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#79 MAIO/JUNHO 2019

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DOSSIÊ – TECNOLOGIA EVOLUI AO RITMO DOS AUTOMÓVEIS!

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NUNO PAQUETE GRUPO BOMBÓLEO

“SATISFAÇÃO DO CLIENTE E RENTABILIDADE”


profissional

SUMÁRIO #79 / MAIO/JUNHO 2019

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DESTAQUE

A explicação para o sucesso do Grupo Bombóleo

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ENTREVISTA

Alexandre Ferreira reconduzido à frente da ANECRA

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REPORTAGEM

O crescimento do salão expoMecânica

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DOSSIÊ

A evolução dos equipamentos oficinais acompanha a tecnologia automóvel

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PROTAGONISTA

Yes Car recebeu prémio de "Oficina do Ano"

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TÜV SUD

A certificação que simplifica tudo...

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REPORTAGEM

Autopromotec, a grande feira do aftermarket de Bolonha

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BOAS PRÁTICAS

A importância do após-venda para a BMW

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REPARAÇÃO

Quais os limites para recuperar peças em plástico

ESTA EDIÇÃO É OFERECIDA PELOS NOSSOS ANUNCIANTES: MONROE SELO DE CAPA PRO4MATIC RODAPÉ DE CAPA EUROREPAR VC JAPANPARTS PÁG. 5 TRW PÁG. 11 SPARKES & SPARKES PÁG. 12/13 FEBI PÁG. 17 WOLF OILS PÁG. 19 NGK PÁG. 25 OSRAM PÁG. 27 EUROREPAIR PÁG. 35 ZF PÁG. 37 AUTOZITÂNIA PÁG. 43 JABA PÁG. 45 CESVIMAP PÁG. 51 ZF 53 ZARAGOZA 57 CARF VCC BOSCH CC

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MAIO/JUNHO 2019 TURBO OFICINA


EDITORIAL

QUE NINGUÉM FIQUE PARA TRÁS! S

ão já várias as edições da TURBO OFICINA em que temos vindo a “bater na mesma tecla”, mas não nos cansaremos de continuar a fazê-lo, pela importância para um futuro risonho de milhares de pequenas e médias oficinas por esse País fora: estamos a viver um período de forte aceleração tecnológica nos automóveis, mas também de tudo o que os rodeia, a nível de assistência, manutenção e reparação. Os novos sistemas embarcados nos automóveis exigem novas aparelhagens para os reparar ou simplesmente para os calibrar e garantir que outros dispositivos ficam a funcionar com todo o rigor. A tendência é para esta “vaga” de complexidade tecnológica se adensar, obrigando quem está no terreno a correr atrás das últimas inovações para se manter em condições de prestar um serviço de qualidade. E além das tecnologias que vão aparecendo nos carros de hoje haverá ainda fenómenos que, em breve, se intensificarão, como o aumento do número de veículos conectados que colocarão novos desafios na comunicação das oficinas, ou dos automóveis elétricos que exigirão toda uma outra aptidão para a sua reparação. Estes são tempos que

podem ter tanto de excitante para quem está apto e tem o gosto por um desafio deveras exigente, como de assustador para quem tem limitada capacidade de investimento. Porque, não nos iludamos, o acompanhar desta evolução vai obrigar a avultados investimentos, em equipamento mas, sobretudo, em muita formação! Porque só os mais capazes de extrair tudo o que os novos e complexos equipamentos têm para dar poderão prestar serviços de qualidade. A estes, uma palavra: não, ainda não é altura de baixar os braços e pensar que já não é destes tempos! Que ninguém se deixe ficar para trás nesta onda de progresso, há formas de conseguir atualizar-se e à sua oficina. Aproveite as muitas ações de formação propostas, até de forma gratuita (o salão expoMecânica foi um bom exemplo), o auxílio das associações do setor que, além de formações, chegam a ter parcerias com fabricantes de equipamentos para obter preços mais em conta. E, claro, fazer um esforço para conseguir algumas certificações ou integrar uma rede oficinal que lhe abra novas oportunidades. Não é hora de desistir! Porque o que aí vem é uma era ainda mais entusiasmante que tudo o que viveu até aqui!

Sérgio Veiga E D ITO R CHE FE

TURBO OFICINA MAIO/JUNHO 2019

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profissional

PROPRIEDADE E EDITORA TERRA DE LETRAS COMUNICAÇÃO UNIPESSOAL LDA NPC508735246 CAPITAL SOCIAL 10 000 € CRC CASCAIS SEDE DEV REDAÇÃO E PUBLICIDADE AV. TOMAS RIBEIRO 129 SALA 12 2790-466 QUEIJAS TELEFONES 211 919 875/6 E-MAIL oficina@turbo.pt ADMINISTRAÇÃO AV. DAS OLAIAS, 19 A 2635-542 RINCHOA TELEFONES 211 919 875/6 E-MAIL oficina@turbo.pt DIRETOR JÚLIO SANTOS juliosantos@turbo.pt EDITOR CHEFE SÉRGIO VEIGA sergioveiga@turbo.pt REDAÇÃO CARLOS MOURA PEDRO carlosmoura@turbo.pt RESPONSÁVEL TÉCNICO MARCO ANTÓNIO marcoantonio@turbo.pt COORDENADOR COMERCIAL ALEXANDRA LI CHING alexandraliching@turbo.pt COORDENADOR DE ARTE E INFOGRAFIA JORGE CORTES jorgecortes@turbo.pt SECRETARIADO DE REDAÇÃO secretariado@turbo.pt COLABORADORES DAVID ESPANCA PAULO MARMÉ PARCERIAS CENTRO ZARAGOZA CESVIMAP IMPRESSÃO LIDERGRAF, ARTES GRÁFICAS, SA. RUA DO GALHANO, N.o 15 4480-089 VILA DO CONDE, PORTUGAL lidergraf@lidergraf.pt DISTRIBUIÇÃO VASP-MLP, MEDIA LOGISTICS PARK, QUINTA DO GRANJAL-VENDA SECA 2739-511 AGUALVA CACÉM TEL. 214 337 000 contactcenter@vasp.pt GESTÃO DE ASSINATURAS VASP PREMIUM, TEL. 214 337 036, FAX 214 326 009, assinaturas@vasp.pt TIRAGEM 5000 EXEMPLARES Registo erc Nº 127205 INTERDITA A REPRODUÇÃO, MESMO QUE PARCIAL, DE TEXTOS, FOTOGRAFIAS OU ILUSTRAÇÕES SOB QUAISQUER MEIOS E PARA QUAISQUER FINS, INCLUSIVE COMERCIAIS


DESTAQUE

NUNO PAQUETE, DIRETOR GERAL DA BOMBÓLEO

SATISFAZER O CLIENTE E EMPRESAS RENTÁVEIS Em tempo de 60.º aniversário, o Grupo Bombóleo prossegue a trajetória ascendente, nas diversas vertentes, do diesel ao aftermarket e redes oficinais, a que se juntam a especialista em turbos (Iberoturbo) e em reparação automóvel (Central Diesel). O seu diretor geral, Nuno Paquete, deu-nos uma visão sobre a pujança deste grupo que se estende a Angola e Brasil Texto Sérgio Veiga Fotos Carlos Pedrosa

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ode não aparecer no topo dos “rankings” mas, juntando as empresas que o constituem, o Grupo Bombóleo estará entre os seis maiores grupos do aftermarket nacional! Nuno Paquete, diretor geral da empresa fundada, faz agora 60 anos, por Domingos Marques, explicou-nos: “O Grupo Bombóleo é constituído pela Bombóleo, a Iberoturbo e a Central Diesel. A Bombóleo dedica-se à distribuição de peças e acessórios auto no mercado independente. A Iberoturbo é importadora e distribuidora nacional de turbocompressores das principais marcas de primeiro equipamento, disponibilizando turbos novos e reconstruídos de fábrica. A Central Diesel é a unidade reparadora oficial de todas as marcas de equipamento de diesel, Bosch, Denso, Stanadyne, Delphi e VDO e é a empresa que nos dá também apoio técnico aos clientes da Bombóleo e Iberoturbo”. Apesar de estarem sob o “chapéu” do Grupo Bombóleo (cuja faturação ronda os 33 milhões de euros anuais), são empresas distintas. “Há uma interligação, os departamentos administrativo, financeiro e comercial são comuns a todas as empresas. Mas é uma opção do seu fundador, que prefere ter as empresas separadas. Agregar as empresas para aparecermos mais acima nos ‘rankings’ não é o nosso objetivo. O que pretendemos é satisfazer o cliente, ter bom serviço, rentabilidade e saúde financeira”.

TURBO OFICINA MAIO/JUNHO 2019

Na altura em que comemora o 60.º aniversário – está preparada uma grande festa na Quinta do Falcão, a 8 de Junho, “para todos os que nos ajudaram a crescer e a consolidar o nosso negócio” – Nuno Paquete começou por nos fazer a história da Bombóleo: “Empresa fundada por Domingos Marques, um técnico de injeção diesel que começou a trabalhar aos 20 anos de idade, surgiu em 1959 resultante de um pequeno negócio familiar na área de reparação de componentes diesel. As necessidades do mercado na altura abriram a oportunidade não só de fazer reparações, mas também de começar a fazer a distribuição de tudo o que eram peças e componentes diesel. Nos primeiros vinte anos, era uma empresa que se dedicava essencialmente ao negócio diesel, tudo o que eram peças, equipamentos oficinais, foi a empresa que alavancou o que hoje é o negócio diesel em Portugal e por isso tivemos um crescimento exponencial”. É, portanto, por essa via que entram no negócio do aftermarket… Em 2004, quando fomos nomeados Distribuidor Oficial da marca Bosch em Portugal, para podermos ser um fornecedor preferente da rede Bosch Car Service, fomos “Convidados” a adicionar novas gamas de produto que até então não distribuíamos, gamas como pastilhas e discos de travão, os filtros, lubrificantes, toda uma panóplia de produtos 6


Nuno Paquete dirige uma empresa saudável e com um volume de negócios em crescendo, mas alerta para sinais que começam a chegar do "mundo real" (em concreto das oficinas) e que podem ser indicadores do início de algum arrefecimento do aftermarket nacional...

que o mercado de aftermarket necessita no seu dia a dia. Simultaneamente com a contratação de novos colaboradores com experiência no negócio aftermarket, iniciou-se então o ciclo de introdução do negócio de aftermarket no Grupo Bombóleo. O nosso negócio tem vindo a crescer, nos últimos anos especialmente graças ao aftermarket. A empresa tornou-se importadora e distribuidora dos principais fabricantes mundiais de peças e equipamentos automóvel, com a recente introdução das marcas Magneti Marelli e Fispa. Que acabaram por alargar a outras marcas… Depois fomos “forçados”, de certa forma, a ser um fornecedor global e a fornecer o máximo de produtos para complementar algumas gamas que a Bosch não comercializava. Nós só trabalhamos produto de qualidade original (primeiro equipamento), salvo algumas exceções. Por norma não temos mais que uma marca para a mesma família de pro-

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MAIO/JUNHO 2019 TURBO OFICINA


DESTAQUE

A Iberoturbo é uma das empresas que integra o Grupo Bombóleo, vendendo turbos novos ou reconstruídos. Mas também tem serviço de reparação que pode compensar para veículos já com baixo valor comercial

dutos. Temos a marca A e essa marca vale 90% da nossa faturação. Pontualmente poderemos usar uma ou outra referência que essa marca não tenha, mas maioritariamente trabalhamos com primeiro equipamento, pela qualidade do produto original. A nossa estratégia sempre foi essa. Como se têm mantido na primeira linha do aftermarket trabalhando com equipamento original? Não será pelo preço… O preço é importante, sem dúvida, mas são muitos anos de relacionamento com o mercado e muitas relações com as pessoas. Encaramos o cliente como um parceiro de negócio e não como um consumidor de peças, há aqui uma relação de há muitos anos, há uma confiança e parceria efetiva com os clientes. E, depois, é tentar ao máximo desbravar campo com a equipa comercial. Mas, hoje em dia, um dos fatores mais importantes do nosso negócio é a confiança e este sentimento de parceria. O preço é importante, sem dúvida, mas há muito mais que isso. Quando há um problema ajudamos, quando há uma garantia estamos cá para dar a cara, não fugimos às responsabilidades, pela formação, pelo apoio técnico. Em termos de serviços, a nossa oferta vai desde o diagnóstico e reparação automóvel, programa de forma-

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ção para profissionais, hotline técnica e um serviço dedicado de call center de apoio ao cliente. REDES OFICINAIS LIGADAS AO PRIMEIRO EQUIPAMENTO Têm também uma forte aposta no equipamento oficinal… A outra vertente do nosso ADN é a parte técnica. Tudo o que são novos equipamentos oficinais, temos o departamento técnico que faz as montagens, as formações, a própria divulgação e demonstração dos equipamentos. E essa é uma mais-valia que temos, pois faz com que o cliente sinta confiança com os equipamentos na parte técnica, pelo grande suporte que damos pela “hotline” e pelo apoio técnico das montagens e reparações. O vosso grupo abraça também quatro conceitos oficinais distintos. Bosch Car Service, Auto Crew (conceito oficinal Bosch), Check Star (da Magnetti Marelli) e o All Trucks. Isso faz parte do suporte do negócio do aftermarket? Exatamente, é fundamental para isso porque que nos ajuda a escoar o nosso produto. E lá está a tal parceria, porque uma oficina independente que não esteja hoje associada a uma rede de marca do primeiro equipamento dificilmente conseguirá manter-se viva 8

nos próximos anos, pela evolução da tecnologia. Em todos estes conceitos, como se processa a opção de uma oficina por cada um deles? Trabalhamos conceitos de redes ligados a primeiro equipamento. Temos parceiros de negócio que criaram o seu próprio conceito oficinal que estão a implantar no mercado e muito bem, mas que não estão “linkados” oficialmente a uma marca. Ou seja, aqui há sempre um acordo tripartido entre a marca, nós Bombóleo e o cliente. Há sempre um elo de ligação entre a oficina e nós e, simultaneamente, à marca, o que dá uma confiança, um “know-how” e conhecimento do mercado por ser oficina autorizada da própria marca. Isso ajuda-nos e a eles a terem mais negócio, estabelecendo acordos com diversas empresas, usufruindo nós depois com esse trabalho. Implica ter constantemente pessoal formado, bem equipado, de maneira a que as coisas funcionem para que seja uma mais-valia. Mas as oficinas podem escolher que conceito abraçar? A oficina candidata-se a… Os nossos comerciais promovem os conceitos junto da sua carteira de clientes e dá-se início ao processo. Dependendo da sua situa-


UM ALERTA CHEIO DE CAUTELAS!

ção geográfica, os representantes das Marcas avalizam ou não a candidatura. É claro que a oficina tem de reunir os requisitos mínimos que as marcas exigem. TURBOS SÃO NEGÓCIO DE FUTURO Já a Iberoturbo representa cinco marcas de turbocompressores: a Garrett, Borg-Warner, IHI, Mitsubishi e Cummins Holset… Somos distribuidores de todas as marcas de turbos para Portugal e, inclusive, de uma delas somos distribuidores ibéricos. Temos uma quarta empresa, digamos assim, a Greenturbo que é um ponto logístico de entrega que trabalha o mercado espanhol com a marca IHI. A Garrett representa cerca de 50% do volume de negócios da Iberoturbo, são líderes no setor automóvel, tanto nos turbos novos como nos reconstruídos. Quem quer trabalhar turbos tem de trabalhar com a marca Garrett...

Desalinhando no discurso otimista que vem marcando um setor em crescimento constante, Nuno Paquete prefere lançar alguns alertas, não pessimistas mas cautelosos, quanto ao futuro do aftermarket em Portugal: “Costumo dizer que estamos numa redoma e sufocados… Há muitos parceiros de negócio, talvez em excesso para o mercado oficinal que temos. No futuro, os mais bem preparados irão manter-se, mas outros não ou haverá alguma junção de empresas, por fusões ou aquisições, porque há demasiados operadores para o mercado que temos”. Acha mesmo que o crescimento constante dos últimos anos é algo artificial e avisa: “Já chegámos a um patamar muito elevado e, infelizmente, é natural que as coisas comecem a arrefecer. É um mercado que já tem pouco para crescer, qualquer canto do País está coberto” E se o envelhecimento do parque automóvel pode ser sempre uma boa notícia para o aftermarket e as oficinas independentes, Nuno Paquete contrapõe com dados do “mundo real” que justificam os seus alertas: “E o poder económico das pessoas?... Nos últimos dois meses viu-se muito menos movimento nas oficinas que ficaram bastante preocupadas. É verdade que foram dois meses e o início do ano nem o fazia prever. Mas, num ano de eleições em que as pessoas deviam estar otimistas, vejo com algum receio esta tendência de negócio. No terreno as coisas não estão como no final do ano passado, em que houve uma retoma no segundo semestre que continuou em janeiro e fevereiro deste ano. Mas, em março e abril, as coisas caíram. E é geral, segundo outros parceiros… Mas vamos ser otimistas e esperar que as coisas voltem a aquecer!”.

Desde a desmontagem e limpeza até à rigorosa recalibragem, o processo de reparação de um turbo é moroso, delicado... e nem sempre assim tão mais barato que comprar um turbo reconstruído pela marca

A crescente utilização de turbocompressores e o envelhecimento do nosso parque automóvel são duas boas notícias para a Iberoturbo? Sim de facto, quanto mais velho o parque automóvel se torna maior é a fatia disponível para o mercado independente, para o turbo novo como também para o reconstruído. Mas a reparação está a vir ao de cima porque, numa viatura 9

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DESTAQUE com 12-13 anos, muitas vezes vale mais um turbo novo que o próprio carro… E temos sofrido, desde 2011, com essa questão de existir muita reparação de turbos, em detrimento da compra do novo ou do reconstruído de fábrica. A tendência, neste momento nas novas motorizações, é uma tecnologia mais complexa com turbos cada vez mais pequenos que tornará mais difícil a reparação, nomeadamente com os turbos elétricos, levando a que o mercado dos novos e os reconstruídos volte a crescer. A Garrett, por exemplo, em 20052006, decidiu não disponibilizar peças de reparação para turbos de geometria variável, o que significa que essas reparações são feitas com material não original. Mas também é verdade é que a concorrência do material “pirata” tem vindo a aumentar a qualidade e funciona… O que faz com que os preços baixem cada vez mais, no sentido de o mercado continuar a conseguir absorver os novos e os reconstruídos. Numa “base 100” para um turbo novo, de que preços falamos nos reconstruídos e na reparação? Será 30% abaixo se for um reconstruído e, na reparação, depende do trabalho a fazer. Se for só um “kit” de juntas e limpeza, andará à volta de 50% abaixo do preço de um turbo novo. Se for já com o “core” ou peças mais complexas ficará um pouco acima. Nós temos uma oficina que faz a reparação, mas aí há a tal divisão de negócio, uma coisa é a distribuição, outra é a reparação em que, por vezes, temos de recorrer a material não original porque não existe. Mas

a qualidade do material não original, hoje em dia, é acima da média. E, por lei, a reparação tem seis meses de garantia, enquanto os reconstruídos têm dois anos para o cliente final ou um ano para o profissional.

Temos o “call center”, a nossa Web shop (loja online) que já representa mais de 50% das nossas encomendas diárias, e uma equipa de comerciais dedicada diariamente no acompanhamento aos clientes.

GERIR AS DEVOLUÇÕES Como organizam a logística? Temos um armazém no Porto que faz a distribuição para o Norte e Centro do pais e o de Lisboa. Se o material tiver de ir de Lisboa para o Porto conseguimos entregar em 24 horas, mas nos grandes centros conseguimos fazer quatro entregas diárias, sejam turbos ou quaisquer outros componentes. Portanto, quatro entregas no Porto e quatro entregas em Lisboa. Temos transportadoras externas e viaturas próprias que fazem o complemento dessa distribuição.

Esse aumento das vendas online têm-vos colocado problemas de aumento de devoluções? Acontece, de facto. Até mesmo através do “call center” porque, hoje, as oficinas querem receber as peças antes do carro entrar, para poderem dar orçamentos mais exatos e estimativas de reparação. E, muitas vezes, não têm lá o carro quando vão ao nosso portal identificar as peças necessárias. Mas como quer dar uma resposta rápida ao cliente, encomenda duas referências e devolve aquela de que não precisa. Não é fácil, é preciso uma gestão cuidada e acredito que não haverá hoje um distribuidor que não tenha uma ou duas pessoas dedicadas apenas às devoluções e garantias. As tecnologias têm evoluído e, como costumo dizer, é um mal necessário… Se não o fizermos, alguém o fará.

E as encomendas chegam-vos essencialmente por “call center”?

DE VENTO EM POPA EM ANGOLA E BRASIL

Domingos Marques, fundador da Bombóleo, alargou os horizontes da empresa na década de noventa, aventurando-se nos mercados de Angola (Luanda e Lobito) e Brasil (S. Paulo e Goiânia). Com resultados bastante positivos. “Estamos em Angola desde 1992 e no Brasil desde 1994. São negócios em crescimento – estamos até a mudar de instalações no Lobito –, com um potencial até maior no Brasil”, explicounos Nuno Paquete. “Fazemos, basicamente, reparação de diesel, maioritariamente Denso porque ambos são mercados de veículos asiáticos, em que a quota da Bosch é pequena. Mas, se enveredarmos pela distribuição de peças, o Brasil tem um gigantesco potencial de crescimento! Uma hipótese atraente e que não está fora de questão. Depende apenas dos recursos humanos...”.

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Voltando à Central Diesel, este ataque a que se assiste aos motores diesel é uma preocupação? Claro que nos preocupa, mas o nosso ponto de vista é que o diesel se irá manter por muitos e bons anos. O parque está a envelhecer e temos aí negócio até porque ainda hoje é a motorização que mais se vende em Portugal. Temos de estar atentos porque há questões que se podem alterar, estamos a adaptar a Central Diesel para os novos desafios dos elétricos e híbridos. Mas é um engano pensar que o diesel está para acabar.


NOTÍCIAS

N ACIONAIS

B O SC H

Assistência remota com ‘Visual Connect’

Novo Combutec 4 da Escape Forte Especializada em soluções para a manutenção da linha de escape, a empresa portuguesa Escape Forte reforçou a gama Combutec com um produto criado especificamente para viaturas do Grupo PSA equipadas com filtro de partículas, designadamente os modelos Peugeot 508 e Citroën C5. Com preço competitivo, o novo Combutec 4 é comercializado em embalagens de três litros, sendo cada uma acompanhada por um kit de enchimento. escapeforte.com

A

Bosch lançou a nova aplicação gratuita “Visual Connect” para smartphones que tem por objetivo ajudar os mecânicos a identificarem rapidamente as avarias mais complexas, poupando tempo e dinheiro às oficinas. Com a aplicação “Visual Connect”, o mecânico consegue que especialistas da Bosch visualizem o que se passa na oficina, recorrendo à

câmara do smartphone para transmitir uma imagem em tempo real para o ‘hotline’ técnico. O processo é simples: o especialista da linha direta envia uma SMS com um link para o smartphone do mecânico e ao abrir essa ligação começa automaticamente a partilhar as imagens captadas pela câmara. O técnico da Bosch consegue visualizar o mesmo que o mecânico e pode acom-

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As oficinas independentes portuautomóveis

panhá-lo, passo a passo, na resolução do problema, podendo também auxiliá-lo na utilização eficaz de equipamentos disponíveis para diagnóstico. Para um melhor esclarecimento, a aplicação possibilita ainda que os especialistas da Bosch façam desenhos explicativos ou exibam informações adicionais, como esquemas de conexão ou de posição de componentes ocultos. Por seu lado, o

mecânico pode digitalizar informações como o número VIN e enviá-las para a linha de apoio, ou indicar componentes específicos com um ponteiro. A aplicação ‘Virtual Connect’ pode ser descarregada nas lojas para Android e iOS, e já está incluída na linha de apoio da Bosch, não sendo necessário qualquer tipo de hardware ou investimento adicionais. bosch.pt

Formação Monroe na Sabugalauto Ao abrigo de uma parceria com a AS Parts e a Monroe, a Sabugalauto promoveu uma formação na área de amortecedores. Aquela ação integra o plano de formações anuais que a empresa realiza em conjunto com os seus parceiros junto dos seus clientes. Isto permite-lhes acompanhar os mais recentes desenvolvimentos tecnológicos no setor, dotando-os de ferramentas para que consigam realizar um melhor serviço nas viaturas dos clientes. O principal destaque desta formação foi o novo amortecedor OE Spectrum da Monroe, que está na vanguarda da tecnologia e possibilita à oficina oferecer cinco anos de garantia, sem limite de quilometragem. sabugalauto.pt

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NOTÍCIAS

N ACIONAIS

Mondegopeças é PME Excelência 2018

Z F [ PRO] POIN T S

Prémios no primeiro aniversário

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erca de 5500 membros do programa de fidelização para oficinas da ZF Aftermarket irão receber um presente especial para assinalar o primeiro aniversário do ZF [pro]Points, segundo anunciou a empresa. O objetivo é agradecer a fidelização, devendo a ‘surpresa’ ser enviada diretamente para as oficinas participantes no programa na newsletter especial de aniversário. “Ao aproximarmo-nos do seu primeiro aniversário, o nosso programa de fidelização, ZF [pro]Points, está a revelar-se uma verdadeira história de sucesso em termos de fortalecimento dos laços com as oficinas existentes e com todas aquelas que, mês após mês, aderem

ao programa por toda a Europa”, explica Markus Wittig, diretor da Unidade de Negócio Mercado Independente de Pós-venda. Durante o ano de 2019, a ZF Aftermarket prevê introduzir mais inovações no programa de fidelização para oficinas, incluindo uma campanha multimédia internacional, um conjunto de novo material de apoio ao ponto de venda, um novo vídeo ZF [pro]Points, newsletters regulares, recheadas de ofertas, a melhoria contínua da loja de prémios, em linha com as tendências atuais e uma grande ampliação do programa na região piloto da Alemanha e Áustria. zf-propoints.com

A Mondegopeças foi distinguida com o prémio PME Excelência 2018, atribuído pelo IAPMEI, num reconhecimento dos bons níveis de desempenho e gestão financeira alcançados por esta empresa especializada no ramo de peças automóveis para todas as marcas. Pela segunda vez consecutiva, a Mondegopeças viu ser reconhecido o mérito do trabalho desenvolvido peça equipa, reforçando a motivação para prosseguir a estratégia de crescimento para disponibilizar as melhores soluções para responder às necessidades dos seus clientes. mondegopecas.pt

SIEGEL AUTOMOTIVE CERTIFICADA PELA TECALLIANCE A TecAlliance concedeu o selo de qualidade “Fornecedor de Dados Certificado” à Siegel Automotive, na sequência de uma avaliação regular efetuada por especialistas qualificados que visa determinar o nível de informação disponibilizada aos utilizadores do catálogo eletrónico de peças de substituição TecDoc. Os produtos da marca Siegel Automotive entraram há quase dois anos para o catálogo eletrónico da principal plataforma de informação e comunicação para os fornecedores europeus de aftermarket. siegel-automotive.com/en/

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Autobrillante Colad Snap Lid melhora produtividade

E U R O R E PA R CAR SE R VICE

Rede atinge 150 oficinas U m ano antes do previsto, a rede de manutenção e reparação multimarca do Grupo PSA , Eurorepar Car Service atingiu as 150 oficinas, com a adesão do Stand Justino, de Aveiro, e tornou-se na segunda maior rede em operação no mercado português. Lançada em Portugal no ano de 2016 com 23 oficinas aderentes, a Eurorepar Car Service cresceu para os 63 operadores em 2017 e quase duplicou esse número, passando para 123, em 2018. O processo de crescimento desta área de negócio do Grupo PSA em Portu-

gal representou, até agora, um investimento de aproximadamente dois milhões de euros. A rede conta, atualmente, com um total de 600 profissionais qualificados, dos quais 500 são mecânicos especializados nas diferentes áreas de intervenção de uma oficina automóvel, realizando operações de manutenção e reparação de viaturas de diferentes marcas, cumprindo os requisitos de serviço dos repetivos construtores. Além disso, dispõe já de mais de 12 mil referências de peças Eurorepar. eurorepar.pt

Com a chegada de melhores condições atmosféricas, a Autobrillante propõe o processo de pintura Colad Snap Lid do fabricante EMM como a solução mais indicada para uma oficina melhorar a produtividade da sua área de chapa e pintura. O distribuidor da EMM para Espanha e Portugal refere que o sistema de pintura Snap Lid permite realizar as operações de mistura e pintura de uma forma extraordinariamente rápida, limpa e eficiente, adiantando que pode ser utilizado em todas as reparações porque as suas embalagens de 350 ml, 700 ml e 900 ml possibilitam a utilização da quantidade necessária de tinta, o que constitui uma importante poupança para a oficina. autobrillante.com

A U TO AC E S S ÓRIOS FORMIGOS A

Representação da Mecafilter A Auto Acessórios Formigosa assegurou a distribuição da marca Mecafilter para o Alto Minho e para as zonas limítrofes da fronteira em Espanha. Para apresentar a nova marca, a empresa realizou um jantar convívio com clientes e fornecedores, que contou com a presença de mais de 80 oficinas, clientes de Portugal e Espanha. Detida pelo grupo internacional Solaufil, a Mecafilter está presente como equipamento original em marcas como a Audi, a BMW, a Citroën, a Peugeot ou a Renault. A empresa dis-

põe de fábricas próprias em França e na Tunísia. Todos os filtros destinados ao mercado de após-venda estão classificados como peças de substituição originais ou equivalentes à origem. Para se manter na linha da frente da inovação e acompanhar a evolução tecnológica, a Mecafilter possui laboratórios próprios onde são realizados diversos ensaios. A sua equipa de investigação e desenvolvimento apresenta, em média, cerca de 150 novas referências por ano. formigosa.com 15

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NOTÍCIAS

N ACIONAIS

Grupo Beirauto promoveu formação da Motul

E X I DE P O R T UGAL

Instalação solar em Castanheira A Exide Portugal vai instalar uma instalação fotovoltaica de 3,5 MWh na sua fábrica em Castanheira do Ribatejo, apoiada por um sistema de armazenamento de energia usando a tecnologia de bateria de alto desempenho da GNB para permitir que a energia gerada seja consumida em função da necessidade. Esta unidade será uma das maiores de geração de autoconsumo com armazenamento da Europa. O projeto é liderado e entregue pelo fornecedor de energia EDP, que trabalhou em colaboração com a Exide para o fornecimento de armazenamento de energia. A assinatura do contrato entre as duas partes ocorreu nas instalações de Castanheira do Ribatejo, numa cerimó-

nia que contou com a presença de Stefan Stübing, presidente EMEA e vice-presidente executivo da Exide, e de Vera Pinto Pereira, CEO da EDP Comercial. O novo sistema terá mais de nove mil painéis fotovoltaicos que deverão produzir mais de 5000 MWh por ano, assegurando uma parte considerável das necessidades energéticas totais da fábrica. O sistema também incluirá cerca de 70 inversores e um banco de baterias GNB Sonnenschein A600 para armazenamento de energia, com capacidade de 500 kWh. O novo sistema permitirá reduzir as emissões de carbono e diminuir significativamente os custos operacionais da fábrica. exide.com

O Grupo Beirauto realizou uma formação relativa a lubrificantes Motul, destinada a clientes, que contou com a participação de 60 pessoas. A ação decorreu no ISEC (Instituto Superior de Engenharia de Coimbra) e teve o objetivo não só de reciclar conhecimentos aos formandos, como também de disponibilizar mais informação sobre os novos produtos Motul, designadamente lubrificantes e refrigerantes específicos, assim como a nova gama de aditivos. Com esta formação, os participantes ganharam maior confiança na utilização dos produtos da Motul, que lhes garante elevados padrões de qualidade e confiança. mondegopecas.pt

BOSCH

Filter+ evita alergias P

ara garantir um ar limpo e saudável no interior das viaturas, a Bosch defende a substituição do filtro de habitáculo a cada 15 mil quilómetros, adiantando que a primavera é o momento ideal para se proceder a essa operação. A marca alemã disponibiliza filtros de alta qualidade para proteção do veículo e dos ocupantes, desde os standard económicos, passando pelos filtros de carvão ativo até ao inovador Filter+. Este último consiste num filtro

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anti pólen especial, no qual as suas diferentes camadas de material filtrante permitem a retenção de microbactérias e separam permanentemente os 16

alérgenos, mesmo antes de entrarem no interior do veículo. Além de contribuir para um ar mais limpo, o Filter+ da Bosch contribuiu para evitar reações alérgicas, odores e o embaciamento, garantindo uma visão ideal. Por outro lado, reduz a quantidade de depósito de impurezas nos sistemas de ventilação e ar condicionado, o que garante o melhor funcionamento, minimizando os custos de reparação. bosch.pt


NOTÍCIAS

N ACIONAIS

Norauto abre 27.o centro em Portugal

VENEPORTE

Filtros de partículas ovais para Grupo VW

A

Veneporte introduziu uma gama de referências de filtros de partículas diesel ovais para veículos do Grupo Volkswagen (Audi, Seat, Skoda e Volkswagen). O lançamento destes novos produtos para o mercado de substituição permitem à empresa solidificar a sua posição no setor dos sistemas de controlo de emissões. A nova gama de filtros de partículas conta com aplicações para cumprir as normas Euro 4 e Euro 5, bem como os mais elevados padrões a nível técnico e tecnológico. A empresa considera que desta forma é “garantida a qualidade, performance e facilidade de montagem, à semelhança das referências originais, assim como o respeito pe-

las legislações em vigor, no que toca às exigências ambientais”. A Veneporte sublinha que toda a gama está homologada a 100%, sendo esta uma das apostas da empresa, fruto do investimento e compromisso no respeito de todos os aspetos legais em vigor no mercado de substituição. A empresa adianta que tem disponíveis ambos os modelos SiC e Cordierite, sendo as referências desenvolvidas passíveis de serem aplicadas em marcas como Audi, Seat, Skoda e Volkswagen, acrescentando que, a curto prazo, irá reforçar “de forma importante” a gama de filtros de partículas ovais com aplicações relacionadas com estes OEMs. veneporte.pt

Com a abertura do novo centro auto em Viana do Castelo, a Norauto prossegue o seu processo de expansão no mercado português, de forma contínua e sustentável, assegurando uma maior proximidade junto dos seus clientes. O centro auto de Viana do Castelo permitiu a criação de 14 postos de trabalho, incluindo responsáveis de centro, técnicos de oficina e vendedores/rececionistas. A abertura em Viana do Castelo permitiu à Norauto aumentar a sua rede para 27 centros auto no nosso país e reforçar a sua presença na região do Minho, complementando a oferta já disponibilizada nas cidades de Braga e Guimarães. norauto.pt

GAMA DE LUBRIFICANTES ELF SPORTI A ELF alargou a sua oferta com o lançamento da nova gama Sporti em Portugal, que foi concebida para dar resposta às exigências das oficinas independentes. A nova gama é o resultado de anos de pesquisa e inovação no desporto automóvel e de parcerias com os principais fabricantes, permitindo à marca da Total acumular uma elevada experiência para fornecer os mais avançados lubrificantes de motor. total.pt

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ENTREVISTA

ALEXANDRE FERREIRA, PRESIDENTE DA DIREÇÃO DA ANECRA

CARUSO COLOCARÁ INDEPENDENTES EM IGUALDADE COM AS MARCAS A iniciar o segundo mandato à frente da ANECRA, Alexandre Ferreira tem objetivos ambiciosos para a evolução dos reparadores independentes que vão passar a ter à disposição a plataforma de informação Caruso que os colocará em pé de igualdade com as oficinas de marca no acesso à informação Texto Paulo Marmé

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leito para um segundo mandato à frente da ANECRA, Alexandre Ferreira assume que, com o aumento da tecnologia nos veículos, as grandes questões que se colocam às oficinas passam pela capacidade em aceder aos dados das viaturas. Mas não deixa de lado outros problemas bem complexos, em especial para as oficinas de menor dimensão, que podem ter o seu futuro em perigo simplesmente… por falta de sucessão à frente do negócio! Este será o seu segundo mandato. O que deixou do primeiro exercício que gostaria agora de concluir? Essa pergunta é realmente a resposta para a minha candidatura. O facto de ter exercido funções de presidente da ANECRA durante o anterior triénio proporcionou-me, não só fazer alterações diversas no modelo de gestão desta associação como, acima de tudo, atingir um objetivo que qualquer associação procura – a sua sustentabilidade. Os desafios que vêm a seguir já não estão condicionados a uma estratégia que colocou essa questão como prioritária. Portanto, o desenvolvimento da ANECRA no próximo triénio é um desafio suficientemente interessante e importante para que eu recusasse. Que pontos-chave identificou? Para o próximo triénio, temos um plano estratégico, cujos enfoques, no nosso ponto de vista, são fundamentais não somente para a nossa associação, mas para o associativismo e para o setor automóvel. Nesse plano, defendemos a necessidade de repensar e adequar o associativismo do setor automóvel às novas realidades, na perspetiva de reforço do seu poder reivindicativo e da influência direta ou indireta no apoio ao negócio das empresas associadas da ANECRA. Este é um primeiro ponto que temos em mente. Outro ponto, que é ambicioso, consiste em propor ações inclusivas a outras associações no que concerne ao real interesse do setor automóvel, nomeadamente em termos do comércio de veículos, comércio de peças e acessórios, pneus e, em particular, a manutenção e reparação automóvel, utilizando para o efeito um polo natural de discussão e influência a vários níveis que é a CCP – Confederação do Comércio e Serviços de Portugal. Criar, portanto, no seio da CCP uma unidade aglutinadora de interesses e de associações do setor automóvel. Absolutamente. Seria através da Confederação que melhor poderíamos atingir os objetivos que servem aos associados de todas associações que puderem aderir a este desafio da ANECRA e meu, em particular. No seu mandato anterior, a ANECRA continuou a bater-se pelo problema da economia paralela. Considera que houve alguma evolução?

O problema da economia paralela é uma questão que abordamos, em termos de registo da revista da ANECRA, desde o princípio da década de 80. Analisando uma entrevista dada nessa época, efetivamente, o conteúdo dessa entrevista podia voltar a ser replicado. Sempre se tentou atacar a economia paralela através das ações inspetivas e da fiscalização. A ANECRA, desde o início do meu exercício anterior, que tem preconizado junto das instituições, do Governo e da Assembleia da República uma solução, ou antes, duas soluções, pois são duas propostas em concreto. Uma delas, de acordo com as diretivas europeias, terá hoje menos possibilidade de se levar a efeito que no passado recente: a inclusão do número de contribuinte na compra de peças, acessórios e componentes consumíveis para o setor automóvel. De acordo com a nova legislação, isso é praticamente impossível de aplicar. No entanto, temos uma segunda proposta muito concreta que, para o setor automóvel se chama proposta “chaves na mão”, pois está tudo incluído, até a parte da legislação. Tudo o que contempla a solução está na proposta apresentada para todos os órgãos governativos e consiste na obrigatoriedade de apresentação da fatura referente ao cumprimento do plano de manutenção preconizado pelas marcas no ato da inspeção, nos centros IPO (Inspeção Periódica Obrigatória). Os planos de manutenção correspondem, numa primeira análise, a razões de segurança, preocupação generalizada de quem está no setor automóvel. Portanto, a adoção de uma proposta com este conteúdo poderia combater a montante a economia paralela e, por outro lado, atingiria o objetivo final de aumentar a segurança das viaturas que circulam com manutenção duvidosa, não cumprindo os pressupostos inquestionáveis em defesa não apenas do setor, mas de todas as pessoas que utilizam as estradas. Essa proposta será entregue no que resta desta legislatura ou será feita na próxima governação? Nós sabemos e fizemos já este ano contactos junto da Assembleia da República e do Governo, com as várias secretarias de Estado, na reapresentação desta proposta. O último desenvolvimento, há poucas semanas, foi junto da Autoridade Tributária para percebermos em que medida é que será exequível uma ação concertada para obtenção dos nossos objetivos. A nossa ideia é, que quando exibimos a emissão da fatura no ato da IPO, possa ser uma fatura de empresa multimarca e que, efetivamente, tenha as credenciais mínimas necessárias para proceder à reparação e manutenção das viaturas. Isto, do ponto de vista do interesse global e até do próprio Governo é benéfico, porque a eliminação, cremos nós, de parte da economia paralela representa, no primeiro plano, trazer para a associação as empresas que efetivamente não estão devidamente legalizadas para exercer essa profissão. 21

"Até ao final do ano corrente teremos condições para disponibilizar toda a informação do projeto Caruso"

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ENTREVISTA

Como estão a conseguir trazer essas empresas para o universo legal? É o nosso trabalho diário, no terreno, com um número apreciável de prospetores devidamente balizados para aquilo que é, concetualmente, o que nós entendemos como a angariação de novos associados. Temos relativamente a essas entidades que estão marginais ao sistema, uma preocupação de integração que lhes é transmitida, mostrando os benefícios que terão por se constituírem legalmente e por serem associados. PROTOCOLO ANECRA-CARUSO A crescente complexidade tecnológica dos automóveis é um grande desafio para as oficinas se tornarem competitivas aos olhos dos clientes... Sem dúvida que as grandes questões que se colocam para o futuro das empresas que se dedicam à reparação e manutenção automóvel têm que ver com a sua capacidade de aceder a informação e ao modo dos Estados lhes permitirem ter os procedimentos corretos na sua intervenção com as viaturas. É importante que se criem condições para que isso aconteça e é o que está a fazer a ANECRA, através do projeto Caruso, que consiste numa plataforma em que a informação está contida de forma a que as empresas multimarca estejam em paridade com as empresas que estão “agarradas” às marcas e aos fabricantes, tendo um acesso praticamente em tempo real à informação e à comunicação que existirá no futuro entre o automóvel e o fabricante. Em que fase está esse projeto? Temos o projeto já numa fase de definição relativamente à informação e aos dados que pretendemos. Pensamos que, na pior das hipóteses, até ao final do ano corrente teremos condições para disponibilizar toda essa informação imprescindível à condução do negócio a todos aqueles que queiram, não só os que são sócios da ANECRA, mas aqueles que queiram aderir ao acesso à plataforma, dando preferência com vantagens aos sócios da ANECRA, como é óbvio.

se adaptaram. Portanto, a positividade, a flexibilidade e a assertividade por parte dos empresários do setor automóvel é mais que suficiente para ultrapassar as dificuldades normais, talvez agora mais aceleradas do que no passado – e no passado recente – mas igualmente numa perspetiva de evolução tecnológica que sempre existiu à volta do automóvel.

"Nós [setor da reparação e manutenção independente multimarca] só existimos porque somos essenciais"

A ANECRA será o ponto de contacto nacional do projeto Caruso? O projeto tem características mundiais, não apenas europeias. Nós, em Portugal, por termos iniciado um processo de contacto com a plataforma e com os responsáveis do projeto, somos como que a representação do projeto e qualquer acesso que seja feito por terceiros à plataforma será através do protocolo existente entre a ANECRA e o Caruso.

A VITÓRIA NAS FICHAS OBD O acesso à informação das viaturas será determinante para uma oficina acompanhar a evolução... A questão relacionada com a comunicação dos veículos é algo que, efetivamente, os nossos associados têm de olhar de forma muito pragmática, porque potencialmente existem, no nosso parque circulante, mais de dois milhões de veículos que se podem tornar comunicantes – e de forma relativamente simples –, permitindo que os automóveis comuniquem exclusivamente com os fabricantes, algo que sempre foi o desiderato tanto do fabricante como do consumidor final: ambos querem ter uma relação direta.

A criação deste sistema Caruso não é o reconhecimento de que o acesso aos dados vitais por parte das oficinas independentes para a reparação dos veículos modernos pode estar comprometido? As oficinas hoje, como no passado, sempre foram confrontadas com evoluções tecnológicas às quais

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Mas, o facto de a velocidade das mudanças agora ser maior, não torna estes tempos ainda mais ameaçadores para as oficinas? Serão se não arranjarmos soluções concretas e não meditarmos no problema. O que procuramos na realidade através de projetos como o “Portal do Automóvel” – que terá o seu relançamento já com uma base tecnológica bastante avançada em novembro, de preferência na nossa convenção – ou o projeto de encaminhamentos de veículos (para poder levar viaturas avariadas para as oficinas associadas da ANECRA) é tentar acompanhar esse ritmo absolutamente incrível relativamente a este setor. Portanto, não estamos à espera que algo aconteça.

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Mas nós só existimos porque somos essenciais. E esta razão deve levar-nos a criar, de modo próprio, condições de paridade com as marcas. Porque os fabricantes, provavelmente, não se darão ao trabalho de agarrar num parque com a idade média de 12 anos e incluírem-lhe um sistema que permita que esses carros comuniquem consigo. Quem tem de o fazer são as oficinas multimarca, colocando esse dispositivo e colocando as viaturas a comunicar por elas próprias, exatamente da mesma forma como as marcas fazem com as viaturas novas. Como é que uma oficina independente entra nesse fluxo privilegiado entre fabricante e oficina da marca? Através da luta que se trava, não só em Portugal mas, principalmente, em Bruxelas, onde se criam os “lobbies” do aftermarket independente que tentam contrariar exatamente aquilo que é a natural tendência das marcas em querer o domínio total do mercado. E isso consegue-se numa perspetiva de congregação por parte de associações representativas de cada setor, para que esses interesses sejam defendidos de uma forma equitativa. A ideia do fim das fichas OBD que os fabricantes chegaram a defender pode ressurgir? Essa luta que se disputou é um bom exemplo daquilo que os fabricantes queriam e do que Bruxelas não permitiu. Um bom exemplo porque são as fichas OBD que permitem a quem se encontra fora do universo de um fabricante estar em comunicação com o veículo.

A ANECRA quer criar, junto da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal, um conselho que agrupe as associações do setor automóvel

Essa exigência das marcas não poderá voltar?... Relativamente à minha forma de estar é algo contranatura olhar para o futuro com receio. O maior perigo para os empresários do setor é a não adoção de modelos de negócio ajustados ao produto e ao consumidor final, porque aí é que reside o segredo do futuro de cada uma destas empresas. Hoje em dia não se procura a fidelização através da satisfação do cliente, mas sim através do encantamento do cliente. O negócio já tem de ter “dotes de magia” para que o consumidor final sinta que, efetivamente, aquele prestador de serviços é o que ele ambiciona. MODERNIZAÇÃO NO DIAGNÓSTICO Como é que a ANECRA, nestes três anos que tem pela frente, pode reforçar o apoio às oficinas com menor capacidade de formação e até de investimento em áreas tecnológicas? O nosso trabalho é feito no terreno. No último triénio realizámos cerca de 55 ações no terreno, “workshops”, encontros regionais, encontros nacionais no Continente e nas Ilhas e também a nossa convenção que é o ponto máximo dos nossos eventos. Mas esta ação contínua no terreno tem prosseguido este ano, com a mesma intensidade. Temos uma preocupação muito clara em perceber o que é que, em 23

O PROBLEMA DA SUCESSÃO Mais que a evolução tecnológica que, melhor ou pior, as oficinas tendem a acompanhar, Alexandre Ferreira destaca um outro problema para a continuação dos negócios de menor dimensão: a sucessão! “É algo que nos preocupa e que tentamos influenciar, por ser um fator determinante. No ano passado tivemos a inscrição de cerca de 250 novos sócios e a saída de cerca de 140 associados. A razão principal da saída é o encerramento da empresa, por dificuldades financeiras e/ou cansaço do empresário porque, na realidade, não tem uma perspetiva de futuro por não haver continuidade do seu negócio”, explica o presidente da ANECRA. “Muitos dos novos associados são jovens empresários, a maioria a aproveitar a experiência em empresas de média e grande dimensão”, prossegue. “Algumas empresas ‘implodiram’ e deram origem a várias microempresas, de pessoas que olham não apenas para o seu futuro com uma perspetiva mais alargada, mas também têm conhecimentos relativamente a aspetos ecológicos e outros relacionados com a tecnologia que lhes permite ter esperanças em relação ao seu micronegócio”. Mas nas empresas de caráter familiar, as dificuldades de sucessão são, de facto, o maior perigo para a sua sobrevivência. «O risco para essas empresas advém muito mais dessa realidade do que propriamente dos desafios tecnológicos. Não há continuidade, seja de um filho, outro familiar, um colaborador ou outra pessoa que prossiga a atividade. E as empresas fecham pura e simplesmente por isso, nem sequer é por razões económicas. Apenas pela dificuldade de sucessão e por falta de perspetiva de continuidade”.

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ENTREVISTA

cada região do País, as pessoas mais necessitam de apoio por parte da ANECRA, chegando-nos esse conhecimento através dos vários departamentos que integram a ANECRA – gabinetes técnicos, de marketing, fiscais, jurídicos, de formação, todo um “staff” de pessoas altamente especializadas nestes temas particulares do setor automóvel. As pequenas empresas têm capacidade para investir, tanto em formação como em equipamentos? Uma das preocupações da ANECRA é ter parcerias estratégicas com entidades, sejam elas seguradoras ou empresas de equipamentos, que possam proporcionar aos nossos associados condições vantajosas, tanto na área do produto, como na área financeira. Procuramos soluções para que os nossos associados tenham acesso a nova informação, a novas soluções, a novos equipamentos que lhes permitam ajustar os negócios aos novos desafios. A área das parcerias da ANECRA é sujeita a uma apreciação constante do nosso lado, no sentido do parceiro com quem estamos a trabalhar.

O “Portal do Automóvel” terá por finalidade dar conhecimento ao consumidor daquilo que é a oferta das empresas certificadas

ROBERTO SAAVEDRA GASPAR É O NOVO SECRETÁRIO GERAL Desde o dia 1 de maio que a ANECRA passou também a contar com um novo secretário geral. Trata-se de Roberto Saavedra Gaspar, licenciado em gestão de empresas, nos últimos dez anos responsável a nível nacional e internacional pela comercialização de serviços especializados para o setor automóvel. Designadamente como parceiro/fornecedor de serviços para alguns dos principais operadores do mercado, seja marcas (casos de BMW, Ford, Nissan, Kia Motors, Fiat, Seat, Mercedes-Benz e SIVA), seja financeiras, gestoras de frotas ou rent-a-car (como LeasePlan, Arval, ALD Automotive, GE Fleet, Finlog, Locarent, BBVA, Athlon Car Lease, VW Bank, Avis/ Budget, Europcar e Hertz). Na ANECRA, Roberto Saavedra Gaspar foi um interlocutor da associação junto de alguns dos seus parceiros, nomeadamente FleetData, 4Fleet e, mais recentemente, a Tecalliance. O anterior secretário geral, Jorge Neves da Silva, passa a desempenhar funções como assessor da direção da ANECRA.

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A capacidade dos carros de comunicarem com os servidores e a “nuvem” vai obrigar a uma alteração da relação normal da oficina com o cliente? Essa é a realidade. Necessariamente que os smartphones e o potencial deste equipamento no acesso à informação e a uma comunicação em tempo real colocam a necessidade de as oficinas se adaptarem a sistemas de comunicação e a plataformas onde possam estar presentes. Não é concebível que, tanto no presente como num futuro próximo, as empresas não estejam na internet. Se não estiverem na net não existem, pois não são detetadas. Nesse contexto, o “Portal do Automóvel” tem uma preocupação de geolocalização que permite que quem passa na zona abrangente de uma oficina possa ser um seu cliente potencial, assim a oficina responda da forma célere que o utilizador desses meios de comunicação exige. O utilizador não espera um dia para ter a sua resposta, quanto muito espera de uma hora para ter uma resposta em qualquer situação... Qual será a evolução que terá o “Portal do Automóvel” da ANECRA? O “Portal do Automóvel” terá uma multiplicidade de competências que têm a ver não só com o B2B, mas também com o B2C. Em termos de B2C, dirigido ao cliente final, o “Portal do Automóvel” terá por finalidade dar conhecimento ao consumidor daquilo que é a oferta das empresas certificadas e com processos que têm de respeitar para fazerem parte da oferta neste portal. Essa oferta permitirá ao cliente colocar as questões que pretender ao nível do serviço de manutenção e de reparação e ter uma resposta rápida, consequente e fiável. E isso é algo que choca, provavelmente, com a história do setor automóvel, obrigando a uma mudança de mentalidades.

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EFEMÉRIDE

FERRAMENTA ESSENCIAL

TECDOC FOI LANÇADO HÁ 25 ANOS! Um quarto de século de uma “ferramenta” tão importante e indispensável que, por vezes… nem nos lembramos como era antes de existir! Texto Sérgio Veiga

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á certas coisas que entram de tal forma nas nossas vidas quotidianas que deixamos de nos interrogar como viveríamos sem elas… Mas, ao cabo de 25 anos de existência, coloquemos esta pergunta: o que seria das empresas de aftermarket e do pós-venda independente sem uma ferramenta como o TecDoc?! Claro que a resposta mais simplista é que, caso não tivesse sido lançado, em 1994, o TecDoc Standard, outra alternativa teria aparecido… Mas há que reconhecer o valor deste esforço pioneiro de criar um catálo-

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go europeu padrão para as marcas de aftermarket e que lhes facilitou a entrada nas oficinas independentes, de forma a poderem competir, praticamente de igual para igual, com os componentes de fabrico original (OEM). Até aí, não havia uma padronização dos dados das peças de substituição, dificultando acertar na correspondência da peça obtida com o modelo a reparar. Foi em 1994 que 21 das maiores empresas fabricantes de peças para aftermarket avançaram com esse sistema de padronização que batizaram com o nome TecDoc. Foi, assim, criado um padrão válido 26

na Europa, América do Sul e Ásia que tornou muito mais fácil a obtenção da peça certa para determinado automóvel, através do TecDoc Catalogue que foi “engrossando” com mais empresas e milhões de componentes. Ao fim de 25 anos, o TecDoc Catalogue 3.0 contém mais de 110 mil modelos de veículos, 6,6 milhões de artigos de mais de 700 marcas, 254 milhões de ligações e 48 grupos de produtos, além de informações precisas sobre a reparação e manutenção. “Os dados eram e são a nossa paixão. Vamos continuar a desenvolver e a promover o TecDoc Standard, pois é um marco importante na padronização e digitalização do pós-venda automóvel”, explicou Jürgen Buchert, administrador da TecAlliance GmbH. “É graças a este padrão de dados que, hoje em dia, é possível identificar e vendar uma peça em qualquer parte do Mundo. Amanhã esta será a base do desenvolvimento e implementação de aplicações inteligentes para os conceitos de mobilidade do futuro”. O passo mais recente foi o lançamento da nova aplicação para a “cloud”, Entry Supply Web, muito virada para pequenos e médios fornecedores de peças para pesados que podem beneficiar de toda a base de clientes do Order Manager da TecAlliance. Uma solução usada por mais de 25 mil utilizadores em todo o Mundo, para o processamento de encomendas e em que os clientes acedem ao maior número possível de fornecedores com apenas uma ferramenta.


OPINIÃO

CONTRATOS DE TRABALHO

TUDO POR ESCRITO PARA CLAREZA MÁXIMA Não é uma questão de confiança na palavra dada ou de falta dela… É apenas um princípio básico numa relação de trabalho, o contrato entre entidade patronal e trabalhador deve estabelecer todos os detalhes a que ambas as partes se obrigam e ficar por escrito. Para evitar “surpresas” futuras Texto Miguel Ascensão

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ma das muitas causas de litígios laborais prende-se com o facto de muitas vezes, pelas circunstâncias e contingência normais do dia-a-dia da empresa, se acabar por admitir um(a) trabalhador(a) estabelecendo apenas verbalmente as condições base da relação laboral. Pensa-se muita vez (e mal) que, depois, se há-de passar tudo a escrito e que, nessa ocasião, se estabelecerão em concreto os detalhes do contrato de trabalho, sejam estes favoráveis ao trabalhador ou ao empregador. Assume, assim, enorme importância a tomada de consciência, seja por trabalhadores seja por empregadores, de que, ainda antes de dar início à relação laboral, devem os termos e condições dessa relação ser reduzidos a escrito num documento, o contrato de trabalho, assinado por ambas as partes. Como em quase tudo na vida, saber exatamente as regras em que funcionamos evita mal-entendidos e situações litigiosas que causam enorme desgaste, quer para patrões quer para empregados. É bom estabelecer com clareza todos os direitos e obrigações de cada uma das partes no contrato, seja por parte dos patrões em que se inclui a obrigação do pagamento da remuneração, prémios, subsídios, seguros e outras regalias, seja para o empregado a quem são adstritas funções, horários, procedimentos internos, categoria e nível hierárquico, direito a férias e outros similares. O que importa reter é que, a partir do momento em que o trabalhador inicia a prestação de trabalho, o contrato constitui-se independentemente de ser formalizado por escrito ou não. CONTRATO DE ACORDO COM LEGISLAÇÃO VIGENTE Em alguns casos, a lei obriga à forma escrita, como por exemplo nos contratos a termo (se não houver contrato escrito, o contrato é válido mas o termo não, pelo que o contrato se considera contrato sem termo), contrato com trabalhador estrangeiro, trabalho a tempo parcial, Como já foi escrito, apesar de não se considerar como requisito indispensável de validade, a forma escrita do contrato de trabalho ajuda a informar ambas as partes na relação laborar sobre a sua identidade, sobre a natureza das funções a desempenhar pelo trabalhador, sobre a remuneração e carga horária, sobre eventuais benefícios ou obrigações especiais que possam decorrer para qualquer delas. Ainda que o contrato seja verbal, cabe dizer que a lei determina que o empregador deve informar

A partir do momento em que o trabalhador inicia a prestação de trabalho, o contrato constitui-se independentemente de ser formalizado por escrito ou não sempre por escrito o trabalhador dos aspetos essenciais da relação, designadamente a identificação do empregador, categoria, horário, local de trabalho, data de início, duração das férias, valor da retribuição, etc. Dada a importância que o Contrato de Trabalho assume, quer para empregado, quer para empregador, é muito importante que este esteja de acordo com a legislação vigente para que, em caso de litígio, ambas as partes na relação laboral não venham a ter a surpresa de alguns dos pressupostos que acreditavam ser válidos serem declarados nulos ou inválidos. Por isso mesmo é tão importante que a elaboração do Contrato de Trabalho seja da responsabilidade de uma entidade especializada. Para o efeito, é possível e desejável o recurso ao aconselhamento junto das associações do setor ou, em alternativa, solicitar a colaboração de um advogado. Não é demais recordar que um Contrato de Trabalho, mesmo quando assinado pelas duas partes (empregador e empregado) só tem validade quando as suas cláusulas estiverem em conformidade com a legislação e for disponibilizada ao trabalhador toda a informação e documentação exigida por lei. 29

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REPORTAGEM

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EM FRANCO CRESCIMENTO! A cada edição, o “expoMecânica” vai ficando melhor, com mais expositores, mais pavilhões mas, acima de tudo, com um nível mais elevado de profissionalismo em termos do cuidado posto nos “stands”, do frenético programa de atividades paralelas e até do volume de negócios que proporciona. Ao ponto de, com realismo, se olhar já para 2020 com justificadas ambições! Texto Sérgio Veiga

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ujança, qualidade, utilidade e… potencial de crescimento. Em quatro “penadas” se consegue descrever a sexta edição do “expoMecânica, salão de Equipamentos, Serviços e Peças Auto”, que levou à Exponor mais de 16 mil profissionais do aftermarket ou do setor oficinal. Para ficarem a par das mais recentes novidades das muitas áreas abrangidas por este certame que vai ganhando mais e mais vitalidade e visibilidade a cada ano que passa, mas também para estabelecerem novos contactos e até já para formalizarem negócios. As maiores empresas nacionais do aftermarket já perceberam a validade do “expoMecânica”, tendo a edição deste ano ficado marcada não só por alguns regressos, como também pela estreia de alguns “pesos pesados” do setor. Já sabíamos que a feira do Porto estava com um elevado potencial de atração, tendo alargado a área de exibição para mais um pavilhão – a que correspondeu o acréscimo de 2000 m2 – para acolher 254 expositores (mais 29 que em 2018), mas foi notória a evolu31

ção qualitativa em relação à edição do ano passado que, já então, tinha representado um grande salto. Não falamos apenas no nível dos “stands” apresentados, a elevar toda a feira para um novo patamar de profissionalismo, nem na quantidade de novidades mostradas (já lá iremos…), mas em toda a dinâmica criada em torno da exposição com as muitas iniciativas paralelas e até a concretização de negócios que foram muito além do simples carácter expositivo que um certame deste tipo poderia ter. Os indicadores recebidos pelos organizadores, a Kikai Eventos, comprovam bem este lado positivo: uma avaliação muito positiva (84,3%) e a intenção de voltar por parte dos visitantes mas, talvez até mais importante, a concretização de negócios por 63% dos expositores, 86% dos quais assumiram que a presença no “expoMecânica” atingiu os seus objetivos, sendo quase unânime a opinião de que a feira ajudou a promover o seu negócio. Por outro lado, as atividades constantes que se estenderam pelos três dias da duração do “expoMecânica”

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REPORTAGEM

A Tecniverca apresentou-se no certame da Exponor com as suas mais recentes novidades em equipamentos oficinais

constituíram uma enorme mais-valia, com tremenda adesão por parte dos visitantes, demonstrando o desejo existente pela obtenção de mais conhecimento, informação e… formação. As sessões da “Oficina 4.0”, apresentação levada à Exponor pela estreante Create Business para explicar como serão as oficinas do futuro, estiveram sempre repletas, bem como as 24 palestras de sete empresas nas “ExpoTalks”, apoiadas pela Schaeffler. O Cepra voltou a ter o seu espaço da “Demotec” com oito empresas e 19 palestras, havendo ainda o Encontro Nacional da Anecra, um “workshop” da ARAN, uma sessão técnica da ANCIA, os Jogos Mecânicos da DPAI/ACAP que proporcionaram momentos bem divertidos, ou o desafio Mecatrónica. Atividades que deram um lado verdadeiramente “efervescente” a esta sexta edição do “expoMecânica”, tornando a exposição muito mais viva do

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Com a edição de 2020 já marcada para 17 a 19 de abril, a questão a colocar é: até onde irá o “expoMecânica”, a crescer a este ritmo, em quantidade e qualidade? 32

que uma simples exibição de novos componentes. Perante valores de satisfação tão elevados e com, pelo menos, 90% dos expositores a quererem voltar em 2020 – a 7.ª edição já está aprazada para 17 a 19 de abril – a questão que se pode colocar desde já é: até onde irá o “expoMecânica”, a crescer a este ritmo, em quantidade e qualidade? Apesar de os organizadores manterem as expectativas muitíssimo controladas (ver entrevista a José Manuel Costa, da Kikai Eventos), a verdade é que 2020 poderá ser um ano de grande afirmação do certame nortenho, a maior feira nacional do aftermarket. Porque, não havendo Motortec Madrid (realiza-se de dois em dois anos), haverá muito maior disponibilidade de concentrar alguns investimentos naquela que, afinal, acabará por ser a maior feira do aftermarket da Península Ibérica no próximo ano… O desafio à equipa da Kikai Eventos


é, pois, fazer o “expoMecânica” crescer mais um pavilhão. Um salto gigante, pois o pavilhão 2 da Exponor tem… 7200 m2, daí as naturais cautelas para dar esse passo. Mas com o “feedback” das grandes empresas que estiveram presentes na edição deste ano, mais o investimento que grupos espanhóis possam vir a alocar ao certame português, não é propriamente algo de irrealista.

O número de expositores atingiu este ano o recorde de 254, de todas as áreas do setor automóvel, alguns dos quais, como a Sparkes & Sparkes, são já veteranos desde a primeira edição!

FORMAÇÃO ESTEVE NO CENTRO DAS ATENÇÕES Nesta edição do “expoMecânica” registaram-se regressos importantes como o da Leirilis que se apresentou com um “stand” vistoso e muito cuidado, comunicando o alargamento do seu portefólio de produtos aos pneus. A empresa comercializa uma gama muito alargada, com ofertas “premium” da Michelin, Bridgestone, Goodyear ou Continental, mas também produtos mais em conta 33

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REPORTAGEM

Num certame muito variado, houve espaço e tempo para tudo, da exposição de novos produtos, a atividades de formação ou até a puros momentos de divertimento, como no espaço dos "Jogos Mecânicos" da DPAI/ACAP

da marca Hankook e Firestone para veículos comerciais. A Leirilis apostou ainda na marca Atlas, mais virada para a relação qualidade/preço e para a linha de equipamento Sicam, de calibragem e alinhamento de rodas. Também a Civiparts regressou à Exponor, aproveitando para exibir diversas novas tecnologias que os veículos pesados foram recebendo. Já a estreia da Alecarpeças no certame nortenho teve uma finalidade muito

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concreta: “Vamos abrir um armazém no Norte e a presença no expoMecânica é estratégica”, explicou o diretor-geral, Paulo Agostinho. “Aderiram ao salão as maiores empresas do nosso segmento de negócio e, para o ano, iremos aumentar o nosso investimento”. Opinião semelhante tinha João Madeira, responsável da Cepsa, que aproveitou a exposição da Exponor para lançar a nova gama Traction de lubrificantes para veículos pesados. “Este é um dos momentos mais importantes da nossa área e um evento que mexe com todo o setor”, referiu, mostrando ser o local ideal para o lançamento de um produto que terá um peso significativo nas vendas de lubrificantes da marca espanhola. Respondendo a uma necessidade que se sentiu de forma evidente ao longo dos três dias de feira, até pela resposta dada pelos visitantes às muitas atividades paralelas, a RPL Clima, mais que apresentar novos produtos, apostou


REPORTAGEM

A Auto Delta aproveitou o expo Mecânica para conceder a catorze revendedores profissionais o estatuto de Official Meyle Dealers

Foram muitas as novidades a nível de máquinas de diagnóstico e nos mais complexos sistemas de calibragem, devido aos sistemas de ADAS numa ação de formação na manutenção de sistemas de ar condicionado. “Esta é uma presença obrigatória numa feira muito importante para o mercado nacional”, assegurou Rui Lopes, diretor-geral da empresa algarvia. Momento importante pelo forte significado, a Meyle, um dos grandes produtores de componentes para o aftermarket, em colaboração com o seu parceiro em Portugal, a Auto Delta, concedeu a catorze revendedores profissionais o estatuto OMD (Official Meyle Dealers), numa cerimónia no muito cuidado “stand” em que não só expunha alguns dos seus produtos, como procedia a pequenos “workshops” práticos que permitia a vários visitantes “porem a mão na massa”. E porque a formação foi um tema que passou transversalmente por todo o “expoMecânica” – o setor sente que o conhecimento é, cada vez mais, um

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fator decisivo para o sucesso de qualquer empresa, seja um grande distribuidor ou uma pequena oficina –, há que assinalar o destaque que a Ad Portugal estava a dar ao seu programa de formação que designa por “Programa Millennium”. “Já passámos para além do simples negócio de vender peças, agora é fundamental disponibilizarmos o conhecimento e temos ferramentas fantásticas para isso”, explicou-nos Henrique Fernandes, diretor-geral da AD Logistics, antes de nos proporcionar um vislumbre do que são os cursos propostos por aquele programa (com certificação!) e de nos falar do projeto da futura criação de uma academia. EQUIPAMENTOS EM GRANDE EVOLUÇÃO TECNOLÓGICA Atualmente, contudo, todas as atenções nas feiras de aftermarket se centram na grande evolução que os 36

equipamentos oficinais têm vindo a registar. A esse propósito, nada melhor que ler o dossier que preparámos acerca desse tema, a partir da página 40. Foram muitas as empresas que mostraram novidades quer a nível de máquinas de diagnóstico, quer nos sistemas de calibragem, agora mais complexos, pois têm também de regular todos os auxiliares eletrónicos à condução, os denominados ADAS. A Gonçalteam apresentou os mais recentes lançamentos da Launch, com destaque para as novas máquinas de calibragem de ADAS e de diagnóstico que já inclui o Pass Thru e pode ser usada também para pesados. Na Hélder Máquinas brilhava a nova máquina portátil de alinhamento de rodas da FCar (FD505) que permite fazer a operação em espaços bastante reduzidos, além do sistema de calibragem de ADAS da BrainBee e da nova linha de sistemas de ar condicionado Air Next, também da Brain Bee, já homologado para o gás R-513 que deverá ser, segundo se diz, o substituto do R-134a. A Domingos & Morgado também estreou na feira da Exponor um equipamento quase revolucionário para alinhamento de pesados, com a chancela da John Beam (“é a mãs das nossas marcas”, dizia-nos José Morgado). Trata-se de uma máquina que faz um ali-


AUTOZITÂNIA LANÇA DRIVE REPAIR Há já algum tempo que se falava na vontade de a Autozitânia avançar com o seu próprio conceito oficinal e foi no expoMecânica que a empresa com sede em Odivelas apresentou a grande novidade: Drive Repair é o nome da rede oficinal que está agora a nascer, com o selo de qualidade a que a Autozitânia já nos habituou, mas de forma ligeiramente distinta à dos outros conceitos já existentes. Porque, neste caso, não é a própria Autozitânia a estabelecer a rede oficinal, antes a criar as condições para que os seus próprios clientes ofereçam esse conceito às suas oficinas. A principal vantagem é que a dimensão da Autozitânia permite uma negociação de preços muito vantajosos em várias áreas, nomeadamente ferramentas ou equipamentos oficinais, entre outros. Havendo, obviamente, uma ligação direta a um dos maiores fornecedores de componentes do aftermarket nacional. Flávio Menino, “marketeer” da Autozitânia, explicou-nos as principais áreas do conceito Drive Repair que será proposto pelos clientes da Autozitânia às oficinas com que trabalham. “Há uma vertente de imagem e comunicação, teremos ferramentas informáticas de orçamentação e de planos de manutenção, estabeleceremos protocolos para

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podermos oferecer máquinas e ferramentas a preços mais acessíveis e, por fim, teremos planos rigorosos de formação”. A angariação das oficinas interessadas em pertencer à nova rede Drive Repair avança já em junho, segundo Flávio Menino, que justificou a participação no expoMecânica não só com a apresentação desta grande novidade, mas também com o desejo de desenvolver mais o negócio na zona Norte.


REPORTAGEM

PODEREMOS SER A FEIRA IBÉRICA EM 2020 José Manuel Costa, o rosto mais visível da organização do “expoMecânica”, a cargo da Kikai Eventos, não escondia o orgulho pela forma tão positiva como decorreu a sexta edição do maior certame nacional do aftermarket: “A feira cresceu, houve mais expositores, com mais 2000 m2 de área. No geral mantivemos o mesmo número de expositores estrangeiros, com o mesmo número de países. Mas saudámos, acima de tudo, o regresso de algumas importantes empresas, como a Leirilis, a Caetano Parts ou a Civiparts, e a vinda pela primeira vez de empresas como a Fimag, a Krautli, a Autodelta, a Create Business, a Soulima ou a Alecarpeças. Esta confiança foi um sinal muito positivo porque, afinal, tivemos aqui a nata do setor! Terão faltado uma dúzia de empresas, mas pode ser que, com o tempo, acabem por vir. Se no ano passado já tinha havido um salto qualitativo a nível dos “stands”, este ano a evolução foi ainda maior… A imagem da feira disse tudo, com “stands” muito cuidados, bem pensados, muito abertos, no sentido de valorizar o contacto humano, que é a grande vertente deste certame. A feira da “venda com papel químico” já lá vai… Agora assume um novo carácter, um novo perfil, nascendo os negócios do contacto, da seriedade e da transparência que resultam durante a feira e “a posteriori”. Quem viu a feira, notou muito cuidado e apuro com o detalhe. Talvez a vinda das grandes empresas e a concorrência feroz entre si no dia-a-dia as obrigue, cada vez mais, a apresentarem-se melhor, o que faz com que todo o evento ganhe, mas também com que ganhem as empresas. A vinda de grandes empresas do nosso aftermarket abre um potencial de crescimento para o próximo ano? Se os grandes estão a vir – e os grandes têm mais a arriscar que os pequenos – é porque encontram no “expoMecânica” uma útil ferramenta de trabalho. Agora, se isso poderá levar a um crescimento no próximo ano? Talvez, mas isto, como no futebol, faz-se “jogo a jogo”, as edições são todas diferentes. Sem entrar em lirismos nem excessos de otimismo, com alguma sensatez e à luz do que tem sido a progressão da feira, não será de estranhar que, em 2020 [17 a 19 de abril], possamos estar também no pavilhão 2, a acrescentar ao que tivemos este ano [pavilhões 3, 4 e 5]. Se me perguntar se é fácil, claro que não, é um salto enorme, estamos a falar de acrescentar 10.000 m2 em dois anos aos 14.000 m2 que existiam, é brutal! Mas é possível? Acho que sim, com muito trabalho, muito planeamento e muitas atividades paralelas como tivemos este ano. Num ano sem Motortec, como será 2020, Portugal estará na rota das empresas espanholas e a nossa feira poderá ser a sua opção. Poderemos, por isso, ser a feira ibérica no próximo ano… Mas não estamos obcecados com isso, as coisas terão de acontecer de forma natural. Porque, no final, as empresas são soberanas!

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nhamento tridimensional, permitindo alinha os cinco eixos de uma só vez, o que torna muito mais prático o trabalho para, por exemplo, um camião TIR. A Domingos & Morgado apostou forte nos equipamentos de alinhamento e proporcionava mesmo experiências práticas aos visitantes. Apresentou também uma nova máquina de desmontagem de pneus na vertical, feita especialmente para trabalhar em pneus de baixo perfil e mais duros, aqueles mais sensíveis destinados a modelos mais desportivos. Outras grandes empresas, como a Intermaco (com a representação da marca Texa), a Lusilectra ou a Cometil, também exibiam vários equipamentos oficinais muito focados tanto no diagnóstico como no alinhamento e calibragem dos sistemas de ADAS, as duas áreas em que a tecnologia não para de evoluir, acompanhando até a crescente conectividade dos próprios automóveis. Curiosamente, embora noutra área totalmente distinta, a Pro4matic, conhecida pelas avançadas suspensões pneumáticas que comercializa, promovia, desta feita, suspensões convencionais da Bilstein. Uma alternativa para quem tenha modelos já com alguma idade e cujo valor já não justifique o gasto na montagem de uma suspensão pneumática, mas que queira manter o veículo em funcionamento. Escolhemos estes exemplos para mostrar como esta sexta edição do “expoMecânica” foi recheada de novidades nos mais diversos campos. Desde as novidades materiais até aos novos caminhos por que o mercado está a passar, na abordagem à necessidade de mais e melhor formação. Mas estes exemplos foram apenas uma gota de água de tudo aquilo que se viu nos três pavilhões da Exponor que começam a parecer pequenos para uma feira que está em franco crescimento. Assim o mercado continue saudável e que mais empresas queiram investir e mostrar os seus produtos para que, em 2020, se possa aproveitar o facto de não haver a Motortec Madrid para se conseguir realizar uma autêntica feira ibérica do aftermarket no Porto!


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AS MELHORES SOLUÇÕES PARA A UTILIZAÇÃO PROFISSIONAL JÁ NAS BANCAS


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EQUIPAMENTOS OFICINAIS

QUEM ACOMPANHA A EVOLUÇÃO TECNOLÓGICA? Os equipamentos oficinais têm vindo a evoluir a uma velocidade semelhante à dos próprios automóveis, acompanhando a sua crescente complexidade. Em especial em segmentos como o do diagnóstico ou da calibragem dos sistemas de auxílio à condução (ADAS), em que as novidades são constantes! Boas notícias para os vendedores de equipamentos… más notícias para as oficinas de menor dimensão? Texto David Espanca

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setor automóvel tem vindo a evoluir num ritmo muito acentuado, o que tem implicado uma adaptação constante por parte das oficinas, de forma a poderem satisfazer os requisitos exigidos, sobretudo no domínio das novas tecnologias. Um avanço que se tem refletido sobremaneira nos “players” da área dos equipamentos oficinais que têm apostado no lançamento de novas máquinas e equipamentos capazes de responder às necessidades de reparação ou manutenção de um veículo que esteja dotado das mais recentes evoluções tecnológicas. Para ajudar a que as próprias oficinas possam estar atualizadas neste domínio, procurámos saber junto de alguns dos principais importadores de equipamentos oficinais quais as áreas em que se têm notado as maiores evoluções tecnológicas. A maior parte dos intervenientes no mercado é unânime em apontar que os desenvolvimentos mais acentuados têm aparecido campo da aparelhagem de diagnóstico António Gonçalves, diretor-geral da Gonçalteam, explica que “cada vez mais, as viaturas vêm providas de inúmeros sensores, pelo que os equipamentos, para terem essa capacidade de leitura, tiveram de evoluir muito”. Ou seja, prossegue, “te41

mos de conseguir perceber o que os sensores nos estão a dizer, o que estão ali a fazer, para depois podermos fazer uma correção na viatura e deixá-la a trabalhar correctamente. E isso obrigou os equipamentos de diagnóstico a darem um salto qualitativo enorme”. Também António Garrido, diretor de equipamentos oficinais da Lusilectra, revela que “a área do diagnóstico está a avançar rapidamente, nomeadamente, nos sistemas de segurança ativa e passiva dos automóveis, derivado das tendências que se estão a registar e que os equipamentos têm de acompanhar”. Hoje em dia, por exemplo, em alguns veículos, a regulação dos faróis já não pode ser feita como no passado, através de um regloscópio, já que é necessária uma comunicação entre eles e o equipamento de diagnóstico. Também a massificação da tecnologia de câmaras e radares em praticamente todas as viaturas novas veio trazer novas exigências ao nível da sua reparação e assistência. Desta forma, António Garrido explica que “uma das novidades que a Lusilectra disponibiliza é o equipamento de diagnóstico da Maha, um sistema diferente de outros existentes no mercado, por ser digital”. Em vez da utilização de diversos painéis em função dos sistemas, com cobertu-

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ras relativamente limitadas, aquele responsável indica que “esta nova máquina, em consonância com um ecrã, disponibiliza tudo isso, o que acaba por ser mais fácil e rápido em termos de atualização, ocupa menos espaço e é mais simples de arrumar”. Cada vez mais, a interligação do “software” das marcas na gestão de sistemas e de diagnóstico é uma realidade, mas também gera algumas dificuldades para as empresas. Nuno Paquete, diretor-geral da Bombóleo, revela: “As máquinas que comercializamos já trazem toda essa informação, no entanto ao nível da programação, ou algo mais complicado, torna-se difícil a metodologia de trabalho de diagnóstico, exatamente na interligação da marca com o equipamento”. O caminho, continua, “passa por uma maior dependência da própria oficina à marca, de forma a ter informação técnica e ‘softwares’ de diagnóstico, derivado também da cada vez maior complexidade dos automóveis”. A “REVOLUÇÃO” DOS ADAS A eletrónica evoluiu de tal maneira que, nos dias que correm, uma oficina tem de estar munida com os equipamentos necessários para satisfazer as

Sistemas de alinhamento são agora muito mais rigorosos e fáceis de manusear

À velocidade a que a tecnologia está a avançar, imagens que nos parecem ainda pertencer a filmes de ficção científica irão tornar-se realidade muito em breve...

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várias funções do automóvel. “E o equipamento de diagnóstico tem de ser muito bom, por causa dessa evolução, especialmente quando se entra nos domínios da codificação ou dos filtros de partículas, por exemplo”, afirma Pedro Santos, diretor-geral da Intermaco. É um facto que os sistemas avançados de assistência ao condutor (ADAS) acabam por ser “uma espécie de revolução, pois estão a trazer exigências que muita gente não esperava”, continua o nosso interlocutor, dando um exemplo: “Uma oficina não esperava que uma simples quebra de um vidro se tornasse numa dor de cabeça, até os próprios fabricantes sentiram dificuldades quando as câmaras surgiram”. Daí o sucesso que estão a ter com as novas soluções para calibração de radares e câmaras da marca Texa. E Nuno Caetano, diretor do departamento de autodiagnóstico da Hélder Máquinas, partilha daquela opinião: “Estamos a evoluir, não só ao nível da tecnologia de propulsão do veículo, mas também no seu controlo, como é o caso da condução autónoma. Tudo isso incorpora um conjunto de sensores e de sistemas que estão no veículo, tais como câmaras, radares, sistemas de ultrassons, etc., de


forma a que a viatura saiba perfeitamente onde se encontra, assim como do seu condutor”. Mas, quando há necessidade de intervenção no automóvel, seja por um acidente, pequeno toque, avaria ou quebra de um vidro, “todos estes sistemas avançados de assistência ao condutor (ADAS) têm de ser calibrados e afinados”. “Os equipamentos oficinais estão a caminhar nesse sentido e, além disso, já há muito trabalho feito ‘online’, daí que o sentido aponta para que os relatórios sejam realizados ‘online’ e estejam mais interligados com outros equipamentos, de forma a disponibilizarem mais informação ao próprio mecânico”. Por outro lado, no que diz respeito à área do alinhamento, António Garrido, da Lusilectra, realça o aparecimento de grandes evoluções, enquanto Nuno Caetano explica que parecia estar estagnada, mas agora “o nosso fornecedor lançou um alinhamento portátil, que permite ser deslocado de um lado para o outro, inclusive em espaços pequenos”. Já José Morgado, diretor-geral da Domingos & Morgado, aponta as inovações tecnológicas no que se refere às desmontadoras de pneus, nomeadamente o sistema Prospeed da John Bean, “uma PUBLICIDADE

Os equipamentos não param de evoluir, como se exemplifica com a máquina de alinhamento V3300 da John Beam ou a nova FD505 da FCar, máquinha de alinhamento portátil!


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compatibilização do binário força/velocidade, ou seja, uma máquina muito rápida, mas sem o doseador de esforço, ao qual está sujeito o pneu na sua relação com a jante”. Aquele responsável explica ainda que se tem constatado uma aposta na evolução da própria equilibradora. Por exemplo, “existem máquinas que otimizam inclusive o local certo para colocar uma roda, sobretudo quando se fala em cruzar pneus várias vezes, para maximizar o seu tempo de vida útil. Há programas e máquinas específicas de equilibrar pneus para otimizar a sua aplicação, face ao veículo em questão, tendo em conta que o seu desgaste é diferente consoante o número de pessoas que o utilizam”. EQUIPAMENTOS TECNOLÓGICOS O crescente índice de conectividade que está presente nas viaturas e o seu relacionamento com a chamada Oficina 4.0, traz novas oportunidades de negócio ao setor dos equipamentos oficinais e esse facto é constatado através das reações dos diversos intervenientes que colaboraram neste artigo. “São boas notícias, porque vai trazer mais clientes para dentro das nossas instalações”, revela Nuno Paquete, diretor-geral da Bombóleo, enquanto o responsável da Intermaco, Pedro Santos, esclarece: “Os nossos equipamentos seguem essa tendência: a Bosch já possui conexão à rede oficinal e a Texa também já está preparada para isso. Aliás, alguns veículos estão a começar a ser lançados já com essa conectividade, assim temos de estar preparados porque o futuro obviamente vai passar por aí”. Atualmente, a maioria dos automóveis já vem equipada com um sistema de autodiagnóstico,

Está previsto que o OBD3 permita um conceito de conectividade completo nas viaturas, com comunicação à rede oficinal... mas também às próprias autoridades estando previsto que o OBD3 permita um conceito de conectividade completo nas viaturas, com comunicação à rede oficinal, mas também às próprias autoridades. “É essa a ideia, embora ainda haja muitas discussões a nível europeu e mundial sobre o assunto, nomeadamente sobre a proteção de dados, mas penso que será uma realidade”, defende o diretor da Lusilectra, António Garrido. Opinião que é partilhada por Nuno Paquete, acrescentando ainda que “há ainda muita falta de comunicação e de informação para o cliente final sobre essa área”. “É uma questão de mentalidade e de tempo. Isto vai implicar também que se promovam mais ações de formação, sobretudo no que diz respeito à receção de quem está a analisar os dados que vêm da viatura e da proatividade da empresa para entrar em contacto com o condutor nesse sentido”. Com esta evolução que se avizinha, os condutores também beneficiam, já que terão um maior controlo sobre o estado do seu veículo, ficando mais alerta sobre as eventuais necessidades da sua manutenção. O diretor da Lusilectra salienta que, no caso dos equipamentos de diagnóstico,

Os automóveis atuais estão repletos de sensores, câmaras e radares que necessitam de ser correta e rigorosamente calibrados para que os sistemas de auxílio à condução continuem a funcionar de forma confiável

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“a tendência também será essa e vai ser, sem dúvida, uma realidade”. Os aparelhos de diagnóstico “têm de ter uma capacidade de reconhecimento remoto da viatura, o qual tem de ser transmitido, pelo que a conectividade é total neste momento”, explica António Gonçalves, da GonçalTeam, empresa que disponibiliza ao cliente final e aos concessionários uma máquina que faz a ligação remota entre a viatura e o equipamento de diagnóstico. Por seu turno, a Hélder Máquinas apresenta uma nova linha de equipamentos de diagnóstico da BrainBee que já faz comunicação com o cliente via wi-fi. Esta marca, como refere Nuno Caetano, “está sempre a lançar soluções tecnológicas, desde atualizações 'online' dos equipamentos com

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A aparelhagem de diagnóstico tem de ser cada vez mais sofisticada para ler a gigantesca quantidade de dados produzida no automóvel, única forma de se detetar uma avaria

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'software' direto das marcas, mas também ao nível de novos sistemas de IP [Protocolo de Internet], já que o protocolo CAN já está a tornar-se obsoleto em várias viaturas. Os protocolos de comunicação estão em constante mudança e as máquinas da BrainBee já estão preparadas para o IP”. Também os equipamentos da John Bean seguem esta tendência da conectividade, tal como explica José Morgado, como são os casos das alinhadoras que se ligam a uma determinada base de dados, dando informação ao cliente de quando terá de fazer a atualização do próprio equilíbrio das rodas, enquanto numa desmontadora não, pois é um processo reativo. Explica que “a John Bean está a colocar em todas as maquinarias, nomeadamente na equilibradora, mas com particular


“A evolução do automóvel é tão grande que, ou as oficinas aceitam o desafio de renovar os seus equipamentos, ou então vão perder mercado”, defende José Morgado, diretor da Domingos & Morgado ênfase no alinhamento, o sistema de 'interface' e de wi-fi de ligação a uma base de dados para informação ao cliente”. INEVITÁVEL ADAPTAÇÃO DAS OFICINAS Mas toda esta evolução tecnológica posta em prática pelos fabricantes automóveis, e acompanhada pelo lançamento de novos produtos da parte dos fornecedores de equipamentos oficinais, leva à necessidade de maiores investimentos por parte das oficinas. Resta saber se estas estarão preparadas para isso... Para Nuno Paquete, essa é a grande questão, porque para a Bombóleo “este desenvolvimento é bastante positivo”. Já o diretor da Intermaco pensa que “as oficinas pequenas talvez não tenham capacidade financeira para suportar os custos: as máquinas são caras e tem de haver muito investimento em formação”. Por isso, acredita que a Oficina 4.0 vai ser positiva, “mas para as oficinas de maior dimensão e presença no mercado”. Também o responsável da Domingos & Morgado é da opinião que na maior parte dos casos, as oficinas ainda não estão a acompanhar esta evolução. Já as de topo, “estão bem informadas e como têm um volume de negócios considerável, conseguem assumir o investimento e a perda do equipamento antigo, assim como efetuar a formação dos colaboradores”. E prossegue: “A evolução do automóvel é tão grande que, ou as oficinas aceitam o desafio de renovar os seus equipamentos, ou então vão perder mercado”. Mas não basta apenas isso, como alerta António Gonçalves, da Gonçalteam: “Os centros de formação, assim como outras entidades, têm um papel importantíssimo no dia a dia deste negócio, no sentido de conseguirem transmitir aos seus formandos a velocidade a que tudo isto está a mudar. E, hoje em dia, um bom mecânico é aquele que consegue lidar melhor com o equipamento de diagnóstico”. 47

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António Garrido reforça esta questão: “O fundamental será o investimento ao nível da formação e da preparação dos profissionais que, daqui por uns anos, vão estar no setor automóvel. Porque não vão deixar de existir mecânicos, nem mecatrónicos, vai haver sim uma necessidade muito grande de adaptação e de evolução”. Idêntica posição defende o responsável da Hélder Máquinas: “O que irá diferenciar uma oficina, além de estar bem equipada, será a formação dos seus colaboradores. Há oficinas a fazer um grande esforço para que eles estejam mais atualizados, por exemplo, em relação aos veículos elétricos ou híbridos 'plug-in', porque já hoje são uma realidade”. NOVAS OPORTUNIDADES DE NEGÓCIO Toda esta evolução tecnológica a que o mundo está a assistir, gera, obviamente, novas oportunidades de negócio para os ‘players’ do mercado. O diretor-geral da Domingos & Morgado refere que “os equipamentos da John Bean estão constantemente a evoluir e a inovar”. “Já não é novidade, mas continuam a ser líderes ao nível da tecnologia utilizada, bem patente em duas máquinas de alinhar e numa terceira que está já está na calha. A aposta da John Bean na inovação tecnológica, é uma forma de nos distinguirmos face à concorrência”. De repente, esta situação aumentou as oportunidades de negócio para os fornecedores desta área. “Os equipamentos que não têm capacidade de evolução são lixo tecnológico e estamos a falar de um espaço de tempo entre os cinco e oito anos”, esclarece António Gonçalves. E no que diz respeito aos aparelhos de diagnóstico da Gonçalteam, o interlocutor exemplifica que “são 100 por cento evolutivos, ou seja, estão sempre a ser atualizados, de cada vez que se ligam à Internet recebem dados, informação ou capacidade de armazenamento, além da vantagem de não acumularem dados”. Também Nuno Caetano realça a importância de todas estas evoluções, mas “implicam a aquisição de novos equipamentos de forma a lidarem com essas tecnologias”. Por exemplo, com o aumento de novos veículos dotados de caixas automáticas, já se verifica uma grande recetividade e interesse dos próprios reparadores em contarem com máquinas de mudança de óleo em caixas automáticas. “No ano passado apresentámos a primeira versão da máquina da BrainBee e, este ano, já estamos na segunda geração, que teve alguns ‘upgrades’; nunca pensei que houvesse tanta recetividade por parte do mercado como se tem verificado”, explicou o responsável da Hélder Máquinas. Para Pedro Santos, “perspetiva-se uma boa oportunidade de negócio com a evolução tecnológica que se avizinha”, enquanto António Garrido é da

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Após qualquer intervenção, na sequência de uma pequena colisão que seja ou até a mudança de um para-brisas, implica fazer a calibragem de muitos dos sistemas que passam informação aos dispositivos de auxílio à condução

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opinião que “os equipamentos têm de ir seguindo a evolução e tendências dos novos automóveis mas, por outro lado, também as oficinas têm de evoluir”. EVOLUÇÃO POSITIVA Todos os intervenientes são unânimes ao encararem com otimismo a entrada na nova década que se aproxima a passos largos. “É um mundo que se está a abrir, com boas oportunidades de negócio para o mercado do equipamento oficinal”, exclama Nuno Paquete, da Bombóleo. Já o diretor-geral da Domingos & Morgado, notando um certo abrandamento da economia ao nível do investimento, afirma que “as pessoas já decidem de uma forma mais reativa, isto é, quando estão perante um investimento um pouco mais elevado, porque a tecnologia é dispendiosa, já levam o equipamento que têm até ao fim da sua vida útil”. Também o diretor da Gonçalteam perspetiva os próximos dois anos com bastante otimismo: “O ano passado foi francamente acima do expetável, enquanto que em 2019 já estamos com um crescimento entre os três a quatro por cento, o que é bom numa altura em que o comércio tradicional se está a ressentir um pouco”. Por isso tudo, conclui: “Estamos bastante confiantes, temos


um bom equipamento, capaz de evoluir, pelo que nos basta trabalhar e manter a nossa postura”. Também o responsável da Hélder Máquinas antevê uma evolução favorável, já que “o primeiro trimestre deixou bons sinais e esperamos que o resto do ano continue assim”. Otimismo é ainda a palavra de ordem de Pedro Santos: “Apesar de este ano ter arrancado um pouco atribulado, o facto é que, agora, já estamos no caminho certo e deveremos crescer”. Por último, o diretor-geral da Lusilectra confirma a onda positiva que o setor atravessa: “Este ano está a decorrer dentro das expetativas, talvez até um pouco acima. Apesar de toda esta evolução e das novidades que surgem no mercado representarem oportunidades em termos de negócio, há que ter os pés bem assentes na terra, porque estas coisas também não mudam de um dia para o outro”. E Antonio Garrido exemplifica: “Uma pessoa que tenha comprado um carro há dois anos, não vai trocá-lo agora só porque existem novas funcionalidades. A realidade é que as mudanças estão a acontecer, é necessário acompanhá-las e abrem-se novas oportunidades, não só na área de diagnóstico, como também ao nível da tecnologia utilizada ou da reparação de veículos”.

A Lusilectra tem no Maha MLT 3000 um dos seus principais produtos para focar os faróis dos automóveis

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Os anos vindouros são, como vimos, de evolução económica para os fabricantes de equipamentos oficinais e respetivos importadores. Que terão obrigatoriamente de acompanhar as futuras tendências do setor automóvel, numa altura em que se avizinham mais novidades neste âmbito, devido ao novo regulamento aprovado pelo Parlamento Europeu que obriga todos os veículos vendidos após maio de 2022 a estarem equipados com novas tecnologias de segurança. Mais negócio para uns, mais investimento para outros… Com todas estas evoluções, os mais penalizados poderão ser as oficinas, porque estarão sujeitas obrigatoriamente a novos investimentos, sob pena de perderem clientes, logo menos negócio e menos lucro. Exigirá ainda uma constante adaptação a novas realidades, o que implica uma forte aposta a nível formativo. As pequenas oficinas poderão ter em risco o futuro da sua atividade, por falta de liquidez, mas se conseguirem encontrar outras soluções, com certeza terão sucesso no futuro.

PE IMPÕE NOVAS TECNOLOGIAS DE SEGURANÇA A medida entrará em vigor após maio de 2022, para todos os veículos vendidos na União Europeia. Em abril passado, o Parlamento Europeu (PE) aprovou um novo regulamento que obriga os novos veículos vendidos na União Europeia, após maio de 2022, a estarem equipados com novas tecnologias de segurança, tais como sistemas de adaptação inteligente da velocidade ou de travagem de emergência. Os dispositivos de segurança obrigatórios aplicam-se a todos os veículos novos, incluindo automóveis de passageiros, veículos comerciais ligeiros, camiões e autocarros, a saber: Sistema de adaptação inteligente da velocidade; Pré-instalação de dispositivos de bloqueio da ignição sensíveis ao álcool; Avisador da sonolência e da atenção do condutor; Avisador avançado da distração do condutor; Sinal de travagem de emergência; Deteção de obstáculos em marcha-atrás; Aparelho de registo de acidentes (vulgo “caixa negra”). O objetivo passa por reduzir o número de acidentes nas estradas europeias e proteger peões e ciclistas, abrindo também o caminho ao desenvolvimento de veículos autónomos. Róza Thun, relatora do PE sobre este regulamento, explicou: “O sistema de adaptação inteligente da velocidade fornecerá indicações ao condutor, com base em mapas e na observação da sinalização rodoviária, quando o limite de velocidade for ultrapassado. Não introduzimos um limitador de velocidade, mas sim um sistema inteligente para alertar os condutores de que estão em excesso de velocidade”. No entanto, o regulamento

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Apesar das grandes inovações que se aproximam, a ligação por ficha OBD para o diagnóstico não desaparecerá!

determina que será possível desligar este sistema. Os automóveis e os veículos comerciais ligeiros terão também de incluir um sistema avançado de travagem de emergência, já obrigatório para os camiões e os autocarros, assim como um sistema de aviso de saída involuntária da faixa de rodagem. Os sistemas de controlo da pressão dos pneus serão aplicáveis a todas as categorias de veículos.


ESPECIALISTA

SPIES HECKER

EVITAR MANCHAS NA REPINTURA AUTOMÓVEL As tintas metalizadas exigem cuidados adicionais para evitar o aparecimento de manchas que podem deitar por terra todo o trabalho desenvolvido na repintura. Siga estes conselhos para evitar dores de cabeça…

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ma das principais questões que muitas vezes acontece na repintura automóvel tem a ver com o facto de começarem a aparecer lentamente irregularidades, após a secagem da base bicamada aplicada. Assim, Evgeny Khmelev,

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Texto David Espanca

responsável pela formação da Spies Hecker na Europa, Médio Oriente e África, sugere a utilização de uma base bicamada Permahyd® Hi-TEC 480, de forma a evitar o surgimento dessas manchas na reparação de cores metalizadas que, nos últimos anos, ganharam enorme popularida52

de no mercado automóvel. Mas há que ter em atenção determinadas situações ao longo de todo o processo. Para começar, mesmo antes de iniciar a fase da pintura, o técnico terá de verificar a humidade e a temperatura da cabine de pintura, para que a mistura da tinta possa ser ajustada ao


clima. Nesse sentido, a empresa coloca à sua disposição um conjunto detalhado de informações, presentes no Guia do Clima da Ficha Técnica (TDS). No que se refere à repintura de cores metalizadas, a Spies Hecker lembra ainda o quão importante se torna seguir as recomendações em relação ao tamanho do bico da pistola e à pressão de pulverização, assim como o facto de aplicar a tinta com o gatilho totalmente premido, para que os pigmentos possam ser distribuídos de forma uniforme numa película homogénea, para um resultado fina... brilhante. Segue-se, então, a fase da aplicação da base bicamada Permahyd Hi-TEC 480, primeiro numa cabina de pintura fechada a uma distância normal e, depois, a passagem do efeito é aplicada sobre a tinta molhada a uma distância ligeiramente maior do substrato, para ser possível obter um efeito uniforme e uma ocultação total. PUBLICIDADE

Após a aplicação da base bicamada, a película de tinta deve parecer uniforme, o que significa que a base não foi aplicada quando estava demasiado molhada REPARAR IRREGULARIDADES Logo após a aplicação da base bicamada, a película de tinta deve parecer uniforme, o que significa que a base bicamada não foi aplicada quando estava demasiado molhada. Caso se

tornem visíveis irregularidades no acabamento, estas podem ser reparadas com outra camada de efeito. Segundo Evgeny Khmelev, “é necessário garantir que esta camada de efeito adicional seja aplicada a uma distância ainda maior e apenas se a camada base estiver molhada”. Para ajudar os pintores a atingirem os melhores resultados, a Spies Hecker disponibiliza uma série de vídeos exemplificativos no seu canal YouTube, em www.youtube.com/spieshecker, bem como no sítio da marca, em www.spieshecker.com/tips4you. Os vídeos tornam-se numa importante ferramenta de trabalho, já que são realizados com experientes técnicos de aplicação da marca que demonstram como se podem evitar erros na aplicação das tintas. Ajudam também a executar corretamente técnicas e aproveitar ao máximo os produtos da Spies Hecker.


PROTAGONISTA

GRUPO YES CAR

LIGAÇÃO DIRETA... AO FUTURO Distinguido com o prémio Oficina do Ano 2018, o Grupo Yes Car tem em curso um arrojado plano de expansão no mercado nacional que levará à criação de uma nova e ambiciosa rede oficinal!

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Texto David Espanca Fotos Carlos Pedrosa

Grupo Yes Car surgiu em 2017, liderado por Artur Teixeira, mas as suas origens remontam a 1965, quando o seu pai abriu a primeira oficina no Porto, a Auto Duque, que prestava serviços de mecânica e colisão, ligada à marca Mercedes. Há cerca de 21 anos, Artur Teixeira, adquiriu a sociedade ao seu pai e, em 2010, com a crise económica instalada no nosso país, apercebeu-se de que havia um nicho de mercado a explorar: o aluguer operacional, ao nível das gestoras de frotas, em que já colaboravam na parte da colisão, mas não na sua manutenção. Desta forma, relembra o nosso interlocutor, “começámos também a reparar motores e caixas de velocidade”. “Como recebíamos cerca de dez automóveis por semana, vindos da rede de concessionários de Lisboa, desafiaram-nos a abrir uma oficina em Lisboa, o que se veio a concretizar nesse ano, com a abertura de novas instalações no Prior Velho, a AZTMotor”. FATURAÇÃO DE NOVE MILHÕES Constatando uma nova oportunidade de negócio, propôs então às empresas de aluguer operacional assegurar também os serviços de manutenção preventiva das viaturas. Com as parcerias alcançadas, a evolução foi natural e abriu novos espaços no Saldanha (Lisboa, 2014), na Maia e em Matosinhos, na zona do Grande Porto (2017) e Sintra e Cascais, no ano passado. O Grupo emprega, atualmente, cerca de 125 funcionários e tem uma faturação de nove milhões de euros. A sua notoriedade e profissionalismo no mercado nacional não passaram despercebidas, com o Grupo Yes Car a ser distinguido com o prémio “Oficina do Ano 2018” atribuído pela revista espanhola “Talleres en Comunicación”, na categoria Pós-Venda.

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Artur Teixeira explica que o grupo nasceu “fruto da necessidade de aglutinar a imagem, comunicação e os serviços de um conjunto de empresas com mais de 50 anos de experiência no setor automóvel, porque uma coisa é ter apenas uma oficina e outra é ter oito espaços físicos, nos dois principais concelhos do País”. Entretanto, em maio de 2010, com o contínuo crescimento da oficina Auto Duque, Artur Teixeira decidiu aderir à Bosch Car Service, “porque sabemos que é a principal rede ao nível de formação, investigação e novas tecnologias automóvel, assim como o maior fabricante de peças”. Daí que, prossegue, “a associação a uma marca de referência mundial, quer na qualidade, na segurança ou numa série de características e valores, apenas veio confirmar os atributos que já faziam parte da nossa essência”. Segundo o responsável do Grupo Yes Car, “esta ligação tem sido bastante positiva, pois além da componente da formação, que é muito importante, também há a parte do próprio equipamento, que está sempre na vanguarda, além de ser uma rede líder que transmite muita confiança ao consumidor”. É de salientar ainda o facto de a Yes Car obter anualmente, desde 2009, o certificado PME Líder e o de PME Excelência, desde 2010. NOVOS ESPAÇOS EM PERSPETIVA Atualmente, a expansão do Grupo perspetiva a abertura de dois novos espaços em Lisboa e outro em Gondomar. Procurando um crescimento sustentado, Artur Teixeira anunciou a criação de uma estrutura intermédia no seio do Grupo, já a laborar, mas que carece ainda de uma melhor afinação. Quando estiver finalizada permitirá à rede “estar presente em, pelo menos, cada uma das capitais de distrito”. “Por agora vou centrar-me em Lisboa e Porto, mas o nosso advogado está a preparar um


O Grupo Yes Car está em fase de expansão, com a abertura de novos espaços em Lisboa e Gondomar

PRÉMIO OFICINA DO ANO 2018

Este ano, o Grupo Yes Car foi distinguido com o prémio Oficina do Ano 2018 na categoria “Pós-Venda”, uma iniciativa realizada pela nossa congénere espanhola “Talleres en Comunicación” e a que a TURBO OFICINA se associa anualmente, designando uma oficina nacional. A entrega do galardão teve lugar no âmbito da Motortec Automechanika Madrid, em Madrid, reconhecendo assim o esforço e trabalho desenvolvido pelo grupo, no âmbito do mercado do pós-venda. Para Artur Teixeira, esta distinção significou “o reconhecimento do nosso trabalho, sobretudo nos últimos dez anos, uma década difícil em que conseguimos ver novas oportunidades”. “Das fraquezas criámos forças e fizemos diferente, nunca descurando a qualidade do serviço, a confiança, a capacidade de inovação, a resolução dos problemas dos clientes, a proximidade e o preço como razões do sucesso”.

contrato de ‘franchising’ para que, nas capitais de distrito onde queremos estar presentes, possamos ter um parceiro local para trabalhar, podendo também ser através de uma sociedade”. Uma das grandes vantagens que este processo irá desencadear, passará pelo facto “de ser mais vantajoso nas negociações com os fornecedores, tendo em conta que os descontos serão maiores, porque também teremos uma rede de oficinas mais vasta”, remata Artur Teixeira. Ainda para este ano, está previsto o lançamento de uma nova empresa, a Yes Parts, de revenda de peças, que funcionará como uma central de compras, tanto para as suas oficinas, como para os futuros parceiros. Numa fase inicial, “vai funcionar apenas a nível interno do Grupo”, explica Artur Teixeira. “Depois de o projeto estar afinado, vamos então passar a comercializar para o exterior, seja para uma oficina normal ou para os nossos ‘franchisados’. O passo seguinte é o comércio 'online', mas sempre com muito cuidado”.

Artur Teixeira mostrou-se orgulhoso pelo prémio atribuído pelos nossos congéneres da "Talleres en Comunicación"

APOSTA FORTE NOS ELÉTRICOS Mas as novidades não se ficam por aqui, já que o responsável do Grupo Yes Car revela que a grande aposta irá recair na implementação de serviços 55

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PROTAGONISTA

"Estamos preparados para trabalhar com veículos elétricos" para as viaturas híbridas e elétricas: “Estamos a finalizar uma parceria com uma empresa bastante credenciada nesta área, além de os nossos colaboradores estarem a ter formação neste domínio há cerca de dois anos”. As normas já estão preparadas e os equipamentos (fatos de segurança, luvas ou botas) todos comprados, apenas faltando a parte relativa à imagem da marca. De salientar ainda que todas as unidades do Grupo estarão munidas de postos de carregamento elétrico gratuitos para este tipo de veículos. Artur Teixeira afirma que “o mais importante é o aspeto da formação, que está numa fase bastante avançada”. Ao nível da colisão e da manutenção corretiva e preventiva, já trabalham com muitos carros elétricos. Um dos seus principais clientes é a Uber, com a qual fecharam recentemente um contrato de manutenção de 100 viaturas nas suas oficinas de Lisboa. “Estamos preparados para trabalhar com este tipo de veículos”, conclui o entrevistado. Especializado na mecânica preventiva e corretiva, o Grupo Yes Car está sempre atento às necessidades do mercado ao nível formativo e os seus técnicos têm de realizar este tipo de ações, seja através

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da Bosch, que dispõe de um programa completo, ou através de outras entidades. Aliás, Artur Teixeira destaca que ainda há pouco tempo “contratámos um engenheiro mecânico, que tem o curso de formador, para efetuar sessões internas aos nossos técnicos no que diz respeito aos automóveis elétricos”. Ainda este ano, o Grupo lançou uma nova oferta ao nível de pneus em seis das suas oficinas. “Não pelas margens de lucro que daí advêm, porque são mínimas, mas sim para fechar um ciclo, de forma a poder ter uma gama de serviços mais alargada”, adianta. Por outro lado, Artur Teixeira aponta como grande necessidade a falta de recursos humanos que o setor atravessa: “Está muito crítico, sobretudo no que diz respeito às áreas de bate-chapas e pintura. A solução poderia passar por uma maior consciencialização, da parte das entidades competentes, junto dos jovens e das escolas secundárias, porque provavelmente eles não sabem que estas profissões são cada vez mais bem remuneradas.” O Grupo Yes Car preocupa-se ainda com uma forte consciência ambiental, investindo na correta gestão e tratamento de resíduos produzidos nas suas oficinas. Em parceria com empresas certificadas, que efetuam o respetivo tratamento e recolha e reciclagem desses resíduos, realiza diversas operações, tais como a descontaminação das águas, separação dos óleos usados, separação de materiais contaminados e lixos, uso de tintas com base aquosa ou a monitorização das emissões gasosas.


ENTREVISTA

MARTA SANGÜESA E SALVADOR LOPEZ, DA TÜV SUD

A NORMA QUE FACILITA CERTIFICAÇÕES DE OFICINAS A certificação dos vários processos oficinais é um passo determinante para que o cliente confie na qualidade do trabalho que irá ser feito no seu automóvel. Mas era um processo complexo e moroso. Com uma nova norma, a TÜV SUD junta tudo e facilita a obtenção de todas as certificações de uma só vez Texto Juanjo Cortezón e Miguel Ángel Jimeno*

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ruto do trabalho conjunto entre o departamento de certificações e o de Car Business Services, a TÜV SÜD implementou a norma TÜV SÜD MS CBS: 2017. Concebida e promovida a partir de Espanha (e já ao dispor das oficinas portuguesas), mas com uma equipa internacional e multidisciplinar, esta norma foi projetada a pensar em oficinas de reparação de qualquer tipo que desejem certificar simultaneamente sistemas de gestão de qualidade, ambiente, riscos profissionais e a sua atividade concreta (que pode ser mecânica, elétrica/eletrónica, carroçaria ou pintura). E tudo isso de uma forma mais simples, mais centrada nas suas necessidades, comparativamente ao que outras certificações conseguem proporcionar, tipo ISO 9001, 14001 ou OHSAS. Para percebermos melhor este novo passo no importante caminho das certificações, falámos com Marta Sangüesa, responsável de certificação de sistemas de gestão para Portugal e Espanha, e Salvador López, responsável de Desenvolvimento de Negócio de Car Business Services na TÜV SÜD. O que é exatamente a certificação TÜV SÜD MS CBS: 2017? MARTA SANGÜESA – É uma norma integral de sistemas de gestão, concebida para abranger as necessidades específicas das oficinas de reparação de veículos. Existem diferentes certificações de sistemas de gestão: da qualidade (ISO 9001), do ambiente (ISO 14001) e dos riscos profissionais (OHSAS 18001/ISO 45001). A ideia era criar uma norma que abrangesse os diferentes sistemas de gestão da qualidade, ambiente e riscos profissionais existentes, mas centrada unicamente nas oficinas, simplificando determinados requisitos que não faziam muito sentido nem proporcionavam nada aos seus negócios. Esses são os módulos gerais, que incluem gestão do serviço, recursos humanos, processos de apoio, satisfação do cliente, garantias e reclamações, gestão ambiental e gestão da prevenção de riscos profissionais. Depois, a norma inclui também alguns módulos específicos, mais técnicos, sobre a preparação da oficina a nível de conhecimentos, processos, pessoal, equipamentos e instalações, etc., em função da atividade que desenvolva: mecânica, eletricidade/eletrónica, carroçaria, pintura, gestão de peças de substituição, etc. Começámos com as atividades típicas e, a pedido dos nossos clientes, já estamos a trabalhar para, em breve, incluir um novo módulo específico para veículos elétricos e híbridos. A norma visa garantir os níveis de qualidade de serviço prestados ao cliente final, centrando-se na avaliação de tudo o que afeta diretamente o

nível de satisfação do cliente. Outra das preocupações da norma foi dar resposta à necessidade crescente das empresas de renting e seguradoras, entre outros grupos de interesse, de terem controlo e segurança na atividade desenvolvida pelas oficinas com as quais colaboram. Neste sentido, a regulamentação permite-lhes estabelecer catálogos específicos de requisitos diretamente estabelecidos pela sua parte e que serão incluídos, no caso de ser solicitado, nas nossas auditorias. O primeiro catálogo de requisitos específicos adicionais que definimos foi estabelecido pela empresa de renting ALD. Como nasceu esta certificação? Pode converter-se num padrão de mercado? M. SANGÜESA – A conversão de uma norma como esta num padrão de mercado depende da credibilidade da empresa certificadora. E a TÜV SÜD tem-na! Temos um indiscutível conhecimento técnico do mercado, somos uma empresa de reconhecida confiança a nível internacional e desenvolvemos uma certificação séria e exigente. A ideia da certificação partiu da área de Car Business Services (CBS) que está em permanente contacto com as oficinas. Detetaram a necessidade de as oficinas terem uma norma adaptada ao seu negócio, que fale a sua língua. Certificarem-se com normas não específicas em diferentes áreas implica que as oficinas acabem por aplicar muitos recursos e dinheiro, para

"É uma norma integral de sistemas de gestão, concebida para abranger as necessidades específicas das oficinas"

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ENTREVISTA

depois concluírem que tudo isso lhes proporciona pouco retorno. Além disso, existem grandes clientes, como empresas de renting e seguradoras, que precisam de controlar a qualidade do serviço prestado nas oficinas com que colaboram. Em abril de 2017 publicámos a primeira edição, após um ano e meio de trabalho. Quando detetámos a necessidade, criou-se um grupo de trabalho multidisciplinar. A nível internacional, reunimos um grupo de especialistas em certificações de sistemas de gestão e da equipa de CBS, que são os especialistas em oficinas. Está previsto que esta certificação se estenda a outros países? M. SANGÜESA – É uma norma que nasceu em Espanha, mas com uma vocação internacional desde o início. Foi logo desenvolvida passando todas as aprovações da nossa sede alemã, após constatar que na Alemanha também não existiam normas específicas. E que tanto a Alemanha como outros países confirmavam esta necessidade de mercado. SALVADOR LÓPEZ – Estão a iniciar-se as primeiras auditorias a nível internacional, em países como a Alemanha e a China. A norma é idêntica para todos os mercados, mudando apenas a verificação de qualquer aspeto legislativo. No setor automóvel, no mercado asiático gostam de adotar processos europeus e implantá-los lá, pelo que foi um dos primeiros mercados a interessar-se pela norma. ÚTIL PARA OFICINAS PEQUENAS Como se certifica uma oficina? Quais são os aspetos tidos em consideração? M. SANGÜESA – Antes de se iniciar a auditoria “in situ” realizamos uma revisão documental “off-site”, na qual verificamos se a oficina dispõe da documentação mínima necessária para evidenciar o controlo dos seus processos de negócio. Uma vez verificada a documentação enviada, planifica-se e realiza-se a auditoria nas instalações do cliente, onde se verifica, através de amostragem, o cumprimento dos requisitos da norma e a adequação da documentação do sistema de gestão integral. Uma parte importante é o cumprimento da legislação aplicável à oficina. Por exemplo, relativamente à gestão por processos verificamos se os processos foram corretamente definidos, se foram identificadas as interações entre os diferentes processos, se existem indicadores para o controlo dos mesmos... Ou, por exemplo, relativamente à gestão de recursos humanos verificamos se a oficina dispõe de um organigrama, se definiu os postos de trabalho e as funções a realizar em cada posto de trabalho, se existe um plano de formação para os funcionários... A auditoria inicial tem habitualmente a duração de um dia e meio, embora isso dependa da dimensão

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"Fizemos com que tudo fosse o mais simples possível e as auditorias adaptam-se em função da complexidade própria de cada oficina. Na verdade, creio que uma certificação como esta pode ser mais necessária numa oficina pequena do que numa grande, porque contribui para uma maior profissionalização desse negócio" 60


É uma certificação que já está a ser implementada em algumas oficinas da rede First Stop, correto? S. LÓPEZ – É uma certificação muito válida, por exemplo, para empresas de renting, seguradoras ou redes oficinais. Nas redes costuma acontecer que se realizam certificações por amostra, em que se seleciona uma determinada amostra e, através dela, se assume que toda a rede cumpre e se emite ou se mantém a certificação para toda a rede. Neste caso, tal não acontece: a certificação é realizada oficina a oficina, de forma personalizada. Se uma oficina quiser ser certificada, será sempre auditada “in situ”. Evidentemente que, se houver incumprimentos, existe um prazo para que os resolvam e para que enviem as provas necessárias de que foram resolvidos. Começámos por oficinas que pertencem a redes prestigiadas, como a First Stop ou a Bosch Car Service. E, nessas redes, foram escolhidas oficinas diretamente pela Bridgestone e pela Bosch, porque são oficinas que trabalham com a ALD Automotive, que foi quem solicitou uma certificação como esta. Já está planeado, durante este ano, alargar a certificação a outras oficinas destas redes. De que modo é que uma certificação deste tipo pode ajudar não só a detetar deficiências, mas também a melhorar a formação e a preparação do pessoal da oficina? M. SANGÜESA – Não podemos realizar consultoria enquanto tal numa oficina que estejamos a certificar, mas formação sim. De facto, a partir da área CBS, está a ser desenvolvida formação diversificada, em especial, nos últimos tempos, para veículos elétricos e híbridos. E estamos a criar uma certificação de pessoas, para que recebam formação em veículos elétricos e híbridos, passem um exame e obtenham um certificado como manipuladores de veículos elétricos. S. LÓPEZ – O veículo elétrico é considerado de alta tensão e, portanto, pode matar. A vida de quem procede a uma intervenção no veículo é colocada em risco. A Alemanha é o único país que tem uma regulamentação específica sobre a intervenção e reparação de veículos elétricos. Assim, desenvolvemos programas de formação específicos e estamos a desenvolver uma carteira muito extensa de serviços associados ao veículo elétrico. A aposta no veículo elétrico vem de longe. Damos formação nesta área há quatro anos. Demos formação a formadores da EMT (Empresa Municipal de Transportes), a bombeiros para saberem como intervir num veículo elétrico acidentado... E agora temos formação para os mecânicos, mas também, por exemplo, para vendedores de concessionários.

da oficina e do número de módulos específicos incluídos no âmbito. Qualquer oficina certificada deverá passar todos os anos por uma auditoria “in situ” para renovar a certificação. A cada cinco anos será feita uma auditoria semelhante à certificação inicial, revendo-se exaustivamente o cumprimento de todos os pontos da norma. Mas nem todas as oficinas dispõem de um organigrama propriamente dito, por exemplo... Não é uma norma pensada para oficinas de um determinado volume e não para a maioria das oficinas multimarca, que são PME’s e microempresas? M. SANGÜESA – Não, não significa que a certificação esteja pensada para oficinas grandes, uma vez que, como se faz cumprir um requisito da norma, pode ser tão complexa ou simples consoante se pretenda. Um organigrama pode ser muito simples numa PME. Fizemos com que tudo fosse o mais simples possível e as auditorias adaptam-se em função da complexidade própria de cada empresa. Na verdade, creio que uma certificação como esta pode ser mais necessária numa oficina pequena do que numa grande, porque uma grande terá tudo mais controlado, por exemplo a nível da legislação. Poderá até contribuir mais para uma pequena oficina, ajudando a uma maior profissionalização desses negócios de reparação mais pequenos.

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REPORTAGEM

AUTOPROMOTEC-2019

PROJETAR O FUTURO Apesar da sua dimensão e do número de expositores, a Autopromotec de Bolonha foi muito mais que uma grande feira de aftermarket, assumindo-se como um polo de troca de ideias sobre os caminhos a trilhar pelo pós-venda nos anos que se aproximam. A formação foi, em todos os temas, o mote principal! Texto Sérgio Veiga

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o final de maio a indústria do aftermarket automóvel reuniu-se em Bolonha, para mais uma edição da Autopromotec, uma das maiores feiras da Europa, dedicadas ao equipamento automóvel, do pós-venda e manutenção. Mais que um levantamento exaustivo das novidades presentes – afinal, os principais fabricantes continuam ainda a “viver” muito do que apresentaram no mega certame de Frankfurt… – interessa perceber a dimensão da feira italiana que vai já na sua 28.ª edição e que vai muito além de uma simples exposição. Este ano, por exemplo, a Autopromotec

foi quase um congresso europeu sobre o futuro e o potencial de crescimento dos reparadores independentes de média dimensão. Um tema nuclear, numa fase em que o aftermarket e a reparação automóvel passam por uma fase de profundas mudanças, em que a capacidade (e vontade!) de adaptação e até de agregação, em especial das empresas mais pequenas, será decisiva para a sobrevivência de muitos negócios e larguíssimos milhares de postos de trabalho. E a feira italiana foi um alargado espaço de debate, com mais de vinte conferências a comporem o espaço denominado AutopromotecEDU que concluiu: “A evolução do mercado e os 63

A “Oficina X.0” leva ainda mais longe as capacidades de digitalização e conectividade na relação entre as oficinas e os automóveis MAIO/JUNHO 2019 TURBO OFICINA


REPORTAGEM

EXIDE INOVA COM CARBON BOOST 2.0

Novidade importante com apresentação mundial na Autopromotec foi a nova bateria da Exide com tecnologia Carbon Boost 2.0, ideal para carros com sistemas de regeneração da energia de travagem e sistemas start-stop, mas também com grandes vantagens para os automóveis mais antigos, ditos convencionais. Esta tecnologia Carbon Boost 2.0 estará disponível já a partir de junho, na gama EFB da Exide e como “upgrade” nas gamas Premium. Esta tecnologia exclusiva da Exide assenta na utilização de aditivos de carbono que permitem otimizar a estrutura de superfície, ao mesmo tempo que melhoram em muito a condutividade. Com maior fluxo de corrente dentro da bateria, a carga é mais rápida e até dissolve as partículas de sulfato de chumbo que se produzem nas placas negativas, reduzindo o tempo de vida da bateria. Assim, a tecnologia Carbon Boost 2.0 consegue recuperar mais 75% de energia no mesmo intervalo de tempo que as anteriores Exide EFB, o ideal para absorver ao máximo toda a energia recuperada da travagem, permitindo um funcionamento mais eficaz e prolongados dos sistemas de start-stop. Com a consequente redução de emissões poluentes. Por outro lado, garante o aumento do tempo de vida útil da bateria, o que a torna também interessante para automóveis mais antigos.

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novos cenários de mobilidade exigem novas e inovadoras soluções, aplicadas também à assistência do veículo, além da necessidade de adquirir novas competências profissionais e ferramentas de marketing”. Por falar em futuro, numa altura em que a expressão “Oficina 4.0” já entrou na linguagem corriqueira, a Accenture fez uma apresentação do conceito a que chamou… “Oficina X.0” e que é, afinal, levar ainda mais longe as capacidades de digitalização e conectividade na relação entre as oficinas e os automóveis dos seus clientes, tirando partido da IoT, a chamada Internet das Coisas. Teodoro Lio, diretor do departamento automóvel da Accenture para Itália, Europa Central e Grécia, explicou: “Fornecimento de energia, conectividade, condução autónoma e partilha de automóveis são os grandes desafios para os ‘players’ da nossa indústria que, para se manterem relevantes, devem reinvestir em inovação e adotar os processos de mudança orientados para a tecnologia, cada vez mais centrais para a definição da estratégia. O pós-venda é uma área que deve ser repensada através de um novo e mais sofisticado nível de ser-


viço, colocando em perspetiva o que definimos como ‘serviço invisível’ em relação ao cliente”. Na prática, o que a “Oficina X.0” propõe é que cada automóvel tenha uma espécie de “ficha médica” atualizada de forma permanente e autónoma e em constante comunicação com a oficina, conseguindo até antecipar uma eventual avaria.

Dentro de dois anos, de 26 a 30 de maio de 2021, a Autopromotec estará de volta a Bolonha

A REVOLUÇÃO ELÉTRICA Na Autopromotec-2019 houve muitas outras iniciativas, além da exposição das mais recentes novidades no campo do aftermarket. Num espaço criado em parceria com a revista “Quattroruote”, a Hybrid & ADAS Village propunha testes e demonstrações das mais recentes gerações de sistemas de auxílio à condução em automóveis híbridos. Mas havia também um “cantinho” mais emocional, para as empresas do aftermarket que se envolvem na competição automóvel, o “Autopromotec Motorsport”. Mas um dos mais importantes simpósios do certame italiano centrou-se na evolução por que as oficinas terão de passar na altura em que os automóveis puramente elétricos começarem a ser

predominantes e a sua assistência se tornar incontornável no negócio. É uma evidência o aumento exponencial dos motores elétricos no parque automóvel atual, seja em puros EV’s, seja pela crescente venda de veículos híbridos. E a primeira alteração terá de ser, obviamente, na formação de profissionais capacitados para mexerem, com toda a segurança, em sistemas de alta tensão. Mão de obra qualificada e serviços específicos a nível de diagnóstico são passos cruciais para a atualização das oficinas que pretendam acompanhar a evolução do parque automóvel. Mas não só as oficinas, as próprias empresas de assistência rodoviária terão de passar também por esse processo, com a agravante de que terão de pres65

tar assistência àqueles veículos fora do ambiente mais tranquilo e até protegido de uma oficina… Houve, contudo, quem destacasse que o esforço para acompanhar as novas tecnologias será largamente compensado pelas largas oportunidades de negócio que se irão abrir! “As novas tecnologias podem ser uma oportunidade para as empresas, embora devam ser acompanhadas de um conjunto de competências muito específicas”, referiu Domenico Ferrara, da Hella Gutmann Solutions. “A formação é crucial para operar em sistemas muito complexos, que também podem ter consequências em termos de segurança. Os sistemas ADAS estão cada vez mais presentes em veículos de última geração e o futuro da mobilidade é a condução autónoma. Subestimar essas tendências é muito arriscado, é de extrema importância preparar-se desde o início, em primeiro lugar com formação e escolha dos principais componentes necessários para calibrar e substituir sensores, radares e câmaras”. Quanto à feira de aftermarket de Bolonha que se prolongou por cinco dias, os números dizem tudo sobre a sua dimensão: 1676 empresas marcaram presença nos 17 pavilhões e cinco áreas exteriores, numa área total de 162 mil metros quadrados! Estiveram representadas firmas de 53 países, numa exposição que atraiu 119 mil visitantes profissionais, tendo a organização da Autopromotec registado em crescimento em todos os indicadores. “O nível tecnológico das empresas expositoras confirmou o antecipado: tecnologia, informação técnica e formação são os ingredientes de uma receita que vai fazer com que as empresas de pós-venda se preparem para um futuro que já está aí”, resumiu o diretor da Autopromotec, Renzo Servadei. “Novos combustíveis, sistemas de assistência ao condutor, novos conceitos de mobilidade e uma crescente consciencialização ambiental são desafios importantes, mas também oportunidades para aqueles que se consigam adaptar. Demos muitas indicações úteis sobre como planear o próprio futuro e também as gerações futuras”. Dentro de dois anos, de 26 a 30 de maio de 2021, a Autopromotec estará de volta à feira de Bolonha.

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NOTÍCIAS

INT E RN ACIONAIS

Z F AFT E RM ARKE T

Importância do marketing digital

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ando continuidade à campanha “Verdadeiros Originais” da TRW, a ZF Aftermarket sublinhou neste episódio a importância do marketing digital para as oficinas. Para o efeito contou com a participação do cliente da TRW – Russ Stanley, diretor da Revolution Porsche, do Reino Unido – que explicou a forma como a sua oficina aumentou a fidelização dos clientes e registou um crescimento assinalável do negócio, desde a abertura em 2011. A ZF Aftermarket recomenda que as oficinas adaptem as suas comunicações a esta nova realidade, recorrendo a ferramentas e análise de marketing digital. Mesmo que não tenham orçamento ou infraestruturas para organizar grandes campanhas publicitárias, as oficinas têm a possibilidade de atingir o seu público-alvo de forma fácil e barata, através da utilização das redes sociais, designadamente o Facebook, o Twitter e o Instagram, do e-mail e dos websites. Aqueles canais constituem excelentes veículos para a utilização de "outbound" marketing ou prospeção ativa, pagando

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para colocar o seu logótipo ou banner no website de terceiros, por exemplo, e de "inbound" marketing ou prospeção passiva (custo mínimo), propondo ao seu público algo que o interesse ou beneficie, como, por exemplo, lembretes acerca de serviços de manutenção ou uma página com conselhos e sugestões num website da oficina. Na sua intervenção no mais recente episódio da campanha “Verdadeiros Originais” da TRW, Russ Stanley explica como tirou partido de algumas das ferramentas do marketing digital, apontando como exemplo a possibilidade de contacto por parte dos clientes fora do horário de trabalho ou a utilização das redes sociais. “Sempre que enviamos um e-mail, pedimos aos nossos clientes para nos seguirem, pelo que é extremamente fácil construir, de forma orgânica, uma boa base de dados. A partilha de links para fóruns, feiras e exposições e outros websites, juntamente com informação interessante e relevante acerca da nossa equipa, possibilita a interação dos clientes", adianta o diretor da Revolution Porsche. trwaftermarket.com 66


N G K SPA R K PLUG

Duplo reconhecimento pela ADI A NGK Spark Plug foi a primeira empresa a receber dois prémios anuais de excelência do grupo global de distribuição automóvel ADI (Autodistribution International) nas categorias Fornecedor do Ano e Profissional de Após-Venda do Ano. Os prémios foram entregues em Bruxelas, por ocasião da reunião anual da ADI, onde estiveram presentes 160 altos quadros em representação dos fornecedores e parceiros do grupo ADI. O prémio de Profissional do Mercado de Após-Venda do Ano de 2019 foi atribuído a Damien Germés, o presidente regional

da EMEA, presidente e diretor executivo da NGK Spark Plug Europe, que foi eleito pelos seus colegas da indústria pelas suas conquistas no mercado de após-venda. Por sua vez, a NGK Spark Plug também foi distinguida como Fornecedor do Ano de 2019 pela ADI, com base numa avaliação realizada pelos membros de cada país, que levou em conta critérios como a qualidade do produto, a gama, o serviço de entrega, prémios, marketing, o apoio técnico e comercial. ngkntk.com/pt/

Sogefi já tem oferta de filtros para o novo Peugeot 508 A Sogefi é o primeiro fornecedor no mercado de após-venda a disponibilizar uma série de filtros completa para o novo Peugeot 508. A oferta compreende filtros de combustível, de óleo, de ar, do motor e de habitáculo. Os produtos estão disponíveis para veículos equipados com motor a gasolina 1.6 PureTech e para as diferentes opções do motor diesel BlueHDi. Neste último caso, a oferta da marca francesa inclui um módulo de filtro de gasóleo baseado na tecnologia Diesel3Tech, que protege os sistemas do motor e da injeção, mesmo sob níveis extremos de contaminação da água. O sistema Diesel3Tech separa as gotículas de água do combustível e armazena-a num depósito dedicado, que posteriormente é esvaziado através do parafuso de purga. sogefigroup.com

NOVO VICE-PRESIDENTE DA KYB EUROPE Tetsunosuke Nagasawa foi nomeado vice-presidente da KYB Europe Aftermarket, em substituição de Mike Howarth, que deixou a empresa após 22 anos para assumir novos desafios profissionais. O novo vice-presidente da KYB Europe Aftermarket entrou para a KYB em 2005 para o departamento de após-venda em Tóquio. Dois anos depois foi transferido para a Europa, onde foi responsável de vendas nos mercados dos Balcãs e CIS. Entre Abril de 2013 e Março de 2019, foi responsável pela KYB Rússia, onde, no seguimento de uma reestruturação, conseguiu melhorar o desempenho da filial e a perceção da marca, aumentando a quota de mercado para 30%. A área de após-venda da KYB Europe possui escritórios em nove países, seis armazéns e mais de 250 funcionários. kyb-europe.com 67

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NOTÍCIAS

INT E RN ACIONAIS

BO S C H

Motores de arranque para clássicos da Porsche

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Bosch desenvolveu um motor de arranque de alto rendimento para modelos clássicos da Porsche como o 911, o 928 e o 959. Os engenheiros da marca alemã redesenharam o rolamento do motor de arranque e a embraiagem com pinhão e conseguiram adaptar este componente utilizado nos veículos modernos, garantindo que as peças de substituição também são

compatíveis com os automóveis clássicos da Porsche. O novos motores de arranque viram aumentar a potência dos 1,5 kW para os 2,0 kW, permitindo um arranque mais fiável e seguro daqueles modelos históricos. Por outro lado, o novo motor de arranque representa uma versão melhorada daqueles que foram descontinuados na sua produção em série. bosch.pt

A X A LTA

Prémios Edison por inovações revolucionárias O s produtos Acquire Quantum EFX e Voltaprem 5000 da Axalta foram distinguidos com prémios Edison Best New Products na categoria Ciência e Engenharia de Materiais. O sistema de procura de cor da Axalta, que utiliza o espetrofotómetro do Acquire Quantum EFX, está a digitalizar as oficinas e a melhorar a correspondência de cores eliminando as avaliações visuais subjetivas. Este produto proporciona a primeira tecnologia de medição de “cor” e “brilho” que permite uma reprodução de cor superior, nos acabamentos de pintura das fábricas OEM em automóveis. Este sistema também inclui uma nova tecnologia de cores numa unidade mais leve e mais rápida que contribui para os clientes criarem correspondências de cores mais precisas e mais rápidas.

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Por sua vez, o Voltaprem 5000 da Axalta, que consiste numa resina de impregnação ecológica para aplicações de alta tensão recentemente lançada, proporciona melhorias na redução do tempo de aplicação e consumo de energia. Além disso, o Voltaprem 5000 contém 25% de matérias-primas renováveis, o que demonstra claramente o futuro das resinas de impregnação automóveis de alta tensão. axalta.com 68

Osram conclui aquisição da Ring Automotive Na sequência da aprovação da Autoridade da Concorrência e dos Mercados do Reino Unido, a Osram concluiu a aquisição da empresa britânica Ring Automotive, especializada no aftermarket. Este negócio permitirá a expansão do portefólio da Osram na área automóvel, incluindo eletrónica e acessórios, onde a Ring Automotive dispõe de uma elevada experiência. Por outro lado, esta aquisição permitirá a comercialização dos produtos da Ring Automotive no mercado dos Estados Unidos através dos canais estabelecidos da Osram Sylvania e abrirá um novo potencial de vendas na Europa e no resto do Mundo, com uma estratégia de marca diferenciada. “Para além de expandir o nosso portefólio automóvel, a aquisição da Ring irá permitir a obtenção de um potencial de vendas e alargar o conhecimento do mercado”, refere Hans-Joachim Schwabe, CEO da Osram Automotive. “O objetivo é aproveitar o mercado adicional, aceder a novos clientes e criar sinergias no portefólio de produtos e canais estáveis no Reino Unido”. osram.pt


Glasurit patrocina WorldSkills

A U TOME CH AN IK A

Primeiro mundial de chapa & pintura A Automechanika está a organizar o primeiro Campeonato do Mundo de Chapa & Pintura Automóvel em associação com a DeBeer Refinish, a Octoral e a SATA. Os candidatos irão competir em seis feiras Automechanika em todo o Mundo, de Inglaterra à China. Os vencedores nacionais serão apurados para a grande final na Automechanika Frankfurt, que se realiza entre os dias 8 e 12 de setembro de 2020. O Automechanika Frankfurt será o primeiro salão a contar com Chapa & Pintura como uma categoria independente de produto. Para assinalar a ocasião, a organização vai lançar uma competição internacional para profissionais de carroçaria, que terão de desenhar o capot de um carro utilizando como

inspiração o país onde se realiza a feira Automechanika. A competição vai disputar-se em Birmingham, Joanesburgo, Xangai, Dubai e Cidade do México. O vencedor de cada prova será eleito por um painel de especialistas. Os visitantes também poderão ajudar a selecionar o vencedor do público através de uma votação online. O júri irá avaliar parâmetros como o design, a ligação entre o design e o pais onde se realiza a feira Automechanika, a utilização de várias técnicas (efeitos, acabamento mate/brilhante), palete harmoniosa de cores, tipos de pistolas utilizados, segurança na oficina e utilização de produtos não agressivos para o ambiente. automechanika.com/competition

VALEO DISTINGUIDA PELA FROST & SULLIVAN

A Glasurit assinou um contrato de parceiro prata com a WorldSkills Kazan, tornando-se patrocinador oficial na categoria “Pintura Automóvel” na competição WorldSkills, destinada a jovens profissionais com menos de 25 anos e que se realiza em agosto em Kazan na Rússia. Todos os jovens pintores vão utilizar produtos e ferramentas de combinação de cores da marca de tinta Premium da BASF. Além disso, serão apoiados durante a preparação para a competição por 30 especialistas da WorldSkills de 30 países na utilização de produtos e processos da Glasurit. glasurit.com

A Frost & Sullivan reconheceu a Valeo como fornecedor de aftermarket do ano 2018 durante a entrega de prémios “Excellence in best practices award banquet ceremony”, que decorreu em Londres. O atendimento ao cliente, o conhecimento do produto e os pacotes de garantia associados a inovações de produto para ajudar a diminuir os custos de manutenção das frotas de veículos comerciais foram os factores que estiveram na origem da decisão da consultora norte-americana para distinguir a Valeo. 69

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BOAS PRÁTICAS

SÉRGIO LEITÃO GOMES, DIRETOR DE APÓS-VENDA DA BMW

EMPENHADOS EM TER OS MELHORES TÉCNICOS Não podendo jogar no “tabuleiro do preço” com os reparadores independentes, o serviço de após-venda da BMW aposta nas peças originais e na capacidade dos técnicos que recruta criteriosamente e forma intensivamente para fazer a diferença, na busca da satisfação dos seus exigentes clientes

T

endo como “equipamento de série” nos seus carros uma parte importante da manutenção nos primeiros cinco anos ou 100.000 km (BMW Service Inclusive), a BMW consegue um forte argumento para fidelizar os clientes à sua rede oficial, para lá do período de garantia. Sérgio Leitão Gomes, diretor do após-venda do BMW Group Portugal, explicou-nos essa vantagem e tudo o que tem sido feito para aumentar a satisfação dos clientes da marca de Munique, com muita formação e a procura dos melhores técnicos.

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Qual a importância do após-venda para a BMW? Como com qualquer outra marca, a área de após-venda é vital para o BMW Group Portugal e para a sua rede oficial de Concessionários e Reparadores Autorizados, dada a enorme importância na rentabilidade global do negócio. Em 2018, pelo quinto ano consecutivo, o BMW Group registou no nosso país, um recorde absoluto de venda de peças, acessórios e produtos lifestyle, situação que na marca MINI por si representou também um novo recorde, pelo 14.º ano consecutivo. Em termos de volume de negócios, a marca BMW re70


gistou, no ano de 2018, um valor de 68,6 M€ e um crescimento na ordem dos 9%. Já a MINI registou um crescimento na ordem dos 12% e um volume de negócios de 5 M€. Qual o grau de retenção de clientes para lá do período de garantia? Não difere muito daquilo que é o mercado global, um pouco acima dos 50%. Até que ponto o BMW Service Inclusive contribui para fidelizar clientes além desse período de garantia? Com a experiência adquirida é para nós evidente que, desde que apostámos nos Contratos de Manutenção BMW Service Inclusive (BSI) de série nos nossos modelos ou em venda “a posteriori”, conseguimos fidelizar bastante mais clientes. O BSI (5 anos/100.000 km) é um contrato de manutenção que inclui a inspeção geral da viatura segundo as instruções BMW, a mudança de óleo do motor, incluindo filtro de óleo (exceto atestos) e a verificação e substituição, caso necessário, de filtro de ar, filtro de combustível, microfiltro, velas de ignição e líquido de travões. Todas as condições estão definidas à partida (coberturas, quilómetros, exclusões), com a garantia de uma manutenção efetuada apenas com peças originais BMW ou MINI, a experiência dos técnicos certificados e as tecnologias de ponta para diagnóstico das nossas marcas. Quais os segmentos em que sentem maior dificuldade na retenção de clientes? Não diferimos muito do que é a prática do mercado, quanto mais idade têm os automóveis maior a dificuldade em reter os clientes, em especial nos automóveis com mais de 10 anos. Acreditamos que, neste aspeto, estamos um pouco melhor do que a média, mas tal deve-se essencialmente à força intrínseca das nossas marcas e ao papel indispensável das equipas que trabalham na nossa rede oficial. O preço da mão-de-obra superior ao dos reparadores independentes é dificuldade acrescida nesse esforço de fidelização de clientes? Sim, sobretudo para os clientes mais sensíveis ao preço. A comunicação centrada em preço existente no mercado não corresponde, muitas vezes, à realidade daquilo que é oferecido, face ao valor de um serviço com peças originais e que respeita os critérios e normas de qualidade característicos e recomendados pelas marcas BMW e MINI. Essa diferença terá sempre de existir, dado o investimentos que os nossos parceiros de rede fazem em formação e especialização dos técnicos e o uso de peças originais do construtor que não tem comparação com outro tipo de oficinas.

Como conseguem atrair os clientes com viaturas mais antigas às oficinas oficiais? Conseguimos atrair e reter mais esta tipologia de clientes com os nossos programas de operações preço fixo, BMW Value & Care e MINI Regeneration para todos os automóveis com mais de 5 anos. Nestes programas estão englobadas a grande maioria das operações de manutenção, com preços perfeitamente alinhados e competitivos no mercado global, com a vantagem de apenas serem utilizadas peças originais, óleo BMW TwinPower Turbo ou MINI Genuine Oil e produtos recomendados pela marca.

O recrutamento e formação dos técnicos para as oficinas da BMW passa por longo processo evolutivo, com um programa pré-definido

Tem sido fácil recrutar bons técnicos? Quantas horas de formação dão por ano? E especificamente em relação aos veículos elétricos/híbridos? Acreditamos que o bom recrutamento de um técnico é vital, é uma atividade altamente especializada, com um perfil específico e gosto pela função. Por isso tem sido cada vez mais difícil encontrar técnicos no mercado. Apesar desta dificuldade, estamos empenhados em encontrar os melhores técnicos, com algumas atividades como o Unlimited Tech ou a parceria com o IEFP e CEPRA, no curso de aprendizagem de técnico de mecatrónica. É importante para o BMW Group Portugal dar continuidade a este trabalho, não apenas na atração de profissionais na área, como também no desenvolvimento das pessoas que integram a rede de concessionários e reparadores autorizados do BMW Group, através do percurso de formação inicial específico, onde garantimos que todos os novos colaboradores iniciam este percurso de 11 dias nos primeiros 3 meses de trabalho. Após o primeiro ano, todos os técnicos têm um plano de formação definido anualmente, em que os Técnicos Master e Sénior Master têm mais de 50 horas anuais. Este plano engloba não apenas 71

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BOAS PRÁTICAS

ELÉTRICOS FACILITAM FIDELIZAÇÃO DE CLIENTES Nos últimos anos, a BMW foi das marcas que mais apostou na eletrificação, quer com a criação da submarca “i” (com os i3 e i8… para já), quer com a multiplicação de modelos híbridos plug-in. O que obrigou, obviamente, à adaptação do seu serviço de após-venda. «As principais alterações necessárias para acompanhar essa tipologia de produtos foram os investimentos dos nossos parceiros da rede oficial nos equipamentos e ferramentas específicos de alta tensão e, essencial, em muitas horas de formação especializada na área técnica, segurança e certificação de técnicos para trabalhar, não só com os BMW i, como também com toda a nossa vasta gama de híbridos plug-in”, referiu Sérgio Leitão Gomes. “Além da área técnica foi necessário investir em horas de formação aos Consultores de Serviço e Gestores após-venda”. A tendência é para a massificação de elétricos e híbridos plug-in no mercado mas, para já, o diretor de após-venda do BMW Group Portugal não vê grandes riscos em termos da fidelização da clientela às oficinas da marca: «Na fase atual, globalmente é mais fácil fidelizar os clientes de veículos elétricos e híbridos à rede oficial, pela capacidade técnica das oficinas (formação, conhecimentos, tecnologia e equipamentos disponíveis). É certo que o mercado se adapta sempre à procura mas, por tudo o que disse atrás em termos de capacidades técnicas necessárias e investimentos para as adquirir, creio que durante bons anos essa situação se vá manter. Também não nos podemos esquecer de que o parque circulante existente de décadas não vai pura e simplesmente desaparecer, pelo que a atividade após-venda tem forçosamente de existir. Com o equilíbrio do “mix” do parque circulante e por exigência dos próprios clientes, a atividade após-venda irá diversificar a oferta de serviços com tudo aquilo que proporcione mais conveniência tempo/conforto aos clientes, para deixar de ser apenas manutenção ou reparação”.

formação de novos produtos como também formações avançadas adaptadas à sua função. Relativamente aos veículos elétricos/híbridos todos os concessionários e reparadores autorizados do BMW Group contam com uma equipa de técnicos certificados em alta tensão, contando com um percurso de formação inicial de 4 dias e uma renovação realizada a cada 2 anos, entre outras. Quais as linhas mestras para o sucesso de funcionamento de uma oficina? Satisfação de cliente, organização e monitorização e relação correta qualidade/preço. Qual a importância do layout oficinal? É vital para uma boa operação de após-venda funcionar de forma correta e com boa produtividade e eficiência. Um mau layout oficinal provoca distorções na organização e funcionalidade, dificulta a monitorização e leva a perdas de produtividade e eficiência que, no mínimo, dificultam a obtenção da correta relação qualidade/preço e, normalmente, têm reflexos negativos no resultado final para os clientes, pondo em causa a sua satisfação. Como olha para a peça equivalente? E para a reconstruída, nomeadamente as caixas de velocidades? Olho para uma peça equivalente como um concorrente. No entanto, apesar de a considerar concorrente, fica a dúvida se muitas das peças chamadas de “qualidade equivalente” têm efetivamente qualidade equivalente… Não chamamos peças reconstruídas, mas sim recondicionadas. Alguns clientes, dado o próprio nome das peças, olham-nas com alguma desconfiança. Contudo, por exemplo um motor, são totalmente recondicionados em fábrica, sob exatamente os mesmos padrões de qualidade do construtor e que oferecem o mesmo tipo de garantia que um motor saído da linha de montagem pela primeira vez. Este exemplo do motor é válido para qualquer outro tipo de peça.

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REPARAÇÃO

TÉCNICA VS. ECONOMIA

LIMITES NA REPARAÇÃO DE PLÁSTICOS Ao longo da vida fui descobrindo que existe sempre uma alternativa e, devido ao meu percurso profissional, reconheço que certos limites são estabelecidos pela economia. Existem limites na reparação de plásticos? A nível técnico não existem quaisquer limites; já a nível económico, sim! Texto Federico Carrera Salvador

N

o fabrico dos automóveis modernos é utilizada uma grande diversidade de materiais. Os plásticos ocupam um lugar importante. Esta tendência tem sofrido um crescimento paulatino, a tal ponto que um automóvel atual, de gama média, integra entre 100 a 200 kg do seu peso em plástico. Existem, inclusivamente, carroçarias integralmente deste material. Este uso massivo do plástico pela indústria automóvel deve-se às vantagens que a sua utilização aporta, destacando-se as seguintes:

• Custos de produção mais baixos. • Tipos e propriedades de material muito variáveis. • Redução do peso global do automóvel (veículos elétricos) e do consumo de combustível. • Resistência à corrosão. • Capacidade para absorver pequenos impactos. • Superfícies mais suaves e com maior possibilidade de integração, que melhoram o comportamento aerodinâmico do veículo. • Redução do ruído, etc.

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REPARAÇÃO Quando ocorrem danos em peças fabricadas com estes materiais terá de se proceder como com qualquer outra peça da carroçaria, analisando-se o custo da sua reparação e estudando se esta opção se revela economicamente rentável. Isto porque, do ponto de vista técnico, podem ser reparadas sem grandes dificuldades, utilizando os equipamentos, produtos e processos adequados. Os fabricantes indicam diretamente o material com que cada peça é feita, pelo que bastará localizar e interpretar o código correspondente. Para a soldadura de materiais plásticos existem diferentes técnicas: ultrassons, fricção, vibração, laser, nitrogénio, ar quente... As duas últimas são as mais utilizadas nas operações de reparação de uma oficina. Uma novidade é a técnica de soldadura de grampos térmicos. Consiste em colocar o grampo na tocha de soldadura. Após pressionar o interruptor, o grampo eleva a sua temperatura, o que permite a fusão do plástico e, através de uma ligeira pressão, introduz-se com facilidade na peça a reparar. 74

Reconstrução de uma carenagem de moto


Com o aparecimento destes novos equipamentos de soldadura, agiliza-se o trabalho, reduzindo os tempos e aumentando a qualidade final. Existem determinados materiais plásticos que não podem ser reparados através de soldadura. Isto deve-se às suas características próprias, como no caso dos termoestáveis, ou às cargas de reforço adicionadas aos termoplásticos para melhorar as suas propriedades mecânicas e reduzir a sua espessura; assim como à existência de diferentes ligas. Esta circunstância não implica que quando uma peça com estas características esteja danificada se deva proceder sistematicamente à substi75

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REPARAÇÃO QUEBRA E DEFORMAÇÃO DO TEJADILHO DE UM TRATOR SAME COM FORMAS, ARESTAS E CONFIGURAÇÃO FECHADA

TEJADILHO NOVO TEMPO DE REPARAÇÃO CUSTO DA REPARAÇÃO * POUPANÇA TOTAL

1200 € 155 MINUTOS 186,42€ 1013,58 €

* inclui mão de obra e materiais, sem pintura

FAROL DE TOYOTA C-HR, COM DUAS PATILHAS DE FIXAÇÃO PARTIDAS

FAROL NOVO TEMPO DE REPARAÇÃO CUSTO DE REPARAÇÃO POUPANÇA TOTAL

1762,69 € 20 MINUTOS 21,02 € 1741,67 €

* Inclui mão de obra e materiais, sem pintura

tuição, mas que terão de ser utilizadas técnicas e materiais apropriados para a sua recuperação. Em traços gerais, o método consiste na aplicação de adesivos e cargas de reforço. A escolha correta dos produtos e das técnicas de reparação dependerão, fundamentalmente, do tipo de material e do dano a reparar. Um dos danos mais habituais em peças plásticas são as deformações. Estas ocorrem devido à alteração no seu tamanho ou forma devido aos esforços internos que as forças aplicadas produzem. A deformação pode ocorrer através de vários modos e direções; além disso, poderá provocar distorções na forma do plástico. A reparação destas deformações baseia-se na aplicação de calor sobre toda a área danificada, sem atingir a fusão do plástico, aplicando pressão

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no sentido oposto até recuperar a forma original. ANÁLISE TÉCNICA E ECONÓMICA DAS REPARAÇÕES A reparação de plásticos é uma atividade bastante representativa da CESVIMAP. Após uma infinidade de reparações em diferentes peças plásticas, podem destacar-se estas conclusões:

Existem limites na reparação de plásticos? A nível técnico, não; a nível económico, sim 76

• Para realizar corretamente as reparações em peças plásticas não é necessário muito equipamento. Os produtos utilizados baseiam-se em adesivos de dois componentes. • As operações de reparação em peças deformadas de configuração fechada requerem mais tempo, dado que não é possível intervir pelo lado oposto à deformação e é necessário efetuar desmontagens.


PAINEL DE PORTA DIANTEIRA DIREITA COM DEFORMAÇÕES E FISSURAS DE BMW I3

PAINEL NOVO TEMPO DE REPARAÇÃO CUSTO DA REPARAÇÃO POUPANÇA TOTAL

82,99 € 50 MINUTOS 43,55€ 39,44 €

* Inclui mão de obra e materiais, sem pintura

Resíduos plásticos

• Na reparação de peças deformadas com espessuras reduzidas, o calor aplicado deve ser controlado para impedir a retração ou fusão do plástico. Tal implicaria a inutilização da peça. • As deformações ou ruturas em zonas com formas e geometrias sobrepostas a outras revelam-se mais trabalhosas, podendo ser difícil conseguir o ajuste final. • Os plásticos com cargas de talco, material que facilita a desmoldagem e permite a poupança de custos no fabrico, reduzem o seu limite elástico. Provoca o aparecimento de fissuras internas que, por vezes, ficam ocultas e surgem quando se aplica calor na cabina de pintura. • As reparações realizadas em peças termoplásticas com cargas de fibra de vidro que ultrapassem os 30% debilitam a resistência final da soldadura. A alternativa é a utilização de adesivos. • As peças com falta de material, como patilhas, não diminuem a sua resistência, sempre que forem aplicados os critérios de reparação adequados a cada zona e seja tida em consideração a resistência que a peça terá de suportar. • É importante analisar o custo de reparação relativamente ao valor da peça nova. Em determinados casos, é mais dispendioso do que a peça. • A nível técnico, é possível realizar reconstruções de peças quando estas não existem, não é fornecida uma peça de substituição, a peça fica demasiado cara ou está fixa à carroçaria, etc. Nos três exemplos que acompanham este artigo demonstra-se que o limite é estabelecido pelo valor económico

da peça. Tecnicamente, aplicando as técnicas e os meios adequados a cada dano, obtém-se uma reparação de elevada qualidade. No exemplo do painel da porta dianteira do BMW i3, é evidente que a reparação não se revela rentável, dado que ao custo da reparação teria de se acrescentar o do processo de pintura, que elevaria a quantia ligeiramente acima do valor da peça nova. O elevado volume de materiais plásticos num automóvel atual representa um potencial para as oficinas de reparação e uma oportunidade de negócio adicional. Além disso, a reparação de plásticos tem como vantagem adicional a sua contribuição para a preservação do ambiente, pois reduz o volume de resíduos. 77

PARA SABER MAIS ÁREA DE CARROÇARIA CARROCERIA@ CESVIMAP.COM REPARAÇÃO DE CARROÇARIAS DE AUTOMÓVEIS. CESVIMAP WWW.REVISTACESVIMAP.COM @REVISTACESVIMAP

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REPARAÇÃO

LÂMPADAS DE TRABALHO

ALIADAS IMPRESCINDÍVEIS Numa oficina é crucial ver com muita clareza todos os componentes em que se está a trabalhar. E como a luz natural raramente abunda, as lâmpadas de trabalho são ferramentas imprescindíveis! Saiba como escolher as mais indicadas Texto Ana Martín Ruiz-Moyano

C

ontar com uma boa iluminação é fundamental para realizar qualquer atividade, ainda mais nas oficinas mecânicas, onde a precisão é fundamental em qualquer operação. Embora a luz natural seja a mais adequada para evitar a fadiga visual, a sua disponibilidade nos estabelecimentos de reparação de veículos é limitada. Além disso, também tem as suas limitações, visto que não chega onde as lâmpadas de trabalho conseguem chegar. Estas ferramentas facilitam o trabalho diário dos profissionais de reparação e manutenção de veículos, ajudando-os a ser mais produtivos e eficientes. Uma boa iluminação é decisiva em qualquer local de trabalho. É tão importante que existe uma regulamentação específica para evitar riscos de segurança e de saúde dos trabalhadores. No caso das oficinas, devido à natureza dos equipamentos que são manuseados e das condições de trabalho específicas em relação aos veículos, há que prestar maior atenção a este aspeto. Efetuar qualquer operação de reparação ou manutenção num veículo exige ótimas condições de visibilidade: aquelas que garantam a máxima precisão. Não é por acaso que uma intervenção efetuada com uma iluminação fraca incide tanto na segurança do profissional que a realiza como na do veículo, e até na conta de resultados da própria oficina.

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Em primeiro lugar, o profissional que realiza uma reparação com má iluminação sujeita-se a sofrer um acidente inesperado e põe em risco a própria qualidade da sua intervenção. Por outro lado, a execução inadequada de uma operação na oficina pode comprometer a integridade do veículo e, inclusivamente, a dos seus ocupantes, uma vez entregue. De igual modo, uma operação realizada com iluminação escassa incide diretamente na produtividade: o profissional demorará mais tempo e poderá causar-lhe fadiga visual. Além disso, existe o risco de não ser efetuada de forma ideal, com o consequente perigo de erros que afetem a eficiência e impliquem um aumento dos custos de intervenção. LÂMPADAS DE MÃO, UMA BOA SOLUÇÃO Ninguém duvida que a luz natural é a mais adequada para se poder efetuar qualquer trabalho, pois evita a fadiga visual. No entanto, a sua disponibilidade na oficina é limitada. Mas a luz natural também tem as suas limitações, visto que não consegue chegar onde chegam as ferramentas de iluminação especialmente concebidas para tal, como as lanternas compactas ou de bolso LED, as lâmpadas de inspeção e os sistemas de iluminação multidirecional. Atualmente, os profissionais contam com soluções de iluminação que se ajustam às suas necessidades, 78

O profissional que realiza uma reparação com má iluminação sujeita-se a sofrer um acidente


desde as lâmpadas de trabalho recarregáveis que lhes permitem ganhar em autonomia e, inclusivamente, as frontais, ou "headlamps", que facilitam ainda mais a liberdade de movimentos necessária num trabalho como o da oficina, como as desenvolvidas pela marca Philips, que a Lumileds fabrica e comercializa. Deste modo, este tipo de acessórios torna-se num aliado eficaz para qualquer profissional no seu dia-a-dia. Estas ferramentas facilitam a visão em locais como fossos ou onde a iluminação de teto ou a luz natural não é suficiente. Também são eficazes para

intervenções nos veículos, no acesso a recantos onde outro tipo de iluminação não chega. ADAPTADAS ÀS NECESSIDADES DO PROFISSIONAL As oficinas contam atualmente com lâmpadas portáteis de trabalho, as quais tendo um design ergonómico, proporcionam o fornecimento extra de iluminação, necessário para a adequada reparação de veículos. Portáteis, com fios e, inclusivamente, híbridas: o reparador pode escolher a lâmpada que melhor se adapte às suas necessidades. 79

Neste sentido, a opção de iluminação "mãos-livres" permite ao profissional trabalhar de forma mais eficaz e com maior autonomia. Para isso, especialistas em lâmpadas profissionais, como a Philips, integram ganchos extraíveis, clipes ou ímanes de alta potência para evitar que a lâmpada acabe por se deslocar devido ao seu próprio peso e permitir que o técnico possa trabalhar com as duas mãos e, assim, melhorar o seu rendimento. De igual modo, algumas destas lâmpadas integram uma cabeça giratória que permite ajustar o ângulo e direção da luz segundo as necessidades concretas de cada intervenção.

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REPARAÇÃO

Quanto melhor é o LED, menos unidades são necessárias para proporcionar a mesma ou, até, mais iluminação Além disso, alguns modelos oferecem também um amplo feixe homogéneo de luz (mesma quantidade de luz em todo o feixe e não apenas concentrada na parte central) para iluminar grandes áreas de trabalho apesar de contarem com um tamanho reduzido. ESCOLHER A LÂMPADA ADEQUADA Para poder escolher a lâmpada de trabalho mais adequada, os profissionais devem ter em conta a sua capacidade de iluminação, expressa em lúmenes, que medem a quantidade de luz visível emitida em todas as direções, ou também em lux, que medem o fluxo luminoso em relação a uma superfície. No mercado podemos encontrar modelos de até 1000 lúmenes que proporcionam uma luz branca de alta qualidade. Inclusivamente, os modelos mais avançados, como as novas lâmpadas LED profissionais para oficinas, da marca Philips (RCH5S, RCH25 e PJH10), contam com uma função de atenuação para maior comodidade. Neste sentido, devemos considerar a denominada "temperatura de cor". Esta temperatura, que se mede em graus Kelvin (K), indica o tipo de luz que teremos. Desde 1000 K (luz amarela, ideal para ambientes cálidos em casa, não no trabalho) até 16.000 K (luz azul). A luz mais branca encontra-se entre os 4500 K e os 6500 K, um intervalo de temperatura que corresponde à luz de um dia solarengo e sem nuvens. Trabalhar com mais de 6500 K terá uma repercussão negativa no mecânico, visto que a luz acima desse intervalo gera fadiga visual e, consequentemente, dores de cabeça e mal-estar às pessoas que estão expostas à mesma durante um período prolongado, como pode ser um dia de trabalho. Da ampla oferta disponível para o profissional da oficina, a tecnologia que

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melhor rendimento lumínico oferece é a LED (do inglês “light emitting diode”). Mas, nem todos os LED são iguais: quanto melhor é o LED, menos unidades são necessárias para proporcionar a mesma ou, inclusivamente, mais iluminação, algo que apenas as lâmpadas de fabricantes de qualidade comprovada podem proporcionar. RESISTÊNCIA E PROTEÇÃO As lâmpadas de inspeção permitem aceder aos espaços mais reduzidos, para que o mecânico, perante qualquer revisão ou reparação, conte sempre com ótima visibilidade. De igual modo, uma lâmpada de trabalho adequada re80

velará uma grande resistência, e estará perfeitamente protegida contra a água, o pó e qualquer sujidade ou agente externo ao qual, de forma natural, esteja exposta num ambiente de trabalho como o da oficina. Além disso, este tipo de dispositivos tem de contar com carcaças duradouras, resistentes a pancadas e impactos, que garantam a sua integridade. Desta forma, além da capacidade de iluminação, no momento de escolher uma lâmpada de trabalho devemos ter também em conta outros fatores, como a autonomia ou a vida útil da bateria (no caso das recarregáveis), assim como a sua proteção contra impactos


ou em relação ao contacto com fluidos. Neste sentido, é importante prestar atenção à informação que nos oferece a sua classificação IP, sistema que permite classificar os diferentes graus de proteção contra a humidade ou pó, o que permite avaliar como e onde podemos utilizar estas lâmpadas sem qualquer risco para a integridade das mesmas e para a nossa segurança. Este código é constituído pelas letras "IP" e dois dígitos. O primeiro dígito (de 0 a 6, sendo 0 o mais baixo) indica-nos o grau de proteção contra elementos sólidos (pó e outros corpos estranhos), e o segundo (de 0 a 9), o grau de proteção contra a água. Entretanto, a resistência contra pancadas é estabelecida pelos códigos IK, que indicam o grau de proteção contra impactos. É constituído pelas letras "IK" seguidas de dois dígitos, de 00 a 10 (de menor a maior proteção). Por exemplo, um grau de proteção IK 07 suportará um impacto de uma peça arredondada de poliamida ou de aço com 500 g que caia de uma altura de 0,4 m. No entanto, um código IK 09 eleva essa proteção perante a queda de um objeto de 5 kg desde uma altura de 200 mm. De igual modo, estas lâmpadas integram baterias recarregáveis que permitem uma ampla gama de autonomias. De facto, alguns modelos permitem trabalhar todo o dia sem interrupção e que a recarga ocorra à noite, para que a sua utilização possa ocorrer sem problemas no dia seguinte. LÂMPADAS LED A última geração de lâmpadas LED profissionais Philips (RCH5S, RCH25 e PJH10) para oficinas, desenvolvida pela Lumileds, conta com uma função exclusiva de atenuação para proporcionar maior comodidade ao trabalhar, sendo lâmpadas mais resistentes à água e aos impactos. Concebidas para ambientes exigentes em conformidade com a norma IK09, estas lâmpadas estão revestidas com borracha para proporcionar proteção adicional à sua robusta carcaça. Os seus LED têm uma temperatura de cor de 6000 K e produzem luz branca natural e cómoda para a vista, o que evita esforços oculares e fadiga. Os modelos Philips RCH5S e RCH25 também dispõem de um potente ponteiro para distribuir a luz para onde for necessário. 81

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NOTÍCIAS

PNE U S

Bridgestone equipa BMW X5, 8 e 3

M I C HE L I N T R ACK CONNE CT

Aposta na conectividade em pista O primeiro pneu conectado da Michelin, Track Connect, já está em comercialização no mercado nacional, destinando-se aos condutores que apreciam experiências em "trackdays". Desenvolvida com base na tecnologia utilizada em competição, esta solução oferece aconselhamento e informação personalizada aos condutores para ajustarem a pressão dos pneus de forma adequada, em função das condições do circuito para melhorar a performance. O sistema funciona graças à aplicação ‘Michelin Track Connect’, que o condutor pode instalar no smartphone, e aos sensores instalados no interior dos pneus

que recebem e enviam a informação para um recetor colocado no interior do veículo. Aquele dispositivo transmite a informação à aplicação, a qual indicará a pressão recomendada antes da saída para a pista, em função do pneu e das condições do circuito (seco, húmido ou molhado). Durante a condução, o sistema mede a pressão e a temperatura de cada pneu em tempo real. Após cada sessão, o condutor recebe um relatório pormenorizado com os dados acumulados. A aplicação é compatível com os Michelin Pilot Sport Cup2 Connect, desenvolvidos exclusivamente para esta oferta, com 18 medidas para jantes de 18 a 21".

GOODYEAR C100 PARA PROTÓTIPO DA CITROËN A Goodyear desenvolveu o protótipo de pneu C100 para o veículo autónomo, conectado e elétrico 19_19 da Citroën, concebido para comemorar o centenário da marca francesa. O pneumático protótipo C100 da Goodyear tem estética que combina com o design do 19_19 e quase um metro de diâmetro contra os 60 cm dos pneus médios tradicionais. Esta dimensão permite melhorar a eficiência, o conforto e a performance, com impactos favoráveis ao nível da resistência ao rolamento, do aumento da eficiência energética, da autonomia

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e do desempenho em piso melhorado. O desenho do piso personalizado, que inclui quase mais cem blocos na banda de rolamento que um pneu convencional, garante condução mais silenciosa. O composto é inspirado nas caraterísticas de uma esponja, oferecendo a capacidade de endurecer em seco ou amaciar em molhado, melhorarando o comportamento, a aderência e a travagem. Também foi concedido para utilizar tecnologia avançada de sensores para ler a superfície da estrada e as condições meteorológicas. 82

As novas versões das séries X5, 8 e 3 da BMW vêm equipadas de origem com pneus Bridgestone com tecnologia ‘run-flat. O BMW X5 é proposto com pneus nas medidas de 18” a 21”, o Alenza 001 como pneu de verão e o Blizzak LM001 como pneu de inverno. Para a nova Série 8, a BMW aprovou, os pneus Turanza T005 e Potenza S007. Por sua vez, para a nova Série 3, a marca alemã recomenda o LS100A para todas as estações, enquanto o Turanza T005 e o Blizzak LM001 foram selecionados para verão e inverno, respetivamente.

Grupo Beirauto reforça oferta A Beirauto e a Mondegopeças passaram a disponibilizar diversas medidas das marcas Bridgestone (segmento "premium"), Firestone e Seibeirling (ambas do segmento "budget"), que permitem ao Grupo Beirauto oferecer um vasto portefólio de pneus de qualidade excecional para ligeiros, 4x4, SUV e comerciais.


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Turbo Oficina 79  

Esta é a edição de Maio/junho da sua Revista Turbo Oficina, que pode agora ler online.

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