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Cidade Universitária

| 1Especial Edição Especial - 2016 :: Cidade Universitária Impresso

9912290201-DR/MA UFMA

PUBLICAÇÃO DA ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO | ANO VIII | Nº 15 | EDIÇÃO ESPECIAL/2016

CORREIOS

ufma.br

JUBILEU DE OURO: MELHORES MOMENTOS DA FESTA DOS 50 ANOS Págs. 18 e 19

Nesta edição:

Grupo analisa áreas inundáveis da Baixada

História da imigração japonesa no Maranhão

A fé como meio de integração social


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Edição Especial - 2016 :: Cidade Universitária

ASCOM UFMA

JORNAL CIDADE UNIVERSITÁRIA ascom@ufma.br

Reitora: Nair Portela Silva Coutinho Vice-Reitor: Fernando Carvalho Silva Pró-Reitoria de Assistência Estudantil: João de Deus Mendes da Silva Pró-Reitora de Ensino: Isabel Ibarra Cabrera Pró-Reitora de Extensão: Dorlene Maria Cardoso de Aquino Pró-Reitor de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação: Fernando Carvalho Silva Pró-Reitora de Gestão e Finanças: Eneida de Maria Ribeiro Pró-Reitora de Recursos Humanos: Maria Elisa Cantanhede Lago Braga Borges Assessor de Comunicação: Antonio Fernando de Jesus Oliveira Silva

Coordenação Editorial: Fernando Oliveira Edição: Ivandro Coelho, Luciano Santos Reportagem: Amanda Carvalho, Ariele Júllian, Daniel Santos, Géssica dos Anjos, Henrique Coutinho, Ítalo Lima, Letícia Mendonça, Luciano Santos, Mallú Ferreira, Rildo Corrêa Produção: Leandro Ferreira, Maiara Pacheco, Nathália Ribeiro, Rosana de Oliveira Fotografia: Ariele Júllian, Luciano Santos, Maiara Pacheco, Rildo Corrêa, Sansão Hortegal Revisão: Jader Cavalcante, Débora Pereira e Patrícia Santos Projeto Gráfico: Mizael Melo Alves Arquivo: Edna Oliveira Apoio Administrativo: Suelen Rodrigues

Assessoria de Comunicação Institucional - ASCOM/UFMA Cidade Universitária Dom Delgado Av. dos Portugueses, 1966 - Bacanga CEP 65080-805 - São Luís-MA Fone: (98) 3272-8020 - E-mail: atendimento@ufma.br www.ufma.br


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N

esta edição, o Jornal Cidade Universitária continua divulgando as iniciativas de docentes e discentes nas áreas de ensino, pesquisa e extensão. Os projetos e ações desenvolvidos nos diversos câmpus revelam que a Universidade Federal do Maranhão é um espaço permanente de produção e difusão do conhecimento, além de local de promoção da cultura, do esporte e do lazer. Em destaque, a matéria sobre o Jubileu de Ouro da UFMA, que resgata a contribuição de Dom José de Medeiros Delgado para o processo de implantação da universidade. O texto traz ainda os momentos mais significativos da comemoração do cinquentenário, entre eles o 36º Festival Maranhense de Coros (Femaco), Palmas Universitárias, Noite de Gala e Noite do Jubileu de Ouro, além das homenagens prestadas pela Assembleia Legislativa do Maranhão e pela Câmara dos Vereadores. O leitor poderá acompanhar ainda um importante estudo sobre áreas inundáveis da baixada maranhense, realizado por um grupo de professores do Departamento de Oceanografia e Limnologia, que será publicado em livro. Também merecem atenção o projeto de assistência estudantil Foco Acadêmico e a pesquisa sobre o ingresso de estudantes com idade acima de 50 anos na universidade. O leitor poderá acompanhar ainda a entrevista do professor Carlos Benedito, do Departamento de Sociologia e Antropologia, que fala sobre racismo e segregação no Brasil. E mais: a história da imigração japonesa no estado; as características geográficas e ambientais da Ilha do Maranhão; a maior associação atlética de medicina do Nordeste e os grupos de oração que atuam no campus Dom Delgado. Boa leitura!

Índice Grupo de Pesquisa realiza análise sobre áras inundáveis da Baixada Maranhense ........................... 4 e 5 Diploma não tem idade .............................................................. 7 Professor do Departamento de Sociologia e Antropologia fala sobre racismo e segregação social ............ 9 Maior associação atlética de medicina do nordeste oferece esporte ............................................. 14 e 15 UFMA 50 anos: uma história de luta, glória e reconhecimento ................................................... 18 e 19


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Grupo de pesquisa ana da Baixada M

Informações coletadas durante oito an

A

Mallú Ferreira

Ricardo Barbieri, professor do Programa de Pós-Graduação em Sustentabilidade de Sistemas (PPGSE) e coordenador da pesquisa

Baixada Maranhense, região do estado que abrange mais de 20 mil quilômetros quadrados, possui uma estrutura geográfica caracterizada por planícies, que alagam durante a estação de chuvas. Interessados em realizar um estudo mais aprofundado desse território com pouca ou nenhuma variação de altitude, acadêmicos do Departamento de Oceanografia e Limnologia da UFMA reuniram-se em um grupo de pesquisa chamado Ecologia de Áreas Inundáveis. A iniciativa teve início no ano de 1998, buscando uma abordagem sobre o meio ambiente da Baixada Maranhense, com foco em três bacias hidrográficas: a do Rio Turiaçu, Rio Pericumã e do Rio Pindaré (destaque para as regiões de Penalva e Viana). A proposta inicial era realizar uma pesquisa exploratória, com análise focada nos fatores biológicos, físicos e químicos do ambiente. “A Baixada foi escolhida para o estudo porque é uma microrre-

gião do estado que acumula um conhecimento tradicional da pesca fabuloso, que segue o ciclo natural das águas. A pesca tem grande papel econômico e social e está ligada ao conhecimento popular profundo sobre o ambiente e às formas de manejá-lo pelas comunidades rurais que estão aí há várias gerações”, enfatiza o professor do Programa de Pós-Graduação em Sustentabilidade de Sistemas (PPGSE), Ricardo Barbieri, atualmente à frente da pesquisa. Com o passar dos anos, o estudo teve continuidade, mas foi passando por alterações, diante de demandas encontradas pelo grupo em meados de 2003, quando surgiu a necessidade de uma mudança de abordagem. “O grupo sentia que já havia desenvolvido um conhecimento razoável do ecossistema da Baixada. Então passamos a analisar a influência da ação humana, ou seja, o remanejamento e aproveitamento dessas áreas, que, devido à inundação periódica, se tornam vul-

neráveis às mudanças que são impostas pela ação humana, como, por exemplo, barragens que são feitas sem nenhum critério técnico”, aponta Barbieri. Atualmente, o grupo é integrado por sete docentes, sendo eles Ricardo Barbieri, José Policarpo Costa Neto, Antonio Carlos Leal de Castro, Cláudio Urbano Bittencourt Pinheiro, Samara Aranha Eschrique, Naila Arraes de Araújo e Eduardo Henrique Costa Rodrigues, além de contar com o suporte de sete alunos de graduação e uma técnica de laboratório. A pesquisa também conta com parcerias da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da Fundação Nacional da Saúde (Funasa). Único integrante do grupo ativo desde a sua origem, Barbieri afirma que, além dos estudos desenvolvidos, a pesquisa também impactou de forma direta a comunidade maranhense. “Mesmo nos primeiros momentos da pesquisa, quando o intuito principal era es-


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alisa áreas inundáveis Maranhense

nos de estudos serão reunidas em livro

tudar o funcionamento do ecossistema local, sempre mantivemos contato com a comunidade, alertando sobre os riscos da pesca predatória e do desmatamento do local. Também ministramos palestras sobre o assunto e realizamos ações de recuperação em alguns locais”, complementa. Oito anos depois, o grupo concentra suas atividades na produção de um livro, que reunirá o material coletado pela pesquisa durante os seus anos de existência. Questionado sobre as dificuldades enfrentadas pelo grupo, o professor Ricardo Barbieri afirma que elas foram principalmente logísticas, devido aos custos com o deslocamento da equipe aos municípios visitados. O grupo já conta com a produção de artigos científicos publicados no Brasil e no exterior, entre eles: “Plâncton, produção primária e alguns fatores físicoquímicos de dois lagos da Baixada Maranhense”; “Limnologia de três ecossistemas aquáticos

característicos da Baixada Maranhense”; “Composition and temporal changes of phytoplankton community in Lake Quebra- Pote, MA, Brazil (em tradução livre, “Composição e mudanças temporais na comunidade de fitoplâncton no lago Quebra-Pote, MA, Brasil”); Grain size distribution of particulate matter and sediment in extensive freshwater bodies in pre-Amazonian floodplain, Baixada Maranhense, Brazil (em tradução livre, “Granulometria de matéria particular e sedimento em extensos corpos de água doce na várzea pré-amazônica, Baixada Maranhense, Brasil”); The Significance of Regenerated Nitrogenous Compounds as a Nitrogen Source for Phytoplankton in the Whitewater of the pre-Amazonian Floodplain in Brazil (em tradução livre, “A importância dos compostos nitrogenados regenerados como fonte de nitrogênio para o fitoplâncton em corredeiras da planície de inundação pré-amazônica no Brasil”).

SAIBA MAIS

A Baixada Maranhense é a região

sa área é natural e se desenvolve

a oeste da ilha de São Luís, que

devido ao seu peculiar ciclo hi-

abrange cerca de vinte municí-

drológico, ou seja, um período

pios, entre os quais fazem parte

de chuvas intensas, de janeiro

São Bento, Viana, Cajari, Mati-

a junho, e um período de estia-

nha, Olinda Nova do Maranhão,

gem, de julho a dezembro. Nos

Pinheiro, São Vicente Ferrer, São

meses chuvosos, o nível dos

João Batista, Arari, Anajatuba,

rios sobe, devido ao acúmulo

Pedro do Rosário, Peri-Mirim,

de água de chuva em terrenos

Palmeirândia, entre outros.

aluviais no médio e baixo curso,

A inundação que acontece nes-

inundando essas áreas.


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Foco Acadêmico: programa incentiva alunos com ações de ensino, pesquisa e extensão Destaque para o projeto 5ª de Arte, que promove a cultura na universidade

H

Mallú Ferreira

á dois meses, a estudante de Jornalismo da UFMA Yasmin Paiva Martins, está empolgada com sua nova experiência, em que, junto à professora do Departamento de Artes, Ana Teresa Desterro (mais conhecida como Estrelinha), vem colaborando com a produção do projeto 5ª de Arte, iniciativa que busca estimular a vida cultural no Centro de Ciências Humanas (CCH) oferecendo programações com apresentações artísticas na Cidade Universitária. “Foi a descoberta de um novo mundo, o da arte e dos artistas. Isso é muito vivo no CCH, desde a decoração das paredes e escadas, até as pessoas que circulam em seus corredores”, exalta a jovem de 19 anos que, por ser aluna de um curso do Centro de Ciências Sociais, não tinha muito contato com o CCH até ser inserida no projeto. A oportunidade de interação com o 5ª de Arte surgiu quando ela se inscreveu no programa de assistência estudantil Foco Acadêmico, que busca incentivar a imersão dos estudantes nas atividades acadêmicas e na participação em projetos de ensino, pesquisa e extensão. Em junho de 2016, ela se inscreveu no eixo “extensão” e foi selecionada entre 1.300 inscritos. “Optei pelo eixo de extensão por buscar uma experiência diferente. E, sem dúvidas, consegui alcançar meu objetivo. É gratificante ser parte desse projeto, admiro muito todo o esforço em oferecer uma produção cultural diversificada”, aponta a discente, que tem contribuído com a organização da agenda e com a divulgação. Assistência estudantil Surgido do desejo de desenvolver experiências como a de Yasmim, o programa Foco Acadêmico tem a proposta ser um projeto de as-

“Queremos firmar com os alunos o compromisso de contribuir para projetos em ensino, pesquisa e extensão que sejam desenvolvidos com qualidade”, diz a coordenadora do projeto e técnica em assuntos educacionais do Departamento de Assuntos Estudantis (DAE) Elke Trindade. Com base nisso, toda a estrutura do programa é pensada a fim de garantir que o estudante mantenha foco e bom desempenho na Ufma. No programa, o discente recebe uma bolsa e assume o compromisso de cumprir o plano de trabalho apresentado pelo professor-orientador para o qual foi designado, atendendo a uma carga horária de 20 horas semanais. A alocação do aluno em um dos projetos ocorre após o resultado do processo seletivo. O bolsista também deve participar de todas as

sistência estudantil que trabalhe ao lado do aluno, acompanhando diretamente seu comprometimento na produção acadêmica.

reuniões e formações para as quais for convocado e, em caso de mudanças na situação socioeconômica, cabe a ele comunicar imediata-

A ideia do projeto é auxiliar o aluno no processo de produção acadêmica

mente o acontecido. A bolsa tem vigência de um ano, com possibilidade de prorrogação, mediante solicitação do professor. Alguns dos critérios para a manutenção da assistência são: estar regularmente matriculado nas disciplinas relativas ao período no qual o estudante se encontra, garantindo que o término do curso de graduação esteja dentro do período previsto, e a atuação em pelo menos quatro componentes curriculares por semestre letivo. O aluno deve manter aprovação em, no mínimo, 75% dos componentes curriculares cursados no semestre anterior e não pode ter reprovação por falta no semestre anterior. E é necessário que haja uma comprovação da situação de vulnerabilidade socioeconômica. A supervisão do comprometimento e desempenho dos alunos é realizada pela promotora do programa, a Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes), com o apoio dos docentes que orientam os projetos. Os professores atuam como intermediadores dos bolsistas, repassando relatórios de presença e realização das atividades. Mapeamento cartográfico - A aluna de Geografia, Hemily Vale, admira a proposta da Proaes e se sente gratificada por participar de um trabalho de sua área. “Além de ser uma fonte financeira extra para ajudar os alunos, ajuda a desenvolver projetos em suas áreas de estudos, agregando tanto em experiência profissional quanto trabalhos para enriquecer o currículo acadêmico. Sinto-me abençoada pela oportunidade de trabalhar em um projeto de pesquisa voltado para o meu

curso. A confiança que o projeto dá aos participantes desperta o sentimento de responsabilidade”, complementa. Ela explicou que o projeto trabalha com o mapeamento cartográfico em comunidades tradicionais, entre elas quilombolas, ribeirinhas, assentadas e indígenas. O grupo estuda as condições de infância desses povos, analisando sua saúde, educação, situação psicológica e visão sobre o território em que vivem, levando em consideração que se trata de espaços de constante conflito. “Baseados nisso, buscamos desenvolver um conhecimento aprofundado dessas comunidades, colaborando para o seu desenvolvimento”, explica. O desenvolvimento de experiências como a de Yasmin e Hemily mostram os primeiros resultados do programa, que, conforme afirmação do Pró-Reitor de Assuntos Estudantis, João de Deus Mendes da Silva, “busca garantir que o estudante possa conhecer as atividades realizadas na UFMA, explorando as possibilidades acadêmicas e mantendo um bom desempenho na universidade”.


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Diploma não tem idade Mudanças no Enem facilitam a entrada de pessoas acima de 50 anos na universidade

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Ariele Júllian

todo o ensino médio, Adelaide estudou em escola pública, na cidade de Floriano, interior do Piauí, onde morava com os pais. Contudo, em 1985, Adelaide afastou-se da família e arriscou seu primeiro vestibular em São Luís. A aluna informou que, desde o início, sonhou com o curso de Letras. “Meu sonho sempre foi lecionar, compartilhar conhecimento. Com muita luta, tive que vir ao Maranhão realizar este desejo”, contou. Após a emoção da aprovação em seu primeiro vestibu-

de Yeda Silva, que teve o amor pela Educação Artística despertado ao participar do Coral da UFMA. As atividades realizadas na universidade puderam abrir novos horizontes, como ela mesma afirma. “Antes mesmo de pensar em cursar uma graduação, tive vivências práticas na universidade. Eu me envolvi em um projeto do coral e participava de festivais e apresentações de musicais e cinema. Foi uma oportunidade de descobrir a área que mais combina comigo”, ressaltou Yeda.

lar, veio a alegria e o esforço para continuar estudando quando deu à luz seu primeiro filho, em 1992. “Faltando apenas dois anos para a minha colação de grau, nasceu o meu primogênito. Tive que conciliar a criação do meu filho com a graduação”, relembrou. Superação - Um outro exemplo de superação é a história

entrada de alunos com idade acima de 50 anos tem crescido na Universidade Federal do Maranhão. Um dos fatores que contribuem para essa evolução se deve ao envelhecimento da população brasileira. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), obtidos no Censo de 2002, até o ano de 2060, o número de idosos crescerá de 6,3 milhões para 58,4 milhões. Esse crescimento se reflete no índice de idosos que estão inseridos no universo acadêmico em cursos de graduação. Prova disso é que os índices do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Texeira (Inep) apontam também que, no ano 2000, por meio de processo seletivo e de outras formas, o número de ingressos de alunos acima de 50 anos foi de 55.297, enquanto, em 2011, esse quantitativo subiu para 90.123 ingressos, aproximadamente. O número de alunos ativos com idade acima dos 40 anos no Câmpus do Bacanga é de 2.037. Entre eles, 1.177 são mulheres. O curso mais procurado pelos mais maduros é o de Pedagogia, com 450 matriculados atualmente. Sílvia Duailibe, diretora do Departamento de Organização Acadêmica (Deoac) da UFMA, afirma que, além do envelhecimento da população, a mudança no sistema de vestibular no país se tornou um facilitador na inserção dos alunos mais velhos na universidade. “Com a ampliação das vagas, o Enem se tornou um aliado para a entrada dos estudantes mais maduros”, frisou. Determinação - Um exemplo de força e determinação é a história de vida de Adelaide Moreira, que, aos 47 anos, cursa sua segunda graduação, no curso de Pedagogia da UFMA. Durante

O desejo de cursar uma graduação foi apoiado principalmente pelo seu filho, Pedro Augusto. Yeda explicou que o estímulo da família é fundamental em momentos decisivos, como o da graduação. “Escolhi Teatro para aprender mais e ter uma base científica. Nesse processo de escolhas, e até mesmo de aceitação, recebi um grande estímulo por parte do Pedro, meu filho. Ele dizia que eu tenho ideias legais que precisavam ser estendidas. Às vezes, só precisamos do apoio de

Para realizar o sonho de cursar Letras na UFMA, Adelaide Moreira, 47 anos, teve que conciliar a criação do filho com a graduação

Desde então, a arte tornou-se a paixão da jovem que, aos 69 anos de idade, estava disposta a conhecer mais sobre a área. Yeda decidiu prestar vestibular em 2014 e, no seu primeiro Enem, conseguiu a tão desejada aprovação. Segundo a estudante, a escolha do curso não poderia ser outra: Teatro Licenciatura.

Para Yeda Silva (primeira a esquerda), 69 anos, a universidade foi uma maneira de descobrir a arte por meio do curso de Teatro

alguém, de uma palavra de força da família”. A idade avançada não foi um empecilho para a concretização do sonho. A discente sabia que não seria fácil, porém se dispõe a superar as barreiras do preconceito e acreditar em seu potencial. “Eu estava ciente de que poderia enfrentar dificuldades. Alguns jovens não dão crédito à capacidade das pessoas mais velhas, contudo isso não importa para mim. Eu acredito que aqueles que menosprezam os idosos são pessoas que ainda não entenderam a nossa missão e precisam amadurecer”, disse. Embora esteja enfrentando problemas de saúde, Yeda dedicase às aulas. “Eu me sinto viva na universidade e posso colaborar com meus colegas. Tenho problemas de saúde por conta da idade, mas isso não faz de mim uma inválida como a sociedade prega. As minhas experiências são úteis, sim”, enfatiza. Os exemplos de Adelaide e de Yeda representam o cenário moderno do ensino superior. A entrada na universidade não se restringe mais apenas aos adolescentes e jovens. A determinação das alunas ensina que não há idade nem dificuldades que impeçam o sonho do tão almejado diploma.


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Envelhecimento saudável: pesquisa busca melhoria de espaços utilizados por idosos da Universidade da Terceira Idade

A

Géssica dos Anjos

s pessoas estão vivendo cada vez mais. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que, atualmente, existem cerca de 21 milhões de pessoas com idade igual ou superior a 60 anos, o que representa, aproximadamente, 11% do total da população brasileira. A estimativa para 2025 é que o Brasil tenha aproximadamente 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais de idade, tornando-se o sexto país do mundo com mais idosos. Pensando nesse grupo crescente, entende-se que o idoso precisa desfrutar um envelhecimento saudável, que seja respeitada sua autonomia e capacidade de aprender coisas novas. Nesse contexto, surge a Universidade da Terceira Idade, projeto extensionista que busca contribuir para a promoção da saúde física, mental e social das pessoas idosas, por meio de atividades interdisciplinares que promovem a participação social e a promoção da saúde. A Universidade da Terceira Idade (Uniti), no Maranhão, é coordenada pela Universidade Estadual e pela Universidade Federal, em parceria com a Secretaria de Gestão e Previdência do Estado (Segep). A instituição existe há 21 anos e, durante suas atividades, já formou 64 turmas. O projeto é sempre fonte de estudo de diversas áreas do conhecimento. O mais recente trabalho desenvolvido com os idosos diz respeito ao projeto de pesquisa “Mediação do design do processo de aprendizagem na terceira idade”, coordenado pelo professor Bruno Serviliano, com participação de alunos e outros professores do curso de Design. O trabalho ainda está em andamento, mas já rendeu publicações de artigos em anais de congressos da área, a exemplo do artigo “O design no processo de aprendizagem na terceira idade: um mapeamento preliminar de problemas ergonô-

micos no ambiente de ensino. Um estudo de caso na Universidade da Terceira Idade/ UNITI-UFMA”. A pesquisadora Andréa Katiane Ferreira Costa apresentou parte do trabalho no Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design (P&D), ocorrido em outubro de 2016, na cidade de Belo Horizonte e mostrou aos participantes do evento a avaliação dos aspectos estruturais, dos componentes físicos do ambiente e das questões técnicas que envolvem o conforto e a iluminação desses espaços. Para esse trabalho, especificamente, foi feita uma análise do ambiente físico onde são realizadas atividades da Uniti, a fim de perceber se esses espaços são acessíveis para os idosos e se contribuem para o seu envelhecimento saudável e seguro. Para a análise, foi utilizado o método da Intervenção Ergonomizadora, realizando a apreciação ergonômica desses espaços para identificar os aspectos que podem ser melhorados e garantir um processo de aprendizagem mais eficiente. “O projeto de pesquisa analisa vários aspectos que compõem a Universidade da Terceira Idade, como o material didático utilizado, os aspectos gráficos, as inter-relações construídas com os colegas de turma e com o próprio espaço onde se encontram, entre outros. Para esse trabalho, em específico, foi feita uma análise do ambiente físico onde são realizadas atividades da Uniti, na intenção de perceber se esses espaços são acessíveis para os idosos, ao ponto de contribuírem para o envelhecimento saudável desses indivíduos”, explica a pesquisadora. A apreciação ergonômica foi feita em salas e espaços do CEB Velho, onde fica a sede da Uniti e são realizadas as aulas teóricas de turismo, lazer, memória, gerontologia; no Herbário, em que ocorrem as aulas de Fitoterapia; e no Núcleo de Esportes, onde são

realizadas atividades físicas como yoga, aula de ritmo e pilates. O design e a acessibilidade A inserção do profissional de Design em ambientes de ensino pode contribuir não só no que diz respeito aos aspectos físicos e estruturais desses espaços, mas também, quanto aos artefatos gráficos, materiais didáticos, nas relações comportamentais e de caráter afetivo que os idosos estabelecem entre si e com os espaços que utilizam. “Questões de iluminação, ventilação, mobilidade devem sempre ser levadas em consideração, pois nossa proposta é melhorar os ambientes para os idosos. Na Uniti, eles são muito bem-recebidos, cria-se um vínculo forte com as pessoas, porém os

signer se destaca para otimizar esses locais e evitar o risco de acidentes, fadiga e desmotivação. “Precisamos mostrar a importância de criar espaços adequados para as pessoas que os utilizam. Um idoso, por exemplo, que se depara com uma limitação física de algum espaço, pode deixar de frequentar o local e abandonar as atividades de convivência com outros idosos porque se sente constrangido em expor sua limitação”, ressalta a docente. A pesquisa apresenta sugestões para melhorar aspectos ergonômicos dos espaços utilizados pelos idosos dentro da Universidade, sabendo da importância que a Uniti representa para a ressocialização dos idosos. O projeto sugere aperfeiçoar esses

espaços físicos nem sempre são adequados por falta de um olhar mais técnico para diminuir riscos ou resolver problemas específicos que muitas vezes passam despercebidos”, frisou Andréa Costa. Muitas vezes, como completa a professora, questões de caráter financeiro ou estrutural impedem a execução de algumas melhorias. Nesse momento, o de-

ambientes, por meio de adaptações para atender melhor ao seu público e, consequentemente, melhorar a qualidade de vida e o convívio em grupo. “O designer lança diferentes olhares sobre o layout e conforto do espaço, reduzindo as limitações e criando um ambiente bem mais acolhedor e receptivo”, finalizou a pesquisadora.


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Professor do Departamento de Sociologia e Antropologia fala sobre racismo e segregação social Para Carlos Benedito, do Departamento de Sociologia e Antropologia, a ideologia da mestiçagem fragmenta as identidades e dificulta a consciência dos negros sobre o tipo do racismo brasileiro

O Ítalo Lima

racismo é um sistema que afirma a superioridade de um grupo racial sobre os outros, preconizando, particularmente, a separação dentro de um país (segregação racial) ou mesmo visando ao extermínio de uma minoria. No Brasil, essa segregação social não aconteceu. Sua presença é negada, velada, apesar de existir socialmente e de forma permanente em nossas vidas. Este ano a Universidade Federal do Maranhão recebeu, pela primeira vez, o 5º Congresso Nacional da União de Negros Pela Igualdade (Unegro), com o tema “Negras e Negros nos Espaços de Poder e em Defesa da vida”. Um dos participantes foi o professor doutor Carlos Benedito Rodrigues da Silva, do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros da Universidade Federal do Maranhão, que falou um pouco sobre o tema.

De que forma o racismo se manifesta no Brasil? É uma questão histórica, mas construída especialmente após a abolição, quando os negros são emancipados, mas classificados como raça inferior. O racismo se fortalece no Brasil com os ideais da mestiçagem e da discriminação racial, que, ao mesmo tempo, servem para acobertar as práticas de exclusão, contribuindo para a hegemonia do grupo branco da população brasileira. O que fazer para combater o racismo? Primeiro, reconhecer a sua existência. Além disso, é preciso reconhecer que o racismo é um entrave para o desenvolvimento do país, na medida em que exclui uma grande parcela da população do processo produtivo, social, e econômico brasileiro. Como o senhor avalia o empoderamento socioeconômico do negro? Ainda é incipiente. Seria

uma via importante se fôssemos um país com consciência racial suficiente para construirmos laços de solidariedade entre os negros de uma forma geral. Nos EUA, essa consciência possibilitou, entre outras coisas, o fortalecimento das lutas pelos direitos civis, contra a segregação racial, porque os negros investiram em outros negros que tinham uma pequena casa de comércio, barbearia, etc. Isso forjou uma classe média negra com poder aquisitivo para investir em universidades, associações de bairros, campanhas políticas. Não temos essas atitudes porque a ideologia da mestiçagem fragmenta as identidades e a consciência dos negros sobre a tipologia do racismo brasileiro. Como o senhor avalia a presença do jovem negro nas universidades? É importante, mas é preciso que esses jovens que estão chegando tenham consciência de que se trata de uma conquista política de muita gente que lutou para que isso acontecesse.

Carlos Benedito Rodrigues da Silva é professor do Departamento de Sociologia e Antropologia da Universidade Federal do Maranhão-UFMA e docente do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais

Então não basta estar lá de forma isolada. Certamente é uma conquista importante também do ponto de vista pessoal, mas é preciso estarmos conscientes de que, isoladamente, o racismo nos torna invisíveis socialmente. Precisamos nos constituir como referências positivas para outros jovens, nos qualificar intelectualmente para interferirmos de forma qualificada nos sistemas econômico e político do país. Como o senhor avalia o esforço da UFMA para se tornar uma universidade cada vez mais abrangente quanto a questões raciais? O que temos são iniciativas de alguns profissionais e estudantes da instituição. Sem dúvida tivemos apoio importante de setores da administração, para a implantação das cotas raciais e para a criação da Licenciatura em Estudos Africanos. Mas ainda não temos uma política de ação afirmativa que assegure a permanência dos estudantes cotistas em condições adequadas para sua formação.

Como têm sido as lutas pelos direitos das comunidades quilombolas? Uma luta desigual, marcada pela resistência dos quilombolas e pela perversidade das elites brancas, que não reconhecem os direitos dos quilombolas descendentes de africanos escravizados. E sobre a luta das Mulheres negras? As mulheres negras têm demonstrado uma grande capacidade de articulação e consciência política, Além de fortalecimento da autoestima. Estão evidenciando questões importantes em relação aos seus direitos, do ponto de vista profissional, da sexualidade, da estética. Historicamente, as mulheres negras protagonizaram movimentos importantes nas lutas contra o escravismo e o racismo no Brasil. Essa experiência está sendo revitalizada com a presença de ativistas históricas e de uma juventude que se soma a esses processos de luta.

É preciso reconhecer que o racismo é um entrave para o desenvolvimento do país, na medida em que exclui uma grande parcela da população do processo produtivo, social, e econômico brasileiro


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Retratos da imigração japonesa no Maranhão Pesquisa analisa as condições de vida dos japoneses que chegaram para trabalhar no estado após a Segunda Guerra Mundial

Henrique Coutinho

A

bordo do navio America Maru, 109 imigrantes de 19 famílias japonesas vindos da cidade de Kobe desembarcam em terras maranhenses, em 10 de julho de 1960. Posteriormente, outro grupo de 51 pessoas chegou ao estado em 4 de janeiro de 1961, no Argentina Maru, instalando-se na zona rural da capital. Assim foi o início da imigração japonesa no Maranhão. Buscando conhecer esse cenário, o estudante Siqueira Júnior, do curso de Letras Libras da Universidade Federal do Maranhão, tem concentrado suas pesquisas acadêmicas nessa temática. O interesse pelo assunto surgiu desde sua primeira graduação, Geografia Bacharelado. Na ocasião, o discente construiu seu trabalho monográfico utilizando a imigração japonesa como objeto de pesquisa. Mais recentemente, durante o XXVI Encontro Nacional de Professores Universitários de Língua, Literatura e Cultura Japonesa e XI Congresso Internacional de Estudos

Japoneses no Brasil, ocorrido em setembro de 2016, Siqueira Júnior apresentou o artigo “Desenraizamento, Cultura e Identidade: Análise Psicossocial dos Imigrantes Japoneses no Maranhão”. Nesse trabalho, o estudante discorre sobre as condições de vida dos imigrantes japoneses, levando em consideração o que lhes foi prometido para recomeçar as suas vidas e as suas condições psicológicas. De acordo com Siqueira Júnior, alguns casos de suicídio na população de imigrante japoneses na época foram ocasionados pelos problemas enfrentados com os terrenos para agricultura, prometidos pelo governo de 60. As terras, que deveriam ser de boa qualidade, eram imprestáveis para o cultivo, impossibilitando a produção de boas safras. “Os nipônicos pensavam que eram culpados, sobretudo por não ter conhecimento da baixa fertilidade do solo. Esse cenário afetou o psicológico dos imigrantes, somado à pouca oferta de água, moradias de péssima qualidade e


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o desafio de sustentar a família em um local com cultura diferente da sua”, contou o estudante. Vida melhor - De maneira geral, a pesquisa aborda as consequências da imigração para os japoneses que vivem no Maranhão, analisando desde as motivações do processo imigratório até o inevitável choque cultural diante da realidade da sociedade maranhense. De acordo com os estudos de Siqueira Júnior, os japoneses vieram para o Maranhão em busca de uma vida melhor, uma vez que o Japão foi arrasado pela Segunda Guerra Mundial, e o governo japonês na época não tinha como sustentar e alimentar toda a sua população. Desse modo, a solução foi estimular a emigração para outros países. O Brasil se mostrou um lugar ideal para receber as famílias nipônicas, uma vez que havia a necessidade de mão de obra em várias atividades. Especificamente no Maranhão, a necessidade foi para implantar o cinturão verde no estado, o que significaria aumentar a produção de hortifrutigranjeiros. Os japoneses possuíam excelentes técnicas agrícolas e foram, então, escolhidos para desenvolver a atividade. Língua – Em sua última pesquisa, o estudante também priorizou aspectos relacionados à língua falada pelos imigrantes. “Agora, como discente do curso de Letras/Libras, tenho a oportunidade de entender como é a estrutura de uma

língua, a semântica que existe por trás de uma linguagem e o que pode ser aplicado em qualquer outro idioma. Isso contribui para o estudo, uma vez que entender a língua japonesa ajuda a dar continuidade aos trabalhos”, disse. Para construir esse último trabalho, o estudante optou por utilizar a entrevista como metodologia. “Normalmente, faço uso da história oral; ouvir diretamente os relatos dos descendentes que vivem no estado é uma oportunidade ímpar de obter informações. Além, é claro, de utilizar alguns materiais que sobraram da minha monografia no curso de Geografia e do meu livro, fazendo algumas adaptações”, disse Siqueira Júnior. O estudante defende que desenvolver essa pesquisa é importante na medida em que isso faz parte da história do Maranhão. Para Siqueira, saber que determinadas famílias japonesas saíram de sua terra natal para trabalhar no Maranhão é uma coisa que deve ser preservada, no que se refere ao histórico dessas experiências. “É comum se estudar ou saber sobre os imigrantes em São Paulo ou mesmo na região Amazônica. Mas no Maranhão isso ainda não foi muito explorado, o que provoca curiosidade. Muitos pesquisadores e professores universitários do Brasil e do mundo costumam fazer contato, indagando sobre esse processo imigratório”, declarou.


Heriverto Nunes/Museu Afro-Digital

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Museu resgata a cultura afro-maranhense em um espaço virtual e inovador O objetivo é permitir o acesso à memória cultural de grupos étnicos minoritários e marginalizados, além de estimular a pesquisa étnico-racial

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Letícia Mendonça

teúdos de cada seção são disponibilizados em áudio, audiovisual, fotografias e documentos. A seção das exposições possui importantes trabalhos de pesquisadores brasileiros e estrangeiros, e, entre os conteúdos, estão as exposições dos fotógrafos franceses Marcel Gautherot e Pierre Verger. Marcel veio ao Brasil atraído pela literatura de Jorge Amado na época da Segunda Guerra e, durante sua passagem pelo país, o fotógrafo se interessou pela cultura popular. Ele, inclusive, passou diversas vezes pelo Maranhão, onde fotografou diversas festas populares como o tambor de crioula, bumba-meu-boi e a festa do divino. A coleção de Pierre Verger, disponível no Museu Afrodigital, possui 36 imagens do Maranhão registradas no ano de 1948. As fotografias são inéditas e retratam a vida cotidiana do Maranhão daquela época. Na coleção Quilombos, documentos e fotografias contam histórias das aldeias e dos quilombolas. A pesquisadora Gabriela Barros, mestra em Biodiversidade e Conservação pela UFMA, esteve envolvida em um trabalho de dois anos sobre a conservação da paisagem e da biodiversidade nos quilombos do município de Bacabal. Durante suas pesquisas, Gabriela teve contato com 55 famílias dos quilombos de São Sebastião dos Pretos e de Catucá. Um dos resultados mais significativos do seu trabalho foi o livro de bolso “A conservação da biodiversidade e da paisagem em território quilombola na região de Bacabal”, que a pesquisadora cedeu ao museu digital. A coleção quilombos possui ainda outras importantes pesquisas e imagens que retratam a vida dos quilombolas e a importância deles para a cultura maranhense. O museu possui ainda coleções de religião e cultura popular que também reúnem um grande número de pesquisas, trabalhos audiovisuais e fotografias de grande valor cultural. Além do acervo digital, um novo projeto está sendo criado para levar a cultura afro-maranhense para escolas públicas de ensino médio, em que o coordenador Ferretti também destacou que será fruto uma parceria entre o Museu Afrodigital e os diretores e professores de escola do ensino médio. “Vamos trabalhar com cerca de dez escolas levando os materiais até elas e entraremos em contato com diretores e professores dessas instituições”. Sérgio e Mundicarmo Ferretti/Museu Afro-Digital

uando se pensa em um museu, logo vem à cabeça a imagem de um espaço físico onde se expõe um acervo que faz parte da história de um povo, com o objetivo de conservá-la ao longo do tempo. O Museu Afrodigital tem a mesma proposta, mas com o diferencial de não ser localizado em um espaço físico, mas na internet, onde qualquer pessoa pode ter acesso a todo o conteúdo disponível. O museu tem como principal objetivo democratizar o acesso a documentos, fotografias, audiovisuais e trabalhos para perpetuar a memória de grupos étnicos minoritários e marginalizados, além de estimular a pesquisa étnico-racial e cultural desses grupos e desenvolver, com base em novas plataformas de comunicação, um ambiente de acesso livre de disseminação dessas pesquisas. O projeto surgiu em 2012 e teve como idealizador o professor Lívio Sansone, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), que, ao reunir materiais e divulgar na internet, decidiu entrar em contato com outras universidades e criar um museu digital. O museu é, então, um trabalho conjunto entre a Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Universidade Estadual do Rio de janeiro (UERJ), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e a Universidade Federal da Bahia, sendo que esta iniciou os trabalhos. Com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), o projeto pode se desenvolver e ser estendido para outras instituições, além da possibilidade de obtenção de materiais para o acervo, segundo Sérgio Ferretti, professor e coordenador do museu Afrodigital no Maranhão. “O museu possui um grande número de pesquisas feitas por nós e por outros historiadores e antropólogos, além de imagens de fotógrafos famosos, como Mário de Andrade e outros, que foram cedidas ao museu ou adquiridas com o apoio dos recursos da Fapema”, declarou. O site do museu tem seu acervo dividido em seções sobre a cultura popular, quilombos, religiões, exposições fotográficas e notícias, e é nesta que última são divulgados eventos sobre a cultura afro-maranhense, além de informações sobre os trabalhos do museu. Os con-


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Projetos do curso de Educação Física de Pinheiro aliam saúde e cidadania Objetivos são a prevenção e a preservação da saúde dos alunos e da comunidade

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Rildo Corrêa

expectativa média de vida vem crescendo de forma acelerada em escala global, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). O relatório anual com dados sobre o monitoramento da saúde no mundo, divulgado em maio pela entidade, aponta que entre os anos 2000 e 2015, a média de vida no planeta aumentou cinco anos, situando-se em 71,4 anos, maior crescimento desde a década de 1960. Além do controle de doen-

dicionamento físico e/ou para aumentar a qualidade de vida, é comum a realização de atividades físicas em diferentes horários do dia, que variam de acordo com a rotina de cada praticante. E é justamente a relação do movimento humano e sua interação com o meio que o Grupo de Estudo em Fisiologia do Exercício (GEFE) busca analisar. Sob a coordenação dos professores Herikson Costa, Carlos Dias e Thiago Mendes (atualmente afastado para doutorado),

O objetivo do grupo é pesquisar principalmente idosos e expandir os estudos para crianças

ças e de outros fatores, a prática regular de atividades físicas é um dos aspectos que podem não só ajudar a aumentar esse indicador como também melhorar a qualidade de vida da população. Desta forma, o Curso de Licenciatura em Educação Física da UFMA – Campus Pinheiro vem contribuindo, por meio de projetos de pesquisa e extensão, para a formação do sujeito crítico, autônomo e consciente da necessidade de se ter um estilo de vida saudável, a fim de promover a saúde e atividade física. Nesse cenário, projetos como o Grupo de Estudo em Fisiologia do Exercício (GEFE) e o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Atividade Física (NEPAF) aliam dimensões físicas e socioculturais, tendo em vista a promoção, a prevenção e a preservação da saúde de alunos e da comunidade em geral. Grupo de Estudo em Fisiologia do Exercício (GEFE) Seja para melhorar o con-

o grupo iniciou suas primeiras pesquisas em Pinheiro, investigando o efeito do estresse térmico sobre o corpo em diferentes momentos do dia. Segundo o professor Herikson Costa, o grupo trabalha com pessoas de várias faixas etárias e diferentes características. “Nós investigamos as respostas hemodinâmicas sobre a frequência cardíaca, pressão arterial em grupos que praticam exercícios nos turnos matutino e noturno, pois sabemos que a nossa região, principalmente Pinheiro, apresenta um ambiente bastante desafiador para a prática de exercícios, por ter umidade e temperatura muito altas”, disse. Para a estudante de Educação Física Flávia Pereira, o projeto possibilita vislumbrar uma formação baseada na busca por novas descobertas. “A partir desse projeto posso almejar algo mais, tendo em vista que o mercado de trabalho está exigindo cada vez mais dos profissionais, não so-

mente conhecimentos teóricos, mas também a realização de uma prática que busca a produção de novas ideias, novos conhecimentos. Por meio dele, envolvemos a comunidade em geral, de forma que conheçam nossas pesquisas e participem delas tendo boas práticas, de acordo com as informações repassadas por nós, alunos/ pesquisadores”, relatou. A expectativa do GEFE é que em breve o projeto possa investigar patologias em idosos e estudantes da rede básica. “O objetivo do grupo não é só estudar jovens e adultos saudáveis, queremos estudar principalmente os idosos, pois nesse público existe, em geral, uma gama de doenças que são silenciosas e que podem se agravar com a prática de exercícios feitos pela autoprescrição. Também queremos expandir nosso estudo para as crianças, pois os índices de obesidade, hipertensão e diabetes estão cada vez mais altos nessa faixa, e é comum que elas pratiquem exercícios e outras atividades práticas na escola sem o profissional ter ciência do problema”, declarou o professor Herickson. Núcleo de Estudos e Pesquisas em Atividade Física – NEPAF Liderado pela professora Marcela Rodrigues de Castro, doutora em Ciências da Motricidade (UNESP), o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Atividade Física – NEPAF visa identificar o impacto da atividade física em aspectos morfológicos, funcionais, psicossociais e comportamentais dos praticantes em diversas áreas de atuação do profissional de Educação Física. De acordo com a professora Marcela, o grupo também tem como intuito fomentar a nucleação de outros grupos de pesquisa. “Queremos divulgar no interior, pesquisas que na maioria das vezes só são desenvolvidas em grandes centros”, afirmou. Para isso, o NEPAF conta com professores pesquisadores tanto da UFMA, quanto de outros estados, como da Universi-

dade Estadual Paulista (UNESP), da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR), além de mestrandos do Programa de PósGraduação em Educação Física da Cidade Universitária Dom Delgado e de discentes da graduação. A professora Marcela destacou a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. “É importante a iniciação científica do aluno, principalmente nesses primeiros semestres da graduação, uma vez que sabemos que a universidade é formada pelo tripé: ensino, pesquisa e extensão. Então o objetivo do grupo de estudo é possibilitar que o aluno experimente esses três eixos”. Já a estudante Nildilene Rodrigues, do 4º período de Educação Física, integrante do grupo há mais de um ano, afirma que o NEPAF vem contribuindo para seu desenvolvimento pessoal, acadêmico e profissional. As pesquisas realizadas pelo Nepaf se desenvolvem a partir de reuniões de estudo para aperfeiçoamento da prática de ensino; coleta de dados para pesquisa; orientações de trabalhos científicos; organização de eventos, assessorias às escolas e demais instituições e intervenções sociais com a comunidade, por meio das ações extensionistas. Projeto Atualmente, o grupo realiza a análise de dados parciais do projeto de pesquisa intitulado “Diagnóstico da promoção e prática da atividade física em Pinheiro”, que, de acordo com a professora Marcela, tem como objetivo traçar um panorama da promoção da atividade física relacionada à saúde na cidade. Os primeiros dados coletados na pesquisa foram apresentados no Seminário de Iniciação Científica (SEMIC), realizado em novembro em São Luís. A pesquisa completa será apresentada em 2017.


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Maior associação atlética de medicina do nordeste oferece esporte, cultura e lazer aos estudantes

Entidade foi criada com o intuito de incentivar a prática desportiva, promover a saúde e a integração entre os discentes

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Amanda Carvalho

e posso afirmar, com toda certeza, que uma das melhores experiências de todo o meu curso de medicina foi fazer parte da AAAMUFMA”, destacou o estudante Jorge Vieira, atual presidente da associação. Jorge cursa o oitavo período de medicina e há quatro anos faz parte da Matraca. De acordo com os organizadores, o incentivo à prática esportiva visa, além de promover a saúde, proporcionar lazer aos estudantes em meio à cansativa rotina de estudos. Os treinos ocorrem de modo regular, em horários fora da grade curricular da graduação, de maneira que não atrapalhe o andamento do curso. As modalidades oferecidas pela AAAMUFMA são vôlei, natação, futsal, basquete e handebol nos esportes coletivos, e peteca, sinuca e pôquer nos esportes individuais, com distinção de gêneros em todos os esportes. “Sempre fui envolvido com esportes e competições. Ao ingressar na universidade, a ideia de vestir a camisa e torcer/competir representando o meu curso e a UFMA me chamou a atenção”, declarou o estudante do 3º período de Medicina na UFMA e há um ano e meio na Atlética, Rodrigo Matheus. Integração - os eventos realizados pela AAAMUFMA buscam a integração dos acadêmicos do curso, tanto internamente quanto externamente, ao permitir que os estudantes estabeleçam relacionamento com pessoas das

mais diferentes áreas. “Na nossa profissão, precisamos saber a melhor forma de lidar com pessoas; então, além de todo o conhecimento técnico e científico, precisamos de um bom relacionamento interpessoal, ponto que é trabalhado durante as atividades das atléticas”, ressaltou o estudante Rodrigo. Alguns dos eventos esportivos realizados pela Matraca são o Intramed (competição entre as turmas do curso), InterAtléticas (competição realizada com outras atléticas da UFMA), além da participação dos Intermeds Norte e Nordeste (competição entre os cursos de Medicina de várias instituições públicas e particulares). Já os eventos culturais incluem o “Batizado” (festa de boas vindas aos calouros), o “Matraca Sunset” (festa de encerramento do Intramed), a “Marcha Rumo às Clínicas” (festa que celebra o encerramento do ciclo básico e o início do ciclo clínico para ingressantes do 4º período) e “Calourada Amnésia” (festa organizada para todo o público universitário). No que diz respeito ao compromisso da AAAMUFMA com a sociedade, são organizadas diversas atividades relacionadas à sua área de atuação, entre elas o ciclo de palestras sobre o câncer de mama e de colo de útero, realizado na Associação do Pessoal da Caixa Econômica Federal em parceria com a LAONC (Liga de Oncologia da UFMA).

om o intuito de incentivar a prática esportiva e cultural no ambiente acadêmico, propiciando momentos de lazer e descontração aos alunos do curso de medicina da Universidade Federal do Maranhão, foi criada, em 2012, a Associação Atlética Acadêmica de Medicina da UFMA (AAAMUFMA), mais conhecida como Atlética Matraca, primeira entidade oficial do Nordeste nessa área, propagando a cultura maranhense pelo país. As atividades da AAAMUFMA são guiadas por um estatuto próprio, que destaca o fomento e a difusão das práticas esportivas e musicais, a realização de eventos culturais, recreativos e a promoção de atividades educacionais e ações sociais na área da saúde. Apesar de ter encontrado grande resistência por parte da comunidade acadêmica no princípio, a Atlética Matraca logo mostrou a seriedade e a importância do seu trabalho, conquistando cerca de 150 associados entre graduados e alunos do Câmpus Dom Delgado. A associação já realizou grandes eventos em sua área de atuação, o que a tornou conhecida como uma das maiores atléticas das regiões Norte e Nordeste, além de ser uma das mais respeitadas do Brasil. “Fazer parte da Matraca é uma experiência trabalhosa, mas muito gratificante, que eu recomendo para quem tiver oportunidade de participar. Vou me formar daqui a dois anos

O Mascote escolhido pela Atlética Matr nhecido por sua resistência no meio em O caranguejo usa um gorro nas cores v referência ao fato de São Luís ser cham

Um dos ensaios da bateria matraca


Jul/Ago - 2016 :: Cidade Universitária | 15 Edição Especial

Bateria Matraca - Outra atividade importante da Atlética é a sua bateria. A Bateria Matraca possui cerca de trinta participantes, que tocam os mais variados ritmos, do axé ao funk, passando pelo maracatu, reggae, bois de zabumba e matraca, samba e tambor de crioula. As aulas são ministradas pelo mestre Ricardo desde o início. Tem como objetivo animar a torcida e motivar os jogadores nas competições esportivas, além de competir na disputa de baterias. Recentemente, a Bateria Matraca participou de eventos institucionais da universidade como a recepção dos calouros e o I festival universitário da canção.

raca é o caranguejo “chama-maré”, com que vive e um exemplo da fauna local. vermelho, verde e amarelo, que fazem mada de capital brasileira do reggae.

“Apresentar a cultura do Maranhão aos mais diversos estados do Brasil é o que me motiva a participar da Bateria, pois esta carrega consigo ritmos tipicamente maranhenses, como o Bumba Meu Boi (de matraca - instrumento que dá nome à Atlética e à Bateria - e zabumba) e o tambor de crioula.” Declarou Camila Rodrigues, 20 anos, estudante do 4º período de medicina e há seis meses na Matraca. “A busca pelo título de campeã da Disputa de Baterias do Intermed também impulsiona os ritmistas a fazerem um trabalho cada vez mais aprimorado, já que essa conquista é o sonho de todas as charangas que

Basquete feminino

participam da competição” completou a estudante. A Atlética proporciona ainda descontos a seus sócios por meio de diversas parcerias com instituições dos ramos da alimentação, vestuário, estética, serviços domésticos, entre outros, buscando parcerias que acreditam ser de utilidade para o dia-a-dia dos associados. Para associar-se à Atlética Matraca, é preciso ser estudante ou egresso do Curso de Medicina da Universidade Federal do Maranhão, pagar uma taxa anual de R$ 130,00 (para o custeio das atividades da atlética) e valorizar a cultura local, contribuindo para sua disseminação pelo país.

Futsal masculino

EM SEUS 4 ANOS DE EXISTÊNCIA, A AAAMUFMA JÁ POSSUI UMA GALERIA DE TROFÉUS: I Intermed Norte 1º lugar no HANDEBOL (Masculino) 1º lugar no PÔQUER (Feminino) 2º lugar no BASQUETE (Masculino) 2º lugar no PÔQUER (Masculino) 3º lugar no TÊNIS DE MESA (Masculino) 3º lugar da DISPUTA DE BATERIAS II Intermed Norte 1º lugar no FUTSAL (Masculino)

1º lugar no PÔQUER (Masculino) 1º lugar no NADO PEITO (Feminino) 3º lugar no HANDEBOL (Masculino) 3º lugar na SINUCA (Masculino) III Intermed Norte 1º lugar no BASQUETE (Feminino) 1º lugar no HANDEBOL (Masculino) 1º lugar no FUTSAL (Masculino) 2º lugar no BASQUETE (Masculino) 2º lugar no VÔLEI (Masculino)

2º lugar no FUTSAL (Feminino) 2º lugar no PÔQUER (Feminino) 2º lugar geral na NATAÇÃO (Feminino) - 3 pratas e 2 bronzes 2º lugar na SINUCA (Masculino) 2º lugar na PETECA (Masculino) 2º lugar na PETECA (Feminino) 3º lugar no VÔLEI (Feminino) 3º lugar na SINUCA (Feminino) 3º lugar da DISPUTA DE BATERIAS 1º LUGAR GERAL


16 | Edição Especial - 2016 :: Cidade Universitária

A fé como instrument

Grupos de oração desenvolvem ações religiosas

Daniel Santos

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lém de locais de produção e difusão do saber, as universidades sempre foram espaços de integração social e cultural. Por isso são constantes as manifestações de diversidade, seja ela racial, de gênero ou religiosa. Essa necessidade de expressão se alia a um dos princípios que regem a comunidade acadêmica: a socialização. Tema da redação do Enem de 2016, a intolerância religiosa é um dos assuntos que permeiam a sociedade e se estendem também às discussões no espaço universitário, dentro e fora dos grupos de orações. Na UFMA, existem grupos religiosos, de cunho católico e evangélico que buscam essa socialização da comunidade acadêmica mediante encontros semanais para rodas de orações. Além de exercitarem os ritos religiosos, debaterem situações cotidianas, promoverem discussões sobre questões sociais e buscarem meios de ajudar comunidades carentes, os grupos de orações têm em comum o respeito pelo próximo e a harmonia para o bom convívio entre diferentes frentes religiosas dentro da UFMA. Hoje os grupos de orações são representados pelo Movimento Universitário de Evangelismo (Mude), Aliança Bíblica Universitária (ABU), Ministério de Universidades Renovadas (MUR) e o Movi-

mento Cristão Estudantil (Mover). As reuniões dos grupos se dividem entre os diversos centros acadêmicos da Cidade Universitária, praça do prédio Castelão, e até mesmo na Faculdade de Medicina da UFMA, no antigo prédio do ILA, localizado próximo à Praça Gonçalves Dias. Mude - Um desses grupos, o Mude, criado em 2008, que também está presente na Universidade Ceuma e na Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), reúne-se às terças-feiras, às 11h30, no auditório da Área de Vivência da Cidade Universitária; e às quintas, às 12h30, na praça do prédio Castelão ou no Centro de Ciências Sociais (CCSo). Além de realizar rodas de oração, também organiza o evento AdoraUFMA. O Projeto Adora é uma das formas de evangelismo abordado pelo Mude e é realizado uma vez por mês pelas universidades filiadas, com programação em formato artístico-religioso, englobando apresentações musicais, teatro, danças e artes plásticas. O evento é realizado na área de vivência, próximo ao Restaurante Universitário. ABU - Presente em outros países e ligado à Fraternidade Internacional de Estudantes Evangélicos, o ABU está em São Luís há 46 anos e, na UFMA, há aproximadamente 30 anos, segundo os participantes. Os integrantes se reúnem em frente ao Auditório Central,

nas quartas-feiras, às 13h, focando em estudos bíblicos. Baseados em um método chamado EBI - Estudo Bíblico Indutivo - um texto bíblico é escolhido, juntamente com outros textos opcionais, podendo ser tirinhas, poesias, músicas, entre outros, constituindo debate, no segundo momento. “Nós respondemos juntos as perguntas. Todos têm liberdade para responder e dar outras opiniões. Não existe um pregador, é mais como uma conversa”, contou Steffi de Castro, participante do ABU. Fora da universidade, o ABU atua ajudando as igrejas que os apoiam e iniciativas como o Projeto Casa, que oferta, gratuitamente, nos bairros do São Francisco, Ilhinha, Cidade Operária e Jaracati, atividades recreativas e reforço escolar, para preencher o tempo ocioso de crianças carentes. MUR - Foi criado em 1994 na cidade de Viçosa, em Minas Gerais, a partir de um encontro aberto de carnaval que ocorre todos os anos na Universidade Federal de Viçosa (UFV). O Ministério Universidades Renovadas (MUR) realiza encontros no Centro de Ciências Exatas e Tecnológicas (CCET) e na Faculdade de Medicina, às segundas-feiras, às 13h; no Centro de Ciências Humanas (CCH), nas quartas, às 13h;

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Edição Especial - 2016 :: Cidade Universitária | 17

to de integração social

s dentro do espaço acadêmico da universidade e no CCSo, nas quintas, às 17h. O Ministério Universidades Renovadas promoveu uma campanha em nível nacional nas redes sociais chamada “Curtidas Não Salvam Vidas, Atitudes Sim!” para estimular a doação de sangue e de medula óssea. Em São Luís, o grupo esteve envolvido em ações como o “1º de Maio”,

A religião deve ser da com liberdade los alunos, sempre incentivando o debate sobre as ferentes formas de pensamento

evento organizado pelo Grupo de Profissionais do Reino (GPR), com o apoio do MUR, em que profissionais de diversas áreas, que já foram participantes ou não do MUR, oferecem seus serviços gratuitamente à comunidade. MOVER - Com oito anos de atividade, é o maior em número de encontros semanais, realizando reuniões todos os dias da semana sempre às 12h30, na Cidade Universitária: segundas-feiras no CCH; terças e sextas no Centro Pedagógico Paulo Freire, quartas no

prédio de Farmácia, e nas quintasfeiras no CCET. Um dos eventos já realizados pelo grupo foi o “Mortos Vivos”, que leva as pessoas a desenvolverem pensamentos críticos com a transmissão dos princípios bíblicos assimilados como estilo de vida atual, por meio de manifestações artísticas, como peças teatrais e apresentações de bandas musicais. O Mover ainda promove um evento de aproximação com outros grupos religiosos, em que se faz um momento de oração pelas escolas e universidades do Brasil. O meio acadêmico está sempre analisando formas de engajamento na sociedade, produzindo formas de desenvolvimento social e cultural. Os grupos religiosos vão na mesma linha e são engajados em ações com essas características. Na opinião do professor emérito da Universidade Federal do Maranhão, Sérgio Figueiredo Ferretti, coordenador do Grupo de Pesquisa Religião e Cultura Popular (GPMINA) da UFMA, o convívio harmônico desses grupos de orações é fundamental para a prática religiosa dentro e fora da universidade. “Tendo em mente que a universidade é um espaço público, a religião deve ser usada com liberdade pelos alunos, sempre incentivando o debate sobre as diferentes formas de pensamento, lembrando-se dos cuidados para

a manutenção do caráter laico da universidade”, afirma. Harmonia - Apesar de parecer conflitante, e existirem pensamentos contrários a manifestações de fé dentro da universidade, os grupos convivem em harmonia. Segundo os participantes, os grupos de oração, acima de tudo, promovem a integração de alunos dos mais diferentes cursos e estão sempre abertos a conversas e debates críticos, fomentando assim o pensamento comunitário, cada vez mais escasso em tempos de internet. A convivência interpessoal tem sido substituída pelas relações online e momentos como esses são uma alternativa a esse distanciamento das relações humanas. Herlandio Silva, representante do MUR, contou que os Grupos de Oração Universitária (GOUs) se reúnem semanalmente na UFMA: “Às vezes, também nos encontramos em outros lugares onde participamos de formações, nos encontros promovidos pela Renovação Carismática Católica, movimento da Igreja Católica ao qual pertencemos. Outras vezes nos reunimos em algum lugar público para estarmos juntos com os integrantes dos outros GOUs da nossa arquidiocese, como amigos, irmãos e irmãs em Cristo, partilhando das nossas experiências, dificuldades, alegrias, e para nos divertirmos juntos”.

Um exemplo do bom convívio entre os grupos de oração foi o momento de louvor e oração no hall da Asa Norte do Centro Pedagógico Paulo Freire, em memória do estudante Kelvin Rodrigues Ribeiro. Questionada sobre como vê a intolerância religiosa, a estudante Steffi de Castro diz que as tensões entre diferentes religiões ou até mesmo entre diferentes vertentes de uma mesma visão (católicos e protestantes, por exemplo) sempre existiram e sempre existirão, tendo em vista que o mais importante é o respeito. “Em nossas reuniões, sempre costumamos lembrar que conceitos como o de Estado Laico e a liberdade religiosa foram defendidos por grandes líderes protestantes. Somos gratos e respeitamos isso, por isso nos colocamos no lugar de defender esses direitos. Mesmo discordando de algumas coisas em termos de crença, acreditamos que todos devem ter a liberdade de expor suas opiniões”, opinou. Herlandio Silva diz que vê a intolerância religiosa como um “atraso” para a sociedade. “Já temos tantos problemas sociais e, devido à falta de consciência, respeito e, principalmente, amor de pessoas que agem dessa forma, o que poderia nos unir ou, pelo menos, estreitar os laços entre as pessoas, pode acabar por afastá -las ainda mais”, completou.


18 | Edição Especial - 2016 :: Cidade Universitária

UFMA 50 anos: uma história de luta, glór

Servidores e ex-alunos que testemunharam a transformação da UFMA em cinco décadas relembram

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Luciano Santos

uando foi transferido para o Maranhão em 1952 e assumiu a Arquidiocese de São Luís, Dom José de Medeiros Delgado, diplomado em Filosofia e Teologia por seminários da Igreja Católica, ensejou, por 14 anos, a criação de uma universidade que reunisse a Faculdade de Direito, a Escola de Enfermagem, a Faculdade de Filosofia e a Faculdade de Farmácia e Odontologia. Em outubro de 1955, em nome da Arquidiocese de São Luís, o arcebispo cedeu o Palácio Cristo Rei como espaço de aulas da Faculdade de Filosofia, e, em 1957, criou a Faculdade de Ciências Médicas do Maranhão, um marco na saúde do estado. A Universidade Federal do Maranhão, com que Dom Delgado tanto sonhou, foi instituída em 21 de outubro de 1966, e o nome do arcebispo foi eternizado 50 anos depois como alcunha da Cidade Universitária, termo esse que o próprio arcebispo criou em meados da década de 60, quando já visualizava, em sua imaginação, o grande tamanho que a UFMA viria a atingir, como uma verdadeira cidade. Em 2016, quando a Universidade Federal do Maranhão partilha com sua comunidade acadêmica toda sua estrutura e tecnologia oferecidas em ensino, pesquisa e extensão por nove câmpus, cursos a distância, por interiorização, internacionalização e pós-graduação, celebra também seu Jubileu de Ouro com grande programação, que teve seu ápice no mês de outubro. Logo no início do mês, entre os dias 4 a 9, as vozes de jovens e adultos de duas dezenas de corais ecoaram na 36ª edição do Festival Maranhense de Coros, um dos mais antigos eventos do canto nacional e da América Latina. As apresentações, gratuitas e abertas ao público, foram realizadas no Teatro Arthur Azevedo e nas Igrejas de São João e Nossa

Senhora do Rosário dos Pretos, com homenagens prestadas a personalidades que contribuíram para o festival e o canto coral no Maranhão. Na mesma semana, outro grande momento da programação do cinquentenário da UFMA foi a obliteração do Selo dos 50 anos, promovida pela Universidade, o Ministério das Telecomunicações e Correios, uma homenagem pelos serviços prestados pela instituição em todo esse tempo. O selo, que destaca personalidades de âmbito nacional e internacional, ou registra fatos e datas importantes, foi utilizado pelos Correios durante um mês para estampar todas as correspondências e objetos emitidos, difundindo a imagem da Universidade pelo Brasil e mundo afora. A reitora Nair Portela, que obliterou o selo diante dos presentes, enfatizou a importância da emissão temática dos Correios. “Já tínhamos, no primeiro momento, feito o lançamento do selo comemorativo aos cinquenta anos na universidade, e então realizamos a obliteração. É um reconhecimento à nossa instituição como entidade de grande potencial para a sociedade.” No dia 18 do mesmo mês, a Assembleia Legislativa do Estado do Maranhão promoveu uma sessão solene para também celebrar os 50 anos da instituição e suas diversas contribuições na formação de personalidades que hoje ocupam cargos importantes em várias esferas públicas do estado e que passaram pela universidade como estudantes. Na ocasião, deputados e representantes dos governos municipal e estadual expressaram sua gratidão à universidade, a exemplo dos deputados estaduais Marco Aurélio (PC do B) e Bira do Pindaré (PSB). “É um sentimento de justiça que devemos ter com a universidade, que é imprescindível para o fortale-

cimento do estado. Se tirarmos a UFMA da história nos últimos 50 anos, chegamos à conclusão que não teríamos o Maranhão que temos hoje”, enfatizou. No dia seguinte, 19, a UFMA, tão reconhecida por órgãos do estado e pela sua própria comunidade acadêmica pelo seu trabalho e cinquentenário, prestou sua própria homenagem aos construtores dessa história, na cerimônia de concessão da distinção honorífica Palmas Universitárias. A solenidade, realizada no auditório do Centro Pedagógico Paulo Freire, um dos prédios recentes mais imponentes da história da instituição, marcou a entrega de placas e medalhas a 52 professores e 35 instituições parceiras. Na véspera da festa da Universidade Federal do Maranhão, no dia 20 de outubro, o público presente no Teatro Arthur Azevedo se encantou, mais uma vez, com a música produzida pela instituição, na Noite de Gala. A UFMA, por meio de seus estudantes, prestou tributo a Mozart, Vivaldi e outros grandes nomes da história da música. O evento mostrou a destreza dos alunos, músicos e professores da universidade, do Coral, da Camerata UFMA, da Big Extension Band, do Coral Antônio Rayol, que apresentou a “Missa Defunctorum”, composi-

ção musical maranhense mais antiga de que se tem conhecimento, composta há mais de 200 anos. Jubileu de Ouro Após oferecer toda a programação cheia de emoção, atividades culturais e serviços prestados à comunidade acadêmica e à população ludovicense, foi a vez da própria universidade “assoprar as velinhas”, quando completou seus 50 anos na Noite do Jubileu de Ouro. A celebração ocorreu no Centro de Convenções da Cidade Universitária Dom Delgado, palco da emocionante entrega da Medalha Sousândrade do Mérito Universitário a 35 personalidades, entre servidores ativos e aposentados, ex-reitores, ex-vice-reitores, profissionais e entidades destacadas do Maranhão. Um dos homenageados foi o governador do Maranhão, Flávio Dino, que é também professor do Departamento de Direito da UFMA, algo que ele faz questão de ressaltar. “Fico muito honrado em fazer parte dessa história vitoriosa enquanto professor da instituição. É muito importante termos espaços de cultivo da reflexão científica, do pensamento crítico e filosófico, e a Universidade abrange tudo isso. Portanto este aniversário deve alegrar a todos os maranhenses”, frisou. A reitora, Nair Portela, dis-


Edição Especial - 2016 :: Cidade Universitária | 19

ria e reconhecimento

m momentos marcantes da história da Instituição

cursou sobre a origem das universidades no mundo e no Brasil, até contar sobre a fundação da UFMA. A reitora enfatizou a expansão da UFMA pelo continente e a sua consolidação como a mais importante instituição de ensino

superior, pesquisa e extensão do estado. “Temos muitas conquistas, a Universidade cresceu não só em áreas físicas, como em indicadores. Isso é fruto de um trabalho muito grande de todos os envolvidos: docentes, técnicos e alunos.”

PROGRAMAÇÃO ESTENDIDA A comunidade acadêmica e diversos departamentos da UFMA abraçaram o cinquentenário da instituição, realizando seus diversos eventos durante o ano de 2016 também em homenagem à UFMA. Alguns dos constados na programação oficial dos 50 anos da universidade foram: • A Feira do Servidor; • A Corrida HU-UFMA; • A homenagem pelo cinquentenário realizada pela Câmara Municipal; • O primeiro aniversário da TV UFMA; • A Caminhada da Saúde; • A Feira do Trabalhador; • A Celebração Ecumênica; • Programações culturais do DAC; • Show de 30 anos da Rádio Universidade FM 106,9; • Lançamento do Projeto UFMA Saudável; • IX Jornada Científica e o I Encontro de ex-residentes do HU-UFMA; • Feira das Profissões.

Hospital Universitário comemora Jubileu de Prata

Uma instituição que também tem muito que comemorar é o Hospital Universitário da UFMA (HU-UFMA), que celebrou, junto a personagens que marcaram sua história, seus 25 anos de existência. A solenidade de Jubileu de Prata, realizada no Auditório Central, foi marcada pelo lançamento do selo comemorativo aos 25 anos do Hospital e homenagens aos membros da comissão que instituiu a criação do HU-UFMA, aos ex-diretores, ex-coordenadores de residência médica e ex-coordenadores de residência em Enfermagem. Para a superintendente do HU-UFMA, Joyce Santos Lages, a contribuição e todo o esforço feito por seus antecessores foi fundamental para que a instituição atingisse a grandeza de agora. “O HU é uma referência para o Maranhão e todo o Brasil, não só do ponto de vista de assistência e de ensino, como também de gestão. Graças a um trabalho coletivo de todos os seus técnicos e professores, colocando nesse entorno os alunos que lá são formados e os usuários do Sistema Único de Saúde que também são assistidos pelo hospital”, destacou. O ex-reitor da UFMA e exdiretor do HU-UFMA, Natalino Salgado, que também coordenou a comissão que instituiu a criação do hospital, disse que se sente honrado por fazer parte daqueles que lutaram e construíram a história dessa instituição de saúde. “É gratificante reconhecer o esforço de todos que, direta ou indiretamente, contribuíram para a fortificação e o avanço desta instituição de boa referência, não só

na área de saúde, como também na formação de recursos humanos para o Estado”. A reitora Nair Portela ressaltou que o HU-UFMA é incansável na implantação de serviços essenciais que atendam às necessidades da população, com serviços especializados de média e alta complexidade nas diferentes áreas, além de ser campo de prática de estágio para a UFMA. “Comemorar 25 anos é algo que se reveste, em primeiro lugar, de um sentimento formal e institucional de dever essencialmente cumprido e missão verdadeiramente alcançada”. História O então Hospital Presidente Dutra, inaugurado em 28 de julho de 1961, e o Hospital Materno Infantil, criado em 5 de agosto de 1984, só viriam a se tornar unidades da Universidade Federal do Maranhão em 17 de janeiro de 1991, compondo, dessa forma, o HU-UFMA. Hoje, o hospital soma aproximadamente 1 milhão e 300 mil atendimentos ambulatoriais, entre exames e consultas. Cerca de 1.200 acadêmicos nas diversas áreas buscam, anualmente, aperfeiçoamento de seus conhecimentos no hospital. Em média, por ano, 1.400 residentes ampliam seus conhecimentos na instituição. O HU-UFMA conta com 573 leitos, entre os quais, 77 são de UTI Neonatal, Adulta e Pediátrica, além de ter 16 salas de cirurgia e dez unidades ambulatoriais. Os serviços são prestados gratuitamente à sociedade brasileira por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).


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ILHA DO MARANHÃO: HISTÓRIA E DINÂMICA ATUAL

Livro aborda características geográficas, históricas e os atuais problemas ambientais da região

A

Rildo Correa

Ilha do Maranhão é constituída por quatro municípios que formam a Região Metropolitana da Grande São Luís (RMGSL). Situada no centro do Golfão Maranhense, a área de 2076,4 km² é delimitada ao norte e a oeste pela baía de São Marcos; ao sul e a leste pela baía de São José; e a sudoeste pelo Estreito dos Mosquitos. Colonizada por portugueses, a Ilha do Maranhão, que também já abrigou franceses, holandeses, é cheia de histórias, lendas e fé. Essa devoção, como se sabe, deu nome a um de seus municípios: São José de Ribamar. Um verdadeiro encontro de culturas, de costumes e de belezas naturais podem ser vistos nos casarões portugueses da velha São Luís, na tradição do pomposo Bumba-boi da Maioba e no horizonte quase infinito da praia da Raposa. Toda essa diversidade cultural, juntamente com a história do desenvolvimento dessa região, caracterizada pelo crescimento desordenado do espaço urbano e pela consequente degradação ambiental, estão presentes no livro “Geografia da Ilha do Maranhão”, organizado pelos professores Marcelino Silva Farias Filho e Márcio José Celeri, ambos do Departamento de Geociência da Universidade Federal do Maranhão. Lançado em setembro, o livro reúne trabalhos realizados desde 2009, por alunos e professores vinculados ao Grupo de Estudos e Pesquisa em Edafologia e Pedologia (GEPEPE), e por alunos de pós-graduação. Segundo o coordenador do grupo, professor Marcelino Farias, a publicação é a segunda de uma coletânea intitulada “O espaço geográfico maranhense”, que pretende apresentar aos leitores uma análise das carac-

terísticas sociais e ambientais dos mais diversos rincões do Estado. “No primeiro livro, ‘O espaço geográfico da baixada maranhense’, abordamos aspectos do espaço natural e do espaço geográfico transformado pela ação do homem, com atenção aos processos de degradação ambiental. Já no segundo volume, foram reunidos trabalhos de alunos e professores sobre os municípios da Ilha do Maranhão, dispostos em 23 capítulos escritos por mais de 50 autores”, contou o professor. Logo no início, é apresentada a base natural do território, com discussão sobre a geologia, geomorfologia, os atributos do solo e o clima da Ilha do Maranhão, definindo duas estações climáticas anuais e distintas para todo o norte do Estado: uma estação chuvosa (janeiro a julho) e uma estação seca ou de estiagem (agosto a dezembro), e não as tipologias inverno e verão, como classificação mais adequada à realidade climática da ilha. Em seguida, o livro aborda o histórico de ocupação do espaço até a dinâmica dos dias atuais e os principais problemas ambientais dos municípios da Ilha, relacionados diretamente ao crescimento da população e à urbanização realizada sem adequado planejamento. “Para analisar o espaço geográfico, não basta uma abordagem isolada en-

tre elementos sociais ou ambientais de cada município, mas um estudo integrado. Por isso o livro é bem amplo, pois o espaço geográfico é composto por aspectos naturais e humanos. Então, podemos abordar qualquer atividade que tenha relação com a dinâmica do espaço. Dessa forma, fizemos análises sobre trânsito, transporte, criminalidade, economia, educação, problemas ambientais, dinâmica da agricultura, da pecuária e do solo. O livro foi bastante aberto para contemplar temáticas diversas”, afirmou o professor Marcelino. Um dos autores do último capítulo do livro, o estudante de geografia Augusto Campos, explicou que o livro faz uma conexão entre as atividades humanas que acontecem na ilha e os seus reflexos no meio ambiente. “Com base na pesquisa bibliográfica e na observação de algumas áreas, nós abordamos os problemas das bacias hidrográficas, da contaminação da água, dos solos, deficiências em infraestrutura urbana e problemáticas ambientais associadas”, disse. Crescimento desordenado x Problemas ambientais O processo de industrialização em São Luís, iniciado na década de 1970, colaborou para a ocupação irregular de áreas da cidade, devido à migração de massas das zonas rurais e até de outras áreas urbanas em busca de melhores condições de vida. O crescimento da atividade econômica na ilha, no decorrer dos anos, e o surgimento de novos es-

paços urbanizados com fins residenciais, comerciais e industriais sem fiscalização adequada, tem contribuído para o surgimento e agravamento dos problemas ambientais na ilha. O uso, a compactação e a ocupação irregular do solo, o assoreamento dos rios, a retirada da cobertura vegetal, a perda da fauna e da flora, a construção de barragens, como é o caso da Bacia do Rio Bacanga, e o despejo de afluentes domésticos e ou industriais a céu aberto, são apontados pela publicação como os principais problemas ambientais da região. Segundo o estudante Augusto Campos, apesar de existirem leis federais, estaduais e municipais que preveem a proteção de áreas ambientais, há ocupação indiscriminada de áreas de preservação permanente como os manguezais. “A legislação, na maioria das vezes, é boa e muito bem-elaborada, mas não é seguida corretamente. Não tem fiscalização eficiente”, declarou. Em São José de Ribamar, por exemplo, em áreas de preservação permanente, como praias e dunas, coexistem casas simples em meio a bares e restaurantes populares e edificações de alto padrão. No município de Paço do Lumiar e em Raposa, as faixas litorâneas são ocupadas principalmente por pescadores e marisqueiras. Ainda de acordo com Augusto Campos, as áreas de manguezal, protegidas por lei federal, continuam sendo prejudicadas pelo processo de ocupação irregular.

Jornal Cidade Universitária Ano VIII - EDIÇÃO ESPECIAL-16  
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