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Marx & Engels David Riazanov

se aqui, em Moscou, ouvir um concerto executado a várias centenas de quilômetros de distância. E não somente isso; ultimamente descobrirmos que se pode enviar um telegrama que além da caligrafia do remetente reproduz seu retrato, e que para isso basta a adaptação de um aparelho inventado pelo técnico francês Belin. E tudo isso se efetua não com a ajuda do “espírito”, mas com a ação de uma matéria extremamente sutil e delicada, medida e dirigida por nós. Esta história foi contada para demonstrar quão atrasadas são as concepções habituais sobre a materialidade e a imaterialidade; eram ainda mais no século XVIII. Se os materialistas desta época tivessem considerado todos os novos fatos existentes, seriam menos “grosseiros” e as pessoas “delicadas” não teriam se separados deles. Os filósofos alemães contemporâneos de Kant adotaram o ponto de vista ortodoxo. Rechaçaram a doutrina materialista como ímpia e imoral; mas Kant não ficou satisfeito com uma conclusão tão simples. Compreendeu perfeitamente toda a inconsistência das velhas ideias religiosas, porém não possuía nem a audácia psicológica nem a lógica necessária para romper com essas ideias categoricamente. Em 1781, Kant publicou sua principal obra, Crítica da Razão Pura, em que sustenta que não há prova alguma da existência de Deus, da imortalidade da alma, das ideias eternas, e que nossa ciência é baseada na experiência. Segundo ele, não podemos conhecer as coisas em si mesmas, sua essência, mas somente as formas sob as quais se manifestam e causam impressões aos nossos sentidos. A essência das coisas, dissimulada no fenômeno, nunca nos será acessível. Desta forma, Kant estabelece uma espécie de ponte entre o materialismo e o idealismo, entre a ciência e a religião. Não nega os progressos da ciência nem que ela ajude a compreender as coisas,

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[RIAZANOV] Marx & Engels  

www.novacultura.info

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