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MAN UAL DRG Manual de Utilização DRG Brasil


SU MÁ RIO


Sumário Introdução e conceito do DRG Brasil Histórico Variáveis utilizadas para geração dos grupos DRGs Complicações e comorbidades (CC e MCC) na formação do DRG As condições hospitalares adquiridas na formação do DRG Índice de Case Mix (ICM) e Peso Relativo (PR) Referencial de permanência Relatórios de desempenho de especialidades e de médicos

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DRG BRA SIL


Introdução e conceito do DRG Brasil O DRG – Diagnosis Related Groups (Grupos de Diagnósticos Relacionados) – constitui um sistema de classificação de pacientes internados em hospitais que atendem casos agudos, em grupos homogêneos de acordo com a complexidade assistencial (case mix). Desta forma, desfechos assistenciais e consumo de recursos tornam-se comparáveis e previsíveis, uma vez que os pacientes agrupados em um mesmo DRG (produto assistencial) possuem características clínicas e de risco similares, determinando o uso de recursos (tempo de permanência e consumo de insumos) também similares.

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A classificação de cada paciente em um grupo homogêneo é gerada por meio de algoritmos que levam em conta, entre outras variáveis, o sistema fisiológico afetado e o grau de comprometimento, a etiologia da doença, cirurgias e outros procedimentos invasivos realizados, presença de comorbidades ou complicações, idade e sexo, e determinados insumos críticos necessários ao suporte vital (figura 1).

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DRG | Diagnosis Related Groups O que é? É uma metodologia de categorização de pacientes internados em hospitais, de acordo com a complexidade assistencial.

Cada DRG é: Um “produto assistencial” clínico ou cirúrgico que tem um consumo homogêneo de recursos.

Um DRG é a combinação de: 1. Condição clínica que determinou a internação 2. Complicações e comorbidades associadas 3. Cirurgias e outros procedimentos 4. Idade 5. Outras variáveis

Figura 1 – Definição DRG – Diagnosis Related Groups (Grupos de Diagnósticos Relacionados) Fonte: DRG Brasil - IAG Saúde, 2017

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HIS TÓRI CO


Década de 60 O projeto e o desenvolvimento dos DRGs começaram na década de 1960 na Universidade de Yale, nos Estados Unidos, sob a coordenação dos professores Robert B. Fetter e John D. Thompson. E, nos anos 70, sob contrato com o Centers for Medicare and Medicaid Services, CMS (à época Health Care Financing Administration). A motivação inicial foi a necessidade da criação de uma estrutura efetiva de monitoramento da qualidade dos cuidados e a utilização de serviços no sistema hospitalar. Final da Década de 80 Observou-se um movimento crescente de disseminação da metodologia para outros países. Começaram a ser criados grupos interessados em trabalhar com o sistema de classificação de pacientes fora dos Estados Unidos. Em 1988, Portugal tornou-se o primeiro país europeu a utilizar uma metodologia de pagamento prospectiva baseada no DRG para os serviços de saúde.

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1990 A partir de 1990, o método de pagamento prospectivo utilizando a ferramenta se tornou comum nos países desenvolvidos. O uso do DRG disseminou-se em várias partes do mundo (Alemanha, Austrália, Espanha, França, Inglaterra, Itália, Portugal). O sistema também passou a fazer parte do método de avaliação dos desfechos e complicações assistenciais, tornando-se uma metodologia não só para a gestão da eficiência como também da eficácia assistencial. Sistema DRG Brasil No início dos anos 2000, pesquisadores médicos, juntamente com enfermeiros epidemiologistas, estatísticos e profissionais das ciências da computação, formaram um grupo de pesquisa e estudos para a adaptação do DRG ao sistema de saúde brasileiro, sob a coordenação dos professores doutores Renato Camargos Couto e Tania Grillo Pedrosa.

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A segurança obtida com os anos de validação, permitiu que, em 2012, o sistema computacional, integrado em uma ampla plataforma de gestão do sistema de saúde, passasse a ser utilizado comercialmente com a marca DRG Brasil. Em 2015, evoluiu com maior refinamento quanto à classificação de risco dos pacientes em diversas categorias DRG. Em 2016, já disponibilizava como referencial de desempenho o padrão da população brasileira (desempenho clínico e intensidade de consumo de recursos). Em 2017, o DRG Brasil começou a ser utilizado por operadoras e hospitais que abrangem quase seis milhões de beneficiários do sistema de saúde suplementar, com representatividade em todas as regiões do país. Este universo é similar a populações inteiras de países que adotam a metodologia DRG há décadas, como Dinamarca, Irlanda, Noruega, Finlândia, Singapura e Nova Zelândia.

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O DRG Brasil não é apenas um agrupador de classificação de pacientes. É um método de gestão do sistema de saúde. A partir das informações obtidas quanto à complexidade assistencial pelo case mix (agrupador), os resultados de desempenho assistencial quanto à segurança do paciente, eficiência no uso do leito e composição de custos, são relacionados e gerados relatórios e indicadores automatizados (inclui aplicativo para dispositivos móveis).

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A versão vigente em 2018 do DRG Brasil é a 10ª, e a 35ª do MS-DRG (Medicare Severity Diagnosis Related Groups). Como o MS-DRG, o DRG Brasil é atualizado anualmente.


GRU POS DRGs


Variáveis utilizadas para geração dos grupos DRGs A classificação de cada paciente em um grupo homogêneo é gerada por meio de algoritmos que levam em conta o sistema fisiológico afetado e o grau de comprometimento, expressos pelas seguintes variáveis: • Condição clínica principal que motivou a internação hospitalar; • Outras condições clínicas adicionais determinadas por fatores próprios do paciente (podendo estar presentes na admissão hospitalar ou se manifestar durante a internação); • Procedimentos cirúrgicos;

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• Outros procedimentos terapêuticos e/ou diagnósticos realizados em sala operatória ou não; • O uso e o tempo de uso de ventilação mecânica; • Tipo da alta: com sobrevida, ou transferência para outra instituição hospitalar, ou óbito; • Dados demográficos do paciente: idade, em caso de neonato: idade gestacional, peso de nascimento e comprimento, sexo.

Isso não quer dizer que outras variáveis não sejam úteis para definir os DRGs. Informações adicionais conforme se tornem mais comuns na prática médica, são periodicamente avaliadas para determinar se resultam em melhoria da capacidade de classificação dos pacientes.

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CC MCC DRGs


Complicações e comorbidades (CC e MCC) na formação do DRG Complicações, comorbidades, idade ou situação da alta hospitalar (óbito ou não, por exemplo), são fatores que influenciam de forma consistente na intensidade de consumo de recursos e na permanência hospitalar. Complicações são situações clínicas decorrentes do diagnóstico principal e comorbidades são outras patologias, não necessariamente determinadas pelo diagnóstico principal, das quais o paciente já é portador ao ser admitido no hospital. Quando um paciente apresenta uma comorbidade ou complicação de uma doença de base, o grupo de DRG poderá ser considerado com CC/MCC. Nem todos os diagnósticos secundários dos quais o paciente é portador, obrigatoriamente, irão modificar o grau de complexidade assistencial.

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No DRG Brasil, as condições clínicas modificadoras da complexidade assistencial são designadas como CC ou MCC, de acordo com a intensidade da repercussão na modificação do risco: • CC – complicação ou comorbidade (menor intensidade) • MCC – complicação ou comorbidade maior (maior intensidade) A figura 2 mostra a formação dos DRGs em níveis hierárquicos de complexidade assistencial. Os três níveis referem-se à criticidade relativa da doença do paciente.

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Níveis de criticidade relativa da doença do paciente MCC - maior criticidade

Níveis de criticidade

CC - criticidade intermediária Sem CC ou MCC menor criticidade

Aproximadamente 12% dos códigos clínicos são classificados como MCC, 24% como CC, e 64% como não CC/MCC. Figura 2 – Níveis de criticidade relativa da doença do paciente – CC/MCC. Fonte: DRG Brasil - IAG Saúde, 2017

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CON DI ÇÕES


As condições hospitalares adquiridas na formação do DRG As complicações que ocorrem durante a assistência hospitalar são denominadas condições adquiridas (hospital acquired conditions – HAC). São eventos danosos ao paciente, resultantes de falhas nos processos assistenciais, em vez de uma progressão natural da doença de base (infecções relacionadas à assistência, úlcera de pressão, por exemplo). Importante: A ocorrência de uma complicação associada à assistência não é considerada na composição do DRG.

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CASE MIX E PR


Índice de Case Mix (ICM) e Peso Relativo (PR) O conceito de complexidade pelo case mix parece, inicialmente, muito claro. Entretanto, médicos, administradores e reguladores geralmente partilham diferentes entendimentos quanto a este conceito. O termo complexidade pelo case mix é utilizado para referenciar um conjunto de atributos dos pacientes que são inter-relacionados, porém distintos, incluindo a gravidade da doença, o prognóstico, a dificuldade do tratamento, a necessidade de intervenções, e a intensidade de consumo de recursos.

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A cada DRG é atribuído um peso relativo que expressa a quantidade média de recursos necessários para tratar um paciente nesse DRG. A figura 3 ilustra as variáveis envolvidas na composição do peso relativo de cada DRG: Incluindo variáveis demográficas, como a idade Gravidade da doença

+

Recursos institucionais necessários

Figura 3 – Variáveis envolvidas na composição do peso relativo de cada DRG. Fonte: DRG Brasil – IAG Saúde, 2017

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Tempo de permanência previsto Recursos humanos e infraestrutura utilizada no tratamento, como bloco cirúrgico, terapia intensiva Uso de recursos de apoio ao diagnóstico e à terapêutica Materiais, medicamentos e demais insumos necessários ao tratamento


O consumo médio de recursos para todos os pacientes, em todos os DRGs, representa o peso relativo da linha de base e o valor é 1 (um). Qualquer DRG com valor menor que 1 (um) usa recursos menores que a média; qualquer valor acima de 1 (um) usa recursos maiores que a média. O PR é um número absoluto e é apresentado com 4 (quatro) casas decimais após a vírgula, de forma a garantir maior precisão. Por exemplo: Uma determinada operadora de planos privados da saúde suplementar pagou à rede prestadora hospitalar o valor de R$ 58 milhões de reais para um total de 8.900 altas. a) Qual o custo médio dos recursos disponibilizados para cada alta hospitalar? = R$ 58 milhões / 8.900 altas = R$6.517,00/alta; a este valor médio se atribui a linha de base 1,0000. b) Destas 8.900 altas, 516 foram pacientes atribuídos ao DRG 419 – colecistectomia por videolaparoscopia sem complicações ou comorbidades, que totalizou R$3,161 milhões.

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c) Qual o custo médio dos recursos disponibilizados para cada alta hospitalar no DRG 419? = R$3,161 milhões / 516 altas = R$6.125,98/alta no DRG 419 d) Então, qual é o peso relativo do DRG 419? = R$6.125,98 (custo médio do DRG 419) / R$6.517,00 (custo médio de todas as altas) = 0,9400 No exemplo, o PR do DRG 419 é < 1. A interpretação desse número é que no DRG 419 se consome menos recursos institucionais para o tratamento dos pacientes quando comparado com a média global. Ou seja, os pacientes que são atribuídos a este DRG têm menor complexidade assistencial que a média. Repare a figura 4:

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Cálculo do consumo médio de recursos hospitalares R$

+

R$

+

DRG com maior complexidade assistencial

R$

Somatório dos valores por alta hospitalar

=

+

+

h 1,0000

=

h

Total de altas hospitalares

R$

Se PR > 1

Consumo médio de recursos

Se PR < 1 DRG com menor complexidade assistencial

Figura 4 – Cálculo do consumo médio de recursos hospitalares. Fonte: DRG Brasil - IAG Saúde, 2017

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Cálculo do índice de case mix DRG

PESO RELATIVO PR

NÚMERO DE PACIENTES HOSPITAL A

SOMA DOS PR HOSPITAL A

NÚMERO DE PACIENTES HOSPITAL B

SOMA DOS PR HOSPITAL B

193 - Pneumonia simples e pleurisia com MCC

1,3860

100

138,6000

300

415,8000

194 - Pneumonia simples e pleurisia com CC

0,9469

200

189,3800

100

94,6900

195 - Pneumonia simples e pleurisia sem CC/MCC

0,7028

300

210,8400

200

140,5600

TOTAL

X

600

538,8200

600

651,0500

Índice de case mix - Hospital A

= 538,8200 /600 = 0,8980

X

X

X

X

Índice de case mix - Hospital B

= 651,0500 /600 = 1,0850

X

X

X

X

Quadro 1 – Cálculo do índice de case mix | Fonte: DRG Brasil - IAG Saúde, 2017

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O índice de case mix é o resultado da soma dos pesos relativos dos DRGs dividido pelo número de pacientes. Veja o exemplo deste cálculo no quadro 1:

Observe que, para um mesmo número de pacientes nos dois hospitais (600) e os mesmos DRGs gerados, o valor final do índice de case mix foi superior no hospital B porque houve mais pacientes no DRG 193, de maior complexidade assistencial.

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REFE REN CIAL 02 | Introdução e Conceito do DRG Brasil


Referencial de permanência No DRG Brasil, há a possibilidade de adotar como referenciais de permanência os seguintes parâmetros: • Nacional: DRG Brasil Global – permanência prevista para cada DRG utilizando a base de dados nacional. • Nacional: DRG Brasil sem Condições Adquiridas permanência prevista para cada DRG utilizando a base de dados nacional, abstraindo os pacientes que apresentaram condições adquiridas. • Nacional: DRG Brasil Refinado – permanência prevista para cada grupo de DRG definindo níveis de severidade. Está adequado ao perfil epidemiológico e estrutural do sistema de saúde do país. • Internacional: DRG EUA – Permanência prevista para cada DRG utilizando a base de dados americana.

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RELA TÃ&#x201C; RIOS


Relatórios de desempenho de especialidades e de médicos Avaliação de desempenho médico: Objetivo: fornecer instrumentos para a gestão da qualidade do resultado assistencial médico, por meio de geração de dados de desfechos assistenciais, ajustados para a condição clínica/cirúrgica de cada paciente. Aplicabilidade: conhecimento da origem das iatrogenias correlacionadas com os médicos; gestão de corpo clínico; avaliação e seleção de equipes e médicos mais eficientes; comparação de resultados de médicos e equipes médicas quanto ao nível de segurança da assistência; mensuração e avaliação do impacto econômico das iatrogenias.

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Acesso: drgbrasil.sigquali.com.br/qualidade/drgestabcritpagamentorel.do

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O relatório de avaliação de desempenho médico será emitido em formato pdf, conforme exemplo das figuras seguintes:

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O relatório de avaliação de desempenho por especialidade será emitido em formato pdf, conforme exemplo das figuras seguintes:

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Os relatórios contêm: Dados para avaliação 1. Período de avaliação: período de alta parametrizado para a extração do relatório do DRG. 2. Permanência prevista: somatório da permanência prevista (dias) de todos os registros de DRG. 3. Permanência realizada: somatório da permanência real (dias) de todos os registros de DRG. 4. Eficiência: indicador de monitoramento da eficiência da gestão de leitos e custos hospitalares, traz a razão (em percentual), entre a permanência realizada (real) pela prevista. 5. Case Mix: coeficiente que reflete maior ou menor proporção de doentes com patologias complexas e mais consumidoras de recursos (complexidade do período avaliado), o case mix é calculado pelo somatório de todos os pesos dividido pelo nº de altas. 6. Número de altas: somatório dos registros de alta cadastrados no período.

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7. Taxa de reinternação em até 30 dias: proporção (em percentual) entre o total de internações por complicações ou recaídas de uma internação em 30 dias pelo total de internações no período. 8. Taxa de condições adquiridas: razão (em percentual) entre o número de pacientes com condição adquirida pelo total de pacientes internados no período. 9. Densidade de incidência de condição adquirida: razão entre o número de condições adquiridas pelo total de permanência realizada a cada 1.000 diárias. 10. Taxa de mortalidade em DRG de baixo risco: razão (em percentual) entre o número de óbitos de baixo risco de mortalidade pelo total de altas registradas no período. Altas no período avaliado Condições adquiridas nas altas do período avaliado Óbitos no período avaliado Internações responsáveis por recaídas no período avaliado Condições adquiridas associadas a outros médicos no período avaliado

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FICHA TÃ&#x2030;C NICA


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HOSPITAL GERAL

Diretor Técnico Médico: Dr. Pedro Moysés Soares Jacintho

CRM PR 18891

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Adaptado de: IAG Saúde Elaborado por: Flávia B. Vedovatto Projeto Gráfico: Ariadne Grabowski Revisão: Liziana Freitas Thalita Valentim

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