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boletim

Associação

de

Artes

Marciais

Ya n g

YMAA Portugal

Boletim

Portugal

9

-

Novembro

2005

Dança do Leão

Summer Camp 2005


nº 9 - Novembro 2005

- Sumário -

boletim YMAA Portugal na capa: Director Vítor Casqueiro Editor Jorge Ribeiro

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Layout e Produção Jorge Ribeiro e Ricardo Guerreiro

Prefácio

Tr a d u ç ã o Hugo Almeida

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Notícias

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Cartas e Pontos de Vista

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Fotografia e Digitalização Jorge Ribeiro e Ricardo Guerreiro

Dança do Leão

Revisão Ana Gama C o n t r i b u i ç ã o d e Te x t o s Amadora - Ana Gama, Hugo Almeida, Marisa Ferreira e Pedro Rodrigues Cascais - Pedro Graça

12 O Segredo do Ouro O Mestre dos Três Cumes 13 Naturezas 16 Item de Estudo

Seixal - Arménio Silva e Ricardo Guerreiro Agradecimentos Drª Isabel Sampaio do Centro de Acupunctura Isabel e Liu João Horta da Associação Portuguesa de Kung Fu Wu Xuan Vítor Marques Director da YMAA Charenton França Agradecimento especial a Ana Gama, pela sua dedicação no boletim YMAA Portugal Impressão Centros de Cópia Arco Iris (Apolo 70)

17 O Qigong das 4 Estações 19 Escolas e Instrutores

A g e n d a

Dezembro 10 - 1º Torneio Internacional de Kung Fu / Taiji - Porto 18 - III Gala YMAA - Festival Kung Fu - Amadora Janeiro X Estágio Nacional - Almada Fevereiro V Estágio de Competição Março 27 a 2 de Abril - Seminário Primavera - Amadora Maio 18 - 7 California Camp - Califórnia EUA Agosto 4 a 14 - VII Summer Camp - Brenna - Polónia 19 a 3 - California Camp - Califórnia EUA Outubro 23 a 29 - Seminário Outono - Amadora

Apoios Câmara Municipal da Amadora Centro de Acupunctura Isabel e Liu Centros de Cópias Arco-Iris O boletim YMAA é publicado semestralmente. A publicação está também disponível na internet n o s i t e c o m o e n d e r e ç o w w w. y m a a p o r t u g a l . c o m Y M A A N e w s Ve r s ã o O r i g i n a l D i r e c t o r D r. Ya n g , J w i n g - M i n g Editor e Layout Dan Wood A YMAA News é uma publicação com uma regularidade trimestral. A publicação está também disponível na Internet no site com o endereço www. y m a a . c o m YMAA Publication Center 4 3 5 4 Wa s h i g n t o n St r e e t , Roslindale, MA 02131, U.S.A. Te l e f o n e : + 6 1 7 3 2 3 - 7 2 1 5 Fax: +617 323-7417 w e b s i t e : w w w. y m a a . c o m email: ymaa@aol.com A s s o c i a ç ã o d e A r t e s M a r c i a i s Ya n g P o r t u g a l Rua Moreira Cardoso, nº 2, 1º Andar Apartamento nº 4 2720-337 Amadora Te l e f o n e / F a x : 2 1 4 9 5 6 1 2 3 website: www. y m a a p o r t u g a l . c o m email: ymaap@netc.pt Se estiver interessado em contribuir com artigos para o nosso boletim sobre as Artes Marciais Chinesas, envie para o seguinte email: aamyp@ymaaportugal.com


Prefácio Dr. Yang, Jwing-Ming

Foreword do YMAA News de Junho de 1998 Traduzido por Hugo Almeida

A

vida pode ser comparada a uma caminhada na escuridão. Sentimo-nos inseguros pois não vemos os perigos que espreitam à nossa volta e também por não sermos capazes de prever o futuro. Assim, sentimo-nos muitas vezes confusos. Perdemo-nos, sentimos medo, não sabemos o que nos vai acontecer e não conseguimos encontrar o caminho que conduz aos nossos objectivos. Nas nossas cogitações, podemos deparar-nos com o espectro de luz criado por alguém que encontrou uma forma de fazer fogo. Em redor do fogo podemos ver-nos uns aos outros e compreender melhor o que nos rodeia. É então que seguimos e procuramos aprender com quem brilha para que possamos, em breve, fazer o nosso próprio fogo. Todos nós temos a capacidade de fazer fogo ganhando acendalhas na nossa caminhada. Contudo, não é fácil. Para ganhar uma semente de luz temos de nos conquistar. Cada vez que conquistamos a nossa preguiça e somos fiéis às promessas que fizemos a nós mesmos, a recompensa é um fósforo que nos oferece a esperança de fazer fogo. Contudo, na escuridão, o vento é forte e o tempo frio. Assim, um simples fósforo tem poucas hipóteses de, sozinho, sobreviver e iluminar o ambiente que nos rodeia. Mesmo que consigamos essa luz através de um pequeno fósforo, ela não durara muito tempo. Para ver melhor temos, pois, que conquistar muitos mais fósforos e para termos um fogo farto e forte, há ainda que colher lenha. Cada vez que encontramos um amigo sincero, é como se encontrássemos um bom pedaço de madeira para alimentar o nosso fogo. Quantos mais encontrarmos, mais possibilidades teremos de fazer uma boa fogueira. Muitas pessoas não conseguem juntar um único fósforo, devido à sua insegurança, falta de coragem ou força para se auto conquistarem. Dessa forma, a procura centra-se num alguém que tenha uma boa fogueira onde nos possamos aquecer e ver em redor. Quando assim é, as pessoas precisam de ser guiadas passo a passo. Sem um guia, o medo, a confusão e a falta de confiança irão persistir. Algumas pessoas acabam por não encontrar quem as guie

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e permanecem perdidas para sempre. Alguns levam a morte a si mesmos para evitar enfrentar os desafios vindouros. Ocasionalmente e após criarem uma bela fogueira, existem algumas pessoas que se tornam egoístas e não partilham a luz com os que não vêm. Outros há que decidem partilhar toda a sua luz, mesmo que isso signifique fazerem de amas-secas para quem os solicita. Existem também, alguns iluminados que não perdem esta oportunidade para se aproveitarem dos espíritos que deles carecem, auto intitulando-se de "Guias Espirituais". Infelizmente, estes permanecerão num estado emocional de ânimo que os fará continuar a lutar na imensa escuridão - isto apesar de terem acendido uma fogueira para ver. Existem ainda pessoas que, tendo clareado o seu redor com uma linda fogueira, ficam a contempla-la, ao invés de a alimentarem para poderem iluminar os designos do futuro. Essas pessoas estão emocionalmente presas nas armadilhas da glória, do orgulho e do poder, e aí vão permanecer até ao fim das suas vidas. Contudo, existem alguns que vão levar a luz com eles, continuando assim a busca por um caminho que os conduza e faça atingir as suas metas. Generosamente, certas pessoas deixam parte da sua luz ao longo do seu caminho, para brilhar na escuridão dos que o percorrem. No entanto, este tipo de caminho iluminado é muito raro, para além de que se mais ninguém alimentar o brilho do fogo, gentilmente deixado, este extinguir-se-á e o caminho será novamente perdido. Estás perdido? Estás confuso, assustado e desencorajado? Apesar de te encontrares na escuridão e de nada conseguires ver, estás tu disposto a aceitar o desafio da vida? Será que vais aprender a te conquistar para ganhares então um fósforo? O fósforo vai dar-te uma luz para o futuro. Atreves-te a construir relações com outras pessoas? Elas dir-te-ão onde poderás encontrar lenha. Define uma meta para ti próprio. Cria laços de amizade com os outros. Aí, quando carregares o teu fogo pelo caminho da vida, terás lenha suficiente para te iluminares. Não deixes que o fogo se apague. Uma vez extinto, terás que recomeçar tudo de novo.

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N o t í cN oi taí cs i Campeonato Internacional - Ourense

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de Wushu Moderno. Para finalizar procedeu-se ao desfile dos atletas e à entrega das taças.

Como já vem sendo hábito, a AAMYP participou, uma vez mais, nas competições realizadas na cidade de Ourense - Espanha, fazendo-se representar no IV Troféu Internacional de Wushu "Cidade de Ourense", que decorreu nos passados dias 19 e 20 de Março. A equipa de competição foi composta pelo treinador e juiz de Sanshou Pedro Rodrigues, pelo director de equipa e atleta Celso Barja e pelos atletas que constam na tabela de classificações, participando os mesmos nas categorias de Formas Tradicionais, Combate de Exibição e Sanshou. A viagem conjunta iniciou-se ainda o sol não tinha nascido, às 6h da manhã, numa estação de serviço, onde se acertaram os últimos detalhes e se reforçou o espírito de equipa que viria a permitir percorrer os cerca de 490km até ao recinto de competição para realização de pesagens. O relógio marcava 15h (hora de Espanha) quando os membros desta equipa deram entrada no Hotel Parque e tomaram a sua primeira refeição em terras galegas. A pausa para almoço foi curta, já que os atletas tiveram que regressar ao Pavilhão dos Remédios de Ourense para realizar o reconhecimento do local de competição, bem como o devido aquecimento. O torneio começou pelas 18h em três áreas distintas de competição. Duas para formas e uma para os combates de Sanshou - onde dezenas de atletas actuaram nas diversas categorias. Existiu, ainda, lugar para o espectáculo na categoria de Wushu Moderno - que em Espanha tem grande projecção e é acerrimamente aplaudida. Enquanto se mostravam diferentes estilos de formas tradicionais de punho e armas, decorria, em paralelo, a competição de Taiji - sempre serena e harmoniosa. Os combates de Sanshou realizaram-se na área central do recinto e como seria de

Cate goria Nome Formas de Punho T. (Sénior) Ricardo Carvalhosa Formas de Punho T. (Absoluto) Sara Perdigão Formas de Punho T. (Juniór) Diogo Rodrigues Taiji Punho Arménio Silva Taiji Armas Ricardo Carvalhosa Combate de Exibição Edgar Perdigão e Diogo Rodrigues Sanshou (75Kg) Daniel Silva Sanshou (85Kg) Celso Barja

Clas s ificação 2º Lugar 3º Lugar 1º Lugar 3º Lugar 2º Lugar 2º Lugar 2º Lugar 3º Lugar

Perante estes resultados, a boa disposição entre os membros da equipa prevaleceu, o que permitiu realizar a viagem de regresso com o mesmo ânimo com que se chegou a Ourense. O empenho de todos os atletas, dos juízes e membros da organização que coordenaram todo o evento fizeram destes dois dias uma boa experiência no percurso e divulgação da AAMYP. Arménio Silva

III Gala de Kung Fu da YMAA Terá lugar no próximo dia 18 de Dezembro (a partir das 15h), nos Recreios da Amadora, a III Gala de Kung Fu, promovida pela YMAA. Como vem sendo habitual em edições anteriores, esta gala contará, ainda, com a presença de outras escolas de Kung Fu cujo objectivo é, também ele, promover as Artes Marciais Chinesas e dá-las a conhecer ao público em geral. Será, com certeza, um espectáculo grandioso e diversificado, onde os atletas de cada escola exemplificarão, na prática, algumas das modalidades e componentes mais conhecidos do Kung Fu - tanto Tradicional como Moderno. Teremos, portanto, e em tom de apresentação, demonstrações de Taiji, de formas Shaolin (a parte mais dura do Kung Fu), sequências com armas (bastões, sabres, correntes, etc…), combate corpo a corpo, etc... Com uma iniciativa deste género, a YMAA pretende apenas cativar a atenção do público, para que venham conhecer e aprender um pouco mais das Artes Marciais Chinesas. Estamos, desta forma, a convidar-vos a todos, incluindo amigos e familiares, a assistir a esta gala e a experimentar um pouco mais do mundo Oriental e em particular do espírito que envolve as Artes Marciais. A entrada é completamente gratuita, pelo que a única preocupação que se deve ter é a de arranjar o melhor lugar possível e desfrutar de todo o espectáculo. Se forem necessários mais esclarecimentos, podem contactar-nos para ymaap@netc.pt, ou através do número 21 495 61 23. Esperamos vê-los por lá! Ana Gama

Competição de Sanshou esperar, monopolizaram as atenções de grande parte da audiência, ou não fosse nesta categoria que se colocam à prova os conhecimentos adquiridos - embora de uma forma desportiva. Já passava das 22h quando este dia de competição terminou e se deixaram para trás cerca de quatro horas de muita emoção e de boas actuações. Depois dum merecido jantar, os membros da equipa não se fizeram rogados a passear pelas ruas do centro da cidade para desfrutar de bons momentos de diversão. O domingo foi dedicado exclusivamente às finais de Sanshou, ao Combate de Exibição e a algumas subcategorias boletim AAMYP

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“Profundidades” Uma exposição para reflectir Realizou-se no período compreendido entre 17 e 30 Maio deste ano, no Centro de Documentação da Câmara de Lisboa - Edifício Central do Município, em Lisboa, a exposição “Profundidades” da nossa amiga e colega Marisa Noblejas. Sendo um marco importante no seu percurso artístico, visto não ser adepta de exposições individuais, “Profundidades” pretende falar-nos da natureza exterior e interior de tudo aquilo que é vida – alertar-nos para as coisas do mundo. A artista disse-me em conversa que considera a receptividade das pessoas ao seu trabalho muito boa, mas que acredita que a sua mensagem só foi captada parcialmente. Suspeita que não deixou o bichinho da inquietação nos visitantes da exposição. Por outro lado, diz a artista que a divulgação a nível nacional poderia ter sido ligeiramente melhor, mas que ainda assim deseja fazer novas exposições, sendo que a temática poderá focar, muito provavelmente, uma vez mais, as Artes Marciais e a experiência que retira delas. A arte é, enquanto expressão, uma criação do ser e evolui quando este evolui. Assim sendo, a arte de Marisa espelha uma evolução em que se podem distinguir três fases. É através da representação de elementos arquitectónicos venezianos que, numa primeira fase, Marisa nos fala daquilo que existe no mundo. O seu trabalho evolui para um estádio seguinte onde se aborda a natureza através da representação de

máscaras venezianas. Numa terceira etapa, o seu trabalho encontra-se ligado e enraizado às Artes Marciais e sobre grande influência das filosofias Orientais, nomeadamente, aquelas difundidas no ciclo da YMAA. Um autêntico louvor ao Dr. Yang e ao nosso Instrutor Pedro Rodrigues. Parece-nos que Marisa tentou sensibilizar as pessoas para a sua forma de ver o mundo. Pintou-o com as suas cores e mostrou-nos os seus traços e espera que, contactando com a sua interpretação das coisas, formemos na nossa consciência uma atitude, também ela crítica e analítica, perante aquilo que nos rodeia. Pretende, tal como já foi dito, despertar a nossa atenção para a existência, partilhar a sua visão com todos os observadores dos seus trabalhos e esperar que surja, em cada um deles, uma inquietação que os leve a reflectir sobre os temas que aborda. Como me disse e muito bem “ Há coisas que vivemos e sentimos que não podemos transmitir em palavras”. Mas no que toca a agradecimentos, talvez as palavras que contem mais são as da própria autora. Sim, tal como foi solicitado um agradecimento será deixado, não nas minhas palavras mas nas da própria artista. A família YMAA fica à espera de novas exposições, onde de uma forma ou de outra, faremos notar o nosso apoio… “Agradeço muito, do fundo do meu ser, o apoio, companhia e força que me deram os colegas, amigos e (todos os) professores da escola, nesta intervenção. Sem eles, a luz que caracterizou esta exposição não teria sido a mesma!” Marisa Noblejas Ana Gama

Gala de Artes Marciais - Seixalíadas Recentemente, em Março, a Associação deu mais um passo na sua expansão, ao se fazer representar no concelho do Seixal, com uma nova escola. A AAMYP foi recebida com entusiasmo, sendo solicitada sistematicamente para demonstrações e exibições. Embora, com uma recente presença no Seixal, a AAMYP foi convidada pelo técnico responsável pelas artes marciais, Pedro Barata, a participar nas Seixalíadas, que decorreram no mês de Outubro e promovem o desporto no concelho. As Seixalíadas são um evento de grande importância no concelho, e um dos maiores eventos desportivos de todo o país, movimentando milhares de atletas de todas as idades em centenas de modalidades desportivas. O dia 7 de Outubro foi o dia escolhido para a Gala de Artes Marciais do concelho, organizada este ano pelo Dojo Shiai Karate. Foram convidadas diversas modalidades das Artes Marciais, tais como, Taekwondo, Karate, Judo, Kendo, Capoeira, Kick Boxing, entre outras. A exibição decorreu no Pavilhão Polidesportivo da Torre da Marinha, num ambiente agradável e propício para o evento. A organização fez um esforço para realizar uma gala dinâmica. Desde a apresentação de cada Arte Marcial com um pequeno comentário, passando pelas luzes e o som, e acabando no apoio logístico aos atletas, a comissão organizadora das Seixalíadas e o Dojo Shiai estiveram de parabéns. A AAMYP realizou duas entradas distintas, uma para Taiji e outra para Shaolin. Em ambas, movido pela curiosidade e satisfação, ecoaram calorosos aplausos por parte da plateia em parte porque a associação é a única do concelho a promover as Artes Marciais Chinesas, e como tal, seria de esperar o espanto pela originalidade das suas demonstrações. boletim AAMYP

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Equipa da Demonstração No desfile de encerramento da Gala, esteve presente o Sr. Vereador do Desporto da Câmara Municipal do Seixal, Joaquim Santos, para entrega de medalhas de participação e proferir as suas palavras acerca do evento e das Seixalíadas em geral. A referenciar é o facto do Joaquim Santos ter sido um antigo aluno da AAMYP, que por motivos profissionais deixou a prática, mas com a promessa de um dia voltar. Foi extremamente gratificante, ouvir as suas palavras dirigirem-se à AAMYP como um bom exemplo do crescimento do desporto no Seixal, já que o próprio iniciou os seus treinos no concelho de Almada e vê agora a Associação a progredir no terreno e gerar um retorno positivo, abrindo as portas a novos membros e ao seu próprio crescimento. Por fim foi congratulante o esforço conjunto dos atletas da Associação que participaram nesta exibição, pois foi neles que residiu o sucesso da AAMYP obtido nesta Gala. Arménio Silva Novembro 2005


VI ACAMPAMENTO INTERNACIONAL DE VERÃO DA YMAA - PORTUGAL 2005 Realizou-se em Portugal no passado mês de Agosto, a VI Edição do Acampamento Internacional de Verão da YMAA, evento á muito aguardado pela YMAA Portugal mas que até então, nunca teria conseguido encontrar as condições necessárias para a sua concretização. As condições realizaram-se através duma parceria entre o Centro de Lazer de São João da Caparica e o Orbitur, criando uma infra estrutura capaz de acomodar 150 participantes. Após um certo jejúm deste peculiar evento em 2004, devido à sua realização na África do Sul que penalizou os países europeus pelos elevados custos associados á sua participação, esperava-se uma boa resposta ao evento Português. As expectativas não foram logradas e a participação foi massiva, com um total de 14 países e cerca de 180 participantes dos quais 120 ficaram alojados, demonstra bem a adesão ao evento. Mais, se tivermos a noção que estiveram representados o Médio Oriente, a Europa, a África, a América do Norte e a Ásia, ficamos com uma ideia da mistura de culturas envolvidas, e da experiência única que envolve a participação num evento deste género. O programa de treino envolveu as mais diversas áreas do Wushu Tradicional e do Qigong Chinês como vem sendo hábito, onde se destacaram o treino fundamental do bastão (Gunshu) e da espada (Jianshu), assim como o, Qigong dos Cinco Animais (Wu Qing Xi) que teve uma adesão impressionante. Ainda de referenciar a prática matinal da meditação que se manteve muito concorrida até ao final do acampamento, apesar do cansaço dos últimos dias, tendo em conta que se realizava ás 6h30 da manhã e que o programa de treino geral implicava cerca de sete horas de treino diário. Como também já vem sendo hábito nestes eventos, realizaram-se exames de graduação para a formação de instrutores de Taiji e de Shaolin, com uma participação aceitável, prova de vitalidade desta organização. Destaque ainda para a demonstração proporcionada pelos representantes mais dotados de cada país, onde é sempre de realçar as diferentes gerações participantes, assim como o nível de cada país envolvido.

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Instrutor George Dominguez durante a classe de Shaolin. Mas nem só de Artes Marciais se fez este evento, o próprio espaço muito agradável do Centro de Lazer, com sua piscina a combater o calor que chegou a assustar a organização do evento e a proximidade da praia de São João da Caparica, permitiram momentos de muita descontracção. O bar do Romeu e da Rita no Centro de Lazer, o Pé Nu na Praia de São João da Caparica, a festa do karaoke e o aniversário do Mestre Yang celebrado entre nós, proporcionaram convívio e muito divertimento. Destaque ainda especial para o passeio organizado que teve Sintra como ponto alto, encantando não só estrangeiros como portugueses com a sua magia. Apesar de algumas peripécias e imprevistos foi sem dúvida um dos mais bem sucedidos eventos internacionais da YMAA, e a quantidade enorme de agradecimentos dos mais variados países que ainda hoje continuo a receber são um bom exemplo desta minha convicção. Pedro Rodrigues

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Quando me sentei para escrever algo sobre o VI Acampamento Internacional de Verão da YMAA em Portugal, retive-me a pensar em como o iria fazer. Não sendo um evento qualquer e tendo uma carga emocional envolvente, tornou-se muito complicado escrever de uma forma puramente objectiva. Assim sendo, este artigo é o produto de um apelo que fiz a alguns dos participantes (estrangeiros e Portugueses) e que colaboraram prontamente comigo partilhando sentimentos, impressões, ideias e opiniões. É, portanto, um artigo mais público e colectivo do que pessoal e individual. O VI Acampamento Internacional de Verão da YMAA o primeiro organizado por Portugal - decorreu entre os dias 5 e 14 de Agosto do presente ano. O local escolhido para a realização do evento foi o Centro de Lazer de São João da Caparica que se situa, precisamente, na Costa da Caparica. Sob a Supervisão do Dr. Yang, Jwing-Ming, do Director de Campo Pedro Rodrigues e dos restantes Instrutores (Jeff Pratt, George Dominguez, Aaron Damus e Ben Warner), os participantes do acampamento foram brindados com um programa que primava pela qualidade e que lhes permitiu aprofundar e expandir conhecimentos. Sendo um programa vasto e adequado ao nível de aprendizagem de cada um, os participantes puderam escolher o que melhor se enquadrava com o seu percurso pessoal de evolução na escola da YMAA. A única dificuldade acabou por ser o facto de muitas das aulas ocorrerem simultaneamente, pelo que era necessário abdicar de alguns itens do programa em prol de outros. No plano de actividades estava ainda incluída uma visita guiada a Sintra, seguida de uma tarde livre e de um jantar. “Um treino intensivo como o do summercamp (seis horas por dia) melhora em todos os níveis as capacidades dos praticantes. Além de se respirar artes marciais o dia todo, ainda se tem hipótese de partilhar conhecimentos e novas experiências com outras pessoas que têm uma visão diferente da nossa!” é a opinião de Jorge Ribeiro, um dos participantes que, como a grande maioria, ficou extremamente satisfeito tanto com a planificação de treino, como com o ambiente gerado. O acampamento permitiu a pessoas de países e culturas diferentes interagir de forma mais íntima e fortificar laços já existente - não só entre os participantes, mas também entre as pessoas e a associação. Para Prity Ranchordas tratou-se uma experiência “tranquilizante, renovadora, divertida e relaxante”. Já para Milan Virgil o importante foi a “camaradagem, aprender frases noutras línguas e a oportunidade de contactar com perspectivas diferentes” daquelas que tem no seu país. Seja como for, independentemente da nacionalidade, todos adoraram o convívio gerado e retiraram dele algo de importante para a sua vida e crescimento pessoal - através dos ensinamentos do Mestre Yang e do resto dos Instrutores. É espectacular a forma como os seus ensinamentos gravitam em torno de todos nós e nos inspiram a superarmo-nos e a desafiarmo-nos cada vez mais. De facto, mais do que uma oportunidade para contactar com pessoas de outros países, os summercamps são a forma de estar em contacto directo com o Mestre Yang e com ensinamentos que só ele pode transmitir. Quando se está na mesma sala que ele sente-se uma energia diferente que nos acalma e nos desperta para nós mesmos. Uma vez tocados boletim AAMYP

pelas palavras do mestre, transformamo-nos e analisamos a vida com outros olhos. O que aprendemos ouvindo o que o Dr. Yang tem para nos dizer fica em nós e até os praticantes de Kung Fu mais distantes das filosofias Orientais acabam por ser muito influenciados por elas - no seu dia a dia. “É uma referência, não a única, mas uma referência muito importante. É sobretudo um marco orientador e fortemente motivacional, sobretudo nos momentos menos positivos em que a progressão se torna imperceptível e a desilusão tende a insinuar-se.” diz Ricardo Lopes, praticante de Taiji, sobre o mestre. É então com pesar que temos de lidar com a possibilidade de um evento tão importante e maravilhoso como este acabar já no próximo ano que vem – com o que é, até agora, o último acampamento anual de verão da YMAA na Europa. Todos os que participaram no summercamp lamentam esta situação, pois ir aos Estados Unidos é muito caro e a maioria dos participantes não pode suportar os custos da viagem. Desta forma, esperamos que as escolas europeias encontrem, todos os anos, motivação e pessoas dispostas a realizar os summercamps. Talvez desta forma eles não tenham de acabar para a grande maioria de nós. Muito mais se poderia dizer sobre o que lá se passou, mas para isso era necessário conseguir expressa-lo em palavras, o que não é de todo possível. Cada vez mais a YMAA é uma família que une pessoas muito diferentes, pois quando se trata de aprender, pouco importa a nacionalidade, a idade ou o sexo. Para alguns e nas palavras de Erik Elsemans, a Ymaa é “praticamente a minha vida toda, é o meu trabalho e o meu passatempo”. Não há duvida que a YMAA nos preenche de forma diferente. É como que uma segunda casa, onde temos amigos, companheiros e professores que nos ensinam a passar desafios cada vez mais difíceis e o acampamento foi a oportunidade de observar que este espírito não é somente Português, mas que atravessa países e continentes. O louvor vai para o Mestre Yang que, através dos seus conhecimentos e experiências de vida, conseguiu unir o Ocidente ao Oriente e, mais importante, criou um espírito de “amizade internacional” (por Arnaud Papeguay) entre escolas da YMAA de países diferentes. Se tiverem oportunidade não percam o próximo summercamp vai ser uma viajem inesquecível... em todos os sentidos! Ana Gama

Instrutor Jeff Pratt durante a classe de Taiji

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cartas e pontos de vista A Nobre Arte de Aprender

A Mentalidade dos Portugueses

Muitas são as fontes de conhecimento e as formas de aprendizagem. Aprendemos com a experiência, a investigação e a observação, com outras pessoas, com as emoções, e até com os sonhos. Aprender é um processo natural, essencial à sobrevivência e à evolução. No entanto, quantos de nós já perguntaram a si mesmos: “Eu sei aprender?” ou “Qual é a melhor maneira de aprender?”. Desde que comecei a aprender Artes Marciais tenho tentado responder a estas questões. Aqui, partilho a minha experiência. Variadas vezes escutei o Mestre Yang comentar que o processo de aprendizagem se tornou demasiado fácil para nós. Nos tempos modernos não temos que caminhar longas distâncias para receber as lições, ou praticar a mesma posição fundamental durante meses antes de aprender uma nova. Agora temos livros, filmagens e seminários. Podemos aprender em alguns dias aquilo que no passado poderia levar anos a ser transmitido. E será isto bom? Possivelmente depende da nossa atitude, pois se por um lado o acesso à informação é mais fácil, por outro torna se mais difícil apreciá la. Ultrapassar esta dificuldade é crucial para a aprendizagem, pois de outra forma teremos apenas uma compreensão superficial e um empenho limitado. O crescimento como artista marcial é um desafio constante à nossa capacidade de aprender. Se nos mantivermos humildes teremos sempre algo a aprender; mas se decidirmos que sabemos o suficiente então estagnamos ou decaímos. A humildade é um aliado precioso na aprendizagem, permitindo nos procurar e encontrar conhecimento em fontes inesperadas, e ajudando nos a compreeder as lições ensinadas por outros em vez de os invejar. Se a prática é o lado Yang da aprendizagem, então a teoria é o lado Yin. A prática sem o estudo e a ponderação apenas nos permite a imitação de movimentos. A teoria sem a prática leva nos a uma compreensão incompleta e sem evolução. No entanto, se conseguirmos equilibrar ambas podemos aprender de uma forma surpreendentemente rápida. Uma prática contínua e disciplinada conduz ao aprofundamento da compreensão da teoria; a pesquisa e ponderação da teoria melhora o nível da prática. Acredito que o Dao da aprendizagem, a descoberta no nosso interior de uma forma natural de aprender, é importante em qualquer arte, e especialmente importante nas Artes Marciais. Acredito também que aquele que não sabe aprender não será um bom professor. Aprender é um processo de auto conhecimento, no qual a consciência de nós mesmos é uma chave para o crescimento. Se sobrestimarmos o nosso conhecimento e a nossa capacidade podemos não conseguir ou não querer completar partes importantes do processo de aprendizagem. Se nos subestimarmos poderemos não utilizar o nosso potencial natural e a nossa imaginação. Aprender a identificar com precisão o que compreendemos e o que não compreendemos ajuda nos a reconhecer os nossos erros e limitações, permitindo nos caminhar com maior rapidez no sentido da Verdade. Pedro Graça Editado no YMAA News nº 53 15 de Março de 2000

“O que considero mais engraçado e me faz ficar mais alegre é ver a mentalidade Portuguesa - temos que ir para a frente?.. Então vamos para frente!” Embora sendo Português, fui para a França com os meus pais - tinha eu treze meses. Posso dizer que sou um Francês com sangue Lusitano e alguma da mentalidade Portuguesa. Aos quinze anos comecei a treinar Artes Marciais, nomeadamente, o Karate-Do Shotokan. Foi a minha revelação! As Artes Marciais são mais do que um desporto, mais do que uma arte de guerra. Elas são, também, artes de filosofia, de sociabilidade, de ultrapassagem de força. Enfim… Quando descobri a YMAA (em Outubro de 1990), com o Mestre Yang, Jwing-Ming, eu já tinha mais de sete anos de prática, era assistente do meu professor, dava aulas e era 2º Dan numa das escolas mais famosas de Paris - o “Shobudo Clube de França”. O clube do Grão-Mestre Henry Plée. Nessa época os treinos eram muito duros e saía muitas vezes partido. A descoberta das Artes Marciais Chinesas (YMAA) e a complexidade das suas técnicas alteraram, em muito, a minha forma de treinar. No clube onde treinava, o mais importante era desempenhar a técnica de forma perfeita e pura. Assim sendo, a mente das pessoas que treinavam comigo estava mais centrada no “como fazer as coisas” e não tanto no “fazê-las” (em França diz-se: “saber mais do que fazer”). Eram treinos onde a mente estava mais presente do que o corpo! Faltava-me, pois, essa dureza, essa força de treinar duro. Os meus pais sempre me disseram: “A vida é dura!”; “Tens que ir para frente e o único modo é trabalhar!” - estava, então, um pouco triste ao constatar que os treinos de Kung Fu eram mais intelectuais do que práticos. No entanto, um dia a minha esperança renasceu…o Pedro, o Vítor e o Celso foram a um seminário do Mestre Yang em Paris. Gostei muito da forma como treinavam. Lembro-me de ver o braço do Pedro todo negro porque tinha batido com tanta força num movimento da Lian Bu Quan. “Enfim” - pensei eu - “aqui estão homens a praticar Kung Fu no duro”. Em 1994, parei os meus treinos de Karate para me dedicar totalmente à prática das Artes Marciais da YMAA. Em 1998, abri a segunda escola da YMAA em França perto de Paris, em Charenton. Comecei a dar aulas como desejava. Os alunos gostavam pois os treinos eram bastante duros. Eram muscularmente cansativos e em termos psicológicos apelavam a forças escondidas no nosso interior. Presentemente, venho treinar, uma vez por ano, com os meus amigos e compatriotas Portugueses. Os treinos são cada vez mais rigorosos e difíceis para mim (pois tenho trinta e sete anos) e para os alunos da YMAA Amadora. Apesar disso, o que me deixa mais feliz é ver que esta mentalidade de trabalho está sempre presente. Que cada um dá o seu corpo e o seu suor para fazer os exercícios que o instrutor mostra. Viva esta mentalidade de trabalho para conquistar o corpo e a alma. Vitor Marques - Director YMAA Charenton - França

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Experiências...

Pedro Rodrigues: “No início eras muito perfeccionista, agora contentas-te com o suficiente!” e do meu amigo Celso Barja: “Deves viver a vida em equilíbrio e não cometer exageros!”. Isto ficou-me na cabeça pois eu não sou uma pessoa que se contenta, procuro sempre o melhor. Não sou uma pessoa que se queira desequilibrada, porque valho mais que isso. Para mim, agora, o Kung Fu é mais do que um sítio onde vou para passar o tempo, onde vou manter a forma física. Começa a ser um sítio de recolhimento – algo que merece ser vivido. Como disse sempre, dei um tempo, mas vou voltar porque ainda existem muitas coisas que posso aprender com a YMAA – valores que estão dentro de mim, mas que necessitam de ajuda para sair. Ás vezes, aquilo que fazemos não demonstra quem somos, mas o que estamos a ser até descobrirmos, de facto, a essência do nosso ser. Espero vestir o mais rapidamente possível a minha roupa de treino e regressar assim que tiver oportunidade. Está a chegar a hora de voltar. Tentei demonstrar a minha experiência na associação e para aqueles que não lhe pertencem e estão a ler este boletim por curiosidade, aconselho vivamente a que se iniciem nas Artes Marciais. Não só porque o vosso corpo ficará mais forte para enfrentar o dia a dia, mas porque, num mundo totalmente descontrolado, será uma forma de estarem em contacto com a VOSSA natureza. Uma forma de encontrarem o VOSSO caminho, porque o Kung Fu, ou outras Artes Marciais, chamam-nos a nós mesmos, permitindo-nos desafiar os limites e debruçarmo-nos sobre o mundo. Para mim, o Kung Fu funde-se com a vida natural das coisas e, como ela, flúi. Quando as coisas flúem e saem de dentro, então é porque estão certas – são o caminho. Creio que, qualquer que seja o nosso caminho, o Kung Fu ajuda-nos a encontra-lo, a lidar com ele e a percorre-lo da melhor forma. O Kung Fu é uma porta que se for bem aberta nos permite conhecer a essência do ser e da vida - sem máscaras. Está na altura de abrir a porta que me foi destinada… Ana Gama

A vida só faz sentido quando somos chamados a fazer algo que nos permita a superação do ser. Quando, perante as nossas limitações, transcendemos o medo ou aquilo que nos faz ser uma alma menor. Talvez seja uma introdução demasiado formal para um tema que deveria ser tão subjectivo. A questão fundamental é que independentemente da idade, sexo ou etnia, o ser humano precisa de desafios e, mais importante – de se desafiar. Esses desafios, internos ou externos, chegam-nos nas mais variadas formas e pretendem testar as nossas capacidades. Tal como muitas outras pessoas, também eu me encontro perdida no meio de desafios que por vezes parecem impossíveis de ultrapassar. Também eu, como muitas pessoas, estou, todos os dias, em constante superação. Desde pequena que a ideia de praticar Artes Marciais me aliciava e me empolgava. No entanto, sabia de prova factual que não tinha muito jeito para o desporto, pois era uma das piores alunas a educação física. Há alguns anos conheci uma pessoa que respira Artes Marciais e filosofia Oriental e que me introduziu no mundo da YMAA. Iniciei um processo de transformação que teria sido ainda mais descontrolado se o Kung Fu não agisse como regulador. Reconheço que ainda não sei dar valor a tudo o que posso retirar desta prática, mas penso que aos poucos vou aprendendo. No início queria ser perfeita em tudo, caindo no exagero. Mais tarde, o suficiente chegava-me. Era irregular nos treinos e não tinha muita concentração, o que prejudicava a minha evolução. De facto, fui confrontada com todo um universo em relação ao qual me identificava, mas que não estava pronta para abraçar. Assim sendo e porque não estava bem, não consegui aproveitar o que de melhor existe na filosofia Oriental. Disseram-me duas coisas que me ficaram na memória e que jamais vou esquecer. Uma da parte do meu Instrutor

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Dança do Leão Por Professor João Horta

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ça do Leão permanece tanto naqueles que a executam como no povo Chinês em geral. Nós, Portugueses, soubemos bastante cedo da importância do leão, pois ao longo da história das relações Luso-Chinesas existe uma sequência hilariante. Após uma primeira tentativa de contacto com o Imperador Chinês pelo Rei de Portugal, D. João V, que acabou com cárcere e morte dos representantes oficiais Lusitanos, decorre uma segunda tentativa de aproximação ao imperador Chinês, em que a Coroa Portuguesa o presenteia com enumeras oferendas, entre as quais, um leão de Moçambique, já sabido que iria causar grande furor junto dos populares. Segundo relatos da época, o Imperador levou logo os seus filhos a verem o leão, uma fera muito difícil de se ver na China, mesmo na Corte Imperial, fazendo com que a Embaixada Portuguesa caísse na boa graça do Imperador.

China sendo um país imenso e milenar está cheio de rituais e tradições cujas origens se perdem nos confins do tempo. Uma das suas tradições mais conhecidas no Ocidente é a Dança do Leão, trazida com os primeiros emigrantes Chineses para o Novo Continente. Esta dança é executada no Ano Novo Chinês, em inaugurações, casamentos, nascimentos e outras cerimónias por forma a trazer felicidade e alegria para o futuro. O curioso é que não existem leões na China, sendo assim, como é que um animal que não é conhecido se torna tão importante na cultura mitológica de um povo? Os primeiros leões aparecem na China através de oferendas dos antigos monarcas da antiga Pérsia, chegando à China através da famosa Rota da Seda, que era o único meio conhecido para chegar à China vindo do Ocidente.

II - Diferenças entre o Norte e o Sul

I - Origens Históricas e Mitológicas

A Dança do Leão pode ser dividida entre Norte e Sul. Diz-se na China que a dança do Sul imita os movimentos do gato e que a do Norte imita os movimentos do cão. O leão do Norte é mais acrobático e colorido do que o do Sul, cujos passos são mais parecidos com as técnicas base das escolas de Kung Fu.

Foi a partir da dinastia Han (206 a.C. - 221 d.C.), que muitas das danças tradicionais Chinesas se começaram a desenvolver, tais como a Dança do Leão, Dança do Dragão, Dança com Leque, entre outras. Segundo reza a lenda, em tempos idos apareceu uma criatura que horrificou os homens e até mesmo os animais. A criatura, feroz e poderosa era chamada de "nian" e nem os animais selvagens eram capaz de a deter. Assim sendo, estando os populares em desespero, pediram ajuda a um leão, que conseguiu dominar e afugentar a criatura. No ano seguinte, o leão não estava disponível para ajudar o povo, pois estava ocupado a entreter o Imperador. Desta forma, o povo pegou em bambu e panos, e construiu um boneco semelhante a um leão, mas que era manipulado por duas pessoas, por forma a enganar a criatura tal como no ano anterior. Como o nome da criatura horrenda era foneticamente semelhante a "ano", "nian", na véspera do Ano Novo Chinês, o leão dança para afugentar o mal para o ano seguinte. Na realidade, há historiadores que acreditam que este tipo de dança não é, de todo, de origem Chinesa. Acreditam que a sua origem é Persa ou Indiana e que foi levada, juntamente com especiarias, pela Rota da Seda, até à China, onde assumiu uma forma mais complexa e colorida. Em qualquer dos casos, a questão continua aberta e pouco importa a sua verdadeira origem. A Dança do Leão tem tido uma evolução contínua tanto em conteúdo como em significado e expansão geográfica, chegando aos países vizinhos como a Coreia e Vietnam, no período da dinastia Tang (618 a.C. - 907 d.C.) e apesar da China mudar de face ao longo dos tempos a tradição da Dan-

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Leão do Norte: Existem basicamente dois tipos de leão do Norte: Os leões duplos da província de Hebei e o leão Qing da província de Anhui. O leão de Hebei é executado com dois leões gémeos de polaridades diferentes, um feminino e outro masculino, de acordo com a teoria Taoísta. Uma das muitas lendas relativas à sua origem é aquela em que o Imperador Song recebeu um mercador estrangeiro, que lhe descreveu uma besta extremamente feroz, existente em terras longínquas. O imperador ficou obcecado por possuir esse animal e ordenou a um artista da corte que, com a ajuda do mercador, reproduzisse uma réplica da mesma. Ordenou, também, que dois acrobatas executassem uma dança para animar a corte. O leão do Norte é tipicamente vermelho e amarelo, muito peludo e acrobático. Caracteristicas do Leão do Norte: Peludo de alto a baixo, vermelho, laranja e amarelo. Leão do Sul: Os formatos e aparência do Sul dependem da zona geográfica, sendo o leão de Cantão o mais representativo da dança do Sul. Existem variantes mesmo dentro do estilo de Cantão; as mais conhecidas são as de Fu Shan e as de Hok Shan. A

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os responsáveis pela organização da dança, como forma de mostrar respeito. Normalmente, mostra-se um estandarte com um emblema como talismã de boa sorte, afugentando os maus espíritos e trazendo grande fortuna aos presentes.

diferença principal entre estas duas é que a cabeça da primeira é mais pesada, maior, mais decorada e tem um corno. Tipicamente, na execução do estilo de Fu Shan, a cabeça do leão foca a audiência de uma posição mais alta, fazendo com que o homem que governa a cabeça tenha de esticar os braços muito mais vezes. Assim, pretende-se que a cabeça baixe e levante frequentemente. No estilo Hok Shan, a cabeça baixa ligeiramente desde a altura dos olhos até focar a audiência da esquerda para a direita, favorecendo, dessa forma, a visualização da decoração da cabeça. No leão do Sul, as cores são muito mais diversificadas.

IV - Técnica Movimentos do Corpo A Dança do Leão depende, acima de tudo, da capacidade atlética do corpo dos dançarinos. No entanto, para que a dança seja executada correctamente, existem pequenos movimentos imperceptíveis que separam o "trigo do joio", pois permitem manipular o rabo, a mandibula e os olhos - dando um toque realista ao leão. Tipicamente, o movimento da mandíbula é executado usando uma das mãos enquanto a outra sustém a cabeça. Os olhos e as orelhas estão ligados, entre si, através de quatro fios, para que, com um único movimento de mão se consiga fechar os olhos, abrir as orelhas e vice-versa. O dançarino da frente controla a cabeça dando vida e personalidade ao leão. É ele que também toma as decisões, sendo o dançarino de trás a fonte de toda a potência do animal, fornecendo a força e trabalho de pés para os saltos e outros exercícios difíceis. Assim sendo, é conveniente que o dançarino da frente seja mais leve e o de trás suficientemente forte para suportar o peso de todo o leão nos saltos. Os parceiros devem conhecer-se bastante bem, pois a visão é limitada debaixo do manto, sendo por vezes necessário adaptações imediatas a imprevistos que possam ocorrer.

Características do Leão do Sul: Não é peludo, pode ser usado com calças de Kung Fu, usa várias cores, incluindo o verde e o branco.

III - Significado da Dança do Leão

Passos Básicos da Dança do Leão Passos do Unicórnio: Passo Unicórnio conhecido dos praticantes de kung fu. Passos combinados Unicórnio e passo vazio: Variação entre passo Unicórnio e passo vazio. Passos pequenos e rápidos: Passos laterais à esquerda ou à direita. As ondas: Saltos com levantamento da cabeça e manto. Morder as Sete Estrelas: Executar as ondas, executar os passos, morder o chão e acabar em Si Lien Bu com a cabeça erguida. Pontapé mola simples: Pontapé frontal. Pontapé mola simples e varrendo a barba: Pontapé mola frontal com uma perna e imediatamente um pontapé circular varrendo a barba com a perna oposta.

Existem centenas de significados específicos para os diversos movimentos e acções da Dança do Leão. Os leões saúdam os altares, entradas e pessoas importantes para mostrar respeito. Lutam um com o outro, afastam-se, sobem obstáculos altos, comem e cospem vegetais, entre muitas outras acções. Algumas destas acções são partes da dança, outras representativas da personalidade do animal e existem, ainda, outras variantes que são introduzidas pela própria escola, como forma de diversificar e enriquecer a dança. Supostamente, os leões afugentam o mal e os maus espíritos, dão boa sorte e prosperidade. Adicionalmente, utilizam-se as bombinhas chinesas em conjunção com a dança, porque para os Chineses, estas também afastam os maus espíritos. Para compensar todos os benefícios que o leão trás, este recebe oferendas da população que são, tipicamente, vegetais e um pacote genericamente vermelho (Lai Si), recheado de dinheiro. Lai Si toma maior importância durante a altura do Ano Novo, pois os Chineses acreditam que tudo o que se dá durante esta altura será devolvido e multiplicado muitas vezes. Os vegetais estão associados à riqueza, pelo que, quando o leão come e esmaga os vegetais, está a espalhar a riqueza pela população. A Dança do Leão começa com a saudação dos "três cantos" e no final, o leão saúda boletim AAMYP

Música Segundo a tradição, o homem do tambor segue a cabeça do leão, pelo que, para que a dança esteja coordenada, torna-se necessário haver um tipo de comunicação entre o homem da cabeça e o do tambor. Caso existam vários leões, um deles será o líder, obedecendo à seguinte hierarquia: leão líder comunica ao tambor; o tambor toca e todos os outros seguem o líder. São necessárias no mínimo três peças para tocar a música: O tambor, o gongo e os martelinhos. Alguns movimentos seguem uma determinada sequência com o seu próprio ritmo, como por exemplo: aos passos das Três Estrelas com música das Três Es

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trelas, seguem-se passos das Sete Estrelas com música das Sete Estrelas, etc. Tambor Batimento do Tambor e sua Utilização: Tambor das Três Estrelas: Passos das Três Estrelas. Tambor das Cinco Estrelas: Passos das Cinco Estrelas. Tambor das Sete Estrelas: Passos das Sete Estrelas. Paragem do Tambor: Criar suspense. Tambor Trovão: Utilizando no comer dos vegetais. Tambor Padrão: Variações padrão de ritmo com base nas anteriores, para enchimento da música. Grande Tambor: Começo de cada secção da dança ou na execução dos passos das Sete Estrelas. Gongo O Gongo toca mais alto que os outros instrumentos, pelo que é mais importante que os címbalos. Martelos Servem para enchimento da música.

Testar os Vegetais Testar os vegetais; verificar que são vegetais, demonstrando apreensão por estarem ali, a apreensão vai-se tornando curiosidade, essa curiosidade em satisfação e finalmente a decisão em provar os vegetais. Mastigar os vegetais, em rejubilo total, com o tambor no padrão de “Tambor Trovão”. Os vegetais devem conter dinheiro para o leão, Lai Si, que deve ser retirado discretamente. Atirar os vegetais pelo chão como forma de espalhar a riqueza pela audiência. Saudação Final Após a coreografia e o comer dos vegetais, finda-se a dança com uma saudação final “as três vénias” do leão à audiência. Terminada esta, os dançarinos retiram-se debaixo doleão e apresentam-se, saudando a audiência. Para causar mais impacto, pode desfraldar-se uma bandeira com uma mensagem de desejo de Saúde e Prosperidade - em vez de qualquer outro tipo de saudação. Dança do Leão e as Escolas de Kung Fu A dança do Sul está, muitas vezes, associada às escolas de Kung Fu na China. Consequentemente, é mais frequente ver escolas de sistemas do Sul executar esta dança do que as dos sistemas do Norte, sendo rara nas escolas tipicamente com raízes no Kung Fu do Norte. No entanto, em escolas do Norte que estejam há muito tempo em Cantão ou Hong Kong, como por exemplo o estilo de Louva-a-Deus do Mestre Lee Kam Wing de Hong Kong (Tang Lang), praticam a Dança do Leão. Os Mestres da província de Shandong, berço do Tang Lang, não a praticam de todo. Em tempos remotos, a dança servia para passar e praticar secretamente técnicas marciais quando estas eram proibidas, sendo que, hoje em dia, muitas escolas de Kung Fu usam a Dança do Leão como forma de fortalecer as posições e trabalho de pernas. Enquanto que no Norte a Dança do Leão tem pouco significado, aos olhos de um mestre do Sul, a escola de Kung Fu não é completa se não tiver no seu currículo um sistema de Dança do Leão, tal como um de Qigong. Quanto melhor e mais fantástica for a dança executada pela sua escola, mais reconhecido ele é perante a comunidade.

V - Cerimónia Tradicional Acordar O acordar do leão é executado através da pintura dos olhos e da boca do animal com tinta vermelha e é geralmente realizado por dignatários escolhidos. Saudação Inicial Saudação aos Deuses. Saudação à audiência. Todas as cerimónias devem de começar com três saudações Em arenas grandes, muitos tradicionalistas saúdam três vezes, à frente, esquerda, direita e atrás, o que é chamado de “saudação aos quatro cantos”, completando no total doze saudações. Dança Dependendo do evento, executar a coreografia da dança, que depende de escola para escola, usando os princípios essenciais. boletim AAMYP

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O Segredo do Ouro Há muitos anos havia um velho mestre que conseguia transformar uma pedra comum num pedaço de ouro. Muitos pobres o procuravam pedindo-lhe pequenos pedaços de ouro, que tivessem sobrado e que lhes pudesse dar. O gentil ancião nunca desapontava as pessoas e sempre as ajudava tanto quanto podia. Um dia, um rapaz de doze anos, veio falar com o velho mestre, e disse " Honorável Mestre, ouvi dizer que conseguia transformar pedras em pedaços de ouro. É verdade?" O velho mestre respondeu "Sim, é verdade. Também queres um pedaço de ouro como os outros? Se quiseres eu transformo uma pedra em ouro para ti. "Não Honorável Mestre" disse o rapaz " Eu não quero o ouro. O que eu quero de si, se permitir, é o truque de transformar as pedras em ouro".

O mestre apercebeu-se, que o pequeno rapaz era diferente dos outros e sorriu. O rapaz tinha-se apercebido se o velho mestre lhe desse um pedaço de ouro ele o depressa gastaria. Contudo se soubesse o truque, teria ouro suficiente para o resto da sua vida. Amigos, quando estamos a aprender alguma coisa, qual é o vosso objectivo? Querem resultados rápidos, ou estão a procura de encontrar os melhores resultados de forma duradoura e consistente? Quando vêm flores bonitas ou comem frutos apetitosos em que pensam vocês? Apenas na beleza das flores e no sabor doce dos frutos ou pensam também numa maneira de os cultivar?

O Mestre dos Três Cumes

mergulhou sobre a serpente, lançando guinchos estridentes e começou a atacá-la com implacáveis golpes de pata e de bico. A serpente, fluida e sinuosa, esquivava-se com habilidade dos violentos assaltos agressor, que consumido pela sua animosidade impotente, regressou ao ramo para retemperar as forças. Pouco depois recomeçou o ataque. A serpente insistia na sua dança circular, que aos poucos se transformou numa espiral de energia impetuosa, inatingível. Conta-nos a lenda que Zhang San-Feng se inspirou nesta visão para fundar o estilo da mão flexível, que aperfeiçoado por gerações de monges Taoistas, desembocou no Taijiquan É por isso que os movimentos do Taiji não têm princípio nem fim. Desenrolam-se agilmente, como fio de seda de um casulo e flúem sem interrupção, como as águas do rio Yangtze

Zhang San-Feng, o Mestre dos Três Cumes, era um homem de alta estatura, corpo elegante e constituição robusta, o que lhe dava uma aparência implacável. Uma barba eriçada como floresta de alabardas enfeitava-lhe a cara, redonda mas de traços marcados e um carrapicho espesso pontificava no alto da sua cabeça. O seu porte era impressionante, mas o olhar expressava uma doce tranquilidade e um vislumbre de gentileza. Tanto de Verão como no Inverno, usava uma túnica de bambus entrançados e tinha o hábito de levar com ele um enxota-moscas feito de crina de cavalo. Desejoso de saber sempre mais, ocupava grande parte da sua vida em peregrinação pelas encostas dos montes SenTchuan, Chansi e Houe-Pe. Era assim que visitava os locais mais importantes do Taoismo, de mosteiro em mosteiro, permanecendo nos santuários e templos que as ladeiras escarpadas da montanha tornavam quase inacessíveis. Desde de muito cedo, foi iniciado na prática da meditação pelos mestres Taoistas e por onde passava, dedicava-se ao estudo dos livros sagrados, colocando questões infindáveis sobre os mistérios do Universo. Um dia, estando ele a meditar em silêncio há um rol de horas, ouviu um canto maravilhoso e sobrenatural…Olhou à volta e viu num ramo de uma árvore um pássaro de olhos fixos no chão. Junto da árvore, uma serpente dirigia a cabeça na direcção do céu. Os olhares do pássaro e do réptil cruzaram-se, confrontaram-se… De repente, o pássaro

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N a t u r e z a s

Por Marisa Noblejas

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por dominar alguns dos meus trabalhos e pensamentos iniciais: O que é humano e o que é artificial? Porque é que existimos? Porque é que existe a Natureza (estado natural das coisas) e um outro tipo de natureza (o Homem)? Porque é que existe -se: uma natureza que o homem quer a todo o custo transformar? Encontrar uma linguagem universal ou, pelo menos, um O que é que permanece do estado puro das coisas? O que tipo de comunicação fluida que cativasse e interessasse toda permanece de mais verdadeiro? Afinal, o que somos? a gente, atrair diferentes filosofias e formas de estar, expressar Nessa altura apareceriam trabalhos como “Complexidade em palavras manifestações que acima de tudo devem ser Versus Naturalidade” onde se encontravam elementos vividas e sentidas (a contemplação dos trabalhos em si) e, simbólicos em contraste. Por exemplo, Água e Ponte: natureza reduzir, em poucas linhas, anos de investigação e de estudo, e construção humana. Estado natural e estado alterado. No pareceu-me verdadeiramente assustador... fundo, a questão que me assolava desde o início (sem o Decidi, por isso, recorrer à espontaneidade e abrir o entender de forma consciente) era: O que é a Natureza? coração. Parece-me que me resta apenas uma coisa: escrever Obviamente, subentenda-se aqui que, o termo com sentimento e esquecer as máscaras que a Natureza adquire vários sentidos: estado natural sociedade diariamente nos impele a colocar. (natureza exterior), estado interior (natureza ou Afinal, as Artes Marciais e a minha Pintura individualidade interior) e estado artificial falam-nos precisamente disso: de valores (adulteração/criação humana). (como sejam a humildade, a confiança e a Evidentemente, encontrava-me numa coragem) que nós, enquanto praticantes de situação crítica, pois, como sabemos, não existe Artes Marciais, devemos ter sempre presentes. uma resposta absoluta para uma questão tão Mais do que fazer aqui uma descrição do obscura e exigente. Contudo, a falta de meu trabalho, gostaria de vos mostrar que existe visibilidade (enquanto Ocidental) impedia-me de uma ligação muito legítima entre a minha compreender com claridade que a existência (no Pintura e as Artes Marciais e que é possível, seu todo), a vida, a natureza, se deve a uma inclusive, afirmar que ambas coexistem junção de ambos os estados: do estado natural e serenamente. do estado artificial. Essa dificuldade advinha, Torna-se, no entanto, essencial que viajemos especificamente, da acentuada separação e, e recuemos no tempo, para vos poder mostrar como tal, dualidade Ocidental entre homem e como tudo surgiu: das interrogações e natureza. Por outras palavras, da ad-eternum inquietações que se foram instalando e postura Ocidental em querer separar algo que desenvolvendo, e como o contacto com o simplesmente não pode ser separado: a união pensamento Tradicional Oriental, o seu entre Homem e Natureza. conhecimento vieram enriquecer e clarificar Essa falta de visibilidade em reconhecer que aquele que considero O CAMINHO. todo o homem faz parte duma natureza exterior Um caminho que apela para a que deve, acima de tudo, respeitar e preservar desconstrução de ideias e artificialidade das (em vez de destruir, manipular ou alterar) ou de coisas e que apela para um novo estado de compreender que só o caminho da partilha, da consciência sustentado pelo equilíbrio, pela humildade, do respeito e da espontaneidade nos pureza, pela clareza e pela verdade dados pelo pode tornar mais ricos, verdadeiros e próximos desenvolvimento da prática da Espiritualidade. do estado puro das coisas, acentuava a desunião A interrogação dos filósofos pré-socráticos com a natureza no seu sentido mais autêntico, sobre a Natureza e o modo inquisitivo como ao mesmo tempo que se me apresentava estes tentavam explanar a realidade são de Força de Vontade rebeldemente grotesca. grande importância para a génese inicial do meu trabalho. Era-me, interiormente, complexo interpretar os Sobretudo o pensamento de Parménides. Segundo o comportamentos daqueles que me rodeavam, o tipo de pensamento deste filósofo, era possível conceber a existência atitudes que o homem assumia perante a natureza. Não duma via do conhecimento e da verdade, dada pelos objectos entendia por que é que o homem queria destruir a sua da razão, e uma via da aparência, dada pelos objectos dos natureza, por que é que persistia em adulterá-la, por que é sentidos. Contemplar, através do uso da razão, a “inabalável que, inclusive, teimava em querer mostrar a sua supremacia verdade” convertia o homem numa espécie de “iluminado” e face à mesma. Todo esse tipo de comportamentos se me afastava-o do homem comum que, recorrendo ao mundo apresentava ininteligível, tal como o era outro tipo de falacioso dos sentidos acabava por negar a confiança comportamentos: o desejo de as pessoas quererem verdadeira nas suas opiniões e no seu pensamento. Era a demonstrar a superioridade da sua força, de quererem diferença entre a Luz e a Escuridão. Entre a Verdade e o subestimar o próximo, de se auto-afirmarem e de quererem Erro. Entre aquilo que se devia dizer ou pensar - o que era ser reconhecidas mais pelo ego do que pelo coração. dizível e o que não era. Nessa época surgiram outros trabalhos, a um deles Estas palavras viriam instalar momentos de inquietação e acabaria por dar o nome de “Inteligibilidade”. provocar uma série de infindáveis questões que acabariam ideia de escrever um artigo sobre a minha pintura para o nosso jornal pareceu-me, no início, aliciante, mas, com o passar do tempo, a dificuldade instalou-

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A constatação de que somos união e confronto, mistura e não separação, partilha e não mera individualidade desvelar-se-ia com toda a sua força, apenas posteriormente, após os primeiros contactos com a obra e com o pensamento Oriental. Como surgiram estes primeiros contactos? Surpreendentemente, cada um dos trabalhos Juízo Final dedicados às Artes Marciais, na minha exposição deste ano, acabou por constituir a súmula de momentos simples. Momentos que na altura própria foram experienciados, mas que só posteriormente se tornaram manifestação. Teriam grande importância: a leitura de alguns Clássicos Chineses, como Lao-Tse; a visibilidade de exposições dedicadas à Pintura Coreana (com os seus conceitos sobre o infinito, união, luz, energia espiritual, transparência, etc.) e à Pintura Japonesa; o Abstraccionismo (a meu ver mágico) de Rothko e de Sean Scully e a nível mais imediato, a partilha de pensamentos com amigos marciais; as palavras, manifestações e ensinamentos do nosso professor, colega e amigo Pedro Rodrigues, e do nosso Mestre Yang, Jwing-Ming. De salientar, a um nível ideológico, a filosofia de treino e os conselhos do nosso mestre no que diz respeito à Humildade, Zun Jing (Respeito), Zheng Yi (Honestidade); Xin Yong (Confiaça), Zhong Cheng (Lealdade), Yi Zhi (Vontade), Ren Nai, Yi Li, Heng Xin (Presistência, Preserverança e Paciência) e Yong Gan (Coragem). A um nível imagético, uma palavra proferida num determinado momento, um pé no sítio errado, uma posição baixa, um fechar de olhos num exercício, tudo acabaria por dar origem à paixão que surgiu em representar a nossa escola na minha pintura e à vontade imperiosa de partilhar uma nova visão e interpretação do mundo. Em trabalhos anteriores utilizara elementos arquitectónicos e conceitos que explorara até à exaustão, optando pela simplificação de formas e cores (numa tentativa de procurar o estado de despojamento e pureza). Também surgiriam as minhas máscaras Venezianas que, envolvidas por uma forte gama cromática, falavam e silenciavam muitas angústias e inquietações existenciais. Da mesma forma que também nos convidavam à observação, contemplação, interrogação e descoberta, para além da aparência. No fundo, o uso da figuração, de cores fortes e de pinceladas fluidas apelavam já para diferentes dimensões / visões: para o mundo exterior e interior; objectivo e subjectivo; para o que somos e deveríamos ser; para o que vemos e deixamos de ver; para o que somos e não somos; para a possível transformação e visão da natureza. Agora, e, sob a influência do pensamento Tradicional Oriental, a mudança regressara. A visão tinha sido recuperada. Tornava-se imperioso demonstrar que a natureza individual apenas existe enquanto inserida na mãe natureza, a quem, precisamente por isso, se deve venerável respeito. Do respeito por parte do homem, pela natureza que o gerou, tal como por

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si próprio e pelo seu próximo, dependerá a sua existência, evolução e mudança como ser humano. Recorre-se, consequentemente, na última fase de trabalhos, ao uso do carvão (e à ligeireza transmitida por este), a cores fortes e suaves em uníssono (união), às noções de espaço ou ao uso de elementos metafóricos (como a linha, a flor de lótus ou a montanha) e apela-se para uma nova procura (e respectiva mudança). A procura da nossa natureza mais profunda: a nossa Espiritualidade. A relação entre as Artes Marciais e a minha Pintura tornou-se já, neste momento, clara, uma vez que ela expressa muitos ensinamentos, valores, inquietações e interrogações. Espelha, igualmente, uma procura e uma criação que, diariamente, todos nós exemplificamos nos treinos. Porém, é também muito importante, a meu ver, a simbiose que é possível estabelecer entre os dois tipos de Artes (pois é disso que se tratam): Artes Marciais e Pintura, já que ambas são sinónimo de árduo trabalho, perseverança, desenvolvimento, evolução, expressão, criação e visão! Com satisfação entendi que tinha conseguido transmitir essa união, quando me foi dito que os meus trabalhos transmitiam paz, harmonia e serenidade e que os tons dos mesmos tranquilizavam aquele que os contemplava... Com efeito, as cores assumiram, nestes últimos trabalhos, um papel primordial: os Rosas, Carmins, Brancos e Azuis permitiram-me apelar para uma dimensão quase onírica, mas acima de tudo real: a do nosso interior. Ainda hoje continua a pairar em mim o sorriso de ter conseguido um retorno por parte do espectador. Isso significa que, para além das imagens e das representações (do desejo de construir coisas para além do que existe), o fim último da minha arte foi conseguido: o de produzir e transmitir sensações de bem-estar, meditação e de equilíbrio. Digamos, por outras palavras, que o espectador foi capaz de sentir e viver sensações, atmosferas e energias que extravasaram o mero canal material condutor - os quadros - e se tornou ele mesmo interveniente activo.

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Paralelamente, o mesmo acontece nas Artes Marciais. Observamos e analisamos formas e imagens, mas só verdadeiramente as sentimos quando, presentes em nós, as mesmas sensações de equilíbrio e centro (entre outras), recriam de forma fluida e natural as imagens que vemos. Também aí acabamos nós mesmos de ultrapassar o material e dizível, para nos tornarmos arte viva - arte exemplificativa. O que pretendo agora, finalmente, transmitir-vos com estas palavras e estes paralelismos é que os ensinamentos que nos são dados são experienciados por Montanhas cada um de nós de forma diferente, mas há que estar, acima de tudo, alerta e receptivo às mudanças que os mesmos podem provocar no nosso interior e na nossa relação com o exterior. Assim sendo, todos nós temos o dever para com os nossos mestres de cuidar dos tesouros que diariamente nos são mostrados, pois são estes que vão reger e modelar a filosofia de vida que decidimos adoptar quando abraçamos uma forma de Arte. Assim, quando o nosso mestre nos fala de humildade devemos ter sempre presente a noção de que ninguém é melhor que ninguém “porque há sempre alguém que é mais talentoso Pick up the Moon ou mais conhecedor do que tu nalgum domínio”. Também deveremos ser capazes de nos despir do nosso ego (ainda que temporariamente) e não só partilhar aquilo que sabemos, mas também, escutarmo-nos mutuamente, uma vez que todos podemos enriquecer com o saber do outro. Será que o fazemos? Pelo menos tantas vezes quanto gostaríamos? Claramente, ninguém é perfeito. Cabe a cada um de nós saber qual o tesouro com que mais se identifica (se é que já se sentem abençoados por algum tipo de tesouro... tudo dependerá da vossa visão). Alguns hão-de evidenciar-se pela força; outros pela transparência; outros pela partilha; outros pela sensibilidade; outros pela criação (escrita, pintura, música, etc.). Será assim, evidentemente, se a nossa postura for a correcta: não a da competitividade ou do confronto, mas a duma vivência em harmonia. Caberá, também, a cada um dos presentes, questionar-se se pretende, ou não, procurar uma mudança, uma

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transformação (em si), que o leve a partilhar uma nova filosofia de estar. Esta foi e tem sido a minha inquietação no mundo das Artes, a de querer deixar passar uma mensagem... não que ela seja melhor que outra, simplesmente, é a minha. O MEU CAMINHO. Acabou-se definitivamente a tentativa desesperada e absurda de a sociedade querer adulterar o meu interior, pois agora existe plena consciência do diálogo (e união) constante que existe entre o nosso corpo físico e mental. Consequentemente, as Artes Marciais e a Pintura não são algo que existe exteriormente a nós. Elas são ambas uma espécie de cordão umbilical cujo poder podemos canalizar consoante as nossas próprias necessidades “as portas para diferentes estados de existência poderão ser abertas por nós e pela nossa atitude”. Da mesma forma, Arte e Vida são indissociáveis, tal como o são o Homem e a Natureza. Paremos, então, de querer separar aquilo que coexiste e que constitui simplesmente a emanação de Ser, o Eco de Existir. A minha última palavra será então para a expressão, a expressão pictórica, pois é a ela que devo o trabalho lógico, teórico e formal desenvolvido durante os últimos vinte anos e à qual tentei manter-me sempre fiel. Ela é o meu espelho, o meu eco de ser. O precioso local onde não existem máscaras nem mentiras e onde o pensamento flúi livremente. A ela regresso, agora, com novas ideias, cores e formas, pois a Pintura, tal como a Natureza, é e será sempre um eterno devir.

Complexidade Versus Naturalidade Novembro 2005


itens de estudo Por Ricardo Guerreiro THE ROOT OF CHINESE QIGONG SECRETS FOR HEALTH, LOGEVITY & ENLIGHTENMENT Dr. Yang, Jwing-Ming YMAA Publication Center 320 Páginas, 76 Ilustrações

Uma visão global e profunda sobre os fundamentos teóricos da prática e estudo do Qigong Chinês. Dr. Yang introduz nesta obra os métodos correctos da respiração do Qigong, "truques" para acalmar e focar a mente, e ensinamentos sobre como aumentar a quantidade de Qi no corpo. Não só isso, apresenta também técnicas de massagem, discute a meditação sentado e em pé, e apresenta uma extensa secção sobre os meridianos e vasos do corpo humano. Por fim, inclui ainda alguns paralelismos interessantes entre o modelo Chinês de tratamento e estudo do corpo (com mais de 4000 anos de existência) e as teorias clássicas do Electromagnetismo e os modernos estudos da Biofísica no que respeita a Bioelectricidade no corpo humano.

TAI CHI CHI CHUAN MARTIAL APPLICATIONS ADVANCED YANG STYLE Dr. Yang, Jwing-Ming YMAA Publication Center 364 Páginas, 977 Ilustrações

Este manual revela a essência marcial do Tajiquan, aspecto grandemente ignorado na literatura corrente sobre esta arte. Cobre as técnicas de combate e aplicações de cada postura da Sequência Tradicional do Estilo Yang, das rotinas de Empurrar-Mãos e da Sequência de Combate Combinado Dois Homens Punhos de Taiji. Uma valiosa referência para os alunos que aprenderam a sequência e rotinas de Empurrar-Mãos e querem agora explorar e dissecar os fundamentos marciais que dão sentido aos seus movimentos. Também para alunos avançados que queiram aprofundar as suas perícias na Sequência de Combate de Taiji.

TAOIST WISDOM DAILY TEACHINGS FROMS THE TAOIST MASTER Timothy Freke 128 Páginas

Este não é certamente um livro de estudo como os anteriormente sugeridos/apresentados. É antes uma fonte de provérbios e ditados Taoistas sobre a Vida, proferidos não só pelos mestres da antiguidade como também por modernos “seguidores” do Dao. Uma apresentação de um provérbio associado a cada dia do ano o que torna a sua leitura agradável e bastante leve ao invés da aproximação mais usual de leitura contínua e sequêncial. Um livro inspirador que começa com a frase de Chuang Tzu: “As pessoas procuram erradamente a verdade em livros, quando estes contém apenas falsas ideias”...

TAIJI & SHAOLIN STAFF FUNDAMENTAL TRAINING - 1 Dr. Yang, Jwing-Ming Video VHS-NTSC instrutivo 85 Minutos

Neste video, Dr. Yang ensina as práticas fundamentais do treino de Bastão, considerado a raiz de todas as armas longas. As técnicas apresentadas são compiladas tanto do Taijiquan como do Grou Branco de Shaolin, oferecendo desta forma uma visão e compreensão únicas do treino do Bastão dos estilos do Sul. Inclui treino estacionário, em andamento e demonstra as principais técnicas: deslizar, golpear, espetar, bloquear, quatro cantos entre outras.

TAIJI PUSHING HANDS 1&2 YANG STYLE SOLO AND PARTNER PUSHING HANDS Dr. Yang, Jwing-Ming DVD instrutivo Todas as regiões 180 Minutos

O treino de Empurrar-Mãos (Pushing Hands) ajuda o praticante a desenvolver o "feeling" necessário do Jin de Escutar que o permite sentir e compreender o Jin (potência) ofensivo do adversário, para por sua vez o neutralizar e criar o contra-ataque. Dr. Yang ensina os detalhes mais refinados desta prática de forma clara e com ênfase na compreensão da emissão do Jin (potência) e suas aplicações. Em cerca de três horas de imagens, as técnicas são ensinadas a solo e com parceiro, desde as mais básicas às mais avançadas.

TAIJI BALL QIGONG - 1 16 CIRCLING PATTERNS Dr. Yang, Jwing-Ming DVD instrutivo Video VHS-NTSC instrutivo 60 Minutos

A Bola de Taiji era uma prática comum na China, tanto nas artes marciais internas como externas. Pode ajudar no fortalecimento do tronco, condicionar os músculos, aumentar e melhorar a condição física geral através da condução eficaz do Qi com a mente, associada aos movimentos subtis mas profundos do corpo. No Taijiquan, este treino tem ainda como um dos objectivos principais, servir de ferramenta ao desenvolvimento e refinação das habilidades do praticante na área de Empurrar-Mãos (Pushing Hands). Num tempo em que o lado marcial do Taiji é ignorado e que são talvez menos de uma dezena os mestres a nível mundial a ensinar a Arte da Bola de Taiji, este video é não só um auxiliar de treino e aprendizagem como também um documento importante na preservação e continuidade desta arte.

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Canícula - Quatro Estações

O Qigong da Por Pedro Rodrigues

Sons Quatro Estações (Baço-Terra): Fu Fogo Interno (Triplo Queimador - Fogo Mútuo): Xi

Ainda que associado ao final do Verão ou Canícula, o elemento Terra representa a força da moderação, lubrificando os atritos entre as outras forças. Luta pela harmonia entre os outros elementos da Natureza e é a força que sustenta a sua dinâmica. Embora o Baço (O Meridiano Yin Maior da Perna) não goste da humidade da Canícula, onde a indigestão, a diarreia e a ansiedade são sintomas típicos, devemos manter a sua natureza Yin ao longo das quatro estações, de modo a que este desempenhe a sua função de transformação e transporte.

Mente 1 - Emoções excitadas e estimuladas. 2 - Respiração profunda e Mente calma. 3 - Manter a Mente afastada do coração. Respiração 1 - Respiração Abdominal Normal (inspiração mais longa do que a expiração). Inspiração - abdómen expande, ânus para baixo Huiyin (Encontrar o Yin) (Co-1). Expiração - abdómen encolhe, ânus para cima Huiyin (Encontrar o Yin) (Co-1). 2 - Respiração Embrionária - Guiar o Qi para a Pele e para a Medula Óssea. Massagem com as mãos 1 - Massajar o abdómen (movimento circular da direita para a esquerda e de cima para baixo). 2 - Homens - Massajar a próstata - Mão direita segura os testículos, mão esquerda massaja a púbis, de forma circular, 81 vezes. Depois inverter as mãos e repetir a massagem no sentido inverso. Durante a massagem segurar o ânus para cima.

Jimai (Li-12) Shuxi (PE)

3 - Mulheres - Massajar os ovários – Usar os nós das mãos para massajar logo acima da púbis, de forma circular, 81 vezes de fora para dentro e de dentro para fora. Durante a massagem segurar o ânus para cima. 4 - Massajar as virilhas com o cutelo da mão, de forma circular de dentro para fora e de baixo para cima. Shuxi (Caminho do Rato) (PE), Jimai (Pulso Urgente) (Li-12). 5 - Massajar a Sanyinjiao (Três Junções Yin) (Sp-6), vibrar com o polegar.

Sanyinjiao (Sp-6)

Com o elemento Terra terminamos esta série de exercícios de Qigong, lembrando que este elemento deve de ser praticado durante todas as estações. Fica ainda a ideia de que em caso de desiquilibrio de um dos orgãos, os exercícios devem de ser praticados independentemente da estação, pois o caracter profilático deixa de ser tão importante. boletim AAMYP

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as 4 Estações Figura 1 - Ambas as Mãos para Segurar o Céu

1.1

1.3

1.2

1.4

1.5

1.6

1.1 - Inspirar levantar os braços ao nível do peito; expirar e esticar para cima; inspirar manter a posição. 1.2 - Expirar torcer o tronco e olhar para trás; inspirar voltar ao centro; expirar repetir para o lado oposto; inspirar voltar ao centro. 1.3 - Expirar inclinar o tronco; inspirar voltar ao centro; expirar repetir para o lado oposto; inspirar voltar ao centro. 1.4 - Expirar flectir o tronco, abanar as ancas, soltar o troco, os braços e a cabeça. 1.5 - Respirar naturalmente, agachar com os calcanhares assentes no chão. 1.6 - Passar para as pontas dos pés e balouçar um pouco para cima e para baixo.

Figura 3 - Buda Explora o Mar

Figura 2 - O Grande Dragão Relaxa o Pescoço

2.1 e 2.2 - Respirar naturalmente, esticar o pescoço nas quatro direcções durante dez segundos para cada posição. 2.1

3.1 e 3.2 - Inspirar pescoço no centro; expirar rodar pescoço para um lado, repetir várias vezes para cada lado.

2.2

3.2

3.1 Figura 4 - Circular a Cintura na Horizontal

4.1

4.2

4.3

4.4

4.5

4.1 a 4.3 - Rotação no sentido dos ponteiros do relógio; inspirar na metade anterior do circulo; expirar na outra metade posterior. 4.4 e 4.5 - Manter o exercício anterior e rodar o tronco á direita e á esquerda sem alterar os pés. boletim AAMYP

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Instrutores Assistentes de Shaolin: Arménio Silva (Seixal) Celso Barja (Amadora) Hugo Dias (Amadora) Joaquim Barros (Seixal) José Martins (Amadora) José Santos (Almada) Pedro Rodrigues (Amadora) Tony Chee (Almada) Vítor Casqueiro (Amadora) Instrutores Assistentes de Taiji: Arménio Silva (Seixal) Carla Feiteira (Cascais) Joaquim Barros (Seixal) Pedro Graça (Cascais) Pedro Rodrigues (Amadora) Ricardo Guerreiro (Seixal) Vítor Casqueiro (Amadora) Directores de Escolas: Arménio Silva (Seixal) Pedro Graça (Cascais) Pedro Rodrigues (Amadora / Lisboa) Tony Chee (Almada / Feijó)

Qualquer nome ou escola que não constem nesta lista, não é reconhecido como instrutor qualificado ou escola YMAA

Escolas Oficiais: YMAA ALMADA AIRFA Academia Almadense Rua Capitão Leitão, 64 2800-133 Almada Telefone: 21 272 97 50 Email: almada@ymaaportugal.com Director: Tony Chee Disciplina: Shaolin, Taijiquan e Sanshou YMAA AMADORA Centro Comercial Babilónia Rua Elias Garcia, 362-D, Bloco A- 4º 2700-337 Amadora Telefone: 21 498 98 10 Fax: 21 498 98 19 Email: af-cgd@mail.telepac.pt Website: www.centro-ginastica-danca.pt Director: Pedro Rodrigues Disciplinas: Shaolin, Taijiquan e Sanshou YMAA CASCAIS Lirius - Centro de Terapias Naturais Rua de Sant'Ana, 1324 Cobre 2750-833 Cascais Telefones: 21 482 12 24 / 93 473 86 62 Email: ymaa.cascais@netcabo.pt Website: http://ymaacascais.no.sapo.pt Director: Pedro Graça Disciplina: Taijiquan

YMAA LISBOA Ginásio Mega Craque Clube Faia Rua Prof. Jesus Bento Caraça, 71 Telheiras 1600 - 600 Lisboa Telefone: 21 756 74 40 Fax: 21 756 74 43 Email: craque@craque.com Website: www.craque.com Director: Pedro Rodrigues Disciplina: Taijiquan YMAA SEIXAL Ginásio Clube de Corroios Rua do Ginásio Clube de Corroios, 19 Corroios 2855-150 Seixal Telefone: 21 253 26 66 Director: Arménio Silva Disciplinas: Shaolin, Taijiquan e Sanshou Escolas Provisórias: YMAA FEIJÓ Complexo Municipal dos Desportos"Cidade de Almada" Alameda Guerra Junqueiro, 35 2810 Feijó Telefone: 21 258 71 00/04 Fax: 21 258 71 70 Director: Tony Chee Disciplina: Taijiquan


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