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nยบ 01 - Maio 2013


Editorial Os desafios para a nova gestão da Universidade Federal da Paraíba são imensos e decorrem da ausência de planejamento e de ações administrativas vividas, pelo menos, nos últimos doze anos. Serão quatro anos para, num esforço concentrado, fazer as correções de rumo e redirecionar a Instituição no sentido de colocá-la no cenário das mais importantes do país. Este é o sentido da frase criada pelo seu fundador, José Américo de Almeida: “...outros vos darão asas e o selo da perpetuidade”. Com o programa Reuni, do Governo Federal, a UFPB possibilitou que muitos jovens pudessem abraçar um curso de graduação no sistema de ensino público federal. Além do ampliar as vagas para estudantes, a Instituição viu florescer em seus quatro Campi uma série de obras de engenharia. São salas de aula e espaços laboratoriais destinados a acomodar professores, estudantes e técnicos administrativos advindos do Reuni. No entanto, apesar dos esforços dos docentes (que elaboraram os projetos de criação de novos cursos e da ampliação de vagas nos já existentes), entraves propositais de ordem administrativa dificultaram ou instituíram equívocos de difícil reversão. Uma série de fatores ocorreu para que as obras não tivessem os prazos de entrega cumpridos e que uma série de equipamentos tenha deixado de ser comprado. A grande maioria dos novos cursos enfrenta problemas traduzidos na falta de equipamentos para os laboratórios e ainda a ausência de espaços para salas de aula. Se os recursos foram liberados pelo Governo Federal na proporção indicada nos projetos, faltou-nos uma administração competente para fazer com que fossem aplicados de modo célere e eficaz, durante o período administrativo que marcou a gestão Rômulo Polari e Iara Matos. A única explicação reside na ausência de competência administrativa que senão vejamos: a Biblioteca Central encontra-se em estado lastimável por conta dos fungos e da poeira que ameaçam o acervo. Sem nenhuma reforma para correção dos problemas de ventilação e adequação de climatização, livros, funcionários e usuários, de modo geral, estão afetados pela proliferação de fungos e poeira. Na falta de um Plano Diretor que pudesse ordenar o crescimento da UFPB, o problema com ausência de espaço para novas construções em plano horizontal resulta, forçosamente, na verticalização das construções. A falta de planejamento dificulta a mobilidade e mesmo nos prédios de poucos andares falta acessibilidade para as pessoas com deficiência, prevista em Lei. O resultado da ausência ou pouca importância dada ao planejamento pode ser sentido na dificuldade de estacionamento, nas ausências de acessibilidade, de segurança contra incêndio e de um sistema de vigilância e monitoramento que possibilitem transitar no Campus com segurança. Todos esses problemas aliados a uma burocracia maçante, letárgica e pouco funcional, emperram o funcionamento mais básico da Instituição.

Prof.º Derval Gomes Golzio


edição nº 01

Orientação: Professor Derval Golzio e Rubens Weyne Editores: Marina Maracajá e Nayane Maia Colaboraram nesta edição: Layse Pereira (projeto gráfico) Capa e Arte: Nayane Maia UFPB em revista é uma atividade das disciplinas Oficina de Produção de Texto e Editoração II do curso Comunicação em Mídias Digitais da UFPB João Pessoa - PB Maio - 2013

Expediente


Sumário

UFPB à distância expande horizontes para a educação

p.8

UFPB Virtual e o Ensino à distância na Paraíba

p.12

Biotérios da UFPB revelam diferenças e abandono

p.18

EJA Consultoria proporciona crescimento profissional

p.24

Neurocientista Miguel Nicolelis reabre Fórum Universitário

p.28

Ano de 2015 é limite para meta plena de acessibilidade

p.34

Falta de planejamento afetará crescimento da Universidade

p.38

A UFPB do relatório Polari contrasta com a realidade da Instituição

p.42

Qual o valor do estudante universitário para o governo?

p.48

Quem são e como vivem os estrangeiros na UFPB

p.52


Vídeo veiculado na internet revela atrito em sala de aula

p.10

Curso pré-vestibular funciona de modo precário

p.14

Grupos de pesquisa: desafios e metas dos pesquisadores da UFPB

p.20

Estágio: A busca pela experiência profissional

p.26

Estacionamento precário provoca transtorno na UFPB

p.32

Restaurante Universitário: do problema à solução

p.36

Fungos e poeira prejudicam acervo da Biblioteca Central

p.40

Onde os gatos têm vez

p.46

DCE da UFPB sob gestão da chapa 1: A hora é agora!

p.50


Foto: Thinkstock

ENSINO

UFPB à distância expande horizontes para a educação C om o sistema de Educação à Distância – EaD, pelo UFPBVIRTUAL, através do sistema Moodle, alunos da graduação regular presencial da UFPB, podem ter até 20% da carga horária de seus cursos ministrados virtualmente, Conforme prevê a Portaria Nº 4.059, de 10 de dezembro de 2004, do MEC. Através desta portaria, que vale para todo o território nacional, a professora e pesquisadora Débora Regina Opolski, da disciplina de Áudio I (curso de Comunicação em Mídias Digitais), ministrou algumas aulas on-line via vídeo conferência e acompanhou algumas atividades pela plataforma Moodle (sistema de administração de atividades educacionais destinado à criação de comunidades on-line, em ambientes virtuais voltados para a aprendizagem utilizados pelas universidades em todo). Porém, segundo relatos de estudantes do curso, esta ferramenta não os favoreceu academicamente, pois a plataforma utiliza um layout complicado para quem não teve um prévio

8 - UFPB em Revista

treinamento de uso e esta dificuldade acabou prejudicando o andamento das atividades bem como o conteúdo a ser transmitido. “Foi difícil pra mim, porque as atividades que a professora enviava não apareceram por completo, sempre faltava um ou outro arquivo. Tive que pegar o conteúdo com colegas que tiveram acesso aos arquivos que não apareciam para mim. Quase toda a turma teve problemas para usar o Moodle, muitos tiveram problemas de conexão, onde o sistema não fazia o login da senha de acesso (que era individual) e utilizava o nosso número de matricula como usuário”, disse a estudante Jéssica de Souza Morais. A professora Débora também contou que teve vários problemas para incluir os alunos no sistema, como também para envio de arquivos com os conteúdos e atividades. Essas falhas acabaram comprometendo muito o ensino da disciplina para a turma. Ela ainda relatou que por várias vezes procurou a equipe técnica da universidade, bem como amigos que utili-

zavam a software em busca de algum treinamento ou informação específica para utilização da ferramenta para professores, que inclui além do monitoramento de utilização e de carga horária de visita dos arquivos pelos alunos, o sistema de consolidação de notas para cada estudante matriculado. Para a coordenadora adjunta da UFPBVIRTUAL, Renata Patrícia Lima Jeronymo M. Pinto, esse software tem uma proposta bastante diferenciada de aprender e passar informação em colaboração no ambiente on-line e tem como base a pedagogia sócio construtivista aberta, livre e gratuita e pode ser carregado, utilizado, modificado e até distribuído. “Desconheço o acontecimento destes problemas apresentados neste caso da turma de Mídias Digitais, mas afirmo que foi um caso isolado, pois geralmente não temos muitos problemas com a plataforma. Eventualmente podem acontecer alguns desvios de funcionamento que podem ser resolvidos pela equipe técnica em caso de reclamações. Algu-


O que fazer para melhorar A UFPBVIRTUAL e o Centro de Informática da UFPB publicaram no dia 09 de abril um projeto-parceria, através da aplicação de questionários, com o objetivo de melhorar a qualidade no acesso à plataforma de ensino à distância. Solicitando a colaboração de atuais e ex usuários, a ideia é apurar informações que os ajudem a melhorá-lo. Os questionários foram projetado de forma a serem respondidos num tempo que varia entre 2 e 5 minutos. Todos podem participar: estudantes, professores, tutores, etc. Os questionários contemplam assuntos importantes: no questionário 1, a abordagem se centra na Análise da Acessibilidade da Plataforma EaD da UFPBVirtual; no questionário 2, o ponto central é a avaliação da Interface do Curso Superior de LIBRAS da UFPB Virtual (Apenas para alunos do curso de letras/LIBRAS); no questionário 3, as questões buscam informações sobre a Comunicabilidade na UFPB Virtual; no questionário 4, a abordagem é a avaliação de Interfaces de Plataformas EAD em Dispositivos Móveis; no questionário 5, os idealizadores buscam respostas sobre a Usabilidade do Ambiente Virtual Moodle. No questionário 6, a abordagem busca avaliar Interfaces Multimodais na UFPB Virtual

Foto: UFPB Virtual

Reunião de professores no Laboratório I da UFPB Virtual.

e no questionário 7, avaliar o Uso de EAD e Redes Sociais. Sistema Virtual Com o intuito de formar professores Leigos atuantes em escolas publicas, bem como o a formações de jovens e adultos que moram no interior da Paraíba UFPBVIRTUAL integra o Sistema Universidade Aberta do Brasil – UAB, Utilizando modernas tecnologias da informação e da comunicação e de metodologias inovadoras de ensino. Os cursos são desenvolvidos com base na Internet através do ambiente virtual de apren-

dizagem Moodle e também materiais impressos, CDs, DVDs, Bibliotecas Virtuais e assistência personalizada aos estudantes nos Polos de Apoio presencial em todo o Estado. Ao todo, são ofertados nove cursos de graduação, todos na modalidade a distância e com 50% das vagas por cada ano no vestibular em Matemática, Letras, Libras, Pedagogia, Ciências Biológicas, Ciências Agrárias, Ciências Naturais, Computação e Administração Pública. Reportagem: Dannylo Vasconcelos Foto: Nilcéia Lima

mas medidas foram tomadas nos últimos meses para melhorar o acesso e a utilização do Moodle e muitas outras melhorias virão ainda esse mês”, disse. Para o aluno Adilson José de Oliveira, de 34 anos, do curso de Pedagogia online, que utiliza exclusivamente o Moodle como interação entre os graduandos e professores, a plataforma no inicio das atividades de curso apresenta certa complexidade de utilização, mas nada que com pouco tempo de uso não fique fácil. “Tive só um problema, no qual um arquivo de revisão de prova não apareceu pra mim, logo comuniquei ao professor e ele me enviou por email. No mais, nada de muito complicado”, relatou o estudante, que ainda elogiou o sistema dizendo, ser para ele que mora longe do campus da universidade, a oportunidade de fazer um curso superior em casa, podendo assim continuar com suas atividades profissionais no município que mora no cariri paraibano.

Foto do cartaz de divulgação do vestibular da UFPB Virtual em 2012 Os desafios para a Instituição - 9


ENSINO

Vídeo veiculado na internet revela atrito em sala de aula Alunos usam redes sociais e procuram a mídia para expressar revolta contra atitude de professora. UFPB tenta minimizar choque através de ouvidoria.

O

acesso a uma grande gama de informações e meios de propagação rápida de notícia, ocasionado pela popularização das redes sociais nos últimos tempos, fez com que surgissem várias atitudes de estudantes, entre eles universitários, que seja por provocação ou simples curiosidade, passaram a questionar o professor acerca da disciplina e dos métodos aplicados. O resultado é o aumento dos atritos naturais envolvendo a hierarquia existente na relação de quem ensina e quem aprende. Recentemente circulou nas redes sociais um vídeo realizado dentro da sala de aula por estudantes do 1º período do curso de Comunicação Social da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). O vídeo foi protagonizado pela professora Maria Lúcia de Oliveira e uma de suas alunas, nele a professora demonstra fúria ao perceber que a estudante estava lendo um livro que não pertencia à aula. Os alunos que tinham o hábito de usar os celulares para captar o áudio para estudo posterior, imediatamente gravaram a discussão, e recorreram então ao coordenador do curso, que os orientou a juntarem mais provas. O 10 - UFPB em Revista

resultado foi uma série de vídeos que pipocaram nas redes sociais e no youtube, chamando a atenção de outros meios de comunicação. Este fato ocorrido dentro da UFPB expõe a fragilidade da relação discente-docente na atualidade, onde um excesso de autoridade pode acarretar problemas no relacionamento, e em casos extremos, como o acontecido, provocar um fim forçado de uma relação. Ou seja, o que não pode ocorrer é o rompimento da barreira entre a autoridade e o autoritarismo. Segundo os alunos, a Professora Lúcia já não tinha um bom relacionamento com a turma, e no caso se enervou a ponto de proferir palavras que poderiam ser proferidas de forma educada, mas humilhavam os mesmos. “A gente já tinha ouvido falar que ela humilhava os alunos e que, para ser aprovado com ela, tinha de conversar com ela, mostrar-se amigo dela”, conta Edielly Araújo. “O bom professor tem de ser humano. Um título pode até causar um distanciamento na relação. No episódio, por exemplo, a professora bradava que era doutora e que nós não”, completa. Desde criança somos educados

a respeitar a hierarquia educacional. Dentro de uma instituição de ensino o professor é a parte do comando que está mais próximo ao aluno. É o professor que determina o processo de construção do conhecimento. Já o aluno deve acatar as decisões dos docentes e provar que aprendeu. A relação professor-aluno está sujeita a normas dos professores e do curso, aspectos pedagógicos, objetivos a serem cumpridos, sistemas de avaliação e outra gama de convenções que não estão apenas sob a ação dos próprios docentes e discentes, como poderia se pensar. Inclusive algumas delas estão sujeitas à legislação vigente no Brasil. A lei que rege a educação superior do nosso país é denominada LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), de 20 de dezembro de 1996. Ela promove a descentralização e a autonomia para as universidades, prevendo que estas elaborem e executem seu plano pedagógico onde se estabelece a relação aluno-professor. No caso relatado, a professora foi taxada como vilã da história e acabou afastada do departamento. Foi procu-


Ouvidoria A gestão de uma universidade, embora baseada na democracia, continua com as decisões sendo tomadas verticalmente, de cima para baixo, estabelecendo relações de autoridade. Alguns professores valem-se dessa autoridade para impor seu respeito, ao invés de estabelecê-lo através da conquista. Poucas decisões são tomadas de forma coletiva. A fim de minimizar isso e para o recebimento de reclamações e sugestões sobre o funcionamento da instituição, a UFPB possui a Ouvidoria Geral, comandada pelo Prof. Dr. César Emanoel Barbosa de Lima. Segundo o Professor a Ouvidoria serve como acolhimento, e está à disposição para receber sugestões, e conciliar situações tanto quanto tem função de encaminhar denúncias sobre casos. O órgão funciona como apaziguador tentando encaminhar as reclamações para o setor competente. “Quando há reclamações de alunos a gente ouve e entramos em contato com o departamento e com o professor. Depois de encaminhada a denúncia, há um prazo para a resposta. Se alguma parte não fica satisfeita com o encaminhamento, a denúncia vai subindo de instância até o órgão superior, por exemplo, o Conselho Universitário (Consuni).” Atualmente a Ouvidoria é um órgão pouco divulgado, tanto que, no

Foto: Wallyson Costa O prof. César Emanoel afirma empenho na melhora da relação Professor/Aluno

caso da professora Lúcia, nenhuma denúncia foi feita. “Estamos um pouco escondidos, embora as ligações nos sejam encaminhadas. Temos de ser mais

“Não existe sistema

100%, não se resolve tudo, mas trabalhamos para que isso aconteça.

Prof. César Emanoel Lima

humanos e melhorar no contato com a sociedade”, diz Barbosa de Lima. Ele segue argumentando que, “tem

de haver uma divulgação melhor do que é realizado aqui dentro, para sociedade. A nova gestão está disposta a dar uma nova roupagem a UFPB. A divulgação será bem maior. Estamos nos mudando para o hall de entrada da reitoria, o que nos dará maior visibilidade. Na página da UFPB será colocado um link, que não havia até o momento, para contato direto com a Ouvidoria.”, completa o professor, afirmando que dessa maneira espera chegar cada vez mais perto de uma relação professor -aluno agradável. Reportagem: Róbson A. Viana e Wallyson Costa Foto: Wallyson Costa

rada por toda imprensa para dar a sua versão dos fatos, mas preferiu o silêncio, dando voz ao ditado popular de que “quem cala consente”. Outros professores, porém, se declaram vítimas em casos semelhantes. De acordo com o mestre em História pela UFPB, Paulo Eduardo, “Lecionar está a cada dia mais difícil. Nem me preocupo tanto com o salário, mas, principalmente, com a violência, as agressões. Não sei, realmente, o que fazer, tanto para não ser agredido, quanto para me conter”, desabafa. Percebe-se que a diferenças de postura de um professor para outro, quando estes imprimem a sua “marca”. De acordo com a sua personalidade, evidenciam diferenças metodológicas e filosóficas que são percebidas pelos alunos em sala de aula. Um bom professor acaba sendo espelho e, até certo ponto, um ídolo para alguns alunos.

Nova localidade da Ouvidoria sendo preparada no Hall de entrada da UFPB Os desafios para a Instituição - 11


Imagem da internet

ENSINO

Polo presencial no campus I da Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa

UFPB Virtual e o Ensino à distância na Paraíba O ensino a distância já é uma realidade que se consolida cada vez mais nas universidades do Brasil e do mundo. Com a Universidade Federal da Paraíba não é diferente; a UFPB Virtual tem recebido cada vez mais alunos, o que confirma a tendência de crescimento da educação à distância (EAD) no cenário paraibano. Todos os cursos oferecidos pela UFPB virtual funcionam de maneira similar. Porém, cada qual com modificações para atender as necessidades específicas de cada área. O curso de licenciatura em ciências biológicas à distância, por exemplo, além das aulas virtuais e encontros presenciais, possui aulas de campo e em laboratório para uma formação mais completa e sólida dos alunos. De acordo com o facebook da UFPB Virtual, “Alguns procedimentos são padronizados, outros não. O único que todos tem em comum 100% são as provas presenciais obrigatórias pelo MEC”.

12 - UFPB em Revista

Cursos à distância na UFPB

Os cursos ofertados pela UFPB Virtual são ministrados via Moodle, software que serve como plataforma virtual de aprendizagem. Há também aulas presenciais, cuja localização e periodicidade variam. O curso de Pedagogia, por exemplo, possui mais de 15 pólos em diferentes municípios da Paraíba para viabilizar as aulas presenciais. O preparo dos professores é feito por meio do e-tutor, um projeto de capacitação continuada da UFPB virtual. Nele, qualquer professor ou tutor da UFPB pode se inscrever _ na coordenação do curso do qual faz parte _ para a seleção do processo de cursos de capacitação, que possuem vagas limitadas. Até o momento, todas as graduações pela UFPB Virtual são ofertadas na modalidade Licenciatura, com exceção do Bacharelado em Administração Pública. Há também uma pós-

graduação: especialização em Gestão Pública. As graduações são Ciências Agrárias, Ciências Biológicas, Ciências Naturais, Matemática, Letras/Português, Letras/LIBRAS, Computação e Pedagogia. Um dos principais objetivos da oferta de cursos à distância é dar a oportunidade às pessoas que não podem se deslocar para outras localidades com o intuito de realizar tais cursos. Dessa forma, a oferta de curso online pela UFPB já ultrapassou até mesmo as fronteiras do estado. É possível citar como exemplo o curso de Ciências Biológicas, que possui um polo na cidade de Jacaraci, na Bahia. Há também dois pólos para o curso de Pedagogia no estado de Pernambuco, nas cidades de Limoeiro e Ipojuca. Após a conclusão dos cursos de graduação a distância, é possível continuar os estudos com uma especialização lato sensu ou strictu sensu. O diploma é válido como o de qualquer outra graduação realizada na modalidade presencial.


Preconceito

Ensino à distância

não é tão capaz quanto um formado em curso presencial. A realidade é bem contrária: com a flexibilidade de horários, a pessoa que está matriculada em um curso a distância deve ser focada, organizada, e ter disciplina para manter seus estudos _ não se dispersar, seja com o ambiente onde está ou a internet. Desde o ano de 2004, o Ministério da Educação (MEC) aprovou a inserção de 20% da carga horária curricular em cursos superiores presenciais como aulas ministradas à distância. Tal posicionamento de um órgão governamental pode ser o indício de uma aceitação

maior da modalidade de ensino. “O preconceito relacionado a EaD é uma discussão ampla, porém ainda existe sim”, constata o canal de contato online da UFPB Virtual. Talvez a própria falta de conhecimento acerca da modalidade de ensino seja a razão de parte da população negar-se a acreditar nesse método educacional que, com a difusão do acesso à rede, continuará a se expandir.

Reportagem: Walter Licínio e Érika Antunes Imagem retirada do site http://etutor.virtual.ufpb.br

Pessoas mais tradicionais tendem a pensar que um formado em EAD

Foto: Marcos Santos

Os cursos de licenciatura à distância são ofertados com o intuito de formar professores aptos a ministrarem aulas na segunda etapa do ensino fundamental e no ensino médio, atendendo a necessidade de aprimoramento de professores que não têm ensino superior, e formando pessoas residentes nas cidades do interior do estado que não possuem fácil acesso à educação. “Há todo tipo de aluno, sem-terra, pessoas da zona rural, pessoas de alta e baixa renda, etc. Se você der uma olhada em nosso edital você verá que atendemos 3 tipos de público distintos. Demanda social, professores da rede pública e surdos”, afirma a página do facebook da UFPB Virtual. Um dos maiores esforços da educação à distância é manter a qualidade de ensino para que seus cursos sejam tão eficientes quanto os presenciais. Para que isso seja possível, tem-se mantido parâmetros dos cursos presenciais equivalentes. Por exemplo, o curso de Ciências Biológicas oferece um fluxograma curricular igual ao ministrado presencialmente, com o mesmo número de horas-aula e créditos. Já o curso de Matemática conta com apenas 90 horas a menos que seu equivalente presencial.

Treinamento de professores pelo e-tutor Os desafios para a Instituição - 13


ENSINO

Curso pré-vestibular funciona de modo precário A Emmanuela da Silva, que vai prestar vestibular para Serviço Social. A turma que elas fazem parte conta com alunos portadores de necessidades especiais, entre eles está Larissa dos Anjos, que sonha em fazer Psicologia. Para ela a rotina de pegar material depois das aulas é um pouco diferente. Já que não enxerga, Larissa tem que ir até o setor da universidade responsável em passar para o Braile o material disponibilizado: “Nós pegamos o material necessário para as aulas, com exceção de Matemática, Química e Física que não fica disponível. Esses professores fazem o que podem, enviam por email e eu estudo com ajuda do leitor virtual”, conta. Larissa Leite disse ainda que sente falta de algumas atitudes, para ela é preciso maior empenho para que as coisas funcionem melhor. Mayra Lucena, que espera cursar Jornalismo ou Pedagogia no ano que vem, concorda com a colega: “No começo das aulas, tinha uma pessoa aqui para acompanhar e ajudar no que eles precisassem, agora somos nós que fazemos isso. Inclusive, temos um colega esquizofrênico e fica visível a falta de preparo dos professores quando acontece alguma situação”, explica.

Foto: Francisco Dantas

riany Melo, 17 anos, Emmanuela da Silva, 24, Mayra Lucena, 18, e Larissa dos Anjos, também de 17 anos, são alunas do Cursinho Pré-Vestibular que se iniciou em 14 fevereiro na UFPB - Universidade Federal da Paraíba -, todas elas têm em comum o sonho da aprovação no vestibular. Para Ariany Melo, que pretende cursar Relações Públicas e está pela 2ª vez no Cursinho Preparatório, falta uma melhor organização para o funcionamento das aulas: “O curso é legal, mas eu esperava mais. Nós temos muitas aulas vagas, no ano passado não era assim. Pelo horário que recebemos, as aulas deveriam ir das 13 às 17 horas. Muitas vezes temos que esperar para ter apenas a última aula, simplesmente porque ninguém nos avisa”, comenta. O curso tem grande procura e a idade média dos frequentadores vai de 17 a 60 anos: “É difícil entrar aqui, a seleção é feita pela avaliação da renda e o histórico escolar do aluno. Também não temos gastos adicionais, pagamos apenas pelas cópias do material disponibilizado pelos professores e as passagens de ônibus, ainda temos o direito de tirar a carteirinha de estudante”, diz

Entrevista

A Coordenadora do Núcleo de Jovens e Adultos da UFPB - Universidade Federal da Paraíba -, Maria de Fátima dos Santos Oliveira, negou-se a dar declarações sobre o Cursinho PréVestibular, o qual ela é responsável. Ela exigiu uma Carta de Apresentação da equipe de reportagem, argumentando que esse é um procedimento de praxe no Departamento. Inicialmente, a coordenadora omitiu também o local e horário de funcionamento do curso. Maria de Fátima afirmou ser “incorreto da parte de vocês (nós da reportagem), procurar alunos e professores do curso sem autorização”, acrescentou. Maria de Fátima disse ainda que os professores sabem da necessidade dessa autorização: “Quem está sendo inconveniente aqui é o professor de vocês, porque ele sabe que isso é preciso. É uma forma de nos resguardar”, finalizou. O Professor Derval Golzio, chamado de inconveniente por Fátima, discorda dessa posição: “é no mínimo um absurdo que um funcionário público se negue a disponibilizar esse tipo de informação, principalmente por se tratar de coisas tão simples”. Golzio ainda questionou qual seria o inconveniente de prestar informações tão básicas, que a professora Maria de Fátima, sob pretextos burocráticos injustificáveis, faz tanto segredo. Greve na UFPB

Alunas do Cursinho sendo entrevistadas 14 - UFPB em Revista

A greve na UFPB foi o fator determinante para os resultados negativos obtidos ano passado pelos estudantes que frequentaram o Cursinho Pré-Vestibular da UFPB, é o que diz o Professor de Matemática Paulo Rogério. Para ele a interrup-


Foto: Rômulo jeferson Curso de línguas estrangeiras é uma iniciativa do DLEM (Departamento de Letras Estrangeiras Modernas)

ção nas aulas causou o elevado nível de evasão nas turmas: “Os resultados ano passado não foram bons, a greve iniciada praticamente na metade do ano desestimulou os nossos alunos, no começo do ano as salas eram cheias”, pondera. Criado por um convênio entre a Universidade e a Secretaria de Educação do Estado da Paraíba, o Curso faz parte do Núcleo de Educação de Jovens e Adultos e foi inicialmente pensado para os estudantes do ensino médio na UFPB que estão no EJA – Educação de Jovens e Adultos -, mas a alta procura fez com que fossem abertas novas vagas, conta Rogério. O Professor explica que hoje existem 2 turmas à tarde e 1 à noite, com uma média de 150 alunos no total, a maioria constituída de jovens. Para ele, lidar com Portadores de Necessidades Especiais é um desafio: “Trabalhei com pessoas portadoras de algum tipo de deficiência apenas uma vez, mas faz muito tempo. Não tive nenhum tipo de treinamento, acho que todo professor precisa receber um bom preparado, infelizmente isso ainda não acontece. O que me estimula é ver a força de vontade desses alunos”, completou. Cursos de idioma pelo Departamento de Letras Curso de extensão em línguas estrangeiras é uma iniciativa do DLEM (Departamento de Letras Estrangeiras Modernas). Ele é aberto para toda co-

munidade, seu único pré-requisito é ter mais de 18 anos. São oferecidos cursos de Língua Inglesa, Alemã, Francesa e Espanhola. Para adentrar no curso é necessário fazer uma prova de seleção (em língua portuguesa). O chefe do DLEM, Professor Doutor Roberto Carlos de Assis, não soube precisar qual era a concorrência do processo de seleção para uma das vagas dos cursos, no entanto, ele acredita que a concorrência gira em torno de seis alunos por vaga. Os alunos de graduação em Letras da UFPB, supervisionados por seus professores, são os responsáveis pelas as aulas do curso de extensão. Eles recebem uma bolsa de aproximadamente 200 reais. Para dar essas aulas é preciso está no 4º período do curso de graduação ou já ter experiência comprovada em sala de aula. O material para acompanhar as aulas fica por conta dos alunos. Além disso, se o aluno passar no processo seletivo, ainda tem uma taxa de matrícula no valor 100 reais para comunidade em geral e 90 reais para os alunos de letras. Os alunos da residência universitária são isentos dessa taxa. O professor Doutor Roberto Carlos de Assis crer que o percentual de evasão do curso de extensão se aproxima dos 30%. Para ele, essa taxa é normal. Não há nenhum levantamento sobre quem mais procura o curso, mas ele acredita que pessoas das mais diferentes áreas o procuram . Ana Carla, graduanda do curso de Turismo, faz o segundo semestre de in-

glês do curso de extensão. Ela acredita que o curso oferece uma boa oportunidade para aprender uma língua, todavia, o aluno também tem que fazer sua parte para aprender mais. Ela decidiu aprender inglês, porque na opinião dela, ser bilíngue é essencial para qualquer pessoa que queira entrar no mercado de trabalho, principalmente na área que ela pretende atuar, o turismo. Ana Carla já tinha uma base de conhecimento de inglês antes de entrar no curso. No entanto, nem todos os alunos são assim. É o que afirma o bolsista do curso de extensão, Caio Antônio, aluno de graduação em Letras Inglês. Para ele, as turmas iniciantes do curso de extensão são as mais trabalhosas, pois muita gente não tem uma boa base na língua. Como ele costuma dar suas aulas falando o inglês na maior parte do tempo, algumas pessoas apresentam dificuldade. Para ser melhor compreendido por essas pessoas, ele muitas vezes faz o uso da mímica. Outra dificuldade encontrada por Caio Antônio é o número de alunos em sala de aula. As turmas começam com 25 alunos. Para o bolsista, é possível dar uma aula com esse número de alunos, mas o rendimento cresce em turmas menores. Segundo ele, numa turma com poucas pessoas, é possível dar uma atenção individual aos alunos.

Reportagem: Francisco Dantas e Rômulo Jeferson Os desafios para a Instituição - 15


Foto: Eduardo Cezar

PESQUISA

Prédio do viveiro do LTF, Biotério Professor Thomas George

Biotérios da UFPB revelam diferenças e abandono A Universidade Federal da Paraíba dispõe de dois viveiros de animais para pesquisas laboratoriais, também conhecidos como biotério. São locais inteiramente voltados para estudo de animais, quer seja comportamental, procriação, ou mesmo para realização de experiências. No entanto apenas uma dessas unidades encontra-se ativa e há diferenças notáveis em ambos, desde sua localização às suas atividades. Inaugurado em Fevereiro de 2004, com 900 metros quadrados, o Biotério Thomas George é um exemplo como setor de pesquisa de uma universidade. Integra o Laboratório de Tecnologia Farmaceutica (LTF) e ocupa área dentro da UFPB cercada e com guarita própria. O biotério foi financiado durante sua criação pela Agência Nacio-

18 - UFPB em Revista

nal de Vigilância Sanitária (Anvisa) e atualmente sua manutenção é assegurada por projétos de pesquisa próprios, doações e pela reitoria. Dentre as espécies disponíveis para pesquisa, o laboratório possui ratos Wistar, conhecida como rato-brancode-laboratório, camundongos Swiss e coelhos prontos para estudo, pesquisa e experimentos, quer seja em animais vivos ou em vitro (experimentos com sistemas fechados que podem ser isolados temporariamente em recipientes de vidro). Os roedores são alguns dos animais mais importantes em pesquisas laboratoriais por serem fáceis de cuidar, com ciclo de vida curto, manutenção barata e por possuírem semelhanças fisiológicas com o organismo humano, ao ponto de desenvolver algumas das mesmas enfermidades.

Como funciona

Para integridade dos dados colhidos nas pesquisas, as dependências do biotério seguem estritas normas de ambientação interna. Segundo o técnico bioterista José Crispim, “cada sala é climatizada e mantida com pressões distintas, positivas e negativas” (termo usado para definir níveis de pressão maiores ou menores que a pressão atmosférica comum, definidos de acordo com as espécies e experimentos em andamento). Os dejetos dos animais são recolhidos por uma camada de maravalha (resíduo de madeira semelhante à serragem, mas de dimensões superiores), seus utensílios laboratoriais são esterilizados por um autoclave, aparelho comum em laboratórios e usa vapor pressurizado para realizar a limpeza de ferramentas.


Contrapartida

Exemplo de rato Wistar usado em pesquisas

texto de estar passando por reestruturação e mudanças, disse a professora Caroline. Ele está localizado a poucos metros da cerca que adentra a mata atlântica por uma trilha de difícil localização. Continha macacos prego e servia como centro de criação e manejo de espécies ameaçadas de extinção. A observação e documentação do comportamento dos primatas era orientada aos alunos de biologia em atividades extracurriculares (apesar de localizarse adjacente ao bloco de química). Quando funcionava O viveiro, com 1200 metros quadrados e 43 áreas fechadas, possuía cozinha, sala de atendimento veterinário e

Foto: Eduardo Cezar medeiros

Não muito distante ao biotério do LTF, mas presente também na UFPB, existe o que hoje é apenas cercas e pequenas áreas encobertas por mata do viveiro gerenciado pelo Departamento de Sistemática e Ecologia, já conhecido como Laboratório Tropical de Primatologia, criado em 1982. O biotério foi desativado em 2012 pelos dirigentes da própria Instituição, por tempo indeterminado, sob pre-

Foto: Priscila Aiko Hiane. Web

Cada ambiente isolado obedece a um ciclo de 12 horas que segue a orientação de fotocélulas naturalmente localizadas no exterior da estrutura. Esse procedimento é necessário para simular a luz natural dentro dos ambientes e mantê-los isolados. De acordo com o estudo realizado nessas salas, sua climatização pode tanto obedecer à luz natural como inverter-se, fazendo com que as salas fiquem escuras durante o dia e claras à noite. Em qualquer caso, o ciclo de 12 horas é mantido, tentando não estressar os animais na intenção de manter a integridade dos dados coletados em suas pesquisas. O Centro destina-se apenas a estudos e pesquisas de pós-graduação, tendo até então prestado assistência aos cursos de química, biologia, fisioterapia, e farmacologia. Este ultimo sendo o mais comum, e função primária do biotério, nas palavras de Crispim “90 por cento das pesquisas são com os alunos da pós graduação de farmácia”.

sala de pesquisa, chegou a hospedar 108 primatas de nove espécies. Além de docentes o local tinha um veterinário e três funcionários para tratamento dos animais e servia como local para conclusão de estágios. Hoje, aparentemente, apenas um funcionário que não pôde ser encontrado trabalha no local no turno da manhã, ocasionalmente regando plantas. Sempre que as atividades do biotério de Ciências Biológicas são postas em questão, obtem-se respostas como, “o custo dos animais era muito caro, não dava para manter” seguidas de “o animal em cativeiro não serve para observação, não está em seu habitat natural”. Respostas simplistas como estas contrariam o histórico de 30 anos do biotério e seu propósito que incluía observar animais em cativeiro. Sobra O Departamento de Sistemática e Biologia atualmente não possui qualquer criadouro de animais vivos, resumindo sua biblioteca biológica a uma cultura entomológica (de insetos) conservados à base de ar-ceco e muita naftalina. Atualmente nem os endereços on-line relacionados à UFPB que carregam “.dse.” em suas URLs funcionam, retornando página após página de erros onde o servidor do centro não pôde ser localizado.

Cituação do viveiro de Ciências Biológicas

Reportagem: Eduardo Cezar Gustavo de Almeida Os desafios para a Instituição - 19


Foto disponibilizada pelo grupo

PESQUISA

Integrantes do grupo de pesquisa Para Ler O Digital

Grupos de pesquisa: desafios e metas dos pesquisadores da UFPB

F

undado em 2010, e já premiado no Expocom Nordeste 2011 na categoria Edição de Livro, o projeto de pesquisa Para Ler o Digital, coordenado pelo Professor Marcos Nicolau, do PPGC-UFPB e do curso de Mídias Digitais - UFPB é um exemplo do quão importante é essa área de atuação. Tendo como objeto de pesquisa o eBook, também conhecido como livro digital, o grupo é pioneiro na pesquisa e desenvolvimento de novos recursos de diagramação e editoração. Inicialmente trabalhando com obras dos professores do Departamento de Mídias Digitais, o grupo recebeu convites para ampliar seus trabalhos a todo o Centro de ciências humanas, letras e artes (CCHLA) e participar da criação do projeto editorial digital da Editora Universitária. Em entrevista, o estudante e bolsist O estudante e bolsista do projeto Para Ler o Digital, Rennam Virginio explica sua trajetória e função dentro grupo: “entrei quando ainda estava no primeiro mês do curso no intuito de de20 - UFPB em Revista

senvolver habilidades na área de Editoração, mas não era meu foco, que a princípio era Vídeo. Com o tempo acabei me identificando com a área. Dentro do projeto sou Bolsista da Iniciação Científica, escrevo artigos científicos semestralmente sobre livros digitais, faço a editoração de ePubs e a confecção de capas de alguns dos livros produzidos no Projeto.” O problema maior de ser estudante e pesquisador é ter que balancear as duas atividades. na maioria dos casos o grupo de pesquisa tende a ser da mesma área de estudo do aluno, o que pode ajudar na economia do tempo, embora o aluno ainda tenha que enfrentar algumas dificuldades, principalmente quando o horário de algumas disciplinas do curso coincide com uma atividade referente da pesquisa. Bolsa de iniciação Despertar a vocação científica e incentivar novos talentos entre estudantes de graduação é um dos objetivos específicos do Programa Institucional

de Bolsas de Iniciação Científica, o PIBIC. Ele visa apoiar a política de Iniciação Científica desenvolvida nas Instituições de Ensino e/ou Pesquisa, por meio da concessão de bolsas a estudantes de graduação integrados na pesquisa científica. A cota de bolsas de Iniciação Científica é concedida diretamente às instituições. Por sua vez, estas são responsáveis pela seleção dos projetos dos pesquisadores orientadores interessados em participar do Programa. Os estudantes tornam-se bolsistas a partir da indicação dos orientadores. A bolsa tem duração de 12 meses, o valor segue uma tabela nacional. Atualmente o valor da bolsa para Iniciação Cientifica equivale a R$400,00, e os únicos requisitos para o estudante são de cursar graduação, e dedicar-se integralmente às atividades acadêmicas e de pesquisa. O aluno deve procurar, em sua área de interesse, um pesquisador que esteja disposto a integrá-lo em sua pesquisa e a orientá-lo. Rennam ainda se mostra preocupado com a situação dos grupos de


Lavid

Guido Lemos apresenta os projetos do Lavid aos representantes da Ancine

da tecnologia Fogo Player desenvolvida e que permite a projeção de imagens em ultra HD (4K). Segundo o gerente de Projetos da RNP, Daniel Caetano, a RNP já apoiou diversos projetos de pesquisa desenvolvidos pelo Lavid e ressaltou a importância da tecnologia Fogo Player para a melhoria da formação de profissionais da área de saúde. Ele afirmou que transmissões em alta definição e em tempo real como a que foi testada com sucesso pelo Lavid terão uma gama de aplicações em um futuro próximo, servindo não apenas para exibir cirurgias e outros procedimentos de equipes médicas. O Lavid conta com a colaboração

de mais de 40 jovens pesquisadores, entre doutores, mestres e graduandos, que estão interconectados com pesquisadores de todo o Brasil e do mundo. As pesquisas desenvolvidas são realizadas em parceria com outras universidades, institutos de pesquisa e empresas da iniciativa privada. Por ser um laboratório ativo na área de desenvolvimento, recebe financiamento de instituições parceiras como a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), Finaciadora de Estudos e Projetos (FINEP) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Reportagem: Ermeson David George Júnior Imagem retirada da Internet

O Laboratório de Aplicações de Vídeo Digital (LAVID), criado em 2003, é um exemplo, a nível nacional, da importância dos grupos de pesquisa. Associado ao Departamento de Informática (DI) da Universidade Federal da Paraíba, o laboratório surgiu da proposta de desenvolver projetos de pesquisa e atualmente é referência internacional em desenvolvimento de tecnologia para TV Digital. Em março deste ano os integrantes do Lavid do Centro de Informática da UFPB apresentaram para técnicos da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) e da Agência Nacional de Cinema (Ancine) os mais recentes avanços

Imagem retirada da Internet

pesquisa na Universidade: “No geral, acredito que o nível seja bom, mas poderíamos ter mais projetos de pesquisa. A UFPB deveria incentivar mais os professores a criarem grupos de pesquisas. Muitas vezes, a PRPG prorroga duas ou até três vezes as inscrições para PIBIC, e isso é sinal que as inscrições de projetos foram poucas ou abaixo do esperado.” Os Grupos de Pesquisa apresentam alternativas para um trabalho conjunto entre professores e alunos, ambos pesquisadores. A Universidade Federal da Paraíba conta com 335 grupos certificados pela instituição e espalhados por todos os centros. Tendo sua maior parte pertencente ao Centro de Saúde, os grupos na área da tecnologia vêm ganhando espaço no cenário regional.

Estudantes realizando trabalhos do Lavid Os desafios para a Instituição - 21


Foto: Maurício Júnior

INTERAÇÃO

Cerimônia de Posse da gestão 2013.1 da EJA Consultoria

EJA Consultoria proporciona crescimento profissional

“S

empre tive consciência de que a EJA me proporcionaria crescimento profissional e pessoal. A frase é de Amanda Lima, aluna do primeiro período do curso de Administração da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e que acaba de entrar como membro da EJA Consultoria, (Empresa Júnior de Administração). Esta empresa caracteriza-se por ser de consultoria, sem fins lucrativos, que presta serviços na respectiva área acadêmica, sendo formada exclusivamente por alunos do curso de Administração da UFPB e que tem como objetivo a capacitação, por meio de conhecimento técnico e empresarial do aluno do curso, inserindo-o posteriormente no mercado de trabalho como um jovem empreendedor. Sua estrutura, segundo o seu presidente, Tito Amorim, é mista de funcional e projetizada. A estrutura funcional tem como característica o planejamento de serviços, abrangendo cargos de analistas de cada departamento, entre eles o de qualidade, marketing, proje24 - UFPB em Revista

tos, presidência, tendo como seus superiores, os diretores. Já a projetizada, consiste em cargos de consultoria, ou seja, pessoas restritas a execução de determinado serviço. Os cargos sempre estão sendo renovados ao longo dos anos, dando oportunidades a outros estudantes da área para participarem e até aos que já estão em cargos da EJA Consultoria a exercerem atividades em outros. Todos estes, requerem eleições. Casos de Sucessos  “O estudante entra como universitário e sai da EJA como um empreendedor, através da vivência empresarial e gestão”, afirma Tito. Em quase 22 anos de existência, há vários casos de pessoas que trabalharem na EJA e obtiveram sucesso profissional, tornando hoje empreendedores de sucesso. Entre os mais sucedidos, dois são lembrados pelo presidente, são eles: Leandro Vieira, idealizador do administradores.com e o Tárcio Pessoa, atualmente responsável pelo Empreender – JP,

mostrando que o conhecimento adquirido na empresa, foi bem aproveitado. O curso possibilita o aprendizado através de programas de treinamento como Trainee, além de outros eventos como a SDP (Semana de Desenvolvimento Profissional), que atinge toda a comunidade acadêmica, mas voltado sempre para o curso de Administração. Com o intuito de transmitir conhecimento para outros segmentos estudantis o evento conhecido como EJA FAZ Palestra promove como o nome mesmo diz, palestras sobre respectivos temas acerca de administração. Outro evento, o Buscando Sorrisos, também promovido pela empresa de consultoria, leva os membros da empresa para uma instituição de caridade, ajudando elas, possibilitando aos alunos mais contato com a população. Pessoas que estão assumindo cargos agora, como é o caso da estudante Amanda Lima, que acaba de começar a atuar na função de analista de qualidade, vê a EJA Consultoria como oportunidade de crescer no mercado. “Quem


Foto: Maurício Júnior

busca a EJA, é um profissional diferenciado”, disse a estudante. Segunda ela, que já almeja exercer cargos de níveis mais altos, o conhecimento dado por esta empresa ajuda também no currículo, oferecendo uma visão de mercado. A EJA como diferencial 

Posse do presidente Rodolfo Alves Felizardo

de um cargo de estrutura projetizada. Mesmo assim, Rafael vê os problemas enfrentados como aprendizado adquirido, almejando também alcançar cargos de níveis mais altos. “Todo conhecimento que hoje eu tenho na área de administração, consegui na EJA e não em outra empresa”, disse ele. Para ser membro da EJA Consulto-

Foto: Maurício Júnior

Outros estudantes estão exercendo cargos há mais tempo, como é o caso de Rafael Carvalho, que é membro da EJA há dez meses. Ele começou como consultor e hoje atua como diretor de marketing. “Eu já trabalhei em cargos estaduais, empresas privadas, mas nunca obtive tamanha experiência profissional como a que a EJA me ofereceu”, afirmou Rafael. Por estar na empresa há mais tempo, ele conclui que todo o conhecimento teórico obtido dentro da sala de aula pode ser colocado em prática nesta empresa júnior. Rafael relata que também enfrentou dificuldades, como o fato de ter que se deslocar para a cidade de Mamanguape, na Paraíba, para realizar consultorias e sua transição de cargo também foi um momento difícil, por exigir dele o conhecimento em uma estrutura funcional, já que estava saindo

ria o estudante do curso passa por uma seleção que dura aproximadamente uma semana. Primeiramente é preciso estar cursando qualquer período de Administração na UFPB, em seguida se inscrever na empresa. Os alunos selecionados passam por uma capacitação de três meses, antes de assumir seus respectivos cargos em uma cerimônia de posse, realizada também na UFPB. A EJA Consultoria traduz o espírito estudantil. Aos estudantes que nela trabalham, recai cobranças de criatividade, bom desempenho e boa capacidade administrativa. Ao sair, o estudante é visto como um verdadeiro administrador no mercado de trabalho. É o laboratório prático de todo o aprendizado teórico do aluno no curso de Administração da UFPB.

Reportagem: Ângela Oliveira e Jessica Morais Posse dos novos membros Idácio Rodrigues e Natyara Santos Os desafios para a Instituição - 25


INTERAÇÃO

A busca pela experiência profissional E studante do terceiro período de Comunicação em Mídias Digitais (UFPB), Ermeson Lira (18 anos) tomou uma decisão importante em sua vida: tornou-se um estagiário. Sua rotina mudou e com ela vieram as responsabilidades. Diego Lopes (25 anos), estudante de Ciências da Computação também iniciou sua carreira estagiando e ganhando experiência. Mas todos os alunos da Universidade Federal da Paraíba conseguem a mesma oportunidade que eles? Na UFPB existem dois tipos de estágios: o obrigatório, que conta com a cobertura do seguro de acidentes pessoais. E o não-obrigatório que é opcional e pode ser remunerado ou não. Diego Lopes acredita que “com o estágio você adquire experiência de mercado de trabalho, aprende a trabalhar sobre pressão e se qualifica para vagas que

26 - UFPB em Revista

serão destinadas a pessoas formadas”. No caso do curso de Mídias Digitais, a regulamentação diz: “Estágio supervisionado, em meio profissional ou acadêmico, totalizando 300 horas, objetivando a observação e intervenção do estudante para o exercício profissional, bem como facilitar sua integração no meio profissional”. O curso estabelece convênio com o Centro Integrado Empresa-Escola (CIEE) e entre outras entidades públicas e privadas. O CIEE é uma instituição filantrópica que procura encontrar estágios e oportunidades de aprendizado para estudantes dos níveis médio, técnico e superior. Está presente em todo território nacional auxiliando a entrada dos jovens no mercado de trabalho. Algumas empresas já possuem convênio com a UFPB. Mas alguns alunos ainda encontram dificuldades para conseguir seu

espaço. É o exemplo de José Carlos Pereira (22 anos), estudante de Ciências biológicas da UFPB. Ele tentou entrar num estágio oferecido pela professora de seu curso, mas por choque de horários não pode fazê-lo: “alguns estágios que eu queria pegar eram no horário da manhã. Horário este em que eu estava ocupado com as aulas”. Segundo a Lei 11.788 Art. 8º da Constituição brasileira, os convênios, tanto com empresas públicas quanto as privadas, são facultativos. A UFPB é conveniada a mais de 300 instituições. Entre elas estão o Banco do Brasil, Carrefour, TV Tambaú, Petrobrás e diversas prefeituras como a de João Pessoa e Campina grande. Segundo o Art. 11º da mesma lei, a duração máxima do estágio é de dois anos, exceto quando o estagiário possui necessidades especiais.


O Lado bom Apesar de algumas barreiras encontradas, os universitários tem uma opinião em comum. O estágio é uma etapa importante para a entrada no mercado de trabalho. “Além de adquirir conhecimentos antes do tempo, é uma ótima oportunidade pra se desenvolver no mercado. Quando se está dentro desse ecossistema, o aprendizado agrega em você mesmo que você não queira”, declarou Ermeson Lira. Professores como Alberto Pessoa (autor e pesquisador de histórias em quadrinhos) também acreditam na importância do estágio. Segundo ele quando se estuda e trabalha, o aluno consegue aproveitar melhor a graduação. “Quando você trabalha você não tem tempo de deixar pra lá. Então você aproveita melhor a universidade, você estuda mais, você tem um senso de responsabilidade melhor”, argumenta. Primeiros Passos

2009

2010

2011

2012

2013

Obrigatório

123

1425

1340

961

96*

Não-obrigatório

827

1604

1836

1190

113*

Bolsa Estágio Méd.

76

141

118

138

130*

* Os números variam, pois estamos no decorrer do ano. Dados da PRG-CEM

ramento), primeiramente o estudante deve encaminhar um ofício ao Pró-Reitor de Planejamento da Universidade Federal da Paraíba (Proplan-UFPB) contendo justificativas da solicitação e detalhes sobre o estágio. Outros documentos necessários são o formulário de Solicitação de Bolsa estágio, a Ficha Cadastral (Bolsa -Estágio/UFPB), Histórico Escolar do aluno, cópias da Identidade, CPF, Título de Eleitor e para os homens a cópia

CCS-UFPB

Os estágios dentro da universidade são oferecidos pelos pela UFPB e viabilizados pelos professores. Para solicitar a bolsa, os alunos devem apresentar uma série de documentos. Segundo Eliane Ferraz, coordenadora da CEM (Coordenação de Estágio e Monito-

Estágios Cadastrados pela CEM 2009-2013

do Certificado de quitação como o serviço militar. Ao final de cada período este processo é repetido para renovar a Bolsa. As informações sobre estágios externos ainda é mal divulgado pela universidade. Os estudantes costumam ter a iniciativa de procurá-los por meio de amigos, conhecidos. Hoje, com a internet, ficou mais fácil encontrar trabalhos por meio de sites como, por exemplo, o Gogojob.com (www.gogojob. com.br) que divulga vagas na área de publicidade. Quando a oportunidade de estagiar é oferecida por instituições conveniadas à UFPB, o universitário também deve procurar a CEM. Após assinado o convênio, o aluno está oficialmente estagiando. Em ambos os processos, ao final de cada semestre deve ser entregue um relatório. Segundo a coordenadora da CEM, os convênios realizados pela UFPB é uma maneira de atender às demandas acadêmicas. Para contemplar um maior número de cursos da universidade. “Os convênios para a concessão de estágios supervisionados devem, portanto, ser celebrados de forma mais abrangente possível, visando a atender de forma mais ampla, a concessão de estágio a alunos regularmente matriculados”.

Reportagem: Layse Pereira e Rayssa Alcântara A PRG-CEM está localizada na Reitoria da Universidade Federal da Paraíba Os desafios para a Instituição - 27


Foto: Derval Golzio

INTERAÇÃO

Reabertura do fórum universitário tem como primeiro palestrante o neurocientista Miguel Nicolelis.

Neurocientista Miguel Nicolelis reabre Fórum Universitário

E

m evento que lotou o auditório da reitoria da Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa recebeu o neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, que realizou a palestra “A ciência como agente de transformação social”. Nicolelis atraiu professores, profissionais da área, estudantes da UFPB e de outras universidades, mas chamou ainda a atenção de cidadãos comuns, com problemas de paraplegia, tetraplegia, deficientes visuais, auditivos e pessoas que possuem entes queridos na mesma condição. O enorme público presente ao evento coordenado pelo Fórum Universitário deixou o auditório pequeno com a esperança de ouvir das palavras do médico que eles teriam seus problemas resolvidos pela ciência, seja em curto, médio ou longo prazo. Nicolelis, que lidera um grupo de

28 - UFPB em Revista

pesquisadores da área de Neurociência na Universidade Duke - EUA, apresentou como um dos pilares da palestra a mesma questão base do seu chamado Manifesto da Ciência Tropical. Nele, o neurocientista sugere que o Brasil pode potencializar o desenvolvimento científico e educacional a partir da cooperação de ambos, e propõe quinze medidas para firmar o país como liderança mundial na produção e uso democratizante do conhecimento. Miguel Nicolelis falou também sobre a instituição na cidade de Macaíba, no Rio grande do Norte, onde ele realiza um projeto chamado Educação para toda a vida. O projeto ensina para crianças da periferia de Macaíba e Natal conhecimentos nas áreas de robótica, física, biologia, geografia, história e informática. Durante a palestra o neurocientista ainda explanou, que desde

o início do seu trabalho na cidade de Macaíba, a evasão escolar da instituição é de apenas 2%, e que as crianças que estão sendo formadas nessa instituição saem com mesmo nível de escolas de elite do Rio grande do Norte. O médico disse aos presentes que acredita que a ciência é grande agente responsável pela capacidade de inovação, e deve ser estimulada desde os primeiros momentos da vida. Afirmou ainda que há uma carência de investimento na área de intersecção da neurociência, e que, se possível, deveria existir acompanhamento ainda no prénatal, para que a criança nascesse com o máximo de potencial neurológico. Em 2014, Nicolelis abrirá o primeiro Instituto Primata de Neurociência, com uma escola cujo aprendizado se iniciará desde o nascimento. Ainda que seja um sonho um pouco distante, o médico


O fórum universitário Após seis anos desativado, a presença de Miguel Nicolelis marcou de forma extraordinária o retorno do Fórum Universitário. Fundado na década de 1980 pelo professor José Jackson Carneiro, o Fórum tem como objetivo discutir assuntos relevantes à sociedade, tanto em um nível nacional como local. Segundo o coordenador do Fórum, Iedo Fontes, nunca ficou clara a razão pela qual a gestão anterior da UFPB paralisou o evento. “Nunca explicaram”, comentou Fontes. Para reforçar a natureza fomentadora de debates do Fórum, Fontes disse que um dos primeiros debates entre presidenciáveis pós-ditadura militar, já com vistas às eleições de 1989, foi promovido pela UFPB, no antigo campus de Campina Grande (que hoje é de competência da UFCG). “Só não veio Collor. Lula, Brizola e outros estiveram presentes”, comentou. Com o auditório lotado (600 professores, de acordo com os números de Fontes), o retorno do Fórum foi considerado positivo. A programação futura ainda está sendo planejada, mas a tendência é que o Fórum seja realizado bimestralmente. “Foi uma declaração da reitora a um jornal local, de que ela tem interesse de que o Fórum aconteça num intervalo de dois meses. O que nos permite fazer uma programação

mais pensada.”, declarou o coordenador. Alguns temas já estão sendo considerados: o bloqueio do crescimento econômico brasileiro nos últimos anos, 500 anos da obra de Maquiavel, discussão da obra do geógrafo Josué de Castro, federalização dos níveis infantil, fundamental e médio da educação e a obra de Luiz Gonzaga e seu impacto sobre a vida regional (este último já sendo organizado para o mês de junho). A princípio, o Fórum não priorizaria nenhuma área em específico, nem mesmo a própria academia. Fontes disse: “ficou claro na reabertura oficial do Fórum que nós não o reativamos apenas para professores, estudantes e funcionários, mas também para a sociedade pessoense (...) pessoas de diferentes ramos de atividade: comércio, indústria, academia”. Porém, o coordenador esclareceu que uma atenção especial deverá ser dada à discussões relacionadas à educação - e essa preocupação é percebida com a escolha de Miguel Nicolelis para o primeiro encontro após a reativação do Fórum. “Se tem uma área que nós devemos priorizar no

Brasil e fazer um grande debate nacional é a educação”, explicou Fontes. A exemplo de Nicolelis, o Fórum também foi responsável por trazer outras personalidades conhecidas nacionalmente à João Pessoa, como os senadores Cristóvão Buarque e Roberto Requião e o economista Carlos Lessa. Para uma futura edição do fórum, a Universidade está tentando trazer o jornalista Paulo Henrique Amorim. A ideia, porém, não é ficar preso a nomes de âmbito nacional e abrir espaço para pessoas que tenham impacto na sociedade regional - até pela história e pelo legado que o Fórum tem de realizar debates de interesse da população em geral. “Fórum é para discutir os problemas do estado. Somos uma entidade produtora e reprodutora de conhecimento (...) Na mesa de debate deve ter um professor de destaque mas também alguém da área, senão fica apenas a nível de conferência, o que não é bom, pois não promove o debate”, afirmou Fontes. Reportagem: Una Txai e Rudah Silva Foto: Revista Scientific American

acredita que futuramente Macaíba será a primeira “cidade cérebro” do mundo. Durante a palestra, o neurocientista também abordou as experiências que realiza sobre a interação do cérebro e a máquina, que consiste em fazer o movimento da máquina a partir dos estímulos enviados pelo cérebro, que serão convertidos em impulsos elétricos e proporcionarão o movimento mecânico de próteses. Ainda que até o momento seus experimentos tenham sido feitos apenas com macacos, já causam ansiedade em pessoas que sofreram acidentes e hoje tem a locomoção comprometida. O médico acrescentou que pretende realizar uma demonstração em 2014, quando uma brasileira paraplégica deverá caminhar 20 passos e dar o pontapé inicial da Copa do Mundo. “Esse será um presente do Brasil para toda a humanidade”, declarou Nicolelis.

Simulação do exoesqueleto na abertura da Copa de 2014 Os desafios para a Instituição - 29


Foto: Hawick Lopes

INFRAESTRUTURA

Vários carros estacionados de forma irregular e inconveniente no estacionamento da Central de Aulas do campus I

Estacionamento precário provoca transtorno na UFPB A Universidade Federal da Paraíba enfrenta o caos na infraestrutura do sistema viário e estacionamentos para veículos dos alunos, professores e funcionários. É um problema de toda cidade, que se reflete na universidade, gerando transtornos e problemas de logística em determinados horários. As dificuldades na mobilidade interna ao Campus I decorrem na deficiência no planejamento da expansão da Instituição aliadas ao aumento do número de veículos nos últimos 10 anos. O problema é reflexo da prioridade do veículo particular sobre o uso de transporte coletivo. O campus I da instituição está passando por algumas reestruturações e reorganização dos estacionamentos já existentes. No período de 2012 a 2013 o número de vagas para estacionamento subiu consideravelmente, de 2 mil para 2.500. Em médio prazo (dois anos) a administração pretende criar mais 1.500 vagas através da continuação do projeto de reorganização dos estacionamentos (no CA/CE, CCEN e HU) e da finalização do Centro de Energias Renováveis, ainda em construção, por trás do CCHLA.

32 - UFPB em Revista

Projetos

Segundo Marcelo Diniz, da Divisão de Estudos e Projetos da Prefeitura Universitária, a reorganização dos estacionamentos é prioridade e vem sendo implementada em vários estacionamentos da universidade. O projeto modifica a posição de entrada dos veículos de 45º (diagonal) para 90º (frontal) e a largura da vaga do estacionamento para impossibilitar improvisos que prejudicam o tráfego como, por exemplo, as filas duplas. No projeto as motos serão contempladas com estacionamento próprio para evitar a desorganização e acidentes nas passarelas e corredores das salas. “Iremos instalar placas de advertência para as motos não transitarem no espaço destinado aos pedestres”, diz Marcelo. Um dos locais com maior problema fica próximo ao prédio da Reitoria e da Biblioteca Central, devido à concentração de vários serviços e dos prédios acadêmicos. Nesse local estão reunidas agências de três bancos, livrarias, restaurantes, DCE (Diretório Central Estudantil) e Aduf/PB (sindicato dos

professores). Por conta da via nesse local ser muito estreita, a Prefeitura Universitária utilizou prismas de concreto no trecho para evitar que os motoristas estacionem os veículos indevidamente na via de passagem dos carros, ocasionando transtornos e risco de acidente. Somando-se a esse local, está em construção o prédio do Centro Arte e Cultura com auditório estimado para duas mil pessoas em frente à Reitoria. No projeto da construção não há nenhum estacionamento previsto para esse prédio e, na ocasião de algum evento, os visitantes irão estacionar seus veículos por trás da Reitoria, que comporta precariamente os usuários que já utilizam o espaço. Para a solução desse problema, Marcelo Diniz informa haver um projeto para construção de um estacionamento por trás da Reitoria de um ou dois andares com valor estimado em 10 milhões de reais por andar. Usuários Os usuários que utilizam os estacionamentos com regularidade propõem soluções como criação de vagas


Foto: Rodrigo Vitorino

Situação corriqueira nas vias do campus I da Universidade Federal da Paraíba

móveis. É preciso organizar o espaço existente e criação de espaços específicos para motos. A falta de organização faz com que os corredores, passarelas, e vias se transformam em estacionamento para as motos, dificultando, por exemplo, a passagem de cadeirantes.” O problema da falta de vagas acaba também interferindo na aprendizagem dos alunos. Aliado a isso, há o problema de segurança dentro do campus. Alunos, servidores e professores não confiam no sistema de cartões entregue na entrada da universidade. “Geralmente os alunos chegam na hora da aula que coincidem em todas as disciplinas e a falta de vaga faz com que percamos tempo para estacionar. É o caos! Muitas vezes encontramos uma vaga muito longe do local em que vamos estudar. E em época de chuva pio-

Foto: Cristian Santos

destinadas exclusivamente a professores. Josemar dos Santos, professor de Estatística, diz que “falta a prefeitura organizar o estacionamento. Há determinadas horas que vir do departamento para a sala de aula de carro se tornou inviável pois o número de veículos cresceu bastante. Poderiam organizar vagas destinadas a professores, pois nós temos que ficar de bloco em bloco para dar aula enquanto os alunos vêm, assistem a uma aula e vão embora.” Outro problema que também incomoda é a falta de vagas destinadas às bicicletas e motocicletas. “Às vezes não tem nem espaço para transitar, pois tem motociclista estacionando as motos nas vias, passarelas e corredores dos blocos, pois não há vagas destinadas para estacionar as motos”, acrescenta Josemar. A falta de estacionamento para motos faz com que elas se amontoem de forma desorganizada. Isso as transforma em vilãs e campeãs de reclamações. Elas trafegam e estacionam onde é via de pedestres, cadeirantes, passagem de materiais para os prédios da universidade. Diversas reclamações já foram feitas por conta de atropelamentos, por dificultar a passagem e até mesmo acidentes envolvendo deficientes visuais. Fábio Fonseca, professor de Pedagogia, também reclama das motos e dos transtornos que elas causam quando deixadas em local inconveniente. “A universidade está ficando muito pequena para a quantidade de auto-

A falta de vagas destinadas para motos é a justificativa dos motociclistas

ra. Também tem o perigo de assalto”, diz a estudante de Biologia Daniele Lacerda. Empecilho Alguns estacionamentos no campus I da UFPB possuem árvores tombadas e sob proteção, que não podem ser derrubadas. Desta maneira a prefeitura universitária desenvolveu o projeto de reestruturação e organização dos estacionamentos respeitando a localização dessas árvores. Nos estacionamentos já finalizados, como da Reitoria, é perceptível a falta de arborização que influência o aquecimento local e a desagradável sensação de estar num ambiente claro e quente. Outro problema encontrado é a falta de planejamento de escoamento da chuva. Desta maneira, em épocas de chuva intensa, há risco de alagamento. Com todo o empenho e desenvolvimento estrutural é de suma importância o investimento em segurança. Mas também organizar o trânsito, auxiliando os condutores onde devem estacionar e na fluidez do trânsito. Devido à ausência de fiscalização para coibir as infrações de trânsito, as vias se tornam estacionamentos irregulares, atrapalhando e colocando em risco a segurança dos integrantes da comunidade universitária.

Reportagem: Rodrigo Vitorino e Windsor Souza Os desafios para a Instituição - 33


INFRAESTRUTURA

Ano de 2015 é limite para meta plena de acessibilidade Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Paraíba é o estado que possui a maior parcela de habitantes com necessidades especiais no Brasil, empatando com o Rio Grande do Norte.  Quase 30% dos paraibanos têm algum tipo de necessidade especial. Apesar da estatística e da existência do Decreto Lei 5296 que determina a acessibilidade em todas as edificações públicas, 90 por cento das construções realizadas durante gestão dos professores Rômulo Polari e Iara Matos a frente da UFPB não respeitaram o seu cumprimento. No momento, a atual administração está empenhada, num prazo de dois anos a assistir a todos os alunos com deficiência, cumprindo as normas técnicas de acessibilidade da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). O que está previsto Dentre as medidas a serem adotadas está a reforma na acessibilidade arquitetônica das vias (calçadas). Também está prevista a construção do Centro de Inclusão, (que vai integrar todos os projetos de inclusão em um só), agregar serviços, disponibilizar salas de aula, adquirir uma série de equipamentos fora do país, (entre eles, esfigmomanômetro, que possibilita a tradução de textos em áudio, bengala que identifica obstáculos e computadores especiais). Até o momento, apenas 15 prédios estão acessíveis para os 30 alunos com necessidades especiais cadastrados na UFPB. O único trecho com acessibilidade externa no Campus I se encontra da Biblioteca Central até o Refeitório Universitário. No Campus II, em Areia, a primeira parte do projeto já vem com todas as normas de acessibilidade executadas, disse Marcelo Andrade Diniz, Diretor do Departamento de Arquitetura da Prefeitura Universitária, desde 2010. 34 - UFPB em Revista

Ausência de acessibilidade é constante nos novos prédios da UFPB


Segundo Marcelo Diniz, que acompanhou a antiga gestão da Universidade, o recurso era limitado e não havia comprometimento dos administradores para cumprir as normas exigidas, além da fiscalização pouco eficaz do Ministério da Educação. Até 2010 pouco havia sido pensado, discutido e realizado para incluir socialmente as pessoas com deficiência. Com o aumento significativo e progressivo no número de estudantes em função da Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), a situação agravou-se. Desde então o Governo Federal está destinando uma verba específica para as Instituições Federais de Ensino (Ifes) cumprirem as normas de acessibilidade impostas pela ABNT. O MEC, por sua vez, vem fiscalizando com rigor as Ifes de todo o Brasil. Comitê existe desde 2011 No ano de 2011 foi criado, na UFPB, o Comitê de Inclusão e Acessibilidade, que tem como objetivo garantir a todos os alunos com deficiência a permanência e conclusão do curso. Segundo a coordenadora do

comitê, Andreza Aparecida Polia, está prevista a chegada de 44 alunos especiais para o próximo semestre letivo, número que ultrapassa os 5 por cento designado pelo sistema de cotas. “Ano passado fizemos pedido de equipamentos para suprir os alunos que já estão cadastrados. Enquanto não chega os coordenadores tem de ter um computador exclusivo para esses estudantes”, pontificou Andreza Polia. O comitê conta com representantes dos cursos de Psicopedagogia, Terapia Ocupacional, Arquitetura e Educação. Ainda em fase de projeto, o Centro de Inclusão e Acessibilidade está previsto para ficar pronto em 2015. Ele contará, dentre outras coisas, com placas em Braille, piso tátil, carteiras especiais, plataforma elevatória, elevador e tecnologias inclusivas em geral. Outro projeto que está sendo desenvolvido pela Prefeitura Universitária é a urbanização do Laboratório de Energias Renováveis (LERS) que irá se estender por todo o estacionamento, contando com rampas, pisos táteis e mais de 6 quilômetros de rotas acessíveis. Os estudantes com necessidades especiais contam com um programa

de apoio, onde um aluno monitor os acompanha, geralmente por disciplina, dando assistência necessária, gravando aulas e tirando dúvidas com os professores.  O Núcleo de Educação Especial (Nedesp) também os ajuda nesse processo de adaptação. Na Biblioteca Central e no Nedesp os alunos dispõe de impressora em braille. A Pró-reitoria de Gestão de Pessoas (Progep) ofereceu, por dois anos consecutivos, um curso de capacitação para docentes e servidores da universidade, tendo formado duas turmas até agora. Porém, a grande maioria dos capacitados foi funcionários. A UFPB conta com apenas um tradutor. “Precisamos de mais contratações” alega Polia, que está coordenando o Comitê de Inclusão e Acessibilidade desde 2011. A prefeitura da Instituição também fez um convenio com o Laboratório de Acessibilidade (Lacesse), coordenado por Marcelo Diniz e pela professora do curso de arquitetura, Angelina Costa. O espaço físico onde funciona o laboratório foi inaugurado dia 12 de abril, no Centro de Tecnologia, bloco N. Reportagem: Giuliano Viscardi

Projeto em 3d das futuras instalações, elaborado pela Prefeitura da UFPB Os desafios para a Instituição - 35


INFRAESTRUTURA

Restaurante Universitário: do problema à solução O

Foto: Nayane Maia

rombo de mais de 2,2 milhões na Fundação Casa de José Américo (FCJA), constatado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), é a principal herança deixada pela antiga administração da universidade e que atinge diretamente o Restaurante Universitário da UFPB. Os escândalos envolvem o responsável pelo fornecimento de gêneros alimentícios e o pagamento de alguns funcionários do Restaurante Universitário (RU). Segundo o TCU, foram usados recursos federais depositados em contas específicas de convênios para pagamentos à empresas fornecedoras de gêneros alimentícios. As irregularidades foram cometidas pelo ex-diretor da Fundação, Eugênio Pacceli Trigueiro Pereira. Com isso o TCU suspendeu o repasse de recursos da União para a Fundação José Américo e a direção do RU enfrentou problemas com a falta de estoque de alimentos e atraso no pagamento de funcionários, refletindo no atendimento precário das necessidades dos alunos que frequentam o Restaurante. O RU, que fornece refeições gratuitas para estudantes de baixa renda e cadastrados da UFPB, conta com 90

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Foto: Nayane Maia

profissionais. Os gêneros alimentícios de uma refeição custam em média de R$ 4,10 a R$ 5,30. Nesse valor não está considerado a despesa do preparo, trabalho dos funcionários e energia dos aproximadamente 2.200 almoços e 900 jantares por dia. A nova reitoria da UFPB ampliou as investigações e o levantamento de contas da Universidade para averiguar quais problemas serão enfrentados pela gestão. Durante as investigações foram detectadas várias irregularidades cometidas pela administração passada, a exemplo da ausência de prestação de contas de diversos convênios. Antônio Luiz de AlbuquerProf. Antônio Luiz, Superintendente do RU que Gomes, professor do Departamento de Química do Centro de Tecnologia da UFPB, assumiu o parecido e só depois de muita invescargo de Superintendente do Sistema de tigação a empresa foi contatada para Restaurantes Universitários - que com- cumprir o contrato. O outro pregão espreende os restaurantes do Campus 1, tava com o pedido de realinhamento de do Litoral Norte, Areia e Bananeiras - preços e somente após a administração no dia 12/11/2012. Ele conta que rece- entrar em contato para negociar com os beu o RU com um estoque insuficiente fornecedores explicando a delicadeza de alimentos, apesar dos pregões ainda da situação, é que foi possível normalizar as entregas dos suprimentos. estarem em andamento. Segundo o professor Antônio Luiz, O superintendente esclareceu ainda há muitos problemas com os que um desses pregões estava desafornecedores. As licitações (pregões) emitidas pelas empresas tem um preço muito abaixo do valor de mercado. Em decorrência desse fato, as companhias tem prejuízo e, antes de completar os seis meses, algumas deixam de fornecer os gêneros, apesar de ainda terem saldo em caixa com a Universidade. Um dos problemas a serem contornados pela atual administração diz respeito a burocracia e lentidão de alguns setores na etapa de licitação e pregão para aquisição de gêneros alimentícios. Na Pró-Reitoria Administrativa (Divisão de Materiais), a entrada dos pregões foi feita em dezembro, porém os processos ficaram mais de dois meses parados dentro de uma gaveta, e por isso ainda existem licitações de compras paradas em abril. A administração da Universidade, Vista frontal do Restaurante Universitário da UFPB


Foto: Nayane Maia

Comida que sobra nos pratos seria capaz de preencher 400 novas refeições

e mudando os hábitos no ambiente de trabalho. A atual administração prima pelo exemplo, adotando a prática de serem os primeiros a chegar e os últimos a sair, colaborando com os outros funcionários e ajudando sempre que possível nas suas diferentes funções, seja no setor administrativo, seja na parte de manutenção dos equipamentos. Proposições Atualmente, o professor Antônio Luiz está procurando resolver os assuntos mais urgentes do RU fazendo o levantamento do que precisa ser feito, a exemplo dos pedidos de compras de equipamentos de segurança e para a cozinha. Há também uma proposta

Reportagem: Marina Maracajá e Nayane Maia Foto: Nayane Maia

a partir dos levantamentos feitos pelo professor Antônio Luiz, tomou um série de iniciativas entre elas consultas jurídicas, onde foram detectados o atraso de salários entre outras irregularidades trabalhistas. Por conta do rombo, a FCJA deixou de pagar o fundo de garantia, salários, férias e 13º salário aos funcionários. As dívidas tiveram que ser quitadas pela prefeitura universitária que repassou a verba e cumpriu a obrigação social para com todos os funcionários. Hoje a FCJA é dirigida por Boanerges Felix, que está regularizando as atividades da fundação. O professor Antônio Luiz ressalta que existiam diversos problemas com equipamentos e com funcionários. Na cozinha haviam vazamentos e instrumentos como serras de cortar carne e aparelho de cortar frutas quebrados. Até o conserto desses aparelhos os trabalhos vinham sendo feitos manualmente. Ele encontrou equipamentos com 10 a 15 anos de uso, sem programa de reposição: “É impossível um sistema desse porte funcionar sem repor o equipamento, porque ele tem vida útil. As caldeiras são razoavelmente novas, com 3 ou 4 anos de uso, mas sem um sistema de manutenção. Vazamento de óleo, caldeiras quebradas. Foi uma situação que eu não imaginava que encontraria”, observa o superintendente. Outra questão importante que a nova administração teve que mudar foi o fato de que os funcionários não estavam acostumados a obedecer aos horários. Porém, aos poucos, o pessoal foi se adaptando ao novo modelo de gestão

encaminhada para concretização de um serviço de auto atendimento (self service). O desperdício de comida é um dos grandes problemas para o Restaurante, pois os alunos deixam nos pratos restos de comida suficientes para alimentar mais de 400 pessoas, segundo o superintendente. A equipe que trabalha no RU pretende realizar uma campanha de conscientização para que os comensais, com a instalação do self service, coloquem no prato apenas a quantidade realmente necessária, evitando assim o desperdício. Está nos planos promover treinamento dos funcionários, executar atividades humanísticas promovendo a interação entre as pessoas, melhorar cada vez mais o sabor da comida (a qualidade já existe) e aumentar o número de funcionários e equipamentos, acarretando numa melhora do fluxo e minimizando o problema das longas filas. Também é interesse terminar a obra começada na administração passada - que já deveria ter sido finalizada - de um complexo ao lado do atual RU. Lá será instalado um restaurante para que os funcionários e estudantes não contemplados pelo RU possam comer, pagando apenas uma pequena taxa pela refeição. É preciso ainda analisar a viabilidade dessa opção, consultando a comunidade acadêmica e aguardando o término das obras. A comida será a mesma que é servida gratuitamente aos alunos comensais.

Restaurante Universitário em horário de funcionamento Os desafios para a Instituição - 37


Imagem reirada do Youtube

INFRAESTRUTURA

Protesto de alunos de Mídias Digitais devido ao atraso de mais de dois anos na entrega do bloco do curso

Falta de planejamento afetará crescimento da Universidade B locos isolados, congestionamentos nos horários de pico, falta de estacionamento; são esses alguns dos problemas que podem ser ocasionados pela falta de um bom plano diretor. Na UFPB isso não é diferente. Encontrar à noite uma vaga próxima ao CCHLA é praticamente uma maratona. Esse, e muitos outros problemas, poderiam ter sidos evitados se tivesse sido criado um plano diretor que limitasse as áreas de estacionamento, construção e ainda com o planejamento da área de preservação na universidade. Em 2007, em sua defesa de tese de doutorado em engenharia civil, Renato Saboya explica: “Plano Diretor é um documento que sintetiza e torna explícitos os objetivos consensuados para o Município e estabelece princípios, diretrizes e normas a serem utilizadas como base para que as decisões dos atores envolvidos no processo de desenvolvimento urbano convirjam, tanto quanto possível, na direção desses objetivos.”. 38 - UFPB em Revista

Para Ângela Braz, aluna do quinto período de Arquitetura e Urbanismo na Universidade Federal da Paraíba, problemas comuns, como salas com má ventilação ou com insolação intensa, poderiam ter sido evitados se a instituição tivesse em seu plano diretor as melhores localizações para a construção dos blocos. Com tal planejamento, seriam evitadas áreas voltadas diretamente para o nascente ou poente e também, áreas não favorecidas pelos ventos. Planos Diretores no Brasil  Quando questionados, a maioria dos brasileiros pensam que exemplos de planejamento preventivo existem apenas em países de “primeiro mundo”, porém em diversos municípios brasileiros planos diretores tiveram relativo sucesso, como por exemplo, Curitiba, Brasília e até mesmo João Pessoa. Sendo a última  um dos melhores exemplos nacionais de preservação de sua orla marítima, onde existe um

bloqueio para edifícios superiores a quatro andares. “A questão da falta de planejamento urbano é muito mais grave do que parece, o recobrimento dos solos com materiais impermeáveis, juntamente com o adensamento de construções, acaba ocasionando o aumento de temperatura em determinadas regiões.”, indaga Ângela. O impedimento da construção de prédios altos na orla evita o conhecido fenômeno em diversas praias: sombra. Em praias de Recife, Rio de Janeiro e Balneário Camboriú, por exemplo, possuem sombra na faixa de areia mesmo horas antes do pôr do sol devido aos gigantes que ali se encontram. “Salas cada vez menores para turmas cada vez maiores” Para André Siqueira, aluno do segundo período de Arquitetura e Urbanismo na Universidade Federal da Paraíba, a falta de um real planejamento cria até mesmo a falta de acessibilidade em diversas áreas da Universidade. Calçadas estreitas, com caminhos


Foto:O Nworte online

confusos ou até mesmo inexistentes, e ainda praças de permanência sem cobertura são outros exemplos lembrados por Siqueira. Sobre o futuro, André é pessimista  e comenta que a cada dia mais problemas surgem. Ser deficiente na UFPB é praticamente impossível. Blocos aleatórios para cursos que deveriam ter salas próximas. Essas, inclusive, estão cada vez menores, para turmas cada vez maiores. “Salas com janelões feitas para serem usadas com projetor, que tipo de arquiteto aprova isso?”, provoca. Solução a longo prazo Flávio Tavares, membro do projeto de iniciação científica “Territórios e urbanidades: práticas urbanas e políticas culturais no espaço público contemporâneo”, mostra-se indignado com o fato de que o porte que a universidade tem atingido, seja de espaço físico – com grande quantidade de alunos e funcionários circulando no seu campus -, seja do volume de recursos aplicados anualmente e ainda não possua um plano diretor em vigor. Ele permitiria ações integradas de longo prazo, garantindo que os investimentos ocorram de acordo com os principais anseios da comunidade universitária, já que a elaboração do plano se dá, necessariamente, a partir da discussão conjunta entre os envolvidos com a região. Indagado sobre as possíveis ações

Novo campus em Rio Tinto: Obras que esteticamente feias e sem utilidade.

que poderiam sanar os atuais (e futuros) problemas, Tavares diz que a Universidade deve iniciar de imediato a construção de um “Plano Diretor Participativo Integrado para o Campus João Pessoa da UFPB”, incluindo questões de planejamento participativo na proposição das futuras obras, permitindo que a comunidade acadêmica possa opinar sobre as obras que ali serão executadas, resultando numa maior conexão e identificação com os usuários. Quanto a uma obra específica, ele acredita que uma ampla intervenção no

desenho urbano do campus seria necessária, priorizando o fluxo de pedestres, com pisos adequados, vegetação, passarelas, etc. Para finalizar, Flávio lembra que agora que a Universidade acolhe um maior número de pessoas com deficiência, tendo o dever não só legal, mas também social, de incluir estas pessoas num deslocar seguro e independente. Sendo esse apenas possível, com um planejamento efetivo, da estrutura física da Universidade. No final de 2012, Margareth Diniz assumiu a Reitoria da Universidade Federal da Paraíba, e com ela, iniciaram-se projetos de um Plano Diretor. Esse Plano terá como principal foco proteger a reserva de mata atlântica na qual a Instituição está sediada. O professor Sérgio Alonso, recentemente empossado prefeito do Campus I, é um dos membros desta comissão que discute a criação do Plano na UFPB. Ele terá a missão de coordenar as discussões sobre o PD. Reportagem: Francisco de Oliveira Guilherme Pontes

Planejamento evita problemas como o demonstrado no vídeo acima Os desafios para a Instituição - 39


Foto: Gustavo Mikaell Morais

INFRAESTRUTURA

Construída há mais de 30 anos, a Biblioteca Central da UFPB nunca passou por uma grande reforma

Fungos e poeira prejudicam acervo da Biblioteca Central S e alguém que frequenta a Biblioteca Central da UFPB atualmente fosse perguntado sobre qual a sua impressão sobre o local, as respostas certamente seriam semelhantes às de quem respondesse a mesma pergunta há dez ou vinte anos: calor, poeira, mofo, falta de acessibilidade e estrutura deficitária estariam entre as palavras mais citadas. Isso se explica pelo fato do prédio, construído na década de 1970, ter sido mal planejado e nunca ter passado por uma grande reforma. Com o acervo atual em torno dos 400 mil exemplares, a Biblioteca Central tem como principal finalidade dar suporte de informações aos programas de ensino, pesquisa e extensão. Construída ao lado de uma mata – a UFPB está localizada em uma região de Mata Atlântica – sofre com a má conservação do acervo,

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exposto à umidade, poeira e insetos. Segundo a bibliotecária T.M., que preferiu não se identificar, o último governo até fez investimentos importantes no local. “Através de pregões e ouvindo sugestões de coordenadores de cursos e professores, foram adquiridos milhares de novos títulos. Além disso, foram instalados novos computadores, cadeiras e feita a climatização de algumas salas.” A ideia é que nos próximos anos sejam feitos novos investimentos no local. “A nova Reitora prometeu um sistema de climatização completo para o prédio”, afirma T.M. Apesar das melhorias nos últimos anos e a promessa de novos investimentos para um futuro próximo, muitas mudanças, inclusive estruturais, precisam acontecer na Biblioteca Central. “O projeto arquitetônico é defeituoso. É impos-

sível falar em climatização enquanto não for solucionado o problema das grandes frestas nas paredes do lugar. Também não adianta climatizar sem ser feita uma higienização em todo o prédio”, afirma o funcionário Francisco José, Assistente Administrativo do local há 25 anos. Não bastasse o problema de conservação do acervo, existe uma questão ainda mais grave a ser tratada: a saúde dos que frequentam a Biblioteca Central. Vários funcionários relataram problemas de saúde por causa da higiene e estrutura do local. O acúmulo de poeira e fungos já causou várias doenças de pele, desde coceiras até alergias sérias. Além disso, é comum funcionários reclamarem de problemas de coluna, causados pelo manuseio das pesadas estantes e problemas de mobilidade com os carros de mão que transportam os livros.


As críticas não se limitam aos funcionários. Segundo a estudante Patrícia Ávila, que frequenta o local pelo menos três vezes por semana, os maiores problemas são o forte calor e a poeira. “Passamos forte calor nas mesas, já que a maioria dos ventiladores estão quebrados. Já nas estantes a poeira é forte. Os livros muitas vezes são sujos e começo a espirrar ao pegá-los”, conta indignada. Biblioteca Setorial

Foto: Gustavo Mikaell Morais

Na Biblioteca Setorial Vanildo Brito, que faz parte do CCHLA - Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes – o espaço físico disponível para a manipulação e para a estocagem de diversos títulos é insuficiente. São 118m² de área construída, que comportam mais de 50 mil títulos das diversas áreas que o CCHLA agrupa, entre obras de referência, coleções especiais (monografias, dissertações e teses) e livros.

Para resolver o problema, está em construção um espaço que conta com 400 metros quadrados de área. De acordo com a bibliotecária responsável, Cleyciane Pereira, as novas instalações podem ser a solução parcial, mas não definitiva. “A melhoria ocorre devido a uma série de fatores que influenciam diretamente na rotina da biblioteca. Não se pode construir uma biblioteca sem acompanhamento do projeto e sem a definição detalhada da acústica do local”. Além dos problemas de espaço físico, existem também os de ordem operacional, que comprometem o funcionamento da biblioteca. A falta de material básico para a etiquetação de livros impede a organização e atrasa o andamento dos serviços. “Não é necessário apenas oferecer estrutura física, mas, também uma estrutura de conservação e boa manipulação do acervo, senão nada foi feito”, conta Cleyciane. Para ela, os bibliotecários preci-

sam de mais espaço e participação na tomada de decisões que dizem respeito à biblioteca. “É estranho pen sar assim, mas as pessoas que estão lidando diariamente com os problemas estruturais e organizacionais das bibliotecas não são perguntadas sobre as reais necessidades do lugar”. As obras do novo prédio estão em andamento. A ideia é que a entrega aconteça em um prazo de dois meses. O que preocupa a bibliotecária e suas colegas é a acústica do local, que fica bem ao lado de uma avenida bastate movimentada. “Muitas partes do projeto que foram solicitadas por nós não foram atendidas. Não teremos o espaço adequado reservado para leitura e os locais para guardar os livros deixam muito a desejar”. Bibliotecas Híbridas Um novo sistema online de consulta e empréstimo de livros em breve será adotado pela Biblioteca Central. Trazido da UFRN, é mais leve, simplese custa menos. Além de vantagens de usabilidade, pretende melhorar a integração entre a Biblioteca Central e as Setoriais – que também englobam as dos Campus de Areia, Bananeiras, Mamanguape e Rio Tinto. Com um cadastro único, o usuário poderá consultar o acervo de todas elas. Esse é o primeiro passo para o desenvolvimento de um sistema de Bibliotecas Híbridas na UFPB. A ideia é que o sistema abranja os diversos acervos e permita que todos os serviços sejam oferecidos simultaneamente de maneira física e virtual, seguindo uma tendência de digitalização e tornando mais fácil e ágil a relação entre biblioteca e público. Esse sistema também permitirá que os alunos de cursos a distância possam encontrar, também a distância, as obras necessárias para suas aulas.

Reportagem: Gustavo Mikaell Luan Matias

Biblioteca Setorial Vanildo Brito também sofre com problemas estruturais Os desafios para a Instituição - 41


INFRAESTRUTURA

A UFPB do relatório Polari contrasta com a realidade da Instituição

da, é perceptível a diferença entre o que está escrito e o que é observado na realidade. Há a dificuldade em encontrar onde os recursos foram empregados e os avanços presentes nos relatórios. Qual posição a UFPB ocuparia no ranking da prática, da eficiência que atende os alunos, professores e funcionários da instituição em seu dia-a-dia?  Essa avaliação, aliás, a UFPB já está vivendo, segundo determinação da Lei de Diretrizes e Ba-ses da Educação. Para tanto, é preciso reunir e interpretar dados, produzir diagnósticos, identificar fragilidades e potencialidades dos cursos ou da instituição. “A UFPB enfrenta problemas básicos” disse o professor Gustavo Tavares, coordenador geral do Reuni na Instituição. “Aqui, nós estamos na base. Nós estamos pedindo livro, biblioteca, internet, laboratório, restaurante, segurança.” Quan42 - UFPB em Revista

Entrada da UFPB recém reforma

tos aos livros, por exemplo, estava previsto a compra de em dois relatórios sobre uma mesma obra, um diz que o dinheiro saiu do Reuni e em outro diz que saiu da Reitoria. Não se sabe a informação correta. Há controvérsias na gestão do dinheiro do Reuni. Durante a entrevista, o professor Gustavo Tavares usa uma metáfora de quebra-cabeças para explicar como os recursos foram geridos: “119 milhões 544 mil e 822 reais. Todos esses recursos foram geridos no papel.” Para ele, cada quantia de dinheiro representa uma peça do jogo e, como é comum que várias peças acabem se perdendo, a montagem completa se torna impossível. Outro exemplo da má administração é o que está acontecendo no curso de engenharia Falta de um sistema de informção dificulta mecânica. Desde 2011 o dinhei- a procura e monutenção dos livros

Foto: Marianna Teixeira

A realidade

Foto: Diego Duarte

A

umento no número de vagas, cursos e bolsas ofertadas. Expansão do campus com prédios novos e interiorização da universidade. Novos equipamentos. Novos cursos de extensão.  Essa é a Universidade Federal da Paraíba segundo ela mesma, presente em seu site (www. ufpb.br) e relatórios recentes produzidos pela gestão do ex-reitor Rômulo Polari. No ranking nordestino de instituições de pesquisa, ocupa a quarta posição, perdendo apenas para as universidades federais de Pernambuco, Bahia e Rio Grande do Norte. As melhorias descritas ocorreram graças, sobretudo, aos recursos do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), cerca de 120 milhões de reais. A administração da universidade deveria gerir esses recursos de forma que promovesse a ampliação do acesso e da permanência na educação superior. Mas, em uma rápida caminha-


Foto: Marianna Teixeira

Sem espaço adequado para acomodar e instalar os equipamentos, soluções criativas foram adotadas nas caixas dos computadores que foram comprados.

Compra de equipamentos ro para compra de um braço mecânico foi empenhado, mas a compra nunca chegou a ser realizada. Agora os responsáveis pela compra correm contra o tempo, já que se a compra não for efetuada o dinheiro voltará para a União. E pior: o preço do equipamento aumentou e o dinheiro empenhado não é mais compatível. O mesmo aconteceu na solicitação de computadores para o laboratório do curso de Comunicação em Mídias Digitais. A demora foi tanta que, com o dinhei-

ro reservado anteriormente, só daria para comprar metade do número de equipamentos previstos, segundo o professor Derval Gozio. Quando questionada sobre a situação dos equipamentos e dos laboratórios, uma aluna de Engenharia Ambiental que pediu para não ser identificada, demonstrou indignação: “Equipamentos? A gente só teve uma aula de laboratório até hoje (em dois anos de curso). Os professores sempre falam que é complicado usar o laboratório.” Quanto à estrutura, disse: “As salas do CCEN da parte de

Quadro: Ambientes físicos construídos com os recursos do Reuni, presente em relatório enviado pelo professor Gustavo Tavares

biologia e geografia estão ok, tem ar condicionado, data show, etc. As de química (...) são horríveis, tem umas que os ventiladores estão quebrados e quando chove molha até dentro da sala.” Ela ponderou ainda a relação com os professores: “São competentes e tudo mais, principalmente os do CCEN(Centro de Ciências Exatas e da Natureza)! O complicado são os professores do CT(Centro de Tecnologia).” Taxa de evasão elevada Essa realidade não é propícia para o surgimento de alunos, pesquisadores e professores interessados e comprometidos com a instituição. Não cumprindo, assim, a principal meta do Reuni,: diminuir a taxa de evasão estudantil, que na administração Polari registrou taxa de 49 para cada 100 alunos. Há o programa da Universidade Participativa (UP), “que busca inverter a lógica das decisões descentralizando as ações. O programa serve como instrumento de base para tratar junto com a comunidade universitária o processo de discussão do orçamento, projetos, obras e serviços da Administração Central através de um espaço democrático.” (Definição extraída de noticias no site oficial da UFPB.) Há também um plano constituído de quatro ações básicas para evitar a desistência: pedagógicas, de infraestrutura, assistência estudantil e administrativa. Reportagem: Diego Duarte e Marianna Teixeira. Os desafios para a Instituição - 43


Foto: Carol Caldas

PELO CAMPUS

O campus de João Pessoa, da Universidade Federal da Paraíba, comporta uma grande população de gatos abandonados

Onde os gatos têm vez E ncontrar gatos na UFPB deixou de ser um acontecimento raro. Por todo o Campus, é possível vê-los procurando comida, escalando árvores ou simplesmente amontoados pelos cantos. O que pode ser um colírio para os muitos amantes de felinos também tem gerado grandes reclamações de professores, alunos e funcionários da UFPB. As principais reclamações estão relacionadas ao mau cheiro e aos transtornos que os animais têm causado aos comerciantes da universidade. Uma das principais razões apontadas para o excesso de gatos é o abandono pela população. Além disso, a espécie tem um período de gestação muito curto e gera muitos filhotes por gestação, o que provoca um aumento exponencial da população de animais. Para a pesquisadora Doutora em recursos naturais e funcionária da UFPB, Teresa Cristina Grisi, a cidade de João Pessoa é desassistida de abrigos para os animais, o que faz com que as pessoas despejem seus gatos como meros objetos no Campus, na esperança de que alguém cuide deles por lá. A pesquisadora também afirma que já presenciou pessoas levando animais escondidos em malas, porém, como não há fiscalização na entrada da institui-

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ção, não existe uma forma de controle que evite esse tipo de ocorrência. A medida mais eficaz, segundo a Doutora, é fazer um trabalho de conscientização nas pessoas, principalmente nas regiões próximas, e promover cada vez mais feiras de adoção de filhotes e a castração dos gatos, que é uma das ações mais importantes.

Prós e contras O estudante Djalma Amorim, de 20 anos, caminhava para mais um dia de aula no curso de Comunicação em Mídias Digitais quando ouviu miados vindos da floresta. Preocupado, Djalma procurou a origem do ruído e encontrou dois filhotes de gato abandonados. Movido por sua paixão pelos animais, o aluno iniciou uma busca por alimento no Campus, utilizou uma caixa para levar os filhotes pra casa e, apesar dos cuidados do estudante, os gatos não resistiram. Atitudes como a de Djalma são frequentemente tomadas por pessoas que buscam, acima de tudo, o bem estar dos animais. A presença dos gatos pela UFPB tem, no entanto, causado incômodos à população universitária. Um exemplo disso é o estudante de Psicologia, Ar-

thur Homrich. Para ele, os gatos, além de não agradar, também trazem consigo doenças, sendo considerados um risco à saúde de quem é obrigado a conviver com eles. O estudante afirma que os animais invadem as salas de aula, entram em contato com os alunos e defecam nas proximidades, produzindo, assim, mau cheiro e contaminando até o ar que respiram. Já para o estudante de biologia, José Carlos Pereira dos Santos, os gatos nunca o incomodaram nem provocaram qualquer transtorno. No entanto, ele acredita que não há condições de manter os animais na universidade da maneira em que estão, pois representam sérios riscos à biodiversidade da mata, podendo, em casos extremos, contribuir para a extinção de algumas espécies. De acordo com o estudante, que é completamente contra a eutanásia dos gatos, eles deveriam ser encaminhados para abrigos que cuidassem deles. Cada gato no seu galho

No departamento de psicologia, os gatos não são bem vindos. Certa vez, houve uma infestação de pulgas no setor, interrompendo uma reunião de departamento e atingindo a clínica-es-


Transtornos e Soluções As consequências causadas pela superpopulação de gatos na UFPB vão além dos problemas ambientais. Segundo o comerciante e dono de uma lanchonete no Departamento de Comunicação, Antônio Guerra, os bichanos já causaram prejuízos financeiros a seu estabelecimento. Ele afirma que os gatos invadem as barracas, andam pelos telhados e consomem alimentos do local, além de espantar clientes que, por questões de higiene, acabam optando por um ambiente mais limpo e livre de felinos. Além do mais, os gatos têm ocupado espaços que seriam reservados para estudos e práticas acadêmicas. No entanto, para a Dra. Teresa, as possíveis soluções para esse caso não se encontram na atitude radical de simplesmente realizar a eutanásia ou abandonar os animais em outros lugares. Segundo ela, além de não resolver o problema, pois a reprodução dos gatos é extremamente acelerada e as pessoas continuariam a lançar os animais na universidade, é preciso tomar atitudes mais inteligentes, que garantam espaço para os felinos, um dos mais importantes predadores de pragas urbanas e, ao mesmo tempo, respeito à liberdade daqueles que convivem na universidade. Com relação às interferências ambientais que os gatos poderiam provocar na biodiversidade da mata, a doutora afirma que, apesar de os gatos abaterem alguns animais silvestres nas

Foto: Carol Caldas

cola de psicologia, um local que também atende a comunidade externa. Foi preciso contratar uma empresa para dedetizar o ambiente e tentar controlar a praga que causou transtornos à comunidade acadêmica. Durante aquele período, diversas atividades essenciais para o bom funcionamento do curso foram interrompidas, o que causou a revolta de alunos e professores. Em outra ocasião, um gato passou dias em decomposição em um espaço onde alunos costumam estudar. Durante um longo tempo, estudantes evitavam ir a esse local, que exalava mau cheiro a metros de distância. O problema só foi resolvido quando um grupo de alunas, por iniciativa própria, resolveu limpar o local. Mesmo assim, ainda existe uma grande população de gatos no setor.

No Departamento de Psicologia, os gatos fazem as vezes de alunos

extremidades da mata, esses casos não são de grande relevância, pois a parcela de animais silvestres nessas regiões é muito pequena, já que a grande maioria está nas regiões centrais, locais onde, segundo ela, os gatos não têm acesso. Além disso, para a bióloga, os animais silvestres conseguem perceber a presença dos gatos no ambiente e, portanto, evitam se dirigir às regiões periféricas, o que os livra de acidentes e contatos com o homem, fazendo com que esses animais se mantenham em seu habitat natural. No entanto, para ela, o problema reside no excesso de felinos, pelas próprias condições que os animais enfrentam no campus e pela falta de controle de reprodução, o que exige soluções conjuntas, inteligentes e eficazes. O que está sendo feito De acordo com a Dra. Teresa, o ideal seria que houvesse, além de um esforço interno, ações de fora da universidade, especialmente por parte do poder público. A pesquisadora, que faz parte de um grupo que tenta solucionar os problemas com gatos, tem atuado ao lado de professores e alunos em campanhas educativas e de adoção. O grupo tem levado informação à população local sobre a necessidade de castrar os animais, além de ter procurado órgãos públicos e setores da universidade em busca de soluções para o problema. A

equipe também costuma atuar no combate aos maus tratos contra os animais. Em uma das ocorrências, um aluno da residência universitária foi denunciado por seus colegas por ter atirado um gato contra a parede, causando a morte do bicho. A luta pela construção de um abrigo é uma das principais reivindicações do grupo, mas, segundo a pesquisadora Grisi, as ações esbarram na burocracia. Recentemente, uma verba foi aprovada, mas os recursos não puderam ser utilizados, porque tinham origem no Ministério da Saúde, e questões de animais domésticos não são catalogados como problema de saúde pública. Além disso, o grupo tem lutado pela construção, na universidade, de um hospital público veterinário. Segundo Teresa, essa medida permitiria um número de cirurgias de castração bem maior, além de servir como suporte à formação profissional do estudante de veterinária. A situação dos gatos na UFPB é sempre um assunto polêmico, mas, em um ponto, quase todos concordam: o assunto precisa ser debatido para que soluções inteligentes sejam tomadas, de forma a garantir que todas as partes tenham seus direitos respeitados.

Reportagem: Ana Carolina Caldas e Valberto Cabral Os desafios para a Instituição - 47


Imagem da internet

PELO CAMPUS

Estudantes das universidades federais brasileiras questionam o investimento do governo na qualidade da educação.

Qual o valor do estudante universitário para o governo? O investimento do governo na educação pública é um assunto muito discutido e reivindicado por quem quer melhores condições de formação acadêmica. Quando dados concretos dos valores desse investimento na educação são coletados e comparados a outros gastos federais, a reação nem sempre é positiva. À primeira vista, a importância que o governo brasileiro dá a um presidiário é maior do que a um aluno universitário, levando em conta o valor que é investido em cada um. Enquanto o primeiro custa R$ 3.312,00 ou outro vale para o governo R$ 1.498,00,  tornando assim o presidiário 120% mais caro que um universitário, segundo levantamento do R7 junto ao (Departamento Penitenciário Nacional, do Ministério da Justiça) e do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais).

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Prazos para investimentos

Medidas imediatistas estão sempre presentes no atual governo. Um exemplo disso é o combate à violência a curto prazo: a construção de prisões e maiores investimentos para presidiários, em vez de concentrar esforços na educação, que tomam mais tempo para serem concretizadas. Essas medidas, com longo tempo de duração para apresentar frutos satisfatórios, podem ser a solução para que a construção de mais presídios não seja necessária. Visto que a educação nas escolas e universidades tem por objetivo capacitar o cidadão, aumentando as chances de sucesso no mundo profissional e consequentemente o tirando da possibilidade de seguir uma vida de crimes. Outra atitude do governo na tenta-

tiva de remediar o problema da educação de forma mais rápida foi a criação das cotas universitárias para estudantes de escolas públicas, deficientes, negros e indígenas. Atitude essa que ainda hoje causa polêmica e divergências quanto à eficiência real para o futuro do país. Se aliada a medidas de longo prazo, a aplicação de cotas pode equilibrar o déficit de entrada de alunos de escolas públicas, mas só se a capacitação de professores e construção de mais escolas estejam ligadas a essas entradas preferenciais. “O governo sempre tenta tapar o sol com a peneira! Tá na hora de acordar e perceber que uma nação desenvolvida é aquela que dá prioridade à educação. A educação é a base para um futuro sem criminalidade, com um mercado repleto de obra de mão qualificada, cientistas e pesquisadores. Es-


Imagem da internet

Dentro de cada universidade, o valor equivalente do aluno muda de acordo com cada reitoria. Na UFPB, por exemplo, temos um investimento equivalente maior para alunos na área de saúde do que para alunos de humanas. “Na tentativa de superar a dificuldade natural de se promover comparações do custo/aluno entre instituições, foi necessário procurar fazer algum esforço na direção de homogeneização desta variável. Ou seja, se um aluno da área de saúde consome bem mais recursos que um aluno, por exemplo, da área de humanas, a comparação de custo/aluno, sem essa homogeneização, ficaria distorcida.”, explica Múcio Souto, pró-reitor substituto da Universidade Federal da Paraíba. A UFPB hoje tem 35.250 alunos matriculados em seus cursos de graduação e pós-graduação stricto sensu, o que resulta em 39.182 alunos equivalentes, que, por sua vez, leva a um custo/aluno de R$ 14.237,18 por ano segundo dados da pró-reitoria. Mas, além do custo de cada aluno, é

importante destacar que, mesmo custando mais para o governo, o aluno de saúde pode não ser o aluno mais caro, pois existe outra taxa, que é a da retenção. Retenção é a situação em que, apesar de esgotado o prazo máximo de integralização curricular e mesmo não tendo concluído o curso, o aluno se mantém ou consta como matriculado na Universidade. Por isso, o governo continua gastando com esse aluno que utiliza um tempo maior que o normal para concluir a graduação. O Reuni (Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais) tem uma meta recomendada para as universidades de uma aprovação e conclusão de 95% dos alunos que ingressam nos cursos superiores federais. Ao ser questionado sobre os dados atuais e a possibilidade de essa taxa ser real na Universidade Federal da Paraíba, o Pró-Reitor Substituto, Múcio Souto, afirmou que só será possível ter certeza dos números quando todos os cursos do Reuni formarem suas primeiras turmas. Aplicação da verba pública

Ilustração: Matheus Medeiros

sas greves que tanto atrapalha o tempo de formação dos alunos não seriam necessárias se a educação no Brasil fosse tratada como deveria. Que deveria ser proporcionada desde sua infância, passando pela adolescência, para que quando chegasse na fase adulta, tivesse capacidade de entrar no mercado de trabalho.”, reivindica Raissa Silva, estudante do quinto semestre do curso de Farmácia, na UFPB. Valores equivalentes

Para entender como o dinheiro público é aplicado é necessária a análise de diversos fatores ,desde os diferentes tipos de investimentos aplicados, até opniões de Taxa de fator de retenção na UFPB pessoas envolvidas tanto a favor dos numéricos, é possível esclarecer quanto contra. Diante de todos esses fatos e da- a situação real da relação entre o governo e seus alunos, suas medidas e seus investimentos. Tanto a educação quanto a segurança merecem ter atenção do governo e o que todos esperam  é que a verba, que sai do bolso de cada cidadão, seja aplicada de forma que todos saiam ganhando com possibilidades de um futuro com mais qualidade de vida.

Reportagem: Amanda Carvalho Diniz Matheus Lucena de Medeiros

Dinheiro gasto com presidiário é 120% maior que com estudante universitário Os desafios para a Instituição - 49


Crédito: Renan Guerra

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Sede do Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal da Paraíba.

DCE da UFPB sob gestão da chapa 1: A hora é agora! A nova direção do Diretório Central de Estudantes da Universidade Federal da Paraíba foi eleita no início de 2013 e promete lutar para dar credibilidade ao movimento estudantil que, segundo a Coordenação de Organização do DCE, está muito desgastado devido a alguns problemas e polêmicas judiciais externas e internas. Além disso, as últimas gestões do Diretório têm embasado suas candidaturas apenas em realizações de calouradas e emissões de carteiras de estudante, o que abalou ainda mais a sua fama no meio discente. Recentemente, as disputas entre as várias tendências

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que fazem o movimento estudantil resultaram em desaparecimentos das carteiras estudantis, e já houve disputas inclusive entre o DCE e a empresa estudante10 pelo direito de emitir as mesmas. O que é o DCE?

O Diretório Central de Estudantes é uma entidade estudantil que representa todo o corpo discente de uma universidade, faculdade ou qualquer outra instituição de ensino superior. Sua principal função é assumir a liderança nas lutas pelas causas estudantis. O DCE é formado por um conjunto de membros selecionados a partir do

Movimento Estudantil no qual ele está inserido. A escolha desses membros geralmente é feita de forma direta e o respectivo Movimento Estudantil é eleito através de uma votação em que os professores e alunos da universidade participam.

Futuros planos do DCE De acordo com a Coordenação de Organização do DCE, representada por Diego Ferreira, o Diretório está determinado a fazer uma boa gestão, contando com o apoio dos discentes e, dando foco à assistência estudantil, principalmente do ponto de vista social, buscando ajuda tanto na Reitoria


Crédito: Chapa 1: A hora é agora!

quanto fora da Universidade. Diego afirmou que por enquanto houve apenas uma audiência com a Reitoria, mas a relação já é amistosa. Segundo ele, algumas reivindicações feitas pelo DCE já estão sendo atendidas. Sobre os vários assuntos que ainda devem ser tratados com a Reitoria, Diego Ferreira disse que entre as prioridades estão a Residência universitária; o Restaurante Universitário e projetos de pesquisa e extensão (demanda de mais bolsas). EBSERH

Logo da chapa eleita.

os estudantes através de um fórum de conhecimento, e logo após, realizar discussões para que o DCE possa tomar uma posição através da opinião dos estudantes. Segundo José Anderson, coordenador do Processo de Carteiras de

Crédito: http://dceufpb.blogspot.com.br

Perguntado sobre porque o DCE não tem se manifestado de maneira efetiva nas lutas pela igualdade de oportunidades e pelo fim da homofobia, Diego citou o caso do deputado Feliciano que foi eleito e empossado na Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Deputados, e afirmou que apesar de não ter sido publicada nenhuma nota sobre o assunto, o DCE assumiu posição contrária à eleição, ao participar de uma passeata contra as atitudes do deputado. Diego Ferreira falou também sobre qual é o posicionamento do DCE em relação ao EBSERH, projeto da presidente Dilma Rousseff e do ministro da Educação Aloizio Mercadante que pretende terceirizar os serviços nos Hospitais Universitários em todo o país. Ele disse que, como o projeto ainda está sendo construído, o DCE pretende apresentar o EBSERH para

Estudante do DCE e coordenador de Organização do Centro Acadêmico de Farmácia, os alunos do curso de Farmácia estão se posicionando contra ao EBSERH, mas a maioria dos estudantes ainda não tem consciência sobre o projeto porque muitos deles não acompanham o movimento estudantil e não participam dos fóruns de discussões. Anderson afirmou que em outras universidades, o projeto EBSERH está funcionando bem, mas que é necessária a realização de fóruns para saberem qual o posicionamento dos estudantes. Sobre a importância do DCE para a UFPB, José Anderson disse que o papel do Diretório é ouvir a opinião dos estudantes e dar prioridade ao que a maioria decidir. “A nossa missão é representar os estudantes”, enfatizou.

Reportagem: Filipe Ferreira Renan Guerra

Reunião entre DCE, entidades sindicais e movimentos populares Os desafios para a Instituição - 51


Foto: Moinho Turismo e Intercâmbio

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Estudantes estrangeiros são cada vez mais fáceis de serem encontrados na Universidade Federal da Paraíba

Quem são e como vivem os estrangeiros na UFPB É cada vez mais comum encontrar jovens que buscam expandir seus conhecimentos fazendo intercâmbio. Fazer um curso superior em outro país pode enriquecer o currículo não só pelo fato da aprendizagem ou aperfeiçoamento de um novo idioma, mas também pelo enriquecedor contato com novas pessoas em um lugar culturalmente diferente do qual se está habituado. O Brasil não apenas exporta estudantes para dezenas de universidades do mundo, mas também recebe centenas de jovens de diversas partes do mundo, interessados na cultura e na língua brasileira. Na Universidade Federal da Paraíba (UFPB) em uma caminhada de poucos minutos é possível perceber dezenas de estrangeiros com diferentes feições e línguas, misturando-se aos estudantes locais e tornando o ambiente mais dinâmico. Dados Os dados e estatísticas dos estrangeiros matriculados na UFPB são, hoje, impossíveis de serem ana52 - UFPB em Revista

lisados. Para ter acesso às informações quantitativas e qualitativas desses estudantes, há uma série de burocracia imposta pela Pró Reitoria de Graduação (PRG) e uma falta de conhecimento por parte da Assessoria de Assuntos Internacionais(AAI). A AAI justifica a ausência de informações atualizadas devido à recente troca na gestão na universidade, fazendo com que haja a necessidade de reavaliar todos os dados antigos e renovar contratos com universidades do exterior. Já a PRG exige que para entregar os dados de quantidade de estudantes de fora do país, bem como em qual curso eles estão estudando, é preciso fazer um requerimento protocolado e aguardar pela resposta. Esse procedimento foi realizado, porém, sem sucesso, não foi possível conseguir os dados desejados por causa da demora no processo.

Convênios com Universidades Dados de 2011 da AAI apontam que a UFPB era conveniada com outras onze instituições de ensino superior de países como Argentina, Reino

Unido, França, Alemanha e Portugal. Os convênios de cooperação acadêmica funcionam tanto para os estudantes que querem estudar em outros países como para os estrangeiros que vêm ao Brasil para estudar na Paraíba. A “troca” de alunos acontece como uma balança, onde se busca igualar o número de estudantes que chegam para estudar e os que vão. Algumas instituições limitam os cursos que serão dispostos para receber estudantes brasileiros, assim como o tempo de convênio. Com a recente mudança de gestão na UFPB, a AAI está se encarregando de atualizar os contratos firmados com as universidades, os números atuais de estrangeiros discentes na universidade e em quais cursos estão matriculados. Por essa razão, não foi possível obter dados precisos sobre a quantidade de intercambistas presentes atualmente na UFPB.

Estudantes Africanos Dentre o montante de estudantes estrangeiros presentes na instituição, há um número expressivo de estu-


Foto: Rudah Silva

dantes de origem africana matriculados em cursos como Letras, História, Serviço Social, Filosofia, Ciências Sociais, Design, Matemática, Física e Biologia. Ainda de acordo com os dados de 2011 da Assessoria de Assuntos Internacionais da UFPB, a maior parte desses estudantes vêm de Cabo Verde, seguido de Guiné Bissau e São Tomé e Príncipe. Geralmente, esses estudantes viajam através do convênio Brasil-África Programa de Estudantes-Convênio de Graduação (PECG). E diferente da maior parte dos outros estrangeiros que só possuem visto de estudante, alunos africanos podem permanecer mais tempo no Brasil. O intercambista do curso de Relações Internacionais, Vivian Muví, 27, oriundo de Benin na África do Oeste, está na Paraíba há um ano. Inicialmente ele não falava português, por isso teve que passar pelo curso de Língua Portuguesa para Estrangeiros, oferecido pela UFPB durante um período que é variável de acordo com o nível de português do estudante. Preconceito Nesse tempo em que esteve por João Pessoa, Muvi afirma que muitas vezes foi obrigado a ouvir perguntas como “Tem comida de onde você vem?”, ”Tem água?”, e para ele isso reflete a falta de informação que muitas pessoas têm sobre outras regiões, em especial a África. “As pessoas têm uma ideia muito errada do que é a África, e eu senti um certo preconceito assim que cheguei aqui. Agora eu já não passo mais isso”, afirma Vivian. Antes de iniciar o curso na UFPB, o estudante morou algum tempo no Rio de Janeiro e observou que é comum a desinformação do brasileiro com o que é de fora. Ele relata que quando dizia que ia viajar para a Paraíba, muitos cariocas se referiam com descaso, insinuando que morar na capital paraibana seria inferior a ficar em outras regiões do sul ou sudeste. Muví diz ser uma pena que até dentro do próprio país o preconceito não permita que as pessoas conheçam as inúmeras qualidades de outra região. Recepção Local Segundo Muví, os estudantes locais da universidade são fechados

Vivian Muví, estudante africano que faz intercâmbio na UFPB

inicialmente, mas depois de certo tempo de convívio são hospitaleiros e gentis. Já o estudante francês Louis Weil, que está cursando direito há 9 meses na UFPB, diz que foi fácil se integrar à cultura paraibana. “Consegui aprender o básico do português em pouco tempo e fiz alguns amigos por aqui”, comenta o intercambista. Em agosto Louis volta para a França e diz que a Paraíba deixará saudades. “As pessoas são comunicativas e quentes, recebem muito bem os estrangeiros. Mal posso esperar para voltar aqui quando eu for, principalmente porque eu fiz amigos para a vida nesse lugar”, finalizou Weil. Gastos, estadia e lazer Para se manter financeiramente na capital paraibana, o estudante Vivian Muví tem que desembolsar até dez vezes mais dinheiro do que se fosse gastar em seu país natal. “Aqui, se tu quer fazer um lanche tem que gastar dez reais. Em Benin, eu consigo fazer o mes-

mo lanche com apenas um real! É tudo muito caro para mim”, lamenta Muví. Na hora de procurar um local para morar, os estudantes internacionais que chegam para estudar recebem o apoio da AAI, que os ajuda a encontrar um local próximo da universidade e acessível. Ao contrário do que pensam algumas pessoas, esses discentes estrangeiros não têm acesso às residências universitárias, que são reservadas exclusivamente para estudantes brasileiros carentes. Na hora do tempo livre, os estudantes estrangeiros têm gostos diversos. Por exemplo, Muví gosta de ficar em casa, conversando com os amigos de Benin pelas redes sociais, enquanto Louis gosta de sair, explorar bares e restaurantes da cidade com os amigos locais, ir ao cinema e a festas. As opções são diversas e satisfazem os mais diferentes gostos. Reportagem: Gabriela Melo e Isabella Diniz Os desafios para a Instituição - 53



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