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Revista Oficial de Turismo da Bahia

Gratuita Novembro/Dezembro 2010 - ano 4 no 15 - Bahia - Brasil

Distribuição

Bahia é muito mais Verão

Nos próximos quatro meses o estado vai receber mais de 6,6 milhões de visitantes, que desfrutarão das praias, do clima, das festas, das belezas naturais e da convivência com um povo alegre, festeiro e hospitaleiro

Canudos não se rendeu Saga do beato Conselheiro atrai turistas para o sertão baiano Vapor do Vinho Embarcação turítica integra roteiro no Vale do São Francisco Cenário Primordial Cantada em prosa e verso, Bahia também imprimiu sua marca no cinema


www.bahia.com.br

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Eparrei,  Iansã! z Acácia Martins (texto) z RIta Barreto (foto)

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o dia 4 de dezembro, a cor vermelha domina o Centro Histórico de Salvador. É a homenagem dos baianos a Santa Bárbara dos católicos ou a Iansã dos adeptos do candomblé. Neste dia, a senhora das nuvens de chumbo, deusa dos raios, tempestades, ventos e trovões, reina absoluta na Bahia, como única divindade que sabe lidar com os espíritos dos mortos, os ancestrais ou eguns, como se diz no candomblé. Guerreira, destemida, sensual, dona da espada de fogo, Iansã ou Santa Bárbara é também a madrinha do Corpo de Bombeiros e padroeira dos mercados populares do centro antigo de Salvador. Na capital baiana, seu dia é comemorado com uma concorrida procissão pelas ruas do Centro Histórico e muito caruru no mercado que leva seu nome e em várias casas da cidade. As homenagens começam com uma missa celebrada na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, no Pelourinho. Depois, o cortejo segue pelo Terreiro de Jesus, Praça da Sé, Misericórdia, Ladeira da Praça, com direito a parada no Quartel do Corpo de Bombeiros, seguindo para o Mercado de Santa Bárbara, onde é servido um caruru de mais de 15 mil quiabos para a população. Santa Bárbara goza de grande popularidade entre os baianos. Segundo rege a lenda da Igreja Católica, Santa Bárbara era filha de um poderoso negociante do Oriente, chamado Máximo Dióscoro. Quando a filha decidiu se converter ao cristianismo,  foi severamente castigada pelo pai, que, para impedir sua fuga, trancou-a numa torre. Como não conseguiu demovê-la da ideia, Dióscoro decapitou a própria filha em praça pública, num dia de muita tempestade. No ato, porém, o pai de Santa Bárbara foi atingido por um raio e teve morte fulminante. Por isso, até hoje, a santa é invocada como protetora contra a morte trágica e os perigos de explosões, de raios e tempestades. Na mitologia dos africanos, Iansã, também de temperamento forte e audacioso, percorreu vários reinos em busca de conhecimento. Assim, ao visitar o reino de Ogum, que logo ficou perdidamente apaixonado por ela, Iansã aprendeu a usar a espada de Oxaguian; com Oxossi compreendeu a arte da caça; com Logun-edé, os trejeitos da pesca; com Exu, os mistérios do fogo; com Obaluaê passou a lidar com os mortos, os eguns. Mas foi com Xangô que Iansã conheceu o verdadeiro amor, passando a dividir com ele os poderes dos raios e do seu coração. 4 | Viver Bahia

Deusa dos Orixás Clara Nunes

Iansã, Cadê Ogum? Foi pro mar! Mas Iansã, Cadê Ogum? Foi pro mar! Iansã penteia Os seus cabelos macios Quando a luz da lua cheia Clareia as águas do rio Ogum sonhava Com a filha de Nanã E pensava que as estrelas Eram os olhos de Iansã Mas Iansã, Cadê Ogum? Foi pro mar!

Dia da semana: Quarta-feira Data: 4 de Dezembro Metal: Cobre Cor: Vermelho terra Comida: Cabra, galinha e acarajé Ferramentas: Espada e  eruexin (espanador de rabo de cavalo)

Na terra dos orixás Um amor se dividia Entre um deus que era de paz E outro deus que combatia Como a luta só termina Quando existe um vencedor Iansã virou rainha na coroa de Xangô Mas Iansã, Cadê Ogum? Foi pro mar!

Saudação: Eparrei!

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Índice 8

Carta da Redação Na Bahia se costuma dizer que o verão traz com ele a temporada de festas que só se encerra com o Carnaval. Como em 2011 a festa de Momo só acontece em março, a estação do sol promete, no mínimo, quatro meses de festas e esbórnia em território baiano. Festeiro, por natureza e excelência, o baiano não precisa de grandes justificativas para festejar. Seja um santo padroeiro, um dia especial ou apenas uma boa ideia, tudo é motivo de festa, de comemoração regada a

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muito axé e alegria. E o mais inusitado é que a primeira edição é sempre considerada também uma já tradicional festança. Para dar vazão a um calendário tão extenso de festejos, esta edição da Viver Bahia antecipa para você as maiores festas que acontecem entre dezembro e fevereiro. Mas não se assuste se, em cima da hora, aparecerem outras boas opções. Na Bahia é assim mesmo, cada dia traz consigo muitas e novas emoções.

Escreva, mande e-mail com sugestões de pautas, dicas, dúvidas, críticas e sugestões. comunicacao@setur.ba.gov.br

Me emocionei ao ler na revista a matéria “Novo reduto de fé e devoção”, pois sou devota de Nossa Senhora de Angüera e viajo todos os anos àquela pequena cidade para agradecer

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Ano 4 - número 15 - Novembro/Dezembro 2010 Uma publicação da Secretaria de Turismo do Estado da Bahia - Av. Tancredo Neves, Desenbahia, Bloco B, Caminho das Árvores, CEP 41.820-904 - Salvador, Bahia, Brasil Assessoria de Comunicação: 55 71 3116-4103 Portal de Internet: www.bahia.com.br Site institucional: www.setur.ba.gov.br e-mail: ouvidoria@setur.ba.gov.br

Governador: Jaques Wagner Secretário de Turismo: Antonio Carlos Tramm

Arembepe continua a mesma dos velhos tempos da geração paz e amor: linda, intocada e bucólica. Boa matéria pra matar a saudade. Orlando de Lira Mauá – RJ

turistas, visitantes e torcedores. Parabéns ao Governo do Estado pela iniciativa e à Setur pela publicação. Saulo de Brito Salvador - Bahia Erramos As fotos das páginas 42 e 44, da edição de setembrooutubro, são da fotógrafa Nara Gentil, e as fotos das páginas

Que venha a Taça! Salvador se prepara para receber bem

43 e 45 são do fotógrafo Diego Teschi.

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Ensaios de blocos agitam estação Imagem projetada nas telas do cinema

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Entrevista: Luiz Fráguas

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Vapor do Vinho integra roteiros em Juazeiro

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O que é que a baiana tem?

Chefe de Gabinete: Francisco Sampaio Presidente da Bahiatursa: Emília Silva Superintendente de Investimentos em Polos Turísticos: Clarissa Amaral Superintendente de Serviços Turísticos: Cássia Magalhães Editora responsável: Clarissa Amaral - DRT/ BA 956 - clarissa@setur.ba.gov.br

Estagiários: Clarissa Pacheco, Caroline Martins, Ricardo Costa, Leila Pereira, Karina Brasil, Mariana Lélis, Iara Adans, Leonardo Ferraz e Jamile Canedo Produção: Rhene Jorge, Viviane Santos, Cândice Rodrigues e Tereza Torres

por uma graça alcançada. Tatiana Mendonça Salvador – BA

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Governo do Estado da Bahia

Redação: Clarissa Amaral, Gabriel Carvalho, Eduardo Pelosi, Ana Paula Cabral, Acácia Martins, Simone Cabral, Tânia Feitosa, Daniel Meira, Silmara Menezes, Fernanda Freitas, Rita Barreto, Tatiana Souza, Adriana Barbosa e Tereza Torres.

A Redação

Carta do leitor

Salvador é linda até debaixo d’água! Parabéns aos editores pela matéria “Paraíso submerso”, publicada na última edição da Viver Bahia. Clóvis Antônio Imperatriz – MA

Viver Bahia - Revista Oficial do Turismo da Bahia

A Bahia é muito mais verão

Fotografias: Arquivo Setur - Bahiatursa Revisão: Tânia Feitosa

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Canudos não se rendeu

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Cabeça feita

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O doce charme das casas de chá

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Capoeira Lá-rá-lá

66

Calendário de festas populares já começou

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Legislação incentiva turismo na Bahia

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Turismo Religioso

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Cozinha Baiana

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Agenda Cultural

Capa (foto): Jota Freitas, tratamento Adenor Primo Planejamento gráfico: Yoemi e Ko Artes Visuais Fotolito e Impressão: Qualigraf Serviços Gráficos Viver Bahia é um título de propriedade da Empresa de Turismo da Bahia S. A. – Bahiatursa, Governo do Estado da Bahia.

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Itacaré, na Costa do Cacau, paraíso do surfe

Foto: Gabriel Carvalho

Foto: Gabriel Carvalho Foto: Rita Barreto

Alta Estação

Salvador une beleza, cultura e alegria

Praia do Forte: lazer e história também para crianças

Baía de Todos-os-Santos oferece muitas opções de lazer

Praia, sol, festa e muito mais verão Foto: Robson Mendes /Agecom

A estação do sol já chegou e com ela muita ferveção, festas e agitos para todos os gostos z Gabriel Carvalho

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uando se fala em praias paradisíacas, culinária diversificada e uma riqueza cultural inigualável, o primeiro lugar no Brasil que se imagina é a Bahia. A terra que é abençoada por todos os santos e que parece ter sido esculpida por Deus parece imbatível quando enumeradas as suas principais qualidades e atrativos turísticos. Esses aspectos renderam ao estado o título de destino preferido dos brasileiros em pesquisa feita pelo Instituto Vox Populi a pedido do Ministério do Turismo. A costa baiana possui 1.100 km de mares plenamente navegáveis que são um deleite para aqueles que seguem por suas penínsulas, baías e piscinas naturais repletas de corais

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Réveillon reúne milhares de pessoas nas praias, como a do Porto da Barra

e enseadas de natureza singular. Por terra, é possível contemplar verdadeiras joias cravejadas em pleno sertão que é muito rico em seu relevo, fauna e flora. Por conta deste grande manancial, são aguardados cerca de 6,6 milhões de visitantes na temporada que vai de novembro até o mês de março. São mineiros, paulistas, cariocas, paranaenses, gringos e até os próprios baianos viajando pelos municípios turísticos do estado. As grandes festas populares, ensaios e shows que ocorrem já nos meses de novembro e dezembro e se intensificam em janeiro e fevereiro, fervem na temperatura característica do verão (veja mais nas páginas 18 e 19). O ápice dos festejos que são a cara da Bahia é o Carnaval que atrai, numa única semana, mais de 500 mil pessoas para Salvador. São pessoas que chegam à capital baiana em busca de alegria e descontração para renovar as energias. Além de Salvador, destinos como Porto Seguro, Praia do Forte, Itacaré, Ilhéus, Maraú, Morro de

São Paulo, além de toda a Chapada Diamantina chegam a confundir a cabeça daqueles que sonham em visitar a Bahia pela primeira vez ou até mesmo os que já conhecem os encantos da Boa Terra. As opções são muitas e vão desde o ecoturismo à convivência com os esportes radicais e de aventura ou até mesmo um mergulho nas preciosidades do fundo mar. As riquezas culturais e gastronômicas também são atrativos à parte, na terra que é considerada de grande magia pelos seus habitantes e também pelas pessoas que a visitam. Seja nos pratos feitos à base do azeite de dendê ou nos ritmos contagiantes da música miscigenada, a variedade baiana é algo que pode ser chamado de encantador. Na capital ou no interior, no sertão ou no litoral, os baianos têm um jeito todo especial que cativa os que chegam em busca de algo que se aproxime do que têm dentro do imaginário ou do que ficou sabendo, seja pela literatura de Jorge Amado ou pela música de Dorival Caymmi. Viver Bahia | 9


Fotos: Rita Barreto

Alta Estação

Salvador oferece programação intensa

A Baía de Todos-os-Santos vista da Avenida do Contorno

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ambém conhecida como Cidade da Bahia, a capital baiana continua com seus encantos e cartões-postais à espera dos milhares de turistas que invadem as suas ruas durante o verão. O Pelourinho e o Elevador Lacerda continuam sendo alguns dos principais atrativos da cidade, mas um programa que não deve deixar de ser feito é um passeio de barco pela Baía de Todos-os-Santos. A novidade este ano é a opção de poder contemplar alguns dos principais atrativos da capital baiana pelo mar, numa curta viagem a bordo de um saveiro, antiga embarcação do século XVI que resiste ao tempo e tem seus remanescentes no Recôncavo Baiano. Nesse passeio é possível passar perto do Forte de São Marcelo e avistar pontos que fogem do roteiro 10 | Viver Bahia

Com suas 365 igrejas e arquitetura colonial, Salvador encanta aos visitantes

tradicional, como a Enseada dos Tanheiros, a Ponta de Humaitá e o Forte de Mont Serrat que são belíssimos e encantadores cartõespostais da Península de Itapagipe, na Cidade Baixa. A volta de Saveiro custa entre R$ 30 e R$ 50. Mais informações no e-mail habeaspelo@hotmail.com. Quem deseja passar mais tempo no mar da Baía de Todos-os-Santos também tem um vasto leque de opções. Os passeios estão disponíveis em escunas mais simples e sofisticadas cujos preços vão de R$ 30 a R$ 2 mil e a duração das viagens vai de oito horas a três dias. Para saber mais, basta ligar para o Disque Bahia Turismo no telefone (71) 3103-3103. Os que preferem as opções mais em conta têm um dia inteiro para conhecer pequenas ilhas de beleza singular como a Ilha dos Frades, Ponta de Nossa Senhora e Ponta de Areia. Na viagem, o turista conta com serviço de som a bordo, café da manhã e uma extensa variedade de frutas para degustar. As bebidas e o almoço são vendidos à parte. Já quem opta por um passeio com mais conforto e acesso a mais serviços, pode viajar numa escuna mais estruturada e com menos passageiros a bordo. Os passeios incluem almoço, bebidas e tratamento vip, com direito a massagens e pequenas cabines com TV e ar-condicionado nos casos de viagem de pernoite. O roteiro inclui lugares paradisíacos da Baía de Todosos-Santos, como Salinas da Margarida, Ilha do Medo, Barra do Paraguaçu. Com piscinas naturais e águas de tonalidades que variam entre o verde e o azul, os locais são adequados para os banhos de mar e de sol. Mais informações no site www. baiadabahia.com.br.

Foto: Jota Freitas

O Elevador Lacerda é um dos cartões –postais da cidade Viver Bahia | 11


Alta Estação

Culinária e cultura são atrações à parte O

Foto: Rita Barreto

utro programa que pode ser considerado imperdível quando se está em Salvador é a apreciação dos pratos típicos e dos quitutes feitos pelos tradicionais chefs e também pelas baianas do acarajé. Nos tabuleiros, é possível encontrar acarajés, abarás e os bolinhos de estudante, assim como as cocadas e a passarinha, iguaria feita com o baço bovino. O caruru e o vatapá também integram o menu das baianas que estão presentes em todos os cantos da cidade. Os bairros do Rio Vermelho e de Itapuã são considerados pontos ideais para um acarajé no fim de tarde.

Nos restaurantes, há espaço para as comidas típicas e também para a modernidade. O chef de cozinha Beto Pimentel substitui, nas moquecas, o azeite de dendê por outros ingredientes e garante que os seus pratos são bastante saborosos. Metodologias gastronômicas à parte, há poucos que resistem a uma deliciosa mariscada (espécie de ensopado de frutos do mar como camarão, mariscos, lagosta e siri) seja à beira-mar ou nos restaurantes localizados no Centro Histórico de Salvador.

Premiado por uma revista de circulação nacional, na categoria Melhor Comida Brasileira, o restaurante da empresária Leila Carreiro é um dos maiores exemplos da culinária da baiana. Segundo ela, houve uma pesquisa para identificar algumas origens da influência sobre a comida da Boa Terra e o resultado deu numa mistura que enfatiza características como a africanidade e os aspectos sertanejos. “Servimos carne do sol, moquecas, efó e bode assado”. Mas, segundo Leila, apesar da simplicidade dos ingredientes, os pratos recebem toques bem criativos. “Temos aqui a moqueca de feijão, a feijoada de frutos do mar”, conta. Localizado no Rio Vermelho, o restaurante funciona de domingo a domingo para o almoço e de quarta-feira a sábado para o jantar. Mais sobre o estabelecimento: www. donamariquita.com.br. E quem admira o cardápio tradicional da cozinha internacional ou prefere algo diferente das iguarias baianas, encontra no complexo da Bahia Marina, na Avenida Contorno, diversas opções

de estabelecimentos para degustar pratos variados, que vão desde um filé com molho de ervas finas aos sushis e sashimis da culinária japonesa. Museus – Num giro por Salvador, a visita aos diversos museus espalhados pela cidade representa uma injeção de diferentes gêneros da cultura. No Palacete das Artes, Museu Rodin, o visitante pode conferir algumas peças do artista francês, como O Pensador, O Beijo, dentre outras. Localizado entre a Casa de Jorge Amado e a Escadaria do Paço, onde foram gravadas cenas do filme O Pagador de Promessas, o Museu Casa do Benin, no Pelourinho, é um espaço que abriga também exposições temporárias e oficinas artísticas. Lá, há uma biblioteca especializada em África e Cultura Afro-Brasileira. O Museu de Arte Moderna, na Cidade Baixa, conta com um atrativo à parte, além das exposições. Localizado na Avenida Contorno, o espaço possui arquitetura Colonial, e vista privilegiadas para a Baía de Todos-os-Santos.

Antonio Carlos Oliveira e seu simpático sorriso

Jeito baiano encanta visitante

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orriso largo no rosto, disposição para ajudar e a fama de amigueiro. Essas são características marcantes dos moradores da Boa Terra. Famosos ou anônimos, os baianos são tidos como alguns dos mais simpáticos entre os brasileiros. O bom humor o faz rir da própria desventura, exercer as atividades mais difíceis com alegria e até mesmo cantar enquanto carrega peso ou pratica tarefas do dia a dia, como lavar roupa e varrer o chão.

Foto: Jota Freitas

O Pensador, do Museu Rodin. Museu de Arte Sacra da Bahia 12 | Viver Bahia

Foto: Jota Freitas

Deliciosas moquecas saltam os olhos e aguçam o paladar

No caso da quituteira e empresária Dadá, o sorriso, ao lado das habilidades para cozinhar, garantiu melhorias econômicas em sua vida. O restaurante da baiana já ganhou as páginas de revistas de todo o país e também destaque em diversos meios de comunicação da mídia internacional. As publicações quase sempre enfatizam o sorriso da chef de cozinha. No caso do funcionário público Antônio Carlos Oliveira, os constantes sorrisos não lhe trouxeram dinheiro, mas o carinho e a amizade de diversas pessoas. No tenso ambiente de trabalho, ganhou o apelido de “Risadinha”, sendo que os mais íntimos o chamam de “Ri”. Nas ocasiões mais sérias, alguns tratam o servidor de “Seu Risada” para garantir o respeito. A dona de casa, Dalva Souza (57), tem uma gargalhada contagiante. Nem os problemas do cotidiano afastam o bom humor da moradora do bairro do Alto de Coutos. No Pelourinho, alguns personagens também divertem os baianos e turistas que por ali passam. Viver Bahia | 13


Fotos: Gabriel Carvalho

Praias desertas úteis são refúgios

Alta Estação

Informações

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Itacaré, na Costa do Cacau, é reduto de surfistas e dos que buscam tranqüilidade

Praia, esporte e lazer em Itacaré M

uito requisitada pelos amantes do surfe e pelos aficionados por esportes radicais, a cidade localizada no Litoral Sul da Bahia agora está mais acessível com a conclusão de um trecho da BA-001. Com um vasto litoral, Itacaré possui 13 praias de rara beleza tanto em sua área urbana quanto no seu entorno. Abraçada por remanescentes de Mata Atlântica, Itacaré tem ainda cachoeiras, rios, matas agrestes, manguezais e restinga. Tudo isso compõe um belíssimo santuário ecológico na região turística da Costa do Cacau. Esportes como rappel e o rafting reúnem um número cada vez maior de praticantes que chegam a Itacaré em busca de adrenalina e contemplação das belezas. Tanto potencial natural e a existência de localidades paradisíacas, quase virgens, fazem com que esse belo destino turístico baiano seja um dos favoritos de artistas, políticos e personalidades do show business. Figuras como 14 | Viver Bahia

a primeira-dama francesa, Carla Bruni, e o publicitário baiano Duda Mendonça estão entre os apaixonados que, de tanto passar férias, adquiriram imóveis ou terrenos nesse pedaço de Jardim do Éden localizado em solo baiano. Dentro da própria cidade, algumas das mais belas paisagens são proporcionadas pela convivência com a Mata Atlântica e a diversidade marinha com a modernidade. Tais características podem ser vistas na Praia da Concha, que é repleta de coqueiros. As águas calmas e a faixa de areia são ideais para o banho de mar e as caminhadas em família. No centro, uma das principais atrações é a Igreja de São Miguel, que fica próxima à Praia da Coroa, local bom para a prática de esportes como o futebol de areia, frescobol e vôlei de praia. Estabelecimentos como pizzarias e sorveterias compõem o cenário e são uma boa pedida para o fim de tarde e também para a hora do jantar.

O ponto de maior agitação de Itacaré talvez seja a Pituba. Local repleto de bares e restaurantes e que reúne centenas de pessoas durante as noites de verão e também nos finais de semana. O som varia do arrastapé do forró pé-de-serra às batidas da música eletrônica e o balanço do reggae. O Favela é um dos principais points locais e atrai um público bastante diversificado, formado por baianos e turistas brasileiros e estrangeiros de todas as idades.

Serviços de qualidade e praias paradisíacas

Conforto e segurança

arulho mesmo só o das folhas das árvores, do mar e do canto dos pássaros. Assim se caracterizam algumas praias que fazem parte de Itacaré e seu entorno. Uma delas é Itacarezinho, que está a 15 km da sede da cidade. Com quase quatro quilômetros de extensão, a região se caracteriza pela tranquilidade e pela fama de seus visitantes ilustres. Repleta de coqueiros e tida como um paraíso de grandes ondas, a praia também recebe a visita das tartarugas marinhas, que sempre pintam por lá e colocam seus ovos. Ao norte de Itacarezinho, há também um lugar chamado Camboinha, que conta uma cascata de água doce que desce da mata e cai diretamente na areia. Com acesso feito através de trilhas, a Praia do Siriaco é talvez a mais deserta de Itacaré. Para ser desfrutada, a pequena praia, que fica escondida e cercada de Mata Atlântica é preciso caminhar cerca de 15 minutos. No entanto, recomenda-se ir acompanhado por um guia ou monitor.

Torneios de surfe reforçam o turismo na baixa temporada

C

om praias ideais para prática do surfe como Tiririca, Pontal de Pirapunga, Engenhoca, São José e Havaizinho, Itacaré está presente no mapa da rota dos surfistas de todo o país. Este ano, de acordo com a Associação de Surfe de Itacaré (ASI), a cidade sediou cinco etapas de torneios nacionais e regionais da modalidade. Entre os mais badalados estão o Circuito Nordestino Profissional de Surfe e o Circuito Baiano Master. Segundo os organizadores, os eventos contribuem para combater

os efeitos da sazonalidade do turismo no período de baixa estação. Cada visitante tem um gasto médio de R$ 150, dinheiro que contribui com a economia local. Para quem gosta de mais aventura e adrenalina, o destino oferece diversos locais para a prática do rafting, canoagem e rappel. O cenário perfeito é a praia de Taboquinhas, também afastada da sede da cidade. Os paredões, corredeiras e cachoeiras completam a atmosfera radical do lugar.

Como Chegar Está a 428 km de Salvador Via Terrestre - Sair de Salvador pelo ferryboat até a Ilha de Itaparica, depois seguir pela BA-001 até Itacaré. O motorista precisa ter cuidado, pois a rodovia é repleta de curvas e lombadas. A partir de Ilhéus, seguir pela BA-001 até Itacaré. São 65 km pela estrada ecológica. De ônibus, a empresa Águia Branca [+ 55 71 4004 1010], disponibiliza linhas diretas Salvador-Itacaré. Via Aérea - A TAM [300 123 1000], Gol [0300 789 2121] e Trip [3003-8747] mantêm voos diários para Ilhéus, partindo de Salvador, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e São Paulo. A partir de Ilhéus, existem ônibus saindo do terminal rodoviário, para a localidade. Via Marítima - Aportar em Ilhéus, no Porto do Malhado. Onde ficar Aldeia do Mar Chalés - Praia da Concha, s/n Loteamento Costa do Mar. Tel.: (73) 3251.2230/ (71) 3356.4344 Fax: (73) 3251.2230 Pousada Casa Zaza - Loteamento Conchas do Mar, Quadra F, Lote 12 - Centro.Tel.: (73) 3251.3022 Site: www.casazaza.com Pousada Itaoca - Rua Pedro Longo, n 520 Tel.: (73) 3251.3382 Site: www. pousadaitaocabahia.com.br E-mail: reserva@ pousadaitaocabahia.com.br Pousada Naínas - Loteamento Praia da Concha, n 51.Tel.: (73) 3251.2683 Site: www.nainas. com.br E-mail:reservanainas@nainas.com.br Onde comer Barkula Theme - Rua Lodônio Almeida, 171 Centro Serviços: Pratos diversos e drinques. Tel: 73 8152 7596. e-mail: gabrielleitaliana@hotmail.com Canoa - Avenida Castro Alves, 284, Orla, Centro Tel: 73 3251 2721 e-mail: canoaitacare@gmail.com Estrela do Mar- Aldeia do Mar - Praia da Concha Tel: 73 3251 2230 Serviços: De frente para a praia, o restaurante do hotel Aldeia do Mar é aberto ao público. Serve comidas típicas e internacionais. e-mail: estreladomar@aldeiadomar.com Messenger: restauranteestreladomar@hotmail.com SALVADOR ITAPARICA NAZARÉ

VALENÇA

BA 001

SALVADOR ITACARÉ

CAMAMU

ITACARÉ

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Alta Estação

Foto: Jota Freitas

Mutá se diferencia pelo clima de tranquilidade até das suas águas

Praia do Forte encanta pela beleza e pelos agitos Foto: Gabriel Carvalho

Mutá é mais uma opção em Porto Seguro Conhecido como um dos destinos mais badalados e visitados do Brasil, Porto Seguro inova neste verão com uma opção para os turistas mais sossegados. A aposta dos empresários locais para atrair este tipo de público é a Praia do Mutá, no litoral norte do município. De cima, este pedaço de paraíso tem o formato de um abraço sempre à espera de visitantes comprometidos com a preservação do patrimônio natural e com o prazer de curtir as belezas e encantos que o local proporciona. Com bons hotéis e resorts e ainda com uma estrutura de barracas de praia, o Mutá diferencia-se de outros destinos pelo clima de tranquilidade até de suas águas, que formam um efeito degradê com o azul do céu nos dias de verão. Tal calmaria no mar credencia a praia a ser um bom refúgio para os amantes da vela e do turismo náuticos. Tanto assim, que o local abriga o Yatch Club de Porto Seguro e também quase todas as regatas que são realizadas no Litoral Sul da Bahia. Os arrecifes de corais também são atrações à parte no Mutá. Eles podem ser vistos pelo alto 16 | Viver Bahia

num passeio de ultraleve feito por empresas de turismo da região. Lugar onde ficar é o que não falta no Mutá. A região conta com 2 mil leitos e resorts com todo o conforto e sistema de all inclusive. A região também dispõe de muitos restaurantes especializados na culinária baiana e também italiana.

de verão

A pacata vila abriga comércio de produtos sofisticados e de grife

Charme e muita agitação em Praia do Forte

A

Ruínas do Castelo Garcia D’Ávila atraem turistas

Informações

úteis

Como chegar Via aérea - Aeroporto Internacional de Porto Seguro - Estrada do Aeroporto, s/n, Cidade Alta, Tel: (73) 3288-1880 Gol - Tel: 0300-789-2121 www.voegol.com.br Avianca - Tel: 4004-4040 e 0300-789-8160 www.oceanair.com.br TAM - Tel: 4002-5700 e 0800-570-5700 www.tam.com.br Trip - Tel: 3003-8747 - www.voetrip.com.br Via terrestre - BR-101 e BR-367 - Pegar a BR 101 e passar por Itabuna, Itagimirim, Paraíso, até chegar ao entroncamento da cidade de Eunapólis. Seguir pela BR-367 e percorrer mais 65 km até o Centro de Porto Seguro. Seguir pelas rodovias BA-001 e BR-101 até o entroncamento de Eunapolis (546km), seguindo por mais 65km pela BR-367 até Porto Seguro. Do Terminal Rodoviário de Salvador saem ônibus diários da empresa Águia Branca - [+55 71 4004.1010]. Desde os estados do Sudeste ou partindo de Salvador, as principais rodovias de acesso são a BR-101, até a cidade de Eunápolis, que fica a 62 km de Porto Seguro e, a partir desse entroncamento, a BR 367, que vai até o perímetro urbano. A BR-367 é também a avenida Beira-Mar, por onde se chega às praias de Mundaí, Itaperapuã e do Mutá, em Porto Seguro, e da Coroa Vermelha e de Lençóis, ao norte, no município vizinho de Santa Cruz Cabrália.

CRUZ DAS ALMAS

BR 324

SALVADOR

BR 101

ITABUNA

BR 101

Onde ficar La Torre Resort - Av. Beira Mar, 9999, Tel: (73) 2105-1700 www.resortlatorre.com Pousada Porto Paraíso - Rua H, 17, Praia do Mutá, EUNÁPOLIS Tel: (73) 3677-1124 www.portoparaiso.com.br

SALVADOR

BR 367

P. SEGURO

P. SEGURO

Foto: Gabriel Carvalho

antiga vila de pescadores situada no Litoral Norte da Bahia, a 55 km de Salvador, há muito deixou de ser apenas um reduto de caiçaras e se tornou um dos mais importantes polos turísticos da Boa Terra. Quem caminha pelas ruas de Praia do Forte tem uma rápida impressão de estar num shopping a céu aberto em meio à enorme quantidade de lojas e restaurantes. Na praia, as atrações são as águas calmas e as piscinas naturais formadas com o auxílio dos arrecifes e corais. O destino também possui vocação para a pesca esportiva, o turismo de aventura e passeios pelas trilhas na reserva de Sapiranga. Durante o verão, o burburinho é grande e o entra e sai de turistas e baianos pelos becos da vila formam um movimento enlouquecedor, isso no melhor dos sentidos, é claro. À noite é literalmente uma criança em Praia do Forte e muita gente abandona o luxo das pousadas ou o all inclusive dos resorts para dançar ao som da música baiana nos bares e espaços de dança do local. A magia da gastronomia regional é muito bem retratada

pela infinidade de restaurantes existentes na vila. Moquecas, caldos, frutos do mar e o tradicional bolinho de peixe deixam qualquer um com água na boca. Todos os anos, no mês de novembro, o destino sedia um interessante festival gastronômico que reúne chefs de cozinha do Brasil e do exterior. Opções para toda a família - O visitante que for à Praia do Forte e deixar de visitar as instalações do Projeto Tamar é o mesmo que um turista ir a Roma e não ver o papa. Mas, brincadeiras à parte, o projeto concebido nos anos 80 reúne uma série de atrativos educativos para a preservação do animal, que já foi ameaçado de extinção. No tour, que custa R$ 10 (adulto) e R$ 5 (crianças e idosos com idade acima de 70 anos), é possível conhecer as espécies de tartarugas e também de peixes como o temido tubarão. Outro bom programa é a visita ao Castelo Garcia D’Ávila, próximo à Reserva de Sapiranga. As ruínas do imóvel medieval estão numa área de muito verde, que possuem árvores centenárias.

Informações

úteis

Como chegar Via Terrestre - Sair de Salvador, da Estação Rodoviária são 19 km até o Aeroporto. Daí é só seguir pela Estrada do Coco, BA-099, por mais 34 km até chegar à entrada de Praia do Forte. O acesso é feito pelo km 1 da Linha Verde, logo após o término da Estrada do Coco, em um entroncamento, com placa indicativa. Depois percorre-se 1,5 km através de rua pavimentada com paralelepípedos até se chegar ao povoado. Onde Comer Restaurante Canteiro do Mar - Alameda das Estrelas, Tel.: (71) 3676-1353 Restaurante Made in Bahia - Av. ACM – Shopping Água Viva 1º Andar, Tel.: (71) 3676-0144 Restaurante Sabor da Vila - Alameda do Sol, Tel.: (71) 3676-1777 Bar do Souza - Avenida ACM, s/n, Tel.: (71) 3676-1129/1033 Onde Ficar Iberostar Praia do Forte - Rodovia BA-099, Km 56 Mata de São João, Tel.: (71) 3676.4200 3676.4300 Luar da Praia - Rua Beira Rio, s/n, Tel.: (71) 3677.1030 www.luardapraia.com.br Tivoli Ecoresort Praia do Forte - Avenida do Farol, s/n, Tel.: (71) 3676.4000 / 0800-718888 Hotel Eco Atlântico - Fone/Fax: +55 (71) 36761366 | +55 (71) 3676-1265 | +55 (71) 3676-1222 | +55 (71) 3676-1350 www.ecoatlantico.com.br PRAIA DO FORTE

BA 099

SALVADOR

PRAIA DO FORTE SALVADOR

Viver Bahia | 17


Ensaios de blocos agitam Salvador e Porto Seguro

Música para todos os gostos Foto: Simone Cabral/Setur

Festas précarnavalescas animam as noites baianas com música de todos os gêneros z Caroline Martins Foto: Solange Rossini

Timbalada agita verão da Bahia

U

Visual exótico no Olodum 18 | Viver Bahia

m dos motivos que fazem da Bahia o destino turístico preferido dos brasileiros é o grande número de festas e agitos que rolam durante toda a alta estação. A partir de novembro, a ferveção já é grande em lugares como Salvador, Praia do Forte, Itacaré e Porto Seguro, mas é nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro que o estado se transforma numa verdadeira panela de pressão repleta de alegria e animação. A mistura de ritmos dá o tom das festas, mas as batidas dos tambores e o swing eletrônico da axé music e do samba-reggae são hits que mais contagiam os baianos e turistas durante a estação mais

quente do ano. As coreografias surgem em proporções maiores do que as das poucas nuvens que aparecem no céu da Bahia durante o verão. Na temporada 2009/2010, o Rebolation, do Parangolé, foi uma das músicas mais tocadas por emissoras de rádio e também nos espaços que disponibilizam som ao vivo. Este ano, o axé music, o funk e o pagode devem dominar as paradas de sucesso mais uma vez. Alguns exemplos da força do axé são os ensaios da Timbalada, no Museu do Ritmo, no bairro do Comércio, em Salvador, e do Olodum, no Pelourinho. Neste verão, o Araketu inova e faz a festa dos fãs na escadaria da Igreja

da Barroquinha, próxima à Praça Castro Alves. Desde o último dia 5 de dezembro os “timbaleiros” têm a oportunidade de curtir dois domingos por mês, até fevereiro, e mais um domingo no mês de março, o som contagiante de Denny e seus comandados, no Museu do Ritmo, espaço idealizado pelo “cacique” Carlinhos Brown. Os ensaios da Timbalada começam sempre às seis da tarde e reúnem convidados que fazem parte da história da Música Popular Brasileira. Os ingressos para acesso à festa, que é uma prévia do Carnaval, custam entre R$ 70 (pista) e R$ 150 (camarote). Gente bonita e muitos sucessos do axé music são “imortalizados” pelos ícones do gênero musical baiano. Assim é o ensaio do Harém, evento comandado pelo cantor e compositor Alexandre Peixe. A festa, que ocorre aos domingos no Alto do Andu, é uma das mais disputadas do verão de Salvador e reúne um público formado por universitários, profissionais liberais e turistas que visitam a capital baiana. Os ingressos são R$ 40 (feminino) e R$ 50 (masculino). O Psirico, do vocalista Márcio Victor, também tem seu público fiel e deve lotar o Bahia Café Hall, na Avenida Paralela, em Salvador, todas as noites de quinta-feira deste verão. Na pista ou no camarote, quem for aos ensaios do “psi” pode relembrar sucessos como “Toda Boa” e conhecer os novos hits da banda baiana.

Pelourinho – O Centro Histórico de Salvador não poderia ficar de fora, e a atração mais famosa do local é, sem nenhuma dúvida, o Olodum, cujo batuque dos tambores é conhecido mundialmente. O Olodum abre sua temporada de ensaios no dia 28 de dezembro e deve fazer a alegria de baianos e turistas, principalmente os estrangeiros que, mesmo sem o jogo de cintura dos habitantes da Boa Terra, arriscam alguns passos de dança ao som do samba-reggae da turma de João Jorge. O Pelô também é palco dos ensaios da Banda Mametto. O som rola em sextas-feiras alternadas, na Praça Tereza Batista, a partir das 21h. Os ingressos custam R$ 10, mais um quilo de alimento não perecível (exceto sal). No Curuzu, rua situada no bairro da Liberdade, que concentra a maior população de afrodescendentes da América Latina, os ensaios do Ilê Aiyê movimentam as noites de sábado do verão baiano. Ligado à cultura negra, o “Mais Belo dos Belos” encanta a todos que visitam a Senzala do Barro Preto, espaço onde são realizados os ensaios. Nativos, turistas brasileiros e estrangeiros compõem um místico ambiente de cores e sons. O ponto alto é a escolha da Rainha da Beleza Negra. O concurso seleciona a mais bela jovem afrodescendente, que passa a representar o Ilê em festas como o Carnaval de Salvador e turnês nacionais e internacionais, durante um ano. Os ensaios começam às 22h e são regidos pela Banda Aiyê e convidados.

Informações

úteis

Mais informações sobre ensaios e agitos de verão da Bahia nos sites www.bahia.com.br, www.verao.bahia.com.br.

Foto: Divulgação

Foto: Patrick Silva/Setur

Alta Estação

Festas ao ar livre e descontração

Arena de shows é sensação na Terra do Descobrimento Em Porto Seguro, o clima começa a esquentar no mês de outubro, com a Semana do Saco Cheio. A cidade é invadida por turistas do Sul e do Sudeste do Brasil que desembarcam em busca de festa e animação. Grandes nomes da música popular brasileira se apresentam na Terra do Descobrimento. Durante o verão, alguns pontos da cidade, como Arraial D’Ajuda e a Passarela do Álcool são bastante concorridos. Já a Barraca Axé Moi e a arena de shows que leva o mesmo nome são algumas das preferidas entre os visitantes. Lá, os agitos começam em dezembro e se estendem até o final de fevereiro e já estão confirmadas apresentações de artistas e bandas de axé, como Ivete Sangalo, Tomate e Araketu. O luau do Axé Moi também promete muita festa e o Carnaporto deve levar muitos foliões para a arena da cabana, que tem capacidade para receber 30 mil pessoas. Viver Bahia | 19


A Bahia no cinema

Luz, câmera,

ação...

Cenários paradisíacos, cultura peculiar e as paixões e mazelas de um povo alegre e místico caracterizam a imagem projetada nas telas da sétima arte z Clarissa Amaral*

C

antada em verso e prosa e riscada e rabiscada por 10 entre 10 artistas da terra, a Bahia se destaca também na produção cinematográfica nacional, seja como polo produtor ou cenário de uma extensa filmografia. Dos antigos rolos de filme de nitrato às pequenas câmeras digitais, suas belezas naturais, sua cultura peculiar e, principalmente, as histórias de sua gente já foram projetadas nas telas de cinema do mundo inteiro e ajudaram a promover uma ideia mística e mágica da Bahia que ainda hoje habita o imaginário popular. De acordo com levantamento realizado este ano pela Secretaria de Cultura do Estado, de 1910, quando foi lançado o primeiro curtametragem baiano, Regatas da Bahia, do cineasta Diomedes Gramacho, às novas produções de 2010, nada menos que 1.441 filmes estão relacionados à Bahia, incluindo documentários e ficção, de curta, média e longa-metragem. A projeção da Bahia no cinema tem início nos anos 30 e 40, com os

20 | Viver Bahia

Glauber Rocha

filmes protagonizados por Carmen Miranda, nos quais a atriz e cantora aparecia trajando indumentária estilizada, inspirada na típica baiana do acarajé. A parceria da artista com compositores baianos, como Dorival Caymmi, Assis Valente e Josué de Barros, acabaram introduzindo nas telas do cinema norteamericano elementos da cultura baiana, principalmente depois que a Pequena Notável estreou na Broadway em 1939, no filme Banana da Terra, cantando O que é que a baiana tem? e, na sequência, A preta do acarajé e O dengo que a nega tem, ambas da lavra do baiano Caymmi. A essa altura, a exposição da Bahia se limitava a alguns poucos atrativos naturais e as características folclorizadas da baiana estilizada de Carmen Miranda. No final da década de 50 e início dos anos 60, entretanto, com a intensa movimentação cultural que tomou conta de Salvador, graças à criação da Universidade da Bahia e ao

Filmes exploram os belos cenários e a cultura da Bahia

espírito de renovação das artes empreendido pelo reitor Edgard Santos, a Bahia voltou a ocupar posição privilegiada na locação de filmes brasileiros. Mas, desta vez, a temática seguiu por outro viés, focado na realidade social, através da produção de cineastas baianos, que acabaria por desaguar no movimento lançado por Glauber Rocha, chamado Cinema Novo. Desse ciclo, iniciado por Nelson Pereira dos Santos, em 1955, a Bahia se destaca no filme Redenção, de 1959, que marca a estreia de Roberto Pires na direção. Primeiro longa-metragem produzido no estado, o filme conta a história de um psicopata estuprador que é contido por dois jovens fazendeiros, um dos quais está envolvido com a polícia e que, ao proteger uma jovem ameaçada, encontra a sua própria redenção. Segundo comentário feito na época pelo crítico de cinema Walter da Silveira, para um filme com capitais baianos, escrito e dirigido por um baiano, interpretado por baianos, a presença da Bahia é uma simples presença de paisagem, inclusive em alguns momentos desfigurada geograficamente. Embora se limite a um conto policial sem qualquer relacionamento mais profundo com as peculiaridades da Bahia, o filme explora o potencial paisagístico de Salvador, principalmente a região da Península Itapagipana. Viver Bahia | 21


Tendo o Centro Histórico de Salvador como cenário, neste mesmo ano entra em cartaz O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte, baseado na peça teatral homônima, do dramaturgo baiano Dias Gomes. A narrativa envolve Zé do Burro, um homem humilde que enfrenta a intransigência da Igreja ao tentar cumprir a promessa feita em um terreiro de candomble, de carregar uma pesada cruz por um longo percurso. Um ano mais tarde, Pires lançou Tocaia no Asfalto, considerado por alguns críticos como um dos melhores filmes rodado na Bahia em todos os tempos. O thriller, genuinamente baiano, aborda o relacionamento dos políticos com a criminalidade e as idiossincrasias de personalidade de um pistoleiro de aluguel. O filme se destaca pela meticulosa articulação dos elementos da linguagem cinematográfica com a temática, onde a narrativa suplanta a fábula, ainda que os dois planos estejam sempre em processo de simbiose, como ressalta o crítico baiano André Setaro.

A Bahia no cinema

A realidade social exposta pelo Cinema Novo

A Enseada de São Joaquim projetada no filme de Roberto Pires, A Grande Feira

A

introdução da temática social no cinema baiano coincide com a estreia de Glauber Rocha em longametragem, em 1962. Com locações em Itapuã, Praias do Flamengo e na Praia de Buraquinho, no Litoral Norte de Salvador, o filme narra a vida em uma aldeia de pescadores de xaréu, descendentes de escravos, que mantêm antigos cultos místicos ligados ao candomblé. Tendo as locações paradisíacas e a estética corporal das personagens como pano de fundo, Glauber aborda a situação dos negros após a abolição da escravatura, que, na sua visão, embora pescadores, 22 | Viver Bahia

continuavam escravos, dominados por um patrão rigoroso e por um misticismo religioso. Nas palavras do cineasta, o termo Barravento teria o significado de mudança súbita, reviravolta, revolução. A plasticidade do filme concentrase na coreografia popular dos passos e gingados latentes dos pescadores que são também capoeiristas, e sua libertação do patrão e dos poderes de Iemanjá, ambos considerados responsáveis por sua miséria. No mesmo ano de Barravento e com o mesmo espírito do Cinema Novo, Roberto Pires lançou A Grande Feira, rodado na famosa

feira livre de Salvador, Água de Meninos, hoje denominada São Joaquim. O filme retrata o cotidiano de pessoas simples da capital baiana e tem elenco composto por personalidades da época, como o cordelista Cuíca de Santo Amaro, que abre e fecha o filme. Na trama, a luta pela permanência dos feirantes no local contra os interesses comerciais dos que desejam se expandir na área. Ironicamente, a Feira de Águas de Meninos sofreu um incêndio três anos depois do lançamento do filme. Por isso, ele se tornou um registro do universo rico e particular da feira, que depois foi reinaugurada em outro local como Feira de São Joaquim.

Foto: Rita Barreto

A Feira mantém-se como atração turística Viver Bahia | 23


Fotos: Rita Barreto

A Bahia no cinema

A cidade de Monte Santo foi cenário do filme Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber

A primeira fase do Cinema Novo na Bahia, cuja temática é voltada para o cotidiano e a mitologia do Nordeste brasileiro, a marginalização econômica, a fome, a violência, a opressão e a alienação religiosa têm seu ponto alto em 1964 com Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha. Com locações nos municípios de Monte Santo, Feira de Santana e Salvador, o filme sintetiza fatos e personagens históricos, como o Cangaço, beatismo e o coronelismo, misturando ficção e realidade e linguagens diferentes como o Cordel e o universo literário de Euclides da Cunha e Guimarães Rosa. A trama envolve o vaqueiro Manuel, que se revolta contra a exploração de que é vítima por parte do coronel Morais e acaba por matá-lo durante uma briga. Foge com a esposa Rosa da perseguição dos jagunços e acaba se integrando aos seguidores do beato Sebastião, no lugar sagrado de Monte Santo, que promete a prosperidade e o fim dos sofrimentos através do retorno a um catolicismo místico e ritual. Ao presenciar o sacrifício de uma criança, Rosa mata o beato. Ao mesmo tempo, o matador de aluguel, Antônio das Mortes, a serviço dos coronéis latifundiários e da Igreja Católica, extermina os seguidores do beato. Em nova fuga, Manoel e Rosa se juntam a Corisco, o diabo loiro, companheiro de Lampião, que sobreviveu ao massacre do bando. Antônio das Mortes persegue de forma implacável e termina por matar e degolar Corisco, seguindo-se nova fuga de Manoel e Rosa, desta vez em direção ao mar. A beleza rústica do sertão passa então a contrastar com as belezas naturais. 24 | Viver Bahia

Rocha. Os aspectos topográficos da cidade foram bem aproveitados

Monte Santo foi cenário de Deus e o Diabo na Terra do Sol

A cidade é uma das principais atrações do turismo religioso na Bahia

A mesma temática é retomada por Glauber em 1967, com Terra em Transe, e, em 1969, com O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro. No primeiro, Glauber aborda questões políticas relacionadas com sistemas autoritários. Em abril de 1967 o filme foi proibido em todo território nacional, por ser considerado subversivo e irreverente com a Igreja. Depois foi liberado com a condição de que se desse um nome ao padre interpretado pelo ator Jofre Soares. Com locações em Milagres e contando com a participação de moradores dessa cidade e de Amargosa, o segundo conta a história de uma cidadezinha chamada Jardim das Piranhas, onde aparece um cangaceiro que se apresenta como a reencarnação de Lampião. Seu nome é Coraina. Anos depois de ter matado Corisco, Antônio das Mortes vai à cidade para ver o cangaceiro. Dá-se, então, o encontro dos mitos e o duelo entre o dragão da maldade e o santo guerreiro. Viver Bahia | 25


Universo de Jorge Amado transposto para a tela

Foto: Rita Barreto

A Bahia no cinema

A Praia de Amaralina

F

orjadas sob a égide das letras, as personagens de Jorge Amado começam a ganhar vida nas telas do cinema, a partir de 1963, com a adaptação do italiano Alberto D’Aversa para Seara Vermelha, com Sadi Cabral, Fregolente e Margarida Cardoso no elenco. Mas é na década de 70 que o universo criado pelo escritor baiano ingressa definitivamente como tema recorrente na filmografia nacional e internacional. O primeiro deles foi a produção norte-americana de Hall Bartlett, filmada na Bahia, The Sandipits General, de 1971, baseada na obra Capitães da Areia, com Kent Lane, Tisha Sterling e Dorival Caymmi no elenco. O segundo foi o

serviu de cenário para o primeiro filme da obra de Amado Foto: Cid Edson/Divulgação

Mangue Seco ganhou notoriedade com Tieta do Agreste

Catedral de São Sebastião, em Ilhéus Foto: Patrick Silva/Setur

A bucólica Península Itapagipana foi cenário de vários filmes

26 | Viver Bahia

longa-metragem de Bruno Barreto, Dona Flor e Seus Dois Maridos, de 1976, considerado até hoje a maior bilheteria do cinema brasileiro. Tendo o Pelourinho e o Centro Histórico de Salvador como cenário, o filme conta com a atuação bemhumorada e sensual de Sônia Braga que, desde então, personificou o tipo físico das personagens do escritor. Um ano antes, o universo amadiano já havia conquistado projeção internacional com a adaptação do francês Marcel Camus para Os Pastores da Noite. Assim, as histórias do caboclo Jesuíno Galo Doido, da mãe-de-santo Doninha, da prostituta Otália, do sonhador Pé-de-Vento e do padre Gomes, neto de um obá de Xangô, e, que diz ter mandado buscar na França um navio com quatrocentas mulatas, correram as principais cidades da Europa. No Brasil, em 1977, Jorge Amado e o universo místico da Bahia voltam à telona com Tenda dos Milagres, dirigido por Nelson Pereira dos Santos. Em 1982, a história de Gabriela Cravo e Canela e do coronelismo das terras do cacau ganham dimensão no cinema nacional, novamente pelas mãos de Bruno Barreto, com mais uma interpretação estilosa de

Sônia Braga. No mesmo ano, uma adaptação de Dona Flor e seus Dois Maridos estreia nos cinemas dos Estados Unidos. Com direção de Robert Mulligan e participação de Sally Field, James Caan e Jeff Bridges, o filme chega ao circuito como Kiss Me Goodbye, traduzido no Brasil por Meu adorável fantasma. Mais recentemente, em 96, a adaptação de Cacá Diegues para Tieta do Agreste recorre, mais uma vez, à interpretação de Sônia Braga no papel principal e apresenta as belezas naturais de Mangue Seco, localidade paradisíaca do município de Jandaíra, no Litoral Norte de Salvador. Este ano, o universo mágico de Jorge Amado e as peripécias dos seus personagens no Centro Histórico de Salvador voltaram a se destacar com Quincas Berro D’Água, longa-metragem de Sérgio Machado, baseado no livro A morte a morte de Quincas Berro D’Água. Em 2011, estão previstas as estreias de outras duas produções cinematográficas do cinema nacional, baseadas na literatura de Jorge Amado: a nova adaptação de Capitães da Areia, que está sendo refilmado por Cecília Amado, neta do escritor, e Os Velhos Marinheiros, de Marcos Jorge, mesmo diretor de Estômago. Viver Bahia | 27


Foto: Jota Freitas

A Bahia no cinema

Novas produções destacam aspectos culturais

N

os anos 90 e 2000, a temática da cultura e da história da Bahia e da vida do baiano comum retorna às telas do cinema, fruto, principalmente, do trabalho desenvolvido por uma nova geração de cineastas locais. Guerra de Canudos, de Sérgio Resende (1997); 3 Histórias da Bahia, de Sérgio Machado (2001); Gregório de Matos, de Ana Carolina (2002); Esses Moços, de José Araripe Jr. (2004); Cidade Baixa, de Sérgio Machado (2005); Eu me lembro, de Edgard Navarro (2005); Odiquê?, de Felipe Joffily (2006); Ó Pai Ó, de Monique Gardemberg (2007); e Besouro, de Daniel Tikhomiroff (2009) são exemplos de filmes produzidos por baianos, sobre o universo cultural da Bahia, com locações feitas na terra, tendo em sua maioria atores e atrizes locais. 28 | Viver Bahia

Legenda

O conjunto arquitetônico do Pelourinho foi

imortalizado nos livros de Jorge Amado Viver Bahia | 29


A Bahia no cinema

Guerra de Canudos O drama da família nordestina que se divide, quando a filha mais velha se recusa a acompanhar os pais e a irmã na peregrinação de Antônio Conselheiro, se passa em Belo Monte, na região de Canudos, no sertão baiano. A pequena aldeia ficava às margens do Rio Vaza-Barris, entre as colinas, e foi atacada por três vezes. 3 Histórias da Bahia Como tudo na Bahia acaba em Carnaval, não poderia ser diferente nas três histórias, passadas em épocas distintas, que são ambientadas na maior festa popular do planeta.

Cartaz do filme Ó Pai Ó

Gregório de Matos A vida do poeta conhecido como Boca do Inferno é transcrita no longa- metragem através dos seus versos, em meio ao turbilhão de transformações sociais e políticas do século XVII. Foto: Rita Barreto

Esses Moços O filme narra a história de duas meninas que fogem do interior da Bahia e chegam a Salvador, onde exploram a cidade e passam os dias pelas ruas pedindo esmola. Cidade Baixa Banhada pela Baía de Todosos-Santos, a região da Cidade Baixa de Salvador é o palco das aventuras de Deco e Naldinho, a bordo do barco que é utilizado para fretes e para aplicar pequenos golpes, e Karinna, uma stripper do interior que tenta arranjar trabalho na capital. Eu me lembro A história da infância de Guiga se passa em Salvador, durante as décadas de 50 e 70, com a descoberta da adolescência, do sexo e da rebeldia da juventude. Odiquê? O Carnaval é o motivo da aventura de três jovens cariocas que tentam conseguir dinheiro para vir à Bahia. Os jovens acabam se envolvendo em uma aventura com roubo e sequestro, em uma trama eletrizante. Ó Pai Ó A comédia musical se passa em um animado cortiço do Centro Histórico de Salvador e retrata o cotidiano festeiro de personagens pitorescos do Pelourinho. Besouro A vida do menino capoeirista Besouro é retratada neste épico que mescla fantasia e momentos históricos dos anos 20, em meio ao cenário do Recôncavo Baiano.

Panorâmica da parte baixa da cidade de Salvador 30 | Viver Bahia

* Colaboraram Adriana Barbosa, Tereza Torres e Eduardo Pelosi

Entrevista: Luís Fráguas

“Estamos apostando na mão de obra local” Com 654 apartamentos, o Grand Palladium Imbassaí, do Grupo Fiesta, da Espanha, foi oficialmente inaugurado em novembro. Com investimentos de US$ 160 milhões, o empreendimento conta com mais de 80% do seu corpo de profissionais formado por moradores locais. O complexo está localizado no Litoral Norte, região turística que deve receber US$ 3,3 bilhões até 2017. O Grand Palladium Imbassaí Resort & Spa funciona no sistema all inclusive, numa área de 57 mil metros quadrados. Além disso, o resort possui dez bares, cinco restaurantes e áreas para esporte e lazer, quadras, piscinas, jacuzzis, Kids Club, centro de convenções e um spa com ampla variedade de terapias. Em entrevista à Viver Bahia, o diretor do resort, Luís Fráguas, fala sobre a relação com o governo estadual e a escolha da Bahia para sediar o primeiro empreendimento do Grupo Fiesta na América Latina.

Foto: Eduardo Pelosi

Viver Bahia | 31


Viver Bahia - O Grand Palladium está com cerca de 80% do corpo de funcionários formado por moradores locais. Quais os critérios utilizados nas contratações? É uma política do grupo beneficiar a mão de obra local? Luís Fráguas - As políticas governamentais brasileiras vigentes determinam que uma porcentagem do total de contratações correspondentes à mão de obra seja local. No entanto, o Fiesta Hotel Group aposta em favorecer, na maior medida possível, as comunidades e localidades mais próximas, gerar renda e facilidades nesses povoados, e uma mais ampla integração de um grande empreendimento como o Grand Palladium Imbassaí com o entorno. Assim, alcançamos a cifra de 80%, que é significativamente superior aos parâmetros exigidos legalmente. Essas medidas estão acompanhadas de um plano de formação e reciclagem. Assim, estaremos fornecendo um nível de qualificação e novas habilidades profissionais a nossos colaboradores, provendo serviços de melhor categoria, mais satisfação aos hóspedes e fornecendo ao conjunto do setor hoteleiro profissionais com uma formação mais embasada. VB - Mas quanto aos critérios de contratação?  LF - Quanto aos critérios para a posição profissional, aplicamos perfis correspondentes ao posto. São buscados basicamente os mesmos requisitos para um jardineiro, um recepcionista, alguém do setor financeiro ou do departamento de entretenimento e animação. Para isso, contamos com um departamento de recursos humanos, onde uma equipe de profissionais locais nos apoia e coordena todo o processo de seleção. Buscamos colaboradores que, em primeiro lugar, saibam e gostem de lidar com pessoas – isso é essencial na hotelaria e faz toda a diferença para o hóspede.   VB - Qual a taxa de ocupação atual, qual o número previsto para a alta estação e 32 | Viver Bahia

Fotos: Eduardo Pelosi

satisfação de nossos clientes, pelo qual o Fiesta Hotel Group é reconhecido. VB- Quando seria essa ampliação e quantas novas UHs estão previstas? LF - O projeto conta com uma segunda fase, localizada mais próxima à costa, e que será composta por 210 quartos, correspondentes às categorias Suítes e Master Suítes, dois restaurantes temáticos adicionais, um restaurante bufê e uma área lounge de recepção. Não posso confirmar datas, pois o projeto está sujeito a mudanças que podem se apresentar, mas se tudo se desenvolver conforme o previsto, entre o final do ano que vem e princípio de 2012, poderemos dar início à segunda etapa.

a média anual que vocês pretendem trabalhar? LF - O mês de outubro foi o primeiro de operação, e fechamos com uma porcentagem de 60% de ocupação. Para a alta estação, nossas previsões são de alcançarmos porcentagens superiores a 90%. Em 2010, nossa expectativa é de lidar com uma média de 70 a 75%. VB - Baseados nisso, vocês já pensam em ampliação? LF - Prevemos desde o início realizar uma segunda fase de ampliação. Considerando a tessitura econômica internacional que afeta a muitos dos principais mercados emissores de turistas, é um feito por si só muito revelador da iniciativa e empreendedorismo do Fiesta Hotel Group, mantendo seu plano de expansão. Neste momento, nossa atenção está focada em alcançar excelência em todos os serviços e instalações do complexo recém-inaugurado, estabelecer com eficácia todos os padrões da companhia, tornar o produto conhecido no mercado e entre sócios comerciais, alcançando o nível de

VB - Qual a relação do grupo com o Governo da Bahia, existe ou existiu alguma parceria? LF - Desde o início e a todo momento ao longo do processo de licenciamento, construção e início das operações, temos contato com o apoio, assessoramento e colaboração do governo, seus executivos e seus responsáveis nas distintas áreas de administração, em todos os níveis: federal, estadual e municipal. Todos sabem que os trâmites e a burocracia em algumas ocasiões são processos lentos e exigentes, mas são a garantia necessária e fundamental para assegurar que os investimentos no entorno são um fundo de comércio, tem um valor e que ajudarão a preservar a região. Por tanto, estamos mais que agradecidos com o cumprimento estrito das normas e disposições.

posicionamento de marca, tudo influi e soma, e sabendo da importância do mercado interno brasileiro e o potencial de crescimento latente, o fato de a Bahia estar destacada como o destino preferido dos brasileiros e estar em evidência é, sem dúvida, algo muito positivo. VB - Qual o público que frequenta o Grand Palladium, de onde vêm esses turistas? LF - Neste último trimestre do ano e primeiro de operação do nosso resort, o principal mercado consumidor foi o brasileiro, tanto da própria Bahia, como de estados limítrofes e do resto do País. A participação de turistas internacionais começará a ganhar mais destaque a partir de dezembro. VB - A presença de concorrentes como o Iberostar e o Complexo Sauípe atrapalha os planos do Palladium? LF - Pelo contrário! Em alguns outros destinos onde temos presença, a competição se estendeu além do que o destino

tem capacidade de gerar. Nesses casos, a construção de uma nova iniciativa hoteleira gera certas dificuldades. No caso da Linha Verde e da Costa dos Coqueiros, essa concorrência ainda está dentro de um nível razoável e é saudável, pois ajuda a criar e promover o destino turístico. A competição é uma aliada para o mercado e empresas, obrigando a manter um nível de exigência nos produtos ofertados, controlando os preços e abrindo uma oferta mais extensa para os consumidores. VB - Existe alguma tarifa especial para a baixa estação? LF - Nosso departamento comercial tem pautadas diversas estratégicas tanto de marketing como comerciais para adequar-se e chegar aos distintos segmentos de mercado e canais de distribuição nos diferentes períodos do ano. Desde a abertura do complexo, houve promoções e especiais muito atrativos para promover o produto e gerar demanda, o que permitiu que nos posicionássemos no mercado.

O projeto conta com uma segunda fase, localizada mais próxima à costa, e será composta por 210 quartos, correspondentes às categorias Suítes e Master Suítes, dois restaurantes temáticos adicionais, um restaurante bufê e uma área lounge de recepção.

Entrevista: Luís Fráguas

VB -  O fato de o Ministério do Turismo ter considerado a Bahia como destino turístico preferido dos brasileiros influencia, de alguma forma, nas vendas dos pacotes? LF - Vivemos em uma sociedade em que as informações são amplamente difundidas, em que todos têm acesso imediato aos conteúdos e dados que são gerados, podendo compartilhar impressões com distintos usuários e conhecer experiências de terceiros em primeira mão. Considerando isto e muitas outras ferramentas, como a imagem pública, o Viver Bahia | 33


Enoturismo

Um destino completo Vale do São Francisco reúne o o lazer das praias fluviais e

z Gabriel Carvalho (texto)* z Eduardo Pelosi (fotos)

O

céu azul, com excelente luminosidade, o solo fértil e água em abundância transformaram a região do Vale do São Francisco, localizada a 500 km de Salvador, entre o Sertão da Bahia e o Agreste Pernambucano, num dos maiores produtores de vinho do Brasil. Tais condições garantem que uma única vinícola, situada na cidade baiana de Casa Nova, realize uma produção anual de 3 milhões de litros de vinhos (brancos e tintos, suaves e secos), brandies e espumantes.

34 | Viver Bahia

De acordo com enólogos e especialistas em bebidas, nenhum lugar no país consegue reunir tantos requisitos para o cultivo das uvas que são responsáveis pela fabricação dos vinhos e derivados. Lá, os parreirais são expostos à luz durante mais de três mil horas por ano. Aliás, esses produtos hoje são consumidos no Brasil e no exterior, uma vez que a região já exporta quase um quinto de tudo o que é fabricado ali. “Nós temos colheita o ano inteiro”, enfatiza o empresário Eurico Benedetti, da Miolo. O potencial do Vale do São Francisco de produzir bebidas de qualidade levou os empresários do setor a apostar em um outro tipo de negócio: o Turismo. Lançada como primeiro destino de enoturismo

do Nordeste do país, em 2009, a Fazenda Ouro Verde, em Casa Nova, já festeja a sua primeira colheita. A média anual de pessoas que visitam as instalações da Miolo saiu literalmente do zero para uma média mensal de 1 mil visitantes e, animados, os dirigentes da vinícola apostam na duplicação desse fluxo no próximo ano. Entre os visitantes, gente de Salvador, Recife, Fortaleza, João Pessoa, Campina Grande, moradores do Sudeste e também franceses e italianos que apreciam um bom vinho. Mesmo em plena caatinga, a Fazenda Ouro Verde possui traços em sua arquitetura e também em sua paisagem que, em muito, lembram o continente europeu. Isso faz

requinte das vinícolas com uma vida noturna agitada

com que os turistas que ali chegam nem reparem na temperatura, que geralmente está acima dos 30ºC. Por trás da vinícola há também uma bela visão do Rio São Francisco, o que é um grande deleite para os olhos. No interior da fábrica, os visitantes – que pagam uma taxa de R$ 10 pela visita - acompanham todo o processo de produção dos vinhos, brandies e espumantes, desde a destilação até o engarrafamento e a embalagem. O passeio, que pode ser feito a qualquer época do ano mediante agendamento prévio, é monitorado por uma enóloga que explica cada procedimento, A ponte Presidente Dutra é o principal e o visitante também pode fazer cartão-postal uma degustação em ambiente do Vale do climatizado. São Francisco Viver Bahia | 35


Enoturismo

Parreiras em plena caatinga

Uvas selecionadas mantêm qualidade

Processo de engarrafamento

Tonéis de madeira para envelhecimento 36 | Viver Bahia

O fim da visita se dá em uma loja que comercializa todos os itens ali produzidos. Além das bebidas, o turista pode adquirir bonés, camisetas, hidratantes feitos à base de uva, baldes de gelo e até embalagens mais sofisticadas. Caso adquira algum produto, o visitante recebe os R$ 10 de volta, em forma de desconto na mercadoria que for adquirir. Entre os produtos mais vendidos estão os proseccos e os espumantes de moscatel (esses são mais doces). Os gastos de cada turista variam entre R$ 70 e R$ 700. (www.miolo.com.br) Para incentivar o segmento do enoturismo, o governo baiano, por meio da Secretaria de Turismo e da Bahiatursa, promoveu uma série de iniciativas que vão desde a divulgação do destino em feiras e eventos à confecção de folhetos e à viabilização de obras de infraestrutura, como o asfaltamento de 9 km da BA-316, trecho que liga a BR-235 até a Barragem do Sobradinho. A partir de dezembro, o novo roteiro ganha um reforço, pois será inaugurado o Vapor do Vinho, uma embarcação que transportará os turistas pelo Rio São Francisco até o Lago de Sobradinho – segundo maior lago artificial do mundo – passando por uma eclusa da Companhia Hidrelétrica do Vale do São Francisco (Chesf ).

Vapor Saldanha Marinho pode ser visitado

As belezas naturais do Velho Chico agradam a todos os gostos

Cultura, música e belezas naturais se completam

S

Carrancas do São Francisco: espanta olho-gordo

e há um lugar no Nordeste que consegue reunir tão bem características de boa música, belas paisagens e aspectos culturais bastante diversificados esse lugar é o Vale do São Francisco. Tanto em Juazeiro, na Bahia, quanto em Petrolina, no lado pernambucano, diversas expressões compõem um cenário dificilmente encontrado em outros lugares do Brasil. Um dos principais ícones da história local é o Rio São Francisco, cantado em verso e prosa por artistas de diversas regiões nordestinas. Também chamado de Opará, como é conhecido pelos indígenas, ou popularmente de Velho Chico, o rio nasce em São Roque de Minas, na Serra da Canastra, no estado de Minas Gerais, a aproximadamente 1.200 metros de altitude, atravessa o estado da Bahia, fazendo sua divisa ao norte com Pernambuco, bem como constituindo a divisa natural dos estados de Sergipe e Alagoas, e, por fim, deságua no Oceano Atlântico, drenando uma área de

aproximadamente 641 mil km² e atingindo quase 3 mil km de extensão. O Velho Chico apresenta duas áreas plenamente navegáveis e a maior está entre Pirapora, em Minas Gerais, e Juazeiro, na Bahia, com cerca de 1.371 km de extensão. Na cidade baiana, as pequenas ilhas do Velho Chico são as principais opções de lazer dos fins de semana para turistas e moradores locais. As ilhas da Amélia e do Rodeadouro contam com toda a infraestrutura necessária para receber os visitantes. No Rodeadouro, a aproximadamente 12 km do centro de Juazeiro, mais de 5 mil pessoas atravessam um pequeno trecho do rio para curtir a praia fluvial nos finais de semana. A grande movimentação no local rende muitos lucros aos comerciantes que estimam a venda de 1 mil caixas de cerveja nas sextas-feiras, sábados e domingos. Na praia é possível curtir um banho de rio refrescante nas águas do Velho Chico. A baixa temperatura da água minimiza o calor proporcionado pelo

sol forte. Os que gostam de uma cervejinha também aproveitam para se refrescar no São Francisco. Outras atrações imperdíveis na cidade são a Orla Fluvial, a escultura em homenagem ao Nego D’Água, que trata de uma lenda local, e a réplica do Vaporzinho, antiga embarcação que fazia a travessia de Juazeiro para Petrolina e vice-versa, antes da construção da Ponte Presidente Dutra. Em Petrolina, a Igreja do Sagrado Coração de Jesus, que é a Catedral do município, é uma das atrações turísticas mais visitadas da região. O Centro de Cultura e Arte Ana das Carrancas, que leva o nome de uma grande artesã pernambucana, também recebe milhares de visitantes por ano. Ana ficou muito conhecida pela arte de esculpir carrancas, criatura em forma humana ou animal, utilizada pelos pescadores, a princípio na proa das embarcações que navegam pelo Rio São Francisco para espantar os maus espíritos. Viver Bahia | 37


Enoturismo

Turistas encaram embarque para Ilha do Rodeador

Do lado baiano, as carrancas são esculpidas em madeira e são facilmente encontradas na Casa do Artesão, no Centro da Cidade. O espaço mantido pela prefeitura local reúne todo o tipo de artesanato regional e peças produzidas por artistas locais, como Afonso Conselheiro. O nome foi adotado pelo artesão devido à sua semelhança física com o beato Antônio Conselheiro, personagem principal da Guerra de Canudos. Afonso trabalha com material reciclável e fabrica artefatos que vão desde acessórios de vestuário para dançarinos e cantores de forró, até toalhas de mesa, cortinas e espelhos produzidos com materiais aproveitados de latinhas de refrigerante. Ritmos – Imortalizadas pelo compositor Jorge de Altinho, as cidades de Juazeiro e Petrolina também foram abençoadas por Deus quando o assunto é música. Diversos nomes da MPB saíram das 38 | Viver Bahia

margens do São Francisco, tanto do lado pernambucano quanto do lado baiano, e ganharam o mundo. De Juazeiro, depois do cantor e compositor João Gilberto, ícone da Bossa Nova, a filha mais ilustre do mundo da música é a cantora Ivete Sangalo, que faz questão de cultivar a sua “juazeirice”. Na cidade, todos têm uma história engraçada da cantora. No bairro Country Club, onde os Sangalo moraram, o pai da artista foi homenageado com uma estátua. Do lado pernambucano, dois nomes se destacam. O do cantor e compositor Geraldo Azevedo e o do baiano de coração Targino Gondim. Geraldo é autor de grandes sucessos como Dia Branco, Moça Bonita e Canta Passarinho e tem mais de três décadas de carreira. Já Targino é um dos maiores divulgadores do forró em todo Brasil e ficou internacionalmente conhecido após uma de suas canções, Esperando na Janela, ser escolhida para a trilha sonora do filme Eu, tu, eles, de Andrucha Waddington.

Ilha do Rodeador recebe centenas de pessoas nos fins de semana

Gastronomia e vida noturna são atrativos

U

Afonso Conselheiro e seu “espelho mágico”

m bom vinho sempre pede uma boa comida e é com esse mote que os restaurantes do Vale do São Francisco combinam as iguarias regionais com as bebidas produzidas nas vinícolas da vizinhança. Segundo especialistas, o vinho tinto deve ser apreciado com as carnes de bode e de carneiro, muito comuns na região. Os espumantes são ideais para serem degustados acompanhados de beijus de tapioca salgados. Já o vinho branco deve ser consumido com peixes, em especial o surubim, que é típico das águas do Velho Chico. Por falar em culinária típica, a principal estrela da região é sem dúvida o bode, que pode

Espaço destinado a degustação na Vinícola Ouro Verde

ser consumido em diversos estabelecimentos. Um dos restaurantes mais antigos e conhecidos da região é o Papa’s, que fica próximo ao Country Club de Juazeiro. Servido no espeto e com deliciosos acompanhamentos como aipim frito, manteiga de garrafa,

purê de aipim, feijão verde e salada vinagrete, o caprino, que tem baixo teor de gordura e colesterol, tem sabor parecido com o da carne de boi. Para os que têm preconceito, um recado do próprio Papa, chef responsável pelo restaurante que leva o seu nome. “O segredo está no Viver Bahia | 39


Informações

úteis

Enoturismo

Como Chegar Via Terrestre - Acesso rodoviário partindo de Salvador pela BR-324 até Capim Grosso, entroncamento com a BR-116, a cerca de 30 quilômetros de Feira de Santana. Transporte rodoviário - www.falcaoreal. com.br Via Aérea - Aeroporto Senador Nilo Coelho (Petrolina) Gol Linhas Aéreas – www.voegol.com.br TRIP - www.voetrip.com.br Avianca – www.avianca.com.br Onde Ficar Grande Hotel de Juazeiro - Rua José Petitinga, nº466 - Santo Antônio. Tel.: (74) 3612-3100 Fax: (74) 3612-7744 e-mail: lazar@netcap.com.br Hotel Bahia - Rua Antonio Cursino, nº01Centro. Tel.: (74) 3611-7089

Evento se consolida no calendário regional

Festival Internacional da Sanfona movimenta o turismo

Infraestrutura turística da Ilha do Rodeador

corte da carne e também na idade do bode. Os animais ideais para ir à mesa são os mais novos, uma vez que os mais velhos são mais recomendados para a reprodução, pois a idade deixa o bicho rançoso”. Pescado nas águas do Velho Chico, o surubim também deixa os visitantes com água na boca. O peixe é servido de diversas formas e uma das mais saborosas é a versão com molho de camarões que também são encontrados no Rio São Francisco. Opções de lugares não faltam para a degustação dos pratos típicos do Vale. Em Juazeiro, além do Papa’s, que é especializado em bode e carneiro, há o restaurante do Grande Hotel, considerado um dos melhores da região. Do outro lado da Ponte Presidente Dutra, na cidade pernambucana de Petrolina, está localizado outro grande centro de gastronomia da região. Conhecido como Bodódromo, o espaço situado na Avenida São Francisco conta com mais de dez restaurantes e 40 | Viver Bahia

Bode é carro-chefe da cozinha local

ainda dispõe de área para shows musicais, quiosques e lanchonetes. O bode assado, o surubim e o carneiro são presença garantida nos estabelecimentos do local. Agitos – Se a comida é muito boa, o mesmo se pode dizer também da vida noturna de Juazeiro, uma das mais agitadas da Bahia. Na cidade, que está localizada na divisa com Pernambuco, o forró é

o ritmo mais executado, mas outras tendências como o MPB, o axé music e o pagode também fazem parte do repertório dos bares e casas noturnas da região. Os principais points da cidade são o Armazém Café, o Depósito Dancing e o Country Club, onde todas as quintas-feiras rola o Forró do Mamãe não me Acha, das 23h até a manhã do dia seguinte. A festa surgiu num período de férias escolares e universitárias e entrou para o calendário fixo da cidade devido ao sucesso de público. As vaquejadas também agitam os finais de semana com muito forró e musica sertaneja. Os festejos, que lotam os parques situados na zona rural, começam já na quinta-feira e se estendem até domingo. Em Petrolina, parte da vida noturna se concentra na Avenida Areia Branca, local que reúne muitos bares e restaurantes. Casas de show e espaços para a música eletrônica também estão no rol de opções da cidade pernambucana.

Com a terceira edição confirmada para 2011, o Festival Internacional da Sanfona se consolidou como um dos principais eventos do calendário turístico do Vale do São Francisco. Idealizado pelo cantor, compositor e sanfoneiro Targino Gondim, o evento reúne sanfoneiros de todos os estados do Nordeste e também do Sul e Sudeste do país, assim como diversos instrumentistas do cenário internacional. Concebido em 2009, o Festival se consolidou já na segunda edição, levando para Juazeiro e Petrolina uma grande quantidade de turistas de todos os cantos do Brasil e até de outros países como França e Itália. Durante o fim de semana em que foi realizado o evento, os meios de hospedagem ficaram completamente lotados, tanto do lado baiano quanto da parte pernambucana. O bancário aposentado José Lourinaldo Freitas, 53 anos, saiu de Campina Grande, na Paraíba, “para curtir o som dos melhores

sanfoneiros do mundo”, no Vale do São Francisco. Apaixonado pela música nordestina, Freitas aproveitou também para curtir os encantos da Ilha do Rodeadouro, no Velho Chico. O local está situado a 12 km do centro de Juazeiro. A mesma iniciativa foi tomada pela auxiliar de enfermagem Telma Fontes, 52 anos, que saiu de Salvador para acompanhar o festival na companhia de quatro amigos. Nem os 500 km de estrada desanimaram o grupo de soteropolitanos. “Vim para o evento, mas antes pesquisei na internet sobre alguns lugares que pudesse visitar por aqui, e por isso vim conhecer a ilha”, conta. De passagem pelo Brasil, o francês Jean Gachot foi até o Vale do São Francisco para apreciar o festival. Ele aproveitou os quatro dias de permanência em Juazeiro e assistiu a algumas aulas de sanfona, ministradas por músicos locais.

Onde Comer Macaxeira - Rua Dr. Juvêncio ALves, nº06, Orla. Tel.: (74) 3611-7237 Maria Bonita - Travessa da Maravilha, nº140, Alto da Maravilha. Tel.: (74) 3611-8439 Restaurante Bode Grill - Av. Benedito Almeida de Moraes,s/n- Alto da Aliança. Tel.: (74) 3613 - 2818 Restaurante Casa Antiga - Rua Conselheiro Saraiva, nº08- Centro. Restaurante Picanha no Chiado - Av. Adolfo Viana,s/n- centro Restaurante Carcará - Rua José Petitinga, nº466 - Santo Antônio. Tel.: (74) 3612-3100 Fax: (74) 3612-7744 e-mail: lazar@netcap.com.br JUAZEIRO

BR 407

CAPIM GROSSO BR 324 BR 116

FEIRA DE SANTANA

BR 324

SALVADOR JUAZEIRO

SALVADOR

* Colaborou Eduardo Pelosi Viver Bahia | 41


Gente da Bahia

Foto: Adenilson Nunes/Agecom

O que é que a baiana tem? No tabuleiro da típica baiana tem de tudo um pouco, do famoso bolinho de acarajé às cocadas e doces diversos Foto: Rita Barreto

z Clarissa Pacheco*

“T

em graça como ninguém!”, já versava Dorival Caymmi sobre o símbolo maior da Bahia: as baianas do acarajé, que integram a paisagem mística da terra, matriarcas generosas de muitos quitutes. Além do tão celebrado acarajé, o tabuleiro da baiana também oferece abará, cocadas e bolinho de estudante, entre outras delícias. A origem das típicas baianas remonta ao período colonial, quando as negras de ganho percorriam as ruas da cidade com tabuleiros equilibrados sobre a cabeça, vendendo quitutes. As negras alforriadas, vendedoras dos quitutes de matriz africana foram as primeiras “baianas” a percorrerem a capital baiana, de porta em porta, para vender beijus, cuscuz, bolinhos e outras iguarias passadas pelos seus ancestrais. Hoje, a tradição se mantém e as baianas são componentes da paisagem da cidade. São personagens urbanas, mulheres trabalhadoras, verdadeiras mantenedoras de famílias. O tipo social e cultural marca a vida na Bahia, projetando no cotidiano de milhares de pessoas traços relativos aos terreiros de candomblé e à cultura trazida da África, através da roupa, do comportamento e da oferta de comidas, em um conjunto que promove a identificação da baiana como uma síntese do que é afro.

42 | Viver Bahia

O acarajé um dos quitutes favoritos do tabuleiro da baiana

Surgimento do ofício - Com a alforria e, posteriormente a abolição da escravatura, os negros tiveram que buscar meios para o sustento das suas famílias. Alguns continuaram a trabalhar nas propriedades rurais. Outros adquiriram algumas tarefas de terra. Os que não tiveram outras oportunidades optaram por vender quitutes em tabuleiros, que encantavam tanto pelo aroma quanto pelo sabor, uma mistura da culinária portuguesa, aprendida na casa grande, com a culinária

africana usada pelos escravos para reverenciar os seus deuses, os orixás. O tempo passou e outras cozinhas foram sendo incorporadas pelas quituteiras, inclusive a indígena, dando origem ao que hoje é denominada de culinária afrobaiana, com uso de ingredientes brasileiros que encantam pela cor, sabor e aroma característicos. E assim surgiu o tabuleiro da baiana: uma fusão de culturas e influências que levam a sabores inconfundíveis, transformando o antigo ofício em profissão.

Sorriso no rosto é marca registrada das baianas

Viver Bahia | 43


Fotos: Rita Barreto

Gente da Bahia

Tradição iorubá passada a gerações Séculos depois do período colonial, a Bahia ainda tem nas baianas do acarajé a representação histórica e, ao mesmo tempo, contemporânea do povo da Bahia. Não há um só ponto turístico da cidade onde o visitante não encontre um tabuleiro montado e o aroma característico dos quitutes vendidos por elas. O acarajé, chamado de àkàrà na África (jé significa comer, em iorubá), ainda é o quitute mais pedido. O abará também não fica muito atrás, seguido dos outros acepipes. A origem da iguaria é explicada através da mitologia africana que envolve a relação de Xangô com suas esposas, Oxum e Iansã. O acarajé se tornou, assim, uma oferenda a esses orixás. Mesmo ao ser vendido num contexto profano, o acarajé ainda é considerado pelas baianas uma comida sagrada. A tradição de vender os bolinhos que atraem tanta gente continua a atrair novas baianas, mas ainda há muitas que seguem a tradição familiar. As baianas Cira, Regina e Dinha conquistaram clientela fiel e fizeram – e ainda fazem - sucesso dentro e fora da Bahia e do Brasil. Até hoje, os tabuleiros funcionam, com a colaboração da família inteira. É o caso da baiana Cláudia de Assis, 42 anos. O ponto de vendas fica no Rio Vermelho, no famoso Largo de Santana. No topo da barraca, o nome da mãe ainda está lá. E não deve sair. Lindinalva de Assis, conhecida como Dinha, uma das baianas mais queridas de Salvador, morreu em 2008, mas a tradição do bom acarajé, do abará, das cocadas e bolinhos de estudante continua viva pelas mãos da filha Cláudia. “Este ponto existe há mais 44 | Viver Bahia

de 60 anos. Começou com minha avó, depois passou para minha mãe. Eu aprendi com ela e já trabalho no tabuleiro há 15 anos”, conta. Nos finais de semana, o movimento é grande, e haja força no braço para fazer tanto acarajé. A massa, feita à base de feijão fradinho, precisa ser batida constantemente, para não perder o ponto da fritura. “Nas sextas, sábados e domingos, quando tem mais movimento, chegamos a vender 500 a 600 acarajés. No verão, quando vem muitos turistas, esse número chega a dobrar, para mais de mil acarajés por dia”, diz Cláudia, que trabalha com mais oito pessoas.

Filha de Dinha mantém o ponto e a tradição

Baianas capricham no visual

Traje especial completa a paisagem Para vender o quitute mais famoso da culinária baiana, o traje típico, concebido desde a época colonial, é indispensável. Saias fartas e engomadas, anáguas – para arredondar as formas, batas feitas com pano-da-costa e, na cabeça, o turbante, conhecido como torço. Completa a indumentária uma grande variedade de joias, colares, fios-de-contas, nas cores dos orixás, balangandãs e chinelos de couro à mourisca. O traje, o mesmo usado nos terreiros de candomblé, mistura a tradição do Ocidente com o Oriente, a estética europeia do século XVIII e de povos islâmicos, na Europa e na África. “Minha mãe sempre ensinou que a gente tinha que usar o traje típico, porque é dele que vem a tradição religiosa, do candomblé. A roupa é uma herança das Iaôs, que são as filhasde-santo e tem que estar totalmente adequada aos rituais. “Tem que ser

assim: saia, bata e torço na cabeça”, explica Cláudia Assis, que, apesar de não ser adepta da religião de matriz africana, segue fielmente as tradições culturais. Jussara Santos, baiana há 11 anos, também adota a caracterização no trabalho, com todas as 35 colegas que trabalham nos três tabuleiros de Cira. Para ela, a roupa faz parte da cultura e do reconhecimento das baianas em meio a turistas e conterrâneos: “Tentamos, pelo menos, usar sempre o traje. A roupa é muito importante para a caracterização da baiana do acarajé. Faz parte da forma como as pessoas nos veem, tanto os baianos quanto os turistas”, explica. Um dos acessórios mais importantes para a caracterização das baianas é o torço, também conhecido como turbante. É no torço que se encontra uma das maiores ligações da tradição com as religiões de matriz africana, onde o acessório é chamado de ojá. Embora nem todas as baianas façam parte do candomblé ou da umbanda, o respeito às tradições é evidente. “A partir da cultura africana é que veio tudo que nós temos hoje”, afirma Jussara.

Renda aumenta no Verão No verão, quando há maior movimentação de turistas na Bahia, é quando a economia favorece o ofício dessas mulheres. Não faltam interessados em provar os sabores e aromas vindos dos tabuleiros e o faturamento diário chega a R$ 5.400 pelos mais de 1.200 bolinhos vendidos ao dia. Segundo Cláudia Assis, nesta época do ano, os visitantes chegam a ser a maioria dos clientes. “Geralmente o volume é maior de brasileiros, principalmente os que vêm do sul e sudeste do país. Em menor escala, vêm os estrangeiros”. Com tanto movimento, é preciso ter ajuda para dar conta do serviço. Há tabuleiros que chegam a operar com dez funcionários e a qualificação é indispensável. “Sempre participamos de projetos voltados para o turismo, como cursos do Sebrae, do Governo do Estado e do Ministério do Turismo. Estamos participando também da capacitação técnica para o turismo para a Copa de 2014 e para as Olimpíadas de 2016”, aponta Cláudia.

No verão, as filas são comuns nos points de acarajé

Foto: Adenilson Nunes/Agecom

Depois de terem sido reconhecidas como Patrimônio Cultural do Brasil, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em 2005, as baianas receberam um espaço dedicado a contar a história do ofício e de outros temas agregados. Em junho de 2009 foi inaugurado o Memorial da Baiana do Acarajé, na Praça da Cruz Caída, no Pelourinho, por iniciativa do Ministério da Cultura (MinC), em parceria com a Associação das Baianas do Acarajé, Mingau, Receptivos e Similares (ABAM). Outra homenagem instituída no calendário oficial brasileiro é o Dia Nacional da Baiana, comemorado em 25 de novembro, que foi oficializado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em janeiro de 2010. * Colaborou Caroline Martins

Receita do Acarajé Ingredientes: 1kg de feijão fradinho quebrado 2 cebolas 50g de camarão seco dessalgado Sal a gosto Azeite de dendê para fritar Ingredientes para o recheio: 400g de camarão seco 300g de vatapá Vinagrete feito com 4 tomates, 1 cebola, 2 colheres de coentro (picado) Modo de preparo: Deixe o feijão de molho por 6 horas. Depois lave até que saia toda casca. Deixe escorrendo numa peneira com um pano até que fique bem enxuto. No processador, leve o feijão, uma cebola, o camarão seco, sal a gosto e triture até que fique com uma consistência de massa. Bata a outra cebola no liquidificador e vá adicionando aos poucos à massa, batendo com uma colher de pau até atingir o ponto. Esquente bem o azeite de dendê e coloque os acarajés para fritar. Recheio: Corte o acarajé ao meio e recheie com um pouco de vatapá, um pouco de camarão e com o vinagrete.

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Caminhos do Sertão

Canudos não se rendeu A pacata cidade do semiárido baiano, palco de um dos conflitos mais polêmicos do país, resiste ao tempo e oferece roteiros históricos a céu aberto z Ana Paula Cabral (texto) z Rita Barreto (fotos)

L

ocalizado em meio à paisagem repleta de montes cobertos pela caatinga que esconde o solo alaranjado, seco e pedregoso, o açude Cocorobó aparece no sertão baiano como um oásis que, curiosamente, encobre um significativo episódio da história do Brasil: a Guerra de Canudos. Batizada de Belo Monte, no final do século XIX, a comunidade católica de convivência solidária, que abrigou sertanejos, índios e negros recémlibertos foi perseguida e massacrada pelo Exército pelo simples fato de seguir os ideais de seu líder, Antônio Vicente Mendes Maciel, o beato Antônio Conselheiro – um homem nordestino, de vida sofrida que, com ensinamentos baseados na Bíblia, atraiu muitos seguidores e se opôs ferrenhamente à República que há pouco se instalara no Brasil, trazendo consigo casamento civil, cobrança exacerbada de impostos e um modo de governar que dissociava o poder político do poder de Deus e da Igreja presentes no Brasil há quatro séculos.

Visão do açude Cocorobó e dos montes que o cercam

46 | Viver Bahia

A história do maior conflito brasileiro do período republicano pode ser relembrada ainda hoje, mais de um século depois, com a visitação do município de Canudos, a 350 km da capital baiana. Um dos principais ícones do turismo cultural do estado, a cidade de Canudos é visitada por cerca de 20 mil turistas a cada ano. Nascido no Ceará, Antônio Conselheiro, que segundo seu pai deveria ser padre, perdeu a mãe ainda criança, foi maltratado pela madrasta, traído e abandonado pela mulher, preso injustamente e teve uma trajetória profissional sem sucesso até resolver mudar de vida e percorrer o sertão nordestino. Em suas andanças passou também pela Bahia, onde esteve em diversas localidades, sempre reformando e construindo igrejas e cemitérios até se estabelecer e fundar a comunidade de Belo Monte, atual Canudos, em 1893.

Visão da praça onde está instalado o Museu Histórico de Canudos, principal atração do distrito de Canudos Velho

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Caminhos do Sertão

Memorial Antônio Conselheiro guarda relíquias da Guerra de Canudos e ajuda a entender melhor o conflito

Segundo historiadores, como o canudense João Ferreira, que há 10 anos pesquisa o conflito de Canudos, a guerra foi motivada pela oposição ao regime republicano e estimulada por autoridades e fazendeiros que perdiam cada vez mais trabalhadores de mão de obra barata que abandonavam seus postos de trabalho para seguir o Conselheiro sertão adentro. “Ele foi o grande realizador da reforma agrária. Lutou contra o coronelismo e o latifúndio que eram o grande problema do sertão e constituiu uma comunidade solidária na fazenda Canudos, que dava abrigo a todos os que desejavam se juntar a ele”, lembra o estudioso. A guerra que em menos de um ano aniquilaria a comunidade de Belo Monte teve seu estopim com um mal-entendido na compra de madeira junto a um fornecedor de Juazeiro. Esse episódio desencadeou no início do conflito com a polícia baiana e na posterior interferência do Exército brasileiro no combate ao povoado que contava com uma guarda oficial de conselheiristas, incluindo até ex-militares. Servindo-se da técnica de guerrilha, os jagunços do 48 | Viver Bahia

Tranquilidade nas ruas da atual cidade de Canudos, emancipada em 1985

Conselheiro utilizavam-se do conhecimento geográfico da região e da vegetação local para combater os adversários, usando o método de ataque por dentro de trincheiras, com objetos como facões e foices, além de armas roubadas de soldados. Com o desenrolar do sangrento confronto, os seguidores do Conselheiro venceram três etapas da guerra, mas foram derrotados na quarta expedição. Após fugas, mortes em confronto e degola dos conselheiristas capturados pelo Exército, a Guerra de Canudos terminou em 1897, com a total destruição de Belo Monte.

Força do sertão presente nas plantas que resistem

Famílias formam pequena povoação às margens do açude que encobriu a mística Belo Monte

Vegetação diversificada

à seca

Bodes são animais típicos da região

Escultura no Mirante do Conselheiro:

Ar bucólico de Canudos Viver Bahia | 49


Caminhos do Sertão

Memória continua viva

Portal de acesso ao Parque Estadual

Por do sol no jardim do Memorial Antonio Conselheiro

E

m 1969, cerca de 70 anos após a guerra que marcou a história da República, o território que abrigou a Belo Monte do Conselheiro e seus seguidores foi submersa com a construção do açude Cocorobó. Mas, apesar das ruínas terem ficado debaixo d’água, a história de Canudos não foi esquecida. O episódio pode ser revivido com o auxílio de livros. Um exemplo é o clássico Os Sertões, do jornalista Euclides da Cunha, enviado à Bahia para cobrir a guerra pelo jornal O Estado de São Paulo. Mas o conflito não foi registrado apenas por escritores brasileiros: o livro A Guerra do Fim do Mundo, do peruano Mario Vargas Llosa, é um dos mais significativos sobre a guerra e foi fruto de sua viagem ao sertão baiano, em 1980. No entanto, apesar das ricas obras literárias publicadas até então, a leitura não é a única forma de reviver a guerra. Em 1997, seu principal cenário foi transformado no Parque Estadual de Canudos, mantido pela Universidade do Estado da Bahia (Uneb), e pode ser visitado por turistas que desejam saber um pouco mais sobre a história da guerra entre conselheiristas e republicanos. 50 | Viver Bahia

Museu Histórico de Canudos

Localizado numa área de 1.321 hectares entre a atual sede do município de Canudos e o distrito de Bendengó, com acesso pela BR235 ainda em construção, o parque, que é referência nacional quando se fala em turismo cultural, guarda um roteiro de 5 km com passagem por pontos estratégicos das sangrentas batalhas do século XIX. Sinalizado,

o parque abriga sítios onde foram montados acampamentos militares, hospitais, cemitérios de soldados e conselheiristas e trincheiras para batalha. No ponto mais alto do parque, tem lugar um marco pela Guerra de Canudos, onde está fincado um grande cruzeiro instalado - bem onde fora posicionado o canhão do Exército - e que faz lembrar os monumentos que tradicionalmente ficavam à frente das igrejas construídas pelo Conselheiro e seus seguidores. De lá também se tem uma ampla visão do açude do rio Vaza-Barris, batizado como açude Cocorobó devido à sua proximidade do vilarejo de mesmo nome, que se constituiu na atual sede de Canudos.

A Romaria de Canudos é outra atração da região

Visão do Parque Estadual de Canudos

Fim de tarde nas margens do Cocorobó é boa opção de lazer

Opções de lazer se juntam ao turismo histórico

Trincheira usada pelos conselheiristas

J

á no povoado de Canudos Velho, os turistas podem visitar o pequeno Museu Histórico de Canudos, erguido por Manoel Alves há quase 30 anos. “Fui comprando e ganhando objetos do tempo da guerra já com a intenção de construir um museu porque vi que os estrangeiros se interessavam muito mais pela guerra de Canudos do que quem era da terra. Na época, eles chegavam aqui perguntando e a gente não tinha muita coisa pra mostrar”, explica o comerciante nascido em Monte Santo que se mudou para Canudos em 1971 para morar às margens do açude,

juntando-se a outros pescadores na busca por uma vida melhor. Entre os itens do seu acervo destacamse antigas máquinas de costura, ferros de passar roupa, chaves e um baú, tidos como pertencentes a moradores da comunidade de Belo Monte, além de cartuchos e balas, espingardas e revólveres, facões e bainhas que teriam sido utilizados durante a guerra. Próximo ao museu, turistas e moradores do local podem desfrutar do pequeno balneário do açude Cocorobó, banhando-se na prainha do rio Vaza-Barris, para espantar o calor que se alastra pela região. A alguns metros dali, submersas nas águas, estão as ruínas de Belo Monte, aquela que foi a “terra prometida” do Nordeste brasileiro. O local conta com estrutura para acolher visitantes e é um dos pontos mais procurados por quem vai ao município nos finais de semana. Outro atrativo do município está no caminho entre a velha e a nova Canudos, também na BR-235: o Mirante do Conselheiro. Local de lazer nos finais de semana, o

mirante, que tem uma imagem de Antônio Conselheiro no alto, conta com infraestrutura de bares com música ao vivo, banheiros, chuveiros e uma igrejinha. Cartão-postal do sertão, sua vista também contempla o açude, o segundo povoado de Canudos e sua atual sede. Depois de uma seção de fotos no mirante, uma boa opção de passeio é o Jorrinho – um parque que oferece um bom banho em cascatas ou no canal que leva água do açude para a irrigação de lavouras. Depois do banho relaxante, uma boa pedida é aproveitar a beleza do sol que se põe no final da tarde, proporcionando um espetáculo de luzes vermelhas e alaranjadas sobre o espelho d’água do açude Cocorobó.

Por do sol visto da trilha entre o Memorial

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Caminhos do Sertão

Cidade Cenográfica será palco de espetáculo

Pequenas casas no acesso a Canudos revelam a simplicidade do lugar

Igrejas ainda guardam objetos sagrados de Belo Monte

A

religiosidade tão presente na trajetória de Antônio Conselheiro e na comunidade de Belo Monte ainda é um dos aspectos mais fortes da Canudos dos dias atuais. A devoção de Conselheiro a Santo Antônio foi adotada por sua comunidade e levada para as gerações seguintes. Padroeiro da cidade, Santo Antônio é louvado no início do mês de junho com uma trezena e festas diárias no período de 1º a 13, antecedendo as festas de São João e São Pedro. Uma das relíquias religiosas presentes no município é uma imagem de Santo Antônio possivelmente com origem na comunidade de Belo Monte. Datada do século XIX, a imagem fica exposta no altar da Igreja Matriz. Transladado do açude Cocorobó em 1997, durante uma seca prolongada que fez com que, curiosamente, as ruínas da comunidade de Conselheiro viessem à tona justamente no centenário do conflito, o cruzeiro de madeira da Igreja Nova marcado por tiros da Guerra de Canudos ganhou abrigo na capela do Movimento Popular Memorial de Canudos, que anualmente realiza romarias em homenagem aos mortos na guerra.

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Artesanato local, à base de palhas de bananeira

Artesanato e culinária são destaques

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Cruzeiro original de Belo Monte

No altar, imagem de Santo Antonio

pesar de ter inundado as ruínas da mística Belo Monte, o açude Cocorobó beneficia a atual comunidade de Canudos com a irrigação de lavouras e a piscicultura na região, melhorando a perspectiva da população local que já conta com mais alternativas de trabalho e renda. Pescadores canudenses vivem da captura de peixes nativos como tucunarés e traíras, enquanto outros praticam a piscicultura com a criação de tilápias. No cultivo de gêneros agrícolas o destaque vai para variedades de banana orgânica oriunda dos terrenos irrigados pelas águas do Vaza-Barris. Além da exportação da fruta, as folhas da bananeira transformadas em palha servem de matéria-prima para a confecção de artesanato por mulheres da região.

A

apresentação anual de uma peça de teatro nos mesmos moldes da encenação da Paixão de Cristo, que acontece, em Nova Jesusalém, Pernambuco, é o principal objetivo do Projeto Cidade Cenográfica de Canudos, que servirá de cenário e placo para a montagem de espetáculo cênico que contará a saga do beato Conselheiro na antiga Belo Monte. Realizado em parceria com a Universidade Estadual da Bahia (Uneb), o projeto visa rememorar a história do maior conflito armado em território brasileiro na era republicana e atrair turistas para a região do semi-árido baiano. O projeto, coordenado pelo pró-reitor de Planejamento da Uneb, Luiz Paulo Neiva, prevê a construção de réplicas das casas e prédios do antigo povoado e a instalação de equipamentos culturais, como museus e espaços para eventos científicos e exposições, além de ambientes cênicos onde se darão as encenações sobre o conflito. “Além de impulsionar o turismo, o projeto

visa estimular a produção cultural e o desenvolvimento econômico e social da região”, destaca o pró-reitor. A reprodução da arquitetura e geografia do antigo Arraial de Canudos também será utilizada em ações educacionais, culturais e artísticas e abrigará acervos que incluem desde peças arqueológicas, obras de arte, fotografias, mapas, desenhos, documentos históricos, fac-símiles de jornais, armamentos, roupas e outros utensílios da época, até livros, textos em geral e produções audiovisuais sobre Antonio Conselheiro, Euclides da Cunha e outros personagens e episódios da Guerra de Canudos. O projeto, já aprovado pela Secretaria de Turismo do Estado, encontra-se em análise do Ministério do Turismo que estuda o repasse de aportes financeiros para a execução das obras no valor de R$ 5 milhões. Paralelamente, serão identificados e elaborados novos roteiros turísticos, para a visitação de sítios históricos, inclusive por meio de caminhadas, cavalgadas e passeios de barco.

A exploração do potencial do açude para a prática de esportes náuticos, a realização de eventos esportivos e o desenvolvimento da produção e comercialização de artesanato são outras ações importantes que vão se somar à requalificação do setor de serviços, a exemplo da hotelaria, alimentação, transportes e a formação de guias e monitores. Idealizado pelo diretor teatral e produtor cultural, Paulo Dourado, professor da Escola de Teatro, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), o projeto Cidade Cenográfica de Canudos prevê a encenação do conflito a céu aberto, nas imediações do açude Cocorobó, sempre no mês de outubro, para marcar a data do fim do conflito, em 1897. O projeto inclui ainda a mobilização dos moradores da região para a realização e participação não só no espetáculo, como também em diversas atividades turísticas, culturais, científicas e educacionais relacionadas ao tema. Viver Bahia | 53


Caminhos do Sertão

Caminhos do Conselheiro é nova opção de roteiro z Clarissa Amaral

A

ntônio Conselheiro nasceu em Quixeramobim, no Ceará. Na década de 1870, iniciou peregrinação por diversas cidades do interior do Nordeste. Até fundar o povoado de Belo Monte, em 1893, o beato arregimentou seguidores por onde passou. Além das pregações que fazia em cada localidade, Conselheiro e seus seguidores construíam igrejas e cemitérios. Na Bahia, o beato deixou sua marca em vários municípios, onde construiu igrejas: Crisópolis, Biritinga, Itapicuru, Rainha dos Anjos, Aporá, Olindina, Nova Soure, Chorrochó, Esplanada e Canudos; e cemitérios: Timbó, Entre Rios, Ribeira do Amparo, Aporá, Itapicuru, e Canudos. Para refazer os caminhos do beato, basta seguir o roteiro abaixo. Partindo de Salvador, siga pela BR101 até Alagoinhas, distante 119 km da capital baiana. A partir daí, inicia-se o caminho percorrido pelo Conselheiro na região nordeste da Bahia.

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Conselheiro também passou por Olindina

Itapicuru é uma das cidades baianas percorrida pelo beato Antonio Conselheiro Itapicuru Ao pisar em solo baiano, em 1876, o beato e seus seguidores instalaram-se em Itapicuru, município que faz fronteira com o estado de Sergipe. Ali, os conselheiristas ajudaram o padre Antônio Agripino da Silva a erguer a paróquia local, iniciada em 1869, e que deu origem à atual Igreja da Matriz. No povoado de Rainha dos Anjos, ele e seus seguidores trabalharam para restaurar uma pequena capela. A primeira notícia de jornal sobre o beato dá conta da sua passagem pelo povoado. Acusado de ter matado sua mãe e esposa, Conselheiro foi preso em Itapicuru e levado de volta ao Ceará. Conseguiu provar sua inocência e retomou seu périplo pelo sertão nordestino, voltando à Bahia em 1880.

Igreja de Crisópolis é datada de 1892

Crisópolis A área onde está erguida Crisópolis integrava o município de Itapicuru e seu povoamento iniciou-se na segunda metade do século XIX, por fazendeiros que ali se estabeleceram e formaram as fazendas Dendê de Cima e Dendê de Baixo. Com a chegada de Antônio Conselheiro, na década de 1880, formou-se o povoado de Bom Jesus, onde o profeta do sertão construiu uma igreja e um cruzeiro, concluídos em 1892. A sede, criada com o topônimo de Bom Jesus, em 1898, foi alterado em 1938 para Crisópolis, quando o povoado foi elevado à categoria de cidade. Atualmente o município tem como distritos importantes o Buril e o Pinto. Aporá Em Aporá, o Conselheiro e seus seguidores construíram uma igreja e um cemitério. O município faz limite, ao norte, com Crisópolis, ao sul e a oeste com Inhambupe, a leste com Esplanada, a nordeste com o município de Acajutiba, a noroeste com o município de Olindina e a sudeste com o município de Entre Rios, todos esses municípios foram percorridos pelo Conselheiro.

Cruzeiro erguido por Antonio Conselheiro

Chorrochó A pequena povoação formada por casebres, que integrava o município de Curaçá, só se desenvolveu com a chegada de Antônio Conselheiro, que construiu uma igreja, mais tarde dedicada ao Senhor do Bonfim. Criado em 1919, foi extinto em 1924, sendo novamente anexado a Curaçá. Em 1952, foi novamente restaurado. O município de Chorrochó tem alguns atrativos turísticos, embora careça de infraestrutura para receber visitantes. Além da Igreja de Nosso Senhor do Bonfim, construída por Antônio Conselheiro em 1885, encontra-se a Praia de Jatubarana e a Piscigranja (sistema pesque e pague). A Igreja de Nosso Senhor do Bonfim tem 260 metros quadrados de área e possui cobertura em telha colonial, sobre estrutura de madeira e piso em mármore. Em bom estado de conservação, tem no altar-mor a imagem do Senhor do Bonfim, protegido por redoma de vidro e madeira entalhada. À direita, existe uma imagem do Sagrado Coração de Jesus e, à esquerda, uma gruta com a imagem de Nossa Senhora de Lourdes, ambas moldadas em gesso. A igreja está aberta diariamente das 17 às 20h horas. Biritinga A cidade pertence à microrregião de Serrinha, de onde foi desmembrada em 1962. Em tupi, Biritinga significa “cana branca”. O povoamento que deu origem ao município foi fundado em 1822, por João Pedreira Lobo. Em abril de 1891, um terreno doado por Antônio Martins de Cerqueira possibilitou a construção da capela de Nossa Senhora de Belém, cujas primeiras pedras foram postas por Antônio Conselheiro. O calendário festivo do município é bastante diversificado, tendo ênfase na festa de São Sebastião, em 20 de janeiro, com leilões, procissões e o famoso acompanhamento para a Tapera. Há também a festa da emancipação política, em 23 de abril, as festas juninas, a Independência do Brasil, com o tradicional desfile, e a festa da padroeira Nossa Senhora de Belém, em 8 de dezembro.

Olindina O primeiro nome da cidade foi Mucambo, depois Nova Olinda e, por fim, Olindina. A história do município remonta às três décadas finais do século XIX e está diretamente relacionada à Guerra do Paraguai, quando, por força de hábito da época, o Dr. Pedro Ribeiro de Araújo, médico-chefe do hospital para feridos da guerra, foi agraciado com as terras da atual Olindina, onde tomou posse, batizando o lugar de Fazenda Mocambo (em razão do nome originalmente atribuído ao local) e à Guerra de Canudos. Em 1882, quando o Conselheiro passou pelo município de Itapicuru, do qual Olindina fazia parte à época, construiu também uma capela dedicada a São João Batista, depois mudada para Nossa Senhora da Conceição. Na cidade é realizada anualmente uma movimentada Micareta, que atrai pessoas de diversas cidades, inclusive do estado de Sergipe. Ribeira do Amparo Outro ponto de parada de Antônio Conselheiro, Ribeira do Amparo tem origem no povoado de Ribeira do Pau Grande. No final do século XIX, esse município passou a se chamar Vila do Amparo; em 14 de agosto de 1958 ganhou sua emancipação política com a denominação de Ribeira do Amparo. Esplanada O município de Esplanada tem sua origem no arraial pertencente ao município do Conde. O progresso da cidade está vinculado à chegada da estrada de ferro, antiga Viação Férrea Leste Brasileira, hoje Ferrovia Atlântica, cujo final de linha se destinava à vizinha localidade de Timbó, na qual Antônio Conselheiro construiu o primeiro cemitério. O Arraial de Esplanada foi convertido em cidade em 1931. Em julho do mesmo ano, foi anexado ao seu território o município de Vila Rica e criada uma subprefeitura na antiga Vila Rica. Atualmente, o município de Esplanada é composto pela sede e os distritos de Palame e São José do Mucambo. Entre Rios A primeira exploração das terras de Entre Rios ocorreu no século XVI, com concessão de sesmarias à Casa da Torre de Garcia D”Ávila. Às margens dos rios Joanes foi iniciada uma povoação e erguida uma capela. Pouco tempo depois, foi criada a freguesia de Nossa Senhora dos Prazeres de Inhambupe. A vila foi criada em 1872 e, um ano mais tarde, o município com o nome de Entre Rios foi criado a partir do território desmembrado de Inhambupe. Os principais atrativos da região estão no litoral, com destaque para Massarandupió, a primeira praia de naturismo oficialmente decretada no Estado:

Informações

úteis

Como Chegar Partir de Salvador, seguir pela BR-324 até Feira de Santana, em um percurso de aproximadamente 107 km. A partir daí, seguir pela BR-116, passando por Serrinha, Ribeira do Pombal, Tucano e Euclides da Cunha até chegar a Canudos. Passeios Histórico Parque Estadual de Canudos – Funciona todos os dias, das 6h às 17h. Grupos de turistas e estudantes podem agendar visitas guiadas com a Uneb pelo telefone (75) 3494-2796. O tempo médio do passeio é de 2h30 e a entrada é franca. É aconselhável usar calçados fechados e confortáveis, roupas leves e chapéu e levar água e mantimentos. Memorial Antônio Conselheiro – Funciona todos os dias, de acordo com o seguinte escalonamento: de segunda a sexta, das 8h às 12h e das 14h às 18h; aos sábado, das 9h às 17h; e domingos e feriados, das 9h às 13h. Entrada gratuita. Museu Histórico de Canudos – Não tem horário de funcionamento específico. Para visitar é só procurar a casa de Manoel Alves e pedir para visitar o local. O acesso é gratuito. Capela do Movimento Popular de Memorial de Canudos – Visitação ao cruzeiro retirado da comunidade de Belo Monte acontece de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 12h. Onde ficar Hotel São João Batista - Rua Bela Vista, 07Centro Tel:(75) 3494-2615 Hotel Brasil - Av. Juscelino Kubistchek, 12 – Centro Tel: (75) 3494-2039 Pousada Recanto Pôr do Sol - Acampamento do DNOCS Tel: (75) 3494-2128 Hotel e Restaurante Central - Av. Juscelino Kubitschek, 48 – Centro Tel: (75) 3494-2306 Onde comer Restaurante JL - Rua Paulo Fontes, s/n Centro.Tel: (75) 3494-2724 Restaurante Pôr do Sol CANUDOS Acampamento do DNOCS Tel: (75) 3494-2128 Restaurante Panela da Terra - Av. Juscelino Kubitschek BR 116 Centro

TUCANO

CANUDOS

SERRINHA SALVADOR

BR 116

FEIRA DE SANTANA BR 324

SALVADOR

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Foto: Rita Barreto

Estética Afro

Cabeça feita Fotos: Tatiana Azeviche

Criatividade na cabeça

habitantes, a valorização dos ideais e costumes trazidos do continente africano ainda se mantém na tradição local. Apesar de mais de 500 anos de colonização, nada disso se perdeu durante o tempo. “A estética negra não está apenas no cabelo. Tem a ver com a cultura, com visão política, autoestima. Estendemos que a estética é, a priori, o primeiro contato do olhar das pessoas sobre o negro, e isso representa a forma como ele vai ser tratado a partir dali”, afirma Bartolomeu Dias, presidente da ONG baiana Omi-Dùdú, que há 22 anos adota a estética como mote para trabalhar a cultura afrobrasileira na Bahia e atende cerca de 400 jovens da capital, trabalhando o desenvolvimento da autoestima através de cursos, oficinas e palestras. Trazidos pelos ancestrais africanos, as tranças e os turbantes chegaram ao Brasil no tempo da escravidão.

Penteados e cortes criativos encantam baianos e turistas

Trançados, brilhantes, com contas e pedras semipreciosas, os penteados de matriz africana atraem donos de todos os tipos de cabelos z Simone Cabral*

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S

e antigamente as negras baianas usavam panos amarrados na cabeça para esconder os cabelos e as testas, hoje os panos são utilizados para ressaltar a beleza das madeixas, que, a cada dia, ganham mais destaque no estilo que, na Bahia, se convencionou chamar de estética afro. Para a artista plástica, estilista e figurinista do Ilê Aiyê, Dete Lima, o senso de estética

do povo negro mudou muito nos últimos anos em função da autoestima da raça. Uma das mais entusiastas criadoras da tradicional Noite da Beleza Negra, Dete explica que os penteados valorizam e agregam um significado cultural a essa nova estética. Em Salvador, que concentra a maior população de negros fora da África, com cerca de 80% de afrodescendentes entre os seus

Torços também fazem parte da estética afro

Tradição e significado agregam valor ao penteado Hoje, entender os penteados e os trançados como representação da beleza do negro é natural para a sociedade de um modo geral. No entanto, para a comunidade afro-brasileira, representa mais do que uma máscara física. Na tese defendida pela maioria das organizações voltadas para a preservação da cultura, há um valor

simbólico forte agregado à aceitação dos próprios traços. Na cultura iorubá, originada no território onde hoje se encontra a Nigéria, os penteados e adornos representam diversos aspectos da cultura, como a classe social, a religião, o posicionamento político ou mesmo o estado civil de quem o usa. Para Dete Lima, há mais

de 30 anos trançando cabelos, o significado de cada penteado depende muito de quem o faz e de quem o usa. “Há penteados apenas para mulheres casadas, ou para solteiras. Alguns só usam crianças, outros, apenas senhoras, mas todos servem para elevar a autoestima. E, por ser uma tradição africana, a presença dos orixás não deixa de

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Fotos: Rita Barreto

Estética Afro

fazer parte disso. Quem trança o cabelo, faz isso com ajuda espiritual, a beleza negra ajuda muito na criação”, explica. Desde a primeira edição, 15 dias antes do Carnaval de 1979, a Noite da Beleza Negra já elegeu 31 Deusas do Ébano em Salvador. Hoje, um dos maiores promotores da aceitação e do orgulho da estética afro, o concurso criado pelo bloco afro Ilê Aiyê escolhe a mulher que representará a beleza negra em apresentações do bloco em todo o país. “Criamos o Beleza Negra há 31 anos para elevar a autoestima do negro, porque o padrão que conhecemos é o dos traços finos. A mulher negra não é assim, tem sua beleza própria”, afirma. Quem concorda com a ajuda do biótipo negro para a composição dos penteados, é Negra Jhô. “Eu trabalho com a estética afro desde a adolescência. Minha vontade sempre foi de trabalhar só com

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Foto: Tatiana Azeviche

Os trançados se destacam como um dos mais solicitados

O famoso Black Power está de volta em versão repaginada

estética negra, só com pessoas negras, para valorizar e fazer as pessoas se orgulharem do cabelo, da cor da pele, mas eu não pude escolher isso. Hoje todo mundo está se arrumando, trançando o cabelo”, explica a Rainha dos Penteados Afros, dona de um salão no Pelourinho conhecido como Oficina do Cabelo, dedicado exclusivamente aos penteados: “a gente trabalha com o cocó, com a trança raiz, o implante, o entrelace”, diz. E se engana quem atribui a senso comum a estética dos penteados apenas às mulheres. Cada vez mais tem se tornado comum encontrar homens com cabelos trançados, embora, na Nigéria, esta atitude tenha apenas um significado religioso.  No Brasil, o uso dos trançados, do Black Power e dos adornos, como chapéus (filá, para os homens), contas, miçangas, fitas e turbantes assumem uma conotação política, tanto para homens quanto para mulheres. “É uma forma de assumir para a sociedade, se libertar da vergonha, dos olhares das outras pessoas. Quando você trança o cabelo, você diz para o mundo que você é negro e tem orgulho disso. Estamos construindo nichos de

Conscientização, revolução e atitude

C

aceitação aonde a juventude negra vai e se sente pertencida, e nós temos orgulho de fazer parte disso”, explica Bartolomeu Dias. Quem trabalha diretamente com os penteados também percebe e cultua o significado dos trançados. “O valor cultural que a estética assume faz o negro se assumir na forma como ele é e mostra para os outros negros que eles também podem. Quando a pessoa deixa de falar, ela deixa de agir e de pensar”, explica o cabeleireiro Oliver Pereira dos Santos, que se autointitula Ministro dos Cabelos e trabalha há 27 anos com penteados. “Comecei com oito anos, com minha bisavó. É uma tradição que passa de pai para filho, a referência que as crianças veem em casa, com a família e na comunidade em que se vive”, explica.

onscientes do significado do movimento negro e de suas expressões estéticas, os baianos Marcos Antônio Costa, 32 anos, e Cristian Prestes de Matos, 29, aderem a diferentes cortes de cabelo que retratam valores e personalidade. O capoeirista Cristian usou dread por muito tempo, mas nos dois últimos anos, por conta da calvície, raspou a cabeça. “Agora, mantenho e faço desenhos de significados variados ou africanos antigos”. O cabeleireiro Oliver explica que, no continente africano, os desenhos eram utilizados para identificar as tribos ou distinguir homens solteiros de casados. Já o músico Marcos, que há oito anos corta o cabelo com Oliver, usa Black Power há 12 e alterna com tranças. “O Black Power representa a atitude, a revolução da negritude, é o poder para o povo preto. Tudo começou nos anos 1960 e 1970 com os Panteras Negras. Quem usa Black é cabeça pensante. As pessoas me olham muito, uns gostam, outros criticam. Mas o importante é que me sinto bem, ótimo, leve. Eu gosto do meu cabelo assim”, fala. A rotina para manter o penteado inclui lavar em dias alternados com sabão

de coco, além de usar óleo de babosa ou de coco para hidratar. “Penteio em casa com o ouriçador e uso touca para dormir”, explica Marcos. Para cortar o Black, é preciso desembaraçar o cabelo, colocar todo para cima e arredondar as pontas. Todo o processo leva de 40 a 60 minutos e chega a custar R$ 30. Turismo – Antes considerados de uso exclusivo do povo negro e com conotação negativa, os penteados de origem africana fazem hoje a cabeça de turistas de toda parte. Nas ruas do Centro Histórico de Salvador é difícil não encontrar trançadeiras prontas para transformar a cabeça das turistas, principalmente as estrangeiras, que aderem facilmente à moda das tranças. Os salões especializados também registram movimento forte, não apenas com os cabelos, mas com a estética afro de um modo geral: roupas, adereços e acessórios de todos os tipos. “A maioria dos turistas é de brasileiros, de São Paulo e do Rio. Os estrangeiros são da Itália, França e Alemanha. Muita loira faz trancinha para se igualar ao povo baiano. Eles têm noção do sentido e do valor do negro e querem ser iguais”, conta o Ministro dos Cabelos.

Estilo marcou Panteras Negras Integrantes de um grupo revolucionário norteamericano formado na década de 1960 para lutar pelos direitos dos negros e patrulhar os bairros negros. A maior popularidade se deu no final da década, quando o movimento se espalhou pelos Estados Unidos e chegou a ter mais de dois mil integrantes com escritórios nas principais cidades do país. A organização começou a se dissociar em meados dos anos 1970 em conflitos com o FBI. Antes de se extinguir por completo, no início dos anos 80, os Panteras Negras dedicaram-se a serviços de assistência social a comunidades negras pobres. Foram inspiração para os negros de toda a América. * Colaborou Clarissa Pacheco

Informações

úteis

Oliver Ministro dos Cabelos Largo do Pelourinho (em frente à Casa de Jorge Amado) Tel. +55 71 8729-7972 Negra Jhô Penteados Afros - Cabeleireira e estilista afro - Ladeira de São Miguel, 4 Pelourinho Tel.: +55 71 3321-8331 Dete Lima - Rua do Curuzu, 233 Liberdade Tel.:+55 71 3386-2324 / 3386-2148 / 8116-7086 Beleza Natural - Largo do Tanque (ao lado da Igreja Universal) Tel.: +55 71 3389-7744

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Gastronomia

O doce charme das Casas de Chá Fotos: Tatiana Azeviche

Conhecidas em todo mundo como ponto de encontro para rápidas refeições, elas ganham mais requinte e fama com os turistas z Karina Brasil

B

astante frequentadas nas décadas de 20 e 30 do século passado por pessoas da alta sociedade, as casas de chá e docerias eram sinônimos de glamour e elegância da elite brasileira. A tradição vinda de países europeus e asiáticos espalhou-se pelo Brasil, que criou um jeito próprio de degustar a famosa especiaria e hoje atrai também a atenção dos visitantes. Na Bahia, esses espaços foram adotados de forma peculiar, devido ao clima quente do estado. O chá, da forma tradicional, não é a bebida mais consumida. A especiaria é substituída, por muitos estabelecimentos, pelo café, chocolate, sucos, refrigerantes e, até mesmo, pelo chá gelado. Além da infusão, o chá pode ser acompanhado por canapés, petit-fours, biscoitos variados, minissanduíches, incluindo ainda bolos fatiados e tortas doces e salgadas. Apesar de modernizadas e adaptadas ao clima, as casas de chá continuam a oferecer requinte e glamour. A decoração minimalista e o cuidado na escolha das porcelanas e das peças que compõem o serviço são típicos desses espaços e nos remetem a antigos estabelecimentos, como a Confeitaria Colombo, no

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Casas cada vez mais sofisticadas para atender clientela exigente

Rio de Janeiro, e a antiga Nubar, em Salvador. Os ambientes criados proporcionam um local aconchegante e harmonioso para a degustação de deliciosas iguarias, para encontros e comemorações mais íntimas. A decoração e ambientes agradam aos mais variados gostos. Inaugurada em 2001, a casa de chá Viva Gula oferece um serviço de chá completo a seus clientes. Com ambiente moderno, climatizado e com som ambiente, o local possui salões com capacidade para atender grupos de 12 a 70 pessoas, com serviço de mesa e atendimento completo. Conforme uma das sócias do empreendimento, Letícia Ferreira, a ideia de oferecer um serviço de chá completo surgiu em 2002. “Percebemos a grande demanda que

Docs finos, bombons recheados, ...

havia naquela época em Salvador por um espaço aconchegante com decoração e atendimento diferenciados. Praticamente não existiam locais para a realização de pequenos eventos, como comporta o nosso espaço hoje”, comenta Letícia. O cardápio oferece para cada convidado cinco salgados, três doces, uma fatia de torta, uma fatia de sanduíche em camadas, um pãozinho recheado, um mini milk shake ou coquetel de frutas, chá ou chocolate quente, refrigerante e água mineral. Outra opção para degustar as iguarias é solicitar os itens separadamente, para serem consumidos no local. Uma sugestão são as deliciosas tortas doces e salgadas, acompanhadas da bebida da preferência do cliente. Os salgados e doces também podem ser consumidos separadamente, sem a necessidade da contratação do chá completo. As iguarias da loja também podem ser consumidas em alguns shoppings de Salvador, onde essa e outras docerias implantaram lojas, ficando mais próximas do cliente e criando um diferencial nesse ramo.

...chocolate e outras delícias

Para Mario Roberto Cupertino, gerente da recém– inaugurada Milque, salgados e doces especiais, esse tipo de negócio está em plena ascensão, tendo uma aceitação muito boa pelos clientes. “É algo que vem dando certo, pois recebemos um público de mais ou menos 150 a 200 pessoas por dia, e alugamos o espaço para realizações de eventos também.” Eventos - Com decoração em estilo português, mesas de mármore branco e paredes com revestimento em madeira, a casa de chá e eventos Truffannys, do português Ernesto Paes de Almeida, oferece um serviço diferenciado. A casa atende apenas grupos fechados, com mais de 50 pessoas, oferecendo espaço e atendimento exclusivo. Tradicionais doces portugueses, tortas salgadas e doces, pãezinhos e diversos chocolates produzidos pela chocolateria da própria casa, são oferecidos como opção para a montagem dos cardápios pelos próprios clientes. A Casa de Chá, situada em um dos bairros mais tradicionais de Salvador, a Graça, comporta até 300 pessoas. O espaço se configura como um diferencial para um novo ramo que começa a surgir, que caracteriza a utilização das casas de chá e dos seus serviços em eventos, como formaturas, aniversários, batizados e até mesmo festas de casamento. De acordo com o gerente da casa, Daniel Giustozzi, o aluguel pode ser apenas do espaço ou do serviço completo, que inclui o bufê. “O cliente é que decide o que ele prefere. Inclusive, algumas casas de chá, com

espaços reduzidos, já reservaram nosso espaço para a realização de eventos”, comenta o gerente. Outras casas de chá e docerias já aderiram a essa nova configuração. O valor dos eventos realizados e organizados nesses locais, com a estrutura de serviço de chá, pode variar de R$34 a R$60 reais por pessoa. A reserva para o evento e a definição do cardápio deve ser feito com antecedência. Além do requinte e sofisticação, os locais oferecem total comodidade e tranquilidade aos frequentadores. Informações

úteis

Casas de Chá e Docerias Viva Gula - Rua Aracaju, 49 - Jardim Brasil, Barra - (71) 3332 8686 Belle’s – Rua Barão de Sergy, 37 - Barra (71) 3264-0104. Milque – Alameda das Espatódias, 567 Caminho das Árvores – (71) 3913-3773 Truffannys – Rua 8 de Dezembro, 501 Graça - (71) 3264-7028 Doces Sonhos – Rua Pernambuco, 1.974 - Pituba - (71) 3205-5774 e Avenida 7 de Setembro, 2.573 - Vitória - (71) 3338-1611 Granulado – Rua das Hortênsias, 942 Pituba - (71) 3359-9600

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Fotos: Rita Barreto

Capoeira Lá-rá-la

Forte da Capoeira é placo de encontros e seminários

De corpo

e alma

Mapeamento cadastra e divulga mestres, associações e academias dessa manifestação cultural no mundo inteiro

E

la nasceu na Bahia e ganhou os quatro cantos do mundo com sua ginga, força e musicalidade. A capoeira, que chegou a ser proibida na Bahia, e depois considerada patrimônio cultural brasileiro, foi alvo de um mapeamento internacional que identificou 367 grupos que praticam e ensinam a luta, que é um dos principais ícones da cultura negra na Bahia e tem importante papel na memória dos turistas que visitam o estado. O censo é um dos primeiros passos do Escritório Internacional

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de Capoeira e Turismo, que visa identificar a cadeia produtiva do esporte na Bahia e no mundo e consolidar a imagem do estado como a “Meca” da capoeira, por meio da construção de uma grande rede social. Na posição de berço da cultura afro no Brasil, a Bahia é, sem dúvida, o principal território da capoeira. Entre os 340 grupos localizados no país, 309 são agremiações baianas com presença em outros estados e fora do país. Em segundo e terceiro lugares estão

os municípios de Lauro de Feitas e Maragojipe, com 34 e 16 grupos, respectivamente. Além da Bahia, foram encontradas agremiações de capoeira em mais oito estados, com destaque para São Paulo e Espírito Santo – cada um com cinco grupos. O mapeamento também identificou grupos de capoeira em 14 países, além do Brasil. A Espanha, com quatro, é o país com maior número de praticantes do esporte, seguido pelos Estados Unidos e Itália, com três grupos cada. Entre os mais de 29 mil alunos cadastrados pelos grupos que participaram do mapeamento, os homens são maioria e representam 67,02% dos praticantes do esporte, que também tem 52,86% do seu público formado por crianças de até 10 anos ou idosos de mais de 80. Quanto ao estilo da luta, a capoeira Angoregional é praticada por 30,41% dos grupos, seguido pelos estilos de capoeira Regional, Contemporânea e Angola, com 29,59%, 24,93% e 15,07%, respectivamente. Paralelamente ao cadastramento dos grupos, também foram levantadas informações sobre a produção e comercialização de produtos associados à capoeira. Entre as escolas cadastradas,

82,47% produzem artigos para venda junto aos alunos ou visitantes. Instrumentos musicais, fardamentos e camisas, seguidos de CDs e DVDs são os principais itens comercializados pelos grupos, somando 73,9% da produção. Entre os demais itens comercializados, também figuram livros e suvenires. “A capoeira representa um fluxo turístico para a Bahia pelo viés cultural da herança africana preservada no estado. O Escritório Internacional vem fortalecer a posição baiana e estimular a vinda de pessoas para conhecer a nossa cultura e gerar renda para os grupos com a comercialização de artigos que são verdadeiras lembranças da Bahia”, explica o secretário de Turismo, Antonio Carlos Tramm.

Os grupos identificados por pesquisadores têm seus dados disponibilizados no site do Escritório (www.capoeiradabahia. com.br) e os mestres de capoeira que ainda não se cadastraram também podem enviar as informações de seus grupos pelo site. Os dados coletados ajudarão a fomentar a atração de turistas às agremiações e aos roteiros do turismo étnico-afro na Bahia e fortalecer a produção e comercialização de bens e serviços relacionados ao esporte.

Bahia se consolida como a Meca da Capoeira

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Orientais se rendem ao gingado da Capoeira e as crianças japonesas são os mais entusiastas

Grupos apóiam iniciativa D

e acordo com o presidente de Associação Cultural de Capoeira Mangangá e um dos incentivadores da criação do Escritório Internacional de Capoeira e Turismo, Tonho Matéria, o levantamento é de grande valia e contribuirá muito com a capoeira. “É necessário olhar o capoeirista de dentro para fora para que possamos criar políticas públicas com resultados. O mapeamento é o principal meio para saber onde e como vivem os grupos de capoeira e seus representantes. Por meio de uma pesquisa mais abrangente, podemos analisar quais os pontos fortes e fracos, oportunidades e ameaças para a sobrevivência da capoeira”, explica o cantor, compositor e mestre de capoeira da associação com mais de 3 mil alunos na Bahia, nos estados de Santa Catarina, Rio de Janeiro, São Paulo, Góias e Sergipe, além de Moçambique, Estados Unidos, Grécia e França. Já para Carolina Magalhães, uma das poucas mulheres que conquistaram a posição de mestre na hierarquia da capoeira, o mapeamento também é a

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primeira grande ação para resultar em políticas de valorização e desenvolvimento do esporte e da cultura baiana. “Nunca tivemos um centro que fosse referência da capoeira e hoje temos o Forte de Santo Antônio onde as pessoas interessadas em conhecer a capoeira podem aparecer. E agora, depois do mapeamento, a expectativa dos grupos é que o governo auxilie também na execução de projetos sólidos. É a primeira vez que vemos reconhecida a preocupação com a cultura da capoeira e com o fluxo turístico que ela alavanca”, explica a mestre, com 20 anos dedicados à capoeira. Conhecida pelo codinome Brisa, Carolina é uma das quatro mestres da Associação Cultural Gueto, que está presente no Brasil e em outros sete países, a exemplo do Japão, que foi sede de uma das edições do programa de formação Capoeira de Saia (de autoria de Brisa), que visa capacitar capoeiristas para chegar à condição de mestres, com destaque especial para o desenvolvimento das mulheres dentro do esporte.

Foto: Rita Barreto

Pequenas aprendem os primeiros passos

Capoeira ganha força entre as mulheres

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Foto: João Ramos/Bahiatursa

Festas Populares

Entre o sagrado e o profano Ciclo de festas mistura religiosidade e alegria do povo baiano

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Foto: Manu Dias

uita gente sabe que a Bahia tem uma igreja para cada dia do ano. Numa escala um pouco menor, o estado tem pelo menos uma festa para cada mês do calendário. No entanto, é no período de verão que os festejos que misturam religiosidade com música e alegria se intensificam. A maioria dos eventos ocorre em Salvador e no Recôncavo e, ao contrário do ano que começa em janeiro, as comemorações se iniciam no mês de dezembro com as homenagens ao Dia do Samba e Santa Bárbara. A santa que é a padroeira dos Bombeiros é reverenciada no dia 4 de dezembro e as homenagens ocorrem no Centro Antigo de Salvador entre o bairro da Barroquinha e o Pelourinho. A tradição é mantida por milhares de adeptos que lotam a Igreja do Rosário dos Pretos e o Largo do Pelô, em celebração à santa católica, também reverenciada pelos comerciantes.

Festa de Bom Jesus dos Navegantes ocorre no primeiro dia do ano 66 | Viver Bahia

No sincretismo religioso, ela é simbolizada por Iansã e também está associada a fenômenos da natureza como raios e trovões. Os devotos da santa, sejam eles católicos ou adeptos do candomblé, gostam de celebrar seu dia oferecendo um caruru completo. As homenagens se estendem a municípios como Cachoeira, São Félix, Taperoá, Camamu e Simões Filho. Quatro dias depois, os soteropolitanos comemoram o dia da padroeira da Bahia. Os festejos em homenagem a Nossa Senhora da Conceição da Praia são realizados na igreja que leva o nome da santa, no bairro do comércio. O templo, que é um dos mais belos do Brasil, está localizado perto de exuberantes cartões-postais como o Elevador Lacerda e a Baía de Todos-osSantos. Por conta da importância do oito de dezembro para os baianos, a data se tornou feriado municipal em Salvador e também nome de rua na área nobre da cidade, cujos moradores também realizam uma grande festa, bem diferente da celebração religiosa.

Também tradicional da cultura popular baiana, a Festa de Santa Luzia é realizada no dia 13 de dezembro na Igreja e Cemitério do Pilar, em Salvador. Todos os anos, o templo religioso fica lotado de fiéis que vão agradecer os benefícios alcançados. Segundo os católicos, Santa Luzia tem o poder de curar os problemas nos olhos. Outra importante celebração do calendário de festas populares da Bahia é o dia 1º de janeiro, quando se comemora o dia de Nosso Senhor Bom Jesus dos Navegantes. As homenagens começam com uma missa na Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia, no início da manhã; depois os devotos saem em procissão, levando as imagens de Nossa Senhora da Conceição e de Bom Jesus dos Navegantes até o cais da Capitania dos Portos, no II Distrito Naval. De lá, a imagem de Nossa Senhora da Conceição retorna para a basílica e a de Bom Jesus dos Navegantes, sob aplausos dos fiéis, segue na galeota Gratidão do Povo, embarcação com 118 anos de existência.

Santa Bárbara, Iansã no sincretismo religioso, é homenageada em dezembro Viver Bahia | 67


Festas Populares

Lavagem leva milhares de fiéis ao Bonfim

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aior festa popular da Bahia depois do Carnaval, a lavagem das escadarias da Basílica de Nosso Senhor do Bonfim é um dos eventos mais concorridos do verão de Salvador. Com a cidade repleta de turistas, o evento que reúne mais de um milhão de pessoas nas ruas da Cidade Baixa representa uma das manifestações mais democráticas do mundo. Baianos, turistas, cidadãos do povo e muitos políticos caminham por mais de oito quilômetros da Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia até a Colina Sagrada, num misto de fé e manifestações profanas e de protestos.

Realizada todas as segundas quintas-feiras do mês de janeiro, a celebração começa logo no início da manhã, com um ritual ecumênico na frente da Conceição da Praia, no Comércio; em seguida, todos partem em direção ao Bonfim, num cortejo puxado por baianas devidamente caracterizadas e equipadas com vasos, vassouras e água de cheiro, além de carroças, capoeiristas, religiosos e adeptos do candomblé. A maioria das pessoas se veste de branco e, para os baianos, apesar de a data não ser feriado, a festa serve como um ponto de encontro entre as pessoas que vivem em Salvador.

O ponto alto da festa se dá quando o cortejo chega ao adro da Igreja do Bonfim e as baianas fazem literalmente a lavagem de suas escadarias. No passado, as comemorações não eram bem vistas pela Igreja Católica, mas, atualmente, os padres chegam a fazer aparições durante os festejos. Concluída a parte religiosa, por volta do meio-dia, baianos e turistas fazem a festa que se estende por toda a noite em diversos bairros da Cidade Baixa. No comércio, durante o fim da tarde, é realizado o Bonfim Light, uma festa de caráter privado que reúne diversos artistas da axé music. Foto: Adenilson Nunes/Agecom

Dois de Fevereiro é dia de festa no mar do Rio Vermelho

Iemanjá é homenageada em fevereiro

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Quem tem fé vai pé até a Igreja do Bonfim

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ão charmosa e cheia de encantos como a Lavagem do Bonfim, a Festa de Iemanjá, também conhecida como Festa do Rio Vermelho, ocorre sempre no dia 2 de fevereiro, no bairro mais boêmio de Salvador. Em 2011, a celebração completa 80 anos e os organizadores preparam uma grande festa. Desde cedo, milhares de católicos e adeptos do candomblé, além dos pescadores, lotam as ruas do bairro do Rio Vermelho para levar as oferendas à Rainha do Mar. Nos presentes “a serem entregues a Iemanjá”, tem de tudo, mas de alguns anos para cá, as flores, e sabonetes, por serem biodegradáveis, são os únicos

que seguem na barca que navega pelas águas dos mares baianos. Os espelhos, perfumes e outros adereços ficam na colônia de pescadores. O bairro tem suas ruas tomadas de pessoas que se aglomeram para assistir à saída das embarcações com as oferendas. À noite, a devoção dá espaço à balada e o público, que cedo é formado pelos aficcionados da fé, é substituído pelos que preferem os agitos. Bastante eclético, o bairro conta com bares e estabelecimentos onde há música para todos os gostos. Rock, pop, axé, pagode, forró e outros ritmos se misturam em meio às ruas e becos do Red River. Por estar cercado de hotéis, o Rio Vermelho também se torna uma atração imperdível para os turistas que costumam invadir o bairro nos meses de janeiro e fevereiro. Para saber mais sobre outras festas populares da Bahia, acesse www.bahia.com.br.

Fotos: Adenilson Nunes

Oferendas para Iemanjá Viver Bahia | 69


Novos voos Nova Legislação

Bahia fortalece naútica e aviação regional

Trip inaugura linha direta Salvador-Belém Foto: Manu Dias/Agecom

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nunciado em novembro pelo Governo da Bahia, o Decreto nº 12.470 de 22/11/2010 será fundamental para impulsionar o turismo interno, responsável por 52% do fluxo turístico do estado. A medida, que entra em vigor no dia 1º de janeiro do próximo ano, reduz a alíquota do ICMS do querosene de aviação para até 4%, a depender do número de trechos operados em território baiano pelas companhias aéreas. Quem for operar no mínimo em quatro cidades, a cobrança do imposto cai dos atuais 18% para 10%, cinco cidades de 18% para 7%, seis ou mais destinos cai para 4%. Para o secretário de Turismo da Bahia, Antonio Carlos Tramm, a decisão de governo é fundamental para fomentar a aviação regional, atualmente subutilizada no estado. “Temos um estado de grande extensão territorial e muitos dos atrativos turísticos distam até 500 quilômetros de uma cidade para outra. Regiões importantes como a Chapada e a Costa das Baleias não tem voos comerciais”, avalia. Outros municípios como Vitória da Conquista, Barreiras e Ilhéus também devem ser beneficiados. De acordo com o secretário, as empresas de aviação já começaram a se interessar pelas novas rotas. Em nota distribuída à imprensa, a Associação Brasileira das Empresas de Transporte Aéreo Regional (ABETAR) comemorou a decisão do governo em reduzir os impostos. Para o presidente da Abetar, Apostole Lazaro Chryssafidis, a iniciativa reforça os planos das empresas aéreas regionais em expandir a atuação no estado e na região Nordeste. “Os custos com combustível representam até 40% da estrutura de despesas de

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foto não veio

Capital baiana está a 2h30min de Belém

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Trip Linhas Aéreas começou a operar uma nova rota, que ligará Manaus, Belém, Salvador e Belo Horizonte. Será o primeiro voo a conectar a capital baiana à capital do Pará, sem escalas. O voo entre as duas cidades será operado todos os dias, exceto aos sábados. O horário de saída de Salvador é às 23h55 e a chegada em Belém  às 2h30 da manhã. A companhia anunciou também que está com tarifas promocionais de lançamento. O trecho para Belém e Manaus custa R$ 199,90 e para Belo Horizonte, R$ 99,90. A linha usará o avião Embraer 175 com capacidade para 86 lugares. A Trip opera na Bahia desde 2008 e hoje atende cinco cidades no estado – Salvador, Lençóis, Vitória da Conquista, Porto Seguro e Ilhéus.

Turismo Religioso Náutica ganha força na Baía de Todos-os-Santos uma empresa aérea. Por isso, temos trabalhado junto aos estados e ao Governo Federal por essa redução. Parabenizo o governado baiano por essa medida em prol da aviação regional, que tem muito a crescer no estado da Bahia e em toda a região Nordeste”, disse Lack. Náutica – Para este segmento do turismo, o governo também editou um pacote de medidas que vai beneficiar a importação de peças e a abertura de indústria de fabricação de embarcações de passeio. Os incentivos vão da redução da alíquota de 25% para 7%, até a isenção total do imposto. A intenção é atrair investidores de países europeus e também dos Estados Unidos. Também consta a redução de carga tributária para 7% na comercialização de embarcações de recreio e lazer fabricadas no estado ou importadas (sem incentivos deste decreto, a tributação nas operações interestaduais seria de 12% e de 25% nas operações internas).

O documento inclui ainda a desoneração dos investimentos, ou seja, não há cobrança de ICMS nas aquisições internas ou importações de bens destinados ao ativo fixo das empresas fabricantes (máquinas, equipamentos, etc.). Por último, o documento define que as empresas prestadoras de serviço de aluguel e turismo não pagarão ICMS, caso importem embarcações que sejam destinadas ao seu ativo fixo e não sejam desincorporadas antes de 5 anos. De acordo com a Secretaria da Fazenda da Bahia, os incentivos fiscais são válidos até 2020. Os fabricantes poderão ser contemplados, ainda, com incentivos do programa Desenvolve (Decreto 8.205/02), o que possibilita a redução da tributação nas operações com embarcações produzidas no estado de 7% para 1,33%. Ou seja, quando o fabricante instalado no estado comercializar as embarcações produzidas na Bahia a carga tributária será de 1,33% e quando comercializar embarcação importada a carga tributária será de 7%.

Santuário de Irmã Dulce será ampliado

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tento ao crescimento do fluxo turístico do segmento religioso, com a beatificação de Irmã Dulce, o governo estadual, por meio da Secretaria de Turismo, enviou projetos que somam R$ 9 milhões para melhorias no Largo de Roma, bairro onde está localizado o Santuário da religiosa. O titular da Setur, Antonio Carlos Tramm, defende a ideia de oferecer uma boa infraestrutura a esses turistas e também aos moradores locais, que, segundo ele, não podem ser prejudicados com o aumento da movimentação no local. Entre as medidas previstas estão ampliação e melhoria no Santuário e Memorial Irmã Dulce, requalificação urbana do Largo de Roma, implantação de sinalização turística de acesso ao santuário e ao memorial que leva o nome da religiosa e a implantação de sinalização no roteiro turístico “Passos de Irmã Dulce”.

Foto: Arquivo Setur/Bahiatursa

Beatificação vai aumentar número de visitantes Viver Bahia | 71


Foto: Gabriel Barbosa

Turismo Esportivo

Taxa de Ocupação

Hotéis lotados até o Carnaval Fotos: Ronaldo Silva/Agecon

Competições movimentam calendário turístico Ciclistas do mundo todo estiveram na Chapada Diamantina

Pressa no check in para aproveitar a temporada

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Bahiatursa investiu cerca de R$ 2 milhões no apoio à realização de competições esportivas ao longo do ano de 2010. Competições de vela, lutas, torneios de golfe, ciclismo e canoagem integraram o rol de modalidades que contribuem para o crescimento do turismo no estado. Destinos como Itacaré, Chapada Diamantina, Lauro de Freitas, Praia do Forte e Paulo Afonso foram beneficiados com a realização dos torneios. Em Paulo Afonso, a Maratona Brasil Wild de canoagem foi responsável pela ocupação de hotéis, pousadas, bares e restaurantes da região. O evento reuniu participantes de todo o Brasil e foi transmitido ao vivo pelo canal Sportv, em rede nacional. O mesmo aconteceu com o Desafio de Supermoto, realizado em Lauro de Freitas. O Claro Hide de Ciclismo, na Chapada Diamantina, atraiu competidores e emissoras de TV de países como Itália e Bélgica. O secretário de Turismo da Bahia, Antonio Carlos Tramm, ressalta que os investimentos destinados ao apoio às competições esportivas retornam em forma de ocupação hoteleira e mídia espontânea nos principais emissores de turistas para a Bahia. Tramm lembra ainda que os moradores dos municípios onde ocorrem os eventos são beneficiados com a geração de vagas temporárias e aquecimento do comércio local. 72 | Viver Bahia

Foto: Rita Barreto

Sol e água fresca nos resorts

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Evento reuniu milhares de pessoas em Lauro de Freitas Automobilismo – Outro exemplo de retorno de investimentos através de patrocínios a competições esportivas é o GP Bahia de Stock Car. Cada etapa realizada no Circuito de Rua Ayrton Senna, no CAB, em Salvador, rendeu R$ 18 milhões em mídia espontânea, segundo o Infomidia. O evento foi garantido pelo Governo da Bahia, por meio da Secretaria de Turismo, por cinco temporadas. “Estamos viabilizando a extensão do prazo para 2016”, afirmou o secretário Antonio Carlos Tramm.

Foto: Alirio de Castro

Muita aventura no centro da Bahia

chegada da alta temporada anima o setor hoteleiro na Bahia. Com sol, praia, festas e muitas atrações, os empresários do setor projetam uma taxa de ocupação acima de 90% em janeiro, mais de 80% em fevereiro e estabelecimentos completamente lotados durante o carnaval. Neste Réveillon, os hoteleiros acreditam em 100% de ocupação em Salvador, Praia do Forte e Porto Seguro. No segundo semestre deste ano, o setor comemorou o bom desempenho nos 22 principais hotéis de Salvador. Em outubro, segundo informações do sindicato que representa os estabelecimentos, 71% dos leitos estavam ocupados. Um número bom, uma vez que o período ainda é considerado de baixa estação. No ano, a taxa é de 67%, dois pontos percentuais a mais que a média considerada ideal pelos hoteleiros. Ainda de acordo com o relatório, os meses com o melhor desempenho em 2010 foram janeiro, agosto, setembro e outubro. O recém-inaugurado Grand Palladium, em Imbassaí, já está com

Famílias inteiras escolhem a Bahia no verão 100% das suítes vendidas até o Réveillon. O mesmo acontece com o Iberostar, em Praia do Forte. O presidente do Sindicato de Hotéis, Sílvio Pessoa, confirma o bom momento do setor e projeta uma taxa de ocupação de 90% em janeiro e 85% em fevereiro. “Estamos completamente lotados, o que deve acontecer também no Réveillon, Carnaval e em muitos finais de semana de janeiro”, calcula. A estimativa da Setur é que o estado registre um fluxo turístico de 6,6 milhões de visitantes durante o período que vai de novembro a março. Os principais emissores nacionais são

os estados de Minas Gerais, São Paulo e a própria Bahia. Entre os estrangeiros, destaque para os americanos, franceses, italianos, alemães, portugueses e espanhóis. Trabalho não para – Mesmo com a perspectiva de uma alta estação de hotéis lotados, o diretor de Relações Nacionais da Bahiatursa, Fernando Ferrero, disse que as ações promocionais da empresa continuam. “Agora em novembro, por exemplo, vamos realizar quatro famtours com operadores, em destinos importantes como Porto Seguro e Maraú. A intenção é fazer com que a Bahia continue sendo o destino turístico preferido dos brasileiros”, conta. Viver Bahia | 73


Filé de linguado ao molho de camarão

Fotos: Gabriel

Carvalho

Para os amantes da boa mesa, o prato pode ser degustado a qualquer hora do dia ou da noite em Praia do Forte

O chef Miguel Hallal

Ingredientes Suco de 1 limão 1 dente de alho moído 1 tomate picado sem semente 1 cebola pequena picada 2 colheres de extrato de tomate 1 copo americano de leite de coco 1 pimentão picado, vermelho ou amarelo 1 xícara de farinha de trigo Modo de preparo do Linguado Passe os filés de linguado na farinha de trigo e frite em óleo pré-aquecido, até dourar. Reserve.

Toda comida merece uma boa bebida para acompanhar.

No caso do filé de linguado ao molho de camarão, a iguaria se casa perfeitamente com um vinho branco seco. O tipo

G

aúcho de pelotas, o empresário Miguel Hallal deixou o Rio Grande do Sul para viver à beira-mar em Praia do

Forte. Vindo de uma família de empresários do setor hoteleiro, ele divide as tarefas de administrar seu estabelecimento e

preparar pratos saborosos. Um desses aperitivos é o filé de

linguado ao molho de camarão que é a iguaria mais pedida em seu hotel. Servido numa caprichada porção para duas pessoas,

nosso chef em questão, a sugestão é uma espécie de ponche

de vinho branco. Diferente dos tipos de ponche que estamos

acostumados a ver, o drinque preparado por Miguel Hallal tem

frutas como uva, morango e maçã cortados em pedaços maiores. Ideal se preparado com vinho seco, a bebida tem o leve paladar adocicado das frutas em contraste com a acidez da bebida.

Considerado um prato leve, o filé de linguado ao molho

quando na verdade abastece até três, o prato foi uma das atrações

de camarão credencia o pedido de uma saborosa sobremesa.

Segredos não há, ou talvez Miguel prefira esconder. Mas de uma

como creme de mamão papaya, sorvetes, pavês e pudim de

do Festival Gastronômico Tempero no Forte, em Praia do Forte. coisa pode ter certeza, o filé dá água na boca.

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suave também não cai mal. No caso do prato preparado pelo

Modo de preparo do molho de camarão Refogue o camarão no azeite de oliva, junto com o tomate, a cebola e o pimentão. Depois que o camarão avermelhar, acrescente o extrato de tomate e o leite de coco. Mexa por cinco minutos. Como servir Ponha os filés em uma travessa e cubra com o molho. Sirva com legumes ao bafo e arroz branco.

No cardápio, diversas opções para depois do almoço ou jantar,

Onde comer

leite condensado. Para saborear, siga a receita do chef.

Praia do Forte

Praça dos Artistas, s/n, Tel: 71 3676-1366

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PROGRAMAÇÃO cultural

Federico García Lorca, trata do amor e de suas adversidades; trabalho de formatura em Interpretação Teatral da Escola de Teatro da UFBA.

TEATRO

Local: Teatro Martim Gonçalves Data e horário: 15/12 a 19/12, 19h e 21h30

Mais Informações: 71 8840-9686

OS DONOS DO RISO

EU QUERO MEU PRESENTE DE NATAL Reflete sobre o verdadeiro sentido das festas natalinas e a relação de consumo que se apropria dessas manifestações culturais e religiosas. Grupo de Teatro do PROJOVEM / Prefeitura de Livramento Local: Praça Dom Hélio Paschoal –

Livramento de Nossa Senhora Data: 21/12 e 22/12 - 20h Preço: Grátis

PÓLVORA E POESIA O confronto entre razão, paixão e vida desregrada dos poetas franceses Arthur Rimbaud e Paul Verlaine é retratado no espetáculo Pólvora e Poesia. Seus escritos, conflitos e sentimentos revelam um amor tempestuoso e intenso, marcado pela quebra das regras sociais. A montagem é dirigida por Fernando Guerreiro, com texto de Alcides Nogueira e os atores Talis Castro e Caio Rodrigo no elenco. Local: Espaço Cultural Barroquinha Data e horário: 4/12 a 19/12, sex e sáb, 20h; dom, 19h Preços: R$ 20 e R$10

Mais Informações: 71 3117-8106 76 | Viver Bahia

Polvora e Poesia

LATINIDADE Inspirada no panorama cultural da América Latina, Bacad, a mais nova montagem da Companhia Teatro da Queda, narra situações comoventes e engraçadas que remetem às sensações perdidas da nossa latinidade em busca de reconhecimento cultural e melhor compreensão das raízes históricas. Contada em blocos, com a dramaturgia fortemente apoiada no trabalho de corpo dos atores, a peça é baseada nos textos do escritor uruguaio Eduardo Galeano, autor de As Veias Abertas da América Latina. O projeto prevê ainda o ciclo de leituras Daquilo que Somos Feitos, nos dias 8/12 e 15/12, das 9h às 12h, no Colégio Central, em Salvador, e a realização da oficina “A Poética da Invenção – Do Processo Colaborativo de Construção do Espetáculo Bacad”, que acontece em três encontros no mesmo período em que a peça fica em cartaz, com inscrições e horários a

serem publicados no blog da companhia. Local: Teatro Vila Velha | Centro

Cultural Plataforma | Cine-Teatro Solar Boa Vista Data e horário: 3/12 a 19/12, sex a dom, 20h; 9/12, 20h/ 16/12, 20h Preço: R$ 10 e R$ 5 Mais Informações: 71 3083-4600

QUATRO LUAS PELAS PEDRAS Inspirado na obra do espanhol Jingobel

Os humoristas Guga Walla, Miguel Vieira e Paulo Prazeres fazem stand up comedy com situações do cotidiano, em parceria com a Universidade Estadual da Bahia, pelo fomento à cultura na região do Cabula e revitalização do Teatro UNEB. Local: Teatro UNEB Data e horário: 16/12 Preço: R$ 5 + 1kg de alimento Mais Informações: 71 3117-2306

TRAGICOMÉDIA | JINGOBEL O Natal nunca mais será o mesmo depois da estreia da peça Jingobel, que traz à cena três mulheres numa situação

tragicômica, revelando a solidão e carência humana. Elisa, ao ser abandonada por seu amante e para não passar a noite de Natal sozinha, resolve tornar reféns Vanusa e Tereza. Claudio Simões assina o texto, que tem direção de Márcio Sherrer. Os atores Wagno Matos, Edy Bonrhausen e Leonardo Teles encaram o desafio de interpretar os personagens femininos.

MÚSICA

Local: Teatro Municipal Margarida Ribeiro | Feira de Santana Data e horário: 10/12 a 12/12, sex a dom, 20h30 Preço: R$ 20 e R$ 10 Mais Informações: 75 3625-9533 | companhiateatrodiario@yahoo.com.br

FESTIVAL DE REGGAE DO PELÔ

FILHO DE PEIXE, PEIXINHO É As atrizes Márcia Andrade e Zeca Abreu dividem a cena com seus peixinhos Gabriel Andrade e Maria Flor Abreu, dramatizando leituras de histórias infantis.

O festival traz diversas atrações, dentre elas, a banda Kebra Nagast, no show Desmistificação, álbum em que o grupo interpreta covers de canções dos ícones do reggae mundial, como Bob Marley, Peter Tosh e Alpha Blondy, além de composições próprias. O evento ainda conta com shows de

sábados, 17h

Preço: R$ 10 e R$ 5 Mais Informações: 71 3329-2418

FESTIVAL DE MÚSICA E CERVEJA Shows da banda potiguar Camarones Orquestra Guitarrística, das camaçarienses The Pivos, Psicopop e Urublues, e do soteropolitano Messias; a discotecagem fica por conta do DJ Maximos.

PROJETO PAZ NO PELÔ Banda Mahatma, com participação dos Filhos de Gandhy e de artistas convidados, lidera festa que propõe a cultura da não-violência.

ALVOROÇO

Festival de Reggae do Pelô

artistas do cenário internacional, como a cantora de reggae norteamericana Sistah Molly Rose e a banda Red Meditation, além do cantor e compositor Arkaingelle, da Guiana Inglesa e o jamaicano Messenjah Selah, que toca na noite de encerramento.

Local: Teatro Castro Alves Data: A partir de 16/01, aos sábados

Local: Largo Tereza Batista Data e horário: Até 26/12, sexta,

Mais Informações: 71 3535-0600

Preço: R$ 5

e domingos

Três na Folia

Local: Restaurante da Kássia | Camaçari 71 8649-1971/ Data e horário: 18/12, 20h; 19/12, 11h Preço: R$ 15 Mais Informações: 71 8649-1971 | jairguima@gmail.com

Local: Teatro Gamboa Nova Data e horário: 4/12 a 18/12, aos

A peça recebe esse nome justamente porque o roteiro é decidido pelo público na hora do espetáculo, causando um grande alvoroço nos atores e no público. O espectador escolhe o que vai acontecer, interfere na cena e até sobe no palco. O tom fica por conta da experiência do elenco, formado por Aícha Marques, Caíca Alves, Evelin Buchegger, Rony Cássio e Maria Menezes, que também dirige o espetáculo e criou o cenário e figurino.

Foto: Alessandra Nohvais

às 20h e domingo, às18h30

Local: Largo Quincas Berro d’Água | Largo Tereza Batista Data e horário: 16/12 e 23/12, 20h; 30/12, 20h Preço: Grátis

TRÊS NA FOLIA Cláudia Cunha, Manuela Rodrigues e Sandra Simões apresentam canções autorais e, também, um resgate à memória dos antigos carnavais, num tributo à Carmem Miranda. Local: Largo Pedro Archanjo | Pelourinho Data e horário: 2/12 a 23/12, as

DESCENTRALIZAÇÃO – I FESTIVAL DE MÚSICA INSTRUMENTAL DO INTERIOR DA BAHIA As cidades de Cachoeira e Jequié recebem a primeira edição do Festival de Música Instrumental do Interior da Bahia, que conta com uma programação bastante diversificada. Três shows por noite acontecem em cada um dos municípios, reunindo artistas da região, de Salvador e convidados de outros estados. Dentre os nomes confirmados, estão o saxofonista Leo Gandelman, o baterista e percussionista Robertinho Silva, o contrabaixista Luciano Calazans, o Grupo Mandaia, a Banda de Boca e o Núcleo de Percussão da UFBA, com Aroldo Macedo, que faz uma homenagem aos 60 anos do trio elétrico, além de filarmônicas locais. Local: Centro de Artes, Humanidades e Letras da Universidade Federal do Recôncavo (Cachoeira) | Centro de Cultura ACM (Jequié)

Data e horário:

3/12 a 5/12, sexta a domingo, 17h; 17/12 a 19/12, sexta a domingo, 17h Preço: R$ 2 e R$ 1

quintas, 21h

Preço: Grátis Viver Bahia | 77


Foto: Luciana Câmara

CIRCUITO DO SAMBA – A RODA DE SAMBA NO PELÔ Evento conta com as bandas: Raízes do Samba de Tocos, União Teodorence e Samba de Roda Os Vendavais (10/12); Filhos do Varre Estrada, Raízes da Cultua Negra do Recôncavo e Pitanga dos Palmares (14/12). Local: Largo Pedro Archanjo | Pelourinho Data e horário: 10/12 e 14/12, a

Corsário

Data e horário: 19/12, 17h Preço: Ingressos 1º Lote R$ 25 (meia),

partir das 18h Preço: R$ 5,00

Mais Informações: 71 9997-8200

R$ 40 (área vip)

Circuito do Samba

NA TRILHA DO CHORO II Grupo Mandaia mescla o chorinho a outros estilos musicais, como samba e maracatu. Em cada edição, a banda recebe convidados especiais. Local: Largo Tereza Batista Data e horário: 9/11 a 23/11, as terças-feiras, 21h; 14/12, 21h

Preço: Grátis

MANAIÁ Ao lado do violonista Duda Brito e do percussionista Ricardo Hardman, cantora apresenta o show Samba, Bossa e Outros Traçados. Local: Ciranda Café Data e horário: 4/12 e 18/12, 21h Preço: R$ 10 Mais Informações: producaoma-

nala@gmail.com

Manaiá

ARTES VISUAIS CONCERTO ESPECIAL DE NATAL

FESTIVAL NACIONAL EDÉSIO SANTOS DA CANÇÃO Festival promove premiação para músicas e intérpretes, oficinas e apresentação da cantora Mariene de Castro. Local: Centro de Cultura João Gilberto

| Juazeiro

Data e horário: 14/12 a 18/12, horários variados Preço: Grátis

RONDA JAZZ Foto: Mariele Goes

O grupo Ronda Jazz apresentase todas as quintas-feiras, mostrando que o jazz também tem vez nesta terra. Formado no final de 2007, o Ronda Jazz é composto por Vincent Penasse (sax tenor), Gustavo Nunes (guitarra), Yrland Valverde (baixo acústico) e Mauricio Pedrão (bateria), músicos experientes que também tocam em grupos musicais da cidade. Local: Balcão Botequim | Rua da

Paciência, 233 | Rio Vermelho Data e horário: A partir de 22/01, quintas -feiras, às 21h Preço: R$7,00 (Couvert) Mais Informações: 3334-7450

78 | Viver Bahia

EUA é baseada no último álbum de inéditas “Bravo”, os paulistas vêm à capital baiana trazendo na bagagem todos os sucessos dos quase 20 anos de carreira e mais a releitura do primeiro disco da banda, relançado em 2009, com o título “Original Sin”. Local: Via Bahia Show - Praia do

OSBA e o coro ALBA apresentam concerto natalino, sob regência do maestro Pino Onnis, com a participação dos solistas Sandro Machado (tenor), Guilherme Hübner (baixo), Vanda Otero (mezzosoprano) e Ângela Laborda (soprano). Local: Teatro Castro Alves Data e horário: 17/12, 20h Preço: R$ 10 e R$ 5

LOUVAÇÕES NATALINAS Projeto comunitário reúne artistas profissionais e amadores para o Auto de Natal, encontro de corais e grupos orquestrais. A iniciativa integra o projeto Carmo Cultural. Local: Convento do Carmo Data e horário: 21/12 a 24/12, 19h Preço: Grátis Mais Informações: 71 3243-2414

| freireinaldo@yahoo.com.br

BRAVO WORLD TOUR Uma das mais importantes bandas de hard/rock do Brasil, o Dr.Sin, encerra em Salvador a turnê do álbum “Bravo”, em única apresentação, dia 19 de dezembro, às 17h, no Via Bahia Show. A turnê que já passou pelas principais cidades brasileiras e pelos

vídeo e outras vertentes. A maioria dos trabalhos que compõe o evento tem temáticas voltadas para o contemporâneo. Um projeto de intercâmbio firmado entre a Bienal do Recôncavo e Cuba, por iniciativa do Ministério da Cultura, possibilita, neste ano, a participação do artista cubano Ibrahim Miranda, convidado especial que expõe em sala exclusiva. A cultura cubana também é representada pela presença da curadora Íbis Hernandez, representante da Bienal de Havana, que ministrará uma oficina de arte durante a mostra. Local: Centro Cultural Dannemann –

São Félix

Data e horário: Até 26/2/2011, de

terça a sáb, 8h às 17h; dom, 13h às 17h

Preço: Grátis Mais Informações: 75 3438-

4308/ 9982-4800 | companhiadecomunicacao19@gmail.com

BAHIA – LITORAL E SERTÃO Fotografias e postais do início do século XX mostram cidades do interior baiano e o impacto da exploração colonial e do povoamento heterogêneo, além da pluralidade de atividades econômicas exercidas no litoral e no sertão. Local: Museu Tempostal Data e horário: Terça a sexta, das

10h às 18h; sábado, domingo e feriados, 13h às 17h Preço: Grátis

PAINEL – X BIENAL DE ARTES DO RECÔNCAVO O público baiano já pode visitar um dos maiores eventos do circuito das artes plásticas no Norte-Nordeste. Para esta décima edição, foram selecionados 109 projetos de artistas da Bahia e de outros estados brasileiros, nas mais diversas linguagens: pintura, escultura, fotografia, instalação,

AS IMAGENS DA FÉ A exposição de longa duração reúne cerca de 800 peças de arte sacra que expressam a religiosidade do povo brasileiro e, em particular, do nordestino. Na mostra é apresentada A Corte Celestial, como o pernambucano Abelardo Rodrigues chamava a sua coleção de arte sacra, uma das maiores do Brasil. Local: Solar Ferrão | Rua Gregório de

Mattos, 45, Pelourinho (71 3117-6380) Data e horário: 25/11, de terça a sexta, das 10h às 18h; sáb e dom, das 13h às 17h Preço: Grátis

LA SAPE A Aliança Francesa recebe as imagens do fotojornalista congolês Baudouin Mouanda, com a exposição La Sape, dia 29 de novembro. As fotografias retratam o cotidiano dos sapeurs, dândis africanos, que há mais de 25 anos estampam as ruas pobres de Brazzaville,

interessados devem adquirir o passaporte e enviar seu vídeo até o dia 20 de dezembro; também estão abertas as inscrições para três oficinas gratuitas de capacitação em audiovisual: Oficina de Roteiro, ministrada por Clarissa Rebouças; Oficina de Produção, ministrada por Paula Gomes; Oficina de Direção de Arte, ministrada por Carol Tanajura. Mais informações no site oficial do Festival.

La Sape

capital do Congo – e de diversos bairros congoleses de Paris, Londres e Bruxelas - em trajes requintados ao estilo alfaiataria, cores berrantes e postura teatral. A exposição fica aberta à visitação até 8 de janeiro, na Galeria da Aliança Francesa.

fotografados por Fernando Laszlo, e transformadas em objetos e instalações pelos três artistas. O resultado dessas experiências feitas com luz e poesia desde 2002 poderá ser visto até o dia 13 de fevereiro.

Data e horário: 29/11 a 6/12, de

Local: Espaço Cultural Solar Ferrão Rua Gregório de Matos, 45 Data e horário: 29/11 a 6/12, de terça a sexta, das 10h às 18h; sábados, domingos e feriados, das 13h às 17h (até 13/02/2011) Preço: Entrada gratuita

LUZESCRITA

CINEMA

Local: Aliança Francesa, Av. Sete de

Setembro, 401

segunda a sexta das 8h às 21h; sábados das 8h30 às 17h (até 08/01) Preço: Entrada gratuita

Os artistas Arnaldo Antunes, Fernando Laszlo e Walter Silveira apresentam na Galeria Solar Ferrão, a partir do dia 01 de dezembro, a exposição Luzescrita. Juntos, eles assinam obras inéditas, criadas a partir de poemas escritos por Walter e Arnaldo, Luzescrita

1º FESTIVAL DE CINEMA BAIANO Entre os dias 9 e 13 de janeiro de 2011, acontece em Ilhéus o 1º Festival de Cinema Baiano (FECIBA). Entendendo a importância dos produtores independentes, o evento conta com uma mostra paralela na qual serão exibidos 20 curtasmetragens. Para participar, os

Glauber Rocha

Local: Teatro Municipal de Ilhéus | Cine

Santa Clara | Fundação Cultural de Ilhéus (festivaldecinemabaiano@gmail.com) Data: Inscrições para mostra paralela e oficinas até 20/12 Preço: Passaporte: R$15; Oficinas: Grátis

EXIBIÇÃO CELEBRA RESTAURAÇÃO DE O LEÃO DE SETE CABEÇAS, FILME DE GLAUBER ROCHA O longa-metragem O Leão de Sete Cabeças, dirigido por Glauber Rocha, foi restaurado pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia. A obra, inédita no circuito cinematográfico nacional, encarna a opção do diretor baiano por um cinema revolucionário, em busca dos mitos fundadores da civilização brasileira. Lançado na cena alternativa norte-americana nos anos 1970, o filme repercutiu na comunidade negra, gerando acalorados debates à época. A restauração foi feita com investimento de R$ 960 mil do Fundo de Cultura da Bahia,

Viver Bahia | 79


através de convênio com a Associação Baiana de Cinema e Vídeo, que coordenou a execução do projeto. Para Márcio Meirelles, secretário de Cultura do Estado, o Leão é um dos filmes mais importantes de Glauber pelo momento em que foi realizado e pela atualidade de seu tema. “Foi o primeiro filme que ele produziu fora do Brasil e trata das disputas políticas em torno da recolonização da África, um tema muito caro para a Bahia”, analisa Meirelles.

autores baianos. O público terá oportunidade de participar de lançamentos, além de assistir a discussões sobre livro, literatura e políticas voltadas para o mercado editorial na Bahia. Local: Centro de Cultura Olívia Barra-

| 9191-7799

MORAES MOREIRA LANÇA NOVO LIVRO SOBRE A MEMÓRIA ELÉTRICA O cantor e compositor compartilha histórias inéditas do Carnaval da Bahia, em seu livro Sonhos Elétricos, Viva

Data e horário: 21/12, terça-feira, 20h Hollywood Forever

DANÇA 71 3339-7032 | onlynecomunicacaoearte@gmail.com Data e horário: 9/12 a 12/12, quinta a domingo, 20h

DOMINGO NO TCA

Local: Sala do Coro do TCA 80 | Viver Bahia

CURSOS

sexta-feira a domingo

Glauber Rocha

Montagem conta a história de um casal que se conhece nos anos de 1930, em um cinema da tradicional Rua Chile, em Salvador. O romance dos dois é todo pontuado por canções que marcaram sucessos históricos: E o Vento Levou, Titanic, Casablanca, Luzes da Ribalta, Evita, O Fantasma da Ópera, Matrix, Dirty Dance e Mamma Mia. Os protagonistas são observados por um excêntrico lanterninha, que acaba se tornando em grande amigo do casal e um personagem-chave na trama.

Preço: Grátis Mais Informações: 75 3641-2837

das | Valença

Local: Espaço Unibanco de Cinema

HOLLYWOOD FOREVER: 53° ESPETÁCULO DA CIA. DE DANÇA VALTER LEONE

Data e horário: 10/12 a 12/12,

preso em uma masmorra brasileira, à mercê do sistema carcerário paulista e do domínio da facção criminosa PCC. Local: Livraria Cultura | Salvador Shopping Data e horário: 13/12, 19h Preço: Grátis

O Balé do Teatro Castro Alves apresenta À Flor da Pele, criação do renomado coreógrafo Ismael Ivo. A Orquestra 2 de Julho, do Neojiba, executará composições de Gustav Local: Teatro Castro Alves Data e horário: 19/12, 11h Preço: R$ 1,00 e R$ 0,50

inspirado no mundo mágico das fadas, das cores e da fantasia. Ballet Rosana Abubakir Local: Teatro Castro Alves Data e horário: 13/12 e 14/12, 20h Preço: R$ 40 e R$ 20

LITERATURA

CIRCUITO DA DANÇA Apresentação dos espetáculos Almejo e Triscou, Pegou!, seguido de vídeo com depoimentos do público e uma exposição fotográfica com imagens do Circuito. Local: Sala do Coro do TCA Data e horário: 15/12, 19h30 Preço: Grátis Informações: 71 8844 7189

ALÉM DO ARCO-ÍRIS Espetáculo criado especialmente para os alunos do Ballet Rosana Abubakir,

ACADEMIAS DE LETRAS DA BAHIA TÊM 1o ENCONTRO NO BAIXO-SUL Academia de Letras | Valença

Na cidade de Valença, cerca de 17 Academias de Letras do Estado reúnem-se pela primeira vez. Estarão presentes instituições de Jequié, Vitória da Conquista, Feira de Santana, Caetité, Alagoinhas, Bom Jesus da Lapa, Jacobina, Paulo Afonso, Ilhéus e Salvador. O I Encontro Estadual das Academias de Letras se constituirá em um momento de discussão em torno da divulgação do livro e do incentivo à leitura. Segundo a coordenação do evento, em todo o interior da Bahia existe um grande número de Academias. Estas poderão se transformar em centros irradiadores de cultura, especificamente no que concerne à difusão da literatura, principalmente de

VILA VERÃO | OFICINAS DE VERÃO NO TEATRO VILA VELHA TÊM MATRÍCULAS ABERTAS Moraes Moreira

Dodô e Osmar. Nas páginas da obra, momentos inesquecíveis fazem de Moraes Moreira um poeta das memórias e máquinas musicais da Bahia. Da sua saída dos Novos Baianos até o Carnaval de 2010, passando pelo exílio cultural nos carnavais de Recife, está tudo retratado neste segundo lançamento de Moraes na área literária. Local: Livraria Cultura do Salvador

Shopping

Data e horário: 21/12, terça-feira, 19h Informações: 71 9121-5359

AUTÓGRAFOS: VOO PARA A ESCURIDÃO O autor Marcelo Simões autografa sua obra “Voo para a escuridão”, que conta a história do comissário de bordo colombiano Jak Mohamed Harb, de 48 anos. Rico, bonito e gay, ele se vê

As inscrições para as tradicionais Oficinas de Verão do Teatro Vila Velha já começaram. Adultos e crianças interessados em aprender teatro, canto, percussão, dança, fotografia, entre outras expressões artísticas, podem se matricular em turmas matutinas, vespertinas e noturnas. Ao final dos cursos, os grupos apresentam os resultados em uma grande mostra. Local: Teatro Vila Velha Mais Informações: 71 3083-4616

| pauta@teatrovilavelha.com.br Início das aulas: 10/1/11

LABORATÓRIO DE CRIAÇÃO Oficina propõe a investigação do processo de criação e treinamento do ator através de exercícios corporais e textuais, a partir da utilização das técnicas Viewpoints, Suzuki e Teatro Narrativo. Os resultados serão apresentados em uma mostra.

Local: Centro Cultural Ensaio Data e horário: Duração de 3 meses

(início em janeiro), as terças e quintas, 19h às 22h Preço: R$ 50 (mensal) Mais Informações: 71 3018-6062 / 8824-2683 | teatrodaqueda@gmail.com

DRAMATURGIA | OFICINA EM SÃO FRANCISCO DO CONDE A oficina Dramaturgia em Processo propõe introdução à dramaturgia explorando textos elaborados por grupos de teatro amador e utiliza estratégias de escrita dramatúrgica que dialogam com o processo do teatro colaborativo. A atividade é voltada para atores, diretores, professores de teatro e estudantes de Letras. Ao término do curso serão realizadas leituras dramáticas dos textos resultantes, em espaços públicos da cidade.

Dramartugia | Oficina em São Francisco do Conde

com idade entre 3 a 6 anos) e a Turma de Teatro Camaleãozinho (entre 7 e 11 anos), além do curso Despertando a Criatividade com o Corpo, para o público infanto-juvenil. Já a Oficina de Teatro para Adolescentes é voltada para quem tem de 12 a 16 anos. Pessoas sem experiência nas artes cênicas podem participar do curso Iniciação ao Teatro, ministrado pelo professor Fábio Araújo. Ainda há oficinas de Jogos e Improvisação e sobre O Prazer de Contar Histórias, na qual Rafael Morais ensina técnicas de narração, criação e encenação. Para os interessados em performance, a opção é Performances Urbanas, direcionado a maiores de 18 anos. Expressão e Consciência Corporal é para aqueles que queiram exercitar estes princípios através da prática do Pilates. Na área musical, o professor Marcelo Jardim ministra o curso de Canto Livre. Para pessoas a partir de 50 anos, a oficina de Teatro para a Maturidade traz uma proposta leve e prazerosa. Local: Icba – Sala Teatro Griô 71 3018-4888 /teatro@teatrogrio.com.br Inscrições: 1/12 a 20/12 Mensalidade: entre R$140 e R$160

Projeto Fazer com Arte | Monte Recôncavo | São Francisco do Conde

Datas e horários: 5/12 a 26/12,

às quartas, 9h às 16h30 Preço: Grátis Mais Informações: 71 9952-7232 / 8226-5384 | ciamontarte@yahoo.com.br

AQUI MULTIPLICIDADE – TEATRO GRIÔ PROMOVE CURSOS DE VERÃO PARA TODAS AS IDADES Dentre as opções oferecidas, a garotada tem opções exclusivas: as oficinas Entrelinhas (para crianças Viver Bahia | 81


AEROPORTO Aeroporto Internacional de Salvador | Pç. Gago Coutinho, s/n São Cristóvão, Tel. 3204.1010 COMPANHIAS AÉREAS Gol | Tel. 0300.1152121 www.voegol.com.br Webjet | Tel. 0300.2101234 www.webjet.com.br Lanchile | Tel. 3241.1401 www.lanchile.com Ocean Air | Tel. 4004.4040 www.oceanair.com Tam | Tel. 0300.1231000 www.tam.com.br Tap Air Portugal | Tel. 0300.2106060 www. agentestapbrasil.com.br Azul Linhas Aéreas | Tel. 4003.1118 www.voeazul. com.br

Ferry-Boat Terminal Turístico Marítimo | Av. da França, s/n, Comércio - Tel. 3254.1020 Diariamente: 6h as 19h30’ Porto Porto de Salvador | Av. da França, 1551 – Comércio Tel.: 3320.1100 Horário: segunda a sábado das 6h as 17:30h; domingo das 7h as 10h Site: www.codeba.com.br Marinas Pier Salvador | Av. Porto dos Tainheiros, Ribeira Tel. 3316 1406 Bahia Marina | Av. Contorno, nº 1010, Comércio, Tel. 3322.7244 Marina de Itaparica | Av. 25 de Outubro, s/n, Itaparica T. 3631.1668/1024 82 | Viver Bahia

Informações Úteis Rodoviária Terminal Rodoviário | Armando Viana de Castro Av. ACM nº 4362, Pituba Tel. 3116.8300 Funcionamento 24h

Correios Agência da Pituba (Central) | Av. Paulo VI nº 190, Pituba, Tel. 3003 0100 Agência do Aeroporto | Tel. 3204 1676/1677 Agência da Praça da Inglaterra | Comércio Tel. 3346.9414 Agência do Pelourinho | Largo do Cruzeiro de São Francisco nº 20, Pelourinho, Tel. 3321 8787 Agência da Vitória | Tel. 3337 3117

Câmbio Banco do Brasil | Aeroporto Internacional de Salvador, São Cristóvão, Tel. 3377 2574 Citibank | Rua Marques de Leão nº 71, Barra, Tel. 4009 6310 Confidence Câmbio | Aeroporto Internacional de Salvador, São Cristóvão Tel. 3354 0699 Iguatemi Turismo | Av. Tancredo Neves, nº 148, Pituba (Shopping Iguatemi 2º Piso), Tel. 3450 0200 Olímpia Turismo | Praça Padre Anchieta nº 16, Centro Histórico, Tel. 3322 0863

Shopping Tour | Av. Centenário nº 2992, Barra (Shopping Barra 1º piso) Zap Tur | Avenida Sete de Setembro nº 14, Barra (Hotel Sol Barra) Tel. 3264 0000

Unidas | Av. Amaralina, 813 - Tel. 3204 4900 / 0800 121 121 (reservas) Business Rent a Car | Direita do Santo Antonio nº 20, Santo Antonio Além do Carmo - Tel. 3241 3586

Artesanato Mercado Modelo | Pça. Visconde de Cayru nº 250, Comércio, Tel. 3241 2893 Instituto de Artesanato Visconde de Mauá | Praça Azevedo Fernandes nº 02, Porto da Barra Tel. 3116 6110/6713 Feira de Artesanato do Pelourinho | Rua Gregório de Mattos nº 5, Pelourinho Tel. 3322 5200/5100 Gerson Artesanato de Prata | Rua do Carmo nº 26, Santo Antônio Tel. 3242 2133 Feira de São Joaquim | Av. Jequitaia s/n, Calçada Afro Bahia | Largo de São Francisco nº 10, Pelourinho, Tel. 3322 3709 Loja de Artesanato do SESC | Rua Francisco Muniz Barreto nº 2, Terreiro de Jesus, Pelourinho, Tel. 3321 0161

SHOPPING CENTER Shopping Barra | Av. Centenário nº 2992, Chame-Chame Tel. 2108 8222 Funcionamento: seg a sex das 9h as 22h / Sabado 9h as 21h / domingo 15h as 21h Salvador Shopping | Av. Tancredo Neves nº 2195, Pituba Tel. 3828 1000 Funcionamento de seg a sex 9h as 22h e dom das 12h as 21h Shopping Paralela | Av. Luis Viana Filho Tel. 3555 7091 Funcionamento seg a Sab 9h as 22h domingo 14h as 21h Shopping Lapa | Rua Portão da Piedade nº 155, Piedade. Tel. 3328 8200 Funcionamento seg a sab 9h as 22h, dom das 12h das 21h Shopping Iguatemi | Av. Tancredo Neves nº 148, Pituba - Tel. 3350 5050 Shopping Itaigara | Av. Antonio Carlos Magalhães nº 656, Itaigara T. 3270 8900 Funcionamento seg a sex 9h as 21h Sab 9h as 20h Shopping Piedade | R. Junqueira Ayres nº 8, Barris. Tel. 3444 1555 Funcionamento seg a sex 9h as 21h Sab 9h as 20h

Locadora de Automóveis Car Rental Hertz | Aeroporto Internacional de Salvador, São Cristóvão Tel. 3377 6554 Localiza | Av. Oceânica nº 3057, Ondina, Tel. 3173 9292 Aerocar | Rua Fonte do Boi nº 26, Loja 2, Rio Vermelho, Tel. 3335 1110

? TELEFONES ÚTEIS Disque Bahia Turismo | T. 3103 3103 SAMU | 192 Polícia / Bombeiros | 193 Central Antiveneno | T. 0800 2844343 Correios (reclamações) | T. 0800 725 0100 Defesa Civil | 199 Defesa do Consumidor | T. 3321 9947/3885 Delegacia de Proteção ao Turista | T. 3116.6817 / 3116.6512 Delegacia de Proteção À Mulher | T. 3116.7000 Detran | T. 3535 0888 Disque Denuncia (drogas, homicídios, roubos, etc.) | T. 3235 0000 Disque Denuncia (exploração sexual contra Crianças e Adolescentes) | 100 Polícia Civil | 197 Policia Militar | 190 Polícia Federal | T. 3319.6000 Serviço Salvador Atende | 156 Serviço de Informações dos Transportes Urbanos de Salvador – (CIAC) | T. 2109 3641

Taxis Taxi Comtas | T. 3377-6311 / 0800.710311 Taxi Coometas | T. 3244.4500 / 0800.282450

Sol e praia? Sim, mas a Bahia é muito mais.

Fotos: Eduardo Moody e Jota Freitas / Bahiatursa

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Venha e desfrute de praias, montanhas, festas, shows, esporte, cultura e gastronomia. Em cada canto da Bahia tem uma viagem inesquecível. Agora com voos diários Lisboa-Salvador.

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Fotos: Bruno Ribeiro, Eduardo Moody e Jota Freitas / Bahiatursa


Revista Viver Bahia nº 15  

Revista de turismo, conheça tudo sobre os destinos turísticos da Bahia.

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