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UNIFATOS | 15

CASCAVEL, JUNHO DE 2016. www.univel.br/_unifatos

de quatro horas por dia na estrada para estudar em Cascavel

até a graduação de caminhoneiros, pela falta de placa e iluminação na estrada. A distância de Realeza a Cascavel é de 100 quilômetros, e muitos motoristas correm o risco de perderem suas vidas por não existir adequações. O caminho mais longo percorrido é dos acadêmicos que vêm de Capanema; são 121 quilômetros de periculosidade enfrentada todos os dias. A expectativa é de que a estrada tenha mais sinalização e que também não tenha mais buracos. Nelso Ferrom, 51, é motorista do ônibus universitário que traz alunos da cidade de Realeza para Cascavel. Ele faz o mesmo percurso de segunda à sexta-feira e reclama das péssimas condições da BR-163. “Como a estrada é cheia de buracos eu me preocupo com os alunos, porque às vezes não consigo chegar a tempo nos horários da faculdade”. O motorista ainda ressalta a ineficiência dos reparos realizados na rodovia no ano de 2015. “Tem trechos que foram reformados ano passado e está pior do que os que não foram, e para desviar dos buracos tem que entrar na outra faixa”. Para Nelso, a solução para o fim dos buracos e o aumento

Franciane Pedron encara quatro horas de ônibus todos os dias

Pavimentação antiga já passou por vários recapes que não resistiram ao movimento

da durabilidade da pista é a implantação de uma balança e melhorias na sinalização. Ele afirma que o fluxo de caminhões é grande, e em muitos casos, os motoristas carregam mais do que o permitido, devido a falta de fiscalização.

ra, duplicação da e sai do papel

Acadêmicos migram de cidade devido aos obstáculos enfrentados

ainda se sente inconformado com o descaso do governo em relação à lentidão das obras. “Pagamos um absurdo de impostos e não recebemos nada em troca”. Por enquanto, a obra está apenas no início, com serviços de remoção da camada vegetal e terraplanagem. A conclusão está prevista para 2018. O engenheiro subunidade do Dnit (Departamento Nacional

de

Infraestrutura

de Transportes), Adriano

Odilon, afirma que apesar do pedágio não constar no

É tanta dificuldade para estudar fora que muitos jovens deixam as cidades de origem, sem intenção de voltar tão cedo. O reflexo é o aumento populacional considerável dos polos educacionais. A acadêmica de Direito, Mariana Künzel, 18, morava em Pérola d’Oeste, e resolveu se mudar para Cascavel, devido a longa viagem para conseguir chegar a sala de aula. “É muito cansativo, são horas que não se aproveitam, não dá para estudar”. Ela também conta que era muito transtorno vir de sua cidade todos os dias. “Eu tinha que pegar carona e ir até Capanema para poder pegar o ônibus e vir para a faculdade”.

projeto, haverá a instalação da balança para a região

Mariana conta que decidiu vir morar para Cascavel para evitar transtornos e porque era perigoso

próxima de Quatro Pontes, na BR-467, e na BR-163 ainda

demais ir e vir todos os dias. “Como a estrada é ruim, o grande medo da minha família era esse, não

está sendo estudada. “Esta ainda não tem uma data para

queriam que eu ficasse todos os dias na estrada, principalmente em dias de chuva, por isso queriam

ser implantada, mas isso não impede de ser construída

que eu viesse logo para Cascavel”. Ela relata que no começo não queria trocar de cidade, mas quando

futuramente. A Polícia Rodoviária Federal pode, a qualquer

mudou de ideia teve apoio de sua família. “Como sou apegada a minha família, eu não queria sair de

momento, nas rodovias federais, fiscalizar o excesso de

casa logo, mas a minha cidade é muito pequena, não tem futuro, e eles me deram o maior apoio”.

peso dos veículos pesados através de conferência pela Nota Fiscal, independentemente de balanças”. Reportagem: Laura Siqueira e Paulo Eduardo

Juliano Simon, 29, é de Planalto. Agora reside em Cascavel. “Contando a hora que eu saia do serviço até chegar a faculdade e mais o tempo da volta dá umas seis horas perdidas”. Ele declara que estava ficando perigoso demais na estrada, pelo trecho ser ruim e pelo motorista aparentar sono durante a viagem, além do desempenho negativo em função da rotina cansativa. “Gastaria mais se continuasse naquela situação. Não estava rendendo no trabalho e nem no estudo, ainda mais agora que tenho TCC (Trabalho de Conclusão de Curso)”.

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Unifatos 2016 2ª - edição  

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