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A pós-colheita é uma das fases de grande importância para o cafeicultor, é quando ocorrem grandes transformações nos frutos e grãos do cafeeiro e se não forem tomados os devidos cuidados poderão ocorrer interferências negativas na qualidade do café.

PERDA DE DINHEIRO


A pós-colheita do café inicia-se com um bom planejamento da colheita, calculando-se o volume de café a ser colhido diariamente, de acordo com a capacidade operacional das estruturas de processamento e secagem.

Existem 2 tipos de preparo do café: 1.

Por via seca =

1.

Por via úmida =

Café Cereja Descascado: cafés descascados e submetidos à secagem com mucilagem

Café Desmucilado: cafés descascados e submetidos à remoção mecânica da mucilagem,

Café Despolpado: cafés descascados e submetidos à remoção da mucilagem por fermentação.

o fruto é seco inteiro, com casca, pergaminho e mucilagem, em terreiros ou secadores mecânicos, obtendo-se o “café natural” ou “café em coco”.

ocorre a eliminação da casca, da polpa e da mucilagem diminuindo a incidência de microorganismos que poderiam causar fermentações e afetar negativamente a qualidade do café. Diminui em até 40 % o volume do café a ser manuseado.

aderida ao pergaminho;

retirando até 80 % da mesma;


Sistemas tradicionais de secagem em terreiros VIA SECA – cafÊs naturais


Via Úmida

centrífuga


PARADIGMA Sistemas de secagem em silos


Projetos do Silo Secador


3- LOGÍSTICA

A- Transporte = R$1,55 / sc • • •

Carreta 3.000 litros, média 3 km do terreiro, veloc. Trator de 6 km/h = 0,5 HM/3 km = R$15,00 / 3.000 litros de café = 0,005 / litro x 500 litros/sc benef.= R$2,50 / sc benef. Caminhão 15.000 litros, média 3 km do terreiro, ida e volta 6 km rodado x R$3,00 / km = R$18,00 / 15.000 litros de café = 0,0012 / litro x 500 litros/sc benef.= R$0,60 / sc benef. X = (2,5+0,60 / 2) = R$1,55 / sc

Obs.: não andar caminhão ou carreta com meia carga ! B- Big-bag e Á granel = 1. 2.

Big-bag – 1 saco de juta = R$3,00 (usado) a R$5,50 (novo) 1 bag = R$10,00 a R$25,00 X = R$1,00 / sc Á granel = custo do frete + bag armazém.


4- GESTÃO: o que é gerir ? É administrar com conhecimento. “ Fique rouco de tanto ouvir.” ouça, ouça, ouça. Pergunte sempre Por quê ? Por quê ? Por quê ?

4 papéis para desenvolvermos: 1. 2. 3. 4.

Produtor – lida com a natureza Empresário – R$ Líder – trabalha pessoas Gerente – lida com recursos

PRECISAMOS TER FOCO ! 1º FAMÍLIA 2º LUCRO 3º CLIENTE 4º FUNCIONÁRIO 5º SOCIEDADE


O FUTURO É INCERTO Portanto, é preciso analisar as: • CONDIÇÕES INTERNAS DA PROPRIEDADE

Pontos fortes X Pontos fracos • CONDIÇÕES DO AMBIENTE:

Oportunidades X Ameaças


5- COLHEITA E PODAS Colheita do Café e Safra Zero

Objetivo Específico da pesquisa realizada:

Analisar as novas técnicas de colheita no sistema Safra Zero, avaliando as diferentes máquinas existentes no mercado atual para bater os ramos com os frutos e abanar simultaneamente, a fim de sugerir melhorias e adequações operacionais na colheita do café.


Safra Zero Entendendo o Programa conforme Thomaziello ?

Após um ano de safra alta, logo após a colheita (agosto/setembro), faz-se a poda de esqueletamento associada ao decote, para redução da altura da planta.

?

Logo, no ano agrícola seguinte, a safra é zero.

?

Vantagens: ● ● ● ● ●

Não há gastos com colheita. Não há necessidade de arruação e esparramação. Redução de gastos com insumos (ano da poda só adubo nitrogenado). Redução de gastos com defensivos. Racionalização de infra-estrutura de preparo, ( pois não há colheita em parte ou toda lavoura). Pode-se reduzir o espaçamento das lavouras a serem implantadas e conduzidas nesse sistema ou seja, colocar um maior número de plantas/ha, sem prejuízos à mecanização.


● ● ● ● ● ● ●

1º ano do sistema = após safra alta ⇒poda 2º ano do sistema = safra zero 3º ano do sistema = safra alta ⇒ poda 4º ano do sistema = safra zero 5º ano do sistema ⇒ safra alta ⇒ poda 6º ano do sistema ⇒ safra zero E assim sucessivamente. “O processo não é irreversível”. A qualquer momento e por qualquer motivo pode ser suspenso. Caso a lavoura perca o vigor para receber esse tipo de poda, pode-se suspendê-lo e efetuar uma recepa do cafezal, reformando totalmente a lavoura para uma condução normal ou o reinicio do sistema após atingir o porte adulto. Além do vigor da planta, outros fatores devem ser analisados antes de se implantar o sistema: - condições climáticas da região (déficit hídrico, temperatura média); - preço do café; - produção pendente para a safra baixa; - produção da próxima safra brasileira, etc.


Safra Zero & Colheita Entendendo o Programa com Incremento: 1. No manejo da lavoura no sistema Safra Zero, a colheita e a poda de esqueletamento ou desponte são feitas simultaneamente. 1. Esse sistema incorpora duas operações em uma, ou seja, baseia-se na poda (esqueletamento ou desponte com decote) dos ramos plagiotrópicos e ortotrópicos do cafeeiro ainda com os frutos que em seguida são colocados em uma máquina (batedeira, abanadeira) que promove a debulha e a separação dos frutos, ramos e folhas que logo em seguida realiza a abanação e o acondicionamento dos grãos de café, perfazendo a segunda operação que é a colheita. 1. Ao final do processo, tem-se a lavoura podada e a colheita realizada. 1. Esse sistema apresenta a vantagem de fazer a poda e colheita em uma única operação, sendo recomendado para lavouras com podas programadas (Safra Zero) ou onde se deseja realizar podas de renovação (lavouras depauperadas).


Épocas de poda

l / pé

JUL

4,0

AGO

3,5

SET

1,5

OUT

0,8

NOV

0,2

DEZ

0,0___

Fonte: Mendonça et alli (PROCAFÉ)

A cada mês +- 10 scs/ha

? P O D A S

Esq.AGO 05

Esq.NOV 05

Foto mai 07


SAFRA ZERO, desbrotar ou não desbrotar ? Lavoura: -

Icatu 3282

-

Plantas p/ há 3.861

Idade: 12 anos

-

Prod. Esperada: 75 scs / há

Renda 450 litros / sc

-

Total de L / há = 33.750 litros

Média de litros p/planta = 8,74

-

Média de brotos por pé = 8 (3 laterais e 5 no ponteiro)

Área: 9,45 há

Espaçamento 3,70 x 0,70 m

- Média litros p/ broto = 0,6 litro

• Desbrota 1: 3 brotos laterais e 2 no ponteiro 5 brotos x 0,6 L = 3,0 litros/planta • Desbrota 2: 3 brotos laterais e 3 no ponteiro 6 brotos x 0,6 L = 3,6 litros/planta Conclusão: 1- Perda de 34,32 % 2- Perda de 41,18 %

Não desbrotar Safra Zero .


Sistema Tradicional 1º ano – 40 scs/ha

Item Tratos culturais Colheita Pós-colheita

R$ / ha

R$ / sc

4.000

100,00

2.000 – 4.000

50,00 – 100,00

1.400

35,00

800

20,00

8.200 – 10.200

205,00 – 255,00

Administrativo TOTAL

Sistema Tradicional 2º ano – 25 scs/ha

Item

R$ / ha

R$ / sc

3.000

120,00

2.000 – 2.750

80,00 – 110,00

Pós-colheita

875

35,00

Administrativo

800

32,00

6.675 – 7.425

267,00 – 297,00

R$ / ha

R$ / sc

4.000

0,00

0.000 – 0.000

0,00 – 0,00

0.000

0,00

800

0,00

4.800 – 4.800

0,00 – ,000

Tratos culturais Colheita

TOTAL Sistema Tradicional 2 anos R$/ha = 14.875,00 – 17.625,00 X R$/sc = 228,84 – 271,15

Safra Zero 1º ano – 80 scs/ha

Item Tratos culturais Colheita Pós-colheita Administrativo TOTAL

Safra Zero 2º ano – 0 scs/ha

R$ / ha

R$ / sc

Item

4.800

60,00

2.000 – 6.400

25,00 – 80,00

2.800

35,00

Pós-colheita

800

10,00

Administrativo

10.400 – 14.800

175,00 – 225,00

Tratos culturais Colheita

TOTAL

Safra Zero 2 anos R$/ha = 15.200,00 – 19.600,00 X R$/sc = 190,00 – 245,00

Eliminando a colheita


Objetivo Específico da pesquisa realizada: Analisar as novas técnicas de colheita no sistema Safra Zero, avaliando as diferentes máquinas existentes no mercado atual para bater os ramos com os frutos e abanar simultaneamente, a fim de sugerir melhorias e adequações operacionais na colheita do café.

Procedimento da Pesquisa Safra de 2013/2014, na região Sul de Minas Gerais em lavouras comerciais localizadas em diferentes propriedades nos municípios de Três Pontas e Boa Esperança. Foram utilizados e avaliados 2 sistemas diferentes de colheita em áreas montanhosas com o sistema Safra Zero, sendo que o estudo foi realizado em comparativo com o sistema tradicional de colheita seguido de poda (esqueletamento com decote alto):

Derriça Manual

Abanação e Ensaque

Poda

Recebimento do Café


I- o primeiro sistema de Safra Zero em estudo foi: a colheita tradicional seguida de poda “versus” a colheita podada com uso da máquina MIAKI Master 2

Decotando

Esticando panos

Puxando galhos

Esqueletando

Enleirando no carreador

Batendo os galhos e abanando


II- o segundo sistema de Safra Zero em estudo foi: a colheita tradicional seguida de poda “versus” a colheita podada com uso da máquina MIAKI Grãos


Tabela 1. Itens componentes do custo de colheita e poda simultânea em lavoura de Icatu 3282 amarelo, por hectare, obtidos na colheita da safra 2012/2013, na Fazenda Lajinha, Três Pontas, Minas Gerais. 2013.

Item

Qtde.

Unidade

R$/Un

Valor R$/há

Item

Qtde.

Unidade

R$/Un

Valor R$/há

1.1- Colheita (derriça e abanação)

75

DH

74,6

5.598,00

1.2- Poda esqueletamento

4

DH

100,0

400,00

Total

79

DH

79,9

5.998,00

1- Manual

1- Manual 1.1- Distribuição de panos

2

DH

60,00

120,00

1.2- Poda esqueletamento

4

DH

120,00

480,00

1.3- Repasse

2

DH

120,00

240,00

1.4- Recolhimento panos e galhos

10

DH

80,00

800,00

1.5- Enleiramento de galhos

2

DH

80,00

160,00

1.6- Ajudante máquina

2

DH

80,00

160,00

Subtotal 1

22

DH

89,09

1.960,00

2.1- Máquina MIAKI Máster 2

6

HM

120,00

720,00

Subtotal 2

6

HM

120,00

720,00

2- Mecânico

Total 1+2

Tabela 2. Itens componentes do custo de colheita tradicional e poda posterior em lavoura de Icatu 3282 amarelo, por hectare, obtidos na colheita da safra 2012/2013, na Fazenda Lajinha, Três Pontas, Minas Gerais. 2013.

2.680,00

Observa-se, na tabela acima que, o custo da colheita com poda simultânea, adequado ao sistema Safra Zero foi de R$2.680,00/ha. Sendo assim, para a lavoura em estudo com produtividade estimada de 80 sc/ha, o custo por saca de café colhida foi de, aproximadamente R$ 33,50 e da medida de 60 litros num total de 600 medidas = R$4,46.

Medidas – 80 scs/há = 600 medidas/há R$/medida = 9,33 (R$6,00 valor direto pago ao safrista, R$2,28 encargos 38%, R$0,75 frete safrista, R$0,20 turmeiro, R$0,10 material de panha e EPI’s,), média de 8 medidas por safrista por dia, DH=R$74,64. Observa-se, na tabela acima que, o custo da colheita tradicional com poda posterior, adequado também ao sistema Safra Zero foi de R$5.998,00/ha. Sendo assim, para a lavoura em estudo com produtividade estimada de 80 sc/ha, o custo por saca de café colhida foi de, aproximadamente R$ 69,97 fora a poda e com a poda R$74,97, perfazendo o valor da medida de 60 litros num total de 600 medidas = R$9,33 e R$9,99 respectivamente. Ressaltando que a poda significa 7,0 % do valor pago para a colheita do café nesse sistema.


Resultados Finais: Tabela 1. Comparativo do custo entre os sistemas de colheita com poda simultânea “versus” o sistema tradicional com poda posterior a colheita da safra 2012/2013, em Fazendas no Sul de Minas Gerais. Comparativos

R$ Total/há

Scs/há

R$/sc

% de Redução

Sistema I-1.1 – colheita com poda simultânea

2.680,00

80

33,50

123,8

Sistema I-2.1 – colheita tradicional com poda posterior

5.998,00

80

74,97

Sistema I-1.2 – colheita com poda simultânea

2.680,00

50

53,60

Sistema I-2.2 – colheita tradicional com poda posterior

4.416,25

50

88,32

Sistema I-1.3 – colheita com poda simultânea

2.680,00

44

60,90

Sistema I-2.3 – colheita tradicional com poda posterior

4.162,00

44

94,59

Sistema I-1.4 – colheita com poda simultânea

2.680,00

60

44,66

Sistema I-2.4 – colheita tradicional com poda posterior

4.598,50

60

76,64

Sistema I-1.5 – colheita com poda simultânea

2.680,00

100

26,80

Sistema I-2.5 – colheita tradicional com poda posterior

7.397,50

100

73,97

Sistema II-1.1 – colheita com poda simultânea

5.560,00

100

55,60

Sistema II-2.1 – colheita tradicional com poda posterior

7.397,50

100

73,97

Sistema II-1.5 – colheita com poda simultânea

5.560,00

70

79,42

6.022,75

70

86,03

Sistema de II-2.5 – colheita tradicional com poda posterior Custos colheita / saca

= R$ 64,59 à R$ 73,97 no sistema tradicional = R$ 26,80 a R$ 60,90 no novo sistema de colheita com poda simultânea

64,7

55,32

71,6

176,0

33,0

8,32


Tabela 2. Comparativo de quantidade de mâo de obra necessária para os sistemas de colheita com poda simultânea “versus” o sistema tradicional com poda posterior a colheita da safra 2012/2013, em Fazendas no Sul de Minas Gerais. Comparativos

DH

% de Redução

Sistema 1.1 – colheita com poda simultânea

22

259

Sistema 2.1 – colheita tradicional com poda posterior

79

Sistema 1.2 – colheita com poda simultânea

22

Sistema 2.2 – colheita tradicional com poda posterior

66,5

Sistema 1.3 – colheita com poda simultânea

22

Sistema 2.3 – colheita tradicional com poda posterior

64

Sistema 1.4 – colheita com poda simultânea

22

Sistema 2.4 – colheita tradicional com poda posterior

202

190

174

60,25

Sistema 1.5 – colheita com poda simultânea

22

Sistema 2.5 – colheita tradicional com poda posterior

79

259

1.

Contudo, deve-se atentar ao fato de que os valores obtidos neste trabalho não necessariamente se aplicam a todas as regiões cafeeiras, havendo a necessidade de um estudo específico para cada região em particular e, da mesma forma, dentro da propriedade rural.

1.

Dessa forma, para as condições averiguadas no trabalho, a colheita do café pelo sistema Safra Zero, com poda simultânea, mostrou-se mais econômica quando comparada ao sistema tradicional de derriça no pano.

1.

Além disso, deve-se ressaltar que no sistema de colheita com poda simultânea a necessidade de mão de obra é bem menor.


6- LEGISLAÇÃO TRABALHISTA - CLT: mau necessário sem abusos ... - Precisamos aprendê-la ao pé da letra. - Multas irreparáveis.

7- COMERCIALIZAÇÃO -

Dentro e Fora da porteira !!!!!!!!!! Trocas por produtos Futuros Marketing Certificação ?


8- POLÍTICA - Mercado Livre X Protecionismo - Estrutura da cadeia cafeeira (muito organizada) - Muito Cuidado: “Toda regra tem exceção.” mas “nem toda exceção vira regra.” (produtividade, custo de produção e preço de venda do café -micro lotes)

9- SAFRAS BRASILEIRAS

(números absurdos e sem confiança)

O que vocês acham dessa safra de café 2013 / 2014 ? Alta conforme a CONAB ! Isso é reflexo de que ? •

Governo (incentivo ao plantio ?)

Preço (R$500,00 aumento dos tratos culturais ?)

Trabalho = sangue + suor + lágrimas do produtor brasileiro !


CONCLUSÕES: ●

Não chegamos em nenhuma (há várias);

cada cafeicultor é diferente entre si;

paradigmas têm que ser quebrados;

cafeicultura sustentável é aquela que sustenta o produtor (Malavolta); precisamos mudar alguma coisa...


MUITO OBRIGADO

ENG.º AGRÔNOMO ERIC MIRANDA ABREU R. Domingos Monteiro de Resende, 70 Fones: CEP 37190-000 – Três Pontas - MG

(35) 3265-3080 esc.

(35) 9971-8900 cel.

e-mail ericmirandaabreu@yahoo.com.br

Manejo safra zero e a colheita mecanizada Parte II  

Eric Miranda Abreu - Abrexia

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