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Ano 1 . Número 3 - setembro 2013

Artista Plástico Hermano José doa seu acervo para a Pinacoteca da UFPB

Dom José recebe título Dr. Honoris Causa

Professores estudam prevenção de eventos extremos

Pós Graduação em Música reforça Concertos


Editorial As recentes informações sobre a colocação da UFPB (24ª no país e 4ª no Nordeste) no ranking das universidades e a primeira na região com o maior volume de recursos pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação/Financiadora de Estudos e Projetos/Fundo Setorial de Infraestrutura, sendo a quinta no ranking nacional, demonstram a retomada do rumo da Instituição a um patamar digno de sua existência. Poucos dias atrás ainda pairava em alguns corações e mentes de integrantes da comunidade universitária a dúvida sobre as possibilidades de reabilitação da Universidade Federal da Paraíba no cenário das grandes instituições de ensino universitário brasileiro. Aos poucos e gradativamente as dúvidas e descrenças vão sendo dissipadas por resultados palpáveis e calcados em informações de credibilidade. A alta estima da comunidade universitária melhora e avança na mesma medida em que algumas ações são adotadas. À administração cabe ser uma facilitadora das ações no campo do ensino, da pesquisa e da extensão. Da mesma forma, cabe a administração facilitar e dotar os Centros de Ensino da capacidade de planejamento das atividades do ano curricular, repassando os recursos, antes contingenciados. Os que fazem a administração entendem que os créditos pela melhora da posição da Instituição no ranking das universidades brasileiras devem ser creditados aos que fazem o dia a dia da Instituição. Sabem e levam a termo que as ações que elevem o potencial da UFPB no campo do ensino, da pesquisa e da extensão devem ser estimuladas e apoiadas. Processos eleitorais, quaisquer que sejam, deixam sempre em lados opostos posições políticas expressas em discurso e em ações. No ambiente universitário, apesar de batizado de consulta à comunidade acadêmica, assim como em qualquer outro lugar, o processo divide discursos e práticas. O momento de disputa ficou para trás e o momento é de fazer da UFPB um ambiente produtivo revigorado. 2

UFPB em revista

edição nº 03

EDITOR Derval Golzio REDATORES/ESTAGIÁRIOS Rômulo Jefferson Wallison Costa Nayane Maia PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Thales Lima CONTATO ufpbemrevista@gmail.com facebook.com/ufpbemrevista

UFPB em revista está vinculada a Assessoria de Comunicação da Universidade Federal da Paraíba e é produzida por alunos do Curso de Comunicação em Mídias Digitais João Pessoa - PB Setembro - 2013


SUMÁRIO

Administração Reitora: Margareth De Fátima Formiga Melo Diniz Vice-Reitor: Eduardo Ramalho Rabenhorst

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Índices apontam retomada da UFPB no cenário nacional

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Dom José recebe título pela

Pró-Reitoria de Administração (PRA):

atuação e defesa do homem e das liberdades

Clivaldo Silva

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Pró-Reitoria de Assistência e Promoção ao Estudante (PRAPE):

Entrevista com Dom José

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Apresentações internacionais em João Pessoa

Thompson de Oliveira

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A arrancada do atletismo na UFPB

Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários (PRAC):

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PPGL lança Coleção Pós Letras

Orlando Vilar

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Periódicos melhoram no conceito Qualis

Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (PROGEP):

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Francisco Ramalho

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Reforma na Residência Universitária do Campus IV corrigirá problemas

Pró-Reitoria de Graduação (PRG):

Artista Plástico Hermano José doa seu acervo para a Pinacoteca da UFPB (Capa)

Ariane Sá

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Pró-Reitoria de Planejamento (PROPLAN):

contempla estudantes de licenciatura

Marcelo Sobral

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Pró-Reitoria de Pós Graduação (PRPG):

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Isac de Medeiros Prefeitura Universitária (PU): Sérgio Alonso

Parceria entre Governo do Estado e UFPB

Evasão e retenção:Instituição quer entender as razões e propr soluções

Comissão de Gestão Ambiental reforça e cria novos projetos

34 Obras inacabadas são prioridade para a gestão 36

Reitoria democratiza discussão sobre contrato com Ebserh

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Professores estudam prevenção de eventos extremos

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Projeto de servidor da UFPB ganha concurso

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Professora recebe prêmio por pesquisa com portadores de leucemia

UFPB em revista

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RANKING PESQUISA

40

39,81

39,35

39

39,06

29

38 37

30,51

29,66

29,44

UFRGS

UFMG

USP

4

3,96

3,92

27,97

27

36,53 35,92

36

RANKING ENSINO

31

24,58

25

35,19

35

22,98

23

34

33,59

33

21

33,11

20,12

19,86

UFPB

UFRN

19

32

17

31 30

UFC

UFPE

UFBA

UFPB

UFRN

RANKING INTERNACIONALIZAÇÃO

6

USP 5,86

UNICAMP UNIFESP 5,64

5,58

5,19

5

15

UFPE

UFC

UFBA

RANKING INOVAÇÃO

4,2 4

4,4

4,31

3,8 4,09

4

3,97

3,72

3,6

3,4 3

3,28

3,2

3,04

3

2

2,96

2,96

UFPB

UFC

2,8 2,6

1

2,4 0

UFBA

UFPB

UFS

UFPE

UFRN

UFABC

UFMG

UFRJ

2,2

UFPE

UFBA

UFS

USP

UNICAMP UFMG

Ranking das universidades da Folha de São Paulo

Índices apontam retomada da UFPB no cenário nacional Por: Rômulo Jefferson

A UFPB é uma das maiores e melhores universidades do país. Essa afirmação é facilmente comprovada observando-se os últimos índices apresentados. No mais recente deles a Instituição foi classificada no Ranking Universitário da Folha de São Paulo (RUF) como a 24ª melhor Universidade Federal do Brasil e a 4ª do Nordeste, antecedida das federais de Pernam4

UFPB em revista

buco, Bahia, Ceará e Rio Grande do Norte. A universidade galgou ainda a 1ª colocação no nordeste e 5ª no Brasil com maior volume de recursos pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação/Financiadora de Estudos e Projetos/ Fundo Setorial de Infraestrutura. Os resultados comprovam a qualidade do trabalho realizado quando se conta com um corpo docen-

te e discente de qualidade e uma administração comprometida. Anteriormente o RUF classificava a Universidade Federal da Paraíba na 26ª posição no Brasil e na 5ª entre as Universidades Federais do Nordeste. Um dos fatores de destaque para a nova classificação é a internacionalização, colocando a UFPB em 1º lugar do nordeste para esse indicador. Esse quesito


considera o número de citações das publicações científicas de pesquisadores da instituição. O ranking deu uma nota final de 75,95 à UFPB, após avaliar pesquisa, ensino, mercado, internacionalização e inovação. Atualmente os indicadores do Grupo Folha de São Paulo têm sido utilizados pelas universidades como guias para os investimentos realizados, visando a melhoria de desempenho dos fatores apontados. O avanço em duas posições em nível nacional no ranking das universidades do país e a consecução da primeira colocação em volume de recursos no nordeste e quinta no Brasil, pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação/Financiadora de Estudos e Projetos/ Fundo Setorial de Infraestrutura, apontam para a retomada de momento auspicioso para a UFPB. Para a Reitora Margareth Diniz, essas são metas planejadas e que agora começam a ser alcançadas. “Essas metas estão sendo cumpridas, mas a nossa meta nessa gestão é que nossos possamos ficar entre as três melhores universidades no nordeste. Então nós estamos trabalhando muito no ensino, pesquisa e extensão. A proposta é que nós possamos avançar qualitativamente nessas três dimensões”. Além da excelência dos projetos apresentados no Ministério da Ciência e Tecnologia, o resultado se deve também a um conjunto de ações desenvolvidas pela administração central da UFPB, através da Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa, buscando expandir e consolidar áreas de grande importância para o desenvolvimento institucional e da região, com ênfase nas áreas de fármacos, química, física, nano e biotecnologia, novos materiais, energia, agropecuária e

Volume de recursos pelo MCTI/FINEP/CT-Infra (1ª no ranking das IES do nordeste), sendo a 5ª no ranking nacional (gráfico abaixo):

meio-ambiente. Na prática, a UFPB aumentou o valor de recursos recebidos em relação ao ano anterior, passando de R$ 9.851.487,00 para R$ 10.480.924,00. O montante já foi aprovado na Chamada Pública MCTI/FINEP/CT-Infra 01/2013 e será destinado a aquisição de diversos equipamentos de médio e grande porte, para otimização de seis projetos de pesquisa. Eles serão divididos em duas etapas e em subprojetos. Etapa I: Projeto estruturante para pesquisas avançadas em Ciências Agrárias, Ampliação da infraestrutura multiusuário dos programas de Pós-Graduação nas áreas de saúde, alimentos, biologia e biotecnologia, modernização e manutenção da infraestrutura de equipamentos do Laboratório Multiusuário de Caracterização e Análise, rede interna de nanociência e nanotecnologia, Consolidação da infraestrutura de caracterização microestrutural/NEPEM, Qualificação da infra-estrutura para pesquisa, desenvolvimento e inovação em processamento energias renováveis. Etapa II: Aquisição de equi-

pamentos multiusuários para avaliação do exercício físico na saúde e no desempenho humano. Em outra avaliação, responsável pelo recredenciamento das instituições de ensino superior, do Mec, a UFPB ficou com conceito quatro em uma escala que vai até cinco. A universidade recebeu conceito máximo (cinco) em diversos setores avaliados: Sustentabilidade Financeira, Política de Atendimento aos Estudantes, Organização e Gestão, Responsabilidade Social e Política para Ensino, Pesquisa e Extensão. Ainda sobre extensão, a instituição foi a que mais aprovou programas e projetos nacionalmente no Programa de Extensão Universitária 2014, também do Ministério da Educação. Foram aprovadas no total 48 propostas, sendo 27 programas e 21 projetos, representando um total de financiamento de R$ 4.982.325,70, 38% a mais que 2013. No ranking nacional, a instituição que mais se aproximou do número conquistado pela UFPB foi a Universidade Federal de Pelotas (UFPEL) aprovando 32 propostas. UFPB em revista

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Dr. h. c. Dom José Maria Pires Arcebispo Emérito recebe título pela atuação e defesa do homem e das liberdades Por: Walison Costa

A noite do dia 25 de setembro marcou um dos acontecimentos onde um sacerdote pôde sentir o amor de cristãos, agnósticos e ateus por José Maria Pires, homem dotado de grande humanidade, que foi Arcebisbo da Paraíba durante 30 anos. Na solenidade de outorga do título de Doutor Honoris Causa a Dom José antigos companheiros de atuação contra a desigualdade social e as injustiças praticadas 6

UFPB em revista

pelo regime de exceção puderam render homenagem àquele que se tornou ícone da luta junto aos camponeses e trabalhadores, em plena época de ditadura militar. Durante o evento, realizado no Auditório da UFPB, Maria Pires se mostrou honrado por receber a homenagem, e feliz por voltar à Paraíba revivendo a história do período em que passou no comando da Arquidiocese do estado.


O oferecimento do título foi uma proposição da Professora Maria do Socorro Xavier, pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Educação. De acordo com a professora Socorro, a ideia de homenagear Dom José ocorreu em uma turma do curso de pedagogia, surgida a partir de um convênio entre a UFPB e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Ela conta que alunos do curso foram protagonistas nesse processo de luta e tinham acompanhado e recebido apoio por Dom José Maria Pires e da Arquidiocese. Em seu arcebispado, para apoiar os camponeses e trabalhadores, na época de ditadura, Maria Pires criou o Centro de Defesa dos Direitos humanos, que apoiava com advogados os envolvidos nos conflitos em toda a Paraíba. Além disso, foram desenvolvidos vários projetos educacionais, através das comunidades eclesiais de base, das pastorais da juventude, da pastoral da juventude rural, da comissão pastoral da terra, apoiados pela pedagogia do oprimido, de Paulo Freire.

Sobre o recebimento do título, Dom José afirma que o mais importante foi recordar o seu passado, e as histórias que viveu na Paraíba. “Foi um passado que só me deixa feliz. Então, um título como esse, me faz recordar muitas pessoas com quem convivi naquele tempo, e que me ajudaram a desenvolver o ministério. A Universidade estava presente nisso, e mesmo depois também continua nessa linha de ajuda as pessoas”, relata. Socorro Xavier conta que também existiam alguns outros alunos que participaram dos projetos educativos criados por Dom José. “Nós entendemos que era importante naquele momento que fosse reconhecida a contribuição de Dom José pela luta agrária e camponesa, especificamente, que isso ficasse reconhecido pela Universidade Federal. Então foi nesse sentido que o título foi concedido a Dom José Maria Pires”. Clique no link para ler o discurso completo de Dom José : http://goo.gl/A38MeR

Quem é Dom José? Nasceu na cidade de Córregos, em Minas Gerais, no dia 15 de março de 1919. É formado em Teologia e Filosofia pelo Seminário de Diamantina. Foi pároco de Açucena-MG entre os anos de 1943 e 1946, diretor do Colégio Ibituruna em Governador Valadares-MG entre 1946 e 1953, foi missionário diocesano entre 1953 e 1955, além de pároco de Curvelo-MG de 1956 a 1957.

Mucatu, e Lameido, defendendo camponeses de perseguições. Após a sua renúncia voltou para Minas Gerais. Atualmente mora em Belo Horizonte, em uma casa de Jesuítas, com vários outros padres já idosos.

Logo antes de ser Arcebispo da Paraíba foi bispo em Araçuaí-MG entre 1957 e 1965. Já na Paraíba, ficou entre 1966 e 1995 como Arcebispo, onde teve uma inestimável atuação na época da ditadura militar, desenvolvendo um trabalho com foco na defesa dos direitos humanos. Teve uma valiosa contribuição apoiando ativamente os conflitos pela terra na Paraíba, como em Alagamar, Camucim,

Dom José, com o reitor Serafin Gonsalez, em visita ã UFPB/1966

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Entrevista

Dom José Maria Pires Por: Walison Costa

Dom José Maria Pires, antes de receber a outorga do título de Doutor Honoris Causa, foi recebido pela reitora da UFPB, Margareth Diniz, em seu gabinete. Entre recepção de admiradores e amigos, o Arcebispo Emérito concedeu algumas entrevistas e a publicação UFPB EM REVISTA esteve presente e registrou alguns trechos mais importantes.

Sobre o retorno à Paraíba. Dom José - A Paraíba é como se fosse a minha casa. Sempre que me perguntam digo que sou paraibano, nascido em Minas Gerais, por isso toda vez que tenho oportunidade de vir, eu venho com muito prazer. Estou aqui agora, e próximo mês estarei aqui de volta. Toda vez que me convidam, só faço olhar a minha agenda, se estiver livre, imediatamente aceito. Eu só não fiquei morando aqui por que eu achava que ia prejudicar o meu sucessor. Dom Marcelo, que foi meu primeiro sucessor, era uma pessoa muito afável e muito delicada, também muito atencioso, mas ele tinha uma linha que era diferente da minha. Eu brigava mais, e tinha aquelas discussões, vivia no meio da terra, aí eu pensei, ele não vai

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fazer essas coisas, então ele vai ficar meio constrangido quando surgirem às comparações, então era melhor eu me retirar e dar plena liberdade a ele para fazer o seu trabalho, e foi ótimo. Dom Marcelo veio e fez um trabalho excelente. E eu sempre pensava, quem sabe algum dia eu volte pra Paraíba, e enquanto estou muito bem em Belo Horizonte, também fico constantemente me lembrando da Paraíba e revivendo os 30 anos que eu passei aqui. Sobre as lutas dos camponeses de Alagamar/Paraíba. Dom José - Quando a gente está vivendo essas coisas achamos muito difícil, mas depois que passa fica só a alegria pelo que enfrentamos. Eu ter que sair de casa de madrugada para

resolver essas questões. Lembro que em uma semana santa, dois padres estavam acompanhando os acampados e deu uma chuva, todo mundo ficou molhado, então os padres chegaram pra missa da quinta feita santa, enlameados e com a roupa toda suja, o que me deu foi uma vontade de lavar os pés deles naquele momento (risos). A gente apanhava com esse movimento, por que precisávamos fazer, já que eram poucos que tinham essa disposição, e eu acho que valeu a pena. Eu me sinto muito feliz de ter lutado, se eu não tivesse lutado hoje sim eu estaria preocupado de ter podido fazer uma coisa e não ter feito, então, o que foi possível fazer naquela época a gente fez. Inclusive a universidade teve um papel muito grande, com


Dom José concede entrevista no gabinete da reitora

muitas pessoas daqui envolvidas. Por exemplo, o trabalho que a universidade fez com o setor da saúde, reunindo aquelas mulheres que fazem remédios, reuniu esse pessoal em laboratório e ajudou os camponeses. A Universidade colocando as suas instalações a disposição do povo, realmente foi um tempo muito bom de se viver e eu sou muito grato por isso. A composição e letra da Cantata para Alagamar. Dom José - Na verdade a ideia foi do Kaplan que na verdade é judeu. Uma vez ele foi lá em casa e ouviu falar dessas coisas e disse que gostaria de conhecer um pouco isso. Então nós fomos lá e ele não falava nada e ficava só vendo as coisas e escutando, e quando nós voltamos, ele me falou “olha, se tivesse alguém pra fazer um texto eu teria condições de fazer uma música sobre isso aí”, então o Solha se propôs a fazer.

Então, a cantata de Alaga mar é de um bispo, de um judeu e de um ateu que é o Solha. Em que outra ocasião seria possível se unir três pessoas dessa forma? (risos). Relação entre o conhecimento científico e popular. Isso pra mim é uma coisa espetacular, a universidade utilizar o saber do povo para melhorar a vida do povo. Inclusive a multimistura que eu uso todos os dias para o meu café da manhã vem da Paraíba, e é proveniente daqui da Universidade. É uma mistura de várias sementes, muito nutritiva que uso até hoje. Todo dia no café da manhã, coloco uma colher da multimistura do meu café da manhã, junto com uma concha de coalhada e uma colher de mel, e essa mistura me faz passar a manhã inteira sem sentir nenhuma necessidade de comer novamente.

Eu não quero a de Belo Horizonte por que a daqui é muito mais rica. É uma pesquisa da UFPB. É uma coisa simples e que a gente teria que desenvolver mais. A universidade ajuda a dar um lado mais cientifico a isso. E isso eu aprendi aqui na Universidade. A vida em Belo Horizonte Dom José - Estou morando em Belo Horizonte, junto com os Jesuítas. Eu tinha minha casa até o ano passado e morava com a minha irmã Florinda. Florinda faleceu e então fiquei sozinho. A gente sozinho às vezes tem algum problema a noite, e não tem como ligar, então fui pra lá morar com os Jesuítas. Moro junto com vários outros padres já idosos, as cuidadoras são muito atenciosas, e estou muito bem lá. Missão Humanitária da Igreja Dom José - Isso é aquilo que o evangelho nos ensina. Vem

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um papa colocando isso de volta em foco. Que os padres tem que ficar no meio do povo, e essa é a missão da igreja. O cristo fazendo-se homem quer mostrar que a pessoa humana é importante, então uma igreja que se volta para pessoa humana, está bem dentro do evangelho. O papa João XXIII dizia que a igreja não é perita em nada, nem é geografia, nem história, mas sim perita em humanidade. Porque o fundador dela sendo Deus se fez homem. Toda pessoa humana merece atenção, e Cristo irá nos recompensar pela maneira como tratamos as outras pessoas. Claro que a igreja, como qualquer instituição humana tem suas falhas, mas na medida em que a gente pega o evangelho vai recuperando, nos somos pecadores, então vamos deixando esses pecados e procurando entrar na linha do evangelho. O Bolsa Família e outros programas sociais Dom José - Tudo que é a favor do povo eu sou a favor. Acontece que tudo pode melhorar. Quando Lula entrou eu fiz algumas críticas, com relação a isso. Tivemos épocas em que o governo ajudava o povo a trabalhar. Lembro que foi criado aquele projeto, onde se você tem muita terra e der um ou dois hectares para alguém que não tem nada você ficaria livre de impostos. Isso levava as pessoas a trabalhar. Já o progra-

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UFPB em revista

ma de Lula é de se dar as coisas sem você ter feito nada, então eu acho que esse que tinha antes era muito melhor. Inclusive essa minha opinião foi levada a Brasília e depois de um tempo me chegou uma carta dizendo que agradeciam as minhas ideias, mas que por enquanto não podiam atender a todas, já que eu tinha proposto tantas outras. Por outro lado também acredito que o que Lula fez já é bastante coisa, já é uma coisa produtiva. Se seus filhos estiverem na escola você recebe uma bolsa, já é alguma coisa, evita que as crianças trabalhem em lavouras e frequentem a escola. Em uma das minhas vindas a Paraíba, fui visitar um dos assentamentos que já conhecia, quando cheguei lá o pessoal estava muito feliz e me dizia que agora tinha terra pra trabalhar, e que tudo que eles produziam o governo comprava e utilizava para fazer merenda pra seus próprios filhos, não tem coisa mais bonita do que isso. Há programas do governo bons, não é tudo perfeito, mas algumas coisas bem feitas tem que serem reconhecidas. O nível de vida do povo melhorou nos últimos anos. Discriminação e Ações Afirmativas Dom José - O cristo também foi muito criticado. Se nós estamos sendo criticados por aquilo que fazemos em favor

das pessoas, temos que ouvir, e o importante é você perceber que o que você está fazendo vai de acordo com o evangelho, eu tenho consciência de que o que posso fazer eu faço, é aquilo que São Paulo escreveu, “Um é o que planta outro é o que rega, mas o crescimento é Deus que dá”. Eu faço a minha obrigação. Discursos em período de excessão Dom José - Sim, causavam muitos problemas, quando cheguei aqui, uma semana depois foi aniversário do golpe de 64 e me convidaram pra celebrar a missa, a igreja ficou cheia de militares, e eu fiz a minha missa. Tudo que eu falava assim que cheguei aqui era escrito, era época de ditadura, então eu ficava até altas horas da noite escrevendo o que eu ia falar no


um cafezinho e conhecer tudo lá deles. Mas o comando superior não concordou com ele não. Eu fui convidado para ir a uma inauguração que Juarez Távora iria fazer aqui. Passado essa ocasião da missa, recebi um telegrama sendo desconvidado, e disse a mim mesmo “oh, que bom” (risos), e isso continuou. Mas eu sempre tive um bom relacionamento com os dirigentes daqui. Dom José profere discurso na UFPB em 1966

dia seguinte. Então eu preparei meu discurso pro outro dia e preparei dois pontos. Primeiro o que esperávamos que a revolução fizesse e ela já tinha feito, não se tinha mais greve, estava mais tranquilo. E Segundo, o que esperávamos que a revolução fizesse e ela não fez, a maneira com que eram tratados os jovens não era correta, prender jovem é um absurdo. Depois que saí da igreja lá estava o Capelão Militar, e ele me disse que os oficiais estavam indignados comigo, porque eu tinha mostrado falhas na revolução, o que não era permitido, então quando chego em casa, eu chamo o pároco de Santa Julia e fui conversar com o general. Eu perguntei o que não estava certo. Então o general disse que não tinha nada errado e me chamou pra tomar

Um problema que a gente teve, foi quando ficou impedido que o Vice-presidente assumisse a presidência e fizeram um governo de três generais, isso foi no começo de setembro, e no dia da parada em sete de setembro, cheguei para o general e disse, esse ano eu não vou à parada, por que os senhores rasgaram a constituição. O general então tentou argumentar, mas não aceitei, e no dia 7 de setembro houve a parada, e o lugar do arcebispo ficou vazio. Mas o bom é que tomávamos atitude conversando com as pessoas. Houve outra ocasião em que faltou o Capelão militar, ele tinha deixado o ministério, tinha se casado, então indiquei o padre Juarez ao governador João Agripino, e então ele falou, “se o senhor apresentar eu nomeio, mas se o senhor puder apresentar outro eu fico agradecido, por que não tenho boa relação com ele”, então eu concordei,

disse que estava ali justamente pra dar opções e indiquei outro, o Erivaldo Caldas Tavares, e ele ficou lá. Com o João Agripino então o relacionamento foi muito bom. Também tivemos problema com o presidente da República, O Médici. Quando o Médici chegou aqui, nós fomos lá e eu fiquei conversando com um grupo de deputados. Então chega a nós José Américo e disse que deixamos o presidente sozinho, então nós fomos lá conversar com o presidente. Chegando lá o José Américo fez a apresentação e disse: esse aqui é o nosso Arcebispo e ele tem a opinião assim e tal, e então o Médici falou, “pois é, hoje em dia esses bispos estão até contra o papa”. Então eu retruquei, disse que nós bispos, estávamos submissos ao papa, e que a igreja não faz o que quer. Em outra ocasião, o superior dos padres Dominicanos foi a Brasília para visitar os padres Dominicanos presos e ele disse que não tinha nenhum Dominicano e sim terroristas, então eu falei: Presidente, nós temos que considerá-los como padres, por que é assim que o superior os considera, então Médici disse: vocês querem tanto ver padres, vocês padres não podem amar as mulheres então amam os homens, então me virei e fui embora e não quis mais conversa.

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Apresentações internacionais em João Pessoa Por: Nayane Maia

A série Concertos Internacionais já proporcionou, nesse ano, a apresentação de nove artistas na UFPB, a exemplo do contrabaixista e artista para a Paz da UNESCO, Milton Masciadri, da Universidade da Georgia, a pianista Cinzia Bartoli, da Academia de Arte de Roma, e a violoncelista Natasha Farney, da Universidade de Nova York. Concertos Internacionais é um projeto dos professores do Programa de Pós-Graduação em Música da UFPB, e traz intérpretes de instituições de ensino de outros países para apresentações em João Pessoa. A perspectiva do Programa de Pós Graduação em Música é ampliar a Série Concertos Internacionais em 2014. A coordenação do programa está submetendo um projeto junto ao Ministério da Cultura para captação de recursos. Desta forma, esperam contar com mais apoios para que a série seja melhor planejada ao longo do ano e conte com intérpretes de ainda mais representatividade, oferecendo uma vida cultural ainda mais rica para a comunidade acadêmica e Estado da Paraíba. Apesar das apresentações internacionais chamarem mais a atenção, os idealizadores enfatizam que em muitos casos, os concertos contam com a participação de docentes da própria UFPB, promovendo intercâmbio artístico-acadêmico e parcerias entre os musicistas e suas respectivas instituições, enriquecendo a vida cultural do Estado e da Região, uma vez que muitos destes projetos circulam por diversas cidades do Nordeste.

Natasha Farney (State University of New York)


Cada docente convidado à UFPB realiza uma atividade acadêmica, na forma de aula ou palestra, podendo realizar ainda uma Masterclass (simulação de um concerto ou recital). Neste caso, o estudante designado apresenta uma obra completa para intérprete e a plateia presente, formada pelos alunos da área. Após essa apresentação, o professor faz comentários quanto aos aspectos artísticos e técnicos da performance. O projeto possibilita também que professores da UFPB se apresentem em instituições estrangeiras, realizando atividades semelhantes. De acordo com o professor Felipe Avellar, diversos egressos da UFPB estão realizando pós-graduação em música em diversas instituições da América do Norte, como University of Alberta, Louisiana State University, University of Houston, Nicholls State University, University of Wyoming, dentre outras, graças aos intercâmbios estabelecidos.

Masterclass de contrabaixo

Capes considera produção artística importante para produção intelectual Apesar do programa existir desde 2004, apenas neste ano, com a inauguração da Sala Radegundis Feitosa, os concertos estão sendo organizados de maneira sistemática, como explica o professor e violoncelista Felipe Avellar de Aquino, um dos organizadores da série. O professor enfatiza que a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) considera a produção artística parte importante da produção intelectual, devendo ser estimulada e apoiada pelas próprias instituições de ensino, e equilibrada com a produção bibliográfica.


A arrancada do atletismo Por: Nayane Maia

Após dois anos sem um local de treino adequado, em dezembro de 2012, foi reinaugurada na UFPB a pista de atletismo. Desde então, voltou a atender a comunidade, promovendo projetos de inclusão, recrutando talentos e servindo como local para treinamento de atletas e amadores. Um dos programas desenvolvidos na nova pista é o: Formação de Atletas para o Atletismo, tendo como objetivo descobrir e treinar jovens a partir dos 12 anos que apresentem potencial para o atletismo. O projeto atua pelo Programa de Bolsa Extensão da Universidade (PROBEX) desde 1995, e vem treinando vários atletas que já chegaram a representar o Brasil em Olimpíadas, Campeonatos Nacionais e Mundiais, trazendo inclusive medalha de ouro nos Jogos Pan-americanos do Rio. O professor que desenvolve esse projeto, Pedro de Almeida Pereira, técnico do departamento de Educação Física da UFPB, atua em diversas modalidades do atletismo como salto, corrida e arremesso. Mas explica ser essencial que o atleta, se especialize em um tipo de prova. Segundo o professor Pedro de Almeida, nas categorias de base é possível obter bons resultados com atletas treinados em diversas modalidades. Mas a partir dos 15 anos o nível de performance é mais elevado, e exige um trabalho mais direcionado, por isso é desenvolvida uma série de atividades específicas para cada tipo de prova, para que o atleta não perca qualidade e nível de evolução.

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UFPB em revista

Ao longo do programa, os professores identificam os pontos fortes do jovem atleta e o encaminham para uma modalidade em particular. Desse modo é possível formar atletas de alto nível. Pedro de Almeida destaca ainda que ele e os demais instrutores encontram muitas dificuldades em manter os atletas, pois muitas crianças que chegam para treinar, tem dificuldades financeiras e não conseguem se manter, não se alimentam de forma adequada, ou tem outros problemas de saúde. Os professores recebem então, doações de tênis, roupas e materiais para auxiliar os atletas mais carentes de forma que isso possa alavancar o potencial dos jovens suprindo suas necessidades. Infelizmente, muitas vezes esse trabalho árduo não é recompensado, pois quando alguns atletas atingem um determinado patamar e começam a se destacar, clubes com infraestrutura e dinheiro, principalmente do Sul e Sudeste do país, os contratam. Com a pista reestruturada, os treinadores esperam poder trazer um número maior de crianças e jovens para lapidá-los, revelando talentos. Para os jovens que quiserem fazer parte do programa, é possível ir à UFPB e realizar testes agendados com os treinadores. Outras formas de recrutar esportistas são festivais em escolas, bairros e até em cidades próximas à João Pessoa.


Fotos: Nayane Maia

Pedro Pereira (a direita) ĂŠ expoente no treinamento do atletismo paraibano UFPB em revista

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PPGL lança Coleção Pós Letras Por: Rômulo Jefferson

O Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGL) da UFPB, realizou no dia nove de setembro, no Centro Cultural Joacil de Brito Pereira, evento de lançamento da Coleção Pós Letras, série de publicações de docentes e discentes do programa. A cerimônia, que contou com a presença da fundadora do PPGL, Socorro Aragão, curso pioneiro no nordeste, foi marcada pela despedida de sua atual coordenadora, Sandra Luna, e pela crítica feita à editora universitária pelo professor Milton Marques Júnior. A coleção, que possui seis volumes - Leituras Semióticas, Estudos Comparados, entre a Sociedade o Sujeito e a Cultura, Dicionário da Eneida, Drama Social, tragédia moderna e Tradução e Transferências Culturais - foi avaliada por um Conselho Editorial formado por renomados docentes da área e de diversas instituições. “A partir da exigência de um conselho editorial da área das publicações, surgiu a ideia de criar um selo próprio do PPGL e formar esse conselho de pessoas 16

UFPB em revista

Sandra Luna e Luciana Calado coordenadora e vice do PPGL

que trabalham na área de Letras efetivamente. Temos docentes da Unicampi, UNB, da Universidade Federal Fluminense, da USP,” diz Sandra. Ao falar do desafio para se publicar na UFPB, o professor Milton Marques, fez duras críticas a

forma como a Editora Universitária foi administrada nos últimos anos. Primeiro, ele disse que os professores estão cumprindo com a sua parte fazendo pesquisa e produzindo saber, e que a Universidade possui uma produção acadêmica de qualidade, mas que


teve, por muito, a publicização dos resultados de suas pesquisas “afunilada pela inoperância da editora”. Depois, Milton afirmou que a editora não tem cumprido com sua tarefa e que os títulos dos últimos anos foram custeados pelos professores. Marques falou sobre a política de terceirização implementada tempos atrás na EdU: “Alguém dirá que uma editora não precisa ter ou não precisa ser uma gráfica, que ela pode terceirizar esse serviço. Concordamos e somos favoráveis que assim seja, mas não é assim que ocorre. Se assim fosse o serviço seria pago com a verba da própria editora e não com a da Pós-Graduação. Para melhor entendermos o assunto, sejamos diretos: Pagamos para que a editora coloque o seu selo e nada mais.” Milton Marques lembrou de um acontecimento que envolveu uma publicação sua, paga do próprio bolso e que causou enorme frustração. “Paguei a publicação de 500 exemplares de 300 páginas para obter um resultado vergonhoso. No dia do lançamento me repassaram cerca de 30 exemplares contendo vários erros. Tive que recolhê-los e cobrei a devolução do dinheiro pago”, descreveu. Ele questionou sobre quem teria arcado com o prejuízo, já que ele

cobrou a devolução do dinheiro pago antecipadamente.

sobre as dificuldades da gestão pública e as conquistas do PPGL.

Milton reforçou que a administração, que assumiu recentemente, deve mudar esse quadro de acordo com as propostas que a fez vitoriosa na consulta à comunidade universitária. “E mudar de um modo que se encare com profissionalismo a responsabilidade de uma editora universitária, cujo compromisso é com a disseminação do conhecimento produzido. Recursos devem existir para isso, porque algumas editoras universitárias têm infinitamente mais recursos do que a nossa. O que nos falta? É a pergunta que deve ficar.”

Com a temática sonhos, Sandra disse que são eles os responsáveis pela continuidade do trabalho realizado até agora: “É assim que continuamos a urdir o sonho, no combate árduo de cada dia. Marchando na toada trôpega de uma máquina burocrática cuja a cadência nos embarga os passos, obrigando-nos a parar, por vezes a andar pra trás. Daí que até mesmo com a áurea cheia de ideais ou com uma disposição quixotesca para a luta, parece impossível realizar tudo o que desejaríamos ter cumprido.” Entre as ações do Programa de Pós-Graduação em Letras, a coordenadora destacou entre outras, o apoio a todos os projetos, eventos e atividades que foi possível e o compromisso coletivo com a produção de conhecimento.

Despedida A solenidade foi encerrada com o discurso emocionado da coordenadora da Pós-Graduação em Letras, Sandra Luna, que finaliza suas atividades no cargo. Ela falou

Socorro Aragão (esquerda) integrou a mesa da solenidade de lançamento dos livros

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Periódicos melhoram no conceito Qualis Por: Rômulo Jefferson

Os periódicos científicos da UFPB foram classificados recentemente pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), com elevados conceitos no indicador Qualis. Conforme explica o coordenador do projeto, Guilherme Ataíde, a maioria das revistas científicas da Universidade foi classificada nos estratos B1 e B2, numa escala que vai de B5 a B1 e A2 a A1, e aquelas que não haviam entrado ainda na classificação passaram a receber conceitos no índice. “Isso mostra que a comunidade acadêmica respeita a UFPB, porque a partir do momento que alguém submete um artigo às nossas revistas, significa que ele confia na Instituição.” Antes da avaliação foram feitos, segundo Guilherme Ataíde, treinamentos com os editores, desenvolvidos cursos sobre como melhorar o fator de impacto (índice que mostra quanto é importante determinado periódico), a nota no Qualis e como gerenciar o sistema. Também foi criado um novo portal para hospedar os periódicos, mais intuitivo e melhor organizado visualmente. O portal obteve um alto incremento de acessos: em setembro de 2012, sete mil 759 visitantes únicos, passando depois da mudança para 47.435 em março, último mês aferido. Isso representa um salto de mais de 400%. Outro 18

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dado importante, o tráfego de dados, subiu de 4.30 GB em setembro de 2012, para 25 GB em março de 2013. Recentemente, os periódicos da UFPB entraram para a Rede de Preservação Cariniana, um sistema integrado entre a Universidade Federal da Bahia(UFBA), Universidade de São Paulo(USP), Universidade Estadual de Campinas(UNICAMP), Universidade Federal de Santa Maria(UFSM) e a própria UFPB.

Números de Acesso


Na prática, a rede funciona de forma a manter no ar o conteúdo dos portais caso algum problema ocorra, sendo também responsável por replicar o conteúdo de cada universidade participante, minimizando assim as chances de perda das informações.

Avançando etapas Na UFPB, alguns periódicos conseguiram em uma única avaliação subir vários conceitos. Foi o caso da revista Informação e Sociedade: Estudos, ligada à área da Ciência da Informação e vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação, que passou de B1 para A1, conceito máximo no indicador Qualis. O professor Gustavo Freire, um dos responsáveis pela revista, disse que esse é um feito “que muito nos honra. A nova classificação significa o reconhecimento da comunidade acadêmica e também maior responsabilidade dos editores.”

Essas qualificações melhoram a representação da UFPB no cenário nacional, como instituição de excelência no ensino, na pesquisa e na extensão

Um outro periódico que também se destacou foi a revista Culturas Midiáticas, ligada ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação, passando de B4 para B1. Um dos editores, professor Marcos Nicolau, explica que a classificação é importante porque qualifica o mestrado e o deixa mais próximo do di-

Guilherme Ataíde; novo portal para hospedar os periódicos, mais intuitivo e melhor organizado visualmente.

reito de implantação de Doutorado. “Essas qualificações melhoram a representação da UFPB no cenário nacional, como instituição de excelência no ensino, na pesquisa e na extensão.”

Para entender A avaliação do Qualis é feita geralmente de forma trienal e adota diferentes critérios para conceituar uma revista. Entre eles, está a qualidade dos artigos e a pertinência de seus conteúdos à área de atuação e às linhas de pesquisa dos cursos e programas que as publicam. Manutenção adequada da periodicidade das publicações. Presença de artigos de pesquisadores de outros estados e universidades do país, não devendo passar de 30 por cento do conteúdo de professores da própria revista. Equilíbrio na publicação de artigos de doutores, doutorandos, mestres e mestrandos. Rigor no uso das normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). A inclusão de novas revistas no portal pode ser feita enviando um email para o endereço (portal.periodicos.ufpb@dci.ccsa.ufpb.br) UFPB em revista

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Reforma na Residência Unive do Campus IV corrigirá prob \\Dep-impressao\backup dep\01---PROJETOS UFPB\COM---Equipamento Comunitário\COM---00845-01-Urbanização Residência Universitária_Mamanguape (Blocos 01 e 02)-GUS.dwg

Por: Rômulo Jefferson

Desenhista: Gustavo Gomes

Está em fase de licitação, através da Pró-Reitoria da Assistência Estudantil (Prape) e a Prefeitura Universitária, as obras que irão reestruturar a residência universitária de Rio Tinto e construir a futura residência de Mamanguape. Deverão ser investidos para isso, 400 mil reais, atendendo uma das reivindicações dos estudantes que entraram em greve recentemente no campus IV. Eles cobravam o imediato funcionamento da residência cujo prédio construído, não apresenta condições de receber os estudantes. De acordo com informações do Pró-reitor da Assistência Estudantil, Thompson Oliveira, consta no Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) de 2011 (gestão Polari) que o prédio está pronto para funcionamento. Thompson esclarece que na visita que fez às residências no início de sua gestão em novembro passado, constatou que o texto do PDI de 2011 não corresponde à realidade. “A residência não tem as condições mínimas de habitação para que o estudante possa fazer seu curso de maneira confortável. Não existe área estruturada para cozinha, lavanderia. O prédio não tem ventilação adequada. Existem muitas infiltrações e a internet 20

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No projeto de reforma da residência Universitária, arquitetos e engenheiros primaram pela circulação

não funciona”. Segundo o Pró -reitor de Assistência Estudantil, uma equipe técnica já esteve no local para vistoriar essas obras e o próximo passo é a abertura de licitação para conclusão, de fato, das residências. No momento, os estudantes que foram aprovados na seleção para a residência estão sendo assistidos. Oliveira informa que todos eles estão recebendo bolsa auxílio-moradia e alimentação, e que houve reajuste dos valores a partir de setembro. Oliveira garantiu ainda que é intenção da administração, posteriormente, unificar o valor pago em todos os campi. “Existe,

não sei porquê, diferença no valor das bolsas auxílio-moradia e alimentação em relação aos campi. No campus João Pessoa é um, em Rio Tinto outro.” Atualmente em João Pessoa o valor da bolsa moradia é de R$ 300 e a alimentação R$ 200. Para Rio Tinto e Mamanguape é pago para a bolsa moradia e para a bolsa alimentação R$ 150, respectivamente. Atualmente segundo o Pró-reitor, apenas no campus Rio Tinto e Mamanguape são pagas mais de 500 bolsas de auxílio-moradia e alimentação, representando quatro milhões de reais no orçamento destinado ao apoio e assistência ao


ersitária blemas

tora Margareth Diniz e o diretor do Centro de Ciências Aplicadas e Educação (CCAE), Alexandre Scaico, detalha as ações que deverão ser desenvolvidas em Rio Tinto e Mamanguape. Para a conexão de internet, de acordo com o documento, até outubro desse ano a Telebrás deverá ativar os equipamentos das torres de transmissão. A UFPB junto ao Núcleo de Tecnologia da Informação (NTI), se compromete a fazer o diagnóstico do cabeamento, até setembro. Até novembro de 2013, deverá ser elaborado o plano de adequação do cabeamento estruturado de rede e, após isso, executado o plano de melhoria do cabeamento.

o do ar, pelaUNIVERSIDADE iluminação e FEDERAL por uma DA áreaPARAÍBA de convivência PREFEITURA UNIVERSITÁRIA DIVISÃO DE ESTUDOS E PROJETOS UFPB

CAMPUS I, SALA 23 CIDADE UNIVERSITÁRIA JOÃO PESSOA - PB 83 3216-7316 www.ufpb.br/prefeitura

estudante que é de R$ 14 milhões. Apenas em João Pessoa foram abertas mais 80 vagas para a residência e estão sendo feitas ações02 de melhoria e ampliação para Bananeiras e Areia. “A Reitora Margareth Diniz está trabalhando para aumentar esse orçamento no ano que vem, para que possamos Estudantes prestar essa assistência aos estuDesde 2010 na Residência, a dantes da melhor forma possível”. estudante de Fonoaudiologia, Flaviana Amorim do Nascimento diz Pós-Greve que a partir de 2012 houve uma Após 47 dias de negociações, no ampliação nas instalações, o que dia 21 de agosto a greve no cam- possibilitou a abertura de novas pus IV teve fim com a assinatura vagas. “As coordenações lutaram de um termo de compromisso. por uma melhoria na residência, O documento, assinado pela rei- escutando a opinião e crítica de

PROJETO

URBANIZAÇÃO REFORMA DAS DAS RESIDÊNCIAS RESIDÊNCIAS UNIVERSITÁRIAS UNIVERSITÁRIAS DEDE MAMANGUAPE MAMANGUAPE - PB - PB (BLOCOS (BLOCOS 01 01 e 02) e 02)

LOCAL

CAMPUS IV - LITORAL NORTE - MAMANGUAPE / PB

ARQUITETO

GUSTAVO GOMES

REQUERENTE

DIRETORIA DO CAMPUS IV

ESTAGIÁRIO DESENHO

---

Também consta no documento que o plano de reestruturação das residências foi apresentado no dia nove de agosto à comissão mista de greve e que, enquanto essa reestruturação não chegar ao fim, as bolsas de auxílio serão mantidas e terão seu valor aumentado em 25%.

CORTES: AA e BB

ESCALAS

1/100

DATA

JULHO - 2013

CAU

ÁREA CONSTRUÍDA

324,70 m²

ÁREA COBERTA

---

FONTE / FINANCIAMENTO

---

CÓDIGO DO PROJETO

COM---00845-01-GUS

A55023-0

PRANCHA

/ 02

CONFERIR COTAS NA OBRA

todos. Levando as sugestões para a assembléia e discutindo com o Pró-reitor de assistência estudantil”. Ela informa que atualmente o número de pessoas que necessita de assistência é grande, mas não há vagas para todos. Segundo Flaviana, um dos problemas encontrados por quem está dentro das residências é a falta de um estatuto interno que regulamente seus direitos e deveres. “Sentiu-se essa necessidade e a partir disso foi montada uma comissão para a reformulação do regimento antigo. Todos os pontos serão discutidos em assembléia. Minha única pergunta é se vão realmente pôr em prática esse regimento”. Estudante de Economia, na Residência desde 2008, José Jerônimo de Sousa Alves, conta que no ano em que entrou para a Universidade haviam muitas pessoas irregulares na casa, que terminavam o curso ou passavam em concursos e permaneciam no programa de assistência à moradia. Em relação a parte estrutural Jerônimo disse que o prédio estava em más condições: “o prédio estava em estado precário, os quartos e corredores tinham salitre em toda parte, além de que as paredes eram todas sujas”, finaliza. Ele também concorda que a construção dos anexos A e B foi fundamental para gerar novas vagas. UFPB em revista

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Hermano José Arte para além do Artista Por: Rômulo Jefferson

Preocupado com a prevalência do seu acervo, que conta também com obras de outros artistas, Hermano José, Artista Plástico e ex-professor da UFPB, revela a intenção de doá-lo e também a casa onde reside para que sejam preservados pela Universidade. Hermano explica que tomou essa decisão e procurou a Instituição para isso, porque pensa ser este o único local onde seu acervo poderia continuar sendo visto e preservado, cumprindo assim o que para ele é a única razão de ser da arte, emocionar.

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A sua vontade é que a maioria dos quadros de sua coleção seja exposta na pinacoteca do Campus I da UFPB, que fundou em 1976, e que a casa onde mora passe a ser um ponto de visitação cultural, abrigando o restante das obras. Sua afirmação em relação à crença na Universidade como gestora responsável do seu acervo está calcada nas várias decepções que teve por parte de governantes e assessores em várias fases da história político administrativa. Aos 91 anos de idade e ainda na ativa com a produção de artigos jornalísticos sobre a cultura paraibana, Hermano se preocupa, à iminência da morte, com a preservação de seu acervo que, nas palavras dele “não é lá grande coisa e não é mérito seu, apenas uma parte da história da Paraíba produzida aqui,” diz deixando claro assim, o seu desejo de preservar a nossa cultura, como sempre fez. Hermano fala da morte com a serenidade de quem considera seu dever cumprido, ao mesmo tempo que usando de extrema modéstia, afasta de si a importância do artista que é, exaltando somente, mas ainda modestamente, sua obra. Pensamento de quem sabe que a preservação é tão importante quanto a criação, mesmo que o artista, um dia, já não exista mais. 24

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Influências Hermano é conhecido por abordar em suas pinturas a temática do Meio Ambiente desde muito cedo, antes mesmo do assunto se tornar uma preocupação global. Nascido no engenho da avó, em Serraria/ PB, ele atribui essa preocupação com a natureza à sua infância no interior. “Sempre tive uma proximidade muito grande com a natureza. Em Caiçara onde fomos morar, existe uma grande pedra. Aquela grande permanência que é o granito em relação a nós e o rio que passava, me dava na infância o sentido do que é permanente e o que é efêmero. A natureza me influenciou muito, se eu virei professor foi graças a minha infância com a natureza.” Ele comenta também sobre a contribuição das artes para a existência humana e a ilusão que ela proporciona para tornar a vida mais amena. Para isso, Hermano enumera três elementos “capazes de atenuar a difícil tarefa de viver”: a ciência, com a matemática e astronomia, campo que pode eventualmente se envolver com alguns mistérios da vida. A medicina, porque os médicos por conviverem com a proximidade da morte, tendem a ser mais sensíveis. A cultura, principalmente através das artes, “porque o processo é dar um


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pouco de ilusão à vida de quem está vivendo, já que estamos no mesmo barco”.

Descontentamentos O artista faz questão de enumerar os desprazeres que teve junto aos governos municipal de João Pessoa e estadual da Paraíba. O primeiro deles tem relação com a destruição da mata do Cabo Branco. José conta que seu amigo paisagista, Roberto Burle Marx, entrou em contato com o governo do estado da época para criar o Parque de Preservação do Cabo Branco, onde o prédio de turismo, 26

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hoje Estação Cabo Branco, ficaria na parte de trás da encosta, preservando assim a paisagem original. No entanto, o projeto continua até hoje engavetado e a mata onde se encontra o prédio de Niemeyer foi toda destruída. Participando da criação do Espaço Cultural José Lins do Rego, foi professor de desenho e responsável pela primeira exposição de artes plásticas no local. “O Espaço Cultural não tinha espaço para as artes plásticas, tinha para música e a gente estava lutando por um museu. Nós queríamos criar um museu lá, mas o governo queria

uma feira.” Hermano participou por oito anos do Conselho do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (IPHAEP), ocasião em que conseguiu tombar a área onde hoje existe o turismo próximo ao Hotel Tambaú. “A ideia era juntar com o espaço da frente que era livre e fazer uma grande praça em frente ao hotel, mas os influentes do governador destombaram o local sabendo que estavam fazendo uma coisa errada.” Outro acontecimento vivenciado pelo artista se deu quando ele já morava no Rio de Janeiro, cida-


de que viveu por mais de 30 anos. Em uma exposição do Museu do Catete, Hermano reconheceu uma coluna trabalhada em Barroco que pertencia a um convento de João Pessoa que ele frequentou na infância. Ele conta que voltou à cidade e pediu ao secretário Augusto Crispim que expedisse um ofício exigindo a devolução da peça a seu local original. A coluna foi devolvida e encontra-se até hoje no convento. Por fim, o Artista Plástico faz uma crítica à evolução urbana

que, na opinião dele, só está preocupada com o lucro. “Eu conheci o Ponto de Cem Réis com a torre de quatro relógios de porcelana e um pavilhão com colunas altas. Hoje, ele terminou com um pátio de concreto que não tem uma árvore. Eu sei que a evolução urbana acontece, mas não querem disciplina nenhuma. Tem que mudar, mas não contra o homem.” Frequentador da Praia do Jacaré, Hermano demonstra sua preocupação com o futuro desse importante ponto turístico da região metropolitana por sua proximidade com

o Rio Sanhauá, temendo que o local tenha destino semelhante à mata do Cabo Branco. Citando algo que ainda lhe dá esperança, ele disse acreditar na juventude que foi para as ruas em uma onda de protestos que tomaram o Brasil nos últimos meses. “Ela despertou de repente e fez coisas que a juventude passada não fez. Ainda existe esperança nessa juventude que tomou conhecimento de que precisa fazer alguma coisa, nessa humanidade que está muito ruim.”

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MELHORIA DA EDUCAÇÃO Parceria entre Governo do Estado e UFPB contempla estudantes de licenciatura Por: Walison Costa

A UFPB, em parceria com o Governo do Estado acaba de lançar oficialmente o Programa de Melhoria da Educação Básica (Promeb). O programa tem como objetivo auxiliar na melhoria da qualidade do ensino de educação básica da Paraíba, e oferece 464 bolsas para alunos de licenciatura da UFPB. Para os bolsistas, o programa proporciona que sejam aplicados os conhecimentos desenvolvidos nos cursos em seu futuro ambiente de trabalho, além de propor acompanhamento no processo de aprendizagem dos alunos da rede estadual de ensino. Inicialmente, as bolsas são destinadas para os alunos de licenciatura dos cursos de português, matemática, biologia, química e física, além de alunos de 28

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pedagogia. Segundo Ariane Sá, Pró Reitora de Graduação, essas disciplinas foram escolhidas por serem as que os alunos apresentam maior deficiência ao chegarem à Universidade. “Se estimularmos o aluno do ensino médio, com certeza ele virá para a universidade mais bem preparado, o que também facilitará o processo da própria UFPB de garantia de uma boa qualidade de ensino”. De acordo com Ariane, os alunos bolsistas vinham sendo selecionados desde março, e o treinamento, está ocorrendo desde julho. “Já em agosto mandamos os alunos para as escolas para ir se acostumando e observando a rotina de sala de aula, para assim ver quais são as dificuldades e como nós poderíamos


ajudar. Agora estamos na fase de execução em si: o estudante já está indo pra sala de aula e acompanhando o aluno no processo de ensino e aprendizagem.” De imediato, o programa funcionará nas escolas estudais da cidade de João Pessoa. A perspectiva da organização é que se fechem acordos em conjunto com outras instituições de ensino superior, para então expandir o programa por toda a Paraíba. Ariane revela que já está sendo preparado um novo projeto a ser apresentado ao governador, onde será proposta a possibilidade de parceria com a UFCG, dentre outras instituições de nível superior do estado. Ainda é pretendido expandir o programa para escolas municipais por todo o estado. Sá relata estar em processo conversa com a prefeitura de João Pes-

soa, e aguardando uma reposta no momento. “Além da prefeitura de João pessoa, estamos fechando convênio com a de Cabedelo e também esperamos expandir paras as prefeituras de todas as cidades onde existirem Campus da UFPB, dessa forma pretendemos atingir a educação infantil, ensino fundamental e médio para fechar o ciclo da educação e termos um aluno mais qualificado na entrada na universidade”, completa. A partir de agora o Governo do Estado fará o depósito na conta da Fundação de Apoio à Pesquisa, Ensino e Extensão (Funape) o recurso para pagamento dos bolsistas. Cada bolsista receberá R$ 493. Destes, R$400 é o valor padrão de bolsas estabelecido pela Universidade, e R$93 referentes ao auxílio em transporte, já que os estudantes terão que se deslocar até as escolas que farão parte do programa.

Reitora Margareth Diniz recebeu o governador Ricardo Coutinho em seu gabinete

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Evasão e Retenção Instituição quer entender as razões e propor soluções Por: Rômulo Jefferson

A evasão e retenção dos cursos de graduação é um problema que atinge as Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes) e, na esteira, também a Universidade Federal da Paraíba. Segundo a Pró -reitora de Graduação, Ariane Sá, os níveis encontrados na UFPB estão dentro da margem nacional, em torno de 30, 40 por cento, mas já foram feitos estudos para detectar como e porque os estudantes deixam de frequentar seus cursos para, posteriormente, desenvolver as ações necessárias à diminuição desses números.

Outra pesquisa realizada com estudantes que ingressaram na Instituição a partir de 2007, baseada na autodeclaração (sem comprovação por meio de documentos), aponta que 50,79% dos alunos da UFPB têm renda familiar abaixo de dois salários míni-

mos; 29,40% varia entre dois e cinco salários mínimos, 19,68% têm renda entre cinco ou mais de 20 salários mínimos e 0,12% por cento não declararam renda.

Relatório do Programa de Incentivo ao Aumento da taxa de Sucesso (PITS), feito a partir da análise de questionários aplicados entre os coordenadores de 60 cursos no Fórum de Coordenadores, aponta quais são os principais motivos que levam os estudantes a desistirem dos seus cursos ou realizar trancamento e as ações prioritárias que devem ser tomadas para resolver o problema. Para o professor Gustavo Tavares, um dos coordenadores responsáveis pela pesquisa, o principal fator para a evasão e retenção está relacionado à problemas financeiros e incompatibilidade de horário acadêmico com o trabalho. Ilustração: Thales Lima 30

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“Existem dois tipos de estudantes na Universidade: o trabalhador e o acadêmico. O primeiro é um aluno que precisa trabalhar e portanto tem menos tempo para se dedicar aos estudos. Já o segundo dedica-se integralmente ao curso, participa de congressos, grupos de pesquisa”, diz Gustavo Tavares. Para ele é preciso fazer um mapeamento desses estudantes para oferecer soluções que possam trazer o estudante de fato para a universidade. Para isso já está em discussão a criação de um formulário que o aluno irá responder no ato da sua matrícula. “A partir da identificação desses alunos que estão em situação de vulnerabilidade social, nós poderemos tentar oferecer bolsas e incentivos. Fica a critério do estudante se para ele é melhor investir em uma carreira mais sólida para o futuro ou continuar no emprego, que traz resultados mais imediatos.” O relatório do PITS entretanto, pondera que esses incentivos não podem ter caráter paternalista e devem estar diretamente ligados à produção e resultados dos estudantes. Outro fator prioritário verificado em 78 por cento dos questionários aplicados, é a dificuldade de acompanhamento das disciplinas (em sua maioria das áreas de exatas e tecnologias) que exigem mais do aluno. Grande parte dessa dificul-

dade tem relação também com a falta de tempo para estudar entre os alunos que precisam trabalhar, além de problemas advindos de um ensino médio precário. “Nós estamos sugerindo no PITS que sejam feitas monitorias para esses alunos, porque a gente sabe que muitos estudantes estão frequentando aulas particulares para acompanhar as disciplinas Mas a maioria dos estudantes não tem dinheiro para isso, então o nível está desigual.” Ainda de acordo com as respostas apontadas pelos coordenadores que responderam ao questionário, a questão que envolve equipamentos de laboratórios insuficientes foram apontados em 73 por cento dos questionários, as más condições dessas instalações são vistas pelos coordenadores como determinantes para o afastamento do estudante da sala de aula. “O aluno fica sem perspectiva quando vê os laboratórios sucateados, os professores sem condições de dar aula, então ele prefere continuar no seu trabalho que é o que ele tem de seguro naquele momento”, diz um dos coordenadores do PITS, Gustavo Tavares. Pouca identificação com o curso, citado em 70 por cento dos questionários. Segundo Tavares, às vezes o estudante pensa uma coisa do curso, mas quando entra encontra outra realidade e não se identifica com os conteúdos abordados. Para ele, a rigidez da grade curricular é um agravante. “Você tem poucos conteúdos flexíveis, o

aluno fica sem opção e aí quando esbarra numa disciplina que ele não tem nenhuma afinidade, naturalmente se afasta. Na opinião dele, uma das formas de amenizar a falta de material que os acervos precários das bibliotecas deixa, marcado em 68 por cento dos questionários, é o incentivo à produção ou aquisição de e-books e material digital, como os arquivos em pdf, mídias eletrônicas e vídeos. Ausência de limite para as reprovações por falta e facilidade no trancamento parcial e total do curso, citados em 66 e 64 por cento dos questionários respectivamente, são fatores que contribuem com a retenção, já que esse estudante continua vinculado à Instituição. Na opinião dos coordenadores de cursos, de acordo com o relatório do PITS, a melhoria na infraestrutura, atualização pedagógica para docentes, oficinas para capacitação dos coordenadores e a atualização dos projetos pedagógicos dos cursos, são as principais ações que devem ser realizadas para minimizar os níveis de evasão e retenção na UFPB. O professor Gustavo Tavares reforça a importância de conhecer bem o perfil da Instituição. “Para nós é importante o mapeamento desses estudantes a ser realizado através do formulário respondido no ato da matrícula. Através dele vamos tentar oferecer melhores condições e incentivos para que esse estudante esteja mais presente na Universidade”, conclui. UFPB em revista

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Comissão de Gestão Ambiental reforça e cria novos projetos Por: Nayane Maia

A Comissão de gestão Ambiental realizou, em junho, um workshop com o objetivo de levantar as principais atividades desenvolvidas por membros da comunidade acadêmica, relacionadas ao enfrentamento do passivo ambiental da UFPB e de seu entorno. A gestão busca conhecer o que cada professor, aluno e técnico da comunidade acadêmica já fazia, ampliar os projetos, assim como descobrir novas ideias que ainda não tinham sido postas em prática. Os professores Joácio de Araújo Moraes, do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental, e Ruy Portela de Vasconcelos, do Departamento de Engenharia de Produção, são membros da Comissão de Gestão Ambiental e contam que já existem diversas 32

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ações isoladas através de projetos de pesquisa e extensão. “Como um professor da medicina soluciona os resíduos da saúde? Como um professor do Centro de Tecnologia lida resíduos das construções? O que um professor da biologia faz para cuidar da mata?” são algumas das indagações presentes que norteiam as preocupações com a questão ambiental.. O professor Joácio Morais ressalta que apesar de muitos agirem de forma pontual, um conjunto com uma solução definitiva e planejamento a longo prazo, ainda não existe. Dessa forma, a Comissão estuda maneiras de unir a comunidade acadêmica e cobrar dela soluções para as questões ambientais. E para colocar em prática


as soluções, é de extrema urgência a criação de um Plano Diretor para gerenciar o crescimento da universidade de forma a proteger o meio ambiente, tendo em vista que, o diagnóstico preliminar da ocupação do solo na UFPB é preocupante. Apesar das dificuldades, algumas medidas já estão sendo tomadas. O professor Ruy Portela descreve ação adotada no início do ano, com os alunos novatos da UFPB, chamada de trote verde: “O trote verde busca sinalizar que a Universidade de agora em diante vai ter a preocupação ambiental e vai incluir na sua agenda as questões ambientais. Então a primeira atividade foi o trote verde”. Nesse trote foi realizado plantio de árvores nativas para promover o reflorestamento em determinadas áreas da Universidade. Para os próximos trotes verdes, planeja-se realizar também limpeza de rios próximos e da praia, em conjunto com o projeto Rita Guajiru, que cuida dos ovos das tartarugas marinhas em João Pessoa. A comissão de gestão Ambiental faz o diagnóstico, cria planejamento e tenta solucionar os problemas de forma que durem, mas com a consciência de que não é um trabalho fácil. Aplicar as soluções para todos os problemas encontrados demanda muito tempo e dinheiro e o passivo ambiental da UFPB é muito grande, tornando o trabalho da comissão muito complicado.

Os professores Joácio Morais e Ruy Portela afirmam que é preciso mostrar os pontos negativos: “é assim que a gente abre os olhos e começa a corrigir o que tem de errado”. Da mesma forma, é importante mostrar os projetos em andamento e conscientizar a comunidade acadêmica a sobre as responsabilidades com o meio ambiente. A comissão de Gestão Ambiental foi criada em março 2013, com o propósito de planejar e solucionar os problemas ambientais da UFPB. A primeira ação foi eleger 14 áreas de atuação, que vão desde propor soluções para o descarte correto de resíduos dos laboratórios da UFPB, à aulas de educação ambiental para membros dos campus.

Passivo Ambiental – Você sabe o que é? É o conjunto de todas as obrigações que as instituições têm com a natureza e a sociedade. Corresponde ao investimento que as empresas devem fazer para corrigir os impactos ambientais adversos em decorrência de suas próprias atividades.

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Obras inacabadas são prioridade para a gestão Por: Walison Costa

Após anos de uma gestão conturbada e cheia de problemas com obras na UFPB, a Prefeitura Universitária foca em resolver problemas e estipular novos prazos para as construções por todos os Campi. Em quatro meses de gestão, o Prefeito Universitário, professor Sérgio Alonso, disse estar empenhado em ver cumprido os prazos de conclusão das obras. “Nós criamos um processo de reestruturação da Prefeitura. Quando chegamos o que encontramos foi um conjunto de obras em andamento com prazos esgotados, e outras entregues com falhas. O que fizemos foi criar novos procedimentos para termos um acompanhamento mais criterioso sobre essas obras”, esclarece. Dentro dessa reestruturação, a Prefeitura procurou verificar como era feito o acompanhamento das obras em tempos passados, para então começar a moldar um modo eficiente e resolver o problema. Para isso, foram criadas coordenações diferenciadas, tanto para obras quanto para outras áreas, como manutenção logística, de segurança e transporte. De acordo com Sérgio Alonso o setor de

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obras é o mais necessitado em função da quantidade, e problemas encontrados. Ele afirma que os maiores problemas são verificados nas obras do Reuni que se encontram muitas com o prazo já esgotado, além das que foram entregues apresentando problemas. Segundo Alonso, o problema tem que ser resolvido desde o processo de licitação, que tem que ser pensado, amadurecido, e levado em consideração a real necessidade para as pessoas que vão utilizar as construções finalizadas, sejam pesquisadores, professores ou alunos. Em diagnóstico feito pela Prefeitura no início da nova gestão, foi verificado que os projetos existentes foram concebidos apenas a nível arquitetônico, e dessa forma a obra era licitada sem os denominados projetos complementares constituídos de projeto elétrico, estrutural, hidro sanitário, lógico e de segurança, assim os valores e os prazos foram enxutos para tentar dar conta da grande demanda de obras do Reuni. Isso resultou em um processo cheio de falhas, que sempre resultava em acréscimo de tempo para conclusão e de valores para exe-

cução. Além das obras não concluídas, há aquelas que foram entregues, mas que já se encontram com problemas. Sérgio afirma que muitas dessas obras eram feitas às pressas para que todos os recursos do Reuni fossem aproveitados de uma vez, e com toda a correria, não se dava conta de detalhes, como impermeabilização, calhas, acessibilidade e etc. Ele conta que, inclusive, quando se passarem os períodos de chuvas de 2013 terá que ser feito um processo de recuperação em várias das obras entregues, que apresentaram problemas de infiltração e alagamento, além de também recuperar obras já mais antigas dentro da Universidade O Prefeito revela que anteriormente foram tidas ocasiões onde o preço da construção do metro quadrado fora da Universidade custava entre dois e três mil reais, e dentro dos Campi verificaram-se obras com o metro quadrado custando 800 reais. O procurador geral da UFPB, Carlos Octaviano, afirma que a razão disso é que o projeto era aprovado inacabado e ia sendo completado de acordo com o andamento da obra.


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Segundo ele esse é um dos motivos para as obras pararem ou serem entregues com defeitos. As empresas tentavam baratear muito para ganhar a licitação e posteriormente tinham que compensar isso, usando material de baixa qualidade e não tomando devida conta dos projetos complementares. Para isso é que a Prefeitura está aperfeiçoando o processo

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de fiscalização dessas obras. Octaviano afirma que várias das empresas contratadas para as obras vêm sendo punidas, seja por descumprimento de prazo ou por abandoná-las na metade, decretando falência. Ele salienta que, houve ocasiões onde as empresas eram multada várias vezes, e mesmo assim não resolviam o problema, tendo-se que rescindir o contrato, o que

Centro de Comunicação Turismo e Artes

leva o problema pra o lado jurídico e faz com que ele se alastre ainda mais. O prefeito afirma estar agora correndo atrás para que tenha-se o preço real nas obras. “A prefeitura espera em um ano vencer toda a atribulação deixada para nós, e assim então concluir todas obras remanescentes do Reuni”, completa.

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Reitoria democratiza discussão sobre contrato com Ebserh Por: Rômulo Jefferson

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Discurção sobre contrato com a Ebserh reuniu administração, profissionais de saúde e representantes de categorias no HULW

A segunda audiência pública que discutirá os termos do contrato que será firmado entre a UFPB e a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) deverá ocorrer no período compreendido entre 01 e 15 de outubro. Após a efetivação da primeira, ocorrida no final do semestre letivo 2013.1, no auditório do Hospital Universitário, os integrantes da Comissão específica, integrada por Flávio Lúcio, Aloísio Mário Lins Souto e Rovênia Maria Oliveira Toscano, pretendem apresentar as contribuições feitas pelos participantes da discussão sobre as cláusulas contratuais com a Ebserh, já na segunda audiência pública. As discussões deverão se estender até o dia 15 de outubro, dando lugar à criação de uma proposta de contrato que deverá ser firmado entre a universidade e a empresa. Segundo o professor Flávio Lúcio, será a partir das sugestões oriundas da comunidade e da análise da procuradoria da universidade, que a proposta de contrato com a Ebserh será desenvolvida, avaliada e aprovada pelo Conselho Universitário (Consuni). Com a finalização e assinatura do contrato entre as partes, a UFPB deverá iniciar a transição para que a Ebserh comece a operar no Hospital Universitário Lauro Wanderley. Assim como ocorre com o programa Universidade

Participativa, nas reuniões que tratam do contrato com a Ebserh são distribuídas fichas para que o público envie sugestões à mesa. Presentes na primeira audiência realizada, a Associação dos Docentes da Universidade Federal da Paraíba (ADUFPB) e o Sindicato dos Trabalhadores em Ensino Superior do Estado da Paraíba (SINTESPB) pediram a palavra e reafirmaram suas posições contrárias à adesão aos serviços prestados pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares.

Polêmica O anúncio da adesão da Universidade Federal da Paraíba à Empresa Brasileira de Hospitais, feito no primeiro semestre de 2013, causou intensos debates e opiniões divergentes sobre o assunto, sobretudo protestos entre os estudantes. Parcela do segmento estudantil, posicionou-se pelo “não privatização do HU”. Já os que se mostraram a favor da mudança, defenderam que essa seria a única forma possível de manter o Hospital Universitário em funcionamento. Segundo o superintendente do hospital, Dr. João Batista, os recursos recebidos pelo Lauro Wanderley hoje, antes da adesão, não são suficientes para garantir o atendimento dos pacientes e que a chegada da Ebserh irá viabilizar a manutenção dos serviços no hospital universitário. UFPB em revista

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PREVENÇÃO DE CATÁSTROFES Pesquisadores paraibanos publicam estudo de destaque internacional Por: Walison Costa

Hugo Cavalcante e Marcos Oriá no Laboratório de Dinâmica Não-Linear, Caos e Complexidade, da UFPB

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Pesquisadores Hugo Cavalcante e Marcos Oriá, em um trabalho recentemente aceito pela conceituada revista americana Physical Review Letters, estudam a prevenção de eventos extremos tais como grandes secas, enchentes, terremotos e crises no mercado financeiro. O trabalho, que tem cerca de um ano e vem sendo desenvolvido no Laboratório de Dinâmica Não-Linear, Caos e Complexidade, da UFPB, visa identificar quando um evento extremo está prestes a ser formado, e se possível, tomar medidas para evitá-los. A pesquisa, que é uma colaboração internacional de cientistas, conta, além dos brasileiros, com os professores Daniel Gauthier, da Universidade Duke, e Edward Ott, da Universidade de Maryland, ambas nos EUA, e também com o pesquisador Didier Sornette, do Instituto Federal de Tecnologia (ETH) de Zurique, na Suíça. Segundo Marcos Oriá, a participação dos pesquisadores estrangeiros ocorre na interpretação e discussão dos resultados obtidos. Já toda a parte prática experimental do projeto está sendo feita no laboratório que se encontra no CCEN da UFPB. De acordo com os pesquisadores paraibanos, a motivação para o estudo desses eventos vem naturalmente dentro da pesquisa de dinâmica não linear, e é devidamente importante por eles terem um impacto muito grande na sociedade. “Trabalhei três anos e meio em Duke e foi aí que comecei a desenvolver essa linha de pesquisa, então trouxe para a UFPB. Nós gostaríamos de entender como os eventos acontecem pra evitá-los, prevendo quando e como eles vão acontecer”, relata Hugo.

Ele revela que diagnósticos de estudos antigos sempre levavam a conclusão de que esses eventos não eram previsíveis, e que com esse estudo, inovador na UFPB, estão sendo identificados mecanismos que permitem intervir nesses meios. A UFPB tem oferecido financiamento para pesquisa. Oriá conta que o laboratório onde o estudo tem sido feito é relativamente novo, e a melhoria da infraestrutura têm sido feita no decorrer do tempo. “Sempre estamos buscando um pouco mais, estamos participando dos projetos de infraestrutura da Universidade. Como temos um novo laboratório, procuramos melhorar a infraestrutura, e trazer o estudante para participar do estudo também”, pontifica. Sobre os resultados que se expecta chegar com o trabalho, Cavalcante revela esperar que esse estudo dê origem a uma linha nova de pesquisa. Ele revela a expectativa de que outros cientistas do mundo comecem a ver o trabalho e aplicar a ideia em outros sistemas. “Esse trabalho é uma parte de uma história que começa com outros trabalhos que a gente se inspirou, ele também vai dar origem a outras pesquisas científicas que usam nossas comprovações experimentais em outros sistemas e situações”, completa.

Oriá afirma que a grande contribuição da pesquisa é mostrar com um exemplo concreto, que em sistemas onde se tem o mesmo comportamento de estruturas encontradas na natureza, como o de catástrofes, há a possibilidade de intervenção. UFPB em revista

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“OLHAR NO FUTURO”

Projeto de servidor da UFPB ganha concurso Por: Walison Costa

e Doutorando do Programa Regional de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente (Prodema), o projeto funcionaria especificamente para João Pessoa, que é uma cidade cortada por diversos rios e córregos, e por isso tem uma grande malha hidrográfica. Ele cita como exemplo o rio Cuiá, que corta 27 bairros da zona sul da cidade.

André Queiroga

Concurso realizado pelo Sindicato de Arquitetura e Engenharia (Sinaenco) premiou a ideia de André Queiroga, Servidor do Laboratório de Estudos Ambientais da UFPB. A ideia projeta harmonizar os rios e a paisagem urbana de João Pessoa e foi ganhadora por votação popular do concurso “Olhar no futuro”. A competição passa por diversas capitais do Brasil, e coleta ideias que desenvolvam o projeto de cidade sustentável, visando ter uma expectativa das cidades participantes em um período de 25 anos. De acordo com André, que também é Professor da UFPB Virtual 40

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Queiroga explica que os rios em João Pessoa estão sendo degradados, ou simplesmente não preservados. Ele relata que, em vários casos, o poder público, na tentativa de preservar esses rios, transforma a área em que o rio está contido em parques para preservação, e nesses casos a área fica sem utilização publica. “O parque de Jacarapé, por exemplo, as pessoas não vão pra lá pra passear, nem pra fazer lazer ou turismo. Outro exemplo é o Cuiá, que também teve uma parte transformada em parque municipal”. A ideia propriamente dita seria promover ações de monitoramento e integração de bacias hidrográficas de rios que cortam a cidade de João Pessoa. Para isso, seria necessária a melhoria de certos aspectos, como saneamento, amenizar riscos ambientais, mobilidade e lazer, e do potencial uso

dos recursos naturais da região, de modo a harmonizar a presença dos rios no meio ambiente urbano. André revela que o projeto é um dos objetivos de sua tese de Doutorado, e se trata de uma pesquisa ação, voltada a uma atribuição prática, ou seja, não é só pra ficar dentro da Universidade. Ele confirma que nas últimas semanas tem mantido contato com a Secretaria Adjunta do Meio Ambiente, Wellitânia Freitas. “Apresentei a proposta a ela, justamente em decorrência desse concurso. Após apresentar a tese inteira, a secretaria se propôs a apresentar para o secretario geral e posteriormente ao prefeito. Isso devia ser levado adiante, como proposta de plano de gestão pra cidade.” Se mostrando satisfeito, com o resultado que tem conseguido, Queiroga revela estar contente pela ideia ser reconhecida pela sua validade. Ele salienta que também encontra dificuldades no desenvolvimento da pesquisa, por ser servidor, e não ter direito a bolsa no Doutorado, e ainda revela fazer a pesquisa com recursos próprios. “Isso serve pra todos, até para outros servidores. Sem recursos e com ideias simples, conseguimos fazer pesquisas e validá-las”.


Professora recebe prêmio por pesquisa com portadores de leucemia Por: Nayane Maia

A professora Nailze Figueiredo de Souza, da Escola Técnica de Saúde (Centro de Ciências da Saúde/CCS), recebeu um importante prêmio por sua tese de Doutorado em Saúde da Criança e Adolescente da UFPE no Primeiro Congresso Multidisciplinar Em Oncologia Do Instituto Do Câncer Do Hospital Mãe De Deus, que ocorreu nos dias 21 e 22 de junho em Porto Alegre.

do Amanhã, de João Pessoa.

A pesquisadora observou a necessidade de maior suporte aos familiares e profissionais que cuidavam de crianças com câncer. Dessa forma, desenvolveu um estudo no qual foram realizadas ações educativas em saúde por uma equipe multidisciplinar para informar e orientar, sobre a doença e o tratamento, todos os envolvidos no processo. Posteriormente foram realizadas entrevista com as mães, profissionais e estudantes, sobre suas experiências ao participar da ação.

“Analisamos na tese o significado dessas ações para cada uma dessas categorias. Uma pesquisa qualitativa. E isso mostrou que foi muito importante essa reeducação na equipe interdisciplinar.” relatou a pesquisadora. As mães mudaram a alimentação das crianças, pois a criança que está fazendo quimioterapia tem a imunidade baixa e precisa de uma alimentação correta. Passaram também a entender mais a doença e o tratamento, enfrentando melhor a enfermidade. Os profissionais e estudantes passaram a conhecer melhor essa realidade.

O projeto educativo está vinculado à Escola Técnica de Saúde e ao Programa de Bolsas de Extensão (Probex) da Universidade Federal da Paraíba, em que a pesquisadora trabalha como docente, e foi desenvolvido na Associação Donos

Durante um ano, a ação educativa em saúde desenvolvida por Nailze Souza contou com a participação de enfermeiras, psicólogas, uma arte educadora e estudantes do curso de Nutrição da UFPB. Dirigida a 10 mães de crianças com leucemia, as ações coletivas abordaram temas sobre a doença, tratamentos e higiene corporal.

A professora Nailze Figueiredo julga ser de extrema importância iniciativas mais efetivas na área de Educação em Saúde. A falta de cuidados como higiene e alimen-

Nailze Figueiredo

tação adequadas, pode ocasionar risco de infecção fatal à criança. Segundo ela, as mães também precisam se cuidar para evitar desenvolver doenças como hipertensão e ansiedade. Sobre o prêmio, ela comenta quer ficou lisonjeada por ter sido contemplada, e feliz com a repercussão do projeto. Como envolve muitos cursos, ele tem gerado outras pesquisas e estudos, que complementam e expandem o conhecimento nessa área tão importante, mas que ainda não recebe o valor apropriado. UFPB em revista

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UFPB em revista está vinculada a Assessoria de Comunicação da Universidade Federal da Paraíba e é produzida por alunos do Curso de Comunicaç...

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