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Marx & Engels David Riazanov

próprios homens, a existência da divindade, origem de tudo, suscitou maiores dúvidas. Com efeito, o que explica tudo em sua diversidade, no tempo e no espaço, não explica nada a partir da diferença dos acontecimentos e do que esses têm em comum, se explica pelo fato de que surgiram em condições diferentes, sob a influência de causas distintas. Cada uma dessas diferenças deveria ser explicada pelas causas particulares, pelas influências específicas que a produziram. Os filósofos ingleses, que viviam sob um capitalismo em rápida transformação e que acumulavam a experiência de duas revoluções, se perguntaram se existia de fato uma força que independente da vontade dos homens provia e fazia tudo. Suscitavam dúvidas o problema de saber se todas essas diferentes ideias, que se haviam manifestado e combatido entre si na época da Revolução Inglesa, eram ideias inatas. Apesar de todos os esforços para concilia-las com os ensinamentos da Bíblia, era evidente que essas ideias levavam o selo da novidade. Os materialistas franceses, dos quais já falamos, colocavam a questão com mais clareza. Para eles a suposta força que se encontra fora de nosso mundo, essa força divina que se ocupa sem cessar da nova Europa, que pensa em tudo e contribui com tudo, não existe. Todo fenômeno, todo fato histórico é resultado da ação dos próprios homens. Os materialistas franceses não conheciam o que determina os atos dos homens, mas sabiam que não era Deus, que não era nenhuma força exterior que faz a história, mas que são os próprios homens que dirigem os acontecimentos. Porém, caiam em uma contradição. Sabiam que os homens agiam diferentemente porque tem opiniões e interesses diferentes, mas não conheciam o que concretamente gera essas

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[RIAZANOV] Marx & Engels  

www.novacultura.info

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