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Marx & Engels David Riazanov

A ideia do Verbo princípio de tudo, havia sido combatida no século XVIII pelos materialistas, pelos representantes da nova filosofia e da nova classe, a burguesia revolucionária, na medida em que atacavam a antiga ordem social, o feudalismo. A antiga concepção de mundo era insuficiente para explicar a origem dos novos acontecimentos, que distinguiam sua época das precedentes. A consciência, a ideia, a razão, consideradas como unas e imutáveis, tinham, a seus olhos, um defeito capital. A observação lhes indicava que todo o terreno se modificava, que o ser se reveste das mais diversas formas. A experiência os ensinava (sem falar das viagens e dos descobrimentos que forneciam a cada dia novos materiais de estudo) que existiam diferentes pessoas, diferentes Estados e diferentes ideias. Tratava-se de conhecer a procedência de toda essa diversidade, de saber como surgem as diferenças que existem entre os homens e as coisas. Quanto mais os filósofos se aprofundavam no estudo do passado, maior era o número de povos diferentes que encontravam, alguns desaparecidos, outros que sobreviveram à história. Os ingleses atravessaram distintas épocas, o mesmo com os franceses. De onde vem essa diferença no tempo e no espaço se a causa de tudo residia em um princípio único, em um Deus, por exemplo? Só faltavam supor que esse deus, sem que se possa compreender o porquê, decidia que hoje houvesse uma Inglaterra, amanhã uma Alemanha, e uma França depois disso. Um deus que tivera o capricho de fazer reinar um dia na Inglaterra os Stuart, para logo em seguida cortar a cabeça de Carlos I e entregar o poder a Cromwell. A partir do século XVIII, e um pouco ainda do XVII, à medida em que a existência, a humanidade e as relações entre os homens se modificam notavelmente sob a influência dos

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