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Revista

Cooper

Ano 4 8º Edição Janeiro de 2017

A revista do Coopera vismo Solidário

QUEIJO ARTESANAL DE LEITE CRU O Cooperativismo Solidário inicia debates em defesa da legalização do queijo artesanal dos Agricultores Familiares do Paraná. Saiba como este processo.

Segurança Alimentar

2017-2020

Mudanças climá cas e formas de produção e consumo de alimentos são temas de debate do Conselho Municipal da Segurança Alimentar.

Os novos rumos do Coopera vismo Solidário serão definidos no 5º Congresso da UNICAFES PR.

Gênero e Geração Encontro promovido pela UNICAFES integra jovens e mulheres de todo o Paraná. Veja o resultado do Cul vando Sabores da Roça.

www.unicafesparana.org.br

unicafesparana


NESTA EDIÇÃO 05. TROCA DE EXPERIÊNCIAS Voluntários da Bélgica conhecem realidade da Agricultura Familiar no Brasil.

16. DIREITO DO TRABALHADOR Ações da Agricultura Familiar diante dos ajustes da previdência rural

08. SUCESSÃO FAMILIAR No 3º Encontro Estadual da Juventude estratégia para formação de lideranças é lançada.

17. MERCADO x LEGISLAÇÃO O Coopera vismo Solidário inicia debates em defesa da legalização do queijo artesanal com leite cru na região. Saiba como anda o processo e a opinião de quem trabalha no setor.

10. DIA DA MULHER RURAL O 7º Encontro Interestadual da Mulher Rural faz a integração de agricultoras em Cascavel, na região Oeste do Paraná.

13.COMERCIALIZAÇÃO Feira da Agricultura Familiar movimenta encontro anual de mulheres.

14. PROJETO DE RECEITAS Conheça as receitas que se destacaram no 3º Cul vando Sabores da Roça.

20. SEGURANÇA ALIMENTAR Mudanças climá cas e formas de produção e consumo de alimentos são temas de debate. O evento promovido pelo COMSEA de Francisco Beltrão marcou o Dia Mundial da Alimentação. 21. SUSTENTABILIDADE Planejamento estratégico par cipa vo da UNICAFES PR. Confira a programação para 2017. 23. AÇÕES Veja novas estratégias de gestão e contabilidade da Gestão Coop.


EXPEDIENTE

A revista COOPER MAIS é uma publicação da FEDERAÇÃO UNICAFES PARANÁ composta por matérias per nentes às Coopera vas no Estado do Paraná, tendo como eixo central o Coopera vismo da Agricultura Familiar e Economia Solidária. Trata-se de uma revista com conteúdos expressos em reportagens, entrevistas, colunas e promoções dos produtos das Coopera vas vinculadas ao Sistema UNICAFES. A COOPER MAIS quer agregar MAIS INFORMAÇÃO em ações de organização social, gestão de negócios, formação de lideranças e no fomento do Coopera vismo Solidário. ••••••••••••••••••••• CONSELHO EDITORIAL Redação, Projeto Gráfico, diagramação e edição: Indianara Paes. Revisão: Base de Serviços da UNICAFES. Jornalista Responsável: Indianara Paes. Colaboradores desta edição: Alcidir Mazu Zanco, Elizangela Bellandi Loss e Luís Fernando Lopes da Costa. Fotografias: Analice Lourenci, Indianara Paes, Karoline Ribeiro e Google. Impressão: Grafisul Gráfica e Editora. Tiragem: 2 mil exemplares. ••••••••••••••••••••• CONSELHO ADMINISTRATIVO FEDERAÇÃO UNICAFES PARANÁ Presidente: Nilceu Evanir Kempf. Vice-presidente: Valmir Priamo. Secretário: Ivori Fernandes. Tesoureira: Maria Ma lde Machado. Diretores: Luiz Ademir Possamai, Luiz Levi Tomacheski, Angelo Cosse n, Valdomiro Kordiak, José Carlos Farias, Francisco Eudes da Silva, Gilson Dal Cor vo, José Brugnara, Ernani Tabaldi, João Carlos Roso Lauer, Sebas ão Julião Alves, Vilson Camargo, Sérgio Roberto Fiorese, Wilmar Salesio Vandresen, Janete Ro ava, André Mosselim, Antonio Zarantonello e Luiz Fernando Lopes da Costa. Conselho Fiscal: Antônio Maria Moyses(Efe vo), Gilson Rodrigues da Costa(Efe vo), Marcos Jamil Auache(Efe vo), José Elto Santos da Silva, Morgana Aparecida Araújo e Savete Vizen n.

••••••••••••••••••••• ASSESSORIA FEDERAÇÃO UNICAFES PARANÁ Alcidir Mazu Zanco, Ká a Regina Celuppi, Indianara Paes, Leila Patrícia Bosa, Ovídio José Constan no e Mariangela Girardello Bedin. •••••••••••••••••••••

FEDERAÇÃO DE COOPERATIVAS DA AGRICULTURA FAMILIAR E ECONOMIA SOLIDÁRIA DO ESTADO DO PARANÁ Avenida General Osório, nº 440, Bairro Cango, Francisco Beltrão - PR. Cep. 85.604-240 Fone: (46) 3523-6529

EDITORIAL

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este ano a Cooper Mais, Revista do Coopera vismo Solidário, lhes proporcionará contato permanente com os ajustes que acontecem na polí ca brasileira, com interface com a influência destes na vida das Coopera vas e dos seus associados. A Revista acompanhará as ar culações do 5º Congresso Nacional e Estadual da UNICAFES, com atos de inovação e interlocução com o público que nos acompanha. No Estado serão realizados atos importantes para nosso fortalecimento social, sendo importante que vossa coopera va se organize para organizar atos municipais no dia do Coopera vismo, da Mulher e Jovem Rural, par cipando das novas edições do Projeto de Receitas Cul vando Sabores da Roça, do Programa da Juventude, do PEP UNICAFES e de outros momentos impares para visibilidade do nosso segmento organizacional. Nos municípios começam novos períodos de gestão pública, sendo fundamental que vocês leitores coopera vistas, apresentem nossa proposta de Lei Municipal do Coopera vismo aos vossos representantes, Vereadores e Prefeitos, para que os mesmos defendam e aprovem Marco Legal propício ao movimento coopera vista, ampliando nossa força como Agricultura Familiar e Economia Solidária. Nesta edição traremos informações sobre sobre temas estratégicos para a Agricultura Familiar e também sobre inovações que acontecem no Coopera vismo Solidário. Todos os leitores são convidados a interagir e socializar os conteúdos com vossos familiares e amigos, para que este sen mento coopera vista cresça em nossas comunidades.

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Boa leitura! 03


TROCA DE EXPERIÊNCIAS

Voluntários da Bélgica conhecem realidade da Agricultura Familiar no Paraná O intercâmbio propôs uma troca entre experiências entre as organizações que atuam com jovens rurais. Os belgas ainda construíram um documento com ações que serão implantadas no Plano da Juventude no Campo proposto pela UNICAFES PR em parceria com organizações do Cooperativismo Solidário.

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êxodo no campo é um problema real que já há algum tempo preocupa as organizações da Agricultura Familiar. A afirmação é de que a sucessão nas propriedades rurais ou nos empreendimentos não ocorre da maneira esperada. Perante a este contexto, a UNICAFES PR com apoio das organizações do Coopera vismo Solidário intensificou nos úl mos anos algumas ações para iden ficar os principais desafios e anseios da população jovem que vive no campo. A proposta estudada concentra-se desenvolver ações que es mulem a permanência dos jovens na agricultura, prevendo também a formação de novas lideranças à frente das organizações do setor – ações que são fundamentais para garan a da sustentabilidade da Agricultura Familiar. Em setembro de 2016 os engenheiros agrônomos belgas Bas aan Viaene e Jan Vanwijnsberghe que representam as organizações, como a Groene Kring e KLJ, a qual desenvolvem diversas a vidades especializadas para os jovens do meio rural es veram visitando o Brasil. Os voluntários da Bélgica vieram para Francisco Beltrão, região Sudoeste do Paraná com uma única missão: conhecer a realidade da agricultura pra cada na região para ajudar na construção de estratégias que incen vem a sucessão familiar, ou seja, trazer as experiências posi vas da Bélgica para serem aplicadas no Brasil. As ins tuições belgas são referência na organização do movimento dos jovens agricultores há mais de 40 anos. De 12 a 28 de setembro, os jovens par ciparam de uma

programação intensa de visitas em várias propriedades rurais em diferentes cidades da região Sudoeste, na qual puderam conhecer jovens e agricultores, coopera vas e as organizações vinculadas ao Coopera vismo Solidário. Percepções De acordo com Bas aan Viaene da Groene Kring, entre os contrastes visíveis entre o Brasil e a Bélgica se destaca a força do movimento Coopera vista Solidário, que representa os empreendimentos da Agricultura Familiar e Economia Solidária. Este modelo de coopera vismo não existe no país europeu, porque não há incen vo para a formação de pequenas coopera vas, desta forma permanecem apenas os grandes empreendimentos. Outra diferença é que o setor agrícola na Bélgica é composto por produtores de médio porte, como é classificado no Brasil. São propriedades rurais que chegam a 200 hectares para produção de cereais, no setor leiteiro estrutura para até 100 vacas, e suínos até mil animais. Segundo Viaene, os jovens agricultores na Bélgica também enfrentam desafios semelhantes com os dos jovens brasileiros. “Tem dificuldade para suceder seus pais, ter uma boa renda no começo, porque precisa se inves r muito para começar na agricultura. É um risco grande, e ainda em ter uma vida social, que é menos movimentada do que na cidade”, explica. No entanto, ele afirma que os jovens belgas conseguem ter uma vida agradável no campo. Para ele o diferencial esta no modo de organização. “Os jovens unem esforços para organizar coisas para eles

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Visita na UNICAFES PR

Ação de expansão do Coopera vismo

Visita a Embaixada da Bélgica no Brasil

Propriedades rurais em que ocorre a sucessão familiar.

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Futuras lideranças do campo

Visita em Centrais de Coopera vas

Agricultores que pra cam a agroecologia


mesmos, fazem eventos, encontros e visitas em empresas”, comenta. As organizações belgas, Groene Kring e KLJ, apoiam essas inicia vas: promovem ações para sensibilizar os jovens a dar con nuidade ao trabalho na roça, entre as principais a vidades estão encontros com a vidades educa vas e de entretenimento, ajudam na organização das propriedades com planos estratégicos, dão voz a va para que os jovens expressem seus pensamentos e anseios, e ainda trabalham na defesa dos seus interesses auxiliando na mudança das leis que facilitem a vida dos jovens

agricultores. Há também o incen vo da presença de jovens “voluntários” que possam coordenar os grupos de jovens a organizar ações e eventos na comunidade, uma prá ca não tão comum no Brasil, mas que tem grande aceitação na Europa. “Esperamos inspirar os jovens rurais a falar, a organizar a vidades para os outros jovens porque é muito importante para que eles con nuem no campo. Os agricultores tem a profissão mais bonita do mundo”, destaca Jan que representa a KLJ.

Representantes das entidades que desenvolvem trabalho com a juventude rural no Brasil e na Bélgica: Bastiaan Viane (Groene Kring), Ivori Fernandes (UNICAFES), Valéria Korb (ASSESOAR), Edivar Anater (CRESOL), Jones Maschio (INFOCOS), Luiz Fernando da Costa (UNICAFES), Janete M. Rottava (UNICAFES), Jan Vanwijnsberghe (KLJ).

e incen vo a sucessão familiar. Documento Ao final das visitas, os voluntários da Bélgica construíram Representantes uma carta de sugestões para UNICAFES, com propostas que Os voluntários Bas aan e Jan também foram nomeados atendem pontos como desenvolvimento de liderança, as pela UNICAFES PR representantes do relações sociais, e que trabalhem o espirito de cooperação, organização e plane- Entre as atividades sugeridas no docu- Coopera vismo Solidário na Europa. O jamento, questões que podem mudar a mento estão estimular a criação de intuito é mostrar as experiências posi vas deste modelo coopera vista para as realidade dos jovens rurais brasileiros. grupo de jovens voluntários nas regiões, organizações fora do Brasil. Entre as a vidades sugeridas no documento estão es mular a criação de motivar jovens a serem comprometidos, grupo de jovens voluntários nas regiões, oferecer material para formação, inspi- Visita na Embaixada da Bélgica Antes de retornarem para casa, os mo var jovens a serem comprome dos, rar jovens para organização de atividaoferecer material para formação, inspi- des, disponibilizar serviços interessantes belgas também visitaram a Embaixada da rar jovens para organização de a vida- a partir de parcerias que beneciem os Bélgica em Brasília, e entregaram um des, disponibilizar serviços interessantes jovens, divulgar as ações e estimular os documento com recomendações desenvolvidas por eles para o plano de ação a par r de parcerias que beneficiem os jovens a participarem das cooperativas. com juventude da UNICAFES PR, assim jovens, divulgar as ações e es mular os como apresentando os desafios comuns jovens a par ciparem das coopera vas. aos jovens brasileiros e belgas. De acordo com o diretor da Secretaria da Juventude da A oportunidade serviu também para que o TRIAS e a UNICAFES PR, Luiz Fernando da Costa, o conjunto de estraUNICAFES entregassem aos diplomatas belgas uma carta em tégias e metodologias será implantado junto ao Plano da agradecimento aos 10 anos de cooperação entre as organizaJuventude Rural. A inicia va da UNICAFES em conjunto com ções. O intercâmbio entre as organizações da Bélgica e Brasil a Central CRESOL Baser, Ins tuto INFOCOS, ASSESOAR, ocorreu a par r da cooperação internacional existente entre a Casas Familiares, Mab, e Sindicatos Rurais visa atender as UNICAFES PR e o TRIAS. demandas da juventude para formação de novas lideranças

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SUCESSÃO FAMILIAR

3º ENCONTRO ESTADUAL DA JUVENTUDE Estratégia para formação de lideranças é lançada

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formação de cinco turmas no Estado, com uma média de ntera vidade e integração são palavras que definem o 30 jovens por turma. As aulas deverão ocorrer a cada 45 clima da 3º edição do Encontro Estadual da Juventude. dias. O período deste trabalho terá duração de dois anos. Neste ano, cerca de 250 jovens rurais de várias regiões A previsão é que as aulas iniciem no próximo ano, assim do Estado vinculados as Coopera vas Solidárias par cipaque as turmas estejam formadas. ram da programação realizada na Associação Atlé ca da O Programa Juventude no Campo será realizado pela Coopavel, em Cascavel, na região Oeste do Paraná. UNICAFES PR com apoio da Central CRESOL BASER, Ins Desta vez, a abertura do evento aconteceu em conjuntuto INFOCOS e ASSESOAR, Casas Familiares Rurais, MAB, to com o 7º Encontro Interestadual da Mulher Rural. Uma e Sindicatos dos Trabalhadores Rurais. das novidades foi à dinâmica de integração entre de Após o lançamento, os jovens seguiram para outro jovens e mulheres que par cipam das ações do Programa espaço onde par ciparam de a vidades de Gênero e Geração do Coopera visA iniciativa pretende tra- direcionadas, com ações intera vas que mo Solidário. O obje vo foi mostrar a importância que dos jovens e mulheres balhar estratégias para trabalharam a importância do Coopera para o desenvolvimento e fortalecimenformação de novos lide- vismo e da Agricultura Familiar, destacando o quanto eles são fundamentais para to das organizações e também da Agrires, bem como fortalecigaran r a sustentabilidade do campo. cultura Familiar. mento das relações que O coordenador de formação do Sistema A UNICAFES PR também fez o lançagerem a sucessão familiar. CRESOL e também agricultor, Valdair Sanmento do Programa Juventude do Camtos par cipou a programação. “Foi muito po. Na ocasião várias lideranças do Cooproveitoso o que mais marcou foi à interação e a par cipapera vismo Solidário e o público em geral conheceram a ção dos jovens. A didá ca usada foi excelente no meu proposta de trabalho com a juventude rural que começou ponto de vista colaborando na maior interação dos a ser desenvolvida nos úl mos anos. jovens”. As a vidades serão desenvolvidas com ações con nu“Todas essas questões nós conseguimos passar de as e complementares de organização social, produ va e uma forma muito dinâmica e diver da. Os jovens par cicomercial, prevendo ações de interação com as coopera param de várias brincadeiras gerando uma interação difevas locais e outras organizações da Agricultura Familiar e rente, daquele evento formal. Assim todos puderam par Economia Solidária. cipar e contribuir mostrando suas ideias”, avaliou Luiz De acordo com o diretor da Secretaria da Juventude, Fernando. Luiz Fernando da Costa, a perspec va do programa é a

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Expectativa dos jovens para início do trabalho... "O Projeto vem de encontro com a necessidade de empoderar e instrumentalizar a juventude propiciando maior participação e envolvimento na construção de uma Agricultura Familiar ainda mais sustentável. Vejo que o projeto permitirá um olhar sensível e personalizado em todas as demandas da juventude, fortalecendo os laços no fomento do gerenciamento e altivez, na sucessão da propriedade rural, criando mecanismos para a construção de uma juventude consciente e fortalecida que permita a construção de novos rumos para o setor."

Valdair Santos, 26 anos.

"As expectativas para Programa da Juventude no Campo são as melhores possíveis. Espero que com esse trabalho possamos garantir a permanência de mais jovens no campo com qualidade de vida e renda digna, garantindo a sucessão nas pequenas propriedades com expansão na produção de alimentos saudáveis, utilizando os princípios da agroecologia e da produção orgânica."

"Espero que o projeto mostre que a questões próprias da juventude do campo, que devem ser levadas em conta, pois são esses jovens que vão garantir a sobrevivência no campo. Que o projeto tenha uma metodologia que busque desenvolver a identidade desses jovens a partir do lugar que eles ocupam, que se proporcione reexão coletiva sobre as atividades, além de ser um processo de escuta sobre as necessidades da juventude, essas organizadas em diferentes localidades. Conscientizar o jovem da importância dele se tornar um ator social, transformador de si e da sociedade. Enm que esse programa possibilite a formação de um pensamento crítico e a autonomia do sujeito diante de seu futuro."

André L. Debres, 22 anos.

Márcio Castilho, 25 anos.

Jonai Antunes, 27 anos.

"Os jovens esperam encontrar um caminho, uma forma de conseguir permanecer no campo, trabalhando a terra e que consigam manter um padrão de vida confortável, onde possam se preocupar um pouco mais com sua sociedade e com o meio ambiente. Buscam dentro do programa, assistência técnica para que consigam trabalhar suas terras ou de seus pais de forma ecaz, identicando uma atividade que seja viável e rentável para a quantia de terra que cada um tem, buscam ainda linhas de crédito menos burocráticas, com um menor pagamento de juros, para poderem viabilizar as atividades recomendadas pela assistência técnica. Também pretendem encontrar formas alternativas de colocar seus produtos no mercado, como por exemplo as políticas públicas que garantem um percentual de alimentação provenientes da Agricultura Familiar." 09 35


DIA DA MULHER RURAL

7º ENCONTRO INTERESTADUAL DA MULHER RURAL FAZ INTEGRAÇÃO DAS AGRICULTORAS EM CASCAVEL

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interferem no seu co diano. “As mulheres estão conquistanentenas de mulheres agricultoras de várias partes do do o seu empoderamento, que são fundamentais para ajuestado do Paraná par ciparam da 7º edição do dar na construção do Coopera vismo Solidário. Nós quereEncontro Interestadual da Mulher Rural – um evento mos muito mais, que elas con nuam par cipando e mosfes vo, mas também de troca de informações e experiêncitrando suas ideias.” as. A agricultora Zenilda Aparecida considera muito imporA programação aconteceu no município de Cascavel, tante a organização das mulheres agricultoras – um ponto região Oeste do Paraná, no espaço da Associação Atlé ca da que o Programa de Gênero e Geração traCoopavel e contou com música, momentos de reflexão, sorteio de Hoje, as agricultoras são prova balha nos grupos produ vos. “É importanbrindes, dinâmicas sobre a importância do esforço conjunto efetuado te esse momento que nós temos para da mulher no coopera vismo, exposipelas organizações do Coopera- aprender mais e também levar este conheção e comercialização de diversos protivismo Solidário que apoiam cimento para as outras mulheres que ficaram no interior.” dutos artesanais e coloniais preparados este trabalho que além de Além das mulheres vários parceiros pelas agricultoras na feira da Agricultura incentivar alternativas de produpres giaram o encontro, entre eles o Familiar. ção, também estimula a forma- Secretário Nacional de Economia Solidária No mesmo dia aconteceu a final da ção de lideranças. do Ministério do Trabalho (SENAES) Natali3º edição do Projeto Cul vando Sabono Oldakoski, Gestor do programa de res da Roça e a exibição dos vídeos que Desenvolvimento Rural Sustentável da Itaipu Binacional, contam história das receitas familiares que par ciparam da Sérgio Angheben, da Organização das Nações Unidas para a edição de 2015. Alimentação e a Agricultura (FAO), Cláudia Cartes, além dos O evento das mulheres organizado pelo Programa de parceiros da UNICAFES PR como TRIAS Brasil, Deputado Gênero e Geração tem tomado maiores proporções mosFederal Assis do Couto e a Assessora parlamentar da Senatrando a evolução de um trabalho que só é possível, a par r dora Gleisi Hoffmann, Luciana Rafagnin. O Encontro de da união de forças. Isso é coopera vismo. Para a diretora da Mulheres e Jovens promovido pela UNICAFES também receSecretaria de Mulheres, Janete M. Ro ava cada ano que beu apoio da Central CRESOL Baser, Ins tuto INFOCOS e passa, fica mais visível o interesse das mulheres ocuparem ASSESOAR. seus espaços, terem voz mais a va na decisão de temas que

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Sueli Terezinha Alves, Agricultora “Esse programa ajuda a gente ter uma visão mais lá na frente, mais ampla, está abrindo novas oportunidades, para mim é muito bom, me realiza. Até agora não encontrei pessoas como elas. A gente conversa tem uma amizade, uma conança, acho que tem que continuar, cada vez mais, e essa mulherada tem que ir atrás das oportunidades que surgem.”

Alzemiro Thomé – presidente da Central CRESOL Baser “É muito importante nós estamos participando de um evento igual a esse, como um dos parceiros da UNICAFES, porque proporciona o envolvimento das mulheres, das famílias, dos jovens, onde que vários projetos que a CRESOL defende junto com as suas famílias, a participação no projeto coletivo, a atividade que estão fazendo. Então nada mais justo do que estar apoiando essa iniciativa.” Silvania Silva – diretora da CRESOL de São Miguel do Iguaçu “É muito graticante fazer um trabalho onde além de levar informações a gente volta pra casa com ainda mais conhecimento. Ainda mais nos dias de hoje, onde as pessoas estão muito individualistas. Então fazer um trabalho onde as mulheres participam e voltam pra casa com um sorriso é bom demais, saber que atingimos o objetivo de levar a importância de cooperar. Torna ainda mais graticante, por isso adoro o que eu faço.”

Vanderlei Zigger – presidente do Instituto INFOCOS “O encontro permitiu aquilo que nos temos de expectativa com relação ao cooperativismo e sobre a participação dos jovens e das mulheres. Esses momentos só fortalece a estratégia de ação das cooperativas. Ao mesmo tempo permite que as mulheres tenham a participação mais efetiva que é esse o nosso desejo dentro do cooperativismo.” 11 35


Governador Valadares (MG)


COMERCIALIZAÇÃO

Feira da Agricultura Familiar movimenta encontro anual das mulheres rurais.

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uem é que resiste a uma feira? Um espaço muito movimentado no 7º Encontro Interestadual da Mulher Rural foi a Feira da Agricultura Familiar, uma das atrações mais aguardadas pelas agricultoras. Neste ano, 15 grupos produ vos de diferentes cidades do Paraná que são acompanhados pelo Programa de Gênero e Geração par ciparam da feira. Seja no artesanato ou na gastronomia as mulheres mostraram seus talentos, com a exposição de uma grande variedade de produtos de agradar os olhos e também o paladar. A visitante Ta ane Borges do município de Boa Vista da Aparecida passou pela feira e ficou encantada com os ar gos de artesanato. A jovem não se conteve e comprou um pote todo decorado que já tem des -

no certo na casa dela: servirá para guardar bolacha na cozinha. “É muito bonito, além de ser feito com as mãos deixa a casa da gente mais charmosa”, diz orgulhosa. A Feira da Agricultura Familiar incen vada pela UNICAFES PR é uma pequena amostra do trabalho realizado pelos dos grupos produ vos em seus municípios. Este mercado alterna vo que se abre para as produtoras tem feito à diferença porque muitas famílias tem a complementação da sua renda com os produtos que são comercializados neste espaço. Entre os produtos disponíveis para venda nesta edição da feira centenas de ar gos artesanais para uso domés co, como toalhas, tapetes, avental, lençóis, porta talheres, porta prato, puxa saco e até produtos para decoração e flores. Já na área gastronômica nha vários produtos coloni-

ais, como panificados entre pão, cuca, bolacha e bolos além de embudos, doces, como geleias e açúcar mascavo. A agricultora Inadir Aparecida de Abreu do município de Manguerinha, região Sudoeste do Paraná fez boas vendas na feira com a sua especialidade: fondue. Para a produtora que já par cipa da feira desde a primeira vez, o encontro é um dia muito especial porque além de expor seus produtos é um momento para reencontrar as amigas. “É muito bom reencontrar as pessoas que às vezes você vê uma vez por ano. Nós temos um grupo de mulheres muito grande que elas ficam esperando o ano inteiro para par cipar. É uma forma de trocar experiências e se diver r. É um dia muito especial para todas as mulheres”, avalia Inadir.

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PROJETO DE RECEITAS

3º Cultivando Sabores da Roça revela novas receitas da Agricultura Familiar

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nostalgia de comida regional, valorizando um dos princípios da m espetáculo de sabores e aromas. Só de observar a gastronomia. Foi muito di cil selecionar os melhores pratos, variedade de receitas que chegaram a final da 3º um grande desafio. Todos os compe dores imprimiram em edição do Projeto Cul vando Sabores da Roça já era suas receitas a sua iden dade, a sua forma de relação com os possível ter ideia da di cil missão que teriam os jurados. alimentos.” Neste ano, a inicia va que premia as receitas que destacam os produtos e temperos da Agricultura Familiar teve um desafio Resultado extra: preparar receitas familiares que vessem como protagoNeste ano, o grupo produ vo inscrito que teve a receita nistas as leguminosas, como grão de bico, soja, len lha, feijão, classificada de acordo com os quesitos do Projeto foi premiado ervilha e amendoim. com um forno elétrico. Nesta edição, também foi definido não O mo vo foi divulgar o Ano Internacional das Leguminosas divulgar a classificação dos primeiros lugares. Na entrega dos in tulado pela Organização das Nações Unidas para a Alimenprêmios, a UNICAFES PR ficou um termo compromisso para tação e a Agricultura (FAO), a qual a UNICAFES é parceira na concessão de uso do equipamento. ação. Quem aceitou a missão recebeu pontuação especial. Na categoria doce as três receitas com Desta vez, a inscrição de receitas ocorreu por grupo produ vo e não de forma O motivo foi divulgar o Ano maior pontuação foram: Pudim de Mandioca de Marilene Sotoriva do grupo de “Mulheres individual como nas outras edições. Internacional das Leguminosas Batalhadoras” do município de Ampére, no Assim, cerca de 90 receitas do campo intitulado pela Organização Sudoeste do Paraná; Mufins de Cenoura da classificados em pratos doces e salgados par ciparam das etapas regionais realizadas Nações Unidas para a Lucimara de Fá ma Ma as do grupo “Faxinal das nas regiões Sudoeste e Fronteira, Alimentação e a Agricultura dos Ribeiros” da comunidade de São Lucas, município de Pinhão, região Centro do Paraná; Oeste, Centro e Centro Sul do Paraná, nos (FAO), a qual a UNICAFES é e o Pão de milho da Nona, de Neiva Salvalagmeses de agosto e setembro. Todos os parceira na ação. gio do clube de mães “Unidos Venceremos” pratos inscritos foram avaliados por proda comunidade de São Jorge, município de fissionais da área gastronômica que São Miguel d’Oeste. analisaram elementos como, origem dos produtos, modo de As três melhores receitas salgadas desta edição foram: preparo e iden dade cultural. Ao final, apenas 27 seguiram Rocambole de Mandioca com Espinafre de Rosa Rodrigues para a final realizada no dia 27 de outubro, durante o 7º EnconPrusly do grupo “Gramadinhos” da comunidade de Gramaditro Interestadual da Mulher Rural, em Cascavel. A coordenação nho, município de Guaraniaçu, região Oeste do Paraná; Salada das a vidades foi acompanhada pela comissão do Programa de de Charque de Roseli Terezinha Tervoski Bayer, do grupo de Gênero e Geração. “Arte e Sabor” da comunidade Três Palmeiras, município de Para a jurada Raquel Gore Eckert Dreher foi surpreendente Candói, região Centro; e a Torta Salgada de feijão bolinha brana forma com que os ingredientes simples transformaram as ca, flocos de aveia e amendoim de Lurdes Farezin Gosdzink, do receitas em belos pratos. A cria vidade dos par cipantes foi grupo “Alto Alegre” do Reassentamento São Francisco, municíum dos quesitos que mais chamou atenção. “Encontramos pio de Cascavel, região Oeste do Paraná. pratos diferentes, cria vos e muito saborosos, todos com a

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Livro de Leguminosas das. Isso um reconhecimento que a mulher agricultora precisa ter, porque nem sempre ela é reconhecida pelo que ela faz. É uma forma de expressar o que a gente é na roça”, comentou Lucimara. Segundo ela, a premiação para o grupo incen va também a maior par cipação das mulheres para o próximo ano. “As mulheres do nosso grupo ficaram com vontade de par cipar, vai ter mais par cipantes”. Exibição dos documentários No 7º Encontro Interestadual da Mulher Rural teve um momento de divulgar os vídeos documentados nas propriedades rurais das principais receitas da edição de 2015 que integraram o livro “De geração em geração levando sabores a sua mesa”. As receitas exibidas foram: Pão de Mandioca, Traça de Batata e Bolo de Amendoim. O público pode conhecer a origem da receita que se relaciona a história da família que até hoje tem a sua tradição preservada. O conteúdo também pode ser visualizado no facebook.com/unicafesparana.

Receitas de 2016

Doce

A parceira entre a UNICAFES e a FAO na 3º edição do Projeto Cul vando Sabores da Roça irá resultar na produção de um livro de receitas de leguminosas. A representante da FAO Cláudia Cartes esteve presente no evento para firmar o compromisso deste trabalho. Segundo ela, as receitas que par ciparam do Projeto e contenham leguminosas nos ingredientes irão fazer parte do livro que será produzido pelas organizações. O grupo “Alto Alegre” escolheu a receita da Torta Salgada da agricultora Lurdes Farezin Godzink, de Dois Vizinhos, para par cipar desta edição. A maior parte dos ingredientes vem da propriedade dela, são produtos naturais e ainda ela priorizou o uso das leguminosas: incluindo na receita o feijão e o amendoim. O mesmo aconteceu com o grupo “Faxinal dos Ribeiros” que trouxe a receita dos Muffins de Cenoura com Amendoim da agricultora Lucimara de Fá ma Ma as, de Pinhão, para par cipar. A receita fez sucesso e ficou entre as três premiadas na categoria doce. Para ela, o Projeto de Receitas valoriza o trabalho das agricultoras. Lucimara que nunca havia par cipado do Projeto ficou surpresa com o resultado. “Não esperava estar entre as classifica-

Mufns de Cenoura e Amendoin

Pão de Milho da Nona

Salgado

Pudim de Mandioca

Salada de Charque

Rocambole de Mandioca

Torta Salgada

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ARTIGO: DIREITO DO TRABALHADOR

Ações da Agricultura Familiar diante dos ajustes na previdência rural

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maior. Se tomado o PIB agrícola, de cerca de 1 trilhão, obserUNICAFES entende que as mudanças na Previdênva-se que os valores arrecadados não chegam a 2,1 % (alícia Social são necessárias, porém se eles precisam quota devida nos termos da Lei 8.212/91). O mecanismo ser efetuadas, necessitam ser pautadas de acordo arcaico, que remonta a década de 60, precisa ser modernizacom o perfil e as caracterís cas da categoria profissional. As do e automa zado. Com isso, acredita-se que é possível mudanças necessitam ser pensadas a par r de quem mais dobrar a arrecadação. precisa da previdência, de forma a tratar os desiguais como 2- Fiscalizar a arrecadação das contribuições das empredesiguais, pois na devolução justa da previdência aos seus sas que veram procedência de ações com base na Lei contribuintes está a solução para o crescimento econômico 8.540/92 (superadas pela lei 10256/01). da Nação. A contribuição do empregador rural imposta pela Lei Os trabalhadores rurais, por terem uma jornada extenu8.540/92 foi julgada incons tucional pelo STF no RE 363852. ante e começarem a trabalhar muito jovens, comprovadaO disposi vo foi novamente inserido pela Lei 10.256/01, mente, iniciam suas a vidades profissionais antes dos 14 porém empresas con nuam sem pagar com base em decianos de idade. Isso significa que a mulher rural trabalha, em sões judiciais transitadas com base na Lei 8.540/92. média 41 anos e o homem 46 anos, para alcançar o direito à 3- Ampliar da formalização do emprego rural. O agroneaposentadoria no valor de um salário mínimo, a qual atualgócio tem crescido muito nos úl mos anos, porém, os mente a idade mínima para se aposentar é de 55 anos para empregos não acompanham essa proa mulher e 60 anos para o homem. Os ajustes afetam a seguridade social da Além de prejudicar os traba- porção. Pra camente não há fiscalizapopulação brasileira. Uma agricultora terá lhadores, o aumento da idade ção trabalhista e previdenciária no que trabalhar 51 anos para ter direito a apomínima aos rurais trará ree- meio rural. Nesse sen do, seria fundamental promover uma ampla campasentadoria por idade. Além de prejudicar os xos negativos á nação, pois nha de formalização. trabalhadores, o aumento da idade mínima 4- Criar leis estaduais ins tuindo o aos rurais trará reflexos nega vos á nação, será mais um desestímulo para bloco de produtor rural, de modo a pois será mais um deses mulo para a cate- a categoria. formalizar a comercialização da produgoria. Vale lembrar que o Agricultor Familiar ção e promover uma campanha de fiscalização e conscien também atua por conta própria, mas a legislação o enquazação para a arrecadação da contribuição previdenciária dra como “Segurado Especial”. rural. O Governo atual lança em todos os espaços midiá cos Poucos estados tem o sistema de emissão de notas ficais que os ajustes são solução para a previdência não quebrar. de produtor rural funcionando. A renovação do Sistema Destacamos outras possíveis saídas para evitar a redução promoverá maior a formalização e arrecadação. Esse pronos direitos previdenciários dos trabalhadores rurais, processo fortalecerá uma campanha de esclarecimento sobre a postas do Ins tuto Brasileiro de Direito Previdenciário que importância da previdência. visam preservar os direitos previdenciários dos trabalhadoEsse tema solicita par cipação dos diretores e associados res (as): das coopera vas, pois se verifica que várias formas de 1- Melhorar o sistema de arrecadação, com o cruzamenmelhorar a questão da previdência rural. Ao invés de to de dados da Receita Estadual (nota fiscal de produtor aumentar o tempo de contribuição e diminuir o tempo de rural) com a Receita Federal, criando um mecanismo de aposentadoria o Governo poderia reorganizar seu Sistema fiscalização no sistema, sem necessidade de atuação fiscal in de arrecadação e controle dos gastos. De toda forma cabe a loco. Realizar, de forma ampla, o cadastramento dos seguraAgricultura Familiar se reorganizar para defender seus direidos especiais. tos de forma par cipa va. A arrecadação da previdência rural poderia ser muito

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MERCADO X LEGISLAÇÃO

queijo artesanal DE LEITE CRU O Cooperativismo Solidário inicia debates em defesa da legalização do queijo artesanal dos Agricultores Familiares. Saiba como anda o processo e a opinião de quem trabalha no setor.

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cos”, explica Rose. ilhares de famílias agricultoras herdaram a tradiPara quem não conhece, o diferencial do queijo de leite cru ção de fazer diferentes produtos coloniais. No em comparação do os outros pos de queijo industrializado Sudoeste do Paraná, o queijo artesanal de leite pode ser iden ficado no aroma e principalmente no sabor. cru que historicamente começo ser fabricados pelos primeiros Isto porque no seu processo de transformação, os produtores colonizadores da região é uma prá ca que atravessou geranão efetuam a pasteurização do leite, uma prá ca que além ções. de eliminar as bactérias boas e ruins da matéria prima, altera Na comunidade da Água Vermelha interior de Francisco também o sabor do leite eliminando automa camente as Beltrão, a família Capra produz de queijo de leite cru há 40 caracterís ca especiais dos queijos artesanais. anos. O costume que ficou de herança virou o principal negó“A forma mais sustentável de produzir queijo cio da família que com a renda da produção de leite organizou a propriedade e “Acredito que é importante é transformando o leite após duas horas da ordenha, sem necessidade de pasteurização. Isso faz montou uma agroindústria de queijo. e primordial termos o recocom que você tenha um produto de al ssima A agricultora Rose Piekas Capra é quem coordena a queijaria com apoio de nhecimento que o queijo qualidade, um produto diferenciado do grande uma funcionária. O marido auxilia na artesanal tem notoriedade, mercado, com maior valor agregado e ao mesmo comercialização. O trabalho exige dedica- possui um saber fazer espe- tempo você está valorizando o leite que está ção integral do casal. Todo processo de cico e é fabricado há anos produzindo na propriedade. É um mercado proprodução de leite e industrialização do na região.”, armou Diego missor para o pequeno produtor de leite”, destaca o agrônomo Christophe de Lannoy que faz queijo é feito dentro da propriedade. A parte do grupo estratégico do Sistema CRESOL. média diária é de 360 litros de leite. A Gueder, do MAPA. Apesar de ser popular e ter boa aceitação comercialização do produto é des nada pelos consumidores, este produto enfrenta várias barreiras na para os programas governamentais e também para o comérsua comercialização. Uma delas é pela compe ção dos producio local. tos industrializados, que ocupam a maioria dos espaços de Segundo a produtora, a família tenta preservar a receita do comercialização urbana. tradicional queijo da vovó. O queijo é muito procurado no Já a outra está relacionada aos conflitos dos gargalos ins município. O jeito artesanal de produzir é o grande diferencial. tucionais e regulatórios que são impostos aos produtos artesaAs pessoas que vão até a propriedade para comprar conhenais, especialmente os de origem animal fazendo com que a cem a origem, sabem que é um produto natural. “Usamos transferência do conhecimento do saber fazer, além das caracapenas o leite da propriedade, o leite cru, sem pasteurizar. A terís cas intrínsecas ao queijo colonial do Sudoeste do Paraná procura é boa porque são poucos produtores que fazem o seja ex nta. queijo de maneira artesanal, sem o uso de produtos quími-

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Barreiras na legislação sanitária como acontece com os outros queijos industrializados”, comenta. É por esta questão, que a produtora defende que a legislação sanitária para o queijo de leite cru deveria ser diferenciada, especifica para este po de queijo. Desta forma, a UNICAFES PR com apoio do Sistema CRESOL, da ASSESOAR e Ministério da Agricultura (MAPA) iniciou um processo de discussão para fomentar a busca pela efe vação do processo de legalização do queijo de leite cru – um potencial regional.

Atualmente a legislação não proíbe a produção de queijo artesanal de leite cru, mas exige vários requisitos, como por exemplo, a infraestrutura, controles de sanidade e principalmente período de maturação de 60 dias, que exige maior inves mento por parte do agricultor, tornando a produção inviável. “É impossível segurar o queijo por 60 dias. Além de uma estrutura grande para armazenar a produção, o queijo não suporta todo este tempo e acaba estragando, porque não usamos produtos químicos,

Uma das primeiras ações é uma pesquisa da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná) e a UMIPTT (Unidade Mista de Pesquisa e Transferência de Tecnologias no Paraná) para iden ficar o período ideal de maturação. Atualmente a vigilância sanitária estabelece que o queijo de leite cru precisa de 60 dias de maturação para alcançar os padrões microbiológicos. Outra demanda é a integração do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária (SUASA) com igualdade para as legislações municipais e estaduais.

Valorização do queijo de leite cru: debate entre produtores e organizações que apoiam a legalização do queijo.

Principais pontos do debate 1. Decreto de maio de 2015, que permi

u a realização de testes para comprovar o período ideal de maturação do queijo, abre uma nova possibilidade para os produtores de queijo.

2. A produção de queijos com leite cru deve ser feita com maturação de até 60 dias.

3. Pode ser produzir queijos sem grandes inves

mentos em equipamentos, o importante é que o rebanho seja sadio, livre de tuberculose e brucelose,

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e existam boas prá cas de fabricação, gerando produto final de qualidade e sem risco a saúde humana.

4. A contratação de um responsável técnico não é obrigatória, ainda que seja recomendável, mas pode ser prestada por técnico do município que não seja do serviço de inspeção.

5.

Um bom queijo de leite cru deve ser elaborado com leite de no máximo duas horas após a ordenha. Esta é uma garan a de qualidade e inocuidade.


O queijo artesanal é famoso na região.

Família Capra produz queijo há 40 anos.

Identicação Geográca O modo artesanal de produção do queijo de leite cru da Agricultura Familiar possui peculiaridades par culares, porque o produto possui uma iden dade regional e ambiental que o dis ngue das outras regiões produtoras de queijo. Os queijos coloniais produzidos nas comunidades rurais são produtos que se enquadram numa concepção de qualidade do sistema agroalimentar, caracterizada pela produção de bens tradicionais, com vínculos culturais e ambientais, contrapondo-se à padronização industrial. Uma inicia va que pode contribuir com a valorização deste po

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de queijo é o registro do Ins tuto do Patrimônio Histórico Nacional (IPHAN), a exemplo do que já aconteceu com os queijos do Serro, da Canastra e do Alto Paranaíba em Minas Gerais. Os processos de reconhecimento e registro de uma indicação geográfica para produtos agropecuários tem sido uma das estratégias mais importantes, tanto para valorizar e fortalecer as cadeias produvas, quanto para o desenvolvimento dos territórios onde elas se inserem. É uma forma efe va de valorizar um território, uma região, através do reconhecimento da reputação que esta região adquiriu na produção de um determinado

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produto. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) é parceiro para alcançar este reconhecimento. “Acredito que é importante e primordial termos o reconhecimento que o queijo artesanal tem notoriedade, possui um saber fazer especifico e é fabricado há anos na região. É um processo que já aconteceu em outras regiões do Brasil e que nós do Sudoeste vamos iniciar. É um produto que não existe regulamentação e nós precisamos que ele seja regulamentado e valorizado”, afirmou Diego Gueder, que representa o MAPA na região Sudoeste do Paraná.


SEGURANÇA ALIMENTAR

Mudanças climáticas e formas de produção e consumo de alimentos são temas de debate O evento promovido pelo COMSEA de Francisco Beltrão marcou o Dia Mundial da Alimentação

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s es ma vas indicam que o número de habitantes do planeta vai superar os nove bilhões de pessoas em 2050, e a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), es ma que a produção mundial de alimentos tenha que aumentar em 60% para poder atender as novas demandas alimentares. No entanto, os Agricultores Familiares produtores da maior parte dos alimentos que são consumidos estão entre os povos mais afetados pelas mudanças ocasionadas pelo clima: altas temperaturas, secas e desastres naturais. Em 2016, o Dia Mundial da Alimentação – celebrado em 16 de outubro, alertou a população ao fazer referência ao seguinte tema “O clima está mudando. A Alimentação e a Agricultura também”. Atenta a essas discussões, o Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional de Francisco Beltrão, o qual a UNICAFES PR é integrante promoveu um encontro para a comunidade refle r sobre das mudanças climá cas e as formas de produzir e consumir alimentos. Cerca de 250 pessoas par ciparam do

debate, entre eles estudantes, professores, agricultores e representantes de organizações parceiras. Entre os palestrantes estavam à professora da Unioeste (Universidade Estadual do Oeste do Paraná) campus Francisco Beltrão, Rose Mary Helena Quint Silochi que falou sobre a importância das leguminosas, outro tema tratado pela FAO em 2016, teve ainda a contribuição do mestre em gastronomia Jhony Luchmann que abordou sobre os desafios da Segurança Alimentar no mundo, e do agricultor agroecológico Sérgio João Kaupka que falou sobre as suas experiências e desafios na a vidade agroecológica. Conforme Ká a Regina Celuppi presidente do COMSEA, um dos obje vos da organização formada há dois anos foi alcançada com a realização do evento: promover um espaço de interação e reflexão. “O obje vo principal deste momento é nos aproximar da comunidade para que juntos possamos realizar um bom trabalho com foco na segurança alimentar. Somente nestes encontros conseguimos a ngir desde o Agricultor Familiar, que produz o alimento, as merendeiras que

manipulam e os alunos que consomem diariamente esses produtos. Acredito que a conscien zação mutua e o entendimento de que cada um tem seu papel na sociedade conseguiremos resultados posi vos”, comenta Ká a. O encontro também deixou a mensagem sobre a importância da população adotar prá cas mais sustentáveis. Conforme a presidente do COMSEA, crescer de forma sustentável significa adotar prá cas que façam produzir mais com menos, u lizando os recursos naturais com sabedoria. Significa também, reduzir as perdas de alimentos, por isso a mensagem para o Dia Mundial da Alimentação 2016: “O clima está mudando. A alimentação e a agricultura também” são necessárias tratar sobre a alimentação e a agricultura nos planos de ação sobre mudanças climá cas e inves r mais no desenvolvimento rural. “A agricultura orgânica está alinhada com esta prá ca. É necessário optar por esta escolha e, de forma consciente, fomentar a modificação do mundo em que vivemos. Esta mudança começa a par r da cada um”, destacou Ká a.

orientar a implantação de programas sociais ligados à alimentação, estabelecendo prioridades e diretrizes; ser canal de par cipação da sociedade civil na polí ca municipal de segurança alimentar e nutricional saudável; acompanhar e monitorar a aplicação de recursos do município em segurança alimentar; promover e apoiar estudos, campanhas e debates que fundamentem as propostas ligadas à segurança alimentar e nutricional.

O COMSEA é formado por en dades governamentais e da sociedade civil, as quais foram eleitas em conferência: entre elas a UNICAFES PR, a qual preside a organização, COOPAFI, EMATER, SESC, FETRAF PR, Conselho Regional de Nutricionistas CRN-08, Conselho Regional de Economistas Domés cos da 2ª Região - Cred II, Unipar, UTFPR e Prefeitura Municipal de Francisco Beltrão, conta com os membros efe vos do Conselho.

Sobre COMSEA O Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional de Francisco Beltrão (COMSEA), foi ins tuído pela Lei Municipal nº 4.296 de 12 de maio de 2015, é um órgão norma vo, colegiado, consul vo, vinculado a Secretaria de Assistência Social de Francisco Beltrão. As principais atribuições são elaborar diretrizes para implantar a polí ca municipal de Segurança Alimentar e Nutricional a par r das deliberações das conferências;

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CONGRESSO 2017

Novos Rumos do Cooperativismo Solidário UNICAFES PR promove congresso em março

O encontro é essencial para atualizar as estratégias institucionais. Arquivo da 3º edição em 2013.

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trão. Nos dias 23 a 25 de maio está previsto o Congresso da UNICAFES como en dade de organização e repreUNICAFES Nacional, em Brasília, Distríto Federal. sentação do Coopera vismo Solidário realiza ConAlém disso, para 2017 são previstosseminários no Dia das gressos trienais para refle r e reconstruir sua pauta Coopera vas – 1º sábado de julho, bem como Feiras Regioe estratégia ins tucional, com par cipação expressiva das nais e o Seminário Interestadual da Juventude e Mulheres Coopera vas que construíram e formam esta organização. Rural que unifica e fortalece as diretriEm 2017 a en dade vive seu 5º zes de organização e empoderamento Congresso com avanços expressivos Todas as cooperativas liadas são conviem nível social, polí co e econômico dadas a participar destes momentos de social no Coopera vismo Solidário. Atualmente a UNICAFES PR possui que mo vam e iluminam as ações qualicação de nossas propostas organi120 coopera vas, sendo a estas vitais deste Outro Coopera vismo. O zacionais, sendo fundamental que nas oferecidas ações permanentes de primeiro decênio da UNICAFES se Cooperativas seja realizado debates pré- representação, o que é fundamental desenvolveu num contexto de vios, empoderando as lideranças para que elas ajudem a construir e monitoGoverno Popular, com interface perdefesa e proposição de metas pertinen- rar os resultados alcançados pela manente com polí cas e programas tes e inovadoras, ampliando nossa força organização. governamentais. Inicia-se neste ano A organização também oferece um novo ciclo governamental, sendo na defesa das Cooperativas Solidárias. serviços centralizados, com o obje vo necessário que as lideranças se prede diminuir os custos das filiadas. parem para par cipação intensa nos Desta forma, é necessário que as Coopera vas solicitem Congressos estadual e nacional que se realizarão no ano serviços de acordo com suas demandas organizacionais. decorrente. Ajude na construção de estratégias integradas com suas De acordo com a programação nos dias 02 e 03 de março, demandas sociais. acontecerá o Congresso da UNICAFES PR, em Francisco Bel-

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SUSTENTABILIDADE

Planejamento estratégico participativo da UNICAFES PR

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Planejamento Estratégico Par cipa vo da Federação UNICAFES Paraná, tem o obje vo de promover o alinhamento ins tucional, com a construção de estratégias sustentáveis no Coopera vismo Solidário, através da par cipação democrá ca contemplando as diferentes realidades do Estado do Paraná. Essa construção tem sua metodologia fundamentada

em debates norteadores realizados com presença de lideranças do Coopera vismo, de Universidades e de Organizações parceiras, ar culadas pela elaboração do documento prévio que orientará a construção do planejamento, sendo composto por elementos estratégicos e considerações organizacionais que definirão o foco de atuação do próximo triênio. Fazem parte desta construção os elementos vitais desta en dade representa va:

1º Institucional: Missão e Princípios, Público Alvo. 2º Organizativo: Articulação em redes, Papéis e Funções, Gestão das Cooperativas. 3º Sustentabilidade: Relação com filiadas, Formação, Expansão e Crescimento. 4º Negócios: Inovação organizacional, Tecnologia e Relações comerciais. 5º Representativo: Pauta, Parcerias, Estratégias representativas sustentáveis. A UNICAFES surgiu 2005 a par r da demanda por representação polí ca, assessoria e ar culação entre os ramos coopera vos, com a missão de tornar o Coopera vismo da Agricultura Familiar e Economia Solidária. No seu primeiro Decênio de existência várias ações foram realizadas no fortalecimento, ar culação e representação deste Coopera vismo, com destaque para atos de maior visibilidade estadual e nacional, que promoveram avanços na Lei n.º 5.764/71, com acordo no Senado para construção do PL n.º 519/2015, que estabelece a UNICOPAS – União Nacional das Organizações Coopera vas Solidária, como a en dade de representação do Coopera vismo Brasileiro. As ações representa vas fortaleceram avanços na Lei tributária, do trabalho, da Agricultura Familiar e adequações significantes em programas como PRONAF, PAA, PNAE, ATER e outros que fortalecem aa vida social e econômica dos associados.

Nas úl mas décadas o Brasil conviveu com avanços significa vos no desenvolvimento de estratégias sociais e econômicas. No contexto atual o Brasil convive com um processo de transição governamental, sendo fundamental que as coopera vas se reorganizem para valorização e defesa das suas conquistas. Numa análise rápida verifica-se que grande percentual das coopera vas solidárias é dependente das polí cas sociais, situação afeta diretamente o processo representavo desenvolvido pela UNICAFES, sendo fundamental construir um PEP adequado a realidade social, econômica e polí ca. O PEP UNICAFES tem como meta qualificar e consolidar a iden dade do Coopera vismo Solidário e neste processo todos os sócios e diretores coopera vistas são convidados a par cipar, norteando assim uma organização forte e par cipa va junto as Coopera vas que tem como missão promover o Desenvolvimento com Inclusão Social.

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AÇÕES

Novo contexto das Cooperativas Solidárias

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Coopera vismo Solidário representado pela UNICAFES PR vive um momento desafiador. Quem vive no campo sabe o quanto é importante estar atento às mudanças tecnológicas para prosperar e con nuar forte no mercado, caso contrário está propenso a ser engolido pelo sistema. Neste cenário, existe a preocupação e os novos desafios do novo governo, a insegurança dos programas ins tucionais e a sua con nuidade, questões que podem comprometer o desenvolvimento da Agricultura Familiar. A Federação UNICAFES-PR preocupada com esse novo tempo, vem pro-

movendo eventos nos Fóruns de Coopera vismo Regionais, provocando debates nas regiões para que as coopera vas filiadas estejam atentas à nova realidade. As coopera vas e seus dirigentes precisam estar organizados internamente em sua gestão de negócios e se preocuparem com sua base social para acompanhar os desafios e demandas dos seus associados. Serviços e acompanhamento Nessa direção a UNICAFES PR vem organizando serviços nas áreas de Gestão e Gestão Contábil para apoiar as

coopera vas filiadas, através de assessorias técnicas que possam oferecer ferramentas para que a coopera vas, possam acompanhar as suas movimentações. O obje vo é oferecer informações precisas sobre os controles internos facilitando a tomada rápida de decisões para direção e fortalecendo a gestão da ins tuição com maior oportunidade para viabilidade. As coopera vas interessadas em conhecer esses serviços poderá entrar em contato com a Gestão Coop, um espaço de orientação e qualificação da gestão e contabilidade das coopera vas.


Queijo Artesanal de Leite Cru - Revista Cooper Mais - 8º Ed. 2017  

A revista "Cooper Mais" é uma publicação da Unicafes Paraná destinado as cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária. Contato:...

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