Page 1

Notícias da

UFPR www.ufpr.br | Ano 11 | Número 55 | Julho de 2012

CP 19061 CEP 81531-980


Editorial

Universidade aberta da maturidade: mais um passo em direção à inclusão

Prestes a comemorar o centenário, a Universidade Federal do Paraná, como sempre, considera fundamental a participação dos servidores e alunos no processo construtivo de uma instituição de qualidade, que alia tradição e modernidade e que se movimenta para a construção de uma sociedade mais justa, humana e democrática. Os mais de seis mil servidores, entre professores e técnicos administrativos, são protagonistas da história de lutas e conquistas, de sonhos e ideais guardados nos espaços da universidade mais antiga do Brasil. Sem o trabalho e a dedicação dessas pessoas, a UFPR não seria a detentora de muitos títulos como o “símbolo da cidade de Curitiba”, ofertado ao Prédio Histórico. No ano em que comemoramos o centenário da Universidade Federal do Paraná, nasce a Universidade Aberta da Maturidade. Dentro de uma ação visionária e, mais uma vez, pensando nas pessoas, forma-se um espaço de oportunidade e troca de conhecimento entre a nossa comunidade interna e pessoas com mais de 55 anos dispostas a interagir, aprender e ensinar. É mais uma oportunidade de inclusão na universidade que já tem as cotas raciais e sociais, vestibular indígena e leva o ensino a muitas comunidades por meio do Ensino a Distância. O projeto da UAM será implementado por meio de atividades diversas, como cursos, oficinas, eventos e visitas voltadas a moradores de Curitiba e região metropolitana. Coordenadas por servidores da UFPR, serão apresentadas ainda palestras ministradas por professores, técnicos administrativos e servidores aposentados. A promoção da qualidade de vida e o desenvolvimento cultural e social fazem parte das ações da UAM. É a UFPR abrindo as portas para a comunidade. Unindo docentes, técnicos administrativos e a sociedade em um projeto de extensão inovador. Que a Universidade Aberta da Maturidade siga os caminhos daquela que a abriga e a ampara. E que a Universidade Federal do Paraná continue na trilha da construção coletiva do ensino, pesquisa e extensão transformando a comunidade paranaense.

Zaki Akel Sobrinho Reitor da UFPR

O Jornal Notícias da UFPR é uma publicação da Assessoria de Comunicação Social da Universidade Federal do Paraná. Rua Dr. Faivre, 405 - CEP: 80060-140 | Telefones: 41 3360-5007 | 5008 | Fax: 41 3360-5087 | Email: acs@ufpr.br Reitor Zaki Akel Sobrinho | Vice-reitor Rogério Mulinari | Pró-Reitor de Administração Paulo Roberto Rocha Krüger | Pró-Reitora de Extensão e Cultura Elenice Mara Matos Novak | Pró-Reitora de Gestão de Pessoas Laryssa Martins Born | Pró-Reitora de Graduação Maria Amélia Sabbag Zainko | Pró-Reitora de Planejamento, Orçamento e Finanças Lúcia Regina Assumpção Montanhini | Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação Sérgio Scheer | Pró-Reitora de Assuntos Estudantis Rita de Cássia Lopes | Chefe de Gabinete Ana Lúcia Jansen de Mello Santana | Assessora de Comunicação Social e Jornalista Responsável Ana Paula Moraes - Reg. Prof.: 18844 - SP | Edição Geral: Félix Calderaro | Editores: Simone Meirelles (Ensino, Ciência e Tecnologia), Ana Paula Moraes (Gestão) e Lais Murakami (Cultura e Extensão) | Projeto Gráfico e Diagramação: Mariana Mialik Linczuk | Capa: Karina Kranz Sabbag | Revisão: Edison Saldanha | Impressão: Imprensa Universitária | Tiragem: 10 mil exemplares

2 | Notícias UFPR | Julho 2012


Opinião

Duas grandes sinfonias corais no Guairão Aloísio Leoni Schmid

Professor da UFPR, onde realiza pesquisa na área de Acústica Arquitetônica e atua no Curso Superior de Tecnologia em Luteria (Construção de Instrumentos Musicais).

Depois da 9ª. Sinfonia de Beethoven, apresentada em janeiro durante a Oficina de Música, Curitiba teve a oportunidade de ouvir outra grande sinfonia com coral: a 2ª de Mahler, cognominada a Ressurreição (sem vínculos aparentes à Páscoa cristã, já que Mahler era judeu). Mahler, pessimista e um tanto prolixo, não é dos compositores mais próximos do público brasileiro. Levar ao cabo sua 2ª. Sinfonia é realização notável que envolve três centenas de pessoas. O público recebe um bônus ao poder presenciar evento tão raro entre nós. Mas nos dois eventos sentiu-se falta de um elemento há mais de década ausente no Teatro: sua concha acústica. O grande Auditório do Teatro Guaíra, ou Guairão, tem sido o local das grandes obras. O palco comporta uma grande orquestra, e a acústica funciona naturalmente (sem amplificação, que é um imperativo decorrente do volume dos auditórios maiores, e também da forma dispersiva do som como é o caso do Teatro Positivo). E tem sido utilizado tanto para teatro como ópera e orquestra (o Canal da Música, bem poderia abrigar obras do Romantismo). Ouvimos curitibanos mais entusiasmados comentar que a acústica do Guairão é ex-

celente. Há aí, sem dúvida, o mérito do seu projetista, Rubens Meister, e também certa mistificação. O desempenho do auditório em apresentações de teatro é notável, e também na ópera, pois ouve-se bem, basicamente, mesmo das poltronas distantes (o ideal seria todas as poltronas mais próximas, como é feito nas casas de ópera em formato de ferradura). Entende-se bem o que se ouve porque é um auditório seco, com pouca reverberação: em recente medição, estive com alunos do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFPR levantando 1,37 s na faixa de 1000 Hz, isto com o teatro vazio e cortina principal fechada. O resultado é bom para música do classicismo. Mas com o teatro cheio, ocasião em que ainda não pudemos efetuar levantamento, este tempo deve cair abaixo de 1s. A música sai perdendo, pois o Guairão não apresenta reverberação suficiente. Esta carência é especial nos períodos do Romantismo e Romantismo tardio, e na música coral de origem sacra (em geral, dimensionada para as igrejas, muito mais reverberantes). Sobre a 9ª Sinfonia, consta num livro sobre arquitetura, de Steen Eiler Rasmussen, a afirmação de que no último movimento – quando aparece o coral – o ideal mesmo Julho 2012| Notícias UFPR | 3


seria o teto subir, para transformar o espaço numa grande catedral. Note-se que os três movimentos iniciais da sinfonia são muito mais comedidos (Beethoven ainda está no Classicismo, logo, sujeito a um certo rigor formal e uma exigência geral de clareza sonora). Mahler é todo mais exagerado, e no quinto movimento também ficaria bem ainda mais reverberação. Mas tudo isto só é possível na Sala São Paulo, sede da OSESP, em São Paulo – desconheço, no mundo, outro auditório com teto móvel. Mas o teto não sobe, e pior, o coral tem de ser acomodado. Para tanto, nas duas ocasiões citadas (Beethoven em janeiro e Mahler em abril), efetuou-se a operação no meio da sinfonia: expandiu-se o palco para o fundo, e o coral foi posicionado praticamente dentro da (imensa) caixa cênica do Guairão, sobre cortina preta ao fundo e aos lados. Ora, ao optar-se por tal arranjo, aumenta-se o volume do ambiente, o que é bom, mas também aumenta-se consideravelmente a absorção do som pelos próprios coralistas, pelas cortinas e por todos os objetos quase aleatórios presentes no interior da caixa. Os instrumentos de corda sofrem especial prejuízo, que foi nítido nos dois eventos (um solo de violino como o existente ao final da sinfonia de Mahler se torna dificilmente audível). Registre-se, aqui, que na sinfonia de Mahler, ao final, colocou-se um grupo de metais e percussão lá no fundo da caixa cênica, dando aos ouvintes a impressão de que estavam distantes. Com tecnologia e especial cuidado, tal efeito foi viabilizado com êxito. Para que se tenha mais aproveitamento do repertório do romantismo (e do romantismo extremo, caso de Mahler), é fundamental prover o Guairão de uma concha acústica, fechando o palco em relação à caixa cênica. A nova sonoridade da Orquestra poderá surpreender. 4| Notícias UFPR | Julho 2012

Orquestra UFPR convida ex-integrantes para comemoração dos seus 50 anos A Orquestra Filarmônica da Universidade Federal do Paraná completa 50 anos em outubro. Para celebrar o aniversário da orquestra mais antiga de Curitiba e uma das primeiras do Paraná, está programado um concerto comemorativo, em 31 de outubro, no Teatro da Reitoria. Para que a comemoração seja ainda mais especial, o regente da Orquestra, Márcio Steuernagel, e o diretor artístico, Harry Crowl, convidam todos os ex-integrantes para participarem do concerto. O repertório e a forma de participação serão definidos conforme o interesse e as possibilidades dos antigos integrantes. A participação pode ser confirmada diretamente na sala da Orquestra, no Prédio Histórico da UFPR, na Praça Santos Andrade, ou através do endereço eletrônico orquestra@ufpr.br . Os dirigentes da Orquestra acreditam que a data festiva será um marco na história musical da cidade. “Pelo papel formativo essencial que a Orquestra Filarmônica da UFPR teve na cena musical de Curitiba e do Paraná, contamos com um grande retorno da parte de seus ex-integrantes”, completam.

Foto: Douglas Frois


Saiu na Imprensa

Lançamentos Editora

A CELA ENORME Romance autobiográfico que relata as experiências do poeta e artista plástico E. E. Cummings como prisioneiro em um campo de concentração na França, na Primeira Guerra Mundial.

“Em meio à crise gerada pela greve dos médicos o Reitor Zaki Akel Sobrinho foi à Brasília tentar uma negociação no Ministério do Planejamento e na Casa Civil. Juntamente com outros reitores de universidades federais Zaki pediu uma revisão da medida provisória 568/12, que aumenta a carga horária de trabalho de quem entra na carreira, reduz o pagamento de insalubridade e modifica o plano de carreira. O governo acenou com a possibilidade de alteração da medida e a greve foi interrompida no dia seguinte”.

ILUSTRAÇÃO BOTÂNICA: PRINCÍPIOS E MÉTODOS Apresenta desde conceitos do desenho e da pintura, até assuntos específicos do ilustrador botânico, composição, representação de texturas dos vegetais, aspectos éticos e profissionais.

“O jornal Metro do dia 01/06/2012 confirma o fim da paralisação após as negociações em Brasília”

MARXISMO COMO CIÊNCIA SOCIAL A compilação dos textos desta coletânea está longe da busca do marxismo puro e duro ou do “verdadeiro Marx”. Pretende tomar o pensamento de Marx como uma ciência social normal.

Julho 2012| Notícias UFPR | 5


Ensino

Centro de Estudos do Mar faz 30 anos Para comemorar os seus 30 anos foi realizado no mês de março um evento que contou com a presença do reitor Zaki Akel Sobrinho; da diretora do Centro Eunice da Costa Machado e do seu vice, José Guilherme Bersano Filho; do diretor do Setor de Ciências da Terra, Donizeti Antônio Giusti e do prefeito de Pontal do Paraná, Rudisney Gimenes, além de professores, pesquisadores, funcionários e alunos do Centro. Para registrar a trajetória também será lançado um livro que relata toda a história da unidade: a publicação faz parte das ações comemorativas do centenário da UFPR. “Apresentamos o projeto à reitoria e tivemos o apoio para estruturá-lo”, explica o professor Carlos Soares, um dos responsáveis pela coordenação do projeto. Aline Gonçalves, Raquel dos Santos (colaboradora) alinegoncalves@ufpr.br

Nascido no mar

Como tudo começou

O embrião acadêmico do que viria a ser o Centro de Pesquisas foi criado em 1979, quando um grupo de pesquisadores da UFPR, liderado pelo professor Metry Bacila, desenvolvia pesquisas em biologia marinha no Estado do Paraná, com o viés da biologia e da bioquímica. Foi esse grupo que estruturou o Centro de Biologia Marinha em 1982. O fortalecimento do núcleo ocorreu quando o segundo diretor do Centro, professor Milton Vernalha, convocou todos os pesquisadores a se fixarem em Pontal do Paraná e fez a transferência definitiva dos laboratórios de Curitiba para o litoral. Outro marco foi a consolidação como um centro de pesquisas interdisciplinares, quando, em meados de 1991, bolsistas de outras áreas como a física, química e sociologia passaram a integrar a equipe, criando as condições para a implantação do atual Centro de Estudos do Mar.

Desde o início de suas atividades, em 1982, o CEM esteve vinculado a programas de pósgraduação, mas as atividades ocorriam por meio da suas interações com os cursos de Zoologia, Geologia, Botânica, Meio Ambiente e Desenvolvimento, entre outros. O primeiro passo para a criação de cursos próprios foi dado em 2000, com a estruturação do curso de Graduação em Ciências do Mar. O curso foi pensado de forma interdisciplinar, incluindo as áreas de pesquisa e as temáticas sociais, como explica Paulo Lana, responsável na época pelo comitê de implantação. “Em 2005, em função de várias conjunturas nacionais, o curso foi transformado na Graduação em Oceanografia. Mais recentemente, em 2007, por uma demanda local, foi criado o curso de Aquicultura, tendo em vista o declínio dos recursos naturais locais e a necessidade de pes-

6 | Notícias UFPR | Julho 2012


Fotos: Arquivo CEM

Julho 2012| NotĂ­cias UFPR | 7


quisas que possam ajudar a atuação dos pescadores tradicionais”, esclarece Lana.

Estrutura e formação

Evento de Comemoração dos 30 anos

Um dos dezoito laboratórios

Fachada do CEM 8 | Notícias UFPR | Julho 2012

Se há 30 anos os pesquisadores contavam apenas com alguns escritórios instalados em vagões de trem, hoje o CEM possui quatro prédios, uma nova sede na Praia de Leste, 18 laboratórios, uma Biblioteca e um auditório. É nesse espaço que são mantidos o Programa de Pós-Graduação em Sistemas Costeiros e Oceânicos (mestrado e doutorado), instituído em 2006; e dois cursos de graduação. A forte relação entre as atividades acadêmicas e técnico-científicas são realizadas durante todo o processo de formação discente. “Os estudantes frequentam os laboratórios e participam das pesquisas como estagiários e bolsistas”, explica o professor Carlos Soares. “O perfil dos estudantes do CEM é bem diversificado e a evasão é baixíssima. Acreditamos que seja pela qualidade do ensino e pela forma como que os alunos se relacionam aqui dentro e na cidade, que, por ser pequena, favorece a vida em grupo. Os estudantes vivem em repúblicas e são bastante unidos”, complementa o professor Paulo Lana. A estudante do quarto ano da Graduação em Oceanografia, Iarema Carvalho, confirma que a convivência entre todos é muito boa. “Atuo em projetos nos laboratórios desde o primeiro ano de graduação, passo o dia todo na universidade e algu-


mas vezes também o período da noite. Quando sobra tempo ainda visito meus vizinhos de quitinete”, conta Iarema. A atual diretora do CEM, professora Eunice Machado, ressalta que atualmente a equipe investe também na formação de parcerias internacionais com países como a Inglaterra e a Espanha, e ainda há a perspectiva de, em breve, ofertar uma pós-graduação binacional, em associação com o consórcio Erasmus Mundi, de universidades europeias. Segundo Eunice, o resultado de todo esse trabalho está no sucesso dos estudantes. “Nossos ex-alunos estão sendo aprovados em concursos disputados como o da Petrobras, em Universi-

Linha do tempo

dades Federais, e também são aceitos em bons programas de pós-graduação”, comemora Eunice. A diretora aponta que o maior desafio da equipe no momento é continuar a crescer de forma condizente em relação aos recursos humanos, físicos e tecnológicos disponíveis. “Estamos com novos professores e também conseguimos melhorar nossos equipamentos com a aprovação de editais. Temos uma sede nova para o curso de Aquicultura, na Praia de Leste, mas ainda não é o suficiente para atender toda a nossa demanda. Precisamos de estruturas para pesquisa, para a Biblioteca e para o Restaurante Universitário”, analisa Eunice.

1982

1988 Criação de novos laboratórios em Pontal do Paraná nas áreas de geologia, química marinha, oceanografia física e gerenciamento costeiro.

Criação do Centro de Estudos de Biologia Marinha, vinculado ao Setor de Ciências Biológicas. Criação da Biblioteca do CEM com o acervo particular doado pelo falecido professor e bioquímico Gilberto Vilela. Nesse período, o Centro esteve

1988-1991 diretamente ligado diretamente à Reitoria da UFPR.

1992-1999 Criação do atual Centro de Estudos do Mar (CEM), quando o CEM passou a ser ligado diretamente à Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação. Fotos: Arquivo CEM

1999-2012 O CEM passa a ser uma unidade autônoma do novo Setor de Ciências da Terra. Julho 2012| Notícias UFPR | 9


Ensino

Áreas de Meio e Materiais receberão condomínio de laboratórios Amanda Pofahl

amandapofahl@gmail.com

Pesquisadores mais novos terão contato direto com outros mais experientes

A pesquisa tem um lugar fundamental na Universidade. Levando isso em conta, com o Plano Institucional de Pesquisa (PIP) de 2009 foi introduzida a filosofia de “Condomínio de Laboratórios”. O nome já expressa bem do que se trata — um agrupamento de laboratórios que deve promover maior interação entre pesquisadores de diversas áreas, melhorar a qualidade dos trabalhos e ainda baratear o custo em relação à construção de espaços individualizados. O projeto está em fase de licitação e com obras previstas para iniciar já no final deste ano. A conclusão está prevista para 2013. O ambiente será constituído de dois blocos laboratoriais, que privilegiarão o uso compartilhado de equipamentos e espaços. O primei-

10 | Notícias UFPR | Julho 2012

ro prédio vai abranger áreas de educação de ciências e matemática, além de conter o Observatório Multidisciplinar de Meio Ambiente (OMMA). O segundo edifício vai abrigar um centro de desenvolvimento e inovação de materiais, o Núcleo de Modelagem e Computação Científica (NMCC), e será o maior dos dois blocos. O dinheiro utilizado para a construção do condomínio veio do CTInfra, fundo de infraestrutura da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), que destinou em 2011, R$6 milhões da verba ao projeto. Os recursos disponibilizados foram alavancados pelo sucesso das pesquisas nas áreas de meio ambiente e materiais, beneficiadas pela iniciativa. Segundo a coordenadora de Pesquisa e Desenvolvimento


da Ciência e Tecnologia, Graciela Muniz, estes campos do conhecimento possuem programas de pós-graduação que se destacam e, ao liberar verba para investimentos nos mesmos, o governo está incentivando os alunos. “A pesquisa é o que move a Universidade. Ela tem de ser forte para fortalecer tanto a pós quanto a graduação”, enfatiza a professora.

Objetivos Segundo o coordenador geral da Pós-Graduação da UFPR, Edilson Silveira, a ideia central da copropriedade está no compartilhamento de recursos e instalações físicas entre os pesquisadores, integrando áreas diversas para que exista um intercâmbio de conhecimento. Isso sem falar na economia em relação à construção de laboratórios individuais. Para Silveira, além de facilitar o gerenciamento, os espaços multiusuários permitem um trabalho de melhor qualidade, já que a interação entre os pesquisadores viabilizará que novos assuntos e discussões surjam, fazendo com que as pesquisas avancem mais rapidamente. De acordo com o pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação Sérgio Scheer, o conjunto permitirá o convívio de alunos de diferentes níveis, atendendo tanto aos pesquisadores mais experientes quanto aos mais novos, que não poderiam adquirir os equipamentos de alta tecnologia a serem implantados nos laboratórios do condomínio. “É uma comunidade tirando proveito, de uma forma ordenada e otimizada, dos investimentos que o governo forneceu”, acrescenta Scheer. O acesso aos equipamentos será feito em regime de compartilhamento e os usuários contarão, eventualmente, com a ajuda de técnicos para o manuseio. Segundo Scheer, a intenção é maximizar o tempo de uso dos dispositivos. “Cada condomínio terá uma comissão e um regimento de uso do espaço, sendo necessário treinamento para acessar os equipamentos mais caros. Tudo será feito de forma comunitária, mas com regras”, afirma.

Julho 2012| Notícias UFPR | 11


Pesquisa

UFPR pesquisa novo filtro solar mais barato e eficiente

Processo químico que gerou o produto já está sendo patenteado

Simone Meirelles simonerl@ufpr.br

12 | Notícias UFPR | Julho 2012


Criar filtros solares eficientes e baratos. Esse foi o ponto de partida da pesquisadora Ana Cristina Trindade Cursino, mestre e doutoranda em Química pela Universidade Federal do Paraná. O resultado é um processo químico inovador para síntese de substâncias variadas e que já está sendo patenteado pela UFPR, sob coordenação do professor Fernando Wypych. O trabalho, que teve início em 2010, utiliza substâncias orgânicas que haviam sido banidas das fórmulas de protetores solares por causar alergias e outros problemas de saúde. Porém, a pesquisa mostrou que esses efeitos podem ser minimizados ou até suprimidos utilizando o novo processo desenvolvido no Laboratório de Química de Materiais Avançados (LAQMA) do Departamento de Química da UFPR. Conforme explica o professor Fernando Wypych, o processo funciona como um sanduíche com várias camadas, em que o pão é feito de estruturas inorgânicas lamelares, e o recheio é a substância que se quer imobilizar (intercalar é o termo técnico correto). No caso, o ânion do ácido 4-aminobenzóico, conhecido como PABA. “Esse produto é barato e absorve grande quantidade de raios ultravioleta, num espectro que alcança os raios UVA, UVB e o UVC, o que o faz extremamente eficiente”, explica Ana Cursino, acrescentando que, com a imobilização, os efeitos colaterais são pratica-

mente eliminados. Além disso, o produto não é removido da estrutura e nem suas propriedades são perdidas em contato com a água, o que é desejável para um bom filtro solar. O trabalho, iniciado no mestrado e aprofundado no doutorado da pesquisadora, constatou que o mesmo processo pode ser utilizado com outras substâncias, inclusive aquelas que não possuem carga formal negativa, aumentando a utilidade da descoberta. E mais: inseridas na nova estrutura, as moléculas do PABA se mostraram mais efetivas na proteção solar, pois com uma concentração menor da substância foi obtido um resultado de melhor qualidade. O filtro solar criado no LAQMA agora está sendo testado no Departamento de Farmacologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, especializado na área, para determinação do fator de proteção solar, além de testes de irritabilidade dérmica e ocular in vitro. Um artigo sobre a pesquisa, com o título “Efeito do confinamento de absorvedores de raios ultravioletas orgânicos aniônicos nas galerias bidimensionais do hidroxinitrato de zinco”, foi publicado no ano passado no Journal of the Brazilian Chemical Society, principal revista da América Latina na área de química, sendo destaque de capa.

Detalhes da pesquisa O LAQMA trabalha com materiais lamelares, que têm estrutura bidimensional. Eles se agrupam como folhas de papel sobrepostas. É no intervalo entre essas “folhas” que outras substâncias, inclusive de caráter neutro, podem ser inseridas e imobilizadas. O sistema é relativamente simples, baseado em elementos abundantes na natureza e reconhecidamente atóxicos, e qualquer laboratório pode realizá-lo sem grandes dificuldades, garante Wypych. A UFPR, o LAQMA e a pesquisadora Ana Cursino já obtiveram o número de Propriedade Intelectual do processo. Atualmente, o LAQMA tem 20 alunos de pós-graduação trabalhando em pesquisas distintas. Desde 2005, o laboratório já solicitou 30 patentes, o que representa cerca de 20% do total requerido pela UFPR ao Instituto Nacional de Propriedade Intelectual. Várias dessas patentes estão a procura de parceiros para possível transferência de tecnologia para a indústria num futuro próximo.

Julho 2012| Notícias UFPR | 13


Extensão

Mobilida d e A cadêm Da UFP R para o MU Maria

lurdes

de Lu

@ufpr

rdes W

.br

. Pere

ira

Ter uma experiência internacional, aperfeiçoar idiomas, incluir no currículo disciplinas cursadas em renomadas universidades estrangeiras e o melhor: todos os custos básicos subsidiados pelas próprias instituições de ensino envolvidas. Parece o enredo de um sonho para milhares de jovens universitários brasileiros, mas é algo palpável para estudantes da UFPR. Felipe Zatt Schardozin, do curso de Engenharia Industrial Madeireira, viajou pelo programa Ciências sem Fronteiras em março, para a Alemanha. Foi para a Universidade de Hamburgo e realiza estudos na área de Economia da Madeira. Por email, ele escreveu as vantagens de estudar fora do Brasil. “Eu vejo essa experiência como uma oportunidade incrível de aperfeiçoamento e absorção multicultural, pois as universidades aqui são muito cosmopolitas e existem muitos estudantes de intercâmbio vindos de todas as partes do mundo e a convivência com eles no meio universitário é algo extremamente proveitoso, de modo que existe sempre alguém com quem você possa aprender ou ensinar algo inesperado”, conta. Sobre a distância com o Brasil respondeu: “Isso fez com que eu começasse a ver nossa cultura sobre outra perspectiva, e valorizá-la melhor, assim como a nossa língua. Essa é uma coisa que me faz falta, pois por mais que você domine a língua estrangeira com perfeição, não há nada como expressar uma 14| Notícias UFPR | Julho 2012


dêmica: MUND

O

ideia na sua língua mãe. Do ponto de vista profissional, essa experiência mostrou-se muito proveitosa, pois ela me permitiu o contato com muitas tecnologias que nós, no Brasil, ainda carecemos, coisas com as quais eu futuramente posso vir a trabalhar. Também aqui encontrei a definição para o meu futuro profissional, pois assim que regressar ao Brasil, em março de 2013, pretendo concluir minha graduação e ingressar em um programa de pós-graduação e, utilizando os conhecimentos adquiridos durante o intercâmbio, desenvolver meu trabalho de mestrado e caminhar para a carreira acadêmica. A bolsa foi muito importante, pois primeiramente permitiu minha vinda para cá e também me deu segurança para desenvolver minhas atividades livre de preocupações de ordem financeira, podendo assim me dedicar totalmente às minhas atividades.”

Foto: Arq

Felipe Z. Schardoz in da Made ira em Ha na Feira mburgo

uivo pess

oal

Julho 2012| Notícias UFPR | 15


Mais de cem Países A UFPR mantém convênio com mais de 150 instituições de diversos países. Em 2012, no segundo semestre, devem viajar 332 estudantes que são selecionados em diversos programas de bolsas. Destes, a maior parte vai para Portugal (47), seguido pela Espanha (37). Outros 24 escolheram estudar no Canadá. Na relação de preferências aparecem também a Austrália, Bélgica, Holanda e a Coréia do Sul. “Nossa preocupação não é aumentar a quantidade de estudantes da UFPR no exterior”, destaca o professor Siqueira. “A gente quer crescer de forma consistente. Para o aluno, além do aspecto humano, o ganho para o estudante que passa um período em outro País é o acesso a novas tecnologias de grandes empresas e isso aumenta a chance de conseguir um emprego.”

Expectativa de novas pesquisas em Coimbra O estudante Gustavo Rodrigues Rossi, 22 anos, trancou as disciplinas do último ano de Ciências Biológicas para passar sete meses na Universidade de Coimbra, em Portugal. Antes de embarcar, contou que começou a se interessar pelo programa em janeiro e, depois do contato com a professora Fátima Mantovani, da PRPPG, seguiu as orientações. Disse que o mais difícil foi encontrar um professor orientador na universidade estrangeira. O período de estudos foi de 30 de abril a 30 de novembro de 2011. Gustavo ganhou as passagens, dinheiro para comprar computador, auxílio moradia de 870 euros por mês, plano saúde e receberá mais elotti rb a G y a R : Foto 870 euros por mês. Gustavo escolheu estudar em Portugal por 16 | Notícias UFPR | Julho 2012


causa da facilidade do idioma. Vai cursar a disciplina de Iniciação Científica e desenvolver pesquisa sobre o sistema imune na doença de Alzheimer.

Ainda há vagas O Programa “Ciência sem Fronteiras”, criado pelos Ministérios das Educação e Ciência e Tecnologia para incentivar a ida de estudantes brasileiros a desenvolver pesquisas e ter contato com outras tecnologias, ainda não preencheu o total de vagas. Restam um total de 50 para vários países — Canadá, Holanda, Bélgica, Portugal, Austrália e Coréia do Sul. As inscrições podem ser feitas até agosto nos sites: www.internacional.ufpr.br e www.cienciasemfronteiras.gov.br. As áreas do programa são agroecologia, agronomia, arquitetura, artes, biomedicina e ciência da computação. “Nenhuma universidade conseguiu fechar a sua cota em 2011”, explica o assessor de relações internacionais, professor Carlos Siqueira. Para ele, o sonho de estudar no exterior existe, mas o projeto fracassa quando é necessário passar pelo teste do idioma estrangeiro. Para Siqueira, os jovens já deveriam entrar na universidade falando e escrevendo fluentemente pelo menos o Inglês. O programa para um ano fora do Brasil oferece as passagens, 870 dólares ou euros mensais para moradia, 1.000 dólares/euros de auxílio instalação, além de plano de saúde e as taxas das universidades. Quando foi lançado o programa tinha regras mais rígidas, mas diante da baixa procura, o Governo Federal diminuiu o grau de exigên-

cia e agora basta ter concluído o primeiro ano do curso de graduação, mas ainda é necessário passar por um teste do idioma falado no País escolhido. Para o Inglês, por exemplo, o exame é o “Toefl”.

Vinte e quatro novos convênios em 2012 Neste ano já foram assinados vinte e quatro novos convênios com universidades internacionais. Um exemplo foi o acordo fechado com a Universidade de Curvinos, na Hungria, que prevê parcerias, viagens de estudantes e professores em praticamente todas as áreas, em especial em Horticultura e Desenvolvimento Regional Sustentável. O primeiro fruto deste novo convênio foi a vinda de um professor húngaro em abril, para visitar diversas unidades da UFPR. Outros dois exemplos de convênios foram firmados com as Universidades de Granada e de Navarra na Espanha, ambos para pesquisas, viagens de estudos, troca de experiências e pesquisas na área de Ciências Agrárias. A lista completa de convênio e mais informações estão no site www.internacional. ufpr.br.

Julho 2012| Notícias UFPR | 17


Extensão

Trindade:

paraíso sobre

Ana Paula Moraes, Luiz Alberto Fernandes ap.moraes@ufpr.br, lufernandes@ufpr.br

Resultados vão subsidiar planos de gestão de planícies e ambientes costeiros. Em um planeta com futuro climático incerto e a população em ascensão, os estudos científicos para a conservação dos sistemas costeiros precisam de uma base de dados bem fundamentada para evitar situações de crise. Muitos aspectos das mudanças costeiras são pouco conhecidos, como por exemplo, as características espaciais e temporais dos proces18| Notícias UFPR | Julho 2012

sos físicos que relacionam a costa com a plataforma ao longo dos séculos ou milênios. Coordenados pelo professor Rodolfo José Angulo do curso de Geologia, os pesquisadores Maria Cristina de Souza e Luiz Alberto Fernandes da Universidade Federal do Paraná, Eduardo Guimarães Barboza e Maria Luiza Correa da Camara Rosa da Universidade Federal


so tropical ajuda nos estudos re variações do nível do mar do Rio Grande do Sul e Carlos Guedes, doutorando da Universidade de São Paulo, embarcaram no início de abril para uma viagem de 11 dias à Ilha de Trindade, no Espírito Santo. Os pesquisadores foram estudar os fenômenos relacionados ao El Niño e La Niña, oscilações do nível do mar e grandes enchentes. Segundo o professor Angulo, o projeto visa caracterizar a variação relativa do nível do mar e reconstruir a evolução paleogeográfica, que consiste no estudo do passado geológico da Ilha de Trindade e do Arquipélago Martin Vaz durante o período Cenozóico (de 65,5 milhões de anos até os dias de hoje). Na ilha, os pesquisadores trabalharam em levantamentos de georadar, que faz uma espécie

de tomografia do terreno, possibilitando “ver” mediante imagens geradas, as camadas, estruturas internas e variações como espessuras, porosidade, presença de blocos, umidade e abaixo do chão. A equipe trouxe material, como amostras de areia da praia, conchas e fragmentos de rochas, que ajudarão a identificar os antigos níveis do mar no tempo geológico, para elaborar curvas de variação do nível do mar, identificar e interpretar feições do relevo relacionadas às mudanças. Com o processamento dos resultados de campo e os de análises de amostras em laboratório, os pesquisadores compreenderão melhor os depósitos sedimentares das praias, para Julho 2012| Notícias UFPR | 19


reconstruir a história da evolução geográfica das ilhas. Elaborarão ainda um plano detalhado de futuros levantamentos de campo incluindo as partes emersas e submersas das ilhas. O objetivo científico é ampliar o conhecimento das variações do nível do mar no Quaternário no Brasil. Com aplicação a curto e médio prazos, os resultados subsidiarão os planos de gestão das planícies e ambientes costeiros. Os pesquisadores Fernando Alvin Veiga, Leonardo José Cordeiro Santos da UFPR e Paulo César Fonseca Giannini (USP) não foram à Ilha de Trindade, mas também fazem parte do projeto.

Protrindade Desde 2007, o governo brasileiro desenvolve o Programa de Pesquisas Científicas na Ilha de Trindade (Protrindade), que pertence a uma cadeia de montanhas submarinas e está localizada no Oceano Atlântico, a 1.200 quilômetros a leste de Vitória (ES), e a 2.400 da África. A ilha, que já foi domínio inglês e presídio político, surgiu há três milhões de anos de uma zona de fraturas que se estende desde a plataforma continental brasileira. Devido à sua origem vulcânica, o terreno da ilha é formado por rochas expostas e solos de alteração de antigas lavas e de cinzas vulcânicas. Nas poucas e estreitas praias foram encontradas areias formadas por grãos oriundos da desagregação das rochas vulcânicas, assim como de fragmentos de conchas, corais e partes duras da vida marinha que se desenvolveu na ilha. A última erupção vulcânica ocorreu há aproxi-

20| Notícias UFPR | Julho 2012


madamente 50 mil anos. Sob o comando da Marinha do Brasil, que é a encarregada de abastecer o posto na Ilha de Trindade, onde trabalham cerca de 40 pessoas, vários pesquisadores são levados no local a cada dois meses. O navio Almirante Sabóia sai da base da Marinha, em Niterói. São três dias e meio de viagem para ir e mais três e meio para voltar. Isso se o tempo ajudar. Caso contrário, o tempo da viagem pode aumentar. Bem equipado, o navio viaja com mais de cem militares a bordo. A tripulação civil recebe roupa especial e instruções de como se comportar durante o percurso e tem permissão de visitar todos os setores, mas precisa se adaptar aos horários das refeições e do descanso. As cabines têm duas camas e um banheiro. O desembarque na ilha é feito por helicóptero. Há alguns anos, a Marinha do Brasil tem recebido uma quantidade crescente de pedidos para a realização das pesquisas científicas em Trindade que resultou na criação da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (CIRM) que

supervisiona o Protrindade. A implementação do Programa está a cargo de um Comitê Executivo, formados por vários ministérios e instituições ambientais, coordenado pela Marinha do Brasil. Perto de Trindade, a 50 quilômetros, está localizado o Arquipélago de Martin Vaz. Um rochedo íngreme que abriga uma vegetação rasteira no topo, caranguejos e aves migratórias. Legenda das fotos Pág 18: Vista aérea da ponta noroeste da ilha (com águas azuis) Pág 19 (no sentido horário) a) Vista aérea da praia dos Andradas, pouco antes do pouso no heliponto b) praia dos Cabritos c) praia da ponta do Túnel d) praia dos Cabritos, parte nordeste da ilha, para mar aberto (África) Pág 20 (para baixo, depois para a direita): a) Carlos, defronte ao navio, oNDCC Alm. Sabóia, na base da Marinha, Niterói, antes da partida b) equipe do projeto, geólogos: Maria Luiza (UFRGS), Eduardo (UFRGS), Rodolfo (UFPR), Luiz (UFPR), Maria Cristina (UFPR) e Carlos (USP), no convés do navio c) operações de qualificação de pilotos de helicóptero em operações especiais d) equipe do projeto, com o Comandante Otoch, coordenador do projeto Protrindade, em frente ao helicóptero usado nas operações de embarque e desembarque na ilha e) levantamento com georradar f) local próximo do ponto mais alto da ilha o pico do Desejado (620m acima do nível do mar) g) fachada da base dos pesquisadores (ECIT) e vista parcial da sala de estar e cozinha anexa Fotos: Arquivo pessoal

ECIT A Estação Científica da Ilha de Trindade (ECIT) foi inaugurada em dezembro de 2011. Seu projeto arquitetônico foi concebido na Universidade Federal do Espírito Santo buscando a redução do impacto ambiental. O projeto da construção foi elaborado pela Diretoria de Obras Civis da Marinha incorporando modernas soluções como a técnica construtiva em PVC e explorando a iluminação e a ventilação natural. Tem capacidade para alojar até oito pesquisadores e composta por dois camarotes para quatro pessoas cada, sala de estar, cozinha, dois banheiros, varanda e dois laboratórios: seco e úmido. Possui mobiliário adequado à permanência e ao conforto dos pesquisadores. A programação para permanência na Estação Científica é gerenciada pelo coordenador do Protrindade, o Comandante Otoch da Marinha do Brasil.

Julho 2012| Notícias UFPR | 21


Extensão

UFPR mais verde Novos projetos para redução e tratamento do lixo entram em prática Juliana Blume

jublume@gmail.com

A Divisão de Gestão Ambiental da UFPR iniciou o ano letivo de 2012 com novidades ambientais para toda a comunidade da universidade. Novos projetos com impactos positivos para a redução e tratamento dos resíduos tiveram início no mês de março, como a substituição de copinhos plásticos dos restau-

rantes universitários por canecas reutilizáveis e a substituição de tobatas a diesel que fazem o transporte interno do lixo em quatro carrinhos elétricos. Outra novidade envolvendo o gerenciamento de resíduos na universidade é a construção do Centro de Triagem de Resíduos no centro Politécnico, planejado para este ano. Assim, a quantidade exata de todos os tipos de lixos gerados na instituição pode ser quantificada diariamente, para um estudo aprofundado do quadro geral e das ações a serem tomadas. A preocupação com o destino dos resíduos gerados na universidade tem sido crescente ao longo dos anos, e mais ações puderam ser adotadas com o programa “Separando juntos na UFPR”, criado em 2002. A partir daí, foram colocadas as latas de lixo com cores diferentes para a reciclagem, a construção de um novo depósito e a instalação de contêineres para o lixo comum.

Redução de lixo nos restaurantes universitários Os três restaurantes universitários (Rus) servem 22| Notícias UFPR | Julho 2012


Para cada lixo um destino Resíduos de todos os tipos são gerados na universidade. Eles são divididos em três classes: domésticos, perigosos e entulhos de construção. Cada natureza de lixo tem um destino diferente. O lixo do tipo doméstico comum inclui os recicláveis, orgânicos e rejeitos. O orgânico

e o rejeito são recolhidos por caminhões da Prefeitura de Curitiba e levados ao Aterro do Caximba. “A ideia é reduzirmos significativamente a quantidade de orgânicos enviada para o aterro, gerindo os resíduos no próprio âmbito da Universidade, com projetos de compostagem e biogás”, explica Regina. As vinte toneladas mensais de lixo reciclável geradas nos campi de Curitiba são destinadas para a organização Catamare, o que proporciona uma renda mensal constante para seus catadores cooperados. No ano de 2011 cerca de 220 toneladas de recicláveis renderam R$88mil para a organização. Já a classe de materiais perigosos envolve os

Ilustrações: Jônatas de Carvalho Nascimento

uma média de 6.000 refeições por dia, incluindo café da manhã, almoço e jantar. “No primeiro dia em que fui ao RU, fiquei chocado com o uso de tantos copos descartáveis”, conta o aluno de administração Fábio Nunes. Os copinhos eram oferecidos no almoço e jantar para beber água. O aluno resolveu tentar mudar a situação, e escreveu, através do Diretório Central dos Estudantes, um projeto de substituição de copinhos descartáveis por canecas reutilizáveis. “O projeto é resultado da conciliação entre o desejo de um grupo de estudantes preocupados com a reciclagem e a própria universidade”, explica a professora Rita de Cássia Lopes, próreitora de Assuntos Estudantis. A maior dificuldade de colocá-lo em prática era a abertura de uma licitação exclusiva para a compra de mais de 50 mil canecas plásticas. Este processo levou mais de um ano e em março as canecas foram distribuidas para os alunos e funcionários da universidade. Os copinhos descartáveis deixaram de ser oferecidos. “Queremos gerar a reflexão ambiental, que as pessoas pensem na diferença entre reciclar e reutilizar. A caneca pode ser usada em outros lugares além dos RUs, diminuindo a geração de lixo não só na universidade”, argumenta Fábio. Outra ação ambientalmente correta praticada nos RUs é a destinação do lixo orgânico. Para preparar todas as refeições diárias são gerados muitos quilos de resíduos orgânicos, que são doados para uma empresa para a alimentação de suínos. “A Fazenda Canguiri (fazenda experimental da UFPR) está com projeto para reiniciar a criação de suínos e a ideia é repassar esses resíduos para eles”, antecipa Regina Zanelatto, bióloga e coordenadora do programa Separando Juntos na UFPR.

tóxicos e hospitalares. O lixo tóxico — pilhas, baterias, lâmpadas, produtos químicos e tinta — é destinado a um aterro Classe I, específico para esse tipo de substância. A empresa que realiza o transporte e trato final dos tóxicos é determinada por licitação. Quem faz este trabalho é a Essencis Soluções Ambientais, que tem aterro na Cidade Industrial de Curitiba. O lixo hospitalar gerado no Hospital de Clínicas é composto por diversos materiais infectantes, e é recolhido e incinerado pela empresa Serquip. Julho 2012| Notícias UFPR | 23


Perfil

Da terra ao mar: o sonho de Terezinha Absher “Deus ao mar o perigo e o abismo deu, mas nele é que espelhou o céu”. Fernando Pessoa Sônia Loyola

sonial@ufpr.br

Muitos dias do poeta Fernando Pessoa foram dedicados para escrever sobre o mar e descrevê-lo. Ousadia então é apropriar-se de algumas palavras do ilustre escritor para uma homenagem. Falar um pouco de alguém que tem muito para contar. Ela é exatamente do tamanho do seu sonho. A história da cientista, doutora e professora Terezinha Absher começou quando, ainda pequena, sonhava. Só sabia que queria estar perto do mar. O mar a atraía e, ao longo de sua vida, buscou e ainda busca o porquê deste apelo. Jovem, procurou uma das respostas na terra, quando se tornou engenheira agrônoma. Na terra, sempre perto do mar, atuou como profissional da área. Segura, queria ir além. Além da terra. Hoje, diz a pesquisadora, talvez saudosa daquele tempo: “quando eu era engenheira agrônoma...” Nascida no Rio de Janeiro, Terezinha residiu em São Paulo enquanto foi casada com um empresário ameri24| Notícias UFPR | Julho 2012

cano que faleceu aos 48 anos. Viúva e com três filhas ainda pequenas, voltou para perto dos familiares na cidade natal. Nesta época, já concluía seu mestrado no Instituto Oceanográfico de São Paulo e aspirava a possibilidade de trabalhar num laboratório costeiro. Inscrita num curso de doutorado, iniciou então uma procura pelos laboratórios mais próximos do Rio de Janeiro. Embora distante, chegou a Pontal do Paraná, onde estava em construção o Centro de Estudos do Mar da UFPR (CEM).

Além da UFPR

Lá, finalmente vislumbrou uma oportunidade de realizar seu sonho, chance que imediatamente abraçou tornando-se professora visitante da UFPR. Em abril de 1985 foi efetivada no cargo, dedicando-se à prática da pesquisa, nova realidade que tomou conta da sua rotina. Passou a viver no universo dos moluscos, especialmente aqueles cultiváveis e comestíveis como as ostras,


vieiras e outros, “todos os que possuem conchas”, explicou, e que eram reproduzidos em laboratório. Do Centro de Estudos do Mar, a professora partiu para a Antártida, onde se dedicou nos últimos 20 anos à pesquisa de reprodução dos invertebrados do mar. Atualmente, aposentada e trabalhando como professora sênior, Terezinha reside em Pontal do Paraná e vem a Curitiba nos finais de semana.

Dedicação

“No início foi difícil, disse a professora, lembrando de sua chegada ao CEM. “Morei mais de dois anos em uma casa alugada. Entretanto, tinha que deixá-la disponível para a temporada de verão. Entre os anos de 1985 a 1991 mudei de endereço: minha residência e de mais dez pessoas era num vagão de trem utilizado quando da construção do Centro. De lá, passamos para um alojamento de professores onde dividia o dormitório com mais três estagiários. Quando chovia, molhava dentro”, lembrou.

Antártida

continente, fato recente, prefere não contar detalhes, apenas disse que perdeu todos os equipamentos de pesquisa, mas ainda dispõe das coletas de fevereiro.

“Porquês”

“O cientista é como o artista, ele não para, está sempre com a mente aberta para os eventos da vida. São sempre os porquês”, constatou Terezinha. Sobre ela, uma das curiosidades é que a Arte, em sua vida, caminha junto com a Ciência. A prova está nos quadros que pinta em óleo sobre tela. Inicialmente, as cenas do mar eram as preferidas, mas agora, quando tem tempo disponível, pinta no “estilo tradicional”. Conforme palavras suas, se concentra no impressionismo, estilo que admira porque registra as impressões mais fortes...

Sonho

Resumindo sua história, Terezinha concorda que sempre foi movida por um grande ideal. Uma meta que diz respeito à vida, a vida no mar, “mais complexa do que a da terra”, confidenciou ela. Na verdade, admite que sua ânsia pelo saber, ao longo do tempo, necessitava de um porto, de amparo. Um ponto de partida que acolhesse esse sonho que ainda não terminou. E, que sem dúvida, “foi abrigado e alimentado pela Universidade Federal do Paraná, no Centro de Estudos do Mar, durante cerca de 30 anos, concluiu.

“Amo tanto o que faço, e este amor é a força que utilizo para superar todos os problemas”, refletiu a cientista. Em seu percurso, continuou os estudos concluindo um pós-doutoramento no Instituto Britânico Antártico em Cambridge, na Inglaterra. “Tudo isso valeu a pena”, contou a professora, que foi a primeira mulher a invernar na Antártida. Sobre o incêndio ocorrido naquele Fotos: Arquivo pessoal

Julho 2012| Notícias UFPR | 25


Eventos

26| NotĂ­cias UFPR | Julho 2012


Julho 2012| NotĂ­cias UFPR | 27


Fotos

Foto: Leonar

do Bettinelli

Foto: Leonardo Bettinelli

Junho ficou marcado pela greve dos técnicos, professores e estudantes. Na foto, servidores em assembleia no pátio da Reitoria

Reitor Zaki Akel Sobrin ho se reuniu estudantes e com m greve Foto: Douglas Frois

Foto: Leonardo Bettinelli

O Grupo de MPB da UFPR voltou aos palcos em junho com o espetáculo “Criança em mim”

Reitores entregam certificados para os estudantes da turma 2009-2011 do curso de Tecnólogo em Gestão Pública.

Foto: Leonardo Bettinelli

Projeto dos estudantes de Design Lucas Fernando Armstrong e Cesar Augusto Cândido Zardo recebeu o terceiro lugar no Prêmio Alcoa de Inovação em Alumínio. Trata-se de um carro elétrico adaptado a uma cadeira de rodas

Como sempre, julho é o mês do Festival de Inverno da UFPR, que no ano do centenário da universidade chegou à sua 22ª edição

28| Notícias UFPR | Julho 2012

O Museu de Arqueologia e Etnologia da UFPR (MAE), em Paranaguá, bateu recorde de visitações no mês de maio com as exposições “No Ritmo do Fandango” e a mostra “Tesouros do Museu Nacional”. Foram mais de 3.700 visitantes Foto: Rodrigo

Juste Duarte

Notícias da UFPR  
Notícias da UFPR  

Ano 11 | Julho de 2012 | Número 55

Advertisement