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Marx & Engels David Riazanov

Lassalle justificava sua conduta por considerações táticas. Não queria assustar as massas ainda pouco conscientes, para as quais era necessário emancipar da tutela espiritual dos progressistas, quem continuamente apresentavam o terrível espectro do comunismo. Lassalle era extremamente vaidoso e também apreciava a pompa, a sensação e a reivindicação, que impressionavam tão fortemente as massas pouco adiantadas e ao mesmo tempo repugnavam aos operários conscientes. Gostava que o apresentassem como o criador do movimento operário alemão. Mas tudo isso precisamente o distanciava não só de Marx e Engels, mas também dos veteranos do antigo movimento revolucionário. Destes últimos, unicamente os velhos partidários de Weitling e os adversários de Marx uniram-se a ele. Transcorreram alguns anos para que os operários alemães compreendessem que seu movimento não havia começado apenas com Lassalle. E o que não entende Mehring é que Marx e seus amigos protestavam contra esse desejo de renegar toda filiação com o primeiro movimento revolucionário clandestino. Este desejo de não se comprometer por um vínculo com o velho partido ilegal se explicava pela exagerada propensão de Lassalle para a “política dos realistas”. Vejamos agora o segundo ponto de discordância: a questão sobre o sufrágio universal, reivindicação colocada já pelos cartistas e que Marx e Engels também haviam defendido. Mas estes não podiam conceder a importância excessiva que atribuía Lassalle a esta questão e tampouco aprovar a tese que ele sustentava. Para Lassalle, o sufrágio universal era, em certa medida, um meio milagroso que, sem outra modificação no regime político e econômico, bastaria para dar imediatamente o poder à classe operária. Em seus escritos

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[RIAZANOV] Marx & Engels  

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