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Marx & Engels David Riazanov

asiática. Outro erro, no qual incorre a maior parte das pessoas, é acreditar que no que concerne à Turquia, pretexto da guerra, Marx era seu partidário. Não esqueciam Marx e Engels que a Turquia era um país ainda mais asiático e bárbaro que a Rússia. Suas críticas, pois, não perdoavam a nenhum dos beligerantes. Inspirados em um só critério, examinavam cada acontecimento segundo a influência que tivera na aceleração da revolução. A partir deste ponto de vista, criticavam a conduta da França e da Inglaterra que, como disse, empreenderam a guerra contra sua própria vontade, forçadas pela enérgica negativa de Nicolau I a qualquer tipo de acordo. O temor das classes dirigentes estava justificado: a guerra se prolongou mais do que se pensava, pois, iniciada em 1853, não terminou até 1856, com a paz de Paris. Na Inglaterra e na França, provocou uma viva efervescência entre os operários e camponeses, e Napoleão e os dirigentes ingleses se viram obrigados a fazer uma série de concessões e promessas aos povos de seus países. A guerra terminou com a vitória da França, Inglaterra e Turquia. Na Rússia, a guerra havia provado a inferioridade de um país no qual ainda existia a servidão feudal, para a luta contra países capitalistas, e como consequência teve impulso para a realização das grandes reformas e se fez necessário considerar a questão da liberdade dos camponeses. Faltava, todavia, outro choque para que a Europa adormecida depois da explosão revolucionária de 1848 e 1849, saísse do seu torpor de forma definitiva. Após sua saída do grupo de Willich e Schapper, Marx e Engels declararam que a nova revolução não poderia ser senão a consequência de outro transtorno econômico violento e que, assim como a Revolução de 1848 havia sido resultado da crise de 1847, a nova seria de nova crise.

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[RIAZANOV] Marx & Engels  

www.novacultura.info

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