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Marx & Engels David Riazanov

governo propôs uma nova ampliação dos direitos eleitorais, que seria concedido a todos os operários das cidades. Evidentemente, o direito de voto somente era reivindicado naquele momento para a população masculina; nem sequer se sonhava que pudesse também ser conferido as mulheres. Foi proposto aos operários o seguinte acordo, que foi imediatamente aceito pelos membros burgueses do comitê de reforma eleitoral: o direito de voto se estenderia a todos os operários que possuíam domicílio (ainda que seja de uma parte) e que pagassem um mínimo determinado de aluguel. Desta maneira, o direito de voto foi conferido a quase todos os operários urbanos, exceto os que se alojavam conjuntamente em um só domicílio (situação que era comum então), mas os operários rurais, pelo contrário, não foram contemplados. O autor desta hábil manobra foi o líder conservador inglês, Disraeli, para a qual consentiram os reformistas burgueses, incentivando os operários a aceitar essa concessão e indicando que depois da nova eleição parlamentar poderiam reclamar uma nova extensão dos direitos eleitorais. Todavia, os operários rurais tiveram que esperar ainda vinte anos, até 1885, e somente sob a influência da Revolução Russa de 1905, os que não pagavam aluguel ou não possuíam um domicílio obtiveram, enfim, o direito de voto. Em 1865-1866 se produziram na Alemanha acontecimentos não menos importantes: uma encarniçada luta pela hegemonia se desenvolveu entre Prússia e Áustria. Bismarck propôs deixar definitivamente a Áustria fora da confederação germânica, fazer da Prússia a coluna vertebral da Alemanha e até reduzir as províncias alemãs que então eram da Áustria. A esta questão me referi ao expor as divergências entre Marx e Engels, de uma parte, e Lassalle, de outra.

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[RIAZANOV] Marx & Engels  

www.novacultura.info

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