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ILUMINÉ


INSTITUTO DE COMUNICAÇÃO E ARTES CURSO DE GRADUAÇÃO EM MODA

O GRANDE GATSBY: Os loucos anos 20 na contemporaneidade

ALUNAS: Luciana Atala Ferreira Luísa de Ávila Guerra PROFESSORA ORIENTADORA: Mariana Rodrigues


Trabalho apresentado como requisito de avaliação da conclusão do curso de Moda do Instituto de Comunicação e Artes do Centro Universitário UNA.

Professor Orientador: Mariana Rodrigues

Alunas: Luciana Atala e Luisa Àvila.

Belo Horizonte, 2015


E assim nós prosseguimos barcos contra a corrente, empurrados incessantemente de volta ao passado. (F. Scott Fitzgerald – O Grande Gatsby, capítulo 9).


O GRANDE GATSBY: Os loucos anos 20 na contemporaneidade Luciana Atala Ferreira Luísa Ávila Guerra

RESUMO

Tendo como objetivo geral a criação de uma coleção inspirada no filme o Grande Gatsby, o presente artigo apresenta um aprofundado estudo da década de 1920 nos Estados Unidos com intuito de trazer para a atualidade, através do esboço do filme o Grande Gatsby, as mudanças geradas nos loucos anos 20. Para tanto, usamos referências literárias e outros tipos de fontes para relacionar a década e o filme, entendendo assim, a importância das mudanças geradas nos anos 20 que refletem no mundo atual. Correlacionando os dois temas, concluímos que as mudanças ocorridas na década de 1920 refletem de maneira ampla no mundo contemporâneo. Palavras – chave: Os loucos anos 20, O Grande Gatsby, mudanças.

The Great Gatsby: The Roaring 20 nowadays

ABSTRACT

With the overall goal of creating a collection inspired by the movie The Great Gatsby, this paper presents a detailed study of the 1920s in the United States with the intention of bringing the present, through the film outline the Great Gatsby, the changes generated the Roaring 20. For this, we use literary references and other sources to relate the decade and the movie, so understanding the importance of the changes generated in the 20s that reflect the world today. Correlating the two issues, we conclude that changes in the 1920s reflect broadly the contemporary world.

Key - words: The Roaring 20, The Great Gatsby, changes.


SUMÁRIO

CURRÍCULO 1

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CURRICULO 2

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BRIEFING DE NEGÓCIOS

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IDENTIDADE DA MARCA

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BRIEFIGN DA COLEÇÃO

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GRANDE GATSBY: OS LOUCOS NA CONTEMPORANEDADE / ARTIGO

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CONCLUSÃO

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PAINEL DE INSPIRAÇÃO

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PAINEL DE MACROTENDENCIA

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TENDENCIAS DA ESTAÇÃO

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CARTELA DE COR

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CARTELA DE TECIDOS

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MATÉRIAS

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AVIAMENTOS

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DESCRITIVO DE FAMÍLIAS

61

MAPEAMENTO DAS FAMÍLIAS

62

FORMAS E SILHUETAS

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DESCRIÇÃO DO PRODUTO

65

CROQUI

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EDITORIAL

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CURRICULUM

Luciana Atala Ferreira 22 anos - Graduada em Moda pelo centro universitário UNA - Graduada em fotografia pela Escola de Imagem - Nivelada em fotografia pelo curso Lopes LTDA - Presença no II Encontro Latino da Moda 2013- Universidade de Palermo, Argentina.- Assistente no Minas Trend pela empresa Santoro LTDA - Assistente no Minas Trend pela empresa Santoro LTDA - Assistente no Minas Trend pela empresa Santoro LTDA - Assistente no Minas Trend pela empresa Santoro LTDA – -Fotografa na empresa Lopes LTDA – 08/05/2010 a 20/11/2111 - Fotografa na empresa Golden Hall – 02/02/2012 Objetivos profissionais: Atuar no setor da moda e da fotografia, ampliando os conhecimentos, focando no benefício e no crescimento do país e acrescentamento profissional.


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CURRICULUM Luísa de Ávila Guerra 21 anos - Graduanda em Moda. Centro Universitário UNA, conclusão em 2015. - Iracema Carvalho - 04/04/2013 até o momento Cargo: Assistente de estilo principais atividades: Desenvolvimento de coleções; contato com fornecedores e clientes; supervisão de produção. - Inglês Avançado - Corte e Costura básico; - Presença no II Encontro Latino da Moda 2013- Universidade de Palermo, Argentina. Objetivo profissional: Atender a empresa fornecendo o conhecimento adquirido ao longo do curso de moda e de pesquisas e aprendizados extras, exercendo na criação, planejamento e execução de produtos de moda, ressaltando sempre o aspecto estético, formal e funcional, observando as tendências do mercado regional e nacional.


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BRIEFING DE NEGÓCIOS


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DESCRIÇÃO GERAL A marca tem como principal objetivo, introduzir as técnicas artesanais de bordados e rendas em suas coleções, desenvolver assim peças de alta qualidade elaboradas com materiais nobres e elegantes. Além dos luxuosos bordados, A ILUMINÉ, tem como principal diferencial a primorosa modelagem que da sofisticação a cada peça e a implementação de tecidos contemporâneos a cada coleção.

ESTILO - Dominante: Elegante.

- Complementar: Romântico e sexy.

ELEMENTOS DE ESTILO

- Atributos Espirituais: Elegância, Sofisticação e contemporaneidade.

- Atributos Físicos: Tecidos nobres e tecidos contemporâneos, bordados exclusivos e peças modernas


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NICHO Prêt-à-porter.

SEGMENTO Casual

GÊNERO Feminino

MÉTODO CRIATIVO Retrô


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CONCORRENTES

Criada em 2012, PatBo nasceu como um ponto de equilíbrio da expressão de criatividade, reafirmando o espírito livre, cool e naturalmente sexy, apresentando de forma divertida e autêntica uma mulher moderna e independente.


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A marca Bo.Bô criada em 2008 pelas estilistas Flávia Viacava e Carla Di Palma é a união de duas expressões: Bourgeois, que representa a faceta de bem sucedidos profissionais, habitantes das grandes metrópoles, que buscam seu ambiente natural na atividade intelectual e na cultura e Bohême que é a visão da modernidade, a atitude progressista e o humanitarismo, que o leva a se engajar em causas sociais.


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Lançada no início de 2014 e assinada por Camila e Isabela Faria, a marca Viva por Vivaz, ganha um novo status e se torna, oficialmente, a “filha” da Vivaz. E o que era apenas uma linha se transforma em uma marca endossada. E é com um ar fresh e atual que a Viva por Vivaz chega ao mundo da moda, com uma coleção cheia de estilo, na qual as tendências do momento e os desejos das clientes são as principais inspirações. São vestidos, conjuntos de croppeds e saias mini, macacões, macaquinhos e blazers, todos criados com um cuidado especial. Merecem destaque ainda os detalhes como aplicações de rendas, mangas com desenhos inusitados e, como não poderiam faltar, os bordados localizados que trazem um ar cool as peças, fazendo um contraponto entre o moderno e o sofisticado


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CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO A marca possui loja física conceito, showroom e site para divulgação de suas peças e do look book.

MARGEM DE PREÇO Vestidos: De R$ 500,00 a R$ 3.000,00. Blazers/Paletós/Jaquetas: De R$ 450,00 a R$ 1.500,00 Camisas/Chemises/Batas/Blusas: De R$ 350,00 a R$ 500,00 Calças: De R$ 450,00 a R$ 1.000,00 Shorts/Bermudas/Saias: De R$ 320,00 a R$ 550,00

DIFERENCIAIS DA MARCA NO PRODUTO

- Modelagem primorosa, que dá sofisticação à cada peça. - Alta qualidade devido aos bordados feitos à mão e também aos nobres materiais. - Maior modernidade das peças pelo uso de tecidos tecnológicos e contemporâneos.


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PAINEL DE IDENTIDADE DA MARCA


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PÚBLICO ALVO


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DESCRIÇÃO

Estilo de vida: Mulheres de 20 a 28 anos, de classe alta, que são estudantes ou profissionais da área da publicidade, designer, administração, arquitetura entre outros. Seus sonhos e aspirações são viajar para o exterior para aprimorar seus estudos, torna-se empresaria de sucesso e ajudar e implementar projetos sociais. Os hábitos de lazer e os hábitos de consumo das mulheres que vestem ILUMINÉ são, cuidar do corpo e da beleza, sair para jantar, ir a coquetéis, desfiles de lojas, festas da alta sociedade, viajar, fazer compras em shoppings e boutiques conceituais, ler bons livros e blogs para se atualizar nas tendências. Seus ídolos são pessoas ligadas à moda, como Gisele Bundchen, Constanza Pascolato e Anna Wintour.


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IDENTIDADE DA MARCA


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LOGOMARCA

ILUMINÉ


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JUSTIFICATIVA NOME

O nome surgiu a partir das inspirações do filme o grande Gatsby. Num dos cenários do filme há um lustre que se destaca na cena e ilumina todos os personagens. Quase que involuntariamente a iluminação do lustre se tornou em francês o nome da marca. O que se encaixou perfeitamente com a estratégia de marketing, pois à marca deseja iluminar as mulheres que buscam um diferencial ao vestir. Ainda assim, o nome ILUMINÈ criado pelas sócias Luciana Atala e Luísa Ávila, as LU, foi delicadamente destacado para contar um pouco da história de amizade e companheirismos das duas.

JUSTIFICATIVA COR

A cor preta é a ausência de cor, preto é a cor da proteção e do mistério. Está relacionada com o silêncio, o infinito e a força passiva feminina e misteriosa. Além de significar elegância, dignidade, luxo e sofisticação, a cor preta indica nobreza e transmite a sensação de seriedade

.

JUSTIFICATIVA FONTE A fonte Courier New tem sua forma simples e moderna, o que demonstra o conceito e a identidade marca. A fonte também possui reflexo em suas letras o que faz alusão a luz que o nome da marca, isso ajuda a transmitir para o consumidor o que é a marca.


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MONOCROMIA

ILUMINÉ

ILUMINÉ


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TIPOGRAFIA - Fonte Courier New ABCDEFGHIJKLMNOPQRSTUVXZWY abcdefghijklmnopqrstuvxzwy

- Fonte OCR-B 10 BT ABCDEFGHIJKLMNOPQRSTUVXZWY abcdefghijklmnopqrstuvxzwy

ESCALA DE CORES

CMYK 100% C 100% M 100% Y 100% K


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ÁREA DE PR OT EÇ ÃO E REDUÇÃO MINÍMA

2 cm

ILUMINÉ 2 cm

Mínimo recomendado – 2,5 cm


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MALHA DE AMPLIAÇÃO

ILUMINÉ


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USOS INDEVIDOS

ILUMINÉ ILUMINÉ

ILUMINÉ I-LU-MINÉ ILUMINÉ


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APLICAÇÃO PAPELARIA - CARTÃO VISITA

ILUMINÉ

contato@ilumine.com.br Rua Gatsby, 00 (31)000-000

PAPEL COUCHE 180g, FOSCO COM LAMINAÇÃO LOCALIZADA. 5cm x 11cm


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APLICAÇÃO PAPELARIA – ENVELOPE

ILUMINÉ

contato@ilumine.com.br Rua Gatsby, 00

contato@ilumine.com.br Rua Gatsby, 00

(31)000-000

(31)000-000

PAPEL COUCHE 150g, FOSCO COM LAMINAÇÃO LOCALIZADA 30cm x 21cm


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APLICAÇÃO PAPELARIA - CARTA

ILUMINÉ

A4 80g 30cm X 21 cm


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ILUMINÉ

APLICAÇÃO PAPELARIA - TAG´S

ILUMINÉ

SALE


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APLICAÇÃO - SACOLA


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BRINDE


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BRIEFING DE COLEÇÃO


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COLEÇÃO - Grande Gatsby: Os loucos anos 20 na contemporaneidade


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INTRODUÇÃO O filme o Grande Gatsby passa-se na década das revoluções - 1920 - e é fundamentado no ideário liberal de glorificação do individualismo, da valorização da competição e na ampliação generalizada da oferta e do consumo de bens e serviços. Assim como hoje, 1920 foi marcado por um período de consumo, de luxo, onde ter é melhor do que ser e que as pessoas fazem de tudo por si e pelo dinheiro. Usando como referência um aprofundado estudo da década de 1920 nos Estados Unidos, o trabalho teve como objetivo trazer para a atualidade, através do esboço do filme o Grande Gatsby, os loucos anos 20. Para tanto usamos referências literárias e outros tipos de fontes para relacionar a década e o filme, entendendo assim, a importância das mudanças geradas nos anos 20 que refletem no mundo atual.

REFERENCIAL TEÓRICO 1. OS LOUCOS ANOS 20 NOS ESTADOS UNIDOS: De acordo com Seeling (2000, p.85) “Depois do horror da guerra, todos queriam divertir, e a grande oportunidade de recuperar o tempo perdido encontrou oportunidades inesperadas”. Seeling (2000, p.85) afirma que “o dourados anos 20 foram incorporados pelo cabelo curto e os lábios vermelhos, o amor livre e os cigarros, o controle de natalidade e as saias curtas, pela diversão e pelo jazz”. O autor descreve que “inovações técnicas como o automóvel, os eletrodomésticos, o telefone, a rádio e o gramofone tornavam a vida na época mais fácil e confortável, fortalecendo a esperança num futuro melhor”. 2.1. A construção do American way of life Em meio á Primeira Guerra Mundial, os Estados Unidos obtiveram a posição de fornecedor de produtos alimentícios, industriais e de combustíveis para a Europa. (ABREU, 2012) O autor elucida que “ao termino do conflito, os Estados Unidos, que


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concederam empréstimos aos seus aliados, consolidaram-se como centro financeiro do mundo”. O período de 1919 a 1925 foi de lenta reconstrução da economia europeia e de grande crescimento para os Estados Unidos, que saíram da guerra como credores dos europeus ocidentais. Puderam, assim, investir em seu crescimento econômico. (ABREU, p. 42, 2014)

Abreu (2014) relata que a década de 1920 foi, para os estadunidenses, a década da prosperidade e da consolidação de um estilo particular de vida: Fundamentado no ideário liberal de glorificação do individualismo e de valorização da competição e na ampliação generalizada da oferta e do consumo de bens e de serviços que, antes da Primeira Guerra Mundial, eram acessíveis apenas à elite, período esse conhecido como milagre americano.

Abreu (2014, p.24) sintetiza que a construção do milagre americano determinou a representação da sociedade estadunidense, que estimulava o desenvolvimento capitalista. O autor também compara a situação econômica de grande crescimento, grande oferta de crédito e de bens de consumo duráveis para a maioria da população ofereceu base para sustentar a idealização do período. O American way of life, despolitizava a questão social da desigualdade e da exploração capitalista, pois a miséria tornava-se uma derrota individual, não uma consequência da estrutura econômica, politica e social que se mantinham por meio da explosão de muitos despossuídos. (ABREU, 2014, p.43)

2.2. A mudança de comportamento na década Depois da experiência da Primeira Guerra Mundial, era impossível retornar aos hábitos antigos. Tinha ocorrido demasiadas mudanças – em termos socioeconômicos, sociais e psicológicos. (LEHNERT, 2001, p.18) Abreu (2014, p.41) explica que “aqueles que sobreviveram ao morticínio e ás durezas da guerra, tinham uma necessidade de compensação, de recuperação e superação dos anos perdidos”. Nas cidades da Europa e dos Estados Unidos tornou-se urgente à busca pelo prazer, em uma atitude hedonista e despreocupada em relação aos antigos valores morais burgueses. Surgiram vários clubes noturnos onde se dançava ate alta madrugada ao som de orquestras. A moda estadunidense a todo invadiu, os conjuntos de jazz estavam por toda parte, em uma verdadeira despreocupada alegria. (ABREU, 2014, p. 42,)

Lehnert (2001, p.19) pondera que “a indústria do espetáculo conhecia um sucesso enorme e o desejo e divertimento assumia proporções jamais vistas, o que, como seria de esperar, teve repercussões na moda”. Assim o autor afirma que o


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“numero de pessoas que passaram a seguir a moda e a frequentar bares, teatros, espetáculos, cinemas era bastante maior e pertencente a um leque social mais alargado”. Surgiu em 1920 novos caminhos e novas possibilidades de vida. As pessoas sentiam-se libertas das restrições da década anterior. O divertimento como forma de lazer e a vontade de viver dominavam a sociedade. As mulheres se viam livres dos espartilhos e aprendiam sobre uma nova liberdade sexual. 2.3. A emancipação da mulher A fervorosa década de 1920 abriu uma multiplicidade de novas portas para as mulheres. O autor Lehnert (2001, p.20) afirma que: Durante a guerra, muitas mulheres tinham-se visto obrigadas a levar uma vida mais independente. Tinham exercido certas profissões pela primeira vez, porque a maioria dos homens encontrava-se em frente à batalha, o que as tinha tornado mais seguras de si mesmas.

De acordo Lehnert (2001, p.20) na vida social, as mulheres deixaram de desempenhar o mero papel de agradáveis acompanhantes e começaram a se movimentar sozinhas, com toda a naturalidade. O autor comenta que elas “conduziam seu próprio carro, e usavam vestidos que não lhes condicionavam o movimento e possibilitavam trabalhar e praticar desporto com a dinâmica que a vida moderna lhes exigia”. No que diz respeito à independência feminina, Lehnert (2001, p.20) explica que “com toda a transformação de comportamento da mulher e a entrada dela no mercado de trabalho, surgiu à necessidade de um vestuário diferente para exercerem suas novas atividades do dia-a-dia”. Lehnert (2001, p.20) também afirma que “o vestuário deveria possibilitar grande liberdade de movimentos e, simultaneamente, exprimir a nova consciência das mulheres, a qual era também a expressão da nova consciência do seu próprio corpo”. 2.4. O surgimento dos seres andrógenos Nos anos 20, os temas mais debatidos eram, sobretudo a homossexualidade e a androgenia. De certa forma, foi à moda que tornou visível esta tendência, pois, na opinião da maior parte das pessoas, o vestuário moderno questionava os papéis que competiam a cada um dos sexos. As mulheres se dedicavam a atividades masculinas, usando roupas supostamente masculinizadas, enquanto que o vestuário usado pelos homens os tornava mais femininos. (LEHNERT, 2001, p.24)


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Lehnert (2001, p.24) relata que “a segurança e a confiança que as mulheres mostravam abertamente, e que estavam na moda, não condiziam, com imagem “pura” da mulher das décadas anteriores”. O autor descreve que “a nova moda era frequentemente designada como masculina. Aliás, em muitos artigos e livros da época, encontram-se criticas à nova moda, sendo certo um tipo de vestuário equiparado a certa forma de pensar”. Os

sexólogos

da

época

consideravam

que

era

principalmente

a

homossexualidade que contribuía para uma identidade sexual alterada. Segundo a opinião vigente, os homossexuais eram tendenciosamente vistos como afeminados, enquanto que as mulheres lésbicas eram mais masculinas. (LEHNERT, 2001, p.24) Nesse contexto do surgimento da androgenia e homossexualidade, Lehnert (2001, p.24), mostra que “foi em Berlim dos anos 20, que pela primeira vez começaram a aparecer clubes e restaurantes destinados a um público homossexual”: Nessas ocasiões muitas mulheres preferiam usar roupas de homem e cabelo com penteado masculino. Utilizavam as insígnias do sexo oposto, não só para serem reconhecidas como “diferentes”, mas também para tornar mais interessante o jogo de sedução erótica.

2.5. Os grandes artistas influentes na década Nos anos 20, a cultura foi, pela primeira vez, completamente internacionalizada – Paris, Berlim, e Nova Iorque eram grandes metrópoles, berços da modernidade e da celebre expressão “Golden Twenties”, “loucos anos 20”. (LEHNERT, 2001, p.20)

O espetáculo e a as imagens animadas passavam por uma fase áurea e se tornaram uma importante influencia nos anos 20. Lehnert (2001, p.18) evidencia que “o cinema exprimia de forma perfeita o novo modo de encarar a vida. Representava a fervilhante vida das metrópoles, com todas as suas possibilidades e todos os seus vícios”. Sendo o cinema a forma que mais demonstrava a vida nas cidades, os artistas foram comtemplados e viraram referencia de atitude e moda. Seeling (2000, p.104) menciona que “as artistas das mais diversas origens, passaram a ser influência sobre a forma como se vestiam, penteavam e pintavam”. A cantora Josephine Baker quebrou paradigmas e virou modelo de todas as mulheres, algumas plumas e um par de bananas foram suficientes para lançar sua fama. A atriz Louise Brooks, conquistou seu estrelato


38 encarnando a mulher desse tempo, as flapper-girls, oscilando entre inocência e depravação, seduzindo tanto os homens como as mulheres. (SEELING p.105, 2000)

Além das atrizes famosas do cinema e do teatro, o jazz entusiasmou os homens e as mulheres da época. A música foi revolucionada, os jovens da época fascinaram-se por esse novo ritmo, que se tornou um símbolo de um novo e mais intenso estilo de vida. A “música dos pretos” que teve inicio nos Estados Unidos, foi contemplada pelos europeus, que seguiam o modo de vestir do estilo musical e a atitude que a completava. (LEHNERT, 2001, p.19) 2.6. Art. Déco O termo art. déco, vem de origem francesa e refere-se a um estilo decorativo que afirma- se nas artes plásticas, artes aplicadas (design, mobiliário, decoração etc.) e arquitetura no entre guerras europeias. Segundo Santana (2012, p.1) “a art. Déco nasceu da combinação de movimentos variados do princípio do século XX, tais como Construtivismo, Cubismo, Modernismo, Bauhaus, Art. Nouveau e Futurismo”.

O padrão decorativo art. déco segue linhas retas ou circulares estilizadas, as formas geométricas e o design abstrato. Entre os motivos mais explorados estão os animais e as formas femininas. Nesse sentido, é possível afirmar que o estilo "clean e puro" art. déco dirige-se ao moderno e às vanguardas do começo do século XX, beneficiando-se de suas contribuições. (CULTURAL, 2012)

2.7. A consciência da moda em 1920 Lehnert (2001, p.21) afirma que a moda dos anos 20 conseguiu modificar decisivamente todos os estilos que se lhe seguiram: as suas linhas claras e diretas, estruturas visíveis e funcionalidade eram associadas a um valor estético próprio. De um momento para o outro, o ideal de beleza feminina, com as formas acentuadamente arredondas, transforma-se, dando lugar à silhueta alta e esguia. Esse ideal segundo Lehnert (2000, p.21), “deveria possibilitar grande liberdade de movimentos e, simultaneamente, exprimir a nova consciência do seu próprio corpo”. Em vários aspectos, a nova moda baseava-se nas tendências democráticas anteriores à guerra, as quais, no entanto, democratizava isto é, tornava acessíveis a círculos mais vastos mediante uma produção e confecções mais baratas. (LEHNERT, 2001)


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Lehnert (2001, p.21) afirma que “as novas linhas simples puderam ser produzidas em grandes quantidades, o que permitiu que a moda fosse mais ou menos acessível à maioria das mulheres”. O autor elucida que as próprias linhas da moda se tornaram de certa forma democráticas. Todas as mulheres usavam vestidos curtos e direitos, sapatos com presilhas e chapéus cloche. Só através de observação atenta se conseguia perceber que um vestido fora produzido com materiais baratos e confeccionado de forma simples e industrial, enquanto outro vestido seria de tecido de qualidade superior e que apesar de toda a sua aparente simplicidade de feito, fora confeccionado com grande requinte. (LEHNERT, 2001, p.21)

2.8. As tendências da moda feminina na época Segundo Seeling, (2001, p.24) no início dos anos 20, todas as mulheres contribuíam para uma nova imagem da moda, usando fatos austeros e vestidos curtos. O autor ainda afirma que “o vestuário tinha de ser mais simples e mais prático, para garantir liberdade de movimentos, mas não podiam deixar de ser elegante”. Os vestidos conferiram as mulheres uma silhueta de linhas direitas quadradas, em que as curvas femininas se encontravam dissimuladas. O ideal de elegância vigente corresponde a ter uma figura de rapaz magro, contrastando enormemente com a moda em vigor 10 anos antes, que acentuava os peitos e as ancas. (LEHNERT, 2001) Segundo Lehnert (2001, p.24), “para se conseguir alcançar o novo ideal de elegância, as mulheres tinham muitas vezes de usar roupa interior que lhe achatasse o peito ou então o vestuário tinha que ter recorte que disfarçasse as formas”. Durante os anos 20, as bainhas subiram e nunca mais desceram, pela primeira vez as pernas das mulheres surgiram como parte erótica do corpo – em detrimento dos peitos e ancas. As meias de malha fina com costura, que ajudam a tornear as pernas mais compridas e elegantes, contribuíam ainda mais para este fascínio. (LEHNERT, 2001, p.25).

No começo de 1920, usavam-se vestidos inteiros, diretos e sem forma. No decurso da década, a cintura foi descaindo cada vez mais, ate chegar à altura das ancas e só mais tarde os vestidos ficaram mais justos e passaram a mostrar as formas do corpo. (LEHNERT, 2001) Pela primeira vez na história da moda, o traje de noite era tão curto como o de dia, afirma Seeling (2000, p.91). Para se conseguir produzir um vestido espetacular com


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a quantidade de tecido tão diminuta, tornava-se necessário algum engenho. A solução era a mesma de hoje: sugerir a nudez. No traje da noite utilizavam-se principalmente tecidos transparentes, guarnecidos com pérolas falsas, lantejoulas ou franjas de seda, colocadas em pontos estratégicos e que ao dançar, salientavam o que tinham para ocultar. (SEELING, 2000, p.91) Se os vestidos eram quase inexistentes, os casacos tinham que ser opulentos para protegerem do frio, a exuberante gola e os punhos largos deviam ser feitos de pelos compridos, como um quimono pesado, era despejado em volta do corpo e quem tivesse estilo segurava-o fechado só com uma mão, explica Seeling (2000, p. 93). Os acessórios eram mais importantes à capacidade de chamar atenção do que seu valor material. Os chapéus-toucas, apertados na cabeça, estavam cada vez mais na moda, depois da quebra de popularidade dos cabelos compridos, tanto os verdadeiros como os postiços. (SEELING, 2000, p.105) Os sapatos eram feitos para dançar, tinham que ser presos com uma fivela apertada sobre o tornozelo com salto médio, amplo e estável e geralmente forrado com o mesmo tecido da roupa. (SEELING, 2000) Segundo Lehnert (2001, p.20) “nos anos 20, a moda dá um passo decisivo em direção à modernidade. As linhas puras e o sentido “funcional” que caracterizavam a arquitetura, o design e a pintura da época, encontraram-se igualmente na moda”.

2.9. A estilista da década: Coco Chanel Chanel não foi a maior costureira da sua época (teve de repartir essa honra com Madeleine Vionnet e Cristóbal Balenciaga), mas foi a maior criadora de moda de todos os tempos – o pequeno e nervoso general, que mostrava a um batalhão de decoradoras de corpos que tipo de triunfo se pode obter com um estilo inspirado na realidade.” (SEELING, 2000, p.99)

Seeling (2000, p.99) afirma que “A obra de Chanel é a sua vida em forma de roupa, cheia de contradições que ela domou com energia teimosa feita de contradições.” Segundo o autor, a estilista fundia o masculino e o feminino, a dureza e o charme, a simplicidade e o luxo, o domínio e a submissão numa obra-prima paradoxal, que agrada a mulher moderna.


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A qualidade, o conforto e a proporção, que deixa aparecer um corpo sexualmente atrativo sem desnudar – Coco Chanel conquistou a base da elegância masculina para si e para todas as mulheres que quisessem viver como ela. (SEELING, 2000, p.103). O autor explica que institivamente a estilista reconheceu um dos princípios psicológicos mais importantes da modernidade: a libertação dos movimentos. Seeling (2000, p.103) relata que “mobilidade foi desde o inicio, o lema do look Chanel, tanto no sentido concreto como no sentido figurado. Os seus modelos adaptavam-se aos corpos, as coleções acompanhavam o espirito do tempo dos anos 20”. A verdade é que Chanel foi uma grande artista, Nas suas melhores criações – os vestidos pretos, as cascatas de pérolas sobre uma simples camisola de malha, os sapatos com biqueira escura e, finalmente, a sua própria imagem, nascem da alquimia que alia a lógica à beleza. (SEELING, 2000, p.99)

O objetivo de Chanel era libertar as mulheres dos espartilhos mentais, da atitude expectante, das dificuldades, de certa preguiça mental, que as mantinham na dependência dos homens. (SEELING, 2000, p.103) 3. A HISTÓRIA DOS LOUCOS ANOS 20, CONTADA EM UM ROMANCE O autor Seeling (2000, p. 85) afirma que o escritor Fitzgerald “foi um dos maiores cronistas dos turbulentos anos 20. O seus romances – o mais conhecido dos quais é o Grande Gatsby, de 1925 – imortalizaram essa época”. GOMES (2012) relata que “o livro foi “aclamado pelos críticos desde a publicação, em 1925, O Grande Gatsby é a obra-prima ícone da “geração perdida” e dos expatriados que foram para há Europa nos anos 1920.” O livro o Grande Gatsby, retrata a burguesia nova-iorquina e a paixão dos protagonistas. Jovens, belos e ricos, que passavam de uma festa a outra, aproveitando a juventude escutando jazz, ostentando luxuosidade e brincando de viver. Sem preocupações para essa geração, ganhadora da guerra, que colhia os frutos de uma economia que crescia a pleno vapor e aproveitava as benesses da tecnologia. (CRIATIVA, 2012)


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3.1. 1920 representado na contemporaneidade: Grande Gatsby, o filme

Kalil (2013, p.1), conta que o filme O Grande Gatsby lançado em 2013 é “baseado na obra de Scott Fitzgerald e dirigido pelo australiano Baz Luhrmann. Uma história que gira em torno do romance entre os personagens de Leonardo Di Caprio e Carey Mulligan na Nova York da década de 1920, entre festas milionárias, jazz e art. déco”. A história é contada por, Nick Carraway, que deixa o oeste para ir para Nova Iorque na primavera de 1922. Perseguindo o Sonho Americano, Nick instalase perto da casa do misterioso milionário Jay Gatsby e também da casa da sua prima Daisy e do marido de sangue-azul, Tom Buchanan. É assim que Nick é atraído para o cativante mundo dos ricos, das ilusões, dos amores e decepções. Nick observa de dentro e de fora o mundo louco em que passa a habitar. À história de um amor impossível, sonhos incorruptíveis e amargas tragédias levam-nos até às lutas do mundo atual. (MENDES, 2013)

De acordo com Barbosa (2013), o filme tenta relatar “o contraste entre as esfuziantes festas e o mundo deprimente, mostrando assim o contexto da própria época: a crise econômica e a irresponsabilidade dos muito ricos”. Além de retratar o contexto da época, o filme o Grande Gatsby tem o estilo extravagante e reflete a própria trama centrada nos “anos loucos", contudo o diretor Baz Luhrmann faz uma atualização de alguns componentes do longa. O figurino criado pela estilista Miuccia Prada, as exuberantes joias desenhadas pela Tiffani, às músicas embaladas pelos ritmos pop atuais e os cenários distribuídos em uma bela fotografia representando a art. decô, contribuem para a mescla dos anos 20 com a atualidade. Baz Luhrmann e sua equipe construíram este mundo espetacular, que traz de volta a uma concepção da década de 1920, e a torna contemporânea ao mesmo tempo. São os anos 20 como os personagens podem tê-los experimentado e o filme é uma incrível experiência de imersão neste universo. (BARRETO, 2013, p.1)

3.2. Trilha sonora do Grande Gatsby: o jazz dos anos 20, representado contemporaneidade. De acordo com o autor Veia (2013) “Jay Z o rapper da atualidade foi à mente por trás da incrível seleção musical presente no filme. Ele e o diretor passaram dois anos traduzindo a era do Jazz de Fitzgerald e tentando adapta-la a cena musical atual”.


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O autor afirma que a trilha sonora do filme reafirma o ar clássico e Cult da versão 2013 da obra de Fitzgerald. O longa é quase uma ópera moderna, mesclando o visual exuberante dos personagens e dos cenários com o hip hop. (VEIA ,2013) Veia (2013) elucida que “as emoções dos personagens transcendem as expressões dos atores e é complementada pela trilha sonora”. Segundo Nascimento (2013) “a intenção de Baz Luhrmann ao trazer músicas modernas para um longa de época era justamente emular o efeito que o jazz causava nas pessoas”.

3.3. Espetáculo estético: Cenário do filme o Grande Gatsby A história de O Grande Gatsby se passa na mesma época em que o art. déco surgiu na Europa. De acordo com Dias (2013) “na década de 20 os padrões geométricos se misturavam aos grafismos étnicos e de civilizações antigas, entre elas a asteca e a egípcia. ” Comenta a autora que “é o que justifica a escolha do fundo no próprio cartaz do filme: padronagem geométrica , mas não rígida, que remete à conhecida era do Jazz”. O cenário do filme foi baseado no estilo da art. deco, Segundo Barreto (2013) o filme contou com “quarenta e dois cenários individuais em Sydney e seus arredores, tanto em locações quanto em estúdios”. A autora também afirma que “a equipe de cenografia levou quatorze semanas para construir, pintar e decorar a mansão de Jay Gatsby, que contava com um grande salão de festas, biblioteca, quarto principal, hall de entrada, terraço e jardim”. Barreto (2013) conta que “na parte interna, o principal cenário é um grandioso salão, o espaço possui teto de ouro com candelabros, cristais pendurados, grafismos, piso com um monograma de Gatsby incrustado ao centro, e uma escada que serpenteia o salão”.

De acordo com a autora “o projeto da residência de Jay Gatsby foi baseado nas grandes casas de Long Island do início do século XX. Olhando para estas construções, faz-se uma conexão com o atual castelo da Disneylândia”. A referência que Baz Luhrmann faz, é a ideia de que Gatsby estava construindo uma fantasia. (BARRETO, 2013)


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Assim a autora afirma que “como a música desempenha um papel fundamental no estabelecimento da história, a cenografia é imprescindível para a contextualização do personagem, mostrando o mundo interior de uma forma exterior.” (BARRETO, 2013)

3.4. A construção do figurino do filme O Grande Gatsby O figurino – também chamado de vestuário ou guarda-roupa – é composto por todas as roupas e os acessórios dos personagens, projetos/escolhidos pelo figurinista, de acordo com a necessidade do roteiro e da direção do filme e as possibilidades do orçamento. O vestuário ajuda a definir o local onde se passa na narrativa, o tempo histórico e a atmosfera pretendida, além de ajudar a definir o as características dos personagens. (COSTA, 2006, p. 38)

“O figurino serve para definir a contemporaneidade de um filme, e eventualmente, serve como um documento histórico da moda de sua época”, afirma Costa (2006, p.39) O autor também afirma que o figurino não pode ser visto independentemente de outros elementos da película: ele se insere em um contexto que inclui a cenografia, a maquiagem, a iluminação, a atuação e a fotografia. Segundo Wittmann (2013) “um figurino de época, não pode se prestar à recriação literal e acurada de um período, mas, sim, à composição de determinada ambientação servindo aos propósitos do diretor e do design de produção como um todo”. Apesar disso, a autora afirma que alguns elementos que remetam ao período retratado devem se fazer presentes, especialmente quando se trata do século 20, em que as características de cada década são mais facilmente distinguíveis para o grande público. Costa (2006) afirma que “o figurino do filme o Grande Gatsby por Baz Luhrmann, molda o ponto histórico em que a narrativa se insere”. O autor elucida que “contextualizando a década de 20 e trazendo o figurino para a contemporaneidade, Catherine Martin - responsável pelo figurino e pelo designer de produção - trabalha de forma completa a visão rica e anacrônica do período retratado”. Catherine Martin usa uma abordagem para justapor estilo contemporâneo e autencidade da época, sendo assim a produtora/figurinista contou com a parceria de Miuccia Prada e da joalheria Tiffany para compor o seu projeto. (KAY, 2013)


45 Tentamos descrever um mundo paralelo a nossa própria realidade, um tempo de excessos, de aspirações enormes, luxo, um momento muito particular e rico da história americana. Falamos de um ciclo de 80 anos que o mundo sempre passa e é interessante mostrar esse nível de excessos e contrastantes para o público ter a percepção de que é realmente importante. E o que é bonito nessa história é que, por trás disso tudo, tem o amor de Gatsby por Daisy, sua infinita esperança que deixa o resto sem sentido algum. (MARTIN, 2013)

3.5. Produções exclusivas e parcerias do filme Para abrilhantar o figurino do inusitado remake do filme o Grande Gatsby, o diretor Baz Luhrmann e sua esposa/figurinista Catherine Martin, selaram parcerias exclusivas com a marca de joias Tiffany & Co, com a estilista Miuccia Prada e com maquiador Maurizio Silvi. 3.5.1. Tiffany&Co Nazarian (2013) conta que: O filho do fundador da renomada joalheria Tiffany & Co era um festeiro nato. Suas noitadas, viraram lenda em Nova York, pois compareciam muitas pessoas e essas a maioria das vezes com fantasias mirabolantes. Com um senso estético apurado, o americano decidiu projetar e construir uma casa em Long Island, para sediar celebrações que duravam todo o fim de semana. A história de Gatsby se passa nas redondezas da Nova York dos anos 1920, época em que a joalheria já era símbolo de glamour entre os americanos e via suas criações presentes nos eventos mais comentados do circuito cult. O próprio Fitzgerald, veja só, era cliente assíduo da joalheria.

Não é de se estranhar, portanto, que a Tiffany, fundada em 1837, tenha sido escolhida pelo diretor e pela figurinista para criar joias exclusivas para o longa. (NAZARIAN,2013). Segundo o autor Catherine teve passe livre para vasculhar os arquivos da joalheria e elaborar, ao lado de um time seleto de designers, as peças do filme. Luhrmann deixou claro que não queria retratar os anos 1920 de maneira nostálgica, mas moderna. Diamantes, pérolas e ônix foram usados para criar peças únicas, inspiradas na arte decô. Brincos, colares, headband, adorno de mão marcado por micro pérolas, anéis e pulseiras formaram o conjunto Zigfield, que a renomada joalheria produziu para o filme. (QUINTANA 2013)


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3.5.2. Prada Alexander (2013) relata que “Miuccia Prada-estilista da marca Prada-trabalhou com a figurinista Catherine Martin para criar mais de 40 looks para o filme Grande Gatsby, os modelos foram inspirados no estilo antigo da marca Prada”. Segundo a autora “os croquis desenhados por Miuccia, baseiam-se em vestidos brilhantes, com cristais, franjas, paetês, em tons de esmeralda, jade, topázio e bege. Os tecidos são marcados pelo veludo, seda, peles luxuosas e com bordados”. (ALEXANDER, 2013) 3.5.3. MAC por Maurizio Silvi Segundo Pacce (2013) “o responsável pela beleza do filme O Grande Gatsby, foi o designer de maquiagem da MAC cosmético, Maurizio Silvi.”. De acordo com a revista FLARE “para O Grande Gatsby, Maurizio Silvi usou sua habilidade com o tradicional make-up para criar a beleza de um elenco diversificado, desde personagens delicados a desportivos”. (THOMSON, 2013) Para seguir a visão do diretor Baz Luhrmann, Silvi contou que trabalhou a sutileza, sempre relacionando a maquiagem com a iluminação das cenas. Como a maquiagem dos anos 20 era muito concentrada no contraste entre os olhos marcados e a boca vermelha, a preocupação de Maurizio Silvi foi produzir uma make-up capaz de suportar longas horas de filmagens. (DOREA, 2013)

3.6. Do filme à moda O Grande Gatsby foi o filme mais explanado do ano de 2013. Revistas no mundo inteiro dedicaram editoriais de moda ao jeito de vestir da era do jazz e algumas conceituadas marcas fizeram coleções especiais baseadas no longa-metragem. O filme serviu como inspiração para várias marcas nacionais e internacionais. As tendências dos anos 20 viraram febre. Os hadbands, as franjas, as pérolas, os tons de bege e rose, serviram como base para a criação de looks e de novas tendências no ano de 2013.


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3.6.1. Barbara Bela: A marca de moda festa, aposta na temporada de primavera verão 2014 art déco e Grande Gatsby, em tons de verde, metalizados, decotes recortados no colo, estampa floral abstrata em verde e roxo com fundo branco. (PACCE, 2013) 3.6.2. Vivaz Vivaz comemora 15 anos e tem como inspiração para a coleção de inverno 2014 os anos 20. O bordado do momento é monocromático e forma franjas, listras, poás, formas geométricas, escamas de carpa. (PACCE, 2013)

3.6.3. Brooks Brothers A marca internacional Brooks Brothers lança uma coleção chamada Gatsby Collection. Como best-sellers de venda a gravata borboleta, cardigã e o paletó de linho branco com um colete marrom, fizeram a cabeça masculina. (PACCE, 2013) 3.6.4. Sephora A renomada marca de maquiagem lançou produtos desejo pelas antenadas na moda, Segundo Pacce (2013) “Sephora lança linha em agosto com embalagens inspiradas no filme o Grande Gatsby”. 3.6.5. Vogue Americana A atriz Carey Mulligan fez um ensaio para a Vogue América promovendo o filme "O grande Gatsby". O Photoshoot é inspirado no figurino do filme, ou seja, totalmente baseado nos anos 20. As fotos são para a edição de Maio. (RETRÔ, 2013) 3.6.6. Vogue Itália Os anos 20 é o foco do editorial Haughty, da Vogue Itália, o styling é de Patti Wilson com referências do filme O Grande Gatsby. (NAPOLEÃO, 2013)


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CONCLUSÃO O estudo da década de 1920 e a análise do filme O Grande Gatsby, possibilitou a percepção da influência da década, que por razão da euforia pós-guerra, mudou o jeito de pensar e agir das gerações futuras. O esboço aprofundado de 1920 permitiu o entendimento e a análise do filme o Grande Gatsby. A música representada pelo Hip-hop e Pop, as roupas criadas por uma estilista conceituada, as joias elaboradas pela Tiffany e o canário recordando a atual Disneylândia, além de incrementar o filme, fazem menção à década, afirmando assim que o filme a todo momento, busca trazer os anos 20 para a atualidade. Sendo assim, criamos a primeira coleção da marca ILUMINÉ, com anseio pelo novo e moderno, trouxemos a década de 1920 para o contemporâneo, através do tecido jeans e da primorosa modelagem.


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PAINEL DE INPIRAÇÃO


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PAINEL DE MACROTENDÊNCIA


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TENDENCIAS DA ESTAÇÃO Conforme pesquisa feita das

semanas

de moda

internacionais, a marca ILUMINÉ utilizou referencias marcantes que apareceram em alguns dos mais importantes desfiles. Estilistas como Emilio Pucci, Marc Jacobs e Michel Kors que exibiram em seus vestidos a transparência, o cumprimento mídi e as franjas a partir dos próprios tecidos.


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CARTELA DE COR As cores utilizadas foram escolhidas a partir da temática da coleção e relacionada com as características típicas da marca como: elegância, sofisticação e modernidade. Portanto introduzimos na coleção o preto, o azul, o branco, dois tons de rosa, marrom, prata e preto

DOMINANTES

LU LU LU Azul Encontro PANTONE 630 PC C:49 M:0 Y:8 K:0

Azul New York

Rosa Romance

PANTONE Cyan 19403 PC

PANTONE 705 PC

C:100 M:0 Y: 0 K:0

INTERMEDIARIAS

Branco Orquídea

LU Prata Charleston

PANTONE Branco

PANTONE 429 PC

C:0 M:0 Y: 0 K:100

C:21 M:11 Y:9 K:22

TONIFICANTES

LU LU Rosa Daisy PANTONE 7426 PC C:5 M:98 Y:40 K:20

Preto Jazz

PANTONE Black PC C:0 M:0 Y: 0 K:100

C:0 M:10 Y:2 K:0


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CARTELA DE TECIDOS Remetendo ao tema O grande Gatsby, sendo coerente com a estação trabalhada e as pesquisas de tendências, utilizou-se tecidos apropriados para um inverno sofisticado e contemporâneo, como exemplo a seda e o jeans.

TULE

SEDA

100% POLIESTER

100% SEDA

CASA MARTINS

CASA MARTINS

R$15,90m

R$59,90m

RENDA ZAFIRA

RENDA MONARCA

100% POLIESTER

100% POLIESTER

TRIUNFO TECIDOS

TRIUNFO TECIDOS

R$79,90m

R$89,90m


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JEANS DENIM 100% ALGODÃO HORIZONTE TÊXTIL R$49,90m

JEANS COM ELASTÁNO 50% POLIESTER 46% ALGODÃO 4% ELASTÁNO HORIZONTE TÊXTIL R$39,90

JEANS 50% POLIESTER 50% ALGODÃO HORIZONTE TÊXTIL R$29,90m


55

MATÉRIAS Através do estudo realizado sobre os anos 20 e sobre o filme O grande Gatsby, testou-se algumas técnicas para o desenvolvimento de coleção. Dentro das características da marca e temática da coleção, elaboramos: - Aplicação de bordados feitos à mão, nas peças e nos acessórios. - Elaboração de pregas e plissados. - Tingimento do jeans.

SUPERFÍCIES

Aplicação de renda

Aplicação de bordado

Aplicação de franjas


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REMODELAGEM

Plissado

Amassado com goma


57

BENEFICIAMENTO

Tingimento do jeans

Tingimento de renda

Desgaste de jeans


58

AVIAMENTOS Para dar continuação à sofisticação das peças da marca, usou-se aviamentos nobres. Usou-se a cor dourada e prata que aparece nos botões e nos zíperes. Introduziu-se miçangas e canutilhos nas cores preto, prata e dourado para a aplicação de bordados exclusivos. Por fim, para o fechamento das peças usou-se linhas de poliéster para costura reta.

Canutilho Jablonex

Vidrilho Jablonex

Armarinho BH

Armarinho BH

R$18,00 / 500g

R$15,00 / 500g

Botões de dourado com detalhes

Botões de dourado com detalhes

AASK

AASK

R$0,70 un.

R$0,70 un.


59

Linha para overloque

Linha para costura

Armarinho BH

Armarinho BH

100% PES

100% PES

R$3,40/ 6.000 m

R$1,70/ 5.000 m

Entretela de malha

Zíper Invisível –

Termocolante - 100% PES

100% PES – 15

GJ tecidos

Armarinho BH –

R$7,50m

R$1,10 un.

ou 30 cm –


60

Zíper Comum – 100% PES – 15 ou 30 cm – Armarinho BH – R$1,10 un.

Franjas tecido 100% POLIESTER AASK R$01,00 un.

Flores 3D Armarinho BH 100% PES R$1,50 um.


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PRECESSO DESCRITIVO DAS FAMÍLIAS

Todas as famílias levam nomes relacionados ao filme O Grande Gatsby e à década de 1920, como: Art Decó, Charleston, Andrógena, Franjas,

Família 1: Caracterizada pelo uso das franjas menores, feitas com o próprio tecido. Família 2: Apresenta bordados inspirados na art decó, exibindo as estruturas e formas dos vestidos da época. Família 3: Exibe de forma contemporânea as mudanças nas vestes geradas pelas mulheres na década de 1920 Família 4: Inspirada no Glamour da época, mostra o conceito da feminilidade. Família 5: Caracteriza pelo uso de formas e construção técnicas, típicas da alfaiataria.


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MAPAEAMENTO DA COLEÇÃO FEMININO

FAMÍLIAS

LOOKS

CORES TECIDOS

FORMAS

MATÉRIA

UNIFICADOR

FRANJAS

Jeans e neo prene Jeans, Tule e seda

Aplicação de franjas e renda Aplicação de bordado

JEANS

GLAMUOR

7- Vestidos

Preto e azul Preto, prata e azul Azul, e pérola

Retângulo

ART DECÓ

8Vestidos 7- Vestidos

Jeans, renda e tule

Slim

Jeans e renda

Retângulo

CHARLESTON 2 vestidos; Azul, Jaqueta branco conceitual+ e prata hot pants; Quimono + hot pants; Quimono + blusa de renda + hot patns+ quimono conceitual

Slim

JEANS

Aplicação de JEANS bordado, aplicação de flores aplicação de franjas e entrelaçamento no jeans. Aplicação de JEANS franjas e rendas

JEANS


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MAPAEAMENTO DA COLEÇÃO – MASCUILINO

FAMILIA

LOOKS

CORES TECIDOS FORMAS MATÉRIAS UNIFICADOR

ANDROGÉNA Blazer e Azul calça social+ blusa de renda, calça social e blaser +blazer de renda, calça social e blusa + quimono com franjas + hot pants masculinas + quimono de franjas.

Renda e jeans

Slim

Desgaste do jeans

JEANS


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FORMAS E SILHUETAS Seguindo as referências do estudo feito para a coleção, a definição das formas partiu do conceito da década de 1920, ajustadas para os tecidos contemporâneos.

SLIM

RETANGULAR


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DESCRIÇÃO DA PRODUÇÃO Primeiramente foi feito um estudo do figurino, das formas, das silhuetas e dos modelos usados na década de 1920 e no filme o grande Gatsby. Depois foram desenvolvidos 45 croquis e desses foram escolhidos 6 para confeccionar. Em seguida, adequou-se os materiais contemporâneos para representar as formas ilustradas.

Após aprovação das peças pilotos, deslocou-se os moldes para o papel e iniciouse á produção das mesmas, onde todas as partes foram unidas por alinhavos feito á mão e costuradas em maquinas industriais. Logo após a confecção das peças aplicou algumas matérias, como as franjas, as rendas e os bordados.


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COLEÇÃO


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CROQUIS

Família Franjas


68

FamĂ­lia Glamour


69

Família Art. Déco


70

FamĂ­lia Romance


71

FamĂ­lia Charleston


72

Família Andrógena


73


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MATÉRIAS

Família Franjas

Superfície: Aplicação de renda Beneficiamento: Tingimento de renda

MATÉRIAS

Família Glamour

Superfície: Aplicação de bordado Remodelagem: Amassado com goma


75

MATÉRIAS

Família Art. Déco

Superfície: Aplicação de bordado Remodelagem: Plissado

MATÉRIAS

Família Romance Superfície: Aplicação de flores bordadas Superfície: Aplicação de franjas Superfície: Aplicação de bordados Beneficiamento: Lavagem do jeans


76

MATÉRIAS

Família Charleston

Superfície: Aplicação de flores bordadas Superfície: Aplicação de franjas de canutilho Superfície: Aplicação de franjas de renda

MATÉRIAS

Família Andrógena Superfície: Aplicação de bordado

Beneficiamento: Desgaste do jeans


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Croquis confeccionados


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80


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ILUMINÉ - Luciana Atala, Luísa de Ávila Guerra  
ILUMINÉ - Luciana Atala, Luísa de Ávila Guerra  
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