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O imaginário de Dom Quixote na moda O imaginário de D. Quixote é muito presente no livro, pois o mesmo vive em conflito entre a realidade e ao seu imaginário. Reinventar o real é a particularidade fundamental do personagem de Cervantes. Segundo Fariña (2005) o ato de repensar o real, através da ficção, tem sido tarefa constante da literatura, bem como visualizá-lo de forma nunca antes vista. A relação com o texto se dá por esse apoio de concretização de um real imaginário.

Quixote é a possibilidade sempre nova de inusitar, de romper, de transgredir, ofício próprio da literatura. Os jogos entre o ser e o parecer, a sanidade e a loucura, o real e a alucinação, a comédia e o drama, o sublime e o ridículo são freqüentes. Cervantes faz do texto de Quixote um jogo divertido de infinitas possibilidades, de imprevisibilidades. É através da loucura ficcional que se revela o não senso e o vazio da sanidade. (MERCEDES FORMIGO FARIÑA, 2005, p. 03 ) Valentim (2012 p. 2 aput SILVA, 2006, p. 12) diz que o imaginário é um sonho que realiza a realidade, que funciona como catalisador, estimulador e estruturador dos limites da prática. Afirma que o homem age porque está mergulhado em correntes imaginarias. Farinã (2005) cita Iser (2013) ao dizer que o no ato de fingir, o imaginário adquire uma configuração que não lhe é própria, ganhando atributos de realidade. O real e a ficção contém sempre uma transgressão de limites. A moda e o imaginário podem andar juntos, uma vez que segundo Silva (2006) todo individuo submete-se a um imaginário preexistente. Todo sujeito é um disseminador de imaginários. Relacionando moda e imaginário, vejamos o que Silva (2006) diz sobre os impactos do imaginário: Se o imaginário é uma fonte racional e não -racional de impulsos para a ação, é também uma represa de sentidos, de emoções, de vestígios, de sentimentos, de afetos, de imagens, de símbolos e de valores. (JUREMIR MACHADO SILVA, 2006, p. 1)

A moda segundo Feghali (2008) aponta a informação em roupas, comportamento, produzindo sentidos, transformando o trivial em original, destacando o individuo na multidão. Feghali (2008) se refere à moda como estilo de vida, faz parte do individuo e incorpora o cotidiano. A moda preenche o conceito de criação que se expressa pelo jogo de formas, cores, linhas, simetria e assimetria. Fazendo o comparativo entre moda e imaginário, vejamos o que Lima (2008) diz a respeito da moda e o individuo: Falar em moda é reportar-se às necessidades básicas do individuo, colocando-o em relação com seu grupo, e simultaneamente, abordar o criativo, o incentivo, o sensual e o poético de suas manifestações no mundo, sem servir o olhar das transformações intrínsecas à temporaniedade, que se expressam em seus movimentos, suas tendências e em sua freqüente renovação, decorrente das conquistas tecnológicas e das variações culturais, políticas, sociais e econômicas que ela reflete, definindo o padrão comportamental e estético de uma sociedade. (VERA LIMA, 2008, p. 50) Busato (2013) diz que os modos de vestir transmitem nas passarelas de moda, remetendo ora a um imaginário cultural próximo do consumidor médio ora sofisticadas releituras emergidas das artes. Ressalta o imaginário social presentes nas imagens da moda onde os looks revelam- se em metáforas. Segundo Balderramas (1999 p. 72 aput Propcorn 1994 p. 30) Com os problemas do cotidiano, em busca de conforto e alívio para o estresse, desespero criativo, escondemos em casulos, esquivando das nossas fantasias, em busca de alívio. Contrapartida Farinã afirma: Quixote nos faz andarilhos de nós mesmos, de nossos conflitos, nossas loucuras, de nossos desejos de criarmos um mundo tão diferente do em que temos que viver. Quixote é o que gostaríamos de ter coragem

Literatura e Moda | Dom Quixote e seu imaginário inspirando a moda

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ATOS URBANUS - Camila Rodrigues, Raquel da Costa silva  
ATOS URBANUS - Camila Rodrigues, Raquel da Costa silva  
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