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Assistência estudantil Investimento da UFPR em bolsas para estudantes cresce 92% e chega a R$ 8,5 milhões pág. 3

Extensão transforma realidade de comunidades paranaenses pág. 20 Novo instituto fortalece pesquisas brasileiras na Antártica pág. 10 UFPR busca diálogo com poderes públicos e sociedade civil pág. 14


Opinião

Abril 2009

casa O Notícias da UFPR de abril é o primeiro com o novo projeto gráfico e editorial. As páginas, agora todas coloridas, seguem um novo padrão gráfico. Os conteúdos estão organizados em quatro editorias (Ensino, Cultura e Extensão, Ciência e Tecnologia e Gestão) e três seções (Opinião, Entrevista e Perfil). A nova logomarca e o novo projeto gráfico e editorial foram desenvolvidos pela equipe da ACS, bem como a diagramação do jornal, que era terceirizada até a edição passada. Este trabalho só foi possível graças à incorporação à equipe de alunas de jornalismo do Departamento de Comunicação. A impressão também muda. Era feita numa gráfica externa e, a partir desta edição, fica a cargo da Imprensa Universitária. Assim, o Notícias de abril vai contra o processo de terceirização e aposta nos talentos e nas competências da UFPR. É um produto feito em casa. Materializa assim uma diretriz da atual gestão, de valorizar o conhecimento da própria universidade e só recorrer aos recursos externos quando não houver outra solução. Se o resultado desta diretriz for satisfatório, cabe agora aos nosso leitores julgar. São eles o motivo maior da existência do Notícias e das reformas em curso.

Portal da Universidade Federal do Paraná

Feito em

www.ufpr.br

Editorial

Educação Superior, evasão e responsabilidade social Profª Drª Maria Amélia Sabbag Zainko

Pró-Reitora de Graduação da UFPR

O documento base proposto para se discutir a participação do Brasil na Conferência Mundial de Educação Superior, a ser realizada em Paris no mês de julho, enfatiza a necessidade de ampliação do acesso à educação superior e preconiza uma universidade comprometida com a inclusão social. Uma inclusão social decorrente de um forte esforço de expansão da oferta de um explícito compromisso da Universidade com o desenvolvimento de ações afirmativas, políticas de avaliação e busca incessante da qualidade acadêmica. A melhoria da qualidade da educação superior, a orientação da expansão da sua oferta, o aumento permanente da sua eficácia institucional e efetividade acadêmica e social, e especialmente a promoção do aprofundamento dos compromissos e responsabilidades sociais das instituições de educação superior fazem parte da proposta de avaliação institucional colocada em prática segundo as orientações do Sinaes (Portaria MEC Nº 2.051/04, art 1º). O Sinaes nos leva a conduzir estudos que viabilizem um novo olhar sobre a essência de uma proposta de fazer universitário como elemento de sustentação de uma política de qualidade e inclusão social formulando estratégias de ação, que garantam as universidades como espaços públicos de educação e (in)formação de cidadãos. Uma Universidade com menos evasão e mais responsabilidade social por parte de alunos, professores e servidores se apresenta como exigência do tempo presente, quer seja pelo impacto da explosão do conhecimento nos processos formativos, quer seja pela necessidade da universidade repartir com a população que a criou e mantém, os resultados de suas pesquisas e toda produção do conhecimento que se dá nas salas de aulas e nos laboratórios contribuindo assim de maneira decisiva para a resolução dos problemas locais, regionais e nacionais. A proposta que vislumbramos para a Universidade brasileira hoje deve garantir características inovadoras e ousadas aos processos de formação, nos quais esteja assegurada a qualidade social por meio do planejamento e avaliação das ações que se desenvolvem no interior das IES socialmente comprometidas, o ensino superior como direito humano e bem público social, o entendimento das instituições de ensino superior como instituições públicas e a participação da comunidade interna e externa na construção de projetos políticos pedagógicos comprometidos com os interesses e as necessidades da comunidade.

O jornal Notícias da UFPR é uma publicação da Assessoria de Comunicação Social da Universidade Federal do Paraná. Rua Dr. Faivre, 405 - CEP: 80060-140 Fones: 41 3360-5007 e 41 3360-5008 Fax: 41 3360-5087 E-mail: acs@ufpr.br Reitor Zaki Akel Sobrinho | Vice-Reitor Rogério Mulinari | Pró-Reitor de Administração Paulo Roberto da Rocha Kruger | Pró-Reitora de Extensão e Cultura Elenice Mara de Matos Novak | Pró-Reitora de Gestão de Pessoas Larissa Martins Born | Pró-Reitora de Graduação Maria Amélia Sabbag Zainko | Pró-Reitora de Planejamento, Orçamento e Finanças Lúcia Regina Assumpção Montanhini | Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação Sérgio Scheer | Pró-Reitora de Assuntos Estudantis Rita de Cássia Lopes | Chefe de Gabinete Ana Lúcia Jansen de Mello Santana. Assessor de Comunicação Social e Jornalista Responsável Mário Messagi Júnior - Reg. Prof.: 2963 | Edição geral Letícia Hoshiguti | Editores Simone Meirelles (Ensino), Fernando César Oliveira (C&T), Mário Messagi Júnior (Gestão) e Lais Murakami (Cultura e Extensão) | Projeto Gráfico e Diagramação Iasa Monique Ribeiro Foto da Capa Manuela Salazar | Impressão Imprensa Universitária | Revisão Edison Saldanha | Tiragem 10 mil exemplares

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Ensino: Assistência Estudantil

Abril 2009

UFPR aumenta em 92% as verbas de bolsas para estudantes Centenas de estudantes contam com apoio institucional para manter os estudos na UFPR. Neste ano o Programa de Bolsas ganhou novas modalidades e atinge o montante de R$ 8,5 milhões Simone Meirelles

simonerm@ufpr.br

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anieri Moreira veio de Tapira, Noroeste do Paraná, para estudar Medicina na UFPR. Sem recursos, conseguiu se manter com bolsas acadêmicas. Hoje ele recebe a Bolsa Permanência, o Auxílio Moradia e a Bolsa Alimentação. “Dificilmente eu me manteria sem essa ajuda. Meu pai é aposentado e minha mãe, dona de casa”, conta ele, que está no oitavo período do curso e será o primeiro médico da família. Aliás, o esforço de Ranieri já influencia os irmãos, que pensam também em cursar a universidade. “Minha irmã vem fazer vestibular aqui este ano. Sem as bolsas seria inviável para meus pais manter dois filhos fora de casa estudando”, diz. Também para Rosemeire Carvalho da Silva, estudante do último ano de Agronomia, as bolsas foram a diferença entre estudar ou não. Nascida em Paranavaí, interior do estado, veio para a capital trabalhar como babá. Quando entrou na UFPR, saiu do emprego e foi morar na Casa da Estudante Universitária. Já

Fotos: Manuela Salazar

teve vários tipos de bolsas, como Monitoria e Extensão. Atualmente, tem a Permanência e Alimentação. “Sem o suporte da instituição seria impossível. Tenho sorte porque sou apaixonada pelo meu curso. Agora, minha intenção é tentar o mestrado, com bolsa da Capes”, revela. Estas são algumas das centenas de histórias em que a oferta de bolsas fez o que antes era impossível se tornar uma realidade. Ciente disso, o Conselho de Planejamento e Administração ampliou em 92% a verba para bolsas na instituição em 2009, aumentando o valor individual dos pagamentos, o número de ofertas em 520 bolsas e também aprovando a criação de três novas modalidades, as bolsas Moradia, Instrutor e Mobilidade Acadêmica. Com isso, o montante gasto com bolsas e apoio aos estudantes atinge R$ 8,5 milhões. Para 2009, estão previstas 3.210 bolsas, sendo 1.484 acadêmicas (como as de Iniciação Científica, Monitoria e Licenciar, entre outras) e 1.726 voltadas à assistência estudantil.

APOIO Ranieri Moreira estuda Medicina e conta com três bolsas para se manter

Boa parte dos benefícios básicos, como alimentação, transporte e moradia, ganhou fôlego a partir da criação da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Prae), no ano passado. Segundo a próreitora Rita de Cássia Lopes, o objetivo da Prae é assistir o aluno de todas as formas para viabilizar sua permanência na UFPR. Para isso, existem as bolsas Moradia, que financiam integralmente a estada do estudante nas entidades conveniadas, a Alimentação, que isenta do pagamento nos Restaurantes Universitários; e a Permanência, que oferece um estágio remunerado na própria universidade. Estas três bolsas são cumulativas, ou seja, um aluno pode receber até R$ 552 de benefícios. O critério para concessão é socioeconômico e os alunos devem procurar a Prae para se informar. Os recursos para financiar esses benefícios vêm do Ministério da Educação, através do Plano Nacional de Assistência Estudantil, do Reuni e do Orçamento de Custeio e Capital (OCC) da UFPR. Também da arrecadação das cantinas terceirizadas nos campi da UFPR custeiam o apoio à participação em eventos estudantis. Criada este ano, a Bolsa Instrutor prevê aulas de reforço em idiomas e informática ministradas por alunos dos cursos de bacharelado, voltadas para estudantes com carência socioeconômica, que não tiveram oportunidade de acesso a essas matérias antes de entrar na universidade. Os cursos serão de extensão, certificando instrutores e alunos. O critério para selecionar o instrutor será a formação adequada para ministrar os cursos. Pensando na qualidade de vida do estudante, a Pró-Reitoria conta ainda com uma unidade de apoio psicossocial, formada por pedagogo, psicólogo, assistente social e psiquiatra. Para saber mais sobre os serviços oferecidos pela Prae, basta acessar o site www.prae.ufpr.br ou dirigir-se à Pró-Reitoria, que fica na Rua Dr. Faivre, 405, 1º andar.

AUXÍLIO Rosemeire Silva, aluna de Agronomia, ganha bolsa de Permanência e Alimentação

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Abril 2009

Ensino: Assistência Estudantil

Universidade oferece diversos benefícios para estudantes Moradia, participação em estágio, intercâmbios, alimentação subsidiada, linha de ônibus Intercampi, atendimento na área de saúde, apoio na organização de formaturas são alguns serviços oferecidos pela UFPR

Simone Meirelles

simonerm@ufpr.br

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uem estuda na UFPR tem acesso a uma série de benefícios oferecidos para a comunidade universitária, que vão desde cuidados básicos como moradia, alimentação e transporte até oportunidades de participação em estágios, pesquisas e intercâmbios. Seja através de bolsas de estudos ou com a mera identificação como membro da comunidade universitária, essas facilidades são acessíveis a todos. Estudantes que vêm de outras cidades podem pleitear uma vaga nas casas de estudantes, como a Casa da Estudante Universitária de Curitiba, que pertence à UFPR, Casa do Estudante Universitário de Curitiba, Casa do Estudante NipoBrasileiro de Curitiba, Casa do Estudante Luterano Universitário e Lar da Acadêmi-

ca de Curitiba. Os valores mensais são reduzidos e ainda existe a possibilidade da Universidade conceder bolsa no valor total aos que provarem precisar do auxílio. Além da moradia, existem bolsas alimentação e permanência, criadas para viabilizar o estudo dos alunos na UFPR (veja matéria na página 3). Os Restaurantes Universitários servem refeições subsidiadas para a comunidade universitária, em três subsedes, localizadas nos campi da Reitoria, Centro Politécnico e Agrárias. Atualmente, os acadêmicos pagam R$ 1,30 pelo almoço ou jantar, servidores técnicoadministrativos, R$ 1,90 e professores pagam R$ 2,40. Para o transporte diário, o ônibus próprio da universidade faz a linha Intercampi, ligando os campi Centro Po-

litécnico, Jardim Botânico, Reitoria, Agrárias, Comunicação e DeArtes. A passagem é gratuita, bastando apresentar o comprovante de que o usuário faz parte da comunidade universitária. A frota da instituição também pode ser disponibilizada para levar os alunos a congressos e eventos. Para o programa são disponibilizados: transporte terrestre em ônibus da própria frota da instituição ou ainda passagem terrestre em ônibus de linha. Na área de saúde, o Sistema Centro de Atenção à Saúde (Casa) oferece consultas médicas em diversas especialidades, como clínica geral, ginecologia e acupuntura, além de serviços odontológicos. Havendo necessidade, a unidade faz o encaminhamento ao Sistema Único de Saúde e ao

Hospital de Clínicas. Nas diversas empresas juniores, os estudantes podem colocar em prática o que aprendem nas salas de aula. Atualmente, são 15 empresas em funcionamento, em áreas que vão de Engenharia Industrial Madeireira a Turismo. Para saber como participar basta informar-se na coordenação do curso. A UFPR tem uma política de estágios, mantendo convênios com diversas empresas agenciadoras do setor. O estágio curricular, seja obrigatório ou não, tem a função de propiciar ao estagiário o aprendizado social, profissional e cultural. É a oportunidade para que os estudantes vivenciem no dia a dia a teoria, absorvendo melhor os conhecimentos, podendo refletir e confirmar sobre a sua escolha.

Leonardo Bettinelli

RU No Restaurante Universitário, refeições subsidiadas

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Abril 2009

Fotos: Manuela Salazar

Atividades artísticas abertas a todos Interessados em arte podem se habilitar a vagas nos Grupos Artísticos da UFPR. As seleções são informadas periodicamente no site da instituição, o www.ufpr.br. Cada grupo tem pré-requisitos próprios, alguns exigindo menos, outros mais conhecimento da atividade envolvida. A Téssera Cia. de Dança tem atuação de nível profissional e 25 anos de existência, com 35 bailarinos. Eles são provenientes da Escola de Dança Moderna da UFPR, que tem carga horária maior que um curso superior de dança, incluindo, além de aulas práticas, disciplinas teóricas como História da Arte. Outros grupos artísticos abertos à comunidade são a Orquestra Filarmônica, o Coral, o Grupo de MPB e a Companhia PalavrAção de Teatro. Também são ofertadas aos estudantes Bolsas Cultura, de R$ 300,00 mensais, para trabalhos de apoio às atividades artísticas.

Estudantes com necessidades especiais podem contar com o Núcleo de Apoio às Necessidades Especiais, que oferece equipe multiprofissional; programa de apoio psicológico; laboratório de acessibilidade com adaptação de mobiliário, softwares e equipamentos de informática para a acessibilidade aos meios midiáticos; sala de aula com acessibilidade acústica para alunos com deficiência auditiva (sediada no Setor de

Educação), além de implementar políticas de inclusão. O Núcleo é vinculado à PróReitoria de Graduação. Quem já está quase se formando pode contar com o apoio do Cerimonial da universidade. Essa é uma unidade que atua na organização de eventos e orienta gratuitamente as comissões de formatura quanto às normas da UFPR para as cerimônias.

Onde obter informações - Bolsas de Apoio Estudantil (Moradia, Alimentação, Permanência) Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis - Rua Dr. Faivre, 405, 1º andar. 3360-5221 - 3360-5168 - 3360-5391 - 3360-5175 | E-mail: prae@ufpr.br

- Restaurantes Universitários

Central – Rua Amintas de Barros, s/n Centro Politécnico - Rua Cel. Francisco H. dos Santos, 100 Agrárias – Rua dos Funcionários, 1540 Cardápio semanal - http://www.progepe.ufpr.br/cardapio1.html

- Ônibus da UFPR

O roteiro e os horários estão no site www.prae.ufpr.br

- Sistema CASA

CASA 3 – Centro Politécnico, próximo ao RU: 3361-3066 e 3361-3643 CASA 4 – Setor de Ciências Agrárias - 3350-5776 CASA 5 – Centro de Estudos do Mar, Pontal do Sul | Fone (41) 3455-1333 Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas – www.progepe.ufpr.br

- Estágios

Pró-Reitoria de Graduação - Praça Santos Andrade, 50 3310-2767 - 3310-2621 | Site www.prograd.ufpr.br

- Grupos Artísticos e Bolsa Cultura

Pró-Reitoria de Extensão e Cultura, no site www.proec.ufpr.br

- Bolsas Monitoria e Licenciar

Informar-se na coordenação do curso ou na Prograd.

- Empresas Juniores

Informar-se na coordenação do curso ou na Prograd.

- Núcleo de Apoio às Necessidades Especiais (NAPNE) Prograd - 3310-2698 | E-mail: napne@ufpr.br

Rua XV de Novembro, 1299, 2º andar | (41) 3360-5028

- Bolsa de Iniciação Científica

Pró-Reitoria de Pesquisa e Pró-Graduação - Rua Dr. Faivre, 405, 1º andar. 3360-5405 | E-mail: prppg@ufpr.br

Douglas Fróis

- Cerimonial

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Ensino: Novos Alunos

Abril 2009

Pais participam pela primeira vez da recepção aos calouros Uma iniciativa inédita no início do ano letivo trouxe os pais dos calouros para a UFPR. A intenção foi mostrar a seriedade dos programas de ensino e estabelecer parcerias profissionais

Maria de Lurdes Welter

lurdes@ufpr.br

T

razer a sociedade para dentro da UFPR. Foi com esse pensamento que a direção do Setor de Ciências Sociais Aplicadas e coordenadores do curso de Engenharia de Produção recepcionaram os novos alunos na primeira semana de março. A prática é comum da pré-escola ao nível médio, mas não como no ensino superior, que é visto como a passagem para a vida adulta, pai e mãe nunca foram lembrados. “Percebemos que muitos só entravam na UFPR no dia da formatura”, destacou a coordenadora da recepção no Setor de Ciências Sociais, Adélia Junglos Alves. Dos 500 pais convidados para conhecer os laboratórios, salas de aula e conversar com professores, dos cursos de Administração, Ciências Econômicas, Contabilidade e Gestão da Informação, 10% deles compareceram. Puderam ter uma noção das atividades que serão desenvolvidas, das disciplinas ofertadas, oportunidades de estágio, linhas de pesquisa, além da possibilidade de bolsas e de intercâmbio

com instituições nacionais e de outros países. Além disso, de acordo com o diretor do setor, professor Vicente Pacheco, a preocupação foi dar transparência à festa de recepção para mostrar aos pais que não haveria trote violento. Esses pais têm agora um cadastro e passam a receber informações sobre encontros, palestras e promoções da área na UFPR. Eles também serão convidados para assistir as conferências. “Ampliamos nosso horizonte e passamos a pensar na família”, destaca o professor Pacheco. Encontros frequentes A empolgação dos pais dos estudantes do curso de Engenharia da Produção nesse primeiro contato foi tão grande que eles chegaram a sugerir encontros mensais. A intenção do coordenador Volmir Wilhelm e da vice-coordenadora, professora Adriana de Paula Lacerda Santos, além de contar como o curso funciona, foi a de pedir o apoio dos pais vislumbrando possíveis parcerias para visita a indústrias da área. “Muitas vezes um pai

RECEPÇÃO Pais de alunos no Setor de Ciências Sociais Aplicadas

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Fotos: Maria de Lurdes

CALOURA A estudante Analiz e sua mãe, Denise Buiar

conhece ou até é dono de empresa que possa permitir uma visita técnica dos alunos para enriquecer as aulas práticas e até desenvolver projetos de pesquisa”, disse Adriana. “Esse contato foi muito importante, porque se a gente sabe das demandas, pode colaborar”, destacou o pai de um aluno. A mãe de outro estudan-

te, entusiasmada, declarou estar sentindo o momento como extensão da sua casa e que agora ficaria mais segura e tranquila. Diversos pais declararam que há três décadas estudaram na UFPR e agora estavam vendo que os problemas eram semelhantes. Todos elogiaram a iniciativa dos coordenadores e prometeram apoio.

Pais se preocupam com uso de drogas Uma preocupação de todos os pais foi em relação ao consumo de drogas, nas regiões próximas e também nas áreas da UFPR. Eles cobraram programas de prevenção e chegaram a sugerir policiamento nos campi. “A UFPR não é uma zona de exclusão e, por isso, precisa desenvolver projetos para salvar os jovens “, declarou a mãe de uma aluna. Outro pedido foi a criação de um sistema para controle no acesso às salas de aula. Pais e mães consideram que “qualquer um pode entrar nas salas”. Além disso, eles sugeriram que a UFPR realize campanhas internas de educação no trânsito, principalmente no Centro Politécnico. Os pedidos foram anotados e encaminhados para as áreas responsáveis. Alguns alunos acompanharam os pais no encontro. É o caso de Analiz Buiar, estudante do terceiro ano e integrante da primeira turma do curso. Ela participou ao lado da mãe, Denise Buiar, professora da UTFPR. Ambas saíram satisfeitas. O curso de Engenharia de Produção é um dos mais novos. Foi criado há apenas três anos e conta com 120 alunos.


Ciência e Tecnologia: Legislação

Abril 2009 Marcello Casal Jr / ABr

Juristas preparam reforma do Código de Processo Penal Membro da comissão que debate o assunto no Senado, professor da UFPR afirma que desafio é superar o caráter autoritário do atual código, em vigor há quase 70 anos

Fernando César Oliveira

fernando.oliveira@ufpr.br

A

comissão de juristas formada pelo Senado Federal para elaborar um anteprojeto de reforma do Código de Processo Penal irá apresentar nas próximas semanas um esboço preliminar da proposta. O resultado do trabalho será submetido à consulta pública através da internet, para o envio de sugestões e críticas. Também serão realizadas audiências públicas sobre o tema, em todas as regiões do país. O Código de Processo Penal regula o trâmite que vai desde a investigação criminal até a sentença judicial e seus recursos. O código atual possui 811 artigos. Entre os desafios da reforma estão agilizar o trâmite dos processos e assegurar o pleno exercício das garantias individuais. “No processo penal, o tempo razoável é o que concede ao juiz as condições para tomar uma decisão de forma correta”, afirma Jacinto Nelson de Miranda Coutinho, professor titular de Direito Processual Penal da UFPR, um dos nove juristas que integram a comissão, instituída pelo Senado em julho de 2008. “Fizemos um grande esforço, mas não somos os donos da verdade. Por isso, queremos receber contribuições ao texto nas audiências públicas.” No último mês de dezembro, os trabalhos da comissão foram prorrogados por mais seis meses. Até julho, a proposta deve

ser enviada à presidência do Senado, para se transformar em projeto de lei. Sugestões podem ser feitas através do site www.senado.gov.br/novocpp. Até o início de abril, a comissão já tinha recebido cerca de 350 contribuições, a maioria enviada por e-mail. Código autoritário O processo penal brasileiro é regulado pelo decreto-lei 3.931, de 1941. Na época, vigorava a Constituição de 1937. Há vários dispositivos autoritários do atual código incompatíveis com princípios democráticos e relativos à dignidade humana estabelecidos pela Constituição de 1988. Entre esses princípios estão a garantia da presunção de inocência, o direito à ampla defesa, o direito de permanecer calado e o direito à assistência por defensor na investigação criminal. “O Código de 1941 tem uma tradição inquisitorial que precisa mudar para se adaptar à atual Constituição”, afirma Coutinho. “O juiz responsável pelo julgamento, por exemplo, não pode correr atrás das provas do processo, para não sofrer influência da fase de investigação.” O professor explica que é preciso evitar que o magistrado faça juízos antecipados e provavelmente errôneos. “É importante ter um juiz imparcial, equidistante das partes.”

Alterações Entre as mudanças do Código de Processo Penal sugeridas pela comissão de juristas está a fixação de um número par de jurados na composição do tribunal do júri. No caso de empate, prevaleceria a tese da defesa, pela possibilidade de dúvida relevante em relação à culpabilidade. A mudança evitaria decisões apertadas entre os jurados. “Também queremos tirar a burocracia dos inquéritos policiais, para dar mais agilidade às investigações”, informa Jacinto Coutinho. “Em alguns casos, ao invés de chamar testemunhas para depor, o investi-

gador poderia se deslocar até as testemunhas.” Questionado se no Brasil os ricos, por se servir de melhores advogados, gozam de benefícios diante do poder judiciário, o professor da UFPR defende a isonomia do acesso à justiça. “Não temos nada que reclamar sobre a atuação dos advogados quando eles agem corretamente, fazendo cumprir a Constituição, algo que deveria acontecer para todos”, afirma Coutinho. “A reforma que estamos discutindo irá colaborar para que a classe política venha a priorizar a defensoria pública, ainda não instalada completamente no Brasil.” J. Freitas / Agência Senado

JURISTAS Comissão formada pelo Senado elabora proposta de reforma do Código

Algumas das possíveis mudanças no Código de Processo Penal - Instituição do “juiz de garantias”. Ele seria responsável por controlar a legalidade da fase de investigação, e não pela sentença. - Possibilidade de aplicação de pena mediante acordo entre acusação e defesa, nos casos de crimes cometidos sem violência, como furto, por exemplo. - Instituição de um número par de jurados na composição do tribunal do júri. No caso de empate, prevaleceria a tese da defesa - Extinção das ações penais privadas. Crimes como injúria, difamação ou calúnia só chegariam ao Judiciário após avaliação do Ministério Público. - Fim da prisão especial para determinadas categorias ou conforme o grau de escolaridade. Caberia ao juiz decidir, em cada caso, a necessidade de o preso ser colocado em local diverso.

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Abril 2009

Ciência e Tecnologia: CNPq

Em dez anos, verba aplicada pelo CNPq na UFPR quase triplica Recursos aplicados pelo órgão em bolsas e fomento à pesquisa na universidade subiu 194%, de 1997 a 2007. O resultado traz a UFPR para a 14ª posição do ranking de verbas Izabel Liviski

RESULTADO Exposições do Evento de Iniciação Científica (Evinci) da UFPR, quando os alunos bolsistas da graduação apresentam suas pesquisas

Manuela Salazar

manuela.salazar@ufpr.br

O

valor aplicado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) em bolsas e fomento à pesquisa na UFPR cresceu 194% na última década. Entre os anos de 1997 e 2007, o valor recebido pela universidade passou de R$ 6,7 milhões para R$ 19,7 milhões. O resultado fez a UFPR subir da 21ª para a 14ª posição no ranking das instituições do país. “O crescimento se traduz num desenvolvimento da própria instituição nas áreas de ensino, pesquisa e extensão”, afirma Sérgio Scheer, titular da Pró-Reito8

ria de Pesquisa e Pós-Graduação (PRPPG) da UFPR. Ele acredita que o aumento também responde às demandas da sociedade na medida em que oferece material de pesquisa voltado para áreas como saúde pública, política e desenvolvimento tecnológico entre outras. Segundo Scheer, para que os números de investimentos cresçam ainda mais é preciso aplicar mais verbas da própria universidade. “Também é preciso promover mais mecanismos de divulgação de editais de financiamento para pesquisas”, completa. Para essa gestão a PRPPG pretende criar uma

Unidade de Apoio ao Pesquisador para dar mais transparência às oportunidades e aumentar o acesso às bolsas de pesquisa. O crescimento é mais bem percebido quando se observa os números de bolsas ofertadas. No âmbito da graduação, o CNPq investe na UFPR com 393 bolsas de iniciação científica – 84 ofertadas diretamente pelo conselho. As demais são ofertadas em parceria entre o CNPq e a UFPR: 309 no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic) e 10 no Programa de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (Pibit).

Além disso, como parte de contrapartida da própria universidade, existem outras bolsas de iniciação científica. Há 160 bolsas financiadas com recursos da própria universidade e 64 bolsas da Fundação Araucária. A partir de 2009 o Programa Reuni na UFPR começa a ofertar um total de 60 bolsas nesta modalidade. Existem ainda 376 estudantes voluntários cadastrados, o que totaliza mais de mil estudantes de graduação envolvidos com projetos de iniciação científica. “A iniciação serve para despertar uma vocação para a pesquisa frente às atividades cotidianas da graduação”, afirma Scheer.


Abril 2009

Científicas Investimentos também na pós-graduação

N

o âmbito da pós-graduação, os números também crescem. Aproximadamente 36% dos mestrandos da UFPR recebem algum tipo de auxílio; no doutorado, esse número sobe para 45%. Neste ano, o Reuni oferece ainda mais bolsas que em 2008: são 218 para mestrado e 154 para doutorado. O CNPq oferece 155 bolsas para mestrado e 122 para doutorado. O Programa de Fomento à Pós-Graduação (Prof) da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pes-

soal de Nível Superior (Capes) oferece 449 bolsas para mestrado e 207 para doutorado. Outras bolsas atendem a 45 mestrandos e 22 doutorandos. De acordo com Sérgio Scheer, os recursos para pesquisa são muito importantes porque se traduzem em mais resultados e maior produção científica com publicações em eventos e em periódicos científicos. Segundo ele, a partir dos conhecimentos científicos, as pesquisas aplicadas possibilitam as atividades de desenvolvimento

tecnológico com processos e produtos novos ou inovadores, respondendo a demandas e anseios da sociedade. Em associação com as atividades de ensino e extensão, a pesquisa contribui na formação profissional e acadêmica. “Graduação, mestrado e doutorado são etapas de um processo de formação de pesquisadores”, diz Scheer. “É como uma cadeia de trabalho na qual cada um tem algo a ensinar e algo a receber.”

Em números - bolsas de pesquisa Para a graduação

Para a pós-graduação

CNPq - 394 bolsistas: - 84 direto no ‘balcão’ do CNPq - 309 no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic) - 10 Programa de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (Pibit)

Mestrado:

Verbas da Universidade (UFPR/Tesouro Nacional) - 160 bolsistas

Programa de Fomento à Pós-Graduação da Capes (Prof/Capes) - 449 bolsistas Reuni - 123 bolsistas CNPq - 155 bolsistas

Fundação Araucária - 64 bolsistas

Outras bolsas - 45 bolsistas

Reuni - 60 bolsas

Doutorado:

Voluntariado - 376 bolsas Izabel Liviski

Programa de Fomento à Pós-Graduação da Capes (Prof/Capes) - 207 bolsistas Reuni - 64 bolsistas CNPq - 122 bolsistas Outras bolsas - 22 bolsistas Laboratório de Biocombustíveis da UFPR

Biblioteca Digital A Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFPR é o terceiro maior repositório do país e o 198º maior no mundo, conforme o Ranking Mundial de Repositórios da Web. Entre outros materiais, o arquivo da biblioteca possui cerca de quatro mil teses e dissertações, e aproximadamente seis mil artigos científicos, de 32 periódicos produzidos dentro da universidade. No ranking nacional, a UFPR fica atrás apenas das bibliotecas da USP e do STJ.

Credenciamento O Laboratório de Tecnologia da Madeira (LTM) da UFPR recebeu a acreditação do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) para ensaios com madeira. Acreditação é o reconhecimento da competência de um órgão para desenvolver tarefas específicas. Significa que o laboratório está organizado segundo princípios internacionais. O LTM torna-se, em sua categoria, o primeiro laboratório de instituição de ensino público federal a pertencer à Rede Brasileira de Ensaios do Inmetro.

Telemedicina O Hospital de Clínicas da UFPR inaugurou em março o seu núcleo da Rede Universitária de Telemedicina. Entende-se por telemedicina o exercício da medicina através da utilização de metodologias interativas de comunicação audiovisual e de dados. A rede contribui para melhorar a qualificação dos profissionais, por meio de inovações na área de educação em saúde, e para melhorar o atendimento aos pacientes, através dos processos de prédiagnóstico e da avaliação do atendimento médico.

Novo combustível A UFPR integra um grupo de pesquisa que está desenvolvendo uma espécie de bioetanol de segunda geração. Trata-se do álcool fabricado a partir do bagaço de cana-deaçúcar —hoje usado somente na produção de energia elétrica. Com 1,6 milhão de euros obtido junto à União Européia, o contrato tem como objetivo de desenvolver uma tecnologia de biocombustível limpo e com boa relação custo-benefício.

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Abril 2009

Ciência e Tecnologia: Expedição

Instituto reúne pesquisadores brasileiros que atuam na Antártica Quatro pesquisadores da Universidade Federal do Paraná participam do recém-criado Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Antártico de Pesquisas Ambientais, que pretende fortalecer as pesquisa do país na região

Fernando César Oliveira

fernando.oliveira@ufpr.br

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Ministério da Ciência e Tecnologia instalou oficialmente em abril o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Antártico de Pesquisas Ambientais (INCT-APA). Trata-se de uma rede de pesquisa da qual participam mais de 40 pesquisadores ligados a 16 diferentes instituições brasileiras, distribuídas em oito unidades da federação. A iniciativa deve receber recursos da ordem de R$ 7,2 milhões ao longo dos próximos anos. O objetivo do instituto é estudar as mudanças ambientais que ocorrem na Antártica, o continente mais preservado e frágil do planeta. Sua atuação está focada na Ilha Rei George, onde está instalada a Estação Antártica Brasileira Comandante Ferraz, na chamada Baía do Almirantado. Foram pesquisas realizadas em território antártico que detectaram fenômenos como o aumento da temperatura global, o efeito estufa, o aumento do buraco da camada de ozônio e o aumento do nível dos oceanos. A UFPR participa do novo instituto através dos professores César de Castro Martins e Theresinha Absher, ambos do Centro de Estudos do Mar (CEM), e das professoras Lucélia Donatti e Flávia Sant’Anna Rios, ambas do Departamento de Biologia Celu10

lar. Também participam alunos de mestrado e de iniciação científica da universidade. Uma atribuição do INCTAPA é o monitoramento ambiental da baía, com estudos sobre o impacto que as atividades humanas têm causado sobre o ambiente local. O professor César Martins, do CEM, é responsável pelo monitoramento dos aportes de esgoto das estações de pesquisas para a baía. Nessa tarefa, utiliza marcadores químicos de poluição por detergentes e por matéria orgânica de origem fecal. Até 1995, o sistema de esgoto da estação se reduzia a um buraco cavado com pás e coberto com esteiras metálicas, dotadas de um orifício destinado à saída dos gases. Desde então, passou a ser tratado no próprio local, antes de ser lançado no ambiente. “Por mais eficiente que seja o processo de tratamento, ainda sobram bactérias e outras

substâncias”, explica Martins, que já esteve oito vezes na Antártica. “Mas o impacto é pequeno, apenas a descarga inicial foi considerada contaminada, e há uma diminuição bastante significativa a 50 metros da praia.” Já os resíduos lançados pela estação dos EUA na Antártica, por exemplo, que abriga mais de mil pessoas simultaneamente, apresentam vestígios a distâncias de até um quilômetro. “A estação norte-americana é tão grande que tem inclusive uma lanchonete de uma rede de fast-food dentro dela”, observa o professor. Peixes e invertebrados A professora Lucélia Donatti coordena o projeto que avalia a capacidade de adaptação fisiológica e metabólica dos peixes antárticos ao efeito da temperatura, da salinidade e do pH ambientais, bem como às concentrações eleva-

das de fluoreto, presentes no ecossistema antártico. Lucélia esteve na estação em seis oportunidades. “Trabalhar em um ambiente com características tão peculiares quanto o continente antártico é uma experiência única”, afirma. A professora Theresinha Absher, que atua no Laboratório de Moluscos Marinhos do CEM, colabora no projeto do instituto na área de pesquisa de larvas de invertebrados marinhos. Ela já perdeu a conta de quantas vezes esteve na estação Comandante Ferraz. “As larvas podem indicar a saúde do ambiente e algumas consequências de mudanças como o aquecimento global”, explica Theresinha. “Como vivemos num país tropical, onde as temperaturas da água variam entre 18 e 30 graus, é muito interessante pesquisar na Antártica, onde a temperatura da água está sempre próxima do zero grau.” Fotos: Arquivo Pessoal

BASE BRASILEIRA Atuação do instituto se concentra na Ilha Rei George, onde está a estação do país na Antártica


Abril 2009

O Programa INCT Os institutos nacionais de ciência e tecnologia foram criados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em parceria com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), fundações de pesquisa, Ministério da Saúde e BNDES. No total, foram criados 123 institutos, que receberão R$ 581 milhões nos próximos cinco anos. O programa pretende mobilizar e agregar, de forma articulada, os melhores grupos de pesquisa em áreas de fronteira da ciência e em áreas estratégicas, formar novos pesquisadores e estimular o desenvolvimento de pesquisa científica e tecnológica de ponta.

Saída de campo de pesquisadores para coleta de peixes na Baía do Almirantado

A Estação Brasileira A Estação Antártica Comandante Ferraz, na Ilha Rei George, foi inaugurada em 1984. Administrada pela Marinha do Brasil, a estação é formada por 62 módulos. Dotada de heliporto, a estação tem o apoio de um navio oceanográfico com 75,2 metros de comprimento. Atualmente abriga cerca de 60 pessoas, entre pesquisadores, técnicos e funcionários, militares e civis. A estação opera durante todo o ano. Geralmente os pesquisadores atuam no verão antártico, que vai de setembro a abril. Além do Brasil, outros seis países sul-americanos desenvolvem estudos no continente antártico: Brasil, Argentina, Chile, Equador, Peru, Uruguai e Venezuela.

Formada por 62 módulos, a estação brasileira é administrada pela Marinha

A Ilha Rei George Trata-se de uma das regiões da Terra mais sensíveis às variações climáticas. Suas características permitem que se detecte, precocemente, a resposta do ambiente às mudanças globais. Registros meteorológicos indicam um rápido aumento na temperatura atmosférica local ao longo dos últimos 50 anos, quatro vezes maior que a média mundial. Nesse período, a ilha perdeu 7% de sua cobertura de gelo. As maiores perdas de gelo já observadas no planeta, com destruição de mais de sete mil km², ocorreram nos últimos oito anos, a apenas 350 km da ilha.

Em meio século, a ilha perdeu 7% de sua cobertura de gelo

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Abril 2009

Gestão: nova universidade

Unila estabelece diretrizes baseadas no compromisso social Mais do que uma instituição de ensino superior, a UFPR é agora tutora de uma das grandes promessas para a educação: a Universidade da Integração Latino-Americana (Unila), em Foz do Iguaçu

Iasa Monique

iasamonique@ufpr.br

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Projeto de Lei 2878/08, que cria a Unila, está em tramitação na Câmara dos Deputados — já foi aprovado pela Comissão de Educação e Cultura e pela Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público, faltando apenas as comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e Cidadania, em caráter conclusivo. Enquanto o trâmite não é concluído a UFPR foi nomeada tutora, assumindo a responsabilidade pelas atividades iniciais da nova universidade. A Unila foi projetada para atender a urgência de um ensino superior que trabalhe as relações entre os países da América Latina, ao entender suas necessidades e estimular pesquisa e o desenvolvimento. Além da UFPR, a Unila conta também com o apoio da Itaipu Binacional, que cedeu temporariamente dois pavilhões do Parque Tecnológico da Itaipu (PTI) para abrigar as primeiras atividades.

Da Córdoba de 1918 para a América de 2009 Para organizar as ações de projeção e funcionamento da universidade, foi criada a Comissão de Implantação da Unila (CI-Unila), presidida pelo ex-reitor da UFRGS Hélgio Trindade. Além dele, outros onze profissionais fazem parte da Comissão, entre eles o professor Carlos Roberto Antunes dos Santos, ex-reitor da UFPR. A CI-Unila trabalha desde 2008 com um foco bastante definido: uma universidade que recolha os frutos da reforma universitária realizada em 1918 na Universidade de Córdoba, na Argentina, e levante a bandeira de uma formação superior baseada no compromisso social. E como trazer o ideal de compromisso social para o ensino superior de hoje? Para a Unila, a resposta está na inovação. Segundo o reitor da UFPR, Zaki Akel Sobrinho, embora a lista de cursos que serão oferecidos pela Unila

ainda não esteja definida, o critério comum já foi estabelecido: não serão ofertados cursos básicos, encontrados na maioria das instituições de ensino superior. “A Unila vai trazer um conceito diferente de ensino”, afirma o presidente da CI, Hélgio Trindade. Segundo ele, tal compromisso social será refletido na oferta de cursos de graduação e pós-graduação. “Entendemos a carência de uma instituição de ensino que compreenda as urgências do continente em que vivemos, do nosso próprio país e dos nossos vizinhos”, explica o professor. “Por isso, os cursos ofertados pela Unila terão sempre uma faceta voltada à realidade latino-americana”. O compromisso do qual fala Trindade será o diferencial presente no projeto pedagógico dos cursos. Uma proposta apresentada pela CI a instituições de ensino dos outros países traça um perfil experimental da graduação da

Unila: na área de Humanas, por exemplo, são cogitados os cursos de Relações Internacionais e Direito Comunitário, História e Pensamento Social da América Latina e Economia, Desenvolvimento Regional e Integração. Para a área de Ciências são estudados, entre outros, os cursos de Saúde Pública ou Coletiva e Energias Renováveis para o Desenvolvimento; e para a área de Letras, Artes e Comunicação, cogita-se cursos de Licenciatura em Artes e Cultura Latino-Americanas e Literatura Comparada e Identidade Social na América Latina. A princípio, as grades curriculares da graduação terão uma estrutura que será comum durante os dois primeiros semestres, voltada à formação humanística. Todos os cursos serão ministrados em português e em castelhano e organizados em abordagens inter e transdisciplinares. Em 2009 foi criado o InsFlávio Zanette

2009 O cronograma da CI-Unila prevê reuniões mensais até o começo das atividades

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Abril 2009 Assessoria de Comunicação do MEC

COMISSÃO DE IMPLANTAÇÃO Gerónimo de Sierra, Marcos Costa Lima, Carlos Antunes , Ingrid Sarti, Célio Cunha, Stela Meneghel, Fernando Haddad (Ministro da Educação), Hélgio Trindade (presidente CI-Unila), Paulino Motter, Alessandro Candeas e Rafael Perseghim del Sarto

tituto Mercosul de Estudos Avançados, órgão integrante da Unila. O Instituto é responsável pela formação de cátedras especializadas em diversas áreas da educação, como Economia, Ciências da Saúde e Direito, por exemplo. “As cátedras são formadas por professores especialistas nas diversas áreas do conhecimento, representantes de vários países da América Latina”, explicou o professor Trindade. “Serão eles os responsáveis por estudar o projeto político-pedagógico dos cursos e planejar as atividades de ensino, pesquisa e extensão”, completou o professor. O Instituto já foi sediado em um dos pavilhões cedidos pela Itaipu, e deve começar a funcionar a partir do segundo semestre. Quem vai integrar a Unila? Uma das primeiras decisões firmadas em relação à

Unila diz respeito à forma de acesso: o vestibular tradicional, utilizado pela maioria das universidades brasileiras, dará lugar a um processo seletivo alternativo, comum entre os demais países da AL. O candidato a uma vaga da Unila será avaliado, primeiramente, pela nota obtida no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que será somada à classificação no Exame de Línguas. A resolução acompanha a discussão atual promovida pelo MEC, que propõe a unificação dos vestibulares de instituições federais e a substituição da primeira fase do processo pela prova do Enem. A Comissão de Implantação da Unila espera que, ao estabilizar as atividades, a universidade comporte cerca de 10 mil alunos e 500 professores — metade de origem brasileira e, a outra metade, dos demais países da América Latina.

Itaipu Binacional

A criação da Unila é fruto de uma iniciativa do Ministério da Educação (MEC) para a ampliação e o aprimoramento do ensino superior no país. Serão quatro novas instituições: além da Unila, são planejadas a Universidade Federal Fronteira Sul (com sede no RS), a Universidade da Integração da Amazônia e a Universidade Luso-Afro-Brasileira (sediada no Nordeste). O projeto arquitetônico já foi aprovado: é de autoria do arquiteto Oscar Niemeyer

A Biblioteca da Unila (BiUnila) contemplará, além das salas de leitura, áreas disponíveis para reuniões, seminários e videoconferências, além de auditórios. A idéia é proporcionar integração. A área da Biblioteca será de 14 mil m², divididos em três pavimentos, e comportará cerca de 300 mil livros Itaipu Binacional

Divulgação Unila

A logo da Unila foi desenvolvida com base na idéia de integração e nos caminhos traçados pelos vinte e um países da América Latina. Os traços, curvados, foram moldados na forma do continente

A localização da sede da Unila — o terreno de 39 hectares foi doa-do pela Itaipu no início de março —, na região fronteiriça, é uma das estratégias do projeto político-pedagógico da nova universidade. A escolha é fruto do ideal de integração defendido pela Unila: o corpo de alunos será formado 50% por brasileiros e 50% por estudantes dos demais países da América Latina. O mesmo deve acontecer com os professores. As aulas serão ministradas em português e castelhano

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Abril 2009

Gestão: Parcerias

UFPR amplia diálogo com sociedade civil Ao longo dos três primeiros meses de gestão, o reitor Zaki Akel manteve contatos e abriu diálogo com diversos atores sociais e com os poderes públicos. A proposta é aproximar a Universidade da sociedade

Mário Messagi Jr

Dennis Ferreira Neto

messagi@ufpr.br

G

overno do Estado, prefeitura municipal, universidades públicas, classe empresarial, sociedade civil e governo federal juntos, pelo desenvolvimento regional do Paraná. Este quadro foi realizado no último dia 3 de abril, no Sebrae, durante o lançamento do projeto OCDE-Paraná, cujo objetivo é colocar as universidades em contato com a sociedade para que elas deem suporte ao desenvolvimento social, econômico e ambiental da região. O trabalho é pioneiro no Brasil. A colaboração da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) se dá através do projeto Supporting the Contribution of Higher Education Institutions to Regional Development. É uma atividade do Programa de Gerenciamento de Educação Superior da OCDE (OECD Programme on Institutional Management on Higher Education – IMHE) e será realizado no período 2008-2010. O comitê consultivo do projeto é composto por Zaki Akel Sobrinho, reitor da UFPR; Carlos Eduardo Cantarelli, reitor da UTFPR; Wrana Panizzi, vice-presidente do CNPq; Rodrigo Costa da Rocha Loures, presidente da Fiep; Jefferson Nogarolli, presidente do Sebrae-PR; Juraci Barbosa Sobrinho, diretor da Agência Curitiba de 14

DESENVOLVIMENTO Mesa de abertura do lançamento do projeto OCDE-Paraná, no auditório do Sebrae

Desenvolvimento; Lygia Pupatto, secretária de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior; e Belmiro Valverde, presidente do Movimento Pró-Paraná. A coordenação regional cabe aos professores da UFPR Cássio Rolim e Mauricio Serra. Articulação Quando o reitor Zaki Akel assumiu a reitoria, o projeto já estava em andamento, mas a ação de apoximação com a sociedade civil e poderes públicos facilitou bastante as articulações. “Esta amplitude do projeto, este concerto de instituições é fruto desta abertura recente da Universidade”, diz Cássio Rolim. A escolha do Sebrae para o lançamento do projeto foi uma forma de simbolizar a aproximação da Universidade com outros atores sociais. “A universidade está indo falar com

a sociedade”, explica Cássio. Ampliar relações institucionais era fundamental. “A própria sociedade sentia a distância. Na campanha, isto ficou muito evidente”, relata Norton Nohama, assessor especial do Gabinete do Reitor. Coube a ele organizar a agenda externa do reitor e buscar a reaproximação com todos os segmentos sociais. O trabalho tomou boa parte do tempo dos três primeiros meses de gestão. Representantes do legislativo federal, estadual e municipal foram recebidos pelo reitor, que participou de uma sessão da Câmara dos Vereadores. Também foi feito um movimento de aproximação com as entidades empresariais, como o Sebrae, a Fecomércio, a Fiep, a ACP e a Ocepar. Da mesma forma, entidades de trabalhadores, como o Conselho de Enfermagem (Coren),

encontraram as portas da reitoria abertas. Por fim, membros do Judiciário e do Executivo, como o presidente do Tribunal de Justiça do Paraná, Carlos Augusto Hoffman, e o prefeito de Curitiba, Beto Richa, também foram recebidos ou visitados pelo reitor. Colaboração Mesmo quando as visitas não têm pauta específica, boas ideias de colaboração surgem. Muitas já estão frutificando. Com a prefeitura, por exemplo, além de pedir a liberação de mais verbas municipais para os hospitais ligados à UFPR, a reaproximação deve trazer para o Núcleo de Concursos os concursos públicos do município. Outra colaboração frutífera está surgindo com o governo federal e o projeto Centro Vivo da Associação Comercial do Paraná (ACP).


Leonardo Bettinelli

Abril 2009

A universidade, com apoio do deputado federal Ângelo Vanhoni, está apresentando o projeto do “Corredor Cultural”, que prevê a reforma do Prédio Histórico e do Teatro da Reitoria. Assim, o espaço que vai do Prédio Histórico até o prédio da reitoria, passando pelo Teatro Guaíra, se tornaria um centro de cultura da cidade, contribuindo com a revitalização do centro de Curitiba. O Prédio Histórico concentraria atividades culturais, espaços para apresentações e cursos na área de arte e cultura e museus. Vanhoni defendeu publicamente o projeto perante os secretários do MinC Célio Virilo e Roberto Nascimento, no último dia 7, no Teatro Fernanda Montenegro, durante debate sobre a Lei Rouanet. Para Vanhoni, o trabalho de aproximação é fundamen-

tal. “Quanto mais estreito este diálogo vivo com os diversos setores da sociedade melhor”, diz. O projeto do “Corredor Cultural”, segundo ele, depende desta articulação. “Na área de cultura, a proposta da universidade tem um impacto para Curitiba como não acontecia nos últimos 30 anos. Mas é necessário o esforço da prefeitura, do governo do Estado e da União”, defende. Segundo o reitor Zaki Akel, o sentimento de gratidão e o reconhecimento da importância da Universidade facilitam muito a aproximação. “Aonde eu fui, percebi o respeito que a Universidade tem. Eles não estão recebendo o Zaki Akel, mas o reitor da UFPR”, conta. Ele está estusiasmado com a receptividade. “Todo mundo nos recebe de portas abertas”, conclui.

CREA Proposta de novos mecanismos de contratação de obras Orlando Kissner

BETO RICHA Mais recursos para os hospitais e concursos públicos da prefeitura Leonardo Bettinelli

É relevante que a UFPR esteja

se abrindo cada vez mais para o relacionamento com a comunidade. O que precisamos é de um espaço permanente de diálogo para facilitar o entendimento daquilo que a academia produz e daquilo que o setor empresarial pode lhe demandar” Rodrigo da Rocha Loures, presidente da Fiep

FIEP Aproximação e parceirias entre universidade e setor produtivo Manuela Salazar

Juarez Veloso

ITAIPU Cooperação no processo de implantação da Unila

TJ-PR Consultoria em projetos do Centro Judiciário

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Abril 2009

Gestão: Palotina / Avaliação dos Servidores

Aquisição de imóvel dobra área do campus Palotina Fernando César de Oliveira

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UFPR adquiriu em Palotina uma área de 145 mil metros quadrados adjacente ao terreno atual da universidade no município. Com a aquisição, a área total do campus mais do que dobra — passa de 135 mil para 280 mil m². O imóvel, que pertencia ao Seminário São Vicente Pallotti, foi adquirido por R$ 1,96 milhão. Os recursos foram obtidos pela UFPR através da Secretaria de Ensino Superior do Ministério da Educação e do Programa de Apoio ao Plano de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni). Além do terreno, o seminário tem um prédio de três andares com 2,7 mil m² de área construída. A escritura do imóvel foi assinada em março pelo reitor

da UFPR, Zaki Akel Sobrinho, e pelo padre Paulo Horing, representante da Ordem São Vicente Pallotti. O plano diretor da universidade definirá o tipo de utilização do imóvel. Segundo o professor Luciano Bersot, vice-diretor do campus Palotina, a universidade sempre teve interesse na área, pela sua localização estratégica. “A área servirá para garantir a implementação do projeto de expansão do campus”, afirma Bersot. “Sem esta área, nosso projeto seria muito prejudicado.” No passado, parte do prédio foi alugada pela prefeitura para atender a demandas do curso de Medicina Veterinária. Atualmente, funciona no local o Restaurante Universitário e estão sendo implantados tanques para o curso de Aquicultura.

Arquivo UFPR/Palotina

fernando.oliveira@ufpr.br

VISÃO AÉREA da área adjacente ao campus Palotina, adquirida pela UFPR. O detalhe mostra o terreno adquirido, marcado em vermelho

Expansão de vagas Fundado em 1993, o campus Palotina da UFPR oferece hoje quatro cursos de Graduação: Medicina Veterinária, Tecnologia em Biocombustíveis, Tecnologia em Aquicultura e Tecnologia em Biotecnologia. Esses três últimos foram criados este ano.

Nos próximos dois anos, serão implantados os cursos de Ciências Biológicas com ênfase em Gestão Ambiental (2010) e de Agronomia (2011). Até 2008, o campus tinha aproximadamente 312 alunos matriculados. Em 2015, a estimativa é de que o total passe para 2,1 mil.

Avaliação dos servidores tem nova etapa Iasa Monique

iasamonique@ufpr.br

O

Plano de Avaliação de Desempenho (PAD), mecanismo elaborado pela Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (Progepe) para avaliar a atuação dos servidores técnicoadministrativos da UFPR, teve uma segunda etapa no mês de março. Reestruturado em 2008, o sistema de avaliação teve sua primeira etapa realizada no último mês de outubro. A partir da Lei Federal 11.091/05, que instituiu o Plano de Carreira dos Cargos Técnico-Administrativos em Educação, a Progepe desenvolveu um formulário com perguntas relacionadas ao ambiente de trabalho, às expectativas pessoais e à relação profissional do servidor 16

com a instituição. “O objetivo é incentivar a reflexão sobre o desempenho e o compromisso com a UFPR”, afirma Marinez Silva, chefe da Unidade de Avaliação da Progepe. O PAD, além de servir de base para a progressão por mérito profissional dos servidores técnico-administrativos, também tem o objetivo de diagnosticar situações que poderão propor ações para a política Institucional. O questionário é composto de questões de autoavaliação e de diagnóstico institucional. A avaliação terá quatro etapas. A primeira teve a participação de 2,8 mil dos 3,5 mil servidores da universidade, cujas notas foram somadas às notas atribuídas pela Comissão Própria de Avaliação. A institui-

ção recebeu nota de 1,24 numa escala até 2. A segunda etapa, finalizada em abril, contou com a participação de 3,2 mil servidores técnico-administrativos. Alguns resultados Questionados sobre o grau de satisfação acerca do número de servidores em sua lotação, numa escala até dez, os servidores atribuíram a média de 6,92. Quanto à necessidade de capacitar melhor a chefia imediata no que se refere a relações interpessoais, o grau de importância atribuído foi de 6,56. Dos servidores que participaram do PAD, 19% têm graduação e 27,3% concluíram cursos de especialização. Outros 45,2% planejavam iniciar o nível superior em 2009. Segundo a Progepe, os re-

sultados estatísticos da segunda etapa serão divulgados em maio. As etapas três e quatro estão programadas para os meses de março de 2010 e de 2011. Nas três primeiras, o peso maior é atribuído à autoavaliação. Na última etapa, a avaliação institucional terá maior pontuação. E como o servidor encara o PAD? “É um processo prático”, responde Mário Francisco Xavier de Aguiar, técnico-administrativo da UFPR há 23 anos. Segundo ele, as perguntas são de fácil entendimento e contemplam as principais preocupações do servidor. “Percebi muita gente satisfeita”, enfatiza. Sobre o processo de avaliar a si mesmo, a resposta também é direta. “Se o servidor for sério, vai responder honestamente”, afirma.


Cultura e Extensão: Dança Moderna

Abril 2009

Curso de Dança Moderna ensina primeiros passos para crianças Aproximadamente 70% das crianças e adolescentes que frequentam o Curso de Dança Moderna (CDM) pertencem à rede pública de ensino e residem nos bairros mais afastados

Sônia Loyola

sonial@ufpr.br

Izabel Liviski

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uitas dessas crianças brincam na rua, correm, andam de bicicleta, jogam bola, sobem em árvores. “Ao contrário do que se pensa, são essas brincadeiras que fazem os pequenos desenvolverem características de coordenação motora fina, uma habilidade espontânea de movimentos”, explicam o coordenador geral do curso, Rafael Pacheco e a coordenadora pedagógica, Cristiane Wosniak. Esta flexibilidade faz a diferença quando as crianças concorrem à seleção para o CDM, concordam os coordenadores. A mais recente ocorreu no período de 16 a 20 de março, reunindo para os testes mais de 390 candidatos. Destes, foram selecionados 170 para as etapas do Básico I, a partir dos 9 anos de idade; Básico II, a partir dos 10 anos; Intermediário I, a partir dos 11 anos; Intermediário II, a partir dos 13 anos; Acadêmicos I e II, a partir dos 14 e 15 anos; Adiantado I e II, a partir dos 16 e o Aperfeiçoamento, também a partir dos 16 anos. Teste Louise Morgane Santos Varela, de 9 anos, estava apreensiva na sexta-feira, 20 de março, enquanto esperava para fazer o teste. “Ela já dança na escola”, contou a mãe, Ana Lucia dos Santos, animada com a possibilidade da filha ingressar no curso. Mas a

SELEÇÃO Mais de 393 crianças disputaram vagas para o Curso de Dança Moderna

menina, inconsolável, chorava ansiosa. “Gosto de dançar”, foi o que conseguiu dizer entre lágrimas. Uma semana depois, já selecionada e participando da aula, Louise disse sorrindo: “dançar era tudo o que eu queria”. Um pouco mais calmas e na espera como Louise estavam as meninas Camila Algauer e Silva, 13 anos, Maria Clara Gaio Xavier, 11, Taiane Raupp Carneiro, 10, Rafaela Hasse, 11, Bárbara Carvalho de Albuquerque, 9, Jessica Muchinski, 13, Larimi Paixão da Silva, 12, Ana Carolina de Oliveira Freitag, 12, Geovana Procópio, 9, Nathaly Dittert, 10 anos e Eduarda dos Santos Pereira, de 8 anos. Em comum, todas declararam o gosto pela dança. Falaram também de suas experiências na área – Ballet Clássico e Contemporâneo, Jazz, Ginástica Rítmica, Dança Afro e até Teatro. Agora escolheram a Dança Moderna,

“mas já temos alguma noção”, ressaltaram. Divididas em várias turmas, iniciaram a prova. “Hora de dançar”, anunciaram entusiasmadas. Aprovadas Mostrando habilidade, postura e boa coordenação motora, assim como Louise, essas crianças e adolescentes são agora as futuras bailarinas. Dentre os demais aprovados, 15 são meninos com idades entre 16 e 17 anos, na maioria. “O hábito e a disciplina de frequentar diariamente as aulas são requisitos importantes para a formação dos bailarinos.

A atividade proporciona socialização, autoestima e conf iança para crianças e jovens

Uma das propostas do CDM é trabalhar os alunos enquanto indivíduos. Assim, a atividade proporciona a socialização, estimula para o trabalho em equipe, fortalece a autoestima, a segurança e a confiança das crianças e jovens”, explicam os coordenadores Pacheco e Cristiane. Outra meta da iniciativa é proporcionar o aprendizado e a prática da dança moderna gratuitamente. Acolhendo alunos pertencentes às comunidades interna e externa, o programa é realizado através da transmissão de conhecimentos teóricos e práticos, contemplando os segmentos da pesquisa e produção da cultura. O CDM promove anualmente um espetáculo de dança no Teatro da Reitoria, ocasião em que todos os alunos participam. Este ano, a apresentação está agendada para o período de 30 de novembro a 6 de dezembro. 17


Abril 2009

CARTAZ VENCEDOR do concurso de cartazes do Festival (reprodução). A data das inscrições ainda não foi definida pela comissão de organização do evento

O 19º Festival de Inverno da UFPR será realizado de 11 a 18 de julho, mas os preparativos já estão em andamento desde outubro de 2008

Lais Muramaki

lais@ufpr.br

U

m dos maiores eventos de cultura e extensão da UFPR, organizado pela Coordenadoria de Cultura da Proec, o Festival de Inverno completa dezenove anos de realização ininterrupta em Antonina, litoral do Paraná. A programação é escolhida democraticamente, através de seleção de propostas de oficinas e espetáculos enviadas de todo o Brasil, no período de novembro de 2008 a março de 2009. Este ano, 342 propostas serão avaliadas. Já a imagem que ilustra as 18

peças gráficas produzidas para o evento é escolhida através de concurso, que tem R$ 2 mil como prêmio. Criado em 1998, para a escolha do cartaz do 8º Festival de Inverno, o concurso da imagem gráfica deste ano recebeu 99 propostas. O vencedor foi Daniel Germano de Abreu, ilustrador e aluno do terceiro ano de Tecnologia em Design Gráfico da Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Abreu procurou “mostrar as pessoas aproveitando o Festival de Inverno, o clima, a cidade”. Para isso, utilizou uma fotografia tirada pela amiga Juliana Yumiko Takeuchi, durante o Festival de 2008. “Eu gosto de imagens mais limpas

Festival de Inverno já começou e a escolha das letras também tem relação com as bandeiras, pois têm movimento”, explica. A comissão julgadora foi formada por Alberto Puppi, professor do Departamento de Design da UFPR, Eduardo Nascimento, professor aposentado da UFPR e representante da Prefeitura de Antonina, Alexandre Magno, designer e diretor da Art Office Design e Wilson Voitena, chefe da Unidade de Apoio Gráfico da Proec. Segundo Nascimento, a escolha foi difícil pela diversidade de criações, mas o cartaz de Daniel de Abreu foi o selecionado pela inovação com relação aos cartazes de anos anteriores.

Prévia Apesar de ser realizado em julho, o 19º Festival de Inverno já chegou em Antonina, com espetáculos dos Grupos Artísticos da UFPR e oficinas. O coordenador de Cultura, professor Guilherme Romanelli, explica que “há uma demanda de ocupar mais o espaço da cidade com oficinas durante o ano”. Ainda no primeiro semestre, serão realizadas oficinas de ciências da terra, ofertadas por alunos de Geografia e Geologia, e de musicalização. Na área operacional, a equipe do evento fez sua primeira visita técnica a Antonina em março. “A equipe está com todo o gás, a prefeitura e todo o secretariado estão à disposição e a receptividade foi ótima”, avalia Romanelli.


Cultura e Extensão: Teatro

Abril 2009

Grupo Anticorpus representa sentimentos no palco No Hospital de Clínicas, o grupo de teatro Anticorpus, formado por funcionários e pacientes, utiliza as artes cênicas como forma de expressão, entretenimento e terapia

Manuela Salazar

maneira de extravasar o sentimento de tristeza”, conta. Outros participantes procuram proximidade com a arte ou já têm algum passado com o teatro. Marco Aurélio Garcia, a Ira na peça, e funcio-

nário do Setor de Radiologia, fez parte de um grupo que existiu no Hospital em 1996. “Gosto muito da experiência do Anticorpus, temos bastante liberdade para trabalhar e sugerir idéias”. Dois atores da Amor e Loucura são pacientes do Hospital de Clínicas, além de atores profissionais. Abílio Machado, que interpreta a Euforia, é paciente da Cardiologia e Edílson Meurer, a Inveja, paciente da Neurologia. “No caso dos pacientes, fazer teatro deixa a pessoa mais motivada”, afirma o diretor. Além do Anticorpus, a Companhia de Teatro PalavrAção, da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura também participou do Fringe, com as peças Porque o ogro vermelho chorou e A casa de Bernarda Alba.

Renildo Meurer

Manuela Salazar

Marco Aurélio Garcia trabalha no Setor de Radiologia do HC...

... e representa a Ira na peça do grupo Anticorpus

PRESTÍGIO O Reitor da UFPR Zaki Akel Sobrinho foi assistir a uma das apresentações de Amor e Loucura

Manuela Salazar

manuela.salazar@ufpr.br

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uriosidade, talento, inveja, preguiça, intriga, soberba, ira, euforia, ansiedade, inveja, entusiasmo, bom senso, amor e loucura... O que acontece quando se colocam todos esses sentimentos em um mesmo lugar? Esse é o enredo da peça Amor e Loucura apresentada pelo Grupo de Teatro Anticorpus na Mostra Fringe do Festival de Curitiba deste ano. Baseada em texto homônimo do escritor chileno Pablo Neruda, a peça foi adaptada pelo diretor do grupo, Renildo Meurer. “Há sentimentos negativos e positivos e devemos administrá-los sempre com bom senso”, explica. Formado por funcionários, pacientes e amigos do Hospital de Clínicas da Universida-

de Federal do Paraná, o grupo Anticorpus surgiu em 2003 para apresentar uma peça na Semana Interna de Prevenção de Acidentes de Trabalho (SIPAT). De lá para cá, o grupo se apresentou neste e em outros eventos do HC e em hospitais das redondezas. As peças eram voltadas para saúde e segurança no trabalho, mas em 2006 eles decidiram expandir o público com novos temas. Por que fazer teatro? De acordo com Meurer, alguns membros ingressaram no grupo pela recreação da atividade, outros, como terapia. “O ambiente hospitalar é muito estressante”, afirma. Eliana Pedroso, que representa a Curiosidade, é funcionária da Unidade de Urgência e Emergência do hospital. “Aqui só entram pacientes com risco de morte, o teatro é uma

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Abril 2009

Cultura e Extensão: Desenvolvimento

Extensão integra projetos voltados à economia solidária Projetos de extensão da Universidade alavancam comunidades paranaenses, agregando desenvolvimento sustentável, economia solidária e respeito ao meio ambiente

Sônia Loyola

sonial@ufpr.br

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liel Mendes acompanhou seu pai, Silas Mendes, desde o início do projeto de “Ostreicultura e Meio Ambiente”, na Baía de Guaraqueçaba, litoral do Paraná. Hoje, além de cultivador, Eliel é presidente da Associação dos Maricultores da localidade. O projeto, viabilizado pela UFPR há 15 anos, possibilitou um meio de sobrevivência para pescadores da região. Eliel é um exemplo vivo da transmissão dos conhecimentos sobre o manejo e a comercialização de ostras que já abraça duas gerações. Assim como ele, Mara Dias, de 21 anos, é chefe das mulheres que trabalham na agroindústria com a produção de banana passa e bala de banana. Aprendeu o ofício com o pai, Mário Dias, presidente da Associação dos Pequenos Produtores da Região de Batuva.

“É uma grande satisfação ver nos filhos o resultado de um trabalho de tanto tempo na região”, diz Marlene Walflor, coordenadora do projeto de “Desenvolvimento Sustentável em Guaraqueçaba”. “A base de tudo foi a formação humana na comunidade local. O conhecimento, principal ferramenta da atividade, viabilizou àquela população o entendimento de como viver dentro de uma área de proteção ambiental sem agredir o meio ambiente e tirando dele o seu sustento. Foi uma troca produtiva, uma herança usufruída agora por uma outra geração”, esclarece Marlene, gerente dos programas e projetos de extensão da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proec). Na localidade, além da “Ostreicultura e Meio Ambiente”; foram desenvolvidas ações em “Transição Agro-

ecológica”; “Alfabetização, Educação Ambiental e Educação em Saúde” e “Agrofloresta”. No caso da Ostreicultura, a preparação para as atividades do projeto envolveu a seleção de áreas próprias para cultivo e captação de larvas de ostras; implantação de campos de cultivo organizados de modo familiar; instalação de uma unidade de beneficiamento de moluscos e pescados e a organização da comunidade para a comercialização dos produtos. Cooperativismo Ainda na área de economia solidária, a coordenadora aponta o projeto de “Incubadoras Tecnológicas de Cooperativas Populares” – programa interdisciplinar de estudos e extensão em cooperativismo, associativismo e economia solidária, coordenado pelo engenheiro

florestal Denys Dozsa. Atualmente, a iniciativa está centrada no Município de Tunas do Paraná, no Vale do Ribeira. “O programa, que já completou dez anos, teve como norte as reivindicações dos movimentos sociais ocorridos no final dos anos 80 e início da década de 90 – a idéia principal era a criação de alternativas de trabalho e geração de renda”, esclarece o coordenador. “Com a crise socioeconômica que ocasionou as privatizações e consequentes demissões, foi necessário pensar numa forma de organizar os trabalhadores para a produção”, lembra o engenheiro. Implantado na UFPR desde 1999, o projeto intensificou suas ações e, além dos espaços urbanos, tomou as áreas rurais. “Trata-se de um programa interdisciplinar que procura trabalhar de maneira

Arquivo ITCP

INCUBADORAS Equipe ITCP realizando oficina de compostagem em Tunas

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Marlene Walflor

ILHA ROSA Projeto de Ostreicultura e Meio Ambiente


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Culturais indissociada o ensino, a pesquisa e a extensão”, enfatiza o coordenador. Educação e Solidariedade A atividade se direciona às comunidades populares, grupo que tem mais dificuldades de acesso a determinados bens, como alfabetização e saúde, e que deseja construir empreendimentos de economia solidária, esclarece Denys. Em Tunas no Paraná, a ação está sendo direcionada, há mais de um ano, para a comunidade de pequenos agricultores de Ouro

Fino. O grupo protagonista do processo de desenvolvimento, que iniciou com o trabalho de educação, saúde e cidadania, é formado por cerca de 22 famílias. A assistência está sendo rea-lizada por aproximadamente 20 acadêmicos de vários cursos – presentes no local a cada 15 dias – e cinco professores que participam de forma direta e indireta. “A organização dos trabalhadores é apoiada nos fundamentos da doutrina cooperativista que define os princípios comuns do trabalho coletivo. Para que isso aconteça de

forma ordenada é necessário que os grupos passem pelo processo das incubadoras e cumpram o tempo designado para receberem uma formação focada na autogestão. O objetivo principal é viabilizar as ferramentas para que possam assumir o processo de gerir sua própria vida”, explica Denys. A educação para a área é desenvolvida de forma articulada, situando o trabalho num determinado contexto – público-alvo e local, acentuando em suas bases a preocupação com a comunidade como um todo.

Marlene Walflor

Outros projetos, iniciados em 2008, têm a mesma finalidade, informa Marlene. São os “Estudos da cadeia produtiva da mandioca como estratégia para o desenvolvimento da agroindústria familiar no litoral paranaense”; “Feiras agroecológicas: construir caminhos de inclusão social via processos de gestão de mercados com as comunidades de agricultores familiares do litoral paranaense”, ambos do Setor UFPR Litoral; “Condições de vida e trabalho dos catadores de material reciclável do Município de Piraquara”, do Setor de Ciências da Saúde e a “Implementação das alternativas para criação e consolidação da economia solidária do remanescente de quilombo João Surá, em Adrianópolis, Paraná”, do Setor de Ciências Agrárias.

MusA A exposição Desígnio, de Marília Diaz, em cartaz no Museu de Arte da UFPR, foi prorrogada até 30 de abril, por decisão do Conselho Deliberativo do MusA, pela densidade e importância das obras da ceramista no cenário paranaense. O MusA fica no Prédio Histórico da UFPR, na Praça Santos Andrade, e o horário de visitação é de segunda a sexta-feira, das 9h às 18 horas e aos sábados, das 9h às 13 horas. A entrada é gratuita.

MusA II No mês de maio, o MusA recebe o “Projeto Vila”, da UFPR Litoral, uma exposição de fotografias feitas por moradores da Vila Santa Maria, de Paranaguá. A abertura será no dia 04 de maio, às 12 horas, com a presença do grupo que realizou o trabalho e lançamento do “Álbum de Figurinhas”, com imagens da exposição e do Instituto Histórico e Geográfico de Paranaguá. Mais informações: 3310-2660.

Coral Como parte das atividades do 19º Festival de Inverno, o Coral da UFPR fará uma apresentação no Theatro Municipal de Antonina no dia 16 de maio, sábado, às 19 horas. A entrada é franca. No programa, “Membra Jesu Nostre” de Dieterich Buxtehude, executada pelo Madrigal e solistas. Mais informações: 3310-2832.

Participação A Coordenadoria de Desenvolvimento Social, em parceria com a FIEP/CPCE promoveu, no dia 17 de abril, o evento “Círculos de Diálogo”, um debate sobre as ações relacionadas aos oito objetivos do milênio, estabelecidos pela Organização das Nações Unidas, e que devem ser cumpridos até 2015. Mais detalhes sobre as ações desenvolvidas no Paraná podem ser obtidas no site www.nospodemosparana.org.br.

AGROINDÚSTRIA Mara Dias chefia a equipe de produção de balas de banana

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Entrevista: Ayron Dall’Igna Rodrigues

Em defesa da

diversidade linguística e cultural Mário Messagi Jr.

messagi@ufpr.br

A

ryon Dall’Igna Rodrigues é um dos linguistas mais respeitados do Brasil, sobretudo pelo trabalho de classificação das línguas indígenas brasileiras. No dia 3 de março recebeu o título de professor emérito da UFPR e proferiu a aula inaugural da Universidade. O vínculo com a UFPR é antigo: aqui ele se formou e iniciou, em 1960, sua vida de docente. “A Universidade Federal do Paraná é a ‘alma mater’, o lugar onde começou a minha carreira”, observou ele. Atualmente, aos 84 anos, Aryon dirige o Laboratório de Línguas Indígenas da Universidade de Brasília. Leia abaixo a entrevista concedida ao Notícias da UFPR.

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Notícias da UFPR — Como a linguística contribuiu para a compreensão científica do ensino de línguas naturais no Brasil? Aryon Dall’Igna Rodrigues — Temos duas vertentes. Uma é a gama de áreas que compõem o campo da linguística: a semântica, a sociolinguística, a sintaxe etc. A outra é a das línguas indígenas. O Brasil é um país que tem uma língua maciçamente majoritária. Num país com 180 milhões de pessoas, 95% são falantes de português. Apenas 5% ou menos são falantes de outras línguas. São cerca de 200 línguas indígenas e outras 30 línguas de minorias européias ou asiáticas. São línguas faladas aqui há mais de um século. E há dialetos, que são desenvol-

vimentos nos locais. Isso também é objeto de estudos científicos da língua. Já as 200 línguas indígenas estão em processo de desaparecimento. Muitas porque os falantes deixam de falar sua língua nativa por causa da

A cada língua corresponde uma cultura. Sem a língua, os índios não têm os meios de expressão adequados para a cultura deles, seja na área material, seja na área espiritual”

educação só em português ou até por extermínio dos índios, que ainda acontece. O Brasil é o terceiro país do mundo em diversidade linguística, mas não há governo disposto a preservar esta diversidade. N otícias — A língua é parte fundamental da cultura destes povos... Aryon — Justamente. A cada língua corresponde uma cultura. Sem a língua, os índios não têm os meios de expressão adequados para a cultura deles, seja na área material, técnicas, formas de preparar a comida, seja na área espiritual, as tradições, os mitos. Tudo isso tem que ser traduzido para o português. Este é um alerta. As culturas humanas estão diminuindo, e o mundo está correndo o risco de se tornar


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Fotos: Izabel Liviski

menos diverso e mais pobre intelectualmente. N otícias — Então o trabalho da lingüística não é apenas científico, mas também político? Aryon — Por isso não temos que estimular o ensino da língua e mudar o sistema de escolarização. A Constituição determinou que a educação básica compete aos municípios, que não contam com especialistas que falem as línguas dos índios. Obrigados a abrir escolas em áreas indígenas, colocam lá professores que só falam português. Os alunos são obrigados a não usar a própria língua. Além disso, as crianças passam quatro horas nas escolas. O resultado é que elas não aprendem a própria cultura, não acompanham mais os pais na pesca, não aprendem a plantar. O ideal seria um projeto piloto, uma aldeia escola, feita por professores indígenas, que assegure a preservação da língua e da cultura indígena. N otícias — Aquilo que acontece com a imposição de uma língua franca, o inglês, em relação ao mundo, acontece também com o português em relação aos índios? Aryon — Exatamente. Às vezes é calculado para uniformizar linguisticamente,

porque é mais fácil administrar o país. Às vezes não. É porque não há alternativas. N otícias — A linguística é considerada hoje uma ciência madura. O quanto isso se deve a Ferdinand de Saussure? Aryon — A linguística como ciência começou no início do século XIX. A perspectiva era históricacomparativa. Saussure já chega no final do século XIX. O mérito dele foi ter superado o projeto filológico, que é muito importante. Mas ele abriu caminho para uma outra visão que enxerga a língua como sistema social, justificando estudar cada língua em si mesma, não apenas comparativamente. N otícias — Saussure funda um novo campo a partir de um movimento de redefinição do seu objeto de estudo. Deste ponto de vista, ele não é um grande epistemólogo também? Aryon — Sem dúvida. Como (Noam) Chomski, que redefine a relação da língua com a mente. Todos os seres humanos têm a mesma capacidade de usar a língua. Todos viemos preparados para aprender línguas naturais. N otícias — O senhor acredita numa gramática universal?

A produção escrita se estimula soltando as rédeas, não puxando as rédeas do purismo e da correção exagerada” Aryon — Sim. Os falantes aprendem qualquer língua. Se uma criança nascer aqui, vai aprender português, mas se for adotada por uma família japonesa vai aprender japonês. Não importa qual a língua, a criança está preparada para ela. Isso só é possível se houver princípios universais. Até onde vão estes princípios é uma questão que Chomski levanta, mas não resolve completamente. N otícias — A linguística contribuiu também para o ensino de língua portuguesa na escola fundamental e média? Aryon — Estão tentando levar o conhecimento linguística para o ensino na escola. O problema é o peso da tradição nas escolas. O esquema tradicional é aparentemente mais fácil. Inovar é sempre mais difícil. E tem a

pressão de ensinar logo. São milhões de crianças por ano. Por outro lado, a dificuldade é o preconceito. O ensino de língua é baseado em certos preconceitos. Um deles é de natureza purista: só haveria um jeito correto de falar e escrever. Não se reconhece a variedade natural das línguas. Parte-se da tese de que existem formas puras e formas degradadas. A produção escrita se estimula soltando as rédeas, não puxando as rédeas do purismo e da correção exagerada. N otícias — O senhor concorda que a escrita é fundamental para o exercício da cidadania? Aryon — Sim. Um analfabeto está roubado na sociedade letrada. Mas isso não tem a ver com a forma da escrita. O inglês, por exemplo, tem ortografias diferentes na Inglaterra e nos Estados Unidos e ninguém está nem aí para isso. Aqui no Brasil, de cinco em cinco anos tem reforma ortográfica, com imposição de novas grafias. N otícias — O que o senhor acha da reforma ortográfica? Aryon — É um movimento econômico. Vai ter que mudar tudo, substituir todos os livros. Não tem nada a ver com a própria língua. Não faz sentido algum, exceto para as editoras. 23


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Perfil: Heda Amarante

Os pés em casa,

o coração na UFPR e a cabeça

Mafalda — personagem das histórias em quadrinhos escritas e desenhadas pelo cartunista argentino Quino Manuela Salazar

na medicina

“Al fin de cuentas la humanidad no es nada más que um sandwich de carne entre el cielo y la tierra”

Sônia Loyola

sonial@ufpr.br

O

s novos alunos do Colégio Estadual do Paraná posavam para a foto tradicional na entrada do colégio. Era 1966. Quatro anos antes, a UFPR tinha construído um imponente edifício, o Hospital de Clínicas, que pairava no bairro ainda florescente. Orgulhoso da filha, André Luiz dos Santos disse: — Olha onde você vai trabalhar. Heda Maria Barska dos Santos Amarante, motivo de orgulho do pai, se formaria em medicina, como queria o militar e administrador André, e nunca mais esqueceria aquele dia. “Quando assumi a direção do hospital, veio-me a mente aquele dia distante da chegada ao colégio, a foto, e meu pai dizendo aquelas palavras, olhando para o hospital como se enxergasse o futuro”, conta Heda. O pai, no entanto, não imaginava que a filha chegaria à direção do HC, a primeira mulher a assumir o cargo em 50 anos. A médica tem na família, pai, mãe e irmãos, o alicerce de sua integridade e de seu sucesso profissional.

Agora, sou uma mulher bem sucedida e feliz. Conquistei todos os meus propósitos” Heda Amarante

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No dia a dia, Heda busca preservar os vínculos familiares. “Guardo com carinho esta boneca de pelúcia da minha personagem preferida, a Mafalda. Ganhei de minha irmã e a deixo sempre sobre minha mesa”, diz, mostrando a etiqueta com uma frase do cartunista Quino. Família Sem a família, Heda não poderia ser tão dedicada à UFPR como é. Em 1989, ela fez teste seletivo para uma vaga de professora substituta no Departamento de Clínica Médica. Era médica concursada no Estado e não poderia ter os dois empregos simultaneamente. Pediu demissão do emprego estável para assumir a docência com contrato de dois anos. Ficou um ano como voluntária no HC depois do fim do contrato, até voltar para a UFPR definitivamente em 1992, como médica, e em 1999 como professora. O marido Antônio Carlos Amarante sempre a apoiou. “O vínculo com a Universidade é o principal dela. Ela se dedica muito”, diz. O vice-reitor Rogério Mulinari, chefe do Departamento de Clínica Médica quando Heda começou a carreira, concorda. “A universidade não é um emprego para ela; é um projeto de vida”. A atitude de abandonar um emprego estável para entrar na UFPR “demonstra a importância que a universidade tem na vida dela”, diz.

CARINHO Com figuras angelicais, o cartaz foi produzido por crianças atendidas no HC

Dedicação Mulinari, colega de faculdade de Heda, conta que ela era uma aluna extremamente dedicada. Hoje, é uma das profissionais mais competentes do Brasil na área de doenças intestinais, com participação em grupos de pesquisa nacionais e internacionais. Como diretora clínica por dois anos, Heda conheceu o dia-a-dia do hospital, rotina que lhe concedeu uma visão ampla e a fez interessar-se pela área administrativa: “a metodologia é a mesma, mas é outra forma de encaminhar”,

reflete a professora. Segundo Mulinari, “ela entendeu a direção do HC como um grande desafio, dentro do ideal de servir a Universidade”. Por isso, largou a posição “confortável” de diretora clínica para assumir a direção geral. Trabalhar não a assusta. “Minha mãe sempre trabalhou muito como costureira”, conta Heda, sobre a mãe Ediwirges Barski dos Santos. A história se repete com ela, a quarta dos seis filhos do casal. “Sempre senti prazer em fazer algo bom para alguém”, finaliza.


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