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nossa loja de feij達o


“Saudades! Tenho-as até do que me não foi nada, por uma angústia de fuga do tempo e uma doença do mistério da vida. Caras que via habitualmente nas minhas ruas habituais se deixo de vê-las entristeço; e não me foram nada, a não ser símbolo de toda a vida”


outubro, 2005 / novembro, 2006


nina : dezembro, 2008


marรงo, 2009


marรงo, 2009


setembro, 2009


feijĂŁo jalo rajado / alho roxo graĂşdo argentino


dezembro, 2009


dezembro, 2009


abril, 2010 / maio, 2010


maio, 2010


junho, 2010


junho, 2010


dois mil e treze


dois mil e treze


Do senhor de olhos claros, sempre com um boné na cabeça que vinha pontualmente às 7:05h e que nós chamávamos de Alemão, um amor de pessoa na sua simplicidade. Do senhor de cabelos grisalhos, que não enxergava claramente com os olhos, mas muito com o coração – e era o mais fiel a nossa ecobag! Do velho um pouco rude que chamava todo mundo de boneca (que me lembra bicheira). Da senhora hipócrita do cabelo abaixo da bunda que se achava A crente mas me mandou pro inferno – várias vezes. Da senhora japonesa de cabelos cacheados com o maior coração do mundo inteiro! Da senhora pequenininha e sua família, que fazem os bolinhos de carne mais deliciosos que consigo lembrar. Da senhora chique que nos presenteou com tâmaras medjol cobertas com chocolate belga. Do senhor pequenininho de camisa xadrez e óculos estilosos que me ensinou que atualmente o feijão rosinha está vindo muito graúdo e estranho! Do casal celíaco que teve um bebê bonito e grande como eles. Da loira antipática de bom coração da quinta-feira (chegava sempre aos 45 do segundo tempo). Da japonesa (marota!) do pistache de quinta-feira também. Do senhor japonês que trabalha num sebo e consomia 500g de castanha de caju w1 por semana. Da moça loira que trabalha em outro sebo e levava o dinheiro dentro de um envelope reutilizado de alguma conta. Do casal mala, chato e mão de vaca que perguntavam a validade de tudo – e seu tudo era transgênico. Do Chicão, entregador do Chikão. Da senhora negra (sargenta?) que morava em São Remo e colecionava pedras de sabão. Da pornográfica, querida, magrela e diária dona Portela. Do senhor grandão do (um quilo de) sucrilhos sem açúcar. Do Gilberto que sabia meu nome. Da advogada que voltou uma ou duas vezes depois que o papai se foi. Do Carlos, da nota paulista e esposa bonita. Do Rogério (ou Paulo? Ou Paulo Rogério) que vinha de bicicleta. Do casal que faz os brigadeiros mais gostosos que já comi. Do garoto da minha idade saudável que ia com a lista da nutricionista. Da advogada inteirona que tinha dois filhos. Do vegetariano extremista que come queijo e chora mais que eu. Do senhor mensalão. Do senhor estúpido do feijão preto + farinha grossa. Do tio do Dolly! Do Daniel que sempre somava a própria conta. Dos meninos que trabalhavam lá e eram legais e otários simultaneamente. Das Roses, sempre firmes e fortes. Dos nossos amigos da salada. Do nosso amigo mecânico. Do Nino. De quem mediou o nosso contato com todas essas pessoas.

Emporio op2 v2  
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