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Marx & Engels David Riazanov

mercado interno. A partir da década de 1850, ambas eram indústrias privilegiadas que gozavam do monopólio no mercado mundial: os operários qualificados empregados nelas obtiam facilmente concessões dos industriais, que alcançavam lucros exorbitantes. Desta forma, a “união sagrada” entre patrões e operários começou a se estabelecer. As consequências da crise, apesar de agudas, se apagaram rapidamente. A distância existente entre operários qualificados e os que não o eram aumentava a cada dia, fato que contribuiu para debilitar, nesses ramos da indústria, o movimento grevista. Entretanto, nem todos os operários estavam tranquilos. A crise teve um efeito particularmente forte sobre os operários da construção civil, que desde então estavam à frente da luta da classe operária inglesa, como havia estado os têxteis em meados de 1840 e os operários da engenharia mecânica até 1850. O desenvolvimento do capitalismo provocou então um aumento extraordinário da população urbana e, por consequência, uma necessidade cada vez maior de moradia. Daí a prosperidade da indústria da construção civil. Até 1840, a Inglaterra construiu febrilmente ferrovias e até 1850 passou por uma espécie de febre de edificar. Novas casas foram erguidas aos milhares e chegaram a ser uma mercadoria da mesma forma que o algodão ou a lã. Por sua organização técnica, a indústria da construção civil estava ainda no estágio manufatureiro, mas já ficava nas mãos dos grandes capitalistas. O empresário de construções comprava o terreno e construía centenas de casas que, em seguida, alugava ou vendia. As casas inglesas não se parecem com as russas: são, em geral, pequenas casas de ladrilho construídas segundo um único modelo: às vezes tem somente dois ou três pisos, cuja superfície total não supera a de um departamento de quatro ou

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[RIAZANOV] Marx & Engels  

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