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# 1 . DEZ 2014

cria d o em portug a l com org ulh o portug uĂŞs


EDIÇÃO 1 . DEZEMBRO 2014

F u n d a d o r / D i re c t o r C r i a t i v o Bruno Fonseca Fashion Editors: J o a n a va n H e l l e m o n d , João Barriga, Pedro Nicolau Design Triplesky Fotografia J o a n a va n H e l l e m o n d , Taya M a r i a , Va s c o c é l i o Carla pires Jornalista S a r a A lv e s Contactos W e b : w w w. r e p t o . p t G e r a l : i n f o @ re p t o . p t Fa c e b o o k : w w w. f a c e b o o k . c o m / r e p t o . p t P i n t e r e s t: w w w. p i n t e r e s t . c o m / r e p t o 7 4 I n s ta g r a m : w w w. i n s t a g r a m . c o m / r e p t o 7 4


www.paulinospectacles.com


INDEX

Vestir a Pele. João Vieira, um dos tatuadores portugueses mais aclamados, fala um pouco sobre o seu percurso, a sua obra e planos para o futuro. Pagina

12 CAPA #1 Fotografia: Carla Pires Styling: Ricardo Aço & Pedro Nicolau P ro d u ç ã o : J o a n a va n H e l l e m o nd Maquilhagem: M i g u e l S ta p l e t o n Modelos: Vitor Correia & Alice Contreiras

Novos Deuses. A 2ª colecção Repto já está nas ruas. Pagina

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O Palhaço Triste. Menau, o controverso artista, aceitou o repto que lhe foi lançado e deixou a sua marca na montra da loja âncora Repto. Pagina

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Repto apoia a Cultura. A subida aos palcos no Teatro Nacional DªMaria II. Pagina

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Simetria da Perfeição. Alice Contreiras revelanos a pessoa que está por trás de um dos rostos portugueses mais bem sucedidos no mundo da moda. Pagina

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TUGAS De onde vem a actual identidade Portuguesa? Vem do distante passado das nossas glórias e conquistas ou do (também) distante passado e presente das nossas derrotas? Culpabilizamos ciclicamente os outros pelos nossos infortúnios, desculpando assim esta nossa atitude do “deixa andar”. Olhamos para fora à procura de respostas iluminadas e descartamos as vozes que por cá se tentam fazer ouvir contra os brandos costumes. O Repto é mais uma voz que junta às que se tentam fazer ouvir no meio deste turbilhão de silêncio e berros. Acreditamos ferreamente no valor de Portugal e isso inclui os Portugueses, cultura, marcas e produtos, compreendendo que nenhum sucesso se atinge sem insucessos à mistura. Numa altura em que o mundo está num profundo processo de convulsão e assimilação face a todas a mudanças em curso, todas as culturas e sociedades estão à procura do seu lugar e identidade no futuro. É uma oportunidade de ouro para definirmos a nossa e esta revista espera dar o seu sincero contributo para que tal aconteça. Todos temos um papel relevante em qualquer desfecho do nosso país, e não fazer nada não é ficar neutro, é na realidade uma tomada de posição, um acenar de cabeça que tudo vai bem. É imperativo sair de uma vez por todas do falso conforto do anonimato, resistir à tentação da crítica fácil e compreender que há uma linha que separa a humildade do servilismo e a confiança da arrogância. Não podemos permitir que sejam os compradores e vendedores de Nações a definir quem somos. Porque, sejamos sinceros e realistas, apenas um grupo de pessoas tem real interesse que Portugal se erga de novo: os Portugueses. E a pergunta que fica é: Quem são os Portugueses?


www.portugaljewels.com

Uma tradição portuguesa Acreditamos que a nossa ourivesaria tradicional representa a excelência da qualidade de produção manufacturada portuguesa e sabemos que a sua qualidade é reconhecida além fronteiras. Procuramos a qualidade e apostamos nas oficinas com produção tradicional para lhe oferecer o que de melhor e mais único se produz em Portugal no sector da ourivesaria.


As mãos de ouro de João Vieira já “vestiram” inúmeras pessoas com as suas obras de arte. Fomos conhecer o artista recentemente galardoado pela reconhecida associação internacional “True Artist”, que no dia-a-dia não abdica de desenhar, do Rock ‘n’ Roll e da sua família. Te x t o : SARA ALVES

F o t o g r a f i a : VASCO CÉLIO / S T ILLS

vestir A PELE O tempo de espera para ser tatuado por ele, é em média, dois a três meses. Exerce há quase 20 anos e é um dos mais respeitados tatuadores portugueses. Nasceu em Olhão há 40 primaveras, e faz parte da segunda geração de tatuadores em Portugal. Diz que o Algarve é a sua vida, “é aqui que me sinto bem”, e bastou-lhe viver 10 anos em Lisboa e algumas viagens, para perceber que era no sul que queria passar o resto dos seus dias. Recorda-se de ainda pequeno rabiscar tudo o que pudesse: até os testes da escola. Mais tarde, experimentou diversas artes como a banda desenhada, o graffiti e até mesmo escultura na Faculdade de Belas Artes. Até, ter conhecido a arte da tatuagem. Desde então, teve a certeza que era isto que queria fazer e a sua vida ganhou um outro sentido. Hoje afirma sem dúvidas, que tem “a melhor profissão do mundo”.


P o r m e n o re s d e a l g u n s d o s t r a b a l h o s d e J o 達 o Vi e i r a


This Page: L o r e m Ip s u m D e s c r i pt o f Tatt o o w o r k

João, explica que ganhou o gostou pelo desenho com o pai, de quem acredita ter herdado o talento: “ele era eletricista náutico, mas tinha muito jeito para o desenho, era o seu hobby”. Hoje espera poder passar o seu legado artístico pelo menos um dos seus filhos. “Todos têm à disposição folhas, canetas e pincéis espalhados por toda a casa” mas diz que “serão o que tiverem de ser”. A primeira tatuagem que recebeu surgiu aos 22 anos. Escolheu tatuar o “João Motão”, personagem que o próprio criou para a banda desenhada do Moto Jornal, com quem colaborava. Simbolizava o seu próprio ego, e “fazia tudo o que eu não podia fazer”. Não só esta mas todas as tatuagens que tem no corpo, foram desenhadas por si.

As tatuagens são a história da nossa vida.

A aventura por tatuar os corpos dos outros começou quando comprou as máquinas a alguém que “não tinha jeito para aquilo”. Recorda que na época trabalhava na Força Aérea Portuguesa, onde durante 5 anos fez as comunicações com militares espalhados pelo mundo. Também aí era conhecido pelo desenho, pois “passava muitas horas do serviço a fazer caricaturas” dos colegas de trabalho. Lembra-se de estar “ansioso por começar”. No primeiro dia, e apesar de não ter qualquer formação ou orientador, fez testes em pele de porco. Já no segundo dia, conseguiu convenceu um amigo a tatuar um dragão: “era para ser algo pequeno mas no final saiu de lá com meio braço preenchido”. Correu bem! Hoje continuam amigos, “a tatuagem está porreira e já voltou a ser tatuado por mim”.


A aparência não significa nada. Há muita gente que avalia os outros pela aparência mas depois são burlados pelo ‘senhor do fato’.

Uma semana depois montou um pequeno estúdio de tatuagem em casa, e quinze dias depois foi convidado para trabalhar no mais conceituado estúdio português da época, o “El Diablo”. Abriu a sua primeira loja em 2000 e neste momento tem 3 espaços: a “Lucky Thirteen” de Faro e Albufeira e a “Giant Thirteen” em Friburgo, na Suiça. No total, possui 7 colaboradores que ele mesmo faz questão de formar. Diz que “há muita gente que se quer formar comigo mas eu só abro o curso quando preciso de alguém na equipa. Quase todos os tatuadores algarvios, ou a exercerem atualmente no Algarve, passaram pela minha casa”, explica. Os trabalhos que mais prazer tem em tatuar são o realismo, caras, animais, fotografias e desenhos livres. A tatuagem mais ridícula que se recorda de ter feito, consistia num desenho de catálogo, feito numa omoplata inteira e que era “basicamente, uma onda com um golfinho de pé numa prancha, vestido com uns calções e uma t-shirt de alças, óculos escuros da Ray Ban e a fazer um “ok”, com uma palmeira e um sol atrás”. “Esta foi a pior tatuagem que já fiz alguém, o ‘golfinho surfista’. Horrível! Hoje recuso-me a fazer trabalhos que não gosto, mas na altura não me podia dar a esse luxo”, recorda.


Espero que algum dia um dos meus filhos queira continuar o meu trabalho. Seria um orgulho.

O

JOKER Uma das suas mais complexas obras: o Joker


Gosto de estar com a minha família. São a base de tudo o que faço.

Conta que atualmente o seu tipo de cliente é mais velho, de “26 anos para cima, e já cheguei a tatuar uma avozinha! Quando trabalhava em Lisboa entrou-me pela loja uma avozinha com a neta: viram o catálogo e falaram sobre os desenhos. A neta ia sugerindo alguns, e fiquei com a impressão que a avó recusava todos porque não a autorizava a fazê-los. Quando finalmente escolheram, a miúda chega ao pé de mim e diz: ‘É esta’, ao que pergunto ‘Mas tens a certeza que é isto que queres fazer?’, e ela responde-me ‘Não é para mim, é para a minha avó!’. Conta que então a avozinha sentou-se no estúdio, de malinha no colo, cabelo branco, e tatuou “uma rosa no ombro. Foi muito engraçado! Depois explicou-me, que durante toda a vida quis ter uma tatuagem mas o marido não a autorizava. Como o senhor entretanto faleceu, ela estava agora a realizar o seu sonho”, relembra divertido.

João confessa que ainda há quem não se tatue por preconceito: “há muita gente que avalia os outros pela aparência mas depois são burlados pelo ‘senhor do fato’. Eu pessoalmente avalio as pessoas pela sua atitude. Os meus clientes vão desde a judiciária, a médicos, advogados, ou bandidos. A aparência não significa nada e as tatuagens são apenas a história da nossa vida”, afirma. O melhor reconhecimento que pode ter do seu trabalho não são diplomas ou certificados, mas sim “a cara das pessoas no final da tatuagem, e verificar que consegui superar as suas expectativas”. A única pessoa a quem diz que gostaria de oferecer uma tatuagem é “à minha mulher, ‘em casa de ferreiro espeto de pau’... já a desmarquei imensas vezes porque tenho sempre a agenda cheia. Estou a dever-lhe!”. É possível que um dia esbarrem com ele numa das suas lojas, concentradíssimo na elaboração da sua tatuagem, ao som da música psychobilly ou Rock ‘n’ Roll. O resto do tempo reserva-o à sua família, a qual diz ser “a base de tudo”.


NOVOS DEUSES Fotografia: Carla Pires Styling: Ricardo Aรงo & Pedro Nicolau P r o d u รง รฃ o : J o a n a va n H e l l e m o n d M a q u i l h a g e m : M i g u e l Sta p l e t o n Modelos: Vitor Correia & Alice Contreiras


Te x t o : SARA ALVES

F o t o g r a f i a : TAYA MARIA

O palhaço triste de ÉlSIo Menau

Em Agosto de 2014, um mês após a abertura da nossa loja no Fórum Algarve, lançamos o REPTO ao artista algarvio Menau. No âmbito da nossa filosofia de dar destaque e apoiar artistas portugueses, e impressionados com a originalidade, sentido crítico e profissionalismo do Menau, decidimos que seria o artista ideal para ilustrar pela primeira vez a nossa montra.


Élsio Menau, jovem quarteirense de 30 anos, actualmente licenciado em Artes Visuais dedica-se sobretudo à StreetArt, desenho e instalação. Regra geral, a sua arte apresenta sempre um forte cariz político e social. Viu a sua popularidade crescer exponencialmente quando em Julho de 2012 elaborou o trabalho “Portugal na Forca” para uma disciplina do curso na Universidade do Algarve, projeto que lhe valeu um visita a tribunal e muitas páginas na imprensa sob a acusação de crime de ultraje à bandeira nacional. Dividiu o país com a obra polémica. Explicou que apenas desejava “mostrar a indignação pelo estado em que está o país”, sem nunca pretender ofender a pátria ou ridicularizar a bandeira nacional. O Ministério Público acabou por absolvê-lo considerando que não tinha ficado provado que pretendesse ultrajar a bandeira, uma vez que a liberdade de criação artística, é garantida pela Constituição Portuguesa.

Viu a sua popularidade crescer exponencialmente quando em Julho de 2012 elaborou o trabalho “Portugal na Forca”


Após este episódio Menau lançou-se ao desenho na nossa montra, o qual elaborou durante várias horas e perante o olhar atento de várias centenas de pessoas. No final, o artista considerou esta “uma excelente iniciativa artística”. A obra elaborada ao vivo, consistiu num “palhaço triste” retratando desta forma uma sociedade infeliz, símbolo de um país desiludido. A ilustração final deste repto foi depois aplicada numa edição limitada de 100 t-shirts. Para 2015, o REPTO divulga desde já o nome do segundo artista que irá colaborar connosco. Está tudo a postos para receber a visita e o trabalho do talentoso Diogo Machado.


Te x t o : SARA ALVES

F o t o g r a f i a : B RUNO SIMÃO

REPTO apoia A cultura Numa iniciativa inédita, O REPTO decidiu apoiar a peça de teatro “Radiografia de um nevoeiro imperturbável” em cena no Teatro Nacional Dª Maria II, em Lisboa.


É a eterna juventude de quem tenta mudar, mesmo não sabendo o rumo certo.


A peça de teatro inspirada a partir da obra “Príncipe Bão” do dramaturgo Fernando Augusto, aborda o tema do sebastianismo. Conta a história de um Portugal do século XVI, que em muitos aspetos se assemelha aos tempos atuais, vividos em pleno século XXI. Na sinopse da peça lê-se: “é um reflexo de hoje onde o nevoeiro não te tolda, mas antes te impele a avançar. É a eterna juventude de quem tenta mudar, mesmo não sabendo o rumo certo, é o risco assumido de querer algo maior, é o compromisso com o lugar onde nasceste. Radiografia de um nevoeiro imperturbável é um grito suspenso, em espera, na boca de um povo que há-de vir”.

Radiografia de um n e v o e i ro i m p e r t u r b á v e l A peça esteve em exibição na sala e s t ú d i o d o t e a t ro , 5 v e z e s p o r s e m a n a , d e 1 3 d e N o v e m b ro a 7 d e D e z e m b ro , e c o n t o u c o m ro u p a s c e d i d a s p e l o R E P TO .

A peça de teatro sob a direção artística de Daniel Gorjão alimenta-se sobretudo da ideia de “portugalidade”. Tal como referiu o encenador “o espetáculo somos nós, os portugueses”, desejosos de quem nos salve, à espera no nevoeiro”. O REPTO espera continuar a apoiar e a divulgar eventos de importante cariz artístico e cultural para o país, quer a nível local, nacional ou até mesmo internacional.


LOOKBOOK F o t o g r a f i a : J o a n a va n H e l l e m o n d S t y l i n g : J o a n a va n H e l l e m o n d Modelo: gonรงalo leandro


BonĂŠ Cruz Cinzento 29,95 Sw e at m a n g a c u r ta c / c a p u z 3 4 , 9 5


Boné Cruz Preto 34,95 C a s a c o B o m b e r R e pt o 11 9 , 9 5


BonĂŠ Cruz Preto 34,95 Sw e at l o n g T u g a 4 1 , 9 5


Começou por brincadeira e curiosidade mas hoje é uma das modelos portuguesas mais bem sucedidas no mundo da moda. Durante muitos anos foi apenas “uma das gémeas”, praticamente sem identidade própria mas ela é muito mais do que uma metade da dupla. É por isso que o REPTO dá-lhe total destaque nesta edição.


Te x t o : SARA ALVES

F o t o g r a f i a : C a r l A P i r ES

Simetria da perfeição Não são todos os dias que se conseguem faturar 15 mil euros por um trabalho, mas Alice tem o talento, a beleza e experiência para o conseguir. Se aos 16 anos conquistou Portugal, aos 19 conquistou o resto do mundo. Com 24 anos fez de Nova Iorque a sua casa. Trabalhou com nomes internacionais como Steven Meisel ou John Galiano, e nacionais como José António Tenente, Nuno Baltazar ou Ana Salazar, e a sua carreira ainda vai a meio. Nasceu a 24 de Fevereiro de 1987 e cresceu no Parragil, Algarve, mas cedo deixaria o país em busca de voos maiores. Tudo começou com o Concurso Cabelo Pantene que venceu em 2003: “foi aí que

dei o grande salto”. De repente estava em anúncios televisivos, revistas, vitrines, em todo o lado! “Participei por curiosidade e para experimentar, mas acabei por ganhar o concurso. Foi uma grande surpresa”, relembra. No entanto, garante que “sempre tive os pés muito assentes na terra e nunca me deixei deslumbrar”. Aos 17 anos foi agenciada pela Central Models e aos 19 mudou-se para Paris. Recorda-se perfeitamente do seu primeiro dia na capital francesa: “deram-me 7 castings onde me devia apresentar. Não conhecia ninguém nem nada da cidade. Foi um choque!”. Desde aí nunca mais parou, tem um currículo invejável e trabalhou por todo o globo: desde Lon-


... sinto que a modai está a mudar. Há cada vez mais modelos plus size e interesse na diversidade. Em Nova Iorque já não há um estereotipo tão padronizado.

dres, Paris, Coreia do Sul, Hong Kong, Marrocos, Seicheles, Dubai ou Nova Iorque, onde viveu os últimos dois anos. Na bagagem traz imensas histórias que viveu, e relembra de forma divertida uma delas: “uma vez na Ásia, morei com uma modelo que certo dia ficou muito mal disposta. Perguntei-lhe o que tinha comido, e ela respondeu que estava a fazer a ‘dieta do atum’. Mais tarde descobrimos que afinal andava a comer comida de gato! Não tinha entendido as legendas no supermercado!”. Questionada sobre se concorda com o estereotipo universal das modelos responde que “às vezes penso que é um exagero o que se pede às manequins!

É muita pressão para emagrecerem principalmente as miúdas novas. É claro que é preciso ter cuidados básicos com a pele e o cabelo, mas também sinto que a moda está a mudar. Há cada vez mais modelos plus size e interesse na diversidade. Em Nova Iorque já não há um estereotipo tão padronizado”. Diz que sente mais prazer em fazer trabalhos como fotografia e passerelle onde pode interpretar diferentes papéis, do que fazer catálogos online ou showroom, onde precisa de vestir imensas peças de roupa ou desfilar para clientes privados durante horas. No entanto, confessa que o maior sacrifício que tem de fazer nesta profissão é “estar longe da família e dos


amigos, bem como o fato de não poder planear nada porque os trabalho surgem de um dia para o outro. Vivo ansiosa”. Para além disto, existem coisas que enquanto modelo, gostaria de fazer mais não pode, como “comer 10 hambúrgueres por dia ou não ir tantas vezes ao ginásio”, diz divertida. Uma das suas grandes ambições profissionais é, um dia conseguir desfilar no evento anual da Victory Secret. Um sonho que espera ainda vir a realizar.

Quando terminar a carreira na área da moda, quer dedicar-se à representação, pois adora cinema e gostava de apostar na sétima arte. Nos tempos livres faz vídeos cómicos que publica nas redes sociais: “gosto de fazer humor, de fazer os outros rir”. Seja no mundo da moda ou da representação, esperamos poder continuar a acompanhar e a usufruir do talento desta jovem portuguesa, que tão bem tem representado Portugal no exterior.

sempre tive os pés muito assentes na terra e nunca me deixei deslumbrar.

A l i c e Co n t r e i r a s N a s c e u a 2 4 d e F e v e re i ro d e 1 9 8 7 e c re s c e u n o P a r r a g i l , A l g a r v e . Se aos 16 anos conquistou Portugal, a o s 1 9 c o n q u i s t o u o re s t o d o m u n d o . C o m 2 4 a n o s f e z d e N o v a I o rq u e a sua casa.


Nos bastidores Te x t o : SARA ALVES

F o t o g r a f i a : VASCO CÉLIO / S T ILLS

DE CORPO E ALMA Aos 23 anos, Joana van Hellemond merece o nosso destaque! Entrega-se de corpo e alma ao conceito e movimento do REPTO e é uma das mais importantes membros da equipa. A algarvia é uma peça essencial na dinâmica do conceito, e dedica 24 horas do seu dia a pensar em novas formas de inovar. Descendente de pais ligados à arte, desde cedo lhe foi incutido o gosto por diferentes áreas artísticas. Revela que “ainda em pequena senti que a arte era o meu futuro, só não sabia que tipo de arte!”. Não surpreende por isso, que tivesse seguido a área da fotografia e da moda. Aos 17 anos, deixou o Algarve rumo a Lisboa onde ingressou no IADE Creative University, estudando fotografia e cultura visual. A par disto, adquiriu ainda conhecimentos em multimédia, vídeo e cinema. Durante os quatro anos que residiu na capital, fez inúmeros trabalhos

em produção de moda, estética e styling, e ainda alguns anúncios televisivos. Aos 18 anos, já trabalhava a full time numa agência de modelos como fotografa. Quando regressou ao Algarve, a jovem talentosa viu a sua história cruzar-se com a do REPTO. Foi desafiada a integrar o movimento e aceitou imediatamente. Hoje, reconhece que se sente feliz e realizada com esta colaboração. Atualmente as suas tarefas passam por ser a cara da loja REPTO no Fórum Algarve, em Faro, juntamente com o José Pedro Semião e a Tatiana Viegas. Na loja onde desempenha um papel ativo, explica que “o meu ponto forte é a organização. Gosto de ter tudo no sítio certo”. Para além disto, Joana é também a responsável pela produção de todas as sessões fotográficas para a marca, e por vezes, assume mesmo o papel de fotógrafa.


Na sua opinião, é normal os colaboradores do REPTO exercerem várias funções em simultâneo, até porque trabalham muito em rede: “estamos em constante contacto e há muita troca de ideias e informações”. Há uma entrega diferente nestes colaboradores pois vão muito além daquilo que lhes é pedido. Joana confessa que fazem-no porque querem, e podem: “é bom sentir que

podemos dar um pouco mais de brio, e que a nossa opinião e contributo são valorizados”. “Aqui não estamos de braços atados. Tudo está sempre em movimento. Estamos permanentemente em processo criativo. Completamo-nos com os nossos diferentes saberes e conhecimentos”, explica orgulhosa.


Vejo o REPTO como um exemplo para outras marcas portuguesas. Faço aquilo que gosto e sou feliz.

A verdade é que sente que as conquistas do REPTO são também as suas e exemplifica dizendo que “no início lembro-me de dizer ‘tu devias’. Agora digo ‘nós devíamos’, porque a marca passou a ser algo nosso”. Termina a sua partilha com uma frase do escritor José Luís Peixoto: “o impossível é não viver”, para explicar que no

REPTO o seu papel e contributo não são limitados e que todas as ações têm um impacto e mensagem. “Tudo precisa de ser cuidado, pensado e adorado. É preciso gostar-se daquilo que se faz e fazê-lo com muito amor”, e ela é de fato, a prova viva desta forma de estar na vida.


www.carapauproductions.com


M A G A ZINE

www.repto.pt

M A N I F E S T O : Os tempos são turbulentos. Os profetas estão doentes. A fibra que unia o mundo está velha, gasta e em ruptura iminente. O medo e a dúvida propagam-se à velocidade de um clique. Portugal está completamente à deriva e ao sabor das tempestades. Entregámo-nos a um sono embriagado num dia em Abril, para acordar quase 40 anos depois num pesadelo. Fomos tranquilamente caminhando para um abismo como carneiros dormentes para o matadouro, desta vez sem o chicote atrás mas com o cravo à frente dos olhos. Mas com passar dos anos foi semeado o descontentamento surdo e mudo e as novas vontades, os novos sonhos, as novas visões estão agora a romper, com talento e engenho, a lata de sardinhas que nos conservou até mumificarmos. São tempos novos, virgens, que precisam de novas linguagens mas não de uma nova Língua. Agora é a nossa vez. Vamos suar, havemos de cair, de levantar sem lamentos e lutar. Só contra a corrente conhecemos a nossa força. A nossa diferença tem de ser difícil de imitar. A coragem é tão contagiante como o medo. Se não acreditas é porque não estamos a falar contigo.

Tvga#1  

A primeira edição da e-mag oficial REPTO. Um olhar diferente do REPTO sobre Portugal e os Portugueses que se esforçam para levar o seu talen...