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TRIPLEX FUNICULUS DIFFICILE RUMPITUR

BOLETIM DA UNIÃO DOS ANTIGOS ALUNOS DO ESPÍRITO SANTO N.º 168 OUTUBRO A DEZEMBRO 2012 Redação e Correspondência: UNIASES Apartado 1098 4710-908 BRAGA Tel.: 253 951 257

Diretor: Alberto Melo Chefe de Redação: Francisco Pinto E-mail: ases@portugalmail.pt

Propriedade: União dos Antigos Alunos do Espírito Santo Distribuição: ASES Periodicidade: Trimestral - Reg. no I.C.S. n.º 112314

Editorial FELIZ ANO NOVO!... “Esta é a revelação de Jesus Cristo, que Deus Lhe concedeu para mostrar aos seus servos as coisas que devem acontecer muito em breve. Deus enviou ao seu servo João o Anjo que lhe mostrou estas coisas através de sinais… Feliz aquele que lê e aqueles que escutam as palavras desta profecia e se praticarem o que nela está escrito; pois o tempo está próximo”. (Ap. 1, 1-3) “O céu e a terra desaparecerão, mas as minhas palavras não desaparecerão. Quanto àquele dia e àquela hora, ninguém sabe nada, nem os anjos do Céu, nem o Filho. Só o Pai é que sabe” (Mt. 24, 35-36 ; Mc. 13, 32). Fugindo ao convencional e estereotipado cartão de Boas Festas e de Ano Novo, socorremo-nos de textos bíblicos para fazer passar uma mensagem de Felicidade duradoura. O livro do Apocalipse é o livro da Revelação de Jesus Cristo e não aquele livro tenebrosamente terrífico sobre o fim do mundo, próximo mas desconhecido ou com data marcada segundo crendices que vieram a lume nos últimos meses de 2012. Perante a calamidade de uma universal escatologia (fim do mundo) que deveria concretizar-se, segundo a profecia do “calendário maia”, em 21 de dezembro de 2012 (solstício de inverno) em que se verificaria uma conjugação astral alinhada, premonitória de profundas desgraças. Aliás, outros videntes e “profetas” alinhavam nesse mesmo sentido: “O Dia do Juízo Final”. Estudiosos viram essa data indicada em previsões das Pitonisas, sacerdotisas do oráculo de Delfos; o mesmo sucedendo com as profecias de Sybil que “grande catástrofe” ocorreria no nosso planeta no ano de 2012. O livro chinês, muito antigo, “I Ching” aponta previsões para o futuro e seu ciclo temporal tal como o ciclo “maia” termina em 21.12.2012. Mais recentemente, Nostradamus nas suas premonições, prevê essa fatídica data para o desaparecimento do mundo, tal como o conhecemos. Sobrevivemos a essa data e nem tivemos que acoitar-nos nas terras mágicas de Bugarach. O único local para ficarmos salvos reside no nosso íntimo. A fé, princípio de toda a vida sobrenatural (Jo. 11, 25-26), como adesão aos mistérios da Revelação. (Lc. 1, 45 ; Mc. 16, 16). No ano da Fé, proclamado por Bento XVI, a todos os ASES e seus familiares desejamos um FELIZ ANO NOVO no aprofundamento consciente da fé, sinal de conversão, de justificação e de promessa de vida aos que (co)respondem a Deus (Hb. 13). Alberto Melo (Presidente da Direção)

Tiragem: 1600 Exemplares Assinatura Anual: 5,00 € Composição e Impressão: Tadinense - artes gráficas www.tiptadinense.pt

ENCONTRO DA TORRE D’AGUILHA LISBOA - 6 e 7 de ABRIL 2013 Nos dias 6 e 7 de abril do próximo ano vai realizar-se o habitual encontro da Páscoa na Torre d’Aguilha.

Inscrições para os do NORTE: Américo Ferreira Tel. 227 311 025 - 96 566 99 58 Serafim Oliveira Tel. 256 312 127 - 96 560 92 33 Francisco Pinto Tel. 253 951 257 - 91 944 19 70 ases@portugalmail.pt Inscrições para os de LISBOA: Tel. 214 445 827 · 96 969 05 51 Alberto Melo alberto.r.melo@netcabo.pt Nota: Para garantia do autocarro e organização do programa necessitamos que as inscrições se façam até ao dia 10 de março, sem falta.

ENCONTRO DO MINHO Sábado – 9 de fevereiro 2013

SEMINÁRIO DA SILVA Inscrições para os do NORTE: Tel. 969 946 711 Isidro Linhares Costa Pereira Tel. 253 839 500 José Manuel Tel. 253 882 236 · 963 741 196 ases@portugalmail.pt

LAMPREIADA O indispensável e sempre desejado encontro gastronómico Norte - MELRES - GONDOMAR “LUCIANO” Sábado - 2 de março 2013 Organização - Manuel Santos Lopes Tel. 224 760 565 - 965 039 366 manuelsantoslopes@gmail.com Sul - LEZIRÃO / AZAMBUJA Sábado - 9 de março de 2013 Estão abertas as inscrições (ASES do Sul) para preenchimento do autocarro a contratar Organização - Alberto Melo Tel. 214 445 827 - 969 690 551 alberto.r.melo@netcabo.pt


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outubro a dezembro de 2012

GODIM 1962 – E JÁ LÁ VÃO 50 ANOS… Como anunciado, lá chegou o primeiro sábado de outubro de 2012. O ponto de encontro era e foi no Seminário de Godim, na então vila e hoje cidade do Peso da Régua. Dos convocados apenas chegaram doze, a que se juntaram mais quatro diretores, um dos quais, o Felisberto que também fazia parte do grupo dos aniversariantes presentes: Conceição Moreira, o José Rego, o Óscar Maia, o Felisberto, o Moreira dos Santos, o Moreira da Silva, o Paiva, o Marques, o Lamosa, o Gonçalves, o Mário Cabral e o Cardoso. Não houve grande preocupação em chegar dentro do horário recomendado, pelo que a hora da missa e do almoço foram ligeiramente prejudicadas. Claro que a receção aos caloiros foi pacífica! A direção liderada pelo Francisco Cunha Pinto encarregou-se das apresentações, minimizando o impacto do “estranho”, tais eram as diferenças fisionómicas ocorridas em cinquenta anos. Mas, à medida que se iam relatando algumas ocorrências das vivências então partilhadas nas salas de estudo e aula, na capela, no refeitório, no dormitório e no recreio, lá nos fomos reconhecendo. O Padre Teles e o seu método de ensino foram o tema mais dominante. Dos presentes, julgo que nenhum saiu ileso. Foi particularmente interessante ouvir a descrição dos pormenores registados pelo Lamosa e Cardoso, sobretudo quando da correção das provas quinzenais e ou mensais de português ou matemática. Não obstante, houve convergência de opiniões no que concerne a resultados. De uma forma geral preparava bem alunos e educava cidadãos segundo uma certa cultura da época, sendo certo que alguns dos que ficaram pelo caminho mais cedo, o terão feito em protesto contra essa metodologia. Relativamente às instalações pode dizer-se que exteriormente mantêm as linhas originais. O mesmo se não pode dizer do interior e espaço envolvente. O interior foi

adaptado a fins diversos. Os dormitórios e salas de estudo foram transformados em pequenos quartos individuais e gabinetes. Ao que apurei, podem funcionar como espaço para ações de formação e, pontualmente, como hospedagem. Presentemente estão alugadas a uma instituição ou associação para realização de eventos. O recreio descoberto foi adaptado a jardim e quintal. A cargo do seminário, à responsabilidade dos padres Meira e José Carlos, ficou uma pequena residência, atualmente residência dos padres espiritanos a quem incumbe a responsabilidade da gestão da quinta, outrora oferecida pelo D. José, de quem também falamos durante esta curta estadia. Feitas as apresentações houve lugar à eucaristia. O celebrante foi o padre Ricardo Meira acolitado pelo Paulo Vilas Boas. O enquadramento litúrgico dos cânticos e salmo coube ao FCP e as leituras foram assumidas pelo Paiva e pelo Mário Cabral. Seguiu-se o almoço que foi precedido de uma oração cantada. Este período foi o ponto alto do encontro. Foi a primeira oportunidade de colóquio desde 1964. Houve ainda um momento para compras de uns garrafões e umas garrafas de espirituoso, não sem que antes houvesse um tempo de contas do almoço, aquisição de livro e cotas. E pronto! Assim se deu o primeiro passo. A opinião unânime é que venham outros e que não tardem muito. Se não for primeiro que seja em 2014 no Fraião, Braga, para assinalarmos cinquenta anos da chegada àquele território dos que por lá ainda passaram. Até lá, uma vez que houve contactos com outros condiscípulos que desta vez não puderam estar presentes, recomenda-se mais um esforço a fim de se conseguir reunir o maior número de presenças na próxima oportunidade que, à falta de outra, será no Fraião em 2014. Mantenhamo-los informados. Óscar Maia

RECORDAR É VIVER Em 6 de Outubro do ano de 2012 comemorou-se em Godim, Régua o 50º aniversário (Bodas de Ouro) da entrada naquele seminário dos ASES do ano de 1962. Fazendo uso de uma linguagem clara, concreta, concisa, deveras sentida e bastante emotiva, vou tentar, por breves momentos, concentrar a vossa atenção nas linhas subsequentes. O “UNIASES” Nº 165 publicou na pág. 6 a lista dos ASES G62, alertando-me para o facto. Posteriormente, a organização da efeméride (através do Óscar Maia) contactou-me, informando a data, confirmada posteriormente via postal, tendo eu anuído de imediato. Face à situação não mais descansou a minha imaginação, indo mesmo rebuscar ao “fundo do baú” todas as vetustas me-

mórias, relacionadas com o evento e, de forma mais ou menos ordenada, aí arquivadas. Recuei cinco dezenas de anos revivendo o sonho de então. Ser seminarista, sair de uma recôndita aldeia do concelho de V. P. de Aguiar e com o enxoval numerado (nº 325), transportado numa mala de cartão, na companhia do meu saudoso pai, entro pela 1ª vez no comboio movido a carvão, até à estação da Régua. Aqui apanho um táxi que nos transporta até aos portões do (à data) enorme Seminário, com a finalidade de concretizar aquele sonho. Fui contando os dias que antecederam a data aprazada, até que a mesma chegou. Um misto de ansiedade, apreensão, expetativa e um desenrolar de interrogações


UNIASES - União dos Antigos Alunos do Espírito Santo foram aflorando à minha mente: quantos estarão presentes; o que fazem ou fizeram das suas vidas; algum chegou a padre; será que ainda os conheço? Todas estas dúvidas preencheram os meus pensamentos ao longo de todo o itinerário. Contudo, a resposta seria consensual. O seminário estava lá, os então seminaristas eram os mesmos (somente 50 anos mais velhos). Foi ali, naquele mesmo local, que criamos os alicerces e ganhamos raízes muito firmes a partir das quais norteamos e orientamos as nossas vidas e, por conseguinte, a minha reação seria certamente idêntica aos demais. De facto, não me enganei, nem foram defraudadas as expetativas criadas. Fomos recebidos pela organização da efeméride (António Conceição Moreira, José A.M. Rego e Óscar Sousa Maia), pela direção dos ASES (Francisco da Cunha Pinto - Tesoureiro, Paulo Vilas Boas - Secretário, Rodrigues Ferreira - Vogal e o ex-Presidente José Ferraz) e pelos Srs. Padres Ricardo Meira e Carlos Coutinho, aos quais nos apresentamos, recebendo em troca o augúrio de um dia em pleno e intensamente vivido. Dos 55 seminaristas de G62 apenas estiveram presentes 12, a saber: António Conceição Moreira (+3 familiares), António Lopes Paiva (+esposa), António Manuel M. M. Silva (+esposa), Artur José Felisberto (+esposa), Fernando Teixeira Cardoso, Francisco Moreira Santos (+esposa), Francisco Veloso Gonçalves, José Marques Costa, José Alberto Moreira Rego, Luís António Lamosa Carvalho (+3 familiares), Mário António Oliveira Cabral, Óscar Sousa Maia. Ficamos a saber que 5 já tinham falecido (Francisco Moreira Silva, José Cunha Mendes Adão, Lino José Órfão Guedes, Manuel António Monteiro Fonseca e Valter Silva Ribeiro). Para as famílias enlutadas as nossas sinceras e sentidas condolências, para eles a certeza de que, onde quer que estejam, continuarão sempre connosco, nomeadamente nos convívios futuros e que somente um, o padre Albino Victor, natural de Cerva, Ribeira de Pena, em missão no Paraguai, concretizou o tão almejado sonho. Para ele os meus (nossos) sinceros parabéns. Recordo-o muito bem, pois nas férias éramos companheiros de viagem. Para mais tarde recordar foi fotografado o conjunto. Pelos motivos mais díspares fomos, ao longo da caminhada, abandonando o sonho. Contudo, quase todos singraram na vida. Desde médico, advogado, professor, empresário, emigrante, GNR, funcionário público, eis algumas das profissões dos presentes. Tão diferentes, mas tão iguais. Imbuídos do mesmo espírito, o de reviver o mesmo sonho, de sorriso plasmado nos rostos e nos olhos, um intenso e permanente brilho; as expressões faciais falavam por si. Foi contagiante, sentimo-nos como que neófitos e tão infantis. Seguiu-se a Eucaristia, sendo celebrante o padre Ricardo Meira. Participamos nas leituras, rezamos pelos nossos companheiros e amigos já falecidos, cantamos, etc. De realçar a preparação da liturgia; leituras e cânticos a cargo do Francisco Pinto (da direção dos ASES). Estávamos novamente na casa que foi nossa e que continuava a sê-lo. Viver é também recordar mas recordar é viver e reviver os sonhos e as múltiplas e diversificadas emoções num autêntico contra relógio. Que cerimónia, tão singela quanto emocionante! Chegou o almoço com a presença de todos (in-

3 cluindo a direção dos ASES e os Srs. Padres já referidos), durante o qual trocamos mais algumas impressões. Falamos do antigo refeitório; quando servíamos à mesa; quando lavávamos a louça; quando comíamos em silêncio; perguntas sobre o conteúdo das leituras; quando não gostávamos da comida; dos padres Teles e Moreira das Neves, na dicotomia de pai e mãe; no autocarro que caiu ao Rio Douro; dos passeios semanais à Cederma e anuais às Terras de Viriato (Viseu e Sra. da Lapa) e à cidade Invicta (Palácio Cristal, Estádio das Antas e Castelo do Queijo), isto é, fomos como que desfiando as contas do terço/rosário. Foinos ainda apresentado pelo F. Pinto o livro sobre os Ases, “Levados por um sonho” da Autoria do AS, António Luís Costa, que alguns dos presentes adquiriram com imenso prazer. Posteriormente, fizemos uma ligeira visita às várias dependências, constatando que as mudanças eram evidentes: desde as salas de aulas; corredores; à nova capela; à divisão do recreio, etc. Cada alteração merecia o comentário adequado. Sem que alguém tenha induzido outrem a ser portavoz do que quer que fosse, sinto ser meu dever, aqui e agora, alertar todos os ASES para a indispensável contribuição pecuniária, como forma de custear e/ou minimizar as múltiplas despesas inerentes, quer à feitura do Boletim UNIASES, quer à realização de todos estes encontros. Assim, convido-vos a adquirir o livro supra mencionado “Levados por um sonho”, a assinar o UNIASES e a participar maciçamente nos futuros convívios. Como “in vino veritas” não poderia(mos) abandonar o Seminário sem adquirir o tão precioso néctar. Na pequena adega recordamos as visitas que, anualmente, fazíamos à grande (mega) adega do D. José de Lencastre, onde observávamos as cubas gigantescas, comíamos uvas especiais e havia uma prova de vinho do Porto. Que delícia!... Pelas 16H30, despedimo-nos de todos (entre nós, da organização, da Direção do UNIASES e do Pe. Ricardo Meira), agradecendo-lhes, encarecidamente, todo o contributo e empenho na realização deste encontro. Mais uma vez realço a forma efusiva, vibrante, “um misto de sonho e realidade”, como foi vivido este dia inesquecível, sentimentos que penso ser comungados por todos os G62 presentes. É que para além do meu aniversário, esta foi a única vez que comemorei tal data (50 anos) na vida. “Que diabo”! Cinco décadas são meio século! Por conseguinte, se exagerei, segundo a mentalidade espiritana, peço desculpa e o vosso perdão, mas a hipocrisia nunca entrou e jamais entrará na minha vida. Fui vacinado ainda no seminário. Em jeito de conclusão, ontem como hoje, no (nosso) seminário, a frugalidade, a singeleza e a espiritualidade são sinónimos de autenticidade, de verdade e de felicidade. Onde se sente mais de perto Jesus Cristo e o Pai; tudo é magnânimo. Como o mundo materialista anda tão enganado!... Saudações Espiritanas Fernando T. Cardoso * Diploma desehado pelo António Paiva


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outubro a dezembro de 2012

VIANA DO CASTELO – COMEMORAÇÃO DOS 50 ANOS DO CURSO DE 1962 (1)

Apesar das inúmeras dificuldades que enfrentou a comissão (?) organizadora, que tudo fez o que estava ao seu alcance para dar conhecimento e congregar o maior número de colegas do Curso de 1962, no dia 20 de outubro, no Seminário de Viana, por ocasião da comemoração das Bodas de Ouro, a festa e o ritual que se impõe nestas alturas foi cumprido a contento dos que de boa vontade lá estiveram, em diminuto número, é certo. Dificuldades de vária ordem motivada por razões de ordem profissional aliada a uma dose de desinteresse para além da problemática em recordar certos tempos ou fases da vida, geraram indefinições que se traduziram em larga falta de comparência. Chegou a temer-se pela sua realização, quanto mais pelo êxito deste encontro. Nada disso aconteceu, felizmente. Apesar da notó(1)

ria ausência de alguns, residentes /naturais dos concelhos do Minho, o encontro excedeu as expetativas. Fomos recebidos e mimoseados pelo desvelo e excelente trato dos PP. Salgueiro e Domingos Neiva; reencontramos antigos professores: o P. Azevedo (o “teacher”) e o P. Jorge Veríssimo. O encontro desenrolar-se-ia em franca amizade. A alegria invadiu rostos dos que quiseram e puderam comparecer neste reencontro. Ponto alto, por ocasião do almoço, cozinhado por encantadoras e excelentes cozinheiras. Para “memória futura” aqui ficam os nomes dos presentes: Codeço, Maia e esposa, Cunha Oliveira, Vilhena, Lourenço, Couto Pereira e esposa, Martins da Silva, e o Delfim entrado em 1961. O Matos Vitorino e o Pereira Pinto e esposa compuseram este grupo com o seu ânimo. Valeu a pena! O nosso obrigado.

Notícia elaborada pela Equipa Redatorial com base em mails trocados entre participantes

Sobre o livro “LEVADOS POR UM SONHO”, comentários e críticas Recebi o livro “Levados por um Sonho” que vou lendo com interesse, recordando locais, pessoas e vivências de um passado em que nem tudo foi bom… No entanto, julgo a obra de especial importância. Felicitações ao seu autor. (Luís Andrade de Barros) Parabéns, António Luís Pinto da Costa, pelo valioso livro, fruto de longa e aturada investigação. Mais de quinhentas páginas (554), um texto denso e tipo de letra que os meus olhos já gastos e cansados têm dificuldade em ler. Apesar disso, com tão larga e aturada pesquisa, acompanhado por uma vastidão de amigos e colaboradores nesse empreendimento, com sinceridade, desejo exprimir-lhe as minhas felicitações. Já nesta etapa terminal de pobre peregrino, dados os limites crescentes nos ouvidos e nos olhos, não poderei ler como desejava esse livro que classificarei como «glorioso testemunho». Infelizmente, vejo esses históricos Seminários irremediavelmente despovoados de jovens. Não vou ficar a carpir e lamentar tristes deci-

sões tomadas por altos responsáveis. É suficientemente grande o número de antigos e ex-seminaristas com o testemunho jubiloso da gratidão pelo que receberam dos Seminários. Como missionário, nos caminhos da obediência, nos seminários passei belos momentos, continuando a guardar no coração tantos e tantos que aí tive a dita de acolher e humildemente servir: seminários espiritanos de Portugal e de Angola e vários seminários diocesanos. (P. Jorge Veríssimo) Sempre esperei um bom trabalho. Afinal excedeu as minhas expetativas. Classifico-o de excelente obra. O título do livro “Levados por um Sonho” só por si evocoume um momento de gratas recordações e emoções vividas nos meus tempos de jovem. De leitura muito agradável; surpreendeu-me a profusão de informação que o acompanha. Aqui deixo o testemunho do meu apreço e as minhas felicitações ao seu autor pelo trabalho apresentado. (Adelino Oliveira Campos).


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UNIASES - União dos Antigos Alunos do Espírito Santo

CONVÍVIO / MAGUSTO – S. PAIO DE OLEIROS

Conforme previsto, realizou-se em 17-11-2012, (sábado seguinte ao dia de S. Martinho), em S. Paio de Oleiros, na casa do ÁS Carlos Seixas, o habitual magusto dos ASES, tradição que vem sendo mantida viva e apoiada pelo núcleo de Santa Maria da Feira. Brindou-nos S. Martinho com um ar da sua graça ao proporcionar-nos uma tarde sem chuva. Pelas 15:00 horas era já percetível que algo pairava no ar, pois o movimento nas proximidades da igreja paroquial era diferente dos rotineiros sábados e mais intenso com a presença de mais convivas (Ases e seus familiares) que não tardariam em chegar. A exemplo dos anos anteriores, em pequenos grupos, efetuou-se a romagem ao Cemitério, recordando os nossos Padres e companheiros, rezando junto dos seus túmulos e depondo um raminho de flores em cada um, tendo sido lembrado também o AS Manuel de Sousa, tendo sido entregue à viúva, D. Isabel, um ramo igual para ser colocado na sua campa, na contígua freguesia de Paços de Brandão. Findo este ato memorial seguimos para casa do Seixas, para a sala do Convívio, estando reunidas cerca de 50 pessoas, nas quais se notava grande satisfação por este encontro que serviu também para pôr a “conversa em dia”. O repasto foi o habitual, começando-se pelas castanhas que até nem estavam más, seguindo-se o ex-

celente arroz quente com couves, simplesmente uma delícia, e com os acompanhamentos do costume: rojões à moda da região. Bebidas para todos os gostos, (branco e tinto, verde e maduro a predominar), caldo verde com broa, café e a rematar a festa o célebre bolo dos ASES SEMPRE a merecer um brinde apropriado. Antes do momento da repartição do bolo, o Melo, atual Presidente da Direção, tomou a palavra para agradecer a presença de todos e enaltecer a disponibilidade do Seixas pelo convívio com que nos brindou, tendo recebido uma grande ovação de palmas Depois de mais uns largos momentos de cavaqueira os ASES começaram a despedir-se, rumo a suas casas, primeiro os de mais longe, de seguida os outros, tendo o convívio terminado pelos 19:00 horas. Nesta altura faz-se noite depressa! Um agradecimento muito grande ao Seixas, ao Marcolino, aos serviços de cozinha e de mesa, que foram incansáveis no atendimento das pessoas. Também os nossos agradecimentos aos ASES, Familiares e Amigos que estiveram presentes, dando alegria a este Convívio. A terminar, fazemos votos de um Santo Natal e Feliz Ano Novo para todos. Pelo Núcleo da FEIRA, Serafim Gomes de Oliveira


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outubro a dezembro de 2012

NOTÍCIAS BREVES FRAIÃO 50 ANOS DEPOIS O ENCONTRO QUE NÃO FOI O fervor das comemorações dos 50 anos tem destas coisas. No ponto mais acalorado das manifestações de júbilo pelo reencontro de colegas, (longo tempo após a entrada no seminário) e na ânsia da repetição a curto prazo, por regra dois anos depois, começou também a comemorar-se os 50 anos no Fraião que terá acolhido uma grande maioria numa etapa fundamental da vida de cada um. O Fraião tornado marca, ícone, à grande maioria dos antigos alunos que por lá passou. Se já é uma com crescente dificuldade que se consegue arranjar dia e gente para a primeira comemoração dos primeiros 50 anos; mais difícil se torna repetir a breve prazo, porque parece estar cumprido o preceito de regressar pelo menos uma vez à casa que nos aco-lheu quando meninos e moços. Este ano não se realizou por questões atrás apontadas… prevendo que o mesmo venha a suceder nos anos subsequentes, a Direção está a pensar em deixar de considerar como atividade inserida no Programa Anual; no entanto, estará sempre disponível para prestar todo o tipo de apoio ao seu alcance, indo ao encontro dos que desejarem continuar a fazer essa come-moração dos 50 anos no Fraião. HOSPITAL DE SANTA MARIA, PORTO De há muito que se encontra internado neste hospital o AS Alfredo Saldanha de Oliveira (Godim 1954), a fim de ser assis-tido na enfermidade que o atingiu. Eram vagas

as notícias que tínhamos deste companheiro e que estaria muito mal, dizia-se. Nesta quadra natalícia cheia de amor, de solidariedade, de amizade quatro colegas (Matos Vitorino, Cardoso Veiga, Timóteo Moreira e Pereira Pinto) que o acompanharam nos estudos a partir do 1º ano, na Silva, tomaram a iniciativa de uma deslocação propositada ao Porto para uma visita onde o encontraram de aparente bom aspeto e com a memória escorreita e que a todos reconhecera. Ficou tão contente com a inesperada visita dos amigos que remataria: - “Esta foi a melhor coisa que me aconteceu neste Natal”. Gesto que aqui deixamos gravado! Ao Saldanha, votos de franca e rápida recuperação, Quam bonum et quam jucundum, habitare fatres in unum. Chorar com os que choram, alegrar-se com os que estão alegres. Uma maneira de estar no mundo. ANO DA FÉ Com a Carta apostólica «Porta fidei» (A porta da Fé) de 11 de outubro de 2011, o Santo Padre Bento XVI convocou um Ano da Fé. Começou em 11 de outubro 2012, por ocasião do quinquagésimo aniversário da abertura do Concílio Ecuménico Vaticano II, e terminará a 24 de novembro de 2013, Solenidade de Cristo Rei. Este ano será uma ocasião propícia para uma séria reflexão e maior aprofundamento da fé recebida nas águas batismais. Saibamos nestes conturbados tempos dar testemunho da fé que, na grande maioria, professamos, não de fachada mas conscientemente.

NOTÍCIAS DA CONGREGAÇÃO COLOCAÇÕES / NOMEAÇÕES Por nomeação do Conselho Provincial foram colocados: P. Domingos de Matos Vitorino - (Godim 1952) de Madrid para Viana do Castelo; P. João Carreira Mónico – (Silva 1955) - de Viana do Castelo para Stº Amaro, em Lisboa; P. Aristides Torres Neiva - (Viana 1974) – de Stº Amaro, Lisboa, para a paróquia de Mértola; P. Firmino Sá Cachada – (Viana 1956) – de Roma para a Amazónia; P. Nuno Miguel da Silva Rodrigues – (Godim 1984) de Cabo Verde para Stº Amaro, em Lisboa; P. Luís Pedro Cardoso Adeganha - (Fraião 1985) – da paróquia de Algueirão Mem-Martins para Torre d’Aguilha. ORDENAÇÃO PRESBITERAL No dia 16 de Dezembro, em Pedras Badejo, (Santiago – Cabo Verde) foi ordenado por Dom Paulino Évora o jovem de 29 anos de idade, Ivaldino Assis Mendes Tavares. A UNIASES congratula-se com a ordenação deste membro da Congregação, a quem deseja uma profícua missão ao serviço dos mais necessitados.

JUSTIÇA E PAZ A tese de doutoramento em Ciência Política do P. Tony Neves, sobre a pacificação de Angola, foi convertida em livro que seria lançado a público em duas etapas: uma a Norte, no dia 31 de outubro, no Auditório Municipal de Gondomar, tendo a apresentação sido feita pelo bispo do Porto, D. Manuel Clemente a que se associaram muitos ASES daquele concelho e limítrofes. A outra etapa ocorreu no dia 8 de novembro, na Livraria Barata – Leya – na Av. de Roma em Lisboa, sendo o seu lançamento e apresentação apadrinhado pelo Professor Dr. Marcelo Rebelo de Sousa. Refira-se que uma dúzia de ASES da área da Grande Lisboa esteve presente ao ato. O livro publicado pela “Texto Editores, Lda.”, do grupo “Leya”, assenta nas intervenções da Igreja e o seu contributo na pacificação de Angola e que obrigou o Professor Marcelo a afirmar que se trata de “uma dissertação universitária que, antes de ter surgido na pesquisa e na escrita de gabinete, já nascera no terreno – ao longo de décadas de serviço da Igreja Católica de Angola, da Justiça e da Paz”, pois o P. Tony Neves (atual Provincial da Congregação) sentiu na pele e viveu no seu íntimo parte do conflito angolano que decorreu no conturbado período de 1989 a 2002. Desta forma se explica o extenso título do livro: ANGOLA – JUSTIÇA e PAZ – Nas Intervenções da Igreja Católica – 1989-2002.


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UNIASES - União dos Antigos Alunos do Espírito Santo

CARTA DO CEPAC Estimados amigos, Saudações muito fraternas de todos os funcionários e voluntários do CEPAC. É também com a vossa colaboração que esta obra de atendimento e apoio aos imigrantes se torna possível. Partilhamos convosco algumas notícias. Contamos, presentemente, com a colaboração de sete funcionários(as) a full time: três psicólogas, duas assistentes sociais, um rececionista e um motorista que também faz trabalho administrativo e de auxiliar de serviços gerais. Os voluntários trabalham sobretudo a part time. Alguns deles põem ao serviço dos imigrantes os seus conhecimentos técnicos qualificados. Disto são exemplo: os quatro advogados, dois médicos; duas enfermeiras e uma farmacêutica. Outros voluntários e voluntárias colaboram noutros serviços, também muito válidos, como o banco alimentar, o banco da roupa, as aulas de português e as visitas domiciliárias. Como sabem, estes serviços desenrolam-se nas instalações contíguas à casa provincial dos missionários do Espírito Santo, sede do CEPAC. Aliás, o CEPAC é uma obra que tem as suas raízes no atendimento que alguns missionários espiritanos foram dando aos imigrantes, sobretudo dos PALOP’s, a partir da casa espiritana, desde os anos 70 e 80 – tal como se pode ler no site www.cepac.pt na página referente à história. E na sua história recente, foram o P. Mário Faria Silva – que hoje se encontra na paróquia de Barcarena, Patriarcado de Lisboa – e o P. José Manuel Sabença que desenvolveram

e estruturaram esta instituição, tal como a temos hoje. No dia 01 de junho de 2012, data do 51º aniversário da morte do P. Alves Correia, o P. José Manuel apresentou-me como novo elemento da direção, da qual fazem parte o Dr. Luciano Matias, o P. Eduardo Osório, o Sr. António Leandro e a Irmã Rosa Braga. Pouco tempo depois, partiu para o capítulo geral, em Bagamoyo, onde foi eleito conselheiro. Desde setembro, encontra-se em Roma, junto do P. John Forgaty – o superior geral – mas estará de passagem em Barcelos, no CESM, entre os dias 27 e 28 de dezembro, para a Reciclagem do Natal. O P. Sabença é, neste momento, correspondente para a maior parte dos países lusófonos, inclusive Portugal e também responsável pelo departamento de Justiça e Paz e Integridade da Criação (JPIC). De 15 a 19 de setembro último, participei na reunião JPIC em Madrid, com delegados das diferentes circunscrições espiritanas da Europa. O tema deste encontro foi: “comércio de armas em África – papel dos países do Norte”. Muitos dos conflitos bélicos do “terceiro mundo” têm a sua fonte nos países do norte. E, normalmente, revertem no enriquecimento de alguns grupos económicos do Norte e no empobrecimento dos países do Sul. O P. Brendan Smyth, que trabalha no secretariado de Bruxelas e que também esteve neste encontro, apontou um site – who are the world’s 100 top arms – onde estão indicadas firmas multinacionais, tais como, Boeing, Airbus, General Electric, Mitsubishi, Rolls-Royce e Saab, que recorreram ao comércio bélico para conseguirem a sua capitalização.

Muitos organismos internacionais têm denunciado estas situações. As congregações religiosas também estão unidas neste intuito. Nós, espiritanos, fazemo-lo especialmente através da Rede Fé e Justiça Europa África (AEFJN) e da VIVAT internacional. A rede AEFJN foi fundada em 1998, por iniciativa de diversas congregações missionárias masculinas e femininas, sobretudo as que trabalham em África; esta organização defende relações mais justas entre Europa e o continente africano porque quem a compõe “leva África no coração”. A VIVAT internacional nasceu mais tarde, no ano 2000, por iniciativa dos missionários do Verbo Divino e das Irmãs Servas do Espírito Santo para um trabalho mais específico de defesa dos direitos humanos. Em 2005, a nossa congregação – missionários do Espírito Santo – juntar-se-ia também a este organismo para lhe dar mais força: lobbying e advocacia junto de instâncias internacionais como a ONU e o Parlamento Europeu. Em resumo, a rede AEFJN existe para defender a justiça nas relações dos países do Norte com os do Sul; a rede VIVAT defende os direitos humanos e a ecologia. Bem hajam a todos os que trabalham pela JPIC. Bem hajam também todos os que colaboram com o CEPAC; pretendemos construir um mundo mais justo, humano e saudável. Se vive ou se tiver que passar por Lisboa, está convidado(a) a visitar-nos. Muito obrigado pela sua colaboração. Um santo Natal, muita saúde, paz e união na família para 2013. Manuel Carmo Gomes, Irmão Espiritano

COLABORAÇÃO COM O CEPAC – NIF 503 007 676 Uma ajuda que não custa nada e sem custos para o contribuinte. Sabia que pode contribuir para a acção e obra do Centro Padre Alves Correia (CEPAC) com o seu IRS sem pagar mais por isso? O Estado permite que 0,5% do(s) seu(s) imposto(s) liquidado(s) reverta(m) directamente a favor de uma Instituição de Utilidade Pública que prossiga fins de beneficência e sem fins lucrativos, como é o caso do CEPAC, consignando 0,5% do seu IRS. Para tal, basta que no Anexo H - Quadro 9 (Consignação de 0,5% do Imposto Liquidado) Campo 901 - assinale com um X a sua intenção, bastando preencher:


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CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA O Envelope, o tal que… Parece ter causado ao Tesoureiro da UNIASES um certo ar de satisfação, como um rebuçado para a boca, em época de amargura. O resultado verificado com a iniciativa do envelope, incluído no nº 167 de julho a setembro, foi bastante positivo. À semelhança de anos anteriores, também a campanha do presente ano não surtiu o efeito total por que tanto ansiava. Apesar de tudo, não saíram defraudadas as expetativas. Salva-se a intenção, também, de avivar a memória coletiva (ou auxiliar da memória individual) no sentido de que são precisas migalhas, que também são pão, para alimentar o corpo. Para bom entendedor… Aos que se dignaram fazer acompanhar as Boas Festas de um contributo financeiro, a Direção agradece, reconhecidamente as ofertas enviadas, entregues e/ou depositadas. Não as referimos aqui nominalmente, pois há sempre o receio de deixar alguém para trás; mas chamamos a atenção para o descritivo que o Tesoureiro faz em rubrica própria do presente Boletim. Novas Tecnologias Somente para referir que continuam a ser adicionados pedidos de adesão ao grupo UNIASES, no Facebook que conta já com cerca de 200 elementos, todos eles antigos alunos, e como é óbvio, com a predominância das mais recentes gerações. Mais lenta tem sido a adesão à receção do Boletim enviado por e-mail em modo PDF. De referir também a grande quantidade de votos de Boas Festas, de Feliz Natal e de Bom Novo Ano, que nos foram endereçadas e às quais responde(re)mos individualmente.. Atualização de morada Manuel Francisco Ribeiro, G62, a residir em Mirandela, atualizou o seu novo endereço postal, José Maria Leal Gonçalves, G48, mudou-se da Guarda para a Portelas (Loures), cuja alteração registámos. Temos recebido de volta vários boletins com indicação de endereço insuficiente o que nos causa um certo transtorno que se traduz por perdas de tempo e por aumentos de custo do seu reenvio. Pedimos, pois, que nos forneçam os dados exatos com os nomes de rua corretos e com os números de polícia atribuídos.

Os carteiros de agora não são como antigamente. À menor inexatidão devolvem à procedência. E temos entre mãos alguns desses casos… sendo por vezes utilizado meios próprios (deslocações aos locais para confirmação ocular) para reposição da verdadeira/nova situação. Informar, recomenda-se! P. António Marques de Sousa G57 Agradeço o envio, por email, do último “UNIASES”. De nossa parte até nos sentimos mais confortáveis com o envio do Boletim em modo PDF. Regozijámo-nos com tal atitude, sinal evidente que foram ultrapassados certos problemas (informáticos e de software) que permitem a chegada do UNIASES em boas condições. Com a chegada do próximo colega e colaborador, já está nomeado, esperemos que o trabalho nessas 10 paróquias desse imenso concelho, seja atenuado e permita um pequeno tempo livre para umas notícias mais alongadas do que se vai fazendo no/ por esse Baixo Alentejo. Ficamos à espera! Diamantino Santos Oliveira G48 No seu pontual cartão de Boas Festas e que estende a todos os ASES e seus familiares, endereça um abraço de parabéns pelo excelente trabalho da Direção. Quem somos nós merecedores de elogios? Caro Diamantino, como humanos que somos, faremos, dentro das nossas limitações, o que estiver ao nosso alcance para conduzir sem sobressaltos o destino da UNIASES. Foi esse o compromisso assumido por ocasião da escolha que sobre nós foi feita. Também já estiveste na condução deste barco e melhor do que ninguém saberás das dificuldades passadas, à semelhança das de hoje, e dos escolhos a evitar. Adelino Oliveira Campos GG37 Diamantino Esteves Pinto G48 João Nasc. Gomes Ramos G48 José Lourenço Gonçalves G48 José Maria leal Gonçalves G48 José Maria Teixeira Dias G48 Carlos Ferreira da Silva G49 José Evaristo Lima Araújo G50 Luís Monteiro Esteves G52 João Maria da Silva Feitas G55 José Maria Paulos Meireles G60 Silvestre Reis Ramos F56

...Respostas Breves Alberto Melo Dª Maria Alcina Marques Cristóvão A todos agradecemos os votos de Boas Festas endereçados; bem como os elogios rasgados tecidos em torno do Boletim sem esquecer a respetiva acompanhante contribuição. Gostaríamos de fazer muito mais de modo a contentar um maior número de leitores e companheiros para uma maior aproximação ou pelo menos concorrer para uma mitigação das saudades que invadem alguns dos antigos alunos. Manuel Francisco Ribeiro G62 (…) Estou bastante afastado da comunidade espiritana da qual gosto de saber notícias. A vida não tem sido fácil. Espero que continuem a lembrar-se de mim. Envio contribuição para comparticipação nas despesas do BOLETIM que devoro num misto de nostalgia e alegria. Há (haverá) sempre, enquanto vamos peregrinando na terra, uma pequena causa, por mínima que seja, para um encontro. Haja disposição e boa vontade! É natural haver um certo gosto em saber notícias de colegas, dos tempos de outrora e de agora. Mais importante, porém, é fazer parte e participar ativamente dessa/nessa notícia. A nostalgia será abafada pela alegria de partilhar. Agradecemos o contributo enviado. Assim todos os que têm possibilidades procedessem… e o Tesoureiro outras contas apresentaria. Américo Pinho Matos G57 Parabéns pela edição eletrónica do UNIASES. Estamos mais próximos no espaço e no tempo. Corolário do que vimos afirmando. Sinteticamente, tudo dito! José Gomes dos Santos G55 Hoje, recebi o nosso boletim. Não obstante o pouco tempo que estive no seminário do Espírito Santo, jamais esquecerei tudo o que aprendi com todos, sem exceção; não como verifiquei nalguns depoimentos que davam a entender que os seminários eram, ao tempo, o local da INQUISIÇÃO (!?...). Temos que nos respeitar e amar uns aos outros; contra factos não há argumentos! Claro que comungamos das tuas ideias e das tuas reações! Não compreendemos certos comentários de alguns (a minoria) que lá permanece-


UNIASES - União dos Antigos Alunos do Espírito Santo ram por mais tempo e venham agora dizer à revelia que tudo foi uma perda de tempo e que o melhor será para esquecer. Coitados, não assimilaram bem o que de melhor lhes era oferecido. Admito que outros pensem diferentemente. Somos humanos. P. José Maria de Sousa G32 (Vide carta publicada na íntegra neste Boletim na página 10) Antes de mais, começo por pedir desculpa pela minha manifesta falta de delicadeza (urbanidade) em não ter respondido individualmente ao e-mail enviado/recebido em 27 de outubro. Por julgar que o conteúdo do mesmo deveria ter um mais amplo auditório, chamei-o para esta rubrica. A questão de “algo de perpétuo” já nos ocorreu mas não em moldes tão enfáticos. Somos, é certo, os sucessores, a seu modo, dos antigos alunos dos colégios do Espírito Santo. À sua semelhança pugnamos durante anos, até baixarmos os braços, por idênticos objetivos, um dos quais: a fundação de um colégio. Tal como eles também pedíamos o apoio da Congregação e da qual obtínhamos a mesma resposta: o ensino não se encaixa no espírito de missão da Congregação. Assim aconteceu nos anos seguintes ao período revolucionário (25 de Abril). Partes do edifício da Torre d’Aquilha haviam sido cedidas (e depois vandalizadas) para fins do ensino público. Os ASES forneceriam o corpo docente… e a obra sendo nossa, seria também da Congregação, a sua bandeira. Nada daí resultou, salvou-se a intenção apenas. Na conjuntura atual não vejo um grupo de ASES, bem instalados na vida, (não são tantos como se possa imaginar) que possa lançar mãos ao desafio que agora nos propõe. Outros são já os tempos!... É certo que a educação recebida nos entusiasmou. Talvez não tirássemos daí as devidas conclusões ou em fazer realçar certas premissas… De raiz, julgo não haver condições para esse algo de perpétuo. Agradecemos a sua generosidade e acusamos o toque (estocada) na certeza de estender a contenda a ser debatida em local próprio: a Assembleia Geral da Associação dos Antigos Alunos do Espírito Santo. Aurélio Fernandes Martins G51 Curiosa a carta que nos endereçou este companheiro do ano de 1951, em Godim. Indecisões, esquecimento, falta de tempo, tudo foi superado “Sempre se manteve a ideia a vontade de cumprir o desejo até que me despertou o apelo do Tesoureiro” (…)

O tesoureiro agradece o generoso contributo. Apesar de não o conheceres estás entre Amigos. Em idêntica situação, às de acima apontadas, estarão, porventura, outros antigos alunos. É importante captar esse momento de lucidez/decisão em qualquer momento e agir, Nunca será tarde! Como a esperança que é a última a morrer, assim a “alma espiritana”. Citando as palavras do Vilhena da Silva (Boletim nº167) “serei sempre uma presença furtiva”… Talvez um dia… Serás sempre bem-vindo! Estes sentimentos serão passados de geração em geração enquanto residir em nós uma pontinha dessa “alma espiritana”. Joaquim J. Azevedo Moreira S55 “ O 167, que li com grande atenção. Nem podia ser doutra forma, tal a densidade (e extensão) de alguns textos. Sobretudo o do Arnaldo…. Não o deixem fugir de colaborar com o nosso jornal… (…) Apenas um reparo: o meu texto já não era (formalmente) “Canto da memória”, como apareceu, porque as despedidas tinham sido dadas no 166. Quanto ao futuro, tenho várias hipóteses de colaboração. A que tem a minha prioridade poderia intitular-se ESTANTE e tratar da “apresentação” pessoal de um livro lido, uma peça vista, uma obra de arte… (…) É grato e salutar saber que o Boletim, nomeadamente o 167, agradou. Quando tais comentários veem de pessoa tão capacitada até o peito se enche de certa empáfia. Esperamos contar com a colaboração do Arnaldo, pelo menos tem demonstrado essa disponibilidade, Acho que todos ficamos a ganhar com a sua participação quer nas páginas do Boletim quer em outras oportunidades, tais como encontros ocasionais. Não só apreciamos como nos congratulamos com a tua continuada colaboração; julgo que todos ficaremos a ganhar e o Boletim mais rico A rubrica “ESTANTE” fica desde já criada e aberta para o que nos quiseres transmitir e alargada a todos os que nela quiserem participar, partilhando com os leitores que lhes vai no espírito. Dª Helena das Mercês Abrantes Viúva do AS1395 - Leonel Augusto Abrantes (GGare 1934) pede que não me enviem mais o UNIASES… fazendo acompanhar este pedido de apreciável contribuição. De nossa parte compreendemos e satisfaremos o pedido agora feito.

9 Luís Monteiro Esteves G52 Faz referência à nota que deixamos expressa no anterior Boletim (nº 167) em que se chamava a atenção paro o Curso de 1952/53 em Godim. Dedicado e muito ativo planeia organizar um ambicioso encontro-convívio no ano de 2013, destinado aos que o acompanharam desde o 1º ano até à Páscoa de 1955, já no Fraião. Torna-se urgente o contacto através dos números 214 391 971 e 963 855 385 para indicação do local e data mais convenientes. Apraz-nos saudar tamanha e desinteressada dedicação para reunir colegas de curso. Um bom exemplo de “Delegado de Curso” de que havemos de falar em próximo número. Obrigado! Não deixes esmorecer tão louvável atitude e que a concretização dos teus desejos ,seja em breve, uma realidade. Bernardino Assunção Serra G60 “Frequentei o Seminário de Godim por pouco tempo letivo (ano de 60/61) até á Páscoa; por isso o tempo lá passado não me traz grandes recordações e até me atrasou a vida” Registamos aqui o teu desejo de tornares-te sócio. És, sempre foste, um de nós e que agora nos dá a cara. Aprouvera que muitos outros tivessem a coragem de o fazer. Queixas-te da distância e dos motivos económicos que isso acarretaria e por nisso não tens aparecido aos encontros promovidos e realizados. Estamos a pensar em levar os encontros até Trás-os-Montes pois que anda por aí muito antigo aluno que não aparece pelos mesmos motivos e que se desconhece entre si. Assim, contamos criar a figura do “Delegado de Setor ou de Zona” que funcionará, assim o pretendemos, como ponto de referência e foco de união entre os residentes em determinada área geográfica. Dª Maria Alcina Marques Cristóvão Sinceramente comovido pela singela carta enviada. Viúva do AS João Cardoso Cristóvão (uma família dedicada totalmente à causa/família espiritana) por sinal, entrado em 1955 na Silva, no mesmo ano que entrei em Godim. Ele o mais velho e o mais alto do curso que tive o privilégio de conhecer num magusto de 1985, na Torre d’Aguilha, acompanhado de seu irmão Mário. Maior a surpresa, pois sabia da sua existência e mas nunca o havia visto antes. Continuamos a enviar o Boletim; não a privaremos dessa satisfação.


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Cartas à Direção Respeitosos cumprimentos, obrigado pelo envio de UNIASES, via mail. Tomei conta de todo o conteúdo com muito gosto como sempre. Acerca de sugestões pedidas sobre algo que não esteja tão conforme. Sobre tal, nada tenho a acrescentar, pareceme tudo bem segundo os melhores cânones. Uma sugestão que desde o princípio da associação sempre me acompanha é a seguinte: «algo de perpétuo»! Haverá tempo em que magustos, sardinhadas, reuniões, convívios ficarão suspensos pelo facto comum da passagem de cada um além…! O que restará após o trânsito? Na congregação estou à cabeça dos primeiros transeuntes, tenho por isso um memorial anterior ao de todos os ASES: os antigos colégios (Espírito Santo, em Braga; Santa Maria, no Porto; Fischer, nos Açores) foram uma das referências mais elogiosas da congregação nos fins do século XIX e princípios do XX.

A reunião desses antigos alunos era feita em Fraião e o slogan todos os anos era o mesmo: pedimos à congregação que funde um colégio, as custas são nossas. Resposta invariável: - A congregação agora está toda voltada para a África. Nada ficou dessas reuniões de que os ASES foram depois sucessores. O que faltou na resposta aos colegiais? A Congregação não pode, podem vocês, a congregação dará certamente a sua colaboração mas não como autora. Um colégio, universidade, fundação para perpetuar os ases? Se a educação restrita do seminário os entusiasmou o que seria uma instituição com fins de maior amplitude social? Fazendo votos pela prosperidade de vex,ª e associação, subscreve-se com toda a consideração. Porto, 20.10.2012 P José Maria de Sousa, Cssp.

ATIVIDADES DA DIREÇÃO Resumo das atividades ou acontecimentos em que a Direção esteve presente por um ou vários elementos ou se fez representar no 2º semestre de 2012, tendo, nos mesmos, participado: Peregrinação a Fátima Que ocorreu nos dias 7 e 8 de julho. Encontro em Aveiro No Encontro das Beiras, este ano realizado em Aveiro, no dia 22 de setembro. UASP – FORUM em Lamego No I Fórum realizado pela UASP (União das Associações de Antigos Alunos dos Seminário Portugueses) em Lamego, nos dias 22 e 23 de setembro. Encontro em Godim Por ocasião da celebração das Bodas de Ouro do Curso de 1962/63, no dia 6 de outubro Encontro em Viana do Castelo Na comemoração das Bodas de Ouro do Curso de 1962/63, no dia 20 de outubro. Lançamento do Livro do P. Tony Neves Em 8 de novembro, na Livraria Barata – Leya – na Av. de Roma, em Lisboa.

Magustos nos Centros de Animação Missionária Realizados em 4 de novembro, no Fraião e na Torre d’Aguilha. Magusto em S. Paio de Oleiros Por ocasião do Magusto promovido pelo Núcleo de Santa Maria da Feira, em casa do Carlos Seixas, em 17 de novembro. UASP – União das Associações dos Antigos Alunos dos Seminários Portugueses Na AG da UASP, em 24 de novembro, no Seminário Diocesano de Leiria, para discussão e aprovação do Regulamento Interno e do Plano de Atividades e Orçamento para 2013. Conselho da Animação Missionária No Conselho de Animação Missionária Espiritana, que se realizou no CESM, Silva, Barcelos, em 28 de Dezembro. Funerais Anunciados no Boletim UNIASES e dos quais tivemos conhecimento prévio.

As Universidades Seniores e o Envelhecimento Ativo (1) A Europa consagrou 2012 como o ano do “Envelhecimento Ativo e de Solidariedade entre Gerações“. Atendendo ao facto de a percentagem de idosos ser cada vez maior entre a população europeia torna-se premente que nos debrucemos sobre o problema do envelhecimento. Esta realidade verifica-se também em Portugal onde a esperança de vida tem aumentado e a natalidade tem diminuído. Como os agregados familiares vão diminuindo é importante proteger os mais velhos e apoiar os mais novos. Mas é do interesse dos mais velhos e dos mais novos

que os idosos mantenham a sua autonomia e independência, que tenham qualidade de vida e expetativas de uma vida saudável por muito tempo. Para tanto é importante que no envelhecimento as pessoas se mantenham ativas. Essa atividade tem de ser física mas também intelectual e emocional. A atividade física é acautelada com o andar a pé, com o trabalho, com os ginásios. A atividade emocional será mantida com o convívio com outras pessoas de diferentes gerações, com o contacto com acontecimentos e espetáculos variados.


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UNIASES - União dos Antigos Alunos do Espírito Santo A atividade intelectual implica exercitar o cérebro aprendendo coisas novas, recordando conhecimentos antigos, aplicando a experiência a situações novas, atuais. O papel das Universidades Seniores no envelhecimento ativo Para além do Estado, também os cidadãos têm criado várias organizações que se preocupam com os idosos. Entre elas temos as Universidades Seniores que vão nascendo por todo o País. Normalmente não têm fins lucrativos. Em geral procuram aliar alguma atividade física às disciplinas intelectuais. A falta de espaços impede que muitas não possam ter as aulas de ginástica, de natação, de Yoga, etc., que a maioria dos alunos desejaria frequentar. Os passeios a pé e as visitas de estudo são momentos de agradável convívio. Embora predominem as disciplinas comuns às escolas, há também turmas de maior ligação às comunidades: as tradições com canto e representações, o teatro, a saúde, a cidadania, etc. O movimento rotário em Portugal está atento às pessoas idosas e, nesse sentido, tem vindo a criar, através dos Clubes Rotários, Universidades Seniores, que são já 33 (trinta e três). Os seus Professores e os seus responsáveis são, em geral, voluntários. Os alunos pagam entre 100 e 250,00 € por ano e podem frequentar várias disciplinas. Pela minha experiência na Direção da Universidade Sénior de Rotary de Valongo verifico que os alunos e os Professores sentem muita alegria em frequentar as aulas e em conviver com os seus outros membros quer no dia-a-dia quer nos convívios e passeios. Todos gostam de expor os seus conhecimentos de experiência feitos. É admirável ver o seu entusiasmo na aprendizagem de Informática, Inglês, Espanhol, etc. Manifestam a alegria por saírem de casa,

por conviverem com outras pessoas, por se esforçarem por recordar ou aprender coisas novas. Sentem que, apesar do seu envelhecimento, se mantêm ativos na mente e no corpo e que isso lhes traz mais energia e alegria. A solidariedade entre as gerações As universidades seniores não só ocupam os mais velhos, como lhes proporcionam recordar o que já lhes fora ensinado e aprender coisas novas. Importante é que os mais velhos, que são repositórios de saber experimentado, transmitam às gerações mais novas os seus conhecimentos e, sobretudo, as suas experiências. Para isso deve-se procurar que os alunos visitem escolas, infantários, associações. Aí poderão deixar a sua experiência e conhecimentos e o seu carinho e receber dos mais novos a alegria e o entusiasmo pelos conhecimentos e pela vida que têm à sua frente. As universidades seniores têm de ser mais do que centros de dia. Há certamente muitos idosos desejosos de irem até aos mais novos. Bom será que os responsáveis pelas escolas, pelas autarquias, pelas associações os convidem ou se abram a eles. Os mais velhos sentir-se-ão mais felizes se lhes for dada a possibilidade de terem uma maior intervenção social servindo a comunidade de forma voluntária e gratuita. A solidariedade entre as gerações deve ser promovida por todos os cidadãos pois em muito beneficia a sociedade e possibilita o envelhecimento ativo. Timóteo Jorge Moreira (1) In “Boletim da Ordem dos Advogados” nº 86, Janeiro de 2012.

CONCLUSÕES DO FÓRUM LAMEGO 2012 Demos conta no nº 167, referente ao 3º trimestre de 2012, página 11, na rubrica de “Notícias Breves”, da realização do 1º FÓRUM promovido pela UASP, (União das Associações de Antigos Alunos dos Seminários Portugueses) e realizado nos dias 22 e 23 de Setembro, no Seminário Diocesano de Lamego e no qual participamos ativamente. De forma sintetizada aqui deixamos as conclusões do mesmo que apontam para uma UASP que pode ser útil a vários níveis, segundo os objetivos traçados nos seus estatutos, nomeadamente no Artigo 2º que serviu de alicerce e alavanca na concretização deste FORUM. Referimos também as sugestões aprovadas para uma ação a desenvolver no futuro. 1) A nível pessoal: • Promover o suporte espiritual dos antigos alunos; • Enriquecer humana e espiritualmente os associados pela partilha de experiências; • Sensibilizar para o potencial adormecido dos antigos alunos; • Pela reflexão, tirar do entorpecimento e levar à participação eclesial e social; • Criar interligação e debater os problemas mais prementes da atualidade.

2) A nível de cada associada: • Ajudar a motivar as associações, pela partilha da riqueza específica de cada uma; • Dar visibilidade nacional ao trabalho das associações; • Ajudar a integrar eclesialmente grupos “paralelos” às associações; • Proporcionar espaços de formação espiritual e de diálogo entre as associações. 3) A nível nacional: • Congregar as associações para refletir e discutir questões, ideias e interesses comuns; • Privilegiar a qualidade, na partilha e na reflexão, entre as associações; • Sensibilizar dioceses/religiosos para a existência da UASP, enfatizando o seu potencial; • Divulgar encontros, jornais, publicações, etc., das e entre as associações. Sugestões: 1) Alargamento: • Motivar antigos alunos para a criação de associações onde elas não existam; • Estudar, com as associadas, estratégias para chegar aos antigos alunos mais jovens.


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Continuação das CONCLUSÕES DO FÓRUM LAMEGO 2012 2) Iniciativas de formação: • Promover um retiro (quaresmal); • Promover um fórum/congresso bienal com temáticas de interesse comum; • Promover um evento cultural nacional anual com as associadas; • Realizar conferências abertas para reflexão sobre temas de relevante interesse social; • Organizar encontros temáticos (culturais/científicos) de fim-de-semana, por regiões. 3) Relação com as associadas: • Reforçar a identidade das associadas;

• Visitar cada uma das associadas, por convite ou por iniciativa da Direção da UASP; • Rodar as Assembleias Gerais da UASP pelas diferentes associadas; • Realizar as atividades da UASP nos diversos Seminários das associadas; • Promover o intercâmbio entre as associadas; • Divulgar as ações da UASP e das suas associadas junto das dioceses e dos institutos religiosos; • Dinamizar o blog da UASP para veicular e partilhar ideias, iniciativas, projetos…; • Criar um jornal e um arquivo da UASP.

Notícias… tristes Irmão Luís, Cssp. O Irmão Luís de Gonzaga – Avelino Dourado Pontes – natural de Fonte Boa, Esposende, nasceu a 24 de setembro de 1930, tendo falecido na comunidade do Fraião, onde era residente, com a idade de 82 anos. Aos 26 anos deu o primeiro passo para o ingresso na Congregação MisP. Jorge de Carvalho Veríssimo Duarte, Cssp. O Padre Jorge de Carvalho Veríssimo Duarte nasceu em Cimbres, Armamar, em 15 de Julho de 1939, tendo entrado no Seminário da Congregação do Espírito Santo em Godim em Outubro de 1950. Fez o noviciado na Silva (Barcelos), professando em 8 de setembro de 1958. Depois da Filosofia, na Torre d’Aguilha, continuou os estudos teológicos na Universidade Gregoriana, em Roma, onde se licenciou em Dogmática. Ordenado em Roma no dia 21 de dezembro de 1963, foi colocado no Fraião, Braga, como professor e subdiretor. Em 1965 passou para o Seminário Maior da Torre d’Aguilha como professor, prefeito

sionária do Espírito Santo, tendo no ano de 1956 frequentado o Noviciado dos Irmãos, no Fraião, tendo professado no ano seguinte e no ano de 1963 emitiria os votos perpétuos. A sua missão, dentro do carisma missionário da Congregação, foi desenvolvida na Europa e em África: nos primeiros anos (1960 a 1969) foi repartida como auxiliar do Ecónomo, no Fraião e como motorista na Casa-Mãe, primeiro em Paris, depois em Roma. Em 1969 partiria para as missões de

Angola, onde permaneceu até 1974, assumindo o serviço de perfeito e de ecónomo no seminário de Luanda. De regresso a Portugal, exerceu a sua missão ao serviço da Animação Missionária, tendo, posteriormente, assumido as funções de Ecónomo e Gestor da Quinta, no Seminário da Silva, enquanto as forças lho permitiram. De volta ao Fraião, mostrou-se incansável e desvelado auxiliar no cuidado dos doentes que ali permaneciam, acumulando com as tarefas de zeloso porteiro e afável rececionista.

de estudos e diretor espiritual, transmitindo aos teólogos um certo ar fresco emanado do então Vaticano II, com um espírito de franqueza, simplicidade e de alegria, imbuído de uma dose de espiritualidade a rondar o ascetismo. No ano de 1970, sofreu um acidente na linha do comboio, na Silva, sendo o único sobrevivente dos quatro espiritanos que iam em serviço apostólico. Em 1973, partiu, finalmente, para Angola, Nova Lisboa (Huambo), como professor e vice-reitor do Seminário Maior de Cristo-Rei. No ano seguinte, estava na Missão da Chanhora a preparar o noviciado da Congregação do Espírito Santo. Entretanto, sobreveio a independência de Angola e ficou no Huambo com os seminaristas Maiores de Cristo-Rei. Regressado a Portugal em 1975, ficou colocado em Viana do Castelo como professor. Em 1977, ao serviço da diocese de Lamego, lecionou no Semi-

nário Maior as disciplinas de Teologia e Sagrada Escritura e, três anos mais tarde, acumularia com o Secretariado diocesano das Vocações. Por motivos de saúde, em 1988, passou para o seminário de Godim ficando como colaborador da paróquia. A partir de 1993 passou pelo Seminário Espiritano do Pinheiro Manso (Porto) e, mais tarde, em 2001, por Viana do Castelo até final da sua vida terrena, onde faleceu com a idade de 73 anos. Neste período, revelou-se como escritor biográfico de várias obras já publicadas (P. José Felício, P. José Alves, Alexandrina de Balazar), sendo que a última se refere ao Carmelo de Viana e que tem por título “Bandeira da Vitória”). De referir a sua ligação à UNIASES, na qualidade de “Assistente” (Delegado da Congregação) durante alguns anos em que esteve no Porto, bem como os apontamentos deixados para a História dos ASES.

Por comunicação de familiares, foi dado conhecimento do falecimento de: AS 92 – Alberto Leite Ferreira Natural de Paços de Brandão – Sta. M. Feira, residente em Lisboa, faleceu em 15 de abril de 2012. De Godim 1931. Com a indicação de ‘falecido’ foi devolvido o Boletim 167 UNIASES endereçado a: AS 195 – Aníbal Garibaldo Rebelo Antunes Natural da Caniçada - Vieira do Minho, residente no Porto, faleceu na cidade do Porto onde residia. De Godim 1932. Sentidos pêsames a todos os familiares e que descansem na PAZ.


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UNIASES - União dos Antigos Alunos do Espírito Santo

TES OURARI A OUTUBRO / DEZEMBRO 2012 N.º 29 2014 53 66 66 66 112 180 313 302 2674 345 2423 403 408 450 452 471 505 507 523 529 564 2720 568 577 1953 633 635 2514 651 707 719 814 831 836 843 896 917 938 943 950 958 966 2327 987 987 1000 2005 1025 1040 403 1100 1141 1144 1163 1166 1180 2091 1235

Nome

Conta Montante

Adelino Oliveira Campos Adriano Santos Jesus NIB Agostinho Codeço Pereira NIB Agostinho Tavares Freitas Agostinho Tavares Freitas Agostinho Tavares Freitas Albino Pereira Silva NIB Américo Silva Ferreira António J. T. Cardoso Soares NIB António Joaq. Martins Carneiro NIB António Lopes Paiva NIB António M. C. Cardoso Pinto NIB António Manuel Pereira Jesus NIB António Rodrigues Ferreira António Santos Costa Armando Dias Sarmento NIB Armando Ferreira Vilhena Silva NIB Armindo Augusto Fern. Brás NIB Augusto Teixeira Rua Aurélio Fernandes Martins Benjamim Silva Andrade Bernardino Gonçalves Paulos NIB Carlos Ferreira Silva Carlos Henriques Martins Viana NIB Carlos Lourenço Almeida NIB Carlos Manuel P.Martins Silva NIB Custódio J. Azevedo Soares Diamantino Esteves Pinto Diamantino Santos Oliveira Dinis Agostinho Gaspar NIB Domingos Matos Vitorino Pe. Eusébio José Lopes NIB Fernandino Ilídio Card. Pereira NIB Francisco Pereira Lima Gaspar Ribeiro Costa NIB Germano Paulos Antunes NIB Guilherme Pires Sousa Jaime Paiva Frutuoso NIB João Card. Cristóvão Viúva Alcina João Jorge Dias Sarmento João Manuel Correia Lima NIB João Maria Silva Freitas João Nunes Garcia NIB João Reis Lima Barreto NIB Joaquim António Valente NIB Joaquim Aug. Nunes Falcão NIB Joaquim Aug. Nunes Falcão NIB Joaquim Correia Pedrosa Joaquim Gonç. Pereira Silva NIB Joaquim Lopes Oliveira NIB Joaquim Mendes NIB Jorge Pereira Pinto José Adelino M.Cardoso Veiga NIB José Azevedo Barbosa NIB José Batista Sá Jose Conceição Silva NIB José Correia Gregório NIB José Evaristo Lima Araújo José Joaquim Lopes NIB José Lourenço Gonçalves Transporte

Q+J+D Q+J+D DONATIVO DONATIVO Q+J+D LIVROS Q+J+D Q+J+D Q+LIVRO Q+J+D Q+J+D Q+J+D Q+LIVRO Q+J+D Q+J+D Q+LIVRO Q+J+D Q+J+D Q+J+D Q+LIVRO Q+J+D Q+LIVRO Q+LIVRO Q+J+D Q+LIVRO Q+LIVRO Q+LIVRO Q+J+D Q+J+D Q+J+D Q+J+D Q+LIVRO Q+J+D Q+LIVRO Q+J+D Q+J+D Q+J+D Q+LIVRO Q+LIVRO Q+J+D Q+LIVRO Q+J+D Q+J+D Q+J+D Q+LIVRO BOLSA Q+LIVRO Q+J+D Q+J+D Q+J+D Q+J+D Q+J+D DONATIVO Q+J+D Q+J+D Q+J+D Q+LIVRO Q+J+D Q+J+D Q+LIVRO

50,00 € 20,00 € 100,00 € 100,00 € 40,00 € 60,00 € 30,00 € 20,00 € 30,00 € 50,00 € 100,00 € 20,00 € 50,00 € 20,00 € 20,00 € 50,00 € 15,00 € 10,00 € 20,00 € 200,00 € 20,00 € 50,00 € 30,00 € 20,00 € 40,00 € 100,00 € 50,00 € 25,00 € 30,00 € 150,00 € 20,00 € 50,00 € 25,00 € 30,00 € 20,00 € 20,00 € 50,00 € 30,00 € 50,00 € 25,00 € 50,00 € 25,00 € 20,00 € 20,00 € 50,00 € 50,00 € 100,00 € 20,00 € 20,00 € 20,00 € 20,00 € 20,00 € 100,00 € 25,00 € 25,00 € 20,00 € 50,00 € 20,00 € 25,00 € 30,00 € 2550,00€

N.º 1966 1286 2531 1296 1307 1331 2548 1395 1395 1395 1412 1424 2632 1441 1487 2271 1548 1569 1569 2665 2360 1608 1648 1659 1663 1663 1681 1691 2502 1882 2388 Quem? Quem? Quem? Quem? Quem?

Nome

Conta Montante

José Maria Amaral Raposo José Maria Leal Gonçalves José Maria Paulo Meireles NIB José Maria Teixeira Dias José Martins Sá NIB José Pereira Costinha José Soares Domingues NIB Leonel A. A. Abrantes Viúva Leonel A. A. Abrantes Viúva Leonel A. A. Abrantes Viúva Luis Andrade Barros NIB Luis Gomes Sousa Luis Monteiro Esteves Luis Silva Carmona Manuel Assunção Casalta NIB Manuel Fernandes Reis Manuel Francisco Ribeiro NIB Manuel Joaquim Couto Pereira Manuel Joaquim Couto Pereira Manuel Joaquim Ramos Pires Manuel Martins Gonçalves Manuel Milhano Menino Manuel Ribeiro Mendes NIB Manuel Santos Moreira Manuel Serafim Mendes Santos NIB Manuel Serafim Mendes Santos NIB Marcelino Pinto Ferreira Mário Alexandre O. Sá Sil Rui Martins Lopes Silvestre Reis Ramos Valdemar Fernandes Chaves Viana 1962-2012 ? NIB 23-12-12 ? Ases NIB 13-11-12 ? Maria Augusta Pinto NIB 23-10-12 ? QJD NIB 10-11-12 ? Uniases 58 NIB 21-10-12

J Q+LIVRO Q+J+D Q+LIVRO DONATIVO Q+J+D Q+LIVRO BOLSA CEPAC Q+J+D Q+J+D Q+LIVRO Q+J+D Q+J+D DONATIVO Q+J+D Q+LIVRO BOLSA Q+J+D Q+J+D J Q+J+D Q+LIVRO Q+J+D CEPAC Q+J+D Q+J+D Q+J+D Q+J+D Q+LIVRO Q+J+D Q+J+D Q+J+D Q+J+D Q+J+D Q+J+D Q+J+D TOTAL

N.º

Nome

Conta

5,00 € 50,00 € 25,00 € 30,00 € 80,00 € 20,00 € 50,00 € 50,00 € 50,00 € 150,00 € 22,00 € 30,00 € 25,00 € 20,00 € 80,00 € 15,00 € 50,00 € 150,00 € 150,00 € 10,00 € 5,00 € 20,00 € 75,00 € 20,00 € 40,00 € 40,00 € 20,00 € 20,00 € 20,00 € 80,00 € 25,00 € 30,00 € 25,00 € 30,00 € 50,00 € 50,00 € 50,00 € 4.212,00 €

Montante

Já publicados nos Nº 156 a 167 Quem? 1648 Quem? Quem? Quem? Quem? Quem? Quem?

? Trf. Franc. NIB 26-04-11 Manuel Rib. Mendes 03-02-11 ? Cepac Apelo NIB 22-02-11 ? Z Mac NIB 13-01-11 ? Transferência NIB 08-11-10 ? Joaquim NIB 27-10-10 ? Matosinhos Sul NIB 17-11-09 ? Transferência NIB 13-11-09

Q+J+D Q+J+D CEPAC Q+J+D Q+J+D Q+J+D Q+J+D Q+J+D

50,00 € 50,00 € 20,00 € 25,00 € 100,00 € 20,00 € 50,00 € 20,00 €

DISTRIBUIÇÃO DE “LEVADOS POR UM SONHO” Distribuídos até 31-12-2012 Para despesas correio

179

Para distribuição

296

3.580,00 € 81,00 € 3.661,00 €

EMPRÉSTIMOS Empréstimos Reembolsados Empréstimos passados a Donativos + Livros Empréstimos a Reembolsar

2.800,00 € 1.100,00 € 1.500,00 €


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outubro a dezembro de 2012

CANTINHO DA POESIA A vaca, o burro, o papa e o futuro À manjedoura vão os animais E um dia lá encontram o Menino. À espera de qual seja o seu destino, Põem-se, então, ao lado de seus pais. Muitos anos depois, veio nos jornais Que um papa considerara desatino Ver vaca e burro junto do Divino, Sem tal constar nos textos factuais. Fui ler que disse o Papa e percebi A junção de pobreza e humildade Que a Tradição fazia em textos seus: A própria natureza estava ali, Com reis, pastores e pais, em unidade; Chegara a hora de conhecer Deus. E com esta história, O burro e a vaca Cantaram vitória Porque até o Papa Fez compreender Que nenhum presépio Os deve esquecer. José Machado (Godim 1964)

O teu olhar Quem me dera desvendar O enigma do teu olhar O brilho que solta Que me prende E toca fundo no meu mundo Suave, forte, profundo como o mar São essas ondas a transbordar Que acariciam a areia do meu ser E a alisam e deslizam sem saber Quanto me trazem de prazer Quem me dera saber Chamar a mim essa magia Brincar com ela Quem sabe um dia Beber da fonte encantada Provar o mel, essência da tua pele Que promete, sem hesitar O toque doce do teu olhar In “Puro Amor” Carlos Varela (Fraião 1987)

Presépio // Natal 2012 O meu presépio deste ano ficou estranho de espantar! Tiraram-me de lá o Menino e os pais que o geraram,

o boi bento e o jerico, que não tendo mais que dar, dali os levaram para carne e pele aproveitar. Anjos no céu, não se veem. Nem a Lua a alumiar! As estrelas empalideceram e o rasto da Estrela Grande que nessa Noite aparecera aos famintos que a esperavam dizem os magos d´ agora ser utopia e mentira nascida p´ra ilusão neste “mundo” que se rege por violência e rapina, por esbulho e opressão. dos têm seus Direitos: os direitos e os tortos que enxameiam. É abrir os olhos e ver! ´inda mais, muitos outros: o verme, o leão e o touro a toupeira, o rato, o besouro que por todo o lado rabeiam. Dos do Homem há cartilha assaz completa (mas que um nobel português julgando-os mancos, quis acrescentar, de vez)! Tudo, óbvios direitos dos que, por sorte, passaram da forca, a lei caudina. Ficou no tinteiro, porém, (e o nobel esqueceu, também) da Natura, a lei pristina! Eis a questão: ter ou não ter O Direito a um Natal! Aurélio Oliveira (Viana 1956)

Santo Natal, Ótimo 2013 Desejar Boas Festas, e de bom, tudo A todos os ASES e à nova Direção eu quero: Um boletim cheio de bom conteúdo, Paz e saúde p’ra todos, meu desejo sincero. Quem temos na Direção, como timoneiro Da Uniases e na chefia da redação, Certezas nos dão e garantias por inteiro, Da sua entrega, saber e competência na ação! Fui este ano, à magna do Fraião: O que lá vi e senti, foi um oásis, Face a outros encontros, do Colégio e do Batalhão! “Caesari, quae sunt Caesaris” E à Direção o que é dos elementos da Direção, E estiveram simplesmente “impecabilis”! Manuel António Pousa (Godim 1957)


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UNIASES - União dos Antigos Alunos do Espírito Santo

Do Fundo do Tempo II Temos de avançar no entendimento do mundo, o mesmo é dizer, da Vida, para não regredirmos ou estagnarmos o pensamento. Vejamos o que foi a história dos erros cometidos pelos grandes da hierarquia da Igreja. Muitas vezes, não passaram de um bando de assassinos. Dói lembrar esses tempos. Porque eram homens, antes de serem papas e bispos. Ordenaram que se matasse em nome de Deus. O arrependimento é sempre um ato tardio que não disciplina a consciência, antes a torna mais pesada. Que estranho entendimento tinha esta gente de Deus! Mas temos pilares sólidos que não deixam cair o edifício: Jesus Cristo, sua Mãe e os seguidores que, com o seu exemplo, estiveram perto de Jesus. As tábuas da lei também não oferecem dificuldade a ninguém, mas a retórica oficial torna-se incompreensível e inacessível ao cidadão pouco esclarecido. Esconde o que devia mostrar aos homens e mulheres. Não se pode aceitar a discriminação das mulheres. Afinal, Maria não foi a Mãe de Jesus? Jesus não teve pai, como qualquer filho ou filha? São sempre os Concílios que oficializam a doutrina da Igreja, desde o de Niceia, onde não chegaram a acordo sobre a pessoa e natureza de Cristo, ao de Constantinopla, e ao Concílio do Vaticano II, promovido por João XXXIII, o da proclamada abertura da Igreja ao mundo. A pessoa mais importante das nossas vidas, a que nos criou, tem nome – foi a nossa Mãe. Pessoalmente, ninguém está acima da minha Mãe. Como posso obedecer ao homem do Vaticano, se ele próprio se diz infalível? Ainda me lembro do tempo do “acreditar e não discutir” Que tem de menos uma Mulher para praticar atos litúrgicos até agora praticados só por homens? Meus Amigos, se estes encontros não constituírem oportunidade para diálogo livre e sério, então ficarei calado. Para sempre. Sinto-me pertencer a esta casta, por múltiplas motivações e razões, mas não pertenço a nenhuma hierarquia, não devo obediência a nenhuma instituição. Sou apenas um cristão que se quer livre, humano e seguidor das Tábuas Sagradas e do Homem que jamais alguém suplantará. Ele já pagou por todos os nossos humanos erros. Torga o escreveu: “O indivíduo exprime, quer queira ou não, a própria alma do chão que o viu nascer”. Tudo o mais, nestas matérias, é, para mim, matéria reservada. Nada contesto, nada imponho. Perscruto, com atenção. Respeito os que estão de boa-fé e se dão ao respeito. Deixo um pedido aos meus amigos, a quem me sinto unido por um abraço ágape: retomem a leitura dos textos de Santo Agostinho. Assumiu, sem reserva ou medo, a essência da filosofia grega, sobretudo de Platão, onde bebeu os ensinamentos que lhe permitiram aceder à natureza humana e ao conceito de Bem. Como Platão, optou pela Eternidade em vez do Tempo, definindo para si que só o eterno é verdadeiramente real. Convido-os a lerem as Confissões. Platão, depois da sua adesão ao cristianismo, já não lhe chegava. Ele escreveu: “o mediador entre Deus e os Homens é Jesus Cristo Homem-Deus”. Para Platão, céu era qualquer coisa de abstrato. Agostinho sentia-se incompleto, até abraçar o entendimento de que “o interior não era só o lugar dos desejos, mas podia ser um depósito das experiências da verdade”. Para Agostinho, o interior não era somente o lugar dos desejos, mas um recetáculo da verdade sobre o mundo e sobre Deus. Cerca de doze séculos depois de Agostinho, surge Descartes a retomar o seu pensamento, quando sustenta o “cogito” auto-suficiente. Antes de chegarmos a Descartes, não ignoremos outros Mestres, onde destacamos S. Tomás de Aquino, que se inspirou em Aristóteles, na tentativa de transformar o cristianismo inteligível numa terminologia grega. O seu fracasso ficou mais claro com Lu-

(1)

tero. E assim atravessamos séculos e séculos de História a tentar compreender o que nos liga, e como nos liga, a nossa natureza humana à natureza do sagrado, como se fossem dois mundos separados e incompletos. Não esqueçam, nas vossas cogitações sobre Aristóteles, a sua influência em S. Tomás de Aquino e em Dante Alighieri. Mas não sou eu a pessoa indicada para vos maçar mais com as minhas imperfeições acerca das referências históricas do Cristianismo que nomeei. Sou curto e impreparado. Em todo o caso, entre Agostinho e Dante, pertenço ao lado de Dante: o sentido que o amor tem, dentro de mim, é encarnado e humanizado, e não abstrato e descarnado, como em S. Agostinho. A vida tem sentido, para mim, porque, dentro de mim, existe um amor e entrega que têm nome. Não nego outros amores, mas não os entendo. A limitação é minha, se de tanto se trata. Não sei como se ama o abstrato. Meus Caros Amigos e Companheiros, não vos maço mais com este emaranhado informe de conjeturas e pensamentos mal estruturados, ainda que bem intencionados. O que mais quero é que ninguém se sinta ofendido. Que cada um de nós exprima os seus pensamentos, sem ofender quem possa pensar e sentir de modo diferente. Afinal, não somos iguais, somos apenas semelhantes. Ser livre é um dom da Natureza (Deus). E a identidade não pode ser decretada por lei alguma. As questões da identidade são, na sua essência, o que pode ajudar-nos a penetrar no santuário onde estão as chaves do segredo: o que faz de mim o outro lado do mesmo lado? Estará para além do amor ou da amizade, no sentido Shakespeariano do termo, mas é essa força que nos atrai, o suporte mais seguro dos sentimentos e afetos mais verdadeiros e intensos. O que nos une é o que nos identifica; o que nos afasta é a ausência ou insuficiência de identidade. Aceito ter sido excessivo com esta monódia enfadonha. Peço a vossa benevolência porque quero terminar com um belo poema de W. Yeats: AS QUATRO IDADES DO HOMEM (The four ages of man) Principiou a lutar com o corpo, Mas o corpo venceu: caminha erguido. Depois lutou com o coração; Separaram-se a inocência e a paz. De seguida, lutou com o espírito; Ficou abandonado o seu coração orgulhoso. Agora começam as guerras com Deus; Ao soar da meia-noite, Deus vai triunfar. É o meu único pedido e o meu único argumento. Acreditem que estou de boa-fé. Não confundam as minhas limitações com incorreções próprias de quem não tem lastro para guardar melhor vinho. Suponho ter sido Séneca que dissera: aos homens, com o tempo, acontece o mesmo que acontece ao vinho – uns ficam mais doces, outros ficam mais azedos. Não creio que haja aqui gente avinagrada. O meu abraço solidário e amigo para todos os que se sintam irmanados à volta da fogueira acesa pelo Homem que nos guia através do seu exemplo – Jesus. E confesso não saber onde fica em cada um de nós o que é divino. Dizei. Ouvir-vos-ei. Considerem-me, à minha maneira, desta casa e desta causa. Arnaldo da Fonte (1) Discurso cuja leitura deveria ter sido proferida no Encontro da Torre d’Aguilha, em 22.abril 2012.


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ESTANTE jjamoreira

CAMINHAREI PELO VALE DA SOMBRA * Só na Torre d’Aguilha comecei a ler integralmente grandes obras romanescas de autores nacionais e internacionais. Até ali, apenas resumos, nem a bíblia se podia ler na íntegra, talvez por causa do cântico dos cânticos. A biblioteca da Aguilha oferecia boas e abundantes escolhas e a ela podíamos recorrer com bastante liberdade e frequência, o que era óptimo. Um dia, depois de romances imortais como os Irmãos Karamasof, o Exodus, a 25ª hora e tantos tantos outros, foi a vez do universal Cervantes, D. Quixote de la Mancha. Havia, e ainda por lá deve andar, uma edição monumental em dois enormes volumes, enormes e pesados como o missal do tempo das missas em latim, aquele que o ajudante tinha de transportar cuidadosamente do lado da epístola para o lado do evangelho, sempre com algum risco de escorregar e dar espectáculo. Para a leitura achei oportuno desencantar uma carteira que certamente já não era usada nas salas de aula. Não me lembro se a ideia foi ou não vista como elemento de indisciplina do formando, e devidamente registada no grande livro capitular da diária avaliação feita por quem de direito. Pois levei a carteira para o quarto e foi sobre ela que a obra foi depositada e lida aos poucos. Dará para imaginar o enorme prazer que a leitura proporcionou. Cervantes era realmente enorme e deixava feliz qualquer leitor honesto. A carteira deve ter ajudado àquela singular liturgia da palavra. Agora que me proponho abrir esta ESTANTE, recordo a carteira por onde passou D. Quixote e seu companheiro Sancho Pança. Nesta “carteira” irei depositando, oferta ao nosso excelentíssimo público leitor, o resultado de alguma leitura feita, alguma peça assistida, algum filme vis-

to, algum disco apreciado, eu sei lá, qualquer coisa que me pareça merecer ser partilhada. E porque acredito que há muita gente com coisas boas para repartir com os que nos são próximos, não me importava nada que esta rubrica viesse a ser activada por quem assim o desejasse. Será minha se ninguém mais a adoptar, e pelo tempo que me for possível. Para esta primeira apresentação vem um livro de poesia, Caminharei pelo Vale da Sombra, de José Agostinho Baptista. É o mais recente livro de poemas do Autor, açoreano com vasta obra poética, alguma traduzida para língua espanhola. Sem ter lido, de facto, mais nenhuma obra sua, apetece-me dizer, aliás com altas autoridades na matéria que, porque

os livros de um Autor andam sempre à volta do mesmo livro, também aqui Agostinho Baptista nos dará todo o vasto mundo das suas inquietações. Este não é tanto um livro de poemas como um poema, um poema só, total e contínuo, dedicado à vida, das berças ao vale da morte, uma grande caminhada pela memória, agora que o fim se aproxima. Não é só a mancha gráfica que o afirma, nada de títulos, nada de sinais de pausa para além de vulgares sinais de pontuação. O livro, com mais de duzentas páginas, é para ler sem parar, mas com a graciosa possibilidade de se poder recomeçar em qualquer

altura e em qualquer página, parar e voltar a entrar, porque o ritmo é absolutamente uno, fluido e envolvente. Uma vez que é comummente aceite a dificuldade e pouca apetência geral em ler poesia, este livro poderá ser o portal de entrada para um mundo fascinante, tão deliciosa e serena é a caminhada que esta poesia faz sobre o tema principal e único que é a vida, o destino, a peregrinação do homem sobre a terra, porque é só isso que encontramos em Caminharei pelo Vale da Sombra. Das ternuras da infância. Das fervuras da juventude. Das sombras dos últimos tempos. De tudo se compõe esta maré-cheia de memória, manancial de vida, floresta multicolor e tranquila em que somos convidados a entrar. Feliz quem entra, quem se deixa arrastar e assim viaja, com o Autor, Minha mãe, / é contigo que falo, / depois de ponderadas as distâncias que vão de um / berço a uma lápide. Com a mãe, com a amada, com os amigos, com deus, com o leitor, acidentada mas serena viagem. No fim, Ela voltará as costas. / Nunca fomos deste mundo, dir-lhe-ei por fim, ao fechar a última porta. Agora que o natal explode nas suas infindáveis, indiscutíveis, inenarráveis fantasias de luz e vida, vêm estes poetas manchar de sombras as mentes dos que se banqueteiam em aconchegantes sessões de fraternidade e paz... Será que a vida assim (não) vale a pena? Será que a festa pagã do sol, transformada em autoestrada de estrelas e luzes, poderá coexistir com tão incómodo vizinho? Ou estamos condenados às duas faces da coisa? Um natal renovado e uma boa leitura. *José Agostinho Baptista CAMINHAREI PELO VALE DA SOMBRA (1ª edição, Assírio & Alvim, Lisboa, 2011).

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Boletim da UNIASES nº168