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SEGUNDA-FEIRA, 02 DE JUNHO 2014 G1.COM/GRANDE MINAS Unimontes abre inscrições para oficina de 'Rítmica Dalcroze'

A reportagem está disponível no link

O GLOBO (02/06) Inscrições para Sisu 2014.2 começam nesta segunda Estudantes têm até esta quarta para fazer a candidatura no processo seletivo

Começam nesta segunda-feira (02) as inscrições para o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), pela internet. Os candidatos devem ficar atentos aos prazos. Este ano, eles terão apenas três


dias para se inscrever, até quarta-feira (04). Para participar, é preciso ter feito o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) do ano passado e não ter zerado a redação. Faça aqui sua inscrição. O Sisu oferce vagas em instituições públicas de ensino. O número de vagas nesta edição cresceu 29% em comparação ao mesmo período do ano anterior, chegando a 51.412 em 67 instituições. O número de cursos também teve aumento, passando de 1.179, em junho de 2013, para 1.447 em 2014. Neste semestre, 41% das vagas serão destinadas às cotas e 3% para outros tipos de ações afirmativas próprias das instituições. Os cursos de medicina e engenharias aumentaram o número de vagas. Serão 1.374 em medicina, um acréscimo de 847 em relação ao ano passado, e 2.550 mais nas engenharias, somando 8.707 vagas abertas. Durante o período de incrição, o candidato poderá consultar, em seu boletim na página do Sisu, a classificação parcial na opção de curso escolhido. Até o dia 4 também é possível mudar de opção. O sistema vai considerar a última inscrição confirmada. O resultado da primeira chamada do Sisu será divulgado no dia 6 deste mês e as matrículas ocorrerão entre os dias 9 e 13. A segunda chamada está prevista para o dia 24, com matrículas entre 27 de junho e 2 de julho.

CORREIO BRAZILIENZE (02/06) Estudo aponta avanços no tratamento do câncer avançado de próstata Uma nova estratégia de tratamento permitiu prolongar a vida de homens afetados por um câncer avançado de próstata, indicam os resultados de um teste clínico difundido neste domingo durante uma conferência médica. O estudo, feito com 790 homens que acabaram de ser diagnosticados com um câncer invasivo de próstata, demonstra que a quimioterapia combinada com tratamento hormonal prolonga a vida destes pacientes em cerca de um ano. "A terapia hormonal é o tratamento clássico do câncer de próstata desde os anos 1950", disse Christopher Sweeney, oncologista do Instituto do Câncer Dana-Farber de Boston (Massachusetts, nordeste dos Estados Unidos), que desenvolveu esta pesquisa apresentada na conferência anual da American Society of Clinical Oncology (ASCO), celebrada este fim de semana em Chicago (Illinois, norte).


"Trata-se do primeiro estudo que identifica uma estratégia que prolonga a vida de pessoas que acabam de receber um diagnóstico de câncer de próstata com metástase", comentou. "Os resultados são importantes e esta terapia deveria ser o novo tratamento de referência para homens cujo câncer se propagou e podem suportar uma quimioterapia", acrescentou Sweeney. O câncer de próstata é estimulado por hormônios masculinos ou andróginos no sangue. O tratamento hormonal visa a reduzir sua quantidade. Embora esta terapia seja eficaz, a longo prazo o câncer se torna resistente na maior parte dos casos. A quimioterapia só costuma ser usada depois que a doença avança, apesar do tratamento hormonal. Metade dos 790 pacientes participantes no estudo foram tratados unicamente com terapia tradicional e os 50% restantes foram submetidos ao tratamento de supressão hormonal combinado com Docetaxel (Taxoten), um agente que impede a divisão e a multiplicação das células cancerosas. Após um acompanhamento de 29 meses, 136 das pessoas tratadas apenas com terapia hormonal faleceram contra 101 do grupo que também se submeteu à quimioterapia. O tempo médio de sobrevida do grupo tratado apenas com terapia hormonal foi de 44 meses, e de 57,6 meses nos pacientes que receberam Taxoten. O tempo médio de aparecimento de sinais clínicos de um novo avanço do câncer foi de 19,8 meses no primeiro grupo e de 32,7 no segundo.

CORREIO BRAZILIENZE (02/06)

Estudo alemão sugere que pornografia pode ser prejudicial ao cérebro Os autores, no entanto, não puderam provar que estes fenômenos sejam causados diretamente pelo consumo de pornografia e, por isso, afirmam que é necessário continuar com as pesquisas Homens que passam muito tempo vendo pornografia na internet parecem ter menos matéria cinzenta em certas partes do cérebro e sofrem redução de sua atividade cerebral, revelou um estudo alemão publicado nesta quinta-feira (29/5) nos Estados Unidos. "Encontramos um importante vínculo negativo entre o ato de ver pornografia durante várias horas por semana e o volume de matéria cinzenta no lóbulo direito do cérebro", assim como a atividade do córtex pré-frontal, escrevem os cientistas do Instituto Max Planck para o Desenvolvimento Humano em Berlim.


"Estes efeitos poderiam incluir mudanças na plasticidade neuronal resultante de intensa estimulação no centro do prazer", acrescentou o estudo, publicado na edição online da revista "Psychiatry", da Associação Médica Americana. Os autores, no entanto, não puderam provar que estes fenômenos sejam causados diretamente pelo consumo de pornografia e, por isso, afirmam que é necessário continuar com as pesquisas. Mas, segundo eles, o estudo já fornece um primeiro indício da existência de uma relação entre o ato de assistir pornografia e a redução do tamanho e da atividade do cérebro como reação ao estímulo sexual. Para realizar a pesquisa, os autores recrutaram 64 homens saudáveis com idades de 21 a 45 anos, aos quais pediram para responder a um questionário sobre o tempo que dedicavam a assistir a vídeos pornográficos. O resultado foi, em média, de quatro horas semanais. Os voluntários também foram submetidos a tomografias computadorizadas (MRI) do cérebro para medir seu volume e observar como ele reagia às imagens pornográficas. Na maioria dos casos, quanto mais pornografia os indivíduos viam, mais diminuía o corpo estriado do cérebro, uma pequena estrutura nervosa bem abaixo do córtex cerebral. Os cientistas também observaram que, quanto maior o consumo de imagens pornográficas, mais se deterioravam as conexões entre o corpo estriado e o córtex pré-frontal, que é a camada externa do cérebro encarregada do comportamento e da tomada de decisões.

O GLOBO (02/06)

Petrobras contrata quase dez vezes mais terceirizados do que concursados Quadro da estatal tem 80% de terceirizados, inclusive em funções de concursados Ao defender a gestão da Petrobras no embate com a oposição nas CPIs abertas no Congresso, o governo cita a realização de 18 concursos públicos desde 2003, que fizeram dobrar o quadro de efetivos da estatal nos mandatos de Lula e Dilma. Os número de concursados saltou de 40 mil para 86 mil. No entanto, a participação desses concursados no total da força de trabalho da Petrobras caiu pela metade nos últimos 12 anos. Isso porque, no mesmo período, houve uma explosão na contratação de terceirizados, que saltaram de 49 mil para 360 mil, um crescimento de mais de 630%. Nos últimos 12 anos, entraram “pela janela” dez vezes mais contratados indiretamente do que o total de concursados efetivados. Em 2002, ainda no governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), os concursados já eram minoria: 45% dos empregados. Hoje, eles são apenas 20% do quadro de trabalhadores


da Petrobras. A contratação de terceirizados — que hoje ocupam 80% do quadro — não é ilegal, mas é proibida para as chamadas atividades-fim, relacionadas ao negócio principal da empresa, que são reservadas aos concursados, como determina o no artigo 37 da Constituição. São cargos como os de engenheiro, geólogo, economista, administrador, contador e até advogado, listados no plano de carreiras da estatal. Hoje, para cada funcionário de carreira há quatro terceirizados trabalhando em diferentes áreas da companhia e de suas subsidiárias, de áreas administrativas a plataformas de produção de petróleo no mar. Essa relação ficará ainda mais desfavorável para os concursados a partir deste mês, quando começam a deixar a Petrobras os 8.300 funcionários efetivos que aderiram ao programa de demissão voluntária criado pela presidente da empresa, Graça Foster, para economizar cerca de R$ 13 bilhões até 2018. Ela indicou que pretende repor apenas 60% das vagas dos demissionários. USO DE TERCEIRIZADOS É ALVO DE 30 AÇÕES JUDICIAIS A ocupação de vagas como estas por terceirizados é alvo de pelo menos 30 ações judiciais propostas por sindicatos e pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) desde a década passada. Em 2006, a estatal fez um acordo para regularizar a situação até 2010, que não foi cumprido. Os profissionais são admitidos como prestadores de serviços, contratados por empresas que, por sua vez, são contratadas pela Petrobras por projetos de, em média, quatro anos. Em tese, prestadores de serviços nem deveriam trabalhar nas dependências da Petrobras. Muito menos ter como chefes funcionários efetivos. Segundo o MPT, a empresa só deveria recorrer à contratação indireta para atividades complementares, como manutenção, vigilância, comunicação. Segundo a estatal, as empresas terceirizadas montam suas equipes sem subordinação à Petrobras, mas de acordo com o projeto contratado. Não é o que dizem funcionários ouvidos pelo GLOBO sob a condição do anonimato. Eles reconhecem que a prática não é nova na estatal, mas vem aumentado nos últimos anos, levantando dúvidas sobre os critérios de escolha dos profissionais. Indicações até de parentes dos altos executivos e de políticos são comentadas nos corredores. Listas telefônicas da estatal obtidas pelo GLOBO mostram as equipes das gerências formadas tanto por funcionários efetivos quanto por terceirizados, que podem ser identificados pelo nome da empresa contratante no endereço de email. Na Gerência Executiva de Programas de Investimentos da Diretoria de Gás e Energia, por exemplo, o gerente executivo, os cinco gerentes gerais e os 19 gerentes são concursados. Mas entre seus subordinados, efetivos e terceirizados se misturam. Na gerência de Energia, 21 dos 31 profissionais são terceirizados em posições como engenheiro, técnico em elétrica ou contabilista, também ocupadas por concursados. — Fiscalizar plataforma em alto-mar, por exemplo, é uma atividade de alto risco que só deveria ser exercida por concursados, que têm melhor treinamento. Mas as plataformas estão cheias de


terceirizados — diz o procurador do Trabalho Marcelo Fernandes da Silva, que há dez anos investiga a escalada das contratações indiretas na empresa. — A prestação de um serviço deve ser feita de forma autônoma ou sob liderança das empresas contratadas. Se o profissional está subordinado a um gerente da Petrobras, não é prestação de serviço. É mera intermediação de mão de obra. A existência de concursados e terceirizados trabalhando lado a lado é a principal evidência encontrada pelos procuradores do trabalho e por uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) realizada em 2010. Os auditores apontaram a dificuldade de diferenciar prestadores de serviço de caráter temporário dos terceirizados com funções permanentes, iguais às dos concursados. Foram encontrados funcionários com mais de 20 anos na Petrobras com contratos indiretos. Isso só é possível porque eles mudam de empresa a cada fim de contrato, num sinal de que gerentes da Petrobras fazem indicações para as prestadoras. A demanda crescente leva a estatal a firmar contratos bilionários com várias intermediárias. Uma das maiores é a Hope RH, que aparece na lista de supostos beneficiários do esquema investigado pela Polícia Federal na Operação Lava-Jato. A empresa aparecia em documentos do ex-diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, apreendidos quando ele foi preso. A Hope nega ter relações com ele. Enquanto a terceirização cresce, a Petrobras deixa de convocar boa parte dos aprovados em seleções nos últimos anos, levando muitos à Justiça para prorrogar a validade de concursos e garantir a contratação. O MPT estima que mais da metade dos selecionados ainda não tenha sido chamada. A empresa disse já ter contratado 32.221 aprovados desde 2003, mas não informou o total de vagas oferecidas nos editais. O número de funcionários próprios subiu mais do que isso por causa da incorporação de funcionários de empresas adquiridas no Brasil e no exterior, como usinas termelétricas. TERCEIRIZAÇÃO CAUSOU RACHA ENTRE SINDICATOS Segundo a Petrobras, a estimativa de Graça de repor apenas 60% das vagas dos demissionários voluntários, feita em conversa com investidores, ainda é preliminar. Mesmo assim, o plano foi criticado pela Federação Única dos Petroleiros (FUP), representação sindical filiada à Central Única dos Trabalhadores (CUT). Líderes da FUP se reuniram com Graça na ultima sexta-feira para pedir reposição de 100% das vagas, mas ela não se comprometeu. Emanuel Cancella, dirigente do Sindipetro-RJ, órgão dissidente da FUP, diz que as terceirizações foram um dos motivos do racha entre os sindicatos do setor no governo Lula. Ex-dirigentes da FUP chegaram a assumir a gerência de recursos humanos, mas não frearam as contratações indiretas: — Essa foi uma das razões para a nossa saída da FUP. Em vez de acabar com a terceirização, os sindicalistas indicados pelo PT na Petrobras fizeram pior do que no governo anterior.


Vangloriam-se dos concursos, mas mudaram o plano de cargos e fizeram a terceirização crescer avassaladoramente. Em nota ao GLOBO, a Petrobras afirmou que, entre os 360 mil funcionários contabilizados como terceirizados, cerca de 165 mil trabalham em obras com claro caráter temporário e afirmou que o grande número de prestadores de serviço se justifica pelo aumento do volume de investimentos da companhia, cuja média anual cresceu dez vezes na última década. O plano de investimentos de 2014 a 2018 vai aplicar US$ 220 bilhões na exploração do pré-sal e na conclusão de refinarias atrasadas, entre outros programas, para aumentar a produção de petróleo e de derivados. O GLOBO tentou contato com representantes da FUP, mas não obteve retorno.

O GLOBO (02/06) Relatório questiona cotas e sugere mensalidade em faculdade pública Documento da OCDE, organismo mundial responsável pelo Pisa, critica ação afirmativa para reduzir desigualdade. Ministro defende "inclusão de pobres indígenas e negros"

Estudante de História na Uerj, Bruno Alves afirma que desempenho acadêmico de cotistas é semelhante aos alunos de ampla concorrência - Ana Branco / Agência O Globo

Não é possível dizer que as cotas são o melhor caminho para se reduzir disparidades sociais na educação superior do Brasil, nem está claro que a medida acabe com a raiz do problema. A afirmação consta no relatório “Investing in Youth: Brazil" (Investir na Juventude: Brasil), publicado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Segundo a entidade, no lugar de políticas afirmativas, o governo deveria considerar a cobrança de


mensalidades, em universidades federais, daqueles que puderem pagar, mantendo a gratuidade para estudantes menos abastados. Esta é a declaração mais contundente sobre cotas já feita pela organização, reconhecida mundialmente por gerar indicadores e pesquisas de mercado e educacionais de excelência, como o Programa de Avaliação Internacional de Estudantes (Pisa, na sigla em inglês). A princípio, o estudo teve o objetivo de abordar o caminho trilhado pelo jovem para ingressar no mercado de trabalho. Em um capítulo reservado inteiramente a mostrar o panorama da educação no Brasil, a OCDE afirma que o acesso ao ensino superior de qualidade por aqui é “extremamente desigual”. A organização não diferencia cotas sociais de cotas por critérios raciais. Para a organização, nenhuma das duas resolve o problema. — Se por um lado as cotas podem ajudar a elevar a participaç��o das minorias raciais no ensino superior, por outro elas tratam apenas de um sintoma e não do problema como um todo. Na realidade, o problema surge muito antes: nos baixíssimos níveis educacionais das minorias raciais que só têm acesso aos piores serviços de educação que a rede pública oferece — critica o economista Stijn Broecke, um dos pesquisadores da OCDE que participaram do relatório. A lei 12.711, conhecida como Lei das Cotas, é a principal medida do governo federal para democratizar o acesso ao ensino superior no país. Segundo ela, universidades e institutos federais deverão reservar, até 2016, 50% das vagas para alunos oriundos de escolas públicas. Dentro deste universo, metade será dedicada às minorias étnicas. Na primeira edição deste ano do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), programa que seleciona estudantes para ingressar em instituições de ensino superior federais, 43% das mais de 171 mil vagas foram destinadas a cotistas. O Ministério da Educação (MEC), obviamente, não concorda com a crítica. O ministro José Henrique Paim defendeu a política, afirmando que as cotas asseguram vagas aos mais pobres e a minorias étnicas. Paim lembrou ainda que a gratuidade do ensino superior é uma garantia prevista na Constituição: — A Lei das Cotas assegura a mudança no perfil dos estudantes brasileiros, com a inclusão dos mais pobres, indígenas e negros. Parece contraditória a afirmação do estudo da OCDE de que a lei de cotas continuaria a beneficiar pessoas mais abastadas que poderiam pagar pelos seus estudos. A política de cotas está revertendo essa lógica. ‘Muito a fazer’ A OCDE foi fundada em 1961 por 34 países, para estimular o progresso econômico. Apesar de não ser um membro titular, o Brasil participa de diversos programas da organização, como o Pisa, que avalia o desempenho de estudantes de 15 anos de 65 países em matemática, leitura e ciência. No Pisa 2012, o Brasil ficou na 58ª colocação de uma lista de 65 economias mundiais.


“Não está claro, porém, que a Lei das Cotas é a maneira certa de enfrentar disparidades sociais no ensino superior no Brasil, nem está claro que ela incide sobre o problema certo (...) Universidades públicas gratuitas e extremamente disputadas são ocupadas principalmente por estudantes mais ricos, enquanto os mais pobres são obrigados a pagar altas taxas de matrícula em instituições privadas. Mesmo sob a Lei das Cotas, 50% das vagas gratuitas em instituições públicas serão tomadas por estudantes de alto poder aquisitivo, muitos dos quais poderiam ter recursos para pagar por sua educação universitária”, diz o relatório. O relatório da OCDE reconhece as políticas de expansão do ensino superior implementadas pelo Brasil na última década, mas frisa que ainda "há muito o que fazer", e bate na tecla da desigualdade. A solução de começar a cobrar taxas de matrículas em universidades federais para classes mais abastadas, segundo Broecke, seria justificada pela forte desigualdade social no acesso ao ensino superior, onde alunos de famílias mais ricas ficam com as melhores vagas em instituições que, em tese, são públicas. Para ele, o sistema deixa injustamente os estudantes de menor poder aquisitivo com o fardo de pagar pelos estudos em faculdades privadas. — O sistema de ensino superior no Brasil é muito pequeno e extremamente desigual. A expansão das universidades será necessária para aumentar a participação das famílias mais pobres, e isso vai exigir uma mudança no modelo atual público-privado e na forma como ele é financiado — diz. Para Marcelo Paixão, professor de Economia da UFRJ e coordenador Laboratório de Análises Econômicas, Históricas, Sociais e Estatísticas das Relações Raciais (Laeser), o estudo confunde o uso dos recursos públicos na educação superior e ações afirmativas: — As assimetrias no acesso ao sistema universitário não decorrem apenas das diferenças nas capacidades de pagamentos dos estudantes de brancos e negros, mas também a partir de instrumentos de seleção que acabam prorrogando indefinidamente as desigualdades em termos de acesso às instituições de maior prestígio. Uerj Mesmo sem ser citada nominalmente, a Universidade do Estado do Rio (Uerj) aparece no relatório da OCDE como uma das primeiras a adotar cotas em seu processo seletivo. Desde 2004, quando começou a reserva das vagas, a universidade já recebeu 18.270 cotistas, sendo 8.021 deles apenas por cotas raciais. O calouro de História Bruno Alves é um deles. Mesmo tendo estudado em escola pública, Bruno optou por concorrer pelo critério de cor por uma questão íntima. Ele concorda com partes do relatório da OCDE, mas defende as políticas afirmativas. Com uma bolsa mensal de R$ 400 para os estudos, dada pela Uerj aos cotistas, Bruno argumenta que o desempenho dos alunos favorecidos por ações afirmativas não deixa a desejar em relação aos demais estudantes:


— Se a educação básica fosse de qualidade, realmente não haveria a necessidade de cotas. Mas como o Estado sofre com o sucateamento e é um instrumento da classe dominante, pelo menos a política afirmativa garante o acesso aos menos favorecidos. Existe sim uma defasagem muito grande de estudos, mas os cotistas demonstram uma capacidade muito grande de superar as dificuldades. Já a aluna do 1º período de Nutrição Sarah de França Barradas expressa algumas reservas às políticas afirmativas. Aluna de escola pública, Sarah foi aprovada por cotas sociais, onde só a renda é levada em conta. Segundo ela, critérios baseados em etnia ou cor apenas exarcebam a desigualdade: — Eu poderia muito bem concorrer por cotas raciais, mas não quis por questão de princípios. Não é porque a pessoa é negra que ela é menos inteligente do que as outras. Isso não é justo.

AGÊNCIA MINAS (02/06) Primeiras startups aceleradas pelo SEED apresentam seus produtos e serviços a investidores

Filipe Magalhães é sócio da startup Say2Me, que conta com 50 clientes e planos de expansão Antes mesmo da formatura, que acontece em julho deste ano, a turma inaugural do Startups and Entrepreneurship Ecosystem Development (SEED), do Governo de Minas, apresenta os primeiros resultados de meses de imersão no universo da inovação, realizada em um escritório compartilhado no bairro de Lourdes, em Belo Horizonte.


Durante o DemoDay Minas, feira de negócios realizada na última quinta-feira (29/05), as 40 startups do SEED tiveram a oportunidade de exibir seus produtos e serviços em pitches (apresentações de negócios). O objetivo era reunir investidores, empresas e empreendedores para formação de network e potenciais investimentos, bem como de garantir ainda mais aceleração aos projetos que já estão sendo desenvolvidos pela iniciativa do Estado, em parceria com o Sebrae Minas e a Acelera-MGTI. À procura de novos negócios para investir, Gustavo Abijaudi, sócio proprietário de uma consultoria de investimentos, era um dos investidores interessados nas propostas das startups. “Vim com a intenção de investir em algo virtual. Cheguei aqui e vi que tenho a possibilidade de apostar em algumas boas ideias que já estão rodando e estão consolidadas, em vez de iniciar algo novo. Achei fantástico”, ressalta. O diretor da Fundepar – programa de investimento vinculado à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Ramon Dias de Azevedo, também teceu uma avalição positiva. “De uma forma geral, as apresentações foram de um nível muito bom, construtivas. Vi boas ideias surgindo para incentivar o desenvolvimento do ecossistema local de inovação”, comenta. Ambiente profícuo para a inovação Acolhidos em um ambiente cuja infraestrutura e decoração suscitam a criatividade e a imaginação, jovens de 40 startups convivem diariamente, partilham experiências e recebem mentorias de especialistas para materializar seus sonhos. Muitas delas, inclusive, já negociam seus produtos e serviços diretamente com clientes e contabilizam receitas. Após passar pela seleção, que reuniu mais de 2.800 projetos, a startup Cabe na Mala disponibiliza a seus clientes uma nova plataforma totalmente automatizada desenvolvida no SEED. A ferramenta online conecta pessoas que desejam adquirir produtos de outros países a viajantes que podem trazê-los em troca de recompensas. A ideia surgiu quando as sócias perceberam que eram recorrentes os pedidos de amigos e parentes para trazer produtos do exterior durante as viagens, mas que, nem sempre, isso era possível. “Era uma coisa que se repetia muito no Brasil e isso despertou uma ideia de negócio. Chegamos aqui com um produto pequeno e agora estamos com ele finalizado”, conta uma das duas sócias da startup, Ana Paula Lessa. “A pessoa escolhe no site a mercadoria e o tempo para recebê-la, de 10 a 30 dias. Basta o viajante aceitar e colocar o produto na mala. Depois que realizar a entrega, o viajante recebe a recompensa e ficamos com um percentual”, esclarece Ana Paula. A plataforma cadastra e viabiliza a comercialização de produtos de até $ 500. Caixinha de sugestões na web Também já está em operação o aplicativo Say2Me, que coleta feedback de clientes dos mais diversos estabelecimentos comerciais. “É uma caixinha de sugestões que funciona”, incita um


dos sócios-fundadores da empresa, Filipe Magalhães. O proprietário do estabelecimento compra o direito de usar o aplicativo e divulga o novo canal de interatividade aos seus clientes. Por meio dele, o consumidor pode avaliar e dar sua opinião sobre o local em tempo real. “É instantâneo”, frisa Filipe. A startup já contabiliza 50 clientes e, atualmente, está focada no segmento de franquias. “Só aqui no SEED, após várias mentorias e reuniões, conseguimos rever o nosso negócio e percebemos que tínhamos que focar em franquias. Nossa primeira é de 50 unidades de um curso de inglês, para fazer a avalição dos professores”, comemora Filipe, que revela, ainda, que a Say2Me está montando equipes de representantes comerciais em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília. Ao falar sobre volume de negócios, a Trakto é um exemplo bem-sucedido e apresenta números surpreendentes. De acordo com um dos sócios, Paulo Filho, a startup já conta com 4mil mil usuários. Cerca de R$ 5 milhões já foram negociados pelo aplicativo. “Chegamos ao SEED com apenas 100 usuários e com um protótipo e estamos saindo daqui com um produto”, enfatiza Paulo. O aplicativo Trakto auxilia os profissionais liberais a negociar contratos de trabalho de maneira ágil e eficiente. “O aplicativo é bem simples e ajuda o profissional a calcular quanto cobrar por um serviço a partir de apenas três perguntas. O sistema é inteligente, monta uma proposta comercial e envia para o e-mail do cliente em tempo real”, explica Paulo. A startup foi selecionada para uma estadia de três meses no Vale do Silício, nos Estados Unidos. Vários projetos em um só lugar O representante da empresa de consultoria de investimentos Imeri Capital, Luiz Guilherme Guimarães, elogia a ideia do DemoDay, de reunir no mesmo espaço todas as startupsda primeira turma do SEED. “Porque assim não precisamos ficar buscando uma a uma. É um incentivo para nós, investidores, que conseguimos ter uma visão geral. O que eu vi aqui foram muitos empreendedores com boas ideias. São propostas muito boas que podem trazer retorno”, destaca Luiz Guilherme. O diretor acadêmico do programa de inovação e empreendedorismo da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, Mike Lyons, que proferiu uma palestra sobre inovação durante o encontro, acredita que criar um ambiente estimulante é essencial para explorar o potencial das startups. “O Brasil é um bom mercado para o capital de risco e Minas Gerais está criando este ambiente de inovação no Estado. É importante ter essas iniciativas que atraem o capital de risco para Belo Horizonte. Isso mantém um ciclo virtuoso de inovação, que se alimenta e traz resultados em longo prazo”, afirma Lyons. Para o diretor-presidente do Escritório de Prioridades Estratégicas, André Barrence, Minas Gerais e Belo Horizonte têm características que as startups buscam, como desburocratização e potenciais investidores. “Esses elementos ajudam a transformar BH no berço da inovação e do empreendedorismo tecnológico na América Latina. Essa primeira turma do SEED nos fez


acreditar que tudo isso é possível, construir um cenário favorável ao empreendedorismo em âmbito global. Se inspirem e inspirem”, frisa. Ao final do DemoDay Minas, André Barrence fez dois importantes anúncios: a concessão de visto permanente para os estrangeiros participantes do SEED e a criação do Fundo Brasil Acelerador de Startups, em parceria com o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), a Microsoft e o Banco Espírito Santo. Por meio da linha de financiamento, startups interessadas poderão angariar recursos e fortalecer o ecossistema de inovação no Estado. O Seed nasceu para fortalecer a cultura empreendedora, acelerar o desenvolvimento do ecossistema de startups em Minas Gerais e incentivar negócios de conteúdo tecnológico no estado. Criado no final de 2013, o programa já está em sua segunda rodada, acelerando, ao todo, 80 empresas de várias partes do mundo, além de promover educação empreendedora gratuita. Entre as vantagens estão capital semente livre de participação de até R$ 80 mil, mentoria com expoentes do cenário de empreendedorismo, formação empreendedora através de workshops, cursos e palestras, espaço inspirador de coworking e conexão com uma comunidade global de empreendedores. Estão previstos R$ 13,5 milhões em investimentos no projeto até o final de 2014.


JORNAL DE NOTÍCIAS 31/05/2014 PÁGINA 6 | ECONOMIA | N° 6932


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Clipping 02 06 2014