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Notícias da

UFPR www.ufpr.br | Ano 9 | Número 48 | Maio de 2010

Negociações podem evitar demissões no HC pág. 7 Os avanços da bioengenharia na medicina pág. 14

A ciência está no vinho Projeto de extensão melhora a vida dos produtores e dá qualidade ao vinho produzido na Região de Curitiba página

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Maio Editorial 2010

Opinião

Zaki Akel

Reitor da UFPR

Portal da Universidade Federal do Paraná

A solução para evitar o cumprimento do Termo de Ajuste de Conduta assinado com o MPT, que determina a demissão em dezembro de 2010 de 1.143 funcionários do HC contratados pela FUNPAR, não será fácil. Desde nossa posse no MEC, nos comprometemos a enfrentar esta questão com todas as nossas forças. Com a aproximação desta data fatal, sentimos de perto a tensão que vem tomando conta deste enorme contingente de qualificados trabalhadores em saúde e de suas famílias. Temos na verdade duas questões a solucionar: viabilizar o funcionamento do HC e resolver a situação dos nossos funcionários contratados pela FUNPAR. Qualquer proposta que atenda a apenas uma delas não é viável. A solução é complexa.Temos que buscar apoio em todas as lideranças que possam nos ajudar a apresentar argumentos ao MPT e demonstrar a essencialidade do papel do HC no contexto da saúde pública do nosso estado, da relevância de suas atividades de ensino, pesquisa e extensão. Temos que demonstrar o imenso prejuízo decorrente do desligamento abrupto de um contingente de trabalhadores com grande experiência acumulada e que presta indispensável colaboração aos serviços do HC. Temos que assegurar os empregos destes servidores que ao longo dos anos dedicaram sua força de trabalho em prol da nossa população. Vamos nos mobilizar e tenho a certeza que contaremos com o apoio do ministro Paulo Bernardo, grande aliado nas questões relacionadas à educação e à saúde, somando-se ao ministro Fernando Haddad, a nossa bancada federal , além do governador Pessuti e do prefeito Ducci. Como reitor, o papel que pretendo desempenhar é o de articulador destas lideranças, juntamente com a direção do HC, com a FUNPAR e com o Sinditest, assumindo a linha de frente desta mobilização, para construirmos juntos uma solução definitiva, que seja fruto do diálogo e do esforço de todos nós!

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Uma solução a muitas mãos

Produtos feitos à mão Objeto de Desejo Mirian Palmeira

Professora do Curso de Administração da UFPR

Atualmente, as pessoas dão valor para produtos que sejam artesanais, que contam com o toque do artista, sejam os panos de prato bordados e com acabamento em crochê, sejam os xales e acessórios de moda, que diferenciam as pessoas através de suas roupas. Nem sempre foi assim. Quando nossas avós e mães, nas estações adequadas do ano, faziam as compotas de frutas, tricotavam roupas de lã, faziam seus bordados e peças de crochê, estes objetos eram parte da vida corriqueira das pessoas. Todo o mundo tinha. As tias davam de presente às sobrinhas peças feitas à mão para compor o enxoval das belas donzelas. Na época, o diferente era ter objetos de produção em massa: a calça Lee , o Jeans , ou qualquer outro produto que tivesse uma marca ou estilo americano. Hoje em dia, não se fazem mais avós, mães e tias como antigamente. E os produtos feitos à mão são raros. Com toda essa tendência de consumo consciente, produto “verde”, preservação do meio ambiente, os bens feitos à mão vieram a calhar como objeto de desejo, principalmente se estão ligados à história de uma comunidade que os produz. É uma tendência, mas eu considero uma boa tendência, pois estimula o uso de recursos escassos e finitos da Terra, para atender a uma população mundial crescente. Reduzir. Reutilizar. Reciclar. Estes elementos são a tríade de uma nova era. Um sem o outro não se sustenta. É a palavra de ordem hoje é a sustentabilidade. Se os bens feitos à mão são benéficos para todos, para as comunidades que os produzem, para o comércio que os distribuem e para as pessoas que os compram e consomem, mesmo que paguem mais por isso, por que não?

Erramos Na matéria sobre o Provar “Critérios mais rigorosos darão outra dinâmica à ocupação das vagas ociosas na UFPR”, ao informar que o estudante Gleisson Alisson Pereira de Brito é formado em Educação Física pela UFPR e já pensa em fazer mestrado na área. Na verdade ele se graduou pela PUC/PR, fez Mestrado na área de Concentração em Fisiologia do programa de Pós-Graduação em Biologia Celular e Molecular na UFPR e atualmente é – além de Mestre em Biologia Celular e Molecular – também doutorando no mesmo Programa.

O jornal Notícias da UFPR é uma publicação da Assessoria de Comunicação Social da Universidade Federal do Paraná. Rua Dr. Faivre, 405 - CEP: 80060-140 Fones: 41 3360-5007 e 41 3360-5008 Fax: 41 3360-5087 E-mail: acs@ufpr.br

Reitor Zaki Akel Sobrinho | Vice-Reitor Rogério Mulinari | Pró-Reitor de Administração Paulo Roberto Rocha Kruger | Pró-Reitora de Extensão e Cultura Elenice Mara de Matos Novak | Pró-Reitora de Gestão de Pessoas Larissa Martins Born | Pró-Reitora de Graduação Maria Amélia Sabbag Zainko Pró-Reitora de Planejamento, Orçamento e Finanças Lúcia Regina Assumpção Montanhini | Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação Sérgio Scheer Pró-Reitora de Assuntos Estudantis Rita de Cássia Lopes | Chefe de Gabinete Ana Lúcia Jansen de Mello Santana. Assessor de Comunicação Social e Jornalista Responsável Mário Messagi Júnior - Reg. Prof.: 2963 | Edição geral Maria de Lurdes Pereira| Editores Simone Meirelles (Ensino), Fernando César Oliveira (C&T), Mário Messagi Júnior (Gestão) e Letícia Hoshiguti (Cultura e Extensão) | Projeto Gráfico Iasa Monique Ribeiro | Diagramação Juliana Karpinski| Foto da Capa Rodrigo Juste Duarte| Impressão Imprensa Universitária Revisão Edison Saldanha | Tiragem 10 mil exemplares

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Maio

2010

Fotos: Rodrigo Juste Duarte

Ensino: Luteria

A arte de transformar madeira em sons Curso de Luteria reúne conhecimento artístico e histórico para transformar alunos em mestres da construção de instrumentos musicais Simone Meirelles

simonerm@ufpr.br

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rte, técnica e coração. Três qualidades indispensáveis para quem estuda Luteria, um dos novos cursos oferecidos pela Universidade Federal do Paraná. Iniciada em 2009, a formação, que recebeu o nome oficial de Tecnologia em Construção de Instrumentos Musicais – Luteria, tem hoje 60 alunos e é a primeira da América Latina com nível de graduação. A atenção para os detalhes, o conhecimento histórico e musical e a sensibilidade artística são habilidades que o curso se propõe a despertar. Para o professor Aloísio Leoni Schmid, coordenador do curso, é importante destacar a instrução não apenas técnica, mas também cultural que a graduação oferece. Mais que aprender a construir instrumentos, o aluno de Luteria da UFPR também estuda disciplinas como História da Arte, cultura musical e iden-

tidade regional, línguas estrangeiras e educação musical, além daquelas matérias dedicadas ao aprimoramento técnico, como vernizes, restauração, aspectos da madeira, entalhe, acústica, eletrotécnica e computação. Para isso, tem à disposição uma oficina com equipamentos de alta qualidade com itens individuais para cada estudante, sala de máquinas e sala de desenho, além das salas comuns. Também aprende a executar diversos instrumentos, com objetivo de conhecer a capacidade e a sonoridade de cada um. NOVO INSTRUMENTO Um dos mais novos equipamentos adquiridos é um órgão de baú, um instrumento de dimensões pequenas (100 cm x 60 cm x 90 cm) mas que permite o estudo da música barroca e dos diversos timbres das flautas feitas a mão. Conforme explica Schmid, optou-se pela compra deste instrumento por permitir

a observação para estudo e também a realização de concertos aproveitando o potencial acústico de diferentes espaços da UFPR e da cidade. Avaliado em R$ 41 mil, o instrumento foi produzido em Santa Maria (RS), pela fábrica de Manfred Worlitschek, de forma totalmente artesanal. Especialista na manutenção e execução musical de órgãos, o professor Ricardo Herrmann observa que por enquanto os alunos não irão construir órgãos, mas é importante que o conheçam, pois ele representa “um coroamento na arte de construção de instrumentos”. O mercado de trabalho para o formando vai desde as grandes fábricas de instrumentos, que exigem mão-de-obra especializada, até a criação de empresas pelos próprios profissionais ou mesmo sua atuação autônoma. Por isso mesmo, Organização e Empreendedorismo é uma disciplina que também está no currículo. “Há potencialmente um grande mercado, tanto

nacional quanto internacional, para instrumentos de alta qualidade e feitos de forma artesanal. Estamos pesquisando também o uso de madeiras brasileiras. Para se ter ideia, um arco de violino feito de pau-brasil pode valer milhares de reais”, explica o coordenador do curso. Com os equipamentos disponíveis hoje, os estudantes de Luteria estão aprendendo a construir principalmente violões, guitarras e baixos elétricos, violinos e violas. A formação adquirida deverá permitir trabalhar ainda com violoncelos, contrabaixos, cavaquinhos, bandolins, alaúdes, flautas, clarinetes, oboés e organetes. A longo prazo, existe a possibilidade de incluir instrumentos de metal e de percussão. A plena implementação do curso ainda depende de se completar a equipe de professores e técnicos, tarefa difícil por serem raros os profissionais especializados. Também é necessário adquirir máquinas e ferramentas que ainda faltam.

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Ensino: Núcleo de Concursos

Maio

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Além do vestibular, NC organiza concursos externos O Núcleo de Concurso da UFPR atende a solicitações para processos seletivos terceirizados. Em 2009, foram oito concursos Ciro Campos

cirocampos@ufpr.br

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se tem uma solicitação de concurso externo ou interno, há uma reunião para se organizar a prova requisitada, com foco nas preocupações de segurança e para a escolha de uma data para a prova que não coincida com outros grandes eventos na capital. “Não há como realizar uma prova no mesmo dia que a Maratona de Curitiba, porque muitas ruas são interditadas e isso dificultaria o trânsito dos candidatos”, exemplifica o coordenador. Para manter a segurança no transporte das provas, o NC conta com a ajuda da Polícia Militar.

OUTROS CONCURSOS No último ano, foram realizados oito concursos externos, como para as prefeituras de São José dos Pinhais e Araucária. Nesses casos a elaboração da prova é feita de acordo com a solicitação da instituição interessada. “Enviamos uma lista para ver o cargo pretendido, atribuições, números de questões e o tipo de prova”, explica. Para fazer a inscrição, imprimir o boleto, conferir o número de ensalamento e depois ver o resultado do concurso, o candidato precisa da informática. O Grupo de Tecnologia da Informação (GTI) cuida de todos esses processos. “Para fazermos tudo isso contamos com uma rede fechada, para garantir sigilo total” diz a coordenadora do GTI, Cleuza Henklein.

Rodrigo Juste Duarte

vestibular da Universidade Federal do Paraná reúne em média mais de 40 mil estudantes todos os anos. Toda a parte de organização, elaboração, segurança e correção das provas fica sob responsabilidade do Núcleo de Concursos (NC) da UFPR. Além do processo seletivo, outros 12 concursos públicos foram executados pelo NC em 2009. Meses antes do dia das provas, o Núcleo de Concursos começa a pensar na sua elaboração do começo ao fim dos processos seletivos cuidando de todo andamento. O coordenador do NC Raul von der Heyde revela que o vestibular começa

a ser preparado a partir de abril, com base em uma avaliação feita entre janeiro e março sobre a prova anterior. Outros processos seletivos são preparados em média com 90 dias de antecedência. Uma preocupação é manter o padrão das provas. “Qualquer mudança, principalmente no vestibular, não pode ser feita do dia para a noite”, afirma. O NC é composto por quatro grupos, cada um especializado numa área: tecnologia da informação, preparação de área, administrativo financeiro, atendimento executivo e a assessoria de avaliação de acompanhamento acadêmico. Quando

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Ensino: Conae

Maio

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Cidadãos de todo País contribuem para Plano Nacional de Educação Arquivo pessoal

Conferência nacional formata documento reunindo expectativas da sociedade para o setor

CONAE mostrou mobilização nacional pela qualidade e valorização da educação

Letícia Hoshiguti

leticiah@ufpr.br

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Plano Nacional de Educação que o governo precisa definir para o decênio 2011/2020 já conta com contribuições estabelecidas e recémsaídas da Conferência Nacional de Educação (Conae), ocorrida de 29 de março a 1º de abril último. Entre os aproximadamente 2.500 delegados de todo País, as delegadas do Paraná, professoras Ettiène Guérios, diretora do Setor de Educação, e as professoras Andréia Caldas e Andréia Gouveia, ajudaram a formatar os dois volumes que contêm o que hoje a sociedade brasileira espera da educação do Brasil de amanhã. A Conae teve esse papel representativo da sociedade por ter sido precedida de conferências municipais e estaduais em mais de cinco mil municípios brasileiros. Não reuniu apenas professores, mas representantes de todos os segmentos da comunidade nacional: cidadãos professores, estudantes de todos os níveis de ensino, profissionais os mais diversos, pais e mães interessados na educação que o País precisa. “Todos os delegados constituídos num fórum de mobilização nacional pela qualidade e valorização da educação e num espaço democrático para a construção de diretrizes para a política nacional

de educação e dos seus marcos regulatórios, na perspectiva de inclusão, igualdade e diversidade” expôs a professora Ettiène. Ela voltou extremamente otimista com os resultados da Conae em razão da qualidade dos debates estabelecidos e da visível preocupação que as pessoas demonstraram ter para que o plano seja bom para o País, no coletivo e não no individual. Ressalvados alguns “delírios”, de propostas praticamente impossíveis de se concretizar, Ettiène destacou que a maioria das argumentações foram construtivas e espera ver boa parte delas integrando o projeto de plano que o governo deve encaminhar ao Congresso Nacional ainda neste ano. DIRETRIZES APONTADAS Um sistema nacional que seja articulado, foi uma das principais diretrizes definidas na Conae. Essa articulação hoje existe por meio de iniciativas pontuais, dependente da vontade de gestores das instituições. Hoje as parcerias entre as estruturas de educação no nível federal, estadual e municipal dependem de convênios e projetos. O Setor de Educação da UFPR, por exemplo, já trabalha em projeto conjunto com a Prefeitura de São José dos Pinhais, num programa de formação continuada de professores daquele município. É um exemplo de ação

A Conferência foi estruturada em quatro eixos: s Papel do estado na garantia do direito à educação de qualidade: organização e regulação da educação nacional. s Formação e valorização dos profissionais da educação. s Financiamento da educação e controle social s Justiça social, educação e trabalho: inclusão, diversidade e igualdade. que, devidamente respaldada pelo PNE, passará a fazer parte de uma estrutura institucionalizada de sistema. Essa articulação institucional promoverá uma maior aproximação entre as universidades e as instituições públicas dos outros níveis de ensino. “Para a universidade, a relação com os sistemas de ensino público mais intensionada possibilitará uma oxigenação do modo de relação entre esses sistemas”, ponderou Ettiène, que adianta um cenário de maior compromisso com a formação continuada, a construção de programas em conjunto, uma relação mais contínua com os municípios e suas reais necessidades na área da educação. A valorização profissional foi outro aspecto bastante defendido na Conae. Hora/atividade, estrutura física, valorização da formação continuada cotidiana, incentivo à pós-graduação como mestrado e doutorado, isonomia na valorização de títulos acadêmicos, foram alguns dos outros

pontos destacados na Conferência. São todos pontos estratégicos para a valorização da educação no País e que, para Ettiène, são fundamentais e precisam ser construídos gradativamente. “A formação, o desenvolvimento profissional e a valorização dos trabalhadores da educação são fatores centrais para a construção de uma política de Estado para a educação nacional”, afirmou Ettiène, complementando que o sistema tem de expressar a efetivação do direito social à educação, com qualidade para todos.

Nota: Em maio, a professora Ettiène realiza no Setor de Educação, um evento das principais diretrizes da Conae para apresentar à comunidade universitária interessada. Será na primeira quinzena de maio, em dia a ser definido, em que uma pessoa responsável para cada eixo explicará à comunidade as principais deliberações da Conferência. 5


Maio

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Ensino: Aluno por aluno

Mãos à negociação R

osemari Nunes Ferreira trabalha há 19 anos no Hospital de Clínicas, como assistente administrativa. Divorciada há dois anos, tem dois filhos. A jovem Camila, com 20 anos, chegou pouco antes da mãe entrar no HC. Foi praticamente criada na creche do Hospital. “Eles adotam o seu filho e ele sai de lá alfabetizado’’, conta Rosemeri. João Vítor, com 4, continua na creche. Ela, como outros 1.042 funcionários do Hospital, pode ficar sem emprego, há cinco anos de se aposentar, no dia 31 de dezembro, quando expira o prazo dado pelo Ministério Público do Trabalho à Funpar para desligar todos os empregados contratados para o HC através da Fundação. O termo de ajuste de conduta assinado em 9 de janeiro de 2007, perante à 1ª Vara do Trabalho de Curitiba, entre a Funpar, a UFPR e o Ministério Público se fundamenta no acórdão 1.520, de 2006, do Tribunal de Contas da União. Rosemeri tem que tocar a vida sozinha. A ameaça de perder o emprego já produziu momentos de depressão, de choro. “O hospital é minha vida, é minha segunda casa. Tenho um amor incondicional. Sem ele, ia perder o meu chão, tanto no aspecto profissional quanto financeiro”, confessa. O problema é histórico. 6

Arquivo

Mário Messagi Jr.

messagi@ufpr.br

Solução para o problema do HC só virá com o envolvimento de todos os participantes, dos trabalhadores até o governo federal. Reitor vai assumir papel de negociador para encontrar solução. MPT aceita rever termo de ajuste de conduta, desde que haja uma solução viável.

Desde 1981, a Funpar contrata pessoal para atender as necessidades do HC, tendo atingido mais de três mil pessoas contratadas. A prática parou em 1996, quando a administração da universidade determinou a suspenção de qualquer nova contratasão. De lá para cá, muitos saíram e diversas atividades foram terceirizadas, como limpeza, manutenção, nutrição e segurança. Assim, os últimos contratados são de 1996. É o caso de Renildo Meurer. Contratado na última leva, é técnico em assuntos educacionais. Tem três filhos, de 13, 15 e 17 anos. Graduado e com especialização pela PUC, é mestre pela UFPR e leciona à noite, num curso superior de letras. Apesar disso, o HC representa mais de dois terços da sua renda. “Imagine perder 70% dos seus ganhos”, pondera. O problema não é localizado. Estima-se que 18 mil empregados, contratados de diversas formas, trabalham nos hospitais universitários em todo o Brasil. Logo, a solução também deverá ser nacional. Depende do Congresso Nacional e do governo federal, sobretudo. Até o próprio Ministério Público está disposto a participar de um processo de negociação que permita construir uma solução legítima. “Achar uma solução negociada sempre foi a ideia”, afirma Ricardo Bruel da Silveira, procurador geral do MPT.


Maio

Rodrigo Juste Duarte

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ASSEMBLEIA dos funcionários do HC reuniu mais de 400 pessoas em 24 de fevereiro

Demissão em massa Desde 1988, a Constituição Federal consagra os concursos públicos como forma de acesso aos empregos públicos. Ou seja, a situação é irregular. No entanto, a solução para o problema instalado é bem mais complicado. Por um lado, o HC não funcionaria sem esses empregados. “Esses servidores são imprescindíveis”, afirma a diretora do Hospital Heda Amarante. Ela entende que o ajuste de conduta assinado com o MPT é uma recomendação de substituição de pessoal, mas não uma determinação. As áreas que seriam afetadas de forma mais aguda, segundo Heda, seriam a administração, áreas especializadas de laboratórios, plantões

e a informática. Por isso, “o HC não pode demitir sem que esse pessoal seja substituído”, explica. Por outro lado, há o problema social. Mesmo que todas as vagas fossem supridas, o que é pouco provável, a demissão de mais de mil pessoas simultaneamente seria catastrófica, sem contar com o impacto nas rotinas do hospital, haja vista que esse pessoal já está qualificado para as funções que exercem, com experiência. “Não queremos ser responsáveis por uma demissão em massa”, confessa Heda. O superitendente da Funpar, Pedro Steiner, reitera a posição. “A solução para o hospital não é a solução para estas pessoas. O ideal seria repor à medida que elas saiam”, diz.

Esses servidores são imprescindíveis.” Heda Amarante, Diretora do HC.

Assembleia Em assembleia com mais de 400 empregados do Hospital de Clínicas, no último dia 24 de fevereiro, o reitor da UFPR Zaki Akel Sobrinho, garantiu que não haverá demissões no HC. “O hospital não pode parar e vocês não serão demitidos”, disse. Zaki foi ainda mais enfático em uma outra fala: “Se chegarmos ao dia 31 de dezembro e não tivermos uma solução, eu vou ser preso, mas não vamos demitir nenhum de vocês”, garantiu. É evidente que o reitor não imagina que será preso. Na verdade, ele tem assumido uma posição de ponta na construção de uma solução, que envolve a universidade, a Funpar, o HC, mas, sobretudo, o Congresso Nacional e o Executivo. 7


Maio

Foto: Andrea Paccini

2010

Imagine perder 70% dos meus ganhos.” Renildo Meurer Técnico em assuntos educacionais

As ações do reitor têm respaldo da direção do hospital. “O HC participa par e passo com a Reitoria, de todas as ações tanto em Brasília quanto no Paraná. Mas a decisão final será do Ministério do Planejamento”, explica Heda. Na avaliação dos participantes na assembleia, a postura da administração foi tranquilizadora. Apesar disso, serão necessárias muita organização e mobilização para evitar a demissão em massa. “Estou tranquilo, mas não seguro”, afirmou Carlos Monteiro, servidor no HC. Jonas de Souza Pinto enfatizou a necessidade de manter a disposição. “Isso é um projeto de luta. Temos que continuar lutando, porque o reitor não pode nos dar garantia de que não seremos demitidos”, disse. Para o presidente do Sinditest Wilson Messias, “é o início de um trabalho para que vocês (empregados) saiam quando queiram sair e não 8

quando o Ministério Público quiser”. Mas o que pensa o Ministério Público? Para Ricardo Breual, ao longo dos anos foram criadas vagas, mas em número insuficiente. “A maior dificuldade é a criação de vagas. Se houvesse perspectiva de que estas vagas fossem criadas, a solução seria mais fácil”, diz. Apesar de enxergar a gravidade do problema, Bruel garante que o MPT está disposto a colaborar com a construção de uma solução. Soluções Para Zaki, a solução passa pela abertura de vagas de concurso, combinado com a manutenção dos empregados remanescentes como quadro em extinção. Isso permitiria equilibrar os dois lados da questão: por um lado o funcionamento do HC e por outro a manutenção dos empregos. A consolidação de uma proposta adequada a todos deve tomar até quatro meses, estima Zaki. Para ele, a solução definitiva do problema dos hospitais universitários passa pelo Rehuf (programa do governo federal de reestruturação dos hospitais universitários) e pela criação de um plano de cargos e salários para os hospitais. “Sem plano de carreira, vamos ficar sempre neste drama”, explica. Essa solução já vem sendo construída. Por determinação do presidente Lula, quatro ministérios (Educação, Saúde, Planejamento e Ciência e Tecnologia), estão debruçados sobre o problema. Interferir nesse processo positivamente é o desafio que o reitor assume para si, buscando acelerar os trabalhos. Um dos passos nesse sentido foi o seminário sobre os hospitais nos dias 17 e 18, em Brasília, promovido pelo Ministério da Educação e pelo Banco Mundial. O MEC e o Ministério do Planejamento apontaram, inicialmente, para várias soluções segmentadas, conforme

Arte: Leonardo Bettinelli

o caso de cada estado. Pela primeira vez, o tema recebe atenção suficiente. A solução

não deve ser imediata, mas há muito esforço para construir alternativas.


Gestão: 100 anos

Maio

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Rumo aos 100 anos Com objetivo de resgatar a memória da universidade e marcar no imaginário coletivo, as preparações para o centenário já começaram Juliana Karpinski

julianakarpinski@ufpr.br

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undada em 19 de dezembro de 1912, a UFPR está prestes a completar 100 anos, e há menos de 1000 dias para este centenário, os preparativos para a comemoração já começaram. Os primeiros passos para organizar as atividades foram a criação das comissões dos 12 Setores e do Comitê Executivo dos 100 anos. Denominada Comissão Consultiva Setorial, cabe ao grupo de cada setor coordenar as atividades, manifestações culturais, projetos artísticos e eventos que serão realizados. O Comitê Executivo fica responsável pela coordenação técnica e financeira. “São 12 setores em toda a universidade por isso, cabe ao Comitê fazer um afunilamento para encaminhar cada evento a suas respectivas categorias”, explica o professor Ulf Gregor Baranow. Formados pelo vice-reitor Rogério Mulinari, pela próreitora de Extensão e Cultura Elenice Novak, pela coordenadora de cultura Lucia Mion, pelo professor do Departamento de História Renato Lopes Leite, pelo chefe da Assessoria de Comunicação da UFPR Mário Messagi Júnior e com a colaboração do professor Ulf Gregor Baranow, o Comitê Executivo começou a se reunir a partir de setembro de 2009, e de lá para cá, alguns projetos já foram organizados. Entre as atividades que já estão sendo preparadas está a Memória Digital da UFPR 100 anos. Um projeto que integra a Biblioteca Central da UFPR, a Proec e o Departamento de Informática, coordenados por Baranow. “Existem diversas biografias esparsas sobre a UFPR

ao longo desses 100 anos e pretendemos reuni-las”, explica o professor. Com o projeto, até o momento, foram digitalizados 85 volumes, entre livros, relatórios impressos, anuários e biografias, com um total de mais de dez mil páginas sobre a universidade. Além da digitalização das biografias, existem pesquisas na UFPR motivadas pela comemoração 100 anos, como é o caso do curso de Geologia que pretende lançar um livro sobre sua história. MEMÓRIA, EVENTO E COMUNICAÇÃO A programação do centenário será organizada em três eixos de trabalho: Memória, Evento e Comunicação. O eixo Memória fica responsável por toda a produção de material bibliográfico, iconográfico, arquivístico, pesquisa acadêmica e publicações. Entre os eventos que estão sendo preparado, está o projeto de montar o livro com a história da universidade. “Nossa preocupação é mostrar os preocupações atuais e o que se espera da UFPR no futuro”, comenta o Renato Lopes Leite. O livro será lançado em 2012 e organizado por um grupo de pesquisadores que participarão de debates com pessoas de fora da universidade para agregar outras pesquisas ao trabalho. Também há projetos para a coleta e identificação da iconografia da UFPR, para o levantamento de multimídia, filmes, programas de TV, para a localização dos arquivos existentes e elaboração de um guia preliminar e para o processamento informacional do acervo de partituras musicais da Proec.

A eixo de Evento realizará exposição histórica itinerante nos campi da UFPR, concursos de fotografias sobre o cotidiano e as edificações da UFPR, concursos de monografias, exposições de artes plásticas, apresentações de grupos artísticos, homenagens a personalidades da UFPR. “Além de tudo também estamos preparando a virada cultural dos 100 anos”, completa Lucia Mion. Os eventos realizados também contarão com a coordenação de Comunicação, que está implantando o site “UFPR Rumo aos 100 anos (19122012)” e será responsável pela seleção de artigos e contribuições autobiográficas, pela produção de livro com imagens históricas da universidade, além da produção do material de marketing, com camisetas, brindes, adesivos. “Também pretendemos lançar o calendário da UFPR em 2010, 2011, 2012, com imagens relacionas à história da universidade, fotos atuais e o que se espera para o futuro da UFPR” acrescenta Mário Messagi Júnior. EDITAL Para envolver a comunidade acadêmica nos preparativos do centenário, em abril foi lançado o edital de bolsas para os projetos. “O objetivo é resgatar a memória da universidade e marcar no imaginário coletivo. Para isso, a universidade ofereceu 60 bolsas para o primeiro e 60 para o segundo semestre”, explica Mulinari. As bolsas foram ofertadas com recursos do Reuni e do Plano Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes), com duração de 12 meses, no valor de R$ 315 por mês e com intuito similar à iniciação cientifica.

Fotos: PRPPG Arte: Leonardo Bettinelli

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Leonardo Bettinelli

Leonardo Bettinelli

Gestão: Imprensa

Maio

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LINOTIPO era usada para compor laudas de livros por ter pequenos moldes de metal

DOBRADEIRA de papel utilizada para folders, cadernos de livros e outros materiais

Rodrigo Juste Duarte

Imprensa universitária modernizada Este mês Imprensa da UFPR faz 50 anos

OFFSET imprime em duas cores simultâneas e 12 mil cópias por hora

Maria de Lurdes W. Pereira lurdes@ufpr.br

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ma revolução” – é assim que pode ser qualificada a atual situação da Imprensa Universitária. Não é necessária uma visita longa às instalações para perceber que muita coisa está mudando por lá. Em março, por exemplo, enquanto pedreiros concluíam a troca de todo o telhado, funcionários trabalhavam em meio a grandes caixas com equipamentos recém-comprados, misturados a alguns antigos que já foram desativados. A reestruturação, que começou no ano passado, dará agilidade e mais qualidade aos serviços da Imprensa. Mesmo que em condições adversas de trabalho, não há desânimo dos servidores, segundo o diretor

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da unidade, Álvaro Pereira de Souza, o que prevalece “é o espírito de cooperação, tendo em vista que se sobrepõe o objetivo comum, que é o de oferecer uma Imprensa que atenda às reais e crescentes necessidades da Universidade.”destaca. Recursos de mais de R$ 1 milhão foram aplicados na compra de novas máquinas: duas offsets bicolores que imprimem até 200 cópias por minuto em duas ou quatro cores, um plotter que imprime vários tipos de materiais, desde banners de lona a papel fotográfico, máquina Computer digital que dispensa a necessidade de confecção de fotolitos. Também foram adquiridas impressoras multifuncionais a laser uma que faz 60 e outra 110 cópias por minuto. A “estrela” é a máquina à base de óleo de

soja que imprime colorido. O diretor faz questão de explicar que se trata de um equipamento ecologicamente correto, por ser isenta de solventes que agridem a natureza. “Essa tem sido a preocupação de todas as ações da Imprensa, já que todas as máquinas compradas têm algum componente que diminui o impacto ambiental”, explica o diretor. Esses novos equipamentos permitiram o aumento de produtividade em 200%. Para que as novas máquinas pudessem ser instaladas, foi necessária uma readequação dos espaços internos. Depois da conclusão da troca do telhado, devido às muitas goteiras, será feita a reforma no forro e também a troca das instalações elétricas.Três grandes equipamentos só poderão ser instalados após esta etapa porque a atual

rede elétrica está no limite e não suportará o aumento de consumo de energia demandado por essas novas máquinas. Segundo o diretor, quando estiverem funcionando, a impressão de um livro será feita na metade do tempo que hoje é gasto, 60 dias, em média, dependendo da fila de espera. Para o diretor, “2010 será o ano da consolidação do crescimento”. Hoje, a Imprensa Universitária produz um número bastante significativo de cartazes, folders, folhetos, banners, receituários e impressos de controle de medicamentos para o Hospital de Clínicas. Também foi ampliado o atendimento a setores que não eram usuários da Imprensa, como a Editora UFPR. Em 2009 foram impressos 12 livros. Esta prevista também a impressão


Maio

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MUSEU PARA COMEMORAR OS 50 ANOS Os 50 anos da Imprensa Universitária serão comemorados em outubro próximo. Durante uma semana de fes-

Álvaro Pereira de Souza, Diretor.

Leonardo Bettinelli

LEITURA ELETRÔNICA Com a evolução da tecnologia para meios digitais na internet, como e-book, tablet, entre outros, a tendência é a redução da tiragem de livros impressos. A Imprensa Universitária está se preparando para dispor de novos meios eletrônicos e oferecer também esses serviços. Os planos são criar um setor de produção multimídia, para divulgação em papel e em meios eletrônicos. Álvaro de Souza conta que a tiragem de livros, que há poucos anos era de mil exemplares por edição, hoje é feita com no máximo 300 volumes e a tendência é reduzir ainda mais. “Vai chegar um ponto em que a edição será feita apenas sob demanda”, destaca o diretor da Imprensa Universitária.

2010 será o ano da consolidação do crescimento.”

tividades haverá descerramento de placa comemorativa, exposição sobre a história da Imprensa Universitária e a inauguração do Museu. O espaço já está acertado e os equipamentos também estão no local. São máquinas antigas, uma delas de 1950. Trata-se de uma Linotipo que funciona com tipos de chumbo. “Uma raridade que encanta a todos e especialmente os estudantes de Design, Comunicação Social e Artes Gráficas nas visitas que fazem para conhecer como era o processo de impressão do século passado.” Com o Museu, a comunidade de Curitiba também poderá conhecer essas máquinas.

OFFSET trabalha em conjunto com a outra máquina imprimindo materiais coloridos

Rodrigo Juste Duarte

CUSTOS DE PAPEL Para dar conta desse significativo crescimento das demandas, para 2010 já foram investidos R$ 1 milhão em compra de papel. O material é fornecido de acordo com a necessidade pelas empresas que

venceram os processos de licitação. As tiras que sobram da impressão de livros, cartazes e outros produtos, são reaproveitadas para blocos, e o que não tem mais utilização é doado para uma cooperativa de catadores de papel, que leva o material para a reciclagem.

Rodrigo Juste Duarte

de periódicos científicos que serão 60 títulos anuais. Além disso, há o trabalho prestado para as pró-reitorias e os setores. Só de blocos, foram impressos, no ano passado, 162.681 unidades. Certificados somaram 84.513 e 1.308 diplomas. Houve um grande crescimento da impressão de capas de trabalho de Pós-Graduação, que passou de 1.821 para 13.868 cópias. A Imprensa faz também trabalhos externos para estudantes e professores, como a encadernação de monografias, dissertações e teses. Hoje, 41 servidores compõem o corpo técnico administrativo da Imprensa Universitária, que têm de se desdobrar para atender a crescente demanda e, por vezes, a urgência na confecção dos materiais e produtos. Além da conclusão da reforma e ampliação das instalações físicas, o diretor explica que é urgente que seja efetuado um dimensionamento das reais necessidades de pessoal para a Imprensa Universitária.

Canon Digital especializada na produção de livros, imprime 110 cópias por minuto

PLOTTER imprime vários tipos de materiais, desde banners de lona até papel fotográfico

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Maio

Gestão: Comunicação

2010

UFPR tem novidades na área da comunicação O

ano de 2010 chegou com renovações na gestão da comunicação na Universidade Federal do Paraná. Mudanças na programação e na estrutura da UFPR TV, um novo programa de computador para gerenciar a comunicação interna e também os preparativos para colocar no ar a UFPR Rádio estão entre as novidades de destaque. A nova programação da UFPR TV estreou em março. De acordo com o diretor da emissora, Carlos Rocha, uma nova atração foi criada e os programas antigos passaram por uma reformulação editorial, o que inclui novos cenários e busca por uma linguagem mais livre. A discussão sobre esses novos projetos começou em meados de dezembro. Antes mesmo disso, Rocha conta que na parte estrutural começou a ser feita a regularização das contratações e a colocação do canal como uma TV escola. “Estamos abertos não só para os alunos de comunicação, mas sempre haverá espaço para produtos da UFPR”, revela. O diretor comenta que novas vagas de estágio com orientação direta foram abertas na emissora. Outra mudança de destaque foi a busca pela ampliação do público. “Agora não estamos mais só na TV a cabo, mas na internet, na qual a programação pode ser acompanhada em tempo real e os programas podem ser baixados”conta Rocha, que se diz satisfeito com o andamento dessas mudanças. “A nossa equipe tem respondido bem a tudo isso e nos últimos meses viramos a página e temos uma nova emissora”, avalia o diretor. 12

O Saci na UFPR Para ajudar no gerenciamento de informações, na distribuição de tarefas e na própria organização da comunicação interna, a UFPR passou a contar em janeiro, com o programa chamado Sistema de Apoio ao Controle de Informação (Saci). Trata-se de um software livre desenvolvido a partir de 2004 na Universidade Federal de São Carlos-SP (UFSCAR). “Ele reflete toda a rotina de uma assessoria de imprensa grande e complexa e tem o ponto positivo de ser um programa que funciona na web”, descreve o jornalista Rodrigo Botelho, um dos criadores. “Esse programa organiza a vida, registra o trabalho e é um mecanismo aberto também para universidade. Além disso, não teve custo porque é um software livre”, avalia o chefe da Assessoria de Comunicação Social Mário Messagi Júnior.

Como acessar Toda a comunidade universitária pode sugerir assuntos para a divulgação através do Saci. O endereço é www. acs.ufpr. Depois, clicar no link divulgue seu trabalho. A solicitação irá gerar um protocolo que permite o acompanhamento de como o assunto está sendo trabalhado e se já foi publicado. É possível nesta solicitação anexar fotos e cartazes. Desde que foi implantado, em fevereiro, o Saci já recebeu solicitações. Rádio UFPR A próxima mudança prevista para este ano é a implantação da Rádio UFPR, que já existe na web. A concessão da emissora é

Além da nova programação, UFPR TV passou por reformulação editorial e dos cenários

CEntro politécnico: provável local onde será implantada a antena da Rádio UFPR Reprodução

Ciro Campos

cirocampos@ufpr.br

Fotos: Rodrigo Juste Duarte

Emissora da universidade estreou nova programação e UFPR Rádio deve ser implantada até final do ano

para São José dos Pinhais, onde a universidade aguarda autorização de uso de um terreno por parte da prefeitura para colocar a antena. A transmissão deve ser feita em Curitiba. “O plano inicial é migrar a programação da rádio web para lá e depois refazer toda a grade”, afirma Messagi. A UFPR está se ocupando atualmente com a parte

técnica necessária para colocar a rádio no ar, juntamente com as licitações para a compra de equipamentos. Confira a Grade de programação no site www. radio.ufpr.br.


Gestão: Agência de Notícias

Maio

2010

Agência reunirá notícias das 59 universidades federais do país

Protótipo da Agência de Notícias deve entrar no ar em breve

Sandoval Matheus

sandovalmatheus@ufpr.br

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raticamente finalizado, deve entrar no ar em breve o site da Agência de Notícias das Instituições Federais de Ensino Superior. Desenvolvida sob a coordenação da UFPR e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), a agência é um braço do projeto RedeIFES, criado para permitir a permuta de material audiovisual entre as 59 universidades federais do país. Com a agência, pretendese criar um sistema de comunicação integrado, para acesso principalmente de jornalistas, que reunirá em um único local os conteúdos de relevância nacional das assessorias de comunicação das universidades. O sistema integrará textos e matérias de TV e rádio. “Com a agência, vamos agrupar em uma mesma página todas as notícias das universidades que tenham interesse nacional. Isso dá outra força para a divulgação científica dessas instituições”, afirma o professor Carlos Rocha, do Departamento de Co-

municação Social da UFPR, que encabeça o projeto. Estima-se que hoje as universidades públicas sejam responsáveis por cerca de 90% das pesquisas científicas no Brasil. O projeto da RedeIFES teve início em 2003, e em 2007 foi incorporado pela Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições Federais de Nível Superior (Andifes). A partir daí, a UFPR obteve financiamento no Ministério da Educação para licitar 236 computadores, que repassou às 59 universidades federais (quatro para cada instituição), infraestrutura necessária para sustentar a rede. Com o dinheiro, a universidade ainda contratou a empresa que desenvolveu o software para a Agência de Notícias. O software foi customizado a partir da tecnologia do banco de dados do Sistema de Apoio à Comunicação Interna (Saci), desenvolvido na UFSCar e mais recentemente incorporado pela UFPR. “Para atender a demanda da agência, precisamos desconstruir e depois reconstruir o Saci, adaptando

ele à nossa atual necessidade”, explica Carlos Rocha. De acordo com Carlos Rocha, o sistema para postagem de conteúdo é bastante simples, e incluirá também a possibilidade de enviar releases para a imprensa. Para os usuários externos, o site também possibilitará a busca de conteúdos por palavras-chave, editoria e instituição. Os cadastrados ainda receberão e-mails diários com um resumo das postagens. Adiante, jornalistas também poderão fazer solicitação de fontes pelo sistema. “O jornalista vai fazer uma solicitação que chegará a todos os assessores de imprensa das universidades do país. Então, se a universidade lá do Maranhão tiver alguém indicado para falar sobre aquele assunto, o assessor coloca jornalista e fonte em contato. Para o jornalista, o catálogo de possibilidades aumenta muito”, esclarece Carlos Rocha. Mais adiante, as universidades devem também começar a postar conteúdos traduzidos para o espanhol e o inglês. O

objetivo é fazer o material chegar às agências internacionais e dar visibilidade às pesquisas brasileiras fora do país. A Agência de Notícias ainda terá alguns acréscimos de funções, mas o protótipo desenvolvido já é funcional. Por ora, os conteúdos postados no site pertencem às universidades federais de Goiás, Paraíba e São Carlos, além da UFPR. Assim que o site entrar no ar, a Andifes deve organizar um seminário com todos os assessores de imprensa para colocá-los a par do projeto e iniciar, oficialmente, os trabalhos. A UFPR está aguardando mais financiamento, já que os recursos iniciais destinados para o desenvolvimento do software terminaram no mês de fevereiro. A partir de agora, a universidade também deixará o projeto global da RedeIFES para se concentrar no maior desenvolvimento da agência. Fora do ambiente virtual, os coordenadores da RedeIFES e a Andifes também atuam na criação de uma TV universitária de abrangência nacional em canal aberto. Rodrigo Juste Duarte

Reprodução

Coordenada pela UFPR e pela UFSCar, agência vai facilitar o trabalho de jornalistas do país e pretende projetar universidades inclusive no exterior

Professor Carlos Rocha, do Departamento de Comunicação Social, chefiou o projeto

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Rodrigo Juste Duarte

Maio

2010

Ciência e Tecnologia: Bioengenharia

Núcleo na UFPR reúne pesquisadores multidisciplinares para estudos de bioengenharia. Entre as pesquisas, um biossensor que minimizará a utilização de animais em testes de laboratório.

Novas tecnologias em bioengenharia

são desenvolvidas na UFPR

Leticia Hoshiguti leticiah@ufpr.br

Uma criança quebra a perna e o pequeno osso fraturado precisa ser tratado. O médico se depara então com a seguinte questão: – Qual seria a melhor placa, ou seria adequado o uso de hastes para fixação da fratura a ser utilizada no fêmur do paciente, no caso de um osso

ainda em crescimento? Há na UFPR um núcleo que reúne pesquisadores que dedicam o seu cotidiano na universidade à pesquisa de novas tecnologias para dar respostas, do ponto de vista da biomecânica, às aplicações como essa. É uma equipe que desenvolve estudos de Bioengenharia, baseada no Centro de Estudos em Engenharia Civil

AVALIAÇÃO NUMÉRICO-EXPERIMENTAL DA DISTRIBUIÇÃO DE TENSÕES GERADAS PELA CONTRAÇÃO DE POLIMERIZAÇÃO DE RESINACOMPOSTAS Rafael Baggio

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(Cesec) e coordenado pela professora Mildred Ballin Hecke. A bioengenharia atua no estudo e desenvolvimento de equipamentos e dispositivos elétricos, eletrônicos e mecânicos para organismos vivos. O grupo da universidade, que é cadastrado no CNPq na linha de pesquisa “Modelagem Computacional de Estruturas Biomecânicas” do grupo “Mecânica dos Sólidos Computacional”, é composto por professores, profissionais e estudantes dos cursos de Tecnologia, Exatas e Biológicas, a maioria vindos da Odontologia, Ortopedia, Engenharias, Matemática, Biologia, Fisioterapia e Física. Diante de computadores com programas de modelagens, simulam formas e aplicações possíveis para remodelação óssea, movimentação ortodôntica, integração óssea de implantes, fixação de fraturas ósseas e modelagens e caracterização de tecidos vivos. Mildred acredita que a missão maior do grupo é

transformar estudantes em pesquisadores preocupados em produzir conhecimentos que vão melhorar a vida das pessoas, em professores que vão propagar o conhecimento gerado. Engenheira Civil e doutora em Mecânica dos Sólidos, ela até hoje dá aulas para alunos de primeiro ano da graduação, momento que entende como ideal para “garimpar” os talentos promissores. “A gente mostra para esses alunos que é possível fazer pesquisa no Brasil e pesquisa de ponta”. Os trabalhos do grupo abrangem o intercâmbio entre pesquisadores de várias instituições paranaenses. Assim, além de formar quadros de pesquisadores apenas dentro da UFPR, essa interação procura construir soluções parceiras, potencializando as expertises dos diferentes grupos envolvidos. O projeto do biossensor (veja no destaque inclui ainda uma parceria internacional com as universidades portuguesas de Aveiro, Coimbra e Porto.


Maio

2010

Odontologia, área beneficiada pela Bioengenharia A aplicabilidade da bioengenharia é bastante visível na área da Odontologia/Ortodontia. Num dos estudos de Mestrado desenvolvido, um pesquisador analisou as diversas resinas disponíveis no mercado hoje para os odontólogos. Noutro estudo, a mestranda (também dentista) faz análise comparativa da resistência de brackets (aquelas pequenas peças que são coladas nos dentes dos pacientes de ortodontia) e a eficiência de sistemas de colagem. São exemplos de pesquisa interinstitucional, envolvendo os Mestrados em Odontologia da UEPG e da PUC, ambos com coorientação da professora Mildred. No ano passado, um estudante de Mestrado da UEPG analisou os diferentes preparos de cavidades (veja as ilustrações do estudo) e as respectivas tensões que as

restaurações nos dentes molares suportariam na boca do paciente. O pesquisador faz uma reconstrução digital do dente, em modelos tridimensionais, a partir da tomografia da cabeça do paciente. Os modelos permitem que o pesquisador faça dezenas de simulações, analisando de forma pormenorizada em que pontos haverá maior ou menor tensão, conseguindo propor a partir do modelo qual é a melhor intervenção para aquele tipo de situação. Entre as teses de Doutorado, uma trabalha materiais de cimentação de pinos utilizados no interior da raiz dentária, os quais são essenciais para o suporte de coroas protéticas; enquanto que outra faz um estudo comparativo de próteses parciais fixas quando submetidas a implantes. Também com parceria com a PUC, um estudo de doutorado iniciado em 2009 trabalha as placas de ancoragem utilizadas na Ortodontia.

AVALIAÇÃO DA DISTRIBUIÇÃO DE TENSÕES EM DIFERENTES TOPOGRAFIAS RESIDUAIS DE MOLARES RESTAURADOS COM DIFERENTES PREPAROS CAVITÁRIOS Miguel Muñoz (UEPG)

Equipe pesquisa biossensor para minimizar eutanásia de animais Vem do pós-doutorado um trabalho de fronteira na Bioengenharia: a pesquisa de um biossensor, uma ferramenta que facilitará o desenvolvimento de materiais para o tratamento das lesões ósseas. O desenvolvimento de um biossensor será de extrema importância para o estudo de novos designs de implantes, de biomateriais para preenchimento ósseo. A tecnologia atualmente existente, o sensor de fibra ótica, depende da utilização de animais para os testes in vivo que obriga à eutanásia dos animais como porcos, ratos e coelhos para que os estudos sejam realizados. “Para um estudo experimental apresentar resultados significativos, existe a necessidade da utilização de um grande número de amostras de animais. Obtê-los tem se tornado bastante difícil aos pesquisadores devido às limitações propostas nas normas de estudos experimentais em animais e a necessidade de aprovação da pesquisa pelos Comitês de Ética”, explica Mildred. A proposta será a geração de um programa computacional para observar a ação desses novos produtos sem a necessidade do estudo inicial nos animais. A professora Mildred explica que, uma vez que não seja rejeitado pelo corpo do animal como um “corpo estranho”, o biossensor poderá acompanhar os processos de constante remodelação, auxiliando na compreensão do processo de regeneração óssea. O sucesso dessa pesquisa revolucionaria, pois o biossensor traz a possibilidade de avaliar os processos de remodelação óssea no momento em que eles acontecem in vivo. Até hoje essas análises tem sido dimensionadas depois que os processos foram desencadeados (com análise dos materiais in vitro. O mecanismo fisiológico sobre a forma como o tecido ósseo suporta as cargas mecânicas ou elétricas e como o sinal é transmitido às células para depositarem-se, manterem-se ou removerem-se, são aspectos que, segundo os pesquisadores, ainda não estão totalmente identificados, daí a importância desse tipo de pesquisa. Iniciada há pouco mais de um ano, a pesquisa conta com apoio da Capes e CNPq e busca apoio ainda da Fundação Araucária. Envolve quatro programas de pós-graduação: Métodos Numéricos da Engenharia da UFPR; Odontologia da UEPG; Engenharia Elétrica e Informática Industrial da UTFPR e grupos de pesquisa do CNPq de Odontologia, com participação da UEPG, PUCPR e Universidade Positivo; Mecânica Computacional da UFPR e Engenharia Elétrica da UTFPR. A cirurgiã Luciana Signorini, da Universidade Positivo, atua no grupo realizando os experimentos com a cirurgia nos animais. “A necessidade dos estudos em animais fica clara, pois este biossensor deve ser testado para avaliar a regeneração do osso e comparar esses resultados com aqueles que a literatura já apresenta em estudos histológicos, assim, validaremos os resultados obtidos pelo biossensor”, explica. Luciana, que já havia trabalhado com animais na experimentação com novos materiais para enxerto ósseo, vê o tema da pesquisa do grupo como fronteira na área: “O futuro são as cirurgias guiadas por computador, softwares cada vez mais sensíveis para planejamento das cirurgias reabilitadoras, estéticas ou de implantes”. A pesquisadora acredita que o grupo apresentará uma nova forma de estudar materiais a serem aplicados no osso. “Mostrará dados exatos testados in vivo e comprovados in vitro, além das formulações matemáticas necessárias para o desenvolvimento do software para o remodelamento ósseo”, expôs. “Tivemos a oportunidade de conhecer os estudos da Universidade do Porto e da Universidade de Aveiro, em Portugal, que já utilizam esses sensores em fibra ótica e que são pesquisadores de ponta na aplicação deste material em Engenharia, porém cujos estudos na área biomédica envolvem apenas experiências in vitro”, explicou. Para Luciana, além da questão crucial que envolve a bioética, que se preocupa com o controle do número de animais utilizados em pesquisa de Biomateriais, futuras pesquisas deverão também diminuir os custos e proporcionar a melhoria dos materiais de implantes que existem no mercado.

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Ciência e Tecnologia: Pós-Graduação

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Pós-Graduação cresce em 2010 Em dois anos foram criados 16 cursos de Mestrado e Doutorado

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maré de desenvolvimento que paira sobre as universidades públicas, grande parte atribuída ao Reuni (o programa de expansão das instituições), vem permitindo um crescimento nunca visto com tanta intensidade na UFPR. Além de mais vagas e cursos de graduação e de dezenas de novas construções, há também mais ofertas na pós-graduação. Em dois anos foram criados 16 novos cursos, sendo dez de mestrado e seis de doutorado. Metade desses cursos inicia as atividades em 2010. Acaba de ser selecionada a primeira turma nos mestrados em Comunicação, Meio Ambiente Desenvolvimento, Educação em Ciências e em Matemática, Fisiologia, Engenharia de Produção e Bioenergia, e doutorados em Matemática Aplicada e Enfermagem. São cerca de 150 alunos novos por ano, destaca o pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação, professor Sérgio Scheer. Com mais vagas e novos cursos, cresceram também as bolsas de estudo que são concedidas para que os mestrandos e doutorandos possam ter dedicação integral aos estudos, sobretudo à pesquisa. Somando a Coordenação de

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Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) do MEC e o Reuni, são 1.800 bolsas, o que permitiu contemplar metade dos estudantes de pós-graduação da UFPR. Os de mestrado recebem R$ 1.200 e os de doutorado, R$ 1.800. A expectativa agora com 59 cursos de mestrado e 38 de doutorado, é aumentar os grupos de pesquisa e também o volume de publicações em revistas científicas, de acordo com Scheer. O pró-reitor acredita que no próximo ano, esses reflexos já sejam percebidos. E a meta é crescer ainda mais. Pelos cálculos do pró-reitor, temos entre 450 e 500 doutores (de um universo de 2.100 professores) que não têm nenhum comprometimento com programas de pósgraduação e, portanto, em condições de orientar pós-graduandos e desenvolver pesquisa. Sobre as áreas ainda deficitárias na UFPR, Scheer cita que para o desenvolvimento do Estado e olhando para o futuro, “é importante ofertar conhecimentos em energias renováveis, biodiversidade e nanotecnologia.” Lembra ainda que parcerias com centros de pesquisa e outras universidades são sempre bem-vindas. Já há iniciativas assim como o mestrado em Meio Urbano e industrial, em cooperação

com o Senai e com a Universidade de Stutgart, Alemanha. Para Adriano Ribeiro, coordenador do Reuni, outra meta que se espera com a expansão das bolsas é a melhora na qualidade dos cursos de graduação. Novos grupos de estudos envolvendo os dois segmentos já começam a ser criados. FALTAM TÉCNICOS E como toda expansão depende de aumento na estrutura, o problema na pós-graduação agora é a falta de servidores e de laboratórios. Como as novas obras nos diversos campi da instituição vão destinar espaços para as aulas experimentais e tem sido possível adquirir novos equipamentos, o que preocupa mesmo é a escassez de pessoal, destaca o pró-reitor. “Não há gente para trabalhar nas unidades administrativas de cada curso e nem laboratoristas para atender os pesquisadores”. Uma das alternativas que vem sendo analisada é administrar os cursos de mestrado e doutorado por setor e não mais por coordenação, o que demandaria um número menor de técnicos administrativos. Quanto aos professores, o Ministério da Educação tem liberado concurso para suprir o aumento da demanda.

Arquivo

lurdes@ufpr.br

Arte: Leonardo Bettinelli

Maria de Lurdes W. Pereira

É importante ofertar conhecimentos em energias renováveis, biodiversidade e nanotecnologia.” Sérgio Scheer, pró-reitor de Pesuisa e Pós-Graduação

NÚMERO DE ALUNOS DE GRADUAÇÃO NA PESQUISA TAMBÉM CRESCEU Um aumento de 26% no número de bolsas de iniciação científica (PIBIC) foi verificado nos dois últimos anos, quando passamos de 549 para 691 bolsas. Já o Programa Institucional de Bolsas de Inovação e Desenvolvimento em Tecnologia (PIBITI) passou de dez para 35 bolsas de 2008 a 2010, no valor de R$ 300,00. Nessa conta há ainda 82 bolsas preenchidas por estudantes cotistas. De acordo com Claudia Pereira Krueger, coordenadora de Iniciação Científica e Acadêmica, outro crescimento vem sendo verificado na pesquisa voluntária. Em 2010 temos 467 alunos de graduação na iniciação científica sem nenhum auxílio. Segundo a coordenadora, esses alunos que desenvolvem pesquisas orientados por um professor aprendem a realizar trabalhos científicos, analisar resultados, apresentar estudos em congressos e normalmente vão da graduação direto para o mestrado e depois doutorado.


Cultura e Extensão: Acervo

Maio

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Projeto reúne acervo de filmes sobre a universidade Centenas de películas produzidas entre as décadas de 30 e 70 registram a presença da universidade como agente produtor de conhecimento Rodrigo Juste Duarte

rodrigojduarte@gmail.com

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Rodrigo Juste Duarte

oucas pessoas na comunidade acadêmica devem ter conhecimento sobre o fato, mas a UFPR possui um grande número de filmes em película espalhados por seus campi. São registros produzidos nos mais diversos formatos, como 8mm, Super-8, 16mm ou 35mm. Uma das iniciativas das atividades de 100 anos da UFPR é reunir todo esse material, que está disperso. Trata-se do projeto “UFPR Acervo Fílmico: 100 Anos de História”, apresentado para a Secretaria do Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná, e que será lançado neste semestre. A coordenadora técnica do projeto é a professora Márcia Cristina Rosato, Doutora em

Sociologia na área de imagens, com uma tese sobre o trabalho de Vladimir Kozák, cineasta e pesquisador que realizou, entre outra produções, um filme sobre a inauguração do complexo da Reitoria. “Ele foi um autor extremamente importante na produção de imagens na UFPR”, explica a professora. “Vladimir Kozák esteve vinculado à Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, embrião tanto do atual Departamento de Antrologia quanto de outros segmentos do que hoje é o Setor de Ciências Humanas da UFPR. Kozák produziu imagens sobre diferentes temas ligados à agenda de pesquisa que instituiu o campo científico no Paraná, cujo principal vetor foi a Universidade, antes mesmo de sua federalização. Sua produção cobre as décadas de 40 a 70”.

PROFESSORA Márcia Cristina Rosato, Coordenadora técnica do projeto

O filme de Kozák que registra a inauguração da Reitoria é o marco deste projeto e motivou a busca e reunião do acervo fílmico que, possivelmente, reconta momentos significativos da trajetória da UFPR. “Se isso foi o marco, temos que pensar que nesse período havia uma produção grande de registros imagéticos na universidade”, conclui Rosato, que definiu o autor como um agente multimídia, em uma época em que o termo ainda não era utilizado. Kozák trabalhou com filmes, fotografias e imagens pictoriais. “O trabalho dele não só passar por diversas mídias, mas por vários temas de interesse científico, como também revela aspectos culturais, políticos e acadêmicos constitutivos das relações de sociabilidade na universidade naquele tempo”. Boa parte dos filmes de Kozák geralmente captados em negativo cinematográfico 16mm, que estava bastante associado ao cinema educativo, já está no acervo da universidade, recolhido em ambiente climatizado no Museu de Arqueologia da UFPR, junto de outros trabalhos de diversos autores, num total de aproximadamente 100 filmes. O número pode parecer grande, mas é apenas uma parte de todo acervo que está disperso pelos campi da universidade. “Com esse projeto devemos chegar a 200 ou 300 filmes, reunindo a produção fílmica que sabemos estar dispersa na UFPR”, afirma a professora. Apoio da comunidade É importante que a comunidade acadêmica abrace o projeto, informando se em seus departamentos, setores, coordenações, bibliotecas, gabinetes, ou até mesmo depósitos existem filmes guardados, estejam eles em qualquer estado de conservação.

Todos os filmes passarão pelas etapas de avaliação do suporte, recuperação, contratipagem (feitura de uma cópia do filme, em negativo), telecinagem (processo que reverte a imagem em película para sinal de vídeo) e guarda do filme original no acervo da universidade, em ambiente climatizado. O original fica no acervo, e só sai de lá de tempos em tempos para verificação técnica. Ao fim do projeto a comunidade terá acesso a todos os filmes, em cópias no formato DVD. Em breve haverá no site da PróReitoria de Extensão e Cultura (Proec) e do Gabinete um link sobre o projeto, por meio do qual a pessoa que possui um filme poderá preencher um formulário e descrever o material, antes de depositá-lo aos cuidados do projeto. “O importante é que cada um de nós, como agente desta universidade nas mais diversas esferas, sinta-se participante da História da Universidade Federal do Paraná”, completa Márcia. Segundo a professora, o projeto vai além a construção de acervo. Seu objetivo final é observar o que foi a presença da universidade como agente produtor de conhecimento. As informações de época contidas nos filmes - como acontecimentos políticos, culturais e acadêmicos, cenas sociológicas, as mentalidades no período, estéticas da captação de imagens em movimento - possibilitará fomentar ações transversais nas áreas de ensino, pesquisa e extensão. “Queremos produzir material que abranja o público escolar, mostrar nos colégios o que é uma película e suas características e particularidades, além de oferecer oficinas sobre a história do cinema entre outras mais específicas cujos conteúdos dos registos possam sucitar”, finaliza Rosato. 17


Maio

Foto: Douglas Fróis 2010

Cultura e Extensão: Projeto Rondon

UFPR participou do Projeto Rondon com três iniciativas em 2010 Alunos de Fisioterapia, Turismo, Medicina, Farmácia, e Comunicação Social prestaram atendimento para comunidades carentes Sônia Loyola

sonial@ufpr.br

“O

perfil dos alunos é um dos requisitos básicos na seleção deles para a participação no Projeto Rondon”, reflete a próreitora de Extensão e Cultura, professora Elenice Novak. “Ter a consciência de ser um agente de transformação é também uma condição importante para o candidato”, complementa a professora. E mais, “é preciso ainda ser desprendido face às dificuldades impostas nas situações do projeto”, constata a pedagoga Rosa Maria Zagonel, envolvida na administração da iniciativa juntamente com o técnico administrativo Rerlen Ricardo Silva. Das cinco propostas enviadas pela UFPR em 2009, três 18

foram aprovadas, lembra Rosa. Assim, dos 130 alunos que se inscreveram para participar desta edição, apenas 18 foram aprovados. Isso, porque existe uma cota pré-determinada por operação”, conta a pedagoga. “Nesta escolha, certamente o perfil é um dos limitadores”, completa a pró-reitora. A PróReitoria de Extensão e Cultura (Proec) participa de todo o processo de divulgação do Rondon. O Ministério da Defesa publica um Edital Público que é repercutido na página principal da internet e no boletim semanal da instituição. No documento, são expostas as áreas temáticas do trabalho de extensão, em seguida os professores devem enviar os projetos com 30 dias de antecedência.

“Entender os problemas das comunidades dos quais se desenvolvem as ações do projeto, absorver novas realidades, são ferramentas indispensáveis para o amadurecimento dos acadêmicos no processo. Da mesma forma, os professores podem desenvolver e implantar projetos de pesquisa baseados nas experiências do Rondon”, segundo a pró-reitora. O projeto retomou suas atividades em 2005, após um intervalo de 16 anos – de 1989 a 2005 – este é o sexto ano que a UFPR participa das operações. Operação Centro-Nordeste 2010 No período de 15 a 31 de janeiro três equipes do Setor Litoral se deslocaram para os estados da Bahia – Município de Santa Bárbara, Tocantins – Col-

méia e Alagoas, em São José da Lage para a realização da “Operação Centro-Nordeste 2010”. Cada uma era composta por oito pessoas, dois professores e seis alunos. As professoras Sibele Yoko Mattozo Takeda, da área de Fisioterapia e Milene Zanoni Vosgerau, da Sáude Coletiva, coordenaram o projeto do “conjunto A”, que compreendeu os segmentos de Sáude, Educação, Comunicação, Cultura, Direitos Humanos e Cidadania. Integram esta equipe estudantes de Fisioterapia, Turismo, Comunicação Social, Medicina e Farmácia. Santa Bárbara é uma cidade de 20 mil habitantes, situada no sertão da Bahia, próxima ao polo industrial de Feira de Santana. Lá, a economia é essencialmente rural, desenvolvida nas


comunidades rurais. A principal atividade, além da agricultura, é a produção de requeijão. Os produtos da região são vendidos semanalmente numa feira que toma uma rua do centro da cidade.

porque um dos principais motes é a formação de multiplicadores, agentes que poderão dar sua contribuição e dividir conhecimentos para o saneamento das demandas da população local.

Dificuldades “A falta de água foi a principal dificuldade enfrentada pelo grupo”, conta o aluno Gabriel Chagas Teodózio Prudêncio Coutinho do curso de Turismo. “Na área social, as carências são em torno do acesso à Saúde, violência contra a criança, saneamento básico, além das condições de moradia e transporte”, observa a professora Sibele. Nesse cenário, “implantamos as oficinas de Fotografia, capacitação para os agentes comunitários de Saúde, para os educadores, principalmente na área da Educação Inclusiva, Desenho e Música, Malabares para as crianças, atividade física para os idosos e alongamento para os atletas amadores, “porque em Santa Bárbara o Futebo é muito forte”, explicam os alunos Gabriel e Luana Pereira Paz da Fisioterapia.

Tocantins Colméia, a 200 quilômetros de Palkmas, no Tocantins, foi o cenário de outra equipe da UFPR, deslocada para o Rondon. Nessa empreitada, estiveram à frente os professores Daniel Canavese e Rangel Angelotti do Setor Litoral. Com eles, alunos de várias áreas como Medicina, Ciências Econômicas, Turismo, Gestão Ambiental e Gestão e Empreendedorismo. Lá, encontraram muitas demandas, principalmente nos segmentos de produção, Saúde, cooperativismo e outras. “São situações desafiadoras”, comenta o professor Daniel. Vivenciando o cotidiano da cultura, economia, política e dos problemas ambientais, a intervenção obteve bons resultados, como assinala o professor. Por exemplo, o novo modo de organização das ações da área ambiental no currículo das escolas municipais; os produtores de leite agora têm condições de pensar na fundação de uma cooperativa. Já os gestores da Saúde das localidades vizinhas fundaram uma cooperativa para organizar a prestação desses serviços.

Alunos Gabriel é alagoano. Portanto, segundo ele, já conhecia a realidade do sertão. “O Turismo é um importante instrumento para a transformação dessa realidade nas áreas da inclusão, da Economia e da Cultura”, afirma o estudante. Luana diz que ficou impressionada com a receptividade da comunidade quanto às atividades. “O pessoal respondeu com boa vontade ao aprendizado”, ressalta. Um documentário sobre a experiência, elaborado após a volta, retrata vários testemunhos de vida e do universo do local”, contam ambos. Cultura Um grande palco cultural instalado na cidade foi para os moradores uma boa parte dos objetivos do projeto, reunindo vários eventos e uma integração entre as comunidades rural e urbana: grupos folclóricos, apresentações de cordel e poesia, do documentário “Agruras e Alegrias – Anônimos do Sertão”. “Mas, o resultado da empreitada poderá ser verificado a médio prazo,

Alagoas Os professores do Setor Litoral Rangel Angelotti e Andréa Espínola se dirigiram ao Município de São José da Laje, em Alagoas, localizado a 85 quilômetros a noroeste de Maceió, região conhecida como Zona da Mata. Gestão de Projetos para os gestores municipais e para a comunidade em geral; Compostagem; Associativismo; mapeamento municipal e outras. Ainda as crianças e adolescentes foram contemplados com os cursos de Gestão Ambiental e produção de maquetes. Todo esse trabalho foi coordenado pelos alunos dos cursos de Gestão Ambiental, Gestão e Empreendedorismo, Gestão Pública e Turismo. “A falta de pró-atividade, ou seja, esperar do poder público a

Fotos: Arquivo pessoal

Maio

2010

Participantes da operação Centro-Nordeste 2010

Atividades com crianças no Município Santa Bárbara, na Bahia.

e com professores na área de eduação

solução para todos os problemas foi uma das principais dificuldades encontradas no local. Nesse caso, trabalhamos muito mais questões relativas ao poder da organização das próprias pessoas

para resolverem seus problemas do que ficarem esperando que as soluções “caiam do céu”. Mesmo assim, nos esforçamos para não sermos assistencialistas”, assegurou o professor Rangel. 19


Fotos: Rodrigo Juste Duarte

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Cultura e Extensão:Vinho

2010

Tradição italiana com tecnologia brasileira Projeto de extensão do curso de Farmácia ajuda vinicultores da Região de Colombo a impulsionarem produção Sandoval Matheus

sandovalmatheus@ufpr.br

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rofessores e alunos do curso de Farmácia da UFPR, que atuam no Laboratório de Enzimologia e Tecnologia das Fermentações, desenvolvem no Município de Colombo um projeto de extensão que visa a melhoria da qualidade do vinho produzido pelos descendentes de italianos que vivem na região. Com análises anuais dos parâmetros físico-químicos de cada safra, baseadas em critérios de identidade e qualidade estabelecidos pelo Ministério da Agricultura, os membros da Universidade identificam possíveis desvios na produção e com isso conseguem “puxar” a qualidade do produto. Além disso, antes produzido artesanalmente, no decorrer

dos anos, sob a orientação da Universidade, os vinicultores também passaram a acrescentar maior tecnologia ao processo, como a substituição dos tanques de madeira pelos de aço-inox e a utilização de embalagens mais adequadas para o armazenamento, além de leveduras selecionadas para a fermentação. “Às vezes o consumidor ainda tem muito aquela ideia de que o artesanal, por si só, é bom, mas esses incrementos sem dúvida aumentam a qualidade do produto”, afirma Jorge Guido Chociai, do curso de Farmácia, um dos professores que trabalham com o projeto. “Hoje, o vinho continua sendo artesanal, mas é um artesanal melhor, que atende a legislação e contempla a saúde do consumidor, e que também

melhorou a condição socioeconômica das famílias produtoras”, continua. Além disso, Fernando Camargo, da Vinícola FrancoItaliana, destaca o estímulo dado pela Universidade aos produtores na busca por conhecimento. Ele que substituiu o pai no negócio da família e participou da primeira palestra ofertada pela UFPR ainda adolescente, inclusive chegou a fazer um estágio de Especialização em Espumantes na França. “É claro que também serve de estímulo. Eu era muito jovem e depois de passar três anos fazendo amostras com orientação, isso te estimula a ir atrás de outras coisas”, analisa. Desde que começou a fazer parte do projeto da UFPR, a área da Vinícola Franco-Ita-


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liana, que hoje vende vinhos Indispensável para que o estimulou a criação, em abril que variam de R$ 6 a R$ 22 projeto vingasse foi a presen- de 2008, também no Município por garrafa, aumentou oito ça de jovens, filhos de produ- de Colombo, da Escola da Uva vezes, de cem para oitocen- tores, mais receptivos a novos e do Vinho, uma parceria dos tos metros quadrados. Ela modelos de produção, e a par- governos estadual e federal. A também conta hoje com 32 ceria com a Secretaria Muni- Escola é um centro de capacitanques para o recebimento cipal de Agricultura, que deu tação técnica para agricultores e a fermentação do vinho. A mais credibilidade ao projeto. familiares, que os auxilia a imvinícola, que produz tanto viTanto funcionou que, nos plementar melhorias em todo nhos artesanais quanto vinhos mais de dez anos de existên- o processo produtivo, desde o finos, também já recebeu dois cia, nenhum produtor se reti- cultivo das parreiras até a efeprêmios: a Medalha de Ouro rou do projeto, que hoje já tem tiva transformação da uva em no IV Concurso Internacional um convite da administração vinho. de Vinhos do Brasil e a Meda- municipal para atuar também lha de Prata no Concurso de no Município de Almirante Negócio de família Bruxelas. Tamandaré. A vinícola Vinhos Cavalli Agora, Fernando Camargo Hoje, a Universidade já existe desde 1958. A produestá estendendo seus vinhe- estuda também a póssibilida- ção de vinho é um negócio dos e parcerias. Uma delas, de de fazer o aproveitamento de família para a descendente na cidade de Bateias, no Rio dos resíduos que sobram da de italianos Regina Cavalli: Grande do Sul, pretende o bisavô e o sogro dela produzir a uva viognier, já exerciam a atividade. Hoje, cinco membros responsável pelo vinho Sirah. Esse tipo de uva da família trabalham na As pessoas ficavam receosas, vinícola, embora por atualmente só produzidistantes. Achavam que se do no Brasil na região volta do mês de fevedo Vale do São Francisimplantassem qualquer melhoria reiro, época de colheita co, já que ela é caracteda uva região, precisem o vinho deixaria de ser artesanal. ser contratados de 50 a rística de ambientes deFoi preciso estabelecer uma sérticos. “Mas estamos 60 empregados tempoaí para tentar quebrar rários. relação de confiança com a esse paradigma”, alerta A família Cavalli, atucomunidade, para garantir o Camargo. almente, produz tanto projeto. A confiança foi o elo mais vinhos finos como arteIdeia envelhecida sanais. “Mas não é um importante dessa história.” O projeto da UFPR vinho pisado com o pé”, começou em 1999 e destaca Regina, que atualmente atende 15 calcula que hoje sua viTânia Bonfim, Professora. produtores de Colombo. nícola produza cerca de Dentro da Universida50 mil litros de vinho por de, ele envolve 15 aluano, além de licores. nos, com bolsa-permanência, uva no processo de fabricação Lembra também a resistêne cinco professores. Outros 11 do vinho, visando o fortaleci- cia do sogro, no início do projeto. estudantes esperam na “fila”, mento econômico da comu- “Os mais velhos achavam que para participar do projeto, que nidade. Uma das alternativas estavam colocando ‘química’ no já permitiu a realização de três é utilizar o óleo que pode ser vinho, tinham medo que ele não dissertações de mestrado (ou- extraído da semente da uva, fosse mais artesanal. Mas hoje tras duas estão em andamen- na indústria de cosméticos. a gente sabe que o projeto tem to), além de vários artigos e No entanto, isso ainda de- coisas boas”, salienta. monografias. pende da implantação de uma Junto com a vinícola FranA professora Tânia Bon- estrutura que possibilite a co-Italiana, a Vinhos Cavalli foi fim, porém, lembra que no extração. Mesmo assim, bol- uma das primeiras a entrar no início o projeto enfrentou a sistas do projeto já mantém, projeto de extensão da UFPR. resistência da comunidade. há três anos, um controle da O resultado das primeiras “As pessoas ficavam receosas, quantidade de sementes gera- análises, segundo Regina altadistantes. Achavam que se im- das pelos vinicultores. “É um mente satisfatórios, ajudaram plantassem qualquer melhoria pecado deixar isso virar lixo”, a divulgar a produção da famío vinho deixaria de ser arte- avalia o professor Jorge Gui- lia e a aumentar o movimento sanal. Foi preciso estabelecer do. “Os cosméticos orgânicos de visitantes na cantina. “É uma relação de confiança com são uma tendência mundial e claro que os cursos ajudaram a comunidade, para garantir o no futuro essa matéria-prima a melhorar a qualidade. Mas projeto. A confiança foi o elo terá altíssimo valor comer- o projeto também ajudou na divulgação, fez a nossa fama”, mais importante dessa histó- cial”, completa. ria”, recorda. O sucesso do projeto ainda conclui.

Fernando Carvalho, proprietário da vinicula

Regina Cavalli, produtora de vinhos 21


Maio Entrevista : Ângelo Vanhoni 2010

Um paranaense em defesa da cultura e da educação “O Ministério

da

Cultura

precisa apoiar toda a nação.

Os

recursos que existem hoje

são o caminho.

Não

são

ainda suficientes para que possamos apoiar em cada município a preservação da memória e a profissionalização dos agentes culturais.

Arquivo

temos um rumo a

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Então, perseguir.”

Simone Meirelles

simonerm@ufpr.br

O deputado federal Ângelo Vanhoni foi eleito em março presidente da Comissão de Educação e Cultura da Câmara Federal. É um momento significativo para as duas áreas: estarão em discussão este ano, entre outros temas, os sistemas nacionais de educação e cultura, a mudança da Lei Rouanet e o aumento do orçamento para a área cultural. Além de liderar os debates, Vanhoni tem entre suas metas, a defesa de políticas públicas que garantam a transversalidade entre as áreas de educação e cultura. Durante visita ao reitor Zaki Akel Sobrinho, o deputado concedeu a seguinte entrevista para o Notícias da UFPR. Notícias – Houve um aumento significativo nas verbas para a área cultural que atingiram 1% do Orçamento da União. Como isso vai refletir na sociedade? Vanhoni – O avanço foi enorme. Houve uma mudança de paradigmas no Ministério da Cultura, que passou a olhar o conjunto das diversas áreas e a sua atuação não está concentrada em algumas regiões brasileiras. O Ministério da Cultura precisa apoiar toda a nação. Os recursos que existem hoje são o caminho. Não são ainda suficientes para que possamos apoiar em cada município a preservação da memória e a profis-

sionalização dos agentes culturais. Então, temos um rumo a perseguir. O reflexo disso está sendo o aumento de recursos, a briga dentro do orçamento da união para que o Estado brasileiro possa garantir recursos para efetivar uma política pública e também a transformação da Lei Rouanet, que em 18 anos priorizou com 80% dos recursos o eixo Rio/São Paulo. Não é pouco, porque é quase 1% do PIB destinado à Lei Rouanet. No ano passado foi R$ 1,3 bilhão. Precisamos apoiar as outras regiões. Já apontamos as 100 cidades históricas do Brasil que vão receber aporte de recursos. Através do projeto Pontos de Cultura, governo federal, estados e municípios fomentarão atividades culturais e artísticas em todo Brasil. Programas como esse são viabilizados por políticas públicas e ações que transformam em direito da população o acesso aos bens culturais. Notícias – Neste sentido, um dos assuntos em pauta este ano é a mudança da Lei Rouanet. Quais pontos estão gerando mais debates e como o senhor os entende? Vanhoni – Deve ser feito um grande debate na sociedade. Os produtores culturais já se reuniram e o Ministério da Cultura fez uma consulta pública através da internet e recebeu mais de duas mil contribuições. O texto foi encaminhado à Câmara Federal


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e tem dois vetores (desburocratização e a descentralização). Vamos criar fundos de áreas temáticas em relação à preservação da memória no Brasil. Então teremos o fundo de preservação da memória e patrimônio; o fundo que vai cuidar das artes cênicas; o que vai cuidar do audiovisual e o das artes plásticas. A comissão que vai analisar esses fundos é uma comissão paritária com gente da sociedade e representantes governamentais. Vão analisar tecnicamente os projetos e dar uma nota técnica para o projeto, se pode captar 40, 60, 80 ou 90% de recursos públicos para efetivar esses projetos, em função de vários critérios. Nós vamos ganhar em transparência, a comunidade cultural vai saber como o dinheiro será administrado e qual o resultado que esse bem cultural vai trazer para a sociedade. O dinheiro será liberado diretamente do fundo. O proponente não precisará correr de estatal em estatal ou diretamente na iniciativa privada para buscar os recursos. Isso vai trazer um bem muito grande para o setor cultural porque tem gente que aprova os projetos pela Lei Rouanet, passa dois anos e não consegue captar recursos, porque a concentração de liberação de recursos está hoje em 90% com as estatais e a gente não sabe os critérios que eles usam. Notícias – Um dos projetos que o Executivo espera ver aprovado é o Vale Cultura, um benefício no valor R$ 50 a ser usado na compra de livros e de ingressos de shows, cinema e teatro. A proposta já foi aprovada pela Câmara Federal, modificada no Senado e terá que ser votada novamente pelos deputados. Qual sua expectativa quanto a ela? Vanhoni – Eu acho que vai ser uma revolução na cultura, porque se olharmos bem, um assalariado que ganha R$ 1.000, não passa pela cabeça dele nem da família ver um filme ou frequentar uma peça de teatro,

por mais que tenhamos peças sendo apresentadas em cada cidade. Então o governo federal constituindo uma bolsa para que esses recursos sejam gastos na aquisição de bens culturais, vai trazer para o mercado um incremento de R$ 7 bilhões quando estiver em vigor na sua potencialidade máxima. Essa é uma transformação profunda do ponto de vista da circulação de bens culturais em todo o território nacional. Notícias – Está em discussão o Plano Nacional da Educação, que trará as diretrizes para as políticas educacionais no País. O que a sociedade pode esperar desse plano? Vanhoni – Vamos terminar a vigência do primeiro Plano Nacional depois de dez anos. No dia 31 de dezembro a lei expira e há necessidade de que o parlamento brasileiro vote uma nova lei. Para nossa alegria, a sociedade brasileira e os agentes públicos já perceberam que o grande instrumento de desenvolvimento da nação é a distribuição de conhecimento, o acesso para que todo cidadão brasileiro possa participar de uma maneira ativa da construção do conhecimento de uma nova realidade. O plano vai estabelecer as metas para enfrentar os problemas que temos na educação infantil, na universalização do acesso, na permanência, na capacitação de jovens para o ensino profissionalizante, no alargamento do acesso ao ensino superior, que capacita profissionalmente e ainda endereça uma parte da juventude para a pesquisa e para o desenvolvimento da tecnologia. Tudo precisa ser acompanhado da previsão e provisão de orçamento. Quer dizer, precisamos fazer um debate com a nação para destacarmos que no mínimo 10% do PIB do Brasil deve ser investido em educação. Nossa tarefa para os próximos dez anos é grandiosa. Notícias – E essa é uma meta possível? Vanhoni – A princípio acho que sim. Hoje nós estamos com

quase 6%. Significa dobrar. Mas acho que é possível, sim. Notícias – Por sugestão sua, a UFPR está criando um curso de Museologia. De que maneira essa área pode ganhar relevância no Brasil e no Paraná? Vanhoni – A necessidade de formação profissional nessa área é muito grande. Por exemplo, nós abrimos um edital para municípios até 50 mil habitantes para se inscreverem no Ministério da Cultura para a constituição de espaços museológicos. Mais de 700 cidades se inscreveram. Mas o tratamento do acervo precisa ter toda uma especificação, todo um cuidado e esse conhecimento técnico de como conservar e ainda como expor isso ao público precisa de um profissional. Então a constituição de cursos de Museologia vai garantir uma política de preservação da memória da comunidade. Não é um ato isolado da UFPR. É um ato que vem de um conjunto de políticas do Ministério de Cultura, que veio quando nós criamos o Instituto Brasileiro de Museus, o Sistema Nacional de Museus, os Pontos de Memória. Então a criação de um curso de Museologia vem ao encontro da necessidade de capacitação técnica e profissional para que essa política se consolide no nosso País. Notícias – O senhor conhece e apoia nosso projeto de Corredor Cultural, que prevê a criação de unidades culturais no Prédio Histórico da UFPR e em seu entorno. De que forma poderá ajudar na implantação desse projeto? Vanhoni – Já reunimos e discutimos isso na bancada. Nós já destinamos uma verba este ano para a UFPR. No segundo semestre vamos discutir com o Ministério de Planejamento a possibilidade de liberar mais recursos. Sempre depende da evolução da receita e das despesas do governo federal. Acreditamos ser possível destacar uma parte desses recursos para a revitaliza-

ção do prédio central. Sendo esse prédio no eixo histórico da capital, não tenho dúvida nenhuma que a consolidação do corredor cultural vai contribuir de forma significativa para que o centro de Curitiba possa ser revitalizado. É uma reivindicação justa para a cidade e importante para o Paraná. Por isso, vai contar com o nosso apoio na bancada de deputados federais e, se eu puder trazer alguma contribuição do Ministério da Cultura e do Ministério da Educação para a consolidação desse projeto, eu vou me empenhar de maneira “impertinente” nesta busca. Notícias – Qual sua posição sobre a política de cotas raciais e sociais que está sendo debatida no Supremo Tribunal Federal? Vanhoni – As cotas têm uma característica fundamental no nosso País. A universidade brasileira sempre foi universidade de elite. Nós temos 44 milhões de jovens de 17 a 24 anos de idade. Desses, apenas 1.250 milhão estão em universidade pública, sendo 660 mil em universidades federais. Se formos olhar pelo prisma das universidades federais, vamos perceber que 80% desses 44 milhões de jovens são de extratos sociais de baixa escolaridade e baixa renda e estão completamente alijados de qualquer ensino público federal. A experiência revela que aqueles que entram por cotas, via de regra, estão em igualdade de condições com aqueles que entram sem as cotas. Então o argumento de que nós estaríamos retirando a igualdade de condições das pessoas, na minha opinião, não tem verdade. Eu acho que neste momento da vida do nosso país é muito mais importante garantirmos o acesso de uma parcela que sempre esteve excluída, sobretudo os afrodescendentes, que formam a grande maioria da juventude alijada do ensino superior em todo o território nacional. 23


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Perfil: Lúcia Mion

Cultura e conhecimento,

compartilhados

Fernado César Oliveira

fernando.oliveira@ufpr.br

G

Festival A Coordenadoria de Cultura é responsável pelos grupos artísticos, pelos festivais e por três espaços culturais: o Museu de Arte da UFPR (Musa), o Teatro da Reitoria e o Teatro Experimental da UFPR (Teuni). Muito conhecida em Antonina, Lucinha atuou em todas as edições do Festival de Inverno da UFPR, criado em 1989. Na época da primeira edição, estava amamentando seu filho mais velho, Adilson, nascido em agosto do ano anterior. “Saía de manhã, preparava o leite para ele mamar durante o dia, ía e voltava [entre Curitiba e o litoral] todos os dias”, conta. Três anos depois, em 1992, grávida de sete meses do segundo filho, Diego, também atuaria no festival, mesmo contra recomendação médica. “Minha gravidez era meio que de risco.” A jornalista Lais Murakami Rodrigo Juste Duarte

raduada em Artes pela UFPR em 1979, Lúcia Mion fez parte da primeira turma de Educação Artística da universidade. “Durante minha graduação, fui fazer um teste, e entrei no coral”, conta Lucinha, como é conhecida. “Na época, eu já estava muito envolvida, já tinha uma vida intensa na universidade.” Ela ajudava o maestro Mário Garau, fundador do Coral da UFPR. Como servidora, começou na função de regente do extinto coral infantil. Anos depois, teve seu cargo reenquadrado para programadora cultural. Única servidora técnicoadministrativa a exercer o cargo de coordenadora de Cultura da UFPR – função que ocupa desde o último dia 15 de março

e que já havia ocupado antes, entre 1996 e 1998 –, Lucinha começou a trabalhar na instituição aos 26 anos, em 1984. Por que escolheu a área de cultura? “É uma questão de vocação. Estudei piano, violão”, explica. Duas tias lhe ensinaram. Uma delas, irmã de sua mãe, era professora de violão. A outra, irmã de seu pai, dava aulas de piano. “Ela é uma excelente profissional, musicista”, avalia Álvaro Nadolny, atual regente do Coro da UFPR. “Como coordenadora, mostra uma visão ampla dos problemas da cultura.” Nadolny e Lucinha foram maestros auxiliares de Garau. “Nós nos conhecemos como cantores”, conta Nadolny, que também era aluno da universidade. Ele estudava física, mas abandonou o curso ao optar pela música.

“ Na cultura você nunca sabe tudo, é sempre uma troca muito grande” diz Lucinha, servidora da UFPR desde 1984

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conta que, em 1998, quando estava conhecendo o festival em Antonina, do qual fazia a cobertura, chamou sua atenção a calma da coordenadora. “Todos chegavam para a Lucinha com problemas, e ela sempre com a mesma calma, o mesmo tom de voz, em busca de soluções.”

Todos chegavam para a Lucinha com problemas, e ela sempre com a mesma calma, o mesmo tom de voz, em busca de soluções.” Lais Murakami, Jornalista.

Em equipe “Minha mãe, que sempre ouvia falar dela, imaginava se tratar de uma perua”, revela Lais. “Quando a conheceu, a viu com sua calça jeans, tênis e camiseta, uma pessoa tão simples, que se relaciona bem com todos, do reitor aos calouros.” Com memória invejável, Lucinha guarda os nomes de monitores e ministrantes de oficinas de festivais de anos anteriores. Como é trabalhar com cultura dentro da UFPR? “É uma escola para a vida inteira. Todo dia temos algo a aprender”, responde Lucinha. “Na cultura você nunca sabe tudo, é sempre uma troca muito grande.” “Além de acreditar no potencial das pessoas, ela sabe de sua experiência acumulada e procura compartilhar o conhecimento”, observa Lais. Lucinha elogia a equipe da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (“maravilhosa, muito competente”), e sentencia: “Gosto muito de trabalhar em equipe, sozinho a gente não vai a lugar nenhum.”

Notícias da UFPR  

Ano 9 | Maio de 2010 | Número 48