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Lutar contra o assédio da reposição

Na volta da greve muitas diretoras estão assediando os grevistas e impondo os planos de reposição. Nós profissionais reporemos as aulas pensando em nossos alunos e não como cumprimento de uma punição, visto que a greve é um direito. Nossa reposição tem que ser de conteúdo e como existem diferenças em cada escola devemos ter autonomia para organizar nossa reposição. Não podemos aceitar assédio contra grevistas! Não vamos nos calar nem nos intimidar frente a diretores autoritários!

unidos PRA

Novembro de 2013

Os pais e responsáveis têm que ser parte de nossa luta

Durante a greve dos profissionais de educação a população do Rio de Janeiro demonstrou que estava ao lado dos educadores, reprovando claramente a postura antidemocrática e repressiva do governo. Os pais e responsáveis sofrem dos mesmos problemas que os profissionais de educação com arrocho salarial e condições de trabalho precárias. É preciso lutar pelos nossos direitos, forçando o governo a investir mais na educação pública. A comunidade

Os municípios mostraram a sua força

Nos municípios Niterói, Nova Friburgo e Cabo Frio os profissionais protagonizaram fortes greves enfrentando prefeitos que seguem as receitas do governo estadual desvalorizando os profissionais e a escola pública. O grito da categoria em Niterói era ”Qual a diferença entre Rodrigo e Paes, não, não tem nenhuma, são todos iguais.” Os profissionais promoveram protestos chegando a ocupar a Prefeitura para obrigar o governo à negociação Ainda quando os ganhos destas lutas não foram satisfatórios, as mesmas fortaleceram as greves do Rio de Janeiro e do estado e acumularam forças para preparar-se para novos enfrentamentos.

LUTAR

precisa assumir sua condição de parte integrante da escola e, juntos, fazermos de nossa união o meio de conquista de um Projeto Político Pedagógico e de uma Proposta Curricular que, respeitando a autonomia de cada unidade escolar, promova a construção de conhecimento oposta à prática meritocrática vigente, que nos divide com seu interesse de competitividade oriundo da lógica de mercado. Lógica essa que não combina com os princípios humanitários de uma educação fraterna e transformadora.

O debate dos Black Bloc

Durante a greve houve momentos nas passeatas de muita polarização e enfrentamento com forte repressão contra os profissionais. Na ação policial truculenta acionada no protesto na Câmara de Vereadores, os Black Bloc agiram junto aos profissionais, ganhando a simpatia da categoria. Nós da Unidos pra lutar defendemos os Black Bloc dos poderes que os atacam, exigimos o fim de todas as prisões políticas, o arquivamento dos processos e repudiamos os hipócritas argumentos dos governos de incriminar as mobilizações como atos de “vandalismo”. Vandalismo é o ajuste fiscal de Dilma, Cabral e Paes que beneficia milionários. As maiores depredações do patrimônio público são as privatizações. Criminosos são os políticos da máfia do transporte e os mensaleiros. No entanto discordamos dos métodos e ações que eles encampam. Entendemos que nenhum grupo isoladamente vai nos levar a vitória. Nas Jornadas de Junho foi a mobilização de massas que conseguiu derrubar as tarifas e outras reivindicações. Os governos utilizam as ações dos Black Blocs para tentar jogar a opinião pública contra os atos e desencadear maior repressão. Os governos tremem e recuam quando veem as massas ocupando as ruas, esse é o caminho. A construção de lutas e movimentos unificados. Foi a educação massivamente na rua que desgastou Cabral e Paes.

Contatos: Galindo 83269116 e Bárbara 88736479 (Rio); Natália 83630040 e Várvara 80238632; Val 79083563 (Niterói). Charles 22.81512268.

UMA GREVE HERÓICA

“Da copa eu abro mão, quero dinheiro pra saúde e educação”, frase que se ouvia e lia nas ruas do Rio nas Jornadas de Junho. Os profissionais da educação, sensíveis à voz das ruas e conscientes da conjuntura política que viviam, deram sua resposta com a greve da educação no estado e município do Rio de Janeiro. Os trabalhadores da educação deram uma aula de luta e de forma heroica permaneceram em greve durante 12 semanas. Foram greves puxadas pela base, onde os trabalhadores lutaram contra os governos privatistas e meritocráticos de Cabral e Paes (PMDB/PT), que seguindo a cartilha do governo Dilma (PT/PMDB) aplicam sua política de arrocho salarial e retirada de direitos dos trabalhadores, sucateiam diariamente as escolas públicas, ferem a autonomia pedagógica dos professores eprecarizam a vida dos profissionais. Ao mesmo tempo em que privatizam as áreas sociais e destinam metade do orçamento nacional para o pagamento da dívida interna e externa. As greves do Estado e do Município foram greves com dinâmicas diferentes, porém defendendo a mesma causa, a educação pública! No dia dos professores levaram 100 mil pessoas às ruas em defesa da

educação pública, gratuita e de qualidade e contra a repressão policial. Os profissionais da educação encararam a mídia, vendida ao governo, que com suas propagandas fazia as escolas parecerem mais com o país das maravilhas. Os valorosos trabalhadores enfrentaram até mesmo a polícia truculenta do governador que manda bater em professor e utiliza, de maneira indiscriminada, as suas armas “menos letais” na população. Mas os profissionais seguiram em sua luta pela autonomia, democracia dentro das escolas e por melhores condições de trabalho. Pois lidam com governos que fecham escolas, superlotam as salas de aula, e não olham os alunos como pessoas, mas sim como números. Finalizada a greve a categoria acumulou uma experiência muito importante e tomou consciência de sua força. Infelizmente, a direção do sindicato não correspondeu à altura dos apelos da categoria. A greve poderia ter obtido muito mais vitórias, caso a direção do sindicato confiasse mais na base, unificando e massificando as greves, atuando em conjunto com as demais categorias e não tivesse vacilado frente aos governos e a justiça. Por isso, os profissionais precisam fazer seu Congresso e seguir na luta.


Uma polêmica necessária Concluída a greve, é necessário fazer uma avaliação desta luta que ajude a categoria a refletir sobre o processo e rearmar forças para continuar a luta. Neste sentido a Unidos pra Lutar quer contribuir e polemizar fraternalmente com as correntes sindicais que dirigiram e participaram da greve. Em primeiro lugar esclarecemos que reivindicamos o sindicato como a instituição legítima da categoria e discordamos das posições que desprezam esta organização como a ferramenta de luta dos trabalhadores. Nossa avaliação inicial é que os resultados da greve poderiam ter sido melhoresw. Existiam condições muito favoráveis para que esta greve fosse mais vitoriosa. Nesta avaliação observamos diferenças com os setores que dirigiram o processo, tanto municipal como estadual, considerando as políticas que assumiram durante a greve.

Uma conjuntura favorável

Nós acreditamos que a conjuntura política era altamente favorável. A greve da educação foi continuidade das Jornadas de Junho, que colocaram nas ruas, entre as demandas principais, a necessidade de lutar por uma educação pública de qualidade. O pós-junho não apresentou só esta luta. Durante os dois meses da greve lutaram bancários e petroleiros, o estaleiro Mauá paralisou, aconteceram marchas devido ao desaparecimento de Amarildo, protestos em comunidades como Manguinhos, usuários queimaram trens. Os educadores de Goiânia em greve ocuparam a Câmara de Vereadores, os do Pará permaneceram em greve. As redes municipais de Niterói, Nova Friburgo e Itaboraí também foram à luta. As Jornadas de Junho agitaram Fora Cabral! E a popularidade do governador caiu vertiginosamente nas pesquisas,obrigando-o recuar de vários ataques. Paes tentava afastar sua imagem de Cabral, mas a greve da educação desmascarou sua verdadeira política privatista e meritocrática, a mesma dos governos federal e estadual. Quem saiu pior da greve foi o prefeito Paes. Impossibilitado de desmontar a greve, recorreu a repressão, mostrando sua verdadeira face autoritária.

A categoria lutou com força e disposição

Desde o início a categoria demonstrou sua disposição. Assembleias cheias, passeatas massivas, coragem para enfrentar a repressão. Expressaram a força da categoria disposta a enfrentar governo, regime e polícia. Por isso a cada assembleia votava pela continuidade da greve. Uma importante conquista já que os trabalhadores da educação conquistaram mais coesão, mais experiência de luta e mais capacidade de auto-organização. Infelizmente, as correntes políticas que majoritariamente dirigem o sindicato (Conlutas e Intersindical) não responderam à altura da disposição da base e não apostaram na massificação do movimento. Ambas estiveram na retaguarda da radicalização da categoria e superestimaram a força do

governo e da justiça, levando o movimento ao beco sem saída que resultou no fim da greve. Acreditamos que primeiramente têm uma leitura diferente em relação à situação política do país, acerca das conclusões das Jornadas de Junho. Afirmamos que estes protestos mudaram a correlação de forças, permitindo um avanço da consciência e da disposição de luta dos trabalhadores e do povo. Os governos ficaram em uma situação de fragilidade. Não acreditamos que a utilização da repressão seja um sinal de fortaleza dos governos, mas sim ações de desespero quando não conseguem frear as massas com as manobras costumeiras de negociações rebaixadas e mentirosas. A greve da educação se desenvolveu neste contexto.

A direção do SEPE não respondeu à altura Ainda com as condições da conjuntura favorável, a categoria fortalecida e os governos fragilizados pelas Jornadas de Junho, a direção não teve esta caracterização, sempre apresentou políticas recuadas e tentou suspender a greve sistematicamente – sendo derrotada inúmeras vezes – tanto por meio de acordos com a prefeitura, quanto por meio da confusa proposta de “estado de greve”, um eufemismo simpático para apresentar a proposta de fim do movimento e o retorno ao trabalho. Desde a primeira semana quando as assembleias eram de 8000 profissionais e 20.000 ocuparam as ruas, a direção vacilou assinando uma primeira ata que aceitava as propostas rebaixadas do prefeito. A categoria demonstrou que era um equívoco e votou em grande assembleia no Terreirão do Samba por rejeitar a proposta. A partir deste fato, a base indicou o rumo da greve, sempre com propostas radicalizadas, assustando a direção que não acreditou e não confiou na disposição da base. Outro erro fundamental foi a orientação de sair da greve, como propusera o prefeito, para estudar o PCCR. Como era óbvio, Paes desconheceu o SEPE e enviou o Plano para ser votado na Câmara, o que obrigou à retomada da greve. Sem falar nos informes jurídicos tendenciosos construídos para tentar justificar a posição política da direção do sindicato que queria encerrar o movimento. Tudo isso num momento em que a greve crescia e mesmo quando conseguíamos avanços jurídicos. Uma situação absurda que desgastou a vanguarda do movimento e desmoralizou novos ativistas que não viam na direção disposição para encaminhar a luta.

Mas o erro mais importante da direção foi a política de evitar sempre a unificação das redes em luta e com as demais categorias em greve, que só ocorreu quando foi imposta pela base, sendo esta uma das principais batalhas que nós da Unidos pra Lutar travamos nos fóruns da categoria. A disposição e compreensão da necessidade da unificação foram evidentes nas últimas marchas de 70 mil que foram amplamente apoiadas pela população, por renomados artistas e que obrigaram o STF a receber a categoria. Nunca vamos esquecer que a direção do sindicato construía as assembleias, atos e calendários sempre pensando na divisão de uma greve da rede estadual e outra greve da rede municipal, algo inimaginável visto que somos uma única categoria. Não vamos esquecer também que a direção nunca buscou coordenar a greve com os bancários, petroleiros e demais categorias e setores que estavam em luta. Um sindicalismo combativo jamais divide os trabalhadores! Finalmente frente à última negociação, discordamos da forma que a direção agiu. O acordo era vergonhoso. A direção não deveria ter assinado nada, deveria ter denunciado o governo e se retirado para consultar a base, De fato não houve nenhum ganho concreto nas reivindicações da categoria. Infelizmente esse foi mais um exemplo dos graves atropelos democráticos cometidos durante a greve por parte da direção, que está desconectada das bases. Aconteceram inúmeros fatos que, de conjunto, mostram elementos de burocratização da direção. Nós, ao contrário, defendemos um SEPE onde a base decida todas as principais questões da categoria, sobretudo em momentos de greve.

A luta continua. Preparar o Congresso

Este balanço tem que colaborar para construir uma reflexão importante e na qual a direção deveria fazer uma autocrítica. A greve acabou, mas a luta ainda está em curso. Acreditamos que o ano 2014 não será só de eleições e Copa. As Jornadas de Junho não pararam, continuaram com as categorias e o movimento popular em luta. Esta é a perspectiva do próximo ano. O SEPE deveria propor uma greve geral nacional da educação e exigir que a CNTE chame e impulsione a luta unificada. Portanto, a categoria deve estar preparada para sair novamente a lutar e conquistar o que ainda está pendente. A educação saiu fortalecida de sua experiência nesta histórica e heroica greve. É necessário voltar para as escolas debatendo, elegendo representantes de escolas para democratizar ainda mais nossas instâncias e preparar um Congresso o mais rápido possível para fazer um debate amplo e democrático que permita rearmar a categoria para enfrentar os governos, responsáveis da política de privatização e desvalorização da educação pública e seus educadores. Sendo mais do que nunca necessário construir uma nova direção combativa e democrática para encaminhar nossas lutas.

Unidos sepe  

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