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Encanto e ImponĂŞncia na Atenas do Sul

Milane Soares da Fonseca


Encanto e Imponência na Atenas do Sul Milane Soares da Fonseca Instituto Federal Sul-Rio-Grandense - Campus Pelotas Coordenadoria de Design Curso Técnico em Comunicação Visual Disciplina de Laboratório de Criatividade Professora Ruth Lerm Trabalho: Projeto Experimental Livro de Artista Módulo: 4 Aluno: Milane Soares da Fonseca Pelotas: novembro de 2012


Introdução Nasci no interior de Canguçu. Cresci com a imagem de Pelotas como uma cidade grande e incrível! Tudo o que não poderia ser encontrado em Canguçu, poderia ser em Pelotas. Minha cidade está crescendo e hoje já não somos tão dependente da nossa vizinha e já sei de pelotenses que vão fazer compras em Canguçu, mas isso não quer dizer que minha admiração pela Capital do Doce tenha diminuído. Quando adolescente, fui aprovada para o curso de Turismo, na Universidade Católica de Pelotas. Era o que eu precisa para conhecer Pelotas e passar a admirar sua história, parte importante na formação do Rio Grande do Sul. Sou uma apaixonada por história

e acredito que só gostamos do que realmente conhecemos. Ao entender a história de uma cidade, seus habitantes passam a ter um outro olhar sobre ela. É assim em qualquer lugar. Pelotas se desenvolveu ao redor das charqueadas e teve grande esplendor cultural. Conhecida como Atenas do Sul, foi um centro comercial muito importante. Seus casarões guardam, até hoje, histórias incríveis. Por que não se orgulhar disso? Certa vez, ouvi alguém dizer que parece que Pelotas se esconde. E é isso que sinto. A partir de agora iremos mergulhar na história de prédios incríveis, que guardam segredos maravilhosos...

Surgimento de Pelotas A cidade se desenvolveu ao redor das charqueadas e teve grande esplendor cultural. Os filhos dos ricos charqueadores completavam seus estudos na França e na Inglaterra. Seus prédios luxuosos lembravam as cidades europeias, e o modo de vida dos pelotenses também. Amantes das artes, óperas e teatro, a população viva em busca do aperfeiçoamento cultural.

charqueador português José Pinto Martins. A prosperidade do estabelecimento estimulou a criação de outras charqueadas e o crescimento da região, dando origem à povoação que demarcaria o início do município de Pelotas. Com o sucesso desta indústria, os charqueadores, dispondo de duas estações amenas, construíam palacetes para suas habitações e promoviam a cultura e a educação, no ambiente urbano.

Por seu esplendor, Pelotas era conhecida com Atenas do Sul.

A Freguesia de São Francisco de Paula, fundada em 7 de Julho de 1812 por iniciativa do padre Pedro Pereira de Mesquita, foi elevada à categoria de Vila em 7 de abril de 1832. Três anos depois, em 1835, a Vila é elevada à condição de cidade, com o nome de Pelotas.

Na wikipedia vemos: “ A história do município começa em junho de 1758, através da doação que Gomes Freire de Andrade, Conde de Bobadela, fez ao Coronel Thomáz Luiz Osório, das terras que ficavam às margens da Lagoa dos Patos. Em 1763, fugindo da invasão espanhola, muitos habitantes da Vila de Rio Grande buscaram refúgio nas terras pertencentes a Thomáz Luiz Osório. Mais tarde, vieram também os retirantes da Colônia do Sacramento, entregue pelos portugueses aos espanhóis em 1777. Em 1780, instala-se em Pelotas o

Nos primeiros anos do século XX, o progresso foi impulsionado pelo Banco Pelotense, fundado em 1906 por investidores locais. O nome do município, “Pelotas”, teve origem nas embarcações de varas de corticeira forradas de couro, usadas para a travessia dos rios na época das charqueadas.”


Charqueada Santa Rita

A Charqueada Santa Rita, antiga Charqueada de Inácio Rodrigues Barcellos, foi construída em 1826 em estilo Colonial. Com uma arquitetura muito bem cuidada e um extenso jardim centenário, ainda mantém vivo o reflexo do esplendor que foi, um dia, a cidade de Pelotas. A família Rodrigues Barcellos deteve o maior número de charqueadas em Pelotas. A Santa Rita ficava localizada entre as charqueadas de Gonçalves Chaves (atual São João) e a de Cipriano Rodrigues Barcellos. Há publicações que dizem que

nos inventários realizados em 1863, na Santa Rita haviam 30 escravos. Foi nessa charqueada que se instalou a primeira fábrica de enlatados de carne da cidade de Pelotas, denominada popularmente como fábrica de línguas. Este foi o ponta pé inicial para o desenvolvimento de frigoríficos na região. Atualmente possui uma Pousada de Charme, com móveis e utensílios originais da casa, que recebe muitos hóspedes ilustres.


Charqueada São João

Construída em 1810, situada na margem direita do Arroio Pelotas, foi de propriedade do português Antônio Gonçalves Chaves. Foi construída em estilo colonial, é uma construção térrea com pátio interno, formando um retângulo. Inicialmente, a construção foi erguida com uma cozinha em anexo. Em um outro momento, foram construídas as alas leste e sul, formando um C, com pátio de serviço aberto ao centro. Finalmente, uma ampliação serviu para fechar o pátio central,

por meio da construção de um depósito. Ainda possui a senzala e um jardim com estátuas do Porto, fontes d’água e figueiras antiguíssimas. Auguste Saint Hilaire, a descreve em seu livro “Viagem ao Rio Grande do Sul”: Margem do rio Pelotas, 6 de setembro, 1820. “Dada a hora avançada de nossa chegada a casa do Sr Chaves, nada pude dizer ainda a respeito. A casa está situada do modo mais favorável, pois

os iates podem chegar até junto dela. A residência do proprietário é de um pavimento apenas, porém grande, coberta com telhas e um pouco elevado do solo. Interiormente é dividida em grandes peças que se comunicam umas com as outras e que ao mesmo tempo se abrem para fora. Hospedaram-me num quarto pouco iluminado, dando para uma sala de refeições, gênero de distribuição comum em todo Brasil. Mesas, cadeiras e canapés compõem o mobiliário

do Sr. Chaves. As cômodas e as secretárias são móveis completamente modernos no Brasil e somente encontradiços em um número exíguo de casas.O rio Pelotas tem quase a largura do Essonne em Pithiviers, passa ao lado da habitação serpenteando em uma vasta planície, tendo ao lado oposto uma pequena encosta, onde se vêem algumas casas cobertas de telha. Diante da residência do Sr. Chaves estende-se um belo gramado e além vêem-se várias fileiras, compridas, de grossos paus fincados na terra. Têm


cerca de quatro pés, sendo cada um terminado por pequena forquilha. Essas forquilhas recebem varões transversais destinados a estender a carne seca no tempo das charqueadas. Ao lado desses secadouros existe o edifício onde se salga a carne e onde é construído o reservatório, denominado de tanque”. A fachada principal apresenta sete aberturas, cunhais1 , soco, beiral2 com cimalha3 e calçada. Foi cenário da minissérie A Casa das Sete Mulheres e abriga fotos das gravações e autógrafos dos atores. A origem do nome Charqueada São João foi, provavelmente, uma homenagem de Antônio José Gonçalves Chaves ao seu filho João Maria. Os filhos de Gonçalves Chaves, Antônio José e João Maria, herdaram as propriedades que foram de seu pai. A charqueada passou, mais tarde, ao genro de João Maria Chaves, Jacinto Antônio Lopes Filho, casado com Maria Salomé Chaves. No início do século XX, a propriedade pertenceu a João Tamboridengui. Em 1952 foi comprada por Rafael Dias Mazza, como presente para sua esposa Nóris Moreira Mazza. Em 2000 passou a oferecer visitação pela propriedade, sendo um dos lugares mais visitados no Estado.

1Ângulo saliente formado por duas paredes de um edifício. 2Última fileira de telhas que forma a aba do telhado, constituindo 3Moldura

a parte avançada deste sobre o corpo do edifício. saliente à superfície, com o fim de arrematar o alto das paredes externas.


Biblioteca Pública Municipal

Casas Geminadas

A Biblioteca foi fundada em 1875, por diversos senhores da sociedade de Pelotas, com o objetivo de colaborar para o conhecimento intelectual e cultural dos moradeores desta cidade. Em 1878, João Simões Lopes inaugurou os alicerces do prédio, que foi projetado por José Izella Merotte e construído com doações da população, que mandava trazer da Europa vários materiais de construção, como os marcos de pedra e o arco de granito da entrada principal, vindos de Portugal. As pessoas menos abastadas também deram sua contribuição, doando madeira, pregos, cortinas, além de dinheiro, arrecadado em quermesses e bazares. Entre 1911 e 1913, sofreu acréscimo de um segundo piso, projetado por Caetano Casaretto. O prédio possui colunas e pilastras, tendo o acesso central marcado por um frontão4 sustentado simetricamente por cariátides5 , balcões e sacadas de púlpito. Um globo fica acima da construção, simbolizando a sabedoria e símbolo máximo do Positivismo. Há várias pinturas na parte interna do edifício. A Biblioteca Pública possui um Museu, que dispõe várias peças históricas desde o período da Pré-História até o século XIX, e está aberto a visitação. No segundo andar da instituição, há um acervo dos principais jornais de Pelotas, também aberto a consulta. 4

Conjunto arquitetônico de forma triangular que decora normalmente o topo da fachada principal de um edifício. 5 Colunas com a forma de estátuas de mulheres.

Conjunto de duas casas geminadas, rebatidas, com acesso central, sugerindo uma casa única. Com estilos arquitetônicos Neoclássico e Renascentista, presente nos elementos utilizados nas fachadas, como arcos plenos, platibandas vazadas e frontões triangulares interrompidos. Possui elementos do Maneirismo e Barroco como os consolos que sustentam as sacadas e frontões preenchidos com

rosetas e arrematados por pinhas. As duas casas foram construídas pelo Comendador Joaquim Assumpçao para suas duas filhas, Judith e Francisca Augusta, entre 1911 e 1912. O projeto foi trazido da Inglaterra e executado por Caetano Casaretto. Na lateral está presente o estilo Art Nouveau na composiçao da estrutura metálica dos vitrais da janela e do óculo.


Quartel Legista - Casa da Banha

Casarão 2

Durante a Revolução Farroupilha (1836), serviu de quartel general a Manuel Marques de Souza - Conde de Porto Alegre, que comandava dois batalhões, um deles de soldados portugueses. Resistiu durante dias, ameaçado pela fome e sede, e ainda ter seu paiol explodido pelos tonéis de pólvora dos Farrapos. Entregou-se e foi preso.

Construído em 1830, inicialmente em estilo Colonial, de telhado com beiral, foi propriedade do charqueador José Vieira Viana. Em 1880 foi adquirido pelo charqueador José Antônio Moreira (Barão de Butuí), que o presenteou a seu filho Ângelo Gonçalves Moreira. Houve, nessa época, uma reforma. Para tal, foi contratado o arquiteto José Izella Merotte, que a identificou com as casas vizinhas,

O prédio, dentre as várias modificações e descaracterizações, teve o telhado com beiral modificado em 1926, recebendo uma platibanda cega. O sobrado também foi sede da Câmara Municipal, redação do jornal Diário de Pelotas, Colégio José Seixas, Colégio Salvador, e de seu sucessor Bernardo Taveira Júnior, Colégio do Dr. Braziliano da Costa e Silva, estação telegráfica, sede da União Republicana, sede da Igreja do Redentor, Quartel da Polícia, Prisão de Miguel Barcellos, sede da Sociedade Eutherpe Musical, Clube Carnavalesco Demócrito. Desde de 1921, passou a ser propriedade do Clube Caixeiral.

construindo mais um pavimento e o coroando com uma platibanda vazada e frontões. Além disso, houve a aplicação de pilastras sobre as paredes, e a adoção das diferentes ordens de origem greco-romana, e do enquadramento e emolduramento das aberturas. Do mirante, no alto do prédio, pode-se ver o movimento no canal São Gonçalo.


Casarão 6

Casarão 8 Construída pelo arquiteto José Izella Merotti, em 1878, para servir de residência para a família do Conselheiro Francisco Antunes Maciel, filho do tenente-coronel Eliseu Antunes Maciel. Construção de esquina com recuos lateral e frontal formando acessos com jardins; possui porão alto com sacadas e

O Casarão 6 é uma construção de José Izella Merotte, em 1879. Seu primeiro morador foi o Barão de São Luís, Leopoldo Antunes Maciel, ficando de herança para uma de suas descendentes, D. Othília Maciel, casada com o Sr. José Júlio Albuquerque Barros, que foi prefeito de Pelotas. É a casa central do maior conjunto arquitetônico Neo-Renascentista preservado na América Latina.

6 Torre

larga, com ameias.

É um prédio simétrico, possui recuo com jardim, que aliado cria uma planta em forma de “H”. Sua fachada com porão alto possui sacadas e uma varanda formada por um jogo de arcos e colunas, cujo acesso é feito por escadaria dupla. O coroamento da edificação, em platibanda mista, torna-se diferenciado no torreão6 central, onde este é feito com um frontão triangular, sendo que ambos sustentam belas estátuas

platibanda mista, com frontões curvos, vasos e estátuas e possui uma clarabóia sobre um hall de distribuição do bloco de esquina, iluminando a circulação. No interior, possui forros trabalhados em estuque com relevos em gesso. As varandas são decoradas e protegidas por lambrequins confeccionados em madeira.


Mercado Público Municipal Com a aprovação da Construção em 1846, foi elaborado o projeto do Mercado, mas a Câmara Municipal não conseguiu recursos para sua construção. Em 1849, Roberto Offer apresentou à Câmara um outro projeto, considerado de valor muito alto, mas de boa qualidade. Este projeto consistia em um prédio quadrado, com pátio central e acesso pelas esquinas. Possui o formato de uma fortaleza e foi construído entre 1848 e 1853. Foi desenhada por Rafael Mendes de Carvalho. Inicialmente possuía abóboda e

Terraço no teto de casas ou torres.

sotéia , mas foi reformado entre os anos de 1911 e 1914, quando seu estilo foi alterado, adquirindo inspiração Art Nouveau, possibilitando maios comodidade para o público. Na planta de 1914 o partido e a volumetria modificaram-se, fazendo com que os acessos ficassem centralizados nas fachadas e torreões nas esquinas, com suas circulações internas em cruz, com um arcabouço central apoiado em 74 colunas de ferro, com tesouras ligadas por vigas de ferro abertas em ogivas e com vitrais nas

ogivas laterais. A torre foi inspirada na Torre Eiffel. Seu farol emanava uma luz forte, que era vista de longe e por muito tempo identificou a cidade. A torre do relógio e o farol de ferro foram importados de Hamburgo (Alemanha). Na noite do dia 04 de setembro de 1964, um incêndio destruiu o prédio, ficando em pé apenas as paredes externas. O Mercado Público tem hoje, cerca de 120 bancas.


Clube Caixeiral

Grande Hotel

O Clube Caixeiral nasceu da luta de alguns caixeiros pelotenses que conquistaram o direito de descansar, “a partir das 15 horas”, aos domingos e feriados. Foi construído e projetado por Caetano Casaretto, em 1879.

e Hefesto (Indústria). No início, a fachada possuía duas torres, que foram demolidas. A fachada lateral tem o acesso formado por átrio com colunas duplas de capitéis jônicos, colocadas sobre pilastras, sustentando um terraço com balaustrada7 .

Em 1924, o Dr. Fernando Luis Osório fez a doação do terreno para a Cia. Incorporadora Grande Hotel, no local onde funcionava o Cinema Politeama. O projeto foi escolhido através de concurso, e o vencedor foi Theófilo Borges de Barros.

É um edifício de três andares e possui terraços e pavilhões. As portas-janelas do primeiro pavimento tem bandeiras em arcos plenos, abrem-se para sacadas individuais com parapeitos de ferro; as janelas do segundo e terceiro pisos são retangulares, com bandeiras no mesmo formato. Apresenta uma série de elementos decorativos externos, como pilastras, colunas, óculos, platibandas vazadas e cegas, frontões curvos, e figuras mitológicas gregas: uma musa porta um livro e outra uma lira, representando a literatura e a música, evidenciando as funções recreativas e culturais da edificação; outras esculturas representam deuses como Hermes (Comércio)

Os pavilhões laterais são encimados por frontão decorado, o da esquerda por instrumentos musicais e máscaras representando o teatro, a poesia e aos bailes carnavalescos que aconteciam no clube; o da direita possui mastros com bandeiras, âncoras e espadas (representando as conquistas marítimas), cornucópias8 que derramam moedas de ouro, espigas de milho e cachos de uva (a produção e riqueza) e ainda palavras inscritas: “Economia, Actividade e Prudencia”. Nele funcionou a primeira Academia do Comércio, na qual formava bacharéis em Ciências Comerciais.

A pedra fundamental foi lançada em 1925 e o prédio foi inaugurado em 1928. O prédio tem quatro andares, construção de esquina com subsolo habitável, andar térreo mais elevado, andar nobre evidenciado na fachada e mansarda. Possui 76 quartos, 6 apartamentos tipo suíte, salão de chá, um grande vestíbulo coberto por clarabóia de vidros coloridos (importada da França) e restaurante. No vestíbulo encontra-se escadaria com piso em mármore e corrimão em ferro trabalhado. É em estilo Art Nouveau. No segundo pavimento, contém balcões sustentados por “cachorros”. Possui pavilhões laterais salientes arrematados com frontões, sobrepostos as platibandas com brasões do Hotel ornados por guirlandas de rosas. Na esquina, o acesso é marcado por um corpo arredondado coroado por uma cúpula de bronze, importada da França, que abriga em seu interior um alojamento sob a caixa d’água. O escritor e historiador Berilo Neves disse: “o Grande Hotel de Pelotas é um dos poucos ‘grandes hotéis’ do mundo que justificam seu nome”.

Os balaústres são elementos de ornamentação. Sua forma pode ser em pilastra abaulada, em estilo ou estampa grego Pan-helênico, Jônico com entalhes romanos ou uma forma eclética, etc. Também existe a tipologia formal composta por pilastra reta, sem entalhes ou só abaulada lisa. 8 é um símbolo representativo de fertilidade, riqueza e abundância. 7


Teatro Guarani Tudo começou com a vinda de uma impor-

tante companhia de teatro à cidade de Pelotas, o que motivou o coronel Rosauro Zambrano, abastado comerciante e charqueador pelotense, a idealizar o Theatro Guarany.

Naquela época, o único teatro que existia em Pelotas era o Sete de Abril. O Coronel Zambrano, um apaixonada por companhias de Ópera, era sócio deste teatro. Um dia, porém, ao pagar seu camarote, para assistir a um espetáculo, percebeu que seu local havia sido vendido para outra pessoa e a lotação do teatro estava esgotada. Com isso, Zambrano conseguiu apoio financeiro com Francisco Santos e Francisco Vieira Xavier, criando a empresa Zambrano, Xavier & Santos, que possibilitou a construção do teatro. Alguns anos após a inauguração, a sociedade foi desfeita, com a aquisição de todas as cotas pela família Zambrano. A família tem dirigido e preservado o teatro, tratando da sua conservação, sem sair de sua construção original, em estilo que se assemelha ao neoclássico. O Guarany sofreu apenas uma significativa reforma em 1970, com reparos no teto, danificado pelo tempo. A grande volumetria do prédio tem na sua fachada figuras e alegorias com motivos indígenas na platibanda vazada, e acesso marcado por avanço volumétrico formando um terraço, e marquise com linhas sinuosas do estilo Art Nouveau em ferro e vidro. Apresenta dois terraços laterais com colunas e pilastras dóricas que abrem portas para recreio dos ocupantes dos camarotes. Internamente, as pinturas do teto originais são de Willy Schmidt e Joaquim Lamas Filho. As escadarias, com balaustradas de ferro trabalhado em renda, e degraus de mármore acessam à primeira e à segunda ordens de camarotes. Seus materiais vieram de diversos pontos do país e do exterior: a cúpula metálica do teto e mobília do salão e secretaria são de Buenos Aires; a marquise e gradis vieram

da Fundição Indígena (RJ); os mármores e o pano de honra do teatro, da Itália; a mobília da platéia e camarotes, de Porto Alegre; as guarnições de veludo rouge dos parapeitos dos camarotes e cortinas, da Colchoaria Pelotense; e as esculturas em mármore foram executadas por Angelo Giusti. O Teatro Guarany foi inaugurado no dia 30 de abril de 1921, com a apresentação da ópera “O Guarany”, de Carlos Gomes, a cargo da Companhia Lírica Italiana Maranti . A data de 1920, estampada no tímpano

do frontão, comemora os 50 anos da estréia desta ópera no Teatro Scala de Milão. Possui 80 camarotes, escadarias ornadas de balaustrada de ferro trabalhado em renda, e degraus de mármore. Atualmente, o Teatro Guarany segue como casa de espetáculos e local de atos solenes, com destaque para cerimônias de formatura. Sua capacidade, somando camarotes e platéia, é de aproximadamente 1500 lugares. Possui mais 900 lugares na “geral” e 25 camarins para artistas.


Prefeitura Municipal Em 1879, Leopoldo Antunes Maciel, como presidente da Câmara Municipal, assinou contrato com o construtor Carlos Zanotta para a construção do edifício. Segundo alguns historiadores, o projeto é de autoria de José Izella Merotte. O prédio foi inaugurado no ano de 1881, para ser a sede da Câmara Municipal de Pelotas. O Sobrado possui porão seguindo as linhas estéticas do Ecletismo Histórico,

Bibliografia enriquecido por elementos neoclássicos. Acesso marcado por um pórtico que protege a pequena escada e sustenta a grande sacada. O coroamento do edifício é feito por um frontão curvo e platibanda vazada. Em 1884, foi o local em que foi assinada a Declaração de Libertação Escrava em Pelotas, quando foram libertados cerca de três mil escravos.

http://www.pelotasturismo.com.br/atracoes-turisticas/pelotas-cultural/#!prettyPhoto Acesso dia 12/09/12 às 15:19. www.charqueadasantarita.com.br. Acesso dia 12/09/12 às 16:00. http://conhecapelotas.blogspot.com.br/ Acesso dia 8/10/12 às 14:26. http://www.pelotas.com.br/desenvolvimentoeconomico/mercado-publico/arquivos/ Planta_Baixa_Mercado_Publico.pdf Acesso dia 8/10/12 às 14:28. http://www.pelotas.com.br/politica_desenv_economico/ste/atracoes_turisticas/pelotas_cultural_mercado_publico.htm. Acesso dia 8/10/12 às 14:32. http://theatroguarany.blogspot.com.br/p/historia.html 8/10 14:35 LEÓN, Zênia de. Pelotas Casarões Contam sua História. 1ª edição, 1994, OSORIO, Fernando. A Cidade de Pelotas. Volume 2, 3ª edição. Editora Armazém Literário LTDA. Pelotas


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