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Entrevista

Reitor Eduardo Meneghel Rando fala sobre sua gestão frente à Universidade Estadual do Norte do Paraná, sobre as conquistas nesse tempo, problemas e dificuldades que também nortearam esse período marcado ainda pelo diagnóstico de câncer no cólon. Pág.11

Procurador geral da Justiça do Paraná avalia julgamento do mensalão Pág.13

IMPRESSO ESPECIAL

9912242580/2010-DR/PR UENP UNIVERSIDADE ESTADUAL DO NORTE DO PARANÁ

CORREIOS

Jornal

www.uenp.edu.br

Extensão

Em busca da cura Um projeto, aparentemente simples, tem feito melhor também a vida de muitas pessoas da região de Bandeirantes e Cornélio Procópio. Somente neste ano, o projeto de extensão intitulado “Cuidado de Enfermagem a Pacientes com Feridas” já realizou mais de 1200 consultas. O atendimento prestado por acadêmicos de Enfermagem sob orientação de professores do campus Luiz Meneghel tem o objetivo de melhorar a qualidade de vida de pacientes com a enfermidade. Pág. 15

dezembro de 2012

Ano I - Edição nº 01

Universidade por inteiro Atuar na produção do conhecimento científico em suas mais diversas formas e no processo de desenvolvimento regional e do Estado do Paraná é a missão da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP). Criada em 2006 com a fusão de cinco faculdades isoladas das cidades de Bandeirantes, Cornélio Procópio e

Jacarezinho, a UENP constituiu-se, de maneira efetiva, em 2010 com a eleição da primeira Reitoria que cumpre o mandato atual. A instituição oferece, atualmente, 23 cursos de graduação nas áreas das ciências humanas, da educação, da saúde e sociais; além de 17 cursos de pós-graduação lato sensu e dois stricto sensu. Pág. 16

Extensão

Muito além dos muros Em Jacarezinho, todas as quartas e quintas-feiras, extensionistas do projeto Fisioterapia Domiciliar auxiliam pessoas carentes com atendimento em suas residências e também em abrigos especializados do município. O projeto realiza uma série de ações que buscam a prevenção de agravo à saúde e sua manutenção, assim como auxiliar na recuperação de uma doenças ou sequelas. Pág. 03

Pesquisa identifica 100 espécies de peixes no rio Laranjinha, afluente do rio das Cinzas Pág.05

Os primeiros passos lá fora Cinco acadêmicos da UENP realizam intercâmbio na Espanha, Portugal e Austrália por meio do programa do Governo Federal Ciência Sem Fronteira. Págs. 08 e 09

Universidade Estadual do Norte do Paraná Fone/Fax: (43) 3525-3589 Av. Getúlio Vargas, 850. CEP: 86400-000 Jacarezinho - PR

Fachada da Reitoria da UENP em Jacarezinho

VESTIBULAR UENP ESTADUAL VERÃO 2013 UNIVERSIDADE DO NORTE DO PARANÁ

PROVAS: 20 e 21 de janeiro de 2013

ENSINO SUPERIOR GRATUITO


A UENP é uma universidade regional e deve enxergar o contexto em que atua, de forma a valorizar o desenvolvimento na sua área de atuação, sem desconsiderar, entretanto, que o conhecimento e a ciência transcendem limites geográficos.EDUARDO MENEGHEL RANDO

Editorial

Artigo

A primeira impressão A necessidade de aproximar a produção científica e a vida acadêmica do público motivou a criação deste jornal que surge com a responsabilidade de ser o primeiro meio de comunicação impresso da UENP. Este veículo de divulgação da Universidade traz, em sua gênese, o compromisso com a informação e com a formação da comunidade interna e externa da instituição. O jornal “Em Pauta” vem com o intuito de inspirar reflexões e divulgar a produção científica e de extensão da UENP, assim como eventos da sua agenda. A pretensão é audaciosa, e este meio de comunicação deverá prezar sempre pela competência técnica e pelo rigor editorial. A criação, a realização e a execução deste jornal é sinal de comprometimento da Universidade com a sociedade. O propósito é manter uma linha editorial sem rasura ou pontos de interrogação, sempre pautada pela ética e pelo compromisso social. O conteúdo desta primeira edição já denota as características deste veículo de comunicação e o tom de seus textos, mas este não é um jornal fechado, pronto, terminado. Poderá e de-

Universidade Pública e Trabalho Docente no Brasil SILVIA ALVES DOS SANTOS

verá incorporar, posteriormente, seu melhor jeito de existir com o aprimoramento natural das concepções sobre seu formato. O “Em Pauta” nasce de uma ideia quase solitária, mas deverá ser compartilhado por uma comissão editorial já para a próxima edição. O trabalho é para que, com o tempo, este veículo se torne um material de referência, conquistando o prestígio da sociedade como uma publicação sui generis. Prezará ainda pela análise criteriosa, transparência e objetividade. Este material surge com a proposta de fortalecer o movimento de integração desta nova Universidade: unir as antigas faculdades neste universo. Lembrando ainda que esse processo se iniciou com os docentes e discentes que contribuíram para este número. Esta edição que você tem nas mãos é a primeira impressão deste veículo que pretende se repetir a cada três meses, com a possibilidade de tornar-se mensal no percurso de sua história. Vida longa ao Jornal da UENP! TIAGO ANGELO

PALAVRA DO REITOR Inicialmente, quero cumprimentar e agradecer a toda nossa comunidade universitária pelo trabalho desenvolvido para a construção da Universidade Estadual do Norte do Paraná - UENP. Como integrantes de uma universidade pública, temos a obrigação de proporcionar o saber, pela sua geração e transmissão, para a formação adequada dos nossos estudantes nos campos da ciência, do desenvolvimento tecnológico e do desenvolvimento social e humano. Para isso, precisamos desenvolver ações que antes, como faculdades isoladas, não estavam presentes. A UENP é uma universidade regional e deve enxergar o

O conhecimento produzido na universidade, não sem resistências de grupos contra-hegemônicos, passa a ser orientado por interesses econômicos. SILVIA ALVES DOS SANTOS

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contexto em que atua, de forma a valorizar o desenvolvimento na sua área de atuação, sem desconsiderar, entretanto, que o conhecimento e a ciência transcendem limites geográficos. Mas a universidade também se constitui em um espaço para o desenvolvimento do cidadão, estimulando o contraditório e o questionamento, características indispensáveis para o fortalecimento de suas ideias e dos ideais. Nossa ideologia é democrática, pois entendemos que a mesma se constitui num importante fator para o funcionamento pleno da universidade, o que implica um absoluto respeito às normas constitucionais

previstas no seu Estatuto e no seu Regimento Geral e à legislação vigente. A UENP está no início de sua estruturação e temos muito a fazer. A Universidade considerada como a mais antiga do mundo é a de Bologna, Itália, cujo ano de fundação está datado de 1088. A UENP chegará lá, mas seremos nós a determinar a qualidade de nossa instituição e do sucesso na busca de seus objetivos. Esta reitoria está consciente de sua responsabilidade na definição desses passos iniciais da universidade, mas o apoio de todos neste grande projeto chamado UENP é indispensável para a concretização de nossos ideais.

Expediente Governo do Estado

Universidade Estadual do Norte do Paraná

Reitor Eduardo Meneghel Rando

Projeto Gráfico e edição de arte Leonardo Mari

Vice-reitor Rinaldo Bernardelli Junior

Colaboração/textos Adenize Aparecida Franco Maurício de Aquino

Expediente Assessor de Comunicação Tiago Angelo Textos e Fotos/projeto gráfico Tiago Angelo (MTB - 8798/PR )

Revisão Denise de Almeida Dias Impressão: Editora Gazeta do Povo S/A Tiragem: 6.000 exemplares

Universidade Estadual do Norte do Paraná - reitoria Fone/Fax: (43) 3525-3589 - Av. Getúlio Vargas, 850. CEP 86400-000 - Jacarezinho - PR Os artigos assinados não expressam necessariamente a opinião deste veículo de comunicação.

As transformações ocorridas na educação e na universidade pública nas duas últimas décadas no Brasil representaram a tradução insidiosa do novo paradigma produtivo afiançado pelo atual estágio do capitalismo. Mais do que simples alterações nas políticas públicas orientadas pelo Estado reformado, as ações que derivaram dessas políticas no interior das universidades afetando o trabalho docente provocaram reações diversas pelas quais professores, gestores e alunos, foram tomados como protagonistas de um processo reformista que continua em curso na educação superior brasileira. A reestruturação das instituições republicanas, a partir da Reforma do Aparelho do Estado em 1995, passou a reproduzir uma nova lógica para o trabalho acadêmico intelectual. Essa lógica, entre outros desdobramentos, causou impactos substanciais na saúde dos professores, nas relações interpessoais no ambiente de trabalho, na universidade e no tipo de produção científica derivada dos projetos de pesquisa institucionais (SGUISSARDI, SILVA JÚNIOR, 2009). A competitividade e a concorrência que passou a orientar o trabalho desses professores e respectivamente seus orientandos, com o objetivo de ampliar o número de publicações qualificadas, tornou-se uma prática naturalizada, sem antes se considerar que esse mesmo professor é levado a assumir diversas atividades para além do compromisso com a pesquisa e sua divulgação como, por exemplo, cargos administrativos, comissões, relatórios, editais públicos (MANCEBO, 1998). Desse modo, o trabalho dos professores pesquisadores na produção de conhecimento, ciência e tecnologia na universidade, mesmo que indiretamente, são forças que pertencem ao capital e que, por isso mesmo, são moldadas conforme o movimento pendular que lhe é dado historicamente, ora como criador de utilidades, ora como forma de apropriar-se do mecanismo de mais-valia (Marx, 2011). As pesquisas sobre trabalho docente no Brasil, conquanto revelem as condições de intensificação do trabalho do professor, parecem indicar a necessidade de continuar revendo as investidas insidiosas do capital na educação. Sob essa nova cultura acadêmica, a universidade pública acaba consolidando mecanismos que outrora eram específicos de organizações empresariais. O conhecimento produzido na universidade, não sem resistências de grupos contra-hegemônicos, passa a ser orientado por interesses econômicos. Atualmente, o prestígio e o status do trabalho numa universidade pública são conferidos mediante a apresentação e exposição da quantidade de artigos qualificados, orientações, mestrado, doutorado, publicação de livros, relatórios de pesquisa, enfim, atributos que não se quantificam de forma imediata, porquanto demandam um tempo de reflexão e amadurecimento intelectual. Do movimento de produtividade intensificada, impera a ideologia do produtivismo acadêmico, que, por sua vez, tende a orientar majoritariamente as práticas universitárias, com claros objetivos de consolidar a elitização da pesquisa, secundarizando o tradicional e histórico modelo de transmissão e produção do conhecimento nas salas de aula da graduação. O que devemos reconhecer, nesse processo, é que se faz necessária a construção de outra cultura acadêmica, em que a produção do conhecimento científico na universidade pública passe primeiramente pela compreensão de relações sociais mais amplas que movimentam essa demanda, mesmo porque a produção científica e os tipos de pesquisa a serem desenvolvidos, acompanham o movimento histórico e as correlações de forças, próprias da sociedade em que se realiza esse trabalho.

SILVIA ALVES DOS SANTOS é professora do Colegiado de Pedagogia - campus Cornélio Procópio; Doutoranda em Educação pela Universidade Federal de São Carlos; Coordenadora do Grupo de Pesquisa em Estudos Marxistas na UENP/CCP; Membro do Grupo de Pesquisa em Economia Política da Educação e Formação Humana (GEPEFH – UFSCar).

LEITURAS AFINS MANCEBO, Deise. Políticas para a educação superior e cultura universitária: o exercício da solidão no ideário neoliberal. Caxambu, 21ª Reunião da ANPED, 1998. MARX, Karl. Grundisse: manuscritos econômicos de 1857-1858: esboços da crítica da economia política. Tradução Mario Duayer. São Paulo: Boitempo; Rio de Janeiro: Ed. UFRJ, 2011. SGUISSARDI, V.; SILVA JR, J. R. O trabalho intensificado nas federais: pós-graduação e produtivismo acadêmico. São Paulo: Xamã, 2009.


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dezembro de 2012

Projeto Fisioterapia Domiciliar atende população carente de Jacarezinho; extensionistas aliam pesquisa à prática em terapias para as quais levam amor e carinho e recebem experiências de vida TIAGO ANGELO

Passa um pouco das oito da manhã de uma quinta-feira de dia quente e sol forte. O calor incomoda, mas não tira a disposição de três acadêmicas de Fisioterapia e da professora Lívia Gimenez que partem do Centro de Ciências da Saúde (CCS) de Jacarezinho para mais um dia de atendimento domiciliar na cidade. Os passos que acompanhei naquelas primeiras horas da manhã se repetem também à tarde por outro grupo de estudantes todas as semanas durante o ano inteiro. As quartas e quintas-feiras, extensionistas do projeto Fisioterapia Domiciliar auxiliam pessoas carentes com atendimento em suas residências e também em abrigos especializados do município.

Convivo com várias realidades e aprendo a ser mais humana e ter ainda mais amor pela profissão. LETÍCIA FAGUNDES DO NASCIMENTO

Uma das visitas daquela manhã foi feita à casa de dona Tereza Augustin Aladir, 58, mãe de Lucinéia Ledi, 32, que sofre de esclerose múltipla. Os trabalhos fisioterápicos na casa simples de madeira levam cerca de meia hora. A acadêmica Francyelle Sanches atende Lucinéia que teve a doença agravada após a segunda gravidez. Ela comenta que “O projeto Fisioterapia Domiciliar me permitiu estar mais próxima dos pacientes. Conhecer as necessidades e as dificuldades do dia a dia. A maioria dos pacientes são idosos, possuem grande experiência de vida. Aprendo muito com eles, a cada sessão levo uma lição de vida”. Todos os acadêmicos trabalham voluntariamente no projeto este ano.

Desde que comecei a participar, percebi a necessidade das pessoas, não só do atendimento e orientações, mas também de atenção e carinho. KARINA DOS SANTOS RODRIGUES

Extensão

Muito além dos muros

Tiago Angelo

Uma paciente muito querida no projeto é a dona Maria Conceição da Silva, 106 anos, mais conhecida como ‘Maria dos Cem Anos’. Chegamos à casa dela perto das 11h da manhã. Muito lúcida e comunicativa, enquanto recebia o atendimento, dona Maria contava um pouco de sua história de vida. Mineira e mãe de cinco filhos, a senhora de cabelos grisalhos e voz rouca contou que trabalhava na lavoura de café e que a vida era muito difícil e diferente de hoje. “De primeiro era os ‘home’ e as ‘muié’ que trabalhava, agora é os motor, é as máquina”. Durante a conversa em que falou do trabalho, da vida no campo, das criações, da natureza e da dureza dos tempos passados e das doenças que teve, dona Maria pontificou: “O começo

Alunos se adaptam a realidades, muitas vezes, adversas para levar atendimento

de nossa vida todo mundo sabe, mas o fim você não sabe. Nem eu, nem ninguém”. O projeto, idealizado pelo vice-reitor da UENP, Rinaldo Bernardelli Junior, quando diretor do CCS, e Fábio Antonio Néia Martini, então coordenador da Fisioterapia, em 2006, atende atualmente 36 pacientes semanalmente, mas, comenta Gimenez, coordenadora do Home Care, que a lista de espera é grande. O Fisioterapia Domiciliar realiza uma série de ações que busca a prevenção de agravo à saúde e sua manutenção, assim como auxiliar na recuperação de uma doença ou sequelas. Gimenes salienta que a atividade possibilita aos acadêmicos o dia a dia da Fisioterapia e mais. “Esse projeto é enriquecedor para os que participam. O trabalho é desenvolvido para pessoas carentes, em ambientes que são muitas vezes inadequados, e eles têm de ter a criatividade para se adequar a realidade e desenvolver o trabalho. E acabam por criar uma vivência maior da vida pessoal. É uma grande experiência de vida”. Fazem parte ainda do projeto neste ano os extensionistas: Pablo Aguirra, Karina dos Santos Rodrigues, Mariana Linhares Ferreira da Silva, Letícia Fagundes do Nascimento, Letiele Domingues Cunha e Camila Vilela.


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Resenha

Coruja, café e cachimbo:

inutilidades de Graciliano Ramos Na verdade estávamos mortos, vamos ressuscitando. [Graciliano Ramos, Memórias do Cárcere, p. 35] ADENIZE FRANCO

Coruja. O Velho Graça comemorou 120 anos. E daí? Pergunta Baleia sonhando com os preás que esvanecem no pó que levanta do sertão. Enquanto isso, Sinhá Vitória se preocupa com a cama de bolandeira que ainda não conseguiu comprar. Luís da Silva se retorce na cama, depois de um mês de sonhos intranquilos por ter assassinado Julião Tavares. Em sua mesa, no escritório da fazenda São Bernardo, Paulo Honório reconstrói sua vida, escrevendo-a ao modelo da divisão de trabalho. Alheios aos 120 anos de nascimento de seu criador, estas criaturas seriam-nos completamente desconhecidas caso Graciliano Ramos não tivesse nascido em algum dia do mês de outubro em Quebrangulo, Alagoas, região que sedimentou os tijolos de seus três romances capitais: Caetés, São Bernardo e Angústia. Depois, para quem as “primeiras relações com com a justiça foram dolorosas e deixaram (me) funda impressão” (Um cinturão), seus textos mudam de gênero: contos, memórias, relato de viagens e, se o retrato que se desenhava era a amarga existência, agora, era a existência amarga. Naquele ano de 1936, a coruja piou, mas não houve morte e sim a prisão do Velho Graça. Prisão que se possibilitou outra relação com a justiça, também providenciou – à semelhança de seu protagonista de Angústia – “escrever um romance além das grades pretas e úmidas” (Memórias do Cárcere). Entre as grades (referência ao conto que, de acordo com o próprio autor, serviu de motivo para desenvolver a criação de Luís da Silva, e que foi guilhotinado), Graciliano Ramos realizou a revisão do romance. Angústia, à parte toda série de “garranchos” e de ser considerado pelo autor como “mal escrito”, ainda assim era seu favorito. A angústia dilacerante do romance invade a tentativa de Graciliano Ramos de reescrevê-lo ou, antes, salvá-lo em Memórias do Cárcere. Por isso, vê-se na inscrição mencionada acima, aprisionado primeiro em viagens de trem e navio, depois no Pavilhão dos Primários, seguindo para a Colônia Correcional e terminando na Casa de Correção, um sentimento conflitante. Quase como um personagem de Franz Kafka, o Velho Graça desempenha o papel de Joseph K. em O processo. Preso à revelia, por falsas acusações de ser comunista, o escritor vê-se enredado numa trama romanesca. Conflitante porque não se rebela contra essa prisão, inclusive, como esclarece em Memórias, percebe nisso a possibilidade de se eximir da vida e das atribulações que ela exige, tais quais um pai de família, marido e/ou funcionário na Instrução Pública de Alagoas. Ao mesmo tempo, eximir-se significa seguir o fluxo, a corrente, as ondas do mar que o trazem ao Rio de Janeiro e, depois de dez meses em cárceres, sem acusação esclarecida, deixa-se aportar. “Liberdade completa ninguém desfruta: começamos oprimidos pela sintaxe e acabamos às voltas com a Delegacia de Ordem Pública e Social, mas, nos estreitos limites a que nos coagem a gramática e a lei, ainda nos podemos mexer.” (Memórias do Cárcere) Graciliano Ramos pôs em prática a necessidade de se mexer entre a gramática e a lei, justamente utilizando a gramática para se manifestar. O texto coeso, limpo, direto - sem retirar as asperezas que a sociedade, a contenção e a palavra nos impõem - revela a linguagem do autor, cuja metáfora para a escrita era justamente a forma como as lavadeiras de Alagoas fazem seu ofício, pois, “a palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro; a palavra foi feita para dizer”. Por isso, o tempo passa e a obra de Graciliano Ramos permanece, imperecível como o pio da coruja na torre da igreja.

Café. Entre xícaras e xícaras de café, cigarro, cachimbo e cachaça, Graciliano Ramos finalizou Angústia. O “Dostoievski do Trópicos”, como fora chamado (não sem ironizar, evidentemente, tal epíteto), apresenta-nos a história de Luís da Silva, funcionário público que acorda atormentado pelo crime cometido contra Julião Tavares. Perturbado, o personagem, desembesta a contar, numa continuidade do processo utilizado por Graciliano Ramos já em São Bernardo, um jorro de inquietações através do monólogo interior, da narrativa em mise en abyme, da metanarrativa e da literatura de cunho social. Mais uma vez, o escritor alagoano utiliza um crime para revelar, não o que mostra a borra do café, mas sim um personagem, Luís da Silva, que personifica esse escritor/intelectual que se constrói mergulhado em memórias que condicionam sua personalidade. Angústia tornou-se a representação de um momento histórico brasileiro: da decadência dos grandes latifundiários à alienação do pai do narrador-personagem, perdido em histórias de Carlos Magno, percebemos as mudanças nessa parte da sociedade já sem condições de manter sua fortuna. Sozinho no mundo, em consequência da morte do pai, Luís da Silva segue em busca de seu destino. Mas ele já está marcado pela tragicidade, sabe que não conseguirá participar da elite social, pois sua decadência familiar colocou-o numa situação desfavorável e insignificante da qual ele não pode fugir. Um destino que é sua marca - a decadência em todos os planos de sua vida. E, para enfatizar a condição do ser humano trágico, o autor recompõe visualmente o mundo de Luís da Silva. Se uma lembrança atrai outra lembrança, uma palavra outra palavra, isso só é possível através das imagens que ou evocam essas lembranças, conduzindo o narrador a um momento no passado, ou o despertam para a vida miserável que leva. “Luís da Silva, a caminho da repartição, lesando, pensando em defuntos”. (Angústia)

Cachimbo. “- Existem coisas inúteis que nós conservamos. Eu conservo este cachimbo, que é inútil e até me faz mal” (São Bernardo). A inutilidade das coisas, até para Graciliano, era escolhida como no poema Catar feijão, de João Cabral de Melo Neto, dando a pedra à frase seu grão mais vivo. A cama de bolandeira, desejo de Sinhá Vitória, era uma inutilidade? O colchão de paina para Marina era uma inutilidade? O cachimbo de Paulo Honório era, realmente, uma inutilidade? Contraditório pensar em Graciliano Ramos (na voz de Paulo Honório) discorrendo sobre a inutilidade das coisas. O autor sempre com a navalha em riste, cortando os excessos, polindo a superfície para dar brilho ao recôndito, usando as mesmas vinte palavras para que a utilidade se sobressaísse. A inutilidade também é útil, ainda que seja para fazer mal. A cama de bolandeira, o colchão de paina e o cachimbo são o símbolo de felicidade terrena que o autor utiliza para acordar aqueles que padecem do sono morto. Porque se “a arte é inútil”, como quis dizer Oscar Wilde, ou estéril, ela adormecerá nessa cama de bolandeira fumando serenamente seu cachimbo crente que acordará feliz, num mundo cheio de preás, gordos, enormes. E Graciliano Ramos continuará (e não demorou os trezentos anos que ele imaginava) a fazer “idiotas” que estudam gramática lerem os monólogos de Paulo Honório, procurando neles exemplos de boa linguagem.

ADENIZE FRANCO escreve no blogue: http://literaturaintempestiva.blogspot.com.br/ e gosta de gatos, sons e preto e branco. Também é mestre em Literatura Brasileira com estudo sobre Angústia, de Graciliano Ramos, e a Deformação Expressionista (UFSC); doutoranda em Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa (USP) e docente de Literatura Portuguesa e Brasileira da UENP. (e-mail: adenizeafranco@gmail.com).


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dezembro de 2012

Pesquisa inédita busca mapear ecossistema do rio Laranjinha; dados mostram que quase 35% dos peixes catalogados do Paraná podem ser encontrados nos seus 350km de extensão

Pesquisa

Riqueza ictiofauna

Arquivo

100 espécies de peixes já foram catalogadas no rio Laranjinha

TIAGO ANGELO A caracterização da diversidade e estrutura genética das populações de peixes ao longo do rio Laranjinha, afluente da bacia do rio das Cinzas, que banha o norte do Paraná, revelou espécies de peixes ainda não descritas no mundo e que o rio de aproximadamente 350km guarda uma riqueza ictiofauna de grande relevância para o Estado e para o País. As 100 espécies de peixes catalogadas no rio Laranjinha em comparação com as 310 de todo alto rio Paraná é um fato tão significativo que também surpreendeu o professor e pesquisador Bruno Ambrozio Galindo, da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), que coordena o projeto. O trabalho intitulado ”Levantamento da Biodiversidade do Rio Laranjinha” foi iniciado em 2010 a partir dos resultados das pesquisas do professor-doutor Sandremir de Carvalho da UENP que trabalhava num trecho do rio, estudando a eficiência de uma escada de transposição existente no Laranjinha. “Então resolvi partir para um estudo mais abrangente, fazendo um levantamento da diversidade de peixes ao longo de todo o rio Laranjinha, coletando desde sua nascente até sua foz, aliando ao levantamento de espécies a análise genética de algumas delas”, explica. O professor ressalta que, dentre as 100 espécies catalogadas, algumas merecem especial destaque, como é o caso da Brycon nattereri, popularmente conhecida como Pirapitinga. Segundo Galindo, trata-se de um peixe raríssimo: “Nosso registro foi apenas o segundo no Paraná, mas provavelmente seja a maior população registrada no Estado desse peixe que consta na lista de espécies ameaçadas de extinção do Ministério do Meio Ambiente”. O professor revela que um peixe ainda abundante no Laranjinha é o Curimba (Prochilodus lineatus), mas, que assim como outros peixes, está sob intensa ameaça caso se confirme a construção de barragens para fins hidrelétricos no seu curso. Galindo acentua que uma das particularidades do rio Laranjinha é a abundância de espécies de Cascudos. “Certamente temos mais de 20 espécies diferentes de cascudos para o rio Laranjinha, destas, algumas ainda nem foram des-

critas, o que significa que são espécies novas para a ciência, como é o caso de um pequeno gênero de cascudo chamado Ancistrus, um cascudo de poucos centímetros de comprimento, que possui uma série de tentáculos na região de seu “focinho” o que lhe dá um aspecto ‘Barbado’”. Ele destaca ainda a ocorrência do Dourado (Salminus brasiliensis) de ocorrência e de um irmão do Dourado: a Tabarana (Salminus hilarii), peixes raríssimos. O pesquisador disse que, nesses dois anos, já foram realizadas 42 coletas em nove trechos diferentes do rio desde a sua nascente no município de Ventania, passando por Figueira, Ibaiti, Santa Amélia, Ribeirão do Pinhal, Nova Fátima, até sua foz entre os municípios de Bandeirantes e Santa Mariana. Galindo acentua que os resultados preliminares da pesquisa que é financiada pela Fundação Araucária e UENP apontam o rio Laranjinha como um reservatório de diversidade de peixes, seja pela presença de mais de 100 espécies para a bacia, considerando seus afluentes, seja pela presença de espécies ameaçadas de extinção e rara ocorrência. O rio Laranjinhas possui paisagens e cenários naturais exuberantes, com cachoeiras, corredeiras, nascentes de água cristalina e paredões rochosos, mas toda essa riqueza, alerta Galindo, está ameaçada. “Nesses anos coletando ao longo deste rio, infelizmente presenciamos alguns crimes contra ele, tais como remoção da mata ciliar, poluição de diversas origens, evidências de pesca predatória, ameaças contra as quais o rio Laranjinha lutou até hoje para que pudéssemos descobri-lo. A partir de agora, o que faremos?”. Com a conclusão do projeto que é executado ainda por uma equipe de estagiários, técnicos e mais quatro professores, dentre eles, dois da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Galindo vislumbra transformar o Laranjinha em um patrimônio natural do Estado. “Antes não tínhamos a real noção da importância da conservação deste rio, mas hoje temos ao menos a noção no que se refere à diversidade de sua ictiofauna. E agora a responsabilidade é maior, precisamos nos mobilizar e fazer com que estes dados científicos se tornem medidas concretas”, acentua. Ao final desta etapa em 2014, será entregue uma cópia dos dados das pesquisas ao IAP e à Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Paraná.


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40 anos Em 2012, o curso de Educação Física da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP) completou 40 anos de existência. O quadragésimo aniversário, comemorado em 19 de junho, marca a longevidade de uma das instituições mais respeitadas do cenário educacional paranaense, reconhecida por excelência científica e acadêmica, além de prestar serviços de saúde à comunidade. Inicialmente Faculdade de Educação Física de Jacarezinho (Faefija), a Instituição, após integrar-se à UENP, passou a ser denominada de Centro de Ciências da Saúde (CCS). O curso, que já formou mais de 3.500 profissionais nessas quatro décadas de existência, tem se destacado como um dos melhores do Paraná, fato acentuado pela nota 4,0 no Exame Nacional de Desenvolvimento de Estudantes (Enade), a maior nota obtida por um curso da área no Estado e pela procura de candidatos dos mais diversos Estados como: Bahia, Rondônia, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, além do Estado do Paraná. O diretor do CCS, professor-doutor Fábio Antonio Néia Martini, salienta que: “O Curso de Educação Física teve e tem muita importância para todo o Norte Pioneiro do Paraná e sul de São Paulo, pois formou

educadores físicos que se espalharam por todo o Brasil”. Ele salienta que: “Estamos nos preparando para mais 40 anos de modernização para melhor capacitação dos futuros profissionais da área”. Além das atividades de ensino, a Instituição promove vários projetos de extensão. Há ainda incentivo à pesquisa por meio da realização de congresso científico, envolvendo docentes e acadêmicos do CCS e participantes de outras instituições. O CCS oferta também cursos de pós-graduação, a nível lato-sensu, nas áreas de Educação Física e Fisioterapia, com cursos na sede e fora dela.

Professor Rodrigo Otávio (à dir.) durante assinatura do decreto para a criação da Faefija no ano de 1972 em Brasília

Torres Pereira (professor Rodrigo, seu fundador), Wagner Holtz Merége, Jairo Pinto Pinheiro, Marílvia Mantovani Madalena Soares, Lia Lima e Alfredo Deviene Junior.

História

Estamos nos preparando para mais 40 anos de modernização para melhor capacitação dos futuros profissionais da área

TIAGO ANGELO

Arquivo

Os primeiros professores da antiga Faefija foram Rodrigo Otávio

A Faculdade Estadual de Educação Física de Jacarezinho (Faefija) foi instituída pelo Governo do Estado do Paraná, sob forma de Fundação de Direito Público, segundo o disposto no Artigo 4º da Lei N.º 5.540, de 28 de novembro de 1968. Em 10 de fevereiro de 1972, o Egrégio Conselho Estadual de Educação emitiu parecer 2/72, no Processo número 032/72, favorável à autorização para o funcionamento da então Fundação Faefija e em 20 de junho de 1972 a Instituição iniciou suas atividades, através de seu fundador e diretor, pro-

Jogos universitários da UENP Cerca de 400 acadêmicos da UENP disputaram, em outubro, o segundo jogos universitários “Interuenp”. As competições, que neste ano foram realizadas em Bandeirantes com coordenação geral do professor Éder Paulo Fagan, buscaram, além do incentivo à prática esportiva, a integração entre os estudantes dos três campi da Universidade. Ânimo e disposição para vencer, além dos adversários, o forte calor na cidade, não faltaram aos participantes. O campus Jacarezinho, pelo segundo ano, levou a melhor com 136 pontos, o que garantiu o troféu de campeão geral à delegação; o campus Luiz Meneghel (CLM), de Bandeirantes, fez 114 pontos e Cornélio Procópio 62.

O coordenador técnico dos Jogos, professor Dino Veiga Filho, ressaltou que “O resultado dos Jogos foi positivo. O pessoal participou ativamente, competiu honestamente, com raça, com vontade, mas o que sobressaiu ao espírito esportivo de querer vencer foi o desejo de se divertir”. O vice-reitor Rinaldo Bernardelli Junior acentua: “Nesse segundo Jogos, há de se destacar a participação efetiva dos alunos da UENP na organização, o que demostra maturidade, pois os Jogos são feitos para eles e nossa intenção é que esse amadurecimento seja tal que os alunos possam vir, no futuro, a organizar os Jogos, contando somente com a ajuda que for necessária da direção da Universidade”.

fessor Rodrigo Octávio Torres Pereira, obedecendo ao decreto N.º 70.425, de 17 de abril de 1972, do presidente da República e ministro da Educação, publicado no Diário Oficial da União, edição de 19 de abril de 1972, o qual autorizava seu funcionamento. O Decreto número 79.150, de 19 de janeiro de 1977, do presidente da república, publicado às folhas 737 do Diário Oficial da União, de 20 de janeiro de 1977, homologou o Parecer n.º 3749/76, concedendo o reconhecimento aos Cursos de Educação Física e de Técnico de Desportos, desta Faculdade. A Instituição instalou-se na Escola Estadual Imaculada Conceição, onde funcionou de 1972 até 1990 e, no dia 20 de agosto de 1991, transferiu-se para sua sede própria na Alameda Padre Magno, 841. A galeria de diretores da Instituição é formada pelos professores

Fachada do Centro de Ciências da Saúde da UENP em Jacarezinho

Rodrigo Otávio Torres Pereira (1972 a 1976), Wagner Holtz Merége (1977 a 1981/ 1991 a 1995), Lia Lima (1981 a 1983), Hayrton Tobias Mendes de Andrade (1983 a 1987),

Carlos Eduardo Corrêa da Silva (1987 a 1991), Sueli Carrijo Rodrigues (1995 a 2000), Rinaldo Bernardelli Junior (2000 a 2004 / 2004 a 2010) e Fábio Antonio Néia Martini (2010 a 2014).

Primeiras medalhas no Josuepar A primeira participação da UENP nos Jogos dos Servidores das Universidades Estaduais do Paraná ( Josuepar) superou as expectativas. Com a menor delegação dentre as seis universidades participantes, a UENP conquistou seis medalhas nos Jogos, sendo duas de ouro, duas de prata e duas de bronze. O resultado expressivo para os 13 servidores da instituição já lhes possibilita planos mais ambiciosos para os jogos de 2013, que serão realizados na Universidade Estadual do Oeste (Unioeste): aumentar o número de participantes da delegação para cerca de 40 pessoas e, consequentemente, o número de medalhas.

O vice-reitor da UENP, Rinaldo Bernardelli Junior, comemorou o bom resultado nos Jogos realizados em Guarapuava, de 24 a 27 de outubro deste ano, e salientou que a participação dos ser vidores foi de grande importância para levar o nome da Universidade ao conhecimento de outras instituições do Paraná. Ele ressaltou ainda que o objetivo de integrar a comunidade universitária paranaense, por meio do incentivo à prática esportiva e à atividade física, é uma grande oportunidade para aproximar as instituições e que a UENP deve fazer parte dessa história que já tem 21 anos.


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dezembro de 2012

Trabalho pela internacionalização A inserção da UENP no plano internacional já está pautada por iniciativas concretas e programas de intercâmbio. O vice-reitor e coordenador de relações internacionais da UENP, Rinaldo Bernardelli Junior, ressalta que o processo de internacionalização da instituição surge como uma necessidade vital diante do fenômeno da globalização que apresenta uma nova realidade para as universidades que passam a interagir e dialogar na busca pelo progresso, desenvolvimento e bem estar humano. “Hoje não se admite mais uma universidade que queira ser de ponta sem a internacionalização. Internacionalizar é palavra de ordem nas grandes e pequenas instituições. Isso é questão de sobrevivência”, pontifica o vice-reitor. Na UENP, atualmente, há dois processos que funcionam de forma sistemática e paralelas e que contribuem para o início do processo: a Zona de Integração do Centro-Oeste da América do Sul (ZICOSUR), que visa ao desenvolvimento das instituições e também acordos internacionais nos campos social, político, econômico, educacional e cultural, e o mestrado em Direito que já recebeu professores da Ingla-

O nosso saldo é extremamente positivo no percurso desses dois anos, mas sou consciente de que o caminho é longo e precisa ser sedimentado, pouco a pouco, com muito trabalho

TIAGO ANGELO

Tia go Ang elo

terra, Colômbia, Portugal e Espanha. A Universidade integra ainda o programa Ciência sem Fronteira do Governo Federal que possibilitou intercâmbio de cinco alunos da UENP para a Europa e Oceania em setembro deste ano. O vice-reitor ressalta: “Demos grandes passos no sentido da internacionalização. O nosso saldo é extremamente positivo no percurso desses dois anos, mas sou consciente de que o caminho é longo e precisa ser sedimentado, pouco a pouco,

com muito trabalho”. O professor lembra que a ideia de espaço acadêmico ganhou uma nova dimensão na contemporaneidade e que a UENP tem traçado seu caminho nesses últimos dois anos para não ficar de fora desse universo. “Se a Universidade não se internacionalizar, ficará de fora do mundo da ciência, do desenvolvimento e do progresso científico”, acentua. “Há muita coisa por fazer para estarmos dentro desse

universo. Se terminarmos nossa gestão em 2014 com alguns passos consolidados nesse sentido e encaminharmos um projeto político para a Universidade, deixando-o documentado, teremos feito um grande trabalho de base diante da falta de estrutura que enfrentamos para a realização das atividades”, ressalta Rinaldo. Ele informa que os trabalhos no próximo ano deverão se concentrar em duas frentes: “Primeiro, na mobilidade discente.

Até agora a UENP não recebeu alunos estrangeiros, e isso será prioridade para 2013, além de proporcionar o intercâmbio a alunos da UENP. Segundo grande foco: Tentar o máximo possível facilitar o aprendizado de uma segunda língua por parte da comunidade acadêmica da Universidade”, acentua o vice-reitor, lembrando que a proficiência em uma segunda língua, em especial o Inglês, será determinante para a internacionalização da UENP.

Acesso ao Portal de Periódicos da Capes Como uma biblioteca virtual, Portal disponibiliza o melhor da produção científica nacional e internacional, cobrindo todas as áreas do conhecimento A UENP conquistou, neste ano, acesso parcial ao Portal de Periódicos da Capes. A liberação, formalizada em julho, irá beneficiar professores, acadêmicos, pesquisadores, técnicos e funcionários vinculados à Instituição com acervo de publicações nacionais e internacionais com texto completo, além de livros, enciclopédias e obras de referência as

quais cobrem todas as áreas do conhecimento. O Portal de Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) é uma biblioteca virtual que reúne e disponibiliza revistas científicas brasileiras, bases de dados referenciais, bases de dados de patentes com cobertura internacional, livros, teses e dissertações,

arquivos abertos e redes de e-prints, dados estatísticos, normas Técnicas, materiais audiovisuais e fontes referenciais diversas. Todo o conteúdo do Portal é divido em sete grandes áreas do conhecimento, subdivido em 130 bases referenciais, dez dedicadas a patentes, disponibilizadas a instituições de ensino e pesquisa no Brasil. Em ofício envia-

do à UENP, Adalberto Grassi Carvalho, diretor da CAPES do núcleo de Programas e Bolsas no País, pontua: “Parabenizo a Instituição pelos resultados alcançados em seus programas de pós-graduação stricto sensu e no Índice Geral de Cursos – IGC, do INEP/ MEC [Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio

Teixeira do Ministério da Educação], resultados que a qualificam a merecer o apoio da CAPES quanto à concessão do acesso parcial e gratuito ao Portal de Periódicos, a partir deste ano”. Ele acrescenta que “A parceria entre a CAPES e a UENP, com certeza, promoverá benefícios para toda comunidade acadêmica, contribuindo

para o desenvolvimento científico, tecnológico e cultural do País”. Para acesso às bases de dados, o usuário deverá acessar o tutorial de configurações da UENP no endereço eletrônico da Instituição (www.uenp. edu.br). Quando a pesquisa for feita fora dos campi da Universidade, haverá necessidade da senha e do login do usuário.


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Intercâmbio

Os primeiros passos lá fora Acadêmicos da UENP são selecionados por programa Ciência sem Fronteiras do Governo Federal e ganham oportunidade de cursar parte da graduação em universidades estrangeiras

TIAGO ANGELO A experiência internacional no currículo é um diferencial que a UENP já dispõe aos seus alunos. A oportunidade de cursar parte da graduação no exterior é realidade que, em setembro deste ano, começou a tomar forma dentro da Universidade. Com destino à Espanha, Portugal e Austrália, cinco alunos dos três campi da instituição embarcaram para intercâmbio de mobilidade discente por meio do qual terão oportunidade de cursar disciplinas nas áreas de atuação, além de aperfeiçoar o idioma local e experienciar a cultura dessas nações. Os acadêmicos, que antes do embarque viveram a ansiedade pela viagem, já têm suas primeiras impressões do intercâmbio. Bruno Maschio Neto, que cursa Enfermagem no Centro de Ciências Biológicas (CCB), campus Luiz Meneghel (CLM) de Bandeirantes, conta que, embora a dificuldade de estar longe de casa, a experiência está sendo enriquecedora. “Sem dúvida, é uma dádiva fazer parte deste importante programa do CNPq,

que está me proporcionando muito conhecimento técnico, científico, linguístico e, sem dúvida, cultural”, afirma Bruno que está na Universidade de Barcelona, na Espanha. O jovem relata ainda: “O contato com os diferentes profissionais, pacientes, patologias, diagnósticos, seções clínicas, consultas, seminários, exames, estudo de caso, dentre outros aspectos do meu curso, está me proporcionando um riquíssimo conhecimento. Agradeço a Deus pela grande oportunidade e, em especial, à UENP e ao CNPq”. A experiência também tem se revelado extraordinária para Pedro Soldera Neto, graduando de Sistemas de Informação, do Centro de Ciências Tecnológicas, do CLM, que foi aceito para cursar parte de sua graduação na Universidad de Las Palmas de Gran Canaria, na Espanha. O aluno destaca a alegria de poder conhecer culturas diferentes e salienta que a cidade é muito bonita e oferece diversas opções de lazer. “O que mais gostei é o contato não só com pessoas daqui, mas com pessoas de todo o mundo, praticamente”. Joice de Matos Consani, também estudante de Enfermagem do CCB, que está em

Porto, Portugal, destaca: “Esta experiência está me fazendo crescer muito pessoalmente, mesmo tendo um pouco de dificuldade com as diferenças no ensino, está sendo gratificante”. Com relação a semelhanças entre as culturas portuguesa e brasileira, Joice lembra que “Por mais próxima que seja à do Brasil, existem muitos hábitos diferentes”. Já o graduando de Geografia, Fábio José Pires, do Centro de Ciências Humanas e da Educação (CCHE), campus Cornélio Procópio (CCP), com intercâmbio em Portugal, partilha: “A experiência de estar na Universidade de Coimbra, a primeira universidade de Portugal, criada em 1290, e umas das mais antigas e importantes da Europa, é uma oportunidade maravilhosa”. Em seu relato, destaca ainda a arquitetura local e afirma que a população é simpática e hospitaleira. A graduanda de Fisioterapia, do Centro de Ciências da Saúde (CCS), campus Jacarezinho, Daniela Licka Taniguti, que ficará dez meses na Universidade Adelaide, na Austrália, fala sobre a sensação que teve ao chegar ao país. “A primeira impressão não podia ser melhor. A

cidade é muito organizada, limpa e arborizada. É fácil notar que a população, em sua maioria, respeita as leis e preza por uma cidade melhor”. A acadêmica, que está morando em uma casa de família (homestay), conta que a insegurança é superada a cada dia com novas descobertas. “Tem sido uma experiência única” O programa, uma iniciativa dos Ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do Ministério da Educação (MEC), por meio de suas respectivas instituições de fomento – CNPq e Capes –, e Secretarias de Ensino Superior e de Ensino Tecnológico do MEC, busca promover, dentre outros fatores, a consolidação, expansão e internacionalização da ciência e tecnologia. Na UENP, o programa tem como coordenadora geral a professora Eliane Segati Rios Registro. Ela acentua que a Universidade aderiu a esse programa assim que foi lançado, com objetivo de inserir os acadêmicos em contextos educacionais de excelência, de modo a oportunizar o desenvolvimento científico, políti-


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1 co, cultural e social aos alunos. “Com isso, esperamos traçar parcerias de pesquisa entre a UENP e as Universidades que recebem os nossos acadêmicos, no intuito de estreitar os laços da pesquisa científica, contribuindo, consequentemente, para o desenvolvimento de nossa Universidade”.

Editais Aos interessados em viver essa experiência, novos editais para participar do programa já estarão abertos a partir do dia 20 de novembro para seis países: Alemanha, Austrália, Canadá, Coréia do Sul, Holanda e Reino Unido. As inscrições vão até 14 de janeiro de 2013. Para o aluno participar do processo seletivo, tem de se inscrever no edital do Governo Federal do Ciência sem Fronteira e, ao mesmo tempo, no site da instituição de ensino superior de origem. O processo avalia o currículo do acadêmico que deverá comprovar proficiência linguística, dependendo do país escolhido para realizar o intercâmbio.

Legendas: 1 Bruno Maschio nas montanhas de Montserrat, Espanha; 2 Daniela Licka Taniguti em

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Cleland Wildlife Park, na Austrália;

3 Fábio José Pires no Paço das Escolas da Universidade de Coimbra; 4 Pedro Soldera Neto e Josimar, outro aluno do CSF, na fonte em Mas Palomas;

5 Joice de Matos Consani em Viana do Castelo, Portugal.

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dezembro de 2012 Fotos: Arquivo


10 Em 2013, no interior da Bahia Em janeiro de 2013, oito acadêmicos da UENP embarcam para Ubaíra, município do interior da Bahia, onde, juntamente com a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF-MG), realizarão atividades que buscam o desenvolvimento local sustentável. Esta é a quarta vez que a UENP participa do Projeto que é organizado pelo Ministério da Defesa em municípios pertencentes às regiões mais pobres do Brasil, de acordo com o levantamento do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). A primeira participação da UENP no Projeto Rondon foi, em 2011, na cidade de Riachão do Dantas, em Sergipe. Em julho do mesmo ano, os alunos foram até Jauru, no Mato Grosso, onde integraram a Operação Tuiuiu. Neste ano, a Operação Açaí, realizada na cidade de Domingos do Capim, no Pará, também contou com a participação de acadêmicos da Universidade. Segundo a professora Mariza Fordellone, do campus Luiz Meneghel, coordenadora do projeto selecionado: “Esta é uma experiência única e muito importante para o aluno, e o aprendizado é de grande importância para a vida profissional, sem contar os benefícios que serão proporcionados ao município e à população. Acho que é um projeto de grande importância e abrangência que leva benefícios a todas as instâncias”.

Guia do Estudante A Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP) tem dez cursos “estrelados” pelo Guia do Estudante (GE), da Editora Abril. O curso de Pedagogia, do Centro de Ciências Humanas e da Educação (CCHE), campus Jacarezinho, é destaque na avaliação, com quatro estrelas. Três cursos estrearam na premiação, este ano, com três estrelas: Sistema de Informação, do campus Luiz Meneghel, de Bandeirantes, Fisioterapia, campus Jacarezinho, e Pedagogia, campus de Cornélio Procópio. A avaliação dos cursos, realizada em instituições públicas e privadas do Brasil, está na publicação GE Profissões Vestibular 2013, e também será divulgada no site: www.guiadoestudante.com.br. Esta é a segunda vez que cursos da UENP são reconhecidos pelo Guia do Estudante. Ao lado de pedagogia e fisioterapia, o curso de direito, também do campus Jacarezinho, recebeu esse selo de qualidade. No campus de Cornélio Procópio, administração, novamente, foi “estrelado”, e, no campus Luis Meneghel, de Bandeirantes, os cursos de agronomia, ciências biológicas, enfermagem e medicina veterinária, todos com três estrelas. A média da avaliação é de uma a cinco estrelas. Publicado anualmente, o GE Profissões tem o intuito de orientar vestibulandos sobre instituições e profissões, além de conter informações atualizadas sobre o mercado de trabalho. A Avaliação de Cursos Superiores do GE, que está em sua 22ª edição, tem como critérios para a avaliação dos cursos a grade curricular, ensino, pesquisa e extensão, corpo docente, dentre outros. O reitor da UENP, Eduardo Meneghel Rando, parabeniza direção de Campus, de Centros, coordenadores de curso, professores e alunos da Universidade pelo reconhecimento do Guia do Estudante. “Ficamos todos muito felizes pelo desempenho de nossos cursos de graduação. É um resultado extremamente significativo para a UENP que está iniciando um processo de consolidação. Parabenizamos a todos pela dedicação em busca da excelência nas atividades desenvolvidas e pelo resultado conquistado mais uma vez”. (T.A)

Artigo

ERIC HOBSBAWM (1917-2012)

Historiador talentoso e socialmente engajado MAURÍCIO DE AQUINO

“Hobs” –

“Em minha vida, atravessei quase todo o século mais extraordinário e terrível da história da humanidade. Morei em alguns países e vi algo de outros, em três continentes. Talvez, eu não haja deixado no mundo uma marca visível no curso dessa longa existência, embora deixe boa quantidade de marcas impressas em papel, mas desde que tomei consciência de ser historiador, com a idade de dezesseis anos, observei e ouvi durante a maior parte dela, buscando entender a história de meu próprio tempo” (Eric Hobsbawm, Tempos Interessantes, Cia. das Letras, 2002, p. 11). Quando Eric Hobsbawm esteve pela última vez no Brasil, na Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP), em 2003, deve ter se dado conta das marcas indeléveis que imprimira nas mentes de gerações de intelectuais, acadêmicos ou não, em diversas partes do mundo, sobretudo, em países com histórias similares a do Brasil – “um monumento à negligência social”, como denunciou nas páginas finais de seu livro Era dos Extremos. Sua popularidade foi tamanha nesse evento literário que a historiadora Lília Schwarcz (vinculada à editora Companhia das Letras) designou-o como “intelectual superstar”. De fato, a sua palestra na FLIP foi a mais disputada e várias pessoas, de diferentes idades, acorreram à Paraty para ver e, em alguns casos, conversar com o historiador que somava então 86 anos de idade, simpático ao se apresentar informalmente como “Hobs” e provido de uma invejável disposição para pensar e fazer pensar que preservou até sua morte por pneumonia, no dia 1º de outubro de 2012, em Londres.

“Pássaro migratório” –

Em sua autobiografia, intitulada Tempos Interessantes, Hobsbawm afirmou que o bom historiador se assemelha mais a um pássaro migratório, em movimento, do que aos majestosos carvalhos e cedros, fincados no solo. Sem dúvida, ele se referiu, positivamente, à sua própria trajetória. Eric John Ernest Hobsbawm nasceu no dia 09 de junho de 1917, na cidade de Alexandria, no Egito, então parte do Império Britânico. Dois anos depois, seus pais, Leopold Percy Hobsbaum (isso mesmo, sem o “w” incorporado indevidamente pelo consulado britânico egípcio ao nome de Eric) e Nelly Grün, mudaram-se para Viena, onde Leopold faleceu em 1929 e Nelly em 1931. Aos quatorze anos, Hobsbawm estava completamente órfão. Foi então morar em Berlim com os tios. Em 1933, com a ascensão de Hitler ao poder Hobsbawm “voou” novamente, agora para Londres. Em 1936, ingressou no Kings College da Universidade de Cambridge para realizar seus estudos em História. Durante a Segunda Guerra atuou, sobretudo, no setor de inteligência, na condição de tradutor, explorando sua virtude de poliglota. Em 1948, iniciou seu trabalho como professor universitário no Birkbeck College, da Universidade de Londres, onde se aposentou no ano de 1982. Sua trajetória de “pássaro migratório” tornou-o, como ele próprio escreveu em sua autobiografia, um homem sem raízes ou vínculos localizados o que lhe causou angústias na vida privada, mas também lhe forneceu certa vantagem profissional em termos de distanciamento e visão de totalidade. Pode-se dizer, todavia, que o núcleo duro de sua identidade estava associado às suas convicções de origem – políticas e epistemológicas. Estas convicções se uniam em um nome: Karl Marx (1818-1883). Do materialismo histórico-dialético marxiano, Hobsbawm construiu sua maneira de pensar o mundo, de conceber as relações sociais e de interpretar a história. Fez-se cidadão socialista e historiador marxista.

“Eras” –

Entrevistado em 10 de setembro de 2011 pelo jornal Estadão, Hobsbawm afirmou ser a “era” a melhor unidade para se pensar a história uma vez que ela se faz com séculos. De fato, “Hobs” serviu-se dessa noção de “longa duração” para fabricar suas grandes sínteses sociopolíticas e culturais do século XIX e do século XX. A propósito, sensível às particularidades do tempo histórico (qualitativamente diferente do tempo cronológico), Hobsbawm propôs que o século XIX teria se iniciado em 1789 com a Revolução Francesa e chegado ao fim apenas em 1914 com a Primeira Guerra Mundial (Era das Revoluções, Era do Capital, Era dos Impérios). Entre 1914 e 1991, da Primeira Guerra ao fim da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, teria transcorrido o século XX, verdadeira Era dos Extremos. Hobsbawm fez do “longo” século XIX seu objeto específico de estudos. Ele foi um dos mais importantes especialistas desse período. Por outro lado, ele viveu no “breve” século XX do qual se tornou sujeito e analista. Considerando, tal como afirmara Max Weber (1864-1920), que quem se diz neutro já tomou partido, “Hobs” não ficou em cima do muro. Foi comunista militante, de associações e agremiações políticas e científicas. Denunciou, em diferentes idiomas, as nefastas consequências do capitalismo. Ele tomou posição e, a seu modo, lutou na Guerra Fria. Seu engajamento transparece nos textos que escreveu acerca do século XX, sobretudo, na crítica apurada do capitalismo e ainda em sua condescendência para com as tragédias causadas pelo stalinismo. Hobsbawm foi do século XX assim como o século XX foi de Hobsbawm. Muito significativamente ele se viu obrigado a escrever sobre esse século desde duas perspectivas complementares: a analítica e a autobiográfica, desse modo estão unidos os livros Era dos Extremos (1995) e Tempos Interessantes (2002). A coerência e fidelidade de Hobsbawm para com as suas convicções não lhe impediram, entretanto, de criticar políticos comunistas e intelectuais marxistas, nem de fazer progredir o conhecimento historiográfico. Ele acompanhou e protagonizou as mudanças do “ofício de historiador” ao longo do último século. Inovou em diferentes temas inscrevendo-os em sua abordagem de “eras”: da história social do Jazz ao banditismo social, passando pela questão das tradições inventadas. Soube reinventar-se enquanto historiador sem perder suas convicções de origem. É o que demonstrou nas duas últimas linhas de sua autobiografia ao afirmar: “A injustiça social ainda precisa ser denunciada e combatida. O mundo não vai melhorar sozinho” (Eric Hobsbawm, Tempos Interessantes, Cia. das Letras, 2002, p. 455). MAURÍCIO DE AQUINO é doutor em História Social pela UNESP. Professor Adjunto da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP). Atua no Colegiado do Curso de História do Centro de Ciências Humanas e da Educação, campus Jacarezinho. E-mail: mauriaquino12@uenp.edu.br


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Entrevista

dezembro de 2012 Tiago Angelo

“É absolutamente impossível qualquer relacionamento, pessoal ou profissional, se esta palavra (respeito) não for levada a sério. Respeito pelas pessoas e pelas suas ideias, respeito pelo cidadão e pelos seus direitos” TIAGO ANGELO Prestes a completar dois anos à frente da UENP, o reitor Eduardo Meneghel Rando, 57 anos, fala sobre a universidade e suas conquistas nesse tempo, sobre os problemas e as dificuldades que também nortearam esse período marcado ainda pelo diagnóstico de câncer no cólon. O professor, filho de José Cesar Rando e Augusta Meneghel Rando, passou a infância em Bandeirantes e Londrina no Estado do Paraná. Graduou-se em Agronomia pela então Fundação Faculdade de Agronomia Luiz Meneghel, tendo feito mestrado em Minas Gerais, na Universidade Federal de Lavras, e doutorado na Escola Superior de Agronomia Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo. Em dezembro de 2010, assumiu a direção da UENP com a responsabilidade de implantar a Reitoria, Pró-Reitorias e órgãos de apoio para Universidade.

Quero ter o direito a não ter sempre razão

2- A Reitoria da UENP sofreu duros ataques, nos últimos meses, por conta de possíveis irregularidades pontuadas pelo Ministério Público. Pode, resumidamente, esclarecer essa situação das recomendações feitas pelo MP? E qual tem sido a posição do senhor frente a todos esses problemas? É importante ressal-

tar que o Ministério Público encaminhou três ações administrativas neste período, sendo que nenhuma delas foi contra a Universidade, mas sim dirigidas ao Governo. Em relação à UENP foram abertos inquéritos administrativos, todos eles baseados em denúncias anônimas, que estão sendo respondidos na forma da lei. Também é importante esclarecer que a maioria desses inquéritos não se refere à UENP na sua atual administração. Evidente que esses fatos trazem perturbações de ordem diversas à universidade e às suas rotinas administrativas. Ver o nome de pessoas envolvidas em denúncias anônimas absurdas e claramente tendenciosas prejudicam o ambiente de trabalho, contribuindo para a desconstrução da universidade. Em relação aos inquéritos estamos tranquilos, pois tudo está sendo respondido conforme solicitado pelo MP.

3- O senhor ajudou a edificar o maior dos campi da UENP, o de Bandeirantes, que se chama Luiz Meneghel. Ali construiu sua carreira de docente e viveu quase que a completude

de sua vida acadêmica. Qual é seu sentimento ao perceber a integração do CLM à UENP? O Campus Luiz Meneghel começou sua história no final da década de 60. Ao longo desses anos foi administrada por diversos diretores e é a eles que dedico a vitória conquistada em períodos muito difíceis de sua existência, e é por causa desta superação que nos encontramos na posição que estamos hoje. Minha trajetória acadêmica nesta Instituição teve início após aprovação em concurso público realizado no início de 1982. Minhas atividades sempre estiveram ligadas ao ensino e à pesquisa, principalmente na década de 90, quando concluí meu doutorado. No ano de 1999, fomos chamados a participar da administração, como vice-diretor da então Fundação Faculdade de Agronomia Luiz Meneghel, depois, com o início de novos cursos de graduação, Fundação Faculdades Luiz Meneghel. Tive o privilégio de compor uma equipe administrativa de qualidade e de extremo comprometimento com o desenvolvimento desta Fundação. Em todas as administrações da Instituição, o foco sempre se concentrou na qualidade de ensino, exigência de uma participação ativa e presencial de nossos professores e a busca da qualificação, proporcionando facilidades para os professores cursarem programas de mestrado e doutorado, o que se tornou fator decisivo para a aprovação de UENP como universidade pelo Conselho Estadual de

O ótimo do todo é melhor que o ótimo das partes

1- A UENP vem se destacando nos campos do ensino, da pesquisa e da extensão. Qual sua avaliação sobre os trabalhos realizados pela UENP atualmente? Estou extremamente satisfeito com os resultados alcançados pela UENP nestes dois anos de sua existência. Estamos obtendo grandes avanços tanto nas áreas fins da Universidade, como ensino, pesquisa e extensão, como nas atividades meio, como planejamento e avaliação institucional, no setor de recursos humanos e de administração e finanças. A atuação das pró-reitorias destas respectivas áreas merecem todo o nosso reconhecimento quanto aos seus esforços e dedicação para atingir os seus objetivos. É importante destacar a atuação dos gestores dos Campi da UENP, seus Diretores, Diretores de Centros e Coordenadores de Cursos, que juntos comos docentes e os servidores técnico-administrativos, têm sido responsáveis por significativos avanços em suas respectivas unidades e atuando em sintonia com a administração da Universidade.

Educação. Ter participado dessa história de conquistas e vitórias me emociona como profissional, mas muito mais como cidadão que está passando pela vida com o sentimento de ter contribuído para o crescimento e desenvolvimento de nossa sociedade. 4- A UENP já conquistou um lugar de destaque, se considerar seus poucos anos de existência. Como o senhor a imagina no final de sua gestão, em 2014, e também em 10 anos? Espero que possamos ter em dois anos uma universidade ainda mais estruturada administrativamente, com seu quadro de recursos humanos em expansão e atendendo as suas necessidades. Há ainda a busca por ampliar sua infraestrutura e investimentos nas áreas de ensino pesquisa e extensão, com forte inserção na comunidade e cumprindo seu papel de fomentar o desenvolvimento regional. Para 10 anos, projeto uma universidade com maior número de doutores, uma universidade científica, produtora de conhecimentos nas suas diferentes áreas e envolvida com projetos de ino-

vação tecnológica e de extensão universitária. Sem dúvida alguma estes avanços serão alicerçados pela implantação de programas de mestrado e doutorado na UENP, ações estas que já estão sendo desenvolvidas pela nossa administração. Creio que essas características se constituem nos pilares da busca da excelência do ensino de graduação e do desenvolvimento regional. 5- No percurso desses dois anos, o senhor recebeu o diagnóstico de que estava com câncer. Como reagiu a esse fato, como tem convivido com a doença? Nos primeiros 30 minutos após receber a notícia prevalece o componente emocional, pessoal e familiar. Depois disso, pragmaticamente falando, prevalece o instinto de sobrevivência, esta é uma doença e deve ser tratada. É o que estou fazendo nestes últimos nove meses, e os resultados são positivos, o que tem me permitido manter com certa regularidade minhas atividades como reitor, sem a necessidade de me desvincular do cargo, graças também à confiança que deposito na minha equipe. Concluindo, tem sido uma convivência relativamente “amigável” (considerando a natureza da doença), porém, espero, finita e a meu favor.

6- Certa vez escrevi que viver é contar os anos a cada 365 dias e perceber mais tarde que essa não é a conta mais exata a se fazer, mas sim a de quanto tempo se dedicou àqueles a quem se ama e que dividem essa passagem com você. Aos 57 anos, o que o senhor pode dizer da vida? Todos nós passamos por diferentes fases nas nossas vidas. A forma como passamos por elas resultam no que somos atualmente. Discorrer sobre tudo isso é um exercício que não me atrevo a fazer dada a complexidade envolvida na análise. Mas tem uma palavra que resume muito do que penso e do que aprendi nesses anos: respeito. É absolutamente impossível qualquer relacionamento, pessoal ou profissional, se essa palavra não for levada a sério. Respeito pelas pessoas e pelas suas ideias, respeito pelo cidadão e pelos seus direitos. No campo profissional, algumas frases me acompanham e expressam a forma como enxergo minhas responsabilidades, tais como “Quero ter o direito a não ter sempre razão” ou “o ótimo do todo é melhor que o ótimo das partes”. No mais, ficaria com a mensagem do eterno Gonzaguinha: Eu fico com a pureza da resposta das crianças/ É a vida, é bonita e é bonita... Viver! E não ter a vergonha de ser feliz/ Cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz...


12 Reconhecimento científico e tecnológico Tiago Angelo

TIAGO ANGELO O ex-aluno do Curso de Sistemas de Informação do Centro de Ciências Tecnológicas (CCT) da UENP, campus Luiz Meneghel (CLM) de Bandeirantes, Thiago Gaspar Levin, 23, foi o ganhador do 25º “Prêmio Paranaense de Ciência e Tecnologia/2011”, área de Engenharias, categoria estudante de graduação. Este prêmio é uma ação da Secretaria do Estado do Paraná que valoriza produções científicas de pesquisadores paranaenses, jovens talentosos, inventores independentes e jornalistas científicos, proporcionando suporte institucional para o desenvolvimento de projetos científicos. O prêmio foi entregue ao aluno no dia 18 de outubro pelo reitor da UENP, Eduardo Meneghel Rando, durante a solenidade de encerramento da INOVATEC 2012– Feira Paranaense de Negócios em Inovação Tecnológica entre Empresas, Universidades e Instituições de Pesquisa. O projeto desenvolvido pelo estudante foi: “Uma ferramenta para Avaliação da Qualidade da Carne baseada em processamento e análise de imagens”, sendo orientado pelos professores Luis Guilherme Sachs, Éder Paulo Fagan e Ederson Marcos Sgarbi como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Atu-

“Agradeço a todos os envolvidos. Foi uma satisfação representar a UENP num evento tão renomado”, diz Thiago (Foto)

almente Thiago Gaspar Levin cursa o Programa de Pós-graduação nível Mestrado na Universidade Federal de São Carlos (SP). Thiago explica que o trabalho foi inicialmente desenvolvido em projeto de iniciação científica (PIBIC) com o objetivo de criar uma solução computacional que pudesse auxiliar na identificação das características da carne e sua classificação de qualidade. Ele acentua que “Atualmente, no Brasil, essa técnica por imagem

computadorizada ainda não foi adotada, embora seja uma análise mais objetiva se comparada com os métodos existentes pelo uso de ultrassonografia, por exemplo”. O jovem cientista destaca que a análise da qualidade da carne bovina por processamento de imagens foi adotada em países como EUA, Japão, Canadá e Austrália. “A grande vantagem da adoção por esta tecnologia é a maior confiabilidade e precisão dos resultados obtidos”, acentua.

Ciência da Computação A UENP terá, a partir de 2013, o curso superior de bacharelado em Ciência da Computação no campus Luiz Meneghel (CLM), de Bandeirantes. O pedido de abertura do curso, cuja duração mínima será de quatro anos, sendo 40 vagas para cada turma, foi motivado pela falta de mão de obra qualificada na região e pela necessidade de se ofertar, no norte do Paraná, formação superior a uma das áreas de maior ascensão no mundo. O projeto elaborado em 2010 pelos professores do Departamento de Informática do CLM com apoio do diretor do campus, na época, o professor doutor Eduardo Meneghel Rando, foi aprovado pelo Conselho Universitário da UENP e enviado à Secretaria de Ciência e Tecno-

logia (SETI) para as devidas providências ainda naquele ano. Em 2011, o curso ainda não havia sido aprovado e, no ano de 2012, o diretor do Centro de Ciências Tecnológicas (CCT), professor Ederson Marcos Sgarbi, e o agora reitor Eduardo Meneghel Rando, reenviaram a proposta para a SETI e pediram o apoio do deputado Hermas Bandão Junior para acompanhar o processo do Curso junto aos órgãos competentes do Governo do Estado do Paraná. Na ocasião, o deputado se prontificou a ajudar a UENP. O professor Sgarbi afirma que “Com a implantação do curso, será possível formar profissionais capacitados para atender às demandas do mer-

HANS JONAS: a ética da civilização tecnológica FÁBIO ANTONIO GABRIEL

Novo Curso

TIAGO ANGELO

Artigo

cado”. Ele ressalta ainda que “O Centro de Ciências Tecnológicas da UENP está preparado para atender o novo curso. A UENP já possui infraestrutura física com laboratórios e professores habilitados para dar início aos trabalhos”. O processo de implantação do curso passou pelas secretarias de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Secretaria de Estado do Planejamento e Coordenação Geral, após foi aprovado por elas e assinado pelo governador, em seguida, publicado no Diário Oficial. (T.A)

A inteligência humana oferece prodígios tecnológicos a cada dia mais ousados gerando dilemas morais de imprevisíveis dimensões. Impensáveis em outros tempos, equipamentos eletrônicos oferecem uma vida aprazível e também prometem combater males e tocam a origem da vida à imitação de Deus. Tais utilizações produzem questionamentos éticos que impõem a adoção de novos parâmetros a serem minuciosamente sopesados. Para isso, se as religiões se colocam em posicionamento inflexível; em posicionamentos não menos inflexíveis se instalam os argumentos científicos a defender o entendimento de que a ciência se autorregula, não necessitando de parâmetros éticos “complementares” para norteá-la. Diante dos avanços tecnológicos e arraigada inflexibilidade de opiniões que desembocam na decadência dos valores morais, nos perguntamos: Que parâmetro ético ofereceria novos horizontes para a humanidade? Diante das novas possibilidades tecnológicas, como pensar em uma ética capaz de acenar com um horizonte convergente para um padrão mínimo de comportamento aceitável nas diversas sociedades contemporâneas, respaldadas por diversas culturas e fundamentos antropológicos? Hans Jonas identifica-se como um filósofo nascido em 1903 e falecido em 1993 que, vivendo em uma época em que a humanidade, na tentativa de oferecer uma resposta para dilemas contemporâneos, questiona a possibilidade da não sobrevivência do homem na Terra, diante da irresponsabilidade como pratica ações insensatas, sobretudo no que tange à preservação ambiental. O autor se destaca como um precursor da ideia de que o homem caminha para a autodestruição, o que se consumará em futuro não tão longínquo, caso não assuma um novo paradigma de princípios, de direitos e de deveres, tendo em mente a preservação das condições da vida humana em relação ao mundo em que habita. Hans Jonas foi aluno de Martin Heidegger, colega de Hanna Arendt. Deixou a Alemanha, terra natal, em 1934, passando a viver na Inglaterra e nos Estados Unidos. A relação entre ética e tecnologia tornou-se uma constante na filosofia de Jonas. Em sua obra principal, O princípio responsabilidade, ensaio para uma ética para a civilização tecnológica, o autor apresenta a responsabilidade enquanto princípio importante para fundamentar a ética de uma civilização em que a tecnologia ofertou poderes de imensurável utilização, mas que produzem consequências éticas catastróficas para a humanidade. Considera Hans Jonas que a ética, a partir do imperativo categórico de Kant, “age de tal maneira que a máxima de sua ação torne-se universal” não pode ser mais aplicada na atual situação do mundo contemporâneo em que os poderes da técnica conferiram ao ser humano possibilidades outrora impensadas e impensáveis. O imperativo ético, segundo Hans Jonas, identifica-se com um princípio ético subjacente à civilização tecnológica que poderia ser preceituado nos termos: “age de tal maneira que a máxima de sua ação permita a perpetuação dos seres humanos no planeta”. Enfim, a deformação do saber, usada para a obtenção de novas tecnologias e lucros a qualquer preço faz do homem um ser “insensato”, pois desperdiça anos pesquisas e experimentos para obter algo almejado, mesmo que esse algo seja atingido mediante utilização deletéria do conhecimento, de toda a técnica adquirida. O homem ignora a verdadeira função do saber, que deveria ser utilizada para banir o grande desequilíbrio que desencadeia na estrutura biótica, abiótica e também na vida humana. Portanto, a proposta de Hans Jonas não trata de uma crítica às novas tecnologias e sim ao imperativo que se faz inadiável para que a ciência siga por caminhos éticos pautados pelo princípio responsabilidade, subjacente ao ser em toda sua plenitude. FÁBIO ANTONIO GABRIEL é licenciado em Filosofia pela Faculdade Padre João Bagozzi e Bacharel em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR). Possui especialização em Filosofia e Ética pela Faculdade do Noroeste de Minas (FINOM). Atualmente é mestrando em Filosofia pela PUC-PR, professor do Quadro Próprio de Magistério da SEED-PR e professor colaborador do Centro de Ciências Humanas e da Educação da UENP, campus Jacarezinho.


Tiago Angelo

Mestrado em Ciência Jurídica da UENP titula centésimo mestre

Criado há 12 anos e com a 9ª turma em andamento, o Mestrado em Ciência Jurídica da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP) aprovou, em outubro deste ano, o centésimo mestre do Programa. Diego Nassif da Silva, orientado pelo professor doutor Vladimir Brega Filho, defendeu a pesquisa: “Inclusão das Pessoas com Deficiência no Mercado de Trabalho: O Conceito de Pessoa com Deficiência e sua Aplicação Jurídica”. A banca do número histórico foi formada, além do orientador, pelos professores doutores Mauricio Gonçalves Saliba e Eliana Franco Neme. O Programa de Mestrado apresenta como proposta a investigação crítica da problemática social da exclusão. Persegue a compreensão dos mecanismos de alargamento do acesso popular ao judiciário, preocupado em resgatar uma interpretação de cunho muito mais social que formal, de modo a criar no pesquisador, a consciên-

cia de seu papel político, de condutor da cidadania e de afirmação do Estado das leis e não do Estado dos governos. O Programa publica semestralmente o periódico “Argumenta”, que já está em seu 16º número e, em breve, terá a sua plataforma virtual própria. O periódico publica artigos de alunos da graduação, mestrado, professores e pesquisadores externos de renome nacional e também de vários outros países sobre assuntos voltados aos direitos humanos e sociais, tentando dar visibilidade aos direitos do cidadão, levando ao conhecimento de todos os direitos e garantias fundamentais da pessoa humana. A revista Argumenta é avaliada pelo sistema Qualis (B4) da CAPES. O Mestrado, atualmente, conta com dez professores-doutores: Antonio Carlos de Souza, Eduardo Augusto Salomão Cambi, Gelson Amaro de Souza, Gilberto Giacoia, Hildegard Tagge-

sell Giostri, Mauricio Gonçalves Saliba, Paulo Henrique de Souza Freitas Valter Foleto Santin e Vladimir Brega Filho. Outros quatro doutores foram nomeados recentemente: Edinilson Donisete Machado, Marcos César Botelho, Ilton Garcia da Costa e Renato Bernardi. Além desses, há mais dois professores em capacitação, na modalidade de doutorado.

História O Programa de Mestrado em Ciência Jurídica do Centro de Ciências Sociais Aplicadas teve início ainda com a extinta FUNDINOPI, pela sua Egrégia Congregação através da Resolução nº 68, de 26 de novembro de 1999 e obteve a sua primeira Recomendação pela CAPES através da Portaria nº 2.151, de 8 de agosto de 2003. O Programa de Mestrado foi criado na gestão do então diretor professor Nassif Miguel, tendo como primeiro coordenador, o professor doutor Gilberto Giacoia. (T.A)

Artigo

Sobre o julgamento do Mensalão GILBERTO GIACOIA No Brasil das últimas décadas, há um claro processo em curso de mudança cultural. Não é um simples movimento cíclico, mas um lento e auspicioso horizonte de transformações de valores. Talvez pudesse ser identificada na dimensão conceitual compreendida pela expressão “transparência Brasil”. Tanto no plano normativo - com a edição das leis de improbidade administrativa, de responsabilidade fiscal, da lavagem de dinheiro, da ficha limpa à lei de acesso - quanto no hermenêutico, tem-se a nítida impressão do alcance de um estágio irreversível de desenvolvimento ético de modo a se determinar, definitivamente, o resgate da esperança. Nesse contexto em que se evolui da máxima de “levar vantagem em tudo” ou do “jeitinho brasileiro” pelo perverso costume da impunidade e da ineficácia do sistema penal em relação às pessoas situadas nos escalões superiores da estrutura social, o julgamento do “mensalão” simboliza bem essa passagem de um modelo penal meramente virtual para outro com visão crítica da realidade social. Seria impensável há vinte anos, independentemente dos atores ou dos magistrados integrantes do Supremo Tribunal Federal, ou mesmo do nome que ocupasse a Procuradoria-Geral da República, chegar-se a tal notável resultado. Porém, quis o destino que um juiz negro, alçado a tal condição por seus próprios méritos, pois sempre crescendo nas dificuldades advindas da discrimiEsse histórico nação e da exclusão, pudesse ser o julgamento grande protagonista dessa cena. Esse histórico julgamento representa uma representa uma virada de página virada de página na retomada da cidadania digna no Brasil. A partir dele se pode na retomada da acreditar no fim da impunidade, cidadania digna no saneamento da agenda política, no retorno do justo e na reno Brasil. A partir tomada do significado ético do dele se pode poder. Levar ao banco dos réus e restar condenados alguns detenacreditar no fim tores do poder político, esgarçanda impunidade, no do as distorções dos bastidores e da teatralidade do que sempre se saneamento da passou por trás das cortinas, sem agenda política, dúvida, abre uma esperança. aproveitar o mono retorno do justo mento,Devemos porém, para lançar as bases e na retomada do morais do novo Estado brasileiro que tanto se quer. Não nos iludasignificado ético mos com a efusão de um sentimento de euforia que populariza do poder. os juízes desse novo tempo. Do contrário será ele tão efêmero que passará antes mesmo que se aprenda a lição. Tiremos proveito dela o quanto possível. Com efeito, caminhemos de vez, agora, para fazer irromper um viço ético coletivo, uma perturbante indignação com a violação dos direitos, com os desmandos administrativos, com o afastamento da arena pública pelos conchavos e concertos de alcovas individuais, com o enriquecimento ilícito e fraudulento, com o jogo e a ciranda do lucro fácil e do favorecimento pelas generosas tetas do poder, e, assim, pratiquemos um tão claro mimetismo com a voz das ruas que nos transforme na síntese acabada dos mais legítimos anseios de cidadania e justiça. Que esse julgamento nos inspire a tanto, pois, afinal, devemos continuar acreditando que Deus é brasileiro e nos reservará, por certo, um mundo melhor e mais justo, no qual todos os brasileiros, indistintamente, possam ter efetivo direito à felicidade.

mestre Centésimo

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dezembro de 2012

GILBERTO GIACOIA possui graduação em Direito pela Faculdade Estadual de Direito do Norte Pioneiro (1979), doutorado em Direito pela Universidade de São Paulo (1995) e pós-doutorados pelas Universidade de Coimbra e Universidade de Barcelona. Atualmente é procurador-geral de justiça do Ministério Público do Estado do Paraná e professor da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP). Tem experiência na área de Direito, com ênfase em Direito Penal, atuando principalmente nos seguintes temas: direitos humanos, justiça, direitos fundamentais, dignidade e direito.


14 Resultado de uma

longa jornada

Pesquisadores da UENP lançam Livro ‘Pesquisas em Linguagem’; obra coroa experiências vividas no Núcleo Institucional de Pesquisa da UENP Tiago Angelo

TIAGO ANGELO Resultados de pesquisas empreendidas por professores e acadêmicos que fazem parte do Núcleo Institucional de Pesquisa (NIP), do Centro de Letras, Comunicação e Artes (CLCA), da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), campus Jacarezinho (CJ), ganharam espaço no livro “Pesquisas em Linguagem: interfaces linguísticas, literárias e culturais”. A obra, lançada durante o IX Seminário de Iniciação Científica: Estudos Linguísticos e Literários – SóLetras - do CLCA/ CJ, em setembro, reúne 21 artigos científicos distribuídos em cinco seções: Literatura e Ensino; Leitura e Ensino; Literatura e Outras Artes; Estudos Literários: Entre a Teoria e a Crítica; e Literatura e História: Memória e Representação. O livro, organizado pela professora doutora em Letras, Luciana Brito, pela pós-doutora em Linguística Aplicada, Sônia Maria Dechandt Brochado, e pelo mestrando em Filosofia, Fábio Antonio Gabriel, trata de uma variedade de temas cujos títulos se sintonizam com os propósitos dos grupos de pesquisas “Literatura e Ensino”, “Leitura e Ensino”, “Literatura e História: Memória e Representação” e “A Arte Teatral: Teoria, História e Reflexões”, todos cadastrados no Diretó¬rio dos Grupos de Pesquisa no Brasil do CNPq. A obra, como salienta, no prefácio do livro, a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da UENP, professora doutora em Letras / Literaturas de Língua Portuguesa, Hiudéa Tempesta Rodrigues Boberg, vem coroar inúmeras experiências vividas no NIP, e com a publicação deste primeiro livro vinculado ao Núcleo, ressalta: “Surge agora a possibilidade de deixar o registro em livro de alguns dos resultados das pesquisas empreendidas. Dentre as variantes que as linhas de pesquisa permitem, destacam-se as produções em leitura da literatura brasileira e estrangeira, ensino de literatura, literatura e história, literatura e cinema, leitura sob a ótica das teorias linguísticas, da teoria literária e da historiografia, crítica literária, leitura e educação especial”. A professora Luciana Brito ressalta, na apresentação da obra: “Como tema centralizador que integra os quatro grupos de pesquisa que fazem parte do NIP tem-se a revisão paradigmática da pesquisa científica na contemporaneidade. Esse tema visa contribuir para uma nova perspectiva do ensino e da pesquisa nos âmbitos das ciências humanas, ampliando os horizontes, até então convencionais, para aspectos multidisciplinares e até transdisciplinares, buscando a implementação de temas inovadores da pesquisa brasileira, em seu processo evolutivo contínuo, além de abranger as reflexões em torno de assuntos ainda à espera de sistematização adequada”.

Notas Plano de Desenvolvimento Institucional O Conselho Universitário (CONSUNI) da UENP aprovou, em reunião realizada em julho, o Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI 2012-2017). O PDI é um documento elaborado de forma colegiada, tendo a participação de todos os setores da comunidade acadêmica para um período de cinco anos. O documento identifica a UENP no que diz respeito à sua filosofia de trabalho, à missão a que se propõe, às diretrizes pedagógicas que orientam suas ações, à estrutura organizacional e às atividades acadêmicas que desenvolve ou que pretende desenvolver. O Plano de Desenvolvimento, disponibilizado no site da UENP, também é considerado para o processo permanente de autoavaliação institucional, que possibilita a tomada de decisões estratégicas tendo em vista a consolidação dessa instituição neonata.

36 novos professores O reitor da UENP, Eduardo Meneghel Rando, empossou 36 novos professores da instituição em outubro. A solenidade, realizada na Sala dos Conselhos da Reitoria, aconteceu após a nomeação dos docentes pelo governador Beto Richa. Os professores serão destinados para os três campi da Instituição. O reitor acentua: “A Universidade vive um momento muito especial com diversos programas e projetos sendo contemplados por iniciativas dos governos Estadual e Federal, e a posse de novos professores para compor nosso quadro de docentes vem em um momento muito oportuno para que possamos dar boa execução a todas essas atividades. Ficamos muito felizes pelas nomeações e desejamos boas vindas aos nossos novos docentes”. O leitor, no percurso das 288 páginas do livro da Editora Multifoco (RJ), terá oportunidade de leituras de artigos de uma variedade de temas como da pós-doutora Sonia Brochado e da mestra em Estudos da Linguagem, Vera Maria Ramos Pinto, da UENP, que discutem experiências de transposição didática de gêneros discursivos na escola por meio do artigo “Gêneros Textuais e Atividades de Leitura no Livro Didático”. Ou ainda do professor doutor da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Cézar de Alencar Arnaut de Toledo, e do mestrando, professor colaborador do CCHE da UENP/CJ Vinicius Furlan, que analisam o tema liberdade e a relação com o contexto histórico na obra “As Moscas” do filósofo Jean-Paul Sartre, que refletiu sobre a condição da existência humana durante toda a vida. Como também o artigo “A Critica de Edição da Obra de Cláudio Manoel da Costa”, do pós-doutor e professor da Universidade Estadual Paulista (UNESP/ Campus Assis), Carlos Eduardo Mendes de Moraes, e da doutoranda em Literatura Brasileira pela UNESP / Assis, professora colaboradora do CLCA da UENP/CJ Marcela Verônica da Silva. Participaram também do livro os pesquisadores: Anderson Francisco Ribeiro, Carlos Eduardo Mendes de Moraes, Célia Reis Camargo, Cézar de Alencar Arnaut de Toledo, Eva Cristina Francisco, Fábio Antonio Gabriel, Hiudéa Tempesta Rodrigues Boberg, Luiz Antonio Xavier Dias, Marcela Verônica da Silva, Marcio Luiz Carreri, Márcio Matiassi Cantarin, Marilúcia dos Santos Domingos Striquer, Moisés Gonçalves dos Santos Júnior, Mônica de Aguiar Moreira Garbelini, Natália Guerra Brisola Gomes, Nerynei Meira Carneiro Bellini, Penha Lucilda de Souza Silvestre, Rafaela Stopa, Rodrigo Modesto Nascimento, Tânia Regina Montanha Toledo Scoparo, Vera Maria Ramos Pinto e Vinicius Furlan.

Esse tema visa contribuir para uma nova perspectiva do ensino e da pesquisa nos âmbitos das ciências humanas, ampliando os horizontes, até então convencionais, para aspectos multidisciplinares e até transdisciplinares

Conselho Estadual da Cultura O chefe da Divisão de Programas e Projetos Culturais da UENP, Danilo Oliveira, foi indicado, neste ano, para membro do Conselho Estadual da Cultura (CONSEC). O grupo é formado por conselheiros setoriais, eleitos pela sociedade civil, os macrorregionais, escolhidos por representantes de cultura dos municípios paranaenses e os conselheiros indicados pelo poder público que formam um órgão colegiado, paritário, que integra a estrutura organizacional básica da Secretaria de Estado da Cultura do Paraná. Dentre as atribuições do Conselho, estão fiscalizar a execução dos projetos culturais e a aplicação de recursos, emitir pareceres sobre questões técnico-culturais, participar da formulação de políticas públicas do Governo do Estado na área da cultura, incentivar a proteção do patrimônio cultural, valorizar as manifestações culturais locais e regionais, incentivar pesquisas sobre a cultura paranaense, dentre outras ações.

Homenagem à mulher rural O Núcleo de Estudos de Agroecologia e Territórios (NEAT) da UENP, campus Luiz Meneghel – Bandeirantes, promoveu em outubro um dia especial à mulher rural. Atividades voltadas para a saúde, cultura, negócio e beleza foram promovidas durante o evento e atenderam a cerca de 150 mulheres dos bairros rurais: Comunidade Seis bairros, Comunidade Três Águas, Sertãozinho, Barrinha do Cateto, Água da Onça, Juca Batista, Balsa do Corsine, Bairro Cabiuna, Ormeze e Assentamento de Congonhinhas. No evento, elas puderam realizar exame preventivo, verificação de pressão arterial, glicemia e vacinação, além de poder contar com um dia de beleza que incluía corte de cabelo, maquiagem, massagem, limpeza de pele, design de sobrancelhas dentre outros. Durante o evento, elas ainda participaram de minicursos e receberam assessoria jurídica, além de plantas e brindes sorteados.

Parque Tecnológico do Norte Pioneiro A UENP integra com o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), Instituto Federal do Paraná (IFPR), Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/PR -regional norte), Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai/PR), Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Departamento de Estradas de Rodagem (DER), Prefeitura de Jacarezinho e Associação dos Municípios do Norte Pioneiro (Amunorpi) grupo que trabalha pela estruturação e implantação do Parque Tecnológico do Norte Pioneiro em Jacarezinho. “São dois focos importantes na implantação do Parque Tecnológico: o primeiro é reter, na região, as competências desenvolvidas pelas instituições de ensino, profissionais que hoje não ficam aqui. E por outro lado, atrair investimentos de base tecnológica para o Norte Pioneiro, possibilitando a mudança do perfil econômico e social da região que possui um IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) baixíssimo”, disse o diretor presidente do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), Julio Felix, que, durante evento, formalizou a proposta do projeto em julho deste ano.


15

dezembro de 2012

Projeto de extensão “Cuidado de Enfermagem a Pacientes com Feridas” envolve acadêmicos e professores da UENP

Extensão

Em busca da cura

Tiago Angelo

TIAGO ANGELO

“São uns meninos abençoados por Deus. Todos que nos atendem aqui. É tudo igual em bondade, pois tem gente que tem a profissão, mas não dá muito valor na profissão que tem para agradar o outro. E aqui não, eles fazem o que podem para ajudar. Só Deus para pagar o que fazem pela gente”, diz dona Maria José Perreira, 78 anos, após mais um dia de consulta em uma das salas da Santa Casa de Bandeirantes, cedida para realização do projeto de extensão intitulado “Cuidado de Enfermagem a Pacientes com Feridas”, que, somente neste ano, já realizou mais de 1200 consultas.

Acadêmica de Enfermagem realiza atendimento a paciente com feridas

Dona Maria, que recebe atendimento há quatro meses, comenta que a ferida na perna direita causada após um machucado e uma veia que se abriu tem melhorado dia a dia. “Diminuiu muito mais da metade. Isso aqui vasava, escorria sangue direto. Tinha dias que eu ficava mal com aquilo, tinha que trocar o curativo quase de hora em hora. Agora passa dia que eu não preciso trocar, está tudo sequinho”. Ela comenta que tem buscado seguir as prescrições recebidas durante as consultas e que, com o tratamento, as dores, que antes pareciam insuportáveis, diminuíram: “Está acabando aquela dor terrível também que é o principal. Tinha dias que essa veia batia igual a um coração, por que ela é dilatada, e o sangue descia e parecia que a veia era aberta lá embaixo”, lembra. O projeto, aparentemente simples, tem feito melhor também a vida de dona Juraci de Brito da Silva, 68 anos, que desenvolveu úlcera diabética, uma ferida crônica no pé, por conta de complicação do diabetes. Moradora de Bandeirantes a vida toda e casada há 51 anos com o senhor Jesus Garcia da Silva, 76 anos, que a acompanha à consulta, dona Juraci diz que a lesão está sendo curada. “Estou melhor. Quando eu vim pra cá, estava tudo aparecendo por baixo. Agora, a carne já está recuperando”. Outros 47 pacientes recebem atendimento atualmente. O projeto de extensão atende a pacientes portadores de feridas das cidades de Bandeirantes e região. Desde 2004, acadêmicos e professores do curso de Enfermagem da UENP, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde e a Santa Casa, realizam o projeto que vai além dos atendimentos realizados. O Projeto Feridas, como é conhecido, já motivou 12 monografias relacionadas ao tema, e ainda eventos de extensão anual e treinamentos sobre a enfermidade e condições crônicas. Algumas pesquisas foram desenvolvidas com o financiamento da Fundação Araucária.

Idealizado pelo professor Ricardo Castanho Moreira, o Feridas acontece com o objetivo de melhorar a qualidade de vida de pacientes com a enfermidade. “Há pessoas com lesões que apresentam impacto negativo em sua qualidade de vida. Com o cuidado de enfermagem, conseguimos melhorar essa realidade”. O professor explica que a maior incidência de pacientes atendidos é por complicações do diabetes e que por isso são realizados ainda atendimentos em unidades básicas para tentar alertar sobre a doença. “Muitas pessoas que atendemos são por complicações do diabetes: dedos com feridas, úlcera no pé, ou já com uma amputação de perna ou de pé. Esse trabalho nas unidades tem o objetivo de atuar para que não ocorram casos como esses ou para que se reduzam. Há pessoas que estão com diabetes descontrolado, e não apresentam, de imediato, nenhuma sintomatologia. Só que com o tempo, o risco dessas complicações é grande”. Ricardo salienta que o projeto, além de estar voltado diretamente para a sociedade, traz muitos contribuições aos acadêmicos. “O nosso principal fruto é a contribuição que

o projeto proporciona ao graduando de Enfermagem da UENP, possibilitando a formação de profissionais qualificados para atuarem junto à equipe de saúde com competência e ética, além de aproximá-los da realidade vivenciada no tratamento de feridas, ampliando a discussão, reflexão e práticas relacionadas ao assunto, buscando desenvolver novas estratégias de cuidado, banco de dados e projetos de pesquisa acerca da doença”. O atendimento prestado pelos acadêmicos, de terça a quinta-feira, das 13h às 18h, sob orientação dos professores João Paulo Sanches Bermudês, Lucas de Oliveira Araújo e Ricardo Castanho Moreira, é realizado pela demanda de pacientes, os quais são encaminhados pelas unidades básicas de saúde ou procuram espontaneamente por já conhecerem o trabalho realizado. Em Bandeirantes, a Santa Casa disponibiliza sala para atendimento e material para execução dos curativos. Em algumas situações, os pacientes também recebem atendimento domiciliar. Desde o início do projeto, já foram atendidos 124 pacientes, sendo 64 mulheres e 60 homens.


EM PAUTA - O Jornal da UENP - Ano 1 - Edição 01  

A necessidade de aproximar a produção científica e a vida acadêmica do público motivou a criação deste jornal que surge com a responsabilida...

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