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Cultura

pág. 12

Um grande desafio aos poetas locais Mesmo com as facilidades tecnológicas, jovens escritores juiz-foranos enfrentam obstáculos para a promoção de sua poesia além dos limites da cidade.

Política

Foto: Paula Duarte

pág. 5

Vários setores se unem em greve Servidores da saúde, educação e segurança unificaram suas queixas ao Governo de Minas em busca de mais benefícios e melhores salários.

Jornal de Estudo

Jornal Laboratório da Faculdade de Comunicação da UFJF | Juiz de Fora, Agosto de 2011 | Ano 46 | Nº 215

Especial

pág. 6 e 7

Aliar projetos ambientais ao bem-estar da população é o grande desafio Prefeitura retoma obras para contrução da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) União Indústria e ampliação do processo de despoluição do Rio Paraibuna. No entanto, ainda é preciso enfrentar os problemas sociais gerados

pela ETE de Barbosa Lage. Moradores do bairro reclamam do mau cheiro no local e afirmam que a poluição do ar tem causado transtornos respiratórios, queda na movimentação do comércio e desvalorização dos imóveis. Foto: Angélica Simeão

Saúde

pág. 9

Suplementos podem causar transtornos à saúde A fim de melhorar o desempenho físico, jovens utilizam substâncias químicas sem orientação médica. Os princiais riscos são problemas renais, cardíacos e aumento da gordura corporal.

Cidade

pág. 4

Banda larga móvel enfrenta problemas em Juiz de Fora

Nesse ano mais de cem reclamações já foram feitas ao Procon. Usuários se queixam da velocidade e da falta de disponibilidade do serviço oferecido.

Pesquisa

Catadores tem um papel importante no processo de reciclagem, mas não são valorizados pelas autoridades e tampouco reconhecidos socialmente.

Comportamento pág. 11

Moda local recria estilos para o público juiz-forano

Foto: Divulgação

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Equipamento criado pela UFJF será produzido comercialmente Acordo inédito tem o objetivo de estabelecer parceria para desenvolvimento de pesquisas e tecnologia de detecção de fraudes em leite.

Campus pág. 3

Mudanças no processo seletivo da UFJF para 2013 Empresários locais buscam adaptar tendências lançadas em desfiles internacionais para se diferenciar no mercado. Mesmo distante dos grandes centros, a cidade conta com número

expressivo de indústrias dedicadas a esse segmento. Ao todo são 980 empresas filiadas ao Sindivest, unidas pelo objetivo de fortalecer o setor têxtil com produtos de qualidade e preços competitivos.

Discussões sobre modalidades de ingresso buscam resolver insegurança provocada pelo Enem. Cursinhos reclamam de procedimento da UFJF enquanto estudantes demonstram insatisfação.


2 Opinião

Jornal de Estudo

Agosto de 2011

Editorial

A “Nova” Juiz de Fora

P

Charge: Diego Casanovas

or mais que se questione o slogan da atual administração, as ações da “Nova Juiz de Fora” levam à reflexão sobre o futuro do município. A frase soa um tanto exagerada, tendo em vista que a cidade não se transformou tanto como a propaganda da Prefeitura sugere. No entanto, as prioridades elaboradas pelo Executivo, valorizando certos problemas em detrimento de outros tantos, apontam para o que se transformará Juiz de Fora em pouco tempo, com alguns problemas resolvidos, e outros tantos agravados, devido ao descaso atual. Entre várias questões que poderiam ser pensadas, uma que é vista com preocupação é a preservação do meio ambiente. O assunto parece ser incômodo para os políticos, que talvez tenham chegado à conclusão de que solucionar problemas ambientais dá menor visibilidade do que refazer o asfaltamento das ruas da cidade. Em busca dessa visibilidade, as obras são feitas em horários de pico, para a população inteira perceber que a Prefeitura está investindo, de alguma forma. Seja lá qual o motivo, o fato é que a “Nova Juiz de Fora” não inclui, até o momento, programas de cunho ecológico. A única notícia apresentada com empolgação pelo prefeito, em plena comemoração dos 161 anos da cidade, foi a liberação da verba para a construção de uma nova estação de tratamento de esgoto. No entanto, o projeto faz parte de uma “velha” Juiz de Fora - foi iniciado em 2006 e paralisado pela Polícia Federal, após suspeita de irregularidade. A falta de ação da Prefeitura, porém, tem despertado uma série de ações exemplares na busca pela resolução das carências na estrutura da cidade. Hoje, 83 organizações não-governamentais (ONGs) procuram suprir as necessidades dos cidadãos. As áreas de atuação são várias, como educação ou profissionalização, relação de gênero/mulher, assistência social, assistência à criança e ao adolescente e, claro, aquelas preocupadas com o meio ambiente, como a AMA-JF. O aumento do trabalho voluntário é uma demonstração da insatisfação da população com o desempenho dos políticos locais, além de apresentar uma capacidade de reação positiva. Mas será que ações isoladas sem envolvimento do poder público são suficientes para termos, realmente, uma Nova Juiz de Fora?

Artigo

Meio ambiente: Muito já foi feito, mas ainda há muito a realizar Edmo Olavo Gustavo Araújo

J

uiz de Fora tem problemas muito delicados a serem resolvidos na questão ambiental. Há poucos anos, por exemplo, havia o plano de construir um condomínio fechado na Mata do Krambeck. A medida foi amplamente combatida pela população, através de passeatas e abaixo-assinados. E, graças à mobilização popular, o condomínio não foi construído. O lixo em Juiz de Fora não é devidamente tratado, mas já foi muito pior. A trajetória do lixo, como pode ser percebido na reportagem especial desta edição, é tortuosa. Passa pelo desrespeito às leis ambientais, que têm origem nas más administrações (que se mantêm há décadas no poder), que atrofiam sua capacidade por meio de decisões equivocadas. Atualmente, nossa cidade (e consequentemente nós mesmos) paga pelas nos-

sas escolhas na hora de ir às urnas e pelos nossos maus costumes. Antes de cobrar das instituições, devemos avaliar se a nossa conduta individual é favorável ao meio ambiente. A história da cidade com relação à coleta seletiva feita com regularidade é recente. E conseguir que a questão do lixo, assim como outras questões governamentais, sejam executadas com qualidade, depende, acima de tudo, da mobilização popular, que começa com a atitude individual. As melhorias em relação aos cuidados com o meio ambiente irão se firmar apenas se ocorrer uma integração entre as empresas responsáveis pelas coletas, Prefeitura, população e ambientalistas. O trabalho necessita de várias medidas que não funcionam isoladamente; procedimentos eficazes e planejados são fundamentais para que Juiz de Fora alcance resultados positivos na questão da preservação ambiental. As atitudes equivocadas de boa parte

da população ajuda a agravar tais problemas, o simples ato de jogar um pedaço de papel em um rio já ocasiona um impacto ambiental significativo. É preciso educar a população e mostrar que pequenos erros podem gerar problemas muito maiores, pois são as atitudes de cada indivíduo que vão fazer toda a diferença em um futuro bem próximo. Os investimentos em reciclagem são ferramentas que podem dar muito certo, uma vez que esse trabalho filtraria boa parte do lixo coletado. Isso iria ajudar a diminuir a grande quantidade de lixo depositado nos aterros sanitários. As autoridades devem trabalhar de maneira ativa para que projetos favoráveis ao meio ambiente sejam concretizados e bem executados. Portanto, o que falta para Juiz de Fora é o comprometimento de todos. Identificar o problema e criar medidas para resolvê-lo é uma ação que deve ser tomada imediatamente, pois as agressões ao meio ambiente são constantes e totalmente destrutivas.

O retorno do saudoso bolachão Andréia Oliveira Carlos Alexandre

A

lgumas tecnologias morrem com o tempo, como as máquinas de escrever, câmeras analógicas e os disquetes. Outras continuam vivas, mesmo com o surgimento de alternativas melhores, mais fáceis, baratas, eficientes e compactas. Atualmente, a nova geração musical é representada pelo o mp3. Porém, ainda é possível encontrar pessoas que não perderam o encanto pelo antigo vinil, também conhecido como “bolachão”. Embora considerados como raridades, há quem não dispense uma vitrola, um bom LP, e

até colecionam exemplares dessa antiga mídia. Quem curte, afirma que o velho “disco” não perde em nada para as mídias modernas. Pelo contrário, existem pessoas que dizem que o vinil tem mais qualidade de som, melhor reprodução musical, e desperta mais fascínio que os modernos CDs. A indústria fonográfica já ganhou muito dinheiro ao substituir os remotos “bolachões” pelos discos compactos digitais. Mas, ironicamente, o tiro acabou saindo pela culatra, porque um formato digital e altamente reprodutível e gravável como o CD criou condições perfeitas para a pirataria na internet. Na era do vinil essa realidade era bem diferente: os LPs

não sofreram com o problema da cópia. O retorno do vinil, muitas vezes, está no valor sentimental e nostálgico que as pessoas atribuem ao que é bom, ou foi bom e não querem que seja esquecido. Dentro dessa nova tendência e de olho no público predisposto a consumir, alguns artistas como as cantoras Pitty, Fernanda Takai e a banda Iron Maiden, atualmente, estão recorrendo à tecnologia do passado. Mas, mais do que dar resposta a este saudosismo do público, a volta do vinil vem dando um possível fôlego e representando uma luz no fim do túnel para a cada vez menos lucrativa indústria fonográfica.

Expediente Jornal Laboratório da Faculdade de Comunicação Social da Universidade Federal de Juiz de Fora Produzido pelos alunos de Técnica de Produção em Jornalismo Impresso Reitor: Prof. Dr. Henrique Duque de Miranda Chaves Filho Vice-Reitor: Prof. Dr. José Luiz Rezende Pereira Diretora da Faculdade de Comunicação: Profª. Drª. Marise Pimentel Mendes Vice-Diretor da Faculdade de Comunicação: Prof. Dr. Paulo Roberto Figueira Leal Coordenador da Faculdade de Comunicação diurno: Profª. Ms. Letícia Barbosa Torres Americano Coordenadora da Faculdade de Comunicação noturno: Profª. Ms. Eduardo Sérgio Leão de Souza

Chefe do Dept. de Jornalismo: Profº. Drº. Boanerges Balbino Lopes Filho Professores orientadores: Prof. Dr. Wedencley Alves, Profª. Ms. Janaina Nunes, Profª. Ms. Simone Martins Estágio docência: Flávia Lopes Projeto Gráfico: Karolina Vargas e Poliana Cabral Monitoria: Felipe Zschaber Reportagem e Diagramação: Amanda Antunes, Ana Luiza Maia, Bruna Pfeiffer, Camila Guedes,Guilherme Landim, José Renato Lima, Laís Mesquita, Lorena Goretti, Mariana Brandão, Paula

Duarte, Rafael Melo, Rafael Simão, Rayan Siqueira, Thauan Monteiro, Andréia Oliveira, Carlos Alexandre, Diego Casanovas, Edmo Olavo, Fred Castro, Gustavo Araújo, Janaina Morais, Luiza Sansão, Mariana Melo, Naira Gabry, Rafael Rezende, Renato Itaboray, Tainá Costa e Victor Henriques

Tiragem: 1.000 exemplares Endereço: Campus Universitário de Martelos, s/n – Bairro Martelos 36036-900 Telefones: (32) 2102-3601 / 2102-3602


Campus 3

Jornal de Estudo

Agosto de 2011

UFJF pretende estabilizar modelo de seleção

Conselho de Graduação vem debatendo modalidades de processo seletivo a serem adotadas em 2013 Foto: Thauan Monteiro

José Renato Lima Rayan Siqueira Thauan Monteiro

S

er ou não ser, eis a questão. A indecisão de Hamlet bem que poderia ser transferida da peça para o dia a dia do vestibulando brasileiro. Se não bastasse a dúvida de ter que escolher uma profissão para o resto da vida, nos últimos anos, o estudante teve sua aflição acrescida por problemas no Enem e, no caso específico da UFJF, por um número grande de modalidades de ingresso (vestibular, Pism, cotas e Enem). A UFJF realiza entre os meses de junho e outubro uma série de debates com a comunidade sobre o processo de ingresso para 2013. Segundo o pró-reitor de Graduação, Eduardo Magrone, o debate servirá para esclarecer e chegar a um consenso sobre o melhor método de avaliação. “Nosso objetivo é estabilizar o modelo de ingresso para que o aluno possa se preparar melhor. Em razão das muitas modalidades de entrada, o estudante não sabe onde apostar suas fichas. Estabilizando o tipo de ingresso, ele poderá se preocupar só em estudar”, afirmou. Para o diretor de educação

Os estudantes Filemon Garcia e Ramón Brandão preferem o modelo tradicional de ingresso universitário

do curso Cave, Nelson Ragazzi, o processo vigente apresenta sérios inconvenientes. “O atual processo não é ruim, o problema é que o Enem acontece muito cedo, e assim fica difícil de preparar o aluno. O ideal é que o Enem deixasse de ser no meio do ano e passasse para o final. Mas sem dúvida a indecisão de qual modelo é o pior de tudo, pois gera a insegurança do aluno”, declarou. Ragazzi também reclamou da data marcada para a discussão da Universidade com os cursinhos e escolas e do método de discussão adotado. “O debate será apenas no final de outubro. Nós já tivemos experiências ante-

riores de discussões, e nelas não houve debate, e sim um comunicado. Espero que dessa vez possamos debater o assunto”, disse o diretor. Dificuldades de escolha O candidato ao curso de medicina, para as vagas reservadas a alunos de escola pública, Ramón Brandão, 19 anos, admitiu a preocupação em relação ao modelo a ser adotado. “Espero que a UFJF não faça como Viçosa, que não adote o SiSU. O sistema é horrível, eu posso ir parar lá na Amazônia e não tenho condições de estudar fora. Penso que o melhor é o vestibular convencional”, de-

sabafou. Já o concorrente e colega de quarto de Ramón, Filemon Garcia, 18, faz críticas ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). “A prova avalia todo mundo por baixo. Além disso, os critérios de redação são duvidosos. Fica tudo muito aberto. Isso deixa a gente desconfiado. Eu penso que, ao invés de o Governo ficar gastando dinheiro com o Enem, devia melhorar a educação de base. Assim as cotas seriam desnecessárias”, bradou o jovem. O Sistema de Seleção Unificada, SiSU, é uma plataforma informatizada gerenciada pelo Ministério da Educação, por meio

da qual as universidades conveniadas selecionam seus alunos a partir da nota do Enem. O candidato se inscreve para a universidade que deseja, no curso de sua escolha, e depois as notas são comparadas. As maiores entram. Deste modo, um estudante do Sul pode passar para uma universidade no Nordeste. Além disso, este ano, os interessados tiveram muitas dificuldades de se inscrever no SiSU devido à sobrecarga do sistema. O Enem também apresentou muitos problemas nos últimos anos. Em 2009, a prova vazou antes da hora. Em 2010, passou por problemas de impressão de provas e gabaritos, além de suspeitas de vazamento do tema da redação. O Enem foi criado, durante o governo FHC, pelo ministro Paulo Bernardo, para ser um meio de avaliação da qualidade do ensino e não um processo seletivo. De lá pra cá tem se transformado em prova de ingresso. Todos esse problemas, juntamente com as recentes pérolas do MEC, como o kit gay e a cartilha orientando os professores a aceitarem erros de gramática e de concordância dos alunos, têm desgastado o ministro Fernando Haddad, que por indicação de Lula, deve ser o candidato do PT à Prefeitura de São Paulo.

Ações sociais para aquecer o inverno de Juiz de Fora

Campanhas realizadas no Critt e na Facom da UFJF arrecadam doações para instituições beneficentes da cidade Camila Guedes

C

om a chegada do inverno é hora de tirar os agasalhos do fundo do guarda-roupa para encarar o frio de Juiz de Fora. Mas a realidade não é assim para todos. A cidade possui muitos desabrigados e famílias carentes, que precisam de doações para sobreviver às madrugadas geladas da estação. Segundo dados da Universidade de Tecnologia de Queensland, Austrália, pesquisas realizadas em todo o mundo constatam que no inverno aumenta o número de mortes por doenças cardiovasculares e pulmonares. Alguns dos motivos para essa estimativa seria a falta de proteção contra o frio e o uso de roupas inadequadas para baixas temperaturas. Movidos por esta causa, a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) promove campanhas para incentivar a solidariedade da comunidade acadêmica e da população em geral. Pelo sexto ano consecutivo, o Centro Regional de Inovação e Transferência de Tecnologia (Critt) da UFJF lança a sua Campanha de Inverno. O objetivo é arrecadar agasalhos, roupas, calça-

dos, alimentos não-perecíveis e materiais de higiene pessoal e de limpeza a serem doados para instituições beneficentes da cidade. No ano passado, foram arrecadadas 3.358 peças (roupas, agasalhos, cobertores, calçados, e itens diversos de uso pessoal), 1.140 kg de alimentos e produtos de higiene e limpeza, 262 brinquedos e livros. Os itens foram doados para três locais: Fundação Maria Mãe, Grupo Casa e Grupo Semente. Este ano, as doações serão encaminhadas para

as mesmas instituições. O diretor do Critt, Luiz Carlos Tonelli, ressaltou a importância da parceria dentro do Campus. “Contando com a parceria das empresas juniores da UFJF, unidades acadêmicas e das empresas incubadas no Critt, a expectativa é superar o resultado da campanha anterior e bater o recorde de arrecadações.” Tonelli convida a comunidade de Juiz de Fora a participar da Campanha de Inverno, deixando suas doações em um dos 27

postos de coleta espalhados pela Universidade.

Comunicação e solidariedade

Paralelamente à campanha do Critt, um grupo de alunos da disciplina Comunicação Comunitária, da Faculdade de Comunicação da UFJF, realizou neste primeiro semestre a Campanha do Agasalho, com o objetivo de arrecadar agasalhos, cobertores, meias e tocas para as mais de 250 famílias atendidas pela Associação Beneficente Mão Amiga. A Foto: Divulgação/Critt

Grupo Semente recebe doações da Campanha de Inverno do Critt de 2010; foram arrecadados alimentos, agasalhos e brinquedos

cada período, os alunos realizam trabalhos voluntários com organizações beneficentes de Juiz de Fora, como o desenvolvimento de ferramentas de comunicação e a busca pela interação entre a população carente e a sociedade em geral. A estudante Gisele Rocha, integrante da turma, contou como foram os trabalhos junto à comunidade. “Nós arrecadamos presentes para as crianças na Páscoa, mantivemos o blog do Mão Amiga, que já existia, e fizemos a parceria com eles para a Campanha do Agasalho”. A ideia inicial da Campanha, como conta Gisele, “era um ‘pedágio solidário’ em prol das famílias assistidas pelo Mão Amiga. Como não são todas as pessoas que andam com agasalhos no carro para doar, decidimos então divulgar melhor essa ideia, possibilitando aos doadores que a boa ação pudesse ser realizada da sua própria casa”. Seja dentro da sala de aula ou fora dela, não há dúvidas de que ser solidário é um dever de cada cidadão. Faça você também a sua parte, sendo inverno ou verão, sempre haverá alguém esperando pela sua ajuda.


4 Cidade

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Serviço de banda larga é motivo de reclamações Internet móvel disponível em JF se torna alvo de críticas devido a baixa velocidade e cobertura restrita Foto: Divulgação

Edmo Olavo Gustavo Araújo

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chegada da tecnologia 3G causou expectativa nos internautas juiz-foranos. O novo recurso de navegação veio com a intenção de tornar os serviços mais eficientes. Internet móvel é a nova tendência em muitas cidades brasileiras, porém a desenvoltura desses serviços no município ainda apresenta obstáculos para funcionar com um aproveitamento máximo. Notebooks, tablets e celulares são alguns dos dispositivos que utilizam a internet móvel. Este avanço tecnológico proporcionou uma agilidade na troca de informações, mas muitos usuários ainda não estão satisfeitos com a qualidade da internet disponibilizada na cidade. É o caso do professor Carlos Teixeira, que diz não conseguir conectar a internet em seu aparelho celular; “eu sempre tento conectar no meu trabalho e não consigo, parece que o sinal fica fraco quando estou em determinados lugares, ele oscila muito”, afirma. Reclamações no Procon De acordo com o Procon, do início deste ano até meados de junho, 111 reclamações já

Juizforanos estão insatisfeitos com os serviços de internet móvel da cidade e procuram opções mais baratas e eficientes

foram registradas por clientes descontentes com os serviços de internet móvel, e a tendência é que esse número aumente cada vez mais se as empresas não realizarem melhorias na qualidade da cobertura local. A assesClaudia Toledo, professora “Eu utilizo a internet móvel em minha casa e não tenho porque reclamar, funciona muito bem.”

soria do Procon informou que a maior parte das reclamações são de usuários que não conseguem captar sinal nos aparelhos celulares. O estudante Roberto Chagas comprou um modem de uma operadora e até hoje não

Raíssa Delgado, comerciária “Eu já utilizei vários dos serviços disponíveis e sempre tive problemas.”

utilizou as vantagens oferecidas no plano que aderiu. “A internet do meu modem é de 1 MB, mas eu nunca cheguei a essa velocidade. Faço vários testes e nunca alcança, estou pagando por um serviço que não uso”, reclama.

Opiniões Edson Montessi, técnico de informática “Infelizmente em Juiz de Fora a internet móvel ainda é ruim.”

Os dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) revelam que há mais de 48 mil pontos de acesso à banda larga fixa em Juiz de Fora. Mas para o especialista em telecomunicações Jordan Nascimento, o serviço oferecido na cidade ainda é de baixa qualidade. Para ele, modificações podem ser feitas, mas os resultados só virão de maneira gradativa. Alguns especialistas consideram o projeto do Governo federal de beneficiar cidades mineiras com a banda larga uma das alternativas possíveis, pois, Juiz de Fora também está incluída no Plano Nacional de Banda Larga e deve receber o sistema até o fim deste ano. Este projeto visa massificar a oferta de acessos banda larga e promover o crescimento da capacidade da infraestrutura de telecomunicações do país. Uma pesquisa realizada pelo Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD), um dos mais conceituados polos de tecnologia do mundo, mostrou uma deficiência nos aparatos tecnológicos de Juiz de Fora. Na pesquisa, concluída em 2011, o município sequer entrou no ranking das cidades mais digitalizadas do país.

ONGs da cidade focam em áreas diferentes das nacionais Organizações de Juiz de Fora têm como prioridade a assistência social e o auxílio à criança e ao adolescente Edmo Olavo Gustavo Araújo

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e acordo com a última pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Organizações NãoGovernamentais (ABONG), realizada com 951 ONGs por todo o Brasil, a maior parte delas tem como áreas de atuação educação ou profissionalização (12,72% - 121 ONGs) e relação de gênero/mulher (10,93% - 104 ONGs). Tais números não correspondem às estatísticas locais. Em cadastro realizado pela Prefeitura de Juiz de Fora, de 83 ONGs da cidade, 21 delas (25,3%) atuam na área da assistência social. O número se repete na contabilização de organizações trabalhando na área de assistência à criança e ao adolescente. Segundo o cientista social René Eberle, a diferença entre as estatísticas nacional e local deriva do fato de que “as necessidades sociais variam de região para região. Isso também varia de acordo com a motivação da formação das ONGs. Em

Foto: Divulgação

Juiz de Fora, muitas delas possuem motivação de fundo religioso, o que justifica os números encontrados pela pesquisa da Prefeitura”. Motivação para o voluntariado Trabalhadora mais antiga do Instituto Bruno (ONG que trabalha no atendimento gratuito a pessoas com surdocegueira e paralisia cerebral), Sônia Marta Norberto conta que conheceu o instituto há sete anos. Ela passou a frequentar a fim de levar o filho Gunther, que é deficiente, para fazer tratamento. “Fui conhecendo o trabalho que era ali realizado e vi que eles precisavam de voluntários; então resolvi ajudá-los”, diz ela. Hoje, o Instituto Bruno possui duas unidades no Bairro Jardim Glória. “O Instituto é a minha segunda casa; aqui eu convivo com os outros funcionários, com os familiares dos assistidos e aprendo como voluntária a participar do desenvolvimento das pessoas, principalmente das crianças. Tenho prazer em ajudar todos os dias”, conta Sônia. Morador de rua há cinco

Instituto Bruno: ONG da cidade já possui duas unidades no bairro Jardim Glória

anos, João Carlos da Silva é atendido constantemente pela Sociedade Beneficente Sopa dos Pobres. “Graças a Deus, eles sempre aparecem. Ainda mais nesse frio, eles ajudam bastante”, diz ele. A Sopa dos Pobres é a mais antiga ONG de Juiz de Fora. Ela está na ativa desde 1910 e foi registrada como instituição em 1931. Ela é mantida desde o começo com ajuda da população e do empresariado local. Segundo a presidente da instituição Vanda Fonseca, “toda ajuda é muito válida para a manutenção da distribuição da sopa. Alimentos, dinheiro, rou-

pas, sapatos ou ajuda humana. Tudo vai ser aproveitado”. Definição de ONG Em um primeiro momento, pode-se conceituar a ONG, como “um grupo social sem fins lucrativos, caracterizado por ações de solidariedade no campo das políticas públicas e pelo exercício de pressões políticas em defesa de nichos excluídos das condições da cidadania”. Ou seja, segundo a definição de René Eberle, as organizações não-governamentais são iniciativas formadas por pessoas em defesa de algo público,

com ações que vão além das ações possíveis pelo Estado. De acordo com o advogado Ramiro Prata, “não há qualquer menção na Lei relacionado às ONGs. O que pensamos como ONGs são organizações do terceiro setor, tais como cooperativas ou associações. O que é regulamentado são as OSCIPS (Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público), de acordo com a Lei 9.790, de 23/03/99”. Como os conceitos são muito semelhantes, a OSCIP, como qualificação, segundo Ramiro, “é opcional, o que significa dizer que as ONGS já constituídas podem optar por obter a qualificação e as novas, podem optar por começar já se qualificando como OSCIP”. Para tal qualificação, é necessário que a organização tenha CNPJ, estatuto registrado em cartório, declaração de isenção do imposto de renda, além de ata de eleição e posse da gestão atual da instituição. A partir disso, pode-se mandar o requerimento de qualificação como OSCIP ao Ministro de Estado da Justiça.


Política 5

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Conjuntura explica aumento de greves no país Várias categorias cruzaram os braços porque a expansão da economia não vem se refletindo em melhoria salarial Paula Duarte

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o início do ano, os operários da construção civil entraram em greve no Norte do Brasil. O movimento atraiu a atenção nacional porque o setor econômico está em alta. Em junho, o vídeo da professora Amanda Gurgel atingiu mais de um milhão de exibições no Youtube. Ela critica as condições de trabalho dos educadores em audiência pública no Rio Grande do Norte. A professora ganhou espaço no “Domingão do Faustão”, terminando sua fala pedindo aplausos aos professores em greve. Semanas mais tarde, o país voltou a discutir as consequências de outra greve: 400 bombeiros que manifestavam por reajuste salarial foram presos. No dia seguinte, 1.200 pessoas protestaram contra a ação da polícia. A professora Victória Melo, representante da Central Sindical e Popular Conlutas, considera que “nos últimos anos o Brasil vive uma expansão econômica, porém a classe trabalhadora não se beneficia do aumento da riqueza, não tem aumento de salários, nem direitos”. De acordo com o cientista político Diogo Tourino, “a situação em Minas Gerais é péssima, a situação da educação é ridícula, com o piso salarial muito baixo.” Sobre a conjuntura nacional, ele apontou a diferença entre os gover-

nos de Lula e Dilma. Enquanto o primeiro se preocupou com a reposição de direitos, o atual “inevitavelmente, tem essa expansão estagnada”. Victória entende que “fenômenos como Amanda Gurgel acontecem, pois o que ela disse reflete a realidade de todo o país: baixos salários, retirada de direitos e precarização”. Por outo lado, Tourino compreende que os novos mecanismos, como a internet, potencializam a difusão de informações. Assim como a sindicalista, ele afirma que o fato de uma professora falar de problemas concretos da categoria foi responsável pela abrangência de sua audiência. Já sobre a greve dos bombeiros, a sindicalista acredita que “as reivindicações se refletem nacionalmente pela referência da categoria, além da solidariedade em resposta à truculência do governador Sérgio Cabral, o que gera aumento na conscientização”. Revindicação de diversos setores Os servidores da Saúde são a terceira categoria a entrar em greve no estado. A Polícia Civil funciona com 50% do contingente desde o dia 12 de maio, os professores estaduais cessaram as atividades no dia 8 de junho. Os três setores anunciaram a unificação dos movimentos. O delegado Marcelo Armstrong, dirigente do Sindicato

Foto: Paula Duarte

Professores e policiais civis unificaram suas revidicações e realizaram manifestação durante fórum que reunia autoridades de MG

dos Servidores da Polícia de Minas Gerais (SindPol) afirma que no “estado com a terceira arrecadação do país, os salários são um desrespeitos aos servidores”. Ele apontou o programa Choque de Gestão, do Governo de Minas, como elemento de “sucateamento da saúde, educação e segurança”. A iniciativa do Choque de Gestão começou no primeiro mandato de Aécio Neves em 2002 com o intuito de erradicar as dívidas públicas do estado. O professor Júlio Sezar Lang, explicou a reivindicação da categoria do cumprimento

do piso salarial de R$1.597,00 ao lugar dos R$1.320,00 pagos atualmente. De acordo com o membro do comando de greve, o fato de o Supremo Tribunal Federal (STF) ter julgado como ilegal o pagamento de salários abaixo do piso impulsionou o movimento dos funcionários da educação. No dia 21 de junho, aconteceu o segundo ato unificado entre polícia e funcionários da educação, em Juiz de Fora. Os manifestantes aproveitaram a reunião de autoridades e políticos no Fórum Técnico sobre Segurança nas Escolas para

protestar. Além da unidade nos atos, os sindicalistas confirmam que estarão juntos nas negociações com o Governo. De acordo com o SindPol, são esperados 25 mil trabalhadores para a assembleia unificada em Belo Horizonte. Segundo o representante da Assembleia Nacional dos Estudantes – Livre (Anel), Felipe Fonseca, “hoje a educação no país vive uma grande crise e os penalizados são os trabalhadores e os estudantes, por isso temos o compromisso de defender o direito de não se pagar pela educação”.

Mobilização política cresce entre jovens Ações que estimulam o interesse pelo assunto são essenciais para construir uma sociedade crítica e cidadã Amanda Antunes

O

rganizando passeatas, tomando as ruas com a cara pintada. Foi assim que, em agosto de 1992, estudantes expressaram sua indignação e exigiram o impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello. A luta obteve sucesso e mostrou o poder de mudança que eles tinham nas mãos. E hoje, essa militância ainda existe? Para o sociólogo Pedro Souza Jorge, sim: “Há um desinteresse pela política tradicional, partidária. Isso é decorrente da não adequação dos partidos ao comportamento dessa geração, que preza pelo dinâmico, pelo rápido. Mas os jovens têm encontrado outras formas de se manifestar, expondo suas opiniões pelas redes sociais e desenvolvendo projetos via internet”. O episódio dos caras-pintadas exemplifica bem a importância da ação juvenil no exercício da cidadania. Contudo, essa não é a única forma de participação na vida política da sociedade. É isso que aprendem os membros do Parlamento Jovem, um projeto do Governo de Minas Gerais que tem o objetivo de estimular o envolvimento de estudantes do Ensino

Médio com a agenda sociopolítica de seu município. Juiz de Fora é uma das 12 cidades mineiras que implementaram o projeto. Aqui o Parlamento Jovem teve sua primeira edição no ano passado e, segundo o sociólogo Sérgio Dutra, responsável pelo programa, já é possível enxergar resultados práticos: “É evidente a mudança no comportamento dos estudantes entre o primeiro encontro e a reunião de votação das propostas. Eles passam a se envolver com as questões da cidade”. Essa mudança também é sentida pelos participantes. Aluno do segundo ano do Ensino Médio no Colégio dos Jesuítas, Arthur Avelar, 17 anos, fala sobre sua experiência: “É importante a formação de consciência política para as pessoas não ficarem com a ideia de que democracia é apenas votar. Aqui nós aprendemos que ela também é exercida pelo fato de sabermos analisar direito, saber como funcionam o governo e a formação de leis, para poder opinar criticamente e agir”. Já para a estudante Sara Lempk Ferreira, 17, da Escola Estadual Antônio Carlos, houve uma mudança de postura: “Eu não gostava de política, nem sabia o que era. Mas aqui percebi que não é só corrupção, como muita gente

Foto: Flávia Cadinelli

Participantes do Parlamento Jovem votam proposta na Câmara Municipal

pensa”. O Parlamento Jovem ocorre em duas etapas, uma municipal e outra estadual. Na primeira, todas as cidades desenvolvem propostas acerca de um tema. O da edição de julho de 2011 é “Drogas, como prevenir”. Os encontros são feitos nos próprios colégios. Com as propostas formuladas ocorre uma assembleia na Câmara Municipal e de lá apenas seis propostas são encaminhadas para a etapa estadual, em agosto, em Belo Horizonte. Segundo Sérgio Dutra, as propostas podem seguir por dois caminhos: “Elas são encaminhadas para a Comissão de Participação Popular da Assembleia de Minas. Se o projeto se enquadrar como objeto de lei, a ação é enca-

minhada como iniciativa popular. Se ele se enquadrar como ação do poder executivo estadual, então é incluído no programa plurianual de gestão”. Formação cidadã na escola O professor de história Lenilson Araújo, do Colégio dos Jesuítas, ressalta a importância de conhecer a rotina de funcionamento de órgãos políticos, como a Câmara Municipal de Vereadores: “A maioria das pessoas não sabe quais são os procedimentos realizados para a discussão e votação de uma lei, eu mesmo só fui conhecer depois de formado. Isso é tão importante que deveria ser ensinado nas escolas”. Recentemente a preocupação com a formação

política dos estudantes brasileiros levou o governo a implementar no currículo do Ensino Médio as disciplinas Filosofia e Sociologia. “O trabalho é mais contextualizado, voltado para discussões que possam surtir efeitos práticos”, afirma Pedro Souza Jorge. Outra iniciativa que busca inserir temas políticos no cotidiano de adolescentes é realizada por integrantes do Programa de Ensino Tutorial da Faculdade de Comunicação da UFJF (PET-FACOM). O projeto Cultura Política é desenvolvido na Escola São Vicente de Paulo, no Bairro Borboleta. As atividades tiveram início em março do ano passado, com alunos do nono ano do Ensino Fundamental. Segundo o bolsista Cícero Villela, as oficinas são fundamentais para a formação cidadã dos jovens: “A maior parte da informação que recebemos, dos valores que prezamos, é adquirida pela TV, vem daquilo que chega até nós pelos meios de comunicação. E, na maioria das vezes, essa informação já vem contaminada por uma visão política, o que dificulta a formação de um consciência crítica própria. O nosso trabalho é mostrar para esses jovens que existem outras perspectivas, que o que eles pensam e fazem tem valor”.


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Jornal de Estudo

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Juiz de Fora carece de ações mais efetivas em prol do meio ambiente Juiz de Fora trata apenas 12% do esgoto, políticas ambientais ainda não são a prioridade do município e associação de catadores de materiais recicláveis necessita de investimentos Mariana Mello Renato Itaboray

A quantidade de lixo jogada em lugares irregulares aumenta a cada dia em Juiz de Fora. Só no Rio Paraibuna são coletados, semanalmente, dez toneladas de pneus, sacolas plásticas, pedaços de madeira, caixas e restos de alimento ao longo do trecho que corta a cidade. Com o objetivo de promover gradualmente a despoluição do Rio Paraibuna, a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Barbosa Lage está no centro de uma polêmica entre os moradores do bairro por provocar por causa dos efeitos da poluição do ar. O mau cheiro produzido pela emissão de gases do material tratado é apontado como responsável pela desvalorização dos imóveis, a redução do movimento no comércio e o aparecimento de doenças. De acordo com relato da vizinhança, é difícil até mesmo comer e dormir. “Estas esta-

ções tinham que ser construídas bem longe da população, ninguém consegue ter uma boa qualidade de vida, convivendo com este mau cheiro”, declara a lojista Marilene Matos, moradora no local há cinco anos. Umas das medidas apontadas pela Cesama para minimizar a dissipação do mau cheiro será o plantio de 400 mudas de árvores na frente da estação, formando uma “cortina verde”. Além disso, serão instalados novos equipamentos capazes de diminuir a emissão dos gases. No entanto, não há previsão para efetivação dessas e outras ações. O projeto Eixo Paraibuna, que prevê a construção da Estação de Tratamento União Indústria, está paralisado desde 2006, quando a Polícia Federal detectou irregularidades no processo. No entanto, com a comemoração do aniversário da cidade, no último 31 de maio, o prefeito Custódio Mattos anunciou a retomada das obras, assim que concluída a fase de licitação. Além da

construção desta ETE, será necessária ainda a implantação de um sistema de bombeamento e coletores que levarão o esgoto até a estação. Segundo a assessoria da Companhia de Saneamento Municipal (Cesama), estão sendo implantados novas tubulações de água e esgoto em vários locais da cidade, principalmente na Região Norte. O projeto em desenvolvimento consiste na ampliação da capacidade de vazão da estação de ETE Barbosa Lage. A coleta de esgoto na cida-

de atinge 98,09% da população e, de acordo com a assessoria da Cesama, só não consegue alcançar a todos devido ao grande número de loteamentos que não são registrados pela prefeitura, mas que precisam ser assistidos. “Encontrar essas moradias e implantar rede de água e esgoto é o mais importante,” ressalta a assessoria da Cesama. Para entender a importância das ETEs vale lembrar que esgoto, efluente ou resíduos líquidos provenientes de indústrias e domicílios necessi-

tam de tratamento adequado para que sejam removidas as impurezas e assim possam ser devolvidos ao meio ambiente sem causar danos à natureza e à saúde humana. Geralmente o próprio meio ambiente possui a capacidade de decompor a matéria orgânica presente na água. No entanto, este não dá conta da enorme quantidade de efluentes, exigindo um tratamento mais eficaz. Nesse caso, as ETEs basicamente reproduzem a ação natural de maneira mais rápida. Foto: Divulgação

ETE Barbosa Lage é o motivo da polêmica entre moradores do bairro e a Companhia de Saneamento Municipal

Danos ao Rio Paraibuna podem se tornar irreversíveis Rafael Rezende Tainá Costa

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esquisas da Fundação SOS Mata Atlântica, do Projeto Águas de Minas, realizado pelo Instituto Mineiro de Gestão de Águas (IGAM), e estudos de professores da UFJF revelam que os níveis de poluição no Rio Paraibuna são elevados. Os índices de material flutuante é alto, o de coliformes fecais é muito alto e, em alguns pontos, a cor também sofre alteração. De acordo com as análises, são vários parâmetros que precisam ser monitorados e melhorados. Outra importante causa de poluição são os resíduos industriais. A presença acima do tolerável de elementos como ferro, manganês, cádmio, ferro e fósforo, como apontado no último relatório divulgado pelo IGAM, apontam para a poluição provocada pela atividade industrial, principalmente nas áreas siderúrgica, metalúrgica e têxtil, além de papel/papelão, alimentícia, farmacêutica, colchão, curtume (couro) e cirúrgica. O diretor executivo da ONG AMA-JF, Theodoro Correa, afirma que é difícil estimar quanto tempo de vida útil o Paraibuna ainda tem. Mas, seguindo este processo de poluição e degradação, em dez anos pode se tornar difícil a reversão da sua qualidade.

Em 2010, a SOS Mata Atlântica realizou análises em 43 rios brasileiros. Os monitoramentos foram feitos em corpos d’água de 12 estados brasileiros das regiões Sudeste, Centro-oeste e Nordeste, mas nenhum obteve resultado positivo. Para realizar essa análise, a equipe utilizou um kit de monitoramento desenvolvido pelo Programa Rede das Águas, da própria ONG. O kit classifica a qualidade das águas em cinco níveis de pontuação: péssimo (de 14 a 20 pontos), ruim (de 21 a 26 pontos), regular (de 27 a 35 pontos), bom (de 36 a 40 pontos) e ótimo (acima de 40 pontos). De acordo com os parâmetros analisados, o índice da qualidade da água do Rio Paraibuna obteve 25 pontos, sendo considerada ruim. A AMA-JF possui uma parceria com a SOS Mata Atlântica desde 2009. No ano passado, a parceria deu origem a esse trabalho de análise das águas do Paraibuna. Em julho deste ano, mais uma vez será realizada a coleta de amostras para verificar a qualidade da água. Efetivamente, ainda são pequenas as ações tomadas para a revitalização do rio. Até agora já foram feitas duas estações de tratamento, localizados nos bairros Barreira do Triunfo e Barbosa Lage. Atualmente, a Cesama trata cerca de 12% do esgoto gerado em Juiz de Fora. O número

já mostra um avanço, tendo em vista que há dois anos apenas 1% ganhava tratamento. Ainda assim, o grande passo esperado pela população é a construção da Estação de Tratamento União Indústria. Com a sua inauguração, a previsão é de que 70% dos 700 litros de esgoto produzidos por segundo na cidade seja tratado. O projeto foi assinado em 2006, em uma parceria entre a Caixa Econômica, responsável pela liberação de mais de R$60 milhões, e a prefeitura, que investirá R$7 milhões. Porém, uma ação da Polícia Federal detectou irregularidade no processo, paralisando as obras. O processo licitatório foi reaberto e a retomada das obras anunciada. De acordo com Theodoro Correa, no comitê do Paraiba do Sul - CEIVAP existe recurso para a revitalização do Paraibuna. No entanto, a Prefeitura deve se habilitar para isto, apresentando projetos específicos. “Deve haver um esforço coletivo de sensibilização e posterior mobilização em torno do rio. Propomos uma ampla campanha de conscientização da necessidade de preservar o Paraibuna, junto com a Prefeitura e os organismos privados”, analisa.


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Um largo histórico de lutas políticas contra a poluicão ambiental Janaina Morais

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e acordo com dados da Cesama, segundafeira, um dia após a tradicional feira da Avenida Brasil - trecho recordista de retirada de descartes - é o dia mais crítico. Só nesta área são recolhidos, a cada semana, de 30 a 40 sacos de 80 litros de entulho. O destino dado ao lixo sempre foi uma preocupação para várias cidades. As dificuldades dos municípios do estado para atenderem as diretrizes da Lei Nacional de Resíduos Sólidos, que exige adequações na coleta e no tratamento do lixo, como a construção de aterros sanitários, é constantemente tema de debate nas Câmaras Municipais. Juiz de Fora também tenta se adequar às diretrizes da Lei Nacional de Resíduos Sólidos. Em 2010 a cidade ganhou seu primeiro aterro sanitário, mas até conseguir este espaço, passou por fortes embates entre políticos e ambientalistas. O ambientalista e atual presidente do Grupo Ecológico Salvaterra (GES), Wilson Acácio, durante vários anos acompanhou de perto o dilema que envolvia a questão do lixo em Juiz de Fora, próximo ao Salvaterra. “Eu costumo dizer que, na questão ambiental, Juiz de Fora tem uma ‘cabeça de burro’ enterrada. Eu nunca vi, nestes anos todos como

ambientalista, uma cidade com tanta dificuldade de respeitar as leis ambientais”. A história do lixão Salvaterra tem início em 1987, quando o município, por meio do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (Demlurb), utilizou para destinação do lixo urbano uma área localizada às margens da rodovia BR-040, denominada de Sítio Bethânia, localizada onde hoje é o Park Sul, em Matias Barbosa. Em dezembro de 1998, o proprietário do terreno fez uma interdição para finalizar o contrato e, em janeiro de 1999, todo o lixo da cidade passou a ser lançado neste local, com a proposta de se criar um aterro sanitário. De 1999 a 2004, em um processo que gerou polêmica - por ter sido considerado ilegítimo pelos ambientalistas foram obtidas todas as licenças ambientais necessárias para o referido Aterro Sanitário, cuja operação só veio a ocorrer, de fato, em maio de 2005, cinco anos depois que a área já estava sendo impactada. Líderes ambientalistas realizavam ações constantes para alertar a cidade e a Prefeitura do crime ambiental que estava acontecendo na região. Wilson Acácio lembra que o local era uma área de preservação ambiental, com mais de 20 minas, algumas delas de água mineral. “O chorume advindo do lixo contaminou todo o solo e também o córrego Salvaterra e o

Foto: Divulgação

Coleta de lixo: Separar resíduos secos e úmidos facilita o trabalho dos funcionários do Demlurb

Rio do Peixe, afluente do Rio Paraibuna, sem falar nos vários animais das fazendas locais que morreram intoxicados pela água”, reforça. Durante o processo para a obtenção das licenças, o Grupo Salvaterra participou de todas as reuniões da Câmara Municipal e até realizou audiências no próprio lixão, procurando mostrar e comprovar cientificamente o crime ambiental que estava acontecendo. Mas em um processo considerado duvidoso, pelos integrantes da GES, o lixão conseguiu as licenças ambientais necessárias para continuar funcionando. Em 2004, o grupo denunciou para a imprensa que o lixão corria riscos de desabar, e quatro dias depois o esperado aconteceu. “Não tinha drenagem de água, chorume, nada. Aquela quantidade de lixo compactada poderia explodir a

qualquer momento, então quando aconteceu, tudo desceu contaminando a reserva. Teve local onde o lixo acumulou quatro metros de altura, tudo misturado: lixo hospitalar, doméstico e industrial. Foi um desastre”, disse Wilson Acácio. O diretor de Operações da Demlurb, Fabiano Rezende, admite que o lixão no Salvaterra foi mal administrado. “O grande problema de Juiz de Fora, na época, é que não tinha local para se colocar o lixo, e a região foi escolhida no desespero. Poderia ter sido resolvido mais rápido, mas lutas políticas da administração prejudicaram o caso do lixão. Faltou entrosamento dos órgãos públicos e das organizações ambientais.” Só em abril de 2010 é que as 450 toneladas/dia de lixo da cidade começaram a ser devidamente compactadas, no Aterro

Sanitário de Dias Tavares. Fabiano disse que a realidade do lixo em Juiz de Fora só passou a melhorar quando o serviço foi terceirizado. “A prefeitura não é qualificada; esse tipo de serviço tem que cair na mão de outras pessoas. Quando uma máquina de uma empresa quebra, imediatamente é reposta, mas na prefeitura não, há processos de licitação demorados, que nem sempre conseguem o melhor equipamento”. Mesmo não sendo a favor da terceirização, Wilson Acácio afirma que o Aterro Sanitário funciona dentro da cientificidade e fica satisfeito em saber que a luta dos ambientalistas não foi em vão. “A prefeitura continua recolhendo e transportando o lixo, mas quem administra o aterro é a Vital Engenharia, que também é responsável pela recuperação da área impactada no Salvaterra.”

ca com o reitor, mas não conseguimos. As poucas leis que existem não são respeitadas”, afirma Janaina. Wilson Acácio acha que para haver mudanças significativas, o país precisa de homens públicos interessados na questão. “Apoiar a causa ambiental não é o mesmo que ir contra o

progresso, ao contrário do que muitos afirmam. Nós lutamos pelo desenvolvimento sustentável, queremos que a máquina do governo e as questões ambientais caminhem lado a lado. Só assim podemos construir uma sociedade mais justa e igualitária, que atenda o interesse de todos”.

Os três R’s devem continuar na moda

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stima-se que a vida útil do Aterro Sanitário seja de 25 anos, mas ter um espaço adequado para o depósito de resíduos não resolve por completo a questão do lixo. Há uma opinião compartilhada tanto por ambientalistas quanto por representantes da Prefeitura, de que é preciso reciclar, reduzir e reutilizar o lixo. O diretor de Operações da Demlurb acha que a reciclagem ainda é algo novo para o Brasil, e acrescenta que ainda se fazem necessárias campanhas de conscientização da população. “Juiz de Fora recicla 7% do lixo, enquanto a média do país é de 3% a 4%. Reciclar é muito difícil, nunca vi nenhuma cidade aqui no Brasil que conseguisse reciclar um grande montante, por isso é tão importante reduzir o lixo em casa.” O presidente do Grupo

Salvaterra avalia que a conscientização da população ainda é pouca. “Precisa haver uma reeducação das pessoas. A população precisa entender que para a reciclagem surtir efeito é preciso cooperar nas pequenas ações: separando o lixo de casa antes de jogar fora, utilizando sacola ecológica quando for às compras, reutilizando materiais como plástico e vidro. Isso precisa ser transformado em hábito, assim como beber água”, conclui o ambientalista. Juiz de Fora tem dois tipos de coleta seletiva: uma é feita pelo Demlurb, que entrega o material considerado reciclável nas associações de catadores de papel, e a outra é feita pelos próprios catadores. Na cidade, existe em média dois mil catadores, contando os autônomos que não estão ligados a nenhuma associação. Na Associação

dos Catadores de Papel de Juiz de Fora (ASCAJUF), são separados 13 tipos de materiais, que são selecionados, pesados e vendidos para atravessadores que vão comercializar diretamente com as empresas fora da cidade. A presidente da ASCAJUF, Janaina Aparecida Silva, reclama da falta de investimento da governamental em relação à reciclagem. “A prefeitura já apresentou algumas propostas de melhoria para a associação, mas estas propostas nunca saíram do papel. Nós sabemos que existem leis de incentivo federais e estaduais, mas não existem leis municipais. Sabemos, por exemplo, que há uma lei federal que determina que a Universidade deve doar materiais, como papeis ou papelão, para os catadores. Há um tempo tentamos articular esta tro-


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Agosto dede2011 agosto

UFJF estabelece acordo de cooperação técnica Iniciativa tem como objetivo desenvolver pesquisas e tecnologias para o mercado de leite e derivados Carlos Alexandre

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m junho, a Polícia Federal e o Ministério Público estadual deflagraram uma operação na Zona da Mata devido à ocorrência de adulteração no leite tipo C. Nas cidades de Leopoldina e Campo Belo, foram encontrados produtos com água, açúcar e cloretos, o que os torna impróprios ao consumo humano. Para evitar este e outros problemas, a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) celebrou, recentemente, um convênio de cooperação técnica com a empresa de Cataguases, Tex Tech Soluções Eletrônicas. O objetivo é atender as demandas do setor de leite e derivados por novos equipamentos que possam auxiliar no monitoramento da qualidade do que é produzido pelo setor, consumido no país e exportado. Esse acordo inédito para a UFJF pretende estabelecer uma parceria, no sentido de desenvolver metodologias, e em uma etapa posterior, equipamentos para a detecção de fraudes em leite. A ideia central é transferir as tecnologias desenvolvidas

pela Universidade para comercialização. Segundo a professora do doutorado em física do Instituto de Ciências Exatas (ICE), Maria José Valenzuela Bell, a iniciativa surgiu através de várias etapas. A pesquisadora explica que, no início, os estudos estavam sendo realizados graças aos financiamentos da Fapemig, CNPq e do Programa de Incentivo à Inovação - este uma parceria entre a UFJF, Embrapa e Sebrae. “A união entre essas três instituições abriu, definitivamente, as portas para as primeiras interações com as indústrias interessadas.” Ainda de acordo com a professora, os primeiros contatos possibilitaram o conhecimento das necessidades do setor e das empresas de uma forma geral. “Neste contexto, a Tex Tech se mostrou interessada em comercializar nosso primeiro protótipo e os produtos que viéssemos a produzir.” A professora destaca, também, que para a UFJF é importante estabelecer parcerias com empresas para o desenvolvimento de novas tecnologias e inovação, especialmente em setores que têm grande importância re-

Foto: Secom/UFJF

Maria José e Wesley, pesquisadores que criaram o equipamento que detecta a adulteração

gional, como é o caso do leite e derivados. “É importante lembrar que Minas Gerais é o maior produtor de leite do Brasil e há grande interesse em exportação do produto com selo de qualidade, na qual as fraudes não têm espaço.” O Milk Tech Esse acordo é resultado do sucesso do equipamento chamado de “Milk Tech”, desenvolvido pelo estudante do doutorado em física do ICE, Wes-

ley Willian Gonçalves do Nascimento, pela professora Maria José Valenzuela Bell e pelo professor Virgílio de Carvalho dos Anjos. O aparelho detecta adulteração no leite por adição de água ou uso de reconstituintes, via monitoramento de propriedades elétricas. Segundo o doutorando, “a partir desse projeto, as indústrias que utilizavam os processos de crioscopia, a verificação pelo ponto de congelamento, e o de densidade passarão a ter uma

forma mais prática, portátil e barata de verificar a existência de adulteração”. Nascimento ressalta, também, que o “Milk Tech” verifica fraudes no leite de uma forma prática e eficiente, e que o principal diferencial está na portabilidade. A tecnologia é capaz de funcionar durante horas com uma bateria recarregável. “Ele será uma arma muito poderosa contra fraudes, já que poderá ser levado ao lado do tanque, pelo próprio motorista, por exemplo.” O Milk Tech dispõe de uma sofisticada eletrônica, que o deixa supersensível e eficiente. “Utilizado de maneira correta consegue-se perceber uma adição mínima da ordem de 0,5% de água, com resultados altamente reprodutivos. Cada medida dura cerca de cinco segundos e o resultado mostrado é, na verdade, uma média de mais de mil análises”, afirma o estudante. Segundo o pesquisador, o Milk Tech é mais prático do que os atuais aparelhos. “Com um display colorido e de fácil limpeza, não requer grandes cuidados com a manutenção, podendo ser utilizado por qualquer pessoa”.

Kit para diagnostico de câncer revoluciona mercado Método inovador para identificar o câncer de mama é o primeiro a atingir 100% de precisão em resultado Foto: Divulgação

Diego Casanovas Fred Castro

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á cerca de cinco anos o médico mastologista Geraldo Sérgio Vitral incomodado com o a eficácia de 90% do processo de diagnóstico de câncer de mama, resolveu se enveredar pela pesquisa de um método mais eficaz. Em parceria com a professora da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Nádia Rezende Barbosa Raposo, Geraldo desenvolveu, o chamado “Kit Estéril”. Feito à base de um polímero sintético, um tipo de silicone, o produto contém 100% de precisão, evitando muitas mutilações decorrentes de cirurgias para retirada de nódulos ou remoção das mamas por conta do avanço do câncer. A técnica permite a marcação de lesões mamárias não detectáveis por palpação durante o procedimento cirúrgico, com o uso de ultrassonografias ou mamografias. A pesquisa começou como parte de sua tese de mestrado em mastologia, fase em que foi elaborada desde a parte teórica até a pré-clinica, com testes realizados em animais para comprovar a segurança e a viabilidade técnica do produto. A etapa seguinte, já como parte

Kit estéril chega ao mercado no 2° semestre; UFJF vai receber os royalties por 20 anos

de sua pesquisa de doutoramento, iniciou-se com a fase clínica e a aplicação de testes em humanos. Nádia Rezende ressalta as vantagens do produto. “Uma das inúmeras vantagens da substância utilizada é que ela não se dispersa pela mama, diferentemente do processo atual, cuja cirurgia pode extrair partes maiores dessa região do corpo.” Segundo a professora a problemática do processo convencional, encontra-se na dispersão do complexo de iodo (produto usado na identificação da área afetada) pelo tecido mamário, dificultando o êxito do procedimento. “Com uma eficácia de 90%, o complexo iodado deixava 10% a desejar, essa diferença é muito crítica, pois esse paciente tem que passar por novas intervenções

cirúrgicas e rehospitalização.” Nádia destaca também o custo do produto como outro beneficio. O preço do Kit é acessível e reduz também os custos do paciente, que não precisa mais passar por internações e novas intervenções cirúrgicas, devido aos 100% de eficácia. A realização A criação do Kit só foi possível porque os pesquisadores inscreveram o trabalho no Programa de Incentivo à Inovação (PII), do Centro Regional de Inovação e Transferência de Tecnologia (Critt) da UFJF, responsável pela manutenção da política institucional de estímulo à proteção de criações, inovações, licenciamento, depósitos de patentes e transferências de tecnologia. Com essa ação foi possível iniciar

o processo de patenteamento e de transferência de tecnologia para a empresa produzi-lo. O kit foi lançado com o nome BLD Marker Kit Marcador Tecidual para Cirurgia Radioguiada, já está sendo produzido pela empresa Saldanha Rodrigues Ltda., com representação em São Paulo e Manaus e será comercializado pela empresa Radiopharmacus, de Porto Alegre (RS). O produto recebeu no início deste ano a certificação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), responsável pela liberação e certificação de novos produtos sob vigilância sanitária no país. O lançamento do Kit ocorreu no evento mais importante de saúde nas Américas, a Hospitalar 2011 – 18ª Feira Internacional de Produtos, Equipamentos, Serviços e Tecnologia para Hospitais, Laboratórios, Farmácias, Clínicas e Consultórios.

Para o idealizador do projeto Geraldo Sérgio Vitral, a aprovação valoriza o que é produzido no âmbito da UFJF, demonstrando que produtos criados na instituição têm aplicabilidade e inserção no mercado. “Isso gera novos produtos, novas ideias e cria uma projeção internacional para a universidade.” Ainda segundo Sérgio, o kit é o primeiro produto desenvolvido pela UFJF que chega ao mercado com a aprovação da Anvisa. “Atingir este ponto no desenvolvimento de um projeto não é fácil, espero que essa conquista sirva de estímulo para outros pesquisadores”, comenta Vitral. Além da comercialização, os estudos para a criação do “Kit Estéril” foram publicados em um capítulo do livro “1º tratado de Mastologia”, editado pela Sociedade Brasileira de Mastologia, em setembro de 2010.

Premiações Mesmo antes de sua comercialização, o “Kit Estéril” já conquistou diversos prêmios nacionais e internacionais. Um deles foi o Prêmio Latino-americano de Inovação, a premiação nacional da Jornada Paulista de Radiologia, realizada na Fundação Getúlio Vargas (FGV). Conquistou também em 2008 no Idea do Product Global, realizado em Austin, no Texas (EUA), o segundo lugar na categoria global, e o primeiro em inovação tecnológica, em uma disputa com 18 universidades dos Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, Suécia, Irlanda, Brasil, Portugal, Espanha e Colômbia.


Saúde 9

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Testes definem eficácia de medicamentos Prática da bioequivalência avalia a diferença na composição de remédios de marca, genéricos e similiares Foto: Bruna Pfeiffer

Bruna Pfeiffer

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população brasileira é consumidora de três tipos de medicamentos: os de marca, os genéricos e os similares. A questão duvidosa da maioria dos consumidores é sobre a eficácia dos dois últimos, por não serem originais. O medicamento genérico é um remédio idêntico ao produto de marca, ou seja, tem rigorosamente as mesmas características e efeitos sobre o organismo do paciente. A garantia é dada pelo Ministério da Saúde que exige testes de bioequivalência farmacêutica para aproválos. Já o similar é garantido somente pelo fabricante e pode não conter a mesma fórmula. Os genéricos e os similares são mais baratos que os de marca. Os testes de bioequivalência servem para comprovar se dois produtos de idêntica fórmula farmacêutica são absorvidos em igual quantidade pela corrente

Marcella prefere os remédios genéricos, enquanto Jovelina não se importa em fazer uso dos medicamentos similares

sanguínea e na mesma velocidade pelo organismo de quem consome. Segundo o clínico geral e geriatra Carlos Silva, o Governo garante por lei que o genérico tem a mesma fórmula dos de marca e não hesita em receitar para os seus pacientes, mas faz uma ressalva em relação aos similares: “Sempre receito genéricos por serem mais baratos. Já os simila-

res, só receito quando tenho conhecimento do laboratório”. Quebra de patente O laboratório produtor do medicamento tem direito de exclusividade de produção por um determinado tempo. Após esse período, variável de acordo com cada remédio, ocorre a chamada quebra de patente,

que consiste na quebra da exclusividade em produzir o medicamento. “Nesse caso, outros laboratórios copiam essa fórmula e fazem o genérico com o nome do seu princípio ativo”, explica Carlos Silva. O remédio similar passa pelo mesmo procedimento da quebra de patente. “A diferença é que não precisam passar por todos os testes de bio-

equivalência, podendo resultar em efeitos colaterais diferentes.” Além disso, pode acontecer de o médico receitar o remédio original e o farmacêutico dar ao paciente um genérico ou similar, desde que tenha o mesmo princípio ativo. “É importante que o paciente fique atento e exija o que está prescrito na receita”, ressalta. Segundo a estudante Marcella Leite, usuária de medicamentos de marca ou genéricos, o seu organismo não reage bem aos similares. “Não gosto de usar remédios similares porque eles só têm a garantia do fabricante e não do Ministério da Saúde. Além disso, tive efeitos colaterais diferentes quando tomei, como náuseas e vômito.” Já para a professora Jovelina Nóbrega, o similar não é um problema e não apresenta diferença no efeito. “Uso medicamentos similares desde que o médico indique e confie no laboratório, além de serem mais em conta”.

Suplementos podem trazer efeitos indesejados Falta de informação por parte dos usuários é a principal causa de usos indevidos das substâncias Rafael Melo Rafael Simão Valentim Júnior

exatamente o que utilizar, o que algumas vezes pode gerar resultados inesperados e desagradáveis.

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Os erros mais comuns Um dos suplementos mais utilizados e também mais testados cientificamente é a creatina. A creatina é uma substância produzida pelo fígado humano, e que pode ser encontrada na carne bovina. Apesar dos vários estudos já realizados a esse respeito, a nutricionista Evelyne Rocha explica o erro mais comum: “Os pacientes procuram a creatina com a intenção de obter um crescimento muscular mais acelerado. Porém, esse não é o efeito atingido. A creatina gera um aumento de força e disposição física, rapidamente. Ideal para a realização de exercícios com maior intensidade”. O que pode gerar um engano nas pessoas é o fato de que a creatina gera acúmulo de água no tecido muscular, o que produz um certo inchaço nas áreas traba-

busca pelo corpo perfeito é obsessão de muitas pessoas. Por isso, as academias estão sempre cheias e surgem novas dietas a cada dia. E para quem procura o crescimento muscular, a utilização de suplementos alimentares é uma opção bastante procurada. Os suplementos alimentares são compostos preparados artificialmente, com alta concentração de certas substâncias: podem ser hiperprotéicos, hipercalóricos, aminoácidos, dentre outros. Originalmente, a função deles é proporcionar uma melhor reposição energética para os indivíduos que gastam um número mais alto de calorias do que a maioria das pessoas, como conseqüência da prática de atividades físicas. Mas nem sempre as pessoas sabem

Principais Suplementos e suas Funções Hiperproteicos: Apresentam em sua composição a predominância de proteínas, podendo ser de diversas fontes (Ex: proteína do soro do leite, proteína isolada da soja, etc). Sua principal função é promover a síntese muscular. Creatina: Substância produzida pelo fígado, tem sido amplamente utilizada na suplementação. Sua função é o aumento de força e velocidade nos esportes.

lhadas na academia. Isso faz com que se pense que os músculos estão crescendo, como explica Evelyne: “A pessoa percebe que sua silhueta aumentou, mas nem tudo é músculo. Assim que o uso é interrompido, esse acúmulo de água é perdido e os membros ‘murcham’, ficando somente o real ganho muscular”. O estudante Rodrigo Dutra, 23 anos, foi um deles: “Depois de usar a creatina três meses, eu estava com o corpo que considerava ideal. Mas parei de tomar e de malhar por causa das férias, e voltei a ficar magro como antes”. Para evitar esse tipo de erro, Evelyne aconselha: “É sempre bom consultar um nutricionista antes, que pode dizer qual é a dieta mais adequada para cada caso, evitando que situações desagradáveis aconteçam.”

recorrem ao uso de anabolizantes. Em sua maior parte, eles são derivados da testosterona, que é o hormônio masculino. Apesar de gerar um aumento significativo de massa em um curto espaço de tempo, os anabolizantes trazem riscos para a saúde dos usuários, como explica o médico clínico geral Renato Vaz: “O uso dessas substâncias pode causar sobrecarga renal, disfunções cardíacas e um aumento inesperado de gordura corporal”. O grande problema está na falta de conhecimento aprofundado sobre o assunto, explica Vaz: “Não existem estudos suficientes sobre a dosagem correta e os efeitos colaterais, o que

faz com que as pessoas receitam umas para as outras, na base da suposição”. As academias mais conceituadas da Juiz de Fora possuem uma opinião claramente contrária ao uso de anabolizantes, como explica Alan Pimentel, professor da Fortes Academia: “Nós desaconselhamos nossos alunos a utilizarem anabolizantes. Os riscos são grandes, não vale a pena”. Pimentel dá a melhor dica para aqueles que querem ter um corpo bonito: “A melhor maneira de ganhar massa muscular é praticando exercícios físicos regularmente, tendo uma vida saudável”. Foto: Rafael Simão

O risco real: os anabolizantes Buscando resultados rápidos e significativos, algumas pessoas

Hipercalóricos: Compostos de carboidratos, proteínas e gorduras, que visam a adequação desses nutrientes à dieta de praticantes de atividade física. Normalmente, possuem alto valor calórico, ideal para o aumento de peso corporal. Aminoácidos de cadeia ramificada: São formulados a partir de concentrações variadas de aminoácidos, utilizados principalmente para a melhoria do condicionamento físico.

Comercialização livre dos suplementos acaba resultando em consumo inadequado


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Na corda bamba com o slackline

Presente há pouco mais de um ano em Juiz de Fora, a prática ganha cada vez mais adeptos de todas as idades Naira Gabry

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Criança praticando o Slackline: não há restrição de idade para iniciar no esporte

Como praticar o Slackline Para se praticar o esporte só é necessário adquirir a fita de poliéster e a catraca, equipamento que é responsável por tencionar a fita, além de dois pontos onde a fita deve ser presa. Existem diversas variações do slackline sendo que as principais são: “waterline” (slackline sobre água); “highline” (slackline em grandes alturas, como por exemplo, montanhas e pontes), que evoca uma sensação de adrenalina. Também existem “longline” (slackline de distância longa, normalmente acima de 30 metros) e o mais praticado que é o “trickline” (slackline somente para fazer manobras).

m Juiz de Fora o slackline começou a ser praticado há aproximadamente um ano nas praças e, principalmente, no campus da UFJF. Inicialmente, cerca de dez pessoas começaram a praticar o esporte na cidade, e hoje já passam de cem praticantes, além dos que, ao ver os esportistas se equilibrando, se aproximam para tentar andar e acabam se apaixonando. Entre os praticantes de ocasião nas praças e parques estão muitas crianças que, por serem naturalmente curiosas, acabam trocando, por alguns momentos, as brincadeiras tradicionais pela prática do slackline. De acordo com o publicitário e praticante do esporte, Thiago Godoy, “força, equilíbrio e principalmente concentração e persistência são os principais requisitos exigidos para a prática do slackline, já que o praticante precisa se manter sobre a fita e com o tempo começar a arriscar algumas manobras”. Thiago lembra que, “com a prática do slackline, nós acabamos percebendo mudanças em nosso dia

a dia e até mesmo nas crianças, que ficam mais concentradas e atentas às tarefas que estão realizando”. Ainda segundo Thiago, qualquer pessoa pode praticar o esporte, porque não existe limite de idade, altura ou peso. Já sobre o local ideal para a prática do slackline, Thiago considera que “o campus da universidade é o melhor local para se praticar o esporte na cidade, já que existe segurança, grama bem cortada, água, estrutura, clima esportivo e muitas árvores. Se possível, também, uma superfície macia, já que há risco de quedas”. O também publicitário Pietro Barreto, que pratica o slackline há cerca de quatro meses, ressalta que o que mais o atraiu no início foi a plástica do esporte, já que é muito bonito de se ver. Assim ele começou a treinar e a tentar as manobras, se desafiando a todo o momento. Pietro ainda destaca que: “apesar de praticar há pouco tempo, o treino quase diário faz com que a evolução e a vontade de conseguir fazer novas manobras seja natural”. O publicitário afirma que o esporte tornou-se parte indispensável em sua vida.

O slackline surgiu nos anos 80 na Califórnia (EUA) quando, devido ao mau tempo, os escaladores começaram a realizar manobras sobre as correntes do estacionamento do parque onde escalavam, aperfeiçoando técnicas de equilíbrio e concentração. Logo as correntes foram trocadas por fitas planas e os praticantes passaram a amarrá-las nas árvores e a treinar a travessia de uma árvore a outra. Surgia então o esporte que hoje é conhecido Slackline (corda bamba) e que rapidamente se espalhou conquistando adeptos no mundo todo. No Brasil o esporte chegou em 2010, sendo praticado em parques e praias de todo o país, principalmente no Rio de Janeiro, tendo se tornado parte da cultura e da paisagem da cidade. Em Juiz de Fora os adeptos do slackline encontram no blog (www.orangotangoslackline.com.br) informações sobre o que está acontecendo em relação ao esporte não só em Juiz de Fora como em todo país, além de poderem trocar experiências, adquirir equipamentos e assistir vídeos dos “equilibristas” sobre a corda bamba.

Fechamento de clube prejudica prática de hipismo

Cidade perde importantes competições nacionais; amantes da equitação, contudo, continuam praticando o esporte Foto: Luiza Sansão

Luiza Sansão

A

cidade perdeu, em 2009, seu principal centro para a prática de equitação: o Clube Hípico e Campestre de Juiz de Fora. Com isso, o município deixou de atrair importantes competições de hipismo - com pessoas que vinham de várias partes do mundo - e também negócios no setor, que movimentavam a economia da cidade. O Clube Hípico e Campestre foi, por muito tempo, palco de diversas competições regionais, nacionais e até mesmo internacionais de hipismo. Segundo o desenhador Nacional Oficial da Confederação Brasileira de Hipismo (CBH), Sérgio Villaça, o fechamento não só trouxe prejuízos para quem trabalhava e usufruía do clube diariamente. “O fim das atividades afetou professores, alunos e pacientes que viviam o esporte hípico e também pessoas que vinham de fora para competir no melhor centro hípico do estado e um dos melhores do Brasil. Foi uma perda para o hipismo”, afirma o professor, que deu aulas de equitação no

Aluna pratica hipismo clássico no centro de equitação Vale dos Anjos, em Juiz de Fora

clube por longa data. Para ele, a maior causa do fechamento do clube foi a perda de poder aquisitivo na região, já que o esporte tem alto custo. Hoje existe apenas um centro hípico de destaque na cidade, o Vale dos Anjos, onde os professores Marco Aurélio Daldegan e Daniel Meirelles ministram aulas de equitação para pessoas de todas as idades. Maria Madalena de Bastos Ferreira Costa tem apenas 14 anos e pratica o esporte há dez. “Comecei a gostar de cavalo quando montava em hotéis e iniciei as aulas quando minha mãe me pôs na escolinha de equitação, aos 4 anos”, conta a menina, que já participou de competi-

ções internas e de um Campeonato Mineiro. “Não gosto muito de competir, gosto mesmo é de praticar, como hobby.” Segundo Daniel Meirelles, entre os praticantes, com idades que variam de 6 a 50 anos, os objetivos são diversos. “Temos alunos que vêm apenas para aprender a montar a cavalo melhor na fazenda com os pais; aqueles que optam mais pelo lado esportivo, que são geralmente os mais jovens; e temos os que vêm para aliviar o estresse e usam a equitação mais como uma terapia”, diz o professor. Clássico e rural Segundo Villaça, a diferença substancial entre a moda-

lidade clássica e a rural do hipismo está na composição dos obstáculos (no caso do salto) e na figuras (no caso do adestramento). “No salto clássico os obstáculos são artificiais e no rural são naturais. No adestramento clássico e na autoescola, as figuras são geométricas e harmônicas e algumas remetem a movimentos criados para combate a cavalo, pois o animal era a melhor máquina de guerra em tempos passados. E no rural, as figuras são copiadas da lida com gado nas fazendas, como nas rédeas e doma vaqueira espanhola”, esclarece. A equoterapia como cura A equitação não é considerada somente um exercício físico. Montar cavalo também é indicado para pessoas com deficiência, por contribuir para a saúde mental, além da física. A equoterapia (equitação terapêutica) é hoje uma atividade recomendada por especialistas em diversos casos. Segundo a Associação Nacional de Equoterapia (Ande - Brasil), a modalidade é um método terapêutico e educacional que utiliza o cavalo dentro de uma abordagem interdisciplinar nas áreas de saúde,

educação e equitação, buscando o desenvolvimento biopsicossocial de pessoas com deficiência e com necessidades especiais. Segundo Villaça, a prática é uma das terapias com mais resultados positivos para diversos níveis de deficiência. “Além de promover o benefício físico e mental, faz o papel de incluir o paciente no meio social, através do esporte paraolímpico.” O professor explica que a técnica é milenar. “O método, já aconselhado pelo grego Hipócrates (458 a 377 a.C.) no seu livro terapêutico Das Dietas, emprega o cavalo como instrumento de ajuda para o desenvolvimento da força, tônus muscular, flexibilidade, relaxamento, conscientização do próprio corpo e aperfeiçoamento da coordenação motora e do equilíbrio.” Podem ser tratadas com equoterapia pessoas com deficiências provenientes de casos como paralisia cerebral, acidente vascular cerebral (derrame), trauma crânio encefálico, lesões medulares, síndromes, autismo, psicoses, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), ou com deficiência visual, auditiva, fobias e estresse.


Comportamento 11

Jornal de Estudo

Agosto de 2011

Em busca de uma identidade para a moda local

Mesmo fora do eixo Rio-São Paulo, confecções produzem tendências e impulsionam a criação de empregos Foto: Divulgação

Costureiras trabalham no salão de confecções das Malhas Keeper; produção juiz-forana é inspirada nas tendências mundiais

Amanda Antunes Laís Mesquita Lorena Goretti

M

uitas vezes quem compra uma peça de roupa não imagina o processo que aquele produto passou até chegar às prateleiras. Para uma coleção ser lançada são meses e meses gastos em pesquisa, viagens, desenhos, ajustes, produção e costura. Apesar dos grandes produtores de moda do Brasil estarem localizados em São Paulo e no Rio de Janeiro, Juiz de Fora também

conta com número expressivo de indústrias dedicadas a esse segmento. O Sindicato das Indústrias do Vestuário de Juiz de Fora (Sindivest JF) reúne empresários da categoria com o objetivo de trocar experiências e inovar o setor. Hoje o Sindivest conta com uma média de 980 empresas filiadas entre micros, pequenas, médias e grandes. Criar uma coleção se torna mais difícil a cada ano. “O primeiro alerta de tendências acontece nos lançamentos das coleções europeias, pois enquanto aqui é inverno lá já é verão. Depois

procuro observar as semanas de moda de São Paulo e do Rio de Janeiro, que trazem um pouco do que se viu na Europa adaptado ao gosto brasileiro. Só então parto para a criação”, afirma uma das proprietárias da malharia Keeper, Rita Rebouças. Quem pensa que o mundo da moda é só glamour está enganado. A produtora Aline Firjam ressalta: “Nunca temos horários fixos e há sempre muito trabalho”. Outro ponto importante é a atualização. Segundo ela, quem está envolvido com moda precisa estar ligado

em cabelo, maquiagem, tecidos e também ficar de olho nas tendências lançadas em eventos como São Paulo Fashion Week e Fashion Rio. Aline é estilista, ministra cursos na área de moda e é produtora do Fashion Days, semana de moda que reúne confecções e lojistas locais. Rita acredita que a moda juizforana acaba sendo mais influenciada pela carioca por conta da proximidade e da facilidade de reposição de estoque dos tecidos. “A entrega dos fornecedores paulistas é mais demorada”, disse. Para ela, o gosto do juiz-forano ainda é mais clássico e, por isso, algumas tendências demoram mais a serem absorvidas na cidade.“Não temos muito mais o que inventar. Hoje a moda está muito mais ligada a ‘como se usar’ do que ao que se vai usar propriamente”, considera Confecções locais movimentam economia No final do século XIX, Juiz de Fora possuía mais de 160 indústrias e era vista como polo têxtil, chegando a ser chamada de Manchester Mineira, em referência à famosa cidade industrial inglesa. Assim como em todo o Brasil, as empresas daqui sofreram com as transformações econômicas ocor-

ridas na década de 90, mas, desde 2005, a cidade vem tentando se fortalecer no mercado nacional. Em parceria com o locais estão buscando se organizar melhor para vender mais e oferecer produtos com preço acessível e boa qualidade. “Parcerias como essa são de extrema importância para o desenvolvimento de Juiz de Fora. Quando nos unimos conseguimos gerar mais renda e consequentemente melhorar a qualidade de vida de nossa população”, declarou. Empresária do setor, Rita acredita que o comércio de Juiz de Fora está crescendo cada vez mais e que os consumidores estão tendo mais opções de lojas para comprar. A opinião é compartilhada por Vandir. No entanto, ele ressalta que o consumidor ainda precisa valorizar mais o produto local, pois esse é o principal ponto para o desenvolvimento da indústria. “Conseguimos criação recorde de empregos, investimentos e melhores salários. Tudo isso reflete no dia a dia do comércio. Temos uma variedade imensa de lojas, o consumidor não precisa viajar para realizar suas compras. Muito pelo contrário, Juiz de Fora tem recebido consumidores de outras cidades”, afirma.

Qual terapia é a mais indicada para você?

Gestalt, Junguiana, Psicodrama: O sucesso depende da escolha certa e do bom relacionamento com o profissional Guilherme Landim Mariana Brandão Paula Duarte

A

s diferentes formas de psicoterapias, com seus nomes complicados, deixam as pessoas em dúvida na hora de escolher a qual recorrer. Algumas nem sabem que existe diferença no modo com que cada psicólogo conduz uma terapia. Para cada caso há um tratamento, às vezes até a associação de mais de um tipo conforme indicação. O mais importante é se sentir bem com a terapia e com o profissional escolhido para revelar seus sentimentos. “A identificação de qual terapia se deve fazer ocorre muito mais por afinidade e demanda. É preciso saber o que você quer. Se deseja se conhecer a fundo, ter um autoconhecimento, ou se quer deixar de ter um medo, tirar algum trauma, por exemplo”, afirma a psicóloga e

especialista em gestão de pessoas Natália Ribeiro. Os pacientes estão buscando terapias que solucionem seus problemas mais rápido, porém isso pode não dar certo para todos. O ideal é que o próprio psicólogo identifique a necessidade de seu paciente e o oriente da melhor forma. A demanda de cada um é diferente, e o mesmo tratamento possui duração distinta para solucionar os problemas. Natália diz que o fato de as terapias de curta duração serem as mais procuradas não quer dizer que as psicanalíticas estão fora de moda, apenas são um pouco mais longas e seus resultados, mais demorados As terapias mais conhecidas são a freudiana, que busca oferecer autoconhecimento e exploração do inconsciente, e a terapia cognitiva que desafia o paciente a superar seus traumas. Mas quando o paciente desconfia que tem algum problema orgânico que afeta o

psicológico, ele deve considerar a ajuda de um psiquiatra. “O psicólogo também pode fazer encaminhamentos para esse profissional e vice-versa, salvo quando o psiquiatra já é psicoterapeuta, então ele pode fazer os dois atendimentos”, afirma o psicólogo Emanuel Brick, mestrando na Pós-Graduação em Psicologia Social pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj). A diferença entre psicoterapia e psiquiatria é que o psiquiatra pode indicar medicamentos para os pacientes, já os psicoterapeutas não. Emanuel explica que os psicoterapeutas são formados em psicologia e os psiquiatras têm que passar pelo curso de medicina e fazer residência na área de psiquiatria. O preço de uma análise é de R$70 por sessão mas esse valor pode variar se o terapeuta for muito famoso ou se seu currículo for extenso. O preço é sempre algo a combinar com o paciente. Depende de cada caso, de cada psicoterapeuta e da região onde o psicólogo trabalha.

Os tipos de terapia e suas indicações Freudiana – Criada por Sigmund Freud, considerado o pai da psicanálise, busca significados para o inconsciente. É baseada na investigação de situações vividas na infância, sonhos, palavras e ações. O tratamento não tem prazo de duração e pode se estender por toda a vida. Indicações: Autoconhecimento, sensação de não-adaptação e desvios de personalidade Junguiana – Desenvolvida por Carl Jung, baseada em fatores comuns encontrados no coletivo, chamados de arquétipos. Seu objetivo é fazer com que a pessoa entenda sua personalidade. A medida que a terapia evolui o paciente fica mais confiante. Os sonhos são bastante explorados nas sessões. Indicações: Timidez, fobias, depressão, síndrome do pânico, insegurança, nervosismo, ansiedade e agressividade. Gestalt – A teoria se baseia no fato de que nada pode ser compreendido isoladamente. O ser humano está conectado com a natureza, com as pessoas que se relaciona e o meio em que vive. Os pacientes não recorrem ao passado para solucionar seus problemas, mas se focam no presente para atingir seus objetivos. Indicações: Transtornos de humor, alimentares e de ansiedade, compulsões, vício em drogas e esquizofrenia. Psicoterapia breve – Busca resolver problemas mais específicos e resolver crises emocionais. O paciente deve estar motivado para colaborar nas sessões e obter o resultado em menor tempo. Indicações: Fobia social, depressão, transtornos alimentares, uso de drogas e baixa motivação. Psicodrama – Trata os problemas através da encenação teatral. Os pacientes reproduzem situações conflituosas para reviver uma experiência ou se colocar na pele de outra pessoa, afim de enxergar um novo lado da situação. Indicações: Desordens sexuais, fobias, traumas, abuso de drogas e problemas de relacionamento.


Cultura 12 10 Esporte

Jornal de Estudo

Agosto de de 2011 agosto

A poesia juiz-forana está em declínio? Na era da informação poetas novos buscam os meios alternativos para a divulgação da própria obra Foto: Thais Thomaz

José Renato Lima Thauan Monteiro Rayan Siqueira

Q

uando falamos de poesia em Juiz de Fora, o primeiro nome que vem à memória é Murilo Mendes. Com uma obra reconhecida como clássico brasileiro e apreciada internacionalmente, o poeta é um dos poucos casos de sucesso inconteste da literatura juiz-forana fora dos limites da cidade. Atualmente, a comunidade universitária, já apelidada um dia de “Atenas Mineira”, sofre com a pouca importância nacional de sua arte literária. Afinal, onde estão os nossos poetas? Desde 1995, a prefeitura decidiu investir na cultura local com a criação da Lei Murilo Mendes de Incentivo à Cultura. Recursos administrados pela Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage (Funalfa) são destinadas ao incentivo de diversas manifestações culturais, como dança, teatro, artes plásticas e literatura. No entanto, no que se refere aos poetas, a Lei a despeito

O poeta Luiz Fernando Priamo recitando uma de suas poesias em performance do grupo Eco

de publicar novas obras há anos, ainda não revelou nenhum talento com reconhecimento incontestável para além da – nas palavras de Manuel Bandeira - “tão docemente provinciana” Juiz de Fora. Para a escritora, jornalista e consultora da Lei Murilo Mendes, Marilda Ladeira, isso não é verdade. “Juiz de Fora foi escolhida eminentemente para ter talento, e nós temos escritores saindo da cidade sempre, como o Luiz Ruffato, Edimilson Pereira e Fernando Fiorese”, contesta. No entanto,

o dramaturgo e teatrólogo, José Luiz Ribeiro, fundador do Grupo Divulgação que completa 45 anos de atividade em 2011, percebe deficiências em poetas lançados pela Lei. “Hoje a lei publica poesias de artistas sem maturidade. Obras juvenis e imaturas. Isso acontece porque os grandes poetas não são mais lidos, não existe mais um ambiente onde circula a alta cultura poética como havia anos atrás, são os meninos que escrevem sua própria poesia sem prestar contas”, explica.

A rotina dos novos poetas O juiz-forano Luiz Fernando Priamo teve o seu livro “Involuntário” publicado pela Lei Murilo Mendes. É um dos integrantes da Eco Performances poéticas, atualmente o grupo mais bem organizado para promoção da poesia local. Questionado a respeito das dificuldades de divulgação dos poetas fora dos limites da cidade, Luiz Fernando, reconheceu o problema e viu como saída a dedicação pessoal: “A lei trabalha só com a produção e não com a distribuição. A distribuição fica restrita à cidade, ir para fora fica a cargo do proponente. Nós lidamos com um mercado editorial difícil, em que as grandes editoras normalmente abrem espaço para as indicações de poetas já consagrados”. Diante dos desafios de uma época de muita informação e poucos leitores, Luiz Fernando acredita em alternativas como a internet, ponto de encontro virtual entre os novos poetas. “O blog facilita que você se divulgue para o mundo. Você trabalha sua própria publicidade ali, além de fazer contatos”. A falta de interesse atu-

al pela apreciação da poesia como uma forma independente de arte, e a decadência de sua função na educação do brasileiro cria outra importante interferência para o crescimento de um poeta. “Não tem quase ninguém que lê poesia. Nós conseguimos com o Eco, trabalhando com a leitura do poema, um suporte a mais para a divulgação do poeta. Em um evento recente, colocamos 120 pessoas para ouvir poesia, um número significativo para Juiz de Fora.” Resgatar o interesse do público pela poesia, em um estilo moderno de l’art pour l’art, parece a melhor caracterização da nova poesia juiz-forana em surgimento em torno do grupo Eco Performances. O conceito do crítico literário americano, Harold Bloom, da “ansiedade de influência”, isto é, uma vontade de eternizarse pela arte, não se aplica a Luiz Fernando. “Eu gosto de escrever, mas não me vejo entre os grandes poetas, nem tenho essa pretensão. Nós da Eco não somos um movimento poético, queremos colocar a poesia em circulação, em movimento”, diz.

A arte de colecionar discos de vinil Os remanescentes históricos de uma época em que a boa música brotava em todos os jardins

Foto: Acervo Pessoal

Ana Luiza Maia

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ngana-se quem dava o velho vinil como morto. Em plena era digital, quando a indústria fonográfica se pega boquiaberta com a multiplicação das trocas de arquivo pela internet e a inevitável derrocada do CD, os antigos bolachões ressurgem no interesse dos cada vez mais exigentes colecionadores e fãs da boa música. Como que para zombar dessa nova era super carregada de pen-drives, o vinil chega a todo vapor, num misto de nostalgia e abandono do já ultrapassado disquinho cromado. Som diferenciado que reflete as ondas do áudio original, sem distorcer os sons de transição repentina (como bateria e trompete), sem perder nenhum tipo de informação. De acordo com especialistas, o resultado propagado por um toca-discos é um som analógico, perfeito. Além da sonzeira, o vinil ganha ainda mais espaço pelos títulos que não existem no formato digital, e pelas artes gráficas bem trabalhadas nas capas dos discos. São muitos os motivos para se colecionar o disco preto metálico, e o gosto pela procura de raridades e artistas desconhecidos é o que impulsiona os músicos Walner Del Duca e Pedro Paiva.

Os gostos, motivos e coleções

Walner Del Duca tem 25 anos, é músico e viu brotar a vontade de colecionar os bolachões muito cedo, “na minha casa não se escutava muito vinil, o gosto por colecionar adquiri mesmo sozinho. Quando eu era menino, juntava umas moedinhas e trocava pelos discos”. O músico nunca contou quantos vinis tem e, quando perguntado, diz que cada aquisição tem uma história que vale a pena ser lembrada. Entre as raridades, Walner possui na sua coleção alguns vinis da extinta gravadora pernambucana Rozemblit. Os bolachões ficaram famosos pela dificuldade de se encontrar cópias já que, após uma enchente do Rio Capibaribe, quase todos os exemplares foram perdidos. Alguns dos seus, o disco “São Paulo” de Tom Zé, vale em torno de 400 reais. Pedro Paiva é integrante do Vinil é Arte, coletivo de Juiz de Fora que se apresenta exclusivamente com discos de vinil. O grupo, com dez anos de estrada, nasceu “da vontade de fazer com que o universo dos colecionadores dos bolachões fosse amplamente compartilhado. Foi um encontro de amigos amantes do vinil”, lembrou Pedro. O também músico alega que a opção de usar esse tipo de formato de mídia se deu por ser a forma mais íntegra e sincera de apresentar um trabalho

Pedro Paiva, um dos integrantes do “Vinil é Arte”, mostra a coleção do grupo que conta com mais de 12 mil discos

minucioso de pesquisa musical, além de ser sua paixão desde a primeira vitrolinha portátil, ainda na infância. Quando perguntado do contraste gerado pelo vinil, do antigo com o novo, Pedro responde: “o impacto da sonoridade, do formato e da aparelhagem causa certa reação, tanto na geração que viveu o mercado musical da era dos discos, quanto nas gerações posteriores. O trabalho do Vinil é Arte é desistituir a música da época e os rótulos originais e diluir em um repertório que apresenta características atemporais e com novos valores agregados”.

História musicada Foram muitas as tentativas de se fazer uma gravação de áudio. Os primeiros registros em mídia magnética foram os obtidos em cilindros, em 1877. Em 1887 um imigrante alemão que morava nos Estados Unidos, Emile Berliner, registrou uma patente para o sistema de gravação baseado em um disco achatado, ao invés do frágil e pesado cilindro. Bastou, como pontapé a uma efervescência musical ampla e mais facilmente comerciável. No ano de 1948 surgiu o vinil, substituindo os chamados goma-laca de 78 rotações. Mais leves, mais maleáveis e com maior resistência a

choques, quedas e manuseio, os discos de vinil foram considerados os melhores, também pelo fato de reproduzirem um número superior de músicas - ao invés de uma canção por face - além de serem sempre muito elogiados pela excelente qualidade sonora. Contudo, no final da década de 1980 e inicio da década de 1990, chegou ao mercado um novo modelo de mídia que prometia maior capacidade, durabilidade e clareza sonora. Os compact discs, ou CDs, fizeram dos discos de vinil algo obsoleto e quase extinguiram os bolachões do circuito.


Comportamento Suplemento Jornal deJEEstudo 15 11

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Abril 2011

Projeto quer diagnóstico de estresse no HU

Psicólogos e a Direção de Gestão de Pessoas propõem técnicas de relaxamento para os colaboradores Foto: Cristiane Delgado/Divulgação

Amanda Antunes Laís Mesquita Lorena Goretti

“P

ara a pessoa que trabalha com vida e morte é difícil conseguir manter distanciamento o tempo todo.” afirma a professora de Psicologia do Trabalho da UFJF, Edelvais Keller. Pensando nisso, está sendo implantado o Programa de Prevenção em Stress para a Qualidade de Vida no Trabalho, em parceria com a Direção de Gestão de Pessoas do HU e coordenado pela professora Edelvais. Doutora em psicologia, Edelvais construiu sua tese sobre o estresse de trabalhadores hospitalares e considera que essa carga pode afetar inclusive quem não atua em serviços clínicos, como no administrativo, por exemplo. No entanto, a diretora de Gestão de Pessoas do HU, Elazir Paletta, lembra que não se sabe qual é ou se há um alto índice de pessoas acometidas por esse mal dentro do HU. “O foco do projeto é o bem-estar dos colaboradores, por isso acreditamos que irá detectar e propor alternativas”, explica.

Da direita para esquerda, Profª Edelvais Keller, a Direção de Gestão de Pessoas e as acadêmicas de psicologia em encontro para apresentação do projeto.

“A pesquisa propõe um diagnóstico biopsicossocial com foco no estresse segundo a psicologia do trabalho”, revela Edelvais. O objetivo é conhecer o estado geral de saúde dos trabalhadores hospitalares para entender quais são e como os “agentes es-

tressores” influenciam tanto no trabalho quanto na vida pessoal, bem como a forma com que encaram isso no dia a dia. De acordo com Edelvais, a pesquisa utiliza aspectos teóricos sobre estresse, promoção da saúde e qualidade

de vida. Na primeira etapa, já iniciada, acadêmicos de psicologia entrevistam em média dois trabalhadores de cada setor das duas unidades do HU (Dom Bosco e Santa Catarina). A partir dos resultados, serão implementadas as formas adequadas de enfren-

tamento ao estresse. “Vamos aplicar exercícios e técnicas de relaxamento estimulando a reflexão e um olhar cuidadoso para si mesmo. Por isso, criamos mais um nome para o projeto, Grupo de Relaxamento e Enfrentamento do Stress”, conta a professora.

Mercado de animação cresce em Juiz de Fora Setor em expansão utiliza ferramentas tecnológicas para fazer criações publicitárias e obtém sucesso

Foto: Angélica Simeão

Rafael Melo Rafael Simão Valentim Júnior

O

mercado de animação no Brasil e também em Juiz de Fora tem crescido a cada dia. Essa evolução é verificada na participação de vários expoentes em competições nacionais e até mesmo fora do país. Neste ano, o publicitário juiz-forano Yuri Romualdo d’Avila está inscrito no Concurso Nacional de Animação para a Internet (CCBB), integrado ao 19° Festival Internacional de Animação do Brasil, o Anima Mundi. O tema do evento é Água e ocorrerá durante o mês de julho nos dias 15 e 24 no Rio de Janeiro e 17 e 31em São Paulo. O juiz-forano participará pela primeira vez do concurso com a animação “Antes Água do que Nunca”. “Os outros participantes usaram imagens de torneiras e de donas de casa lavando roupa. Eu pensei na água como construção do mundo para diferenciar o

meu trabalho”, explica Yuri sobre a especificidade do seu projeto. Para a criação do trabalho, o publicitário utilizou de modelagem em 3D e também efeitos especiais de edição. Além disso, as inspirações para fazer o vídeo foram os problemas dos recursos hídricos da Terra. “Eu fiz a animação em três meses e acabei na data limite, mas o resultado final ainda não estava como eu queria. Como o prazo de entrega foi expandido para mais um mês, eu tive a oportunidade de aperfeiçoar e melhorar a produção final”, conta. A expectativa, após grande divulgação, segundo d’Avila é ficar entre os 15 finalistas. Objetivo do concurso e busca de patrocínios O principal objetivo do conurso é incentivar o surgimento de animadores e produtores no mercado brasileiro. Além disso, com o tema água é possível trazer uma questão bastante discutida na sociedade atual, incentivando o uso consciente dos recursos naturais. Um dos principais desa-

fios para os trabalhos serem concluídos é a falta de patrocínio. Embora em franca ascensão, os profissionais ainda encontram dificuldades em receber apoio. “O trabalho fica limitado aos programas que nós temos em casa, além de ocupar muito tempo. Com o apoio, o trabalho seria bem menor.” Histórico da animação 28 de outubro é o dia internacional da Animação, porque foi neste dia, em 1892, que Emile Reynaud realizou a primeira projeção do seu teatro óptico em Paris. Foi uma exibição pública de imagens animadas (desenhos animados) do mundo. Desde 2002, são realizados eventos para comemorar a data em vários países. Entre eles está o Brasil, representado por várias cidades, com Juiz de Fora também presente na rota. “Em Juiz de Fora temos várias opções para realizar estes eventos como o Centro Cultural Bernardo Mascarenhas, Museu de Artes Murilo Mendes e o apoio da FUNALFA. Fa-

Alexandre Driê utiliza o computador como ferramenta para fazer suas animações

zemos exibições em que as pessoas podem apreciar animações que são diferentes do que normalmente vimos na TV ou no cinema”, explica Alessandro Driê, um dos principais expoentes da animação na cidade. Ele é graduado em Cinema e TV pela Universidade Salgado de Oliveira, em Juiz de Fora, desenhista autodidata e cartunista Existem também as animações experimentais realizadas por artistas plásticos e também comerciais de TV. “O interesse é cada vez

maior, tanto pela presença do público nos eventos realizados na cidade quanto a realização de oficinas durante os festivais. Esta tendência é um reflexo do que está ocorrendo em todo o país, fundamentalmente pela acessibilidade às ferramentas de criação, temos a cada ano um aumento expressivo de produções””, ressalta Driê.


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Julho de 2011

de

Praça da Estação recebe novos investimentos Revitalização busca conferir uma nova imagem ao espaço, focando principalmente mudanças na infraestrutura Foto: Paula Duarte

Guilherme Landim

O

investimento é de R$2,5 milhões e já foi encaminhado um projeto para captação de verba ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e ao Ministério Público para tentativa de aprovação pela lei Rouanet. Em entrevista coletiva o prefeito Custódio Mattos afirmou que R$1,5 milhão já está garantido pela MRS e que aguarda o restante do patrocínio através do Ministério da Cultura. O prefeito também informou que o valor cedido pela empresa ferroviária favorece o processo de aprovação do projeto pela lei Rouanet. Quem passa pela Praça Dr. João Penido, conhecida como Praça da Estação, na correria diária e muitas vezes não percebe suas belezas e com a mudança vai ter mais motivos para admirar esse espaço que tem a maior concentração de edifícios tombados de Juiz de Fora, ao todo são 9 edifícios tombados em fachada e volumetria. Segundo o Secretário de Administração e Recursos Humanos, Vitor Valverde “a primeira etapa do projeto é a demolição do edifício situado entre a Estação Central e os armazéns Rede Ferroviária Federal SA (RFFSA), na Avenida Francisco Bernardino. A demolição do prédio é para que se tenha visão da estação Ferroviária da Leopoldina.

A revitalização visa mudar o conceito negativo de “parte baixa” que se tem da Praça, a qual carrega grande parte da história da cidade

Segundo o representante regional do Instituto de Arquitetos do Brasil, Marcos Olender “a demolição do prédio em estilo moderno desvaloriza o patrimônio da cidade, pois independente da época cada prédio tem seu valor”. A proprietária da Estação Cultural Estúdio de Danças Silvana Marques ressalta a importância do espaço para a história da cidade “Como a estação era um ponto de entrada de Juiz de Fora, pela praça transitaram muitas pessoas de diferentes classes sociais em diferentes épocas e isso deve ser levado em consideração.” Silva Marques dei-

xou seu estabelecimento na zona sul da cidade para ir se manter na praça da estação afirmando ser um lugar que faz parte de sua vida pois por ali passava todos os dias para ir ao centro além do fato de que seu pai já teve um bar por lá. A proprietária da escola de danças tem uma preocupação com as pessoas que freqüentam a praça a afirma “a mendicância é uma presença forte na praça e essa característica acaba por trazer um aspecto negativo ao lugar que muitas vezes é denominado como parte baixa da Halfeld”. Outra mudança que preocupa Silvana Marques é a proximidade com

o Restaurante Popular que também atrai muitos mendigos. Outros projetos Foram criadas duas comissões para estudarem a viabilização de projetos na Praça da Estação, uma formada pela Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Econômico, Secretaria de Administração e Recursos Humanos, Secretaria de Obras, Secretaria de Atividades Urbanas, Secretaria de Transporte e Trânsito além da Secretaria da Fazenda e outra formada pela Funalfa, Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Econômico e

Secretaria de Administração e Recursos Humanos. A subsecretária da Funalfa, Silvana Barbosa faz parte dessas comissões e afirmou que está sendo feito um projeto para pintura das fachadas dos prédios históricos juntamente à iniciativa privada. As comissões realizam reuniões mensais para estudar as melhores opções, as quais devem apresentar aos proprietários dos edifícios na praça em outubro. A representante da Funalfa afirma que deve manterse a alma do lugar valorizando as pessoas que convivem na praça e afirma que “A Praça da Estação tem um potencial artístico e cultural e temos que valorizar essa característica realizando projetos com as pessoas que convivem na praça, pensar nos moradores de rua e nas prostitutas que fazem parte do lugar e não tem para onde ir, na verdade temos que capacitá-los”. Além da pintura as comissões estudam fazer mudanças na Iluminação, no piso, nos bancos e na jardinagem que atrapalha a visão dos edifícios históricos e não é planejada. Segundo Silvana Barbosa “a intenção é valorizar o espaço durante o dia e também torná-lo mais simpático.” Para Marcos Olender a reforma é importante, porém deve se ter cuidado para que o lugar não fique descaraterizado e ainda afirma que “Juiz de Fora é uma cidade de porte médio que pensa de forma provinciana”.

Pesquisa iniciada na UFJF é desenvolvida na Noruega Pesquisador mineiro cria modelo computacional que simula o funcionamento do coração humano Andreia Oliveira

C

om o número cada vez maior de pessoas com doenças relacionadas ao coração, vários estudos e associações entre diferentes áreas surgem para buscar soluções e tratamentos mais modernos para quem sofre de doenças cardíacas. Foi com o objetivo de modernizar o tratamento das doenças cardíacas, que o pesquisador mineiro Bernardo Lino de Oliveira, formado em engenharia elétrica, pela Universidade Federal de Juiz de Fora desenvolveu um estudo, durante o curso de mestrado da UFJF, unindo engenharia e medicina. Intitulado ”Modelagem quantitativa da eletromecânica do tecido cardíaco humano”, o trabalho propõe salvar e facilitar a vida de pessoas que sofrem com doenças e complicações do coração. O estudo possibilita, também, a realização de testes com novas drogas, a compreensão de fenômenos e problemas mais complicados, por meio da re-

produção do comportamento do músculo cardíaco. “O objetivo é estudar e desenvolver novos modelos para o acoplamento eletromecânico de células e tecidos cardíacos, em especial do ventrículo esquerdo humano”. Bernardo explica que o trabalho foi longo e precisou ser dividido em etapas. Na primeira, segundo o pesquisador, foi desenvolvido um novo modelo para a eletromecânica dos miócitos cardíacos do ventrículo esquerdo humano (células do tecido muscular responsáveis pela contração do músculo) e a incorporação deste modelo em simulações de maior escala. “A partir daí, foi possível ‘imitar computacionalmente’ os fenômenos cardíacos, desde o nível microscópico das células e outras estruturas subcelulares, até o nível macroscópico, como a propagação elétrica no ventrículo e a contração muscular.” Reconhecimento internacional Para dar continuidade aos estudos, o pesquisador ganhou apoio de um grupo de pesquisa-

Foto: Alexandre Dornelas/UFJF

“Candidato está mais exigente”, afirma o Pró-Reitor de Graduação Eduardo Magrone

dores noruegueses do “Simula Research Laboratory”. Atualmente, Oliveira está morando em Oslo, na Noruega, onde conta com recursos financeiros e tecnologia de ponta, para dar continuidade ao trabalho. “As facilidades encontradas aqui são salários bem superiores às baixíssimas bolsas do Brasil, além de uma ótima infraestrutura que te permite

se preocupar exclusivamente com sua pesquisa. O acesso a computadores e equipamentos de uma maneira geral é mais avançado do que os utilizados no Brasil, o que contribui muito com meus estudos”. Há apenas uma semana em Oslo, ele conta, que ainda não fez grandes avanços na pesquisa, mas está muito satisfeito pela oportunidade

conquistada. O pesquisador ressalta também, a importância de novas pesquisas serem desenvolvidas nessa área. “As ciências exatas podem contribuir com a medicina na ajuda da compreensão de fenômenos biofísicos encontrados no corpo humano, além de auxiliar no desenvolvimento de novas drogas, equipamentos e técnicas de diagnóstico”, conclui.


Comportamento Suplemento Jornal deJEEstudo 15 11

Jornal de Estudo 15 Suplemento JE

Abril 2011

Autoescolas disputam espaço nas ruas da cidade Como anda a relação entre motoristas e aprendizes de direção no trânsito da cidade de Juiz de Fora Victor Henriques

No bairro São Mateus, grupos se encontram nas localidades próximas aos bares

J

uiz de Fora possui hoje quase 185 mil veículos circulando pelas ruas. Este número coloca a cidade em quarto lugar entre as 15 maiores frotas de veículos do Estado de Minas Gerais, ficando atrás apenas de Belo Horizonte, Uberlândia e Contagem. E a tendência é de que este número continue a crescer. A dinamização da economia local e a facilidade na aquisição de veículos – e aqui se enquadram carros e motos novos ou usados - através dos financiamentos oferecidos pelas concessionárias e linhas de crédito abertas pelos bancos são alguns dos fatores que possibilitam, a um número cada vez maior de compradores, a aquisição de um veículo. Devido às facilidades e à grande procura por habilitação, é comum a motoris-

tas e pedestres encontrarem um enorme fluxo de carros de aprendizes de direção pelas ruas da cidade. Mas como anda a interação – e integração – entre motoristas e aprendizes? Durante as aulas práticas, os instrutores ensinam aos aprendizes as técnicas de direção e como se comportar nas diversas situações de trân-

sito. Mas nem sempre os motoristas legalmente habilitados utilizam o que aprenderam durante as aulas para saberem como lidar com o aprendiz. O proprietário e instrutor de uma autoescola de Juiz de Fora, Gabriel Alves Filho, ressalta que a teoria e a prática deveriam ser ensinadas simultaneamente para que o conhecimento seja incorporado completamente pelos alunos e acabe por não ser esquecido. “Parte do curso de legislação deveria vir em conjunto com a prática de direção. Teoria e prática ao mesmo tempo. A grande maioria dos alunos acha o curso monótono, reclamam e quando vão pra aula prática muitas vezes não se lembram de nada que estudaram”, diz. Gabriel ressalta ainda que os instrutores devem adotar posturas que influenciem

positivamente o aluno, para que a formação seja consciente. “O professor tem de ser paciente. Uma discussão em trânsito ou um tratamento mais ríspido para com o aluno pode prejudicar e muito o processo prático de aprendizagem. Agindo assim, ele pode acabar influenciando negativamente o aluno ou até mesmo aumentar o medo com relação ao trânsito”. A aprendiz Lailla Duarte afirma que, além do nervosismo que afeta o aluno durante as aulas, os motoristas não possuem a paciência e compreensão necessárias para auxiliar o aprendizado. “Já passei por vários momentos de tensão enquanto aprendia. Apesar de a maioria respeitar quem está aprendendo, alguns motoristas buzinam, não respeitam a distância entre os carros, xingam.

Os alunos interessados em se habilitar, devem cumprir uma carga de 45 horas de aulas teóricas, quando têm a possibilidade de aprender sobre legislação de trânsito, primeiros socorros, mecânica, meio ambiente e direção defensiva. Além das aulas, os alunos devem se submeter ao exame físico e psicológico, primeira etapa do processo, e, após ser aprovado no exame de legislação, cumprir uma carga mínima de 20 horas de aulas práticas de direção, sendo que destas, 20% devem ser realizadas no período noturno. A partir da aprovação no exame prático, o aprendiz recebe em seu endereço residencial a Permissão Para Dirigir (PPD) válida por um ano. Se, durante este primeiro ano, o motorista não cometer nenhuma infração grave (5 pontos) ou gravíssima (7 pontos) ou ainda não for reincidente em 2 infrações médias (4 pontos), ele fica apto a requerer sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

Eles não se lembram que um dia eles foram alunos também”. Outra situação que chama a atenção sobre o processo de habilitação é em relação aos locais onde se realizam as aulas de direção. São diárias as reclamações de moradores dos bairros Monte Castelo, Bandeirantes, Nova Era e Parque Guarani, por causa dos inúmeros carros de autoescola que estacionam em frente a garagens, locais proibidos e portas de escolas, dentre outros. “A gente acorda por causa do barulho, tem que ficar procurando o dono do carro que fica parado na porta da garagem. E eu acho também que quem está aprendendo não podia ficar dirigindo na frente de escola. E se acontece um acidente com uma criança?”, diz Francine Helena de Sousa, moradora do bairro Monte Castelo. A escolha dos locais onde acontecem as aulas e exames é de responsabilidade da Delegacia de Trânsito e depende da demanda de alunos nas autoescolas e fluidez do trânsito nos locais. Além disso, eles devem oferecer segurança tanto para motoristas quanto para pedestres e também condições de treino das diversas manobras a que estarão sujeitos os aprendizes no trânsito da cidade.

Brigas entre grupos rivais ocorrem à luz do dia

Cada vez mais rotineiras, as rixas entre jovens causam medo e apreensão na população de Juiz de Fora Michelle Valle

A

s brigas entre grupos rivais já se tornaram acontecimentos rotineiros no dia a dia de Juiz de Fora. Seja nos portões dos colégios, nas festas de rua ou nos shoppings da cidade, os conflitos ocorrem a qualquer hora do dia e têm assustado moradores e pais de estudantes. Uma dessas brigas culminou na morte de um estudante de 16 anos, na porta da Escola Estadual Estevão de Oliveira. O fato levou as autoridades a tomar providências, como o reforço do policiamento na hora da saída das aulas, e a reativação do Grupo de Operações Especiais (GOE). Segundo a Polícia Militar, a falta da oportunidade e o desejo de impor respeito podem ser as causas da violência. Na cidade, são muitos os bairros cujos jovens se juntam formando seus “bondes”. De acordo com a assessora de relações públicas da PM, capitão Kátia Moraes, os grupos são formados por moradores entre 13 e 22 anos de idade. Ainda, segundo ela, a grande maioria possui uma base familiar problemática e é proveniente de classes sociais menos favore-

cidas. Mas ela alerta que muitos jovens com boas condições financeiras também participam da rixa. “Temos problemas com (jovens da) a classe média também, que, de certa forma, para se firmarem, também fazem isso”. Não existem motivos certos para tais rivalidades e a região central de Juiz de Fora é o principal ponto de encontro desses grupos. Muitos desses jovens espelham–se em grupos criminosos de outros estados. A comerciante Denise Silva relata que os confrontos começam sem qualquer motivo aparente e que os jovens não possuem limites. “Eles quebram vidraças, atiram pedras sem querer ver quem está passando na hora. Já tive prejuízos com produtos roubados na hora da confusão e um vidro quebrado. Eles só param quando a polícia aparece.”, informou Denise. Sabendo das áreas de maiores ocorrências, capitão Kátia alega que a polícia tenta inibir os confrontos fazendo operações especiais nos locais. “Quando recebemos a informação de brigas, rapidamente, são enviadas viaturas para o lo-

grupo de jovens tem causado pânico na saída do turno da tarde. “Eles roubam, chutam, forçam brigas. A polícia não fica todos os dias na porta, aí eles agem. É um bando de dez meninos que não querem e também não deixam os outros aprender”, acrescenta.

No bairro São Mateus, grupos se encontram nas localidades próximas aos bares

cal. A polícia chega e os jovens se dispersam”, afirma. Fim de bailes não reduz violência Em 2009 o Ministério Público entrou com pedido de fim dos bailes funks no centro de Juiz de Fora. A decisão foi tomada tendo em vista o alto grau de violência nesses espaços de lazer. Porém, a medida não foi suficiente para sanar o problema das rixas em Juiz de Fora. O integrante de um grupo

da Zona Norte, que não quis se identificar, não soube informar a origem das rivalidades, mas afirmou que já participou de conflitos por causa de boné, dinheiro, garotas e até sem motivo. Os incidentes se repetem nas escolas e a falta de respeito assusta professores e funcionários. Na escola Afonso Maria de Paiva, no bairro Santa Cruz, muitos alunos e professores estão temendo frequentar as aulas. De acordo com a vicediretora, Neusa Oliveira, um

Programas As autoridades tentam amenizar os problemas realizando projetos sociais voltados para o mercado profissional, como o Programa Municipal de Atendimento a Adolescentes (Promad) e a Casa da Menina Artesã. Danilo Dias, 18 anos, participou do Promad e hoje trabalha na Unimed. O estudante pretende agora fazer vestibular para administração e investir na área. Ele diz que ficava nas ruas do bairro Linhares e que o trabalho o levou para um caminho diferente do de alguns colegas. “O Promad foi uma oportunidade importante na minha vida. Dificilmente eu iria conseguir um emprego desses se não tivesse passado por este programa da Amac. Minhas chances seriam muito reduzidas”, ressalta.

Julho-Agosto 2011suplemento  

Campus pág. 3 Pesquisa pág. 8 Cidade pág. 4 Cultura pág. 12 Saúde pág. 9 Especial pág. 6 e 7 Política pág. 5 Discussões sobre modalidades de...

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