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Oswaldo D’Albuquerque Lima Neto Procurador-Geral de Justiça Kátia Rejane de Araújo Rodrigues Corregedora-Geral Cosmo Lima de Souza Procurador-Geral Adjunto para Assuntos Jurídicos Carlos Roberto da Silva Maia Procurador-Geral Adjunto para Assuntos Administrativos e Institucionais Gilcely Evangelista de Araújo Souza Subcorregedora-Geral Sammy Barbosa Lopes Ouvidor-Geral Celso Jerônimo de Souza Secretário-Geral do MPAC Colégio de Procuradores Giselle Mubarac Detoni Vanda Denir Milani Nogueira Ubirajara Braga de Albuquerque Williams João Silva Edmar Azevedo Monteiro Filho Cosmo Lima de Souza Patrícia de Amorim Rêgo Oswaldo D’Albuquerque Lima Neto Flávio Augusto Siqueira de Oliveira Sammy Barbosa Lopes Carlos Roberto da Silva Maia Kátia Rejane de Araújo Rodrigues Gilcely Evangelista de Araújo Souza Álvaro Luiz Araújo Pereira


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Ficha Técnica Membros que participaram da oficina de construção das diretrizes do programa: Aretuza de Almeida Cruz Admilson Oliveira e Silva Bernardo Fiterman Albano Iverson Rodrigo Monteiro Bueno Carlos Roberto da Silva Maia João Marques Pires Álvaro Luiz Araújo Pereira Nelma Araújo Melo de Siqueira Vanda Denir Milani Nogueira Celso Jerônimo de Souza Wendy Takao Hamano Felisberto Fernandes da Silva Filho Rita de Cássia Nogueira Lima Joana D’Arc Dias Martins Walter Teixeira Filho Efrain Enrique M. Mendivil Filho Marco Aurélio Ribeiro Gláucio Ney Shiroma Oshiro Leonardo Honorato Santos Adenilson de Souza Diana Soraia Tabalipa Pimentel Eliane Misae Kinoshita Vanessa de Macedo Muniz 4


Luiz Henrique Correa Rolim Francisco José Maia Guedes Ildon Maximiano Peres Neto Washington Nilton Medeiros Moreira Alekine Lopes Nicole Gonzalez Colombi Arnoldi Maria Fátima Ribeiro Teixeira Flávio Bussab Della Líbera

Organização: Antonia Francisca de Oliveira: Elaboração André Ricardo Mota dos Reis e Jaqueline Sousa de Araújo: Revisão Tiago da Silva Teles e Eduardo Duarte: Fotografias Ulisses Lima Guimarães: Capa e Diagramação Kelly Souza: Entrevistas

Mediadores: Adelaide Maria de Araújo Vieira Luciana de Carvalho Rocha Gadelha Josenira Oliveira e Silva Rosimeire de Fátima Ribeiro Sandra Soares da Silva Crisóstomo Luciana Virgínia Moreira Nepomuceno Quintela Jaqueline Sousa de Araújo Juliene Ferreira Silva 5


Sumário 1. 2. 3. 4.

APRESENTAÇÃO ....................................................................................... 08 PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DO PROGRAMA....................................... 10 VISÃO-PERCEPÇÃO-PARADIGMA ............................................................ 14 HARMONIA DAS DIMENSÕES CORPO, MENTE E ESPÍRITO .................. 17

4.1 Harmonia com o corpo ............................................................................. 17 4.2 Harmonia com a mente ............................................................................. 21 4.3 Harmonia com o espírito........................................................................... 25 4.4 Harmonia com a sociedade ...................................................................... 28 4.5 Harmonia com a natureza ......................................................................... 31 5 ELEMENTOS ESTRUTURANTES ................................................................ 32 6

PROJETOS ................................................................................................... 34 6.1 Bem Viver ................................................................................................... 34 6.2 Oficinas Criativas ...................................................................................... 34 6.2.1 Oficina literária ...................................................................................... 34 6.2.2 Oficina de cinema ................................................................................. 35 6.2.3 Oficina de Teatro ................................................................................... 36 6.2.4 Oficina de Artes Plásticas ..................................................................... 37 6.2.5 Oficina de Defesa Pessoal ................................................................... 37 6.2.6 Oficina de fototerapia ............................................................................ 37 6.2.7 Oficina de consciência corporal ............................................................ 38 6.2.8 Oficina de história da arte ..................................................................... 38 6.2.9 Oficina de percepção musical ............................................................... 39 6.2.10 Oficina de dança e ritmos genuinamente brasileiros e latinos .............. 40 6.2.11 Oficina de arte-gastronomia ................................................................ 40 6.2.12 Oficina de imagem pessoal (estilo e beleza)....................................... 41 6.2.13 Oficina Comunicação de Atitude ......................................................... 41 6.3 Psicoterapia ............................................................................................... 42 6.4 Vivências .................................................................................................... 42 6.5 Inteligência emocional .............................................................................. 43 6.6 Coaching consciencial ............................................................................. 43 6.7 Imersão filosófica: nosso tempo e espaços originais ........................... 44 6.8 Imersão espiritual: encontro com o sagrado .......................................... 45 6.9 Cine Pipoca ................................................................................................ 45 6.10 Café com palavras ................................................................................... 45

7 OPINIÕES .......................................................................................................... 46 8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................. 48 9 - ANEXOS .......................................................................................................... 51 7


1 -Apresentação

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programa Viver para Servir parte do montanhas –, mas tudo pressuposto de que há uma necessida- na natureza partilhava de imperiosa de uma nova concepção essa natureza mecânide vida no trabalho. Primeiro, devemos reco- ca; diz ele que mesmo nhecer a complexidade da dimensão humana as operações do corpo poderiam ser explicae suas influências diretas no ato de servir e de das por meio de um modelo mecânico, e afirma: se relacionar com as diversas formas de vida no “Considero o corpo humano uma máquina”. seu habitat; depois, perceber que não há fragPara Capra, recuperar a unidade perdimentação do homem e da mulher entre corpo, da significa reconhecer, o mais claramente posemoção, razão e intuição, nem entre os aspecsível, as novas formas de vidas e das instituitos biológicos, sociais e culturais – embora a culções sociais alinhadas a elas. tura ocidental, nos últimos cinco séculos, tenha se submetido à ditadura da razão newtonianaO livro Quem somos nós? (Vicente, 2007) -cartesiana, por meio de uma visão mecanicista relata a descoberta das infinitas possibilidades de do mundo. “A divisão entre espírito e matéria le- alterar a realidade diária. Traz à tona alguns quesvou à concepção do universo como um sistema tionamentos paradigmáticos do século XX. Albert mecânico que consiste em objetos separados, Einstein e outros fundadores da teoria quântica os quais, por sua vez, foram reduzidos a seus demonstram uma nova forma de ver o mundo e componentes materiais fundamentais cujas pro- declararam de forma unânime: “Se investigarmos priedades e interação, acreditava-se, determi- bem fundo, a matéria desaparecerá e se transfornam todos os fenômenos materiais” (Capra, 37). mará em energia incomensurável. Se seguirmos o exemplo de Galileu e procurarmos descrevê-la Na visão mecanicista do mundo, embomatematicamente, descobriremos que o universo ra se acreditasse que a mente e a matéria eram não é nada material. O universo físico é essencialcriação de Deus, Descartes as considerava mente não-físico e pode se originar de um campo completamente distintas e isoladas. A mente huainda mais sutil que a própria energia, mais sememana era o centro da inteligência e razão, prolhante à informação, à inteligência ou à consciênjetada para analisar e compreender. O domínio cia, do que a matéria”. da ciência era o universo material – a natureza – que ele via como uma máquina cujo funcionaAlbert Einstein, autor da Teoria da Relamento obedecia a leis que podiam ser formula- tividade, demonstrou que tudo no universo é fordas matematicamente. Para Descartes, não só mado pela mesma energia, assim como William os objetos inanimados – como os planetas e as Shakespeare declarou: “somos feitos da mesma

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matéria de que são feitos os sonhos”. Para Buda, “tudo que somos é resultado do que pensamos. A mente é tudo. Nós nos tornamos aquilo que pensamos.” Capra atesta que há de se estabelecer um novo paradigma, capaz de se contrapor ao convencional e no modo convencional de ver a natureza. Arntz diz que a mudança de paradigma na atualidade não passa apenas pela ciência, ela também se estende à sociedade e afeta fortemente a nossa cultura. Talvez, diz ele, a mudança mais importante esteja acontecendo no plano pessoal do individuo. Certamente, é possível observar as transformações drásticas de milhares de pessoas em todo o mundo, sobretudo nos seus valores, percepções e formas de se relacionar com o mundo. Isso tem se dado, com frequência, pela sensação de vazio humano causado após o consumo exagerado de todos os bens materiais aptos a ser consumidos; esta é a visão materialista, que diz que, quanto mais dinheiro, mais felicidade e uma vida melhor são possíveis. O programa Viver para Servir surge dessa reflexão. De perceber que a energia vital, propulsora da vida humana, ao entrar em desarmonia com o universo físico e não-físico, coloca por terra qualquer tentativa de viver bem consigo, com o outro e com o planeta. Inviabiliza a construção de um ambiente harmônico, seja em casa ou no trabalho, aniquila o bem-estar individual e coletivo e compromete a qualidade de vida. O programa Viver para Servir, por ter sido construído a muitas mãos, em oficina construtiva, revela a compreensão das deficiências e necessidades do homem e da mulher, profissionais do MPAC, que vai do campo cognitivo à experimentação, com linguagem e técnica próprias, na tentativa de compreender as questões fundamentais da humanidade, quem somos, onde estamos e para onde vamos. Esperamos que o programa Viver para Servir colabore para nos tornar mais sensíveis e atuantes às grandes causas da humanidade. Oswaldo D’Albuquerque Lima Neto Procurador-Geral de Justiça

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2 - Processo de construção do programa

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programa foi moldado com base na colaboração de procuradores e promotores de Justiça, totalizando 31 membros, em oficina realizada no dia 14 de março de 2014, na Associação dos Membros do Ministério Público do Estado do Acre.

O método da oficina baseou-se na motivação e sensibilização dos participantes, com técnica de brainstorming (“tempestade cerebral” em inglês), e buscou-se uma visão holística para os aspectos relacionados ao indivíduo e suas relações consigo, com o outro e com a natureza. A oficina foi dividida em 3 partes. Na primeira parte apresentou-se o objetivo e fez-se uma reflexão, a partir da leitura do trecho do livro Demian, de Herman Hesse: “A vida de todo ser humano é um caminho em direção a si mesmo, a tentativa de um caminho, o seguir de um simples rastro. Homem algum chegou a ser completamente ele mesmo; mas todos aspiram a sê-lo, obscuramente alguns, outros mais claramente, cada qual como pode. Todos levam consigo, até o fim, viscosidades e cascas de ovo de um mundo primitivo. Há os que não 10


chegam jamais a ser homens, e continuam sendo rãs, esquilos e formigas. Outros que são homens da cintura para cima e peixes da cintura para baixo. Mas cada um deles é um impulso em direção ao ser”. A segunda parte da oficina foi realizada a partir de trabalhos em grupo. Formaram-se 4 grupos, cuja tarefa era responder 4 perguntas tendo, cada qual, dois textos orientativos. Cada grupo contou com uma equipe de mediadores e material para organizar as suas respostas, como papel, canetas coloridas, data show, notebook, flip chart, painéis, tarjetas e pincéis coloridos.

Os textos orientativos foram:

GRUPO 1: Ensinar a condição humana, (cap.III). Os sete saberes necessários à educação do futuro. Edgar Morin, 2000.

GRUPO 2: A noção do sujeito, anexo 2. A cabeça bem feita: repensar a reforma x reformar o pensamento, Edgar Morin, 2003.

GRUPO 3: A condição humana, capítulo 3. A cabeça bem feita: repensar a reforma x reformar o pensamento, Edgar Morin, 2003.

GRUPO 4: Para si e subjetividade. O pensar complexo e a crise da modernidade, Cornelius Castoriádis, 1999.

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Textos complementares: A aposta. Anton Tchekhov. Homem que é homem. Luiz Fernando Veríssimo. O Mau Vidraceiro. Charles Baudelaire. Emma Zunz. Jorge Luiz Borges.

As perguntas norteadoras foram:

1. De que são feitas as pessoas (dimensões do humano)? Pode ser feito um mapa mental.

2. Quais são as virtudes indispensáveis para viver em harmonia consigo, com o outro/sociedade e com a natureza?

3. De que forma é possível harmonizar as dimensões indivíduo, sociedade e natureza para uma vida saudável e feliz no trabalho?

4. Quais são as possíveis medidas/ações necessárias para transformar/melhorar o indivíduo e o ambiente de trabalho?

Na terceira etapa, os participantes apresentaram suas conclusões, seguido de um debate. Com base no material produzido, fez-se a sistematização. Nessa sistematização, foi possível encontrar vácuos nas respostas de alguns vetores relacionados às dimensões da vida. Por esse motivo, foi necessário fazer uma desagregação das respostas e reorganizá-las, com base em uma única matriz, relacionado às dimensões da vida, com as formas de energia, conforme demonstra o gráfico abaixo, o que resultou em respostas mais coerentes ao conjunto de perguntas. Situamos no plano horizontal as dimensões corpo, mente e espírito, e no plano vertical as dimensões indivíduo, sociedade e natureza. É possível perceber que o maior número de respostas às perguntas estão nas dimensões corpo e mente, conectadas com as dimensões indivíduo (eu) e sociedade (outro). As intersecções espírito e natureza foram os que tiveram o menor número de respostas, levando a crer que é nesse plano que se situam o menor nível de compreensão e respostas, configurando-se num campo praticamente vazio.

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As respostas, organizadas na matriz de referência, foram dando configuração e coerência ao trabalho, o que, ao final, resultou no documento que ora apresentamos. O texto foi emoldurado com base na linha de pensamento do grupo 3. O conteúdo, sobretudo as questões mais subjetivas, tanto do ponto de vista da linguagem quanto do seu significado simbólico, foi detalhado e pormenorizado a partir das formulações dos grupos 1, 2 e 4. Dessa forma, o conteúdo comum dos grupos formaram a base da estrutura do documento e as palavras soltas e termos diferenciados, com sentido também diferenciado – como, por exemplo, a reverência à natureza, a simbologia “da timidez ao leão” e da espiritualidade como campo de transcendência –, tornaram o conteúdo do documento também diferenciado em sua natureza. O grupo 3 postulou a necessidade de reverenciar e tornar-se parte da natureza. Ao final, o resultado da oficina foi surpreendente para todos os participantes. Em Viagem a Ixtlan, Carlos Castanheda descreve uma das lições de Don Juan: “Espreitar a si mesmo”. É importante também estudar os próprios hábitos como se espreitasse uma presa, de modo

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a se apanhar fazendo coisas habituais e então mudar para algo totalmente novo e inesperado. Por fim, no dia 6 de junho de 2014, na segunda reunição de avaliação da gestão, o método e as ações do programa Viver para Servir foram validados pelos membros.

3-Visão-percepção-paradigma “A mente fornece a referência, o conhecimento específico e as premissas específicas para que os olhos vejam. A mente forma o universo que o olho vê. Em outras palavras, nossa mente está estruturada em nossos olhos.” Henryk Skolimpwski

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s meios de comunicação noticiam que estamos no limite de uma era marcada pela destruição do planeta. Para alguns, a humanidade está experimentando a dor do crescimento, que foi predominantemente racional e intelectual. Acumulamos conhecimentos em quantidade, mas sem sabedoria para aplicá-los. Fomos capazes de criar gigantescas colônias espaciais e não somos capazes de administrar nossas cidades. O ser humano cometeu a maior das imprudências ao separar o sujeito do objeto e estamos vivenciando a maior das crises já existentes no planeta, a crise de percepção Capra, analisando Toynbee, destaca que os desafios e não os sintomas da crise podem ser reconhecidos pelas confluências de diversas transições. A primeira transição, e talvez a mais profunda, deve-se ao re-

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lutante, mas inevitável declínio do patriarcado, que já perdura pelo menos por três mil anos. As ideias acerca da natureza humana e da relação com o universo são todas codificadas na linguagem patriarcal (costumes, etiqueta, educação, divisão do trabalho). O movimento feminista é o contraponto dessa visão. A segunda transição refere-se ao declínio da era do combustível fóssil (carvão, petróleo e gás natural), que movimentou a moderna era industrial. Afirma-se que esses recursos estarão esgotados por volta do ano 2300. A era solar poderá ser o contraponto a essa matriz energética. A terceira transição refere-se à mudança de paradigma, uma mudança profunda no pensamento, percepção e valores que formam uma determinada visão da realidade. Edgar Morin propõe uma profunda reforma do pensamento. Recorre ao princípio de Pascal que diz: “Como todas as coisas são causadas e causadoras, ajudadas e ajudantes, mediatas e imediatas, e todas são sustentadas por um elo natural e imperceptível, que liga as mais distantes e as mais diferentes, considero impossível conhecer as partes sem reconhecer o todo, tanto quanto reconhecer o todo sem conhecer, particularmente, as partes”. É preciso, diz Morin, substituir um pensamento que separa e isola por um pensamento que distingue e une; um pensamento disjuntivo e redutor por um pensamento complexo, no sentido ordinário do termo complexus: o que é tecido junto. A física quântica demonstra a morte do dualismo. A reforma do pensamento não partiria do zero, tem seus antecedentes na cultura das humanidades, na literatura e na filosofia, e é preparada pela ciência. Há um conhecimento que é 15


compreensível e está fundado na comunicação e empatia intersubjetivas, no processo de identificação e de projeção de sujeito a sujeito. A compreensão intersubjetiva necessita de abertura e generosidade. Um pensamento reformado, para Capra, é um pensamento sistêmico, que considera o mundo em função da inter-relação e interdependência de todos os fenômenos. Nessa estrutura, chama-se sistema um todo integrado, cujas propriedades não podem ser reduzidas às suas partes. Organismos vivos, sociedades e ecossistemas são sistemas. A concepção sistêmica vê o mundo em termos de relações, integração e interdependência. A sua natureza é intrinsecamente dinâmica. As novas formas de pensamento se estabelecem fincadas em novos princípios. Os princípios aqui estabelecidos, na visão dos grupos de trabalho, estão centrados em três dimensões: indivíduo, sociedade e natureza; manifestados em três formas de energia: física, mental e espiritual, conforme o desenho acima (figura de um homem), proposto pelo grupo 3 e o círculo abaixo, que sintetiza o trabalho dos grupos. Círculo da Vida

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Para Weil, o plano mental funciona com a “fantasia da separatividade”, fenômeno que consiste em crer que o sujeito e o universo não guardam nenhuma relação. Segundo o pesquisador, todos os conflitos nascem sobre esses limites fantasiosos do universo. As consequências negativas disso aparecem também ao buscarmos o prazer, a alegria e a felicidade. De fato, tudo fazemos para viver bem. O problema é que nossa procura sempre começa e termina fora de nós mesmos. Por buscarmos no lugar errado, jamais encontraremos a verdadeira felicidade e acabamos nos contentando com arremedos de prazer (Joseph Campbell diz que precisamos identificar o nosso lugar sagrado). E, por dependermos dessas coisas, sempre externas, tememos que alguém as roube de nós. Tornamo-nos possessivos, egoístas e medrosos. O medo da perda cria emoções destrutivas, como a desconfiança, a inveja, a agressão, o orgulho ferido e a depressão. Caímos em estresse e sofremos moralmente.

4 -Harmonia das dimensões corpo, mente e espírito 4.1 Harmonia com o corpo

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osso corpo é um sistema físico, pelo qual circulam a energia física e vital. Em seu sistema anatômico, podemos encontrar algumas condições que podem impedir a circulação livre dessa energia: sistema alimentar defeituoso, más posturas físicas, enfermidades, deficiência do sistema fisiológico e respiração inadequada. A circulação livre da energia corresponde a um estado de harmonia e paz. Emoções destrutivas geram tensão muscular que bloqueiam essa energia. A frequência das crises emocionais determina a intensidade do sofrimento físico e psíquico. Freud, o pai da psicanálise e C.G. Jung denominam essa energia vital de libido (energia psíquica) e se manifesta nas sensações de fome, sede, sexo, ira e furor. Já a energia física refere-se às manifestações da luz, calor e eletricidade. 17


Para uma vida saudável, se faz necessário desbloquear os nós de tensão ou nós de energia, que Jung denomina de complexos, que se transformam em comportamentos destrutivos e impedem que a energia torne a circular por todo o corpo. Da livre circulação energética resulta um estágio de tranquilidade, que favorece o surgimento de uma consciência mais ampla e uma situação de harmonia corpo-espírito.

Os métodos para restaurar a circulação plena de energia no organismo/corpo são vários. Se levarmos em consideração que o grupo 3 destacou o autorrespeito como um valor primordial do corpo e o autodomínio como valor primordial da mente, tendo como comportamento positivo reflexão associada a exercício, podemos afirmar que, entre os métodos mais recomendados por especialistas, a prática da ioga e o tai chi chuan, que é uma espécie de dança lenta e as lutas marciais não violentas reúnem as condições para o cuidado com o corpo e a mente. O termo t’ai chi significa o grande princípio primordial de tudo que existe, cunhado no Livro de Sabedoria ou Livro das Mutações. Lao-Tse o classifica como o Tao (termo chinês). Por esse princípio, diz-se que Confúcio diante de um rio afirmou: “tudo segue fluindo, como esse rio, sem cessar, dia e noite”. A ioga tem inspirado muitos pesquisadores interessados em compreender como os exercícios respiratórios e os movimentos de relaxamento contribuem para a harmonia do corpo, mente e espírito. A diminuição da tensão muscular, segundo Weil, apresenta as seguintes vantagens:  Dá uma base corporal harmoniosa;  Se praticada todas as manhãs, proporciona um dia tranquilo;

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 Contribui para a manutenção da saúde;  Ajuda no tratamento médico de um grande número de doenças de fundo psicológico;  Alivia ou mesmo elimina rapidamente estados nervosos e de tensão;  Combate a insônia;  Evita sonolência durante o dia;  Libera a criatividade;  Possibilita o ingresso em outros estados de consciência;  Prepara para a meditação. Uma alimentação saudável e uma dieta equilibrada permitem reforçar a harmonia de corpo-mente-espírito. A ioga, por exemplo, ensina-nos que há três tipos de alimentos: os pesados, que favorecem o torpor e a passividade; os energizantes, que provocam agitação e atividade física; e os equilibrados, que facilitam a harmonia e a paz interior. O corpo, segundo Weil, tem uma linguagem própria. Para ele, o corpo fala. Essa linguagem do corpo data de tempos imemoriais, cuja linguagem era feita através de símbolos (mensagens sintéticas de significado convencional). São como ferramentas especializadas que a inteligência humana cria e procura padronizar para facilitar a sua própria tarefa, a imensa e incansável tarefa de compreender. Percebemos no slide do grupo 1, o uso da simbologia do leão que, quando comparado à figura humana, por sua aparência e característica, revela uma identidade particular. O grupo considerou que o indivíduo transita entre os dois polos: da timidez ao leão. O uso dos animais como símbolos é bastante antigo em quase todas as civilizações e religiões. Os Vedas, o Bhagavad Gitá, que são os livros sagrados mais antigos da Índia e talvez da humanidade, citam fortemente animais ao mesmo tempo divinos e simbólicos. O animal mais conhecido da Bíblia é a serpente, citada em Gênesis. Por essa simbologia, conforme Weil, podemos comparar o corpo humano a uma esfinge. 19


Na mitologia, cuja função é, sobretudo, responder a três incógnitas – De onde viemos? O que somos? Para onde vamos? – as esfinges simbolizam os antagonismos vitais de forças bipolares, o bem e o mal, o negativo e o positivo, assim como o princípio do equilíbrio que assegura a estabilidade transitória das forças individuais (yin-yang, conceitos básicos do taoísmo que expõe a dualidade em tudo que existe no universo). No dicionário de símbolos de J. Eduardo Cirlot, segundo Weil, a tradição esotérica diz que a esfinge sintetiza toda a ciência do passado. Outros autores atribuem à esfinge o ego, o inconsciente, a insegurança interior e o sentimento de insuficiência. A esfinge está inteiramente consagrada à simbologia da constituição do homem. O teósofo Mário Roso de Luna diz que “temos dentro de nós um animal e um anjo”. Weil descreve que a esfinge também simboliza o domínio ou a luta do homem com a natureza; representa um modelo psicossomático, símbolo evolutivo do homem e da humanidade, desde as suas origens; símbolo e modelo cosmológico; ligação com escolas esotéricas e religiosas, mais particularmente o cristianismo e o judaísmo.

Esfinge de Gizé (estátua composta do corpo de leão e uma cabeça humana), situada no Egito, no planalto de Gizé, na margem oeste do rio Nilo. (Wikipédia – a enciclopédia livre).

Segundo Jung, ao analisar o sonho, a esfinge aparece como o símbolo do complexo, sobretudo da figura materna (refere-se ao monstro eliminado por Édipo). Para efeito de representação de imagem, Jung utiliza arquétipos, que são possibilidades herdadas para representar imagens similares ou formas instintivas de imaginar.

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Sobre os arquétipos, postulando a existência de uma base psíquica comum a todos os humanos, é possível compreender por quê em lugares e épocas distantes aparecem temas idênticos nos contos de fadas, nos mitos, nos dogmas e ritos das religiões, nas artes, na filosofia, nas produções do inconsciente de um modo geral, seja nos sonhos de pessoas normais, seja em delírios de loucos. Os arquétipos aparecem com frequência no tema mítico do eterno retorno, marcados por movimentos de expansão e declínio (assim como nos ciclos econômicos - ascensão, estabilização e declínio) em acontecimentos mitológicos sempre idênticos. Platão estava convicto de que as artes e a filosofia inúmeras vezes já se haviam desenvolvido até atingirem seu apogeu para declinarem e extinguirem-se à espera do começo de um novo ciclo. Diante de Nietzsche, a visão do eterno retorno apresentou-se terrível, pois todas as percepções, sentimentos, pensamentos, gestos de sua própria vida, estariam inexoravelmente condenados a repetir-se sem fim. A matemática, como expressão da subjetividade do real, tem seu início marcado pela observação dos ciclos repetitivos ou frequência de acontecimentos no tempo e no espaço. Tem no número PI (π) a sua expressão maior. O leão simboliza a realeza. No Bhagavad Gitá, o verbo divino é representado pelo leão. Para os cristãos, representa a coragem. Para os egípcios, representava a impulsividade, a nobreza da alma. O leão é representado muitas vezes em frente ao coração humano, o que reforça o seu valor emocional. Os espe-

cialistas em expressão corporal, sobretudo os coreógrafos, o consideram como o centro do EU. Na Índia, Buda era chamado de leão da lei. O Leão também simboliza aspectos negativos, como a destruição e a crueldade. É símbolo solar e é também o animal preferido das crianças do sexo masculino, pois representa a coragem, impulsividade, sentimento, coração, agressão e dominação. 4.2 Harmonia com a mente A compreensão de que o corpo e a mente são organismos separados, por si só desencadeia emoções destrutivas. Como forma de harmonizar o plano mental, buscando um equilíbrio entre a mente e as emoções, Morin propõe a reforma do pensamento, que se dá por processos educativos. Diz ele: “Evidentemente, a inteligência que só sabe separar fragmenta o complexo do mundo em pedaços separados, fraciona os problemas, unidimensiona o multidimensional. Atrofia, também, as possibilidades de compreensão e de reflexão, eliminando assim as oportunidades de julgamento corretivo ou de uma visão de longo prazo. Sua insuficiência para tratar os problemas mais graves constitui um dos mais graves problemas enfrentados. De modo que, quanto mais os problemas se tornam multidimensionais, maior a capacidade de pensar a sua multidimensionalidade; quanto mais a crise progride, mais progride a incapacidade de pensar a crise; quanto mais planetários tornam-se os problemas, mais impensáveis eles se tornam. Uma inteligência incapaz de perceber o contexto e o complexo planetário fica cego, inconsciente e irresponsável”. 21


Por outro lado, a expansão descontrolada do saber, o crescimento ininterrupto dos conhecimentos constrói uma gigantesca torre de Babel, que murmura linguagens discordantes. A torre nos domina porque não podemos dominar nossos conhecimentos. O conhecimento só é conhecimento enquanto organização, operando com as informações e inseridas no contexto destas. O grupo 1 chamou a atenção para o uso do aparelho celular, com suas multifuncionalidades. Segundo eles, o uso extremado do equipamento aliena, distancia as pessoas, ainda que com uma percepção de proximidade, e esfacela a energia emocional promovida pelo contato físico. Contribuem para a harmonia entre o corpo e a mente: a filosofia, como forma de desenvolver um espírito problematizador e reflexivo; a literatura, poesia, música e artes plásticas como forma de ativar a criatividade; ciências da terra para a compreensão do planeta como sistema complexo que se autoproduz e se auto-organiza (citado pelo grupo 3); a aplicação dos princípios da ecologia, o conhecimento dos ecossistemas e o conjunto de interações entre populações vivas no seio de uma determinada unidade geofísica; a cosmologia na 22

concepção einsteiniana de espaço-tempo; e as ciências da vida e do homem. Destacamos especialmente a contribuição da literatura, conforme relata Morin: “No século XIX, enquanto o indivíduo, o singular, o concreto e o histórico eram ignorados pela ciência, a literatura, e particularmente os romances de Balzac, Dostoievski e Proust, restituíram e revelaram a complexidade humana. Todas foram obras primas de complexidade – a revelação da condição humana na singularidade do indivíduo (Montaigne), a contaminação do real pelo imaginário e o jogo das paixões humanas (Shakespeare)”. Morin diz que conhecer e pensar não é chegar a uma verdade absoluta certa, mas dialogar com a incerteza. Para Arntz, o cérebro aprende por dois mecanismos principais. O primeiro é a compreensão ou memorização de dados concretos ou intelectuais. O segundo mecanismo, em geral mais poderoso, é a experiência. O grupo 2 destacou a experiência como um dos componentes da formação humana e a denominou de magma. Para eles, a vida é feita de estágios ou camadas


que representam as etapas evolutivas do humano. Magma, segundo a enciclopédia Wikipédia, é o nome dado a uma rocha fundida debaixo da superfície da terra que, quando expelida por um vulcão, dá origem à lava. O grupo 2 destacou ainda, como componente da mente humana, a memória endógena e exógena. Arntz denomina de associativa esse tipo de memória, pois estão associadas às emoções e à nossa capacidade de perceber o mundo. Isso ajuda o cérebro a encontrar as lembranças mais importantes e que não esqueçamos rapidamente, como colocar a mão no fogo novamente. Diz ele que, por essa memória estar associada às nossas emoções, ela afeta diretamente o nosso comportamento e, por conseguinte, nossa capacidade de reação e de tomar decisões.

Paul Pearsall, Ph.D. especialista em psiconeuroimunologia (psicólogo licenciando que estuda a relação entre o cérebro, o sistema imunológico e nossas experiências com o mundo

exterior), em seu livro Memória das Células - a sabedoria e o poder do coração, diz que o coração é, por excelência, um órgão armazenador de memórias. Memórias celulares (endógenas e exógenas) e um coração que pensa e produz a energia sutil da vida, denominada de energia vital ou energia “V”. A tese de Paul Pearsall é que os códigos do coração estão registrados em cada célula do corpo e é por elas lembrada como um gabarito informativo da alma. Emitidos pelo coração, esses códigos estão em constante relação de harmonia com nossa interioridade e repercute fora de nós. O coração integra energeticamente um cérebro magnificamente adaptável a um corpo que miraculosamente se autoconstitui. Aquilo que chamamos de alma, em parte, acredita ele ser uma série energético-informativa de memórias celulares, uma espécie de programa celular da alma, que é constantemente modificado durante breve permanência da alma no corpo físico. Pesquisadores da Universidade do Arizona e de Harvard fundamentaram seus estudos sobre a energia do coração naquilo que chamaram de “teoria de memória dos sistemas dinâmicos”, visto que todos os sistemas estão em constante troca de energia mutuamente estimulante, a qual contém informações que alteram os sistemas que participam dessa troca. Para eles, energia e informação é a mesma coisa. Tudo que existe tem energia; a 23


energia é plena de informação e a energia informativa armazenada é o que produz a memória celular. Aquilo que chamamos de mente, consciência (percepção) ou interação é, na verdade, manifestações de energia que contém informação. O coração é o principal gerador de energia informativa, visto que somos manifestações de energia informativa que chega ao nosso sistema celular total, flui dentro dele e é incessantemente enviada para o seu exterior, quem e o que somos é uma representação física de um conjunto de memórias celulares resgatadas. Paul Pearsall conclui: “Todos nós experimentamos os impactos de um mundo cada vez mais cruel onde existem alienações, desunião, depressão, relações fracassadas e muitas vezes injuriosas, violência, discriminação, assédio sexual, poluição ambiental e um ritmo de vida acelerada, o que nos deixa atarefados demais na tentativa de permanecermos vivos e, assim, não nos dá tempo de meditar sobre a alegria de estarmos vivos. A principal missão do cérebro é manter-nos vivos e tornar nossa vida individual tão agradável fisicamente quanto possível. Ligações afetivas, amor e solicitude constituem o pensamento repensado e mais ponderado do cérebro que, geralmente, filtram-se como expressões e códigos do coração, através do tumulto da energia urgente do cérebro.” O grupo 2 associou pensamento à consciência. Na teologia, a consciência é um conceito ligado à alma. Jung denomina consciente e inconsciente como psiquismo ou psique. Trata-se de sistema energético relativamente fechado, possuidor de um potencial que permanece 24

o mesmo em quantidade através de suas múltiplas manifestações, durante toda a vida de cada indivíduo. Isso vale dizer que, se a energia psíquica abandona um de seus investimentos, reaparecerá sob outra forma, diz ele: “nenhum valor psíquico pode desaparecer sem que seja substituído por outro”. Se um grande interesse por este ou aquele objeto deixa de encontrar nele oportunidade para aplicar-se, a energia que alimentava o interesse tomará outros caminhos: surgirá talvez em manifestações somáticas (palpitações, distúrbios digestivos, erupções cutâneas etc.), reativará conteúdos adormecidos no inconsciente e construirá enigmáticos sintomas neuróticos. Esses vários fenômenos são metamorfoses da mesma energia (todos os fenômenos psíquicos são de natureza energética). Os complexos, por exemplo, são nós de energia. Jung postula a existência de dois polos energéticos fundamentais que se defrontam. De uma parte estão as forças que alimentam o insaciável apetite dos instintos e, de outra parte, as forças que se opõem às primeiras, que restringem a impetuosidade instintiva. A inter-relação dessas forças antagônicas promove a auto regulação do equilíbrio psíquico. Ainda para Jung, o combate entre esses dois opostos tem sido vivenciado pelo homem em todos os tempos e comumente é designado pela oposição natureza-espírito. Espírito não é entendido aqui como algo transcendente. As forças que se opõem à instintividade são tão naturais quanto os próprios instintos e, tanto quanto estes, são poderosas. “Rigorosamente falando, o princípio espiritual não entra em colisão com o instinto, mas com a instintividade cega na qual


se manifesta predominância injustificada da natureza instintiva em relação ao espiritual”. O espiritual também se apresenta na vida psíquica como um instinto, mesmo como uma paixão ou, segundo disse Nietzsche, “como um fogo devorador”. Não se deriva de qualquer outro instinto, mas é um princípio sui generis, uma forma especifica e necessária da força instintiva. Do jogo entre tensões opostas resulta a liberação de relativos excedentes de energia e o natural estabelecimento de declives por onde se canalize esta energia livre. Com efeito, a história da humanidade demonstra que já o homem primitivo conseguia dispor de cotas de energia para aplicação utilitária no mundo exterior e para operações transformadoras internas, que se realizavam por intermédio da formação de símbolos religiosos, de rituais e de atos mágicos. Não está, todavia, no poder do homem canalizar os excedentes energéticos para objetos escolhidos racionalmente, isso se dá através de transmutações da energia psíquica, da formação de símbolos novos. Sucedendo a símbolos caducos, esvaziados da energia que antes os animava, é que se processa, na sua essência, o desenvolvimento da psique do homem.

do self, a personalidade se completa. O self será o centro da personalidade total, como o ego é o centro do campo do consciente. O grupo 2 ainda apresenta como dimensões do humano as experiências vividas, que são representativas e significativas nas obras de arte, onde seus criadores tomam seus temas pelas experiências no curso da vida humana, levando-os ao plano da expressão artística e universalizando-as. Quando isso acontece, o leitor penetra profundamente na alma humana.

4.3 Harmonia com o espírito

Primeiramente se faz necessário compreender a palavra espírito. O dicionário Wikipédia diz que a palavra espírito apresenta diferentes significados e conotações diferentes. A maioria deles relativa a uma substância não-corpórea em contraste com o corpo material. A palavra espírito é muitas vezes usada metafisicamente para se referir à consciência ou personalidade. As noções de espírito e alma de uma pessoa muitas vezes são entendidas como sobreviver à morte do corpo na religião e ocultismo, e “espírito” pode ter o sentido de “fantasma”, ou Para Jung, do confronto - conflito e coseja, uma manifestação do espírito de uma peslaboração - do inconsciente pelo consciente é soa falecida. O termo também pode se referir a que os diversos componentes da personalidade qualquer incorpóreo ou ser imaterial, tais como amadurecem e unem-se numa síntese, na realidemônios ou divindades. A palavra espírito tem zação de um indivíduo específico e inteiro. Esse sua raiz etimológica do Latim “spiritus”, e signiprocesso ele denominou de individuação ou mofica “respiração” ou “sopro”, mas também pode vimento circulatório que conduz a um novo cenestar se referindo à “coragem”, “vigor”. A declatro psíquico, ou self (si mesmo). Quando consração do apóstolo Paulo nas Escrituras de que ciente e inconsciente vêm ordenar-se em torno “o espírito, alma e corpo” devem ser “conserva25


dos íntegros”, atesta claramente que alma e espírito são coisas distintas (1 Tessalonicenses 5:23). A palavra espírito costuma ser usada em dois contextos, um metafísico e outro metafórico. Para Weil, a palavra espírito, em geral, é empregada com dois sentidos diferentes: pode responder àquilo que é mental. Nesse caso, significa um conjunto de funções mentais, como a inteligência, o raciocínio, a percepção e a memória e refere-se a uma forma de energia sutil, denominada energia espiritual, reportando-se ao princípio da vida, da consciência e do pensamento, que existe em oposição à matéria. Está ligado a princípios éticos, crenças e valores. Na visão holística, não há dualidade entre os dois sentidos, visto que a energia é considerada não-fragmentada, portanto, não há divisão entre matéria e espírito. Para efeito de compreensão, adotaremos, como exposto na oficina, o termo espiritualidade, inclusive associado à fé, conforme estabelecido pelo grupo 1. Para Weil, o homem é uma espécie de transformador de energia, que a converte em suas várias manifestações: matéria, vida, psiquismo. Por esse raciocínio, espírito é a própria energia em seu estado primordial, o que o Grupo 4 denominou de motivação. Dessa forma, o homem é uma espécie de transformador de energia, que converte as suas manifestações: matéria, vida e psiquismo.

O I Ching ou O livro das mutações chinês revela que a existência surge da mutação e interação. A mutação é concebida como sendo, em parte, a contínua mudança de uma força a outra e, em parte, como um ciclo fechado de acontecimentos complexos, conectados entre si, como o dia e a noite, o verão e o inverno. A mutação não é desprovida de sentido, mas está sujeita à lei universal, o Tao. No processo de mutação, o livro revela: “O movimento é natural, surge espontaneamente. Por essa razão, a transformação do antigo torna-se fácil. O antigo é descartado e o novo é introduzido. Ambas as medidas se harmonizam com o tempo, não resultando daí, portanto, nenhum dano.” 26


O magma, abordado pelo grupo 2, também adquire aqui, uma forma de mutação, por se tratar de um processo de acúmulo e aprendizagem de relação e integração. No livro O ponto de mutação, Capra diz que a plasticidade e flexibilidade internas dos sistemas vivos dão origem a numerosas características que podem ser vistas como aspectos diferentes do mesmo princípio dinâmico, o qual denominou de princípio de auto-organização. Por esse princípio, explicado muito fartamente pelas tradições místicas, o “eu’ isolado transcende para uma tomada de consciência de que somos partes inseparáveis do cosmo em que estamos inseridos. O objetivo dessas tradições é o completo desprendimento de todas as sensações do ego, o que, em experiência mística, torna possível obter a fusão com a totalidade do cosmo. O grupo 3 denominou essa capacidade de fusão de autodomínio, autorrespeito, interação e equilíbrio. Capra acrescenta ainda a autorrenovação e automanutenção, cura, homeostase, adaptação, autotransformação e autotranscendência, um fenômeno que se apresenta nos processos de aprendizagem, desenvolvimento e evolução. O mesmo grupo destaca o autoconhecimento e o grupo 1 afirma que uma das condições para harmonizar as três dimensões - corpo, mente e espírito - é a capacidade de adaptação e recomeço. Capra diz que essa capacidade de adaptação e recomeço só é possível se houver flexibilidade e uma decrescente reversabilidade. Segundo ele, quanto mais estudamos o mundo dos vivos, mais percebemos que a tendência para a associação, para o estabelecimento de vínculos, para viver junto ou dentro de outros e cooperar é uma característica essencial dos organismos vivos. Por essa lógica, diz Capra: “As mentes individuais estão inseridas nas mentes mais vastas dos sistemas sociais e ecológicos, e estes, por sua vez, estão integrados no sistema mental planetário – a mente Gaia – o qual deve participar finalmente de alguma espécie de mente universal cósmico. Essa estrutura conceitual não é restrita, em absoluto, pela associação dessa mente cósmica à ideia tradicional de Deus”. Nas palavras de Jantsch, Deus é a mente do universo. Ao pensarmos e nos comunicarmos tanto com o presente quanto com o passado e o futuro, criamos certo grau de autonomia muito superior a tudo que se observa nas outras espécies. Essa capacidade depende crucialmente de um fenômeno que é característico da mente humana, que é a consciência. A natureza da consciência é uma questão existencial fundamental, presente na psicologia, filosofia, física, neurociência, em artistas e representantes das tradições místicas. Para Capra, consciência pode significar também autoconsciência, que é a consciência de estar consciente; portanto, a consciência é uma propriedade da mentação e a autoconsciência manifesta-se unicamente em animais superiores. Jung atribuiu a totalidade da mente humana como sendo consciente e inconsciente e a denominou de psique. A visão mística da consciência baseia-se na experiência da realidade em formas não ordinárias, as quais tradicionalmente são alcançadas através da meditação, podendo ocorrer espon27


taneamente através da criação artística e em vários outros contextos. Os modernos psicólogos passaram a chamar de “transpessoais” as experiências incomuns dessa espécie, porque parecem permitir à mente individual estabelecer contato com modelos mentais coletivos e até cósmicos. Essas experiências transpessoais envolvem uma relação forte, pessoal e consciente da realidade, superando amplamente a atual estrutura científica. Não obstante, a concepção sistêmica da mente parece perfeitamente compatível com as concepções científicas e místicas da consciência e fornece, portanto, a estrutura ideal para unificar as duas, conclui Capra. Para entender a natureza humana, se faz necessário não só compreender suas dimensões físicas e psicológicas, mas também as manifestações sociais e culturais, numa interação com os mundos: externo e interno, dos indivíduos, das sociedades, da natureza e da cultura. A natureza dos organismos vivos possui concepção sistêmica de vida espiritual em sua essência mais profunda, ideia sustentada nas tradições místicas. O cientista Pierre Theilhard de Chardin desenvolveu seu trabalho associando a ciência e suas experiências místicas, centrado no fenômeno da evolução, o qual denominou de pensamento de processo. Para ele, a evolução se desenrola na direção de uma crescente complexidade, e que esse aumento de complexidade é acompanhado por uma correspondente elevação do nível de consciência, culminando na espiritualidade humana. Jung diz que o homem moderno é um ser em busca de sua alma.

4.4 Harmonia com a sociedade

Segundo Weil, o homem em desarmonia cria uma sociedade violenta, doente e destrutiva. No nível da vida social, isto é, dos sistemas socioeconômicos e políticos, é que se encontram os grandes obstáculos e a desarmonia. Guerras e competições sem controle. O individualismo, o egoísmo em sua forma velada e o reducionismo tecnológico, que resultam em crises de fragmentação epistemológica, apontam para uma urgente mudança, uma mudança de paradigma e uma revolu-

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ção científica em direção a um paradigma holístico. Abaixo, os grupos construíram um mapa dos comportamentos destrutivos da humanidade. Círculo dos comportamentos destrutivos

Como condição para a harmonia entre mente, corpo e espírito, os quatro grupos elencaram os valores e virtudes que devem edificar a vida humana e ativar as energias positivas. Figura abaixo.

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Círculo das virtudes humana

Essas virtudes devem se manifestar no plano cultural, na medida em que permite construir consensos, opiniões, atitudes, hábitos, sentimentos, pontos de vista, conceitos, estereótipos, preconceitos, comportamentos e indução de leis em determinada sociedade. Aparecem de todas as formas, como medida de atitude e mudança de comportamento, a exemplo das artes, ciência, filosofia e valores espirituais. Podem ser transmitidas pelas instituições sociais, nos vínculos associativos, por meio da vida social, suas relações, interações, comunicações entre as pessoas, grupos e instituições (família, escola, Estado, igreja, empresa, clubes etc.). Manifestam-se ainda na produção e distribuição justa dos bens materiais, no consumo consciente, na alimentação saudável e orgânica, entre outros, podendo aplicar-se, perfeitamente, nos espaços de trabalho.

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4.5 Harmonia com a natureza

A natureza mobiliza e alimenta a energia universal. Como já foi dito por Capra, o ser humano é parte integrante desse universo. O grupo 3 expressou de forma magistral uma das virtudes humanas para com a natureza: a reverência. Uma atitude de profundo respeito pelo planeta, deixando de lado a visão antropocêntrica e mecanicista, induzindo uma resposta à pergunta “De onde viemos?”. Os ecossistemas, como bem frisou Capra, são sistemas complexos que contem bilhões de organismos vivos. Weil apresenta o equilíbrio do ciclo energético da natureza, valendo-se de Pierre Dansereau: “as substâncias contidas no solo e na atmosfera são absorvidas pelas plantas. Estas, por sua vez, são consumidas pelos herbívoros, animais carnívoros devoram os vegetarianos. Ao morrer e se decompor, plantas e animais devolve ao solo o que dele tomaram para crescer. Relacionar informações e a inteligência que regem os ecossistemas ao pensamento e à inteligência humana serve para demonstrar que há uma sabedoria imanente ao homem e à natureza”. No processo de desequilíbrio dos ecossistemas, o que mais assusta a humanidade é a possibilidade de uma catástrofe global, dada a desarmonia do homem com a natureza. O principal empecilho é o crescimento econômico desordenado/acelerado que acaba por esgotar recursos ambientais essenciais à manutenção da vida na terra. A eminência de uma guerra nuclear, a superpopulação e a tecnologia industrial ameaçam a reprodução da energia vital da vida, em face da deterioração do meio ambiente. A nossa saúde e bem-estar estão seriamente comprometidos. Com relação à saúde, Capra atesta, do lado individual, que a saúde é comprometida pelo comportamento de cada um, sua alimentação e a natureza de seu meio ambiente. Como indivíduos, diz ele, temos o poder e a responsabilidade de manter nosso organismo em equilíbrio, respeitando certo número de regras simples de comportamento, no que se refere ao sono, alimento, exercícios e medicamentos. O grupo 1 destacou o asseio como condição para uma vida saudável. A responsabilidade individual dever ser compartilhada com a responsabilidade social, com uma política de saúde bem direcionada para a prevenção e assistência social à saúde. “Ares, água e lugares, um dos mais significativos livros do Corpus hippocraticum, mostra em detalhes como o bem-estar do indivíduo é influenciado pelos fatores ambientais – a qualidade do ar, da água e dos alimentos. A correlação entre mudanças súbitas nesses fatores e o aparecimento de doenças. A saúde, de acordo com escritos de Hipócrates, requer um equilíbrio entre as influências ambientais, modos de vida e vários componentes da natureza humana. Esses componentes são descritos em termos de humores e paixões, que têm de estar em equilíbrio”. 31


5- Elementos estruturantes Nesse capítulo, procuramos convergir toda a construção do conhecimento, resultado da oficina, e encontrar referências para a formulação do programa Viver para Servir. O trabalho dos grupos compreendeu a abordagem sobre as dimensões indivíduo, sociedade e natureza, e sua interação com os níveis energéticos dos planos corporal (físico), mental (razão, psique) e espiritual (emoções). O estágio supremo dessas combinações é o estágio da consciência, conforme demonstra o círculo abaixo. Círculo da harmonia

No programa Viver para Servir, conforme os resultados da oficina, se faz necessário neutralizar/reduzir/eliminar os comportamentos destrutivos e potencializar/desenvolver/ampliar as virtudes. Desse modo, deve-se atuar nos níveis energéticos, conforme demonstrou o grupo 3: autorrespeito, autodomínio, autoconhecimento. Capra enfatizou a autorregeneração, autotransformação e autotranscendência, conforme demonstra o círculo abaixo. 32


Círculo dos níveis energéticos

“A mais bela experiência que podemos ter é com o misterioso [...] Aquele para quem tal emoção seja desconhecida, que não mais pode parar para maravilhar-se e permanecer extático de espanto, é tão bom como alguém que esteja morto.” Albert Einstein

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6-Projetos

6.1 Bem Viver A Organização Mundial de Saúde (OMS) define saúde como situação de perfeito bem estar físico, mental e social.  Diagnóstico e avaliação de saúde;  Promoção e prevenção de saúde e doenças;  Atendimento por Equipe Multiprofissional de saúde;  Prevenção de riscos ambientais;  Controle médico de saúde ocupacional.

6.2 Oficinas Criativas 6.2.1 Oficina literária Objetivos: Possibilitar o contato dos participantes com seu mundo interior, por meio de dinâmicas orientadas, e tornar as memórias e histórias pessoais em matéria-prima para o autoconhecimento e a criação artística. Desbloquear a escrita por meio da prática de exercícios estimulados e ensiná-los a se autoestimularem fazen34


do perguntas. Desenvolver a expressividade escrita por meio do conhecimento de técnicas e pela prática de exercícios progressivos, bem como pelo estudo e análise de textos, autores e escolas literárias. Permitir aos participantes se tornarem melhores leitores. Conteúdo teórico: Elementos da escrita. Prosa, poesia e dramaturgia. Obras e épocas da literatura mundial. Formas poéticas. Estilística. Intertextualidade. Literatura e psicanálise. Simbolismo. Leitmotiv. Conteúdos práticos: Escolha, delimitação e desenvolvimento de temas. Desbloqueio da escrita e desenvolvimento da linguagem. Processo criativo e métodos de criação: Brainstorming, Metodologia Ativa, Memória do Corpo, O Mapa Interior. Exercícios criativos. Pesquisa e produção textual. Reescrita, revisão. Resultado: A oficina terá por produto um repertório de poemas, contos, crônicas, memórias, quadras, máximas, adivinhas, letras de canções (que serão musicadas), entre outros. Toda a produção será apresentada ao público num sarau literomusical.

6.2.2 Oficina de cinema Objetivos: Sensibilizar, aguçar e aprofundar os olhares dos participantes para a beleza e o heroísmo contido na trajetória de cada ser humano. Capacitar para a análise crítica de obras cinematográficas, interpretando os símbolos, ideias arquetípicas e outras referências contidas em um filme, ampliando a compreensão sobre o discurso audiovisual e artístico como um todo. Fornecer noções, técnicas e métodos para a elaboração de um roteiro audiovisual. Capacitar os participantes à escolha de um equipamento, bem como ao manuseio de equipamentos digitais simples, incluindo celulares, à captação de áudio e vídeo e à finalização de pequenos filmes. Conteúdo: “O herói de mil faces” - a jornada humana e o roteiro cinematográfico. “O homem e seus símbolos” – metáforas, mitologias, intertextualidade, metalinguagem. Personagem: máscaras e arquétipos. Apreciação e crítica da arte audiovisual em diversas linguagens, formatos e estilos: 35


documentário, ficção, animação, filme de arte. Escolha e utilização de equipamentos de vídeo. Filmagem digital. Técnicas de captação de áudio e vídeo. Noções de edição e montagem. Resultado: Esta oficina terá como produto um pequeno documentário de realização coletiva, escrito, produzido e dirigido pelos participantes durante a oficina e abordando a própria oficina e o processo de produção do documentário.

6.2.3 Oficina de teatro Objetivo: Sensibilizar e aguçar o olhar e a interpretação da realidade, focado em determinado fato ou contexto da vida cotidiana. Contemplar e experimentar de forma intensa uma situação, por meio da interpretação/representação. Desenvolver a capacidade meditativa e crítica, como forma de descobrir o significado mais profundo das relações humanas e dos grandes dilemas sociais e individuais. Vivenciar as ambiguidades, paradoxos e contradições da vida humana, como imagem e representação, onde as coisas são tomadas em diferentes formas ou sentido. Ter a oportunidade de criar no espaço cênico a representação do presente (realidade atual) e do imaginário (espeço da subjetividade), nos tempos individual e coletivo, como forma de agir e interagir. Apreender as linguagens do teatro, tais como gesto, sons e palavras. Aguçar os sentidos: visão, audição, tato, olfato e o sentido poético. Despertar capacidades criadoras, da expressão livre, emoções, sentimentos e fantasias. Conteúdo: Valor sócio afetivo, integrador e estético do teatro. Teatro popular Jogos teatrais para sensibilização sensorial e motora. Exercícios corporais, de respiração e de voz (técnica vocal / tônus muscular) para auxiliar a prática interpretativa. Reconhecimento do espaço cênico. Ritmo, movimento e criação de cena por meio do cotidiano. Interpretação e improvisação. Criação de formas animadas. Resultado: Montagem de um pequeno espetáculo, com realização coletiva, escrito, produzido e dirigido pelos participantes durante a oficina e abordando a própria oficina e o processo de produção teatral.

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6.2.4 Oficina de artes plásticas Objetivo: Possibilitar o desenvolvimento de processos criativos, inventivos e de apreciação estética, por meio das artes visuais. Compreender o sentido das cores, formas, luz e sobra na representação visual. Conteúdo: Pintura e desenho.

6.2.5 Oficina de defesa pessoal Objetivo: Capacitar os profissionais em técnicas de defesa pessoal, visando à neutralização de um ataque pessoal. Conteúdo: Responsabilidade civil da ação defensiva; princípios e fundamentos das artes marciais tradicionais.

6.2.6 Oficina de fototerapia Objetivos: Desenvolver e apurar um olhar mais sensível em relação ao mundo natural e ao ser humano. Aguçar a percepção da imagem objetiva e sua projeção. Fornecer subsídios para a interpretação de informações imagéticas. Estimular a expressividade artística, filosófica e psicológica, como meio equilibrador da personalidade e emoções. Capacitar, na prática, os participantes da oficina à expressão por meio da arte da fotografia, com a maior qualidade técnica e o melhor resultado possíveis. Conteúdo: Conceitos e fundamentos da chamada “arte da luz”; introdução à ótica; equipamentos digitais e analógicos; noções de perspectiva, composição, proporção, estética; luminosidade, cores; técnicas fotográficas; planos, corte, enquadramento, equilíbrio, texturas, arranjo visual dos elementos, intertextualidade. Resultado: Será produzido um repertório fotográfico, a ser colhido em atividade de campo no encontro de encerramento da oficina. A partir disso, ficam abertas possibilidades de desdobramento, 37


como a montagem de exposição ou livro/caderno com as imagens. O espaço de percepção e compreensão da “imagem x realidade” serão os bairros beneficiados com o projeto MP na Comunidade.

6.2.7 Oficina de consciência corporal Objetivos: Corrigir vícios de postura e de subutilização ou má utilização de músculos, ossos e articulações. Possibilitar o reconhecimento e a aceitação do próprio corpo e a compreensão de suas particularidades. Melhorar a capacidade respiratória e circulatória, por meio da reeducação postural e dos movimentos. Permitir a livre circulação da energia vital pelo corpo e a natural diluição de nós e tensões. Ressignificar, mediante a prática consciente, as noções de territorialidade e atuação social. Conteúdo: Noções de anatomia. Tipos físicos (endomorfia, mesomorfia e ectomorfia) e suas correspondências psicológicas. Consciência corporal. Dinâmica do corpo. Funções e importância de ossos e músculos distintos e formas de utilização dos mesmos. Autoavaliação e autocorreção postural. Visão periférica. O corpo e o olhar. Exercícios práticos.

6.2.8 Oficina de história da arte Objetivos: Sensibilizar os participantes à importância da arte em todos os lugares e épocas da humanidade. Possibilitar uma apreciação crítica da arte, ampliando as possibilidades interpretativas das obras. Propiciar a tomada de consciência sobre possíveis discursos políticos, ideológicos, religiosos ou apenas estéticos contidos em uma obra de arte. Inspirar, nos participantes, um olhar 38


artístico que abranja todos os aspectos da vida e das relações interpessoais. Conteúdo: Épocas e estilos artísticos. Contextos históricos, geográficos políticos e sociais. Artistas e obras. Estética. Composição. Luz e cor. Harmonia. Arte e religião. Arte e filosofia. O espelho da natureza. Arte e ciência. Arte e liberdade. Análise e crítica de um produto artístico. Movimentos de vanguarda. Arte contemporânea. Arte experimental. Arte e consumo.

6.2.9 Oficina de percepção musical Objetivos: Propiciar experimentações não cartesianas do tempo, o tempo cíclico musical, de durações relativas e eterno retorno. Possibilitar o contato individual com a força ancestral de nosso ritmo interno, ditado pela pulsação e respiração, identificando e regulando eventuais desarmonias. Apreender a noção de sujeito e seu espaço, por meio da linguagem musical; a essência humana por meio da subjetividade (ondas sonoras) e dos sentidos; a emoção contida na percepção sonora, melódica e rítmica. Capacitar os participantes à reprodução, em instrumento de percussão ou usando o próprio corpo, de compassos e ritmos musicais. Capacitar para a criação musical intuitiva e espontânea. Conteúdo: Música e tempo. Percepção rítmica. Andamento e compassos. Instrumentação e dinâmica. Gêneros e estilos musicais. Música ocidental e música oriental. O tempo na musicalidade indiana. Ciclos rítmicos. Ritmos brasileiros, células universais. Pandeiros do mundo. Percussão corporal. Improvisação e criação musical.

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6.2.10 Oficina de dança e ritmos genuinamente brasileiros e latinos Objetivos: Reconhecer o corpo através do ritmo, dos movimentos e da musicalidade genuinamente brasileira e latina. Trabalhar a autoestima, autonomia e a comunicação humana através da expressão corporal. Perceber o caráter sensitivo, simbólico e histórico da humanidade a partir da leitura corporal e gestual. Mensurar o valor estético a partir da visão da cultura global e local, representados pela dança e pelos ritmos brasileiros e latinos. Compreender a dimensão corpórea a partir da percepção auditiva e do passo a ela associada, no tempo e no espaço. Associar os componentes mental (cognitivo) e afetivo (psicológico) à dimensão corporal, em ritmo e harmonia diferenciados. Conteúdo: Respiração, tempo, movimento e sentimento. Repertório corporal ampliada a partir dos ritmos do samba, samba de gafieira, forró, cha-cha-cha, salsa, bolero, milonga e tango. Danças e ritmos afro-brasileiros. Baque do Acre.

6.2.11 Oficina de arte-gastronomia Objetivo: Conhecer as grandes transformações sociais e políticas por meio da gastronomia, culinária e das bebidas, os materiais da alimentação e a cultura a elas associadas; a comida e a evolução humana. Apreciar o culto dos prazeres da mesa (fisiologia do paladar ou meditação sobre a gastronomia transcendental). Aspectos estético, cultural e religioso da comida e da bebida. Aprofundar a percepção sobre as relações de gênero a partir da preparação da comida e dos valores simbólicos e espirituais. Conteúdo: Paladar, sabor e aroma; comida dos deuses e a santa ceia; preparação de pratos e apreciação de bebidas tradicionais.

Resultado: Realização de um jantar (jantar dos deuses), para degustação de comidas e bebidas.

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6.2.12 Oficina de imagem pessoal (estilo e beleza) Objetivo: Harmonizar esteticamente a personalidade (essência) à aparência, de forma a proporcionar bem estar, conforto e segurança. Criar/ aperfeiçoar o seu próprio estilo associado à autoestima. Traduzir a linguagem formal e informal por meio da vestimenta, adotando os conceitos de padrão e liberdade. Aplicar cores e formas a texturas, caimento, silhueta e harmonia. Apreciar a moda como forma de expressão da cultura e identidade (hábitos, costumes e usos) de um povo. Conteúdo: Evolução humana a partir da moda; roupa e aceitação social; “modismo”; Tutorial de roupa e acessórios, como expressão da personalidade e tutorial de maquiagem, como forma de caracterização da imagem física.

6.2.13 Oficina Comunicação de Atitude Objetivo: Introduzir valores emocionais na relação com o público, como meio de estimular mudanças de atitude, ou reforçar atitudes já existentes. Desenvolver competências que independem do conhecimento técnico. Envolver os sentidos, sugerir dinâmicas, estimular o fazer como meio de desenvolver a reflexão e a compreensão dos assuntos abordados. Conteúdo: Refletir sobre o que somos e o que fazemos, por meio de textos e objetos que motivam atitudes, por meio da metodologia “Caixinha de Atitudes”.

Oficineiro: José Oliva - Compositor, jornalista, publicitário, com pós-graduação em Marketing 41


Avançado (FAE-PR) e integrante da Associação Brasileira de Recursos Humanos – ABRH. O autor das “Caixinhas de Atitude” é sócio-diretor de planejamento e criação da Nova Comunicação, com sede em Curitiba, Paraná.

6.3 Psicoterapia Objetivos: Desenvolver a capacidade de auto-observação, autorreflexão e autogerenciamento, aprendendo a dialogar com os estados internos, a regular os estados emocionais e adquirir autonomia. Sair dos padrões estereotipados e criar novas narrativas de si, novos modos de compreender e conduzir a própria vida. Desenvolver habilidades interpessoais como capacidade empática - saber se colocar no lugar do outro -, capacidade de comunicação, assertividade, resolução de conflitos, etc. Aumentar a tolerância e a capacidade de crescer com as dificuldades que a vida apresenta, por meio da ampliação da resiliência. Favorecer a saúde integral, física e psicológica. Buscar o sentido existencial e o amadurecimento psicológico. Atividades: Terapia individual e em grupo. Resultados: Auxiliar nas dificuldades da existência em todas as formas que o sofrimento humano pode assumir, favorecendo o amadurecimento e o crescimento pessoal, transformando padrões estereotipados de funcionamento e restabelecendo o processo formativo e criativo de cada um.

6.4 Vivências Objetivo: Confrontar situações reais com o modo de viver, agir e ver o mundo, buscando revelar e saber lidar com situações conflituosas, medos, frustrações e outras manifestações de rejeição e intolerância. Buscar meios de superar questões pouco tratadas e/ou negligenciadas, de importância capital que influencia diretamente a tranquilidade e felicidade do indivíduo. Experienciar situações pouco 42


comuns, no dia a dia, como forma de aguçar e espírito solidário de cada um. Aprender a lidar com as crenças e a estrutura emocional do ser. Compreender o processo mental e emocional da vida. Saber lidar com a inteligência emocional. Atividades: Intercâmbios, visitas, simulações. Resultados: Alívio emocional e alinhamento mental, emocional e espiritual.

6.5 Inteligência emocional Objetivo: Criar referenciais e ferramentas que auxiliam na gestão do equilíbrio emocional, através de estratégias de entendimento e desenvolvimento da inteligência emocional. Atividades: Inteligência emocional, sua importância e o significado de QI (Quoeficiente de Inteligência) e QE (Quoeficiente Emocional). Conhecimento versus comportamento. Inteligência Emocional e as ideias de Daniel Goleman. As Inteligências Múltiplas de Gardner: conceitos e influências no desempenho profissional. Competências da inteligência emocional: quais são as competências importantes e como desenvolvê-las, através da análise SWOT. Tipos de Inteligência: quais são as inteligências que existem e como elas influenciam no desempenho das atribuições profissionais. Estratégias para a comunicação assertiva: como a comunicação pode auxiliar na aplicabilidade da IE. Resiliência: conceito e influências. Sentimento e emoção. Quoeficiente de Inteligência versus Quoeficiente Emocional. 7 Princípios de André Vermeulen para desenvolver a IE. Inteligência Espiritual: conceito e influências.

6.6 Coaching consciencial Objetivo: Analisar as leis naturais de forma holística e as realidades que regem a existência do ser humano, como frequência vibracional e suas aplicações para a compreensão e solução de problemas da vida. Despertar a consciência do ser humano de forma integral, a fim gerar um 43


processo de autoconhecimento e de desenvolvimento de forças e virtudes impulsionadoras de um pensar e agir que potencializa as ações e o alcance de metas. Fazer auto-observação dos nossos pensamentos, emoções e nosso estado de ser. Melhorar a forma de comunicação e solução de conflitos pessoais e em relacionamentos. Aprender a lidar com traumas, vícios, medo, tristeza, stress, gula, ansiedade, depressão e mágoa, de forma a encorajar e ajudar a pessoa a atingir os objetivos e as mudanças que deseja e seguir na direção desejada. Alinhar a verdade da sua essência às suas atitudes e limitações do dia a dia. Dedicar atenção aos próprios estados psicológicos. Entender e exercitar o propósito e a missão de sua vida e se tornar o seu próprio “mestre”. Alinhar os planos mental, emocional e espiritual, de forma a compreender os processos de sua vida. Atividades: Atividades coletivas e individuais monitoradas, abordando temas, como: a existência humana (o que e quem somos, de onde viemos e para onde vamos). As leis naturais que determinam a evolução humana e as realidades que a rege. Crenças e estrutura emocional do ser. O significado da sexualidade e o seu valor enquanto vetor energético. Atendimento individual, auxiliando o membro a lidar com as suas emoções, redefinir a sua vida e atingir seus objetivos. Aplicação das técnicas breves e eficazes para lidar com traumas, vícios, depressão e mágoas. Relaxamento, reflexão e meditação. Resultados: Reorganização e redefinição da vida pessoal e profissional.

6.7 Imersão filosófica: nosso tempo e espaços originais Objetivo: Refletir sobre o nosso tempo e espaço originais; aprender a conviver; auto-reverenciar a natureza. Atividades: Reflexão e vivência.

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6.8 Imersão espiritual: encontro com o sagrado Objetivo: Compreender a complexidade e apreender aspectos da autoconsciência, autotransformação, auto-renovação e autotranscendência. Criar convergência e sincronicidade entre as nossas tradição e raiz ancestral e a emergente abordagem transdisciplinar da realidade. Atividades: Reflexão, vivência, ritos de celebração.

6 . 9 Cine Pipoca Proje Projeção mensal de filmes, escolhidos previamente pelos cinéfilos, em auditório, ccom início às 13h. Após a sessão, realiza-se um bate-papo sobre o conteúdo do filme e qual aprendizagem é possível extrair da leitura feita pelo diretor do filme e que pode ser objeto de mudança de atitude ou de comportamento no d dia a dia do profissional do MPAC.

6.10 Café com palavras Encontros mensais, com participação e convidados, com local e tema previamente definidos, onde serão abordados assuntos variados das mais diversas correntes de pensamento, como educação, ética, política, arte, ciência, linguagem, cultura, religião, civilidade, cidadania, inclusão e diversos outros.

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7-Opiniões “As pessoas não se contentam, em termos de felicidade, com as suas realizações pessoais. Você tem que incorporar alguma outra coisa a mais à sua vida pra ter uma razão de ser, de viver. Quando você agrega esse outro valor à sua filosofia de vida começa a pensar em servir os outros, e essa é uma proposta do programa Viver para Servir. Eu me sentiria bem no meu trabalho chegando à conclusão de que o que eu estou fazendo aqui está tendo um retorno pra sociedade”. Danilo Lovisaro, promotor de Justiça.

O “Viver para Servir” valoriza, respeita e se importa com o indivíduo, mas não perde de vista o fortalecimento e a relevância da atividade coletiva, da atuação em equipe, até porque tem a percepção de que “o homem é um animal social”, na mesma linha de entendimento defendida por Aristóteles. Celso Jerônimo de Souza- promotor de Justiça e secretário-geral do MPAC

“Toda iniciativa com essa proposta é importante porque nos leva a olhar para dentro, para o público interno da instituição, e dessa forma, atingir o público externo, melhorando o atendimento à sociedade”. Ildon Maximiano, promotor de Justiça e coordenador do programa Viver para Servir na região do Alto Acre.

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“O programa Viver para Servir mostra-se em mais uma proposta inovadora e arrojada do ilustre Procurador-Geral de Justiça Dr. Oswaldo D’Albuquerque, a qual com sua implantação certamente trará grandes benefícios individuais e coletivos não apenas aos Membros como também aos servidores, que refletirão na sociedade acreana com a otimização da atuação do próprio MPE. Parabéns pela iniciativa!”. Aretuza de Almeida, promotora de Justiça e coordenadora do Núcleo de Atendimento Psicossocial em Dependência Química (Natera).

“O programa Viver para Servir abre uma janela na nossa profissão para vermos o outro lado da vida, o outro lado do relacionamento humano, nos colocando em contato com a nossa própria essência e a essência do outro. É preciso que nós tenhamos a consciência de que por trás de cada processo, existe toda uma história de um ser humano sofrido, desassistido pelo Estado, que muitas vezes não tem a quem recorrer, e a resposta que nós vamos dá para essa situação processual que retrata, na outra face do processo, a vida de uma pessoa ou de uma coletividade, será tão melhor quanto maior for a nossa sensibilidade, a nossa capacidade de perceber a dimensão do humano que existe manifestado em cada causa que se apresenta para o Ministério Público”. Cosmo Lima de Souza, procurador-geral adjunto para Assuntos Jurídicos.

“Investir no ser humano é algo fundamental para o sucesso da gestão de qualquer Instituição na consecução de sua estratégia e resultados. O Programa Viver para Servir, ao meu sentir, demonstra o comprometimento da atual gestão do Ministério Público para com esse fim: investir no autoconhecimento, bem-estar e qualidade de vida dos seus servidores e membros para otimizar os resultados estratégicos e melhorar, assim, o cumprimento de sua missão constitucional que é justamente servir a sociedade com excelência. Uma ótima e necessária iniciativa”. Patrícia Rêgo, procuradora de Justiça.

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8-Referências Bibliográficas ALVES, Rubem. Perguntaram-se se acredito em Deus. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2007.173p. BEAINI, Thais Curi. Máscaras do tempo. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994. 474p. BORGES, Jorge Luis. O Aleph. São Paulo: Editora Globo S.A., 1999. 160p. CAPRA, Fritjof. O ponto de mutação. São Paulo: Cutrix, 2006. 447p. COMTE-SPOVILLE, André. Pequeno tratado das grandes virtudes. São Paulo: Editora Martins Fontes, 1999. 153p. COMTE-SPOVILLE, André. A felicidade desesperadamente. São Paulo: Editora Martins Fontes, 2005. 139p. DAMÁSIO, António. O livro da consciência, a construção do cérebro consciente. 1ª ed. São Paulo: Circulo de leitores, 2010. 437p. FIODOR, Dostoiévski. Crime e castigo. São Paulo: Martin Claret, 2005.553p. GALEANO, Eduardo. O livro dos abraços. Porto Alegre: LPM Editores, 2002. 270 p. GALEANO, Eduardo. Memórias do Fogo, os nascimentos. Porto Alegre: L&PM Pocket, 2002. 302 p. GALEANO, Eduardo. Mulheres. Porto Alegre: L&PM Pocket, 1998. 176p. GALEANO, Eduardo. As palavras andantes. Porto Alegre: L&PM Pocket, 2007. 316p. GIBRAN, Cahlil. A voz do mestre. São Paulo: Circulo do livro S.A. 1975, 123p. GIBRAN, Cahlil. O jardim do Profeta. São Paulo: Catavento distribuidora. 1977, 88p. GIBRAN, Cahlil. Jesus o filho do homem. São Leopoldo/RS: Editora Sinodal. 2005, 166p. GIBRAN, Cahlil. O louco. São Paulo: Aquariana. 2005, 64p. HAWKING, Stephen. O universo numa casca de noz. 6ª ed. São Paulo, ARX, 2002. 215p. HESSE, Hermann. Demian. 28ª ed. Rio de Janeiro: Record, 1995. 187p. HESSE, Hermann. Vivências. 2 ed. Rio de Janeiro: Editora record, 1977. 237p. HILMAN, James. Uma busca interior em psicologia e religião. 4ª ed. São Paulo: Paulus, 1994. 136p. 48


JUNG, Carl Gustav. A natureza da Psique. 5ª ed. Petrópolis-RJ: Editora Vozes, 2000. 175p. JUNG, Carl Gustav. Memória, sonhos e reflexões. Nova Fronteira, 1986. 150p. JUNG, Carl Gustav. O homem e seus símbolos. 6ª ed. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1964. 311p. JUNG, Carl Gustav. Os arquétipos e o inconsciente coletivo. 2ª ed. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 1961. 469p.

JUNG, Carl Gustav. Psicologia e religião. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 1971. 121p. KEROUAC, Jack. Vagabundos iluminados. Coleção L&PM Pocket. Porto Alegre: L&PM Pocket, 2004. 252p. LONDON, Jack. O andarilho das estrelas: a viagem de um homem por suas vidas passadas. São Paulo: Axis Mundi, 1993. 318p. MARINOF, Lou. O caminho do meio: como encontrar a felicidade em mundo de extremos. Rio de Janeiro: Editora Livros, 2008. 653p. MICHEL, Foucaut. Doença mental e psicologia. Rio de Janeiro: Biblioteca Universitária, 1975. 71p. MOREIRA, R.; GOURSAND, M. Os sete pilares da qualidade de vida. 2ª ed. Belo Horizonte: Editora leitura, 2005. 184p. MORIN, Edgard. A cabeça bem feita – repensar a reforma, reformar o pensamento. 8ª ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003. 128p. MORIN, Edgard. Ciência com consciência. 82ªed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005. 344p. MORIN, Edgard. Pensar o complexo. Rio de Janeiro: Editora Garamond, 1999. 167p. MORIN, Edgard. Paradigma perdido: a natureza humana. 4ª ed. Publicações Europa América. 28p. NAIMY, Mikhail. O livro de Mirddad – um farol e um refúgio. OSHO. Vida, amor e riso. São Paulo: Gente, 2001. 282p. PEARSALL, Paul. Memória das células: estabelecendo um contato com a sabedoria e o poder da energia do coração. São Paulo: Mercury, 1999. 389p. RAMPA, Lobsang. A terceira visão – iniciação de um lama tibetano. 34ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2002. 269p. RUDHYAR, Dane. Trípticos astrológicos – os dons do espírito: a travessia da estrada iluminada. São Paulo: Editora Pensamento. 253p. 49


SANTOS, Boaventura. SILVEIRA, Nise. Jung: vida e obra. 7ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1981. 183p. SOFÓCLES. Antigóne. Versão para o eBook. 2005. 89p. VICENTE, M.; CHASSE, B.; ARNTZ W. Quem somos nós? A descoberta das infinitas possiblidades de alterar a realidade diária. Rio de Janeiro: Prestígio Editorial, 2007. 273p. WEIL, Pierre. Antologia do êxtase. Editora Palas Athena. 127p. WEIL, Pierre. Manual de psicologia aplicada. 2 ed. Editora Itatiaia. 1967. 217p. WEIL, Pierre. A arte de viver em paz. Editora Diálogos do Ser e Vozes, 2013. WEIL, Pierre. A esfinge – estrutura e mistério do homem. Petrópolis: Editora Vozes Ltda, 1973. 191p. WEIL, Pierre. O corpo fala: A linguagem silenciosa da comunicação verbal. 66ª ed. Petrópolis: Vozes, 2009. 287p. WILHELM, Richard. I Ching – O livro das mutações. São Paulo: Editora Vozes. 1982. 527p.

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9-Anexos ANEXO I: Ato de Criação do programa Viver para Servir ATO Nº 073/2014 Dispõe sobre a criação do programa Viver para Servir no âmbito do Ministério Público do Estado do Acre.

O PROCURADOR-GERAL DE JUSTIÇA DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO ACRE, no uso de suas atribuições legais, e CONSIDERANDO que o Planejamento Estratégico do Ministério Público do Estado do Acre, em execução desde 2010, define um eixo de atuação específico de gestão de pessoas; CONSIDERANDO que a pesquisa de clima organizacional, realizada em dezembro de 2012, revelou a necessidades de intervenções nas áreas de relações interpessoais, motivação para o trabalho, qualificação profissional, saúde e segurança no trabalho; CONSIDERANDO a necessidade de melhorar a qualidade das relações interpessoais, estimular a interação e a cooperação entre os profissionais da instituição, otimizar a qualidade do trabalho e desenvolver a capacidade criativa de membros e servidores, visando criar um ambiente de trabalho saudável e mais humano, RESOLVE: Art. 1º Instituir, no âmbito do Ministério Público do Estado do Acre, o programa VIVER PARA SERVIR, objetivando desenvolver, potencializar e integrar projetos que visam à melhoria das relações interpessoais, a qualidade de vida e saúde no trabalho. Art. 2º Valorizar e ampliar os projetos já existentes, que estejam alinhados aos objetivos do programa Viver para Servir, objetivando alcançar todas as unidades do Ministério Público do Estado do Acre da capital e do interior. Art. 3º Criar condições para que parcerias institucionais possam ser firmadas visando alcançar todos os resultados pretendidos, no âmbito do programa Viver para Servir. Art. 4º O programa Viver para Servir será construído balizado pelo princípio da participação, da cooperação, da equidade, da solidariedade e da fraternidade. Art. 5º Os coordenadores do programa serão designados oficialmente pelo Procurador-Geral de Justiça. Art. 6º O Programa Viver para Servir terá uma coordenação-geral e coordenações regionais, visando criar unidade e, ao mesmo tempo, respeitar as particularidades, autonomia e necessidades locais, na forma abaixo: 51


I. Regional Baixo Acre, integrando as unidades ministeriais e administrativas dos municípios de Rio Branco, Senador Guiomard, Plácido de Castro, Acrelândia, Bujari e Capixaba;

II. Regional Alto Acre, abrangendo as unidades ministeriais de Brasiléia, Epitaciolândia, Assis Brasil e Xapuri;

III. Regional Yaco/Purus, formada pelas unidades ministeriais dos municípios de Sena Madureira e Manoel Urbano;

IV. Regional Juruá, envolvendo as unidades ministeriais de Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Tarauacá e Feijó.

Art. 7º Cabe ao coordenador-geral a definição das estratégias de execução do programa, alinhadas aos objetivos do Planejamento Estratégico, buscando sempre a integração dos projetos, articulação de parcerias, monitoramento e avaliação. Art. 8º As estratégias de execução devem ter como referência os pilares filosóficos e metodológicos debatidos e pactuados com membros, na primeira reunião de planejamento tático-operacional, da gestão 2014-2016. Art. 9º O programa deve privilegiar a comunicação, como um vetor de disseminação de informação, conhecimento e participação, devendo a Assessoria de Comunicação do Ministério Público do Estado do Acre participar de todas as etapas de planejamento e avaliação do programa. Art. 10 Todos os projetos que visam à educação, qualificação e construção de conhecimento deverão ser apreciados e validados pela coordenação pedagógica do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional do Ministério Público do Estado do Acre. Art. 11 Este Ato entrará em vigor na data de sua publicação, revogando-se as disposições em contrário. GABINETE DA PROCURADORIA-GERAL DE JUSTIÇA DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO ACRE, aos três dias do mês de junho de dois mil e quatorze. OSWALDO D’ALBUQUERQUE LIMA NETO Procurador-Geral de Justiça

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ANEXO II: Filmes relacionados LISTA DE FILMES Hanezu, Naomi Kawase, 2011.

Era uma vez em Tóqui, Yasujiro Ozu 1953;

Teorema, Paolo Pasoline, 1968;

Simplesmente feliz, Mike Leigh, 2009;

Os Sonhadores, Bernardo Bertolucci;

O fabuloso destino de Amélie Poulain, Jean-Pierre Jeunet, 2011;

Homo Sapiens 1900 – documentário –, Peter Coher; Cairo de Mohamed Diab, 2010;

A pele que habito, Pedro Almodólvar, 2011;

Cinema paradiso, Geuseppe Tornatore, 1968; A vida secreta das abelhas, Gina Prince Fome de viver,Tony Scott, 1983; -Bythewood, 2008; Inteligência artificial, Steven Spielberg, 2001;

Camille Caudel, Bruno Dumont, 2013;

A lei do desejo, Pedro Almodóvar,1987;

Volver, Pedro Almodóvar, 2006;

Tudo sobre minha mãe, Pedro Almodóvar 1999; Poesia, Lee Chang-dong, 2010; A caverna dos sonhos esquecidos, dirigido por Renir, Gilles Bourdos, 2012; Warner Herzag, 2010; Rei Lear, Jean-Luc Godard, 1987; A gaia ciência, de Jean-Luc Godard, 1969; O porco espinho, Mona Achache, 2009; O ponto de mutação, Bernt Amadeus Capra, 1991; Quem Somos Nós?, Betsy Chasse, 2004; Ensina-me a viver, Hal Ashby – 1971; Uma mente brilhante, Ron Howart;

Nossa Música, Jean-Luc Godard, 2004; Freud: Além da alma, Joh Huston – 1963; Um método perigosos, David Cronenberg – 2011; Jornada da alma, Roberto Faenza – 2003; Ulisses, Joseph Strick, 1967;

Gênio indomável, Good Will Hunting, 1997;

O segredo dos seus olhos, Juan José Campanella, 2010;

Viagens alucinantes, Ken Russell – 1980;

Ricardo III, Richard Loncraine, 1995;

Aurora, Krsitina Buozyte – 2012;

Precisamos falar sobre o Kevin, Lybbe Ramsay, 2011;

Feliz que minha mãe esteja viva, Caude e Na- Geração prozac, Erik Skjoldbjaerg, 2001; than Miller 2009; 53


Enterrem meu coração na curva do rio, Yves Simoneau, 2007; Persépolis de Marjane Satrapi, Vicent Paronnaud, 2007; Gandhi, Richard Attenborough, 1982; Flor da neve e o leque secreto, Waybe Wang, 2011;

Desconnect, de Henry Alex Rubin, 2013; Ela, de Spike Jorze, 2013; Crime e castigo, Josef Von Sternber, 1935; Os irmãos Kamarazov, Richard Brooks, 1958; 12 homens e uma sentença, Sidney Lumet, 1957; Don Quixote, Orson Welles, 1955;

O lobo da estepe, Fred Haines, 1974;

Quando Nietzsche chorou,Pinchas Perry – 2007;

Sidarta, Max Von Sydoow, 1972;

Lua de fel, Roman Polanski, 1992;

Minha mãe também, Christophe Honoré, 2004;

Leolo – porque eu sonho, Jean-Claude Lauzón, 1992;

Morte em Veneza, Luchino Visconti, 1971;

A maldição da flor dourada, Zhag Yimou, 2006;

A moça com brinco de pérolas, Peter Webber, 2003;

O nome da rosa, Jean-Jacques Annaud, 1986;

Asas da liberdade, Alan Parker, 1984;

Agonia e êxtase, Carol Reed, 1965;

Ratos e homens, Gary Sinise, 1992;

Hounddog, Deborah Kampmaeie, 2007;

A garota da Fábrica de Fósforos, Aki Kaur, 1990;

X-pax – o caminho da luz, Iain Softley, 2001;

O homem urso, Werner Herzaf, 2005;

Julieta dos espíritos, Frederico Fellini, 1965;

A lenda da fortaleza suram, Dodo Abashidze, Sergei Parajanov, 1984;

Além da eternidade, Steven Spielberg, 1989; Ana e os lobos, Carlos Saura, 1973;

Peixe grande e suas histórias maravilhosas, Tim Burton, 2003; Pi, Darren Aronofsk, 1998; A solidão dos números primos,Saverio Costanzo, 2010; As confissões de Henry Fool de Hal Hartley, 1997; Lobo, Vasili Sigarev, 2009; A bela e a fera, Jean Cocteau, 1946;

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Persona, Ingmar Bergman,1966; Através de um espelho, Ingmar Bergman, 1961; 8 ½, Frederico Fellini, 1963; O médico e o monstro, Victor Fleming (1941); O escritor fantasma, Roman Polanscki, 2010; Asura, Keiichi Satou, 2012;


Planeta dos macacos, Tim Burton, 2001;

Cria cuervos, Carlos Saura, 1976;

Quero ser John Malkovich, Spike Jonze, 1999;

Melancolia, Lars Von Trier, 2011;

Quando fala o coração, Alfred Hitchcock, 1945;

Viver, Akira Kurosawa, 1952;

Eu matei a minha mãe, Xavier Dolan, 2009;

Sonhos de Akira Kurosawa, 1990;

Onda, Dennis Gansel, 2008;

O ascafandro e a borboleta, Julian Schnabel, 2007;

Sombra de Goya, Milos Forman, 2007;

Cópia fiel, Abbas Kiarostami, 2010;

A insustentável leveza do ser, Philip Kaufman, 1987;

r adentro, Alejandro Amenábar, 2005.

Sede de viver,Vincente Minnelli, 1958;

Impulsividade, Mike Mills, 2005.

Antiga alegria, Kelly Reichardt, 2006; Camille Claudel, Bruno Nuytten, 1988; Nada pessoal, Urszula Antoniak, 2009; Zorba, o grego, Mihalis Kakogiannis, 1964; Basquiat – traços de uma vida, Julian Schnabel, 1996; Orlando –a mulher imortal, Sally Potter, 1992; O rei dos reis de Cecil B. DeMille, 1927; Labirinto do fauno, Guilermo del Toto, 2006; Othelo de Orson Welles, 1952; Contraponto,Terry Gilliam, 2005; Onde vivem os monstros, Spike Jonze, 2009; Em busca da terra do nunca, Marc Forster, 2004; Fonte da vida, Darren Aronofsky, 2006; Equus, de Sidney Lumet, 1977; O cachorro, Carlos Sorín, 2004;

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Revista Viver para servir  
Revista Viver para servir  
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