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PROTAGONISTA JOSÉ NUNES FALA DOS DESAFIOS E DO CRESCIMENTO DA ENI EM PORTUGAL PNEUS OBSERVATÓRIO DA ACAP FAZ RADIOGRAFIA DO SETOR

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PINTURA PROCESSOS DE POLIMENTO PARA UM RESULTADO BRILHANTE ESCOLHA DO CONSUMIDOR COMO FUNCIONA O SELO QUE PREMEIA AS EMPRESAS


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sumário N.º 33 | FEVEREIRO 2015

PROPRIEDADE E EDITORA TERRA DE LETRAS COMUNICAÇÃO UNIPESSOAL LDA NPC508735246 CAPITAL SOCIAL 5000 € CRC CASCAIS SEDE, REDAÇÃO, PUBLICIDADE E ADMINISTRAÇÃO AV. TOMÁS RIBEIRO 129, EDIFÍCIO QUINTA DO JAMOR, SALA 11, 2790-466 QUEIJAS TELEFONES 211 919 875/6/7/8 FAX 211 919 874 E-MAIL OFICINA@TURBO.PT DIRETOR CLÁUDIO DELICADO claudiodelicado@turbo.pt

dossier Ferramentas. P.37

REDAÇÃO PAULO HOMEM paulohomem@turbo.pt ANDRÉ BETTENCOURT RODRIGUES andrerodrigues@turbo.pt ANTÓNIO AMORIM antonioamorim@turbo.pt MIGUEL GOMES miguelgomes@turbo.pt RICARDO MACHADO ricardomachado@turbo.pt RESPONSÁVEL TÉCNICO MARCO ANTÓNIO marcoantonio@turbo.pt

Fique a par da oferta que o mercado tem em Portugal, mas também as opiniões dos responsáveis das empresas que estão no setor das ferramentas manuais. Trata-se de um mercado com muita concorrência e onde o preço é um fator importante.

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PROTAGONISTA

Made in Portugal... Renault Cacia. P.54 Garantias. P.58 Lean Academy. P.60 PME Excelência. P.62

José Nunes - eni - Sintética. P.6

DIRETORA COMERCIAL ANABELA MACHADO anabelamachado@turbo.pt EDITOR DE ARTE E INFOGRAFIA RICARDO SANTOS ricardosantos@turbo.pt PAGINAÇÃO LÍGIA PINTO ligiapinto@turbo.pt

REVISÃO

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Novidades do mercado. P.12

REPARAÇÃO

FOTOGRAFIA JOSÉ BISPO josebispo@turbo.pt SECRETARIADO DE REDAÇÃO SUZY MARTINS suzymartins@turbo.pt COLABORADORES FERNANDO CARVALHO MIGUEL ASCENSÃO PARCERIAS CENTRO ZARAGOZA CESVIMAP DEKRA 4FLEET TTT - TECHNICAL TRAINING TEAM IMPRESSÃO JORGE FERNANDES, LDA RUA QUINTA CONDE DE MASCARENHAS, 9 2820-652 CHARNECA DA CAPARICA DISTRIBUIÇÃO VASP-MLP, MEDIA LOGISTICS PARK, QUINTA DO GRANJAL-VENDA SECA 2739-511 AGUALVA CACÉM TEL. 214 337 000 contactcenter@vasp.pt GESTÃO DE ASSINATURAS VASP PREMIUM, TEL. 214 337 036, FAX 214 326 009, assinaturas@vasp.pt

Técnicas de polimento. P.64 Correias de distribuição. P.68 Reparação de turbos Melett. P.70 Manutenção Fiat 500L. P.72

ESPECIALISTA

Escolha do consumidor. P.22 Audatex. P.26 Infomecatrónica. P.28 Envio 24. P.30 MGM. P.32 Globalube. P.34 Motortec. P.36

8 PNEUS

Observatório CERP. P.74 Aguesport. P.78 SóPneus. P.80

4 RAIO X Comercial do Mês - Citroën Berlingo Electric. P.46 Renault Eolab. P.48 Radiografia Alfa Romeo 4C. P.52

O OPINIÃO

Consultório jurídico. P.82

TIRAGEM 10 000 EXEMPLARES REGISTO NA ERC COM O N.º 126 195 DEPÓSITO LEGAL N.º 342282/12 ISSN N.º 2182-5777 INTERDITA A REPRODUÇÃO, MESMO QUE PARCIAL, DE TEXTOS, FOTOGRAFIAS OU ILUSTRAÇÕES SOB QUAISQUER MEIOS E PARA QUAISQUER FINS, INCLUSIVE COMERCIAIS

ESTA EDIÇÃO É OFERECIDA PELOS NOSSOS ANUNCIANTES

MONROE SELO CAPA GATES RODAPÉ DE CAPA JAPANPARTS PÁGINA 5 FEBI PÁGINA 11 FUCHS PÁGINA 13 ALPINE PÁGINA 15

TRW PÁGINA 17 LIQUI MOLY PÁGINA 19 ALPINE PÁGINA 21 PETRONAS PÁGINA 23 CONTITECH PÁGINA 25 AUTODELTA PÁGINA 29

MOTORTEC PÁGINA 39 LUSILECTRA PÁGINA 43 SNA PÁGINA 45 TURBO OFICINA PNEUS PÁGINA 53 CARF PÁGINA 57 AUTOPROMOTEC PÁGINA 63

AMBIMOTORS PÁGINA 69 EXPOMECÂNICA PÁGINA 73 CERP PÁGINA 75 CESVIMAP PÁGINA 77 CENTRO ZARAGOZA PÁGINA 83 JAPANPARTS PÁGINA 84

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EDITORIAL Encontro de vontades

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odos os meses, ao longo destes quase três anos de Turbo Oficina, ouvimos, visitamos e entrevistamos muitos responsáveis de pequenas, médias e grandes empresas, mas também de multinacionais e associações. De um lado, os gestores que acumulam muitas responsabilidades, do outro os técnicos e profissionais das oficinas que têm em cima de si cada vez mais tarefas e mais exigentes. O que têm em comum? Uma necessidade. Os gestores lamentam o facto de visitarem pouco as oficinas por falta de tempo, acumulação de responsabilidades e uma série de assuntos que têm que tratar nas suas tarefas diárias. Nas oficinas queixam-se que só têm contacto com os comerciais das empresas e raramente com os responsáveis máximos pelo mercado. Ora, nem sempre é fácil identificar de forma tão clara uma necessidade mas, neste caso, ambas as partes estão de acordo. Partilha de informação, de conhecimento e algum convívio entre quem aplica as peças, componentes, lubrificantes, etc, e quem os fornece é fundamental. E o que uns têm a dizer aos outros é de extrema importância para o bom negócio de ambos. Ninguém faz um negócio sozinho e a partilha de experiências faz crescer o negócio. As boas práticas, que existem já, felizmente, em muitas empresas (e em muitos manuais da área) sugerem que se aumente esta partilha. É sempre bom não esquecer que em todos os negócios as pessoas gostam de se sentir apoiadas, incentivadas, envolvidas e de saberem que fazem parte de uma equipa. As boas práticas fortalecem os negócios e esta é uma boa prática que é urgente implementar (ou fortalecer) no setor. Os gestores e responsáveis das marcas devem investir algum do seu tempo semanal em visitas aos clientes; os clientes, em especial oficinas, devem investir algum do seu tempo em receber e partilhar experiências com estes responsáveis das marcas.

Os gestores gostavam de ir mais vezes às oficinas e na oficina gostavam de receber mais visitas de responsáveis das marcas. A necessidade está identificada, é tempo de agir

Cláudio Delicado DIRETOR claudiodelicado@turbo.pt

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José Nunes. “Não existe controlo de qualidade nos lubrificantes”

O responsável pela Sintética, distribuidor exclusivo da eni lubrificantes em Portugal, lamenta esta situação injusta e perigosa, além de alertar para vários aspetos como o problema ambiental criado pelos hipermercados, mas também pela utilização de biodiesel prejudicial a vários órgãos mecânicos do automóvel. Não tem dúvidas de a qualidade dos produtos eni vai ajudar a que a marca seja cada vez mais forte em Portugal. TEXTO CLÁUDIO DELICADO FOTOS JOSÉBISPO

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osé Nunes cumpre este ano 25 anos de carreira ligada aos lubrificantes e combustíveis. Conhece todas as vertentes do negócio. Formou a Sintética, mas trabalha como se fosse a filial portuguesa da eni lubrificantes, seguindo todas as regras, procedimentos e obrigações que a marca italiana coloca. Tem dado tudo pela marca, respeitada em Portugal, num mercado difícil pela concorrência, nem sempre correta, lamenta. É um crítico da falta de regras, da venda de lubrificantes em hipermercados, dos efeitos perniciosos do biodiesel nos lubrificantes e de alguma falta de valorização de um produto de alta tecnologia que é vital para os automóveis. É em Ovar, com a sua equipa, que desenha toda a estratégia da empresa e tem uma ligação especial à competição, onde a eni é muito forte. José Nunes gosta de saber o porquê das coisas e de ter opinião. Foi isso mesmo que nos provou em mais de uma hora e meia de conversa. A eni e a Galp vão fazer perfuração no off-shore alentejano para extração de

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petróleo. Que importância pode ter para a eni em Portugal? É um passo importante para o país. Os estudos mostram que há petróleo mas não mostram que volume existe nas jazidas. A perfuração é complexa e implica trabalhar em águas ultra-profundas entre 4 a 5 quilómetros de profundidade. Poucas companhias a nível mundial têm essa capacidade e a eni, além de ter a tecnologia, possui uma empresa que se chama Saipem, um gigante mundial que emprega 50 000 pessoas e que cuja filial em Portugal é uma das maiores empresas nacionais, que presta este tipo de serviços. Agora é preciso confirmar se há rentabilidade na exploração. Não influencia diretamente o negócio pelo qual somos responsáveis, que é os lubrificantes e os combustíveis para a competição, mas trará mais notoriedade à marca e ajudando no processo de afirmação da marca eni, após a transferência no setor dos combustíveis e lubrificantes da marca Agip para eni após o ano de 2008. Até porque a eni é uma das 20 maiores empresas do mundo e uma das 10 maiores petrolíferas.

Mesmo sem esses efeitos positivos, como correu o ano de 2014 para a Sintética? Correu bem e os nossos objetivos foram cumpridos. Apesar da dificuldade da cobrança, que é um problema que praticamente todas as empresas que não têm monopólio sofrem, foi um ano de crescimento, tanto em volume (toneladas) como em rentabilidade. Um dos desafios que tem atualmente em Portugal é a visibilidade da marca? É fundamental porque a própria estratégia da eni é de marca premium e dá muita importância à imagem e à notoriedade. Sendo uma empresa italiana aposta muito também no design na sua comunicação. E esse esforço de imagem é mais importante neste momento junto do consumidor final ou do profissional? Neste momento, junto do profissional. O lubrificante não é um produto de mercearia, é um produto hi-tech e, nesse sentido, tem que ser vendido e aplicado por profissionais. Embora também seja importante dar a conhecer ao público em geral e ao que gosta de desporto motorizado que a eni é a ex-


Agip. Neste momento, a nossa comunicação e o nosso esforço de marketing vai incidir principalmente na parceria com os nossos clientes, ajudando-os a promover o negócio. Temos muito mais que um produto, porque oferecemos um pacote de soluções que trabalhamos com cada cliente sendo parceiros activos na dinâmica do seu negócio. A Sintética nasceu há 13 anos, em 2002. O que destacaria deste percurso que leva até aqui? Quando a Sintética foi formada o conhecimento do mercado já existia. Surge da necessidade de formar um projeto que fosse diferente no mercado e à semelhança do que fazia numa petrolífera onde trabalhei muitos anos. Hoje somos o reflexo do que a Fina tinha de melhor. Mas o grande input dá-se a partir de 2009, com a parceria institucional com a eni em que ficámos responsáveis pelo negócio da comercialização dos lubrificantes e nos combustíveis de competição. É um privilégio levar o nome da eni, mas também uma grande responsabilidade também que nos obriga a trabalhar como se fossemos a própria filial da

eni. Essa é a nossa postura. Estamos também a crescer em recursos humanos e estamos na fase final da certificação ISO 9001. A eni olha para o mercado ibérico como um mercado natural de presença direta e de expansão e quer ter outra dimensão. CONCORRÊNCIA O mercado de lubrificantes é um dos mais concorrenciais. Há espaço para tantas marcas em Portugal? Há players profissionais com uma estrutura comercial e técnica dedicada aos lubrificantes onde se incluem as companhias petrolíferas. Depois há centenas de empresas que vendem lubrificantes, marcas independentes ou marcas brancas e fazem-no, em muitos casos, como elemento acessório ao mercado das peças ou dos pneus. Nós pertencemos ao clube que vende de forma profissional porque quando vendemos um litro de lubrificante está implícita uma garantia de produto e um serviço após venda e neste campo não existem muitos players profissionais em Portugal. Existem também marcas independentes

A VENDA DO LUBRIFICANTE IMPLICA UMA GARANTIA E ISSO ESTÁ ASSOCIADO ÀS CARTAS DE APROVAÇÕES POR PARTE DOS CONSTRUTORES. O MERCADO PROFISSIONAL É AQUELE QUE COMERCIALIZA E QUE TEM AS APROVAÇÕES DOS FABRICANTES. que são também referência em qualidade e imagem, mas há uma infinidade de marcas que são as chamadas brancas que vendem um produto como sendo uma commodity. Uma marca que não tenha essa estrutura de produtor por trás não consegue vender também um produto de qualidade? A venda do lubrificante implica uma garantia que é confirmada por documentos chamados cartas de aprovações das OEMs. Estas são fornecidas pelos construtores de veículos que atestam a qualidade do mesmo, com FEVEREIRO 2015

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diversos ensaios normalizados, garantindo assim que em caso de problema mecânico durante o período da garantia do veículo seja feita a substituição do órgão danificado sem encargos para o proprietário. O mercado profissional é aquele que comercializa os lubrificantes, possuindo as ditas cartas de aprovações dos fabricantes. Existem cada vez mais marcas brancas, isso tem a ver com a crise também ou facilidade de acesso ao produto? Existem várias razões. Uma delas é que as companhias, de um modo geral, deixaram de vender diretamente aos profissionais, utilizando distribuidores cuja maior preocupação é fazer volume e não tanto a formação, a assistência técnica e a valorização do produto. A outra é que é possível adquirir lubrificantes fornecidos por companhias petrolíferas ou fabricantes independentes que não cumprem com os requisitos mencionados acima e comercializar com marca própria. Não existe um organismo europeu ou nacional que faça o controlo da qualidade dos lubrificantes e esse é um grave problema do meu ponto de vista. Pelo contrário, nos Estados Unidos são muito rigorosos nesse aspeto. Há multas para as empresas que adulteram ou não cumprem os requisitos. Esse tipo de vigilância infelizmente não existe na Europa. É uma lacuna que permite a comercialização de uma quantidade enorme de produtos sem uma garantia de qualidade. Até hipermercados vendem lubrificantes com a sua própria marca. A eni em nenhuma parte do mundo vende neste segmento. Acaba por haver aqui também uma concorrência desleal? Do ponto de vista da qualidade e de segurança, sim. É um produto muito importante na saúde das máquinas e equipamentos. Deviam existir organismos independentes para validar o que está escrito nas embalagens dos lubrificantes, aplicando coimas quando estes não cumprem com os requisitos mencionados. O consumidor final devia saber que quando paga uma fatura dum lubrificante, seja onde for, este devia ter as aprovações do fabricante e assim ter garantia em caso de haver algum problema mecânico. As oficinas estão alerta para essas situações? De modo geral, sim. Já existe essa consciência. Temos também feito o nosso trabalho ao longo dos anos a este respeito. Hoje muitos profissionais que estão nas oficinas têm formação técnica adequada, tendo elevada exigência e buscando a excelência no seu serviço ao cliente. Isso não significa que não existam oficinas ou empresários que pensem primeiro noutros fatores, como o preço em detrimento da qualidade. Esse é hoje um fator essencial? É, e as companhias petrolíferas hoje em dia já fornecem um produto premium a um

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EM JUNHO FOI INAUGURADA EM VENEZA A PRIMEIRA REFINARIA VERDE DO MUNDO EM QUE A MATÉRIA-PRIMA DEIXOU DE SER PETRÓLEO E PASSOU A SER PRODUTOS DE ORIGEM ORGÂNICA. ESTES BIOCOMBUSTÍVEIS JÁ ESTÃO A SER COMERCIALIZADOS E ESPERAMOS TAMBÉM QUE CHEGUEM CÁ EM BREVE preço muito competitivo. Não há justificação para que a oficina e o consumidor final estejam a pagar um determinado preço por um produto duvidoso. Não vale o risco, até porque as tecnologias das viaturas mudaram muito, como por exemplo os novos sistemas de pós-tratamento dos gases de escape. São componentes muito caros e que são danificados se são utilizados lubrificantes sem tecnologias Mid e Low SAPS.

O fator qualidade é hoje mais valorizado? Sem dúvida. Ficamos felizes, porque há décadas que esse é um dos nossos objetivos: promover a formação e o conhecimento para que empresas e pessoas se tornem mais capazes prestando um serviço de qualidade a um preço competitivo. As redes de oficinas são aliciantes para o negócio da eni?


PERFIL José Nunes é um homem dos lubrificantes e dos combustíveis. Apesar de ter tido outras atividades anteriores, como dar aulas no ciclo preparatório, começou o seu percurso profissional nesta área dos lubrificantes e combustíveis em 1990 com a Fina, que depois, em 1998, se fundiu com a Total e, em 2000, com a ELF. Em 2002 saiu e formou a Sintética. Ao longo destes anos, conheceu todos os ingredientes do negócio, desde a compra, a logística, o marketing, a competição, a comercialização, a formação técnica, a gestão de recursos humanos e a financeira. Tem formação académica na área da Tecnologia Mecânica, mas tornou-se especialista a partir do momento em que entrou para a Fina, onde recebeu formação internacional, o que o tornou um perito na área dos lubrificantes. Além disso, é autodidata e gosta muito de estudar e é também ser formador certificado. José Nunes tem 58 anos, é casado e tem três filhos.

Não temos nenhum contrato institucional para fornecimento de redes de oficinas em Portugal, mas fazemos uma separação clara destas. Existem redes que têm know-how tecnológico e trabalham com produtos de elevada qualidade e tecnologia, como é o caso dos Bosch Car Service. Privilegiamos clientes oficinais com esse nível de exigência técnica. No entanto, quando falamos de redes de serviços rápidos não tem sido nossa vontade fazer parcerias a esse nível. Privilegiamos oficinas com serviços globais de mecânica, sem tirar o mérito às redes de serviços rápidos. Que evolução tem visto nas oficinas nos últimos anos? Deram-se passos enormes na melhoria dos processos. As empresas em Portugal têm estado em grande mudança e a crise trouxe também boas notícias. Uma delas é a melhoria da competitividade. A banca de modo geral deixou de ser suporte financeiro para o negócio, que o fazia muitas vezes sem critério. O fornecedor deixou também de servir de financiador. O negócio tem que ser auto-sustentável e isso só se consegue com competências, qualidade e preços competitivos. A crise obrigou as oficinas a ajustar a sua metodologia no que diz respeito à gestão, tendo dado grandes passos na melhoria da sua eficácia. Neste momento em Portugal temos oficinas de elevadíssima qualidade. Estas oficinas independentes são do melhor que existe na Europa. Até porque cá, contrariamente a outros países europeus, a percentagem maior da manutenção automóvel não é feita nos serviços oficiais das marcas, mas sim nas oficinas independentes. Isto

significa que estas últimas têm que estar à altura do que os construtores exigem em termos de qualidade de serviço. HIPERMERCADOS NÃO CUMPREM Há cada vez mais superfícies comerciais não especializadas a vender lubrificantes. Que efeitos tem para o mercado? Não estamos de acordo com isso e dissemo-lo na presença de autoridades governamentais no 1º Congresso da Sogilub. O facto de se vender um lubrificante num supermercado contraria as preocupações e exigências ambientais. Isto sabe-se há muitos anos. Mas proibir não contraria a lei da concorrência? Mesmo que o governo não possa proibir a venda por essa razão, deve ser coerente com o que exige aos profissionais das oficinas. Nalguns países da Europa, o consumidor escolhe o lubrificante no supermercado mas compra uma senha e não leva o lubrificante. Com essa senha e com a viatura, dirige-se à estação de serviço do próprio hipermercado ou dentro da estrutura do mesmo e, pagando o custo da mão-de-obra pela mudança do óleo, faz o que eticamente deve ser feito. O óleo é mudado por um profissional, que dá seguimento ao óleo usado de forma correta do ponto de vista ambiental, cumprindo a lei. Às oficinas é exigido que preencha um mapa - enviado anualmente para a Agência Portuguesa do Ambiente -, que separe os resíduos segundo a sua tipologia, ter bacias de retenção para o óleo, pagar a recolha destes resíduos (excepto o óleo usado), etc. São custos ambientais pesados e multas elevadas quando falham no cumprimento destes requisitos. Ao hipermercado não é pedida nenhuma responsabilidade e ninguém controla o destino final. Devia ser igual para todos. Um litro de óleo usado contamina uma albufeira com um milhão de litros de água potável. O óleo usado é perigoso para o ambiente e pode provocar o cancro se em contacto regular com a pele. O Governo devia ter outra atitude quanto a este tema. É possível quantificar a quantidade de óleo que não é tratado? Efetivamente ninguém sabe a real dimensão deste problema ambiental. Nem sequer sabemos ao certo o número de toneladas de lubrificantes que são vendidos em Portugal. Há quem comercialize lubrificantes sem pagar impostos tais como o IVA, ISP, Ponto Verde ou a declaração à Sogilub, que é uma entidade gestora de óleos usados. É dinheiro que não entra nos cofres do Estado. As Alfândegas, quando existe uma denúncia, atuam, mas não tenho observado por parte desta e por sua própria iniciativa acções de fiscalização no terreno. A entrada por meio terrestre é fácil e sem controlo alfandegário. Não se sabe quanto é que representam esses lubrificantes que são comercializados de forma ilegal.

DE CORPO INTEIRO

É um apaixonado por automóveis? Tenho obrigações profissionais de conhecer não só o produto que comercializamos, mas também os motores e as máquinas. As corridas trazem emoção, mas têm que estar associadas à tecnologia. Visita com regularidade as oficinas? Visito hoje com menos regularidade as oficinas, por todas as responsabilidades que tenho. No entanto, tenho um calendário estabelecido em que duas semanas de cada mês são dedicadas ao acompanhamento dos meus colegas nas visitas aos nossos clientes. Quantos quilómetros faz por ano? Depende. Houve um ano que cheguei aos 60 mil. Este ano estarei mais abaixo. É uma pessoa de decisão fácil? Sim, quando tenho a informação detalhada. A eficiência dos nossos processos e a rentabilidade do nosso negócio está dependente da rapidez das decisões e estas têm que ser bem fundamentadas. Costuma decidir sozinho? Gosto sempre de ouvir os outros, sejam clientes ou colegas. No entanto, há decisões que dependem exclusivamente de mim, principalmente de carácter financeiro e de risco. É viciado no trabalho? Desligo-me com dificuldade do trabalho. Não direi viciado mas sou um workaholic, pelo número de horas de trabalho. Mas essas estão relacionadas com as responsabilidades que assumo. Consegue ter uma rotina ou cada dia é diferente do anterior? Tenho uma rotina diária fazendo coisas diferentes todos os dias. As minhas funções têm muitas implicações, comerciais, técnicas, de gestão, financeiras ou de formação. Dou à empresa a visão e isso obriga-me a fazer coisas muito diferentes. O que gosta de fazer nos tempos livres? Gosto de estar com a minha família e amigos. Vivo perto do mar e gosto muito de praia, desportos ao ar livre e saborear a natureza. Gosto de ler, mas quase todos os livros são técnicos. O que mais aprecia num colaborador? Hoje um profissional tem que ter muitas competências, não só de conhecimentos como de carácter, ser pró-activo e perspicaz. Hoje qualquer profissional tem que ser muito completo.

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BIODIESEL PREJUDICIAL Hoje os motores consomem, de facto, menos quantidade de óleo? Sim e não. Sim, porque os lubrificantes são cada vez mais sofisticados em termos tecnológicos. Em circunstâncias normais podem ser usados durante mais tempo. Mas não, porque a introdução do biodiesel veio trazer uma nova realidade a todos os motores movidos a gasóleo. O biodiesel que é misturado no gasóleo convencional leva a uma deterioração prematura do próprio lubrificante (a percentagem mínima obrigatória segundo a legislação europeia é de 7 %). Em teoria, um lubrificante podia fazer 30 mil quilómetros, mas hoje isso normalmente não é possível. Por isso é que em carros novos que façam apenas trajeto citadino, o intervalo de mudança de óleo muitas vezes é inferior a metade do que é recomendado pelo construtor. Qual é o efeito que estes biocombustíveis têm uma vez que são, eles próprios, uma imposição da União Europeia? É um tema muito caro à eni, porque é pioneira a nível mundial em novos combustíveis de origem bio e que não têm este efeito negativo do biodiesel convencional. Há vários tipos de biodiesel, 1ª, 2ª e 3ª geração. O que é usado neste momento em Portugal é o de 1ª geração, que é óleo vegetal ao qual se faz uma operação chamada “transesterificação” em que se retira grande parte da glicerina, mas não toda. O biodiesel misturado no diesel convencional pode produzir na queima dentro do motor lamas e vernizes devido à existência de ainda alguma restante glicerina presente na sua composição que juntamente com o ácido sulfúrico fruto da reação química entre o enxofre do gasóleo convencional e o vapor de água formado dentro do motor, pode provocar danos ao motor, aos turbos e aos

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sistemas de pós-tratamento. Isso diminui significativamente o número de quilómetros que era inicialmente suposto fazer com o lubrificante. Por outro lado, estes sistemas de pós-tratamento, em especial no diesel, obrigam a que se faça a regeneração do filtro de partículas, mas para isso se processe é necessário que se cumpram algumas condições. A unidade eletrónica de comando ao enviar a informação para que se faça a regeneração é necessária uma velocidade e um tempo mínimo de condução para a concretização desta operação. Caso isso não aconteça o sistema de injeção diesel continua a enviar ciclicamente combustível para dentro do motor que ao não ser queimado dilui o lubrificante. Assim vai aparecer no cárter mais 10, 20, 30% de um volume que é uma mistura de lubrificante, combustível, partículas metálicas e poeiras. Algumas marcas criaram na vareta do óleo, três níveis: mínimo, máximo e limite aceitável. É um assunto muito atual e de alguma complexidade. Como é que se contorna essa questão? A eni desenvolveu um novo biocombustível chamado Green Diesel com tecnologia própria chamada Ecofining, o qual não tem glicerina. Os construtores de motores só dão garantia aos motores diesel com incorporação máxima de 7% de biodiesel, mas devido às metas europeias conhecidas como 20-2020 é obrigatório, até 2020, que tenha que cumprir o mínimo de 10% de incorporação. Se os fabricantes dos motores deixam de dar garantia, tem que se usar um novo tipo de combustível. Em junho foi inaugurada a primeira refinaria do mundo localizada em Veneza, em que a matéria-prima deixou de ser petróleo e passaram a ser produtos de origem vegetal não da cadeia alimentar, matéria orgânica florestal e num futuro breve algas do Egipto. Isto é fruto de uma enorme

investigação por parte da eni, que permitiu desenvolver novos tipos de biocombustíveis líquidos e gasosos assim como lubrificantes e aditivos biodegradáveis. Este biocombustível, que permite a sua incorporação até 100%, possui um índice de cetano entre 70 a 90 que é superior ao gasóleo convencional cujo valor varia entre os 50 a 55. Em que fase está? É produzido desde junho em Veneza e é patente da eni. Este produto está já a ser usado, principalmente em Itália e esperamos que chegue também a Portugal. Entretanto foi iniciada a conversão de todo o complexo de refinação e petroquímica situada em Gela, na Sicília, para esta nova tecnologia verde. Tem apostado muito na área da formação. É o único caminho? Fizemos um protocolo com o CEPRA e também com Institutos de Ensino Superior para partilhar informação privilegiada. Estamos a ajudar na formação dos futuros profissionais. Este ano vamos ter prémios para os formandos destas instituições, cujos melhores alunos finalistas terão direito a ir a um centro de investigação da eni no estrangeiro e a ir a uma das competições internacionais em que a eni está envolvida. Para dar essa formação os vendedores também precisam de formação… Por isso mesmo, no ano passado começamos um curso para formar técnicos comerciais em lubrificantes, ministrado pelo nosso departamento técnico. Um curso de três anos que não atribui um grau académico mas é certificado na DGERT. Abordamos todos os aspetos relacionados com os lubrificantes e os equipamentos onde estes funcionam nos setores Auto, Moto e Indústria. O objetivo é formar técnicos comerciais e não apenas comerciais. O investimento na competição é uma aposta ganha para a notoriedade da marca? Sem dúvida. A eni afirma-se mundialmente e também em Portugal com produtos de excelência para a competição, tanto nos combustíveis como nos lubrificantes. Com a passagem da marca Agip para eni, a competição é um meio para comunicar que a Agip agora é eni, a afirmação da excelência dos produtos, permitindo também criar relações com actuais e novos clientes. Um dos negócios da Sintética passa também pela comercialização dos aditivos JLM. Que volume tem esta linha de produtos? A JLM tem um papel de complementaridade. Como conhecemos muito bem os sistemas de pós-tratamento, os lubrificantes e os combustíveis e sabendo que elementos como os filtros de partículas são fundamentais para o bom funcionamento da viatura, faz sentido que tenhamos soluções tecnológicas para a prevenção e manutenção destes sistemas que são cada vez mais técnicos.


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REVISÃO

A TIPS 4Y e a Haynespro nomearam a Infomecatrónica como distribuidor oficial do WokshopData (Ex-Vivid) para Portugal. Trata-se de mais um importante passo na relação técnica que a TIPS 4Y e a Infomecatrónica têm mantido durante os últimos anos.

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uando a TecDoc, TecCom e Audacon se fundem para criar a TecAlliance, surge a TecRMI com o objectivo de fornecer ao mercado do pós-venda automóvel informação de reparação e manutenção recebida directamente dos fabricantes automóveis. Esta informação, apresentada em formato uniformizado, pode ser integrada em sistemas de informação modernos (plataformas diversas). A insígnia TecAlliance veio corresponder a uma necessidade crescente que visa oferecer soluções agregadoras, porque conjugam diversos níveis de informação, mas únicas porque personalizáveis. E, não menos importante, assentes no rigor e qualidade de uma única fonte de informação, a original. Até à fusão da TecAlliance, a TIPS 4Y comercializava os produtos WorkshopData da Haynespro para oferecer uma solução de dados técnicos ao mercado independente. No entanto, desde a integração da TecRMI, com a sua própria plataforma de dados técnicos, a HaynesPro passa a concorrer diretamente com as suas soluções. Assim, a TIPS 4Y trabalhou em conjunto com a HaynesPro para nomear um novo distribuidor. Um dos principais critérios de seleção era a oferta de call center técnico, por forma a potenciar soluções agregadoras. A Infomecatrónica foi a empresa selecionada, tendo em conta este factor e a experiência acumulada na comercialização dos produtos HaynesPro. De facto, já em 2013, a TIPS 4Y desafiou a Infomecatrónica no lançamento conjunto do STREMA, que combina o programa HaynesPro com a linha de apoio técnico. “É com enorme orgulho e confiança que a TIPS 4Y anuncia a Infomecatrónica como o novo distribuidor da HaynesPro para Portugal”, concluiu Pedro Barros da TIPS 4Y.

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TIPS 4Y. Infomecatrónica é distribuidor oficial WorkshopData


RPL CLIMA. APRESENTA CATÁLOGO 2015

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RPL Clima já tem disponível para o mercado do aftermarket o novo Catálogo 2015 de climatização / ar condicionado. Tal como o de 2014, o novo catálogo da RPL Clima está dividido por separadores para uma melhor identificação e visualização das peças adequadas a cada tipo de veículos. Está ainda organizado por veículos ligeiros, furgões e miniautocarros, camiões, máquinas de obras e, por fim, máquinas agrícolas. O catálogo, que é oferecido aos clientes, tem sempre uma componente técnica associada, que é aliás uma área que a RPL Clima quer desenvolver ainda mais em 2015, apostando em mais formações técnicas. PUBLICIDADE

Launch Ibérica. Novo equipamento de diagnóstico X-431 PADII

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á está disponível o novo equipamento de diagnóstico X-431 PADII da Launch Ibérica. Esta novidade está preparada para o diagnóstico remoto graças à sua compatibilidade com o Golo (dispositivo e plataforma desenvolvida pela Launch que serve de rede social para proprietários, mecânicos e oficinas e que permite também obter mais informações sobre os automóveis). O novo equipamento utiliza um tablet Android de 10,1’’ a cores com câmara de fotos e vídeo dianteira e traseira, ligação à internet por wi-fi e um software que inclui as mais importantes marcas automóveis da Europa, Asia e América. Além de todas as potencialidades do software de diagnóstico Launch, a ligação à internet também permite o acesso a diversos serviços, entre os quais a procura de informações adicionais, informação

técnica online (Data LAUNCH), atualizações automáticas e a possibilidade de contacto com outras oficinas, fomentando a partilha de conhecimentos e colaboração entre profissionais.


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Pneus Oceano. Segunda oficina em Coimbra integrada na Newcar

D VALVOLINE. LANÇAMENTO DA GAMA MAXLIFE CVT

epois de ter inaugurado um centro multisserviço na zona de Taveiro, a Pneus Oceano volta a abrir um novo espaço, desta feita no centro de Coimbra. A aposta foi criar um centro que estivesse ainda mais perto de alguns cliente e que fosse mais urbano. A Pneus Oceano disponibiliza todos os serviços de pneus, mas a empresa apostou

também em serviços de mecânica rápida. Outra importante aposta, que também já tinha sido feita no posto de Taveiro, é que nesta instalações passa também a funcionar um centro da rede Newcar, onde são feitas substituições e reparações de vidro automóvel. A Pneus Oceano e a Newcar estão na Rua João de Ruão nº 19, no Arnado, em Coimbra.

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Krautli Portugal, Lda. representante da marca Valvoline apresenta o novo MaxLife CVT, fluido de transmissão para veículos ligeiros de passageiros e mercadorias, com caixa de velocidades do tipo CVT (Continuous Variable Transmission). No que diz respeito a aplicações, este fluido de transmissão foi especialmente concebido para veículos ligeiros europeus, asiáticos e americanos. Este produto não é adequado para unidades CVT de híbrido (Toyota e Ford) e não deve ser misturado com outros óleos de transmissão. O MaxLife CVT proporciona a máxima proteção e lubrificação, num amplo intervalo de temperatura e está disponível em unidades de 1 e 5 litros.

GATES. NOVA ORGANIZAÇÃO NA GESTÃO DO NEGÓCIO AUTOMOTIVE AFTERMARKET

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Gates anuncia a implementação de uma nova organização de gestão do seu negócio Automotive Aftermarket, com a criação de novas posições de direção sénior. Pierre Souletie (51 anos) substitui Peter Verdonkt como Vice President Automotive Aftermarket Sales and Marketing EMEA (Europa, Médio Oriente e África). Juntou-se à Gates em 1996 na qualidade de Material Manager da fábrica francesa de correias de ventoinha em Nevers. O Regional Sales Manager Taco Homan aceitou o novo cargo de Regional Sales Director North. A sua nova posição conferelhe responsabilidades adicionais na área das vendas, que agora se estendem do Reino Unido até a Europa de Leste (incluindo os países de língua alemã e o Benelux). Patrice Piasentin, France Regional Sales Manager, assume agora o novo cargo de Regional Sales Director South. Irá gerir as vendas no Sul da Europa, países do

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Mediterrâneo, Turquia, Médio Oriente e Norte de África. Igor Graf, Sales Manager para a Rússia e os países da CEI, que se juntou à Gates em 2009, foi o arquiteto de um bem sucedido modelo de distribuição nos países da CEI. Torna-se assim Regional Commercial Manager para aqueles países..

AUTODATA. APRESENTA NOVO WEBSITE

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novo website da Autodata em Portugal já está online e destaca-se pelo o novo layout, agora com novas ilustrações e vídeos tutoriais sobre os produtos. A nova página web tem uma nova secção que integra conteúdos noticiosos e atualizações e adição de novas informações na base de dados técnicos para profissionais. A Autodata Online disponibiliza licenças de demonstração agora por um período mais alargado (15 dias) e com o serviço de Suporte Técnico (telefónico e/ou via email). As demonstrações podem ser solicitadas através do site. Existe ainda uma “área de loja” com uma oferta abrangente.Saiba mais em www.autodata.pt


Dispnal Pneus. Novos Nankang AS-2 e ECO+2

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Dispnal Pneus acaba de apresentar mais duas novidades ao nível dos pneus ligeiros da marca Nankang, com o lançamento dos novos pneus AS-2 e ECO+2 Neste novo AS-2 foi utilizado um software 3D no desenvolvimento do piso, bem como nos testes de simulação de forma a obter os melhores resultados possíveis, maximizando o escoamento de água e a resistência ao rolamento do pneu. O AS-2 dispõe de um piso desenvolvido para reduzir o nível de ruído e maximizar a rápida drenagem de água, já que os rasgos na parte lateral do pneu ajudam a reduzir a resistência ao rolamento. Disponível em jantes de 16 a 22 polegadas, com largura de piso de 195 a 285 mm nas séries 30 a 60, o AS-2 tem classificação E na economia de combustível e A / B em piso molhado. Quanto ao Econex ECO-2+, trata-se de um pneu certificado pela TÜV SÜD, sendo a Nankang o primeiro e único fabricante de pneus, em Taiwan, entre os poucos no mundo a obter o certificado TÜV. O teste TÜV SÜD realizado ao ECO-2+ contra três principais concorrentes europeus, mostra que este pneu tem um excelente desempenho, especialmente em condições molhadas, além de uma excelente economia de combustível. O Eco-2+ está disponível em jantes 14 a 19 polegadas, 165-245 mm de largura do piso, série 40 a 65, tendo obtido classifcações C e E na economia de combustível e B no piso molhado.


22 REVISÃO FOI NOTÍCIA QUE... … a rede de oficinas First Stop deu início, em exclusivo para Portugal, à comercialização da gama de pneus Dayton (pneus produzidos pela Bridgestone). O Dayton Touring será o cavalo de batalha, havendo a considerar também o Dayton D320 Evo. … a Comline deu a conhecer um conjunto de novas bombas de água, anunciando que foram adicionadas 21 novas opções ao catálogo da marca para estes equipamentos. … a ContiTech alargou a gama de kits de correias dentadas com bomba de água com 13 variantes adicionais, oferecendo agora 120 referências que conferem uma cobertura ainda mais ampla dos veículos no mercado. … a Motorbus é, desde o início do ano, distribuidor oficial da MAHLE, marca de componentes para motor, que disponibiliza uma gama abrangente de produtos de alta qualidade e a preços muito competitivos para veículos pesados. … a Rampauto é o novo aderente Auto Check Center em Lisboa, totalizando assim cerca de quatro dezenas de oficinas aderentes a esta rede. … a PRIO Energy passou a integrar o conjunto das companhias associadas globais da APETRO – Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas. ... a Fidelidade lançou o Plano Autoestima, o primeiro seguro automóvel de danos próprios pensado para carros com mais de 4 anos, que proporciona uma abrangente proteção aos carros e aos seus condutores. … a Pioneer anunciou o lançamento de cinco novos recetores para automóvel que permitem aos condutores um manuseamento rápido e intuitivo, com novas opções de integração, incluindo Android Auto. Os cinco novos modelos, quatro de navegação e um recetor AV, foram concebidos de forma a permitir aos utilizadores de smartphones o uso dos seus aparelhos no automóvel, melhorando a sua experiência de condução. Os recetores de navegação AVIC-F77DAB, AVIC-F70DAB, AVIC-F970DAB, AVIC-F970BT e o recetor AV AVH-X8700BT estarão disponíveis a partir de março de 2015. … a Spinerg tem a responsabilidade de, em Portugal, fornecer todos os produtos da Shell para o pós-venda das marcas da BMW AG, num acordo global entre as duas multinacionais. A Shell é o fornecedor único e exclusivo, mundialmente recomendado para óleos de motor na pós-venda das seguintes marcas da BMW AG: BMW, BMW i, BMW M, MINI e BMW Motorrad. …. A Sandia Stand anunciou a entrada de mais dois parceiros na Rede ACC – Auto Check Center. As oficinas Carreto e Ramalho, em Pias (Baixo Alentejo) e .CS Motors, em Lagoa (Algarve), são as duas mais recentes entradas nesta rede de implementação nacional que conta já com um total de 40 parceiros em Portugal.

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Brembo. Cimento entra no futuro da travagem

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artindo da questão “quais serão os materiais utilizados nos travões dos automóveis do futuro?”, a Brembo anunciou a criação do Cobra Project. Esta iniciativa, que vai juntar 41 investigadores ao longo dos próximos quatro anos, visa indicar o futuro da investigação dos sistemas de travagem, sendo financiado pelo programa comunitário ED Life +. A Brembo aliou-se nesta iniciativa a um dos maiores produtores de cimento do mundo, a ItalCementi, ao Instituto Mario Negri que é especialista em pesquisa biomédica e impactos da poluição, e ainda ao CiaoTEch da PNO Group, uma empresa que se dedica a apoiar a implementação de vários projetos e também investiga os seus efeitos para o ambiente de inovações tecnológicas. O Cobra Project tem como objetivo, através da combinação do know-how das empresas que integram esta investigação, desenvolver novas pastilhas a partir dos materiais que compõem o cimento e com um impacto ambiental inferior às atuais. A Brembo refere que está a ser usada uma

mistura especial à base de água e composta em parte por materiais encontrados no cimento, esperando que esta possa vir a ser a matéria-prima para o desenvolvimento e produção das pastilhas de automóveis do futuro. De acordo com a Brembo, a utilização deste novo produto tem o potencial para reduzir em 90% a energia necessária para a produção dos componentes, bem como o consumo de água em 95%.

METELLI. ADQUIRIU FRI.TECH. E TRUSTING NA ÁREA DA TRAVAGEM

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Metelli reforçou ainda mais a sua posição de destaque no mercado do Aftermarket e ampliou o seu compromisso em relação ao fornecimento do primeiro equipamento através da aquisição recente de duas importantes empresas italianas: A Fri.Tech. Srl para as pastilhas de travão e a Trusting Srl para as maxilas de travão. A Fri.Tech. Srl, é especializada na produção de pastilhas de travão (ligeiros e pesados), possui uma gama em constante atualização de mais de 1.600 referências de modelos marcados e realizados de acordo com a norma ECE R-90, única norma oficial europeia que impõe rígidos parâmetros de qualidade. A Trusting Srl conta com uma experiência de trinta anos na produção de maxilas de travão também obteve a homologação ECE R- 90 pela elevada qualidade do próprio material de travagem. Um catálogo com mais de 700 itens permitiu conquistar e consolidar com o passar do tempo importantes cotas de mercado até alcançar a posição de líder absoluto na produção de maxilas no panorama europeu da produção de automóveis.

MEYLE. NOVAS BOMBAS DE ÁGUA HD PARA GRUPO VAG

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A Wulf Gaertner Autoparts AG fez uma revisão ao seu programa de bombas de água, passando a incluir a referência MEYLE-HD para diversos modelos do Grupo VAG.Estas ostentam o selo “Made in Germany” e foram melhoradas de modo a oferecem muito mais do que o padrão de qualidade habitual no mercado de peças independente. Possuem uma vedação de anel deslizante, que, em comparação com as peças dos fabricantes originais, está perfeitamente adaptada aos requisitos para veículos usados. As oficinas podem conceder aos seus clientes uma garantia de quatro anos para as bombas de água MEYLE-HD e, em simultâneo, excluir a necessidade de repetir reparações. Com as seis novas bombas de água MEYLE-HD, que já estão disponíveis no mercado, a Wulf Gaertner Autoparts abrange diversos modelos entre eles os Volkswagen com motor 1.9 e 2.0 TDI, 2.5 TDi e diversos modelos a gasolina.


22 REVISÃO FOI NOTÍCIA QUE... ... a Texa acaba de lançar o myTEXA.com, um portal que permite a todos os clientes criar um perfil exclusivo para aceder via web a toda uma série de serviços que esta empresa disponibiliza. Através deste portal pode-se aceder à área reservada “download manager”, uma nova aplicação desenvolvida para simplificar, agilizar e proteger os procedimentos de atualização dos softwares de diagnóstico. Outra possibilidade que oferece o myTEXA.com é o acesso direto à TEXA APP. ... a Kumho Tyres anunciou que Luis Hernandez é o novo Diretor de Marketing da empresa para a Península Ibérica, funções que acumula com as de Diretor Comercial da companhia para Portugal e Espanha. ... a Nexa Autocolor atualizou o Software Paint Manager para o espectrofotómetro Rapid Match X-5. Um upgrade que confere maior rapidez e produtividade a este equipamento que permite criar cores com maior grau de precisão e de forma fácil e rápida em dois cliques.

Altaroda. Novo equipamento para oficinas de pintura

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specializada em equipamentos para oficinas de pneus e mecânica, a Altaroda acaba de apresentar no mercado uma útil ferramenta para oficinas de colisão. Trata-se de um Painel Endotérmico Portátil, um novo método para a secagem de verniz, que tem como vantagem a melhoria do desempenho. Com um painel pode secar a 70ºc e proporcionar as mesmas vantagens de uma cabine de pintura no exterior. Este Painel Endotérmico Portátil é constituído por um

DOMINGOS & MORGADO. LANÇA CAMPANHAS COM A MARCA JOHN BEAN

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... a Motorbus está de Parabéns pelo seu 20º aniversário. Durante o corrente ano, muitas novidades e promoções especiais acontecerão para celebrar a data, como é o caso da promoção 20 anos/20 produtos inserida nas suas newsletters bimestrais durante todo o ano.

Domingos & Morgado lançou no mercado uma nova série de agressivas campanhas comerciais em parceria com a John Bean, abrangendo as renovadas gamas de Alinhadoras, Equilibradoras e Desmontadoras. Assim, todas a Gama de Equilibradoras BFH da John Bean passam a disponibilizar Laser e Smart Sonar de série, assim como passam todas a operar no novo Short Cycle de equilibragem, o que as torna – muito possivelmente – as mais rápidas equilibradoras do mercado. Quanto à gama das Alinhadoras, tanto a V2200 como a V2300 estão dotadas de tecnologia UHR e o novo software Pro42, os quais contribuem para o desempenho apresentado por estas máquinas.

... a Extrasecurity lançou o catálogo Car Gift 2015, onde são apresentadas diversas novidades de acessórios de eletrónica automóvel, como sensores de estacionamento, alarmes e módulos, iluminação, multimédia e manutenção. ... a Lubrinordeste, um dos principais retalhistas de Trás-os-Montes, é a partir do início de 2015 parceiro da Create Business. Com sede em Vila Real e uma rede de lojas estrategicamente distribuída pela região de Trás-osMontes, a Lubrinordeste aumenta assim a cobertura do mercado português da Create Business. ... a Joaquim Gameiro comemora 50 anos. A empresa gerida por Joaquim Gameiro, Maria de Lurdes (sua esposa) e por Hélder Costa (filho) acrescentou à mecânica, com o passar dos anos, as àreas de chaparia, pintura, eletricidade, assistência 24h, entre outros, numa perspetiva multimarca. ... a DeBeer e Octoral, distribuídas em Portugal pela Hella, têm novas homologações para Chrysler e Ford a nível mundial. No que diz respeito à Chrysler, foi homologado provisoriamente o Sistema Octoral Octobase Eco Plus da Valspar Automotive. Esta homologação baseia-se na especificação PF-10537 e aplica-se a todos os automóveis do Grupo Chrysler. A Ford anunciou a homologação da gama de produtos DeBeer Refinish WaterBase Serie 900+ da Valspar Automotive. Esta homologação baseia-se na especificação WSS – M2P100-D e aplica-se a todos os veículos Ford, incluindo a marca Lincoln. Todos os países onde se fabricam, vendem ou reparam veículos Ford podem agora utilizar toda esta gama de produtos DeBeer.

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painel de um metro quadrado e um outro de um metro por 30 cm. O painel pequeno pode ser acoplado tanto em cima como em baixo do painel maior, em função do trabalho a ser realizado. Existe ainda a possibilidade de montar dois painéis na vertical para trabalhar em veículos mais altos. O peso deste equipamento é de apenas 12 kg, é fácil de transportar, sendo muito suave nos primários à base de água e apresenta também um baixo consumo de energia.

BOSCH. EQUIPAMENTO DCU 220, O NOVO 2 EM 1

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Bosch acaba de apresentar o DCU 220, um robusto aparelho que funciona como um PC com écrã tátil ou um portátil com teclado que permite o controlo de equipamentos de teste e de diagnóstico. Como PC convertível, o DCU 220 combina as vantagens de um PC portátil com as de um tablet, de modo a facilitar e tornar mais confortável o trabalho dos mecânicos na oficina, tendo ainda a vantagem de apresentar um peso muito reduzido (abaixo dos 2 Kg). Esta unidade de controlo pode ser ligada aos seguintes dispositivos: KTS 540, KTS 570, KTS 890, KTS Truck, análise de emissões

com produtos BEA, alinhador de direções FWA, inspeção de veículos com BSA e SDL.


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REVISÃO

Delphi. Lançado novo site global

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Delphi Product & Service Solutions (DPSS) anunciou o lançamento do seu novo website global, delphiautoparts. com. O novo website foi projetado para fornecer aos clientes DPSS e seus clientes

uma solução abrangente, num recurso digital único para encontrarem o serviço técnico e informações de reparação de que precisam para um serviço e reparações ao veículo mais eficientes. O delphiautoparts.com utiliza um design intuitivo, que se ajusta para caber em qualquer écrã, podendo ser visitada a partir de um laptop, tablet ou smartphone. O site também oferece aos visitantes a “minha caixa de ferramentas”, uma biblioteca personalizável que os usuários podem configurar, personalizar, armazenar e organizar os conteúdos que consideram mais úteis.

JOHNSON CONTROLS. NOVA TECNOLOGIA PARA BATERIAS START&STOP

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Johnson Controls Inc (JCI) aliou-se à Toshiba para desenvolver uma nova bateria de iões de lítio de dimensões e peso inferior para sistemas Start&Stop que utiliza um composto de titânio com o nome de Titanite, com a vantagem de permitir recargas mais rápidas. Com o tamanho de uma caixa de lenços e um peso de apenas quatro quilos, este novo equipamento também representa um ganho de 8% na eficiência do automóvel, um upgrade em comparação aos 4% alcançados pelos sistemas atuais. A nova bateria deverá ter uma duração entre quatro e seis anos e a sua chegada ao

mercado está planeada para 2018. A Johnson Controls indicou também que o processo de produção deverá ocorrer na Europa, a zona onde os sistemas Start&Stop estão mais implementandos, pois desta forma a empresa poderá fornecer mais rapidamente este equipamento aos vários fabricantes.

OSRAM. DISPONIBILIZA LÂMPADAS LED RETROFIT

FUCHS. NOVO TITAN SUPERSYN FE SAE 0W-30

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Osram apresenta agora as novas lâmpadas LED Premium, tipo P, para automóvel. As lâmpadas LEDriving Premium da OSRAM proporcionam uma luz mais brilhante, mais moderna e com 100 % mais estilo, sendo a escolha acertada para condutores orientados para o design e para o tuning. Com temperaturas de cor de 3.000K e 6000K, as lâmpadas LEDriving Premium da OSRAM proporcionam uma luz homogénea, sem “píxeis” e uma eficiência energética de até 80 % (menos consumo de energia que as lâmpadas standard). Sendo uma solução “Plug & Play”, a sua instalação é muito fácil e o casquilho ICE standardizado adequa-se às óticas existentes. A resistência à vibração das lâmpadas LEDriving Premium garante toda a segurança em aplicações de exterior (apenas off-road), possibilitando à OSRAM dar 5 anos de garantia para estes produtos LED Premium.

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omo primeira novidade para 2015, a Fuchs apresenta o seu novo produto, o TITAN SUPERSYN FE SAE 0W-30, com a especificação ACEA A5/B5, especialmente desenvolvido e aprovado para veículos ligeiros Volvo com a aprovação oficial Volvo VCC 95200377. O novo produto, com tecnologia alemã, pode ser utilizado em veículos com motores a gasolina ou Diesel com ou sem turbocompressor, permitindo excelentes arranques a frio, o que preserva a duração da bateria e permite um rápida circulação do óleo em todas as partes móveis do motor, garantindo menor desgaste, menor consumo de combustível e maior longevidade do motor.

IMPORQUIMICA. APRESENTA DESINFETANTE DE SISTEMAS DE AR CONDICIONADO

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Imporquimica tem disponível para o mercado automóvel o Desicar, um desinfetante de sistemas de ar condicionado automóvel, que combate eficazmente os diferentes tipos de odor. Este produto reduz os riscos de alergias e contaminação das vias respiratórias provenientes da bactéria Legionela e da multiplicação dos microrganismos e dos ácaros. O Desicar tem uma eficácia controlada de acordo com as normas europeias em vigor (EN 1275, EN 1276 e AFNOR 72301).

CITROËN. LANÇA SERVIÇO DE ASSISTÊNCIA GRATUITO

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Citroën acaba de lançar em Portugal um serviço de assistência sem custo que garante aos proprietários de modelos da marca, novos ou usados e até 8 anos de idade, a prestação de assistência em caso de avaria ou de acidente. Este serviço, considerado inovador pela marca, tem o nome de Citroën Assistance – Avaria & Acidente, sendo uma nova solução que é prestada pelaRede de Reparadores Autorizados aderentes e está disponível 24 horar por dia, 7 dias por semana, ligando o número verde – 800 200 644 – através do qual se assegura a desempanagem e/ou reboque do veículo e se propõem soluções de mobilidade, de modo a minimizar os danos para o cliente.


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ESPECIALISTA

Escolha do Consumidor. Confiança acrescida Desde 2012 que os prémios “Escolha do Consumidor “ conferem a um leque restrito de empresas um selo de qualidade que as certifica perante os seus clientes. Licínio Nunes, diretor geral da Saint-Gobain Autover Portugal, explica-nos a importância que esta eleição tem tido para a Glassdrive e os motivos para a marca reunir as preferências dos consumidores pelo terceiro ano consecutivo. TEXTO ANDRÉ BETTENCOURT RODRIGUES

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remiar os produtos, serviços ou marcas que mais satisfazem os consumidores em Portugal tem vindo a tornar-se um hábito desde 2012, ano em que o projeto da ConsumerChoice – Centro de Avaliação da Satisfação do Consumidor chegou ao nosso país. A empresa criada em 2011 pelos sócios Paula Matias e José Borralho surgiu para preencher uma lacuna num mercado dominado por “eleições feitas por notáveis” que, na opinião de Paula Matias, “não dizem muito” ao consumidor. “Sentimos ainda”, acrescenta, “que eram prémios pautados por alguma desconfiança e que ninguém sabia muito bem quais os atributos valorizados pelo consumidor”.

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Inspirado numa fórmula popular em países como o Canadá ou a Nova Zelândia, mas “adaptado às particularidades do mercado português”, ressalva a diretora do projeto, a “Escolha do Consumidor” é hoje uma referência inteligentemente utilizada por diversas empresas para promover a sua oferta e angariar, assim, mais clientela. Na edição de 2015 estiveram em análise 613 marcas de quadrantes tão distintos como as telecomunicações, a eletrónica ou o entretenimento, com a Glassdrive a sair novamente vencedora da categoria referente à “reparação e substituição de vidros”. Igualmente em destaque estiveram os prémios “Escolha Sénior” e “Escolha

dos Profissionais” – novidades que vão ser dinamizadas e que têm continuidade garantida no final deste ano, quando a ConsumerChoice entregar os prémios de 2016. CRITERIOSO Se a “Escolha do Consumidor” tem por objetivo “conhecer o grau de satisfação e aceitabilidade dos consumidores do segmento em relação a determinado produto ou serviço”, ajudando-os a fazer uma compra informada, a “Escolha dos Profissionais” é um sistema de “avaliação do nível de satisfação e aceitabilidade de produtos e serviços pelos seus atributos


“SERMOS ESCOLHA DO CONSUMIDOR É UM ASPETO POSITIVO QUE REFORÇA A MARCA E O NOSSO POSICIONAMENTO” LICÍNIO NUNES

individuais, com a garantia de que os mesmos são avaliados, sempre, por consumidores profissionais”, explica Paula Matias. Destina-se, por isso, a relações “b2b”, enquanto o primeiro é claramente dominado pelo “b2c”. Os critérios em análise são naturalmente distintos, mas o processo de contacto é semelhante para ambos: “Pode funcionar de várias formas – por exemplo, uma empresa de determinada área contacta-nos manifestando a sua intenção de entrar no estudo e nós nesse momento perguntamos quem são os seus principais concorrentes de modo a envolvê-los também em todo o processo”. Esta avaliação “concorrencial” é inegociável, no sentido de ser também um modo de trazer credibilidade a todo o sistema. Paula Matias explica ainda que a inscrição é gratuita (trata-se, no fundo, de um próforma que diz à empresa e a quem realiza o estudo que esta está envolvida no processo desde o início) e que só no momento da atribuição dos resultados e dos prémios é que se começa a ter despesa(s). Para utilizar o logo/designação “Escolha do Consumidor”, os premiados pagam dez mil ou 7 500 euros consoante a sua esfera de ação (“serviços” ou “produtos”, respetivamente), tendo igualmente acesso ao estudo que lhes dá conta dos atributos que o consumidor valoriza, bem como os resultados da sua concorrência. Mas porque a informação é cada vez mais um bem essencial todas as empresas nomeadas e não-nomeadas que fizeram ou não parte do estudo podem ainda adquiri-lo por um valor entre 500 a 800 euros. Para a “Escolha dos Profissionais”, os valores são ligeiramente mais baixos: entre 6000 a 7500 euros se a área se centrar em “serviços” ou 4000 euros caso se concentre em “produtos”. Já os relatórios ficam em 500 euros. TRÊS FASES Os estudos são realizados por empresas especializadas como a Netsonda, Fullsense ou Pentaudis que garantem sempre o cumprimento de três fases: primeiro são promovidos “focus groups” com o objetivo de identificar os atributos que consideram mais importantes em cada serviço para então depois inquirir telefonicamente “entre 300 a 800 pessoas” sobre o peso


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ESPECIALISTA ”A ESCOLHA DO CONSUMIDOR TEM POR OBJETIVO CONHECER O GRAU DE SATISFAÇÃO E ACEITABILIDADE DOS CONSUMIDORES DO SEGMENTO EM RELAÇÃO A DETERMINADO PRODUTO OU SERVIÇO” PAULA MATIAS

ESCOLHA DO CONSUMIDOR

70 253 613 86,7%

Número de consumidores envolvidos

Marcas em análise

Glassdrive - vencedor “reparação e substituição de vidro automóvel”

84,1%

Stand Virtual - vencedor “comércio online de automóveis”

83,3% 80,1%

Peugeot - vencedor “marca automóvel”

Midas - vencedor “centros de manutenção automóvel” ESCOLHA DOS PROFISSIONAIS

89% 83% 78% 77%

Verso Move - vencedor “transformação de veículos”

Fiat - vencedor “veículos comerciais”

Sage - vencedor “software de gestão”

Vito - vencedor “ferramentas”

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destes (as variáveis “marca” e “preço” são excluídas) quando decidem optar pela marca a) ou b). Por fim, são realizadas visitas de clientes-mistério que irão avaliar cada um desses atributos, referir aspetos positivos e negativos da experiência e revelar a sua intenção de compra. “Depois transformamos tudo numa matriz que contém o resultado final”, revela Paula Matias. Se quiser participar na “Escolha do Consumidor” ou “Escolha dos Profissioanis” 2016, saiba que a inscrição para a quarta edição dos prémios acontece entre Fevereiro e Março, momento em que se inicia o processo de avaliação que decorre até Setembro. Se deixar essa decisão para mais tarde pode ter que esperar um ano, uma vez que a esfera de ação onde a sua empresa se enquadra pode ter já sido objeto de estudo das empresas envolvidas no processo. No entanto, como o estudo abrange “inscritos” e empresas concorrentes, há também a grande possibilidade de a sua organização já se encontrar integrada na amostra. PADRÃO DE QUALIDADE Eleita pelo terceiro ano consecutivo “Escolha do Consumidor” na “reparação e substituição de vidro automóvel”, a Glassdrive é também uma das empresas com maior pontuação (em 2015 teve um índice de satisfação de 86,7%) de todos os quadrantes. Para celebrar o feito, a empresa criou um logo específico que assinala precisamente os três anos consecutivos em que foi distinguida com este “selo de garantia de qualidade”, afirma Licínio Nunes, Diretor Geral da SaintGobain Autover Portugal. O responsável máximo pelo grupo que detém a Glassdrive revela que esta eleição deve-se ao foco que a empresa sempre teve, ainda antes da Escolha do Consumidor, na “qualidade do serviço prestado” e na “utilização de produtos de qualidade”, seja o vidro ou as colas utilizadas

na sua aplicação quando este é substituído. A revalidação do estatuto, afirma, “serve de estímulo para a manutenção destes padrões” e corresponde à “enorme expetativa” de vencer novamente o prémio: “Nós não baixámos nos parâmetros de qualidade do serviço, nem nos parâmetros de qualidade dos produtos utilizados. Temos a perfeita noção de que a nossa rede é extremamente abrangente, com uma enorme distribuição no mercado, e conseguimos aplicar estes princípios através de um trabalho muito intenso feito junto dos centros Glassdrive, que partilham em absoluto a vantagem de ter este selo da Escolha do Consumidor. Quando a Glassdrive recebeu este prémio pela primeira vez, sabíamos que tínhamos de dar continuidade ao trabalho que resultou nesse prémio, até porque a nossa concorrência também está atenta. Portanto, irmo-nos atualizando é que nos tem permitido receber este prémio da Escolha do Consumidor. O consumidor percebe que há um avanço da Glassdrive face à sua concorrência e que a empresa não baixou os padrões de qualidade do serviço”. Além da qualidade do serviço e dos materiais, Licínio Nunes refere os dois centros de formação da empresa em Vila Nova de Gaia e Lisboa como determinantes para este sucesso: “São duas áreas onde os nossos colaboradores fazem a formação inerente à atividade e que é dada formação recorrente, com as novas técnicas, e com um foco muito grande no serviço. Servem para a atualização de conhecimentos, mas também para o reforço dos procedimentos, o que faz com que não haja, em momento algum, um balanceamento do padrão que está instalado”. A comunicação do prémio é transversal e traz vantagens evidentes: “É uma comunicação que é feita internamente, nos nossos centros, e feita de uma forma externa para os grandes meios de comunicação social. Se eu quiser abrir uma conta num banco e existir um banco que consegue comunicar que é Escolha do Consumidor pelo terceiro ano consecutivo, irei, com certeza, ter esse aspeto em consideração. Portanto, naturalmente que o facto de sermos Escolha do Consumidor é um aspeto positivo que reforça a marca e o nosso posicionamento”.


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ESPECIALISTA

Audatex. Drive Mobile dirigido às oficinas

A Audatex está a lançar a plataforma DRIVEmobile que é muito mais que uma plataforma Drive para dispositivos móveis. O conceito de mobilidade no contexto do levantamento do dano resultante de sinistro e a respectiva valoração ganham outra dimensão. Por isso, o mercado das oficinas passa a ser um alvo estratégico para a esta empresa. TEXTO PAULO HOMEM

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Lançado em junho de 2013, o Drive veio marcar uma nova etapa na orçamentação no processo de regularização de sinistros para a Audatex e para os seus clientes. Com um interface muito intuitivo, o DRIVE tem uma lógica de fluxo de trabalho contínuo por etapas que simplifica todo o processo de orçamentação.

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Este tremendo passo em frente na simplificação e no rigor do processo de orçamentação, tinha previsto no seu conceito o desenvolvimento de plataformas complementares que visassem sobretudo a mobilidade mas também tornar o Drive adaptado não só aos utilizadores profissionais (que fazem muitos orçamentos por dia) como

a outro tipo de profissionais que podem utilizar esta plataforma como forma de gerar uma relação mais profissional com os seus clientes, como acontece com as oficinas. DRIVEMOBILE É nesta lógica de contínua melhoria que a Audatex acaba de apresentar o DRIVEmobile,


O DRIVE ESTÁ ADAPTADO NÃO SÓ AOS PERITOS E ORÇAMENTISTAS (QUE FAZEM MUITOS ORÇAMENTOS POR DIA) COMO AOS PROFISSIONAIS DAS OFICINAS que não é apenas a versão para dispositivos móveis (tablet) do DRIVE. De facto, este novo produto pode ser para o perito um sistema complementar ao DRIVE que ele utiliza no PC. Isto é, assim que um novo processo de sinistro (enviado pela seguradora) entra no sistema Audatex ele fica simultaneamente disponível em ambas as plataformas. A vantagem de utilizar o tablet é a mobilidade e a conveniência (o tablet tem máquina de fotografia incorporada, que permite associar prontamente as fotos às peças). O levantamento do dano que era feito no DRIVE passa assim a poder ser feito da mesma forma no DRIVEmobile, mas de uma forma muito mais prática e rápida. Ao terminar o levantamento do dano (sendo possível ao perito realizar vários num só dia), o DRIVEmobile sincroniza automaticamente com a Cloud e toda a informação recolhida fica disponível para ser rececionada no DRIVE. Trata-se assim de plataformas complementares para os utilizadores do DRIVE, que assim têm no DRIVEmobile uma solução de trabalho que lhes garante maior mobilidade flexibilidade no “terreno”.

OFICINAS Contudo, o DRIVEmobile pode funcionar como uma solução autónoma, isto é, sem integração. Com esta plataforma, a Audatex pretende alargar o leque de clientes, permitindo que as oficinas tenham à sua disposição uma ferramenta de orçamentação customizada às suas necessidades, mais económica e mais simples. Esta solução mantém o mesmo rigor no que diz respeito à seleção técnica e a mesma atualidade relativamente a preçários e disponibilidade de modelos. Os modelos 3D são contudo uma das novidades, que tornam esta plataforma muito fácil e intuitiva para trabalhar no momento de realizar a orçamentação. Para além das oficinas, a nova solução será igualmente uma mais-valia para a realização de auditorias presenciais, de seguradoras, gabinetes e auditores independentes. APP O DRIVEmobile é uma APP, que pode ser descarregada da Apple Store e do Google Play, funcionando respetivamente nos sistemas iOS e Android, o que quer dizer que pode ser usada em qualquer tablet, sem que se perca qualquer funcionalidade. Sendo uma aplicação, também a forma de comercialização difere do modelo de negócio do DRIVE. A solução pode ser parametrizável pelo cliente em função das suas necessidades (por exemplo uma oficina que trabalhe apenas com

um grupo de marcas, pode adquirir apenas essas marcas, tornando a solução comercialmente mais acessível). Para além das marcas o cliente pode ainda construir o seu “pricing” definindo o pacote de número de cálculos que pretende adquirir, mas também quais os serviços Audatex que pretende adicionar ao produto. Toda esta gestão, entre a Audatex e o cliente, pode ser agilizada via Portal do Utilizador, cujas funcionalidades compreendem, entre outras, pagamento de serviços online, informação sobre o calendário de formação, novidades sobre os produtos Audatex ou gestão dos pedidos de serviços diversos. Trata-se portanto de uma solução “Cloud enabled”, que coloca a Audatex numa nova linha de negócio e numa nova tendência de mercado, garantindo ao cliente customizar uma solução de avaliação de dano em função das suas necessidades. O futuro, porém, não ficará por aqui. Em desenvolvimento estará uma solução totalmente cloud desta plataforma, que irá potenciar as vantagens do DRIVEmobile, bem como permitir que a Audatex alargue a sua base de clientes, com enfoque na área das oficinas.

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Infomecatrónica. O parceiro técnico das oficinas A complexidade eletrónica dos automóveis cria novas exigências às oficinas. Nem todas estão preparadas para dar resposta a determinados problemas. A Infomecatrónica aparece muitas vezes para os resolver, tornando-se parceira técnica das oficinas. TEXTO PAULO HOMEM

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undada no início da década, a Infomecatrónica nasce de uma antiga ideia de Sérgio Pinto no sentido de desenvolver uma linha de apoio técnico às oficinas. Em 2005 criou a CIFRA, uma empresa de formação e informação para a reparação automóvel que trabalhava quase em exclusivo para um distribuidor de peças. Tendo a noção que continuava a faltar uma linha de apoio técnico e detendo muita informação técnica obtida ao longo de vários anos de trabalho, em 2011 a CIFRA, em conjunto com mais duas empresas da área, juntam-se para fundar a Infomecatrónica, proporcionando aos clientes das três empresas o acesso à informação. Cada vez com mais aceitação no mercado, estrategicamente Sérgio Pinto decidiu que Infomecatrónica teria que crescer junto de grandes clientes, de modo a ganhar dimensão e volume no mercado mais rapidamente. A fase mais recente da Infomecatrónica levou a que apenas Sérgio Pinto tivesse dado continuidade ao negócio, começando precisamente a trabalhar com grandes empresas. Atualmente a Infomecatrónica fornece a linha técnica da Wurth, dando apoio técnico aos

equipamentos WOW, tendo desenvolvido pacotes de formação para os seus clientes (oficinas). A empresa trabalha também para as redes Rino e Precision, estando também a dinamizar a linha técnica da SKF, tendo ainda outros clientes (retalhistas e grossistas) na área das peças. “Temos em vista começar a trabalhar com outros clientes importantes. Alguns não querem apenas a linha de apoio técnico pois pretendem integrar outras funcionalidades, como bases de dados, orçamentação e formação”, revela Sérgio Pinto, DiretorGeral da Infomecatrónica, explicando que “podemos sempre desenhar o fato à medida das necessidades específicas de cada cliente”. DADOS TÉCNICOS A Infomecatrónica sempre foi uma empresa muito vocacionada para a componente técnica. “A nossa visão foi sempre a de fornecer às oficinas independentes o que os concessionários têm do fabricante em termos de informação técnica”, explica Sérgio Pinto, revelando que há muitos anos que a empresa tem vindo a investir bastante em dados técnicos, dispondo atualmente de uma

SERVIÇO AO CLIENTE A linha de apoio técnico da Infomecatrónica destina-se sobretudo às oficinas, que a ela recorrem para resolver muitos dos problemas que as suas máquinas de diagnóstico e software de dados que utilizam já não conseguem dar resposta. Porém, a capilaridade oficinal existente em Portugal obrigava a Infomecatrónica a ter muitos comerciais no terreno (com os custos inerentes) para chegar a todos os clientes. Dessa forma, a empresa apostou nas parcerias com grandes clientes (redes, marcas de peças, retalhistas e grossistas de peças e consumíveis) que depois dinamizam para os seus clientes (oficiais) a linha de apoio técnico da Infomecatrónica. A empresa dispõe de três técnicos (estando em vista a contratação de mais um) que dão todo o acompanhamento aos clientes (normalmente entre as 9 e as 18 horas, horário de funcionamento das oficinas). A formação é uma área em que a empresa vai apostar cada vez mais, quer na casa do cliente quer em instalações próprias, algo que será mais dinamizado atendendo que em breve a Infomecatrónica vai dispor de um novo escritório na zona de Oeiras.

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tremenda base de dados técnicos que permite à empresa dar resposta a qualquer oficina. “Independentemente do equipamento de diagnóstico que uma oficina use ou da informação que necessite para qualquer marca de automóveis, temos a capacidade de dar resposta às solicitações”, assegura Sérgio Pinto, que diz que atualmente não se coloca sequer a questão do preço do serviço técnico que a Infomecatrónica disponibiliza, pois “cobramos pelo nosso serviço apenas 19,90 euros mensais, isto é, qualquer oficina poderá ter acesso a uma linha técnica de apoio, que lhe é muito útil no seu dia-a-dia, por um preço mensal muito baixo”. Diga-se que um contrato de serviço terá de ser no mínimo de três meses, sendo o valor do mesmo variável em função do tipo de cliente (se for uma rede é mais barato). PARCERIAS TÉCNICAS Recentemente a Infomecatrónica anunciou uma parceria com a empresa JCM, especialista em caixa de velocidades e transmissões automáticas. Com esta parceria os clientes Infomecatrónica poderão dispor de informação técnica em termos de transmissões automáticas e caixas automáticas, assim como poderão também recorrer aos serviços da JCM – CONSULT e solicitarem reparações e orçamentos para reparações. “Temos em vista o desenvolvimento de mais parcerias técnicas, com empresas que são especialistas nas suas áreas de negócios, através das quais podemos ganhar mais conhecimentos técnicos como as podemos recomendar aos clientes que necessitem do serviço dessas empresas”, explica Sérgio Pinto que argumenta que muitas vezes a Infomecatrónica acaba também por funcionar um pouco como uma central de informação a que os clientes recorrem para determinados tipos de serviços.


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A outro nível, a Infomecatrónica desenvolveu, em parceria com a TIPS 4Y, uma solução que combina o programa de dados técnicos da HaynesPro com a linha de apoio técnico – produto STREMA. Esta boa experiência, permitiu que Pedro Barros, responsável pela TIPS 4Y, selecionasse em conjunto com a HaynesPro, a Infomecatrónica como a nova entidade responsável pela comercialização dos dados técnicos WorkshopData da HaynesPro (exVivid) em Portugal. “Sempre tivemos uma relação muito próxima com a TIPS 4Y, com quem trabalhamos em parceria há vários anos e que consideramos uma referência no mercado do pós-venda automóvel, como especialista em sistemas de informação. Esta é uma escolha que nos orgulha pela confiança que a TIPS 4Y e a HaynesPro depositam na

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Infomecatrónica. O call center técnico era uma exigência da TIPS 4Y e acabou por ser decisivo na decisão final de Pedro Barros”, afirma Sérgio Pinto. A internacionalização da Infomecatrónica é também já uma realidade, dedicando-se

a empresa à venda de equipamentos e à assistência dos mesmos em Angola e Moçambique (juntamente com outros parceiros), estando a empresa com vontade de desenvolver a linha de apoio técnica também nesses mercados.


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Envio 24. Crescer nas peças e nos pneus A logística e distribuição, no setor dos transportes, exige especialização. A Envio 24 é uma cooperativa com uma forte presença na região sul, que pretende também investir na área das peças e dos pneus. TEXTO PAULO HOMEM

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Envio 24 mais não é do que a união de pequenos transportadores. Com a entrada em vigor da lei que regula a atividade de transportes em veículos até 3.500 Kg (em 2007), os donos destes tipos de veículos que faziam transporte de mercadorias passaram a ter alvará (do veículo), que os habilitava precisamente a poder fazer transporte de mercadoria por conta de outrem. Foi daí que nasceu uma Cooperativa, uma ideia que “já tínhamos pensado desenvolver tendo em conta a necessidade de podermos trabalhar para nós próprios, evitando que parte do nosso esforço pudesse ficar para intermediários”, revela

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João Pardal, Presidente da Direção da Envio 24. Os pequenos transportadores passaram assim a ser sócios da Envio 24, mas por via de determinados acordos, muitos associados passaram a trabalhar diretamente com grandes companhias (Urbanos, GLS, DHL, Integra2, etc). Sendo os carros dos associados da Envio 24, muitas vezes decorados com as cores dos parceiros de negócio, “começamos a ver que era fundamental ter uma rota própria, para termos mais rentabilidade”, explica João Pardal que diz que a cooperativa investiu nessa situação, tendo começado a trabalhar com um distribuidor de pneus, neste caso a Dontyres, mas também com carga geral.

FROTA Um dos pontos fortes da Envio 24 é a frota que esta cooperativa tem afeta ao negócio do transporte. A Envio 24 tem a trabalhar para si todo o tipo de carros (com báscula, de frio, furgões, ligeiros comerciais, etc), o que “permite ter todo o tipo de carros necessários para qualquer tipo de serviço”, refere João Pardal. Começando com cinco associados, atualmente na Envio 24 são 80 associados, o que representa uma frota ativa de 107 viaturas. “Atualmente somos subcontratados pelas grandes empesas para fazer o serviço de transporte, o que representa grande parte do nosso negócio, mas temos também já


CONTACTOS ENVIO 24 PRESIDENTE DA DIREÇÃO JOÃO PARDAL TELEFONE 212 340 647 E.MAIL geral@coopenvio24.com WEBSITE www.coopenvio24.com

distribuição própria”, explica João Pardal. Para dar a apoio a toda a atividade, a Envio 24 dispõe de dois armazéns logísticos, um deles no Montijo (com 800 m2) e o outro em Évora (600 m2), sendo através destas duas plataformas que coordena a sua atividade. “Temos uma aceitação muito grande no mercado por parte dos clientes que subcontratam os nossos serviços”, afirma o responsável da Envio 24, dizendo que “conseguimos fazer com que os nossos associados se preocupem apenas em distribuir a carga, tudo o resto é gerido internamente pela empresa de uma forma muito profissional e eficaz”.

parceria, com a empresa Expresso 24, que nos faz a distribuição para norte assumindo nós a responsabilidade de fazer as entregas a sul dessa empresa”, explica João Pardal. Com muitos anos neste ramo de atividade, o responsável da Envio 24 explica que a empresa efetua quase todo o tipo de transporte, não existindo especialização numa área. “Muitos dos nossos associados já fazem transporte há mais de 20 anos. O que acontece é que quem está especializado em carga geral, faz carga geral, quem está especializado mais em pneus faz essencialmente pneus e assim acontece com outros tipos de carga”, afirma João Pardal.

MARGEM SUL Com sede no Montijo e um longo historial nessa região, a Envio 24 opera essencialmente no Alentejo e na margem sul do Tejo, isto é, “fazemos distribuição de Lisboa até ao Algarve. Para além disso, a Envio 24 dispõe ainda de uma

PNEUS E PEÇAS Há cerca de um ano que a Envio 24 entrou na distribuição de pneus. Atualmente a empresa trabalha diretamente com a Dontyres, sem subcontratação, o que “nos abriu um pouco as portas para uma distribuição mais

especializada no setor das peças e dos pneus que é uma área em que estamos a investir bastante”, explica João Pardal, reforçando que “temos ideias muito concretas para começar a trabalhar de forma mais dedicada a este setor”. Na opinião deste responsável trata-se ainda de “uma mercadoria mais fácil de transportar e de entregar, pois normalmente a entrega é feita em lojas o que facilita muito a operação, ao contrário da carga geral”, realça João Pardal. Face à experiência que tem nos transportes, o Presidente da Direção da Envio 24 assume que a empresa tem todos os meios e condições para entrar no negócio das peças e dos pneus, “inclusivamente temos pessoas com conhecimento e experiência nessas áreas da distribuição de peças e pneus. São pessoas bastante dinâmicas e que estão focadas nisso. Por isso, sabemos aquilo que podemos fazer e como o poderemos fazer”.

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MGM. Nem só os carros precisam de manutenção Numa oficina de automóveis nem só os carros precisam de manutenção. Muitas vezes são os próprios equipamentos, elevadores, compressores, etc, que necessitam de manutenção / reparação. A MGM faz com que eles não falhem no momento em que são precisos. TEXTO PAULO HOMEM

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uando se fala em qualidade do serviço, qualquer oficina não deve esquecer que é preciso fazer a manutenção adequada dos equipamentos oficiais que possui. É não só uma questão de qualidade de serviço mas também de segurança. Existe uma empresa que dedica, há mais de 15 anos, toda a sua atividade profissional precisamente à manutenção de equipamentos oficinais, nomeadamente elevadores, compressores, máquinas de lavar, entre muitos outros. A MGM, possui atualmente modernas e eficientes instalações em Serzedo, Vila Nova de Gaia, disponibilizando diversas equipas técnicas que ou em casa do cliente ou nas suas próprias instalações efetua as manutenções de diversos equipamentos oficinais das mais diversas marcas. PROXIMIDADE AOS CLIENTES A relação humana e profissional que mantém com os seus clientes há muitos anos, permite

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a Manuel Guedes Martins, profissional com largo historial na reparação, manutenção e montagem de equipamentos para oficinas, dinamizar a sua MGM. Para que não restassem dúvidas sobre o serviço que desenvolve, a MGM passou a ser uma empresa certificada pela norma ISO 9001 (atribuída pela TUV Rheinland), que dessa forma abriu ainda mais as portas para trabalhar com clientes de relevo a nível nacional, tano no setor automóvel como no setor industrial. “Felizmente são muitos os clientes de referência para os quais trabalhamos de norte a sul de Portugal”, afirma com orgulho Manuel Guedes Martins, dizendo que “o nosso método de trabalho, muito rigoroso e transparente, tem-nos granjeado a simpatia dos clientes mas também a conquista de novos”. São vários os pontos fortes da MGM neste negócio. Por um lado, uma enorme capacidade

de resposta, do ponto de vista técnico, às solicitações dos seus clientes, por outro o rigor e seriedade no cumprimento dos orçamentos de cada serviço e, ainda, a aposta num elevado stock de peças de substituição para quase todas as marcas de elevadores, compressores e máquinas de levar de alta pressão. “Em todo o serviço de manutenção, para além de ser orçamentado previamente, é feito um dossier de informação sobre todos os equipamentos em que fizemos intervenção”, revela Manuel Guedes Martins, que diz que “atualmente a empresa possui um imenso histórico dos equipamentos aos quais já vez manutenção, o que nos permite antecipar as necessidades de manutenção dos mesmos, bem como ter um stock de peças atualizado e dessa forma ser ainda mais rápido na prestação dos serviços”. GARANTIA Com estes procedimentos ao nível dos serviços, Manuel Guedes Martins garante que a sua empresa está em condições de dar garantia sobre a reparação de todos os equipamentos. “Em cada equipamento intervencionado é colocada uma vinheta que comprova e certifica que o equipamento está em condições de operação”, afirma o mesmo responsável, adiantando que “outro importante aspeto é que a MGM possui um seguro de responsabilidade civil, que é obrigatório por lei, para desempenhar a sua atividade”. Se a maioria das intervenções técnicas (programadas ou não) são feitas nas oficinas dos clientes, nas atuais instalações da MGM existe também um departamento técnico para reparação de equipamentos. REPRESENTAÇÕES Para além da manutenção, onde é especialista, a MGM, fruto do seu know-how e da proximidade aos clientes, tem vindo a desenvolver também a área comercial mais associada à venda e a representação de equipamentos.


Elevadores OMCN, Istobal, Velyen e Sefac, lavadoras de alta-pressão Alce e compressores Gnutti são apenas algumas das marcas com que a MGM trabalha. “Como estamos junto dos nossos clientes também conseguimos identificar uma série de oportunidades de negócio, até porque pode acontecer o equipamento já não ter mais reparação”, afirma Manuel Martins, gerente da MGM, esclarecendo que, apesar disso, “o melhor que a MGM comercializa é a mão-de-obra. É nos serviços que a empresa se destaca no mercado, através da sua capacidade de resposta às solicitações dos clientes”. Neste momento, a MGM dispõe de uma equipa de 15 pessoas, 12 deles técnicos de manutenção, e uma frota de 10 veículos de assistência, equipados com todos os meios necessários para desenvolver a atividade. A manutenção programada ou preventiva é também um dos serviços que a MGM proporciona aos seus clientes, através de contratos de manutenção, que garantem que o equipamento estará sempre em funcionamento. Num mercado em que o preço do serviço é constantemente equacionado, Manuel Guedes Martins assume que a MGM tem um posicionamento muito bem definido nesse aspeto, dizendo que “pelo nível de serviço e qualidade que temos, pela garantia que damos que o equipamento fica como novo depois da intervenção, pela nossa disponibilidade de stock e pela rapidez de resposta, sabemos que não somos dos mais baratos”.

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Globalube. Negócio de proximidade A Gulf tem diversos distribuidores em Portugal. Um deles é a Globalube, que trabalha esta reconhecida marca na região de Leiria, embora a empresa disponha de outros produtos que comercializa para todo o país. TEXTO PAULO HOMEM

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pesar de ser espanhol, Jorge Fontenla já trabalha o mercado português há muito anos e isso nota-se bem na forma como lida diariamente com os seus clientes. Foram anos a trabalhar a marca de lubrificantes Gulf, pertencente à Total Espanha, sobretudo na região norte de Portugal, mas como existia uma oportunidade de trabalhar esta marca no distrito de Leiria, acabou por fundar a Globalube há pouco mais de um ano. Mesmo sendo distribuidor da Gulf, Jorge Fontenla sabia que era necessário introduzir outras linhas de produto que pudessem completar este negócio.

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GULF Com a Gulf e tendo uma estrutura muito pequena, a Globalube comercializa estes lubrificantes unicamente através de retalhistas de peças. Em Leiria existem já dois retalhistas (JR Parts e ClaudioCar) que têm produto Gulf à consignação que funciona, no fundo, como o stock disponibilizado pela Globalube. “Mas quero ter mais um parceiro em Pombal e outro nas Caldas de Rainha, de modo a conseguir atingir os objetivos comerciais propostos pela Total Espanha”, refere Jorge Fontenla, que já dispõe de um outro distribuidor, mas para a área dos veículos pesados. Outra das funções da Globalube é prestar todo o apoio técnico e comercial aos seus parceiros

junto das oficinas. “Não vendemos às oficinas, mas fazemos o acompanhamento dos comerciais dos clientes às oficinas e apoiamos através de formações técnicas, dadas por responsáveis da Total Espanha. Mas cada um trabalha o seu canal de distribuição”, afirma o responsável da Globalube que pretende dinamizar mais ações de formação em função das necessidades que os seus retalhistas identifiquem nas oficinas. Sobre o posicionamento da Gulf, Jorge Fontenla diz que “existe a ideia de que se trata de uma marca branca. Na realidade, a Gulf não é mais do que uma alternativa às marcas Total e Elf, pois possui não só a mesma gama de produtos como a mesma qualidade


e especificações, tendo em conta que o fabricante de todos estas marcas é o mesmo”. Refira-se ainda que a Gulf tem em Portugal uma série de outros distribuidores, para além da Globalube, que fazem com que esta marca de lubrificantes esteja disponível em quase todo o território nacional e com uma boa implementação no mercado oficinal. “A marca tem uma imagem muito forte e desde 2009 que tem vindo a ser implementada novamente em Portugal. Penso que estamos no bom caminho, pois trata-se de um excelente marca”, explica Jorge Fontenla. OUTROS PRODUTOS Para além da Gulf, a Globalube comercializa outros produtos, mas em que não existe exclusividade territorial, isto é, a empresa comercializa os mesmos para todo o país. Uma das marcas é a GRO (Global Racing Oil). É um lubrificante fabricado em Espanha (em Barcelona), com produtos para o setor automóvel (ligeiros e pesados) que se posiciona “como uma marca de preço, que não sendo muito conhecida em Portugal, tem bastante aceitação no mercado espanhol”, refere Jorge Fontenla. Também ao nível dos lubrificantes, a Globalube disponibiliza ainda a marca Luberol, também ela de origem espanhola, que “se destina a servir um segmento de mercado onde apenas o preço é o fator de decisão”. Numa área completar aos lubrificantes, a Globalube comercializa ainda uma linha de aditivos, com a marca Ardina (fábrica holandesa) que representa em exclusivo para Portugal. A gama inclui aditivos para combustível (diesel e gasolina) e para óleos, assim como outros produtos como a linha de sprays de uso profissional e multiusos, tendo já produtos para filtros de partículas. “Tal como nos lubrificantes, também nos outros produtos, o esquema de distribuição é semelhante, isto é, a Globalube só comercializa para retalhistas”, explica Jorge Fontenla. Para 2015 a empresa de Leiria espera crescer a sua área de influência com a marca Gulf, estando para breve o anúncio de algumas novidades a esse nível. “Queremos crescer em 2015, mas não temos prevista a introdução de mais marcas, pois não queremos dispersar os nossos investimentos. Aliás, o objetivo é trabalhar bem a marca Gulf, bem como dinamizar o negócio de aditivos e ainda uma marca branca de lubrificantes, quem sabe apostando em mais um comercial”, conclui Jorge Fontenla.

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Motortec. Encontro ibérico marcado para Madrid É a feira de aftermarket com maior projeção internacional na Península Ibérica e merece uma visita. Os voos baratos ou as poucas horas de viagem de carro dão uma ajuda. Não falte! TEXTO CLÁUDIO DELICADO

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Motortec Automechanika de Madrid continua a crescer, a dois meses de abrir portas na Feria de Madrid. Mais de 500 empresas estão já confirmadas, número que representa já uma subida de mais de 25% em comparação com a última edição, em 2013. Todas estas empresas terão a oportunidade de apresentar as suas mais recentes novidades, produtos e soluções num certame pensado para fomentar os negócios entre fabricantes, distribuidores e oficinas. Seja como expositor ou como visitante, este é o ponto de encontro dos negócios a nível ibérico. Mas nem só de empresas portuguesas e espanholas se faz esta feira, uma vez que a presença internacional está garantida. Os visitantes profissionais da Motortec Madrid vão beneficiar de várias vantagens nesta edição. Com o slogan “1000 oficinas para a Motortec”, a organização desenvolveu uma campanha de forte apoio logístico pensada para ajudar na viagem e visita à Motortec por parte das

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oficinas de toda a Península Ibérica. Além disso, há também um programa de âmbito mais internacional, a fim de lidar com os mercados específicos, como o Norte de África e o Sul da Europa. Os visitantes e oficinas terão a oportunidade de assistir a apresentações e workshops que os expositores vão preparar sobre seus desenvolvimentos, inovações e soluções em espaços exclusivos como a Oficina Virtual ou o espaço Showroom. Todos eles pensados com um enfoque inovador que maximiza a participação e networking. Afinal, os contactos são também uma mais-valia deste tipo de eventos. E, mesmo que não permitam negócios imediatos, são lançadas sementes para relações futuras. A feira vai estar dividida por seis zonas: Peças e componentes; Eletrónica e sistemas; Acessórios e tuning; Reparação e manutenção; IT e gestão; Estações de serviço e lavagem. A organização da Motortec convida todos

os profissionais portugueses a visitarem a feira, tendo estabelecido algumas parcerias, nomeadamente com a ANECRA, com vantagens para associados. As inscrições podem já ser feitas online, no endereço que pode ver na ficha técnica deste artigo.

FICHA TÉCNICA MOTORTEC AUTOMECHANIKA MADRID DATA: 11 A 14 DE MARÇO DE 2015 LOCAL: FERIA DE MADRID CONTACTO: (+34) 917 225 034 WEBSITE: www.ifema.es/motortec_01 E-MAIL: motortec-automechanika-madrid@ifema.es


d dossier

Ferramentas. Qualidade e preços para todos O mercado português está inundado de ferramentas para o setor automóvel. Diz-se que existe um excesso de oferta, vinda sobretudo dos mercados asiáticos. Tal como em muitos outros produtos também nas ferramentas não é fácil ter no mesmo prato da balança preço e qualidade. TEXTOS PAULO HOMEM

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er dados sobre o mercado de ferramentas para o setor automóvel em Portugal é impossível. Nenhum operador tem números nem estatísticas do mercado. É apenas mais um indicador da desregulação que esta área de negócio atravessa, que se estende também ao produto em si e às questões comerciais. Sabe-se através do senso comum que as marcas mais conhecidas e tradicionais do mercado são aquelas que continuam a ter maior “quota de mercado”, porém, algumas marcas mais recentes no mercado português têm vindo a conquistar o seu espaço, fruto de um trabalho estruturado através de uma rede de distribuidores dedicados ao negócio. Também não é fácil distinguir a ferramenta do setor automóvel dentro do mercado global de ferramentas, já que o setor industrial assume uma forte representatividade na aquisição de ferramentas. Por isso, são pouco os representantes / distribuidores que trabalham em exclusivo com o setor automóvel (oficinas).

EXCESSO DE OFERTA Um dos grandes problemas é do excesso de oferta. Estimam alguns operadores que existam em Portugal perto de 100 marcas de ferramentas, a grande maioria das quais são marcas brancas ou marcas próprias. A grande invasão do mercado deu-se

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com a facilidade de importar, na última década, qualquer tipo de ferramenta dos mercados asiáticos. Tal poderia significar necessariamente baixa qualidade, o que por vezes é verdade, mas muitas das marcas Premium deste setor também têm fábricas na Ásia ou simplesmente têm fornecedores asiáticos que fabricam com patente de marca. Isto permite a estes construtores ter muitas vezes acesso a tecnologia e a novidades que depois colocam no mercado sem marca ou simplesmente com marca branca. Havendo excesso de oferta, o preço, nomeadamente das ferramentas de menor qualidade, baixa e nem sempre é percetível (pela aparente qualidade de construção de algumas ferramentas) distinguir a qualidade do produto. Noutro patamar, o da qualidade, também existem alguns operadores de ferramentas que estão perfeitamente segmentados pelo preço, mas também pela capacidade de inovação e de fazer chegar ao mercado novidades que consigam dar resposta aos carros cada vez mais complexos. É por isso que não são muitos que propõem no seu catálogo a ferramenta especial para o setor automóvel existindo, aliás, empresas especializadas neste tipo de ferramenta, muitas vezes de elevado preço mas que dão respostas a necessidades específicas das oficinas.

Também não é qualquer empresa que comercializa este tipo de ferramenta, que pela sua especialização exige conhecimento e acompanhamento técnico aos seus utilizadores. A TURBO OFICINA contactou diversos operadores, deixando nestas páginas um pouco da oferta do mercado, das novidades e uma opinião sobre o mercado das ferramentas daqueles que nele trabalham.

JONNESWAY LUSILECTRA

A Lusilectra comercializa em Portugal, através de um série de revendedores, as ferramentas profissionais Jonnesway. Esta empresa coloca à disposição do mercado uma gama completa de ferramentas manuais, em que é possível abordar os segmentos de mercado Auto, Industrial, Agrícola, Mineiro, Madeira e Marítimo, onde se incluem todos os seus respetivos subsegmentos.


Dentro de cada segmento, por exemplo do segmento auto, existe o sub segmento de pesados, ligeiros e motociclos, chapa e pintura. Como é uma marca que vem sendo desenvolvida há mais de 30 anos e está presente em todo o mundo, a Lusilectra tira partido dessa mesma experiência, propondo ferramentas de elevada qualidade a um preço bastante equilibrado. Um dos pontos fortes do posicionamento de mercado passa pela preocupação permanente em disponibilizar a um mercado utilizador (em dificuldades provocadas pela conjuntura económica), respostas com baixo custo sempre que seja necessário garantir apósvenda, como sejam os kits de reparação para a generalidade das ferramentas, o caso das chaves dinamométricas, roquetes e ferramentas pneumáticas. De salientar ainda que a Jonnesway possui uma larga gama de ferramentas especiais e ou dedicadas a marcas autos e modelos específicos, acompanhando as necessidade e evolução do mercado automóvel e as solicitações técnicas dos clientes profissionais. Um dos pilares dinâmicos da atividade passa por introduzir mensalmente referências novas em comercialização, sempre com o apoio da competitiva e experiente rede de distribuidores. Esta dinâmica é apoiada na permanente evolução técnica do produto desenvolvido pelo R&D da Jonnesway, dando origem a novidades exclusivas e algumas patenteadas. Destacar uma novidade é sempre difícil num leque tão alargado desta marca de ferramentas, mas a Jonnesway, através da Lusilectra disponibiliza um tipo de chave de aperto, em várias versões, designada por “SUPERTECH” que possibilita, com a mesma chave operar sete diferentes formatos de cabeça em parafusos ou fêmeas.

SNAP-ON LYNXPORT

como tendo a mais absoluta qualidade. A Snap-on tem um portfólio de mais de 22.000 produtos, opera em mais de 130 países e emprega 11.000 colaboradores em todo o mundo. Com sede em Kenosha, Wisconsin, EUA, a Snap-on desenvolve, fabrica e comercializa mundialmente ferramentas e soluções de ferramentas e equipamentos para profissionais. A Snap-on está listada na S&P 500 , tem vendas anuais de 3.2 biliões de dólares, cujas linhas de produtos incluem ferramentas manuais, pneumáticas e a bateria, armazenamento de ferramentas, equipamentos de diagnóstico, entre outros. As ferramentas Snap-on possuem a mais alta qualidade de construção, começando no aço, até aos métodos de produção e acabamento. Possui uma gama de produtos com a mais ampla seleção de ferramentas manuais. Como complemento, disponibiliza ainda uma ampla variedade de ferramentas a bateria, tendo até a mais poderosa chave de impacto sem fio do mercado. A marca americana tem o mais amplo e robusto conjunto de soluções de armazenamento do mercado para as suas ferramentas, que têm garantia vitalícia contra defeitos de material e produção. A Snap-on procura oferecer sempre soluções práticas, originais e criativas para o setor profissional. Combinando as necessidades do cliente com uma mentalidade prática de inovação contínua a Snap-on está constantemente a lançar novos produtos no mercado. Quer se trate de ferramentas manuais para atuarem nas condições mais rigorosas ou soluções de armazenamento robustas e que maximizam cada centímetro quadrado de espaço de trabalho, a inovação é uma qualidade encontrada em toda a linha de produtos desta marca. A Snap-on tem atualmente mais de 2.000 patentes em todo o mundo, o que atesta bem a sua liderança no mercado da ferramenta. A própria história da Snap-on iniciou-se há quase 100 anos (1920) com uma invenção revolucionária – o roquete e a chave de caixa. A tecnologia Dual 80 em chaves de roquete, produzindo as mais suaves e fortes chaves do mercado são das novidades mais recentes na ferramenta manual, em que também é utilizada para as chaves dinamométricas eletrónicas, com medição em NM, KG, Libras e Graus.

TENG TOOLS As marcas comercializadas pela Lynxport, empresa de Fátima, pertencem ao Grupo Snap-on Tools Company (Estados Unidos da América) sendo as principais a Snap-On e Blue-Point. A Snap-on é um dos líderes mundiais na produção e comercialização de ferramentas, que são universalmente reconhecidas pelos profissionais do setor

MONTENEGRO, FERNANDES & CA Para o setor automóvel a Montenegro, Fernandes & Ca trabalha em exclusivo para Portugal, Angola e Moçambique com a ferramenta Teng Tools. A empresa portuguesa aposta muito no conceito “Get organised” que incide nos kits e nos sistemas de arrumação. A Teng Tools melhorou muito a apresentação, sendo que agora os expositores da ferramenta são mais bonitos, harmoniosos e chamativos.


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Para este ano a empresa prevê um bom crescimento neste segmento de mercado da ferramenta manual, já que a Montenegro, Fernandes & Ca protege os seus revendedores em regime de exclusividade à zona e a própria Teng Tools fará mais uma vez uma aposta na visibilidade da marca através do patrocínio mundial ao piloto Peter Solberg (Campeão Mundial de Ralicross em 2014).

BAHCO, IRIMO SNA EUROPE

A SNA Europe comercializa em Portugal as ferramentas das marcas Bahco e Irimo. O principal destaque destas gamas de ferramentas vai para o design e qualidade que privilegiam a eficiência e a ergonomia na utilização. Esta constante procura de soluções de produtividade para os mecânicos tem o seu expoente máximo na gama ERGO desenvolvida em estreita colaboração com utilizadores, ergonomistas e especialistas de design industrial. Uma das principais novidades introduzidas no mercado é a nova gama de arrancadores de Lithium que, para além de serem mais compactas e mais leves, têm uma duração três vezes superior. Outra das novidades encontra-se no site da Bahco, onde pode ser encontrada uma aplicação recentemente lançada de procura de ferramentas específicas para cada marca/ motor de automóvel. Com o “Engine Tool Finder” cada utlizador encontra com muita facilidade o kit de ferramentas necessário para reparar o motor que têm em mãos.

BETA BOLAS A Bolas, S.A. detém a representação exclusiva da marca de ferramentas manuais Beta para o mercado português, Angola e

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Moçambique desde Janeiro de 2013 . Foi efetuado um investimento considerável no relançamento de uma marca de grande notoriedade no mercado português, de forma a assegurar níveis de performance e satisfação elevados. Os stocks, assistência técnica e suporte de marketing são assegurados a partir da sede em Évora e delegações em Alverca e Freixieiro. A distribuição é efetuada através de uma vasta rede de revendedores especializados nas diferentes áreas geográficas. A Bolas aposta na promoção da marca em feiras nacionais e locais, dispondo inclusive de um camião “roadshow”, apto a participar em vários tipos de eventos. A marca Beta possui um portefólio bastante diversificado que abrange todo o tipo de ferramenta manual, carros de ferramentas, ferramentas pneumáticas, soluções especiais para o setor automóvel, equipamento para oficina e ainda vestuário e calçado de trabalho. Investe continuamente em investigação e desenvolvimento, no sentido de apresentar anualmente novas soluções, otimizar a ergonomia do produto e garantir uma notável capacidade de produção e entrega. Nos últimos anos, a Beta tem efetuado uma grande aposta na conceção e desenvolvimento de ferramentas especiais para o setor automóvel, que permitem oferecer soluções para problemas de diagnóstico e reparação específicos, economizando tempo e facilitando tarefas morosas. Trata-se de um nicho de mercado em crescimento e, como tal, em 2015 a gama foi de novo complementada, prevendose o lançamento em Fevereiro de novas ferramentas de diagnóstico, entre as quais um aparelho de teste digital para velas de incandescência em aço e cerâmica, uma pinça amperimétrica AC/DC com LED ideal para correntes baixas e um videoscópio eletrónico com sonda flexível que permite gravar vídeos ou imagens diretamente no instrumento. A nível de reparação do motor destacamos diversos kits de deteção de fugas na junta da cabeça, no turbo ou nos sistemas de refrigeração bem como uma bomba manual de óleo para caixas de velocidade manuais e automáticas. Dentro da gama auto , outras novidades que constarão do folheto promocional Beta Action 2015 são: boosters portáteis, disponíveis nas versões de 12 V e 12-24 V, equipados com bateria blindada Genesis, um dos mais conceituados fabricantes de baterias do mundo; aparelho de teste de baterias digital com software de impressão a partir do PC: carro de ferramentas com colunas rebatíveis para maior facilidade de transporte e assistência no exterior; roquete reversível de ½” com punho rotativo, ideal para trabalhar em espaços apertados.

KRAFTWERK / LASER TECNIVERCA

Em termos de ferramenta manual especial automóvel as marcas que a Tecniverca mais vende são a Kraftwerk (Suiça) e a Laser (Inglaterra). Em primeiro lugar, a qualidade, tanto num caso como outro, é o principal destaque, sendo que em termos de ferramenta manual mais generalista a Kraftwerk seja a marca a destacar. A marca de referência é a Laser, pertencente ao Grupo Toolconnection, com diversas áreas de ação, como a Gunson para os automóveis clássicos, a Powertec para os chapeiros, a Connect para os consumíveis e a Eldon no fabrico, investigação e desenvolvimento das ferramentas. A Laser é uma ferramenta mais específica para o setor auto com uma linha de produtos muito alargada com várias ferramentas desenhadas e fabricadas em Inglaterra, como é o caso de toda a linha de ferramenta para distribuições 100% feita no reino unido, que disponibiliza toda a informação necessária à sua utilização quer em CD como um motor de busca “online” em colaboração com o Autodata. É provavelmente a ferramenta com maior linha em Portugal..

ESTIMA-SE QUE EXISTAM EM PORTUGAL PERTO DE 100 MARCAS DE FERRAMENTAS, A GRANDE MAIORIA DAS QUAIS MARCAS BRANCAS OU PRÓPRIAS


A mais recente novidade é um saca injetores desenhado (concebido) em exclusivo na Laser (Grupo Toolconnection) em que se consegue solucionar 99% dos problemas que representa retirar um injetor.

RONIN TOOLS IMPOESTE

dinamométricas e a ferramenta especial de aperto de bombitos. Na marca Crescent destaque para os jogos completos de ferramentas de qualidade em mala. As novidades, que são constantes nesta marca, são também a chave inglesa com roquete e as chaves X6 luneta / roquete com 4 medidas em cada chave. Com apenas duas chaves consegue-se “apertar” a gama completa de medidas para automóveis.

Especializada em ferramenta para o setor automóvel, a Profitaward comercializa para os seus clientes a marca Cartull, como também as marcas Kroftools, Jonnesway, entre outras. O principal destaque nas ferramentas comercializadas por esta empresa é a ferramenta específica para utilização no setor automóvel. As principais novidades estão nos sincronizadores da distribuição, mas também nos sacas de injectores.

KS TOOLS / GOVONI MAXOLIT

KROFTOOLS

A Impoeste representa e comercializa em Portugal as ferramentas da Ronin Tools. Esta marca disponibiliza ferramentas de qualidade desenvolvidas de acordo com as necessidades, ambições e experiência dos utilizadores profissionais nos processos de desmontagem e montagem. São fornecidas de forma individual, em conjuntos, em malas ou em carros completos onde estão disponíveis todas as ferramentas necessárias para cada tipo de trabalho. As características que mais se destacam nestas ferramentas, para além da qualidade, ergonomia e apresentação, é a possibilidade de reposição de qualquer elemento de forma individualizada (p. ex., uma ponteira), a identificação nas caixas de todas as ferramentas para uma arrumação mais simplificada e a oferta de uma garantia vitalícia em toda a gama. A principal novidade é a Ronin Suitcase, um conjunto completo de 43 ferramentas da Ronin para os profissionais que andam “na estrada”. Totalmente completo o Ronin Suitcase é organizado num estojo compacto.

ELORA / CRESCENT FONSECA, MATOS & FERREIRA A Fonseca, Matos & Ferreira comercializa, entre outras marcas, as ferramentas da Elora e Crescent. Na Elora o destaque vai para os módulos OMS em espuma contrastante para maior e melhor controlo. Sobressai ainda o novo catálogo E90 com secção destacada de 50 páginas para o ramo automóvel com as novas chaves

KROFTOOLS A empresa de Braga Kroftools está focada apenas na venda dos produtos da sua marca Kroftools, destinada apenas a revenda, não sendo comercializada ao consumidor final. Na ferramenta Kroftools o destaque vai para os carros de ferramenta, com bastante qualidade e com composições de ferramenta manual bastante diversificada. A mais recente novidade da Kroftools foram as prensas hidráulicas. Uma gama de prensas com varias dimensões e capacidades.

CARTULL PROFITAWARD

As marcas principais de ferramenta manual que a Maxolit importa para o setor automóvel são a Ks Tools (Alemanha) e a Govoni (Itália). A Ks Tools tem uma gama muito diversificada, com permanentes novidades que acompanham a tecnologia automóvel. Apresenta uma excelente qualidade e uma boa apresentação. A Govoni é uma marca de ferramenta especializada em sincronismo de motor, extração de velas e injetores, desenvolve e pesquisa ferramentas OEM, partilha parte da gama com outras marcas de ferramenta e cada vez mais é solicitada por fabricantes de automóveis para desenvolvimento de novos projetos. Possui uma fabricação com calibração certificada conferindo segurança a todos utilizadores profissionais. Na Ks Tools uma das novidades com mais destaque, é a nova máquina de impacto apenas com 9,9 cm e com binário de 1050 nm. É muito fácil de manusear devido ao baixo peso 1,4 kg e proporciona uma grande adrenalina ao utilizador devido à força que exerce, merecendo grandes elogios de grande parte dos profissionais que a adquirem. A Govoni apresenta uma ferramenta para sacar injetores universal, que permite extrair 90% do injetores de todo o parque automóvel substituindo vários extratores. Esta ferramenta permite ao utilizador economizar bastante, porque não necessita de desmontar FEVEREIRO 2015

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o injetor na extração do mesmo, poupando na afinação necessária sempre que se desmonta.

FACOM FACOM A Facom possui uma longa tradição na fabricação de lanternas de inspeção com LED. Através da nova gama 779.SIL, a Facom fornece aos seus clientes do setor automóvel, uma solução de iluminação, apresentada num novo formato, compacto e leve e que atende todas as expetativas do mercado. A referência 779.SILR é uma lanterna fina de inspeção sem fios, recarregável, enquanto a referência 779.SILC é a sua homóloga com fios. O design fino de ambos os modelos proporciona maior versatilidade, eficiência e durabilidade. A lâmpada 779.SILR proporciona até oito horas em iluminação continua, enquanto o design da lâmpada 779.SILC permite que seja conectada a várias fontes de energia.

MERCADO Às diversas empresas que foram contactadas para desenvolver este trabalho sobre ferramentas, a TURBO OFICINA, colocou duas questões sobre o mercado:

1 Como caracteriza o mercado português ao nível da ferramenta manual para o setor oficinal? Procura-se preço ou qualidade? 2 Porque razão continuam a aparecer no mercado tantas marcas de ferramentas? JONNESWAY RAUL VERGUEIRO - LUSILECTRA 1 Com os acontecimentos de 2011, assistimos à alteração do paradigma da marca, para passarmos ao paradigma do produto. Queremos dizer com isto que o trinómio preço/ qualidade/disponibilidade, passou a ser a verdadeira força motriz para que uma marca se imponha com credibilidade e, sobretudo, com garantias de continuidade de presença no mercado. O equilíbrio é, portanto, uma força e se ajudada pelo custo controlado de manutenção temos o coktail perfeito para fazer face ao

contexto envolvente que vivemos hoje. 2 Assente na verdade de 2011, ficou muito mercado descoberto pelo desinvestir de algumas empresas e consequentemente de alguns canais de distribuição. Assistimos a um desmembramento de empresas importantes que se desdobraram em empresas novas e mais pequenas, pelo que um projeto de representação de ferramenta não será difícil de iniciar. O mais difícil é, sem dúvida, o que mais exige capacidade técnica, comercial e sobretudo económica. Um dos desafios da Lusilectra tem sido dar continuidade e solidez ao processo de

CONTACTOS JONNESWAY Lusilectra Raul Vergueiro 226 158 660 lusilectra@lusilectra.pt www.lusilectra.com SNAP-ON Lynxport David Oliveira 249 538 164 info@lynxport.com www.lynxport.com

BETA Bolas Elizabete Bolas 266 749 300 geral@bolas.pt www.bolas.pt

TENG TOOLS Montenegro, Fernandes & Ca José Coelho 224 664 540 comercial@montenegrofernandes.pt www.montenegrofernandes.pt

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BAHCO, IRIMO SNA Europe Pedro Azevedo 252 650 161 info.pt@snaeurope.com www.bahcoworld.com/ www.bahco.com/enginetoolfinder

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KRAFTWERK / LASER Tecniverca Alexandre Corricas 219 584 273 alex@tecniverca.pt www.tecniverca.pt

RONIN TOOLS Impoeste João Calha 261 337 250 geral@impoeste.pt www.impoeste.com

CARTULL Profitaward Bruno Costa 249 545 600 profitaward@gmail.com www.profitaward.pt

ELORA / CRESCENT Fonseca, Matos & Ferreira Stephen Ainslie 218 610 610 fmf@fmf-ferramentas.com www.fmf-ferramentas.com

FACOM Facom http://www.facom.com/pt

KROFTOOLS Kroftools Ruben Cardoso 253 200 250 marketing@kroftools.com www.kroftools.com

HAZET Intermaco http://www.intermaco.pt/ BERNER Berner http://shop.berner.eu/berner/pt/start

WURTH Wurth www.wurth.pt KS TOOLS / GOVONI Maxolit www.maxolit.com/ USAG Ferbasa ferbasapt.com/ AST Feiramaq www.feiramaq.pt


importação e representação. Até à data conseguimos ultrapassar os objetivos propostos, ao ponto da Lusilectra ser convidada pela Jonnesway a abordar outros mercados com a mesma postura profissional e capacidade de resposta. Usar e ter ferramenta é provavelmente um dos atos básicos de qualquer atividade e uma necessidade que o homem desde sempre se habituou a considerar um produto imprescindível. Umas vezes mais artesanal que outras mas sem as quais nada se faz, inlusive ao nível da sobrevivência. Assim com o avançar da humanidade estamos em crer que o papel deste tipo de produtos será sempre fundamental. A marca Jonnesway tende a posicionar-se como um novo referencial no mercado mundial deste tipo de produtos e nós, Lusilectra, cá estaremos para dar aos mercados que abordamos o necessário suporte e a dimensão que o negócio exige.

SNAP-ON DAVID OLIVEIRA - LYNXPORT 1 Cada vez mais os clientes procuram ferramenta que seja fiável a nível de durabilidade e resistência, mantendo a satisfação máxima na utilização da ferramenta que vão adquirindo e, com isto, também evitam custos a curto e médio prazo. A SnapPUBLICIDADE

NÃO É QUALQUER EMPRESA QUE COMERCIALIZA ESTE TIPO DE FERRAMENTA, QUE EXIGE CONHECIMENTO E ACOMPANHAMENTO TÉCNICO on, além de apresentar outros equipamentos, aposta fortemente na ferramenta manual, sendo o que mais se utiliza diariamente. Os nossos clientes têm comprovado que a relação preço/qualidade na marca Snap-on acaba por ser uma excelente compra. 2 O mercado oficinal exige permanentemente que os seus fornecedores tenham ferramenta para acompanhar a evolução automóvel, além disso, e principalmente na ferramenta manual, os clientes acabam por ter necessidade de substituí-las pelo desgaste originado ao longo dos anos. Por isso, a aposta pela Snap-on passa por querer apresentar sempre ferramenta com altas prestações e durabilidade acima da média.

TENG TOOLS JOSÉ COELHO - MONTENEGRO, FERNANDES & CA 1 Tem sempre que existir uma relação qualidade / preço. Nem sempre o que é caro é bom mas o que é barato demais pode

ser um problema quando se utiliza a nível profissional. 2 - Como em todos os negócios haverá sempre concorrência. Nem é demais nem é de menos, temos que respeitar quem aposta em marca própria ou em marca de renome.

BAHCO, IRIMO PEDRO AZEVEDO - SNA EUROPE 1 O mercado português encontra-se cada vez inundado de produtos e marcas que, na maior parte dos casos, não são mais que replicações das marcas de referência. Creio que sendo o preço um fator obviamente importante, o setor oficinal acaba sempre por decidir pela solução que lhe trará produtividade no seu negócio e isso passa obviamente pela qualidade. As questões da segurança no trabalho e das doenças profissionais vão introduzir, com toda a certeza, o fator ergonomia das ferramentas na equação da decisão de compra. 2 A facilidade que hoje existe em importar equipamento asiático e a crise económica que pressiona os preços, levou a que alguns distribuidores europeus tivessem a tentação de deixar as marcas de referência e criassem marcas próprias. Os próprios fabricantes foram obrigados a criar segundas marcas para proteger as suas marcas principais.


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Penso que estes fatores em conjunto com as marcas de grandes superfícies são as principais razões para o aparecimento da multiplicidade de marcas atual.

uma segunda marca mais competitiva para se adequar às novas exigências do mercado. Hoje em dia existem fábricas que produzem para várias marcas, em que a única diferença será o preço de venda no mercado. O contínuo aparecimento de novas marcas no mercado é semelhante ao que se passa em muitos outros produtos. A ferramenta de qualidade superior vai continuar a marcar a diferença com novidades também de qualidade. As novidades para as marcas de custo inferior muitas vezes resumem-se a adicionar uma luz LED à uma ferramenta já conhecida.

BETA ELIZABETE BOLAS - BOLAS 1 A nossa experiência de 50 anos no mercado, não só a nível de ferramenta manual, mas como fornecedores globais de máquinas e ferramentas para a indústria em geral, confirma-nos que o utilizador profissional valoriza a qualidade. O profissional está disposto a pagar um pouco mais por uma ferramenta de qualidade superior, porque sabe que o seu investimento se amortizará facilmente em termos de longevidade e rendimento da ferramenta. O nível de exigência que é colocado à ferramenta manual na indústria, leva a que haja uma necessidade de substituição mais frequente, daí que o fator durabilidade seja decisivo. Obviamente não ignoramos a importância do fator preço. Por isso, da nossa parte, há sempre a preocupação de selecionar as melhores soluções para o profissional exigente, mantendo um posicionamento de preço competitivo e compatível com o nível de qualidade e serviço que pretendemos oferecer. 2 No segmento em que nos posicionamos, a Beta é um dos principais players do mercado. A crise económica e financeira em conjunto com uma grande diversidade de marcas de origem asiática (China e Índia) terá provocado um aumento no número de marcas presente no mercado, numa tentativa de oferecer alternativas de baixo custo. O consumidor que não utiliza ferramenta manual numa base diária não terá certamente o mesmo nível de exigência que o profissional, daí que procure alternativas mais económicas. Os resultados alcançados nos últimos anos foram bastante positivos e consideramos que a Beta veio valorizar o nosso portfolio de produtos. No ano em que celebramos 50 anos de atividade, podemos afirmar que encaramos o futuro com otimismo e vontade de continuar a inovar quer em termos de produtos quer de serviços.

KRAFTWERK / LASER ALEXANDRE CORRICAS - TECNIVERCA 1 O mercado português tal como o setor dos equipamentos continua com muito material sem qualquer qualidade ou regulamentação, onde podem ser importadas e vendidas ferramentas sem qualidade e sem instruções de uso, em que o seu manuseamento provoca acidentes frequentes, etc. Isso traz aos nossos mecânicos acesso a ferramenta mais económica mas que dificilmente executa o seu trabalho a 100%, como é o caso da ferramenta de distribuição que, com má informação, algumas vezes copiada e que não corresponde ao que vendem, traz graves

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KROFTOOLS prejuízos tanto para a oficina como para os seus clientes. Penso que existe procura por qualidade com uma boa relação de preço. Quem é profissional compra ferramenta de qualidade mas o mecânico do “vão de escada” compra preço. 2 A abertura dos mercados aos produtos asiáticos veio trazer muitas marcas que não passam disso mesmo: “marcas”, fabricadas na sua maioria em grande escala e que aparecem no mercado com as mais diversas marcas. Vendem-se sempre os produtos “tipo” de grande rotação copiados, que não trazem nenhuma inovação ao mercado, ficando isso sempre por conta das marcas de qualidade com o seu próprio fabrico, investigação e desenho.

RONIN TOOLS JOÃO CALHA - IMPOESTE 1 Cada vez mais o mercado está a optar pelas soluções mais económicas, ou seja, as de menor preço, em detrimento da qualidade e isso reflete-se de forma negativa na produtividade e na qualidade do serviço dos profissionais do setor oficinal. 2 Este setor, como muitos outros, está a ser influenciado pela facilidade de produção em mercados onde a qualidade de fabrico e os materiais utilizados são de baixa qualidade. Desta forma, é fácil inundar o mercado de produtos cuja qualidade e assistência é fraca mas o preço de compra muito apelativo. São no fundo, ferramentas descartáveis.

ELORA / CRESCENT STEPHEN AINSLIE - FONSECA, MATOS & FERREIRA 1 As oficinas cada vez mais estão a pedir preços mais competitivos para a ferramenta geral. No entanto, existem, cada vez mais, solicitações de ferramenta específica para trabalhos especializados, em que o preço não é o fator mais importante. 2 Com o aumento da competitividade no setor auto, abriram-se oportunidades para a entrada de novas marcas, a preços mais baixos. Por outro lado, as marcas “tradicionais” menos competitivas tiveram necessidade de criar

RUBEN CARDOSO - KROFTOOLS 1 Na nossa opinião, temos um mercado bastante competitivo com muita oferta. No contexto atual de crise, destacou-se um pouco mais a procura de melhores preços. 2 Existe um grande mercado de ferramenta automóvel devido ao enorme crescimento de oficinas nesta última década.

CARTULL BRUNO COSTA - PROFITAWARD 1 Infelizmente a pergunta que mais se ouve é: “quanto custa?” Sendo que na maioria das vezes o cliente e o fornecedor não sabem muito bem de que é que se está a falar. Ou seja, a nossa pergunta é sempre: “quanto custa, o quê?” 2 Infelizmente na cadeia de distribuição de ferramentas, quem consegue a mais-valia maior é o importador. Acaba por ser um bom negócio para a importação e é fácil “criar” uma marca: as ferramentas são adquiridas a fabricantes generalistas que posteriormente as gravam a laser com a marca que quiserem. A fundição com marca é uma coisa do passado. Julgo que iremos assistir em breve à contrafação de ferramentas.

KS TOOLS / GOVONI ARTUR TOMÁS - MAXOLIT 1 - O mercado português está cada vez mais exigente, a qualidade das ferramentas espelham o profissionalismo do utilizador. Estes sabem que uma boa ferramenta é sinónimo de produtividade e na grande maioria optam uma ferramenta de marca, apenas quando a situação económica não permite optam por linhas económicas. 2 - Quando todos trabalham a mesma marca é fácil para o utilizador saber qual o melhor negócio. Como existe cada vez mais concorrência no mercado, o refúgio e o marketing de algumas empresas passam por terem marcas próprias, por vezes para esconderem a proveniência das ferramentas ou para diferenciar o preço. A Maxolit prefere trabalhar a marca original do fabricante. O profissional utilizador está cada vez mais informado, dando preferência às marcas com permanente desenvolvimento e qualidade.


4 RAIO X

Citroën Berlingo Electric. Trabalho verde TEXTO CLÁUDIO DELICADO FOTOS JOSÉ BISPO

Em percursos pequenos, citadinos e sem grande exigência em termos de carga, pode ser o aliado perfeito, especialmente agora que as restrições de circulação nos centros urbanos são cada vez maiores.

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ão cada vez mais as marcas que apostam em versões elétricas dos seus comerciais mais conhecidos. São várias já as cidades europeias onde o número de veículos deste género que circulam diariamente (muitas por restrições ambientais) está em crescimento. A Citroën decidiu, por isso, trazer a versão elétrica do Berlingo para Portugal. A sua utilização tem que ser para fins muito específicos, pela limitação da autonomia. Este tipo de veículos está pensado para empresas que percorrem, em média, 100

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km por dia, seja em entregas ou em visitas a clientes. A Citroën anuncia uma autonomia de 170 km por cada carga completa, mas é um valor demasiado otimista. Isso seria em condições perfeitas, difíceis de alcançar no dia-a-dia. O custo deste carregamento é, de acordo com estudos efetuados em Portugal, de cerca de dois euros, o que faz com que o custo por quilómetro seja muito baixo. A tática é simples: trabalha durante o dia, carrega durante a noite. As baterias, de 22,5 kWh, foram totalmente integradas sob a superfície inferior do

veículo, que mantem um comportamento dinâmico em tudo semelhante à versão convencional, assim como o conjunto das ajudas úteis do seu equivalente com motor térmico. Além disso, a cabina Extenso (presente na unidade ensaiada), que permite o transporte de 3 pessoas, melhora a versatilidade (assentos dos passageiros moldados e escamoteáveis), mas também os valores úteis do veículo. O motor elétrico é construído em parceria com a Mitsubishi e fornece 67 CV e 200 Nm de binário às rodas dianteiras, utiliza


uma transmissão de velocidade única, comandada através de um botão circular na consola central. O Berlingo elétrico está também equipado com um sistema de regeneração de travagem e mal o condutor retira o pé do acelerador há uma clara desaceleração. Este é um dos fatores pelos quais é preciso aprender a conduzir um elétrico, para otimizar a energia disponível. PARTICULARIDADES ELÉTRICAS Para ajudar no controlo, o Berlingo elétrico tem alguns indicadores específicos, entre eles um gestor que indica a potência distribuída em tempo real pela bateria, assim como o nível de regeneração de energia, em desaceleração e na travagem. Mas há também um indicador de consumo auxiliar, que indica o consumo do aquecimento e da climatização que são alimentadas pela bateria principal. O ar condicionado é, se o objetivo for preservar a baterias, de evitar, uma vez que o ponteiro do consumo auxiliar sobe muito rapidamente. O melhor é usar sempre o modo “Eco”. O carregamento normal, na rede de 230V, pode ir das 8 horas de carga (14A) até às 15 horas (8A). Como tal, as instalações da empresa que opere este tipo de veículos deverá trabalhar com 14 amperes para que tenha um período de imobilização de apenas 8 horas o que, idealmente, acontecerá durante a noite. Apesar disso, está ainda disponível um carregamento rápido, que terá que ser feito num terminal de recarga específico alimentado por 380 V, com um tempo máximo de recarga de 30 minutos para uma recarga de 80%. Destaque ainda para o assistente de arranque em subida, um bom aliado no trânsito citadino, tal como os sensores de estacionamento (opcionais). Nesta versão L1, a carga máxima é de 3,7 m3 (pode chegar aos 4,1 m3 na versão L2), com um comprimento de carga de 1,80 metros. A carga útil pode atingir 510 kg, sendo que o peso aqui será sempre um inimigo da autonomia. O acesso é fácil, tanto pela porta lateral de correr como pela porta de folha dupla na traseira. No caso da unidade ensaiada, a solução encontrada para o pneu de reserva (dentro da caixa de carga), diminui a área útil. Quanto ao preço a pagar, a versão convencional da Berlingo (com motor 1.6 HDi) tem um preço de 20.290 euros, enquanto a versão elétrica sobe até aos 34.540 euros, um valor substancialmente mais alto, mas que pode compensar pelo baixo custo de utilização, pelo acesso a todos os centros urbanos e também pelos incentivos fiscais à compra de elétricos em vigor, além da responsabilidade ambiental, uma preocupação cada vez maior nas empresas.

O Berlingo elétrico é em tudo semelhante à versão convencional, mas esconde um motor elétrico e as baterias que permitem circular cerca de 125 km com uma carga. Tem limitações, mas também tem vantagens.

FICHA TÉCNICA CITROËN BERLINGO ELECTRIC DIMENSÕES C/L/A: 4,38 M; 2,11 M; 1,81 M CARGA: 510 KG VOLUME ÚTIL: 3,7 M3 MOTOR: ELÉTRICO 67 CV AUTONOMIA: 170 KM (125 KM TESTADOS) VELOCIDADE MÁXIMA: 110 KM/H BINÁRIO: 200 NM CONSTANTES

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Renault Eolab. Panóplia de inovações

Não é apenas um carro. É um tubo de ensaio para novas peças, novos materiais, novas soluções tecnológicas. Preste muita atenção ao Eolab da Renault, o carro que gasta um litro aos cem.

TEXTO ANTÓNIO AMORIM

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ão, ao todo, mais de cem as inovações técnicas reuniadas neste protótipo Renault Eolab. Tudo para conseguir gastar apenas um litro aos cem (22g de CO2/km). Para conseguir esse objetivo, é um carro extremamente leve, pesando 955 kg (menos 400 quilos que um Clio), é super aerodinâmico (cx de 0,234) e utiliza um conjunto propulsor híbrido de recarregar na tomada, com 60 km de autonomia elétrica. Mas o mais interessante de tudo é que, do caderno de encargos, fazia parte uma exigência muito concreta: todas as inovações tinham de estar ao alcance da industrialização atual, sem aumento de custos. É por isso que, em dez anos, surgirão progressivamente nos carros de série da Renault. O projeto nasceu há dois anos e responde ao desafio que o governo francês colocou às marcas gaulesas para comercializarem um carro capaz de consumir menos de 2l/100 km até 2020. Neste pressuposto, o Eolab

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nasce numa lógica de partilha com parceiros franceses como a Saint-Gobain para os vidros, a Faurecia para os bancos, a Michelin para os pneus e a Continental para os travões, embora façam também parte do projeto outros parceiros não franceses, como a coreana Posco para alguns componentes de metais leves da carroçaria. GUERRA AO QUILO Quanto mais leve for um veículo, menos peso há a locomover, o que permite a utilização de um motor mais pequeno, portanto mais leve e económico. É a espiral da poupança. Com a diversificação de materiais leves na carroçaria ganharam-se 130 kg, indo buscar mais 110 kg em novos materiais relacionados com os revestimentos e equipamentos elétricos e outros 160 quilos ao chassis e motores. Com estes ganhos o Eolab com o seu novo sistema híbrido e o pequeno motor de três cilindros e 999 cc herdado do novo Twingo, gasta um litro por cada cem quilómetros.

Para contornar os elevados custos do alumínio ou da fibra de carbono, o Eolab utiliza aço de limite elástico extremamente elevado (TTHLE), com uma resistência que pode chegar aos 150 g por milímetro quadrado. O tejadilho é de magnésio. Já o piso do carro, desenvolvido pela Faurecia, é de um composto de fibra de vidro extremamente rígido e leve. Nas ligações ao solo estreia um eixo de torção traseiro de material compósito em fibra, com metade do peso habitual. Os travões contribuem com um ganho de 14,5 quilos, com a ajuda de três inovações levadas a cabo com a colaboração da Continental e que estarão nos modelos de produção dentro de dois a quatro anos. O ABS, ESP, break assist e bomba de travões estão incorporados num módulo único e os discos têm superfície de fricção em aço mas o miolo é de alumínio, num ganho de 4,7 kg. No travão de mão o Eolab perdeu peso ao recorrer a um novo sistema elétrico e automático, com o motor acoplado ao tambor traseiro.


O Eolab também ensaia novas soluções estruturais e de funcionalidade. Tem três portas laterais, uma do lado do condutor e duas do lado do passeio

O CADERNO DE ENCARGOS DA RENAULT OBRIGAVA A QUE CADA INOVAÇÃO FOSSE INDUSTRIALIZÁVEL SEM ACRÉSCIMO DE CUSTOS, PARA QUE O CARRO POSSA TER PREÇO FINAL ACESSÍVEL AO CONSUMIDOR COMUM CONTRA O QUILO E CONTRA O VENTO A Saint-Gobain deu ao Eolab um para-brisas de formato aerodinâmico e 5,5 kg mais leve, e que poderá passar à produção em massa já em 2018. Tem vidro com a espessura de um risco de lápis. Passou de 4,5 para 3mm, mantendo a mesma performance, o que não foi fácil porque o para-brisas contribui com 40 por cento da rigidez estrutural de um carro. O contributo da Saint-Gobain estende-se ao vidro traseiro, solidário com a cobertura dos farolins numa só peça e feito de polímero (plástico envernizado), 40 por cento mais leve que o vidro. Até os bancos contribuem. Os dianteiros têm

uma estrutura 35 por cento mais leve, graças à combinação do alumínio com o magnésio e a fibra de carbono. Há ainda painéis de revestimento mais finos e com miolo em espuma, por exemplo nas guarnições da bagageira, assim como condutas de ar de densidade reduzida (polipropileno expandido), patenteadas pela Renault. A segunda grande opositora ao movimento de um veículo é a atmosfera. Este veículo laboratório é 30 por cento mais eficaz que um Clio a cortar o vento. Tudo começa no formato em gota de água, mas há também um conjunto de elementos ativos. O primeiro é a suspensão pneumática ativa, que varia a distância ao solo. A partir dos 5 km/h o carro rebaixa 25mm. Aos 70 km/h os amortecedores baixam outros 25 mm e surge um spoiler ativo debaixo do para-choques da frente e dois flaps laterais abrem-se atrás das rodas traseiras, para evitar turbulências. As rodas ajudam com pneus “tall & narrow” de baixa resistência ao avanço (menos 15 % que no Clio), muito estreitos (145 mm) e altos

(diâmetro de 64 cm), com perfil aerodinâmico, especialmente concebidos pela Michelin. São ajudados por jantes de 17 polegadas cujos raios em diafragma abrem ou fecham consoante a prioridade esteja na redução do arrasto ou no arrefecimento dos travões. Só no grupo propulsor o Eolab ensaia uma proposta que reúne 30 patentes. O sistema Z.E. Hybrid combina o pequeno motor de três cilindros a gasolina de 999cc com 75 CV (95 Nm) de potência que conhecemos do novo Twingo, com um motor elétrico discoide com 67 CV e um binário de 200 Nm. A parte mais curiosa está na caixa de apenas três velocidades, que dispensa a pesada embraiagem mas que consegue, mesmo assim, abranger todos os intervalos de velocidade do veículo. O motor elétrico é alimentado por uma bateria de iões de lítio com 6,7 kWhque garante uma autonomia elétrica até 60 km. Revolucionárias mas realistas, todas estas inovações do Eolab estão a caminho das linhas de montagem. Oficinas, preparem-se!

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RAIO X

Trabalho de formiga A revolução operada pelo Eolab está na grande quantidade de pequenas inovações. São, ao todo, mais de cem, com dezenas delas patenteadas pela Renault.

O habitáculo está recheado de ecrãs digitais. Muitos deles substituem os retrovisores, para melhorar a aerodinâmica

A bomba de travões está inserida no mesmo módulo que reúne o ABS, o ESP e o Break Assist (assistência à travagem de emergência)

As maxilas de travão foram “emagrecidas” na quantidade de material (a amarelo) enquanto os discos têm miolo de alumínio

A colocação do motor elétrico do travão-de-mão automático junto do tambor reduz peso e custos, facilitando a sua aplicação em carros mais baratos

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A Saint-Gobain desenvolveu um para-brisas mais aerodinâmico e especialmente fino, apenas com 3 mm de espessura contra os habituais 4,5 mm. Tecnologia que entrará na produção em massa já em 2018

Também há aerodinâmica ativa nas jantes. Os raios abrem quando é necessário arrefecer os travões, por exemplo num percurso de descida de montanha, ou fecham para melhorar a aerodinâmica, por exemplo, na autoestrada


A coreana Posco desenvolveu aços de ultra alta resistência que podem ser estampados a quente sem rachar. É assim que é feito o pilar

Um novo eixo de torção traseiro em fibra permite poupar imenso peso. Foi desenvolvido pela própria Renault

Duas pequenas asas verticais abrem-se junto às rodas traseiras a velocidades mais elevadas, para eliminar as turbulências que tendem a travar o carro

A linha de escape é curtíssima e inclui um silenciador em plástico. É leve e cala bem o pequeno motor de 3 cilindros vindo do Twingo

GRUPO PROPULSOR Z.E. HYBRID

O piso do carro é em fibra de vidro e extremamente rígido e leve. A Faurecia é a autora

1 Motor a gasolina de 3 cilindros 2 Motor elétrico 3 Caixa de 3 velocidades sem embraiagem 4 Eletrónica de potência 5 Bateria de iões de lítio de 400 V

6 Depósito de combustível 7 Linha de escape curta, em plástico 8 Sistema otimizado de recuperação de energia 9 Tomada de corrente elétrica

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Nota: Se é um fornecedor e tem alguma questão ou quer a sua informação incluída nestas radiografias, contacte James Clark através do e-mail james.clark@ihs.com ou visite www.supplierbusiness.com

ELEMENTOS DE FIXAÇÃO DE CAÓNI HELLERMANNTYTON

DIAFRAGMAS DE GESTÃO DE COMBUSTÍVEL CONTITECH

RETROVISORES INTERIOR E EXTERIORES FICOSA

TUBOS DO SISTEMA DE REFRIGERAÇÃO NORMA

MAXILAS DE TRAVÃO (4 ÊMBOLOS) BREMBO

DISCOS DE TRAVÃO DIANTEIROS FEDERAL-MOGUL

TUBOS DE COMBUSTÍVEL TI AUTOMOTIVE

BOMBA DE ÓLEO KSPG AUTOMOTIVE

PISCAS GRUPO ANTOLIN CML

PASTILHAS DOS TRAVÕES ITT ITALIA

PROTEÇÕES DE CABLAGENS DELFINGEN

VÁLVULA REGULADORA DE VÁUO KSPG AUTOMOTIVE

VOLANTE DO MOTO DE DUPLA MASSA LUK

VELAS (ILKAR7D6G, MOTOR: 1750 TBI EU6) NGK SPARK PLUGS

FILTROS DE HABITÁCULO EM CARVÃO ATIVO MAHLE

ALFA ROMEO 4C. QUEM FAZ O QUÊ?

SUPPLIERBUSINESS

MÓDULO HIDRÁULICO (CAIXA DTC DE 6 VEL.) BORGWARNER

DEPÓSITO DE COMBUSTÍVEL EM PLÁSTICO KAUTEX TEXTRON

ACESSÓIOS DO BOCAL DE ENCHIMENTO ZANINI INDUSTRIES

VEIOS DE SAÍDA DA TRANSMISSÃO HIRSCHVOGEL

LIMITADORES DAS PORTAS EDSCHA

ELEVADORES DOS VIDROS MAGNA

JANTES CROMODORA WHEELS

DFERENCIAL GKN DRIVELINE

SOFT-TOP REMOVÍVEL WEBASTO

VEIOS DE TRANSMISSÃO GKN DRIVELINE

FECHADURAS DAS PORTAS MAGNA

REGULADORES DOS VIDROS MAGNA

MOLAS DE FIXAÇÃO À CARROÇARIA PROFIL

SISTEMA DE SELAGEM DO COMBUSTÍVEL GTI CORPORATION

VEDANTES DE BAIXA FRICÇÃO (CAMBOTA) SKF

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TEXTO NUNO FATELA

C Renault. De Cacia para o mundo A TURBO OFICINA esteve de visita à fábrica do grupo Renault em Cacia, uma unidade de onde saem 20% das caixas de velocidade do fabricante francês para todo o mundo. Além da sua importância para a economia nacional, sendo o 12.º maior exportador do país, é também um centro de referência dentro da esfera da Renault, pois está no primeiro lugar do ranking mundial de qualidade de produção de caixas automáticas ND e na segunda posição no que se refere às manuais JR.

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acia pode não ter a visibilidade de outras unidades de produção do setor automóvel de Portugal, mas nem por isso a fábrica do Grupo Renault, situada junto à cidade de Aveiro, deixa de assumir uma importância vital para a economia do país. Ocupando o segundo lugar na indústria automóvel nacional no que se refere a número de colaboradores, esta unidade está no 12º lugar do ranking de empresas exportadoras do país. Todos os anos são expedidos do local cerca de 8 milhões de peças para 14 unidades de produção da Renault situadas em quatro continentes e também outros centros da Aliança Renault-Nissan e seus parceiros. Com um volume de negócios de 260 milhões de euros, a fábrica exporta 100% da sua produção e apresenta um investimento médio de 10 milhões de euros ao longo dos últimos cinco anos. Para 2015 já foi anunciado que será aplicada no local uma verba similar, que será aproveitada para implementar novas linhas de produção (de momento são 46) e aumentar a capacidade produtiva. Além do seu papel importante na exportação, Cacia também apoia a indústria nacional, e entre os seus fornecedores encontram-se três empresas


TRÊS PERGUNTAS RICARDO OLIVEIRA DIRETOR DE COMUNICAÇÃO E IMAGEM RENAULT PORTUGAL

portuguesas, a Sonafi, a Sodecia e a Kirchhoff “Gametal”. Inaugurada em 1981, a fábrica da Renault Cacia começou a sua atividade pela produção das caixas de velocidade HA (cerca de 250.000), arrancando pouco depois com o fabrico dos motores C e C3G, exportando cerca de 3,5 milhões destes blocos até 1996, e da caixa de velocidades JB, tendo saído do local 2,4 milhões destes componentes até 2007. As bombas de óleo são o produto com maior volume de produção ao longo da história de Cacia, e desde os anos 90 já foram fabricadas no local mais de 35 milhões. No início dos anos 90 Cacia arrancou com o fabrico daqueles que são atualmente os seus “ex-libris”, as caixas de velocidades JR (cinco velocidades) e ND (seis relações), tendo exportado desde essa altura 4,25 milhões e 1,75 milhões de unidades destes componentes, respetivamente. Ocupando uma área de 340.000 m2 , dos quais 70.000 m2 são cobertos, esta unidade conta com dois edifícios principais dedicados ao fabrico das caixas de velocidades e dos restantes componentes mecânicos, e ainda o armazém, central de fluídos, unidade de

tratamento térmico, um edifício social para os trabalhadores e um centro de formação. Responsáveis por 76% do volume de negócios, as caixas manuais de cinco velocidades JR para os motores 1.5 dCi e as automáticas ND para os blocos 2.0 a gasolina são os principais produtos, sendo aqui fabricadas mais de meio milhão destas peças anualmente. A caixa JR pode ser encontrada em vários modelos do grupo francês, entre os quais os Renault Clio, Captur, Mégane, Scenic, Laguna e Kangoo, bem como nos Dacia Sandero, Sandero Stepway, Logan, Lodgy e Duster. Já a automática JR encontra-se em modelos como o desportivo Mégane R.S. . Em Cacia são também produzidos vários componentes para estas caixas, entre os quais as árvores primárias e secundárias JR, as caixas de diferencial JR e ND, os carretos, o cárter de embraiagem e mecanismo TL4, JR, ND e JH, as árvores de equilíbrio e coroa M1D e o tambor M. São ainda fabricadas nesta unidade de Aveiro cinco tipos de bombas de óleo e o alumínio é também transformando no local nos cárter de distribuição, intermédio e tampa de culassa H5 e nos apoios de cambota H4 e H5.

Quais as características que distinguem Cacia dos restantes centros de produção? Não sei se a distinguem, mas a fábrica tem capacidade para rapidamente industrializar novos produtos. Flexibilidade, e em segundo lugar, obviamente, a competência. A fábrica não é só uma questão de fabricar produtos, tem a sua própria engenharia e departamento de estudos, e se lhe pedirem para desenvolver produto, também o faz. A pesquisa é feita principalmente ao nível de componentes mais pequenos, as caixas são desenvolvidas pela direção de engenharia da casa-mãe, em França, agora para componentes mais pequenos e para a otimização de componentes, isso há capacidade em Cacia. Também a competitividade e a qualidade: é a primeira do mundo na qualidade para a caixa ND e a segunda no que se refere à JR, portanto, todos esses componentes é que tornam a fábrica interessante e competitiva, pois está sempre em permanente concorrência com as outras fábricas do grupo. Em relação à comunicação, é feita apenas com as outras unidades de produção da Renault ou também com clientes finais ou reparadores oficiais da marca? Cacia tem um Centro de Formação Técnica, que pode inclusivamente ser utilizado por outras empresas. Tem competência para o fazer. No quadro da reparação, já existiram ações de formação realizadas aqui para futuros mecânicos ou responsáveis de oficinas das nossas concessões. A nível de comunicação, a fábrica é gerida pela direção da mecânica em França, que é a entidade que supervisiona todas elas, e as informações são trocadas essencialmente a esse nível. Relativamente à procura de novos parceiros nacionais, como é feita essa seleção? Há questões como a qualidade e a proximidade geográfica que obviamente são importantes. Mas não é a fábrica que seleciona os seus parceiros, será sempre o Grupo Renault, portanto terão de ser fornecedores aprovados pela casa-mãe. Se cumprirem aquilo que é exigido em termos de qualidade, capacidade de produção e respeito dos prazos. Se o facto de estarem mais próximos os torna mais competitivos? Naturalmente acontece, obviamente que sim, mas não é a fábrica que decide os seus fornecedores.

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A visita à Renault Cacia começou precisamente pela visita ao edifício onde são fabricadas 20% de todas as caixas de velocidades do Grupo Renault no planeta, um local onde o ferro e o aço são esculpidos em peças finais pelos diversos robots, que completam o seu trabalho com um grau de precisão de cinco microns (um cabelo humano tem 50 microns de espessura). Neste que é o principal edifício de Cacia, a organização e segurança encontram-se em perfeita simbiose com a filosofia de fabricar com máxima qualidade e performance. Assim, apesar do ritmo de produção ser alto, pois diariamente são feitas mais de 2000 caixas de velocidades e 8000 bombas de óleo em Cacia, todos os robots estão bem condicionados em caixas de segurança, as rotas de circulação são facilmente identificáveis, algo essencial para um local onde há sempre máquinas em movimento e os trabalhadores estão protegidos com os Equipamentos de Proteção Individual adequados às suas tarefas.

TODOS OS RENAULT VENDIDOS NO MUNDO TÊM PELO MENOS UM COMPONENTE PRODUZIDO NA FÁBRICA RENAULT CACIA

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A qualidade de produção é algo de que os responsáveis de Cacia se orgulham, sendo atualmente o nº 1 do ranking mundial na produção das caixas ND e ocupando a segunda posição no que se refere às JR. Ao passar por um dos corredores, esse orgulho da Renault Cacia em diferenciar-se pela positiva das outras unidades de produção do grupo é também visível pela tarjas onde se podem ler os vários prémios que a unidade foi recebendo pelos seus elevados níveis de qualidade. Estas distinções são também o reconhecimento pela forma como têm vindo a ser implementadas no local as metodologias do Sistema de Produção Renault (SPR), relativos à qualidade, competitividade e cumprimento dos prazos. Também por esse motivo no último ano foram realizadas mais de 40.000 horas de formação profissional, e as instalações contam mesmo com um centro próprio para esse efeito. A idade média dos 1166 funcionários (150 deles temporários) é de 40 anos e mais de metade desta massa laboral (55%) tem pelo menos o 10º ano de escolaridade, dos quais 20% terminaram a frequência universitária. Daí que os responsáveis refiram que um dos seus principais atributos seja o know-how dos seus funcionários, permitindo-lhes uma especialização que assume grande importância, já que no local também se realizam investigações com vista à otimização de componentes para as caixas de velocidade

e outros componentes produzidos. Como referido mais acima, existe no local um centro de formação técnica onde os funcionários da Renault Cacia e também de outras empresas podem obter especializações nas áreas de mecânica, metalurgia, eletricidade, eletrónica e automatismos. A visita seguiu depois para a unidade de componentes mecânicos, onde foi possível continuar a comprovar a relação entre segurança, performance e ritmo de produção elevado que tornam Cacia uma referência a nível mundial no Grupo Renault. Junto da grande área dedicada aos robots e restantes máquinas, nas laterais do edifício, é possível espreitar pelos laboratórios de investigação da otimização de componentes e também observar o centro onde são realizados os testes às peças fabricadas. Mais uma forma de garantir a qualidade superior de produção da unidade de Cacia e que garante que continuam a sair diariamente do local 20 camiões para as fábricas do grupo francês mais próximas, em Espanha e França, e também com destino aos Portos de Leixões e Vigo, de onde são expedidas as peças para as unidades de produção da Renault mais distantes. Daqui o destino final são os automóveis da marca em todos os mercados, motivo pelo qual a fábrica situada junto a Aveiro se orgulha de dizer que “todos os Renault vendidos no mundo têm pelo menos um componente produzido na fábrica Renault Cacia”.


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Quem deve pag ar a mão de obra do tempo de substit uição da peça def eituosa , a oficina ou o fabricante? Quem tem que presta r gar antia ao consumidor é sempre quem vende, no cas o, se for a oficina é esta que tem a responsabilidade . No entanto, sem prejuízo dos direitos que lhe assiste m perante o vendedor, o consumidor que ten ha adq uir ido coisa defeituosa pod e optar por exigir do produt or (fabricante) a reparação ou a substituição do bem, salv o se: • Tal se manifesta r imposs ível, ou • For desproporcionado (ten do em conta o valor que o bem ter ia se não existisse falta de confor midade, a importância da falta de con for midade e a possibilidade de a solução alternativa ser concretizada sem grave inconveniente para o consum idor. O produtor (fabricante) pod e opor-se ao exercício dos direitos do consumido r quando se ver ifiquem os factos enunciados no nº 2, do art. 6º, do Decreto -Lei nº 67/2003, o qua l se mantém em vigor.

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Quanto tempo fica obr iga do o fabricante a provar que a reclamação é improcedente? Não existe pra zo, mas existe m condições que podem invoca r (nº 2 do art igo 6º do D.L . nº 67/2003) “(…) a) Resulta r o defeito exclus ivamente de declarações do vendedor sobre a coisa e sua utilização, ou de má utilização; b) Não ter coloca do a coisa em circulação; c) Poder considerar -se, tendo em conta as circunstâncias , que o defeito não existia no momento em que colocou a coisa em circulação; d) Não ter fabricado a coisa nem para venda nem para qua lquer outra for ma de distribuição com fins lucrat ivos, ou não a ter fabricado ou distribuído no quadro da sua actividade profissional; e) Terem decorr ido ma is de 10 anos sobre a colocação da coisa em circulação. “(… )”

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Caso exista litígio quanto tempo tem o reclamante para provar que o defeito é efetivamente da peça? Pra zo de caducidade na aus ênc ia de denúnc ia da des con for mid ade pel o con sum idor – 2 ano s a contar da dat a de ent reg a do bem . Pra zo de caducidade, cas o o con sum idor ten ha efe ctu ado a denúnc ia da des con for mid ade – 2 ano s a contar da dat a da denúnc ia (ar tigo 5º- A do D.L . nº 84/200 8 de 21/ 05).

Est e pra zo pode ser sus pen so por pri vaç ão do bem com object ivo de rep ara ção / sub stit uiç ão / res olu ção ext ra jud icia l (5º -A, nº 4)

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O mater ial de desgaste ráp ido também está abrang ido pela garantia? O Dec reto-L ei em referênci a é apl icável aos contratos de compra e ven da, celebr ados ent re profission ais e con sum idores e, ainda, aos ben s de con sumo for nec ido s no âmbito de um contrato de empreitad a ou de out ra prestação de ser viços, bem como à loc ação de ben s de con sumo. Bem de Consu mo – qua lqu er bem imóvel ou móvel cor póreo, incluindo os ben s em seg und a mão (ar tigo 1ºA do diplom a). Nestes ter mos, os ben s perecíveis e con sum íveis est ão abr ang idos for ma lmente , ma s ter á sempre que se adapta r a apl icação do diplom a à nat ureza dos ben s, não pod endo apl ica r-se , no caso, aos ben s cujo uso reg ula r imp ort a a sua des tru ição ou alienaç ão como o óleos ou as pas tilh as de travão.

9 10 par tes.

E as peças usadas e recons truídas também estão abrang idas pela gar antia? Tratando-se de coisa móvel usada, este pra zo pode ser reduzido a um ano , por acordo das

É habitua l as oficinas fazere m extensões de garantia nas suas repara ções? Neste caso quem assume a reclamação das peças defeituosas, a ofic ina ou o fabricante? Eventualment e. São as denominadas Garantias Voluntárias. Est as consistem em qua lquer compromisso ou declaração , de carácter gratuito ou oneroso, assumido por um vendedor, por um produtor ou por qua lquer intermediário perante o consumidor, de reembolsa r o preço pago, substituir, repara r ou ocupar-se de qua lquer modo de um bem de consumo, no caso de est e não cor responder às condições enumeradas na declaração de garantia ou na respectiva publicidade (alínea g) do artigo 1º-B). A responsabilidade é sempre de quem presta a garantia voluntária.

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“Kaizen” ou “melhoria” refere-se à filosofia de melhoria contínua do “lean”

Samuel Obara. “O Lean é vantajoso para o aftermarket português” Guru do sistema de produção “magra”, o brasileiro Samuel Obara esteve no nosso País como orador de um workshop da Lean Academy Portugal. A TURBO OFICINA falou com ele sobre a filosofia de gestão que revolucionou a Toyota e que hoje é aplicada em diversas indústrias. TEXTO ANDRÉ BETTENCOURT RODRIGUES

U

m sistema de gestão “magro” é aquele que limita o desperdício. É essa a base do “lean manufacturing”, modelo desenvolvido pela Toyota entre 1948 e 1975, e que é hoje aplicado em diversas indústrias, da aeronáutica à eletrónica. Quem o aplica, diz Samuel Obara – um engenheiro brasileiro com experiência nas fábricas da Toyota no Japão, Venezuela e EUA – obtém ganhos na produtividade e na eficiência. Mas fica também com a clara

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noção de onde começa e acaba o desperdício, até porque o “lean” ou “STP” – Sistema Toyota de Produção – é, acima de tudo, um modelo de melhoria contínua. Antes de passarmos à entrevista, saiba que existem sete tipos de desperdícios definidos pelo sistema (“defeitos”, “excesso de produção”, “excesso de stocks”, inventário”, “processo inadequado”, “tempo de espera” e “transporte”). E ainda um programa base de implementação designado por “5S” devido

à primeira letra de cinco palavras japonesas: “seiri” – organizar; “seiton” – arrumar; “seiso” – limpar; “seiketsu” – criar normas e padrões de trabalho; e “shitsuke” – manter. Para mais informações sobre o tema, pode também contactar Sérgio Caldeirinha, diretor da Lean Academy Portugal e responsável pela vinda de Samuel Obara à cidade de Lisboa como principal orador do Seminário Lean Executivo. Ei-lo na primeira pessoa: Tendo em conta que o nosso tecido é


“COM O LEAN CONSEGUE-SE REDUZIR O CUSTO, MAS TAMBÉM MELHORAR O TIPO DE SERVIÇO OFERECIDO”, GARANTE SAMUEL OBARA

sobretudo composto por micro empresas, que conselho dá aos que queiram aplicar este sistema em Portugal? Uma das formas mais seguras de se iniciar o modelo passa por fazer um levantamento das condições atuais da empresa. Ficamos a perceber quais os objetivos, a visão e a missão, mas também em que nível “lean” esta já se encontra. Depois de termos este conhecimento podemos então estabelecer a prioridade das técnicas a serem implementadas. A maior parte das micro oficinas é composta por apenas dois/três funcionários. Ainda assim acredita que o sistema pode ser aplicado? Sim. O sistema é baseado na melhoria contínua e na constante eliminação de desperdícios. Nesse sentido, se a empresa tem duas/três pessoas e tem dificuldade em encontrar tempo para implementar o sistema, é ainda mais importante que se consiga implementar o “lean” de modo a obter os recursos para diminuir os seus custos, isto é, o desperdício da mão-de-obra. Com esse ganho, a empresa pode depois investir em mais implementação. Considera que é mais fácil de aplicar em empresas pequenas que podem analisar melhor o desperdício ou em empresas grandes que se calhar têm maior necessidade de o fazer porque as perdas são também maiores? Um dos maiores problemas das empresas grandes é a burocracia para que algo seja implementado. Mas se existir o compromisso dos níveis mais altos torna-se fácil implementar o “lean” e obter resultados milionários. Empresas menores irão registar ganhos proporcionalmente menores, mas nelas é mais fácil vencer as resistências. São menos pessoas e por isso a comunicação é muito mais ágil. Que princípios regem o “lean”? Antes de implementar o sistema é necessário fazer um levantamento da parte cultural. Saber quais as barreiras para se implementar algo deste género e o nível de compromisso, mas também quais são os desperdícios e quantificá-los. É igualmente importante determinar qual o nível de oscilação, ou seja, o nível de sobrecarga dos trabalhadores. Outros princípios básicos são a perseguição da causa raiz para a eliminação do problema e a padronização das melhorias, para que elas nunca retrocedam.

O que difere este sistema dos outros modelos de gestão? O “kaizen” é um modelo distinto ou já se encontra integrado no “lean”? O “kaizen” já está associado ao “lean”, mas o princípio do “seis sigma”, por exemplo, é muitas vezes confundido com o “lean”. Esta é uma técnica que diminui a variação, enquanto o “lean” é uma técnica que diminui o desperdício. Em que consiste o sistema V.A.C.A. (Valueable/Adequate/Capable/Available)? É uma técnica do “lean”. A Toyota utiliza-o como uma forma de levantar ou descobrir qual o nível de desempenho de áreas mais administrativas. É uma ferramenta de verificação de processos e do seu desempenho. Os processos avaliados de acordo com os critérios da V.A.C.A. conseguem ser fiáveis e estão sempre

disponíveis. É um processo que traz valor para o cliente e é adequado ao que ele se propõe. Considera que o sistema “lean” pode ser vantajoso para o aftermarket português? Sim. Não só para a parte dos desperdícios, mas também para a melhoria da satisfação dos clientes, para ir ao encontro das suas expetativas. Com o “lean” consegue-se reduzir o custo, mas também melhorar o tipo de serviço oferecido.

CONTACTOS LEAN ACADEMY PORTUGAL RESPONSÁVEL SÉRGIO CALDEIRINHA TELEFONE 92 540 14 12 E.MAIL info@lean.org.pt INTERNET www.lean.org.pt

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radar

IAPMEI. Excelência cresce no aftermarket O IAPMEI distingiu recentemente 49 empresas do aftermarket com o galardão de PME Excelência 2014, o que representa um incremento notável face a 2013. De facto, foram 26 as empresas deste setor que em 2013 receberam este estatuto, representando por isso um crescimento de quase 100%. Trata-se de um excelente indicador para o setor do aftermarket, a exemplo do que tinha sucedido com as empresas PME Líder, o que revela que as empresas passaram a ter muito mais atenção à gestão. A TURBO OFICINA publica a lista das empresas que receberam o estatuto de PME Excelência 2014.

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TURBO OFICINA

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FEVEREIRO 2015

EMPRESA

DISTRITO

CONCELHO

A. Vieira, S.A.

Braga

Guimarães

Auto Delta – Comércio de Peças, Acessórios e Automóveis, Lda.

Leiria

Leiria

Auto Fornecedora – Acessórios, Lda.

Porto

Porto

Auto Peças Barlavento, Lda.

Faro

Lagoa

Auto Silva – Acessórios, S.A.

Porto

Porto

Autozitânia – Acessórios e Sobressalentes, S.A.

Lisboa

Odivelas

Carsistema Portugal – Representações, S.A.

Coimbra

Coimbra

Centrauto – Componentes Auto, Lda.

Aveiro

Oliveira do Bairro

Dispnal Pneus, S.A.

Porto

Penafiel

Ecopartes, Lda.

Leiria

Leiria

Fimag – Importação e Comércio de Acessórios, Lda.

Braga

Braga

Gulosipeças – Peças e Acessórios Auto, Lda.

Viana do Castelo

Viana do Castelo

Infiniauto – Importação e Exportação de Peças Auto, Unipessoal, Lda.

Porto

Santo Tirso

José Aniceto & Irmão, Lda.

Coimbra

Cantanhede

M. C. D. Garcia, Lda.

Lisboa

Sintra

M. F. Pinto – Importação e Exportação de Peças Automóveis, S.A.

Lisboa

Sintra

Megape – Comércio e Indústria de Pneus, S.A.

Lisboa

Loures

Motorbus Reparação e Peças Auto, Lda.

Porto

Vila Nova de Gaia

Rubber Vulk, Lda.

Viseu

Oliveira de Frades

Simopeças – Peças e Componentes para Viaturas de Limpeza Urbana, Lda.

Lisboa

Odivelas

Turbomax – Comércio de Componentes Auto, Lda.

Setúbal

Setúbal

Vieira & Freitas, Lda.

Braga

Braga

Bompiso – Comércio de Pneus, S.A.

Porto

Valongo

D. M. S. – Trucks, Lda.

Leiria

Leiria

Darquepeças – Comércio de Peças e Acessórios, Unipessoal, Lda.

Viana do Castelo

Viana do Castelo

H. & J. Barradas, Lda.

Évora

Estremoz

Heroeléctrica – Reparação e Acessórios Automóveis, Unipessoal, Lda.

Lisboa

Lisboa

Isuvol – Importação e Comércio de Peças e Acessórios Auto, Lda.

Santarém

Cartaxo

José Lourenço & Filhos, Lda.

Castelo Branco

Proença-a-Nova

Leirilis – Acessórios e Peças para Automóveis, S.A.

Leiria

Leiria

Neocom – Distribuição de Componentes para Automóvéis, Lda.

Aveiro

Aveiro

Remaçor – Sociedade de Representações, Lda.

Açores – Ilha de Santa Maria

Vila do Porto

Rodapeças, Pneus e Peças, S.A.

Leiria

Pombal

Sandia Stand – Acessórios Auto, Lda.

Faro

Portimão

Tacofrota – Comércio de Tacógrafos, Lda.

Santarém

Benavente

A Rectificadora de Guimarães – Rectificações de Motores, Lda.

Braga

Guimarães

António Saraiva, Lda.

Coimbra

Coimbra

Auto Índia de Sacavém – Comércio e Reparações de Automóveis, Lda.

Lisboa

Loures

Auto Reparadora Carlos A. D. Rosa, Lda.

Aveiro

Mealhada

B. C. L. Car – Automóveis, Lda.

Porto

Porto

Calçada & Costa, Reparação de Automóveis, Lda.

Viana do Castelo

Ponte de Lima

Eduardo Coelho, Lda.

Aveiro

Arouca

Electro-Marques – Reparações Eléctricas Auto, Lda.

Santarém

Ourém

Fastfino, Lda.

Porto

Porto

Leiridiesel – Comércio e Reparação de Veículos Automóveis, S.A.

Leiria

Leiria

Mourauto – Comércio e Reparações em Veículos, Lda.

Aveiro

Santa Maria da Feira

Turbotest, Lda.

Braga

Fafe

Imporquímica – Indústria Portuguesa de Produção Química, S.A.

Setúbal

Moita

Mota & Pimenta, Lda.

Braga

Vila Nova de Famalicão

Eticadata

Braga

Braga


TEXTO ANDRÉ BETTENCOURT RODRIGUES

U

m sistema de gestão “magro” é aquele que limita o desperdício. É essa a base do “lean manufacturing”, modelo desenvolvido pela Toyota entre 1948 e 1975, e que é hoje aplicado em diversas indústrias, da aeronáutica à eletrónica. Quem o aplica, diz Samuel Obara – um engenheiro brasileiro com experiência nas fábricas da Toyota no Japão, Venezuela e EUA – obtém ganhos na produtividade e na eficiência. Mas fica também com a clara noção de onde começa e acaba o desperdício, até porque o “para ir ao encontro das suas expetativas. Com o “lean” consegue-se reduzir o custo, mas também melhorar o tipo de serviço oferecido.


6 REPARAÇÃO

Técnicas de polimento. Para um acabamento brilhante PARCERIA

TEXTO PILAR SANTOS ESPÍ

Seja para eliminar manchas de sujidade, ou para recuperar o brilho que o veículo foi perdendo ao longo do tempo, é possível utilizar uma técnica de polimento que permite obter um acabamento liso e de alto brilho que devolve, e até melhora, o aspeto original do veículo.

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FEVEREIRO 2015

P

ode acontecer que, depois de uma repintura, surjam defeitos como manchas de sujidade, descolamentos ou o efeito de casca de laranja que podem ser eliminados sem necessidade de nova repintura, levando a cabo um processo de polimento que permita entregar o veículo com o melhor acabamento estético possível. Outros possíveis defeitos, embora menos comuns, podem ser as marcas de dedos ou de ferramentas, provocados durante a montagem das peças quando a pintura ainda não está suficientemente endurecida, salpicos por aplicação de pintura muito seca ou por mau isolamento em peças que não deviam receber tinta, etc. Todos estes defeitos implicam a aplicação prévia de lixa antes do polimento, tendo sempre a precaução de começar apenas quando a pintura tiver alcançado dureza suficiente. Por outro lado, com o passar do tempo e devido à exposição da carroçaria a certos fatores, como a radiação ultravioleta, a lavagem com rolos ou a limpeza com trapos não adequados, excrementos de pássaros, insetos, poeiras industriais, chuva ácida,


ESTE PROCESSO DE LIXAGEM E POLIMENTO TEM DE REALIZAR-SE COM MAIS CUIDADO NAS CORES ESCURAS, JÁ QUE SÃO MAIS SENSÍVEIS, SENDO MAIS VISÍVEIS OS HOLOGRAMAS, MARCAS OU ZONAS DE MENOR BRILHO ORIGINADAS ANTES DO PROCESSO DE POLIMENTO. EXISTEM PRODUTOS ESPECÍFICOS PARA A SUA ELIMINAÇÃO derrame de produtos agressivos, etc, fazem com que o brilho e, inclusive, a cor da carroçaria (sobretudo nos acabamentos monocamada), seja afetado. Trata-se de danos como a perda de brilho, micro-arranhões denominados teias de aranha. Nestes casos, se queremos recuperar e até melhorar o acabamento de fábrica do veículo, deve realizar-se um processo de polimento. Descrevem-se a seguir os passos a dar, tanto para eliminar um defeito provocado depois do processo de repintura, comopara renovar o acabamento do veículo. LIMPEZA Antes de começar a polir é importante assegurar a limpeza e secagem da superfície a trabalhar, caso contrário, a sujidade

pode provocar mais danos na superfície de pintura. Já no caso da eliminação de defeitos este processo não é necessário, caso se realize a seguir ao processo de pintura e secagem, já que se parte de uma superfície limpa. Para esta fase de lavagem e secagem é necessário um champô, um pano de microfibras e água. Em certos casos aconselha-se também a fazer uma “descontaminação” ou eliminação de impurezas da pintura, para o que se utiliza uma espécie de plasticina ou borracha. Esta operação realiza-se quando o veículo apresenta uma superfície rugosa ou áspera, devido à sua exposição a agentes contaminantes (poeiras industriais, fuligem dos gases de escape, etc.).

LIXA O processo de lixar é necessário para eliminar defeitos e alguns danos, como arranhões superficiais, presentes na pintura. Antes de começar a eliminar o defeito a pintura deve estar totalmente endurecida (seca). No caso da eliminação de escorrimentos de tinta e algumas manchas de sujidade, antes de lixar pode utilizar-se um raspador ou lâmina de corte especial, com a qual se elimine a maior quantidade possível do defeito, mas com muito cuidado para não causar ainda mais danos. Pode ser aconselhável, dependendo da magnitude do dano, proteger as zonas adjacentes ao defeito com massa, também para reduzir a zona a trabalhar e a ser lixada a seguir. Com o mesmo objetivo de evitar lixas mais zonas não danificadas, recomenda-se a utilização de um disco de lixa o mais pequeno possível e adequado ao tipo de dano a eliminar, já que não é o mesmo eliminar uma pele de laranja numa peça inteira repintada ou uma mera mancha de sujidade, bem localizada. Utilizam-se neste caso lixas finas,

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62

reparação

Lâmina de corte na eliminação de escorrimentos

Lixagem de microarranhões

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TURBO OFICINA

Processo de polimento

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FEVEREIRO 2015


Aplicação de abrilhantador com esponja

EM OFICINAS ESPECIALIZADAS DEVE REALIZAR-SE POSTERIORMENTE UM PROCESSO DE ENCERAMENTO PARA PROTEGER A CAMADA DE PINTURA E GARANTIR UM BRILHO DURADOURO começando geralmente com lixa de granulometria P 1500, seca ou de água, com lixadora roto-orbital (órbita 3 ou menor). Depois continua-se com uma lixa mais fina para facilitar o polimento posterior, com água e lixas mais finas como a P2000, P3000 ou P4000, incluindo 6000 seguindo o processo recomendado pelo fabricante. Depois da lixa deve resultar uma superfície mate completamente homogénea. POLIMENTO E BRILHO É no polimento que se eliminam as marcas de lixa realizadas na eliminação de defeitos e dos danos que se possam apresentar na camada superficial do verniz ou esmalte (perdas de brilho e micro arranhões). O polimento é um produto mais ou menos cremoso que contém microabrasivos em suspensão, pelo que, tal como na lixagem, trata-se de eliminar uma pequena quantidade de verniz ou esmalte. Encontramos no mercado polimentos de nível abrasivo variável, pelo que, conforme a marca de produtos utilizada ou o estado da pintura, assim serão necessários mais ou menos passos ou etapas de polimento. De uma forma geral, este processo de polimento e de puxar o brilho consiste em:

Eliminação de hologramas em zonas escuras

1 POLIMENTO DE CORTE, compound ou composto mais abrasivo com esponja de polir. Se se pretende maior agressividade para eliminar o dano no caso dos vernizes cerâmicos, recomenda-se começar com uma boina de lã ou com uma esponja de maior dureza. Verte-se uma pequena quantidade de produto sobre a esponja e espalha-se a seguir o produto sobre a superfície a polir, para evitar polir em seco. Deve começar-se com uma velocidade baixa para espalhar bem o produto e depois ir aumentando, fazendo movimentos circulares ou em “S” e trabalhando pequenas superfícies. Quando se verifica que o polimento começa a secar, pára-se o processo e retiram-se os restos com um +ano de microfibras, analisando o resultado. Estes passos repetem-se as vezes necessárias segundo a extensão a polir. 2 POLIMENTO MÉDIO com esponja de polir. Realiza-se um trabalho semelhante ao anterior mas com polimento mais fino. Alguns fabricantes dispõem de um processo de polimento num só passo, para facilitar e agilizar o processo, geralmente com microabrasivos intermédios, em que o passo 1) e 2) são um só. 3 POLIMENTO DE ACABAMENTO, extrafino ou abrilhantador com boina específica de brilho. Trata-se de um polimento com microabrasivos ultrafinos cujo objetivo é puxar o brilho da pintura. Seguindo um processo de aplicação semelhante ao polimento, recomenda-se começar com baixas rotações, para posteriormente ir

aumentando, sem exercer pressão excessiva. O formato específico da boina de polimento permite diminuir o aquecimento da superfície, já que este teria efeito negativo no resultado. Depois da aplicação, retirar o produto com um pano de microfibras. Em oficinas especializadas na remoção de acabamentos deve realizar-se posteriormente um processo de enceramento que tem como objetivo proteger a camada de pintura para que o brilho seja mais duradouro, para além de ser realçado com maior profundidade e cor.

RECOMENDAÇÕES PARA UM BOM ACABAMENTO

O veículo deve estar limpo e seco antes de polir. Não polir um carro ao sol ou com a superfície quente. A pintura deve estar suficientemente endurecida para poder ser polida. Agitar bem os produtos de polimento e de brilho antes de os empregar. Dispor de boa iluminação durante o processo de polimento. Utilizar panos de microfibras suaves, limpas e diferentes em cada processo. Proteger e isolar borrachas, vidros e peças adjacentes. Utilizar produtos profissionais e isentos de silicones para evitar problemas com pinturas posteriores. Não sobreaquecer a pintura, seja exercendo demasiada pressão com a ferramenta de polimento, seja utilizando demasiada velocidade.

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reparação

Correias de distribuição. Revisão e manutenção PARCERIA

TEXTO J. A. RODRIGO

O conjunto da distribuição dos motores configura o sistema sincronizado de transmissão e acionamento da cambota às árvores de cames que gera a abertura e fecho das válvulas de admissão e escape.

O

s tipos de acionamento da distribuição utilizados são por: - Rodas dentadas: sistema pouco frequente, mas que não requer manutenção; - Correntes: sistema que não costuma requerer substituição; - Correia dentada: sistema mais generalizado pelo seu custo reduzido, mas que não requere uma manutenção preventiva e substituição por desgaste. Neste artigo analisamos as correias dentadas da distribuição dos motores, a sua fabricação, tipos, revisão e manutenção.

FABRICAÇÃO E ESTRUTURA A fabricação das correias faz-se através de um núcleo de fibras de vidro de elevada resistência ou uma armadura de fios de aço laminado de alta resistência, coberto por uma capa de neopreno ou borracha sintética que forma o tipo de dentado das mesmas. A zona inferior do dentado é reforçada com um tratamento ou revestimento superficial

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especial de poliamida ou teflon que garante uma grande resistência ao desgaste. Os tipos de secção do dentado das correias de distribuição podem ser: trapezoidal (LA), arredondado (HTD) ou combinado (STD). VANTAGENS E INCONVENIENTES As principais vantagens das correias de distribuição são: um custo de fabricação reduzido, um funcionamento muito

silencioso, não requerem lubrificação como as correntes e, como tal, garantem um rendimento ótimo. O inconveniente principal é a sua duração limitada e, atualmente, como medida de segurança, estabelece-se a substituição recomendada das correias de distribuição entre os 100.000 e os 130.000 km de funcionamento do motor já que, caso contrário, a rotura da correia dentada pode

Capa de borracha sintética Armação tensora de fibra de vidro em espiral enrolado alternativamente nos dois sentidos Dentado de policloropreno Tecido de poliamida

Correias de distribuição Conti Synchrobelt de dente trapezoidal


AS PRINCIPAIS VANTAGENS DAS CORREIAS DE DISTRIBUIÇÃO SÃO O CUSTO DE FABRICAÇÃO REDUZIDO, O FUNCIONAMENTO SILENCIOSO, NÃO REQUEREM LUBRIFICAÇÃO, GARANTINDO ÓTIMO RENDIMENTO

provocar o impacto dos pistões contra as válvulas causando uma forte avaria com graves danos no motor. O fornecimento de correias de distribuição para a sua reposição é garantida pelos fabricantes das mesmas em forma de kit ou pack, ou seja, numa embalagem que incorpora no seu interior: correia de distribuição, tensores, polia tensora, polias de desvio/de guia e, em alguns casos, inclui também a bomba de água. Este fornecimento em forma de kit para a substituição da correia de distribuição é

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recomendado pelos fabricantes para garantir de forma preventiva uma maior segurança para o motor e uma maior confiança para o cliente da oficina, através de um custo reduzido. REVISÃO E MANUTENÇÃO Nos motores atuais, as correias de distribuição e os seus componentes são submetidas a prestações de funcionamento e rendimento muito exigentes: elevadas rotações, oscilações e temperaturas extremas, que podem influenciar

muito negativamente no seu funcionamento, pelo que é muito importante detetar possíveis desgastes da correia a tempo e substituí-la caso seja necessário. Recomenda-se fazer uma revisão regular das correias dentadas e dos seus componentes, para localizar e solucionar possíveis anomalias. Os principais sinais de anomalias indicativos para substituir a correia dentada e/ou os outros componentes são: desgaste lateral, fissuras e rachas, dentes partidos e possíveis ruídos.


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reparação

Melett. As reparações dos turbos As reparações de turbocompressores de qualidade são infinitamente possíveis, desde que seja utilizado o equipamento correto. TEXTO IAN WARHURST

H

á já vários anos que existe um debate entre fabricantes de turbocompressores de origem e a indústria de reparação de turbocompressores sobre se um turbo pode ou não ser reparado. Este debate prolonga-se há mais de 10 anos. Alguns fabricantes de turbo OEM saíram de cena por volta de 2004 – no momento, o motivo dado foi que a maior parte dos reparadores não tinha o equipamento de equilíbrio de especialidade correto para os novos turbos de velocidade superior. Ao longo da última década, a tecnologia dos veículos continuou a melhorar para reduzir os níveis de emissões com o intuito de cumprir as 4, 5 e, mais tarde, as 6 regulamentações europeias. Como resultado destas alterações, a tecnologia de motores e turbos aumentou em complexidade e as definições e a monitorização de avanços, como as geometrias variáveis, tornou-se fundamental para o funcionamento correto do turbo. Este aspeto constitui agora novos desafios para os reparadores de turbos, uma vez que a definição correta do turbo em modelos mais recentes requer mais equipamento específico, sob a forma de um perfurador do caudal de ar.

O QUE É UM TURBO DE GEOMETRIA VARIÁVEL? Quando se faz corresponder um turbocompressor a um motor, os engenheiros devem aliar uma boa resposta a baixa velocidade com a eficácia a alta velocidade. A geometria variável foi idealizada para alterar a área de admissão do gás de escape com a velocidade do motor, correspondendo de forma precisa aos requisitos de propulsão desejados do motor. Para uma resposta a baixa velocidade, os compartimentos da geometria movem-se para a posição de “compartimento fechado”, para reduzir a área do caudal – tal aumenta a velocidade do gás ao longo do turbo, proporcionando uma resposta melhorada a velocidades baixas do motor – semelhante a apertar a extremidade de uma mangueira para tornar o jato de água mais potente. À medida que a velocidade do motor aumenta, o atuador move os compartimentos da geometria para uma posição totalmente aberta, de forma a maximizar o caudal do gás de escape. PRECISÃO DA DEFINIÇÃO DO COMPARTIMENTO Quando os turbos de geometria variável foram introduzidos no mercado pela primeira vez, tal constituiu uma mudança significativa para a tecnologia dos turbocompressores. Os sensores da massa de ar e as ECU eram programados para gerir todo o sistema do motor. Contudo, relativamente aos motores atuais, as tolerâncias para caudais de ar aceitáveis eram bastante altas. Ao configurar um novo turbo, as posições de definição do

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FEVEREIRO 2015


compartimento são definidas utilizando equipamento de caudal de ar rigoroso, o que garante que a posição de “abertura mínima do compartimento” é definida de forma a permitir uma massa de ar específica através dos compartimentos. Se os compartimentos se encontrarem demasiado fechados, tal pode estrangular o motor e aumentar excessivamente a velocidade da turbina. Se forem definidos para uma posição demasiado aberta, o turbo terá demasiado “atraso” e não responde conforme o devido. Tradicionalmente, as oficinas de reparação de turbos não utilizavam máquinas de afinar geometrias para definir corretamente o caudal. A posição do atuador foi definida em função de uma posição medida com rigor no braço do atuador. Esta produziu resultados aceitáveis e permitiu aos reparadores continuarem a reparar. Na realidade, este método de definição dos compartimentos pode produzir imprecisões bastante grandes no caudal de ar. A medição do braço de ar é definida face a um acabamento fundido no alojamento do rolamento, cuja posição não é monitorizada com rigor durante o fabrico. Contudo, uma vez que o motor pode aceitar uma grande tolerância no caudal de ar, o turbo reparado continua a ter um bom desempenho relativamente ao turbo partido que substituiu, garantindo a satisfação do proprietário do veículo. Em reparações de turbos mais antigas, a posição da geometria variável tinha de se encontrar muito desfasada antes de o desempenho ficar afetado de forma inaceitável ou de a ECU alertar para um problema. Da perspetiva de um OEM, tal não é aceitável e é o motivo para a sua falta de apoio durante a reparação. OS TURBOS DE HOJE Nos últimos anos, os motores melhoraram para cumprirem regulações europeias em matéria de emissões mais restritas e a monitorização em todo o sistema de combustível/ar aumentou de forma dramática. Muitos veículos de marcas de renome passaram a uma atuação eletrónica que disponibiliza informações sobre a posição à ECU. Alguns controladores de turbo mais avançados encontram-se agora alojados no CANbus e comunicam diretamente com o sistema de injeção e os sensores de massa de ar, para responder mais depressa às exigências do motor. Para estes turbos, as

FORAM LANÇADOS NO MERCADO UMA SÉRIE DE MÁQUINAS DE AFINAR GEOMETRIAS DIFERENTES, COM UM PADRÃO DE QUALIDADE CADA VEZ MAIS ELEVADO

definições ou são corretas e aceites pela ECU - ou não, o que dá origem a luzes de aviso, ao modo de funcionamento de emergência ou à impossibilidade de iniciar. À medida que foram entrando mais veículos conformes às 5 normas europeias no mercado de pós-venda automóvel, já alcançámos um ponto onde a circulação do turbo é uma necessidade e só é possível de ser posta em prática por oficinas que possuem o equipamento correto. Contudo, isto significa, como é lógico, que os turbos mais antigos passaram a ser mais amplamente reparados utilizando equipamento de caudal de ar, o que trouxe ainda mais melhorias ao mercado. DISPONIBILIDADE DE MÁQUINAS DE AFINAR GEOMETRIAS Tal como uma procura no mercado deu origem à existência de várias máquinas VSR de alta velocidade no mercado,

também aumentou a procura por máquinas de afinar geometrias. Ao longo dos últimos 10 anos, a necessidade de definir um caudal preciso num turbo foi bem compreendida por reparadores de renome, os quais reconheceram que não é aceitável adivinhar qual a posição de definição do compartimento. Como resultado, devido à ausência de máquinas no mercado, muitos reparadores de qualidade desenvolveram o equipamento de caudal de ar próprio, para definir com precisão os turbos – obtendo uma vantagem competitiva e uma redução demarcada nas garantias, arrecadando ainda a reputação de reparadores de qualidade. Em anos mais recentes, foram lançados no mercado de massa uma série de máquinas de afinar geometrias diferentes. Uma boa notícia para a indústria de reparação e para os clientes em busca de uma opção de reparação de qualidade, uma vez que o padrão de qualidade passou a ser ainda mais elevado. FEVEREIRO 2015

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reparação

PLANO DE MANUTENÇÃO PROGRAMADA MARCA, MODELO E VERSÃO PRAZO/ QUILOMETRAGEM CARACTERÍSTICAS VEÍCULO

FIA50L0006A: FIAT 500L 1.3 MUTIJET 16V 85 LOUNGE 5P S/S 48/120000

POTÊNCIA (CV)

85

CILINDRADA (CC)

1248

EURONCAP CO2 110 TRANSMISSÃO MANUAL CAIXA DE VELOCIDADES

6 VELOCIDADES

CARROÇARIA MONOVOLUME

PARCERIA

Manutenção. Fiat 500L 1.3 Multijet A Fiat continua a capitalizar a boa imagem da sua gama 500. A versão mais espaçosa junta um “L” e beneficia do reconhecido motor Multijet.

A

gama 500 da Fiat continua a ser um sucesso e a família não tem parado de crescer. Se o 500 continua a ser um ícone, depois dele já chegaram o 500L (aqui em análise), o 500L LIving (com sete lugares), o 500L Trekking (mais aventureiro) e agora o 500X (o crossover). O motor em análise é o bem conhecido 1.3 Multijet, de 85 CV, que tem fama de baixos custos de manutenção. Analisamos os encargos ao longo de 48 meses ou 120 mil quilómetros. Os pneus representam o maior custo em termos de manutenção ao longo dos quatro anos, com um total de 1365,78 euros. Deste valor, 1219,18 euros diz respeito aos próprios pneus (10 unidades), na medida 215/55 R16V. Depois é preciso somar 76,60 euros das respetivas equilibragens, 45 euros dos alinhamentos de direção e 25 euros das válvulas. Na parcela seguinte temos os componentes de desgaste, com1296,95 euros. Numa análise mais fina, o maior custo é o das pastilhas da frente (376,74€), seguido dos discos da

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TURBO OFICINA

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FEVEREIRO 2015

frente (235€) e das escovas limpa para-brisas da frente (178,28€). As pastilhas de trás somam 171,14 euros, os discos traseiros são responsáveis por mais 168,85 euros, a carga do ar condicionado custa 100 euros e as escovas limpa para-brisas traseiras têm um custo de 66,94 euros. No que diz respeito às revisões, o óleo sintético tem um custo de 196,12 euros, sendo que em cada muda de óleo são gastos 3,3 litros. A este valor é depois necessário somar os custos dos filtros de ar (71,76€), dos filtros de pólen (63,75€), dos filtros de óleo (55,17€) e dos filtros de combustível (43,83€). A mão-de-obra tem um custo de 180,34 euros, o que equivale a 5,05 horas de trabalho. Contas feitas, o custo da manutenção programada para 48 meses ou 120 mil quilómetros tem um custo total de 3683,58 euros, o que representa que por cada 100 quilómetros percorridos a manutenção tem um custo de 3,07 euros, um valor muito competitivo.

VALOR

REVISÕES

610,97 €

N.º SUBSTITUIÇÕES

MÃO-DE-OBRA

180,34 €

[5,05]

ÓLEO

196,12 €

[3]

CAPACIDADE DO CARTER (LITROS)

3,3

TIPO DE ÓLEO

SINTÉTICO

FILTRO DE ÓLEO

55,17 €

[3]

FILTRO DE AR

71,76 €

[3]

FILTRO DE PÓLEN

63,75 €

[3]

FILTRO DE COMBUSTÍVEL

43,83 €

[1]

VELAS

- €

[0]

DESGASTE

1.296,95 €

ESCOVAS LIMPA PARA BRISAS FRENTE

178,28 €

ESCOVAS LIMPA PARA BRISAS TRAS

66,94 €

[2]

PASTILHAS FRENTE

376,74 €

[4]

PASTILHAS TRAS

171,14 €

[2]

DISCOS FRENTE

235,00 €

[1]

DISCOS TRAS

168,85 €

[1]

LIQUIDO DE TRAVÃO

- €

[0] [0]

[4]

EMBRAIAGEM

- €

CARGA AR CONDICIONADO

100,00 €

[1]

ESCAPE

- €

[0]

BATERIA

- €

[0]

AMORTECEDOR FRENTE

- €

[0] [0]

AMORTECEDOR TRAS

- €

BOMBA AGUA

- €

[0]

FILTRO PARTICULAS

- €

[0]

TAREFAS EXTRA

- €

[0]

AVARIAS

- €

[0]

ELÉCTRICAS

- €

[0]

TOTAL

- €

[0]

PNEUS

1.365,78 €

PNEUS FRENTE

215/55R16V

PNEUS TRÁS

215/55R16V

PNEUS

1.219,18 €

ALINHAMENTO DE DIRECÇÃO

45,00 €

[10] [3]

EQUILIBRAGEM

76,60 €

[10]

VÁLVULA

25,00 €

[10]

OUTROS

409,88 €

IPO

27,00 €

INFLAÇÃO

382,88 €

AJUSTES

- €

CUSTOS DE MANUTENÇÃO TOTAL

3.683,58 €

/100 KMS

3,07 €

COMBUSTÍVEL * VALORES SEM IVA


8

Observatório CERP. Retalho em Portugal

pneus

As várias comissões especializadas no seio da Divisão de Peças e Acessórios Independentes (DPAI), da ACAP, estão apostadas em fornecer ao mercado dados estatísticos relevantes que ajudem os players do mercado a conhecer e melhorar o seu negócio. Depois do observatória de peças que a TURBO OFICINA publicou na edição passada, este mês publicamos a radiografia ao setor dos pneus, da responsabilidade da Comissão Especializada do Retalho de Pneus (CERP), da ACAP, que assina também os comentários junto a cada gráfico. Os dados são referentes ao ano de 2013, mas comparam também alguns indicadores de 2012, 2011 e 2010. O mercado de pneus tem um peso significativo no mercado de reposição de peças. Representa 25% do aftermarket automóvel, tendo um peso de 500 milhões de euros na economia nacional. Representou 0,03% do Produto Interno Bruto, em 2013. TEXTO CLÁUDIO DELICADO

N.º RETALHISTAS DE PNEUS POR CADA 100.000 VEÍCULOS EM CIRCULAÇÃO EM 2013 3.3

AÇORES

10.2

VIANA DO CASTELO SETÚBAL

10.5

BEJA

10.7

Os associados da ACAP podem obter o estudo completo do “Observatório dos Pneus”. Basta contactar a ACAP

Telefone: 213035300 e-mail: mail@acap.pt cerp@acap.pt http://retalhopneus.acap.pt/pt/home/

10.9

POTALEGRE

12.5

SANTARÉM

12.6

FARO

12.8

BRAGA

13.5

LISBOA

14.5

BRAGANÇA

14.7

PORTO

15.0

COIMBRA

15.2

CASTELO BRANCO

15.7

AVEIRO

16.1

GUARDA

16.8

ÉVORA

17.1

VISEU

18.0

MADEIRA

19.6

LEIRIA

21.4

VILA REAL

Apesar do maior número de empresas do setor se concentrar nos grandes centros urbanos, constata-se que o distrito de Vila Real é o que possui o maior número de empresas de retalho de pneus face ao número de veículos aí registados, seguido pelo distrito de Leiria e pela Região Autónoma da Madeira. Pelo contrário, os distritos com um menor número são a Região Autónoma dos Açores e os distritos de Viana do Castelo, Setúbal, Beja e Portalegre.

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FEVEREIRO 2015


ESTRUTURA EMPRESARIAL DO SETOR DO COMÉRCIO DE PNEUS

Empresa por Escalão (%) 10.1%

9.0%

7.6%

8.3%

9.4%

9.1%

8.5%

8.7%

12.8%

12.6%

17.3%

17.3%

53.9%

53.1%

14.5%

16.2%

19.1%

19.2%

48.3%

45.0%

2010

2011

2012

ESCALÃO A - FATURAÇÃO < 250 000 € ESCALÃO B - FATURAÇÃO > 250 000 € < 500 000 € ESCALÃO C - FATURAÇÃO > 500 000 € < 1 000 000 €

ESCALÃO D - FATURAÇÃO > 1 000 000 € < 2 500 000 € ESCALÃO E - FATURAÇÃO > 2 500 000 €

A maior percentagem de empresas no setor tem uma faturação inferior a 250.000€, sendo que em 2013 cerca de 70% das empresas se encontram nos dois escalões mais baixos de faturação, ou seja, possuem uma faturação inferior a 500.000€, em linha com o tecido empresarial português.

2013

PRAZO MÉDIO DE RECEBIMENTOS (DIAS)

Clien /Vendas e serviços prestados (IVA incluído)*365 148,9

124,6

124,8

119,3

99,0 93,5 85,4 74,8

80,6 73,6

69,4

76,3

72,7

95,5 88,6

84,7

84,9

80,9

77,7

74,1

49,0

47,8

35,3

32,2

2010

2011

2012

2013

ESCALÃO A - FATURAÇÃO < 250 000 € ESCALÃO B - FATURAÇÃO > 250 000 € < 500 000 € ESCALÃO C - FATURAÇÃO > 500 000 € < 1 000 000 € ESCALÃO D - FATURAÇÃO > 1 000 000 € < 2 500 000 € ESCALÃO E - FATURAÇÃO > 2 500 000 € PME EXCELÊNCIA

O prazo médio de recebimento está longe de ser o ideal (30 dias) e tem-se mantido ao longo dos anos nos diversos escalões. A redução do prazo médio de recebimentos é fundamental para uma boa gestão da tesouraria das empresas e é urgente que o setor trabalhe no sentido de reduzir este indicador. Receber a 30 dias permite às empresas cumprir com os compromissos aos fornecedores e melhorar o seu nome na “praça” permitindo-lhe obter melhores condições.

EVOLUÇÃO DAS VENDAS E SERVIÇOS PRESTADOS

Variação homóloga anual (%) 20,2%

ESCALÃO A - FATURAÇÃO < 250 000 € ESCALÃO B - FATURAÇÃO > 250 000 € < 500 000 € ESCALÃO C - FATURAÇÃO > 500 000 € < 1 000 000 ESCALÃO D - FATURAÇÃO > 1 000 000 € < 2 500 000 € ESCALÃO E - FATURAÇÃO > 2 500 000 € PME EXCELÊNCIA

13,4%

9,3%

9,1% 6,7% 5,2%

0,6%

0,1% -0,9%

PUBLICIDADE

-2,9%

-6,4%

2011

1,1% 0,1%

-1,6%

-2,2%

-6,8%

5,3%

-6,7%

2012

2013

Os últimos anos têm sido bastante difíceis, em consonância com os dados económicos nacionais, com perdas nas vendas na maioria dos escalões. Houve uma recuperação de vendas em 2013, com exceção do escalão C (empresas com faturação entre 1M e 2,5M€) que perderam 6,7% das suas vendas neste ano.


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pneus

DESPESA MÉDIA ANUAL POR VEÍCULO EM PEÇAS, ACESSÓRIOS E MÃO-DE-OBRA

Unidade: 106€ (IVA não incluído) 365,0€

309,8€

310,0€

117,7€

117,8€

192,1€

234,7€

192,2€ 130,4€

2009

2012

Este slide mostra-nos que os portugueses reduziram em 30% os gastos com a viatura em 2013, fruto de todas as condicionantes económicas, financeiras e sociais. Por outro lado, mostra que os retalhistas dos pneus aprenderam com os erros do passado (a mão-de-obra era oferecida), e já em 2013 houve uma duplicação da mão-de-obra faturada por serviço.

2013

DESPESA MÉDIA EM PEÇAS E ACESSÓRIOS POR VEÍCULO DESPESA MÉDIA ANUAL EM MÃO DE OBRA POR VEÍCULO

ENTRADAS EM OFICINA POR CANAL 2009 N.º MÉDIO DE ENTRADAS EM OFICINA = 1,9

2012 N.º MÉDIO DE ENTRADAS EM OFICINA = 1,7

Especialista Pneus 7% Autocentros e Serviços Rápidos 8% Autorizadas 31% Multimarca (incluindo chapa) 57%

Autorizadas 22%

Multimarca (incluindo chapa) 63%

Autocentros e Serviços Rápidos 6.5%

Especialista Pneus 5.5%

2013 N.º MÉDIO DE ENTRADAS EM OFICINA = 1,8

Especialista Pneus 16%

Autocentros e Serviços Rápidos 5%

Autorizadas 16%

Multimarca (incluindo chapa) 63%

Estes gráficos são, sem dúvida, positivos para os Retalhistas dos Pneus, uma vez que demonstram que são o canal com maior crescimento de entradas de viaturas. Significa que são os que se estão a adaptar melhor ao mercado, que tem novas necessidades, novas exigências e, principalmente, com novas tendências.

Ficha Técnica: Os dados deste estudo englobam empresas do CAE 453 (Comércio de Peças e Acessórios para veículos automóveis) em cuja designação comercial é mencionado o comércio de pneus, com contas ativas no período em análise. A totalidade da amostra em 2010, 2011, 2012 e 2013 é de, respetivamente, 702, 724, 752 e 688 empresas. A amostra foi dividida em 5 escalões de faturação, de A a E, assim definidos: Escalão A até € 250 mil; Escalão B mais € 250 mil até € 500 mil; Escalão C mais € 500 mil até € 1 milhão; Escalão D mais € 1 milhão até € 2,5 milhões; Escalão E mais € 2,5 milhões

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PNEUS

Aguesport. Motivos para se reinventar Faz um ano que a Aguesport assumiu uma parceria com a Kumho para a distribuição de pneus em Portugal. Neste período a atividade deste grossista de Águeda evoluiu e agora conta com instalações mais modernas. TEXTO PAULO HOMEM

H

istoricamente ligado às bicicletas, só mais recentemente a Aguesport entrou nos pneus de automóveis. O desenvolvimento deste negócio grossista associado aos pneus foi de tal maneira bem sucedido que a empresa viuse obrigada a gerir os negócios de forma independente. Um dos mais recentes passos dessa estratégia são as novas instalações que a empresa dispõe agora (inauguradas em meados de 2014), exclusivamente destinadas ao negócio dos pneus. “Naturalmente que o acordo com a Kumho nos exigiu mais stock, mas não foi esta a razão principal que nos levou a investir neste armazém”, começa por afirmar Pedro

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Conceição, gerente da Aguesport, explicando que “o crescimento da empresa para estas instalações deve-se sobretudo à necessidade de concentrar a atividade num único armazém, numa altura em que a rapidez de resposta é muito importante e em que tudo se decide ao minuto”. Agregando a sua atividade grossista num único armazém, Pedro Conceição reconhece que agora é tudo muito mais eficiente pois “cada vez será mais rigorosa a nossa organização do stock, até porque a implementação de novos e modernos sistemas logísticos, que estão quase a funcionar, levará necessariamente a essa maior eficiência na nossa atividade”. Reduzir quase a zero o erro logístico é quase

uma obrigação para qualquer grossista, até porque Pedro Conceição considera que a grande vantagem que um distribuidor moderno apresenta no negócio dos pneus na atualidade é precisamente a logística. Com 2.500 m2 disponíveis nas novas instalações, o responsável da Aguesport antevê que num futuro próximo se alcance os 3.500 m2 (ocupando mais uma parte do armazém). Para já o stock médio ronda as 43.000 unidades, unicamente com pneus de ligeiros (passageiros, comerciais e 4x4). SUCESSO Observar o exponencial crescimento da Aguesport nos poucos anos que leva de história nos pneus (iniciou com um stock


AGUESPORT GERENTE PEDRO CONCEIÇÃO TELEFONE 234 690 310 E-MAIL info@aguesport.com INTERNET www.aguesport.com

médio de 4.000 pneus), leva necessariamente a questionar quais foram as razões do sucesso. “As marcas de pneus estão muito concentradas nas suas redes e nos novos canais, tendo deixando ao grossista a distribuição de pneus, pois na realidade somos muito mais flexíveis”, observa Pedro Conceição, dizendo que “os grossistas trouxeram muitas vantagens aos clientes. Veja que se conseguem fazer duas entregas de Setúbal a Viana do Castelo atualmente e que, há cinco anos, era impensável fazer-se isso”. KUMHO Com cerca de um ano, o acordo que a Aguesport fez com a Kumho teve também uma grande importância na atividade da empresa. Em Outubro passado, na presença na Mecânica, na Batalha, a Aguesport deu unicamente destaque à marca coreana. “Para nós trata-se de uma marca que poderá vir a representar muito mais do que aquilo que representa atualmente”, afirma Pedro Conceição, explicando que “até hoje estivemos numa fase de investimento, tentando

perceber aquilo que o mercado pretende. Uma encomenda demora 12 semanas e isso levounos a ter muito cuidado na organização do stock e na relação com os agentes”. Apesar de ainda não ser uma marca muito expressiva nas vendas da Aguesport, mesmo assim Pedro Conceição garante que já forma feitas vendas acima do que se estava à espera, acreditando que “este será um ano de descolagem com a marca Kumho, sobre a qual temos expectativas que possa vir a representar, no futuro, cerca de 40% das nossas vendas”. Para além da Kumho, a Aguesport dispõe ainda das marcas Federal, Rotalla, Continental, Mabor, Goodyear, Dunlop, Bridgestone e Michelin. “Brevemente teremos mais novidades ao nível do segmento budget, com o lançamento de uma nova marca”, anuncia Pedro Conceição, dizendo que “não é nosso objetivo ter marcas por ter. O que nos interessa é dar continuidade ao trabalho que efetuamos com as nossas marcas, como forma de apoiar o cliente”. Outra novidade, que está para breve, é a entrada da Aguesport no segmento dos pneus para veículos pesados. “Vamos começar com uma marca budget que será uma novidade, mas também trabalhando em parceria com uma companhia”, afirma o responsável da Aguesport, que remete para Maio mais detalhes sobre esta nova aposta, destinada exclusivamente aos retalhistas.

PEDRO CONCEIÇÃO GERENTE DA AGUESPORT

Porque razão os grossistas como a Aguesport ganharam tanta relevância no negócio dos pneus? Ainda há poucos anos os grossistas eram vistos como os “piratas” dos pneus. As enormes mais valias que os grossistas trouxeram para o mercado levaram a que hoje ninguém nos identifique como “piratas”. Portugal deve ser dos países mais evoluídos que existe nesta área dos pneus, nomeadamente em termos de distribuição, sistemas B2B, logística, etc... Por exemplo, atualmente um vendedor tem toda a informação sobre pneus e sobre o cliente numa aplicação de iPad. Como analisa o futuro dos grossistas como a Aguesport? Cada vez mais os grossistas terão que apostar em armas próprias e novos meios de se diferenciarem no mercado. Temos que ser mais eficientes e dar mais qualquer coisa ao cliente que o faça esquecer aquele euro mais barato na concorrência. Se não tentarmos ser diferentes acabamos por cair no marasmo. Fomos inovadores em muitas coisas neste mercado e teremos que voltar a ser para podermos crescer no futuro. Que novas áreas querem explorar? Estamos neste momento a preparar o salto para os pneus de pesados. Não pretendemos ir a frotas diretamente, mas sim trabalhar com o retalho. Vamos ter uma nova marca nesta área dos pesados. As oficinas de mecânica são os novos clientes de pneus? Cada vez notamos mais isso, como notamos que os retalhistas de pneus estão a fazer cada vez mais mecânica. Acho que o futuro é claramente esse, e penso que o grossista deverá vender onde existirem condições para se montarem pneus. Não pensam investir no mercado de Lisboa? Não está previsto. Neste momento temos duas distribuições diárias para Lisboa e temos ação comercial em todo o país. O que é importante é ter capacidade de inovar e de nos adaptarmos às novas realidades do mercado. Como vê a Kumho no universo de marcas da Aguesport? A Kumho é marca quality com qualidade premium que vai crescer bastante, como se prova pelo número de carros que utilizam esta marca como equipamento de origem. Por isso, penso que a Kumho também pode levar a que a Aguesport possa a vir a ter uma posição muito importante no mercado.

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PNEUS

Sópneus. Consolidar o retalho A Sópneus é um dos poucos grossistas e retalhistas de pneus que opera simultaneamente no Porto e em Lisboa. O enfoque da empresa tem sido dado ao retalho e aos serviços ao cliente final. TEXTO PAULO HOMEM

A

Sópneus tem vindo a apostar as suas fichas no retalho. A empresa possui instalações no Porto, Maia e Gaia, na região norte, e em Loures (bem às portas de Lisboa). Tirando as instalações citadinas do Porto, as restantes três dispõem de meios e condições técnicas para prestar todo o tipo de serviços na área de pneus e da mecânica rápida, indo ao encontro também da aposta que a rede First Stop (à qual pertence) tem vindo a fazer. Como tem evoluído o negócio da Sópneus associado à revenda de pneus? Tem havido alguma inversão estratégica na atividade grossista da Sópneus, isto é, alocámos recursos na revenda mais especialista e passámos a dar um maior enfoque ao retalho. Mantemos, de facto, a revenda, mas com uma vantagem face aos restantes operadores no mercado que é ter os postos de retalho. Por isso, faz todo o sentido

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concentrar os nossos investimentos nos postos, onde o valor acrescentado é superior e o nível de fidelização do cliente é também mais alto pois existem serviços associados onde pode existir diferenciação. Na revenda não pode existir diferenciação? Na revenda existe uma guerra de preços enorme sendo cada vez mais difícil criar alguma diferenciação neste mercado, até porque todos têm acesso ao mesmo tipo de distribuição, em outsourcing com entregas que podem chegar a quatro vezes ao dia, sendo um fator de concorrência que quase todos utilizamos. O que vai diferenciar na revenda é a disponibilidade de produto e a entrega, que é, no fundo, o serviço, mas também o factor preço, que é a questão mais importante. Qual a razão que leva a Sópneus a investir mais no retalho? Face à história da Sópneus, que nasceu como loja e como serviço ao cliente, e em alturas em

que no mercado existem mais dificuldades, é preciso tomar certas decisões estratégicas. A nossa decisão foi precisamente apostar no retalho, embora isso não queira dizer que deixamos de olhar para a revenda. O que representa o negócio da revenda? Atualmente temos menos stock, mas conseguimos ter um stock mais polivalente que vai desde o produto de turismo até ao produto de engenharia civil, passando pelo de camião e o agrícola. Passa por uma aposta no mix de produto, tentando ser competitivo em todas as áreas, sabendo que por vezes isso é difícil. Nos produtos mais técnicos, como é o caso dos OTR, pesado e agrícola, acrescentamos valor aos mesmos, pois temos três carrinhas de assistência, que podem deslocar-se às frotas para prestar os serviços. Qual é o volume médio do stock da Sópneus? Se cada uma das nossas lojas vender cerca de


A NOSSA DECISÃO FOI PRECISAMENTE APOSTAR NO RETALHO, EMBORA ISSO NÃO QUEIRA DIZER QUE DEIXAMOS DE OLHAR PARA A REVENDA

500 a 600 pneus por mês, nós teremos em stock qualquer coisa com 1.200 pneus por loja. O tempo médio de stockagem é de cerca de dois meses associado ao negócio para que exista capacidade de resposta. Vendemos quase todas as marcas, estando presentes em todos os segmentos, desde o budget ou premium. Sabemos que nos temos que adaptar também à política comercial e de comunicação das marcas com que trabalhamos, mas a adaptação maior é feita em relação às necessidades dos clientes em função do investimento que eles podem fazer. Os pneus mais económicos são cada vez mais a opção? O mercado das segundas linhas das marcas premium tem vindo a crescer, até como forma de combater o produto asiático. Temos 40 anos no retalho e não podemos arriscar a nossa história vendendo produto que não dê sustentabilidade ao nosso negócio e que

não dê garantias ao cliente. Por isso, temos mantido a nossa coerência com aquilo que comunicamos. Estão previstos novos investimentos? A crise económica levou-nos a parar com os investimentos olhando mais para a consolidação de alguns investimentos feitos recentemente. A empresa cresceu em unidades de retalho de uma forma rápida e ainda não houve o tempo necessário de as consolidar. É exatamente esse o trabalho que estamos a fazer para manter os nossos standards de serviço em todas as unidades de retalho que temos, criando as bases necessárias e desenvolvendo as raízes para, no futuro, poder continuar a crescer no retalho, que é essa a estratégia da empresa. A Sópneus já desenvolve outros serviços para além de pneus. O que tem sido feito e o que vai a empresa fazer no futuro ao nível dos serviços de mecânica? Não é fácil atualmente angariar mais clientes. O que temos vindo a fazer passa muito pelo “cross selling” e trabalhar o cliente propondolhe uma maior amplitude de serviços. Temos vindo a comunicar ao cliente outros serviços para além dos pneus, ao nível da mecânica, que começam a representar cada vez mais na nossa organização. Estamos associados à First Stop que começa também a dar fortes passos na área dos serviços de mecânica e isso é

importante na nossa comunicação. Os nossos 40 anos de história permitem-nos pensar que se o cliente confia em nós para os pneus também pode confiar em nós para os outros serviços. Que outras áreas são fundamentais no negócio da Sópneus? Estamos muito fortes na área dos pneus de pesados. É uma área em que investimos bastante e que temos know-how e todos os meios necessários para acompanhar os clientes. Desde o início da década que investimos num serviço de assistência 24 horas. Atualmente contamos com três carrinhas (uma em Lisboa e duas no Porto) para prestar todo o tipo de serviço de pneus fora das nossas instalações.

CONTACTOS SÓPNEUS DIRETOR GERAL PEDRO JALES TELEFONE 227 169 100 E.MAIL gaia@sopneus.com WEBSITE www.sopneus.com

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O opinião

A responsabilidade pelo pagamento do IUC O Imposto Único de Circulação (IUC), que substituiu o anterior imposto de selo, é um imposto que foi configurado pela lei como sendo um imposto ambiental que repercute nos proprietários de automóveis os custos estimados inerentes às emissões dos gazes de escape e, nomeadamente, o CO2 libertado para a atmosfera.

E MIGUEL RAMOS ASCENÇÃO ADVOGADO

Todos os meses abordaremos neste espaço assuntos de natureza jurídica que julgamos relevantes para a atividade da reparação e manutenção. Se tiver dúvidas ou situações específicas, por favor envie-nos um email para: oficina@turbo.pt indicando que se trata de um pedido de esclarecimento de natureza jurídica. O autor desta crónica escreve de acordo com a antiga grafia

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Tratando-se de carro novo, o IUC é devido nos 90 dias subsequentes à emissão da matrícula, sendo a partir desse momento o IUC devido anualmente, na data da matrícula, variando o valor do imposto de acordo (que é actualizado anualmente) com o ano de matrícula, a cilindrada, tipo de combustível e as emissões de CO2 libertadas. Poderá fazer uma simulação do imposto devido no site da Associação Automóvel de Portugal em https://home.moonlight.pt/acapco2/ . Não está prevista qualquer isenção decorrente da idade ou do índice de utilização ainda que se trate de veículo “clássico”. Têm-se sucedido relatos de situações em que por falta da devida actualização do registo automóvel após uma compra e venda, anteriores proprietários são notificados para o pagamento do Imposto (e das multas pelo atraso) numa altura em que já não conseguem sequer saber onde e quem utiliza o veículo. Como referido, determina o artigo 3.º do Código do IUC que “são sujeitos passivos do imposto os proprietários dos veículos (…) em nome das quais os mesmos se encontrem registados”, esclarecendo-se ainda que “são equiparados a proprietários os locatários financeiros, os adquirentes com reserva de propriedade, bem como outros titulares de direitos de opção de compra por força do contrato de locação.” Tendo presente aquela disposição, o IUC só deixará de ser devido por um anterior proprietário quando o veículo deixar de constar no registo automóvel em nome do vendedor, ou seja, quando for requerido o registo da transferência da propriedade do veículo junto das entidades competentes, neste caso, junto do Instituto dos Registos e Notariado (IRN), através da

Conservatória do Registo Automóvel. É obvio que esta solução legal tem dado origem a situações de extrema injustiça e carece de urgente revisão, contudo, até que seja alterado o regime, é este que vigora alertando-se os leitores para a necessidade de tratarem com todo o cuidado qualquer processo de compra ou venda de um automóvel usado. Aquando da compra, deve o comprador ter o cuidado de solicitar ao vendedor o documento de liquidação do IUC e comprovativo do pagamento respectivo para que, sendo necessário, e até que a matrícula complete mais um ano e o IUC seja por si devido, possa fazer prova de que o imposto foi pago. Aquando da venda, o cuidado deve ser redobrado, devendo o vendedor assegurar que, uma vez concluído o negócio, a transmissão é efectivamente registada junto da Conservatória do Registo Automóvel, sugerindo-se que, com a celebração da compra e venda, fiquem ambas as partes com declarações da compra e venda completamente preenchidas e com as assinaturas de ambas as partes devidamente reconhecidas. Assim, e na eventualidade do comprador não promover o registo (o que lhe competirá normalmente), poderá o vendedor dirigir-se à conservatória para proceder ao registo, evitando dessa forma dissabores e preocupações futuras. Além do impacto fiscal que a falta de registo tem sobre o vendedor, convém referir que essa responsabilidade se pode estender para outros campos como sejam multas de trânsito e até eventual responsabilidade civil e criminal decorrente de acidentes de viação em que o automóvel vendido esteja envolvido após a compra e venda.


Turbo Oficina 33  

Este mês o destaque de capa vai para o dossier de ferramentas, fundamentais para qualquer oficina. Ouvimos o mercado e mostramos-lhe as prin...

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