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Notícias da

UFPR

www.ufpr.br | Ano 8 | Número 46 | Dezembro de 2009

Tesouro sob as águas Pesquisadores da UFPR apontam empecilhos do pré-sal, mas concordam que riqueza é inestimável página 13

Reuni deve investir R$ 250 milhões até 2012 pág. 8

Sistema vai monitorar alunos para evitar jubilamento pág. 4

Projeto Fibra já atendeu mais de 30 mil estudantes pág. 20


Outubro Editorial 2009

Opinião

Zaki Akel

Portal da Universidade Federal do Paraná

O ano de 2009 marcou o início de uma nova gestão. Foi um período de grandes mudanças com a reestruturação das equipes, elaboração de um novo planejamento estratégico, fortalecimento da avaliação institucional e implantação de uma nova dinâmica nos processos administrativos. A Universidade acelerou as licitações. Em 2010, vamos entregar um grande número de espaços novos e outros tantos revitalizados. O Coplad aprovou um novo Plano Diretor. Deste modo, garantiremos a infraestrutura necessária para a implantação do Reuni. Ao mesmo tempo, contratamos docentes e técnicos administrativos e investimos em capacitação, qualificação, saúde e bem estar. Avançamos muito na estruturação da pesquisa e pós-graduação, na extensão e na cultura. A assistência estudantil deu um grande salto para garantir a permanência de nossos discentes, incluindo um vigoroso programa de bolsas acadêmicas. A internacionalização foi intensificada e ampliada e os esforços de expansão e de melhoria da qualidade ocorreram em toda UFPR. Diversificamos as fontes de financiamento e aumentamos a captação de recursos, projetando um 2010 ainda melhor em termos de capacidade de investimento. Avançamos muito, contando com o apoio dos inúmeros parceiros dos diversos níveis do governo e da sociedade civil organizada. Vamos a passos largos rumo aos 100 anos, atendendo as demandas da sociedade paranaense, formando uma nova geração de profissionais e cidadãos e colaborando com a geração de ciência, tecnologia e inovação para o desenvolvimento social, econômico e cultural do Paraná. Assim, honramos os ideais de nossos fundadores.

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Um bom 2009; e um 2010 melhor ainda

Produzir conhecimento é inovar Sérgio Scheer

Pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação.

Inovar é o mote para tudo e todos. O mercado (para tudo e para todos, no sentido mais amplo) é ambiente de contínuo desafio pelas exigências crescentes, fomentadas pelos concorrentes e pelos clientes. Inovar é ir além de uma mera ideia. É fazer coisas novas. Inovar é transformar a criatividade em produto, serviço ou processo novo ou melhorado, como é entendido o conceito na atualidade. Além disso, inovação deve ter como consequência a geração de valor num sentido socioeconômico-ambiental à luz do ambiente organizacional que a demanda. Por isso, inovar é uma das principais missões de uma universidade e da produção de novos conhecimentos. No Brasil, cerca de 80% dos pesquisadores atuam no âmbito de universidades e centros de pesquisas públicas, enquanto nos países desenvolvidos essa atuação concentra-se no setor privado, empresas e indústrias. Atualmente a UFPR ocupa a oitava posição no ranking brasileiro de produção científica, sendo a décima quarta no âmbito sul-americano. Esta geração de conhecimento é impulsionada pelo trabalho em pesquisa de aproximadamente dois mil professores, dos quais 75% têm doutorado. Entretanto, as universidades são responsáveis por apenas 0,2% das patentes apresentadas ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Instituições de Educação Superior ainda encontram caminhos difíceis para fazer com que o desenvolvimento científico-tecnológico fique disponível para o setor produtivo. Para isso, Núcleos de Inovação Tecnológica (NITs), como a recém-criada Agência de Inovação, visam contribuir para que a produção de conhecimento chegue à sociedade brasileira e resulte em desenvolvimento econômico e social, com manutenção de qualidade do ambiente, isto é, em consonância com as ideias de sustentabilidade. A Agência de Inovação da UFPR é o resultado da junção de três unidades: o Núcleo de Propriedade Intelectual (NPI) criado em 2005, o Portal de Relacionamento criado em 2004 e o Núcleo de Empreendedorismo e Projetos Multidisciplinares (Nemps) criado em 2001, substituídas, respectivamente, pela Coordenação de Propriedade Intelectual, pela Coordenação de Incubadoras de Empresas de Base Tecnológica e pela Coordenação de Transferência de Tecnologia. A Agência é o local ideal para o pesquisador que deseja que sua pesquisa aplicada chegue ao setor produtivo e traga benefícios para a sociedade; para o empresário, que enxerga a Universidade como uma fonte de soluções para os problemas enfrentados diariamente em seus empreendimentos; para o cidadão comum que possui uma ideia inovadora, mas não tem condições de contratar serviços especializados no setor privado; para pessoas com visão empreendedora, que desejam começar seu próprio negócio, mas não sabem por onde começar. Enfim, a Agência será mais um instrumento facilitador para o incentivo e o desenvolvimento de inovações na sociedade brasileira.

Reitor da UFPR

O jornal Notícias da UFPR é uma publicação da Assessoria de Comunicação Social da Universidade Federal do Paraná. Rua Dr. Faivre, 405 - CEP: 80060-140 Fones: 41 3360-5007 e 41 3360-5008 Fax: 41 3360-5087 E-mail: acs@ufpr.br

Reitor Zaki Akel Sobrinho | Vice-Reitor Rogério Mulinari | Pró-Reitor de Administração Paulo Roberto Rocha Kruger | Pró-Reitora de Extensão e Cultura Elenice Mara de Matos Novak | Pró-Reitora de Gestão de Pessoas Larissa Martins Born | Pró-Reitora de Graduação Maria Amélia Sabbag Zainko Pró-Reitora de Planejamento, Orçamento e Finanças Lúcia Regina Assumpção Montanhini | Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação Sérgio Scheer Pró-Reitora de Assuntos Estudantis Rita de Cássia Lopes | Chefe de Gabinete Ana Lúcia Jansen de Mello Santana. Assessor de Comunicação Social e Jornalista Responsável Mário Messagi Júnior - Reg. Prof.: 2963 | Edição geral Letícia Hoshiguti | Editores Simone Meirelles (Ensino), Fernando César Oliveira (C&T), Mário Messagi Júnior (Gestão) e Lais Murakami (Cultura e Extensão) | Projeto Gráfico Iasa Monique Ribeiro | Diagramação Sandoval Matheus | Foto da Capa Izabel Liviski | Impressão Imprensa Universitária Revisão Edison Saldanha | Tiragem 10 mil exemplares

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Ensino: Novos Cursos

Outubro

2009

Setor de Educação Profissional e Tecnológica

busca sintonia com a sociedade Objetivo é atender às demandas dos setores produtivos por profissionais Letícia Hoshiguti leticiah@ufpr.br

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ensino técnico profissional vem ganhando uma nova dimensão no Brasil, e na UFPR não é diferente: o antigo Setor Escola Técnica agora é Setor de Educação Profissional e Tecnológica e a mudança não foi apenas no nome. A Reitoria vê o papel do novo setor como importante e necessário para a UFPR trabalhar em sintonia com as demandas da sociedade. Todos os cursos que correspondem às modalidades de nível médio, integrado ao ensino médio e pós-médio ofertados pela então Escola Técnica migraram para o recém-criado Instituto Federal do Paraná (IFPR). Com o novo setor, a universidade continuará investindo fortemente em cursos de tecnólogos. Da antiga grade, restou apenas o curso de Tecnólogo em Informática e foram criados com o Programa Reuni outros seis cursos de Tecnologia (veja quadro em destaque). Se por um lado toda essa mudança foi provocada pelo governo federal, que instituiu no final de 2008 a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica em todo país, também a própria UFPR já vinha trabalhando na perspectiva de um entrosamento maior com setores produtivos e suas necessidades por profissionais de todos os níveis. O reitor Zaki Akel Sobrinho se diz extremamente otimista com a nova unidade. Entende que, da mesma forma que o país precisa de jovens universitários, de visão ampla, com atuação nas pesquisas científicas, também necessita daqueles com formação mais prática, voltada para o mundo do trabalho. “O Brasil precisa de mais quadros, mais engenheiros, mais técnicos”, defende o reitor, lembrando que a missão da UFPR

nesse contexto precisa responder à seguinte questão: “Que universidade o Paraná quer que nós nos tornemos? Essa é a pergunta principal”, diz Zaki, lembrando que empresas como a Itaipu, Eletrobrás e Sanepar constantemente demandam profissionais qualificados à universidade. Em tempos de Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) e de bilhões de reais investidos pelo governo, o reitor vê como dever da universidade produzir os quadros que supram as necessidades dos diversos setores, desde os biocombustíveis, passando pelo turismo ou mercado imobiliário, entre outros. “E será um grande setor, com laboratórios de primeira qualidade para atendimento das demandas de ensino, tão bom quanto todas as áreas da universidade”, garantiu. Se por um lado o setor nasceu

com uma nova vocação, por outro há a preocupação de ser também um modelo. Para o professor Sávio Moreira, diretor pro tempore da nova unidade, o desafio é contribuir com novos modelos de projetos pedagógicos. Estão em discussão propostas que veem a oferta de novos cursos não com a lógica da expansão, mas de alternativas de formação não atendidas pelos modelos tradicionais. Aí, entrarão ingredientes como a análise do mercado, a contextualização da demanda, a vocação regional para determinado perfil profissional ou a necessidade de oferta de formação para um profissional que sequer ainda existe no mercado atual. “A educação inovadora que buscamos nos novos modelos pretende incluir não só conhecimentos técnicos, mas conteúdos humanísticos, éticos, artísticos, competências profissionais para o

autoconhecimento, capacidade de autoaprendizagem e desenvolvimento pessoal”, define Sávio. Todas as propostas de novos cursos dentro dessa nova política serão apresentadas em 2010 para apreciação do Conselho de Ensino e Pesquisa da UFPR.

Cursos ofertados pelo Setor de Educação Profissional e Tecnológica • Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas; • Tecnologia em Comunicação Institucional; • Tecnologia em Construção de Instrumentos Musicais (Luteria); • Tecnologia em Gestão da Qualidade; • Tecnologia em Negócios Imobiliários; • Tecnologia em Produção Cênica; • Tecnologia em Secretariado Executivo.

Sete cursos e quadro em expansão O Setor tem sete cursos de Tecnologia, com 375 vagas. Mantida essa proporção a cada ano, em 2011 a unidade terá 1.125 vagas. O quadro está sendo expandido com mais 21 novos professores e dez novos servidores técnico-administrativos. Até o final deste ano, o total de professores contratados deve chegar a 80. Em 2010, o espaço físico destinado ao setor dobrará: terá mais de sete mil metros quadrados.

Foto: Izabel Liviski

REUNI Alunos do Instituto Federal do Paraná têm seis novas opções de curso

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Outubro

2009

Ensino: Acompanhamento

Sistema de Tutoria pretende diminuir

o drama do jubilamento Alunos podem concluir o curso com até 50% a mais de tempo que a periodização normal, mas nem sempre conseguem evitar o desligamento por exceder o prazo Manuela Salazar

manuela.salazar@ufpr.br

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assar no vestibular pode ser um desafio menor do que se manter na faculdade por alguns anos, tirar boas notas, frequentar todas as aulas e terminar o curso no tempo pré-determinado. Por essas dificuldades, alguns alunos acabam por extrapolar o prazo e jubilar, termo que significa a perda do vínculo acadêmico devido ao fim do tempo de máximo para realizar o curso. Em outubro, a UFPR lançou o Sistema de Acompanhamento e Tutoria (SAT) com o objetivo principal de acompanhar os alunos e evitar esse processo tão desgastante, tanto para aluno quanto para a universidade. Além disso, o SAT também objetiva a diminuição da evasão e o monitoramento dos motivos que levam a essas situações. Para a graduação o tempo de conclusão se configura a partir da soma dos anos de periodização recomendados com a metade desse número. Por exemplo, alunos da graduação em Física têm seis anos para se formar: quatro da periodização normal, mais 50%. Já no Direito, curso de cinco anos, o número sobe para sete anos e um semestre; na Medicina, seis anos, o tempo sobe para nove anos. Ainda assim, é significativo o número de alunos que não consegue 4

completar o curso, por motivos diversos. No último semestre, o Núcleo de Acompanhamento Acadêmico (NAA) abriu 216 processos de jubilamento. Os cursos que mais possuem processos são Engenharia Química (com 19 possíveis jubilandos), Filosofia (15) e Bacharelado em Ciência da Computação (15). Alexandre Knesebeck, coordenador de curso de Engenharia Química, afirma que os processos ainda estão em trâmite e, portanto, ainda não é possível explicitar os motivos desse número. “É provável que seja um caso específico desse semestre”, diz. Há, contudo, cursos que não registram nenhum jubilamento neste ano, como é o caso de Arquitetura, Farmácia, Turismo e Nutrição. Em 2009, o curso de Oceanografia registrou seu primeiro jubilamento. O aluno teve direito a apresentar argumentos, como rege a Instrução Normativa 02/04 do Conselho de Ensino Pesquisa e Extensão (Cepe) da UFPR, mas o colegiado não achou suas justificativas suficientes. “Ele largou o curso e foi para o exterior, precisava de mais dois anos para se formar” conta Mauricio Garcia Camargo, coordenador do curso. Ele ainda pode recorrer da decisão e o coordenador quer ajudar: “Vou propor ao NAA um acompanhamento semestral. Se for aprovado, vamos aceitar o tempo que ele pede desde que não repro-

ve em nenhuma disciplina”. O apoio do coordenador de curso é essencial nesse momento. Baseado nesse fato, o SAT se apoia na figura do coordenador de curso para realizar a maioria de suas ações. (ver mais no Box). Segundo o professor Robson Tadeu Bolzon, coordenador de políticas de acesso e permanência do NAA, o processo de jubilamento é o oneroso para a instituição. “Dedica-se tempo para instruir, com as instâncias do processo, além do próprio desligamento do aluno da Universidade”. Segundo ele, o processo pode chegar a tramitar por seis meses. Para efetuar o desligamento de um aluno, é preciso passar por diversas etapas que se iniciam com a notificação do aluno, sua defesa, a decisão do colegiado e do NAA. Jubilado, o aluno ainda pode recorrer às instancias superiores da Universidade como o Cepe ou, em último caso, ao Conselho Universitário (Coun). (ver mais no infográfico). A chefe de expediente da Secretaria dos Órgãos Colegiados (SOC), Cláudia Bittencourt Valle, afirma que, se a pessoa traz ao conselho uma justificativa séria, pode sim receber mais prazo. “Contudo, se traz argumentos frágeis fica mais complicado”. Ela conta que tudo depende do caso e que acontece de o Coun ceder mais

Acompanhamento e tutoria Índices de reprovação, evasão e jubilamento têm sido uma preocupação constante da Pró-Reitoria de Graduação. Iniciativas isoladas como a do curso de Engenharia Química têm se mostrado eficientes. Por isso, em 2009, a Prograd cria o SAT que vai aproximar a coordenação de curso e os alunos através do monitoramento dos problemas que impedem o aluno de seguir seu currículo de maneira periodizada e interfiram no desempenho da vida acadêmica. “O SAT foi pensado para levantar as questões como estão os alunos e seus currículos”, explica Arlete Ceccato, coordenadora de Políticas de Acompanhamento Acadêmico. A primeira iniciativa do sistema foi a contratação de um bolsista por curso da Universidade que vai trabalhar no processo de monitoramento, além de auxiliar o trabalho das coordenações de curso. Até o momento, 39 dos 76 cursos de graduação já estão com bolsistas selecionados pelos coordenadores através de seu perfil para o cargo. Na primeira fase da implantação do sistema, eles vão investigar a conclusão prevista e os fatores de retenção de cada aluno especificamente. “Até é possível estabelecer isso através de dados, mas faltaria o levantamento dos motivos, que podem ser questões da universidade, como incompatibilidade de horário ou estágio obrigatório”, diz. “É como se disséssemos ao aluno: ‘e no que podemos te ajudar?’”, explica. A partir desses dados, a UFPR vai procurar intervir no que for possível: fortalecer os coordenadores de curso, identificar disciplinas específicas que impedem o avanço (os chamados “nós” curriculares). A pesquisa também vai identificar como funciona o fluxo e em que período o rendimento cai. Além disso, o sistema visa a implantação de tutorias, a serem realizadas por alunos bolsistas da pós-graduação que realizariam atividades complementares para auxiliarem alunos que tenham dificuldades acadêmicas.


Outubro

2009

Arte: Anderson Gomes da Silva

Jubilar não é brincadeira: é um processo longo, oneroso e desgastante. Descubra com esse desafio, todos os passos pelos quais um aluno nessa situação deve passar. É bom lembrar que a partir de 2010, o Sistema de Acompanhamento e Tutoria (SAT) vai ajudar o aluno a não passar por todas essas fases. Casa 1 – Seis meses antes: você recebeu notificação de jubilamento. O NAA vai te contatar via e-mail ou edital. Se o seu cadastro não estiver atualizado, você deve receber pelo correio uma carta com Aviso de Recebimento (AR). Quando for notificado, avance uma casa. Casa 2 – Não se desespere! Você ainda não foi jubilado e tem muitos passos para se justificar! Avance uma casa. Casa 3 – Seu processo de jubilamento foi aberto. Vá até a secretaria de seu curso tomar ciência do processo por escrito. Avance uma casa. Casa 4 – Você tem 30 dias para apresentar uma defesa por escrito. Enumere suas dificuldades e justificativas. Se for seu caso, requisite prorrogação. Avance uma casa. Casa 5 – O Colegiado de Curso vai analisar sua justificativa e pode ceder (ou não) o tempo que você pediu. Pode também ceder menos tempo e estipular condições. Casa 6 – O NAA pode pedir nova manifestação sua. É hora também de escrever suas alegações finais. Casa 7 – A decisão é do NAA, se ele não aprovar, volte duas casas. Se você acha que consegue terminar nesse semestre, não se desespere pois o núcleo espera o fim do semestre para efetuar seu desligamento. Casa 8 – Se você conseguiu mais prazo, parabéns! Seu processo fica parado e você tem mais tempo para terminar. Vá para casa 9. Se você não conseguiu, vá para a casa 10.

prazo mesmo após o Cepe recusar. “Como o processo demora muito, acontece até do aluno continuar cursando disciplinas mesmo jubilado, por autorização dos professores e anexar que as concluiu no processo”, conta. Assim, ele mostra que tem competência e pode ter seu pedido concedido. Diversos motivos levam um aluno ao jubilamento: podem ser de natureza material, pessoal ou, mais raro, de dificuldades de aprendizagem. “Se o problema do aluno é material, há bolsas da Universidade”, afirma Bolzon. Mas ele ressalta que combinar estudos e trabalho é um dos grandes motivos para jubilamento, principalmente nas áreas de engenharia onde há facilidade para encontrar estágios que mais parecem empregos que demandam tempo do aluno e o levam a deixar a universidade em segundo plano. “Muitas vezes a reprovação é por frequência”, diz. Knesebeck, o curso de Engenharia Química não considera que esses sejam empecilhos para a formação. “Muitos alunos trabalham, têm de se adaptar, não é uma relação direta”, afirma. Para ele, o aluno que trabalha é geralmente mais consciente da necessidade de formação. Apesar do numero de jubilamentos elevado, o curso já possui um sistema de tutoria interno para monitorar alunos que passam do período normal de integralização. “o aluno é orientado a procurar um tutor

que vai ser responsável pelo encaminhamento desse aluno”, diz o coordenador. Outro fator comum que leva ao jubilamento é a incompatibilidade de horário para estudar e estagiar, com turnos conflitantes. Cursos com turnos integrais (manhã e tarde) têm índices maiores de jubilamento. Em cursos noturnos, a sobrecarga do trabalho diurno dos alunos também pode levá-los a não terminarem o curso no tempo estabelecido. Uma opção dos alunos após o jubilamento é prestar vestibular novamente. Com um novo registro acadêmico, o aluno recebe um novo prazo para concluir o curso, além de zerar seu Índice de Rendimento Acadêmico e só ter contadas as matérias em que foi aprovado e recebeu equivalência. Esta é a opção do aluno do curso de Letras, Cláudio Ornellas. Com a chegada do décimo segundo semestre, antes mesmo da chegada de seu processo de jubilamento, Ornellas já se inscreveu no processo seletivo para 2010. Ele conta que teve uma série de dificuldades pessoais mas não as considera justificativas válidas para pedir mais prazo junto ao Colegiado. Ele precisaria de mais um ano e meio para se formar, tempo que espera conseguir reingressando novamente na universidade. “Acho que o jubilamento é bom pois senão haveria gente que passaria a vida na universidade”, afirma. Foto: Manuela Salazar

Casa 9 – Mesmo depois de conseguir mais prazo você não conseguiu terminar? Avance para casa 10. Casa 10 – Você foi jubilado e não pode mais se matricular em nada. Vá para casa jubilamento ou, se preferir, avance para casa RECURSO. Recurso – Recurso do processo no CEPE,apresente novamente suas justificativas. Foi aprovado? Parabéns! Avance para casa Prazo. Não conseguiu? Avance para a casa Coun. Coun – Seu recurso não passou no CEPE? Sua última chance é recorrer ao Coun. Não conseguiu? Vá para jubilamento. Se conseguir, avance para casa Prazo. Jubilamento – Agora não há mais para quem recorrer. Se ainda quiser continuar sua graduação, enfrente novamente o vestibular. Se conseguir passar, receberá novo prazo para concluir o curso e poderá pedir equivalência pelas matérias que já concluiu. Prazo – Você conseguiu. O Coun lhe concedeu mais tempo para se formar.

LANÇAMENTO O reitor Zaki Akel fala em encontro que apresentou o SAT a coordenadores

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Outubro

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e todas as recontagens nas universidades, tanto públicas quanto particulares, o censo dos alunos de graduação feito em outubro na UFPR foi o mais completo. Aliando o avanço da tecnologia, com a mudança de método por parte do Instituto Nacional de Ensino Superior do MEC, os dados coletados permitem ter um retrato fiel. Este ano, além da atualização de endereço, números de telefones e de documentos, o estudante informou a que grupo racial pertence, se é portador de necessidades especiais e ainda a data da expedição da carteira de identidade. Os estudantes atualizaram os dados que são muito importantes não só para a UFPR, mas para o MEC. O número de graduandos é um dos itens levados em conta para definir o orçamento anual das instituições. O recadastramento foi preenchido por 20.080 alunos. Outros 3.165 ainda vão ter nova chance na primeira quinzena de dezembro. Segundo a coordenadora de Políticas de Avaliação Institucional de Ensino da Prograd, Maria Odette de Pauli Bettega,

Foto: Manuela Salazar

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Ensino: Aluno por aluno

UFPR recadastrou estudantes da graduação Censo vai ajudar a traçar um retrato do Ensino Superior no País e definir o orçamento anual das universidades Maria de Lurdes Pereira

lurdes@ufpr.br

havia uma série de pendências no cadastro dos alunos. Em alguns cursos 70% dos alunos usaram o CFP dos pais quando fizeram a matrícula. É que só nos últimos três anos, o documento do próprio aluno passou a ser exigido já para prestar vestibular. Outra questão importante é o endereço. Muitos alunos mudam no decorrer do curso e os que vêm de fora na maior parte das vezes, nem tem endereço fixo quando fazem o registro acadêmico. Por isso, informam o

local da residência dos pais, em outra cidade, ou de parentes em Curitiba, mas logo depois mudam para outro local. Apesar disso, o maior problema sempre ocorre com os números de telefone. Por isso, este ano, cada aluno informou dois ou mais números para contato. Até o fim do ano a UFPR passará todos os dados – aluno por aluno – para a Secretaria de Educação Superior (Sesu). Resposta pronta Para Maria Odette, o resul-

tado desta recontagem será útil a toda Universidade. Além de informar a quantidade exata de alunos e colaborar na definição do próximo orçamento, é um indicador para avaliar e acompanhar metas do Programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni). O resultado também mostrará com clareza como está sendo feita a expansão de cursos e vagas, elementos importantes para todas as unidades administrativas e definição de novas políticas universitárias.


Ensino: Indissociabilidade

Outubro

2009

Marcello Casal Jr / ABr

Integração e desenvolvimento marcam primeira Siepe Semana Integrada de Ensino, Pesquisa e Extensão reúne em um único evento Enec, Enaf, Evinci e Einti, com apresentações, mesas-redondas, debates e oficinas

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ntre os dias 19 e 23 de outubro foi realizada a primeira Semana Integrada de Ensino, Pesquisa e Extensão (Siepe), no campus Jardim Botânico. O diferencial da semana foi a integração entre os eventos de ensino, pesquisa e extensão da UFPR. O Encontro de Extensão e Cultura (Enec), o Encontro de Atividades Formativas (Enaf), o Evento de Iniciação Científica (Evinci) e o Evento de Inovação Tecnológica (Einti) ocorreram na mesma semana e de maneira integrada. A Siepe, que teve como tema “Rumo aos 100 anos da UFPR: ensino, pesquisa e extensão voltados para o desenvolvimento”, foi promovida pela Pró-Reitoria de Graduação e Educação Profissional (Prograd), Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proec) e Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PRPPG), que trabalharam em parceria desde fevereiro deste ano para que o evento fosse concretizado. “Mesmo que não tenha sido algo fácil de organizar de forma integrada, os resultados mostraram a importância da semana ser realizada desta maneira. Esta integração mostrou ser uma necessidade, pois permite tanto aos alunos quanto aos professores apresentar os resultados dos seus trabalhos, identificando a relação permanente entre as três áreas”, revela José Manuel Gandara, coordenador de Extensão na Proec. Nos anos anteriores, apesar de realizados na mesma semana, os quatro eventos estavam dissociados – fator que limitava a participação dos acadêmicos. Muitas vezes, os horários das

atividades coincidiam, impondo aos alunos escolher de qual participar. A integração tornou possível aos estudantes assistirem a todos os eventos. A iniciativa desta união entre as áreas vem da nova gestão (2008-2012) de Zaki Akel Sobrinho. “A ação da semana integrada surgiu com a nova gestão, que pretende unir os três pilares da universidade: ensino, pesquisa e extensão”, evidencia Regina Maria Michelotto, coordenadora de Política de Formação de Pro-

fessores da Prograd. A parceria entre as três pró-reitorias está prevista para prosseguir nas próximas edições do evento. “Conseguimos o êxito pretendido com a integração das atividades que compõem a semana. A parceria entre PRPPG, Proec e Prograd continua e vamos buscar sempre melhorar”, conta o pró-reitor da PRPPG, Sérgio Scheer. Atividades da SIEPE A abertura da Siepe foi conjunta, com a presença de representantes das três pró-reitorias organizadoras e do reitor Zaki Akel

Foto: Izabel Liviski

EXPOSIÇÃO Durante o evento, iniciativas são apresentadas em cartazes

Camila Schmidt

camilacf.schmidt@gmail.com

Sobrinho. Ocorreram, tanto na abertura como no encerramento do evento, mesas-redondas com a temática da integração entre ensino, pesquisa e extensão. Painéis de debates, cursos, oficinas, palestras, apresentações de trabalhos de forma oral e em pôsteres, apresentações culturais, CDs com os anais dos eventos de forma integrada e apresentações culturais foram as atividades desenvolvidas no decorrer da Siepe. Durante a semana também ocorreram avaliações externas para a pesquisa, por docentes bolsistas de produtividade do CNPq de outras instituições como demandado pelo CNPq. Receptividade dos alunos Atividades como debates integrados, cursos e oficinas não foram atividades obrigatórias para os alunos na Siepe e mesmo assim, segundo a organização do evento, contou com um número expressivo de participantes. “Em minha opinião é muito importante unir o ensino, a pesquisa e a extensão. Isso já devia ter sido feito antes. Tendo oportunidade temos que participar, pois de nada adianta um trabalho se não for passado para a comunidade”, conta Jéssica Kaseker, aluna do curso de Agronomia da UFPR. “Fui monitora na semana e realmente acho que a participação na Siepe acrescenta muito em minha formação, mas considero que faltou integração entre as áreas. Os eventos ocorreram na mesma semana, mas foram bem separados”, expõe a aluna de psicologia da UFPR Antoniela Yara Marques da Silva. 7


Outubro

2009

A

UFPR criou nos últimos dois anos 23 novas opções de cursos de graduação e ampliou em 30,1% o total de vagas em disputa no seu vestibular. A expansão foi viabilizada através da adesão da universidade ao Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni). Até 2007, a universidade oferecia 4.099 vagas por ano em seu processo seletivo. No vestibular hoje em andamento, cujo resultado será divulgado em janeiro de 2010, são 5.334 vagas, distribuídas em 91 diferentes opções de cursos. Nesse período, foram ofertadas, portanto, 2.340 vagas adicionais. Até 2012, esse total pode chegar a 9,7 mil. Em relação a 2007, o número de vagas noturnas cresceu 84,9%. E o de cursos noturnos, que eram apenas 15, dobrou. Do total de vagas do atual vestibular, 1.808 estão em 30 cursos exclusivamente noturnos. Há dois anos, o total de vagas nesse período do dia era de apenas 978. “Estamos dando oportunidade para os alunos que precisam conciliar os estudos com o trabalho remunerado”, afirma o reitor Zaki Akel Sobrinho.

Gestão: Ampliação

Com o Reuni, UFPR abre

2,3 mil

novas vagas em dois anos Investimentos previstos pela universidade em obras do programa chegam a R$ 35,5 milhões

Trata-se de um momento marcante na história da Universidade de ampliação e melhoramento da infraestrutura.” Adriano Ribeiro, coordenador do Reuni na UFPR.

Até 2012, o total de recursos obtidos pela universidade através do programa será de aproximadamente R$ 250 milhões. O projeto prevê, ao final dos cinco anos, a contratação de 235 professores e de 396 servidores técnico-administrativos. Desse total, 115 professores e 36 técnicos já estão contratados. Entre os novos cursos de graduação da UFPR estão os de Biomedicina, em Curitiba, e de Ciências Biológicas com ênfase em Gestão Ambiental, em Palotina, ambos com turmas iniciais em 2010. Também foram criados doze cursos superiores de tecnologia, em áreas como aquicultura, biocombustíveis, produção

Obras no Setor de Formação Profissional

Foto: Izabel Liviski

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Outubro

2009

Fotos: arquivo

OBRAS Com recursos do Reuni a Universidade já construiu vários edifícios e prepara novas licitações para 2010

cênica e construção de instrumentos musicais, entre outras. Alguns cursos já existentes, como Engenharia Elétrica, História, Química e Arquitetura e Urbanismo, passaram a oferecer turmas em novos turnos [confira lista dos novos cursos]. Obras A UFPR tem hoje 29 obras com recursos do Reuni cadastradas no Sistema Integrado de Planejamento, Orçamento e Finanças do Ministério da Educação (Simec). Desse total, sete já se encontram concluídas; onze estão em andamento, e outras onze em fase de projetos complementares ou definição para abertura de processo licitatório. “Trata-se de um momento marcante na história da UFPR de ampliação e melhoramento da infraestrutura”, observa Adriano Ribeiro, coordenador do Reuni na universidade. Até 2011, o cronograma do Reuni prevê investimentos na ordem de R$ 35,5 milhões em obras na UFPR. Entre as obras já concluídas estão os blocos didático e de laboratórios em Palotina, a reforma do telhado do Edifício da extinta Rede Ferroviária Federal, a atualização das centrais telefônicas e a instalação de câmeras de segurança em diversos campi.

Já entre as obras em andamento, as maiores são as de construção de edifícios de salas de aula de química (R$ 3 milhões), de terapia ocupacional e enfermagem (R$ 2,7 milhões), de engenharia química (R$ 2 milhões), de laboratórios de farmacologia (R$ 2,2 milhões), do ginásio do Setor de Educação Profissional e Tecnológica (R$ 1,3 milhão) e a ampliação do Bloco Didático do Setor de Ciências Sociais Aplicadas (R$ 1,3 milhão). Algumas dessas obras têm conclusão prevista para fevereiro de 2010 [veja quadro]. Orçamento De R$ 15 milhões de recursos do Reuni previstos para investimentos em 2008 na UFPR, foram executados R$ 9,5 milhões — desse total, R$ 5,3 milhões foram para edificações e infraestrutura, e o restante (R$ 4,2 milhões), para aquisição de equipamentos. Em 2009, o valor liberado para investimentos via Reuni chega a R$ 20,5 milhões. A maior parte desse valor (R$ 15,7 milhões) é destinada a edificações. Com verbas do Reuni a universidade também adquiriu, por exemplo, 6,6 mil exemplares para todas as suas bibliotecas, inclusive em Palotina e no Centro de Estudos do Mar. No que se refere a verbas

As 23 novas opções de curso de graduação da UFPR, abertas nos últimos dois anos • Biomedicina (manhã e tarde) • Ciências Biológicas com ênfase em Gestão Ambiental – Palotina (manhã e tarde) • Arquitetura e Urbanismo (tarde) • Engenharia Elétrica (noite) • Engenharia Industrial Madeireira (noite) • Engenharia Mecânica (noite) • História (noite) • Letras Italiano (manhã) • Letras Japonês (noite) • Letras Polonês (noite) • Química (noite) • Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas (tarde) • Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas (noite) • Tecnologia em Aquicultura – Palotina (noite) • Tecnologia em Aquicultura – Pontal do Paraná (manhã e tarde) • Tecnologia em Biocombustíveis – Palotina (noite) • Tecnologia em Biotecnologia – Palotina (noite) • Tecnologia em Comunicação Institucional (tarde) • Tecnologia em Construção de Instrumentos Musicais (manhã e tarde) • Tecnologia em Gestão da Qualidade (noite) • Tecnologia em Negócios Imobiliários (noite) • Tecnologia em Produção Cênica (noite) • Tecnologia em Secretariado Executivo (noite)

Arte: Leonardo Bettinelli

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Gestão Outubro

2009

Infraestrutura

Diversas obras previstas no Reuni estão com licitação concluída e com a obras prestes a começar. A lista inclui a construção do edifício de salas de aula do Departamento de Educação Física, do edifício de laboratórios do curso de Aquicultura, em Praia de Leste, a construção do novo bloco de salas de aula ( bloco 9 ) e a pavimentação do campus Palotina e a Construção do Laboratório de Materiais do Departamento de Engenharia Mecânica. Diversas novas obras estão programadas, com recurso previsto. As licitações devem acontecer no ano que vem.

Pós-graduação

Através da Bolsa Reuni de Assistência ao Ensino, 123 alunos de mestrado e 64 de doutorado obtiveram, em 2008, bolsas com recursos do programa. Em 2009, esses números passaram para 224 e 134, respectivamente. No total, serão 358 bolsas de pós-graduação concedidas via Reuni na UFPR. Em troca da bolsa, o aluno de pós-graduação deve dedicar uma parcela de seu tempo para atuar em projetos de auxílio ao ensino de graduação. Os projetos são propostos pelas coordenações dos cursos e visam combater a evasão e elevar a taxa de conclusão média dos cursos de graduação presenciais. O aumento da taxa de sucesso dos cursos (número de alunos formados em comparação com o número de alunos que entram) é uma das principais metas do Reuni. A previsão é de que em 2010 o total de bolsas viabilizadas com recursos do Reuni ultrapasse a marca de 700 de mestrado e 350 de doutorado.

Bibliotecas

Com verbas do Reuni a universidade também adquiriu, 6,6 mil exemplares para todas as suas bibliotecas, inclusive para Palotina e o Centro de Estudos do Mar.

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de custeio do Reuni, relacionadas à assistência estudantil e às unidades básicas de custeio, foram executados R$ 420,3 mil em 2008 e liberados R$ 3,4 milhões em 2009. Pós-graduação Através da Bolsa Reuni de Assistência ao Ensino, 123 alunos de mestrado e 64 de doutorado obtiveram em 2008 bolsas com recursos do programa. Em 2009, esses números passaram para 224 e 134, respectivamente, o que totaliza 358 bolsas de pós-graduação concedidas via Reuni na UFPR. Em troca da bolsa, o aluno de pós-graduação deve dedicar uma parcela de seu tempo para atuar em projetos de auxílio ao ensino de graduação. Os projetos são propostos pelas coordenações dos cursos de graduação e visam combater a evasão e elevar a taxa de conclusão média dos cursos de graduação presenciais. A previsão é de que em 2010 o total de bolsas viabilizadas com recursos do Reuni

ultrapasse a marca de 700 de mestrado e 350 de doutorado. Em 2008, Reuni criou 14,8 mil vagas Segundo balanço do Reuni divulgado pelo Ministério da Educação no último dia 27 de novembro, o programa superou a meta de criação de vagas de graduação em universidades federais em 2008. O objetivo era chegar a 146 mil vagas, mas o total chegou a 147.277. Em 2007, eram 132.451. Foram criadas, portanto, 14.826 novas vagas. Das 57 universidades federais existentes hoje, 53 integram o Reuni. Cada uma delas elaborou um plano de metas, de acordo com suas necessidades específicas. O plano vigorará até o fim de 2012. O número de cursos de graduação cresceu em 2008 de 2.326 para 2.506. A interiorização das unidades de ensino é outro destaque do balanço. Foram implantados 104 campi desde 2003 — de 151 naquele ano para 255 em

2008. Em 2003, as universidades federais atendiam 114 municípios. Hoje, são 235. Desde a implantação do programa, somada a primeira fase da expansão da educação superior, foram contratados 17 mil funcionários, por meio de concursos públicos, para atuar nas universidades. Destes, 9.489 são professores e 6.355, técnicos. Apenas em 2008, foram autorizadas pelo governo federal um total de 1.821 vagas para docentes, dos quais 1.560 já tiveram nomeação publicada. Em relação aos cargos de técnicos administrativos, das 1.638 vagas criadas, 1.275 profissionais já foram nomeados. A previsão é de que as demais nomeações aconteçam até o final de 2009. No primeiro ano de funcionamento, os recursos destinados ao Reuni foram de R$ 415 milhões. Somado à fase um da expansão, o investimento já realizado é de aproximadamente R$ 1,5 bilhão. Até 2012, devem ser investidos R$ 3,5 bilhões.


Gestão: Site da UFPR

Reforma do portal usará ferramentas colaborativas e produzirá competências

Q

uando entrou no ar em 15 de janeiro de 2001, a Wikipédia era apenas um projeto secundário de enciclopédia, ligado à Nupedia, escrita por especialistas. Jimmy Wales, o fundador, não imaginava que quatro anos depois a versão em inglês da enciclopédia livre, escrita de forma colaborativa, teria mais de 600 mil verbetes. Hoje, são mais de 100 milhões de verbetes e páginas em aproximadamente 75 línguas diferentes, incluindo chinês e esperanto. A produção colaborativa de conteúdos não é nova, mas a internet deu um fôlego considerável para o fenômeno. Ferramentas colaborativas estão hoje à disposição de todos. Utilizá-las para reformar o portal da UFPR é o que pretende a Assessoria de Comunicação Social e o Centro de Computação Eletrônica. O novo site deverá estar pronto para a volta às aulas, em 2010. O objetivo é construir um novo portal, com foco no usuário, de fácil navegação, que agregue serviços e, ao mesmo tempo, desenvolver padrões de arquitetura de informação, programação e webdesign, com criação de templates (páginas padrão, de fácil customização) para departamentos, setores, núcleos e cursos. Como o usuário está no centro do processo, ampliar o máximo possível a participação das pessoas no projeto é o caminho mais promissor. Se-

gundo Frederick van Amstel, consultor do Instituto FaberLudens, “usabilidade significa facilidade de uso”. Ele afirma que quando um produto é fácil de usar, o usuário tem maior produtividade, apreende mais rápido, memoriza as operações e comete menos erros. “Para fazer um produto fácil de usar é preciso priorizar as necessidades do usuário, mesmo que isso implique em maior trabalho para o desenvolvedor. Isso é o que se chama de design centrado no usuário”, explica. Origem escandinava O design participativo teve origem na Escandinávia. Os usuários participam das decisões de projeto em todas as fases, através de dinâmicas e ferramentas de discussão. No caso do novo portal da UFPR, serão basicamente duas formas de participação: presencial e a distância. Além de pesquisas de opinião, reuniões públicas abertas, oficinas e testes de usabilidade, o processo utilizará blogs, wikis e listas de discussão para definir coletivamente as características do novo portal. O blog da reformulação já está no ar, no endereço www.portalufpr. wordpress.com, documentando todos os passos do projeto. Cursos Outra parte fundamental do processo é a formação de competências para manter a evolução constante dos sites ligados ao domínio www.ufpr.

Outubro

2009

Novo portal busca participação dos usuários, usa ferramentas popularizadas na internet e pretende resolver problemas apontados em pesquisa on-line Mário Messagi Jr.

messagi@ufpr.br

br. Esta meta será atingida com a realização de quatro cursos: Arquitetura da Informação com foco no usuário, Drupal básico, Drupal intermediário e Drupal avançado, totalizando 48 horas/ aula. Drupal é uma ferramenta livre utilizada para customizar sites. Os cursos são voltados para técnicos e professores com vínculo permanente com a universidade. Dois já foram realizados. O objetivo é capacitar colaboradores nas diferentes unidades para desenvolver e atualizar seus próprios websites, dentro da estrutura básica que o novo portal oferecerá e com um novo gerenciador de conteúdos. Este gerenciador permitirá o desenvovimento de websites e aplicativos sem a necessidade de conhecimentos de programação avançados.

Pesquisa A primeira ação do projeto foi a realização de uma pesquisa on-line, encerrada no dia 5 de outubro e desenvolvida pela Prattica, agência de relações públicas do curso de Comunicação Social. Oitocentas e quatro pessoas responderam ao questionário, 58% alunos, 17% técnicos, 16% professores, 8% vestibulandos e 1% de outras categorias. Quase metade das pessoas (47%) acessa o site diariamente. A pesquisa apontou também que os conteúdos mais visados são, em ordem decrescente, notícias, informações institucionais, portal do aluno e webmail. O problema mais grave, segundo a pesquisa, foi a desorganização das informações, seguido pela falta de atualização e de acessibilidade. O novo portal tem como desafio resolver estes problemas, mudando a concepção do site e criando ferramentas amigáveis, que tornem a atualização de informações mais fácil e rápida, e a navegação do usuário simples. Foto: Manuela Salazar

APERFEIÇOAMENTO Curso de Drupal com Frederick Van Amstel (em pé)

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Outubro

Ciência e Tecnologia: Inovação

2009

P

esquisadores e empresários são unânimes em afirmar que o diálogo entre o meio acadêmico e o setor produtivo é algo fundamental para a inovação. Para o diretor do Centro Internacional de Inovação da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Ronald Dauscha, a tendência das empresas hoje é de inovar em rede. “Aquele conceito de empresa com um centro de pesquisa e desenvolvimento isolado do mundo já está ultrapassado. Aproveitar os laboratórios e as competências das universidades é imprescindível para uma inovação aberta, de ponta e com recursos distribuídos”, afirma Dauscha. O diretor do Laboratório de Análise de Combustíveis Automotivos da UFPR, Carlos Yamamoto, acredita que as duas partes são beneficiadas com a interação. Além da troca de conhecimentos, Yamamoto aponta como vantagem o financiamento a novos projetos que envolvam temas atuais e de rápida aplicação. Para Fábio Andrade, gerente de engenharia da Arauco do Brasil, o relacionamento entre universidade e indústria representa uma grande responsabilidade. “É preciso justificar o investimento, desenvolver aquilo que a sociedade precisa”, explica Andrade. “Não se deve pensar apenas no custo, no ganho da indústria, mas devemos pensar que estamos desenvolvendo algo que trará um benefício na melhoria da qualidade de vida das pessoas.” Com 426 mestres, 1,3 mil doutores e mais de 350 grupos de pesquisa certificados pelo CNPq, a UFPR apresenta um amplo potencial em pesquisa e desenvolvimento. Os 90 pedidos de patentes depositados pela universidade a partir de 2003 demonstram a capacidade de invenção de seus pesquisadores. Em 2008, com um crescente volume de publicações, a universidade atingiu o oitavo lugar em produção científica 12

Quando universidade esetor produtivo interagem Ellen Canto

portalderelacionamento@ufpr.br

A primeira detém o conhecimento técnico-científico; o outro conhece as necessidades do mercado. Por que não unir esforços?

Foto: Izabel Liviski

FUNDAMENTAL Pesquisadores afirmam que diálogo entre academia e setor produtivo é bom para a inovação

no Brasil. Segundo o professor Carlos Ricardo Soccol, coordenador da Unidade de Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia da UFPR, são raras as instituições no país com tantas informações e tecnologias passíveis de melhorar a condição de vida da população. Porém, mesmo com este potencial de desenvolvimento, nem tudo que é criado nos laboratórios das universidades é inovador. Uma nova tecnologia só é considerada inovação quando é colocada no mercado. “Temos plena consciência de que o investimento que a sociedade faz na universidade pública é muito expressivo, mas o retorno tem deixado a

desejar. Retornamos mestres, doutores, médicos, mas poderíamos contribuir com novos empregos, novas empresas, novos negócios, mais riquezas para o País”, avalia Soccol. Segundo Dauscha, a dificuldade para que essas novas tecnologias cheguem ao mercado é o “fosso ideológico” existente entre a academia e as empresas. “A empresa precisa se preparar com o mínimo de conhecimento para se relacionar com a universidade, assim como a universidade também precisa criar as agências e núcleos de inovação tecnológica para dialogar com a sociedade”, afirma. Há também o argumento de que o pesquisador ao se rela-

cionar com a indústria estaria se vendendo. Yamamoto, sempre que apresenta um projeto de pesquisa envolvendo empresas, encontra resistência por parte do departamento ou do setor. “É possível produzir pesquisa de alta tecnologia em associação com as empresas”, afirma o pesquisador. “Mas ainda existe aquela percepção de que a universidade tem de estar dentro de altos muros.” Segundo o pesquisador, há espaço para quem quer fazer a pesquisa pura, que depende de financiamento público, e para aqueles que querem aplicar novas tecnologias ao que já existe.


Fotos: Agência Petrobras

Ciência e Tecnologia: Descoberta

Outubro

2009

O

óleo do

futuro Sandoval Matheus sandoval@ufpr.br

Ao abordar os diferentes aspectos do pré-sal, professores concordam que descoberta é um novo marco para o país

O

s números são superlativos: uma reserva de petróleo de cerca de 149 mil quilômetros quadrados, que se estende do litoral do Espírito Santo ao de Santa Catarina. Localizada sete mil metros abaixo do nível do mar, as jazidas estão sob uma camada de sal (daí a designação: pré-sal) que em alguns pontos chega a dois quilômetros de espessura. Apenas em quatro blocos de exploração – Tupi, Iara, Guará e Jubarte – a Agência Nacional de Petróleo (ANP) estima que possa haver cerca de 15 bilhões de barris de óleo equivalente (petróleo e gás na-

tural), número que já supera as reservas brasileiras anteriores à descoberta, de 14 bilhões. As previsões a respeito de todos os blocos do pré-sal, no entanto, ainda são especulativas. “É difícil prospectar isso. É uma informação que apenas quatro ou cinco nomes de dentro da Petrobras podem se arriscar a fornecer”, diz o professor José Manuel Reis Neto, do Departamento de Geologia da UFPR. Alguns especialistas, no entanto, tentam e fornecem números que flutuam entre 30 e 300 bilhões de barris de óleo equivalente. A estimativa mais aceita, porém, gira em

torno dos 100 bilhões, o que faria o Brasil saltar da 13ª para a 6ª posição entre os maiores produtores no mundo. Depois de alcançar a autossuficiência, em 2006, o país se tornaria um forte exportador do produto. A descoberta levou o governo a estudar um novo marco regulatório para o petróleo. Para a União, o regime vigente hoje, de concessões, não atende aos interesses do Estado no caso do pré-sal. Isso porque as novas jazidas apresentam uma maior margem de segurança na exploração. “Até agora, dos 47 poços perfurados na camada, encontrou-se petróleo em 41. Uma taxa de acerto de 87%, contra 25% da média mundial”, compara o professor Armando João Dalla Costa, coordenador do curso de Economia da UFPR. O baixo risco tornaria o modelo de concessões ultrapassado. Nele, a União leiloa os poços e a empresa ganhadora fica com todo o óleo e gás que extrair, pagando apenas um imposto ao governo. Na nova proposta, de partilha, a Petrobras fica responsável por pelo menos 30% do

óleo extraído em cada campo. O restante cabe à empresa que vencer a licitação – ganha a concorrência aquela que oferecer a maior porcentagem em barris de óleo bruto à União. Além disso, uma porcentagem igual à repassada pela empresa vencedora ao Estado também deve ser destinada à União pela Petrobras. Se aquela oferecer ao governo 80% de sua fatia, por exemplo, a Petrobras deve fazer o mesmo com o óleo que lhe cabe. “O que o governo quer é se apropriar dessa riqueza, para que o Brasil não entre na mesma jogada dos países árabes, onde esses recursos são controlados por duas ou três famílias”, assinala Dalla Costa. Demian Castro, chefe do Departamento de Economia, faz uma ressalva. Para ele, os aspectos técnicos e políticos envolvidos no processo podem mudar os rumos do pré-sal. “Muita água vai rolar até que essa descoberta se torne produtiva. Ela exige uma tecnologia bastante sofisticada [para extração], e ainda precisamos levar em conta que 2010 é ano de eleições”, ressalta. 13


Outubro

2009

O novo marco regulatório propõe também que a Petrobras seja operadora única de todos os campos do pré-sal. Ou seja: a empresa, independente de quem seja a parceira, será a responsável pela condução e pelas tomadas de decisão durante todo o processo de exploração. Já para negociar os interesses do governo, gerir recursos financeiros e coordenar o ritmo de exploração será criada a Petrosal, empresa 100% estatal (parte da Petrobras hoje é controlada por acionistas privados). Segundo a proposta governamental, todo o dinheiro obtido pela União com a venda do óleo do pré-sal deverá ser destinado a um fundo social. Entre outras coisas, o objetivo é evitar que o país sofra com o que ficou conhecido como “doença holandesa”. Na década de 70, depois de descobrir grandes reservas de gás natural, a Holanda sofreu com a enxurrada de dólares que entraram no país. A venda do gás no mercado internacional causou a supervalorização da moeda, o que deixou mais caras as exportações e prejudicou o parque industrial. Por isso, o governo quer que o Fundo Social use o dinheiro do pré-sal para fazer investimentos no mercado interno e externo, com o objetivo de equilibrar a balança financeira. Os rendimentos seriam depois investidos em áreas como educação, ciência e tecnologia e no combate à pobreza. O velho e o novo A descoberta de uma grande reserva de petróleo, combustível fóssil e altamente poluente, chega num momento em que a comunidade internacional discute formas alternativas de energia. E é daí que vêm muitas das críticas ao présal. “Estamos num momento em que passamos por vários problemas ambientais. Vamos desenterrar mais petróleo e jogar na atmosfera?”, questiona o professor Luís Fernando Souza Gomes, do curso de 14

Tecnologia em Biocombustíveis, da UFPR Palotina. Para ele, o país tem vocação para produzir energia limpa, principalmente por conta da extensão territorial, do clima e, consequentemente, do potencial agrícola. “Já há tecnologia para dar conta do abastecimento interno, como o álcool e o biodiesel. Se tivermos incentivos, em pouco tempo podemos estar exportando energia limpa e não petróleo”, prevê Gomes. As diferentes características do petróleo do pré-sal, porém, podem ter interferência direta nos índices de poluição causados pela queima de combustíveis. É o que diz o professor do Departamento de Geologia da UFPR, José Manoel Reis Neto. O óleo do pré-sal difere do encontrado no ‘pós-sal’ por ter se originado em rochas de idade diferente, o que aumenta a qualidade da commodity, um óleo mais ‘leve’. “Isso tem influência direta no refino, na quantidade de gasolina, por exemplo, que se pode obter dele, e também na poluição causada pelo combustível final”, explica. Dalla Costa, do curso de Economia, também confia na capacidade brasileira para produzir biocombustíveis. “O Brasil tem o Pró-álcool. É o único país do mundo que tem um programa dessa magnitude”, assegura. Hoje, 80% da frota de carros vendidos no país se encaixa na categoria flex, que roda tanto com álcool

como com gasolina. Para ele, o que o país está tentando fazer agora, com o pré-sal, é “jogar dos dois lados”. Fora isso, a matriz energética do mundo será bastante dependente do petróleo ainda por “muitos anos, talvez muitas décadas”, de acordo com a estimativa do professor Demian Castro. Para ele, a indústria do automóvel ainda é muito forte na economia mundial, fato comprovado pelas medidas tomadas por diversos governos para ‘salvar’ montadoras durante a crise financeira mundial. “Por outro lado, fico pensando até quando vamos insistir em automóveis e combustíveis fósseis”, reflete. Defensor dos biocombustíveis, o professor Gomes também não menospreza o potencial do pré-sal, mas crê que o país não deveria usar o óleo da camada como combustível, e sim aproveitá-lo na indústria petroquímica, que poluiria menos. “Esse petróleo pode ser usado na indústria do país, para a fabricação de plásticos, tintas, material asfáltico, entre outros”, opina.

Arte: Leonardo Bettinelli

Estamos num momento em que passamos por vários problemas ambientais. Vamos desenterrar mais petróleo e jogar na atmosfera?” Luís Fernando Souza Gomes, professor do curso de Tecnologia em Biocombustíveis.

Seja como for, o professor José Manoel tem uma posição firme: “Essa discussão, se devemos ou não extrair o pré-sal, já ficou pra trás. Precisamos desses recursos para melhorar a qualidade de vida da população. No Brasil, há gente que morre de fome. Se fôssemos a Suíça, talvez pudéssemos nos dar ao luxo.” Capital político O sentimento nacionalista despertado pela campanha “O petróleo é nosso”, no início dos anos 50 durante o governo Getúlio Vargas, também já foi associado ao atual momento do país. À época, Vargas criou a Petrobras, com o objetivo


Outubro

2009

CERIMÔNIA Tupi foi o primeiro campo de exploração do pré-sal a produzir óleo

de promover o monopólio do Estado sobre o petróleo. Uma acirrada briga entre “nacionalistas” e “entreguistas” decorreu daí. Após 57 anos, algo parecido acontece. Enquanto o governo quer aumentar a participação estatal na exploração do petróleo, a oposição defende uma maior interferência do capital estrangeiro. Para os opositores, a atitude do governo Lula é de um “nacionalismo populista” que pretende gerar capital político para a eleição de 2010. Luiz Geraldo Silva, professor do Departamento de História, concorda que o atual governo é o mais nacionalista desde a redemocratização. “A tônica dos governos anteriores era ressaltar a pobreza de nosso parque industrial, nossa pobreza cultural, e, portanto, a necessidade de uma abertura.” Mas fala também de uma “tradição política” existente no Brasil. “O petróleo, ou mais amplamente todos os recursos do subsolo, pode ser usado com fins nacionalistas por seja lá qual governo, como já foi historicamente”, avalia. Silva enxerga semelhanças entre o momento atual e a campanha getulista, mas também

Essa discussão, se devemos ou não extrair o pré-sal, já f icou pra trás. Precisamos desses recursos. No Brasil, há gente que morre de fome. Se fôssemos a Suíça, talvez pudéssemos nos dar ao luxo.” José Manuel Reis Neto, professor do curso de Geologia.

destaca uma diferença. Para ele, Vargas repelia sumariamente empresas estrangeiras, ao contrário de agora, quando o país de fato possui grandes reservas que são de baixo risco e por isso não necessita de capital externo. “À parte isso, ainda podemos dizer que o pré-sal foi ‘produzido’ por uma empresa que se arvorou no monopólio de Getúlio [a Petrobras] e que agora pode mudar os rumos do país. Sem dúvida existe aí um vínculo com o passado bastante interessante”. As fatias do bolo Um ponto polêmico da proposta é a distribuição dos royalties de produção para as unidades federativas. Os principais estados produtores – São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo – reivindicam uma maior parcela de participação, enquanto governo e outras unidades defendem uma distribuição mais igualitária, já que o petróleo do pré-sal se encontra a 300 quilômetros da costa brasileira. Por ora, o texto-base aprovado na comissão especial da Câmara com o aval dos produtores, dá a esses estados uma fatia de 25%, contra 22% para a União

e 44% para os não produtores (o que já é nove vezes mais do que recebem atualmente). Uma das principais alegações dos produtores para um maior percentual é que esses recursos seriam usados na reversão de possíveis danos ambientais causados pela extração. “Mas esse petróleo está longe da costa, então um eventual vazamento de óleo, devido às correntes marítimas que atuam na região, não afetaria apenas os estados produtores”, rebate Eduardo Salamuni, professor de Geologia da UFPR e diretor-presidente da Minerais do Paraná (Mineropar). O professor defende que o pré-sal seja tratado como “um fato novo”. Segundo ele, estados como Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo já são beneficiados pela atual lei do petróleo e ainda recebem o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS), o que já seria suficiente para reverter danos causados ao meio ambiente. “O governo poderia criar um novo fundo, onde esses royalties ficariam depositados para serem investidos em projetos de ciência e educação dos estados, e também para mitigar possíveis problemas ambientais quando necessário, mas com a iniciativa partindo da União”, propõe. Para o Paraná, uma divisão equânime seria o melhor negócio. Geologicamente, as reservas do pré-sal se estendem até Santa Catarina, mas o polígono que define oficialmente a área, e que consta no projeto do governo, foi reduzido e não chega ao Paraná. Por isso, é improvável que algum poço seja aberto em águas paranaenses, o que é necessário para caracterizar um estado produtor. “É possível que a Petrobras tenha feito uma conta e concluído que as reservas mais ao Sul não valiam a pena, porque aquelas mais acima já seriam muito grandes. Por isso, é importante que o Paraná faça uma pressão política pelo novo marco regulatório”, observa Salamuni.

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Cultura e Extensão: Nova cara

Outubro

2009

Festival de Cultura da UF em Festival de Cultu O

Festival de Cultura do Paraná foi realizado nos dias 19, 20 e 21 de novembro e trouxe apresentações e atividades culturais de diversas modalidades como teatro, intervenções, artesanato, fotografia, pintura, serigrafia, debates, oficinas, vídeo-debates, música e dança. O evento, que nos anos anteriores chamava-se Festival de Cultura da UFPR e ocorria no Centro Politécnico, passou a ser Festival de Cultura do Paraná para ter maior abrangência e não limitar a participação apenas para alunos da UFPR. Este ano o Festival foi realizado no chamado “corredor cultural” que corresponde à área de percurso entre a Reitoria da UFPR e a Praça Santos Andrade, além de espaços para apresentações no Largo da Ordem, todos no centro de Curitiba. Os locais foram escolhidos visando englobar a sociedade em geral por se tratarem de lugares públicos com grande movimentação de pessoas. “Não fiquei sabendo que o Festival ia acontecer, mas estava passando pela rua e parei para assistir. Ficou bom porque ocorreu num lugar mais central”, afirma o vendedor Ronaldo da Costa. Outro diferencial desta nova edição foi a “cobertura compartilhada”. Os participantes do evento tiveram a oportunidade de realizar a cobertura midiática do festival. Qualquer pessoa pode desempenhar essa atividade, não precisando necessariamente ser jornalista ou estudante da área, bastou integrar o curso preparatório que foi ofertado pelo próprio festival. A capacitação para a cobertura compartilhada foi no dia 18 de novembro e envolveu três tipos de mídia – internet, rádio e tele16

O evento, com duração de três dias, levou várias atividades culturais à comunidade nos espaços do Corredor Cultural

Camila Schmidt

camilacf.schmidt@gmail.com

visão. Esta atividade resultou em 29 vídeos, 21 textos e mais de 3000 fotos. Confira os resultados da comunicação compartilhada no site oficial do evento: http:// festivaldecultura.art.br/. A Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proec) e a Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Prae) são colaboradoras do evento e prestaram auxílio no aporte estrutural e na logística. A organização do Festival foi realizada pelo Diretório Central dos Estu-

dantes (DCE) da UFPR em parceria com o Coletivo Soy Loco Por Ti – uma Organização Não Governamental. A parceria entre o DCE e o Coletivo teve início em 2006, quando foi organizada a primeira edição do então Festival de Cultura da UFPR. “O Soy Loco Por Ti sempre fez parte do fórum permanente de construção do festival. Com o decorrer das edições houve um crescimento e um amadurecimento do evento que passou a ser Festival

Fotos: Manuela Salazar

Espetáculo A Fábula do Vento Sul foi uma das peças apresentadas no pátio da Reitoria

de Cultura do Paraná”, ressalta Roberta Schwambach, membro da coordenação do evento. A organização do festival recebeu 134 propostas de atividades culturais, um número recorde de participação comparada às outras edições do evento. O maior número de inscrições foi para as áreas de música e dança. Cabe destacar que os artistas inscritos são de localidades distintas. Havia inscrições de 14 municípios do Paraná – Curiti-


Outubro

Culturais 2009

FPR se transforma

ura do Paraná ba, Morretes, Pinhais, Mallet, Guarapuava, Guaraqueçaba, Londrina, São José dos Pinhais, Foz do Iguaçu, Campina Grande, Paranaguá, Ilha do Mel, João Surá, Cambé – além de inscrições de participantes dos estados de São Paulo, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e Espírito Santos. Das 134 propostas de atividades recebidas pela organização do Festival, 110 foram aprovadas e realizadas em 15 espaços culturais durante o evento. Estima-se que cerca de 5.000 pessoas prestigiaram o Festival de Cultural do Paraná durante os três dias de sua realização. As atividades divulgadas na programação do evento para ocorrer no Largo da Ordem foram transferidas para outros locais de realização do Festival devido a uma falta

estrutural. A estrutura do local seria cedida por um colaborador, mas isso não ocorreu. Após o resultado deste ano os organizadores do evento já planejam o Festival de 2010. “A ideia é que o Festival não pare por aí e que através do fórum permanente, viabilizemos atividades do festival durante todo o ano como forma de nos organizarmos coletivamente e já aproveitarmos para mobilizar para o festival 2010”, explica Marco Antônio Konopacki, membro da equipe organizadora do Festival. Os interessados em fazer parte do fórum permanente de construção do Festival podem entrar em contato com os integrantes do DCE, na sede do diretório, localizada na Rua General Carneiro, esquina com Amintas de Barros, 4º andar.

A ideia é que o Festival não pare por aí e viabilizemos atividades durante todo o ano como forma de nos organizar e mobilizar para 2010.” Marco Antônio Konopacki, membro da organização.

Festival de Inverno

Está aberto o processo de seleção de oficinas e espetáculos para o 20º Festival de Inverno da UFPR. As propostas podem ser encaminhadas para a Coordenadoria de Cultura da Proec até o dia 05 de março de 2010. Serão selecionadas oficinas para crianças e adultos nas áreas de artes visuais, dança, música, artes cênicas, arte popular e literatura, além de educação e arte (para professores) e educação especial (para professores e alunos da APAE). As fichas de inscrição estão disponíveis no endereço www.proec.ufpr.br/festival2010 . O 20º Festival de Inverno da UFPR será realizado de 10 a 17 de julho de 2010, na cidade de Antonina, no litoral do Paraná.

Projeto Rondon

A Coordenadoria de Extensão recebeu 130 inscrições de alunos interessados em participar do Projeto Rondon – Operação Centro Nordeste 2010. Ao todo, serão selecionados 18 estudantes, sendo seis para cada projeto – equipe de Santa Bárbara, na Bahia; de Colméia, no Tocantins e de São José da Laje, em Alagoas. Os professores coordenadores dos projetos já fizeram viagens precursoras às cidades, no mês de novembro, para contatos com as prefeituras a ajustes nas propostas. Esta é a primeira vez que a UFPR tem três projetos aprovados e todos encaminhados pelo setor Litoral. A operação Centro Nordeste será realizada durante o mês de janeiro de 2010, com ações de extensão nas áreas de cultura, direitos humanos, educação, saúde, meio-ambiente, comunicação, trabalho, tecnologia e produção.

Exposição no MusA

tenda da cura Oficinas, debates e espetáculos gratuitos reuniram o público em diferentes espaços do Corredor Cultural

A exposição “Novos encontros no Acervo” fica em cartaz até 27 de março, no Museu de Arte da UFPR – MusA. A mostra reúne obras que já pertenciam ao acervo do Museu e novas aquisições, com curadoria realizada pelo projeto Educador em Museu, coordenado pelos professores Stephanie Dahn Batista e Paulo Reis. No dia 17 de dezembro, como parte do calendário dos 97 anos da UFPR, o reitor Zaki Akel Sobrinho, recebe oficialmente as obras doadas pelas artistas Eliane Prolik, Mazé Mendes, Tatiana Stropp e Uiara Bartira.

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Outubro

Foto: Douglas Fróis 2009

Cultura e Extensão: Novo curso

Curso de Museologia abre espaço para

novos profissionais O Museu de Arte (MusA) e o Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) estão envolvidos na criação do curso de Museologia e devem cumprir importante papel para a formação de alunos Fábio Marcolino

fabiomarcolino@ufpr.br

O

s trabalhos para a viabilização do curso superior de Museologia da UFPR começaram este ano, seguindo a Política Nacional de Museus. A comissão responsável é formada por representantes dos departamentos de Antropologia, Artes, Design, História e Turismo, do MAE, MusA e Sistema de Bibliotecas da UFPR. A criação do curso é um desejo antigo — desde os anos 80 havia a discussão para implementação, a partir do interesse dos Departamentos de Artes e de Antropologia. Há dois anos, em visita ao MusA, José do Nascimento Júnior, diretor do Departamento de Museus do Ministério da Cultura é um dos grandes nomes da museologia brasileira, comentou sobre a necessidade de criação de um curso superior de museologia para suprir tanto as necessidades de profissionais qualificados no Estado quanto as demandas do Estatuto dos Museus, o que impulsionou a criação do curso. Aí entram os museus da UFPR, que, de acordo com o 18

diretor do MusA, Ronaldo Santos Carlos, devem trabalhar em conjunto com o Sistema Estadual de Museus. Tanto o MAE quanto o MusA serão contemplados na oferta de estágios supervisionados, da mesma maneira que os principais museus do Paraná, dando oportunidade de experiência profissional aos alunos. A Comissão de Museologia da UFPR levantou que há mais de 100 museus universitários espalhados de norte a sul do país. Muito diferentes entre si, o que os une é a cumplicidade entre Ensino, Pesquisa e Extensão. Muitas vezes, esses espaços não são aceitos no âmbito da lógica acadêmica, o que deve mudar com a criação do curso de Museologia, o que está acontecendo não só na UFPR, mas também em outras universidades federais. De acordo com as concepções da Comissão, o novo curso de bacharelado deverá ter 30 vagas, de modalidade presencial, no período noturno.

Conheça os Museus da UFPR MAE

O Museu de Arqueologia e Etnologia da UFPR (MAE) foi inaugurado em 1962 e é considerado o primeiro museu universitário do Paraná. Com sede principal localizada no município de Paranaguá, está instalado no prédio que abrigou o antigo Colégio dos Jesuítas, fundado em 1755. O acervo do museu é composto por artefatos coletados em pesquisas arqueológicas e etnográficas, principalmente do Paraná, contribuindo para a compreensão da história do estado. Atualmente possui um acervo de aproximadamente 70 mil peças. Além da sede em Paranaguá, possui uma Reserva Técnica instalada no campus Juvevê em Curitiba e uma Sala Didático Expositiva, inaugurada em outubro deste ano no Prédio Histórico da UFPR. MAE - Paranaguá: (41) 3423-2511; Reserva Técnica: (41) 3313-2042; Sala Didático Expositiva: (41) 3310-2754 http://www.proec.ufpr.br/links/ mae.htm

MusA

O Museu de Arte da UFPR (MusA) tem como ideia central estimular o envolvimento entre as diversas unidades didático-pedagógicas da instituição, buscando a aproximação da arte e da ciência com o objetivo de otimizar a disseminação do conhecimento acadêmico por meio de exposições, mostras, palestras e ação educativa. Foi inaugurado em 2002, com uma exposição realizada a partir de um resgate das obras que se encontravam dispersas pelos gabinetes e salas da UFPR. Localizado no primeiro andar do Prédio Histórico da UFPR, sempre apresenta novas exposições com entrada gratuita, e busca valorizar a arte produzida no Paraná, expondo o trabalho de artistas paranaenses, tanto ligados à instituição quanto à comunidade externa. MusA: (41) 3310-2660, 3310-2603 musa@ufpr.br


Cultura e Extensão: Espetáculos

Outubro

2009

Fotos: Douglas Fróis

Público lotou hall, galerias, e escadas na primeira apresentação da Orquestra Filarmônica

Arte nos Campi democratiza criação cultural Apresentações de curta duração nos diversos espaços da Universidade levam a produção dos Grupos Artísticos da UFPR

Alunas do Curso de Dança Moderna da UFPR fazem estreia no projeto Arte nos Campi

onde pudessem ter uma visão privilegiada do espetáculo. Josiane Daher, técnica administrativa do Departamento de Administração Geral e Aplicada até levou a filha, Isabele, de 5 anos. “Esse tipo de projeto facilita o acesso à cultura. A iniciativa é legal, pois com criança é difícil sair à noite para assistir aos espetáculos”, conta Josiane. Para o público discente, conhecer o trabalho dos Grupos Artísticos tem sido uma grata surpresa. Pedro Costa, monitor do curso de Economia e fã de rock, espera que as apresenta-

Lais Murakami

lais@ufpr.br

J

á diz a canção que “todo artista tem de ir aonde o povo está”. Seguindo essa ideia, o projeto Arte nos Campi, da Coordenadoria de Cultura da PróReitoria de Extensão e Cultura, já levou, desde maio, apresentações dos Grupos Artísticos e a exposição de fotos para o hall de setores, Restaurante Universitário Central, Bibliotecas e até para a Capela da Reitoria, em horários de entrada e saída. Para o coordenador de Cultura, professor Walter Lima Torres Neto, o objetivo é “divulgar o trabalho dos grupos que existem há tanto tempo na Universidade, incentivando alunos, professores e técnicos a conhecê-los melhor”. Fábio Marcolino e Douglas Fróis, responsáveis pelo

projeto, contam que na primeira apresentação da Orquestra Filarmônica, em maio, no Setor de Ciências Sociais Aplicadas, foi possível sentir a receptividade do público. “Cerca de 150 pessoas assistiram e aplaudiram de pé”, comentam. A mesma receptividade foi sentida quando o Arte nos Campi retornou ao hall das Sociais Aplicadas, para a apresentação dos bailarinos da Téssera Companhia de Dança e das alunas do Curso de Dança Moderna (CDM). Alunos e professores saíram das salas, pararam nas escadas para saber o que era aquela movimentação, de onde vinha o som e o que aconteceria. Outros, já informados da programação, reservavam lugar

Josiane e a filha: acesso facilitado à produção artística da UFPR

ções aconteçam todo mês: “Eu me surpreendi com a qualidade do trabalho da Orquestra Filarmônica e não tinha ideia do que era a dança moderna. Espero que seja mais frequente”. Michel

Yamada, aluno do 3º ano de Economia completa: “Gostei muito de saber o que existe a mais na UFPR. E poderia ter apresentação também nos intervalos das aulas”. Se para o público é uma novidade assistir a apresentações culturais tão de perto, no local de trabalho ou estudo, para os integrantes dos Grupos Artísticos a prática não é nova. Rafael Pacheco, diretor da Téssera, explica que sempre gostou da proximidade com o público e que os Grupos sempre procuraram locais diferentes dos espaços cênicos para levar arte às pessoas. Estreando no Arte nos Campi, as pequenas bailarinas do Intermediário I do CDM sentiram o gosto da experiência, que uniu medo e a alegria de receber os aplausos de uma plateia tão diferenciada. A programação de 2009 do projeto Arte nos Campi terminou no dia 25 de novembro, com a apresentação do Coro da UFPR no pátio interno do Prédio Histórico. A exposição de fotografias Grupos Artísticos da UFPR, de autoria de Douglas Fróis, fica montada até o dia 10 de dezembro, na Biblioteca de Humanas, no Edifício Dom Pedro I e segue depois para o hall do Prédio Histórico, na Praça Santos Andrade, de 14 a 17 de dezembro. Novas parcerias com os setores da UFPR já estão sendo feitas e em 2010 o Arte nos Campi continuará levando cultura para a comunidade universitária. 19


Outubro

2009

Cultura e Extensão: Aprendizado Lúdico

Projeto de extensão desperta interesse pela física em crianças e adolescentes Brincar, ver, tocar e ao mesmo tempo aprender: uma forma lúdica e interessante de conhecer a ciência através do Projeto Fibra Sônia Loyola

sonial@ufpr.br

U

ma bolinha minúscula como um brinquedo qualquer não tem nenhum significado especial. Mas, o curioso é que quando se trata de Astronomia, essa bolinha pode ser comparada ao tamanho da Terra em relação ao Sol, por exemplo. Além da Terra, respeitando a ordem, também são surpreendentes as dimensões dos outros planetas do Sistema Solar: Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter – o maior de todos –, Saturno, Urano e Netuno. Raul Affonso Schubert Neto, aluno do 5º período do curso de Física é apaixonado por Astronomia. Solícito e interessado, ele fala sobre o Sistema Solar e demonstra também o minúsculo tamanho da Lua em relação à Terra. Membro da Sociedade dos Astrônomos Amadores (SAA) de Curitiba, Raul está montando um telescópio e já confeccionou um simulador que mostra as estrelas próximas ao Sol. O objetivo é proporcionar uma leitura especial do espaço 20

aos estudantes do ensino Fundamental e Médio que visitam o Projeto Física Brincando e Aprendendo (Fibra). Assim como Raul, mais 11

bolsistas e um voluntário estão envolvidos no projeto que, entre outras metas, têm a intenção de divulgar a ciência de forma interativa e divertida para crianças

Fotos: Manuela Salazar

CURIOSIDADE Professor Irineu Mezzaro e o lupping

e adolescentes. “Instituída há dez anos, a iniciativa também viabiliza uma efetiva integração entre professores, alunos e visitantes, despertando nos estu-


Outubro

2009

mais fácil o entendimento. “Normalmente, os visitantes são divididos em dois grupos para facilitar a circulação e aproveitarem melhor as explicações das diversas experiências, explica o coordenador”. Entre elas, estão o lupping; um demonstrador de energia potencial e cinética; um condutor de energia; um mecanismo de geração de energia elétrica; o arco voltaico; um instrumento que reproduz o princípio da solda elétrica; o semiespelho; uma oficina de eletromagnetismo e um aparelho que proporciona a ilusão de ótica.

ENTUSIASMO Nicholas Monteiro apresentando as experiências

dantes novas motivações para o estudo da Física. Por outro lado, a Feira de Profissões da UFPR tem motivado muito os acadêmicos para trabalharem nesse projeto, alguns até vencem a timidez quando participam da feira orientando o público”, explica o professor Irineu Mazzaro, coordenador do projeto. Experimentos Ocupando as instalações do antigo Restaurante Universitário (RU) do Centro Politécnico desde maio deste ano, o Fibra já recebeu mais de 30 mil estudantes. Agora, o espaço de 300 metros quadrados favorece em muito a disposição e a demonstração dos experimentos, muitos deles relacionados com situações vivenciadas no cotidiano das pessoas, o que torna

Quer que eu apresente? A pergunta entusiasmada é do aluno Nicholas Monteiro, do 5º período de Física. “Esse experimento, conhecido por lupping, é semelhante a uma montanha russa. Aqui, o segredo é a velocidade”, explica. Já o arco voltaico produz um efeito que pode ser comparado ao ato de acender o fogão, lembra Nicholas. “Esse é o princípio da solda elétrica”, diz o aluno Wagner Manço da Luz, do 4º período, enquanto manipulava um dos mecanismos. Depois foi a vez do semiespelho, capaz de fundir as imagens dos rostos, lembrando alguns efeitos especiais utilizados no cinema e nos parques de diversão. Na sequência, Wagner e o professor Mazzaro apresentaram uma oficina de eletromagnetismo e um mecanismo que

Projeção O projeto Fibra resultou de um curso de extensão direcionado para os professores da rede pública de ensino. Posteriormente, devido à grande procura e interesse despertados, a Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proec) propôs a transformação da iniciativa para projeto de extensão. O Fibra já foi um dos temas do programa “Globo Universidade” veiculado em 2008. A reportagem foi considerada a melhor do ano no quadro “Fora de Série” do mesmo programa. Também em 2008, ganhou Menção Honrosa como um dos melhores projetos de extensão no Evento de Extensão e Cultura da UFPR. A partir de dezembro, uma série de drops – pequenos programas inseridos entre a programação – sobre o Projeto Fibra será apresentada na TV UFPR. Serão 15 programas, mostrando experimentos, atuação de alunos bolsistas e aplicação prática das atividades do Fibra. A série televisiva faz parte dos novos projetos que serão implantados ao longo de 2010. A TV UFPR já está em contato com coordenadores de cursos e projetos para a gravação de outros programas. A programação da TV UFPR está disponível nos canais 15 da NET e 71 da TVA.

produz a ilusão de ótica, ou seja, dá a sensação de que o objeto usado na experiência está solto no ar, em terceira dimensão e pode ser tocado. Na verdade, brincando, se divertindo e interagindo com essas ferramentas, as crianças absorvem conceitos complexos

relacionados à Física como as ideias de mecânica, temperatura, eletricidade, ótica, magnetismo e outros. “Para os monitores que ficam de plantão durante toda a semana, o Fibra possibilita um treinamento de qualidade e diferenciado”, destaca o professor Mazzaro.

ASTRONOMIA Raul Affonso Schubert Neto e seu experimento

Lançamento da Editora UFPR Travesseiro de Pedra | V��nia Regina Mercer Série Pesquisa: Biologia e Saúde | R$ 64,00

Segundo o médico oncologista Cicero Urban, muito já se falou sobre o médico, sobre o doente, ou mesmo sobre o encontro entre ambos. Mas quase nada sobre o médico-doente. Sim, sobre a doença que está acometendo os médicos e que contagiou também os demais na área da saúde: a falta de compaixão. Sentimento estranho este. Não aprendido, nem mesmo apreendido nos bancos escolares. Apenas algo difícil de ser conceituado, manipulado ou quantificado, mas que possui mais força do que toda a medicina baseada em evidências para confortar as pessoas na fase mais sensível e difícil da vida: o último degrau. Vania Mercer e seus convidados trazem o inconsciente coletivo à tona e o desnudam totalmente aqui. Desfragmentam o fragmentado doente terminal em suas nuances e em suas dores e sofrimento, sensíveis a todos os que padecem da falta de cuidado em uma sociedade secularizada e utilitarista. A morte é uma companheira indesejável na vida do profissional de saúde, mas este livro, juntamente com a experiência de ser paciente, faz repensar. Ela é sim necessária, e com ela aprendemos a ser melhores como seres humanos. Ou melhor, nos reumanizamos. Despertos em nossa fragilidade e abertos à necessidade de nos relacionarmos e de buscarmos construir um mundo melhor no nosso cotidiano. A abordagem aqui não é completa. Jamais a seria, porque a morte é o maior dos mistérios e o Travesseiro de Pedra é o destino final desta viagem chamada vida. Mas é uma obra essencial, sobretudo para aqueles ainda não contaminados. Aos cuidadores verdadeiros. (Fonte: editora.ufpr.br)

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Outubro Entrevista : Pedro Steiner 2009

Foto: Izabel Liviski

“A Funpar possui 120 funcionários em seu quadro e gerencia mais de 400 projetos”

‘Fundações de apoio são

imprescindíveis’ Mário Messagi Jr. messagi@ufpr.br

Colaborou Dalane Santos

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edro Steiner assumiu como superintendente da Fundação da Universidade Federal do Paraná (Funpar) no dia 1º de julho, com um discurso recheado de parábolas. Pedro é um contador de histórias. “Um exemplo bem contado vale muito. Uso parábolas, casos práticos, faço análises”, confessa. Como professor, utiliza a mesma estratégia. Diz que o filme “Os 10 dias que abalaram o mundo” é o maior case sobre

tomada de decisão. Na posição de superintendente, tomar decisões faz parte do seu cotidiano. Steiner é graduado em Engenharia Mecânica pela UFPR, possui mestrado em Master In Engineering Management, pelo Florida Institute Of Technology, onde estudou estatísticas, análise de dados e teorias da decisão, e é doutor em Administração pela Universidade de São Paulo. Foi diretor de programas da Funpar

de 2003 a 2006 e coordenador de Mestrado e Doutorado em Administração de junho de 2007 a junho de 2009. Atualmente, além de ocupar o cargo de superintendente da fundação, é professor de procedimentos quantitativos no curso de Administração. Notícias da UFPR – O que o levou a aceitar o cargo como superintendente da Funpar, nesse momento especialmente delicado que a fundação vive?


Outubro

2009

Pedro Steiner – Primeiro por um convite especial de um amigo de 40 anos, professor Zaki Akel Sobrinho, reitor da UFPR. Eu não poderia jamais recusar o convite de uma pessoa com quem tenho tanta afinidade e respeito. Segundo porque eu já tinha experiência na Funpar e acredito muito na qualidade do pessoal da instituição. São pessoas comprometidas, competentes, engajadas e tem muito que contribuir para o futuro da organização. Notícias – Em que situação financeira e administrativa o senhor encontrou a Funpar? Pedro – Ela estava apresentando um desequilíbrio econômico-financeiro, fruto de uma sucessão de perda de receitas e de uma inadequação de despesas. No final do ano passado uma mudança foi feita no seu enquadramento previdenciário, e os ajustes necessários para isso não foram feitos no início do ano. Então tivemos que nos ajustar agora. Notícias – Projetos foram desativados? Pedro – Alguns projetos que a Funpar exercia não tinham mais nenhuma ligação com a sua função e, portanto, foram desativados.

Pedro – A Funpar constantemente deve rever a sua situação, na medida em que ela tem de ajustar custos. Havendo uma reversão na expectativa de receitas, tanto para mais quanto para menos, será feita uma readequação de valores. Se houver mais projetos em que a fundação esteja envolvida, isto gera mais receita e evidentemente nós temos que reavaliar a necessidade de pessoal, que pode aumentar. Se houver uma redução de projetos e isso provocar redução de receitas, certamente algumas atividades deixarão de ser realizadas e o pessoal pode, eventualmente, ser reavaliado. Nossa expectativa é a manutenção do quadro atual de receitas e com essa perspectiva a Funpar está equilibrada em termos de despesas com receitas. Notícias – Como o senhor avalia a ação dos tribunais de contas hoje, seja na fiscalização das fundações de apoio, mas também dos governos e órgãos públicos? Pedro – Em primeiro lugar, todos os tribunais de contas são instituições muito sérias, preparadas e estão com um quadro de pessoal altamente qualificado. A Funpar, por ser uma fundação de direito privado, não sofre fiscalização dire-

determinações da Lei nº 8666. Todas as nossas ações, intervenções estão de acordo com as normas que regulam contratações e uso de verbas públicas. Notícias – Então, hoje, a Funpar e os tribunais de contas mantêm relações perfeitamente ajustáveis? Pedro – A princípio, sim. O TCE elogiou a Funpar por ser um exemplo na prestação de contas. Este ano nós temos cerca de 70 projetos executados na Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) e apenas em cinco houve a necessidade de complementação na prestação de contas, e ainda assim, foram coisas bem simples como um extrato de banco que faltou ou uma informação que não foi dada de maneira muito clara. Nós estamos dentro das normas legais. Notícias – O escândalo com a fundação da UnB afetou muito a imagem das fundações. O senhor acredita que a Funpar, de certa forma, saiu com a sua imagem prejudicada em função do escândalo que ocorreu em Brasília? Pedro – A Funpar foi criada em 1979, ela tem 30 anos de tradição e experiência. Evidentemente que

no geral, não acaba prejudicando a imagem pública das fundações? Pedro – Essa situação não acontece somente em termos de fundações, se você for pensar em outras instituições públicas no Brasil, todas passaram por uma espécie de revisão de comportamentos éticos. Generalizar a situação para as fundações, acreditando que todas pratiquem atos reconhecidos como antiéticos e ilegais é um exagero. Certamente, a Funpar sempre teve um padrão de comportamento e de ação bastante ligados aos princípios éticos e não pode ser colocada na mesma situação. E outras fundações devem se encontrar na mesma situação, a Fundação Oswaldo Cruz é uma referência mundial, e com certeza, ela tem uma atuação baseada em princípios éticos de atendimento à população. Notícias – Hoje, seria possível as universidades, com uma maior autonomia, prescindirem das fundações de apoio? Pedro – As universidades têm projetos de atuação permanente e projetos de atuação temporária. Nos projetos de atuação permanente a contribuição da Fundação é limitada, mas nos projetos de

“O TCE elogiou a Funpar por ser um exemplo na prestação de contas. Este ano nós temos cerca de 70 projetos executados na Seti” Mas mantivemos projetos vinculados com a função institucional da Fundação, que é a de apoiar a UFPR. A Funpar é reconhecida e certificada como uma instituição de apoio. Notícias – Quais foram as medidas tomadas para resolver os problemas pelos quais a Funpar estava passando? Pedro – Passamos por uma reformulação de projetos, eliminamos alguns que se tornaram inviáveis e fizemos uma readequação do quadro de funcionários. O quadro da Funpar estava baseado em uma outra realidade, diferente desta em que ela se encontra hoje. Agora a Fundação vive um novo momento, correspondente ao seu estado econômico-financeiro. Notícias – Ela já está saneada ou ela tem um prazo para fazer ajustes e se tornar saneada?

ta do Tribunal de Contas da União (TCU) nem do Tribunal de Contas Estadual (TCE), ela sofre de forma indireta, na medida em que recebe verbas federais e estaduais para execução de projetos que são de interesse dos mesmos. Nossa atuação tem sido sempre pautada no princípio básico de atender integralmente todas as demandas dos tribunais de contas. Tivemos recentemente uma reunião (em todo o Estado) e a Funpar foi muito elogiada pela excelência e qualidade na sua prestação de contas. Nós acreditamos que estamos no caminho certo, trabalhando com seriedade, todas as nossas ações são baseadas na Lei nº 8958, que é a lei que regula as fundações de apoio às universidades e também todos os nossos processos licitatórios, de compras, aquisições, contratações estão pautadas nas

nesse período a Fundação atendeu a diversas gestões da UFPR e teve, dentro dela, uma série de superintendentes e diretorias. A princípio, casos como aquele que aconteceu na fundação da UnB não tem condições de ocorrer aqui na Funpar. Acredito que um fato desses nunca aconteceu e jamais ocorrerá. A Fundação não se presta executar ações que fujam aos princípios de moralidade e ética. Por isso, estou confiante que a Funpar vai passar ilesa por essa situação e também acho que o papel das fundações é de extrema relevância, pela agilidade, pela estrutura, pela capacidade de participar de projetos temporários. Notícias – O senhor não acha que pesou uma suspeita, de maneira generalizada, em cima das fundações, mesmo com as que estavam longe do escândalo? Isso,

atuação temporária a universidade não pode prescindir da ajuda da Fundação. Eu acredito que a Fundação vai estar voltada especificadamente para esse tipo de projeto, dando uma contribuição importante para que as universidades possam executar as suas ações de forma adequada. Notícias – Na concepção do senhor, mesmo que houvesse uma autonomia maior das universidades, ainda assim as fundações de apoio seriam necessárias? Pedro – Certamente, porque a autonomia das universidades está mais voltada para área de criação de cursos, parte de gestão pedagógica. Na gestão de outros recursos, como recursos de investimento, de pessoal, a atuação dela é um pouco mais limitada. Nesse quesito em especial, as fundações podem dar uma boa contribuição. 23


Outubro Outubro

2009 2009

Q

uando a Segunda Grande Guerra eclodiu, a família Baranow já havia saído da República da Estônia. Ulf Gregor – que mais tarde se tornaria um homem de 1,80m de altura, com nublados olhos azuis – era então uma criança de colo. Passou a infância na Alemanha, um dos principais países beligerantes e, não fosse a destruição causada pelo conflito, talvez nunca tivesse vindo para o Brasil, principal opção da família depois que a Europa ficou devastada. Do velho continente, Baranow herdou o caráter metódico e detalhista, a disciplina eslavo-germânica, a crítica contundente (por vezes mordaz), a seletividade para ambientes sociais e uma certa impaciência com o que chamamos de “jeitinho”. (Quando trabalhava no livro em comemoração aos 95 anos da Universidade, por exemplo, o professor garantiu, em uma reunião, que não faria, de maneira alguma, um “panfleto de supermercado”, contrariando aqueles que propunham uma publicação menos substancial.) Não muito mais que isso, porém. “Minha vida pregressa é menos importante”, justifica. Naturalizado brasileiro, obteve aqui uma sólida formação humanística. Poliglota, com um rol de idiomas que inclui o latim, formou-se em Curitiba nos cursos de Direito e Filosofia – este último já pela UFPR. Na mesma época, lecionou inglês no Colégio Estadual. Entre os alunos, um garoto que mais tarde ficaria conhecido pela poesia rápida e pelos bigodões extravagantes: Paulo Leminski, do qual ele lembra como um estudante “brilhante, que entendia muito de literatura inglesa, certamente mais do que o professor”. A confissão dá uma pista sobre um traço da personalidade de Baranow. Ele parece não ter problemas em aceitar uma diversa gama de opiniões sobre si mesmo e também se diz desconfortável com a acirrada competição entre colegas. “É o capitalismo selvagem trazido para dentro da universidade, em detrimento de um convívio mais humanizado. Mas essa talvez seja a conclusão de um velho”.

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Perfil: Ulf Gregor Baranow Quando chegou à casa dos 70 anos, Ulf Gregor foi compulsoriamente aposentado do serviço público. Uma perda, segundo a amiga Liane dos Anjos, bibliotecária do Setor de Ciências da Saúde, no Jardim Botânico. “Ele é um homem superinteligente, extremamente lúcido e focado. Pessoas assim deveriam ficar em sala de aula até o fim da vida”, opina. Ainda no início da carreira, após voltar do doutorado em Linguística e Filosofia na Universidade de Munique, Baranow foi professor durante quase 20 anos da Uni-

raro irredutíveis, que também não dispensa duelos no campo intelectual. “Ele gosta de polemizar. É também, sem dúvida, um amigo dedicado, com quem se pode contar nas horas de dificuldade. Mas é muito crítico; é culto, inteligentíssimo; não diz ‘amém’ para qualquer coisa”, descreve Leilah. Na UFPR, Baranow lecionou primeiro no curso de Biblioteconomia e, posteriormente, no de Ciência e Gestão da Informação. Nesse último, um de seus alunos na disciplina de Semiótica foi Frederick van Amstel. “Naquele

O capitalismo selvagem é trazido para dentro da universidade, em detrimento de um convívio mais humanizado. Mas essa talvez seja a conclusão de um velho.” Foto: Izabel Liviski

Sandoval Matheus

sandoval@ufpr.br

versidade de Brasília. Retornou a Curitiba (e à UFPR) em meados dos anos 90, quando a professora Leilah Bufrem saía para um pósdoutorado. Como os dois lecionavam na mesma área (metodologia da pesquisa) Ulf a substituiu. Dono de um senso de humor que oscila entre o leve e o cáustico, Baranow é um homem capaz de gentilezas como levar flores e pequenos mimos quando é convidado pela primeira vez à casa de um anfitrião. É um cavalheiro – daqueles autoconfiantes e não

Um cavalheiro irredutível ano, o professor queria que eu inscrevesse um trabalho no Evinci [Evento de Iniciação Científica]. Eu nem sabia o que era o Evinci, mas dava pra ver que ele realmente queria que a gente crescesse”, lembra Fred. Tanto que o aluno recebeu um convite para terminar o trabalho semestral na casa do professor, para que pudesse ter maior orientação. O que mais o impressionou foi a biblioteca da residência (“Milhares de livros, sei lá quantos”) que se estendia por todos os cô-

modos, inclusive o banheiro. À época Baranow comentou estar juntando dinheiro para adquirir o apartamento ao lado. “Um lugar para guardar a biblioteca”, justificou. Agora, apesar de aposentado e já no “ocaso cronológico da vida”, Baranow mantém-se ligado à Universidade em um trabalho voluntário. Trata-se do resgate histórico relativo aos 100 anos do que ele chama de sua “alma mater”. “A mesma que me acolheu como calouro – há mais de meio século”, recorda.


Notícias da UFPR (Dezembro)