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destas soluções acarreta foi o que a TURBO OFICINA procurou saber junto dos players do aftermarket nacional, seja no domínio da venda de peças, do comércio de equipamentos ou na reparação automóvel. DEPRESSA E BEM É no comércio de peças auto que a rapidez do serviço, concretizada na periodicidade das entregas, e o conhecimento do produto, para a sua fácil e rápida identificação, são faces mais visíveis do negócio. Isso mesmo nos refere Miguel Melo, administrador da MCoutinho Peças, empresa que se define como uma

“One Stop Shop” onde oficina, reparador ou retalhista podem encontrar todas as peças de que necessitam, independentemente do modelo em que possam estar a trabalhar. Para este gestor, perante os desafios da cobertura generalizada, uma das mais-valias da empresa é o seu call center, onde mais de 26 operadores especializados garantem que as peças sejam as mais indicadas para as necessidades de cada cliente. Os recursos humanos são, para o administrador, cruciais para o sucesso, pois apenas as empresas que “invistam nos seus recursos humanos, em formação e tecnologia conseguirão acomodar-se a um negócio que se espera ainda mais dinâmico no futuro”. Com um modelo de negócio idêntico, ao identificar-se como uma “One Stop Shop”, a Krautli Portugal também aposta na oferta multimarca para ser um fornecedor global do aftermarket, como refere Carlos Silva, seu Diretor de Vendas e Marketing, que reconhece que esta opção traz à empresa “uma maior escala” e uma maior “presença junto dos parceiros de negócio” face a um especialista, o que, na sua opinião, faz da “Krautli Portugal um fornecedor de referência no setor do aftermarket”. Ainda assim, enveredar pelo caminho da generalização não é isento de riscos e Carlos Silva aponta, desde logo, a perda de especialização nas diferentes categorias de produtos. “A necessidade de gestão de uma vasta carteira de portefólios de produtos pode implicar uma baixa focalização da empresa na distribuição das marcas que comercializa”, algo que, na sua opinião, se combate com “uma estratégia eficiente do negócio, com muito rigor em todas as variáveis”. O esforço financeiro “elevadíssimo” para garantir stocks de produtos suficientes para as encomendas, e, assim, prazos de entrega “no mesmo dia”, é outro dos desafios que as empresas generalistas têm de enfrentar e que traz consigo “uma rentabilidade cada vez mais reduzida”. Por isso este gestor aponta a escolha de “equipas de elevado desempenho” como uma das formas de as empresas enfrentarem os desafios existentes no contexto atual e futuro do negócio. Já para Carlos Gonçalves, CEO da Filourém, é o leque alargado da oferta das empresas generalistas que garantirá, com o trabalho e o empenho dos seus colaboradores, o crescimento e consolidação no mercado. Ainda assim, e apesar de a Filourém “apostar em marcas e produtos de qualidade de cariz generalista” para ir “ao encontro do perfil da maioria dos retalhistas a operar no nosso país”, Carlos Gonçalves vê alguma vantagem na especialização, mormente o tratamento mais “especializado” de algumas das marcas automóveis com que operam, o que influencia a gestão de stocks.

GERIR STOCKS DE BAIXA ROTATIVIDADE É UM DOS GRANDES DESAFIOS PARA OS ESPECIALISTAS Rui Pinto, responsável da Peças Land Rover, especializada no comércio de peças para esta marca, aborda também as diferenças impostas ao nível do stock: “O facto de nos especializarmos obriga-nos a armazenar referências de baixa rotatividade, o que implica uma gestão de stocks cuidada e muito rigorosa”. Trabalharem apenas com uma marca obriga a que esta empresa tenha uma vasta gama de produtos para alcançar “crescimentos razoáveis”, que seriam facilitados, na opinião de Rui Pinto, se comercializasse “apenas peças de elevado consumo de várias marcas automóveis”. No entanto, a experiência acumulada é, para Rui Pinto, “uma vantagem evidente”, pois o profundo conhecimento da marca e dos veículos confere-lhes uma “capacidade de resposta superior para com os clientes comparativamente a uma empresa ‘multimarca’”. É também na capacidade de resposta aos clientes que aposta a Merpeças. Esta empresa que se especializou no comércio de peças para veículos Mercedes “devido ao nosso histórico profissional”, como refere Pedro Sardinha, um dos seus responsáveis - aponta ainda a rapidez na resposta como fator de sucesso face às generalistas, não deixando de referir a procura “constante” de soluções e fornecedores como o principal desafio do negócio, decorrente da necessidade de “acompanhar as novidades e inovações da marca”. Apesar disso, Pedro Sardinha considera que o futuro é das empresas especializadas, que têm um maior know-how do produto, o que poderá ser determinante junto do cliente. Tal opinião é apoiada por José Sequeira, sócio-gerente da Eurofiltros, especialista em soluções de filtragem. Este responsável menciona o know-how dos colaboradores e a otimização da logística como as principais vantagens da empresa “num mercado dominado por empresas generalistas que sabem um pouco de tudo, mas que, na realidade, não sabem muito de quase nada”. Apesar disso, a falta de “produtos para oferecer àqueles clientes que optam por centralizar as compras” é reconhecida como uma desvantagem face a estes. Quanto ao futuro, José Sequeira acredita que, caso se consiga superar a estagnação do mercado, a “especialização continuará a ser valorizada” e terá espaço para crescer.

MARÇO 2016

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TURBO OFICINA

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Turbo Oficina 46  
Turbo Oficina 46  

A edição de março da Turbo Oficina debruça-se sobre se deverá escolher uma atividade generalista ou especialista para o seu negócio e revela...

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