma pessoa com anseios, idéias, limitações, sonhos.

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Fonte: Vamos cuidar do Brasil: conceitos e práticas em educação ambiental na escola, MEC/MMA/UNESCO, 2007.

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Além do Coletivo Jovem, que no Pará, se evidencia em 2003, com a principal ação de efetivar uma Comissão de Meio Ambiente e Qualidade de Vida na Escola (COM-VIDA), bem como realizar encontros e eventos preparatórios para a realização de conferências estaduais e nacionais, junto a Ministérios, secretarias, ONG’s e Universidades, o Programa Juventude, Participação e Autonomia (JPA), também participou da Rede de Juventude pelo meio Ambiente e Sustentabilidade 8 (REJUMA).

Outro espaço de inserção é o Fórum da Amazônia Oriental (FAOR), que envolve diversas entidades e municípios dos 04 Estados da Amazônia Oriental (Amapá, Maranhão, Pará e Tocantins). O FAOR 9 tem a missão de intervir nas políticas econômicas, sociais, culturais e ambientais desenvolvidas no âmbito da região, na promoção dos direitos socioambientais e dos modos de vida das diversas populações do campo e da cidade. A luta em defesa da Amazônia e do Meio Ambiente faz parte da trajetória da UNIPOP, que com adolescentes e jovens tem realizado diversas ações envolvendo esses temas, como formações educativas para realização de ações como caminhadas, performances teatrais, seminários, encontros, dentre outros. 64 64 8

http://www.rejuma.org.br/

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http://www.faor.org.br/


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Ato Ecumênico na Praça Batista Campos em Belém do Pará, 2011.


3 - Ecumenismo e Diálogo Interreligioso Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender; e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar (MANDELA apud JR REZENDE, 2004). A fala de Mandela, importante líder africano e militante contra a segregação racial, nos estimula a conversar sobre nossas concepções no que tange ao respeito ao outro e suas diferenças. Um exemplo disso, que não está somente na cor/raça de uma pessoa, é também a desunião ou acirramento entre religiões que louvam o mesmo Deus ou deuses diferentes. Por que isso acontece? Às vezes fazemos cara feia ou negamos falar sobre o assunto, chegando a dizer que religião não se discute, porém, vamos tratar do assunto de forma tranquila e bastante simples, mas sem os fundamentos teológicos, filosóficos ou doutrinas pré-determinadas. Para começo de conversa você sabe o que é religião? Sugiro que você converse com alguém, reúna os amigos e provoque uma conversa sobre o assunto e só depois de ouvir o que pensam outras pessoas é que deve procurar em livros, internet e afins. O bom do diálogo é a possibilidade de novas e diferentes ideias surgirem, então não perca a oportunidade de conversar com outras pessoas sobre essa pergunta. Religião é um termo proveniente do latim religare, que significa “religação com o indivíduo”, usada coloquialmente como sinônimo de fé ou crença, quando na verdade é um conjunto de culturas, visões de mundo, sistemas e símbolos entre a humanidade e a espiritualidade, num elo estabelecido por uma pessoa e a força superior em que acredita. Devido nossa diversidade religiosa, mas também nosso direito à liberdade, como demarca a Declaração dos Direitos Humanos, muitas são as religiões que existem atualmente, dentre elas, Adventista, Budista, Candomblé, Catolicismo, Espiritismo, Hinduísmo, Islamismo, Judaísmo, Testemunha de Jeová, Umbanda, Wicca, dentre outras. Todas, como foi dito anteriormente, com seus rituais, contribuições e presença na nossa história. Por isso não podemos negá-las e nem discriminá-las, pois cada pessoa escolhe uma religião de acordo com a

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tendência ou características desta, com seu bem estar, ou como ela se insere melhor na sua religiosidade, ou seja, como ela integra nossas crenças e práticas relacionadas à uma igreja ou instituição organizada.

Da religiosidade para o ecumenismo Ao saber desse breve contexto sobre religião é necessário indagar: Você escolheu sua religião ou escolheram para você? Para que ter uma religião? Já pensou nisso? O principal papel da religião ou das religiões é a ajuda, a cooperação e a união fraterna. Estes são bons indicativos para definição do papel das religiões e/ou como deveria ser para nos religar com Deus ou deuses. Jesus Cristo, por exemplo, foi e continua sendo um homem muito a frente de seu tempo, convidou a sociedade da época a uma mudança revolucionária, seguindo principios de amor, da justiça, do perdão e da caridade, principios elementares para muitas outras expressões de fé existentes no mundo, porta de entrada para a vivência do ecumenismo e diálogo interreligioso. No sentido lato, o ecumenismo pode ser definido como a busca pela unidade entre as religiões ou mesmo da humanidade. Mais recentemente já encontramos as manifestações inter-religiosas, que congregam as várias expressões religiosas existentes, não se restringindo apenas ao mundo cristão (HIGASHI et. al., 2010 p. 32).

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Assim, acreditamos que todas as religiões são importantes, com suas diferenças e similaridades e podem contribuir para construção de um mundo justo e fraterno. No entanto, assim como o preconceito de cor/raça, o mesmo sentimento persiste há muitos anos sobre muitas religiões. Um exemplo histórico e horrendo foi a Santa Inquisição na Idade Média, na qual


a igreja católica decretou “caça a bruxas”, matando muitas mulheres e crianças que, de acordo com o tribunal da igreja, mantinha o legado da bruxaria. Mesmo reconhecendo que isso foi em um período teocêntrico – doutrina filosófica que toma Deus como centro do Universo – hoje denominamos esse feito de intolerância religiosa. Se você faz cara feia quando escuta a palavra macumba, oferenda, wicca e outras, saiba que você pode ser um intolerante religioso ou simplesmente uma pessoa que não se permite conhecer outras religiões antes de construir ou expressar seu pensamento acerca do assunto. Infelizmente a intolerância religiosa é uma forma de violência que pouco se combate no Brasil. As vitimas são, geralmente, de religiões de origem africana, grupos religiosos que foram e (ainda são) atacados diariamente em veículos de comunicação de diversas igrejas do Brasil e do exterior, descaracterizando tradições, ritos e liturgias milenares. Nós, amazônidas, temos, em maioria, hereditariedade mista, advinda de brancos, negros e índios, e por isso somos tão plurais, diversos, pois nosso estado atual é proveniente de outros povos, culturas e tradições diferenciadas. Por que então, ainda não aprendemos a lidar com as diferenças? A desproporção entre cristãos (ainda são maioria da população brasileira) e seguidores de religiões tidas como “minoritárias” é tão grande que a Proposta 110 do Programa Nacional dos Direitos Humanos, implantado em 1996, é exatamente “prevenir e combater a intolerância religiosa, inclusive no que diz respeito a religiões minoritárias e a cultos afro-brasileiros” (BRASIL, 2010 p. 18). Assim, de forma estatal, já demos alguns passos no que tange o respeito às religiões, que mesmo com um número menor de adeptos, existem e devem ser tratadas com o mesmo valor. Vivemos hoje uma crise estrutural de valores, uma sociedade cada vez mais individualista, que esquece que a vida é comunitaria, ou melhor, as suas raízes comunitárias. A missão das intituições religiosas é de resgartar e manter vivo valores de comunhão fraterna, vivência comunitaria, perdão e respeito, bem como,

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[...] procurar incluir todas as manifestações religiosas que estejam incomodadas com a injustiça de toda natureza, com a corrupção, com a agressão ao meio ambiente, entre tantas outras causas que não permitem que este mundo seja melhor para se viver (UNIPOP, 2009, p.26). No Brasil e no Pará conhecemos iniciativas que merecem destaque e o nosso respeito, pois promovem o dialogo inter-religioso, a exemplo de/do: CONSELHO NACIONAL DE IGREJAS CRISTÃS DO BRASIL -

O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil é uma associação fraterna de Igrejas que confessam o Senhor Jesus Cristo como Deus e Salvador, segundo as Escrituras e, por isso, procuram cumprir sua vocação comum para a glória de Deus Uno e Trino, Pai, Filho e Espírito Santo, em cujo nome administra o Santo Batismo. (Fonte: http://www.conic.org.br/?system=news&eid=196)

O CENTRO DE ESTUDOS BÍBLICOS (CEBI) - O CEBI (Centro de Estudos Bíblicos) atinge

milhares de grupos e comunidades, ajudando o povo a se reapropriar da Bíblia, encontrando nela luz, ânimo e esperança para resistir às dificuldades e lutar por uma vida mais digna. Como vimos, o CEBI está presente em associações de moradores, movimentos populares de saúde, de mulheres, indígenas, pessoas negras, marginalizadas, doentes, desempregadas, agricultoras e agricultores, sem-terra, sem-teto, meninos e meninas de rua, no movimento ecológico, em movimentos pelos direitos das crianças e adolescentes, em associações de professores e professoras, entre outros. (Fonte: http://www.cebi.org.br/institucional-caminhada.php)

COORDENADORIA ECUMENICA DE SERVIÇO (CESE)- A CESE (Coordenadoria ecumenica de

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Serviço) nasceu do sonho de promover e garantir a defesa de direitos, justiça e paz. Para isso, assumiu o compromisso de fortalecer as lutas dos movimentos sociais por transformações que assegurem uma sociedade justa e democrática. (Fonte:http://www.cese.org.br/site/conheca-a-cese/sobre-a-cese/#)

Entidades e Instituições do Brasil e do Pará que promovem o diálogo interreligioso. Fonte: Elaboração a partir de informações de CONIC, CEBI, CESE, CAIC, REJU, Comitê Interreligioso.


Ato Ecumênico na Praça da República em Belém do Pará, 2014.

Esses são espaços dos quais a UNIPOP participa e que tem buscado estimular adolescentes e jovens a acessarem, para, processualmente, aprenderem sobre o ecumenismo e a importância do diálogo entre religiões, sem embates e superioridades entre tais, mas com respeito às diversidades. O Comitê interreligioso tem promovido um constante diálogo com as mais diversas expressões de fé na construção de uma sociedade possivel, justa e igualitária, sonhada por tantos e, por isso, em seus cursos e projetos, respeita e valoriza todas as manifestações de vida cultivadas pelas religiões.

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Olhares e vozes de jovens participantes do programa Juventude, Participacao e Autonomia Vários jovens já participaram do JPA e certamente, estes possuem relatos e avaliações dessa experiência. No entanto, todas essas falas não caberiam aqui, por isso selecionamos estes relatos de jovens da RMB, de Marabá e Santarém, na expectativa de que, muitos se percebam e se encontrem nesses olhares e vozes da juventude.

Região Metropolitana de Belém O Programa Juventude, Participação e Autonomia (JPA) teve inicio no ano de 2007, fui convidada a participar do JPA desde o inicio por um dos educadores da UNIPOP. De inicio foi um desafio, pois era um projeto novo, algo que eu nunca tinha participado, então aceitei o desafio. Tinha a esperança de mudar para melhor minha comunidade e quando foi apresentado para nós o propósito do projeto gostamos muito, iniciamos as oficinas e tínhamos que montar um plano de ação para a nossa comunidade [...], no início foi muito difícil, mas depois começamos a olhar com nossos próprios olhos e, afinal, também éramos jovens e morávamos no bairro e percebemos que não era algo de outro mundo. Criamos o plano de ação e em cada etapa vivemos desafios, mas o resultado era sempre satisfatório, e o primeiro grande desafio era tentar trazer jovens para e fazer com que estes se interessassem e ficassem. [...] Juntos sempre conseguíamos encarar tudo com firmeza. Confesso que muitas vezes pensei em desistir, mais o que me confortava era ver o desenvolvimento e o reconhecimento de todos, e no olhar das pessoas a gratidão por nos preocupar com as mesmas. Isso não havia dinheiro nenhum que pagasse. Na minha vida, isso trouxe muitos benefícios como: reconhecimento, maturidade, apego, preocupação, compromisso e solidariedade, pois doávamos

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o nosso tempo para aquelas pessoas que muitas vezes, nunca tínhamos visto. Aprendemos a ser liderança, a desenvolver esse Protagonismo na nossa comunidade, e, principalmente, em nossas casas, pois poderíamos levar para nossa comunidade todo esse aprendizado que a UNIPOP nos proporcionou. O meu olhar mudou. E essa mudança iniciou na minha casa, com a minha família, comecei a entender meus irmãos que também eram jovens e adolescentes, a respeitar o ponto de vista e o espaço de cada um, a me comunicar melhor com meus pais e a explicar para eles os nossos trabalhos dentro de uma sociedade em geral e uns com os outros. Minha comunicação ficou mais elevada, hoje eu já consigo repassar esse conhecimento e defender meu ponto de vista, respeitando o espaço do outro e ponto de vista de cada um. Na minha escola eu também fazia a mesma coisa, quando estudava no “Paes de Carvalho” e sempre que possível conversávamos sobre a juventude e eu explicava um pouco da minha experiência em trabalhar com a mesma, minha comunicação e meu respeito por diversos olhares e pontos de vista sempre impressionavam a todos, pois tenho liberdade e coragem de expor minhas visões, com argumentos coerentes. O JPA é muito importante, pois, a sociedade em que vivemos não dá oportunidade para a juventude conhecer e defender o que acredita, a não se calar diante das barbaridades que hoje acontecem. Com o JPA, essa juventude, aprende, dialoga e defende seu ponto de vista.

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Jayra Gleyds Lima de Santana, 22 anos. Articuladora Bairro Terra-Firme/Belém-PA. Participante desde 2007.


Município de Marabá É com imenso prazer que venho dizer, em poucas palavras, que a UNIPOP, em se tratando de JPA e Projeto Amazônia contribuiram muito na minha vida. Foi com a ajuda desses projetos que eu despertei o meu olhar crítico a respeito da sociedade. E como é importante estar inserido nessa sociedade sem ser corrompido pela mesma. A UNIPOP me proporcionou e ainda proporciona ir me descobrindo aos poucos, saber qual é realmente minha personalidade. E foi através do Projeto Amazônia, que me desenvolvi bastante na faculdade, o que eu vi no curso é a minha realidade e sem dúvida, a de outras pessoas. Depois que comecei a participar, me considero mais apta e com empolgação em meio a diferentes culturas e pensamentos, para lutar em busca da “juventude perdida”. Aquela juventude que se esconde da sociedade, que não mostra do que realmente é capaz. Creio que a maior ajuda que a UNIPOP está me dando é a escolha de decidir qual caminho seguir, nas minhas tomadas de decisões. E a minha maior decisão é essa: atuar com a UNIPOP por causas justas e direitos que também são meus. Arlene Rodrigues da Silva, 20 anos – Marabá – PA. Participante desde 2009. Graduanda em Administração. Secretária do Projeto Ação Legal/Folha 6.

Município de Santarém

O Programa Juventude Participação e Autonomia (JPA) atua no município de Santarém,

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visando contribuir com a Formação Social da Juventude Santarena, fazendo com que os jovens tenham base para participar de espaços que proporcionem decisões de responsabilidade social, onde possam se apropriar dos conhecimentos sobre os direitos sociais, políticos dentre outros, e como fortalecer o protagonismo juvenil, para que juntos possam gerar ações coletivas e individuais, assim, colaborando para uma sociedade mais inclusiva e conhecedores do saber. Dentro deste programa surgiu o Grupo Boca no Trombone, que participa dessa formação, um grupo que aos poucos vem contribuindo nesses espaços, não de forma decisiva, mas de uma iniciativa, tentando superar uma situação particular (realidade), em que vivem, buscando o empoderamento da juventude, através de atividades capazes de contribuir na qualificação desses jovens. Participando de oficinas que vão desde Valores e Família até Ecumenismo, assuntos que rodeiam o cotidiano da juventude local, olhando de que maneira podem contribuir nesse processo, após a formação recebida. O grupo tenta atuar em suas comunidades, desenvolvendo ações que melhore a qualidade de vida da população, seja de uma palestra sobre o meio ambiente nas escolas até a realização de uma campanha “Que Cidade Queremos pra Viver?” onde o grupo cobrou melhorias do poder público, mostrando indignação quanto à qualidade dos serviços públicos prestados no município de Santarém. O JPA veio somar ainda mais na minha vida, nesses dois anos de participação, percebo que venho tendo um olhar diferente, relacionado aos direitos da juventude, conhecendo como podemos fazer a diferença enquanto jovens, que atitude tomarmos para que possamos ter uma vida mais participativa na sociedade e quais mecanismos utilizarmos para cobrarmos os nossos direitos do Poder Público. Além de proporcionar grandes ensinamentos que contribuíram e contribui para um melhor relacionamento na minha família, assim vou participando deste projeto que só trás benefícios para minha vida pessoal e educacional.

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Janaína Braga Santana, 25 anos – Santarém – PA. Faz curso Técnico em Saneamento, no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia – IFPA, integra o Coletivo Poraqué e a Federação das Associações de Moradores e Organizações Comunitárias de Santarém (FAMCOS).


4° Encontro da Juventude, 2009.

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Marcha de abertura do Fรณrum Social Mundial, 2009.


Consideracoes: A caminhada continua... Em 12 anos construímos um caminhar coletivo e transformador, de opiniões, atitudes, esperanças e perspectivas, com adolescentes e jovens iniciando seu processo de protagonismo juvenil, transformando-se, certamente, em homens e mulheres, pais e mães, profissionais que buscam construir seu “lugar ao sol”, mas pautados em valores e crenças, luta e coragem, para enfrentar adversidades e experimentar novas oportunidades de ser e estar no mundo, “viver e não ter a vergonha de ser feliz... [como] um eterno aprendiz ”. Chegamos ao longo de nossa trajetória, com parcerias estabelecidas e validadas, uma metodologia de trabalho consolidada (Programa JPA) e os sujeitos sociais (adolescentes e jovens) envolvidos. Soma-se a isso, construções e desconstruções, conflitos e conquistas, barreiras e superações, compreensões e concepções dos diversos sujeitos que em processos formativos tiveram grandes e inesperados, embora nem sempre tranquilos, encontros consigo e com o mundo à sua volta. No processo de consolidação do trabalho com adolescentes e jovens ocorreram mudanças e etapas que foram cumpridas nos diferentes contextos políticos, econômicos e sociais, que possibilitaram o fortalecimento e efetivação das ações com estes sujeitos. Ao longo do percurso fomos construindo a identidade do trabalho, que em princípio era apenas um curso de formação, que agregando elementos, acompanhando os resultados obtidos e o próprio desenvolvimento da instituição tornou-se projeto e hoje se constitui em um programa, onde a compreensão das realidades apresentadas se traduz numa vivência prática da Educação Popular, como fundamento metodológico e pedagógico da ação formativa. Na mesma proporção dos avanços do Programa JPA, identificamos as transformações dos atores envolvidos. Citamos no bojo da cartilha, exemplo de educadores/as inseridos em suas diferentes etapas, imprimindo suas marcas a partir de suas histórias de vida e com isso se tornando profissionais cada vez mais comprometidos com a construção de uma sociedade justa e solidária, onde homens e mulheres caminham juntos compartilhando mudanças e conquistas, que incidem em atuações políticas afirmativas na perspectiva da transformação social e da participação cidadã. O processo de Formação que a UNIPOP desenvolve, busca construir sentido e direção

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política e social ao seu público prioritário. Essa prática educativa referenda também inserções e atuações em espaços coletivos, reais e virtuais, possibilitando maior acesso à informações, transformando habilidades em competências, fomentando mudanças de comportamentos e atitudes diante das complexidades atuais. O Programa JPA se traduz em uma estratégia pedagógica mobilizadora e motivadora, onde os saberes cotidianos e plurais dos adolescentes e jovens são integrados aos processos formativos e vivenciais, fazendo com que as aprendizagens se transformem em competências para a vida. O processo de aprendizagem é sempre um vir-a-ser e sempre construído com o outro, portanto, a caminhada continua somando parcerias, olhares e saberes, num eterno ressignificar e reorientar a forma de caminhar. Nossa metodologia de trabalho com adolescentes e jovens no JPA, hoje consolidada e reconhecida, é resultado de um processo de construção e aprendizado e, principalmente, de superação de obstáculos e dificuldades, com conhecimentos adquiridos em 25 anos de prática educativa que a UNIPOP possui. Chegamos até aqui e apresentamos nossa trajetória, certos de que construir um mundo melhor para todos e todas é missão de todos nós e uma possibilidade concreta. A caminhada, que nem sempre é fácil, continua, sempre em busca de importantes aprendizados, mas no seu enfrentamento não podemos perder a nossa humanidade e a nossa afetividade, pois como canta Marcelo Camelo do Grupo Los Hermanos (2003) “[...] é preciso força pra sonhar e perceber que a estrada vai além do que se vê ” 10.

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Música Além do que se vê do álbum Ventura do Grupo Los Hermanos.


Consideration: The walk goes on... In 12 years we built a collective and transforming walk, which changed opinions, attitudes, hopes and perspectives, with teenagers and young people initiating their youth role, transforming themselves, certainly, in men and women, fathers and mothers, professionals who search contribute their shining spot in the society, but grounded in values and beliefs, struggle and courage to face the adversities and try new opportunities to be able of be in the world. “To live and not be ashamed for being happy ... [like] an eternal apprentice”. We arrived among our trajectory, with established and validated partnerships, a consolidated work methodology (JPA Program) and social subjects (teenagers and youth) involved. Add to that, construction and de-construction, conflicts and conquest, barriers and victories, comprehension and conceptions of the subjects that in the formation’s process obtained huge and unexpected, even though not always tranquil encounter with themselves and with the world around. In the work consolidation process with teenagers and youth occurred several changes and stages that were effected in different political, social and economic contexts, their enabled the fortification and implemented actions with these subjects. Along the path we were building the work identity, in the beginning were a formation course, that added elements, following the obtained results and the institution development became the project and today is a program, where the comprehension of the presented realities it’s translated in a practical living of the Popular Education, as a methodological and educational fundament of the formative action. In the same proportion of the Program JPA advances, we identify the actor involved changes. We quote in the bulge of this brochure, examples of educators inserted in different stages, printing their mark from their life histories, and with that becoming professionals more and more committed with the construction of a fair and solidarity society, where men and women can walk together sharing changes and conquests, that focus in political affirmative actions in the perspective of social transformation and citizen participation. The Formation process that UNIPOO develops, intents to contribute a political and social sense and direction to its priority public. This educational practice secures also insertion and performance in collective, real, virtual spaces, enabling better access to information,

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changing abilities and competences, encouraging, behaviors and attitudes changes in the current complexities. The JPA Program is translated in a mobilizing and motivating educational strategy, where the everyday learning and plurals from the adolescents and youth are integrated to the formatives and experiential process, making the learning evolve and turn in to competencies for their whole life. The learning process it is always a future and always built with the others, therefore, the journey keeps adding partnership, new perspectives and knowledge, in an eternal resignify and reorient the way of walk. Our work methodology with adolescents and youth in JPA, today consolidated and recognized, is the result of a process and learning, and mostly of challenges and obstacles overcoming. With all knowledge acquired in 25 year of educational practice possessed by UNIPOP. We got here presenting our trajectory, knowing that build a better world for us all is everyone’s mission and a concrete possibility. The walk, not always is easy, goes on looking for important learning, but in its confront we cannot lose our humanity and our affection, because as Marcelo Camelo (from Los Hermanos group - 2003) sings “[…] Is necessary strength to dream and realize the road that goes beyond where we can see 11”

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Music Beyond Where We Can See Album Ventura from Los Hermanos Group.


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Cartilha Juventude Participação e Autonomia  

Sistematização de uma experiência: do protagonismo juvenil à cultura de direitos - Estratégias de trabalho com a juventude.

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Sistematização de uma experiência: do protagonismo juvenil à cultura de direitos - Estratégias de trabalho com a juventude.

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