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II SEMINÁRIO de ETNOMUSICOLOGIA UFRGS/UFPEL

temas, problemas e métodos 29 e 30 de novembro de 2012


APRESENTAÇÃO

Depois de uma primeira edição realizada em 2008, o Grupo de Estudos Musicais – GEM/ UFRGS, no ano de seu vigésimo aniversário, e o Grupo de Etnomusicologia da UFPel voltam a associar-se para uma nova jornada de ações formativas e discussões focadas no estado da arte da produção acadêmica na área da Etnomusicologia/Antropologia da Música.

Através de apresentações das pesquisas em andamento, por parte de estudantes

de graduação, mestrandos e doutorandos de ambas as instituições e de comentários pelos orientadores e professores colaboradores, este seminário intra-rede visa dinamizar as trocas de referências teóricas e experiências metodológicas entre os participantes com o intuito de fazer avançar a reflexão crítica sobre paradigmas e dilemas atuais da produção de conhecimento na área consoante à multiplicidade emergente e incessante de mediações sonoro-musicais nas sociabilidades cotidianas. Relevante também para ambos os grupos de pesquisa envolvidos nesta parceria é a tarefa reflexiva acerca da inserção dos jovens pesquisadores na disciplina face aos novos desafios representados pelas políticas públicas nacionais e globais do “capitalismo digital” no âmbito da cultura e da educação, do patrimônio imaterial e da memória social. Para acompanhar esses temas, convidamos a todos os interessados para as sessões de trabalho dos dias 29 e 30 de novembro do II Seminário de Etnomusicologia UFRGS/UFPel.

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RESUMOS

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Identidades, performance, eventos festivos Performance e Identidade no Aniversário do Sr. Exu Rei das Sete Encruzilhadas __________________

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Felipe Cemim Música e Identidade adventista _____________________________________________________

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Josi Hellem Martins de Azevedo Entre Mantras, Hinos, Preces e Emissões: A Função da Música nos Rituais do Vale do Amanhecer ____

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Roberta Xavier Gonçalves Bailes no Ferrinho: Entre ruínas, trilhos e trilhas _________________________________________

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Fernanda da Silva Chagas Festivais nativistas: patrimônio cultural do Rio Grande do Sul? ______________________________ Sabrina de Matos Marques

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RESUMOS

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Mídias, tecnologias e mediações musicais As vozes das Américas - A mediação musical através da análise dos programas de rádio de Radamés Gnatalli e Alan Lomax (1935-1945) ____________________________________________________

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Rafael Henrique Soares Velloso Transformações e continuidades no cururu: buscando novas questões entre festas, festeiros e programas de TV _________________________________________________________________________

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Jéssica Hiroko de Oliveira Recepção musical no Twitter: um estudo de caso da tag #TheVoiceBr ________________________ Carolina Ferreira

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RESUMOS

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Construções de gênero no campo musical Que música é essa? Drag music agenciando identidades __________________________________

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Daniel Vergara Chanteuses e cabarés: performance, gênero e identidade na Porto Alegre do início do século XX ____

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Fabiane Behling Luckow Mijita! Que el clarinete es solo pa’ hombres: As construções de gênero nas práticas musicais da cidade de Quibdó-chocó (Colômbia) _________________________________________________________ Marcela Velásquez Cuartas

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RESUMOS

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Etnografias musicais em contextos tradicionais e urbanos Festivais de música do RS: uma perspectiva etnomusicológica sobre identidades regionais _________

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Clarissa Figueiró Ferreira Os sons da Cohab com a gurizada do Bãh: Etnografia das políticas sonoro-musicais no bairro Feitoria de São Leopoldo/RS ________________________________________________________________

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Luana Zambiazzi dos Santos O Cordão União da Classe de Jaguarão, RS e a Marchinha Carnavalesca _______________________

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Juliana dos Santos Nunes “A encantadora tradição germânica”: um estudo etnomusicológico sobre o canto coral de teuto-brasileiros católicos na região da encosta da serra gaúcha __________________________________________

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Suelen Scholl Matter Representações da identidade missioneira através da música regional do Rio Grande do Sul ________ Fernando Henrique Machado Ávila

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RESUMOS

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Etnografias musicais em contextos tradicionais e urbanos Cosmo-sônica Kaingang: categorizações sonoras de um povo Jê Meridional ____________________

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Artus Goerl Profissionalização e trajetória de jovens instrumentistas de orquestra: o caso do projeto Sonarte de São Leopoldo _____________________________________________________________________

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Maria Eugênia de Abreu Ferreira Brasilidade em terras lusitanas: a música brasileira nos conservatórios portugueses ______________ Ezequiel Carvalho Viapiana

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RESUMOS

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Circulações políticas do sonoro-musical A Chacarera entre Argentina e Brasil: aportes e apropriações _______________________________

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Fabiano Bacchieri O violão de sete cordas na música nativista: um ensaio etnográfico __________________________

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Fernando Borges Barcellos Fazendo música e pensando política identitária: o papel do grupo de música e dança na movimentação político-identitária afro-paraguaia ___________________________________________________

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Cristhiano Kolinski A política do som em São Paulo: o caso dos Pancadões ___________________________________ Leonardo Cardoso

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Identidades, performance, eventos festivos

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Performance e Identidade no Aniversário do Sr. Exu Rei das Sete Encruzilhadas Felipe Cemim Mestrando em Musicologia/Etnomusicologia UFRGS Orientador: Prof Dr Reginaldo Gil Braga O presente trabalho tem como objetivo entender a partir da observação participante e da etnografia colaborativa, os processos que fundamentaram a construção da performance do baile de gala, referente à comemoração quinquagésimo segundo aniversário da primeira manifestação do Sr. Exu Rei das Sete Encruzilhadas, através da médium e mãe de Santo Ieda Viana da Silva, conhecida como Mãe Ieda do Ogum. na cidade de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Este ser espiritual apresenta-se nos ritos da modalidade religiosa denominada Quimbanda ou Linha Cruzada, que faz parte do campo religioso afro-gaúcho. Este texto focou-se nos elementos e procedimentos performativos (dança, música e magia) realizados no período do calendário festivo do mês de agosto, quando ocorrem no terreiro de Mãe Ieda, diversas festas são celebradas em homenagem à entidade, sendo a principal realizada no dia dezoito de agosto, contando com a presença de aproximadamente mil e quinhentas pessoas de diversas regiões do Brasil e Cone Sul.


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Identidades, performance, eventos festivos

Música e Identidade adventista Josi Hellem Martins de Azevedo Graduanda em Música UFPel Orientadores: Mario de Souza Maia e Werner Ewald Este trabalho centra-se no repertório do “Pelotas Coral Adventista” da IASD Central de Pelotas, buscando fazer um levantamento de suas fontes e da sua trajetória em hinários, grupos musicais e Institutos de Ensino. Tais Institutos são verdadeiros centros de produção de repertório e de formação de corais, conjuntos vocais e instrumentais, que por sua vez estabelecem o modelo que será usado pelos grupos musicais adventistas no Brasil.


Identidades, performance, eventos festivos

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Entre Mantras, Hinos, Preces e Emissões: A Função da Música nos Rituais do Vale do Amanhecer Roberta Xavier Gonçalves Graduanda em Antropologia UFPel Orientadores: Mario Maia/ Werner Ewald Se analisarmos o conjunto de trabalhos espirituais realizados no Vale do Amanhecer como um grande ritual de mobilização e comunicação do discurso religioso, observamos que a música possui um papel fundamental no que diz respeito a condução e o efeito simbólico do ritual.

A partir do trabalho de pesquisa etnográfica realizado no Templo Murajo do

Amanhecer (um dos trezentos templos no Brasil), localizado na BR 392 entre Pelotas e Rio Grande, observamos que para a doutrina a música é o trabalho espiritual. O som emitido de maneira cadenciada, funciona como linha de força vibratória que atinge diretamente os que estão ouvindo, ou seja, a audiência. Além de ser responsável por abrir um canal de comunicação entre os médiuns e as entidades do astral superior, ela faz curar, energizar, sintonizar com forças espirituais, ela não só é permitida, como é necessária.

No entanto, percebemos que para analisar o universo musical da doutrina, precisamos

refletir sobre o assunto a partir de quatro categorias de entendimento, são elas: mantras, hinos, preces e emissões. Cada uma destas categorias possui um significado e a sua reprodução deve respeitar uma ordem e cumprir uma função.

A musicalidade presente no Vale do Amanhecer, possui um papel que ultrapassa o

entendimento coletivo, não é apenas uma etapa ou uma das características do ritual de cura mágica, ela é um comunicador que permite que os adeptos (músicos) e os pacientes (audiência) sintam de maneira inconsciente que o ritual ocorreu da maneira certa e que seu objetivo foi alcançado.


Identidades, performance, eventos festivos

Bailes no Ferrinho: Entre ruínas, trilhos e trilhas. Fernanda da Silva Chagas Bacharel em Ciências Sociais - UFPel Orientadora: Cláudia Turra Magni Em meio à paisagem degradada da Estação Férrea de Pelotas/RS, resultante da extinção da Rede Ferroviária Federal nos anos 90, o Esporte Clube União Ferroviário, criado com a finalidade de proporcionar um espaço de lazer para seus funcionários, mantem-se ativo através dos bailes realizados para o público idoso. Foi a partir deste aparente contraste entre abandono e resistência, morte e vitalidade, que surgiu o mote desta etnografia, desenvolvida com referencial teórico da etnomusicologia, antropologia visual e urbana, com ênfase no conceito de imagem dialética, de Walter Benjamin. O popular “Ferrinho”, onde ocorrem os bailes, foi o universo da investigação, onde se buscou conhecer a relação interpessoal e performática entre seus habitués e destes com a Estação Ferroviária que lhe deu origem, tendo em vista as transformações que ambos os espaços adquiriram com o passar do tempo. O dinamismo é característica fundamental desse contexto urbano, onde tanto o Clube, quanto a Estação Férrea, apresentaram diferentes formas de reapropriação e ressignificação, seja pelo poder público, seja pelas pessoas que praticam e vivenciam esse espaço. Foi perceptível uma dupla forma de resistência do Clube, enquanto espaço identitário referencial dos ferroviários (por manter-se em atividade e pelo acervo em potencial de bens móveis que ele guarda) e por proporcionar vitalidade aos frequentadores dos bailes, sendo a dança e a música aspectos centrais para entender esse contexto. Percebe-se, assim, que o “Ferrinho” pode ser visto como um lugar vital de socialização de idosos e um lugar de memória dos ferroviários, uma categoria profissional em extinção.

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Identidades, performance, eventos festivos

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Festivais nativistas: patrimônio cultural do Rio Grande do Sul? Sabrina de Matos Marques Especialista em Artes - Patrimônio Cultural – Centro de Artes – UFPel Orientador : Mário de Souza Maia A preocupação em torno dos patrimônios culturais é um assunto cada vez mais abordado em diferentes níveis. A preservação de bens culturais que traduzem identidades culturais, de um determinado local ou sociedade, tem resultado de diferentes ações para alcançar este objetivo. Com foco nos bens culturais imateriais e nas diferentes ações que estão surgindo em busca da preservação e salvaguarda destes bens, esta pesquisa pretende questionar a validade de algumas destas ações direcionadas a patrimonialização de determinadas expressões culturais. Entendendo que as manifestações populares são mediadoras de identidades, este trabalho aborda um destes processos de patrimonialização, relacionado ao Movimento Nativista do Rio Grande do Sul, um movimento musical e cultural que nasceu no ano de 1971 com o festival Califórnia da Canção Nativa e persiste há 40 anos através do ciclo dos Festivais Nativistas. Em 2005 foi decretada uma lei no estado que tornou a Califórnia da Canção Nativa Patrimônio Cultural do Rio Grande do Sul, e após, em 2008 outra que considera todos os Festivais Nativistas Patrimônios Culturais do estado. Tendo por referência as diferentes legislações criadas por órgãos mundiais, federais, estaduais e municipais que trabalham em prol da questão dos Patrimônios Culturais Imateriais e os instrumentos provenientes deste trabalho, esta pesquisa busca questionar a validade e os efeitos que estas leis trouxeram a esta manifestação cultural e popular.


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Mídias, tecnologias e mediações musicais

As vozes das Américas – A mediação musical através da análise dos programas de rádio de Radamés Gnatalli e Alan Lomax (1935-1945) Rafael Henrique Soares Velloso Doutorando em Musicologia/Etnomusicologia UFRGS Orientadora: Prof Drª Maria Elizabeth Lucas O presente artigo tem como intuito apresentar os resultados iniciais de uma pesquisa de doutorado que busca estabelecer possíveis relações entre as trajetórias de Radamés Gnattali e Alan Lomax, a partir de seus respectivos projetos focados na música popular e folclórica de seus países. A partir de uma perspectiva etnomusicológica na análise dos arquivos particulares e públicos no Brasil e nos EUA, a pesquisa tem como foco alguns exemplos de programas de rádio, bem como de outros momentos de construção de identidade nacional, tendo como contexto histórico o Pan-Americanismo e as politicas culturais compartilhadas pelos países nas décadas de 30 e 40. Por fim a pesquisa visa também discutir como estas representações foram negociadas e articuladas nos distintos contextos, e como tais produções foram novamente apropriadas em um momento seguinte.


Mídias, tecnologias e mediações musicais

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Transformações e continuidades no cururu: buscando novas questões entre festas, festeiros e programa de TV Jéssica Hiroko de Oliveira Doutoranda em Antropologia Social – UFRGS Orientadora: Prof Drª Maria Elizabeth Lucas Neste trabalho, trago reflexões iniciais sobre minha aproximação nas veredas dos estudos da Etnomusicologia, concomitantemente à entrada no universo cururueiro, a partir das primeiras imagens e notas de minha pesquisa etnográfica. Iniciar esta pesquisa requer não somente uma revisão bibliográfica sobre o cururu, gênero musical que se manifesta no interior de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, como uma aproximação deste campo, que privilegiará a especificidade das práticas cururueiras em cidades do interior paulista, mais precisamente, a região do Médio Tietê. Nestas, à revelia de outros estados e/ ou em outras épocas, se daria o cururu “pagão”, de caráter improvisado e em tom de desafio, sem necessariamente abordar temas com viés religioso. O foco desta pesquisa privilegiará o estudo da música em seu contexto social, buscando investigar, a partir daqueles que a vivenciam, questões mais amplas como sua prática, circulação, difusão, o que possivelmente trará reflexões sobre diferenças e/ou diferenciações em torno de identidades, narrativas (incluindo científicas) e discursos acerca da musica e cultura (popular, regional, brasileira), tradição, balizando processos de transformações dentro deste campo. No intuito e movimento de abertura a novas reflexões e diálogos, apresentarei alguns aspectos e descrições oriundos das primeiras observações etnográficas, realizadas entre os dias 26 e 27 de maio deste ano. Pensar os estudos da performance a partir da música se coloca como uma busca por apreender  novas formas de sensibilidade, juntamente com a possibilidade de propor e percorrer novas metodologias de pesquisa neste fazer etnográfico que se inicia.


Mídias, tecnologias e mediações musicais

Recepção musical no Twitter: um estudo de caso da tag #TheVoiceBr Carolina Ferreira Graduanda em Ciências Musicais UFPel Orientador: Mario de Souza Maia

A partir de uma atividade desenvolvida nas disciplinas de Etnomusicologia, do curso de Ciências Musicais da Universidade Federal de Pelotas, este projeto pretende analisar as interações musicais no contexto cibernético, utilizando a rede de relacionamentos Twitter como objeto de estudo. O twitter é uma das principais redes online onde é possível para seu usuário expressar-se em tempo real aos fatos. Esta rede permite que o expectador participe através de seus comentários, escritos em até 140 caracteres. A presente pesquisa baseia-se na análise do tópico que envolve a hashtag #TheVoiceBr. O The Voice é um programa de calouros, promovido pelo canal Globo de televisão, que vai ao ar todo Domingo. A primeira fase deste trabalho analisa as respostas dos usuários ao tópico #TheVoiceBr e observa a repercussão que as apresentações tiveram neste tópico. Através da utilização da etnografia virtual é possível fazer uma análise destes comentários, onde se busca compreender como os usuários se sentem parte da plateia e do júri do programa, mesmo apenas participando via computador. Este trabalho pretende ser expositivo e encontra-se ainda em fase de coleta de dados e reflexões acerca deste novo contexto de recepção e difusão musical.

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Construções de gênero no campo musical

Que música é essa? Drag music agenciando identidades. Daniel Vergara Mestrando Antropologia - UFPel Orientador: Mario de Souza Maia Este trabalho objetiva discutir questões de gênero e música presente nas performances das Drag Queens de Pelotas/RS. Ao presenciar varias performances, nota-se que a “Drag Music” é um fenômeno de grande extensão nas cenas LGBT e, além de ser música, ela é uma interpretação de mundo, uma arte nômade que se modifica em cada espaço, em cada perfomance, se desterritorializando dos padrões musicais tradicionais e se reterritorializando em sua diversidade sonora. A atmosfera das luzes coloridas, da fumaça e da música, convocam o corpo das Drags ao movimento e as conduzem a uma experiências sensorial feminina. Segundo o DJ Bunny Spiice o estilo “Tribal House” é o grande carro chefe das cenas LGBT. Entretanto, o universo da Drag Music é mais diversificado, com a Soulfull House, Disco Music e Pop. Segundo Spiice ela é uma música “apimentada” que “faz soltar a franga” e por ela sempre ser usada nas performances das Drag Queens são rotuladas de Drag Music. Diversos efeitos sonoros compõem ainda este estilo de música, como sons de sirene, vidros quebrados, chicotes etc, tornando assim essa musica diferente de outros ritmos. Cabe salientar o potencial da Drag Music para a construção de uma identidade drag queen, conforme a fala das colaboradoras Maddivah Vuitton e Giselle Gaultier. Para elas, essa música é um fator essencial para sua transformação, além de estar fortemente inserida no cotidiano desse grupo, fazendo parte de seus hábitos e costumes cotidianos.

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Construções de gênero no campo musical

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Chanteuses e cabarés: performance, gênero e identidade na Porto Alegre do início do século XX Fabiane Behling Luckow Mestre em Musicologia/Etnomusicologia UFRGS Orientadora: Prof Drª Maria Elizabeth Lucas Nesta comunicação, apresento algumas reflexões presentes em minha dissertação de mestrado, em que procurei tratar, desde uma perspectiva etnomusicológica, através de uma etnografia histórica, as relações de gênero, tendo como objeto de estudo a trajetória das cantoras/chanteuses dos cabarés e/ou clubes noturnos de Porto Alegre (RS) nas primeiras décadas do século XX. A partir de suas performances artístico-musicais, busquei compreender como estas personagens do campo artístico negociavam suas identidades nesse cenário de intensa circulação artística. Largamente difundido na imprensa e nas crônicas brasileiras da belle époque, posto que uma parcela considerável de artistas-cantoras eram literalmente enviadas por empresários da Europa para o mercado sul-americano (Rio de Janeiro e Buenos Aires e daí para Porto Alegre), o termo francês chanteuse conferia-lhes status sobretudo em relação às cantoras nacionais, que também competiam por visibilidade nos clubs, cabarets e music halls. O status atribuído aos elementos internacionais, especialmente à cultura francesa, estendia-se também ao repertório. Clubes frequentados pela elite política e econômica do Rio Grande do Sul contavam com a presença de cantoras com um certo capital cultural que lhes permitiam apresentar desde árias famosas de óperas italianas até a “música ligeira”, sobretudo canções adaptadas de operetas e zarzuelas, enquanto em clubes cujo status estava associado às classes mais modestas, músicas nacionais, como cateretês, cantos caipiras e lundus, eram anunciadas nos reclames. Considerando-se as escolhas diversificadas de repertório musical e suas performances ao vivo, pode-se compreender como essas cantoras negociavam suas identidades enquanto artistas mulheres a fim de melhor posicionarem-se no campo artístico oferecido pela modernidade urbana no Brasil, através do fenômeno social dos cabarés.


Construções de gênero no campo musical

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Mijita! Que el clarinete es solo pa’ hombres: As construções de gênero nas práticas musicais da cidade de Quibdó-chocó (Colômbia) Marcela Velásquez Cuartas Mestranda em Antropologia Social UFRGS Orientadora: Prof Drª Maria Elizabeth Lucas A pesquisa etnográfica realizada durante quatro meses (entre os anos 2009, 2010 e 2011) na cidade de Quibdó, capital do departamento de Chocó (Colômbia) serve como base para o seguinte estudo. Nosso foco estará na cena musical da cidade, principalmente nas chirimías e banda, conjuntos musicais característicos da região. O trabalho de campo me permitiu perceber que o espaço musical do local é concebido como o espaço dos homens, onde se reafirmam determinadas masculinidades, e que surgem disputas simbólicas quando as mulheres tentam fazer parte desse contexto. Sabe-se que cada individuo da comunidade participa na construção daquilo que se entende por música, o que, por sua vez, influencia no modo de praticá-la. Isto, relacionado ao fato de existirem disputas de gênero neste espaço, me leva a ter como objetivo da pesquisa a análise da configuração das identidades de gênero nas práticas musicais de Quibdó. Para isso, tento levar em conta que essas práticas passam por uma performatividade com forte incidência nas corporalidades e sonoridades que se constroem na música da cidade. Para conseguir identificar e analisar essas configurações, tentarei inserir-me onde se constrói a música, dando maior atenção aos espaços domésticos, considerados cenário fundamental da aproximação à vida musical da cidade. No entanto, também serão considerados outros espaços, como as escolas e as festividades populares e religiosas da cidade, para entender as dinâmicas coletivas e individuais e as ideias relacionadas às práticas musicais e à participação de homens e mulheres neste contexto.


Etnografias musicais em contextos tradicionais e urbanos

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Festivais de música do RS: uma perspectiva etnomusicológica sobre identidades regionais Clarissa Figueiró Ferreira Mestranda em Musicologia/Etnomusicologia UFRGS Orientador: Prof Dr Reginaldo Gil Braga O impasse entre tradicional e novo está presente no ambiente dos festivais de música nativista do Rio Grande do Sul, Brasil, desde o primeiro evento em 1971. O presente projeto de pesquisa traz a reflexão sobre as características que objetivam padronizar particularidades identitárias, como também restringir a inclusão de novas propriedades às composições musicais, a fim de buscar a “autenticidade” de tais obras como sendo genuinamente gaúchas.

Através da observação participante, como musicista atuante nestes festivais, o

método etnográfico será utilizado para abordar os festivais nativistas, lançando mão da análise das performances como meio de obter entendimentos sobre as dinâmicas presentes nas permanências e transformações das práticas musicais.


Etnografias musicais em contextos tradicionais e urbanos

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Os sons da Cohab com a gurizada do Bãh: Etnografia das políticas sonoromusicais no bairro Feitoria de São Leopoldo/RS Luana Zambiazzi dos Santos Doutoranda em Musicologia/Etnomusicologia UFRGS Orientadora: Prof Drª Maria Elizabeth Lucas O trabalho que busco apresentar trata-se de uma síntese do projeto de doutoramento, que parte da proposta de uma etnografia das políticas sonoro-musicais em um contexto urbano, multiespacial e multitemporal, de uma Vila em uma cidade, que entre outras representações, acentua seu marco histórico de recebimento do primeiro grupo de imigrantes alemães no Brasil – a cidade de São Leopoldo/RS. Talvez por uma memória histórica ou coletiva, algumas práticas sonoro-musicais iniciadas por uma comunidade afrodescendente permeiam vila afora, nos sons “vazados” dos espaços de religiosidade e sociabilidade, ou mesmo quando a rua vira palco. Nessa vila, a Cohab Feitoria, estigmatizada como pobre e violenta, tentarei, através da etnografia, compreender os significados sociais e sistemas simbólicos pelos quais o espaço é organizado através de suas múltiplas sonoridades e práticas musicais. Inserida em redes que se superpõem à medida que avanço no trabalho de campo – dentre elas um grupo de rappers, a Gurizada do Bãh, que têm me conduzido aos diversos espaços musicais da Vila – tento justamente questionar os caminhos teóricos e metodológicos que já estou seguindo e como devo prosseguir, questões essas que tentarei compartilhar entre os pares.


Etnografias musicais em contextos tradicionais e urbanos

O Cordão União da Classe de Jaguarão, RS e a Marchinha Carnavalesca Juliana dos Santos Nunes Licenciada em História - UFPel Orientadora: Cláudia Turra Magni O presente trabalho tem por objetivo mostrar a trajetória do Cordão União da Classe, fundado em 1924, na cidade de Jaguarão, fronteira do Brasil com o Uruguai. Além do estilo carnavalesco de desfile, em formato de “cordas”, a pesquisa centrou-se nas chamadas marchinhas carnavalescas, compostas pelos músicos participantes do cordão durante os folguedos de Momo. Essas marchinhas mostram o pertencimento étnico a partir de “unidades mínimas ideológicas”.

Este cordão carnavalesco pertenceu ao Clube Negro 24 de Agosto, fundado em

1918 por negros operários impedidos de frequentar outros meios bailantes e sociais da cidade. A instituição além de possuir forte vínculo com uma entidade operária da cidade, especialmente o Círculo Operário Jaguarense, também dialogou com a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e as festividades de coroação de reis, bem como a transitividade de músicos para o carnaval uruguaio.

A metodologia dessa pesquisa baseou-se na interdisciplinaridade, abordando desde

a antropologia, em especial a “etnografia da duração”, a observação participante, da história, com o levantamento de fontes arquivísticas e com o auxílio da história oral e da etnomusicologia para a análise das músicas compostas para o carnaval de 1924.

Essa pesquisa serviu para o reconhecimento do Clube Negro 24 de Agosto, como

patrimônio cultural do Estado do Rio Grande do Sul, a partir da abertura do processo, pedido pela própria comunidade que se encontrava em vias de extinção.

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“A encantadora tradição germânica”: um estudo etnomusicológico sobre o canto coral de teuto-brasileiros católicos na região da encosta da serra gaúcha Suelen Scholl Matter Mestranda em Musicologia/Etnomusicologia UFRGS Orientador: Prof Dr Reginaldo Gil Braga Este estudo descreve o agenciamento identitário de grupos corais de comunidades teutobrasileiras no município de Dois Irmãos. Além dos relacionamentos intra/extra grupos corais, existe uma política de turismo a ser implantada em Dois Irmãos que visa mobilizar atividades culturais variadas na construção do que está sendo intitulado de “A encantadora tradição germânica”. A implantação do plano de turismo deverá envolver os grupos corais em programas culturais. A preferência por determinados grupos em detrimento de outros de acordo com o que será considerado como legítimo pela gestão pública local, assim como as relações entre a instituição municipal e as instituições corais, atuantes nas igrejas, revelarão múltiplas interpretações sobre a prática local de canto coral e o que é considerado música germânica. O processo de pesquisa está sendo desenvolvido a partir de observações etnográficas realizadas no primeiro semestre de 2010 e segundo semestre de 2012, valendo-se de técnicas da pesquisa qualitativa - diários, entrevistas, observações de campo, registros imagéticos e sonoros - com o objetivo de compreender a prática musical de canto coral existente nas comunidades e que poderá ser inserida nas políticas de turismo. Como resultado desta pesquisa pretendo afirmar a prática coral como forma de representação teuto-brasileira católica, contribuindo na inserção e reconhecimento destes grupos ao lado do protestantismo e sua notoriedade de igreja onde o povo canta. Afirmarei que o canto coral também é praticado em comunidades teuto-brasileiras católicas.


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Representações da identidade missioneira através da música regional do Rio Grande do Sul Fernando Henrique Machado Ávila Graduando em Música/UFRGS O objetivo geral deste projeto de pesquisa, constitui-se na análise das representações da identidade missioneira, mediadas e/ou alavancadas através e pela música regional. A partir desse objetivo, delineiam-se os objetivos específicos de analisar as trajetórias dos seguintes artistas e suas respectivas produções musicais: primeiro aqueles representados pelo disco “Troncos Missioneiros” (Jaime Caetano Braum, Cenair Maicá, Noel Guarany e Pedro Ortaça), na atual fase do projeto; depois de artistas, anteriores e posteriores a eles, também identificados com a região; e, finalmente, de músicos de outras linhagens estéticas influenciados pelos primeiros. “Troncos Missioneiros” é o nome de um LP (lançado em vinil em 1988 e relançado em CD nos anos 2000) que reúne os quatro artistas da região missioneira supracitados. No disco cantam, Cenair Maicá e Pedro Ortaça, três músicas cada um, enquanto Noel Guarany canta duas delas. Por sua vez, o payador Jaime Caetano Braum declama três poesias. Em todas as gravações do disco só há a voz principal de cada artista na gravação, não existem parcerias vocais. Bem antes da gravação dos “Troncos Missioneiros”, ainda nos anos 60, os quatro artistas se reuniram, motivados a colocar o território missioneiro no mapa musical gaúcho. Além de fomentar uma Música (Regional) Missioneira, o principal legado destes artistas está no pioneirismo da construção de uma identidade missioneira através da música. Na atual fase do projeto, estamos realizando análises musicais da discografia completa dos quatro primeiros nomes do movimento a fim de qualificar os gêneros e elementos musicais recorrentes, como: instrumentação, ritmo, tonalidade, harmonia, melodia e temática, levando em conta o artigo de Ênio de Freitas e Castro, intitulado “Música Popular do Rio Grande do Sul”, em que o pesquisador investiga as origens e as características da música gaúcha com base em informações bibliográficas e pesquisas de campo; conjuntamente à pesquisa bibliográfica e em jornais para entendimento do fenômeno musical que serão aqui apresentados.


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Cosmo-sônica Kaingang: categorizações sonoras de um povo Jê Meridional Artus Goerl Mestrando em Musicologia/Etnomusicologia UFRGS Orientadora: Prof Drª Maria Elizabeth Lucas A pesquisa, ainda em andamento, busca traçar categorias êmicas do universo sonoro Kaingang, que é intrinsicamente associado, ou melhor, indissociável de sua cosmologia. Sendo um povo Jê meridional, resguardadas suas diferenças em relação aos Xokleng, possuem características que os distinguem dos Jê setentrionais e centrais, especialmente em relação a exogamia. As sonoridades são repartidas entre as metades, Kamé e Kanhru Kre, da mesma forma como o uso dos instrumentos considerados tradicionais, além dos cantos. Conforme o mito, jóty ensinou a Kanhru Kre toda sua sabedoria, em troca da vida. Antes, não havia música, nem dança, nem festa. Jóty e jesĩ foram os responsáveis pelos Kaingang terem seus cantos. Com o trabalho etnográfico que vem sendo realizado nas terras indígenas Serrinha e Monte Caseros, no Rio Grande do Sul, momentos importantes de diálogo vêm acontecendo com os kofá e kuiã, considerados como os principais detentores do saber. Com base na pesquisa, as sonoridades, bem como a estética ou a própria artisticidade, não são tomadas como um ethos da sociedade, mas sim consideradas como atualização e ressignificação de processos míticos e simbólicos.

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Profissionalização e trajetória de jovens instrumentistas de orquestra: o caso do projeto Sonarte de São Leopoldo Maria Eugênia de Abreu Ferreira Acadêmica em Ciências Sociais UFRGS Orientadora: Prof Drª Maria Elizabeth Lucas A Sonarte Company insere-se no âmbito das companhias de profissionalização de jovens instrumentistas de orquestra, criando um espaço possível de aprendizado e atuação profissional. A “arte de artista” (Elias,1994) reaparece já no século XXI vinculada à maneira prematura com que os jovens instrumentistas se inserem na atividade profissional – refiro-me aos alunos que, ainda adolescentes e em plena formação musical, atuam como professores nos grupos infantis. Observa-se, na orquestra Sonarte, uma busca pela formação bacharelesca, em detrimento de uma formação informal a partir de “mestres-aprendizes” (Pichoneri, 2006), tendo por justificativa a inserção no mercado de trabalho, que começa cedo, pela atuação enquanto professores na Sonarte. O maestro escolhe os jovens mestres através do critério do “esforço” demonstrado por cada instrumentista. Assim como uma escola de samba que escolhe seus melhores ritmistas para a bateria de destaque (PRASS, 2004), no grupo jovem da Sonarte apenas aqueles que conseguem manter a disciplina dos ensaios, a excelência e o virtuosismo esperada podem atuar como professores dos neófitos. Observando a orquestra Sonarte, é nítida a impossibilidade de descrever “orquestra” como um espaço homogêneo da performance de instrumentistas, pois configura-se ali a arena de uma disputa pela profissionalização e pelo mercado de trabalho. A orquestra, o maestro e mesmo o público reestruturam-se a partir da dinâmica de circulação de instrumentistas e mestres, reconfigurando as características da orquestra, inserindo ou excluindo alunos e mestres a partir do virtuosismo, do mercado e dos incentivos oferecidos aos “esforçados”. As hierarquias se reconstroem a cada nova composição.


Etnografias musicais em contextos tradicionais e urbanos

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Brasilidade em terras lusitanas: a música brasileira nos conservatórios portugueses Ezequiel Carvalho Viapiana Acadêmico de Licenciatura em Estudos Artísticos Música – PLI (CAPES) Universidade de Coimbra / UFPel Orientador: Profº Dr. Paulo Estudante – UC Trate-se de uma análise dos Programas de Viola Dedilhada e de Piano que estão atribuídos ao Ofício Circular 41 do Ministério da Educação de Portugal visando a recolha de informações acerca das músicas brasileiras que podem ser interpretadas e/ou estudadas nos Conservatórios de Música de Portugal e sua ligação com o período estilístico mais presente nestes documentos, o Nacionalismo. Refletir sobre este, sob um ponto de vista históricosocial, a sua importância e internacionalização, dando ênfase as suas representações de brasilidade.


Circulações políticas do sonoro-musical

A Chacarera entre Argentina e Brasil: aportes e apropriações Fabiano Bacchieri UFPel Orientadores: Isabel Porto Nogueira e Werner Ewald A Chacarera é um gênero musical oriundo do norte da Argentina e sul da Bolívia, que nos últimos anos, e ainda que profundamente identificada com seu lugar de origem, vem sendo cada vez mais utilizada por compositores gaúchos na chamada música regionalista. Este estudo pretende identificar as manifestações autorais do gênero “chacarera” ou “aire de chacarera” no Rio Grande do Sul salientando sua importância na música regional gaúcha através do estudo do repertório dos festivais nativistas, compreendendo este processo como parte da apropriação do gênero pelos compositores deste movimento.

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Circulações políticas do sonoro-musical

O violão de sete cordas na música nativista: um ensaio etnográfico Fernando Borges Barcellos UFPel Orientadores: Mário de Souza Maia e Werner Ewald Esta pesquisa busca, pelo método etnográfico, analisar os processos de apropriação e uso do violão de sete cordas em um contexto musical específico – a música nativista. A incorporação de um novo instrumento ao paradigma tradicionalmente utilizado pelos artistas denominados nativistas passa por processos de ressemantização sonora, ao carregar junto procedimentos técnico-musicais advindos de outros contextos. Com a revisão bibliográfica, pretende-se expor um fio condutor apresentando o percurso percorrido pelo instrumento, da vinda da Rússia, provável local de origem, à sua chegada no Brasil pelas mãos de ciganos russos estabelecidos no Rio de Janeiro, no século XIX; da apropriação de músicos cariocas executantes do choro, como Dino 7 Cordas, nas primeiras décadas do século XX, a Yamandu Costa, o qual teve fundamental papel na disseminação do instrumento na música nativista. Com trabalho etnográfico, pretende-se demonstrar, primeiro, como acontece a construção de um violão de sete cordas, através do observação dos métodos e técnicas utilizadas pelo luthier Eduardo Cordeiro, na cidade de Pelotas; complementando, em segundo lugar, pretende-se analisar o processo de apropriação do instrumento e a ressemantização operada por músicos executantes do sete cordas. Como universo etnográfico, a pesquisa tem como colaborador principal o violonista Egbert Parada, juntamente com os músicos integrantes do grupo que acompanha Luiz Marenco, além de outros músicos participantes dos festivais nativistas. Desta maneira, a pesquisa pretende mostrar a expansão do violão de sete cordas na música regional gaúcha, interligando sua contribuição às formas composicionais e interpretativas, analisando a implicância dessas novas concepções na música nativista.


Circulações políticas do sonoro-musical

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Fazendo música e pensando política identitária: o papel do grupo de música e dança na movimentação político-identitária afro-paraguaia Cristhiano Kolinski Mestrando em Antropologia Social UFRGS Orientadora: Prof Drª Maria Elizabeth Lucas Atento a um contexto mais amplo e complexo - o de um movimento afrodescendente nacional (multicultural e historicamente diverso) que está envolvido numa complexa teia de articulações entre atores locais, regionais, transnacionais ou globais -, apresento os primeiros logros de uma pesquisa sobre a relação entre artes performáticas (música e dança) e processo político-identitário sob o signo da etnicidade afro, á qual incorporo questões sobre a espetacularização das “tradições performáticas” afroparaguaias a partir das ações, representações e memórias dos membros da organização artístico-cultural Grupo Tradicional Kamba Cuá da comunidade afro Kamba Cuá do bairro Loma do Campamento da cidade de Fernando de la Mora, região metropolitana de Assunção, Paraguai. Este Grupo e seus membros transitam por espaços e participam de eventos que são arenas privilegiadas para entender esse processo político-identitário em sua particularidade local, dado que envolvem-se em manifestações consideradas artísticas onde o político é expresso por meio do uso da categoria arte, cultura e identidade étnica. Os objetivos principais desta pesquisa foram o de conhecer a situação social da comunidade Kamba Cuá e o processo de formação do Grupo de música e dança, o qual está relacionado com a propria historia de sua comunidade e do movimento afroparaguaio.


Circulações políticas do sonoro-musical

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A política do som em São Paulo: o caso dos Pancadões Leonardo Cardoso Doutorando em Etnomusicologia – Universidade do Texas em Austin Orientador: Prof. Dr Veit Erlmann Neste trabalho analiso as relações entre som, espaço urbano, e práticas culturais na cidade de São Paulo. Os sons vibram com e através de convenções sobre cidadania e, mais amplamente, sobre o direito de expressar um determinado sentido (sensação e significado) de vida. Exemplifico as implicações desse ‘ponto de escuta’ sobre a cidade a partir das noções de ‘ruído’ e ‘poluição sonora’, termo que transcorre discursos sobre saúde, comunicação, acústica, convivência, gosto e educação, sendo frequentemente usado em referência a algo (ou alguém) indesejável, que se encontra ‘fora de lugar’ ou ‘fora de propósito’. Um caso recente no ambiente sonoro de São Paulo é o pancadão, baile funk que ocorre em local público que reune milhares de pessoas. Pela natureza dinâmica desses bailes e pela frequente associação entre pancadão e uso de drogas e prostituição entre menores, uma verdadeira força tarefa envolvendo polícia civil e militar, guarda civil metropolitana, conselho tutelar, subprefeitura, e PSIU (agência antirruído municipal) foi organizada em 2012 para conter os pancadões. Como mostro na minha pesquisa, o funk e o pancadão em São Paulo se popularizaram em parte porque adquiriram características musicais e narrativas próprias. A juventude paulistana de bairros periféricos encontra no funk um modo de expressar uma mentalidade de prazer efêmero, rebeldia, materialismo e status através do consumo de roupas e presença nas redes sociais. Ao mesmo tempo, no pancadão o volume alto é também uma expressão de poder pela imposição de escuta no espaço público, e de status pela compra de bebidas associadas à classe rica (whisky e Red Bull).


32 Coordenação

Profa Maria Elizabeth Lucas /UFRGS Prof Mario Maia/UFPel

Colaboradores

Profa Luciana Prass/UFRGS Profa Marilia Stein/UFRGS Prof Reginaldo Braga/UFRGS Prof Werner Ewald/UFPel

Colaboradores discentes

Carolina Ferreira/UFPel Fabiano Bacchieri/UFPel Fernando Barcelos/UFPel Juliana dos Santos Nunes/UDELAR Luana Zambiazzi/PPGMUS UFRGS Marcele Menezes/UFPel Rafael Velloso/PPGMUS UFRGS Ruthe Pozebolli/UFPel

Realização

Grupo de Estudos Musicais- GEM/UFRGS Grupo de Etnomusicologia da UFPel

Apoio Institucional PPGMUS/UFRGS PPGAS/UFRGS Curso de Ciências Musicais / Conservatório de Música / Centro de Artes / UFPel PPGA / Curso de Antropologia / ICH / UFPel


Realização:

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Apoio:

INSTITUTO DE CIÊNCIAS HUMANAS - UFPEL

II Seminário de Etnomusicologia UFRGS/UFPel  

II Seminário de Etnomusicologia UFRGS/UFPel: temas, problemas e métodos. Realizado dias 29 e 30 de novembro de 2012 na UFPel, em Pelotas, RS

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