Issuu on Google+

JANE BIRKIN, A MUSA QUE SE TORNOU HERDEIRA

ARTES PÁG. 35

www.dn.pt

DISNEY CONTINUA ANIMADA MESMO SEM WALT ARTES PÁGS. 36 E 37

QUARTA-FEIRA, 14 de dezembro de 2016, Ano 152.º, N.º 53 930, 1,20€

Diretor PAULO BALDAIA Diretor adjunto PAULO TAVARES Subdiretores JOANA PETIZ e LEONÍDIO PAULO FERREIRA Diretor de arte PEDRO FERNANDES

Governo trava exploração de petróleo no Algarve

FARMACÊUTICA

Operação Marquês deu um empurrão ao “caso do sangue”

Energia. Executivo rescindiu contratos com a Portfuel de Sousa Cintra e acionou processo para rescindir e executar garantias bancárias no caso do consórcio Repsol-Partex. Pareceres da Procuradoria-Geral da República e do regulador do mercado de combustíveis justificam a decisão. DN+ PÁG. 2

PORTUGAL PÁG. 11

FUNÇÃO PÚBLICA

Governo reverte despedimentos e recebe aplauso da esquerda

Denúncia de execução de civis em Aleppo

PORTUGAL PÁG. 10

MUNDO PÁG. 32

REUTERS/ABDALRHMAN ISMAI

ANTIGO PRESIDENTE

EMPRESAS SÓ PROVISIONARAM 10% DA FATURA DOS SWAPS DO SANTANDER Primeira parcela da conta a saldar é de 441 milhões de euros, respeitante a fluxos já vencidos. DN+ PÁGS. 4 E 5

Mário Soares no hospital em estado crítico PORTUGAL PÁG. 13

TAÇA DE PORTUGAL

Presidente do Real é benfiquista ● Equipa de Massamá enfrenta hoje as águias no Estádio do Restelo, emprestado pelo Belenenses. Sonho é passar aos quartos-de-final. DESPORTO PÁG. 44 PUB

SIGA-NOS EM DIRETO DO HELICÓPTERO SINTONIZE 89.5 Oficinas Autorizadas Mercedes-Benz

adas torizz aas Au en e Oficincedes-B Mer

Informação de trânsito em tempo real na Grande Lisboa


Quarta-feira _14 de dezembro de 2016. Diário de Notícias

2

DN+ Energia PLATAFORMA

ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Postal de Natal com recado para Costa › Chega no mesmo dia em que são conhecidas as rescisões dos contratos de exploração de petróleo no Algarve, mas nem por isso vem atrasado o postal de Natal que será hoje entregue ao primeiro-ministro se António Costa receber os membros da Plataforma Algarve Livre de Petróleo, como espera a organização. Sensibilizar o governo para os riscos da exploração é o objetivo da Plataforma ao entregar nesta manhã, na Assembleia da República, o postal gigante que representa a sua luta por um Algarve livre de petróleo. Trata-se do último gesto de uma campanha em que a população foi convidada a mostrar o seu descontentamento através de postais com imagens criadas por artistas algarvios.

Movimentos como a Plataforma Algarve Livre de Petróleo e a Associação de Surf e Atividades Marítimas do Algarve juntaram-se em Lisboa há um mês contra a exploração de petróleo em Portugal

Governo rescinde contratos de exploração de petróleo no Algarve Decisão. Parecer da Procuradoria dá razão ao Estado para cancelar contrato com empresa de Sousa Cintra por falta de prova de seguro de responsabilidade civil. Processo para parar exploração da Repsol-Partex também já avançou JOANA PETIZ e PAULO BALDAIA

Nem Portfuel nem Repsol-Partex. Nenhum dos contratos para prospeção e exploração de petróleo no Algarve vai avançar. Fonte do executivo confirmou ao DN que o governo rescindiu os contratos com a empresa de Sousa Cintra – para pesquisa, desenvolvimento e produção de petróleo onshore nas áreas designadas por Aljezur e Tavira – e deu já início ao processo de rescisão e execução das garantias bancárias no caso do consórcio que reúne Repsol e Partex e que previa a prospeção, pesquisa, desenvolvimento e produção de petróleo na bacia do Algarve. Às empresas já foram enviadas cartas de notificação. A decisão sobre a Portfuel foi tomada há dias, na sequência do pedido de parecer à Procuradoria-Geral da República (PGR), que confirmou, ainda que com argumentos distintos dos do executivo – que alegava a falta de experiência da empresa de Sousa Cintra, por ter menos de três anos de atividade

neste negócio –, haver justificação para a rescisão. Ainda no mês passado o secretário de Estado de Estado da Energia, Jorge Seguro Sanches, afirmou estar “atento a todos os contratos”, tendo confirmado o pedido de esclarecimentos à PGR, no sentido de tomar a decisão “que melhor defenda o interesse público”. O contrato, assinado em setembro de 2015, foi amplamente contestado, quer pela população quer pelos autarcas da região, mas Sousa Cintra sempre garantiu ter cumprido “com todo o rigor” tudo quanto o contrato exigia e não entender o “ruído e confusão” à volta de um projeto “que pode valer muito a pena para o país”. Agora, a PGR considera que há de facto um incumprimento “inequívoco” da Portfuel, na medida em que a empresa não apresentou prova da constituição e manutenção do seguro de responsabilidade civil a que estava obrigada. “A apresentação de duas declarações genéricas de uma seguradora consubstancia incumprimento cuja culpa se presume da concessionária (artigo 799.°, n.º 1, do Código Ci-

vil) em termos que infringem o enunciado da cláusula oitava de ambos os contratos e habilitam, por isso, à imediata rescisão pelo Estado atendendo à especial gravidade reconhecida pelas partes à violação destas obrigações.” O que possibilita ao Estado rescindir sem ter de pagar indemnizações. No caso da Repsol-Partex, a Entidade Nacional para os Mercados de Combustíveis concluiu existir uma situação de incumprimento não justificado do Plano de Trabalhos para 2016, “que justifica a execução das cauções prestadas pelos membros do consórcio”. O governo acatou a recomendação e já deu

início ao processo de execução que implica um valor global de 4,5 milhões de euros dados pelo concessionário como garantia do cumprimento das obrigações. Sobra, assim, apenas o contrato que dá à Galp e a ENI Portugal direitos de prospeção, pesquisa, desenvolvimento e produção de petróleo nas áreas denominadas Lavagante, Santola e Gamba, na Bacia do Alentejo. O primeiro furo esteve para ser realizado neste ano, mas tal acabou por não acontecer. No entanto, o executivo aceitou prorrogar por mais um ano por considerar que ali houve atrasos da sua própria responsabilidade. Esta de-

Concessões da Portfuel ocupam quase metade do Algarve

cisão resulta da proposta da Entidade Nacional para os Mercados de Combustíveis, conhecida a 5 de dezembro, que deu razão o consórcio, considerando que o não cumprimento do plano de trabalhos deste ano se justificou por motivos não imputados exclusivamente à concessionária. Nessa vertente incluem-se os novos pressupostos legais relacionados com operações offshore de petróleo e gás, introduzidos pelo decreto-lei 13/2016, publicado em março, mas também do DL 38/2015, que implicaram novos processos, nomeadamente a obtenção de título de utilização privativa do espaço marítimo Nacional. A manutenção destes contratos, explica fonte governamental, resulta da necessidade de o país conhecer os seus recursos, mas o governo garante que as regras ambientais estabelecidas serão escrupulosamente cumpridas, de forma a proteger o interesse nacional e salvaguardar o ambiente no mais escrutinado quadro legal. O processo exigirá ainda um envolvimento das autarquias locais.


Quarta-feira _14 de dezembro de 2016. Diário de Notícias

PUBLICIDADE

3

CHEGUE MAIS

DEPRESSA COM A MERCEDES-BENZ Com o apoio das Oficinas Autorizadas Mercedes-Benz, a TSF dá-lhe toda a informação do trânsito em tempo real.

SIGA-NOS EM DIRETO

DO HELICÓPTERO SINTONIZE 89.5

SE TEM UM MERCEDES-BENZ E PRECISAR DE FAZER UMA REVISÃO, NÃO HESITE. Marq que e num ma Ofic Off cin na Au uto tori rizada da, a ún únic ica ic a qu ue lhe ga lh gara rant nte nt e um uma a eq equi uiipa uipa a espe pe eciial aliz i ad da, a peças eç ças s origin i aiis e um u serrv viiço pers son nal a iz i ad ado o.. Ligu Li gu ue já 80 00 20 2 0 20 06 www. ww w.me merc rce rc ced edes es-b s-b -ben en nz. z.pt z.pt

Informação de trânsito em tempo real na Grande Lisboa


Quarta-feira _14 de dezembro de 2016. Diário de Notícias

4

DN+ Gestão de risco financeiro

Empresas só provisionaram 10% da fatura dos swaps do Santander Contas. Quatro empresas públicas de transpor-

ROSÁLIA AMORIM e JOÃO D’ESPINEY

A fatura dos swaps a pagar pelas empresas públicas de transportes ao Santander Totta soma 1690 milhões de euros, um valor que disparou desde que Maria Luís Albuquerque, ex-ministra das Finanças, decidiu não negociar com o banco nem pagar. Este é o atual valor dos swaps, contratos de derivados financeiros, altamente especulativos, destinados a cobrir o risco de flutuações de taxas de juro e cambiais. A primeira parcela da conta a saldar de imediato junto do Santander Totta é de 441 milhões, respeitante a fluxos já vencidos. Perante a palavra do tribunal inglês, que ontem veio dar razão ao banco e confirmar a validade dos contratos swap, o Santander Totta já veio afirmar que “a decisão tem um conteúdo inequívoco, aguardando agora que sejam honrados os compromissos”. Mas também manifestou a sua disponibilidade para negociar. O DN/Dinheiro Vivo sabe que o banco está disposto a discutir quer o valor em si quer o prazo para o pagamento. Até à hora de fecho desta edição, o Santander não tinha recebido qualquer contacto direto por parte do governo. Já ao final da tarde, o Ministério das Finanças emitiu um comunicado em que anunciou que as “empresas públicas (Metropolitano de Lisboa, Carris, Metro do Porto e STCP) farão uso de todos os meios jurídicos ao seu dispor para recorrer da decisão proferida hoje pelo Tribunal de Recurso inglês (Court of Appeals), a respeito da aplicabilidade do direito português aos contratos swap celebrados entre es-

tas e o Santander Totta, tendo já manifestado essa intenção”. Será interposto recurso da decisão “dentro do prazo legalmente previsto (até ao dia 10 de Janeiro de 2017) para o tribunal inglês de última instância. Mas deixa a porta aberta às negociações. “Sem prejuízo da defesa firme dos seus direitos, as empresas mantêm-se disponíveis, como sempre estiveram ao longo do processo, para encontrar uma solução negocial alternativa que permita pôr fim ao litígio.” Estão em causa nove contratos de swaps com o Santander Totta. A decisão do tribunal agora conhecida diz diretamente respeito a sete, já que há outros dois que já tinham transitaram em julgado em maio, podendo ser executados. Estes dois respeitam a contratos com a Carris e o Metro do Porto, com valores abaixo dos outros. As Finanças não comentam se a decisão do tribunal

“As empresas públicas mantêm-se disponíveis para uma solução alternativa”

poderá vir a ter implicações orçamentais. Tudo depende de os relatórios e contas provisionaram os valores relativos aos swaps ou se, pelo contrário, as provisões não foram feitas ou são escassas e a fatura vai diretamente impactar no défice. A análise do DN/Dinheiro Vivo permitiu concluir que o somatório de provisões da quatro empresas para processos judiciais em 2015 totaliza 200 milhões de euros, dos quais 174 milhões são relativos à

REUTERS/RAFAEL MARCHANTE

tes provisionaram 170 milhões para pagar conta de 1,7 mil milhões. Impacto no défice é real

contestação judicial do Santander. Na Carris, “as provisões para processos judiciais em curso foram reforçadas em 18,5 milhões relativos às prestações vencidas em março, junho e setembro de 2015” dos swaps do Santander. No total, estão provisionados 41,8 milhões para processos judiciais em curso. O Metropolitano de Lisboa provisionou 100,5 milhões de euros em 31 dezembro de 2015 (47,8 milhões em 2014), mas deste total só 78,7 milhões são relativos aos juros vencidos e não pagos ao Santander entre dezembro de 2013 e 2015. No Metro do Porto, as provisões para processos judiciais são de 51,4 milhões em 2015 (49,8 milhões em 2014), mas a empresa não especifica qual o montante para o processo dos swaps do Santander. Já a STCP reforçou a provisão para 2,2 milhões de euros “a 31 de dezembro de 2015, de forma a cobrir os encargos que se estimam vir a suportar com esta ação e que não se encontravam ainda refletidos nas demonstrações financeiras”. À fatura a pagar por estes swaps, que totalizam 1690 milhões de euros, é preciso somar juros e ainda outros custos a litigar com o Santander na justiça. Ainda antes do recurso para o Court of Appeals, os custos com os advogados contrata-

dos pelo Estado já tinham atingido os 11 milhões de euros, ao qual é preciso adicionar as custas do processo.

1690 milhões de euros estão por pagar Os swaps, cuja validade dos contratos foi agora reconfirmada pelo tribunal inglês, foram negociados por empresas públicas, com destaque para as empresas de transporte Metropolitano de Lisboa, Metro do Porto, Carris e STCP, durante os governos de José Sócrates. A fatura destes contratos tem vindo a engordar e hoje estão em causa 1690 milhões de euros, dos quais 441 milhões já estão vencidos, ou seja, devem ter pagamento imediato por parte do Estado ao Santander Totta.

EVOLUÇÃO DA FATURA DOS SWAPS Valores em milhões de euros a que acrescem juros de mora FLUXO VALOR DE VENCIDO MERCADO

VALOR TOTAL

Agosto 2011

0

850

850

Março 2013

0

1300

1300

Dezembro 441 2016

1249

1690

Juiz do brexit dá razão ao banco O recurso ao Supremo Tribunal poderá de nada adiantar neste processo. “Dada a violência da sentença do Court of Appeals, dificilmente qualquer recurso ao Supremo terá sucesso”, concordam as fontes ligadas quer à justiça quer à banca contactadas pelo DN/Dinheiro Vivo. Aliás, recorrer para o Supremo Tribunal em Londres não é um direito propriamente dito mas uma possibilidade e o Supremo tem o poder de decidir se quer ou não apreciar os assuntos que lhe chegam. A recusa à entrada do processo nas portas desta instituição pode ocorrer, ainda para mais quando as decisões anteriores “vêm carimbadas e assinadas por juízes com pergaminhos”. Na primeira instância, a decisão foi do juiz William Blair, irmão do antigo primeiro-ministro Tony Blair, um reputado profissional da justiça. Agora, neste segundo momento, a decisão foi do coletivo de juízes presidido por Terence Etherton, o mesmo juiz que decidiu que o brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia, tinha de ser submetido ao


Quarta-feira _14 de dezembro de 2016. Diário de Notícias

5

CRONOLOGIA Os swaps das empresas de transportes e o Santander foram feitos ainda no tempo do governo de José Sócrates, mas só a partir de 2011 começaram a dar polémica O que fazer após decisão do tribunal inglês? Mário Centeno, ministro das Finanças, respondeu ontem às 18.30: “As empresas públicas farão uso de todos os meios jurídicos ao seu dispor para recorrer da decisão proferida pelo tribunal inglês de recurso”

2005 a 2007

Setembro de 2013 ›Empresas públicas deixam de pagar juros dos contratos.

Novembro de 2013 › Os swaps foram negociados durante os governos de José Sócrates, por empresas públicas de transportes, como o Metropolitano de Lisboa, Metro do Porto, Carris e STCP.

Estado contesta as ações movidas pelo Santander em Londres, exigindo que os swaps sejam declarados nulos e solicitando compensações pelos juros pagos no passado.

4 março 2016

2011 › Finanças pedem informação detalhada sobre os swaps contratados pelas empresas públicas, tal como ficou estabelecido no memorando de entendimento com a troika.

Janeiro de 2013

Parlamento inglês, ladeado por outros dois juízes: Andrew Longmore e Martin Moore-Bick. Mário Centeno, ministro das Finanças, soma uma derrota na justiça, para onde o processo foi parar depois de Maria Luís Albuquerque, a ministra de Pedro Passos Coelho, ter recusado o acordo proposto pelo Santander – com os outros bancos houve acordo. Uma decisão que acabará por ter implicações nos orçamentos do Estado, pelo menos desde 2014. Estes swaps foram negociados por empresas públicas, com destaque para as empresas de transporte Metropolitano de Lisboa, Metro do Porto, Carris e STCP, durante os governos de José Sócrates. E isso faz que a guerra política PSD-PS esteja instalada. A negociação foi feita no final de 2007 e, ao longo do tempo, o banco de capitais espanhóis fez várias propostas de reestruturação às empresas envolvidas, tendo chegado a propor ao governo de Passos Coelho a concessão de um financiamento para pagar os swaps e condições mais vantajosas em termos de maturidades e de taxas de juro. A partir de 2012, a gestão dos swaps passou a ser do IGCP e a negociação deixou de se fazer com as empresas. De lá para cá, pouco se falou, mas a fatura não parou de engordar.

O IGCP – Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública remete para as Finanças o resultado de uma investigação que concluiu que havia contratos altamente especulativos. A avaliação feita em setembro de 2012 estima em cerca de 3,3 mil milhões de euros as perdas potenciais. O Santander destaca-se com 40% do total das perdas potenciais.

Março de 2013

› O tribunal inglês, Commercial Court, deliberou a favor do Banco Santander Totta. Essa sentença sublinhava que “ficou claro ao longo de todo o processo negocial que o banco aconselhou devidamente as empresas públicas no momento da celebração dos contratos de swap (...) a posição do BST na negociação e celebração dos nove contratos em apreciação foi sempre de total correção e lealdade para com as empresas públicas [e] no momento da contratação todas as partes tinham boa razão para crer que os contratos serviriam os melhores interesses das empresas públicas e que foi nesse contexto que foram formalizados entre 2005 e 2007”.

Abril de 2016

A renegociação dos contratos entre o Estado e a maioria dos bancos chega a bom porto. A exceção foi o Santander, que não chegou a acordo sobre o desconto a aplicar às perdas acumuladas.

Maio de 2013 Santander requer a declaração judicial da validade dos swaps nos tribunais ingleses.

› As empresas públicas de transportes apresentaram um recurso em abril, sobre sete dos nove contratos de swap.

13 dezembro 2016 › O tribunal de recurso de Londres confirmou a validade de contratos de swap e deu razão ao Santander, depois de as empresas públicas terem interposto recurso junto do Court to Appeals. O Santander já fez saber que espera que sejam honrados os compromissos que têm agora a chancela dos tribunais ingleses.

Guerra política: Maria Luís versus Sócrates DUELO PSD e PS empurram

as culpas relativas à gestão do dossiê swaps do Santander. Agora é tarde, a fatura já chegou O PSD instou o governo do PS a recorrer “sem medo” da decisão do Tribunal de Recurso de Londres que confirmou a validade dos contratos swap entre o Santander Totta e quatro empresas públicas de transporte coletivo. “Esperamos que o atual governo faça o adequado recurso para as entidades e tribunais em Inglaterra, que não tenha qualquer medo, qualquer problema, que avance porque estes contratos são altamente prejudiciais para o Estado português”, afirmou Adão Silva. Adão Silva referia-se à decisão do Tribunal de Recurso de Londres que confirmou a validade dos contratos de swap celebrados entre o Santander Totta e o Metropolitano de Lisboa, Carris, Metro do Porto e STCP. O deputado social-democrata reconheceu que a decisão “é muito negativa” e decorre de “uma situação herdada” do governo do socialista José Sócrates, que o anterior executivo PSD/CDS-PP “tentou resolver” e, apesar de ter conseguido negociar noutros casos com nove bancos”, não conseguiu com o Santander Totta. Já no início de março deste ano, o deputado e dirigente do PSD Matos Correia disse que “todas as consequências negativas que advierem para o Estado português [sobre contratos swap] são da responsabilidade direta

“METADE DOS CONTRATOS DE SWAP FORAM CELEBRADOS ENTRE 2008 E 2010, NO GOVERNO DE SÓCRATES” MARIA LUÍS ALBUQUERQUE EX-MINISTRA DAS FINANÇAS

desse governo [de Sócrates] e da decisão ruinosa que nessa altura tomaram”. Foi nessa semana, a 4 de março deste ano, que o Commercial Court de Londres deliberou a favor da instituição bancária Santander Totta, determinando que as obrigações resultantes para as empresas públicas dos nove contratos de swap eram válidas, vinculativas e de cumprimento obrigatório. No mês seguinte, em abril, as empresas públicas de transportes apresentaram um recurso no Court of Appeals sobre sete dos nove contratos de swap, tendo a decisão da segunda instância sido ontem divulgada, mantendo por unanimidade a sentença favorável ao banco. Ex-ministra na berlinda Do lado do PS, é a Maria Luís Albuquerque que os socialistas estão a imputar o ónus de “não ter negociado com o banco Santander Totta, como fez com os outros”, e de “ter vindo para as televisões dizer que não pagava os swaps”. Enquanto se joga o pingue-pongue político, o banco sublinha que a decisão do tribunal “tem um conteúdo inequívoco”, o Santander Totta diz aguardar “que sejam honrados os compromissos relativamente aos contratos de swap cuja validade foi reconhecida pelos tribunais ingleses, no respeito dos tratados e acordos internacionais a que o Estado português se encontra obrigado”, afirmando-se disponível “para encontrar uma solução negociada”. Através do deputado João Galamba, o PS chegou a defender “que foi um erro das anteriores secretária de Estado do Tesouro e ministra das Finanças ter prescindido de tentar contestar este caso em tribunais de jurisdição portuguesa” no caso swap. É contudo importante recordar que estas decisões estão na jurisdição do tribunal de Londres, conforme escrito e estabelecido entre as partes que assinaram os contratos de swaps, e não estão na jurisdição nacional. Aliás, já por 13 vezes, em casos similares mas que tinham que ver com swaps da Madeira, os tribunais nacionais afirmaram que a competência jurídica relativa a swaps está em Inglaterra.


OPINIÃO

6

Quarta-feira _14 de dezembro de 2016. Diário de Notícias

VENEZUELA. TROCA DE NOTAS DE 100 BOLÍVARES

14.12.2016 Opinião da direção

O papel de Maria Luís JOANA PETIZ

S

empre que se fala no caso dos swaps do Santander, todos os indicadores se viram, acusatórios, para a pessoa que decidiu não pagar. Maria Luís Albuquerque é a responsável pela infração. Claro que não foi ela quem assinou os contratos – foram os presidentes das empresas de transportes, a quem foi dada carta-branca para apostar em produtos de alto risco que nunca deviam sequer ter sido vendidos em Portugal. Mas na década passada, já percebemos, tudo valia. Nesses anos de 2002 a 2006, desde que o dinheiro entrasse e permitisse continuar a gerir à farta sem desviar fundos necessários para pagar outras tropelias do governo, ninguém se perguntava sequer se aquelas pessoas sabiam o que estavam a contratar ou entendiam o suficiente de instrumentos financeiros para ter o poder de negociá-los. Era assim que as coisas funcionavam, por isso perdoa-se aos que se deixaram ir na maré, esquece-se os responsáveis – de facto ou politicamente – pelo buraco de quase dois mil milhões de euros capaz de voltar afundar o défice e engordar a já obesa dívida pública. Para isso não há remédio. Reclama-se antes do acumular de juros que resultou da decisão da ex-ministra das Finanças, dos rios de dinheiro público que correram para pagar advogados e evitar o inevitável. Pouco importa se o que Maria Luís fez foi defender o país, tentar resolver com menos violência um problema que deitaria por terra os enormes sacrifícios feitos pelos portugueses nos anos anteriores. Ainda menos o facto de essa mesma estratégia ter tido sucesso em muitos outros contratos semelhantes, permitindo ao Estado – aos portugueses – poupar perto de 570 milhões de euros. Ou sequer que o atual governo – PS, apoiado por BE e PCP – tenha seguido precisamente a mesma estratégia, recorrendo aos tribunais em vez de calar e pagar. E que ainda agora esteja a tentar minimizar os estragos. Maria Luís é culpada, sim, mas de se ter atrevido a tentar evitar mais um rombo nos cofres do Estado.

Diretor Paulo Baldaia Diretor adjunto Paulo Tavares Subdiretores Joana Petiz e Leonídio Paulo Ferreira Redatores principais Ferreira Fernandes e Ana Sousa Dias Diretor de arte Pedro Fernandes Editora executiva Graça Henriques Editores executivos adjuntos Ana Mafalda Inácio (Sociedade), Artur Cassiano (Digital), Helena Tecedeiro (Mundo), Pedro Sequeira (Desporto) Portugal Paula Sá (editora), Pedro Vilela Marques (editor), Ana Maia, Filipa Ambrósio de Sousa, João Pedro Henriques, Manuel Carlos Freire, Miguel Marujo, Pedro Sousa Tavares, Susete Francisco, Valentina Marcelino Sociedade Carlos Ferro (editor), Sílvia Freches (editora adjunta), David Mandim (editor adjunto), Céu Neves (grande repórter), Fernanda Câncio (grande repórter), Ana Bela Ferreira, Carlos Rodrigues Lima, Filomena Naves, Joana Capucho, Rute Coelho Desporto Nuno Sousa Fernandes (editor), Rui Frias (editor adjunto), Bruno Pires, Carlos Nogueira, Gonçalo Lopes, Isaura Almeida, João Ruela, Rui Marques Simões Mundo Patrícia Viegas (editora), Abel Coelho de Morais, Ana Meireles, José Eduardo Fialho Gouveia, Susana Salvador Artes Marina Almeida (editora), Marina Marques (editora adjunta), João Céu e Silva (grande repórter), Lina Santos, Maria João Caetano, Mariana Pereira Digital Ricardo Simões Ferreira (editor), Patrícia Jesus (coordenadora), Bárbara Cruz, Elisabete Silva, Sofia Fonseca Opinião Adriano Moreira, Alberto Gonçalves, André Carrilho, André Macedo, António Barreto, Anselmo Borges, Bernardo Pires de Lima, Inês Teotónio Pereira, João César das Neves, João Lopes, João Taborda da Gama, Joel Neto, Mário Soares, Miguel Ángel Belloso, Pedro Marques Lopes, Pedro Tadeu, Viriato Soromenho-Marques, Wolfgang Münchau e Yanis Varoufakis Fecho de edição Elsa Rocha (editora), Ângela Pereira e Nuno Camacho Arte Vítor Higgs (diretor adjunto), Eva Almeida (coordenadora), Marta Ruela Rocha (coordenadora), Fernando Almeida, Gonçalo Sena, Maria Helena Mendes, Sofia Xavier, Teresa Silva, Ana Kaiseler (infografia), Tânia Sousa (infografia) Digitalização Nuno Espada (coordenador), Carlos Morgado , Inês Nazaré, Paulo Dias e Pedro Nunes Dinheiro Vivo Rosália Amorim(diretora editorial) Notícias Magazine Catarina Carvalho (diretora executiva), Paulo Farinha (editor executivo) Evasões Catarina Carvalho (diretora) Conselho da Redação Ana Bela Ferreira, Carlos Rodrigues Lima, Céu Neves, Maria João Caetano, Miguel Marujo, Pedro Sousa Tavares e Sílvia Freches Secretária de direção Elsa Silva Secretaria de redação Carla Lopes (coordenadora), Susana Rocha Alves E-mail geral da Redação dnot@dn.pt E-mail geral da publicidade dnpub@dn.pt CONTACTOS Lisboa Rua Tomás da Fonseca, Torre E, 5º, 1600-209 LISBOA – Tel.: 213 187 500 – Fax: 213 187 515 Porto Rua de Gonçalo Cristóvão, 195 – 5º, 4000-269 PORTO – Tel.: 222 096 350 – Fax: 222 096 163 Coimbra Rua João Machado, 19, 2º A, 3000-226 COIMBRA – Tel.: Redação: 961 663 378 – Publicidade: 969 105 615 Leiria Av. D. João III, Edifício 2002, Porta A, 3º, Sala 3, 2400-164 LEIRIA – Tel.: 244 848 670 – Fax: 244 848 689 – Pub. 244 848 680. Estatuto editorial disponível em www.dn.pt Tiragem média diária de Novembro 2016: 24.814 exemplares

› Os bancos daVenezuela funcionaram ontem sob fortes medidas de segurança e muita confusão para tentar responder aos clientes naquele que foi o primeiro dia em que as notas de 100 bolívares começaram a ser recolhidas. No passado domingo, Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, ordenou que todas as notas desse valor fossem retiradas de circulação até amanhã, para, alegadamente, combater máfias internacionais que estariam a armazenar ilegalmente as notas para desestabilizar a economia do país. Segundo o banco central existem 6,11 mil milhões de notas de 100 bolívares em circulação na Venezuela, aproximadamente 48% do dinheiro que circula entre a população.

O CONVIDADO

Bem-vindo, presidente Miloš Zeman

FRANCISCO PAVÃO Médico e sócio fundador da Associação de Amizade Portugal e Rep. Checa

Q

uando há pouco mais de uma década o avião da Transportadora Aérea Portuguesa, TAP, me deixou no aeroporto de

Praga, recordo ainda vivamente o turbilhão de sentimentos que então me invadiu! Desde logo um imenso vazio complemento da saudade da família e dos amigos que tinham ficado para trás e por outro lado alguma apreensão pelo futuro próximo que me esperava num país até então pouco conhecido dos portugueses, mas que agora me abria as portas para realizar o sonho e o desejo de obter a licenciatura para que me sentia vocacionado. Embora a monumentalidade de Praga, a bela e misteriosa capital, já me tivesse chegado pelos livros e pela televisão, foi em casa

que aprendi a sua histórica Primavera e admirei os corajosos patriotas que desafiaram com a vida o opressor que lhes roubava a sua identidade. Alexander Dubèek, Václav Havel, Franz Kafka e tantas outras referências da cultura e política vieram mais tarde, à medida que nos íamos introduzindo e identificando com o povo checo, cujas simpatia, afabilidade e organização muito me impressionaram e admirei. Em Pilsen, a quem me apetece chamar também de “minha cidade” pelos bons e inesquecíveis tempos que ali passei, pude ouvir


Quarta-feira _14 de dezembro de 2016. Diário de Notícias

OPINIÃO

7

Três prendas de Natal: CGD+BES+Novo Banco

ROSÁLIA AMORIM Diretora do Dinheiro Vivo

EPA / MIGUEL GUTIERREZ

U

ma tomada de decisão terá sido acelerada a tempo de ser anunciada nesta sexta-feira. Trata-se do acordo com os lesados BES. António Costa, primeiro-ministro, tem estado em Nova Iorque, a propósito da tomada de posse de António Guterres como secretário-geral da ONU, mas não perdeu tempo na viagem e já deu o aval à solução que vai anunciar. Na pratica, é um governo de alianças à esquerda que vai anunciar ter criado as “condições” de que António Costa falou há poucos dias: “Criar medidas para restabelecer as condições no sistema financeiro.” São pelo menos três as medidas que criam essas condições: por um lado a nomeação de um novo presidente da CGD que irá executar o urgente plano de recapitalização do banco público, por outro lado o acordo com os lesados do BES que vai abranger mais de 90% dos visados, e, por fim, a venda do Novo Banco. As últimas semanas têm sido ricas em notícias relacionadas com a banca nacional. No próximo fim de semana ou no arranque da semana seguinte, o mesmo poderá acontecer, revelam algumas fontes ligadas à banca. Todas serão boas notícias para o sistema financeiro,

tendo em conta a debilidade em que se encontra há muito. A meu ver, merece destaque o acordo com os lesados do BES, nesta véspera de Natal. Estes clientes, muitos deles pequenos aforradores que mal sabiam o que estavam a comprar e muito menos o que é exatamente um papel comercial, vão ver recuperada parte do seu investimento. Foram muitas as angústias que os aforradores passaram nestes anos, foram muitas vezes chutados para canto por políticos, outras vezes sentiram-se desprezados pelo Banco de Portugal e, finalmente, veem uma solução ao fundo do túnel. Claro que só vão acreditar na sexta-feira que existe realmente um acordo fechado e pronto a ser aplicado. Afinal, está é uma prenda de Natal há muito desejada. Perante a bola de neve gigante em que estava a transformar-se este tema dos lesados do BES , o executivo e o Banco de Portugal alinharam o tema entre as prioridades a tratar antes do fecho do ano. O BdP aprovou a proposta final que atribui ao fundo de resolução, detido pelos maiores bancos, grande parte do peso financeiro da solução acordada com o governo, a CMVM, a Associação dos Lesados e o Banco de Portugal. As contas públicas ficam assim salvaguardadas, uma das condições impostas pelo executivo para não afetar o défice. Pelo menos neste tema há uma salvaguarda, já no caso do pagamento dos swaps ao Santander Totta (tema analisado em artigo nesta edição), tendo em conta as curtas provisões nos relatórios e contas das empresas públicas de transportes para fazer face aos encargos com os swaps, o défice poderá sair penalizado.

CARTAS DOS LEITORES os horrores da Segunda Guerra Mundial pela boca de quem a viveu e sofreu, o que me permitiu passar a ter outra ideia da Europa a que pertencemos. Mais tarde vieram outros nomes de tradutores, cientistas e artistas checos que contactam com a língua de Camões, desde Jaroslav Vrchlický, que publicou a primeira tradução dos Lusíadas e a professora Marie Havlíková, profunda conhecedora da literatura portuguesa e com quem conversei amiudadas vezes. A propósito da relação entre os nossos dois países, parece oportuno referir a exposição que decorre em Praga comemorativa da solidariedade dos jovens portugueses que em 1989, em apoio à Revolução de Veludo, foram en-

tregar 50 mil rosas aos estudantes checos, gesto que deu lugar a uma longa e profunda amizade entre os presidentes Václav Havel e Mário Soares. Neste momento, são muitos os portugueses que estabelecem relações de amizade, seja por visitas de carácter turístico, relações comerciais ou académicas. Neste contexto, não podemos deixar de referir o importante contributo dado pelos estudantes portugueses de Medicina que nas exigentes e prestigiadas universidades checas têm alcançado as suas licenciaturas. Refira -se também a recente integração da República Checa como observador na Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) por força do trabalho realizado no âmbito da cooperação no

espaço lusófono, bem como a criação da Associação de Amizade Portugal-República Checa, que reúne portugueses cujo percurso de vida está ligado a este país amigo e que tem em vista promover e fortalecer as relações culturais, desportivas, socioeconómicas e académicas entre os dois países. Do que aqui fica sumariamente registado resulta uma dívida e o apreço pela República Checa e sua gente, graças aos quais temos hoje uma visão melhorada sobre a história desta nossa Europa antes desbastada por uma guerra feroz, mas que vive agora em união de povos que circulam livremente e lutam pela paz e pelo bem-estar das populações. Seja por isso bem-vindo a Portugal, senhor presidente!

Por correio: Rua Tomás da Fonseca, Torre E, 5º, 1600-209 Lisboa Por mail: leitores@dn.pt O DN reserva-se o direito de editar, resumir e só publicar cartas de leitores identificados. Desde 16 de setembro de 2013, os textos publicados incluem o endereço de correio eletrónico do(a) autor(a). Os leitores que prefiram não divulgar o seu endereço devem mencioná-lo nos textos enviados.

Um país canhoto

A democracia não sendo um sistema perfeito é do melhor que qualquer um outro. A nossa democracia, saída de uma longa ditadura, marginalizou à nascença qualquer posição de direita e, pasme-se, ainda hoje o discurso dos partidos existentes é claramente um discurso de esquerda com todas as suas nuances, desde a social-democracia soft do PSD, do socialismo cristão do PP à so-

cial-democracia pura e dura do atual PS e ao radicalismo marxista-leninista do PCP e do BE. Partidos de direita nada! Que estranha democracia a nossa... (...) Este mal é comum a algumas sociedades europeias e, recentemente, em França, onde o debate de ideias é pujante, o candidato à Presidência François Fillon expressou claramente o ideário de direita em contraponto com o desastre económico que foi o consulado socialista de Hollande... Cá por casa o nosso governo, e não só, está feliz com a sua governação estatista, só que desenvolvimento e investimento nem vê-los! Mais cedo ou mais tarde a realidade bater-nos-á à porta, como aconteceu em 2011... Ezequiel Neves


Quarta-feira _14 de dezembro de 2016. Diário de Notícias

OPINIÃO

8

A supremacia e a segurança OPINIÃO

SEGUNDA

ADRIANO MOREIRA Professor universitário

A

NATO foi o resultado lúcido da perceção de várias exigências, a manutenção do perigo embora com outra forma, e inauguração de um muro distante de todas as construções da cultura histórica europeia, temendo o retomar da violência entre o projeto soviético de hegemonia de Moscovo ao Atlântico, e o projeto preservador da liberdade do Atlântico até às fronteiras imperiais da Rússia. De facto foi por dezenas de anos o reconhecimento de que algumas potências não tinham perdido a Segunda Grande Guerra, mas que de facto nenhuma a tinha ganho. A Guerra Fria, como foi batizado o período que findou com a queda do Muro, foi fria, sem incidentes graves, no Norte do globo, mas armada e agressiva em várias outras latitudes. Assim como no Leste a supremacia foi da URSS invocando a democracia popular como legitimação política, no Ocidente foi a democracia da Declaração dos Direitos Humanos da ONU que legitimou uma defesa organizada com o reconhecimento da supremacia confiável dos EUA. Acontece que entre as declarações, ou talvez desabafos, com que imagina o futuro próximo desafiador, do eleito presidente dos EUA, se destaca a referência aos custos da NATO, ao dever de os seus protegidos membros não falharem à satisfação do financiamento que lhes cabe na repartição total, e tudo com a consequência de os EUA não con-

CRAVO & FERRADURA

tinuarem a assegurar-lhe a segurança contratada, mas não paga. A questão talvez mais urgente, que o desabafo suscita, é saber se a segurança em vigor mantém a definição que inspirou a NATO ou se a evolução do globalismo que vai mudando a estrutura mundial, a seu juízo, dispensa a vigente definição do conceito estratégico da NATO, e se a crise económica e financeira que atingiu os seus membros tem para todos as mesmas dificuldades financeiras, isto é, se variaram as exigências da NATO ao mesmo tempo que as capacidades financeiras de alguns membros diminuíram. Porque, em qualquer das hipóteses, o primeiro dos problemas que se destaca não é o das contribuições financeiras, é se os EUA podem alterar as fronteiras de segurança ocidental que são ainda as definidas por eles como as suas, em relação às

A questão talvez mais urgente, que o desabafo suscita, é saber se a segurança em vigor mantém a definição que inspirou a NATO, ou se a evolução do globalismo que vai mudando a estrutura mundial, a seu juízo, dispensa a vigente definição do conceito estratégico da NATO

quais sempre tiveram supremacia, ou se, em seguida ao anúncio, reduzem a sua área de segurança, de influência e interesses. Isto tomando em consideração e meditando a observação, a rever, de Hilferding, no sentido, que passa a duvidoso, de que o capital se converteu em “conquistador no mundo” e que, na leitura de Luiz Bandeira, “este processo implicou o fortalecimento do poder do Estado, o aumento do Exército e da Marinha, e da burocracia em geral, e consolidou a solidariedade dos interesses do capital financeiro ou latifúndio”. Não se trata de dar acolhimento à caracterização da proeminência americana com o sentido que Karl Kautsky deu ao imperialismo, cujo método das conquistas foi a guerra, como exigência do capital financeiro para a sua expansão. Trata-se de solidariedades de conceção do mundo e da vida, na definição ocidental expressa na sempre lembrada Carta da ONU, trata-se de ignorar sem visão, e por isso sem crítica, o outono ocidental, porque qualquer redefinição da segurança em recuo, que as circunstâncias que estamos a viver agudizem, começarão por restringir a área de influência e segurança dos próprios EUA, mesmo que a deriva para o Pacífico continue sem restrição imposta pelo espírito renovador que se anuncia. É exclusivamente nacional apagar, neste e em outros domínios, o legado de Obama, mas não é possível diminuir as áreas de segurança sem reformulação fundada do conceito estratégico em que viveu a NATO, incluindo considerações financeiras. Com isto não se dá justificação à falha de cobertura das responsabilidades assumidas pelos membros da NATO, crise que imitaria, reprovadamente se não fosse por incapacidade financeira, o que os EUA já exemplificaram no passado por exemplo com a UNESCO. Mas naquele caso não havia o facto de a

crise financeira afligir os EUA, apenas o de não aceitar estar em organizações em que quem paga não manda e quem manda não paga. Agora, se as razões do conceito estratégico não mudarem, o que está em primeiro plano é a crise global financeira, em que os EUA tomam parte nas causas e nos efeitos, de modo que o interesse comum foi atingido por uma dificuldade de resposta que é de responsabilidade comum. O interesse comum é que tem de obrigar a redefinir a resposta possível comum, equitativa e só possível se o Ocidente da NATO mantiver a definição estratégica exigente dos seus membros em crise económica e financeira. Conta-se que, na crise em que avultaram as consequências do ambiente que rodeou a Primeira Guerra Mundial, um membro da administração americana, perguntado sobre se o seu país poderia não cumprir tratados assumidos, teria respondido – “depende”, segundo narra Moniz Bandeira no seu importante estudo sobre o imperialismo dos EUA. Nesta infeliz circunstância em que o globo se encontra, e em que o imperialismo, se a palavra exprime bem o conceito, é financeiro, pode admitir algum recente iniciado nas responsabilidades governativas, que não há probabilidades de a segurança ser afetada por um conflito armado, que a estratégia financeira é a que está em vigor, e até que a “estratégia do saber”, que as Forças Armadas dos EUA cultivam, pode não ser uma urgência. Em todo o caso talvez possam, os que a cultivam, lembrar que os conflitos armados começam frequentemente em consequência de acidentes banais. Por vezes com o efeito de dispensar, por extinção, a reformulação das dívidas, o que não parece a vantagem assumida por qualquer governo. Permanentemente, a segurança precisa de visão e resposta, tanto quanto possível clara e confiável.

JOSÉ BANDEIRA

› Leonídio Paulo Ferreira › Wolfgang Münchau › António Tadeia

TERÇA › Pedro Tadeu

QUARTA › Rosália Amorim › Adriano Moreira

QUINTA › João Pedro Henriques › Paula Sá › João César das Neves

SEXTA › Miguel Ángel Belloso › Fernanda Câncio

SÁBADO › Anselmo Borges › André Macedo › Inês Teotónio Pereira

DOMINGO › António Barreto › Pedro Marques Lopes › Alberto Gonçalves › Paulo Baldaia › André Carrilho › João Taborda da Gama › Joel Neto

DINHEIRO VIVO › Ricardo Reis › Edson Athayde

NOTÍCIAS MAGAZINE › Afonso Cruz › Ana Bacalhau › Ana Sousa Dias › Catarina Carvalho › José Luís Peixoto › Manuel Jorge Marmelo

› Paulo Farinha

DIARIAMENTE › Ferreira Fernandes › João Lopes › José Bandeira

LEIA AINDA

› Bernardo Pires de Lima › Viriato Soromenho-Marques

› Manuel Queiroz


Quarta-feira _14 de dezembro de 2016. Diário de Notícias

PUBLICIDADE

9

Viana V Vi iana do Castelo Castelo

Bragança

Braga

Vila Real

Vila Real

Porto

Viseu Aveiro

Guarda

Coimbra

Castelo Branco

Leiria a

Portalegre Santarém

HOJE ESPERAMOS POR SI NA RUA MONSENHOR JERÓNIMO DO AMARAL

Lisboa Setúbal

Beja

EM VILA REAL Portimão

TTraga raga a sua

LOTARIA CLÁSSICA DO NATAL

e receba o seu brinde. Esperamos por si das 11h30 às 14h30 e das 16h30 às 19h30. Proibido jogar a menores de 18 anos.

Évora


PORTUGAL

10

Quarta-feira _14 de dezembro de 2016. Diário de Notícias

Governo reverte despedimentos na função pública e esquerda aplaude Parlamento. Executivo socialista leva a discussão a revisão da mobilidade para trabalhadores em funções públicas. PCP diz que é “reconhecimento da justeza da luta de trabalhadores”, BE antecipa matéria complexa para debater António Costa cumprimenta deputadas do BE. Bloquistas e comunistas saúdam “verdadeira revogação” do regime anterior de mobilidade

O governo vai rever a mobilidade dos funcionários públicos, apresentando amanhã no Parlamento uma proposta de lei que quer “valorizar e dignificar o exercício de funções públicas pelos trabalhadores da administração pública”. À esquerda do PS, bloquistas e comunistas – que sempre foram muito críticos do regime de mobilidade – aplaudem agora o caminho que o executivo socialista aponta, que passa pela reversão de despedimentos no Estado. Ao justificar o novo regime, o governo socialista critica aquele que o executivo do PSD-CDS aplicou, por ser “ineficiente e contraproducente”, porque “não promoveu um efetivo processo de requalificação das centenas de trabalhadores abrangidos pelo regime entre 2013 e 2015”, “porque manteve esses trabalhadores em inatividade por longos períodos de tempo, infligindo-lhes reduções de 40% e 60% das suas remunerações-base” e “porque existia no final de 2015 um significativo universo de trabalhadores na iminência” de cessarem o seu vínculo. Para a deputada do PCP Rita Rato “é significativo” que o governo fale em “regime de valorização” dos trabalhadores da administração pública. “Ao longo dos anos, o regime da mobilidade tinha como objetivo o despedimento de trabalhadores”, atirou. “Quando o que temos é falta de trabalhadores”, defendeu ao DN, referindo-se aos setores da educação, da saúde, da justiça e da Segurança Social. “A apresentação desta proposta de lei pelo governo representa o reconhecimento da justeza da luta dos trabalhadores e, neste caso, do PCP, que ao longo dos anos se bateram contra um regime que desvalorizava o serviço público e despedia os trabalhadores”, apontou Rita Rato. A proposta do executivo “parece que vai no sentido correto de valorização dos trabalhadores”, insistiu a deputada comunista, notando que esta iniciativa foi discutida com as “estruturas representativas” dos funcionários públicos. Também a deputada do Bloco de Esquerda Joana Mortágua apontou que esta proposta “é uma verdadeira revogação do regime como o conhecemos”. Ao DN, Joana Mortá-

MÁRIO CRUZ/LUSA

MIGUEL MARUJO

gua valorizou os aspetos positivos da proposta governamental que amanhã sobe a plenário no Parlamento: “Acaba com o corte salarial, impõe um prazo para a manutenção dos trabalhadores em requalificação – que não podem estar mais do que três meses – e acaba com a possibilidade de despedimento.” Segundo a deputada bloquista, “o mérito desta proposta é reconhecer que estes trabalhadores têm um vínculo e têm direitos associados a esse vínculo e que, por outro lado, são necessários à administração pública”. Para Joana Mortágua, o debate da especialidade será complexo. “Há um conjunto de coisas que vai a muitos outros sítios e aí queremos aprofundar” essas matérias. A deputada exemplificou com a necessidade de valorizar-se a questão da formação na função pública “em geral”, não apenas para os funcionários públicos “que estão neste regime de valorização” ou a necessidade de saber como vai ser feito o levantamento das necessidades da administração pública.

BE quer “destroikar” leis do trabalho PROPOSTAS Entre outras

medidas, o Bloco quer a reposição dos 25 dias de férias ou o fim da caducidade das convenções coletivas As alterações feitas às leis do trabalho durante o período da troika transferiram “cerca de 2,3 mil milhões de euros” dos trabalhadores para os patrões. Um valor ontem citado por Catarina Martins que o Bloco de Esquerda quer reverter agora. A revisão do Código do Trabalho é uma das prioridades para 2017 dos bloquistas, que ontem anunciaram algumas das medidas que vão apresentar nos próximos meses. Entre elas conta-se a reposição dos 25 dias de férias, o regresso aos 30 dias de salário por cada ano de trabalho nas indemnizações por despedimento, a reposição dos valores pagos por tra-

balho suplementar ou o fim da caducidade das convenções coletivas. Para a coordenadora do Bloco de Esquerda, a maioria parlamentar “tem o mandato de reverter o que a troika fez ao país”. Mas estas são alterações que não constam do acordo firmado com o PS e que prometem dividir os partidos que apoiam o executivo. É que se as medidas ontem anunciadas pelo BE vão ao encontro de idênticas propostas do PCP, caso diferente é o dos socialistas. Não só estas mudanças à lei laboral não constam do programa do governo como, quer o ministro da tutela, Vieira da Silva, quer o primeiro-ministro já se mostraram pouco disponíveis para avançar com algumas destas alterações. PS não quer “cruzar discussões” Ainda há duas semanas, em entrevista à RTP, António Costa afir-

mou que o aumento dos dias de férias e do valor do trabalho extraordinário – duas das medidas que o BE agora apresenta – são temas que “não estão em cima da mesa”. Tiago Barbosa Ribeiro, deputado e coordenador do Partido Socialista na comissão parlamentar de Trabalho e Segurança Social, disse ao DN que os socialistas não fecham a porta ao diálogo, mas a prioridade atual é o aumento do salário mínimo, que está a ser discutido na concertação social, pelo que não se devem “cruzar as discussões”: “Não queremos criar ruído que possa prejudicar este debate.” Questionado pelo DN sobre a abertura às propostas ontem anunciadas pelo Bloco de Esquerda, o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social não respondeu. SUSETE FRANCISCO


Quarta-feira _14 de dezembro de 2016. Diário de Notícias

PORTUGAL

11

Recorde de medicamentos inovadores aprovados SAÚDE Infarmed afirma que

GONÇALO VILLAVERDE/GLOBAL IMAGENS

até ao final do ano estarão aprovados 50 novas substâncias, das quais 20% são para tratar vários cancros

Luís Cunha Ribeiro fazia parte do júri quando a farmacêutica suíça ganhou concurso para fornecimento de plasma

Operação Marquês deu um empurrão ao “caso do sangue” Processo. Luís Cunha Ribeiro, ex-presidente da ARS de Lisboa e do INEM, foi detido e mais três pessoas constituídas arguidas por suspeitas de corrupção em negócio com a Octapharma CARLOS RODRIGUES LIMA

Vários documentos apreendidos no processo Operação Marquês, que envolve José Sócrates, deram um impulso final à investigação sobre suspeitas de corrupção no negócio do plasma e hemoderivados, que ontem levou à detenção de Luís Cunha Ribeiro, ex-presidente da Administração Regional de Saúde e Vale do Tejo e do INEM, por indícios de corrupção passiva. A Polícia Judiciária suspeita que o antigo gestor público terá recebido contrapartidas do diretor da Octapharma em Portugal, Paulo Lalanda de Castro, para esta empresa ter o monopólio de fornecimento aos hospitais de plasma e hemoderivados. Lalanda de Castro, por sua vez, é suspeito de corrupção ativa, depois de já ter sido acusado por tráfico de influências no processo dos vistos gold e de ser arguido por fraude fiscal na Operação Marquês. As suspeitas sobre a relação entre Paulo Lalanda de Castro e Cunha Ribeiro eram conhecidas há algum tempo nos meios da Saúde, segundo a investigação. Há pouco mais de um ano, a Procuradoria-Geral da

República abriu uma investigação anos morou José Sócrates. Mas ao negócio do sangue em Portugal, além do pretenso arrendamento depois de uma reportagem da TVI em Lisboa, o ex-presidente da denunciar o desperdício de plasma ARSLVT terá comprado um apardoado pelos dadores portugueses e tamento à mesma sociedade imoo gasto de milhões de euros na com- biliária de Paulo Lalanda de Castro, pra desse composto à empresa a Convida, no Porto, por um preço Octapharma. A farmacêutica ga- abaixo do mercado. Nos últimos rantiu em comunicado, na altura da meses, os inspetores da Unidade reportagem, que não retirava “o Nacional contra a Corrupção da mais pequeno benefício da situação Polícia Judiciária mantiveram Cunha Ribeiro sob escude não aproveitamenta e vigilância apertato do plasma portuda, monitorizando guês”. A TVI noticiou Judiciária todos os seus passos ainda, em outubro de investiga e contactos. Quanto a 2015, que em causa Paulo Lalanda de estavam os contratos cedência de Castro, a investigação ganhos pela farmaapartamento foi um pouco mais cêutica, quando um difícil, uma vez que o dos elementos do júri gestor passa muito era Luís Cunha Ribeiro, na altura presidente da Adminis- tempo no estrangeiro, mantendo tração Regional de Saúde de Lisboa, em Portugal uma residência na que vivia em casa do principal res- Quinta Patiño, no Estoril. Ontem, em comunicado, a Proponsável da empresa. Cunha Ribeiro utilizaria um curadoria-Geral da República expliapartamento de luxo em Lisboa, cava: “Investigam-se suspeitas de propriedade da Convida, uma so- obtenção, por parte de uma empreciedade imobiliária de Paulo La- sa de produtos farmacêuticos, de landa de Castro, sem pagar qual- uma posição de monopólio no forquer verba pelo arrendamento. necimento de plasma humano inaO imóvel situa-se no prédio Heron tivado e de uma posição de domínio Castilho, o mesmo onde durante no fornecimento de hemoderiva-

dos a diversas instituições e serviços que integram o Serviço Nacional de Saúde”. As buscas que levaram à detenção de Cunha Ribeiro decorreram ontem na Grande Lisboa e no Grande Porto e também em território suíço. Os factos em investigação ocorreram entre 1999 e 2015. Ao final do dia, havia mais três arguidos, um deles o advogado Paulo Farinha Alves, da sociedade PLMJ, onde foi realizada uma busca. Além do pretenso arrendamento em Lisboa, Cunha Ribeiro terá comprado um apartamento à mesma sociedade imobiliária de Paulo Lalanda de Castro, a Convida, no Porto, por um preço abaixo do mercado. No decurso da Operação Marquês, os investigadores recolheram muita documentação sobre aquela sociedade imobiliária. Por três vezes, a procuradora Ana Paula Vitorino pediu os elementos ao processo liderado pelo seu colega Rosário Teixeira. A última vez foi em maio deste ano. Atualmente, esta procuradora está a trabalhar diretamente com a procuradora-geral distrital de Lisboa, Maria José Morgado. O processo da Octopharma corre na 9.ª secção do Departamento de Investigação e Ação Penal.

Até ao final do ano, a Autoridade Nacional do Medicamento vai ter aprovados 50 novas substâncias inovadoras, das quais 20% são para o tratamento de vários tipos de cancro. Será o maior número de medicamentos aprovados desde que há registos. Só 2014 se aproxima destes valores: na altura foram aprovados 45 inovadores. O ministro da Saúde reforçou que a aposta do governo é na prevenção e diagnóstico precoce do cancro. Estima-se que por ano surjam cerca de 50 mil novos casos da doença. “Neste momento, estão aprovados mais de 40 medicamentos inovadores. Dez, que já estão terminados, são para a área da oncologia. Mama, linfoma, entre outros. Até ao final do ano, serão 50 aprovações. Será o maior número desde que há registos no Infarmed (2007)”, afirmou Henrique Luz Rodrigues, presidente do Infarmed, que participou no debate “Cancro 2020 – Podemos fazer ainda melhor”. O responsável salientou o esforço de organização que permitiu que em três meses fosse possível reduzir os atrasos na aprovação de medicamentos. Mudança que se deu depois de em junho ter sido aprovada a Comissão de Avaliação de Tecnologias de Saúde, que conta com cem peritos. Em breve, mais 20 deverão ser contratados para reforçar o serviço. “O financiamento é um problema, dado os custos associados à terapêutica. Precisamos de apoio da indústria”, afirmou o presidente do Infarmed, recordando a reunião realizada na semana passada, em Lisboa, que juntou vários ministros europeus e laboratórios. Também o ministro de Saúde, Adalberto Campos Fernandes, recordou a reunião para dizer que este tem de ser um esforço de todos, lembrando ainda o objetivo de terminar com as autorizações de utilização excecional (AUE), mecanismo usado quando os medicamentos ainda não estão aprovados pelo Infarmed. “Tem sido possível ter um diálogo direto com a indústria para estabelecer acordos estratégicos aplicados casos a caso. Tudo faremos para em 2017 terminar com as AUE, que não são boas para os doentes, hospitais, para o Estado. Foram 60 milhões de euros que resultaram de atrasos na decisão da agência do medicamento”, afirmou o ministro da Saúde. A.M.


Quarta-feira _14 de dezembro de 2016. Diário de Notícias

PORTUGAL

12

Ferreira Leite admite “pressão” junto da Caixa

TIAGO PETINGA/LUSA

COMISSÃO A antiga ministra das Finanças Manuela Ferreira Leite revelou ontem ter tentado junto da gestão da Caixa Geral de Depósitos (CGD) que o dividendo pago pelo banco fosse superior ao habitual, devido aos problemas relacionados com o cumprimento do défice. “Considero que posso ter exercido alguma pressão sobre a CGD [enquanto ministra das Finanças]. Foi apenas uma vez e foi a tentativa que a participação dos lucros da CGD [para os cofres estatais] fosse maior, na ordem dos 60% ou 70% em vez dos 50%”, disse a responsável durante a sua audição na comissão parlamentar de inquérito à gestão da CGD. “Andávamos à procura de receita onde poderíamos ter, por causa do défice, mas o presidente da CGD não o fez. Ele não se subordinou a esse pedido e não o cumpriu”, acrescentou.

CDS descarta PSD nas cinco câmaras que ganhou sozinho Autárquicas. Sem acordo à vista nas duas maiores cidades do país, Lisboa e Porto, PSD e CDS assinaram um protocolo de princípios a seguir nas potenciais coligações para 2017 VALENTINA MARCELINO

O CDS vai continuar a apostar sozinho no “penta” que conquistou nas eleições autárquicas de 2013, quando subiu de uma para cinco câmaras municipais, descartando o apoio do PSD. Os centristas ganharam ao PSD três das quatro novas câmaras (Vale de Cambra, Montemor-o-Velho e Santana) e acreditam numa nova vitória. Ontem foi assinado o Acordo Quadro Autárquico Nacional entre os dois partidos da oposição, onde estão definidas as regras a seguir pelas estruturas locais. Em 2013 os dois partidos foram coligados em 92 das 308 autarquias e venceram 20. Posteriormente foram firmados acordos pós-autárquicos em duas outras câmaras e a coligação venceu numas eleições intercalares em São João da Madeira. O secretário-geral do CDS, Pedro Morais Soares, não adiantou o número de coligações previstas desta vez, afiançando apenas que “tudo aponta para que possamos andar no mesmo número”.

Em relação às câmaras ganhas pelo CDS sozinho, nada a alterar. “Já foram anunciadas as recandidaturas e vamos sozinhos outra vez”, assegurou este dirigente. Por seu lado, em declarações aos jornalistas depois da assinatura do acordo, o coordenador nacional autárquico do PSD, Carlos Carreiras, expressou diferente previsão: “Temos uma expectativa positiva fundamentada, de podermos aumentar as coligações a nível nacional em comparação com 2013”, assinalou. A menos de um ano das eleições autárquicas continua em aberto, do lado do PSD, que candidato vai apoiar na capital portuguesa. No Porto, a estrutura local do PSD propõe um independente, Álvaro Almeida, ex-presidente da Entidade Reguladora da Saúde, mas a escolha ainda não foi confirmada a nível central. O CDS já tinha divulgado a sua decisão muito antes. Tal como em 2013, os centristas vão apoiar Rui Moreira e foi a própria presidente do partido a confirmá-lo no congresso que a elegeu como líder, em março deste ano.

Para Lisboa, Cristas anunciou a sua própria candidatura em setembro, surpreendendo os sociais-democratas. Com Santana Lopes fora de jogo, o PSD perdeu a sua primeira escolha para a capital, deixando o palco da direita, para já, em exclusivo para Assunção Cristas. Questionado sobre um possível apoio à presidente centrista, Carlos Carreiras desviou a resposta para os “objetivos” do partido. Até 31 de março do próximo ano, “apresentar projetos que sejam ganhadores do ponto de vista eleitoral mas, acima de tudo, que possam ser concretizadas essas mesmas vitórias do ponto de vista qualitativo”, defendeu. Acordo igual a 2013 Apesar destas divergências, PSD e CDS anteciparam o acordo nacional. Foi assinado cerca de um mês mais cedo do que em 2013 (a 31 de janeiro). Consultando ambos os documentos, praticamente não há diferenças no conteúdo do texto, apenas alguma na organização dos parágrafos e com outras assinaturas. Desta vez assinaram, do lado

LISTAS

Passos Coelho não vai ser candidato › O coordenador nacional autárquico refutou a possibilidade de o presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, poder ser candidato nas próximas eleições autárquicas. Passos Coelho “é candidato a primeiro-ministro, não a presidente de Câmara”, frisou Carlos Carreiras quando questionado pelos jornalistas sobre se o PSD poderia seguir o exemplo do CDS que tem a sua líder candidata a Lisboa. “Essa questão em concreto não está nas expectativas. O Dr. Pedro Passos Coelho é candidato a primeiro-ministro no momento e na altura em que vier a colocar-se essa mesma questão, portanto, não é candidato a presidente de câmara”, afirmou o coordenador social-democrata.

do PSD, o secretário-geral José de Matos Rosa e o coordenador nacional autárquico Carlos Carreiras; do CDS o secretário-geral Pedro Morais Soares e o coordenador nacional autárquico Domingos Doutel. Há três anos os protagonistas foram, pelo PSD, também José Matos Rosa e Jorge Moreira da Silva, e pelo CDS Nuno Melo e António Carlos Monteiro. O contexto político era então bem diferente, com a coligação PAF a governar o país. O acordo ontem assinado define “regras enquadradoras” das alianças pré-eleitorais já negociadas ou a negociar, “podendo ser extensível a outras forças partidárias desde que acordado previamente”, estabelece o documento distribuído aos jornalistas. É estabelecido que “a apresentação dos candidatos é da responsabilidade do partido que indicar o cabeça-de-lista à câmara municipal, devendo estar presente um dirigente nacional do outro partido”. O documento define que, “para efeitos de repartição de votos e da subvenção pública” os dois partidos acordaram que “o critério de repartição pelas coligações será: PPD/PSD 80% e CDS-PP 20%”. A designação do mandatário de lista e do mandatário financeiro será da responsabilidade do partido que indicar o cabeça-de-lista, fixa ainda o acordo. O acordo, que tem dez pontos, dita ainda que “a resolução de conflitos” que emerjam do mesmo e as “dúvidas interpretativas” serão resolvidas “mediante decisão conjunta das comissões coordenadoras autárquicas dos dois partidos”. As estruturas locais já começaram a negociar. Com Lusa


Quarta-feira _14 de dezembro de 2016. DiĂĄrio de NotĂ­cias

PORTUGAL

13

MĂĄrio Soares internado e em estado crĂ­tico Preocupação. Com 92 anos feitos hĂĄ dias, o ex-presidente foi internado de urgĂŞncia no Hospital da Cruz Vermelha JOĂƒO PEDRO HENRIQUES

O ex-presidente da RepĂşblica MĂĄrio Soares, que fez 92 anos no passado dia 7, foi levado de emergĂŞncia para o Hospital da Cruz Vermelha (HCV ), em Lisboa, na madrugada de ontem. Pelas 13.00, o porta-voz daquela unidade hospitalar, JosĂŠ Barata, explicava aos jornalistas a situação: “O Dr. MĂĄrio Soares deu entrada nesta madrugada no Hospital da Cruz Vermelha com um quadro de agravamento do seu estado geral. Decorrem avaliaçþes da sua situação clĂ­nica, nĂŁo estando ainda estabelecido um diagnĂłstico definitivo.â€? Segundo acrescentava, o hospital estava “a acompanhar com preocupação o evoluir da situaçãoâ€?. Ao fim da tarde, pelas 18.00, o mesmo porta-voz fazia uma segunda declaração, dizendo que Soares fora admitido no hospital em situação “crĂ­ticaâ€?, estando “debaixo de intensa vigilância mĂŠdicaâ€?. NĂŁo se verificava porĂŠm “alteração ou agravamento da sua situação clĂ­nicaâ€?. “MĂĄrio Soares mantĂŠm o nĂ­vel dos sinais vitais e o mesmo grau de consciĂŞncia, sendo o prognĂłstico reservadoâ€?, dizia. Pelas 12.00, o Presidente da RepĂşblica, Marcelo Rebelo de Sousa, visitou Soares. Ao final da tarde, apĂłs uma conferĂŞncia na reitoria da Universidade Nova de Lisboa sobre os 50 anos do CĂłdigo Civil de 1966, falaria com os jornalistas mas recusando adiantar informaçþes (“Nada como o porta-voz para informar qual ĂŠ a situaçãoâ€?). “Eu acho que todos os portugueses acompanham, nĂŁo direi com preocupação, mas com carinho – com o carinho que sempre tiveram – sempre o que se passa com os presidentes que marcaram a nossa democraciaâ€?, disse Marcelo. “E, portanto, sempre desejando que haja a recuperação e haja as melhoras de saĂşde, que ĂŠ aquilo que corresponde ao que nĂłs pensamos relativamente Ă s pessoas que nos sĂŁo caras e que nos sĂŁo queridasâ€?, completou.

A acompanhar a situação do antigo chefe de Estado no hospital estiveram os filhos Isabel e João Soares. TambÊm por lå passaram, entre outros, o sobrinho Eduardo Barroso (ele próprio mÊdico), o amigo político de sempre Vítor Ramalho e o diretor-geral da Saúde, Francisco George, que não quis prestar declaraçþes aos jornalistas.

Eduardo Barroso, pelo contrĂĄrio, especificou que Soares nĂŁo estava consciente. Mas tambĂŠm adiantou que haviam sido feitas duas TAC (tomografia axial computorizada) que deram todas resultado negativo, o que foi “um grande alĂ­vioâ€?. “SĂŁo 92 anos de um homem que jĂĄ estava fragilizado, que ficou muito mais fragilizado depois da encefa-

lite [em 2013] e ainda mais depois de ter perdido a sua mulher [Maria Barroso morreu em julho de 2015]â€?, disse Eduardo Barroso aos jornalistas, Ă  saĂ­da do HCV. “E vamos ver como ĂŠ que um senhor de 92 anos vai reagir a esta situaçãoâ€?, disse, acrescentando que “qualquer soprozinho de uma complicação pode ser mais graveâ€?.

Um outro ex-presidente, Jorge Sampaio, afirmou estar a acompanhar a situação “com muita preocupação e com muita solidariedadeâ€?, confessando-se “ muito impressionadoâ€?. “Acho que neste momento deve deixar-se as coisas correr com calma, assistidas por aqueles que estĂŁo mais perto, mĂŠdicos e familiares.â€? Com Lusa PUB

3URLELGRMRJDUDPHQRUHVGHDQRV

Em 2013, MĂĄrio Soares esteve internado com uma encefalite grave


PORTUGAL

14

Quarta-feira _14 de dezembro de 2016. Diário de Notícias

Finanças propõem novo concurso para gestão do Hospital de Cascais

Bastonária vai ter de explicar denúncias no Parlamento

Avaliação. Comissão técnica conclui que parceria público-privada do Hospital de Cascais foi

ENFERMEIROS Ana Rita Cavaco denunciou casos de doentes que ficam dois dias sem comer ou sem acesso a medicação nos hospitais

vantajosa, mas defende que seja feito um novo concurso para uma nova parceria com privados

O Hospital de Cascais deve manter-se com uma gestão privada, mas o governo deve lançar um novo concurso para uma nova parceria. É esta a conclusão do relatório da Unidade Técnica de Acompanhamento de Projetos (UTAP), que está sob a tutela do Ministério das Finanças, a que o DN teve acesso e que foi entregue ao Ministério da Saúde. Este relatório é considerado peça fundamental para a decisão. O governo tem até ao final do mês para tomar uma decisão sobre a continuidade da parceria público-privada (PPP). O grupo técnico conclui que a PPP de Cascais foi vantajosa nas perspetivas económica, de eficiência e de eficácia e que as poupanças estimadas (13,6%) quando o contrato foi adjudicado foram cumpridas. Entre 2011 e 2015 (considerada a velocidade de cruzeiro) a PPP representou uma poupança acumulada de cerca de 40 milhões de euros face aos custos totais que se estima se tivesse um modelo de gestão pública. Ao mesmo tempo considera que tornar a gestão pública traria mais encargos para o Estado, por exemplo com recursos humanos. A comissão técnica conclui ainda que a PPP foi vantajosa ao transferir para o privado o risco financeiro, “uma vez que este obteve uma rentabilidade inferior” ao esperado. Quanto à qualidade/eficácia, Cascais manteve em linha com os hospitais públicos com os quais compara, embora tenha resultados inferiores em alguns indicadores. Contudo, com base nas indicações da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, é reconhecida a necessidade de alterar vários pontos no contrato. A UTAP considera que a renegociação com o atual gestor poderia ser complicada e obrigar a contrapartidas menos vantajosas para o Estado. E que as alterações a serem efetuadas ao contrato em vigor poderiam não ser aceites pelo Tribunal de Contas. “Tudo somado, somos do entendimento de que não se verificam todos os requisitos necessários a uma decisão de renovação do contrato de gestão”, diz a comissão técnica no relatório com data de 7 de outubro, que propõe que o mesmo seja aprovado pelo governo e que se dê os “passos subsequentes para a aprovação do lançamento de uma nova parceria e adoção de todas as diligências necessárias ao desenvolvi-

BRUNO SIMÕES CASTANHEIRA/ARQUIVO GLOBAL IMAGENS

ANA MAIA e PAULO TAVARES

Hospital de Cascais é gerido pelo Grupo Lusíadas Saúde desde 2008

RETRATO

277

› camas de internamento O Hospital de Cascais tem ainda seis salas de cirurgia e 33 gabinetes para consultas.

300

› mil habitantes Era o número referenciado da população do concelho de Cascais aquando do início do contrato de gestão.

64

› milhões de euros Foi este o valor pago à entidade responsável pela gestão clínica em 2015, valor inferior ao de 2014.

40

› milhões de euros Estimativa de poupança gerada pela PPP entre 2011 e 2015.

mento do procedimento concursal tendente à formação do novo contrato para a gestão clínica do Hospital de Cascais”. A Entidade Reguladora da Saúde já tinha feito um relatório em que concluiu que as PPP oferecem cuidados semelhantes em qualidade às unidades geridas pelo Estado. Já um estudo da Católica Lisbon School of Business & Economics, encomendada pelos gestores de Cascais e Braga, concluiu que o Estado poupou cerca de 200 milhões de euros em quatro anos.

apresentar uma proposta no novo concurso que venha a ser lançado, se a proposta da UTAP for seguida pelo governo. O DN pediu um comentário ao Grupo Lusíadas Saúde sobre a proposta da UTAP e questionou o eventual interesse do grupo em apresentar uma nova proposta. Em resposta, fonte do grupo adiantou que enquanto não tiverem acesso ao relatório não irão pronunciar-se sobre o mesmo. Fonte do executivo explicou ao DN que “o processo seguido para Cascais vai ser replicado aos restantes contratos. Será feito um estudo que irá recomendar um de três caPeça fundamental Fonte do Ministério da Saúde disse minhos possíveis: terminar com a ao DN que a decisão final do gover- PPP, renegociar a PPP com o mesmo no ainda não está tomada, mas que parceiro ou, como neste caso, pro“o relatório será seguramente uma por um novo concurso público para peça muito relevante” e que “nos uma nova parceria”. O próximo contrato que tem de próximos dias a decisão será comunicada à entidade gestora”. O con- ser analisado é do Hospital de Bratrato só obriga a uma comunicação ga, em que o governo tem até 31 de caso o governo pretenda continuar agosto de 2017 para notificar a encom o mesmo, mas a UTAP propõe tidade gestora, o Grupo Mello Saúque “por razões de cortesia e em de, da sua decisão. Seguem-se depois os hospitais de prol da estabilidade e Vila Franca de Xira, da boa execução” se do grupo Mello Saúcomunique a decisão “Não se verificam de, até 31 de maio de ao gestor privado. Não há nada que todos os requisitos 2019 e o Hospital de impeça o Grupo Lu- necessários a uma Loures, com gestão do Grupo Luz Saúde, síadas Saúde, atual (...) renovação” até 18 de janeiro de gestor clínico do Hos2020. pital de Cascais, de

O CDS-PP pediu ontem a audição da bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco, para esclarecer as suas afirmações sobre a ausência de alimentação e medicação a doentes de um hospital público. A bastonária da Ordem dos Enfermeiros denunciou, na segunda-feira à noite, casos de doentes que ficam dois dias sem comer ou sem acesso a medicação. Num debate promovido pela secção norte da Ordem dos Médicos, no Porto, Ana Rita Cavaco não especificou em que hospital se regista esta situação, mas alertou para a falta de meios e recursos em geral. “A confirmar-se esta denúncia, o grupo parlamentar do CDS-PP entende que estamos perante uma situação gravíssima que urge clarificar e esclarecer cabalmente”, afirmou ontem a deputada centrista na comissão parlamentar de Saúde, Isabel Galriça Neto. “Alegadamente, e de acordo com as declarações da senhora bastonária, tal facto deve-se à escassez de profissionais e de recursos no Serviço Nacional de Saúde (SNS), face à elevada afluência que se regista nesta altura do ano”, expõe Isabel Galriça Neto no pedido de audição. A deputada centrista quer que sejam esclarecidas as declarações de Ana Rita Cavaco que foram apresentadas como uma “denúncia concreta” de “profissionais que querem manter a segurança dos seus doentes”. Falta de profissionais “Faltam 30 mil enfermeiros e faltam recursos. Falta material, faltam pessoas para dar comer a estes doentes e, infelizmente, chegam-nos relatos de que há doentes que estão a aguardar e que estão em observação e que não comem há dois dias ou que há serviços que estão com uma afluência tão grande que não há ninguém para trazer os medicamentos. Isto é próprio de um país de terceiro mundo”, disse a bastonária da Ordem dos Enfermeiros à SIC, depois de ter denunciado o caso no debate sobre a situação que se vive no Serviço Nacional de Saúde. A Ordem dos Enfermeiros explicou ao DN que o conselho de administração do hospital em causa já foi questionado sobre o caso e que, estando a aguardar uma resposta, não divulgará qual se trata.


Quarta-feira _14 de dezembro de 2016. Diário de Notícias

PUBLICIDADE

15

Vil Rea Vila eall 15 dez ez

HOJE estamos na

Guarda 14 dez

ALAMEDA DE SANTO ANDRÉ em Guarda

A participação é gratuita e aberta a crianças dos 5 aos 11 anos, podem inscrever-se exclusivamente Instituições de Solidariedade Social. Estas entidades devem fazer uma inscrição prévia das crianças que vão assistir à peça de teatro.

Inscrições abertas www. fundacaovodafone.tsf.pt

Po aleg Portal egre re 13 dez

5 CIDADES |5 DIAS

Lisb L s oaa 1 dez 16

UM TEATRO PARA RECORDAR!

Beja Beja 12 dezz

com o apoio

A cidade de Guarda, recebe o camião que transporta o Espírito de Natal, carregado de muita animação, sem faltar uma peça de teatro infantil e o Pai Natal! ESTA ÉPOCA NATALÍCIA VAI SER AINDA MAIS ESPECIAL GRAÇAS A ESTA INICIATIVA DA FUNDAÇÃO VODAFONE E TSF, QUE SE UNEM PARA LEVAR AINDA MAIS LONGE A ALEGRIA E A TERNURA DO NATAL!


DINHEIRO

16

Quarta-feira _14 de dezembro de 2016. Diário de Notícias

CIP quer juntar patrões para ter proposta comum na concertação Negociação. Patrões estão a trabalhar num texto conjunto que vá além da subida do salário mínimo. UGT defende que as limitações aos contratos a termo não devem abranger apenas uma empresa, mas todo o grupo empresarial

Os patrões estão a trabalhar numa proposta de acordo conjunta para apresentar na concertação social e que vá além da subida do salário mínimo. O ritmo das reuniões intensificou-se nos últimos dias e, se o documento conjunto avançar mesmo, chegará ao governo até ao final desta semana. As centrais sindicais, por seu lado, entregaram as suas propostas há mais de uma semana. A UGT defende, no documento a que o Dinheiro Vivo teve acesso, que os limites à contratação precária não devem abranger apenas uma empresa, mas a totalidade das sociedades de um grupo. “Queremos apresentar uma proposta mais vasta, que não inclua apenas a atualização do salário mínimo. A intenção é ter uma proposta conjunta ”, afirmou António Saraiva, presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), ao DN/Dinheiro Vivo, à margem da conferência sobre o Orçamento do Estado para 2017, promovida pela Católica Lisbon. O texto, adiantou, insistirá no respeito do acordo que existe e na necessidade de serem definidas métricas que sustentem a atualização futura do SMN. João Machado, presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal, explicou ao DN/Dinheiro Vivo que as confederações patronais estão a trabalhar com o objetivo de avançarem com uma posição conjunta porque, referiu , um texto comum dará “coerência” aos argumentos dos patrões – que vão no sentido de recusar uma subida do salário mínimo para 557 euros. As contas dos patrões, baseadas no crescimento económico, produtividade e inflação, indicam que o salário mínimo deve evoluir dos atuais 530 para os 540 euros em 2017. Tanto a CIP como a Confederação do Comércio e Serviços de Portugal têm defendido que deve ser o governo a justificar e a apresentar contrapartidas que sustentem uma subida superior. A resposta do governo será, o mais tardar, conhecida na segunda-feira, dia para que foi marcada a reunião da concertação social. O ministro do Trabalho e da Segurança Social tem mostrado dis-

ARQUIVO GLOBAL IMAGENS

LUCÍLIA TIAGO

Pensões até 842 euros sobem 0,5% em janeiro. Acima deste valor ficam congeladas REGRAS A taxa de inflação média em novembro, sem o efeito da habitação,

situou-se em 0,5%, sendo este o referencial que o governo deverá usar para atualizar as pensões até dois indexantes de apoios sociais, a partir de janeiro. Esta subida vai chegar a 2,9 milhões de pensões (85%

ponibilidade para dialogar e negociar com os parceiros de forma a conseguir um consenso em torno deste tema e, na última reunião da concertação social, referiu que há da parte do governo abertura para discutir condições que possam atenuar o impacto do aumento do SMN junto dos setores que revelem mais fragilidade. E as propostas que os parceiros ficaram de lhe re-

5%

› acordo político O acordo entre o PS e o BE prevê que o salário mínimo aumente a um ritmo de 5% ao ano, de forma a chegar aos 600 euros em 2019.

meter servem para identificar essas fragilidades. Apesar deste repto ter sido colocado sobre a mesa da última reunião da concertação social, até agora apenas as centrais sindicais fizeram chegar as suas propostas. A CCP ainda não decidiu se o faz e não tem a certeza se irá juntar-se aos restantes patrões. Por enquanto continua a remeter a sua posição para o comunicado que emitiu a 23 de novembro, em que considera “irrealista” a subida para os 557 euros e pede ao governo para apresentar contrapartidas. No documento que apresentou, a UGT reafirma a sua proposta de aumento do SMN para 565 euros a partir de janeiro e sublinha a necessidade de se trabalhar num

do total). Na prática, isto significa que uma reforma de 842 euros terá um aumento de 4,21 euros. Mais à frente, em agosto, os reformados que recebem até 1,5 IAS e que tiveram as pensões congeladas entre 2011 e 2015, receberão novo aumento, extraordinário, até perfazer um total de dez euros.

acordo que não se esgote apenas no SMN, mas que “possa integrar compromissos claros de discussão e processos de construções de consensos” em torno de matérias como a qualificação dos trabalhadores, política fiscal, proteção social ou das políticas de emprego. Neste contexto, a central sindical liderada por Carlos Silva defende a assunção de um compromisso de médio prazo que garanta a subida do salário mínimo para 600 euros em 2019. Avança ainda com várias propostas na área do combate à precariedade, considerando prioritário limitar os motivos que justificam a contratação a termo e o trabalho temporário (ressalvando a especificidade de determinados setores). A UGT quer também

reforçar a lógica dos limites legais à contratação precária de forma a que estes não abranjam apenas a empresa, mas os grupos empresariais. Na negociação coletiva, exige a alteração do regime da caducidade e de sobrevivência das convenções e a revogação do banco de horas e da resolução do Conselho de Ministros que alterou a prática de ponderação dos critérios para a emissão das portarias de extensão, que vigorou até 2011. Arménio Carlos, da CGTP, insiste no aumento do SMN para 600 euros já em janeiro e sublinha que, uma vez decidida esta questão, se acelere o debate com vista à implementação de medidas que contribuam para o desbloqueamento da contratação coletiva.


Quarta-feira _14 de dezembro de 2016. Diário de Notícias

DINHEIRO

17

Há mais portugueses a fazer férias de Natal INQUÉRITO Quatro em cada

RUI MANUEL FERREIRA/GLOBAL IMAGENS

dez inquiridos vai viajar durante as festas e a maioria planeia rumar ao Norte e Centro, cortando nos gastos

Extensão das instalações de controlo de emissões automóveis da Faurecia foi inagurada em junho

Governo prepara benefícios fiscais à Eurocast e Faurecia Investimento. Minutas dos incentivos devem ser aprovadas nesta semana em Conselho de Ministros. Ao todo são sete contratos ANA MARGARIDA PINHEIRO

O governo prepara-se para aprovar benefícios fiscais a investimentos de empresas relacionadas com a indústria automóvel não poluente. Ao que foi o DN/DinheiroVivo apurou, o pacote está a ser ultimado e deverá ir a aprovação do Conselho de Ministros ainda nesta semana. Em causa estão investimentos de algumas empresas estrangeiras que produzem componentes aeronáuticos e para automóveis a operar em Portugal, de forma a privilegiar produções verdes e amigas do ambiente. Confirmados estão já os apoios à Eurocast e à Faurecia. Mas há outras empresas na calha. Ao todo são sete contratos de investimento que, segundo o Expresso, totalizam 24 milhões de euros. Não foi possível confirmar os pormenores das minutas. As duas empresas já confirmadas para receber este apoio têm planos de expansão ou reestruturação em curso e investimentos de grande dimensão em Portugal. A Eurocast, por exemplo, está a ultimar a nova fábrica de Estarreja, que envolve um investimento de 50 milhões de euros e promete a criação de 170 novos postos de trabalho. No Eco-Parque Empresarial de Estarreja está prevista a fundição de alumínio injetada para componentes automóveis, que servirá os mercados nacional e internacionais. Esta será a maior zona de produção do grupo GMD com 21 mil metros quadrados.

Não é só. Também a expansão da Faurecia, em Bragança, poderá beneficiar destes apoios. Até 2018, a multinacional francesa prometeu criar 400 novos postos de trabalho em Bragança além dos 850 que já emprega. Na empresa de escapes para automóveis, que já é o maior empregador daquele distrito, a grande promessa é agora a segunda unidade fabril que começou a laborar em setembro depois de um investimento de 41,5 milhões de euros. Neste espaço vão servir-se marcas como a Jaguar Lang Rover, a Nissan e a Renault, segundo anunciaram os responsáveis no início do verão. Na linha da frente está também a Embraer, empresa brasileira com

NÚMEROS

50 › milhões

A nova fábrica da Eurocast em Estarreja envolve um grande investimento e promete 170 novos postos de trabalho.

41,5 › milhões

Nova fábrica da Faurecia começou a laborar em setembro. Promete 400 novos postos de trabalho, além dos 850 já existentes.

um forte polo industrial em Évora. A viver momentos mais difíceis no Brasil, que obrigaram a rever investimentos, cortar custos e redimensionar a operação, a construtora aeronáutica manteve inalterados os seus planos para Portugal. Em junho, a empresa anunciou dois novos projetos de investimento no Alentejo, num valor de 93,6 milhões de euros. Entre ampliação de fábricas, reforço das estruturas metálicas e aquisição de novas máquinas, a empresa pretende ainda introduzir novas tecnologias que permitem melhorar os processos. A revisão do plano de investimento deverá permitir à Embraer vir a beneficiar, num segundo momento, de novos incentivos fiscais. O DN/Dinheiro Vivo sabe que as minutas destes incentivos já estão praticamente fechadas. No entanto, tradicionalmente, os apoios entregues a estas empresas nunca chegam a ser conhecidos do público. Podem estar em causa reduções da fatura a pagar com IRC ou outros alívios fiscais que permitam libertar recursos para a contratação de trabalhadores. O setor automóvel adquire, assim, novo destaque, por parte da AICEP e do Ministério dos Negócios Estrangeiros, numa altura em que o país também se mobiliza para poder receber a fábrica de carros e de baterias da gigante norte-americana Tesla. A atribuição destes benefícios dá assim mais um passo para atrair Elon Musk para Portugal, ainda que a concorrência europeia seja forte.

Mais portugueses vão viajar durante as férias de Natal e Ano Novo neste ano. Portugal é o destino da maioria, que prevê gastar ligeiramente menos do que no ano passado, revela o estudo realizado pelo Instituto de Planeamento e Desenvolvimento do Turismo (IPDT), em parceria com a Soltrópico e a Secretaria de Turismo da Madeira. Neste ano, 42,6% dos inquiridos revelaram intenção de fazer férias de Natal/Ano Novo fora da residência habitual, num aumento de 5,7 pontos percentuais em relação às intenções recolhidas, em inquérito idêntico, no ano passado. “A expectativa para o gozo de férias neste período é muito positiva, confirmando-se o bom momento do turismo nacional”, considera António Jorge Costa, presidente do IPDT. Aumentaram também as intenções de gozar as referidas férias cá

dentro: 78% escolhem Portugal como destino, face aos 71% de há um ano. E, dentro de Portugal, a região do Porto e Norte conquista a preferência de 31% (em 2015, era de apenas 26,6%), seguindo-se o Centro, com 21,7% (28,1% em 2015), Lisboa (13,8%), Madeira (11,3%), Alentejo (8,9%), Algarve (7,4%) e Açores (5,9%). Para os que viajam para o estrangeiro, a Espanha é destino mais procurado (5,7%), seguida do Reino Unido (3,4%), de França (3,1%) e de Itália (1,9%). Cada viajante português conta gastar, em média, 209 por pessoa – menos seis euros do que no ano passado. Diminui também a estada média no destino – 3,49 noites neste ano, quando se aproximava mais das quatro noites em 2015. Há ainda uma diminuição do alojamento em casa de familiares e amigos (25,2% face a 44% há um ano), ganhando relevo a casa alugada (11,9%) e os hostels (3,4%), sem que os hotéis tenham perdido grande quota de mercado (39,5% neste ano, face a 40% há um ano). Os hotéis de quatro estrelas são os preferidos para estas férias (19,2%). ERIKA NUNES

PUB

AVISO 1. Nos termos e para os efeitos previstos no n.º 2 do artigo 47.º da Lei n.º 19/2012, de 8 de maio, torna-se público que a Autoridade da Concorrência recebeu, a 5/12/2016, uma notificação prévia de uma operação de concentração de empresas, apresentada ao abrigo do disposto no artigo 37.º do referido diploma. 2. A operação de concentração em causa consiste na aquisição pela Vodafone Portugal - Comunicações Pessoais, S. A., (“VODAFONE”) do controlo exclusivo sobre um conjunto de ativos conjuntamente designados por Rede Optimus Alienável (“ROA”). 3. As atividades das empresas envolvidas são as seguintes: • Vodafone – A Vodafone Group PLC é a empresa-mãe do Grupo Vodafone, entidade que se encontra principalmente envolvida na gestão de telecomunicações móveis e, bem assim, na prestação de serviços de telecomunicações móveis, designadamente serviços de chamadas telefónicas móveis, de mensagens e de serviços de dados. O Grupo Vodafone encontra-se presente em Portugal através da Vodafone Portugal, empresa de comunicações eletrónicas que tem por objeto o estabelecimento, gestão e exploração de infraestruturas, a prestação de serviços de comunicações eletrónicas e o exercício da atividade de televisão, bem como de qualquer atividade complementar ou acessórias; • ROA – Compreende o conjunto de cabos de fibra e equipamentos ativos e passivos presentemente propriedade da NOS (antes Optimus), situados nos concelhos de Matosinhos, Porto, Vila Nova de Gaia, Odivelas, Lisboa, Oeiras e Sintra.

4. Quaisquer observações de terceiros interessados sobre a operação de concentração em causa devem identificar o interessado e indicar o respetivo endereço postal, e-mail, n.º de telefone e fax, bem como ser acompanhadas de versão não confidencial e respetiva fundamentação da confidencialidade, sob pena de serem tornadas públicas. 5. As observações devem ser remetidas à Autoridade da Concorrência, no prazo de 10 dias úteis, indicando a referência Ccent. n.º 59/2016 – Vodafone/ROA, por via postal, fax ou e-mail, para o seguinte endereço: Autoridade da Concorrência Avenida de Berna, 19 – 1050-037 Lisboa E-mail: adc@concorrencia.pt Telefone: (351) 217 902 000 – Fax: (351) 217 902 095 Horário de expediente: das 9.30 às 12.30 e das 14.30 às 17.30 horas O Diretor do Departamento de Controlo de Concentrações Paulo Gonçalves


18

Quarta-feira _14 de dezembro de 2016. Diário de Notícias

DINHEIRO

BPI tem luz verde para vender a posição de controlo no BFA Banca. Dois anos depois, BPI chega a acordo sobre como resolver o problema da exposição a Angola. E a OPA do CaixaBank está em condições de avançar neste processo e chegado a este ponto final, só 3,8% do capital social [total do banco] é que não estava de acordo com esta soO BPI tem, finalmente, luz verde para ven- lução”. Fernando Ulrich, por seu lado, deu conder os 2% do Banco de Fomento de Angola (BFA) à Unitel, de Isabel Santoro, deixando ta de todos os pagamentos entretanto rede deter a maioria do capital do banco e cebidos, sublinhando que “as dívidas de cumprindo, assim, a exigência do Banco Angola, nas várias frentes, estão resolviCentral Europeu para que reduzisse a sua das”. Em causa os 30 milhões de dólares exposição excessiva a Angola. Dois anos de- que a Unitel ainda devia da última tranche pois. O CaixaBank tem agora “todas as con- da compra dos 49,9% do BFA em 2008, dições reunidas” para avançar com a oferta e que foram liquidados antes de 9 de depública de aquisição sobre o banco portu- zembro, como acordado entre as partes nas condições prévias ao negócios atual de guês, anunciada em abril. “Todas as autorizações que o CaixaBank venda da posição de controlo no banco angolano, bem como no que necessitava [para a OPA] estão se refere aos 66 milhões de preenchidas, agora é uma euros de dividendos ainda questão de execução”, afirpor liquidar. mou o presidente executivo “O Banco Nacional de Ando BPI, Fernando Ulrich, após gola já autorizou a transferêna assembleia geral, que concia dos dividendos referentes tou com a presença de 223 a 2015 e aguardamos decisão acionistas, detentores de idêntica, certamente nos pró84,15% do banco. Destes, 76% ximos dias, face aos de 2014.” abstiveram-se, entre os quais Questionado sobre que gaos catalães do CaixaBank, rantias tem da liquidação dos o principal acionista, com 28 milhões relativos aos 2% do 44,2% do capital. O banco catalão deixou cla- “Vamos continuar em BFA, o CEO do banco português foi claro: “Se não houver ro que se absteve para “não frente, ainda mais condicionar o resultado da focados nos clientes”, pagamento, não há transação. O vendedor não entrega o votação com o seu voto decidiz Fernando Ulrich bem que vende sem receber o sivo”, optando por “aceitar a decisão que fosse adotada pelos restantes pagamento a que tem direito. Essa é uma acionistas”. O resultado final da votação questão que não se põe sequer.” Ulrich recusa falar numa nova fase do “reflete inequivocamente um apoio maioritário por parte dos acionistas do BPI à BPI, dizendo, apenas, que o banco entra, proposta realizada pelo seu conselho de agora, “em modo de execução”, na medida administração e permitirá solucionar o in- em que “não há matérias para negociar”. cumprimento da concentração de grandes Mas lembra que o BPI “nunca deixou de riscos do BPI logo que a venda dos 2% do manter a sua operação normal”, pelo que “não há nenhuma alteração” desse ponto BFA seja formalizada”. A administração do BPI, na conferência de vista. “Vamos continuar em frente, obde imprensa, tinha recusado esclarecer viamente libertos da complexidade que quem se abstivera, com Artur Santos Silva, nestes dois anos foi a resolução de todas eschairman do banco, a sublinhar que “o que tas questões. Podemos, agora, estar ainda interessa e é importante salientar é que, mais focados nos clientes.” ILÍDIA PINTO

PSI 20 4649,07 PONTOS

+0,26 %

Euribor 6

MESES

-0,218%

Euro Stoxx50 3236,71

PONTOS

Petróleo

+1,18%

DÓLARES/BARRIL

A bolsa ganhou ontem nova energia, impulsionada pela valorização das ações da EDP Renováveis (+2,34%), EDP (+1,77%), REN (+1,53%) e Galp (+1,25%), com os investidores a estarem na expectativa de que a Fed anuncie hoje uma nova subida das taxas de juro nos EUA, a segunda desde a crise financeira de 2008. Mas a queda da banca, no dia em que o gigante italiano Unicredit anunciou um plano de reestruturação, que passará por uma injeção de capital de 13 mil milhões de euros e um corte total de 14 mil postos de trabalho, arrefeceu o entusiasmo do

EURONEXT LISBOA

DÓLARES

+0,05%

Quantidade

mercado: as ações do BCP deram um trambolhão de 12,38%, a maior descida desde agosto de 2014, depois do anúncio-surpresa de que os espanhóis do Sabadell venderam a quase totalidade da sua participação no capital do banco presidido por Nuno Amado, e que está agora nas mãos dos chineses da Fosun e da empresária angolana Isabel dos Santos; o BPI recuou 0,09%, mesmo depois de os acionistas terem aprovado a venda de 2% do Banco do Fomento Angola à Unitel, que permitirá ao banco liderado por Fernando Ulrich cumprir as exigências do BCE.

13.12.2016

EUROLIST Abertura

Máximo

Mínimo

Fecho

Compra

Venda

T ALTRI

494 189,00

3,740

3,819

3,722

3,780

3,780

3,780

1,020

Q BCP

19856 724,00

1,165

1,169

1,130

1,130

1,130

1,130

-12,380

Variação [ % ]

-0,090

Q BANCO BPI

331 227,00

1,130

1,130

1,128

1,129

1,130

1,130

T BANCO SANTANDER

37 707,00

4,870

4,960

4,860

4,960

4,880

4,960

1,220

Q CIMPOR, SGPS

13 169,00

0,240

0,240

0,230

0,231

0,230

0,250

-4,150

T COFINA, SGPS

13 966,00

0,270

0,275

0,269

0,272

0,270

0,280

0,740

y COMPTA

0

0,000

0,000

0,000

0,100

0,100

0,130

0,000

T CORTICEIRA

55 310,00

8,100

8,100

7,970

8,000

7,960

8,030

1,270

T CTT CORREIOS POR

424 880,00

6,005

6,090

6,002

6,090

6,080

6,090

1,700

T EDP

4144 873,00

2,817

2,876

2,817

2,875

2,870

2,880

1,770

T EDP RENOVÁVEIS

682 579,00

5,850

5,990

5,850

5,990

5,980

5,990

2,340

y ESTORIL SOL

0

0,000

0,000

0,000

2,500

2,400

3,500

0,000

T GALP ENERGIA

1330 001,00

14,045

14,220

13,955

14,220

14,210

14,220

1,250

T GLINTT

85

0,198

0,198

0,198

0,198

0,200

0,220

1,020

y GRUPO MEDIA CAPITAL

0

0,000

0,000

0,000

2,250

1,800

3,100

0,000

Q IBERSOL

59

12,350

12,350

12,300

12,300

12,150

12,300

-0,400

y IMOB GRÃO PARÁ

0

0,000

0,000

0,000

0,020

0,020

0,500

0,000

Q IMPRESA

193 751,00

0,200

0,200

0,193

0,194

0,190

0,200

-2,020 -1,740

Q INAPA

93 435,00

0,113

0,114

0,112

0,113

0,110

0,120

T J. MARTINS, SGPS

465 611,00

15,235

15,400

15,155

15,330

15,330

15,340

0,660

T LISGRÁFICA

70 000,00

0,030

0,030

0,030

0,030

0,030

0,030

50,000

T MARTIFER

1 370,00

0,181

0,185

0,181

0,185

0,180

0,190

2,210

T MONTEPIO

339 657,00

0,440

0,450

0,429

0,443

0,430

0,440

0,680

Q MOTA-ENGIL

251 668,00

1,592

1,605

1,565

1,588

1,580

1,590

-0,250

T NAVIGATOR COMPANY

710 987,00

3,110

3,166

3,110

3,131

3,130

3,140

0,680

Q NOS, SGPS, SA

783 982,00

5,519

5,579

5,468

5,538

5,530

5,540

-0,310

Q NOVABASE, SGPS

7 500,00

2,351

2,351

2,350

2,350

2,340

2,390

-0,210

y OREY ANTUNES

117

0,790

0,790

0,790

0,790

0,750

0,900

0,000

Q PHAROL

1842 426,00

0,195

0,196

0,192

0,192

0,190

0,190

-3,030

y REDITUS, SGPS

0

0,000

0,000

0,000

0,250

0,210

0,250

0,000

T REN

737 414,00

2,619

2,660

2,611

2,653

2,650

2,650

1,530

y SAG GEST

13 422,00

0,084

0,085

0,084

0,084

0,080

0,090

0,000 -3,850

Q S. COSTA

261 500,00

0,024

0,025

0,024

0,025

0,020

0,030

Q SEMAPA

54 039,00

13,000

13,000

12,330

12,945

12,880

12,960

-0,190

Q SONAE, SGPS

8736 275,00

0,840

0,842

0,829

0,834

0,830

0,830

-0,240

Q SONAE CAPITAL

258 654,00

0,816

0,816

0,782

0,802

0,800

0,800

-0,990

Q SUMOLIS

2 106,00

1,140

1,140

1,130

1,140

1,110

1,140

-3,060

T TEIXEIRA DUARTE

16 547,00

0,181

0,188

0,181

0,187

0,180

0,190

3,310

Q VAA VISTA ALEGRE

1 750,00

0,070

0,070

0,070

0,070

0,070

0,080

-12,500

VIOLAS FERREIRA

13.12.2016

Venda do BFA é “negócio ruinoso” e “havia alternativas”

AUSTRÁLIA

ternativa possível para cumprir os prazos impostos pelo BCE, não colhe. “Andou-se dois anos atrás deste assunto. Havia várias outras alternativas, mas foi-se empurrando com a barriga.” E dá como exemplo a proposta de fusão do BFA com a CaixaAngola, avançada pela HVF; ou a da Unitel, que queria a venda de 30% do BFA em bolsa (15% do BPI e outro tanto seu).

1,0638

+1,58%

Queda da banca trava bolsa

CÂMBIOS

› A Holding Violas Ferreira, o maior acionista português do BPI, nunca poupou críticas à cedência do controlo no BFA. Ontem, Tiago Violas Ferreira voltou a sublinhar que este é um “negócio ruinoso” para o BPI, que vende “o controlo do seu maior ativo por 28 milhões de euros, quando ele vale 600 milhões”. Para o administrador da HVF, o argumento de que esta era a única al-

9331,30

PONTOS

Euro

-0,18%

55,59

Ibex

ÁFRICA DO SUL BRASIL BULGÁRIA CABO VERDE CANADÁ CHINA COREIA DO SUL

COMENTÁRIO RAND

14,5220

MACAU

PATACA

8,4924

DÓLAR

1,4155

MÉXICO

PESO

21,4788

REAL

3,5325

LEV

1,9558

NORUEGA

COROA

8,9495

ESCUDO

110,265

NOVA ZELÂNDIA

DÓLAR

1,4724

POLÓNIA

ZLOTY

4,4442

REINO UNIDO

LIBRA

0,83488

DÓLAR

1,3921

YUAN

7,3233

REPÚBLICA CHECA

COROA

27,022

LEU

4,5045

RÚSSIA

RUBLO

64,5831

SINGAPURA

DÓLAR

1,5138

SUÉCIA

COROA

9,7180

SUÍÇA

FRANCO

1,0742

BAHT

37,772

LIRA

3,6953

WON

1237,88

KUNA

7,5260

ROMÉNIA

DINAMARCA

COROA

7,4370

ESTADOS UNIDOS

DÓLAR

1,0638

PESO

52,844

HONG KONG

DÓLAR

8,2303

HUNGRIA

FORINT

314,31

RUPIA

71,6590

IENE

122,27

CROÁCIA

FILIPINAS

ÍNDIA JAPÃO

TAILÂNDIA TURQUIA

Euro em alta › O euro voltou ontem a subir, com os investidores à espera que Janet Yellen, presidente da Fed, em vésperas da decisão sobre a subida dos juros dos EUA, a segunda desde a crise financeira, dê sinais de que o ritmo de agravamento das taxas seja mais lento ou mais rápido.


Quarta-feira _14 de dezembro de 2016. Diário de Notícias

PUBLICIDADE

prémios edpartners 3ª edição

A energia vem das melhores parcerias Porque cada vez mais o sucesso dos nossos parceiros é também o nosso, os Prémios EDPartners destinam-se a reconhecer e premiar parcerias de excelência do Grupo EDP, a nível ibérico.

Inscreva-se até 18 de dezembro em

edpartners.edp.pt Parceiros

19


SOCIEDADE

20

Quarta-feira _14 de dezembro de 2016. Diário de Notícias

ENTREVISTA: LEILANI FARHA

RECOMENDAÇÕES

Relatora especial da ONU para o direito à habitação condigna

Esteve em vários pontos do país a avaliar as condições de habitação e não poupa palavras: “Há pessoas a viver em condições terríveis.” Planos de recolocação urgentes entre as recomendações

LEGISLAÇÃO › Proteção Peritos da ONU pedem ao governo que defina disposições legais que “obriguem as autarquias locais e os governos regionais a cumprirem os direitos humanos à água e ao saneamento, assim como o direito a uma habitação condigna e à não discriminação neste contexto.

“Demolições e despejos em Portugal devem acabar já”

ÁGUA › Reforma A avaliação e a reformulação da arquitetura institucional complexa e geradora de tensões e desigualdades neste setor deve ser uma prioridade.

FILOMENA NAVES

Leilani Farha, de nacionalidade canadiana, é relatora especial da ONU para a habitação condigna desde junho de 2014. Advogada e diretora executiva da ONG Canada without Poverty, trabalha na área do direito à habitação há duas décadas

CORTES › Moratória Os cortes no abastecimento provocados por falta de capacidade financeira devem cessar. Ao abrigo do direito internacional, eles constituem uma violação dos direitos humanos. HABITAÇÃO SOCIAL › Avaliação Deve ser realizado um estudo para estimar a percentagem de população que necessita de habitação social, subsidiada, ou com rendas controladas. O governo “deve assegurar” que a oferta satisfaça a procura a longo prazo, o que irá “provavelmente implicar um acréscimo de investimentos”.

PEDRO ROCHA / GLOBAL IMAGENS

Esteve em Lisboa, Porto, Loures, Amadora. Como escolheu os locais a visitar? Escolhemos os grandes centros urbanos, Lisboa e Porto, para ter uma noção geral, e eu sabia da situação no Bairro 6 de Maio, na Amadora, onde estão a ocorrer demolições e desalojamentos. Recebemos uma comunicação sobre isso, portanto tinha de ir lá ver. Que problemas encontrou? Ficámos muito preocupados com as condições em locais de habitação informal, nomeadamente em Loures, onde há comunidades a viver sem eletricidade nem água canalizada. Estive no Porto, nas chamadas “ilhas” onde as pessoas vivem em condições deploráveis. Nunca tinha visto nada assim. São casas com 16 metros quadrados, com condições terríveis: materiais degradados, escorrimentos de águas, ratos. É uma verdadeira crise em termos de direitos humanos, com muitas pessoas doentes nas famílias que contactei por causa das condições em que vivem. A quem cabe resolver a situação ? De acordo com as legislação internacional dos direitos humanos, a responsabilidade de solucionar estes problemas é dos governos a nível nacional e local. A mensagem que temos tentado passar aqui é a de que todos devem trabalhar em conjunto para isso. Parece que as questões de habitação são de jurisdição municipal, mas estas não podem fazer tudo sozinhas, com recursos limitados. Portanto, os dois têm a obrigação imediata de resolver esses problemas. Quais são as suas recomendações nesse sentido? Ainda são preliminares, mas há obrigações imediatas que as autoridades nacionais e municipais têm de implementar com urgência. Uma delas é acabar com demolições e despejos, sobretudo se deixam pessoas desalojadas, porque isso viola o direito à habitação. Está a falar do Bairro 6 de Maio ? Exato. Outra medida de carácter imediato é começar a desenvolver

planos de recolocação para aquelas comunidades, bem como para as que estão nas ilhas, o que terá de ser discutido com as próprias comunidades. Mas tem de se começar já. As pessoas precisam de saber que não serão despejadas e que há um plano para habitação adequada para elas. Falou das medidas imediatas. E as recomendações a médio prazo? É preciso desenvolver instrumentos legislativos e políticos de apoio à habitação condigna. Nesse sentido, deveria ser criada legislação nacional para dar suporte ao artigo 65 da Constituição Portuguesa, que garante esse direito e que forneceria a possibilidade legal de o fazer cumprir. Os direitos humanos não existem se não houver forma de os reclamar junto da justiça. A minha última recomendação tem a ver com o turismo e a liberalização do setor

da habitação que ele tem ajudado a promover.Vi isso aqui em Lisboa, na Mouraria, e no centro histórico do Porto, com a proliferação de apartamentos de luxo para arrendamento por períodos curtos, o que me preocupa porque as pessoas podem ser despejadas para que os senhorios rentabilizem esses apartamentos com preços que os próprios inquilinos não podem pagar. E como se combate? Terá de haver mais regulamentação, mas preciso de analisar o que poderá funcionar melhor em cada cidade. Há certos mecanismos, com taxas, que podem ser usados, mas isso não garante preços acessíveis aos locais. Que problemas viu em Portugal que podem ser diretamente relacionados com a crise e a austeridade imposta pela troika?

A austeridade é uma ideologia, uma fórmula, e viu-se isso muito claramente com a liberalização do mercado de habitação. Com isso veio uma série de medidas com um impacto negativo nas pessoas em situação mais vulnerável, como a maior facilidade de os senhorios despejarem os inquilinos. Não digo que a legislação não devesse ser modernizada, na verdade isso deveria acontecer a cada cinco anos, porque a dinâmica socioeconómica muda, e em Portugal ela não mudava há muitos anos. Mas houve uma liberalização para além do que devia, o que chamo uma “uberliberalização”. A pobreza subiu para 20% em Portugal. É muito. Os gastos com habitação social em Portugal, em 2008, representaram 0,9% do PIB e, em 2014, 0,7%. Os números falam. Quando se tem uma popula-

RECOLOCAÇÃO › Planos Devem ser resolvidos “com urgência” os problemas de falta de habitação condigna e “não podem ser feitas demolições que deixem as pessoas em situação de sem-abrigo”. Os filhos não podem ser retirados aos pais por falta de habitação condigna, às famílias deve ser dada habitação adequada.

ção pobre com poucos recursos e apartamentos de luxo em construção, a habitação social pode ser a única opção viável para um segmento da população. Faz este tipo de investigação há 20 anos, e nos últimos dois para a ONU. Que tendência marca estas duas décadas? As coisas têm piorado: as condições em que as pessoas são obrigadas a viver e a complacência dos governos para com isso. A habitação é cada vez mais um produto financeiro. Ao contrário da saúde e da educação, não é encarada como um bem social, mas como um negócio. E à medida que caminhamos para o “ubercapitalismo” e que abraçamos a liberalização generalizada, torna-se mais difícil fazer progressos na habitação enquanto direito humano.


SOCIEDADE

Quarta-feira _14 de dezembro de 2016. Diário de Notícias

21

Uma arca solidária para combater a pobreza envergonhada TROFA A partir de sábado

Derrube do Bairro 6 de Maio deixa dezenas sem casa PROTESTOS Duas dezenas de moradores e desalojados do Bairro 6 de Maio (Amadora) concentraram-se ontem no Ministério do Ambiente para exigir uma “solução de emergência”. Bairro tem sido sujeito a

várias intervenções no âmbito do Programa Especial de Realojamento, ao abrigo do qual o município tem vindo a erradicar as habitações degradadas. Relatora da ONU pede o fim das demolições e despejos.

“Milagre português” no setor da água está incompleto Avaliação. Cortes no fornecimento de água por incapacidade financeira das famílias viola os direitos humanos, defende perito da ONU Léo Heller, relator especial da ONU para os direitos humanos relativos à água e ao saneamento, que esteve em missão em Portugal juntamente com Leilani Farha, reconhece “o milagre português no setor” operado nas últimas décadas, mas “o milagre está incompleto”, afirma. O especialista brasileiro diz estar “preocupado” por “a parte mais marginalizada da população, como os desempregados, os reformados, os migrantes e a população cigana, ficar para trás”. Em Loures, nomeadamente, os dois peritos depararam-se com uma comunidade de cerca de uma centena de pessoas de etnia cigana “numa situação deplorável”, a viver em casas de “paredes precárias, de madeira ou zinco, sem nenhum tipo de casa de banho e sem água”, contou Heller ao DN. “Têm de ir de carro a outro bairro, buscar água em vasilhames, que ficam muito pesados. Fiz a experiência de tentar levantar um deles e não consegui”, confessa Heller. “Essa comunidade chocou-me particularmente, foi a situação mais dramática que vi em Portugal, e que é pior do que vi noutros

países muito mais pobres do que Portugal, por exemplo, na Ásia Central, em África ou na América Latina”, garante. Na declaração final conjunta da missão, os dois relatores da ONU fazem a análise dos respetivos setores (ver entrevista na outra página) e enumeram uma série de recomendações que já entregaram ao governo português. Desde logo, os dois peritos solicitam ao executivo que defina disposições legais concretas que “obriguem” as autarquias e os governos regionais “a cumprirem os direitos humanos à água e ao saneamento e à habitação condigna”, e recomendam “uma comu-

Léo Heller é relator especial da ONU para o direito à água

nicação e colaboração mais adequada entre todos os níveis de governo”, para “melhores resultados em termos de direitos humanos”. No que diz respeito ao acesso à água e ao saneamento no país, Léo Heller pede ao “ governo português que corrija o modelo institucional vigente, que provoca muitas tensões entre os diferentes níveis e atores, gerando assimetrias de tarifário entre diferentes cidades”. Outra questão sensível é a da disponibilidade financeira das famílias. “A política de corte de abastecimento de água por incapacidade financeira é preocupante, porque isso está a acontecer, e face à legislação internacional é uma violação dos direitos humanos negar o acesso à água a pessoas que não têm capacidade para financeira”, alerta. A sua recomendação é a de que seja aplicada uma moratória nos cortes de fornecimento, tal como deve acontecer nas demolições e despejos, defende. “O governo deve ter um papel proativo para que as autarquias adotem a aplicação da tarifa social, como recomenda, aliás, a Assembleia da República”, conclui. F.L.

A inspiração veio da Índia, a ideia surgiu pelo aumento da pobreza envergonhada em Portugal. E o resultado foi a colocação de um frigorífico, de 1,70 metros de altura, no exterior da Junta de Freguesia do Muro, na Trofa, para dele se servir quem necessitar de um alimento. “Existe muita pobreza envergonhada. As pessoas mostram resistência em procurar ajuda, mas com esta ideia ninguém sabe se quem abre o frigorífico está a pôr ou a tirar”, explicou ao DN Carla Lima, coordenadora da delegação da Cruz Vermelha da Trofa, responsável pelo projeto desta arca solidária, numa parceria com cinco freguesias da zona. Veio de longe – de Kochi, na Índia – a inspiração para este frigorífico, que estará aberto 24 horas por dia quer para quem quiser depositar alimentos e necessitar de os recolher. Um vídeo, que se tornou viral nas redes sociais, relata a indignação da proprietária de um restaurante que viu uma mulher sem-abrigo a comer de um caixote do lixo, ao lado do estabelecimento. Minu Pauline, ex-bancária, assim se chama a dona do restaurante, decidiu colocar um frigorífico na entrada do seu Pappadavada para que os sem-abrigo se pudesse servir, reduzindo ao mesmo tempo o desperdício alimentar. Em Trofa, como em todo o país,

SÍLVIA FRECHES

ARTUR MACHADO / GLOBAL IMAGENS

SARA MATOS/GLOBAL IMAGENS

haverá um frigorífico aberto 24 horas para quem quiser dar ou precisar de ajuda. Índia inspirou projeto

também há muito desperdício e muita gente necessitada, comenta Carla Lima. O Frigorifico Solidário é inaugurado no sábado no Muro, servindo como piloto para a extensão do projeto a outras freguesias deste distrito do Porto. “Vamos testar a ideia durante quatro meses, ver qual a adesão e o envolvimento da população. Queremos trabalhar a consciencialização das pessoas”, afirmou a Carla Lima, admitindo que este pode ser um projeto a replicar, tanto mais que a Cruz Vermelha nacional “achou uma ideia muito boa”. A porta deste frigorífico será de vidro para que sirva de vitrina e o equipamento seja aberto o menos vezes possível para que a qualidade dos alimentos se mantenha. Não é permitido colocar embalagens de peixe ou carne abertas nem bebidas alcoólicas e os alimentos têm de estar fechados e dentro do prazo de validade. O projeto também envolve a criação de grupos de voluntários locais para garantir a limpeza e a manutenção dos frigoríficos. Os responsáveis pelo projeto admitem que esta arca solidária possa vir a ser usada também por quem realmente não precisa, mas “o risco vale a pela”. “O ganho na consciencialização das pessoas será maior do que os prejuízos e o ganho de imaginar que uma determinada família que tem vergonha de pedir ajuda terá assim um miminho também compensa. Arriscamos porque, afinal, esta ideia já foi testada em países menos desenvolvidos como a Índia e resultou”, concluiu Carla Lima.

Frigorífico colocado no exterior da Junta de Freguesia de Muro


SOCIEDADE

22

Quarta-feira _14 de dezembro de 2016. Diário de Notícias

Modelos de pele 3D e solventes amigos do ambiente valem bolsas milionárias Ciência. Duas investigadoras da Universidade do Minho foram distinguidas com bolsas no valor de quase dois milhões de euros cada. Há mais quatro projetos portugueses premiados. No total vão receber 11,5 milhões de euros JOANA CAPUCHO

Alexandra Marques quer criar modelos de pele tridimensionais para serem usados no desenvolvimento de novos medicamentos para três doenças de pele raras e incuráveis. Para isso, a vice-diretora e investigadora principal do grupo de investigação 3B’s da Universidade do Minho foi contemplada com uma bolsa de consolidação do Conselho Europeu de Investigação (CEI) no valor de 1,99 milhões de euros. No total, serão distribuídos 605 milhões de euros por 314 projetos, seis dos quais portugueses e liderados por mulheres, que vão receber uma verba superior a 11,5 milhões de euros. A equipa liderada por Alexandra Marques irá usar tecido de pacientes com as três doenças em causa – pênfigo vulgar, epidermólise bolhosa e carcinoma de células escamosas –, que por alguma razão tenha sido removido. “São excedentes”, ressalva, numa conversa telefónica com o DN. A ideia é que este seja usado para produzir modelos, com recurso ao “bioprinting”, uma espécie de impressora. “O objetivo é criar modelos tridimensionais de pele que sejam mais complexos do que aqueles que existem atualmente e que são muito simplistas e não têm representatividade em termos de doença.” Estes vão permitir também ter “mais e melhor conhecimento” sobre as patologias. A trabalhar há vários anos na área da engenharia de tecidos humanos, a investigadora explica que este projeto “é completamente inovador, mas tira partido da tecnologia que foi desenvolvida ao longo do tempo”. Se não fosse a atribuição da bolsa, a alternativa era “avançar lentamente”, como tem sido feito até aqui. “Desta forma, temos financiamento para o laboratório e a possibilidade de contratar mais pessoas para o projeto.” Os resultados serão mais rápidos, o que se torna particularmente importante quando falamos de “doenças incuráveis e com elevada mortalidade”. Duas bolsas para o Minho Da lista de projetos portugueses distinguidos consta um outro da Universidade do Minho, liderado por Ana Rita Duarte, que irá receber uma verba de 1,87 milhões de euros. Trata-se de uma investiga-

Alexandra Marques dedica-se à engenharia dos tecidos. Ana Rita Duarte (em baixo) aos solventes verdes

mais limpos.” Para Ana Rita Duarte, de 37 anos, esta bolsa “permite consolidar uma equipa para trabalhar a 100% na área e dar respostas às questões levantadas”.

ção na área da “engenharia verde”, cujo objetivo é “estudar novos solventes mais verdes” para “diminuir o seu impacto nos processos industriais”. Estes são obtidos a partir de moléculas da natureza, como açúcares e aminoácidos, que, apesar de serem tipicamente sólidos à temperatura ambiente, se tornam líquidos quando combinados numa determinada proporção.

Falamos, por exemplo, do mel ou do xarope de ácer. Segundo a investigadora, estes têm aplicações farmacêuticas e podem ser usados em áreas como a biocatálise e a extração, tornando os “processos industriais mais sustentáveis”. “Os solventes usados atualmente são tóxicos e requerem tratamento. Estes podem ter uma eficácia semelhante, mas são biodegradáveis e

Chuva de Sousa Lopes, do Centro Médico da Universidade de Leiden, na Holanda, vai investigar a ovogénese nos seres humanos, ou seja, o processo de formação dos ovócitos.

69 bolsas para Portugal Desde que foi lançado, em 2007, Sete minutos de apresentação o CEI já financiou 69 projetos de Segundo Alexandra Marques, o proinstituições portuguesas, no valor cesso para a atribuição das bolsas de 107 milhões de euros. Este ano, do Conselho Europeu de Investigaalém das investigadoras premiadas ção é “complicado e muito trabano Minho, foram distinguidos ou- lhoso”. Depois da fase de candidatros quatro projetos tura, em que são anacom marca portuguelisados os currículos e sa. Silvia Rodríguez as sinopses dos projeMel pode ser Maeso, do Centro de tos científicos, os inusado como Estudos Sociais (provestigadores passam jeto Politics), irá recepara a fase de entrevissolvente na ber uma bolsa para tas em Bruxelas, onde indústria estudar a política ansão avaliados por “16 tirracismo na Europa experts”. “Temos sete e na América Latina, minutos para expor o enquanto Sara Magalhães, da Fa- projeto: objetivos, carácter inovaculdade de Ciências da Universi- dor, metodologia, impacto na sodade de Lisboa, vai receber dois ciedade.” Segue-se uma fase de permilhões de euros para responder à guntas que dura 20 minutos. questão “Como é que a competi“Os vencedores destas bolsas reção entre organismos molda a evo- ceberam este financiamento comlução das espécies?”. petitivo porque são investigadores A trabalhar no estrangeiro, de excelência com ideias verdadeia portuguesa Renata Basto, do Ins- ramente inovadoras. Investir no titut Curie em França, receberá fi- seu sucesso trará benefícios a tonanciamento para o estudo da va- dos”, destacou Carlos Moedas, coriação do número de cromosso- missário europeu responsável pela mas nos seres vivos. Já Susana Investigação, Ciência e Inovação.


Quarta-feira _14 de dezembro de 2016. Diário de Notícias

SORTE

SERVIÇOS

27

PREVISÃO DO TEMPO

Euromilhões 13 dezembro 2016 Chave do sorteio nº 100/16, ontem: 14-28-29-48-50 Estrelas: 2-8

FARMÁCIAS

Viana do Castelo

160

Bragança

40 90

60 140 Euromilhões Sorteio de 9 de dezembro de 2016 Sorteio 99/16 6-12-28-37-40 Estrelas: 1-5 1º prémio 0 (0 em Portugal) (a) 2º 8 (2 em Portugal) 138 311,19 € 3º 6 (0 em Portugal) 42 952,33 € 4º 51 (5 em Portugal) 2 471,68 € 5º 853 (112 em Portugal) 157,63 € 6º 1 840 102,00€ 7º 1 886 56,44 € 8º 27 676 17,71 € 9º 37 539 13,80€ 10º 81 417 12,04 € 11º 150 188 9,23 € 12º 543 595 7,65 € 13º 1 146 616 4,45 € (a) Previsão 1º prémio c/ jackpot 38 000 000,00 € M1lhão Sorteio de 9 de dezembro de 2016 GZH 31300

Vila Real

16

90 150

AÇORES

Penhas Douradas

Ponta Delgada 0

40 60

0

11 18

180

Coimbra

70 150 Castelo Branco

Leiria 90 160

60 100 Portalegre

170

60 100 Lisboa

110 160 Setúbal

Évora

50 160

MADEIRA

70 140

Funchal

Beja

150 210

200

70 140

Sorteio 50/16 (a) 50 000,00€ 5000,00€ 500,00 € 50,00 € 5,00 € 2 600 000,00€

Totobola Concurso de 4 de dezembro de 2016 Sorteio 49/16 211 121 XXX 1112 Super 14. Benfica-Sporting M:1 Super 14 0 (a) 1º prémio 0 (b) 2º 27 749,09 € 3º 359 56,33 € (a) Previsão do valor Jackpot Super 14 185 000,00 € (b) Nos termos do Regulamento, o montante do 1º Prémio acresce ao montante do Super 14 do concurso normal imediatamente seguinte. Totobola extra Concurso de 8 de dezembro de 2016 Sorteio 49/16 211211X1X2111 Super 14. Legia - Sporting 1:0 Super 14 O (a) 1º prémio 0 (b) 2º 1 7 812,30 € 3º 26 300,47 € (a) Previsão do acumulado para Super 14 15 624,60 € (b) Nos termos do Regulamento, o montante do Super 14 e do 1º Prémio acresce ao Super 14 do segundo concurso subsquente Lotaria Clássica Extração de 12 de dezembro de 2016 50ª – Dia do Voluntariado 1º prémio 31925 600 000,00 € 2º 64744 60 000,00 € 3º 54827 30 000,00 € Sequências de quatro algarismos: 8711 - 3160 - 2213 - 3863 - 6790 - 2114 - 4089 - 8026 3367 - 4070 - 9677 - 6029 - 1470 - 9468 - 7241 - 9344 - 2517 - 2800 - 5529 - 8199 Sequências de três algarismos: 952 - 206 - 728 - 055 - 075

Sagres

17

0

Faro

100 170

18 Sol 07.47

OCASO

17.16

0

100 170

Leixões

Marés

Lua NASCER

Lua cheia (quarto minguante, dia 21)

Lisboa

Faro

PREIA-MAR

02.34 15.01 03.03 15.30 02.18 14.43

BAIXA-MAR

08.47 21.05 08.56 21.15 08.18 20.36

CÉU LIMPO

NUBLADO

AGUACEIROS

TROVOADA

NEVOEIRO

POUCO NUBLADO

MUITO NUBLADO

CHUVA

NEVE

TEMP. DA ÁGUA

AMANHÃ

6ª-FEIRA

SÁBADO

Porto

Porto

Porto

DOMINGO

2ª-FEIRA

Porto

Porto

Lisboa

Lisboa

Lisboa

Lisboa

Lisboa

Faro

Faro

Faro

Faro

Faro

Europa

Oslo

Estocolmo

-6 -2 0

0

-40 10

Copenhaga

00 60

Amesterdão Dublin

2 12 0

0

20 110

Berlim

Varsóvia

-20 60

Londres

4 8 0

70 120

Paris

Lotaria Popular Extração de 8 de dezembro de 2016 49ª – Zodíaco Sagitário 1º prémio 58450 75 000,00 € 2º 19044 7500,00€ 3º 38353 3000,00 € 4º 07735 2000,00 € Série sorteada: 6ª Sequências de 2 algarismos sorteadas: 45 - 22 Estas informações não dispensam a consulta da lista oficial

40 100

Porto

0

Sorteio 11/16 1 000 000,00 €

Totoloto Sorteio de 10 de dezembro de 2016 Sorteio 99/16 2-7-24-30-39 Número da sorte: 11 1º prémio 0 (a) 2º 0 (b) 3º 132 357,12 € 4º 6 275 4,17 € 5º 90 616 1,73 € Nº sorte 69 513 Reembolso da aposta (a) Previsão 1º prémio c/ jackpot 1 200 000,00 € (b) Nos termos do regulamento, o montante do 2º prémio acumulou com o montante do 3º prémio. Joker Sorteio de 11 de dezembro de 2016 9743691 1º prémio 0 2º 0 3º 6 4º 38 5º 358 6º 4240 (a) Previsão do 1º prémio c/ jackpot

Portugal continental Madeira e Açores

-10 90

0

Luxemburgo

00 50

Viena

-30 10

Belgrado

0 9 0

Roma

Madrid

40 100

60 140

0

Atenas

30 100

✣ LISBOA ALTO DO PINA PAES R. Abade Faria, 22-A CAMPO GRANDE NOVA IORQUE Av. Estados Unidos da América, 140-B MARVILA SANTOS SILVA Praça Raúl Lino, Lote 226, Loja 22 SANTA MARIA DE BELÉM OCIDENTAL R. D. Jerónimo Osório, 18-D SÃO JOÃO DE BRITO BRISÁLIA Av. Rio de Janeiro, 66-66-A SÃO PAULO AFRICANA R. Bernardino Costa, 43 ✣ ARREDORES DE LISBOA AGUALVA-CACÉM RODRIGUES GARCIA Av. dos Bons Amigos, 61-A/B ALCABIDECHE DO ALTO DA CASTELHANA R. Costa Pinto, N.º 180-A ALFRAGIDE DA QUINTA GRANDE Praceta do Comercio, 17 ALGÉS COMBATENTES Alameda Fernão Lopes Edifício Duo M Premium-14 Miraflores ALVERCA DO RIBATEJO CENTRAL DE ALVERCA Av. Infante D. Pedro, Lote 3 Lojas CARREGADO HIGIENE R. Vaz Monteiro, 100 ODIVELAS CODIVEL Praceta João de Lemos, N.º 1 PONTINHA CRUZ CORREIA R. Santo Eloy, 41-A PÓVOA DE SANTA IRIA HIGIÉNICA R. Marinheiros, 60 PRIOR VELHO DO PRIOR VELHO Praça Gil Vicente, 2 - B QUELUZ ZELLER Av. da República, 83 RIO DE MOURO RIO MOURO R. Óscar Monteiro Torres, 6 SANTO ANTÓNIO DOS CAVALEIROS SANTO ANTÓNIO Av. Infante D. Pedro, Parque Residencial do Almirante, Lj 4, Lt 4 SÃO BRÁS ROMEIRO R. Comandante Ramiro Correia, 12-A VILA FRANCA DE XIRA HIGIENE R. António Lúcio Batista, 7 ✣ ALENTEJO BEJA OLIVEIRA SUC. R. Zeca Afonso, 30 ELVAS MOUTTA R. Cadeia, 37 ESTREMOZ COSTA Largo Combatentes Grande Guerra, 21 ÉVORA DA MISERICÓRDIA Praça do Giraldo, 27 MONTEMOR-ONOVO CENTRAL R. 5 de Outubro, 69 PONTE DE SOR MATOS FERNANDES Av. da Liberdade, 34-A PORTALEGRE ROMBA R. Guilherme Gomes Fernandes, 19 VENDAS NOVAS NOVA Av. General Craveiro Lopes, 25-A ✣ CASTELO BRANCO CASTELO BRANCO PEREIRA REBELO R. Nossa Senhora Mercules, 19 COVILHÃ SÃO JOÃO R. Marquês D´Ávila e Bolama, 342

✣ COIMBRA ARGANIL GALVÃO Praça Simões Dias, 6-7 COIMBRA CENTRAL R. Sofia, 19 · DUARTE Calçada de Santa Isabel, 46 - R/C FIGUEIRA DA FOZ SOARES R. República, 196 ✣ ALGARVE ALBUFEIRA SANTOS PINTO Urb. Quinta da Bela Vista, Lt.E,Lj.4-5 LAGOS RIBEIRO LOPES R. Garrett, 22 LOULÉ AVENIDA Av. José C. Mealha, 109-A PORTIMÃO MODERNA R. Teófilo Braga, R/C VILA REAL DE SANTO ANTÓNIO CARRILHO Praça Marquês de Pombal, 1 ✣ LEIRIA ALCOBAÇA BELLO MARQUES R. Alexandre Herculano, 23 CALDAS DA RAINHA BRANCO LISBOA R. Almirante Reis, 25 PENICHE CENTRAL R. José Estevão, 16 R/Ch POMBAL PAIVA Largo do Cardal, 44 ✣ SANTARÉM ABRANTES ONDALUX Praça da República, 17 SANTARÉM HELENA R. Jorge Sena , Lote 12 R/C TOMAR DA MISERICÓRDIA R. Infantaria 15, 9-B TORRES NOVAS HIGIENE Largo Coronel António Maria Batista, 7 ✣ SETÚBAL ALCÁCER DO SAL DA MISERICÓRDIA Alcácer do Sal ALMADA GALENO R. Capitão Leitão, 85-B BARREIRO FIDALGUINHOS R. Sociedade Democrática União Barreirense - Os Franceses, 4-A MOITA JORDÃO PEDROSA R. António Nobre 18 R/C Esq. MONTIJO MODERNA R. Bulhão Pato, 60-62 SANTIAGO DO CACÉM CORTE REAL R. Dr. Manuel António Costa, 16 SEIXAL DO FOGUETEIRO Av. 1º de Maio , 93 A-B Fogueteiro SETÚBAL COSTA Largo da Misericórdia, 48-50 · RODRIGUES FERREIRA Praça D. Olga Morais Sarmento, 14 ✣ PORTO BONFIM SÃO JERÓNIMO R. Santos Pousada, 636 ✣ ARREDORES DO PORTO GONDOMAR FONSECA Lug. Seixo R. D. João de Castro, 728 MAIA ÁLVARO AGANTE Av. D. Manuel Ii, 1386 MARCO DE CANAVESES CABANELAS Av. Futebol Clube Marco, 755, Lj 7/8 MATOSINHOS SÃO MAMEDE Alameda Futebol Clube Infesta, 15 PAÇOS DE FERREIRA ANTERO CHAVES Av. Dr. Nicolau Carneiro, 62 PAREDES DO OURAL Av. Central do Oural, 401 e 409 ·

FERREIRA DE VALES Av. Bombeiros Voluntários de Rebordosa, 698 PENAFIEL REGINA Entre-Os-Rios PÓVOA DE VARZIM MARIADEIRA R. Viriato Barbosa, 829 SANTO TIRSO VILALVA R. Vilalva, 78 VALONGO DE ALFENA R. 1 de Maio, 1841 VILA DO CONDE DA VILA Av. Júlio Saúl Dias, 32 VILA NOVA DE GAIA DE FRANCELOS Av. de Francelos, 611 · GAIA NOVA R. Profª. Rita Lopes Ribeiro 58(Junto À Vl8) · MATIAS R. Professor José Bonaparte, 288 ✣ AVEIRO AVEIRO MODERNA R. Combatentes Grande Guerra, 103 OLIVEIRA DE AZEMÉIS MODERNA R. Conde Santiago Lobão, 128-136 OVAR DO INSTITUTO PEREIRA ZAGALO R. Cândido dos Reis, 73 SANTA MARIA DA FEIRA LIMA R. do Aldeiro, 495 SÃO JOÃO DA MADEIRA LAMAR Centro Com. 8ª Avenida, Av. Renato Araújo, Lj 0040 Piso 0, 1625 ✣ BRAGA BARCELOS LAMELA R. D. António Barroso, 49 BRAGA MARQUES R. S. Marcos, 44 · SOUSA GOMES R. D.Frei Caetano Brandão, 22-40 FAFE CUMIEIRA R. Cumieira, N.º 32 GUIMARÃES BARBOSA Largo do Toural, 37 VILA NOVA DE FAMALICÃO VALONGO R. Adriano Pinto Basto, 54 VILA VERDE DA SANTA CASA DA MISERICÓRDIA Praça da República, 11 ✣ BRAGANÇA BRAGANÇA SOEIRO R. 5 de Outubro, 100 MACEDO DE CAVALEIROS MODERNA R. Dr. Luís Olaio, 15-A MIRANDELA ENTREVINHAS R. Francisco Sá Carneiro, 157 R/C ✣ GUARDA GUARDA DA MISERICÓRDIA Largo João de Almeida, 3 ✣ VIANA DO CASTELO PONTE DE LIMA BRITO R. do Souto, 70 VIANA DO CASTELO S. P. VICENTE R. Bandeira, 814 ✣ VILA REAL CHAVES PAULA FILES R. Cândido Sotto Mayor, 58 VILA REAL ALMEIDA Av. Carvalho Araújo ✣ VISEU LAMEGO FONTOURA Praça Dr. Fernando Amaral, Edif Ribeirinho, 8, R/C - Portelo Cambres TONDELA MOURA Praça do Comércio, 20 VISEU MOURO Urbanização da Quinta de S. José, Lt.1-B


Quarta-feira _14 de dezembro de 2016. Diário de Notícias

PASSATEMPOS

28

NÚMEROS CRUZADOS

XADREZ

Tente enquadrar os algarismos listados, na grelha que se segue, tendo em atenção que o método é semelhante ao das palavras cruzadas

Problema – As brancas jogam e dão mate em 2 (Schulz,Bulletin de la Federation Française , 1929) A variante das trocas do gambito de dama é conhecida pelo ataque das minorias com as estratégias a ele associadas. Os xadrezistas de estilo sólido e conservador utilizam esta variante pelo risco reduzido de derrota. É raro assistir a violentos ataques ao rei com sacrifícios destruidores. Mas foi isso que aconteceu numa partida disputada no torneio de Bugojno em 1978 entre o russo Karpov, então campeão mundial, e o holandês Jan Timman, o melhor jogador ocidental. Esta é uma das boas partidas para Timman, que hoje completa 65 anos, recordar. Vamos revê-la. Jan Timman (Holanda, 2585) Anatoly Karpov (Rússia, 2725) Bugojno, 1978 1.c4 e6 2.Cc3 d5 3.d4 Be7 4.cxd5 exd5 5.Bf4 Cf6 6.e3 0–0 7.Dc2 c6 8.Bd3 Te8 9.Cf3 Cbd7 10.0–0–0!? Cf8 11.h3 Be6 12.Rb1 Tc8 13.Cg5! b5 [13...h6!²] 14.Be5! h6 15.Cxe6 Cxe6 16.g4! Cd7 17.h4! b4 [17...Bxh4 18.f4 Be7 19.Bh7+ Rf8 20.Bf5] 18.Ce2 Bxh4?! 19.f4 c5 20.Ba6! Be7 [20...Tc6 21.Bb5 Tc8 22.Bxd7 Dxd7 23.Txh4; 20...Ta8 21.Bb7] 21.Bxc8 Dxc8 22.Cg3! f6?! 23.Txh6!! Cef8 [23...gxh6 24.Dg6+ Rf8 25.Dxh6+ Rf7 26.Dh5+ Rf8 27.Th1] 24.Th3! c4 [24...fxe5 25.dxe5

Cb6 26.f5] 25.Cf5 fxe5 26.fxe5 Dc6 27.Tdh1 Cg6 [27...Dg6 28.Th8+ Rf7 29.Tf1! Re6 30.Cxg7+! Dxg7 31.Df5#] 28.Cd6! Cdf8 [28...Bxd6 29.Dxg6 Rf8 30.Th8+ Re7 31.Txe8#] 29.Cxe8 Dxe8 30.Th5! Dc6 31.Df5 a5 32.e6! Dxe6 33.Dxd5 a4 34.Tc1 c3 35.bxc3 bxc3 36.Txc3 Dxd5 37.Txd5 Ce6 38.Rc2 Rf7 39.Ta5 Cg5 40.Tc6 Ce4 41.Txa4 Cf6 42.Ta7 Cd5 43.Txg6 Rxg6 44.e4 Cb4+ 45.Rb3 Bf8 46.Tb7 [46...Cc6 (46...Cd3 47.a4) 47.Tb6] 1–0 António P. Santos

BRIDGE Contrato –Contrato 3ST por Sul. Saída de Oeste ao quatro de Espadas

3 ALGARISMOS

6 ALGARISMOS

4 ALGARISMOS

2064763-3878103-4401465-6518224.

113-161-182-244-265-279-316-347-368-423-471492-554-575-589-626-657-678-733-781-864885-936-967. 1245-2747-3152-3652-3963-4871-5162-56446076-6319-6655-7253-7688-8135-8847-9421.

180433-222372-361651-402627-420165-476729576200-615790-666145-710243-761409-961983.

7 ALGARISMOS

5 ALGARISMOS

12415-13730-24776-32503-34704-48274-4996755931-65346-71228-78828-80836.

Torneio do clube, N/S vulnerável, Norte abriu numa Copa, Este passou, em Sul marcou dois Ouros, em frente repetiu Copas, fechou em 3ST. Oeste saiu ao sete de Espadas, jogou o dez da mesa, seis à direita. Depois desse início pode contar três vazas em Espadas, mais cinco em Copas se estiverem 3/3 e uma em Ouros. Mas como as probabilidades não são propriamente favoráveis convinha manter algumas opções de reserva, como por exemplo os Ouros 3/3. Qual teria sido o seu plano de carteio?

CAÇA-PALAVRAS Procure e marque no diagrama de letras todas as palavras em destaque e ordenadas BIAXIAL CEBOLAL DEBALDE EJECTOR FECHADO GELATINA HEMATIA

SOLUÇÕES BRIDGE

CAÇA-PALAVRAS

Um caminho possível é começar por vir à mão no ás de Espadas para cruzar um Ouro para a dama, que fez. A seguir a dama de Espadas para fora, Este entrou com o ás e atacou de valete de Ouros, baixou-se na mão, Oeste fez o ás e após alguma meditação voltou uma Copa. Deixou correr para a dama da mão, depois bateu o rei de Ouros entretanto firme e continuou Copas, quando o naipe se revelou bem distribuído tinha cumprido com vaza a mais: três Espadas, cinco Copas e dois Ouros, um top absoluto. Parabéns!

ATENTADO

INALADO JEOVISTA LEBRADA

NÚMEROS CRUZADOS

MEALHA NEBRINA OBJECTO REAGENTE SECATURA TEBAICO VEGETAL ZEBRUNO

XADREZ

1.Dh8!! [Ameaça Th4#] 1...Txh8 [1...Tf2+ 2.Tf4#] 2.Ce2#

PECANTE


Quarta-feira _14 de dezembro de 2016. Diário de Notícias

MUNDO

29

Trump entrega diplomacia ao escuteiro que é amigo de Putin e CEO da Exxon EUA. Presidente eleito garante que a carreira de Rex Tillerson é a “realização do sonho americano”. Moscovo saúda um “profissional”

Em 2011, Rex Tillerson viajou até Sochi, no mar Negro, para assinar com o presidente russo Vladimir Putin um acordo de parceria entre a ExxonMobil, a petrolífera que liderava desde 2006, e a estatal russa Rosneft para a exploração do petróleo do Ártico. Mas as sanções económicas impostas à Rússia depois da anexação da Crimeia em 2014 e do conflito no Leste da Ucrânia atrasaram a colaboração. Com Tillerson escolhido por Donald Trump para secretário de Estado, não faltam agora críticos a denunciar um conflito de interesses. Como chefe da diplomacia americana, o texano de 64 anos tem poder para defender o fim das sanções, beneficiando a empresa para a qual trabalhou toda a vida. “A carreira de Rex Tillerson é a realização do sonho americano”, afirmou Trump no comunicado que anunciava a escolha do CEO da Exxon para secretário de Estado. Para o presidente eleito, “a sua tenacidade, vasta experiência e profundo entendimento da geopolítica tornam-no uma excelente escolha” para chefiar a diplomacia americana. Trump alargou os elogios ao Twitter, onde lembrou que o que mais gosta em Tillerson é “que tem vasta experiência a lidar com todo o tipo de governo estrangeiro”. Nascido e criado em Wichita Falls, o escuteiro (presidiu à associação dos escuteiros da América entre 2010 e 2012) formou-se em Engenharia Civil na Universidade do Texas em Austin em 1975. Logo nesse ano entrou para a Exxon, tendo subido nas fileiras da empresa até chegar à presidência em 2006. Nas mais de quatro décadas à frente da petrolífera descendente da

A ligação de Rex Tillerson aos escuteiros vem desde a infância e entre 2010 e 2012 presidiu à associação de escuteiros da América. Antiga também é a relação com Vladimir Putin, que conhece desde os anos 1990

RIA NOVOSTI/REUTERS

HELENA TECEDEIRO

Standard Oil de John D. Rockefeller, Tillerson teve de lidar com os líderes de vários países onde a empresa tem interesses. Do Qatar à Nigéria, da Guiné Equatorial ao Sudão, passando, claro, pela Rússia. Segundo Steve Coll, autor de Private Empire: ExxonMobil and American Power (Império Privado: ExxonMobil e o Poder Americano), Tillerson não hesitava, como empresário, em ignorar a posição oficial dos EUA para chegar a um acordo vantajoso. É o que terá feito no Iraque quando assinou um acordo com o governo regional do Curdistão, ultrapassando o governo de Bagdad e só depois dando satisfações à administração Obama. “Tillerson privilegia os negócio com países com estabilidade política, mesmo que essa estabilidade seja alcançada através de métodos autoritários”, explica Coll num artigo na revista The NewYorker. A escolha de Tillerson para secretário de Estado foi saudada pelo Kremlin, que em comunicado elogiou um “profissional” que tem “boas relações de trabalho” com o presidente Putin – os dois conhecem-se desde os anos 1990, quando Tillerson supervisionou um projeto da Exxon na ilha russa de Sacalina. E o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, disse por seu lado, esperar que o “pragmatismo” do texano seja “uma base sólida para o desenvolvimento de relações mutuamente benéficas para a cooperação russo-americana e para a resolução dos problemas internacionais”. A relação entre EUA e Rússia tem vindo a degradar-se nos últimos anos, quando à visível tensão entre Barack Obama e Putin se juntaram a anexação da Crimeia, o conflito na Ucrânia e posições divergentes sobre a guerra na Síria.

Durante a campanha, Trump garantiu que a aproximação a Moscovo é uma das suas prioridades. E Tillerson será, sem dúvida, o homem certo para a liderar. Afinal até recebeu de Putin, em 2013, a Ordem da Amizade, condecoração atribuída a estrangeiros que se destacaram

Em 2013, Tillerson recebeu do presidente Vladimir Putin a Ordem da Amizade

através de esforços para melhorar a relação com a Rússia. Mesmo qualquer tentativa para aligeirar as sanções contra Moscovo contará com a oposição de França e Alemanha. Mas o novo chefe da diplomacia terá mais desafios pela frente. A começar pela crescente irritação de Pequim com Trump depois de este ter atendido um telefonema da

presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, e de ter posto em causa a política de uma só China seguida pelos EUA desde 1979. Ontem, Pequim voltou a avisar: quem ameaçar os seus interesses em Taiwan estará a “erguer uma pedra que lhe vai esmagar os pés”. Síria, nuclear iraniano e acordos sobre o clima são outros dossiês que irão parar às mãos deste pai de família – tem quatro filhos – cujas posições em termos de política externa são pouco conhecidas. Críticas republicanas Tillerson está, portanto, longe de ser uma escolha unânime, inclusive entre os republicanos. Um dos maiores críticos é o senador John McCain. Candidato presidencial em 2008, o veterano da guerra do Vietname repetiu na CNN que “este homem [Putin] é um bandido e um assassino, não vejo como é que se pode ser amigo de um antigo agente do KGB”. Uma opinião partilhada pelo senador Marco Ru-

bio, rival de Trump nas primárias republicanas deste ano. “Ser amigo de Vladimir não é uma característica que eu esperava num secretário de Estado”, admitiu o representante da Florida. E quem confirma a proximidade com o líder russo é o próprio Tillerson, que em fevereiro, numa comunicação aos alunos da Universidade do Texas, garantia: “Tenho uma relação muito próxima com” Putin. “Não concordo com tudo o que ele faz. Não concordo com o que muitos líderes fazem. Mas ele compreende que sou um empresário. Investi, a nossa empresa investiu muito dinheiro na Rússia de forma muito bem-sucedida”, explicou. As posições duras de alguns senadores antecipam um processo de aprovação do nomeado pelo Congresso que se adivinha mais difícil do que seria de esperar num Congresso dominado pelos republicanos. Isto num momento em que se multiplicam os apelos a uma investigação aos alegados atos de pirataria informática de hackers russos nas presidenciais, para favorecer Trump. “Teorias da conspiração”, desvalorizou o presidente eleito. A pouco mais de um mês da posse, a equipa de Trump começa a ganhar forma, com o ex-governador do Texas Rick Perry a ser o último nome falado para a administração. Deverá, segundo fontes citadas pelo The Washington Post, ser secretário da Energia, um departamento que em 2011 ameaçou abolir.


MUNDO

30

Quarta-feira _14 de dezembro de 2016. Diário de Notícias

Yazidis exigem Estado Islâmico nos tribunais

REUTERS/VINCENT KESSLER

SAKHAROV As duas yazidis que venceram o Prémio Sakharov, atribuído pelo Parlamento Europeu, apelaram ontem em Estrasburgo para que os líderes do Estado Islâmico sejam julgados por um tribunal internacional. As iraquianas Nadia Murad, de 23 anos, e Lamiya Aji Bashar, de 18 anos, foram escravas sexuais do grupo extremista até conseguirem fugir. “É preciso levá-los ao TPI porque o nome Daesh [acrónimo árabe do grupo] pode desaparecer, mas os seus efeitos vão perdurar enquanto não tiver sido feita justiça”, disse Murad. “Mais de 3500 mulheres e crianças estão presas como escravas”, contou Bashar, que ficou com o rosto desfigurado na explosão de uma mina na fuga. Na véspera de receber o prémio, reuniu-se com o irmão mais novo, que estava há 18 meses num campo de refugiados.

Espanha quer acabar com a siesta e mudar para a hora de Portugal Proposta. Governo de Rajoy quer fim da jornada laboral às 18.00 e está a estudar alterar o fuso horário. PSOE e Podemos estão contra, dizendo que não é prioritário. Ciudadanos aplaude SUSANA SALVADOR

“O que muita gente gostaria era de estar a trabalhar às 18.00”, reagiu o Podemos à ideia da ministra do Trabalho e da Segurança Social espanhola, Fátima Báñez, de instituir as seis da tarde como o final da jornada laboral, acabando com a pausa para a tradicional siesta. Também os socialistas são críticos da proposta, dizendo que em matéria de emprego a prioridade devia ser garantir que os espanhóis têm “um trabalho onde entrar de manhã e sair à tarde que seja digno, com salário decente e não totalmente precário”. A taxa de desemprego em Espanha tem vindo a cair, mas é ainda a segunda maior da Europa (19,2%), o que significa que há 4,3 milhões de pessoas sem um trabalho. Na segunda-feira, a ministra disse na Comissão de Trabalho e Segurança Social do Congresso que o governo quer que “a jornada de trabalho em Espanha, com carácter geral, acabe às 18.00”, estando também “a estudar a possibilidade demudar o fuso horário”. Espanha já teve a

mesma hora de Portugal e do Reino Unido (o que seria mais correto do ponto de vista geográfico), mas em 1942 o ditador Francisco Franco resolveu adiantar os relógios uma hora para estar em sintonia com o fuso horário que o amigo Adolf Hitler tinha imposto nos territórios ocupados pela Alemanha nazi. A questão central, para já, é a alteração da jornada de trabalho – uma das promessas de campanha do primeiro-ministro Mariano Rajoy. O objetivo, segundo a ministra, é permitir a “conciliação e racionalização dos horários” e garantir melhor qualidade de vida. “Queremos que o nosso dia de trabalho acabe às 18.00 e para conseguir isto vamos trabalhar para um acordo com os representantes tanto das empresas como dos sindicatos”, disse a ministra no Congresso, acrescentando, mais tarde, aos jornalistas que a conciliação “não é utopia”. Mas a oposição não parece disposta a fazer alterações ou pelo menos não se mostra preocupada com o tema. O porta-voz do PSOE na comissão, Rafael Simancas, disse aos jornalistas no final da reunião que a

aposta do governo em matéria de emprego devia ser garantir que os espanhóis têm um trabalho “digno, com salário decente”, que não seja precário. Para o socialista, a ideia de conciliação é um “título fácil e um pouco frívolo”, tendo em conta “o sofrimento de muitas pessoas em Espanha por causa da precariedade e da pobreza laboral”. O Ciudadanos, que apoiou a investidura de Rajoy, é o único partido dos grandes a aplaudir a medida. “Tudo o que seja conjugação da vida laboral e familiar parece-nos perfeito”, afirmou o

Ministra do Trabalho, Fátima Báñez, apresentou medidas

porta-voz do partido na comissão. Além de acabar a jornada laboral mais cedo, a ministra também defendeu que o pacto poderia incluir outras medidas, como a “bolsa de horas”, para que os trabalhadores tenham tempo para gerir assuntos pessoais, “mecanismos de flexibilização” e “a implementação de fórmulas de teletrabalho”. Estas são propostas que apareciam não só no programa do Partido Popular como também no pacto assinado com o Ciudadanos, que permitiu o voto positivo dos deputados desta formação política à investidura de Rajoy (que contou também com a abstenção socialista). O acordo incluía ampliar as licenças de paternidade para as quatro semanas. O presidente da Comissão da Racionalização dos Horários Espanhóis, José Luis Casero, concorda com o fim da jornada laboral às 18.00, tendo dito ao jornal espanhol ABC que isso era algo que já pedem há muito tempo. E defende que as empresas que implementem esse horário tenham direito a benefícios a nível dos impostos. “As famílias pedem soluções, os solteiros recla-

mam tempo para viver e todos somos conscientes de que não somos máquinas, mas seres humanos, e que podemos organizar-nos de forma diferente sempre e quando os agentes implicados também estejam a favor. Conciliar é melhorar a produtividade, é melhorar o nosso estado de saúde e a nossa educação, porque teremos tempo para trabalhar e tempo para viver”, disse. Horários Segundo um estudo de 2015 da Fundação BBVA sobre o uso do tempo na vida quotidiana, com base em dados da Eurostat, os espanhóis acordam às 07.30 e trabalham entre as 09.00 e as 14.00, fazendo uma pausa de duas horas (em que podem incluir a tradicional siesta). Só acabam o trabalho às 20.00, acabando por jantar entre as 21.00 e as 22.00, dedicando as duas horas seguintes ao lazer (TV e internet) antes de ir dormir. Em comparação, por exemplo, na Alemanha os despertadores soam às 06.00, trabalha-se das 07.30 às 16.30 (com meia hora de almoço ao meio-dia) e janta-se às 18.00. Os alemães dormem pelas 22.00. As duas horas de pausa para almoço em Espanha são ainda um resquício do sistema instaurado no pós-Segunda Guerra, quando os homens se viram obrigados por causa da escassez económica a ter dois empregos. Assim, segundo um exemplo dado pelo El País, um trabalhador da banca trabalhava das 09.00 às 15.00 na sucursal do banco e das 16.00 às 20.00 numa gestora. Isso atrasou os horários das refeições, já que a família não jantava enquanto ele não chegasse a casa.


Quarta-feira _14 de dezembro de 2016. Diário de Notícias

MUNDO

31

Sucessão de Michel Temer de volta à agenda política

CENÁRIOS

Brasil. Contaminado pela Lava-Jato, presidente será incapaz de recuperar economia, acusa

› Se Michel Temer renunciar ao

Crise no governo Temer trava a economia e acelera especulações sobre a saída do presidente

Renuncia ao cargo até final do ano cargo até dia 31 deste mês, como pede declaradamente a oposição e veladamente parte da base de apoio do governo, serão marcadas eleições presidenciais diretas nos próximos 90 dias. Até lá, Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados citado na Lava-Jato, assume o governo provisório. Temer, porém, não falou ainda em renúncia. E a campanha correria paralela às delações dos executivo da Odebrecht que devem contaminar eventuais candidatos.

a oposição e concorda, em surdina, parte da sua base. Mas eleições só são possíveis até dia 31 JOÃO ALMEIDA MOREIRA, São Paulo

Presidente demite-se depois de dia 31 › Caso Temer decida renunciar depois de dia 31 ou o Tribunal Superior Eleitoral resolva anular a sua eleição em 2014, com base em irregularidades de campanha, é ao Congresso Nacional que compete eleger o sucessor, porque a Constituição prevê que substituições nos dois últimos anos de mandato são indiretas. Mas quase metade dos congressistas por já ser ou, como se espera, vir a ser atingida pelos delatores da Lava-Jato terá legitimidade de escolha ferida. EPA/FERNANDO BIZERRA JR

Citado 44 vezes na megadelação premiada por executivos da construtora Odebrecht, Michel Temer (PMDB) está definitivamente associado à Operação Lava-Jato desde esta semana. Além disso, o presidente da República sofreu queda de 20 pontos percentuais na taxa de aprovação que o coloca a níveis de popularidade “abaixo de Dilma”. Finalmente, a economia, passados cem dias de governo efetivo, não recupera e pode, dado o somatório de crises, não recuperar enquanto Temer ocupar o Planalto. Somados estes problemas, a substituição do chefe do Estado volta à agenda política – e, por motivos de ordem constitucional, com urgência. Diz a Constituição brasileira que só podem ser convocadas eleições presidenciais diretas nos dois primeiros anos de mandato. Temer tomou posse, como vice-presidente de Dilma Rousseff (PT), no primeiro dia útil de janeiro de 2015, o que implica que os dois primeiros anos desta legislatura terminam a 31 de dezembro – dentro de 17 dias. A partir daí, o presidente do Brasil será eleito, de forma indireta, isto é, por votação dos deputados e dos senadores, a não ser que se votasse uma emenda constitucional. Na edição de ontem do jornal de maior circulação do país, o Folha de S. Paulo, dois colunistas abordam o tema. “Só um presidente com voto pode dar alento à vida nacional. Eleito com base em ideias para tirar o Brasil do buraco, ele poderá governar de verdade, abreviando o suplício nacional. Fora, Temer”, escreve o jornalista Mário Sérgio Conti. O filósofo Hélio Schwartsman, por sua vez, num texto cujo título é “encalacrados”, lembra que, na prática, o caminho da substituição é difícil. “Nada indica que Temer vá renunciar antes de 31 de dezembro. Mesmo que isso ocorresse, os partidos não estão prontos para um pleito dentro de poucos meses. Eles não sabem nem mesmo que nomes poderiam lançar que não corram o risco de ser engolidos por condenações judiciais. Mas uma renúncia de Temer a partir de 2017, não refrescaria muito as coisas porque levaria a uma eleição indireta feita por um congresso no qual parlamentares – fala-se em centenas – estão sob suspeita.” Mas a discussão não se reduz à imprensa. Em Brasília, além dos pe-

Presidente brasileiro, Michel Temer, viu a sua popularidade sofrer uma queda de 20 pontos

LAVA-JATO

Lula é indiciado por Sérgio Moro › Lula da Silva foi indiciado, acusado de corrupção passiva, pelos investigadores da Operação Lava-Jato, conduzida pelo juiz Sérgio Moro, por dois casos distintos: o primeiro a propósito da aquisição de um terreno para construção do Instituto Lula e o segundo sobre aluguer de um apartamento. Segundo a Polícia Federal ambos os casos são fruto de suborno por parte da construtora Odebrecht. A mulher do ex-presidente brasileiro e ex-líder do Partido dos Trabalhadores, Marisa Letícia, o ministro das Finanças na gestão do antigo presidente, Antonio Palocci, foram igualmente indiciados mas por lavagem de dinheiro.

didos formais de renúncia de Temer, que partem do PT e restante oposição, nos bastidores do Palácio do Planalto e do Congresso Nacional, uma alternativa de curto prazo ao presidente começa a ser discutida até pela base do governo. Nesse caso, dois nomes surgem desde já nos corredores, de acordo com a colunista do jornal Folha de S. Paulo Mônica Bergamo: o de Nelson Jobim, 70 anos, cinco a menos do que Temer, e o de Fernando Henrique Cardoso, 85, dez a mais. Questionado nesse sentido em entrevista ao DN em outubro, Cardoso, presidente da República de 1994 a 2002, negou: “Desde que deixei a presidência disse e me dispus a não mais me candidatar a postos eletivos, acho salutar a alternância, não só de partidos no poder mas de gerações, e porque haveria eu de me candidatar quando no meu partido há pelo menos três nomes disponíveis (há até mais...)?” Com os rumores a aumentarem, o antigo chefe do Estado reafirmou ao jornal O Estado de S. Paulo que não é candidato. “Qualquer especulação sobre eu

poder vir a ser presidente só vai atrapalhar e diminuir a confiança, ouvi no outro dia o Lula [ex-presidente, do PT] a dizer que eu estou a trabalhar para ser presidente, é porque não me conhece, ele é que é candidato permanente, eu não.” Nelson Jobim, por sua vez, é especulado por ter bom trânsito à direita, à esquerda, e no poder judicial, legislativo e militar. Foi ministro da Justiça de Fernando Henrique Cardoso, da Defesa nos consulados dos petistas Lula e Dilma, além de presidente do Supremo Tribunal Federal e deputado por duas legislaturas. Entretanto, Temer não se pronunciou sobre a possibilidade de renúncia. O presidente queixou-se sim em carta ao procurador-geral da República de que as fugas de informação “das supostas colaborações premiadas” vêm provocando “interferência” na condução de políticas públicas acirrando as crises económica e política e gerando “desconfiança e incerteza”, sugerindo, por isso, a anulação dos depoimentos.

Emendar Constituição para ter eleições › Aprovar uma emenda à Constituição que permita a realização de eleições mesmo nos dois últimos anos de mandato, no caso em 2017. Dois deputados favoráveis ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff entraram com um pedido de emenda nesse sentido em junho mas que está travada, alegam Miro Teixeira (Rede) e Espiridião Amin (PP), por pressão do governo. Para a emenda ser aprovada são necessários os votos de dois terços dos parlamentares brasileiros.

Temer, do PMDB, fica até outubro de 2018 › Em nome da estabilidade política do Brasil, o presidente Michel Temer cumpre o mandato até outubro de 2018, quando estão marcadas novas eleições. Nesse caso, a economia, principal razão da queda da ex-presidente brasileira Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores, pode continuar sem dar sinais de recuperação, dada a baixa popularidade do governo e o envolvimento do seu núcleo de comando com o escândalo de corrupção Lava-Jato.


Quarta-feira _14 de dezembro de 2016. Diário de Notícias

MUNDO

32

Destino dos civis não parece certo, pois os países que assinaram o cessar-fogo – Rússia e Turquia – têm opiniões diferentes

Navalny anuncia candidatura às presidenciais de 2018

REUTERS/ABDALRHMAN ISMAIL

RÚSSIA Opositor de Vladimir Putin tem um nível de aprovação de 86%, mas poderá ser retirado da corrida devido a problemas judiciais

Resistência termina com denúncias de execuções de civis em Aleppo Síria. Acordo de cessar-fogo vai permitir saída de combatentes rebeldes. ONU acusa forças do regime de terem matado dezenas de pessoas ANA MEIRELES

A resistência rebelde em Aleppo parece ter ontem chegado ao fim, depois de anos de luta contra o regime de Bashar al-Assad e meses de cerco e bombardeamentos que culminaram nesta semana com um sangrento ataque final do Exército sírio e seus aliados, levando os opositores a aceitar abandonar a cidade durante um cessar-fogo. No entanto, as condições do acordo parecem não ser claras para todas as partes sobre se os civis podem ou não sair. A ONU alertou ontem para o facto de as forças pró-governo terem executado pelo menos 82 pessoas nos bairros que tinham recuperado. Um oficial do grupo rebelde Jabha Shamiya disse ontem que o primeiro grupo de civis deveria abandonar a zona da cidade controlada pelos rebeldes nas próximas horas, “a menos que aconteça algo novo”. Este responsável adiantou que as cerca de 50 mil pessoas que se estima ainda estarem no enclave dos rebeldes deverão abandonar a área, sendo transportadas para a parte

oeste da cidade, e que os feridos deverão ser os primeiros. No entanto, o embaixador russo junto das Nações Unidas afirmou ontem que o acordo para os combatentes rebeldes abandonarem o seu último reduto em Aleppo não é aplicável a civis. “Agora vai estar sob o controlo do governo sírio, por isso não há necessidade de os restantes civis saírem e estão a ser acionados dispositivos humanitários. Os nossos militares que estão no terreno não estão a verificar abusos ao nível do direito humanitário internacional”, declarou Vitaly Churkin antes da reunião de emergência do Conselho de Segurança. “O acordo é para os combatentes partirem. Os civis podem ficar, podem ir para locais seguros, podem usufruir dos dispositivos humanitários que estão no local. Ninguém irá fazer mal aos civis”, acrescentou. Entendimento diferente parece ter a Turquia – país que, a par da Rússia, negociou o cessar-fogo. De acordo com uma fonte do governo turco, civis e combatentes rebeldes que desejem abandonar o local poderão fazê-lo de autocarro para Idlib, uma cidade a 59 quilómetros

A TER EM CONTA

82

› civis mortos na segunda-feira Informações dadas ontem pela ONU dão conta que as forças pró-governo mataram 82 civis na segunda-feira, incluindo 11 mulheres e 13 crianças.

312 001

› mortos desde o início do conflito Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, entre 18 de março de 2011 e ontem já morreram 312 001 pessoas – 90 506 eram civis.

4 810 710 › refugiados sírios registados

De acordo com o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados, até ao dia 4 existiam 4 810 710 refugiados sírios registados – 51,5% são homens.

a sudoeste de Aleppo, até quarta-feira à noite. O mesmo responsável adiantou que, segundo o acordo ontem alcançado, os rebeldes poderão levar consigo armas ligeiras. A situação dos civis é uma das grandes preocupações da ONU, que denunciou ontem que as forças que apoiam o regime sírio executaram na segunda-feira pelo menos 82 pessoas – entre os quais 11 mulheres e 12 crianças – nos bairros de Bustan al-Qasr, Al-Ferdius, Al-Kalleseh e Al-Saleheen, zonas que tinham reconquistado aos rebeldes. “Fomos informados de que forças pró-governamentais entraram em casas e mataram os civis que lá se encontravam, incluindo as mulheres e as crianças”, disse ontem o porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, Rupert Colville, esclarecendo que por forças pró-governamentais queria dizer uma “mistura do exército sírios e de milícias”. Colville indicou que, segundo informações de várias fontes, “dezenas de civis foram abatidos a tiro na Praça Al-Ahrar no bairro de Al-Kalleseh e também no bairro de Bustan al-Qasr, por forças governamentais e seus aliados, incluindo, aparentemente, o grupo armado iraquiano Al-Nujabaa”. “As forças governamentais e os seus aliados estão também supostamente a entrar em casas civis e a matar pessoas”, descrevia ontem um comunicado do mesmo organismo. Temendo o pior, muitos moradores do enclave rebelde partilharam na internet vídeos de despedida. “Este pode ser o meu último vídeo. Mais de 50 mil civis que se rebelaram contra o ditador Assad são ameaçados com execuções ou estão a morrer no bombardeamento”, dizia no seu vídeo Lina Shamy, uma ativista.

Alexei Navalny, um dos principais opositores russos, anunciou ontem que vai candidatar-se às eleições presidenciais de 2018, nas quais Vladimir Putin deverá tentar conquistar um quarto mandato. “Eleições presidenciais realizar-se-ão no nosso país em 2018 e decidi participar nelas”, declarou num comunicado enviado aos seus apoiantes. Advogado e bloguista anticorrupção com tendências nacionalistas, Navalny poderá, no entanto, ser proibido de se candidatar devido aos numerosos problemas com a justiça, que ele denuncia como tentativas de o impedir de participar na vida política. O seu nível de aprovação é de 86%, de acordo com a empresa de sondagens independente Levada. Navalny, 40 anos, que em outubro de 2013 obteve 27,2% nas eleições municipais em Moscovo, impôs-se nos últimos anos como um dos principais opositores de Vladimir Putin. Tem entrado e saído da prisão ou estado em prisão domiciliária, geralmente por participações em concentrações não autorizadas. Em 2013 foi condenado a cinco anos de prisão por ter organizado em 2009 o desvio de cerca de 400 mil euros de uma sociedade pública de exploração florestal quando era consultor do governador da região, mas a pena passou a suspensa em recurso. No final de 2014 foi também condenado a três anos e meio de pena suspensa por ter desviado, segundo a acusação, perto de 400 mil euros de uma filial russa da empresa francesa Yves Rocher. Em novembro, o Supremo Tribunal russo anulou a condenação decretada em 2013, considerada arbitrária pelo Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, mas ordenou a repetição do julgamento em primeira instância. “Sei como será difícil opor-se ao poder atual e à sua máquina de propaganda. Compreendo muito bem que mesmo ser candidato não será simples”, sublinhou o opositor. Liberal e favorável a uma aproximação aos ocidentais, Alexei Navalny também tem participado regularmente em manifestações de cunho racista, como a Marcha Russa, e foi excluído em 2007 do partido da oposição liberal Iabloko pelas suas tomadas de posição nacionalistas. A.M.


Quarta-feira _14 de dezembro de 2016. Diário de Notícias

PUBLICIDADE

33


ARTES

34

Quarta-feira _14 de dezembro de 2016. Diário de Notícias

Há 50 anos Salazar quebrou um mito e nasceu o Panteão Nacional Exposição. A espada dita de D. Afonso Henriques e as chuteiras de Eusébio podem ser vistas em Reis e Heróis – Os Panteões em Portugal, que inaugura hoje e celebra os 100 anos da escolha da igreja, 50 de Panteão e 180 do decreto MARIANA PEREIRA

A mostra conta com objetos que identificam os heróis do Panteão Nacional: a guitarra que Amália usou n’A Severa, as chuteiras de Eusébio, um candeeiro de Aquilino Ribeiro ou o capelo de Sidónio Pais

FOTOS GUSTAVO BOM / GLOBAL IMAGENS

Visitar a exposição Reis e Heróis – Os Panteões em Portugal no Panteão Nacional implica tanto percorrer uma grande parte daquele edifício como atravessar equivalente parte da História de Portugal. Comecemos pelo edifício, que há 50 anos guarda uma constelação de heróis do país. Se o faz ali é devido a uma decisão tomada há cem anos no Parlamento, ditando que seria naquela igreja, a de Santa Engrácia, que tomaria forma aquilo a que Passos Manuel, então ministro do Reino, decretou há 180 anos como necessário: um panteão. As três efemérides comemoram-se na exposição que se inaugura hoje. Percorremo-la guiados pela diretora do Panteão Nacional, Isabel Melo, e pela comissária da mostra – a par de Clara Moura Soares –, Maria João Neto. “Não havia mitos invencíveis para Salazar, e este era um mito”, lança a primeira, referindo-se à obra da igreja de Santa Engrácia, que esperava desde 1682 a sua conclusão e que desde aí, sem cúpula, fora “depósito de fardamento e armamento e fábrica de calçado durante a Primeira Guerra Mundial”. “Salazar visita o monumento em 1964 e terá perguntado ao então responsável pelas obras: ‘O que é que é preciso para terminar Santa Engrácia?’ ‘É preciso dinheiro e alguém que mande.’ Ele disse: ‘O senhor vai mandar e eu vou-lhe dar o dinheiro.’” Assim foi. Em 1966, no 40.º aniversário do regime – fragilizado pela Guerra Colonial e pela candidatura de Humberto Delgado à presidência –, o Panteão Nacional era inaugurado (tal como a Ponte 25 de Abril, então Ponte Salazar), e terminava o mito das obras de Santa Engrácia, que se transformaram num adágio para tudo o que é moroso na sua finalização. Salazar mostrava, nota Maria João Neto, que “o Estado Novo conseguia terminar em dois anos o que em mais de dois séculos e meio ninguém havia conseguido”. Essa relação com o regime, nota, “trouxe uma conotação um pouco negativa a este espaço. Ainda hoje é um monumento pouco visitado

[por portugueses]”. Para a diretora há ainda outra razão para a fraca afluência de visitantes nacionais: “O sentido da morte é uma coisa com que lidamos com muita dificuldade. Mas este não é um lugar de morte, aqui celebra-se a vida.” Ali, onde agora, com a exposição, é possível percorrer a história dos restantes panteões do país: nos mosteiros de Santa Cruz de Coim-

bra, de Alcobaça, da Batalha, e, em Lisboa, dos Jerónimos e de São Vicente de Fora. “Cada dinastia”, afirma a comissária, “procurou o seu espaço próprio” para ali ser sepultada. Vemos a espada dita de D. Afonso Henriques – habitualmente em depósito no Museu Militar do Porto –, ou uma réplica de medalhões que faziam parte do túmulo original de

D. Sancho I, dois reis sepultados no Mosteiro de Santa Cruz. Mais à frente: uma réplica da estátua de D. Manuel I que figura no portal dos Jerónimos. No núcleo seguinte estão os heróis. “O panteão de heróis é algo muito próprio da Revolução Francesa, nasceu nessa altura para eles serem homenageados, quase até adorados, num espaço público.

Mas não como santos, quase como uma alternativa num Estado laico”, explica Maria João. Ali estão, um por um e com objetos que lhes dizem respeito, aqueles que agora moram no Panteão Nacional. Está a guitarra que Amália usou n’A Severa – o seu túmulo nunca está sem flores –, ou as chuteiras que Eusébio usou no jogo do campeonato do mundo de que sairia a chorar. Curiosamente, foi também em 1966. Portugal perdia em Wembley contra a Inglaterra e falhava a final do torneio. Também ali está a borla e o capelo do presidente Sidónio Pais, que poucos conhecerão como catedrático de Matemática, um candeeiro de Aquilino Ribeiro ou objetos que reconhecem Humberto Delgado como general da Força Aérea e candidato presidencial. REIS E HERÓIS – OS PANTEÕES EM PORTUGAL A exposição pode ser vista no Panteão Nacional até 7 de maio. De terça-feira a domingo, entre as 10.00 e as 18.00. Bilhetes: 4 euros/gratuito nos primeiros domingos de cada mês.


Quarta-feira _14 de dezembro de 2016. Diário de Notícias

ARTES

35

Jane Birkin, a musa que se tornou herdeira

Jane chamou a si a responsabilidade de não deixar apagar a memória Serge Gainsbourg. Em 1996 lançou um disco de estúdio com clássicos do autor

Aniversário. Provou que a controvérsia pode

JOÃO GOBERN

Nada há de mais preconceituoso do que sentenciar que uma mulher de êxito conta sempre com a ajuda de um Pigmalião: multiplicam-se os exemplos que vão em sentido contrário. De alguma forma, até Jane Mallory Birkin, nascida há 70 anos no elegante bairro londrino de Marylebone, pode defender-se dessa dependência com o argumento de que já tinha um currículo antes de os seus destinos se cruzarem com os de Serge Gainsbourg, com quem viveu, trabalhou e partilhou uma filha (a polivalente atriz e cantora Charlotte Gainsbourg). Basta pensar em dois filmes icónicos: História de Um Fotógrafo (Blow-Up), de Michelangelo Antonioni, ainda rodado em Londres, e A Piscina, de Jacques Deray, que aproveitou bem o cenário de Saint-Tropez, já depois de Birkin ter optado por atravessar o canal da Mancha em busca de novos horizontes, e que a pôs face a face com consagrados como Alain Delon, Romy Schneider e Maurice Ronet. Na vida real, Jane já era mãe, de Kate (que morreu em dezembro de 2013), nascida do casamento da atriz com John Barry, compositor inglês que se celebrizou, por exemplo, com a autoria do tema musical de James Bond ou com as bandas sonoras de África Minha e Danças com Lobos. Ao contrário do que podem presumir os mais idealistas e românticos, a relação de Jane Birkin com Serge Gainsbourg não foi tiro e queda (ou, como diriam os franceses, um coup de foudre): quando se juntaram para as filmagens de Slogan, de Pierre Grimblat, Serge atravessava uma das (muitas) fases de impaciência, agravada pela sua rutura sentimental com a voluptuosa Brigitte Bardot. Curiosamente, apenas quatro anos depois, em 1973, BB e Birkin partilhariam – e de forma ativa – a mesma cama, num filme de Roger Vadim, Se D. Juan Fosse Mulher. Ironias do destino…

Voltando a Grimblat, coube-lhe o papel de casamenteiro: preocupado com o mau ambiente na rodagem, marcou um jantar com o parzinho e não apareceu, deixando Jane e Serge sozinhos. O resultado não poderia ter sido mais categórico: o casal acabaria por aparecer em conjunto em mais quatro filmes, alguns deles perfeitos para ilustrar um certo espírito de época, como Os Caminhos de Katmandu ou Cannabis. O epílogo deste “casamento” na Sétima Arte dar-se-ia em 1976, quando Gainsbourg, a dirigir a sua primeira longa-metragem, escolheu Birkin para o papel principal de Amor Marginal, cujo título principal já era bem conhecido dos consumidores de música e dos colecionadores de polémicas: Je T’aime… Moi non Plus… Defensora do legado Sete anos antes, pouco tempo depois do tal jantar de descoberta mútua, Serge Gainsbourg tinha apostado o seu peso específico como autor, cantor e agitador, ao eleger Birkin como parceira para o diálogo amoroso (ou sexual) de Je T’aime… Moi Non Plus, uma canção originalmente escrita para Brigitte Bardot e que, de tão “explícita”, acabou por ser condenada por obscenidade pelo jornal oficial do Vaticano, L’Osservatore Romano. Como costuma acontecer nestas ocasiões, a popularidade da cantiga teve direito a um crescimento exponencial, ao passar ao papel de fruto proibido. Chegou para impor o fio de voz de Jane Birkin, um “miado” para uns, um “sussurro sensual” para outros, como marca distintiva para tudo o que se seguiu. Muitas outras se seguiriam – Orang Outan, Ne Dis Rien, Banana Boat, Kawasaki, Lolita Go Home –, algumas delas a tentar recuperar o “âmbito” sexual de Je T’aime – casos de 69 Anée Erotique, La Décadanse ou Mon Amour Baiser. Ora, neste domínio, parece inegável que foi a sombra protetora de Serge que permitiu a

PHILIPPE WOJAZER/REUTERS

ser ótima porta de entrada para as carreiras artísticas. Faz hoje 70 anos e não perdeu o sorriso

Jane uma estabilidade profissional, acompanhada de um progressivo reconhecimento. Em 1971, Gainsbourg e Birkin foram pais de Charlotte, a quem, em 1982, Jane daria mais uma meia-irmã: Lou Doillon, filha da relação com o cineasta Jacques Doillon. Birkin nunca abandonou a sua faceta de atriz, filmando com François Leterrier (Projeção Privada), Michel Deville (O Cordeiro Enfurecido) e, mais tarde, Jacques Rivette

Só subiu ao palco depois dos 40 anos, no (agora tristemente célebre) Bataclan

(Amor de Rastos e A Bela Impertinente, que lançou de vez a figura de Emmanuelle Béart) e até Jean-Luc Godard (Atenção à Direita). O realizador Claude Zidi descobriu e aproveitou os dotes de comediante de Jane, lançando-a como a “sócia” de Pierre Richard, em filmes como A Mostarda Sobe-Me ao Nariz ou A Corrida dos Malucos. – Fora das fronteiras francesas, a atriz agarrou ainda a oportunidade de brilhar em dois argumentos de

Agatha Christie, Morte No Nilo e Morte ao Sol, ambos com Peter Ustinov a dar vida ao detetive belga das “celulazinhas cinzentas”, Hercule Poirot. Hoje, o total é poderoso – nada menos de 77 longas-metragens, a mais recente das quais às mãos de Bertrant Tavernier. Já realizou, também, uma longa-metragem: Boxes, que juntou Geraldine Chaplin, Michel Piccoli e John Hurt no elenco, e chegou a ser nomeada em Cannes. A lista podia ser muito mais extensa se, a partir de 1985, Jane Birkin não se tivesse dedicado também ao teatro, onde – entre outras – já mostrou os seus dotes em peças de Marivaux, Eurípedes e Shakepeare (em Inglaterra). Paralelamente, desde a morte de Serge Gainsbourg, em 1991 (foi há 25 anos mas não parece, tal a atualidade das suas criações), Jane chamou a si a responsabilidade de, não deixando apagar a memória do autor, evitar que a sua obra pudesse ser negligenciada ou adulterada. Lançou, em 1996, um disco de estúdio com clássicos de Gainsbourg revitalizados por novos – e diferentes – arranjadores. Depois, em 2002, protagonizou o espetáculo Arabesques, outra vez com canções de Serge, e passou-o a disco. O que não deixa de ser sintoma de coragem para uma mulher que

só subiu ao palco depois dos 40 anos, no (agora tristemente célebre) Bataclan, em 1987. Já colaborou com grandes de França e internacionais como Brian Molko (dos Placebo), Beth Gibbons (dos Portishead), Rufus Wainwright ou Caetano Veloso. Já recebeu um prémio como cantora nos Victoires de La Musique e foi nomeada como melhor atriz, nos prémios franceses de teatro (Molière) e nos de cinema (César). A marca Hermès lançou, em 1984, uma mala com o seu nome; com o tempo, foi-se tornando uma peça de coleção e, em 2015, um exemplar foi leiloado em Hong Kong, por mais de 200 mil euros. Por essa altura, já a artista tinha pedido à marca que renomeasse a criação, uma vez que utilizava peles de animais. Colaboradora da Amnistia Internacional, foi apoiante de Ségolène Royal nas eleições presidenciais que esta perdeu. Descendente do rei Carlos II, de Inglaterra e da Escócia, é prima do filósofo e escritor Bertrand Russell. Nada disso a impediu de adotar a nacionalidade francesa. Com tudo isto, a tal ideia redutora do “you, Serge; me, Jane” parece mesmo muito curta para uma musa que, afinal, soube transformar-se na guardiã de uma herança.


ARTES

36

Disney segue animada mesmo sem Walt Cinema. 50 anos após a morte do fundador, o império do Rato Mickey controla as produções Pixar e os novos filmes de A Guerra das Estrelas JOÃO LOPES

Walt Disney faleceu no dia 15 de dezembro de 1966, contava 65 anos – faz amanhã meio século. No título do seu obituário, o The New York Times definia-o como alguém que tinha fundado “um império a partir de um rato”. Ele tinha sido, afinal, o criador de “um mundo de desenhos animados com Mickey, Donald ou a Branca de Neve” que se transformara num “negócio anual de cem milhões de dólares”. Para os herdeiros familiares e artísticos, as coisas mudaram. Para melhor, se considerarmos as contas da tesouraria. Assim, segundo projeções estabelecidas por analistas do entertainment (nomeadamente na revista Forbes), o ano de 2016 vai ser mesmo imperial para os estúdios Disney, devendo encerrar com receitas superiores a seis mil milhões de dólares, ou seja, 60 vezes mais do que a performance do seu fundador. São números relativos, importa acrescentar, sendo indispensável ter em conta o valor da inflação ao longo das décadas (calculado a partir da evolução do preço dos bilhetes). Veja-se o exemplo de Branca de Neve e os Sete Anões, primeira longa-metragem de animação produzida por Walt Disney, lançada em 1937. A sua receita de 184 milhões da altura corresponde, de facto, a 938 milhões do tempo presente, colocando-o no décimo lugar dos filmes mais rentáveis de sempre no mercado americano. No Top 100, é mesmo um dos dois únicos títulos da década de 1930; o outro, E Tudo o Vento Levou (1939), com 198 milhões (mais de 1700 milhões na atualidade), continua a ocupar o primeiro lugar, com mais de 200 milhões de “avanço” em relação ao segundo (A Guerra das Estrelas, 1977). Líder de mercado A marca Disney vai terminar 2016 como líder das bilheteiras, devendo a sua performance corresponder a cerca de 25% das receitas do mercado dos EUA. É uma percentagem absolutamente excecional, sejam quais forem os termos de comparação que possamos convocar. A última vez que a Disney surgiu no topo da lista de receitas dos grandes estúdios de Hollywood foi

em 2003 (ano do lançamento de À Procura de Nemo), nessa altura conquistando “apenas” 16,5% do mercado. Acontece que, entre os dez filmes mais rentáveis deste ano, a Disney tem a seu cargo a distribuição de nada mais nada menos que metade: dois desenhos animados (À Procura de Dory e Zootrópolis, respetivamente em primeiro e sexto lugar), duas aventuras de super-heróis resultantes da aliança com os estúdios Marvel (Capitão América: Guerra Civil e Doutor Estranho, segundo e nono) e uma fantasia infantil fabricada com os mais modernos efeitos visuais (O Livro da Selva, quarto lugar na tabela). Poderia o próprio Walt Disney ter previsto tão espetacular evolução? Qualquer resposta será meramente especulativa, mas vale a pe-

Entre os dez filmes mais rentáveis do ano, a Disney distribui metade O novo filme da saga Star Wars chega nesta semana às salas com chancela Disney

na sublinhar algumas significativas diferenças de contexto. Em meados da década de 1960, os seus estúdios enfrentavam uma crise de identidade que está longe de poder ser entendida apenas através dos resultados de bilheteira. Aliás, mesmo o enorme sucesso de um filme como Os 101 Dálmatas (1961), 12.º no top de todos os tempos, foi um fenómeno relativamente isolado num contexto de produção em acelerada transformação (1961 foi também, por exemplo, o ano de West Side Story, um musical decididamente muito para além dos cânones clássicos). Um dos derradeiros projetos que Walt Disney coordenou foi Mary Poppins, cuja estreia ocorreu no verão de 1964 (os bastidores da respetiva produção foram tema do filme Ao Encontro de Mr. Banks, lançado em 2013, com Tom Hanks

a interpretar Disney e Emma Thompson no papel da escritora P. L. Travers). Curiosamente, olhamos agora para Mary Poppins e, tendo em conta as revoluções técnicas dos primeiros anos deste século, não podemos deixar de reconhecer o sentido visionário do próprio Walt Disney, experimentando uma técnica que não era uma novidade – a combinação de atores de carne e osso com figuras animadas –, mas que nunca tinha sido aplicada com tal grau de sofisticação (ganhou o Óscar de melhores efeitos visuais). A marca de Katzenberg Os anos que se seguiram foram de crescente secundarização dos desenhos animados, a ponto de a série de comédias iniciada com Se o Meu Carro Falasse (1968), tendo como inesperado herói um Volkswagen Carocha, ter sido o símbolo mais forte de uma época em que, na paisagem de Hollywood, começavam a emergir nomes como Francis Ford Coppola, Martin Scorsese ou Brian De Palma... Em boa verdade, foi preciso esperar até 1989 para que a “marca” Disney renascesse na animação, graças a A Pequena Sereia, dirigido pela dupla Ron Clements/ /John Musker (a mesma do recente Vaiana). Jeffrey Katzenberg, então diretor do departamento de animação dos estúdios, viria a revelar-se uma personalidade decisiva em todo este processo, tendo presidido à gestação de sucessos como A Bela e o Monstro (1991), Alladin (1992) e O Rei Leão (1994). Mais do que isso, foi ele quem estabeleceu um acordo com os estúdios Pixar que, em 1995, produziriam o filme de onde, por assim dizer, descendem todos os desenhos animados contemporâneos: Toy Story, a primeira longa-metragem de animação totalmente fabricada em computadores. Em 2006, a Pixar acabaria por ser adquirida pela Disney, num negócio de 7,4 mil milhões de dólares. Seis anos mais tarde, foi a vez de a Lucasfilm (de George Lucas) passar a integrar o “império do Rato”, por quatro mil milhões — o novo Rogue One: Uma História de Star Wars chega esta semana às salas com chancela Disney. Algures numa galáxia muito distante, Walt Disney estará a observar, num misto de admiração e perplexidade.

Quarta-feira _14 de dezembro de 2016. Diário de Notícias


Quarta-feira _14 de dezembro de 2016. Diário de Notícias

ARTES

37

O reconhecimento dourado de um criador de sonhos PRÉMIOS. De distinções honorárias a Óscares de competi-

ção, Walt Disney é o recordista das estatuetas douradas Disney, passou despercebida até 1941, ano em que Pinóquio inaugurou essa outra parte do reconhe“Não está orgulhoso, Sr. Disney?”, a cimento artístico dos estúdios, pergunta é de Shirley Temple. “Es- através da canção original When tou tão orgulhoso que acho que You Wish upon a Star. Em tempos vou rebentar.” 23 de fevereiro de de guerra, que bem terá soado esta 1939 é uma data inesquecível entre melodia tranquilizante, repleta de as várias que assinalaram o percur- esperança na letra, a enaltecer a so do consagrado produtor. No concretização dos sonhos… Justamente, Disney não abdicaBiltmore Hotel, em Los Angeles, teve lugar a 11.ª cerimónia de en- va deles, e a determinação absolutrega dos Óscares, na qualWalt Dis- ta em realizá-los teve o momento ney foi alvo de uma das mais belas mais controverso com Fantasia homenagens na história dos pré- (1940), hoje apreciado como a mios (então presididos por Frank obra-prima que é, mas na altura da Capra, a quem se atribuiu a ideia estreia considerado por muitos um criativa): uma estatueta personali- desastre financeiro. O filme exigira zada, que reproduz as persona- um orçamento extremamente elegens de Branca de Neve e os Sete vado para a época, e como chegou Anões – com sete miniaturas em es- às salas americanas numa altura cadinha até à figura dourada prin- em que os EUA enviavam recursos cipal – entregue pela criança predi- para a Europa em guerra, o dinheileta de Hollywood, que se certifi- ro para o entretenimento escasseava. A incrementar cou do amor-próprio a adversidade, o plado homenageado. no da empresa presEra o segundo présupunha exibir Fanmio honorário, de tasia em salas espeentre os quatro com ciais, com equipas que foi agraciado, nuqualificadas para trama lista total de 26 balhar com o dispenÓscares (22 em catedioso sistema de som gorias competitivas, Fantasound… Os rede 59 nomeações), a sultados de bilheteifazer dele o homem ra não acompanhamais galardoado da ram a dimensão do indústria até aos nossos dias. Em 1954, Walt Disney projeto e fizeram tremer a estrutura emMas foi ainda anarrecadou presarial. tes de Branca de Neve quatro Óscares Disney sentiu essa que tudo começou. E como o próprio gostava de lem- falha no fundo do coração, e quanbrar, tudo começou por um rato... do, em 1942, subiu novamente ao Mickey Mouse, a sua genuína cria- palco do Biltmore Hotel para aceição que, em 1932, lhe valeu o pri- tar o Irving G. Thalberg Memorial meiro Prémio Especial da Acade- Award (prémio exclusivo para promia, destinado a notabilizar feitos dutores que demonstrem produque não cabem em nenhuma ou- ção constante de filmes de qualitra categoria (distinção, na altura, dade), deixou-se levar pelas lágrijá feita a Charlie Chaplin, em 1929). mas. “Todos cometemos erros, eu Nesse ano da 5.ª cerimónia, rea- sei, mas foi um erro honesto”, dislizada na atmosfera íntima de um se. Referia-se, claro, a Fantasia, salão de hotel, com transmissão que nesse ano fora distinguido apenas por rádio – longe do apara- com mais um Óscar honorário, to mediático que agora conhece- pelos avanços sonoros, e sobre o mos –, Walt Disney recebia tam- qual já ninguém o censurava. Mas, bém o seu primeiro Óscar pela cur- para Disney, era preciso fechar ta-metragem Flowers and Trees, este capítulo com dignidade. Afipioneira no uso de Technicolor em nal, a sua glória ainda tinha muito cinema de animação. A partir daí, mais a escalar. Logo no segundo ano em que a somaria consecutivas estatuetas, ao longo da década de 1930, em fil- cerimónia dos Óscares foi transmimes curtos, como o famoso Os Três tida pela T, 1954, Disney arrecadou, não uma, não duas, não três… mas Porquinhos (1933). Ao observarmos esta fase inicial quatro estatuetas! Em 1960, comdas suas conquistas, é curioso veri- prou 20 miniaturas do Óscar gravaficar como a música, aspeto intrín- das com o nome dos filmes e ofereseco a qualquer filme com o selo ceu-as à mulher, em forma de colar. INÊS LOURENÇO

O fundador do império do Rato Mickey morreu há 50 anos. Walt Disney deixou uma marca na animação que prevalece até hoje

Monstros, carros e piratas entre os títulos a estrear durante o próximo ano ção que parece recriar uma ideia de talvez não superem o recor- cinema de estúdio e com valores cenográficos. Estreia no mundo inteide de receitas deste ano, ro em março. mas fracasso é palavra que No mês seguinte é tempo de não entra neste estúdio Guardiões da Galáxia 2, de James Gunn, a sequela para o melhor filme Depois do melhor ano de sempre, a da Marvel. Uma comédia de ficção Disney chega a 2017 com desafios científica onde se brincava com fórfortes, sobretudo porque é o ano de mulas de cultura pop. Nesta contiaWarner tentar perceber se tem um nuação, a grande novidade é o tronfilão à la Marvel com Justice League, co Baby Groot, filho do falecido o filme que reúne todos os heróis da Groot e de novo com Vin Diesel nos DC Comics. O poderio do estúdio dotes vocais. Será certamente um do Rato Mickey é tão forte que os fenómeno ainda maior que o origioutros estúdios tiveram de reagir. nal, sobretudo em Portugal onde A Universal, que em 2015 reinou, in- poucos realmente perceberam a vestiu tudo no próximo Fast and the qualidade do filme... Se o mundo estava a precisar de Furious, The Fate of the Furious, com mais Piratas das Caraíbas, ninguém Charlize Theron. sabe, mas a Disney Mas os desígnios aposta forte num dos futuros daWalt Disney seus maiores tesouestão indissociavelmente ligados à Mar- E março estreia-se ros, desta vez apenas vel. Sem os filmes de A Bela e o Monstro, com Johnny Depp e super-heróis os lucros com Emma Watson sem os habituais Keira Knightley e Orlanseriam outros. A boe Dan Stevens do Bloom. Chama-se nança Marvel mudou Homens Mortos não o jogo de Hollywood, o Contam Histórias e é tal game-changer que mudou também a maneira ruidosa realizado pela dupla de Kon Tiki da construção dos espetáculos de ci- – AViagem Impossível, Espen Sandnema global. Os blockbusters fica- berg e Joachim Ronning. Estreia-se ram então mais ruidosos e depen- no verão. Para junho, o maior risco deste dentes da lógica do aparato do efeito visual (salvo raras exceções, com lote de títulos, Carros 3, a continuaargumentos muito infantis e a pen- ção da animação que chegou a desder para a exaltação da destruição). lumbrar no primeiro capítulo e que Outra das tendências da Disney desiludiu no segundo. Ficamos mais em 2017 vai ser prosseguir a política apreensivos por nem ser John Lasseda passagem à imagem real de clás- ter o realizador, mas sim o estreante sicos da animação. Pois bem, depois Brian Fee. Convém lembrar que a Pido sucesso inacreditável de O Livro xar não costuma enganar-se, mesda Selva, é a vez de Bill Condon ten- mo, como agora, parece seguir o fitar encontrar a magia de A Bela e o lão comercial mais oportunista... Monstro, com Emma Watson, Dan A boa notícia é que o carro Lightning Stevens e uma série de estrelas a fa- McQueen continua, na versão origizer as vozes de chávenas e candeei- nal, a ter a voz de OwenWilson. ros com vida. Uma faustosa produ- RUI PEDRO TENDINHA NOVIDADES Filmes para 2017


CARTAZ

38

Quarta-feira _14 de dezembro de 2016. Diário de Notícias

Cinema HOJE EM CARTAZ LISBOA NOS Amoreiras C. C. Amoreiras, Av. Eng. Duarte Pacheco 16996 CANTAR |M12 |13.10 |15.40 CANTAR (3D) |M12 |18.30 ROGUE ONE – UMA HISTÓRIA DE STAR WARS |M12 |21.20 |00.10 LION – A LONGA ESTRADA PARA CASA |M12 |13.20 |16.00 |18.50 |21.40 |00.20 ALIADOS |M12 |12.40 |15.20 |18.10 |21.20 |00.05 EU, DANIEL BLAKE |M12 |12.50 |15.10 |21.50 |00.25 TUDO PARA SER FELIZ |M12 |18.45 ANIMAIS NOTURNOS |M16 |16.10 |21.30 |00.10 TUDO PARA SER FELIZ |M12 |13.50 O NÚMERO |M12 |19.05 A MÃE É QUE SABE |M12 |13.30 |15.50 |18.20 |21.10 |23.30 VAIANA |M6 |13.00 |15.30 |18.00 O HERÓI DE HACKSAW RIDGE |M12 |20.50 |23.50 Cinema NOS Alvaláxia C.C. Alvaláxia – Campo Grande FESTA DE NATAL DA EMPRESA |M12 |13.50 |16.30 |19.00 |21.30 ALIADOS |M12 |13.20 |16.10 |18.55 |21.40 VAIANA |M6 |13.15 |15.50 |18.25 ALIADOS |M12 |21.00 CANTAR |M12 |13.40 |16.00 |18.40 MONSTROS FANTÁSTICOS E ONDE ENCONTRÁ-LOS |M12 |21.10 O PRIMEIRO ENCONTRO |M12 |13.45 |16.20 |18.50 |21.35 O PROTETOR |M12 |14.30 |16.50 |19.20 |21.25 BEKFIRE |M12 |14.00 |17.10 |21.30 MONSTROS FANTÁSTICOS E ONDE ENCONTRÁ-LOS |M12 |13.10 |16.05 |19.10 CANTAR |M12 |13.10 |15.30 |18.10 |21.20 TROLLS |M6 |13.20 |15.40 |17.50 UM PAI NATAL PARA ESQUECER |M12 |20.50 CUSTE O QUE CUSTAR |M12 |14.10 |16.40 |19.00 |21.50 O HERÓI DE HACKSAW RIDGE |M12 |15.20 |21.15 KAHAANI 2 |M12 |18.30 UNDERWORLD: GUERRAS DE SANGUE |M12 |14.20 |16.50 |19.30 |21.45 Cinema City Campo Pequeno Pç. do Campo Pequeno 217981420 FESTA DE NATAL DA EMPRESA |M12 |13.30 |15.35 |17.40 |19.45 |22.00 |00.15 ROGUE ONE – UMA HISTÓRIA DE STAR WARS |M12 |19.00 |21.20 |00.10 CANTAR |M12 |14.00 |15.30 |16.30 |17.50 CANTAR (VO) |16.30 |18.50 |21.30 |23.50 A MÃE É QUE SABE |M12 |13.40 |17.40 A MÃE É QUE SABE |M12 |15.40 |19.40 |21.40 |23.55 HELL OR HIGH WATER |M12 |13.40 |15.45 |17.45 |19.50 |21.55 |00.05 VAIANA |M6 |13.50 |16.15 |18.40 MONSTROS FANTÁSTICOS E ONDE ENCONTRÁ-LOS |M12 |13.15 |15.50 |18.35 |21.50 TOP CAT: O INICIO |M14 |13.40 ANIMAIS NOTURNOS |M16 |21.20 O HERÓI DE HACKSAW RIDGE |M12 |23.40 ALIADOS |M12 |13.25 |16.00 |18.35 |21.25 |24.00 UNDERWORLD: GUERRAS DE SANGUE |M12 |21.35 |00.35 UNDERWORLD: GUERRAS DE SANGUE |M12 |20.10 O PRIMEIRO ENCONTRO |M12 |23.55 Cinema City Alvalade Av. de Roma 218413045 CANTAR |M12 |13.20 |15.10 |17.30 |19.40 A MÃE É QUE SABE |M12 |15.30 |20.00 |22.00 A MÃE É QUE SABE |M12 |17.25 LION – A LONGA ESTRADA PARA CASA |M12 |13.00 |15.20 |17.40 |21.55 ROGUE ONE – UMA HISTÓRIA DE STAR WARS |M12 |19.00 |21.20 MISS VIOLENCE |M12 |17.45 MONSTROS FANTÁSTICOS E ONDE ENCONTRÁ-LOS |M12 |21.45 ALIADOS |M12 |15.00 |19.20 |21.50 ALIADOS |M12 |21.50 Medeia – Nimas ELA |M16 O EXAME |M12

Av. 5 de Outubro, 42-B 213574362 |14.15 |16.45 |21.45 |19.15

Medeia – Monumental Edificio Monumental – Av. Praia da Vitória, 72 213142223 CUSTE O QUE CUSTAR |M12 |11.45 |13.45 |15.45 |17.45 |19.45 |21.45 ALIADOS |M12 |11.30 |14.00 |16.30 LION – A LONGA ESTRADA PARA CASA |M12 |12.10 |14.30 |16.50 |21.30 ANIMAIS NOTURNOS |M16 |19.10 EU, DANIEL BLAKE |M12 |12.00 |14.00 |16.00 |18.00 |20.00 |22.00 ROGUE ONE – UMA HISTÓRIA DE STAR WARS |M12 |19.00 |21.45 Cinema Ideal DANIEL BLAKE |M12 HITCHCOCK |M12 ELA |M16

Rua do Loreto, 15/17 – 1200-241 Lisboa 210998295 |14.15 |18.30 |22.00 |20.30 |16.15

UCI Cinemas – El Corte Inglés Av. António Augusto Aguiar, 31 213801400 CUSTE O QUE CUSTAR |M12 |14.00 |16.35 |19.05 |21.35 |00.05 A MÃE É QUE SABE |M12 |14.05 |16.45 |21.30 |23.55 A RAPARIGA NO COMBOIO |M12 |19.00 FESTA DE NATAL DA EMPRESA |M12 |13.50 |16.25 |13.55 O HERÓI DE HACKSAW RIDGE |M12 |16.30 |21.20 A MÃE É QUE SABE |M12 |19.05 THE ACCOUNTANT – ACERTO DE CONTAS |M14 |00.15 MONSTROS FANTÁSTICOS E ONDE ENCONTRÁ-LOS |M12 |13.30 |16.20 FESTA DE NATAL DA EMPRESA |M12 |19.10 |21.40 |00.10 VAIANA |M6 |13.45 |16.20 MONSTROS FANTÁSTICOS E ONDE ENCONTRÁ-LOS |M12 |00.25

MONSTROS FANTÁSTICOS E ONDE ENCONTRÁ-LOS (3D) |M12 |18.45 CAFÉ SOCIETY |M12 |14.15 |16.35 |21.45 UMA HISTÓRIA AMERICANA |M12 |19.15 EU, DANIEL BLAKE |M12 |14.10 |16.50 |19.10 |21.30 |23.50 ALIADOS |M12 |13.40 |16.20 |19.00 |21.40 |00.25 ROGUE ONE – UMA HISTÓRIA DE STAR WARS |M12 |19.00 |22.00 ELA |M16 |13.30 |16.15 |19.00 |21.45 |00.30 ANIMAIS NOTURNOS |M16 |13.45 |16.35 |19.10 |21.45 |00.20 CANTAR |M12 |13.55 |16.30 CANTAR (3D) |M12 |19.05 ROGUE ONE – UMA HISTÓRIA DE STAR WARS |M12 |21.15 |00.15 LION – A LONGA ESTRADA PARA CASA |M12 |13.30 |16.10 |18.55 |21.40 |00.25 O PRIMEIRO ENCONTRO |M12 |13.50 |16.25 |19.05 |21.50 |00.25 NOS Colombo C. C. Colombo, Av. Lusíada 16996 FESTA DE NATAL DA EMPRESA |M12 |13.05 |15.45 |18.25 |21.25 |00.05 UNDERWORLD: GUERRAS DE SANGUE |M12 |13.15 |15.30 |21.15 |23.40 ESCOLA: OS PIORES ANOS DA MINHA VIDA |M12 |18.00 ALIADOS |M12 |12.40 |15.25 |18.20 |21.10 |00.10 CANTAR |M12 |13.00 |15.35 |18.10 MONSTROS FANTÁSTICOS E ONDE ENCONTRÁ-LOS |M12 |13.35 |17.00 |20.50 |24.00 CANTAR |M12 |13.30 |16.10 |00.15 CANTAR |M12 |18.20 LION – A LONGA ESTRADA PARA CASA |M12 |12.55 |15.55 |18.35 UM PAI NATAL PARA ESQUECER |M12 |21.50 |00.15 VAIANA |M6 |13.10 |15.20 |18.30 LION – A LONGA ESTRADA PARA CASA |M12 |21.35 |00.25 MONSTROS FANTÁSTICOS E ONDE ENCONTRÁ-LOS |M12 |12.40 |15.25 |18.15 NOS Vasco da Gama C. C. Vasco da Gama – Parque das Nações CANTAR |M12 |13.00 |15.50 CANTAR (3D) |M12 |18.30 CANTAR (VO) |21.00 |23.40 VAIANA |M6 |13.40 |16.10 |18.40 UNDERWORLD: GUERRAS DE SANGUE |M12 |21.30 |23.50 MONSTROS FANTÁSTICOS E ONDE ENCONTRÁ-LOS |M12 |12.40 |15.20 |18.10 |21.10 |24.00 CANTAR |M12 |14.00 |16.30 |19.00 MONSTROS FANTÁSTICOS E ONDE ENCONTRÁ-LOS (VO) |M12 |21.40 |00.30 ALIADOS |M12 |12.50 |15.10 |21.20 |00.10 O HERÓI DE HACKSAW RIDGE |M12 |18.20 FESTA DE NATAL DA EMPRESA |M12 |13.10 |16.00 |18.50 |21.20 |00.20

LINHA DE CASCAIS Carcavelos Atlântida Cine Av. Dr. Manuel Arriaga 214565653 LION – A LONGA ESTRADA PARA CASA |M12 |15.00 |21.30 ELA |M16 |17.30 ALIADOS |M12 |15.00 |21.30 EU, DANIEL BLAKE |M12 |17.30

Cascais NOS Cascais Shopping C. C. Cascaisshopping – Estrada Nacional, 9 – Alcabideche 16996 CANTAR |M12 |12.30 |15.00 |20.40 |23.20 CANTAR (3D) |M12 |17.30 FESTA DE NATAL DA EMPRESA |M12 |13.30 |15.30 |18.00 |21.00 |23.40 ALIADOS |M12 |12.35 |15.20 |18.10 |21.10 |23.50 VAIANA |M6 |13.10 |15.10 |18.15 ESCOLA: OS PIORES ANOS DA MINHA VIDA |M12 |00.15 CANTAR |M12 |13.15 |15.50 |18.25 MONSTROS FANTÁSTICOS E ONDE ENCONTRÁ-LOS |M12 |21.20 ROGUE ONE – UMA HISTÓRIA DE STAR WARS |M12 |21.05 |00.20 UNDERWORLD: GUERRAS DE SANGUE |M12 |12.50 |15.10 |17.25 |19.40 |21.50 |00.10 LION – A LONGA ESTRADA PARA CASA |M12 |12.40 |16.00 |18.40 |21.30 |00.10 O Cinema da Villa – CascaisVilla Shopping Center Av. Dom Pedro – Lote 1 e 2 215887311 LION – A LONGA ESTRADA PARA CASA |M12 |13.50 |16.20 |19.20 |22.00 HITCHCOCK |M12 |14.30 |19.30 ANIMAIS NOTURNOS |M16 |21.30 ELA |M16 |16.20 VAIANA |M6 |14.10 |19.10 DANIEL BLAKE |M12 |16.30 |21.30 CANTAR |M12 |14.00 |16.20 |19.20 |21.40 ALLIED |M12 |14.10 |16.40 |18.10 |21.50

Miraflores NOS Dolce Vita C. C. Dolce Vita, Av. das Tulipas 16996 CANTAR |M12 |14.50 |17.20 |19.45 |22.15 TROLLS |M6 |15.00 O HERÓI DE HACKSAW RIDGE |M12 |18.10 |20.50 VAIANA |M6 |15.10 |17.40 MONSTROS FANTÁSTICOS E ONDE ENCONTRÁ-LOS |M12 |21.00 ALIADOS |M12 |15.20 |18.20 |21.20

Oeiras NOS Oeiras Parque C. C. Oeiras Parque 16996 A MÃE É QUE SABE |M12 |13.10 |15.50 |18.15 |21.50 |00.15 CANTAR |M12 |12.40 |15.20 |18.00 ROGUE ONE – UMA HISTÓRIA DE STAR WARS |M12 |19.00 ROGUE ONE – UMA HISTÓRIA DE STAR WARS |M12 |22.15 VAIANA |M6 |13.00 |15.40 |18.30

EU, DANIEL BLAKE |M12 |21.15 |23.50 MONSTROS FANTÁSTICOS E ONDE ENCONTRÁ-LOS |M12 |12.30 |15.25 |18.25 |21.30 |00.25 O NÚMERO |M12 |13.15 ALIADOS |M12 |15.45 |18.45 |21.40 |00.30 CANTAR |M12 |13.20 |16.00 CANTAR (3D) |M12 |18.40 CANTAR (VO) |21.20 |24.00 LION – A LONGA ESTRADA PARA CASA |M12 |12.45 |15.30 |18.20

LINHA DE SINTRA Amadora UCI Cinema – Dolce Vita Tejo Avenida Manual Cargaleiro – Casal da Mira 7072322221 A MÃE É QUE SABE |M12 |13.50 |16.25 |19.00 |21.25 O HERÓI DE HACKSAW RIDGE |M12 |21.30 CANTAR |M12 |15.00 VAIANA |M6 |17.40 CANTAR (3D) |M12 |13.35 |16.00 |18.35 |21.10 ROGUE ONE – UMA HISTÓRIA DE STAR WARS |M12 |13.35 |16.00 |18.35 |21.10 LION – A LONGA ESTRADA PARA CASA |M12 |19.00 |22.00 19.15 |16.40 |14.00 |16.40 |19.15 |21.45 O PROTETOR |M12 |14.05 |16.40 |21.55 TROLLS |M6 |19.20 UM PAI NATAL PARA ESQUECER |M12 |14.00 |16.20 |18.50 MONSTROS FANTÁSTICOS E ONDE ENCONTRÁ-LOS |M12 |21.20 FESTA DE NATAL DA EMPRESA |M12 |13.30 |16.15 |19.00 |21.40 CANTAR |M12 |14.10 |16.30 |19.10 |21.45 CANTAR (3D) |M12 |14.10 O PRIMEIRO ENCONTRO |M12 |16.30 |19.00 VAIANA (3D) |M6 |13.45 |16.30 |19.10 |21.50 VAIANA |M6 |13.55 |16.35 |19.15 |21.40

Alfragide CinemaCity Alegro Alfragide Centro Comercial Alegro – Av. dos Cavaleiros, 2670-045 Carna 214221030 CANTAR |M12 |13.55 |15.35 |17.55 |19.55 |21.40 CANTAR (3D) |M12 |16.20 |18.40 |21.30 |23.50 FESTA DE NATAL DA EMPRESA |M12 |13.20 |15.25 |17.30 |19.35 |21.50 |00.05 ROGUE ONE – UMA HISTÓRIA DE STAR WARS |M12 |19.00 |21.20 |00.10 A MÃE É QUE SABE |M12 |13.40 |15.40 |17.40 |19.40 |21.40 |23.40 LION – A LONGA ESTRADA PARA CASA |M12 |13.10 |15.25 |19.35 |21.55 |00.25 O PROTETOR |M12 |13.40 |17.45 |00.30 ESCOLA: OS PIORES ANOS DA MINHA VIDA |M12 |15.30 |17.20 |00.15 O PRIMEIRO ENCONTRO |M12 |13.15 |19.10 O HERÓI DE HACKSAW RIDGE |M12 |21.25 |00.10 VAIANA |M6 |13.20 |15.20 |17.45 VAIANA (VO) |M6 |13.50 MONSTROS FANTÁSTICOS E ONDE ENCONTRÁ-LOS |M12 |16.15 |19.00 |21.45 MONSTROS FANTÁSTICOS E ONDE ENCONTRÁ-LOS (VO) |M12 |24.00 ALIADOS |M12 |15.10 |17.35 |21.20 |21.25 |23.55 |24.00 UNDERWORLD: GUERRAS DE SANGUE |M12 |13.30 |15.45 |17.50 |20.00 |22.15 |00.20 O PRIMEIRO ENCONTRO |M12 |21.50

Sintra Cinema City Beloura Beloura Shopping 219247643 CANTAR (VO) |16.20 |18.50 |21.45 CANTAR |M12 |15.20 |17.40 ROGUE ONE – UMA HISTÓRIA DE STAR WARS |M12 |19.00 |21.20 FESTA DE NATAL DA EMPRESA |M12 |15.25 |17.30 |19.35 |21.55 LION – A LONGA ESTRADA PARA CASA |M12 |16.00 |18.30 |21.40 A MÃE É QUE SABE |M12 |15.50 |17.50 |19.50 |21.50 VAIANA |M6 |16.00 |18.35 ALIADOS |M12 |15.25 |19.45 |21.30 MONSTROS FANTÁSTICOS E ONDE ENCONTRÁ-LOS |M12 |15.55 |18.40 |21.25 O NÚMERO |M12 |17.50 |20.00 O PRIMEIRO ENCONTRO |M12 |22.10 O HERÓI DE HACKSAW RIDGE |M12 |21.20

MONSTROS FANTÁSTICOS E ONDE ENCONTRÁ-LOS |M12 |12.40 |15.30 |18.30 |21.30 |00.25 UM PAI NATAL PARA ESQUECER |M12 |13.15 |15.40 |20.50 |23.20 ESCOLA: OS PIORES ANOS DA MINHA VIDA |M12 |18.05 LION – A LONGA ESTRADA PARA CASA |M12 |12.55 |15.45 |18.35 |21.20 |00.05 FESTA DE NATAL DA EMPRESA |M12 |13.40 |16.05 |18.55 |21.35 |00.10 TROLLS |M6 |12.45 |15.10 |17.30 |19.40 EU, DANIEL BLAKE |M12 |22.00 |00.20 UNDERWORLD: GUERRAS DE SANGUE |M12 |13.35 |16.00 |18.10 |20.45 |23.35 O HERÓI DE HACKSAW RIDGE |M12 |12.20 |15.25 |21.05 |00.05 O PRIMEIRO ENCONTRO |M12 |18.25 A MÃE É QUE SABE |M12 |13.05 |15.35 |18.15 |20.55 |23.25 UNDERWORLD: GUERRAS DE SANGUE |M12 |13.00 |15.15 |17.20 |19.30 |21.45 |24.00

Montijo NOS Fórum Montijo C. C. Fórum Montijo 16996 CANTAR |M12 |13.40 |16.15 |18.50 |21.20 VAIANA |M6 |13.25 |16.00 |18.30 ALIADOS |M12 |21.30 UNDERWORLD: GUERRAS DE SANGUE |M12 |13.30 |15.50 |18.15 |21.00 FESTA DE NATAL DA EMPRESA |M12 |13.20 |15.45 |18.40 |21.15 ALIADOS |M12 |12.45 |15.30 |18.20 O HERÓI DE HACKSAW RIDGE |M12 |21.10 MONSTROS FANTÁSTICOS E ONDE ENCONTRÁ-LOS |M12 |12.35 |15.35 |18.25 |21.20

Setúbal Cinema City Av. Libertadores de Timor Loro Sae 275334664 CANTAR |M12 |13.50 |15.25 |16.20 |17.45 |18.50 |21.45 |24.00 ROGUE ONE – UMA HISTÓRIA DE STAR WARS |M12 |19.00 |21.20 |00.10 FESTA DE NATAL DA EMPRESA |M12 |13.15 |15.20 |17.25 |19.30 |22.00 |00.15 LION – A LONGA ESTRADA PARA CASA |M12 |15.10 |19.30 |21.50 |00.20 A MÃE É QUE SABE |M12 |13.45 |15.46 |17.30 |19.40 |21.40 |23.50 VAIANA |M6 |13.35 |16.00 |18.30 |21.35 CANTAR (3D) |M12 |13.30 O PROTETOR |M12 |00.10 ESCOLA: OS PIORES ANOS DA MINHA VIDA |M12 |17.45 |00.05 ALIADOS |M12 |13.15 |15.50 |18.25 |21.20 |23.55 O HERÓI DE HACKSAW RIDGE |M12 |21.10 MONSTROS FANTÁSTICOS E ONDE ENCONTRÁ-LOS |M12 |13.10 |15.55 |18.40 |21.25 |00.10 UNDERWORLD: GUERRAS DE SANGUE |M12 |13.30 |15.55 |18.00 |20.00 |21.55 UNDERWORLD: GUERRAS DE SANGUE |M12 |24.00 O PROTETOR |M12 |20.10

ALGARVE Tavira NOS Tavira Centro Comercial Gran-Plaza, Loja Nº3.24 16996 ROGUE ONE – UMA HISTÓRIA DE STAR WARS |M12 |21.10 CANTAR |M12 |13.30 |16.00 |18.30 |21.00 ALIADOS |M12 |13.00 |15.50 |18.30 |21.20 VAIANA |M6 |13.15 |15.45 |18.20 O HERÓI DE HACKSAW RIDGE |M12 |21.05 FESTA DE NATAL DA EMPRESA |M12 |13.15 |15.40 |18.05 |21.30 MONSTROS FANTÁSTICOS E ONDE ENCONTRÁ-LOS |M12 |12.20 |15.15 |18.10 |21.10

PORTO Porto Medeia – Cine Estúdio do Teatro Municipal Campo Alegre Rua das Estrelas 226063000 DANIEL BLAKE |M12 |18.30 |22.00

NOS Odivelas Parque C. C. Odivelas Parque 16996 VAIANA |M6 |13.10 |15.10 |18.10 MONSTROS FANTÁSTICOS E ONDE ENCONTRÁ-LOS |M12 |20.50 CANTAR |M12 |13.20 |16.00 |18.30 |21.00 ALIADOS |M12 |13.00 |15.50 |18.35 |21.20 MONSTROS FANTÁSTICOS E ONDE ENCONTRÁ-LOS |M12 |12.40 |15.30 |18.20 O HERÓI DE HACKSAW RIDGE |M12 |21.10 FESTA DE NATAL DA EMPRESA |M12 |13.00 |15.20 |18.00 |21.30

NOS Alameda Shop&Spot Centro Comercial Shop&Spot, Rua Campeões Europeus, 28 16996 CANTAR |M12 |12.30 |15.15 |18.05 CANTAR (VO) |20.40 O HERÓI DE HACKSAW RIDGE |M12 |23.30 LION – A LONGA ESTRADA PARA CASA |M12 |13.10 |16.00 |19.00 |21.50 |00.40 ALIADOS |M12 |17.00 |21.05 |00.05 TUDO PARA SER FELIZ |M12 |13.50 VAIANA |M6 |13.05 |15.50 |18.35 ANIMAIS NOTURNOS |M16 |21.20 |00.10 MONSTROS FANTÁSTICOS E ONDE ENCONTRÁ-LOS |M12 |14.30 |20.50 |23.50 TUDO PARA SER FELIZ |M12 |17.50 A MÃE É QUE SABE |M12 |13.30 |16.00 |18.40 |21.40 |00.35 EU, DANIEL BLAKE |M12 |13.40 |16.10 |21.35 |24.00 O NÚMERO |M12 |18.50

MARGEM SUL

Matosinhos

NORTE DE LISBOA Odivelas

Almada NOS Almada Fórum C. C. Almada Fórum – Estrada do Caminho Municipal, 1011 – Va 16996 CANTAR |M12 |12.30 |15.20 CANTAR (3D) |M12 |18.00 CANTAR (VO) |21.00 |23.40 VAIANA |M6 |13.00 |15.40 |18.20 O PROTETOR |M12 |21.10 |23.30 ALIADOS |M12 |12.50 |15.50 |18.50 |21.40 |00.25 CANTAR |M12 |13.30 |16.10 |19.00 ANIMAIS NOTURNOS |M16 |21.50 |00.30

NOS NorteShopping C. C. NorteShopping, Rua Sara Afonso, 105/117 16996 LION – A LONGA ESTRADA PARA CASA |M12 |12.40 |15.20 |18.10 |21.00 |23.40 FESTA DE NATAL DA EMPRESA |M12 |13.10 |15.40 |18.20 |21.30 |00.10 CANTAR |M12 |13.20 |16.10 |19.00 ALIADOS |M12 |21.50 |00.40 MONSTROS FANTÁSTICOS E ONDE ENCONTRÁ-LOS |M12 |13.25 |16.20 |20.50 |23.50 ALIADOS |M12 |13.05 |15.50 |18.50 UNDERWORLD: GUERRAS DE SANGUE |M12 |22.00 |00.20 UM PAI NATAL PARA ESQUECER |M12 |13.30 |16.00 |18.40 |21.10 |23.30 VAIANA |M6 |13.40 |16.30 |19.10 O HERÓI DE HACKSAW RIDGE |M12 |21.40 |00.45


CARTAZ

Quarta-feira _14 de dezembro de 2016. Diário de Notícias

39

AS NOTAS DOS CRÍTICOS CANTAR |M12 CANTAR (3D) |M12 CANTAR |M12

|12.50 |15.30 |18.30 |21.20 |22.00 |24.00

OUTROS LOCAIS Aveiro NOS Fórum Aveiro Rua Homem Cristo 16996 MONSTROS FANTÁSTICOS E ONDE ENCONTRÁ-LOS |M12 |14.20 |17.30 |21.00 |00.10 A MÃE É QUE SABE |M12 |13.45 |16.20 |18.55 |21.30 |00.05 LION – A LONGA ESTRADA PARA CASA |M12 |13.00 |15.50 |18.50 |21.45 |00.35 ALIADOS |M12 |14.00 |17.00 |21.10 |00.15 O PRIMEIRO ENCONTRO |M12 |12.55 |15.40 |18.45 |00.35 CANTAR |M12 |21.40 |00.35 VAIANA |M6 |13.20 |16.10 |19.00 ANIMAIS NOTURNOS |M16 |21.50 |00.40 CANTAR |M12 |13.10 |16.00 | CANTAR (3D) |M12 |18.40 ROGUE ONE – UMA HISTÓRIA DE STAR WARS |M12 |21.20 |00.30 NOS Glicínias C. C. Glicínias, Aradas UNDERWORLD: GUERRAS DE SANGUE |M12 |14.10 |16.40 |19.10 |21.40 |00.10 HELL OR HIGH WATER |M12 |13.30 |16.10 |18.50 |21.30 |00.15 FESTA DE NATAL DA EMPRESA |M12 |13.40 |16.30 |19.15 |21.50 |00.35 VAIANA |M6 |14.00 |16.50 UM PAI NATAL PARA ESQUECER |M12 |21.20 |23.50 TROLLS |M6 |13.50 CANTAR |M12 |13.25 |16.15 |19.05 |21.55 |00.40 ROGUE ONE – UMA HISTÓRIA DE STAR WARS |M12 |21.00 |00.10 MONSTROS FANTÁSTICOS E ONDE ENCONTRÁ-LOS |M12 |14.30 |17.40 |20.50 |24.00

Coimbra NOS Alma Shopping CoimbraRua General Humberto Delgado 207 – 16996 ALIADOS |M12 |14.30 |17.30 |21.00 |24.00 ROGUE ONE – UMA HISTÓRIA DE STAR WARS |M12 |20.50 |23.50 CANTAR |M12 |13.40 |16.20 |19.00 CANTAR (VO) |21.45 |00.25 VAIANA |M6 |14.10 |16.50 |19.30 UM PAI NATAL PARA ESQUECER |M12 |22.10 |00.30 MONSTROS FANTÁSTICOS E ONDE ENCONTRÁ-LOS |M12 |13.30 |16.30 |20.50 |23.55 CANTAR |M12 |14.00 |16.40 |19.20 CUSTE O QUE CUSTAR |M12 |13.25 |16.00 |18.30 |21.20 |00.10 TROLLS |M6 |14.35 EU, DANIEL BLAKE |M12 |17.00 |19.25 |21.50 |00.15 A MÃE É QUE SABE |M12 |13.45 |16.10 |18.40 |21.10 |23.40 O HERÓI DE HACKSAW RIDGE |M12 |14.50 O NÚMERO |M12 |18.10 LION – A LONGA ESTRADA PARA CASA |M12 |13.35 |16.25 |19.10 |21.55 |00.40 NOS Fórum Coimbra Fórum Coimbra UNDERWORLD: GUERRAS DE SANGUE |M12 |14.10 |16.40 |19.05 |21.30 |00.15 ALIADOS |M12 |14.00 |17.20 |21.20 |00.25 FESTA DE NATAL DA EMPRESA |M12 |13.40 |16.20 |19.00 |21.40 |00.20 MONSTROS FANTÁSTICOS E ONDE ENCONTRÁ-LOS |M12 |14.20 |17.30 |21.45 |00.35 ROGUE ONE – UMA HISTÓRIA DE STAR WARS |M12 |21.20 |00.20 VAIANA |M6 |13.50 |16.30 |19.10 CANTAR |M12 |13.35 |16.15 |18.55 ESCOLA: OS PIORES ANOS DA MINHA VIDA |M12 |21.50 |00.10

Figueira da Foz NOS Foz Plaza C. C. Foz Plaza – Rua dos Condados 16996 TROLLS |M6 |15.20 |17.50 O HERÓI DE HACKSAW RIDGE |M12 |21.00 VAIANA |M6 |15.10 |18.10 |21.10 ALIADOS |M12 |15.35 |18.30 |21.30 CANTAR |M12 |15.40 |18.20 |21.35 MONSTROS FANTÁSTICOS E ONDE ENCONTRÁ-LOS |M12 |15.00 |18.00 |21.20

Funchal NOS Fórum Madeira Centro Comercial Fórum Madeira 16996 MONSTROS FANTÁSTICOS E ONDE ENCONTRÁ-LOS |M12 |12.40 |15.35 |18.30 |21.30 LION – A LONGA ESTRADA PARA CASA |M12 |13.20 |16.00 |18.40 |21.20 VAIANA |M6 |12.50 |15.30 |18.10 UNDERWORLD: GUERRAS DE SANGUE |M12 |21.10 CANTAR |M12 |13.10 |15.40 |18.20 |21.00 FESTA DE NATAL DA EMPRESA |M12 |13.30 |16.10 |19.00 |21.40 ALIADOS |M12 |13.00 |15.50 |18.50 |21.50

Torres Vedras NOS Arena Shopping Centro Comercial Arena Shopping 16996 CANTAR |M12 |13.15 |15.50 ROGUE ONE – UMA HISTÓRIA DE STAR WARS |M12 |19.00 |22.00 ALIADOS |M12 |12.40 |15.30 |18.15 |21.10 FESTA DE NATAL DA EMPRESA |M12 |13.30 |16.00 |18.45 MONSTROS FANTÁSTICOS E ONDE ENCONTRÁ-LOS |M12 |21.15 MONSTROS FANTÁSTICOS E ONDE ENCONTRÁ-LOS |M12 |12.50 |15.40 UNDERWORLD: GUERRAS DE SANGUE |M12 |21.50 CANTAR |M12 |18.30 |21.00 VAIANA |M6 |13.40 |16.15 |18.50 FESTA DE NATAL DA EMPRESA |M12 |21.30

CUSTE O QUE CUSTAR LION – A LONGA ESTRADA PARA CASA A MÃE É QUE SABE CANTAR! HITCHCOCK/TRUFFAUT ESTIVE EM LISBOA E LEMBREI DE VOCÊ ALIADOS EU, DANIEL BLAKE UM PAI NATAL PARA ESQUECER VERSUS – A VIDA E OS FILMES DE KEN LOACH O NÚMERO ANIMAIS NOTURNOS EIS O ADMIRÁVEL MUNDO EM REDE O EXAME A INFÂNCIA DE UM LÍDER VAIANA A BRIEF HISTORY OF PRINCESS X BLOOD FATHER – O PROTETOR MISS VIOLENCE A PRIMAVERA DE CHRISTINE ELA AMERICAN HONEY UMA HISTÓRIA AMERICANA MONSTROS FANTÁSTICOS E ONDE ENCONTRÁ-LOS GIMME DANGER SOZINHOS EM BERLIM O HERÓI DE HACKSAW RIDGE ACERTO DE CONTAS CAFÉ SOCIETY

em estreia

mau

★ medíocre ★★ com interesse ★★★ bom

JOÃO LOPES

RUI PEDRO TENDINHA

INÊS LOURENÇO

★★★ ★ – – ★★★ – ★★★★★ ★★★ – ★★ – ★★★★★ ★★★ ★★★★ ★★ ★★ – – ★★★ – ★★★★ ★★ ★★★★ ★ ★★★ – ★ ★ ★★★★

★★★★ ★★★★ ★★★ – – ★★★ ★★★★ ★★★ ★★ – – ★★★★ – ★★★ ★★★ ★★ ★★★ ★★ – – ★★★★ ★★★★★ ★★ ★★★ ★★★ ★ ★★ ★★ ★★★

★★★ ★ – ★★ ★★★ – ★★★★ ★★★ – ★★★ ★★ ★★★ ★★★ ★★★★ ★★★ – – – – ★★ ★★★★★ ★★★ – ★★ ★★★ – ★★ – ★★★

★★★★ muito bom ★★★★★ excecional

VEJA TODAS AS CRÍTICAS E OS TRAILERS DAS ESTREIAS DA SEMANA EM WWW.DN.PT

Um documentário que celebra a cinefilia

Variações revivalistas sobre o western

Nicole Kidman e Dev Patel perdidos num esboço sentimental

HITCHCOCK/TRUFFAUT KENT JONES

CUSTE O QUE CUSTAR DAVID MACKENZIE

François Truffaut teve três figuras paternas: André Bazin, na crítica dos Cahiers du Cinéma, Jean Renoir, no cinema francês, e Alfred Hitchcock, extraído do universo de Hollywood. É sobre este último, e o crucial momento do encontro entre ambos, no verão de 1962, que se debruça o documentário de Kent Jones agora chegado às nossas salas. Homónimo do livro resultante desse encontro (publicado em 1967), Hitchcock/Truffaut são 80 minutos muito bem passados, à boleia das singularidades do cineasta inglês. Viaja-se através da lente especial da entrevista histórica, mas também na dinâmica dos discursos de quem hoje, por fascínio, se reúne à volta do nome de Hitchcock: Scorsese, Bogdanovich, Fincher, Assayas, Wes Anderson, Desplechin… Enfim, a nata criativa do nosso tempo, a olhar a ciência de um realizador. Jones combinou tudo isto num profícuo trabalho de celebração cinéfila, que abre muitas “janelas indiscretas” sobre a obra de Hitchcock, e sugere igualmente o diálogo com o cinema de Truffaut. É preciso, cada vez mais, preservar a memória dos clássicos. As suas lições estão bem vivas.

Ciclicamente, o cinema americano tenta satisfazer a nossa nostalgia do velho western, por exemplo, contando a história de dois assaltantes de bancos que até não são antipáticos e um xerife, cansado e desencantado, que vai filosofando com o seu ajudante de origem índia... Assim acontece nesta realização de David Mackenzie (curiosamente, um inglês), com a particularidade de o gosto revivalista implicar, desta vez, uma “transferência” da ação para o tempo presente. Nada de novo também (lembremos a referência fundamental de Sam Peckinpah nos anos 1960/1970), mas executado com evidente cuidado na definição de ambientes e personagens, muito para além de qualquer atitude copista ou banalmente decorativa. Os atores, especialmente Jeff Bridges e Gil Birmingham (xerife e ajudante), são decisivos na coerência dos resultados, sendo também fundamental sublinhar a contribuição da banda sonora assinada por Nick Cave e Warren Ellis, criando texturas musicais capazes de relançar memórias difusas das sagas do Velho Oeste.

LION – A LONGA ESTRADA PARA CASA GARTH DAVIS

INÊS LOURENÇO ★★★ Bom

JOÃO LOPES ★★★ Bom

Com dois ou três nomes expressivos no elenco e uma história que se presta à emoção, qualquer filme tem meio caminho andado para o êxito. Não por acaso, Lion – A Longa Estrada para Casa, com ambos os atributos, tem sido indicado como um dos principais concorrentes aos Óscares. Mas até que ponto uma receita pode valer mais do que o sabor final? Lion não vai muito além da sua própria sinopse, a saber, uma criança indiana perdida da família e adotada por um casal australiano, que ao fim de 25 anos, com a ajuda das novas tecnologias, decide voltar a fazer o caminho para casa. Tirando o primeiro ato, que aflora a composição dickensiana da criança frágil mas corajosa, exposta aos perigos da rua, não há mais nada que nos transporte para aquela realidade dolorosa – que sabemos, desde o princípio, ser uma história verídica. O filme de Garth Davis (primeira longa-metragem) não sai desse selo ilustrativo e, por isso, quando o menino cresce e toma o rosto de Dev Patel, cúmplice da mãe adotiva (Nicole Kidman, no tom), percebe-se como estes atores estão, eles sim, perdidos num esboço sentimental. INÊS LOURENÇO ★ Medíocre


Quarta-feira _14 de dezembro de 2016. Diário de Notícias

TELEVISÃO

40 DESTAQUES

Um detetive experiente com missão em Londres

Novo episódio do drama Lutas de robôs em foco médico Code Black nesta série documental

A luta da DEA contra o tráfico de cocaína

HOLLYWOOD THE YOUNG AMERICANS (21.30)

FOX LIFE CODE BLACK (22.20)

A&E BATTLE BOTS (22.30)

John Harris é um experiente detetive da polícia de Nova Iorque, que é enviado para Londres com uma missão específica: ajudar uma mulher a investigar uma série de assassínios de um gangster, organizado por um novo jogador norte-americano na cidade. Harris usa um adolescente, que tem sido tratado de forma injusta por bandidos, para o tentar apanhar. Conseguirá cumprir a missão? Filme policial conta com a realização de Danny Cannon e com um elenco em que estão os atores Harvey Keitel, Iain Glen, John Wood, Keith Allen e Thandie Newton.

Novo episódio da segunda temporada da série dramático criada por Michael Seitzman e que retrata o quotidiano da equipa de médicos e enfermeiros nas urgências do County Hospital, em Los Angeles, muitas vezes sem os recursos que necessitaria. É a eles que chegam os pacientes com os casos mais delicados e impressionantes. No capítulo desta noite, Willis, Mario e Heather fazem uma operação radical num técnico de manutenção que ficou preso debaixo de uma caldeira que explodiu. Ainda, o pai de Angus luta para ser o advogado de Mike, que continua em coma.

Estreia em Portugal da primeira temporada desta série documental norte-americana. A luta entre robôs é o foco do novo formato, juntando amadores e profissionais numa arena onde reina o caos e a destruição, e na qual os participantes lançam a sua “máquina de guerra”. O objetivo deste torneio, que conta com várias batalhas de três minutos, é só um: destruir ou incapacitar por completo o robô adversário. No estrangeiro, a série é um êxito de audiências, contando já com um total de sete temporadas. A apresentação é de Tim Green.

NATIONAL GEOGRAPHIC CHANNEL BASTIDORES: GUERRA DA COCAÍNA (00.40)

Formato segue uma equipa da DEA na linha da frente da luta contra o tráfico de cocaína na Colômbia através de submarinos. Cada um destes consegue transportar sete toneladas de droga e traficá-la, desta forma, para fora da Colômbia debaixo de água. Um deles já foi capturado pela DEA, há cerca de um ano, mas os restantes seis submarinos continuam por encontrar. Para tentar ajudar a resolver o mistério, uma equipa especializada dirige-se ao epicentro da guerra da cocaína para ajudar na missão da DEA.

CANAIS

AUDIÊNCIAS DE TV

GENERALISTAS

TEMÁTICOS

RTP1

RTP2

SIC

TVI

HOLLYWOOD

FOX MOVIES

MOV

06.30 Bom Dia Portugal 10.00 A Praça 13.00 Jornal da Tarde 14.20 Bem-Vindos a Beirais Série portuguesa 15.03 Água de Mar 16.23 Agora Nós 18.00 Portugal em Direto 18.51 O Preço Certo 19.52 Direito de Antena 19.59 Telejornal 21.00 The Big Picture Concurso 21.53 O Leão da Estrela Minissérie portuguesa 22.48 Cá por Casa com Herman José

07.00 Zig Zag Espaço infantil 11.22 Entre Cenas Documentário 12.21 África Selvagem Série documental 13.15 Literatura Aqui Magazine 13.47 Euronews 14.56 A Fé dos Homens 15.30 Sociedade Civil 16.33 Zig Zag 20.34 O Bairro Série portuguesa 20.59 Efeito Borboleta 21.30 Jornal 2 22.12 A Fraude Série dinamarquesa 23.18 Sentimento

06.00 Edição da Manhã 08.30 A Vida nas Cartas – O Dilema 10.15 Queridas Manhãs Talk show 13.00 Primeiro Jornal 14.45 Laços de Sangue Telenovela brasileira 16.00 Grande Tarde 19.15 Sassaricando Haja Coração Novela brasileira 19.57 Jornal da Noite 21.45 Amor Maior Novela portuguesa 23.00 Rainha das Flores

06.30 Diário da Manhã 10.10 Você na TV! Talk show 13.00 Jornal da Uma Informação 14.43 Deixa Que Te Leve Novela portuguesa 16.00 A Tarde É Sua 19.12 Casa dos Segredos Reality show 19.58 Jornal das 8 Informação 21.40 A Impostora Novela portuguesa 23.00 A Única Mulher Novela portuguesa 23.59 Casa dos Segredos Reality show

11.35 A Toupeira 13.45 Manobra Perigosa 15.25 Não Chamem a polícia! 17.20 Horizonte Longínquo 19.40 Um Homem no Limite 21.30 The young Americans 23.25 Padre 01.00 A Estrada 02.50 O Último a Cair 04.30 O Padrasto

11.30 The Chronicles of Narnia 13.35 As Crónicas de Nárnia: Príncipe Caspian 15.50 Sou o Número Quatro 17.30 Comer Orar Amar 19.40 Nada Mais Que Steve 21.15 Lixo 23.10 Alta Pedrada 00.55 Desafio Total

12.40 13.25 14.10 14.55 15.40 16.25 17.10 17.55 18.40 20.10

FOX

FOX LIFE

AXN

22.48 Cá por Casa com Herman José

23.18 Sentimento

08.30 Sob Suspeita 13.05 Investigação Criminal: LA 14.40 Hawai Força Especial 16.15 CSI 17.55 Scorpion 18.45 Investigação Criminal: LA 20.30 Hawai Força Especial 22.15 Bull 23.05 Chicago P. D. 00.55 Sob Suspeita 02.35 MacGyver 03.15 Scorpion

11.15 A Patologista 12.45 Ossos 14.20 Not With His Wife 15.50 A Warden`s Ransom 17.20 A Patologista 18.55 Rizzoli & Isles 20.30 Ossos 22.20 Code Black 00.10 No Limite 01.10 My Daughter Must Live 02.45 No Limite 03.40 House 05.15 No Limite

11.30 Quantico 12.16 Mentes Criminosas 13.48 O Físico 16.25 C. S. I. 17.15 Mentes Criminosas 18.55 Castle 20.35 C. S. I. 22.15 Mentes Criminosas 23.11 Quantico 00.07 Mentes Criminosas 02.33 Quantico 03.17 Castle

› Humor, conversa e

música compõem o formato criado por Herman José. A personagem Tony Silva fará uma homenagem a Júlio Isidro.

00.00 Desastres Aéreos 00.58 Janela Indiscreta Magazine 01.36 Grande Entrevista 02.32 Os Nossos Dias 03.56 Televendas

› Uma longa-metragem assinada por Luchino Visconti, com uma visão extravagante e arrebatadora sobre amor, traição e vingança.

01.20 Cinemax Curtas 02.26 Palcos Agora 02.53 Portugal 3.0 03.53 Visita Guiada 04.25 Grandes Quadros Portugueses Vespeira

10.15 Queridas Manhãs

› Júlia Pinheiro

e João Paulo Rodrigues formam a dupla que conduz o talk show matinal da estação de Carnaxide há quase três anos.

00.00 A Lei do Amor Novela brasileira 01.00 Inesquecível Série norte-americana 01.55 Franklin & Bash 02.30 Joias Tv

21.40 A Impostora

› Gustavo diz a Diana que, se a cirurgia a que está prestes a ser submetido correr mal e ele continuar cego, prefere optar pela eutanásia.

01.25 Super Quiz Concurso 03.00 Casa dos Segredos 04.18 Dei-te Quase Tudo Novela portuguesa 05.00 TV Shop

12 Macacos Dead Like Me Powers 12 Macacos Dead Like Me Teen Wolf Boomtown Powers Dividida Camille O Poder do Amor 21.45 Teen Wolf 22.30 Z Nation 23.15 [Rec]

HISTÓRIA

NATIONAL GEOG.

GLOBO

11.58 O Preço da História 13.20 Hitler: Führer 14.08 Hitler: Victor 14.55 Os Últimos Dias dos Nazis 16.23 Alone 17.49 O Preço da História 19.12 Caça Tesouros 20.39 O Preço da História 22.01 Caça Tesouros 02.18 Alone 03.46 Em Busca de Extraterrestres

11.10 The Incredible Dr. Pol 12.40 O Desafio de Descobrir Marte 13.30 O Maravilhoso Universo do Hubble 14.15 Marte 15.05 Antártida: A Vida no Limite 15.55 Ilha Sem Lei 17.25 The Incredible Dr. Pol 19.00 Presos no Estrangeiro

12.25 13.24 13.50 14.44 15.39 16.49 17.48 18.48 20.00 20.58 21.27 22.22 23.21

Belíssima Santa Ajuda Malhação Roque Santeiro Mais Você Da Cor do Pecado Êta Mundo Bom Avenida Brasil Belíssima Queridos Amigos Roque Santeiro Da Cor do Pecado Êta Mundo Bom

Diário de Casa dos Segredos 6 faz a sua melhor audiência › O diário do reality show da TVI foi acompanhado por uma média de 885 mil espectadores, o suficiente para ter sido a melhor audiência para o formato ao final da tarde, e um aumento de mais de 200 mil seguidores face à emissão anterior. AUDIÊNCIA MÉDIA

SHARE

1 Amor Maior (SIC)

12,6%

26,4%

2 A Impostora (TVI)

12,3%

25,7%

3 Jornal das 8 (TVI)

11,2%

23,0%

4 O Preço Certo (RTP1)

11,1%

26,4%

5 Jornal da Noite (SIC)

10,4%

21,4%

6 Telejornal (RTP1)

9,8%

20,5%

7 Direito de Antena (RTP1)

9,7%

21,3%

8 Secret Story – Diário (TVI)

9,1%

20,9%

9 A Única Mulher (TVI)

8,8%

24,3%

10 Rainha das Flores (SIC)

8,4%

23,2%

11 The Big Picture (RTP1)

7,1%

14,4%

12 Portugal em Direto (RTP1)

6,3%

21,4%

13 Jornal da Uma (TVI)

5,9%

29,9%

14 Primeiro Jornal (SIC)

5,0%

25,0%

15 A Lei do Amor (SIC)

4,3%

21,0%

SHARE DIÁRIO – SEGUNDA-FEIRA RTP1 13,5

RTP2 1,5

SIC 17,5

TVI 216

Cabo Outros* 36,5 8,1

*CONTABILIZA VÍDEO, GRAVAÇÕES, SATÉLITE INTERNACIONAL, CONSOLAS, INTERNET NA TV E OUTROS CANAIS DO CABO. DADOS: CAEM

A PROGRAMAÇÃO COMPLETA DOS CANAIS TEMÁTICOS DE CABO E IPTV EXIBIDOS EM PORTUGAL ESTÁ DISPONÍVEL TODAS AS SEXTAS-FEIRAS NA REVISTA EVASÕES, QUE SE PUBLICA COM O DIÁRIO DE NOTÍCIAS


Quarta-feira _14 de dezembro de 2016. Diário de Notícias

MEDIA

41

AS SÉRIES ORIGINAIS

Shameless

A história de Dirk Gently é a do detetive holístico (Samuel Barnett) que lhe dá nome e do seu companheiro, Todd (Elijah Wood)

2004-2013, Channel 4 › A história de um jovem grupo de irmãos negligenciados pelos pais que só sobrevivem devido à perspicácia e ao humor. Embora não o admitam, precisam de ajuda. Uma família anárquica vista pelos olhos de um miúdo de 15 anos, que luta para crescer num contexto em que pontificam um pai alcoólico, uma irmã psicótica e vizinhos que são estrelas de pornografia.

House of Cards 1990, BBC › Thriller político britânico de

TV inglesa é tubo de ensaio para êxitos made in USA Série. Dirk Gently’s Holistic Detective Agency junta-se à lista cada vez maior de originais britânicos que inspiram adaptações norte-americanas. Em quase todos os casos, com sucesso ANA FILIPE SILVEIRA

Dirk Gently's Holistic Detective Agency , que se estreou no dia 11 na Netflix, marca o regresso de Elijah Wood ao pequeno ecrã e é mais um original britânico a ser adaptado pela TV norte-americana. A ideia inicial do formato é da BBC, que em 2010 lançou duas temporadas com o nome Dirk Gently. O spin-off da plataforma de streaming tem oito episódios e mostra as aventuras de Gently (Samuel Barnett), um excêntrico detetive holístico, que é acompanhado por Todd (Elijah Wood), um parceiro um pouco mais prudente e comedido. A nova dupla junta-se ao rol de produções que têm atravessado o Atlântico em busca de consagração universal, numas vezes com sucesso, noutras nem tanto. Uma tradição antiga que se tem intensificado nos últimos anos. Só desde o início desta década já viram a luz do dia as versões norte-americanas dos originais ingleses House of Cards, Black Mirror, Skins, Veep (The Thick of It), Being Human, Shameless, Free Agents e Mistresses. Provavelmente, antes de 2010, aplicar-se-ia o velho ditado de que “a

pior coisa que se pode fazer a um tas ideias para outro lado, retiranbritânico é obrigá-lo a ver a adapta- do-as do seu contexto original”, deção americana da sua série preferi- fende o jornalista JamesWhitbrook. No entanto, tem sido uma opção da”. Hoje, perante a aclamação universal da maioria dos últimos re- cada vez mais recorrente. Perante o makes e spin-off, o ditado pode bem desgaste de formatos tradicionais ser “a melhor coisa que se pode fazer da TV norte-americana, dominada a um britânico é adaptar a série dele por grandes cadeias privadas orientadas para as receitas comerciais, a e torná-la famosa”. O preconceito dos britânicos em criatividade estrangeira tem sido relação às versões made in USA é an- um aditivo importante. “Verifica-se tigo e, de acordo com os próprios, um esgotamento dos arcos narratideve-se ao “fervor patriótico”, mas vos. Estão a fazer clones dos prótambém a experiências mal-sucedi- prios originais, como acontece com o CSI, ou a prolongar das. Skins é um desses excessivamente as exemplos. Emitida séries durante demacom aclamação dos espectadores e da críti- “A TV é um produto siadas temporadas”, da nação em que aponta Dora Santos ca na Europa, chegou à Silva, investigadora na MTV nos EUA com é criada”, alerta área das Indústrias uma versão politicaWhitbrook Criativas e docente da mente correta do enreUniversidade Nova de do, feita para agradar Lisboa. “É natural que às conservadoras associações de espectadores, bem como as produtoras, ao verificar o êxito com erros de casting, o que motivou das séries britânicas, as adaptem à o seu cancelamento após a primei- sua realidade”, sintetiza. Acrescenta ainda que, “em muitos casos, os ra temporada. “A televisão é, em grande parte, americanos conseguem, pela escaum produto da nação em que é cria- la de produção que têm, torná-las da. Não só o conteúdo mas também mais atrativas, dando-lhe uma dia aparência ou o tom em que é apre- mensão e uma espetacularidade sentada. Então pode soar sempre que, até por questões de orçamenpostiço transplantar subitamente es- to, os europeus não conseguem”.

A investigadora realça ainda a cultura norte-americana, muito baseada no consumo de produção nacional. “Apenas as classes mais elitistas veem televisão europeia, não há uma tradição de transmissão de originais estrangeiros, e é por isso também que os americanos optam por adaptar, ao invés de importar.” A procura por séries tem aumentado, mas as formas de consumo têm mudado. “Hoje, a televisão tradicional disputa espaço com os torrents, com os downloads ilegais, e mesmo com as plataformas de streaming”, o que, de acordo com Dora Santos Silva, exige mais de quem produz. “Querem ganhar dinheiro depressa e, para isso, é mais rápido adaptar algo já bem-sucedido do que criar um produto novo.” “O mercado das séries teve uma evolução espantosa e isso vê-se também pela transição dos grandes atores de cinema, que estão agora em TV. Há um grande investimento nas séries, mas também nos argumentos. No fundo, uma série vive muito do seu argumento e da capacidade de se desdobrar em vários arcos narrativos. E os britânicos são muito bons nisso, não há como fugir”, conclui a docente da Universidade Nova de Lisboa.

quatro episódios que ficciona a ascensão ao poder do manipulador e maquiavélico Francis Urquhart quando Thatcher abandona o poder no Reino Unido. O argumentista Andrew Davies adaptou, para esta série, uma novela escrita por Michael Dobbs, antigo chefe de gabinete na sede do Partido Conservador britânico.

The Thick of It/Veep 2005-2012, BBC › Uma sátira apurada aos bastidores do governo britânico e ao ambiente de poder e manipulação que se vive no Ministério dos Assuntos Sociais, cujo titular, constantemente pressionado pelo primeiro-ministro, está dependente de uma equipa de funcionários públicos pouco digna de confiança.

The Office 2001-2003, BBC › Uma sitcom que é uma espécie de documentário sobre o dia-a-dia de um escritório na filial de Slough da empresa de papel Wernham Hogg. Criada e realizada por Stephen Merchant e Ricky Gervais, conta com este último como a personagem principal, David Brent.

Black Mirror 2011 Channel 4 › Antologia britânica criada por Charlie Brooker, junta ficção especulativa com temas negros e satíricos para examinar a sociedade moderna, com particular enfoque nas consequências inesperadas do avanço tecnológico. Foi inicialmente transmitida no Channel 4, em 2011, mas acabou por ser adquirida pelo Netflix, que a exibe desde 2015.


42

Quarta-feira _14 de dezembro de 2016. Diário de Notícias

MEDIA_PESSOAS _PESSOAS

PUB

Chris Evans é o ator mais rentável de Hollywood Forbes. O intérprete encabeça a lista dos artistas mais valiosos para a indústria cinematográfica. Por cada euro que recebe rende 127,63. ANA FILIPE SILVEIRA

Por cada euro que recebeu de salário, Chris Evans gerou 127,63 euros. As contas foram feitas pela Forbes, que atribuiu ao ator norte-americano o título da personalidade de Hollywood mais rentável em 2016. O intérprete de Capitão América – Guerra Civil, filme que teve um orçamento de 234 milhões de euros e faturou 1,08 mil milhões, ocupa a primeira posição pelo segundo ano consecutivo: em 2015, por cada euro que recebeu, deu à indústria 170,78 euros. Os cálculos realizados pela revista norte-americana de economia e negócios comparou as estimativas de salários pagos aos atores com as receitas de bilheteira dos filmes que interpretaram entre junho de 2015 e junho passado. De fora ficaram as participações secundárias e em formatos de animação e ainda os títulos cinematográficos que não tenham sido exibidos em pelo menos duas mil salas de cinema. Não será de estranhar o caso de Chris Evans, de 35 anos, se se tiver em conta que Capitão América – Guerra Civil, estreado em abril em terras de Tio Sam, foi o primeiro filme de 2016 a arrecadar 375 milhões de dólares em receitas só nos Estados Unidos. É o terceiro título da saga produzida pela Marvel e com a dupla Anthony Russo e Joe Russo na realização, que tem conquistado fãs desde Capitão América – O Primeiro Vingador, lançado em 2011. Este alcançou na altura uma receita de 347 milhões de euros, enquanto o segundo filme – Capitão América – O Soldado do Inverno, de 2014 – rendeu 670 milhões. Chris Pratt, que há um ano não integrou este top 10, ficou agora na segunda posição. O ator norte-americano, que interpretou Os Sete Magníficos, de Antoine Fuqua, ao lado de Denzel Washington, rendeu à indústria de Hollywood 117,86 euros por cada euro que lhe foi pago em 2016. Segue-se Scarlett Johansson, que contracenou com Chris Evans em Capitão América – Guerra Civil, a atriz Mila Kunis, que desceu da segunda para a quarta posição, e Vin Diesel, que subiu da sétima para a quinta. Jennifer Aniston, Ben Affleck, Robert Downey J. e, em último, a dupla Matt Damon e Jennifer Lawrence completam a

Chris Evans protagoniza a saga cinematográfica Capitão América

lista dos dez artistas mais valiosos. De 2015 para agora, fica a notar-se a ausência de Dwayne “The Rock” Johnson, Mark Wahlberg, Chris Hemsworth, Emma Stone e Gwyneth Paltrow, todos eles na tabela referente a 2015. Já Depp é o menos valioso A informação foi divulgada pela Forbes uma semana depois de a publicação ter eleito Johnny Depp (também pelo segundo ano seguido) como o ator menos lucrativo

ATORES MAIS RENTÁVEIS Chris Evans 127,63 Chris Pratt 117,86 Scarlett Johansson 83,26 Mila Kunis 46,51 Vin Diesel 30,07 Jennifer Aniston 26,12 Ben Affleck 18,88 Robert Downey Jr. 17,29 Matt Damon e Jennifer Lawrence 16,63 *valores em euros

de Hollywood. Neste caso, o ator de 53 anos, que neste ano protagonizou os filmes Black Mass e Mortdecai e participou em Alice Através do Espelho, partilha o top 3 com Will Smith e Channing Tatum. Com apenas 2,6 euros por cada euro investido, a Forbes justifica que para este valor muito pesou o fraco desempenho nas bilheteiras dos recentes filmes do norte-americano, com o conjunto das longas-metragens examinadas a terem receitas totais de 416 milhões de euros. Nesta lista dos “atores demasiado bem pagos” estão ainda Will Smith, com um coeficiente de 4,65 euros recebidos por cada um gasto, e Channing Tatum, que atingiu os 5,58 euros por euro investido. A Forbes contemplou ainda, entre estes dez nomes, Will Ferrell, George Clooney, Adam Sandler, Mark Wahlberg, Leonardo DiCaprio e Julia Roberts, por ordem crescente de maior proveito para os estúdios.


Quarta-feira _14 de dezembro de 2016. Diário de Notícias

DESPORTO

43

Sporting em estado de alerta contra adversário traumático Taça de Portugal. Leões voltam ao Bonfim seis anos depois de ali terem caído. Jorge Jesus quer equipa “ao nível” do último jogo na Luz

Alerta máximo. É neste estado de espírito que o Sporting visita esta noite (21.00, SportTV1) o Estádio do Bonfim para discutir com o Vitória de Setúbal um lugar nos quartos-de-final da Taça de Portugal. Os leões chegam a esta partida numa situação bastante sensível da época, pois vêm de duas derrotas consecutivas. A primeira, frente ao Legia, em Varsóvia, determinou o afastamento das competições europeias, enquanto a segunda (com o Benfica) levou a que a equipa de Jorge Jesus voltasse a ficar a cinco pontos da liderança da Liga, quando tinha a expectativa de saltar para o primeiro lugar. Assim sendo, o jogo com os sadinos assume uma importância acrescida, uma vez que qualquer deslize poderá determinar o adeus a outro dos objetivos do Sporting para esta temporada, o que significaria o abrir de uma crise profunda em Alvalade, ainda que o objetivo da conquista do título, apesar dos cinco pontos de atraso para o líder, continue intacto, pois ainda faltam disputar 21 jornadas. Apesar de o momento não ser o melhor, Jesus deixa a certeza de que no Bonfim a sua equipa “tem de estar ao nível do último jogo” na Luz. “Vamos encontrar dificuldades nalguns momentos do jogo, mas acreditamos que o nosso objetivo de ultrapassar a eliminatória vai ser alcançado”, sublinhou o treinador leonino à SportingTV. Desde que chegou ao Sporting, no início da época passada, esta é a terceira vez que Jorge Jesus soma duas derrotas consecutivas (e a segunda nesta temporada), sendo que este ano já esteve quatro jogos sem vencer (dois empates com

Tondela e Nacional e duas derrotas com Borussia Dortmund). O estado de alerta sportinguista justifica-se ainda mais porque os jogos com o V. Setúbal para a Taça de Portugal têm sido imprevisíveis, pois em 14 eliminatórias os leões foram afastados seis vezes e saíram por cima em oito ocasiões (duas delas em finais, em 1954 e 1973). Ou seja, os setubalenses são a terceira equipa que mais vezes eliminou o clube de Alvalade na Taça – só Benfica (13) e FC Porto (12) o conseguiram mais vezes. E em Setúbal o Sporting só saiu vencedor por uma vez (1971). Foi precisamente há seis anos e três dias que o Sporting caiu aos pés do Vitória pela última vez. E, tal como agora no Bonfim, também a contar para os oitavos-de-final. Rui Patrício e João Pereira estavam no onze leonino e nada puderam fazer perante um V. Setúbal que venceu por 2-1. Ney Santos e Zeca fizeram os golos sadinos na primeira parte;

NÚMEROS

14

› eliminatórias da Taça de Portugal que opuseram Sporting e V. Setúbal, num total de 25 jogos, dos quais os leões venceram oito e os sadinos triunfaram em sete (10 empates).

6

› foram as vezes que o V. Setúbal eliminou o Sporting da Taça de Portugal. Só o Benfica (13) e FC Porto (12) conseguiram mais apuramentos diante dos leões.

No Bonfim, Jorge Jesus está obrigado a romper com o ciclo de duas derrotas seguidas, que alcançou na Luz pela terceira vez desde que assumiu o cargo de treinador do Sporting

MIGUEL A. LOPES/LUSA

CARLOS NOGUEIRA

Liedson ainda reduziu no último quarto de hora, mas foi insuficiente para a equipa orientada então por Paulo Sérgio. Curioso é que nesse jogo, relativo à época 2010-11, os sadinos eram treinados por Manuel Fernandes, figura histórica dos leões, e agora são orientados por José Couceiro, que em Alvalade já desempenhou as funções de dirigente, treinador e até foi candidato às últimas eleições leoninas, que elegeram Bruno de Carvalho, em março de 2013. Independentemente das questões emocionais, Couceiro já avisou que irá “tentar aproveitar situações em que o Sporting não seja tão forte”, prometendo que o seu V. Setúbal “terá a postura que tem tido nos últimos jogos” e lembrando ainda que a Taça de Portugal é uma competição “especial para a cidade”. O treinador dos sadinos desvalorizou o facto de os leões chegarem ao Bonfim com duas derrotas seguidas. “O Sporting está a jogar muito bem e demonstrou-o na Luz”, disse, justificando a derrota leonina no dérbi com “a falta de estrelinha”. “O futebol que apresenta é muito forte”, sublinhou.

Figo descarta candidatura e elogia Bruno de Carvalho PRESIDÊNCIA

Não será por Luís Figo que Bruno de Carvalho terá oposição nas próximas eleições do Sporting, marcadas para 2017. O antigo futebolista, cujo nome é regularmente apresentado como um dos potenciais candidatos à presidência do clube de Alvalade, descartou ontem a ideia de concorrer contra o atual presidente, a quem deixou mesmo vários elogios. “Desde que [Bruno de Carvalho] é presidente, tem tentado tudo o que é possível para que o clube volte ao rumo que deve ter, que são as vitórias”, considerou Luís Figo, à margem de uma ação de solidariedade da sua fundação. O antigo jogador de Sporting, Barcelona, Real Madrid e Inter de Milão, o primeiro Bola de Ouro formado nas escolas leoninas, destacou também o trabalho do atual presidente na gestão das contas e da forma como tem “tentado reduzir a dívida” sportinguista.

“Como adepto e sócio tenho de apoiar o presidente que está no ativo”, disse Figo, que põe assim de lado, pelo menos para já, a hipótese de ser candidato à presidência do clube. O ex-capitão da seleção nacional assegurou que os seus “projetos não passam muito por essa possibilidade”. Desafiado a comentar o dérbi do último domingo, no Estádio da Luz, que o Benfica venceu por 2-1, Figo disse que não conseguiu acompanhar o jogo, mas, pelo que leu, “o Sporting não merecia ter perdido, por aquilo que fez na segunda parte, principalmente”. O antigo jogador do Sporting acredita, no entanto, que os leões ainda podem chegar ao primeiro lugar. “Nos últimos anos, o campeonato português tem sido mais competitivo e isso faz que os cinco pontos de diferença [entre Benfica e Sporting] possam ser recuperáveis”, avaliou o antigo internacional.


DESPORTO

44

Quarta-feira _14 de dezembro de 2016. Diário de Notícias

Presidente do Real é benfiquista mas só pensa em eliminar as águias Taça de Portugal. Apesar de reconhecer que a tarefa é bem complicada, o líder Adelino Ramos confia que o emblema de Massamá, a militar no terceiro escalão, pode fazer história nesta noite no Restelo contra o seu clube de infância BENFICA

Rui Vitória admite algumas alterações › “Prevejo algumas alterações”, admitiu, sem grandes pormenores, o treinador do Benfica, na antevisão deste jogo com o Real feita apenas para o canal televisivo do clube. Rui Vitória não especificou nomes, mas é provável que aproveite este jogo com a equipa de Massamá para fazer regressar à competição o avançado brasileiro Jonas, ausente dos relvados desde agosto. De resto, promete “máximo respeito” contra “um adversário motivado”. “É um jogo de Taça de Portugal e as equipas acreditam que o seu dia vai aparecer”, lembrou Vitória. Quanto ao Benfica, “depois de uma vitória como a de domingo [contra o Sporting], a equipa está bem”, referiu o técnico encarnado, prometendo que frente ao Real, no Restelo, “vão entrar os melhores para dar resposta ao que o adversário nos pode apresentar”.

Jogadores do Real Sport Clube afinam a pontaria para o jogo de hoje frente ao tricampeão nacional Benfica ANDRÉ CRUZ MARTINS

O Real Sport Clube está a poucas horas de disputar o jogo mais mediático na sua história de 65 anos. O presidente Adelino Ramos reconhece “alguma ansiedade” para o encontro com o Benfica, marcado para esta noite (19.00, SportTV1) no Estádio do Restelo, a contar para os oitavos-de-final da Taça de Portugal. “É uma experiência nova para nós, pois vamos defrontar um dos melhores clubes nacionais e mesmo mundiais. Não estou dentro da cabeça dos jogadores, mas certamente estão cientes de que será uma montra para eles e por isso estarão um pouco mais nervosos do que o habitual. De qualquer forma, convém não exagerar e por isso não o encaramos como o jogo das nossas vidas”, começa por referir, ao DN. O líder do clube da Linha de Sintra acredita numa surpresa. “Temos a clara noção do desnível que existe entre nós e o Benfica, mas vamos dar tudo dentro de campo e tenho a certeza de que podemos fazer frente ao Benfica. O prémio de jogo?

Ainda não falámos desse assunto com os jogadores, mas uma equipa do terceiro escalão eliminar um grande seria um feito quase sem precedentes no futebol nacional e pouco habitual no futebol internacional, por isso estaremos a falar de um prémio mais elevado do que o habitual”, sublinha. Na terceira eliminatória, o Benfica só eliminou o 1.º de Dezembro, também do terceiro escalão, com um golo de Luisão aos 90+6 minutos, marcou o golo que evitou o prolongamento. E nesta edição, o Real já afastou o Arouca, da I Liga, e o Olhanense, da II Liga… Adelino Ramos lamenta não poder receber o Benfica em Massamá. “É uma pena, mas o nosso estádio não tinha as condições mínimas para acolher este evento e para jogarmos lá teríamos de fazer um grande investimento imediato. De qualquer forma, vamos jogar no Restelo como se estivéssemos em nossa casa e contamos com o apoio de cerca de 3000 a 3500 adeptos”, anuncia. Número bastante superior à assistência média nos jogos em casa no Campeonato de Portugal (entre 500 e mil espectadores).

E quem sabe se nas bancadas do Restelo não estará um adepto muito especial: Nani, o mais mediático produto da formação do Real, que representou entre os 9 e os 15 anos (antes de se mudar para o Sporting). “Enviámos-lhe um convite para o jogo e tínhamos muito gosto que ele acedesse. Não sei, no entanto, se terá hipóteses de se deslocar a Portugal…”, revela o presidente, acrescentando que o internacional português ainda contacta com responsáveis que se mantêm no clube desde aquele tempo.

Adelino Ramos espera ter mais de 3000 adeptos do Real no Restelo

Curiosamente, Adelino Ramos é um fervoroso adepto dos encarnados. “Desde pequenino que sou do Benfica, por influência familiar, mas amanhã [hoje] não tenho o coração dividido. Sou 200% do Real”, garante, estabelecendo o desejo de que as águias apresentem uma equipa próxima da máxima força – algo que não deve suceder, pois Rui Vitória vai dar oportunidade a jogadores habitualmente não titulares (ver caixa). A equipa de Massamá é orientada por Filipe Martins, de 38 anos, que vive a primeira experiência como técnico principal numa equipa sénior, depois de ter treinado os escalões jovens do Belas e do Real. E, para já, tem realizado um trabalho brilhante, pois a equipa é líder incontestada da série G do Campeonato de Portugal, com seis pontos de avanço sobre o Sintrense. O objetivo de subir à II Liga está bem encaminhado e Adelino Ramos não duvida de que o clube está pronto para esse escalão. “Quem assiste aos nossos jogos é testemunha da alta qualidade do nosso jogo, com um plantel for-

mado por uma maioria de jovens promissores, mesclada com alguma experiência, e quase todos os jogadores são profissionais. Temos um bom complexo desportivo, com condições de trabalho que muitos clubes da II Liga não têm. Acredito que, com um ou outro ajuste no plantel, teremos qualidade suficiente para competir no segundo escalão”, defende. Foi no final da época de 2006-07 que o Real mais perto esteve de se estrear numa competição profissional, mas acabou por ser derrotado pelo Fátima no play-off de acesso à Liga de Honra. Um Fátima onde então era treinador... Rui Vitória, o atual técnico do Benfica. Por fim, um desabafo, e um pedido, de Adelino Ramos sobre o nome do clube. “Passamos constantemente para a comunicação social a mensagem de que o nosso nome é Real Sport Clube. Compreendemos que, por uma questão de identificação geográfica, as pessoas digam Real de Massamá, mas mais uma vez fazemos o apelo para que não se enganem no nosso nome”, pede.


Quarta-feira _14 de dezembro de 2016. Diário de Notícias

DESPORTO

45

EPA/YUYA SHINO

PUB

Cristiano Ronaldo encontra-se no Japão com o Real Madrid para disputar o Mundial de Clubes

“Teria mais Bolas de Ouro se jogasse ao lado de Messi” Ronaldo. À France Football, CR7 diz sentir que a idade já o obriga a gerir o esforço nos jogos e admite mudar as suas funções em campo CARLOS NOGUEIRA

Cristiano Ronaldo admitiu à revista francesa France Football que “seria interessante” jogar na mesma equipa que Messi. “Os grandes jogadores deviam jogar juntos”, afirmou na entrevista que assinalou a conquista da quarta Bola de Ouro da sua carreira. Aliás, o internacional português chega mesmo a admitir, em jeito de brincadeira, que ao lado de Messi “teria mais Bolas de Ouro, mas poucas mais”. O número 7 do Real Madrid e da seleção nacional admitiu que estava à espera de ganhar este prémio por uma larga diferença, como, aliás, aconteceu – 400 pontos de vantagem sobre Messi. “Pensei que iria haver uma grande diferença. Leo e Griezmann estiveram bem, tal como Gareth Bale e outros jogadores do Real Madrid e da seleção portuguesa, mas estava confiante. Contudo, não dependia de mim, por isso apenas me preocupei em manter o meu nível”, salientou. A poucos dias de entrar em campo em Yokohama, no Japão, para ajudar o Real Madrid frente aos mexicanos do América, nas meias-finais do Mundial de Clubes (amanhã às 10.30), Cristiano Ronaldo admitiu que o título de melhor futebolista do mundo era algo que “imaginava poder ganhar uma vez, não quatro”, recordando que “em pequeno acompanhava a atribuição do prémio a grandes jogadores”, embora o que o mais o tenha

marcado foi quando Luís Figo foi coroado, em 2000. Aos 31 anos, CR7 admite que já mudou alguma coisa na sua forma de jogar. “Eu procuro estar sempre bem fisicamente. Não penso apenas nesta temporada, mas também nas próximas, e como tal preciso de gerir o esforço. Convém ser inteligente”, sublinha, deixando a certeza de que “é normal” passar a jogar de outra forma. “Com a idade os seres humanos perdem umas coisas e ganham outras”, admitiu, lembrando que atualmente “a recuperação depois dos jogos é um pouco mais lenta, sobretudo quan-

CR7 garante não ter feito nada de errado no caso em que é acusado de fugir aos impostos

do há partidas a cada três dias”. “Se gerir bem o esforço posso ter uma carreira longa”, frisou, mostrando-se “disponível para mudar” a sua posição no campo. Na memória de Ronaldo está ainda os tempos de criança, quando “fazia coisas que os outros não faziam”. “Era mais rápido, chutava melhor, marcava mais golos... Compreendi que era melhor do que os outros e quando passei a jogar com os mais velhos percebi que podia ser futebolista profissional”, revelou. Agora, com a quarta Bola

de Ouro na mãos, assume que se trata de uma distinção “especial”. “Costumo dizer para mim próprio: Cristiano, vale a pena trabalhar tanto durante o ano e ter feito tantos sacrifícios”, adiantou, explicando que “às vezes é difícil expressar os sentimentos” nestes momentos. “Tenho uma alegria imensa, penso nas pessoas que me rodeiam, na minha família e naqueles que trabalham comigo para que continue a ser o melhor”, sublinhou. À pergunta sobre se o passo seguinte é igualar as cinco Bolas de Ouro de Messi, CR7 deixou bem expressa a sua vontade: “Vou tentar. Estarei na luta como sempre, mas o objetivo agora é conquistar o Mundial de Clubes. Depois, vencer a Liga, a Champions e a Taça de Espanha. Quero ganhar tudo.” “Sinto-me inocente na prisão” Cristiano Ronaldo falou pela primeira vez do caso revelado pelo Football Leaks sobre a acusação de ter fugido aos impostos em Espanha, por ter desviado 150 milhões de euros para um paraíso fiscal. O jogador admitiu que é uma situação que o “incomoda”. “Magoou-me porque tenho feito bem as coisas, tenho sido transparente, toda a gente conhece a minha vida”, admitiu, lembrando que se trata de algo “grave” que o afeta. “Há muitos inocentes na prisão, é assim que me sinto. Sei que não fiz nada de errado e dizem que fiz. Ninguém pode ficar contente com uma situação destas”, finalizou.


DESPORTO

46

Quarta-feira _14 de dezembro de 2016. Diário de Notícias

Prodígio Verstappen bateu o recorde de ultrapassagens na F1

Portugal volta a ter dois torneios no European Tour

Automobilismo. Piloto holandês atingiu marca inédita desde que os dados começaram a ser

GOLFE Sete anos depois,

Open de Portugal regressa ao calendário do principal circuito europeu. Torneio vai realizar-se em Portimão

registados, em 1983. Mas Lewis Hamilton foi o que mais ultrapassou numa única corrida

Max Verstappen vai de recorde em recorde na Fórmula 1. Apelidado de menino-prodígio, o piloto holandês teima em comprovar na pista que os elogios têm razão de ser, superando até as expectativas com vários recordes nos primeiros anos. Segundo a fabricante de pneus Pirelli, o filho do ex-piloto Jos Verstappen bateu esta temporada o recorde de ultrapassagens num só ano da Fórmula 1, desde que há registos desta estatística (a partir de 1983): um total de 78, divididas entre a Red Bull (60) e a Toro Rosso (18), onde iniciou a época. Este é mais um recorde para um palmarés que vai amealhando feitos raros em idades precoces. Verstappen tornou-se o mais novo a pilotar um carro de F1, pouco depois de completar 16 anos. Em 18 de agosto de 2014, a Toro Rosso anunciou a contratação do holandês para o lugar de Jean-Éric Vergne. A contratação do jovem gerou críticas, incluindo do ex-campeão da categoria Jacques Villeneuve, que disse mesmo que “era a pior coisa para a Fórmula 1”. No entanto, logo na sua segunda corrida na categoria alcançou o sétimo lugar, no GP da Malásia de 2015, tornando-se o mais jovem piloto a pontuar no Circo, com 17 anos e 180 dias de idade – superando assim o russo Daniil Kvyat, que marcou os primeiros pontos na elite do automobilismo com 19 anos e 324 dias de idade, no GP Austrália desse ano. Já este ano, somou mais recordes de relevo. No GP de Espanha, o piloto holandês subiu ao lugar mais alto do pódio pela primeira vez. Um resultado que lhe permitiu alcançar três marcas históricas: o mais jovem piloto a liderar uma prova, o mais jovem a subir ao pódio, o mais jovem a vencer e também o primeiro holandês a fazê-lo. Agora, dias depois de ter recebido a distinção pela Ação do Ano, da Federação Internacional de Automobilismo, passa a ser dono de mais recordes na F1: o de mais ultrapassagens feitas numa época. Segundo a Pirelli, que começou a registar os dados da F1 em 1983, entende-se por ultrapassagem “todas as manobras realizadas em uma volta rápida (excluindo a da largada), onde a posição ganha é mantida até ao fim da volta”. E sem contar quando isso acontece com ajuda de problemas mecânicos dos adversários ou no reabastecimento. Assim,

EPA/DIEGO AZUBEL

ISAURA ALMEIDA

Jovem Max Verstappen teve uma temporada feliz na Red Bull

baseada neste método, a empresa italiana registou um total de 866 ultrapassagens nesta temporada, com uma média de 41,2 por corrida. Um número que revela um aumento de 53% em relação a 2015 (total de 509 ultrapassagens). Ainda segundo dados da Pirelli, o piloto que mais passou pelos ri-

DESTAQUES

78

› ultrapassagens O recorde obtido pelo holandês Max Verstappen ao longo da temporada de 2016 na F1. Já tinha sido o melhor em 2015, na Toro Rosso, com 49.

41

› lugares na 1ª volta O espanhol Fernando Alonso foi o rei das partidas. O piloto da McLaren ganhou 41 lugares no conjunto das voltas iniciais dos 21 Grandes Prémios.

vais na mesma corrida foi Lewis Hamilton, que no GP da China passou por 18 outros carros. A prova chinesa tem ainda o recorde da época, com 128 ultrapassagens, muito à frente do GP do Brasil (64), enquanto o Grande Prémio da Hungria foi o que teve menos (10). Vettel só foi ultrapassado uma vez Em 2016 houve um piloto que só por uma vez viu alguém passar por ele: Sebastian Vettel. E quem foi o único a conseguir ultrapassar o alemão da Ferrari ? Não, não foi o novo campeão mundial (entretanto reformado) Nico Rosberg, nem Hamilton... mas, lá está, Max Verstappen, no GP do Brasil, à chuva, naquele que foi o melhor desempenho do holandês. Na contabilidade geral, a equipa que mais ultrapassagens conseguiu foi a Red Bull, com 136 no total: 61 de Daniel Ricciardo, 60 de Verstappen e 15 de Daniil Kvyat. Já os dois Mercedes foram os menos ultrapassados: apenas sete vezes (Nico Rosberg em quatro e Hamilton em três). Fernando Alonso foi o piloto que ganhou mais lugares na primeira

volta dos grandes prémios (41). O espanhol prometeu ontem continuar a galgar lugares na McLaren-Honda em 2017, acabando assim com os rumores de que poderia ser candidato à vaga de Rosberg na Mercedes. Maldonado quer voltar Pastor Maldonado ainda não desistiu da Fórmula 1 e revelou que está a trabalhar para regressar à competição. “Tenho estado em conversações com algumas equipas e estou bastante otimista”, afirmou o piloto venezuelano, que correu pela Williams e pela Lotus até 2015, quando viu o seu maior patrocinador retirar o apoio, o que o deixou de fora do Circo em 2016 . “Infelizmente, algumas situações tiraram-me da F1 e, como todos sabem, regressar pela porta da frente nunca é fácil. No início foi duro aceitar estar fora da competição, mas depois senti-me melhor quando vi a performance da Renault”, explicou, sem excluir outras categorias: “Espero estar na grelha de partida no GP da Austrália. Obviamente, não excluo outras categorias, mas a intenção é a F1.”

O Open de Portugal de golfe vai regressar em 2017, após sete anos de interregno, e vai integrar o calendário do European Tour, o principal circuito europeu, que ontem divulgou o programa de torneios para o próximo ano. Com este regresso de um dos mais antigos torneios do European Tour (integrou a segunda edição do circuito, em 1973), Portugal volta assim a ter duas datas no calendário da primeira divisão europeia, juntando-se o Open de Portugal ao Portugal Masters, que em 2016 foi a única etapa lusa do European Tour (após a saída do Madeira Open). O regressado torneio vai realizar-se entre 11 e 13 de maio no Morgado Golf Resort, em Portimão, depois de o campo da Penha Longa, em Sintra, ter acolhido a última edição, em 2010, de onde saiu vencedor o dinamarquês Thomas Bjorn, novo capitão da seleção europeia na Taça Davis. O Open de Portugal assume o formato de dual ranking, ou seja, conta simultaneamente para a Corrida para o Dubai (o ranking do European Tour) e para a Corrida para Omã (o ranking do Challenge Tour, a segunda divisão europeia). Já o Portugal Masters vai continuar a disputar-se no OceânicoVictoria, emVilamoura, também no Algarve, de 21 a 24 de setembro. “É com grande satisfação que vemos concretizado um dos grandes objetivos da Federação Portuguesa de Golfe (FPG), com o regresso do Open de Portugal”, congratulou-se Miguel Franco de Sousa, o presidente da FPG . “A época de 2017 promete ser muito significativa para o European Tour, com o início da Rolex Series [ uma associação de alguns dos principais torneios do circuito, com um prize money mínimo de sete milhões de dólares]e o regresso de três eventos em Portugal, na Sicília e em Espanha e pelo menos mais um torneio a ser confirmado em breve”, afirmou o diretor-geral do circuito, Keith Pelley, que realçou “a cooperação de há muitos anos com a FPG e a PGA de Portugal, que possibilitou o regresso do Open de Portugal ao European Tour”. Além destes dois torneios, a temporada de 2017 ficará marcada também pela presença de dois jogadores portugueses no principal circuito europeu: Ricardo Melo Gouveia e José Filipe Lima.


Quarta-feira _14 de dezembro de 2016. Diário de Notícias

DESPORTO

47

PERFIS Quem são os três candidatos? Dois dos melhores e mais promissores maratonistas e o recordista da meia-maratona.

NIKE

Eliud Kipchoge

O etíope Desisa, o queniano Kipchoce e o eritreu Tadese: os três homens escolhidos pela Nike para tentar ultrapassar a mítica barreira

Maratona abaixo das duas horas: missão da Nike avança em 2017 Atletismo. Depois do projeto de Haile Gebrselassie para quebrar a mítica barreira temporal, surge uma iniciativa concorrente. Desisa, Kipchoge e Tadese vão tentá-lo numa corrida especial RUI MARQUES SIMÕES

Correr uma maratona em menos de duas horas é a última missão impossível do atletismo, uma barreira lendária da qual ninguém foi capaz sequer de se aproximar. No entanto, a quimera pode estar mais próxima de se converter em realidade: a Nike tem em marcha mais um projeto para derrubar a mítica fasquia e vai pô-lo à prova já em 2017, numa corrida em condições especiais, com a participação dos africanos Eliud Kipchoge, Lelisa Desisa e Zersenay Tadese. Depois do Sub 2 Hrs, projeto lançado há cerca de dois anos por Haile Gebrselassie, lendário atleta etíope de longa distância, detentor do recorde mundial de maratona de 2007 a 2011, e Yannis Pitsiladis, professor e investigador da Universidade de Brighton (Inglaterra), surge uma iniciativa concorrente e tão ou mais ambiciosa. A uni-las está o objetivo científico e desportivo de passar à história o atual recorde mundial dos 42 195 quilómetros – 2.02:57, fixado pelo queniano Dennis Kimetto, a 28 de setembro de 2014, na Maratona de Berlim (Alemanha). “Atendendo ao que já sabemos e ao que precisamos de descobrir, cinco anos deverão ser suficientes para cumprir o objetivo”, garantia Pitsiladis ao DN em 2014 – ainda antes de o Sub 2 Hrs entrar em fase

de execução, com o veterano etíope Kenenisa Bekele a servir de cobaia a testes físicos, enquanto os promotores do projeto tentavam reunir uma equipa de jovens promessas capazes de passar à fase seguinte. No entanto, agora, o académico inglês e Gebrselassie estão em risco de ser ultrapassados pela iniciativa da Nike, intitulada Breaking2. A marca de artigos desportivos dos EUA diz que é uma espécie de “Missão a Marte”. Com algum secretismo, reuniu um grupo de especialistas de biomecânica, desenvolvimento de materiais, design,

Molde e data da corrida não são conhecidos nem se sabe se a IAAF validará os resultados

engenharia, fisiologia, nutrição, psicologia e treino para estudar e preparar as condições ideais para que a fasquia das duas horas seja superada. Das propriedades aerodinâmicas do vestuário e calçado à definição do ritmo de corrida, regime nutritivo, tipo de clima e espécie de pista a usar, nada é deixado ao acaso pela equipa que está a desenvolver o Breaking2, descreve Ed Caesar, jornalista da revista norte-americana Wired, com uma vas-

ta obra publicada sobre o tema e que foi convidado para acompanhar o processo. Caesar defendeu no seu livro Two Hours –The Quest to Run the Impossible Marathon (Duas Horas – A Busca por Correr a Maratona Impossível) que as condições ideais para ultrapassar a mítica barreira seriam organizando uma prova de 42 195 quilómetros num circuito fechado (de várias voltas), protegido do vento, com temperaturas amenas (para os atletas não sobreaquecerem), com um mínimo de curvas apertadas, com grupos de lebres que iam entrando e saindo da corrida a cada volta e tendo como candidatos alguns atletas de topo, cativado por prémios chorudos. Será algo desse género que a Nike está a preparar para a primavera do próximo ano. Os moldes e a data da corrida não são conhecidos. Nem é certo que a Associação Internacional de Federações de Atletismo (IAAF) reconheça e valide algum novo recorde mundial aí fixado. Mas isso não limita a ambição dos responsáveis pelo projeto Breaking2. “A maratona abaixo das duas horas é uma dessas barreiras épicas que as pessoas querem ultrapassar, como correr 100 metros em menos dez de segundos ou uma milha em menos de quatro minutos [façanhas já alcançadas]”. Nós só queremos mostrar que pode ser feito e está dentro da capacidade da fisiologia

humana”, diz Tony Bignell, dirigente da secção de inovação da Nike, citado pela revista Runners World. Só os africanos se aproximaram Os candidatos escolhidos para tentar superar a lendária fasquia – tendo em conta os seus desempenhos anteriores e margem de progressão que apresentam – são o queniano Eliud Kipchoge, o etíope Lelisa Desisa e o etritreu Zersenay Tadese. A preferência por atletas africanos é óbvia (mesmo que Pitsiladis, mentor do projeto Sub 2 Hrs, admitisse que a nova marca pudesse ser fixada por “um atleta de outra etnia, europeu ou asiático, que tivesse trabalhado e evoluído na África Oriental”): os 50 melhores tempos de sempre nos 42 195 quilómetros são da autoria de atletas quenianos ou etíopes – enquanto a melhor marca europeia ainda é 2.06:36, fixada pelo português António Pinto, em 2000. O último atleta de origem não africana a deter o recorde mundial da maratona foi o brasileiro Reginaldo da Silva: 2.06:05, em 1998. Em 18 anos, e mesmo com a revolução propiciada pelos fundistas do vale do Rift (oito já correram abaixo de 2.04:00), a marca baixou pouco mais de três minutos. Fazê-la baixar, de uma só vez, outros tantos minutos parece uma missão demasiado futurista. Se é ou não impossível? Os homens da Nike vão prová-lo em 2017.

› Tem 32 anos: nasceu a 5 de novembro de 1984, no Quénia. › Sagrou-se campeão olímpico de maratona no Rio 2016 › Melhor tempo: 2.03:05. › Kipchoge é provavelmente o melhor maratonista da atualidade. O queniano, que já tinha sido bronze e prata nos 5000 metros (em 2004 e 2008), depois de se ter sagrado campeão mundial da distância aos 18 anos, tem um registo impressionante em maratonas: sete vitórias em oito provas. E foi quem mais se aproximou do recorde, ao fazer a Maratona de Londres deste ano em 2.03:05. Diz que o desafio da Nike é “mentalmente intimidante”.

Lelisa Desisa › Tem 26 anos: nasceu a 5 de janeiro de 1990, na Etiópia. › Venceu por duas vezes a histórica Maratona de Boston. › Melhor tempo: 2.04:45. › A vitória na edição de 2013 da Maratona de Boston marcou a carreira de Desisa: o etíope comoveu os norte-americanos ao doar a medalha à cidade, após a prova ter sido visada por um atentado terrorista. Nesse dia, tinha registado o recorde pessoal na distância. E voltou a vencer a prova em 2015. “Vemo-nos como irmãos, mas quando se tratar de correr seremos adversários”, diz Desisa, perspetivando a luta com Kipchoge e Tadese em 2017.

Zersenay Tadese › Tem 34 anos; nasceu a 8 de fevereiro de 1982, na Eritreia. › É o recordista mundial de meia maratona – 58.23, fixados em Lisboa, em março de 2010. › Melhor tempo: 2.10:41. › Tadese é um homem de distâncias mais curtas, mas a quem apontam potencial para ainda brilhar nos 42 195 quilómetros. A sua carreira ficou marcada pela conquista da primeira medalha olímpica da Eritreia (bronze nos 10 000 metros em Atenas 2004) antes de se tornar especialista na meia-maratona. “Sei que um dia vai baixar-se das duas horas. Quero fazer parte disso”, afirma o eritreu.


www.dn.pt QUARTA-FEIRA 14 de dezembro de 2016 Ano 152.º, N.º 53 930

Conselho de Administração Daniel Proença de Carvalho (Presidente) Vítor Ribeiro, José Carlos Lourenço, Teresa da Graça, Rolando Oliveira, Luís Montez e Jorge Carreira (administradores) Propriedade Global Notícias Media Group, SA; Matriculada na Conservatória do Registo Comercial de Almada. Capital social: 37 992 741,52 euros. NIPC: 502535369 Sede R. Gonçalo Cristóvão, 195-219, 4049-011 PORTO Tel: 222 096 100; FAX 222 096 200Filial Rua Tomás da Fonseca, Torre E, 3º piso 1600-209 LISBOA TEL: 213 187 500 FAX: 213 187 501 Marketing e Comunicação Ana Marta Heleno (diretora) Publicidade Luís Ferreira (diretor-geral) Direção Comercial Paulo Pereira da Silva, Reinaldo Capela (agências ) e Luís Barradas (Diretos) Detentores de mais de 5% do capital social: Controlinveste Media, SGPS, SA - 27,5%; GAM Holdings - 27,5%; BCP, SA - 15%, Novo Banco, SA - 15%; Grandes Notícias, Lda - 15% Impressão Gráfica Funchalense (Rua da Capela da Nossa Senhora da Conceição, 50, Morelena, 2715-029 Pero Pinheiro); Naveprinter (EN, 14 (km 7.05) – Lugar da Pinta, 4471-909 Maia) Distribuição VASP; Registado na ERC com o n.º 101326. Assinaturas 707 200 508. Custo das chamadas da rede fixa 0,10€/minuto e da rede móvel 0,25€/minuto, sendo ambas taxadas ao segundo após o 1º minuto. Valores sujeitos a IVA. Dias úteis, das 7h às 18h. Fax: 21 924 19 95 – E-mail: assinaturas@dn.pt.

HISTÓRIAS DE PESSOAS

Como o Festival de Cinema de Macau caiu no colo de Maria Helena Fernandes Depois da súbita desistência de Marco Müller, o 1.º Festival de Cinema de Macau chamou de urgência para a direção Maria Helena de Senna Fernandes, do Turismo de Macau. Uma emergência para que um evento de milhões não fosse cancelado em cima da hora. Uma empreitada surreal para uma macaense filha de português e sem cinefilia em dia RUI PEDRO TENDINHA, em Macau

E se de repente alguém tivesse que presidir a um festival de cinema de um dia para o outro? Um festival em versão inaugural e com ambições nada modestas. Foi o que aconteceu a Maria Helena de Senna Fernandes, a diretora do Turismo de Macau, uma macaense de origem portuguesa que confessa não ter costela cinéfila, agora diretora do 1.º Festival Internacional de Cinema de Macau. Tudo isto porque um mês antes do festival que hoje termina, Marco Müller, o diretor, bateu com a porta. Uma atitude que caiu que nem uma bomba no meio cinematográfico. O ex-diretor do Festival de Locarno e de Veneza, conhecido pela sua grande paixão pelo cinema asiático de autor, terá afirmado que discorda da forma como o governo de Macau estava a encarar esta primeira edição. Contudo, grande parte da programação e dos convites já estavam feitos. Maria Helena chegou sobretudo para salvar esta primeira edição, mas não se cansa de sublinhar que toda esta aventura cinematográfica é temporária: “O meu trabalho durante o dia é o turismo. Por isso, quero que os convidados conheçam as atrações turísticas do território.”

Nascida e criada em Macau, antes de enveredar pelo turismo, estudou Marketing e começou o seu percurso a trabalhar num banco: “Naquela altura, em Macau, era um bocado moda toda a gente trabalhar na banca. Estive apenas um ano por lá e, graças a uma tia, fui convidada a trabalhar para o governo, no turismo. Ainda cheguei a hesitar porque tinha uma ideia de que quem trabalhava para o governo tinha de

Não é muito fácil convencer estrelas de Hollywood a irem a Macau

lidar com muita burocracia. A verdade é que entrei na direção-geral de serviços e fiquei até agora. Basicamente, vi o território crescer. Quando comecei, devo dizer que não era nada fácil promover Macau, poucas pessoas conheciam este local – Hong Kong ofuscava-nos.” O 1.º Festival Internacional de Cinema de Macau é precisamente uma ideia para promover a cultura de Macau, tornando-se desde logo um evento internacional com filmes de todas as nacionalidades e com especial ênfase no

cinema asiático. E porque é estratégia do governo local nunca deixar cair o português e a sua cultura, desde cedo que uma das ideias era trazer cinema nacional. São Jorge, de Marco Martins, foi o filme escolhido para a competição (passou sem esgotar a sua sessão na sala da Torre de Macau) – Nuno Lopes e Marco Martins sagraram-se ontem vencedores, com os prémios de melhor ator e melhor realizador do festival, respetivamente. Os próximos projetos de João Botelho (Peregrinação) e João Rui Guerra da Mata e João Pedro Rodrigues (270 San Ma Lou, Macau) foram também selecionados para a secção de pitching Crouching Tiger, onde um júri internacional era responsável por um prémio de dez mil euros. Curiosamente, a vitória coube à dupla Mata e Rodrigues. Com um português fluente (além de inglês) e uma relação muito próxima com Portugal, Maria Helena, filha de mãe macaense e pai português, conta que a mistura de línguas é algo natural: “Em minha casa sempre se falou três línguas. A minha mãe nunca falou português, só cantonês. O inglês servia para ela comunicar com o meu pai, que, por sua vez, comunicou sempre comigo em português. Devido à língua acabo por estar muito próxi-

Com um percurso no turismo, Maria Helena Fernandes cumpriu a missão imprevista de dirigir o primeiro Festival Internacional de Cinema de Macau. As duas áreas cruzam-se, na ótica desta filha de mãe macaense e pai português, que quer agora descansar das dores de cabeça do certame

ma da comunidade portuguesa.” Com esta proximidade toda com Portugal, será que para o ano o diretor artístico pode vir a ser português? “Nunca se sabe”, diz com um sorriso, embora no comité de seleção já figure o nome do produtor Luís Urbano. Para lá do cinema, está também convencida de que, do ponto de vista turístico, Macau é um destino obrigatório para os portugueses: “Espero que se concretizem os voos diretos entre Portugal e China... Isso pode ajudar muito. Sinto que em Macau ainda há uma grande memória portuguesa. Um dos fundamentos de Macau é continuar a ser uma ponte entre a China e os países de língua portuguesa.” Por estes dias, Maria Helena teve um curso intensivo de como dirigir um festival de cinema gigante com uma equipa inexperiente em tempo recorde. Agora, quer respirar fundo e descansar depois de tantas noites sem dormir. “O que estamos a ouvir nestes dias é um feedback muito positivo”, conta, mesmo quando admite que não foi fácil convencer estrelas de Hollywood a estarem presentes em Macau: “os agentes desconfiam sempre de festivais novos. Percebi que é muito complicado gerir todas estas questões dos protocolos de cinema.” PUB

Organização

Promotores

Produção


PUBLICIDADE





$VXDJXHVWKRXVHQRFRUDomRGH/LVERD Rua Camilo Castelo Branco, 22, 1.º andar, 1150-084 Lisboa | (00 351) 914 759 549 | XXXNBSRVFTTPVMDPNŢJOGP!NBSRVFTTPVMDPN

duplos Quartos res e familia tos en Apartam PUBLICIDADE

Quarta-feira 14 de dezembro de 2016 CADERNO COMERCIAL | EDIĂ‡ĂƒO SUL

ClassiďŹ cados

$6DĂĄGH2FXODUHP3ULPHLUR/XJDU

?????-feira ?? de ???????? de 2016

classiďŹ cados.dn.pt

veĂ­culos

ensino

casas

emprego

&216(/+(,526'$9,6$2

necrologia

PARA ANUNCIAR 800 241 241 (chamada grĂĄtis) | anunciar.classiďŹ cados@dn.pt | ENCONTRE em classiďŹ cados.dn.pt a Loja do Jornal.

diversos Publicidade

PEDRO FERNANDES, RAMINHOS E LU�S BORGES lançam vinho solidårio 3 Podas O vinho estå disponível nas lojas Continente e tem uma produção limitada de 5000 garrafas

“U

m vinho que sabe mesmo a vinho e que não tem cå a rom a s a m a r icados a trufas e a frutos do bosque, e que se você souber abrir uma garrafa como deve ser nem sequer vai saber a rolha.� É assim que Pedro Fernandes, António Raminhos e Luís Filipe Borges descrevem o vinho que desenvolveram com a equipa de enologia da Quinta do Gradil e que jå estå disponível nas lojas Continente. O lançamento aconteceu na segunda-feira, dia 28 de novembro, em pleno palco do Teatro Armando Cortez. Na ocasião foi entregue um cheque de cinco mil euros à Casa do Artista, correspondente a um euro por cada garrafa produzida. Tudo começou com o conceito Amigos da Quinta do Gradil, que hå alguns anos convida personalidades do mundo da cultura e das artes para conhecerem o espaço e os nÊctares da

O 3 PODAS NASCEU NA COLHEITA DE 2015 DAS CASTAS SYRAH, PETIT VERDOT E TANNAT, TODAS ESTRANGEIRAS, CHEIAS DE PERSONALIDADE E QUE ENCONTRARAM CONDIÇÕES ÚNICAS NOS SOLOS DA QUINTA DO GRADIL

recĂŠm-distinguida empresa de vinhos do ano. A admiração de LuĂ­s Vieira, administrador da Quinta do Gradil, pelo trabalho dos apresentadores e humoristas transformou-se numa amizade e entre conversas e brindes surge a ideia de lançar um vinho assinado por este trio. O processo passou pela participação nas vindimas, pela prova de vĂĄrios aromas e escolha de cada um por uma casta, para que a enĂłloga Vera Moreira preparasse um blend Ăşnico. O 3 Podas nasceu na colheita de 2015 das castas syrah, petit verdot e tannat, todas estrangeiras, cheias de personalidade e que encontraram condiçþes Ăşnicas nos solos da Quinta do Gradil. Uma proposta que acompanha bem qualquer tipo de carnes. Para LuĂ­s Vieira, administrador da Quinta do Gradil, “este vinho personifica a nossa visĂŁo do negĂłcio. Produzimos vinhos para momentos, para serem sa-

boreados durante uma refeição ou durante uma boa conversa. Este nosso conceito dos Amigos da Quinta do Gradil tem-nos permitido partilhar a paixĂŁo que temos por este produto e neste caso resultou num vinho. Porque nĂŁo? Dizia Aquilino Ribeiro que o pior crime ĂŠ produzir maus vinhos e servi-los aos amigos. Neste caso permitimos aos nossos amigos produzirem eles prĂłprios um grande vinho para todos partilharmos com outros amigosâ€?. ď Ž

FICHA TÉCNICA: Classificação: Regional Lisboa Ano colheita: 2015 Castas: syrah, tannat e petit verdot Produzido por: Quinta do Gradil r ra Enólogos: Vera Moreira e António Ventura Autores: António Raminhos, Luís Filipe Borges, Pedro Fernandes tee Produto disponível: nas lojas Continente PVP: 6,99 ₏

PUBLICIDADE


24 PUBLICIDADE

Diário de Notícias Quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

casas de repouso

dias úteis entre as 9h00 e as 18h30 e aos sábados das 9h30 às 13h00

Alvará emitido pela Segurança Social

&$6$'26/,/$6(6 5(6,'Ç1&,$3$5$,'2626$26$/'$1+$

*5$1'(48$/,'$'(&21)2572 ($66,67Ç1&,$12&(1752'(/,6%2$ 36,&Ð/2*$$1,0$'250e',&2H(1)(50(,526 (TXLSDGHHPSUHJDGRVSDUDH[FHOHQWHDSRLRGLDHQRLWHDRVHXIDPLOLDU (GLItFLRLQWHLURFRPSHVVRDOHVSHFLDOL]DGRDPiYHOHPXLWRH[SHULHQWH VDODVPXLWRJUDQGHVFRQIRUWiYHLVDOHJUHVHFPXLWDOX]QDWXUDO 4XDUWRVDPSORVLQGLYLGXDLVHGXSORV ([FHOHQWH VHUYLoR SUR¿VVLRQDO FRPSHWHQWH H HVSHFLDOL]DGR FRPSUHoRV DFHVVtYHLV

8PGRVPHOKRUHVODUHVGHLGRVRVGH/LVERDRQGH SRGHDOPRoDURXMDQWDUFRPRVHXIDPLOLDU

9LVLWHQRVHFRPSDUHFRQGLo}HVHSUHoRV

/LFHQFLDGRSHOD6HJXUDQoD6RFLDO 5XD$QWyQLR(QHVQž/LVERD $R6DOGDQKDHVTXLQDFD$YGH2XWXEUR 7HOHIRQH

Pagamento por MULTIBANCO ou VISA. Os anúncios só serão publicados após confirmação do pagamento por parte destas entidades.


PUBLICIDADE 25

emprego

OFERECEM-SE SENHORA 55 ANOS OFERECE-SE Para ConsultĂłrio/ ClĂ­nica, 30 anos de experiĂŞncia de atendimento ao pĂşblico. Resposta por carta a este Jornal ao nÂş 4112. CLASSIFICADOS.DN EMPREGO. Encontre o seu emprego aqui e mais em www.classificados.dn.pt. ENCONTRE TUDO EM CLASSIFICADOS.DN.PT ENCONTRE TUDO EM CLASSIFICADOS.DN.PT

dias Ăşteis entre as 9h00 e as 18h30 e aos sĂĄbados das 9h30 Ă s 13h00

Freguesia de Vila Real de Santo AntĂłnio

1 Assistente TĂŠcnico (M/F) 1 Assistente Operacional (M/F) Consultar o DiĂĄrio da RepĂşblica, II SĂŠrie, n.Âş 236, de 12/12/2016. A oferta encontra-se publicitada na BEP em www.bep.gov.pt. O prazo de candidatura encerra a 26/12/2016.

Pagamento por MULTIBANCO ou VISA. Os anúncios só serão publicados após confirmação do pagamento por parte destas entidades.

DIREĂ‡ĂƒO-GERAL DO PATRIMĂ“NIO CULTURAL Procedimento concursal para preenchimento de 1 (um) posto de trabalho (Licenciatura) para a ĂĄrea do aprovisionamento da DivisĂŁo de Planeamento, GestĂŁo, Recursos Financeiros e PatrimĂłnio As condiçþes de admissĂŁo constam do Aviso n.Âş 15533/2016, publicado no DiĂĄrio da RepĂşblica, II SĂŠrie, n.Âş 237, de 13 de dezembro.

MUNIC�PIO DE ESTREMOZ AVISO Nos termos da alínea d) do n.º 1 do artigo 19.º da Portaria n.º 83-A/2009, de 22 de janeiro, alterada e republicada pela Portaria n.º 145-A/2011, de 6 de abril, torna-se público que se encontra aberto, pelo prazo de 10 dias úteis, a contar da data de publicação do Aviso n.º 15423/2016, publicado no Diårio da República, II SÊrie, n.º 235, de 9 de dezembro, procedimento concursal comum para contratação por tempo indeterminado de 1 Assistente TÊcnico. As candidaturas deverão ser formalizadas em suporte de papel, presencialmente ou endereçadas para Município de Estremoz, 7100-513 Estremoz, atÊ ao termo do prazo antedito.

avisos, tribunais e conservatĂłrias

DiĂĄrio de NotĂ­cias Quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Rua Cândido CapilÊ, n.os 13 e 14 2800-043 Almada Contribuinte n.º 501 111 999 Tels. Geral: 212 722 290 Secretaria: 212 722 293/95/96 Tm. Geral: 963 585 308, 963 585 311 Secretaria: 929 052 029 E-mail: secretaria@bvalmada.pt

ASSEMBLEIA GERAL ORDINà RIA CONVOCATÓRIA Nos termos do artigo 47.º, do n.º 2, alínea b), dos Estatutos da Associação Humanitåria dos Bombeiros Voluntårios de Almada, convoco os associados efetivos desta associação a reunirem-se em Assembleia Geral, em sessão ordinåria, a realizar no dia 28 de dezembro de 2016, pelas 20.00 horas, na sede da associação, com a seguinte: ORDEM DE TRABALHOS — Apreciação, discussão e aprovação do Plano de Atividades e Orçamento para 2017 e respetivo parecer do Conselho Fiscal. Nota: Se à hora marcada não se verificar a presença da maioria dos associados com direito a voto, a Assembleia deliberarå, em 2.ª convocatória e com a mesma Ordem de Trabalhos, meia hora depois, com qualquer número de associados, nos termos do art.º 49.º dos Estatutos da Associação Humanitåria dos Bombeiros Voluntårios de Almada. Almada, 13 de dezembro de 2016

Estremoz, 12 de dezembro de 2016

O Diretor do Departamento de Planeamento, GestĂŁo e Controlo Manuel Diogo Baptista

COMARCA DE LISBOA

ASSOCIAĂ‡ĂƒO HUMANITĂ RIA DOS BOMBEIROS VOLUNTĂ RIOS DE ALMADA

A Presidente da Mesa da Assembleia Geral Ana Paula da Conceição Cordeiro

O Presidente da Câmara Luís Filipe Pereira Mourinha

N.Âş 387/16

EDITAL ALTERAĂ‡ĂƒO DE OPERAĂ‡ĂƒO DE LOTEAMENTO PRONĂšNCIA

�

dias Ăşteis entre as 9h00 e as 18h30 e aos sĂĄbados das 9h30 Ă s 13h00

DN, 14-12-2016

VENDA

CORONEL

EDUARDO MATOS GUERRA ÂŤGato-VelhoÂť

FALECEU Sua mulher participa o seu falecimento e que hoje, dia 14, pelas 18.00 horas, estarå em câmara-ardente, na Igreja de Linda-a-Velha. O funeral realiza-se amanhã, dia 15, pelas 10.30 horas, para o cemitÊrio do Alto de S. João. Às 10.00 horas serå celebrada Missa de corpo presente.

AGĂŠNCIA FUNERĂ RIA RESTELO

O vice-presidente da Câmara Municipal António Domingos da Silva Tiago, eng.º

casas

necrologia

6(59,/86$ 

Torna-se pĂşblico que em cumprimento do disposto do n.Âş 3 do artigo 27.Âş do Decreto-Lei n.Âş 555/99, de 16 de dezembro (RJUE), decorrerĂĄ um perĂ­odo de pronĂşncia, com a duração de 15 dias e inĂ­cio 8 dias apĂłs a data de publicação do presente edital no "DiĂĄrio da RepĂşblica" relativamente ao pedido registado na Câmara Municipal da Maia sob o n.Âş 2291/15, em 10 de agosto, e em nome de NUVEMBAR, SOCIEDADE DE INVESTIMENos TOS E GESTĂƒO IMOBILIĂ RIA, LDA., a incidir no lote n. 16 e 17, de que ĂŠ proprietĂĄria, e integrante do loteamento titulado pelo alvarĂĄ n.Âş 8/01, localizado na Zona Industrial Maia I, Setor XI, na freguesia da Cidade da Maia, concelho da Maia, descrito na 1.ÂŞ ConservatĂłria do Registo Predial da os Maia sob os n. 1380 e 1381/20010830. Para os devidos efeitos, o projeto da operação de alteração do loteamento, acompanhado da informação tĂŠcnica elaborada pelos serviços municipais, estarĂĄ Ă  disposição, para quem o pretenda consultar, na DivisĂŁo de GestĂŁo Urbana desta Câmara Municipal. Os interessados proprietĂĄrios dos demais lotes do referido loteamento devem apresentar as suas reclamaçþes, observaçþes ou sugestĂľes, por escrito, no Gabinete Municipal de Atendimento ou nos Serviços de CorrespondĂŞncia desta Câmara Municipal. Maia e Paços do Concelho, 7 de dezembro de 2016

Pagamento por MULTIBANCO ou VISA Os anúncios só serão publicados após confirmação do pagamento por parte destas entidades.

terrenos

TERRENO C/PROJETO para moradia uni familiar, årea construção 290 m2, vista de mar primeira linha, perto de Lisboa. Trata o próprio. Resposta c/ demonstração interesse para email: imovel.vende@sapo.pt

Lisboa - Inst. Central - 1.ª Secção Criminal - J21 Processo: 2095/06.4JFLSB-A - Traslado - Referência: 359698260 - Data: 13/7/2016 Publicação de extrato de acórdão em cumprimento do disposto nos artigos 16.º, alínea g), e 17.º, alínea f), ambos do Regime Geral das Infraçþes Tributårias No âmbito do Processo Comum Coletivo n.º 2095/06.4JFLSB, em que figura como Autor/Demandante o MinistÊrio Público em representação do Estado, na sequência de acusação pública, foi submetido a julgamento o(a) arguido(a) sociedade G.R.G. CONSTRUÇÕES, LDA., NIPC 504843028, e sede na Rua Adriano dos Santos Gil, 22, Garagem 9, CacÊm (tendo como gerentes os arguidos JosÊ Fernando da Cunha Gaspar, António Cândido Teixeira Machado Guedes e JosÊ Carlos Carreira Ribeiro), sendo-lhe imputada a pråtica de um crime de fraude fiscal qualificada, previsto e punido pelos artigos 7.º, n.º 1, 103.º, n.º 1, e 104.º, n.º 1, als. a) e e), e n.º 2, da Lei n.º 15/2001. Por Decisão lnstrutória foi pronunciado, em processo comum e para julgamento com Tribunal Coletivo. Realizada a audiência de discussão e julgamento, em 28/1/2015 foi proferido acórdão, o qual transitou em julgado em 5/2/2015, no qual se consideraram provados, para alÊm do mais, os seguintes factos: 1 - A sociedade G.R.G. - Construcþes. Lda., com NIPC 504843028, tem sede na Rua Adriano dos Santos Gil, 22, Garagem 9, CacÊm, årea dos Serviços de Finanças de Sintra 3. 2 - Essa sociedade foi constituída, em 20/3/2000, pelos arguidos JosÊ Fernando da Cunha Gaspar, António Cândido Teixeira Machado Guedes e JosÊ Carlos Carreira Ribeiro, tendo por objeto social a realização de empreitadas de construção civil, a construção civil, obras públicas e particulares, reparação de edifícios, compra e venda, loteamento de terrenos, revenda de propriedades, administração de imóveis, importação e exportação de materiais de construção, tendo iniciado essa atividade em 3/7/2000. 3 - Por essa atividade, a sociedade G.R.G. - Construçþes, Lda. Ê sujeito passivo de IRC, no regime geral, e de IVA, no regime normal com periodicidade trimestral. 4 - Desde a sua constituição, que os arguidos JosÊ Fernando da Cunha Gaspar, António Cândido Teixeira Machado Guedes e JosÊ Carlos Carreira Ribeiro foram todos sócios-gerentes da sociedade G.R.G. - Construçþes, Lda. e os responsåveis pela gestão e administração da empresa, pelas decisþes tomadas na empresa e pela direção dos seus negócios. 5 - Os arguidos JosÊ Fernando da Cunha Gaspar, António Cândido Teixeira Machado Guedes e JosÊ Carlos Carreira Ribeiro tinham conhecimento dos mecanismos de funcionamento e apuramento do IRC e do IVA e quanto a este último, do direito do sujeito passivo deduzir, ao IVA que liquidado nas transaçþes que efetuou, o montante desse imposto que suportou nas suas aquisiçþes. 6 - Visando obter vantagens patrimoniais ilegítimas para a sociedade G.R.G. - Construçþes, Lda., atravÊs da diminuição artificial dos valores de IRC e de IVA a entregar ao Estado por essa sociedade, os arguidos JosÊ Fernando da Cunha Gaspar, António Cândido Teixeira Machado Guedes e JosÊ Carlos Carreira Ribeiro planearam, entre si, lançar na contabilidade daquela sociedade faturas emitidas por outras empresas referentes a serviços que não lhe tinham sido prestados e repercutir os valores dos custos e do IVA nelas inscritos, respetivamente, nas declaraçþes anuais de IRC e periódicas de IVA, como se tivessem sido suportados, de modo a reduzir, artificiosamente, o lucro tributåvel em IRC e a deduzir, em sede de IVA, os valores desse imposto nelas incorporado, iludindo e fazendo crer à Administração Fiscal que tais declaraçþes espelhavam a verdade tributåria suportada em faturas regularmente emitidas por serviços efetivamente prestados e suportados. 7 - Para o efeito e sabendo que o arguido Gibril Sonco transacionava faturas da sociedade Sonco de que era sócio-gerente, os arguidos JosÊ Fernando da Cunha Gaspar, António Cândido Teixeira Machado Guedes e JosÊ Carlos Carreira Ribeiro solicitaram-lhe a emissão de vårias dessas faturas para documentar encargos inexistentes com serviços e trabalhos que não foram prestados à sociedade G.R.G. - Construçþes, Lda., e servirem de suporte à redução fictícia do lucro tributåvel em IRC e à dedução indevida dos valores de IVA nelas incorporados. 8 - O arguido Gibril Sonco aderiu a esses propósitos dos arguidos JosÊ Fernando da Cunha Gaspar, António Cândido Teixeira Machado Guedes e JosÊ Carlos Carreira Ribeiro e anuiu em fornecer-lhes essas faturas, ciente da inexistência de negócios entre as sociedades Sonco e G.R.G. - Construçþes, Lda., que justificassem a sua emissão. 9 - Em execução do acordado entre todos os arguidos referidos no número anterior, em datas não concretamente apuradas, nos anos de 2006 e 2007, conforme solicitado pelos arguidos JosÊ Fernando da Cunha Gaspar, António Cândido Teixeira Machado Guedes e JosÊ Carlos Carreira Ribeiro, o arguido Gibril Sonco entregou-lhes, entre outras, as 7 faturas arroladas no quadro constante do artigo seguinte, no valor total de 152 965,00 ₏ (IVA incluído), subscritas por si ou por terceiros a seu mando com os dizeres Gibril Sonco e emitidas em nome da sociedade Sonco Construção Civil Sociedade Unipessoal, Lda., apesar de esta sociedade não ter prestado quaisquer serviços à sociedade G.R.G., nem terem existido quaisquer outros negócios entre essas sociedades que legitimassem a sua emissão, de modo a servirem de suporte documental à diminuição do lucro tributåvel da sociedade em IRC e à dedução dos valores de IVA nelas incorporados e a fazerem crer à Administração Fiscal que tinham sido regularmente emitidas por serviços efetivamente prestados pela sociedade Sonco Construção Civil Sociedade Unipessoal, Lda. 10 - Em poder dessas faturas da sociedade Sonco Construção Civil Sociedade Unipessoal, Lda., no montante total de 152 965,00 ₏, os arguidos JosÊ Fernando da Cunha Gaspar, António Cândido Teixeira Machado Guedes e JosÊ Carlos Carreira Ribeiro determinaram o seu registo na contabilidade da sociedade G.R.G. relativa aos exercícios dos anos de 2006 e 2007. 11 - AlÊm dessas, o arguido Gibril Sonco ainda forneceu aos arguidos JosÊ Fernando da Cunha Gaspar, António Cândido Teixeira Machado Guedes e os JosÊ Carlos Carreira Ribeiro as faturas n. 0403, 0450, 0501, 0723 e 0736 que não vieram a ser contabilizadas. 12 - Uma vez lançadas as sete faturas - elencadas no penúltimo artigo - na contabilidade da G.R.G., os arguidos JosÊ Fernando da Cunha Gaspar, António Cândido Teixeira Machado Guedes e JosÊ Carlos Carreira Ribeiro fizeram repercutir nas declaraçþes tributårias de IRC dessa sociedade, referentes aos exercícios de 2006 e 2007, conforme o ano da sua contabilização, os valores inscritos nessas faturas (sem IVA) como se correspondessem a custos efetivamente suportados na atividade da sociedade, iludindo a Administração Fiscal que tais declaraçþes assentavam em faturação fidedigna, com o que conseguiram diminuir artificialmente o valor do lucro tributåvel em sede de IRC, no montante de 126 417,35 ₏, e obter para aquela sociedade um benefício ilegítimo de 31 604,34 ₏ (126 417,35 x 25%), às custas de igual diminuição da receita tributåria do Estado, em sede de IRC. 13 - De igual modo, em sede de IVA, os arguidos JosÊ Fernando da Cunha Gaspar, António Cândido Teixeira Machado Guedes e JosÊ Carlos Carreira Ribeiro fizeram deduzir nas declaraçþes periódicas referentes aos 1.º, 2.º e 3.º trimestres de 2006 e 1.º trimestre de 2007, conforme as respetivas datas de contabilização, os valores de IVA incorporados nessas faturas, fazendo crer à Administração Fiscal que tais declaraçþes assentavam em faturação fidedigna, com o que conseguiram obter para a sociedade G.R.G. um benefício patrimonial ilegítimo, no montante total de 26 547,65 ₏, às custas de igual diminuição da receita tributåria do Estado, em sede de IVA. 14 - Desta forma, os arguidos JosÊ Fernando da Cunha Gaspar, António Cândido Teixeira Machado Guedes e JosÊ Carlos Carreira Ribeiro lograram obter para a sociedade G.R.G., um benefício ilegítimo, no montante global de 58 151,99 ₏ (31 604,33 ₏ + 26 547,65 ₏), às custas de igual diminuição da receita tributåria do Estado, em sede de IRC e de IVA. 15 - Os arguidos JosÊ Fernando da Cunha Gaspar, António Cândido Teixeira Machado, JosÊ Carlos Carreira Ribeiro e Gibril Sonco previram e quiseram, em conjugação de esforços e intentos e previamente conluiados, agir do modo acima descrito nos artigos 60.º a 69.º com o intuito, concretizado, de diminuírem indevidamente os montantes de IRC e de IVA a entregar ao Estado, pela sociedade arguida G. R. G. - Construçþes, Lda., diminuindo a receita tributåria daquele em sede de IRC e de IVA. 16 - Com tal desígnio concertado, ciente da inexistência de quaisquer negócios que justificassem a sua emissão, o arguido Gibril Sonco previu e quis fornecer aos arguidos JosÊ Fernando da Cunha Gaspar, António Cândido Teixeira Machado e JosÊ Carlos Carreira Ribeiro, as 7 faturas acima identificadas nos artigos 60.º a 69.º, para servirem de suporte documental à redução indevida dos montantes de IRC e de IVA a entregar, pela sociedade G. R. G. - Construçþes, Lda., ao Estado, diminuindo a sua receita tributåria em sede de IRC e de IVA. 17 - Os arguidos JosÊ Fernando da Cunha Gaspar, António Cândido Teixeira Machado e JosÊ Carlos Carreira Ribeiro, agindo em nome, no interesse e no exercício efetivo dos poderes de gestão e administração da sociedade arguida G. R. G . - Construçþes, Lda., previram e quiseram obter essas faturas da sociedade Sonco, de o arguido Gibril Sonco, e repercuti-las nas referidas declaraçþes de IRC e de IVA da sociedade arguida, deduzindo o valor dos custos e do IVA nelas inscritos como se tivessem sido suportados, ciente da inexistência dos negócios que documentavam e que esses valores não tinham sido suportados pela arguida G. R. G . - Construçþes, Lda., fazendo crer à Administração Fiscal que tais declaraçþes assentavam em faturas que refletiam negócios verdadeiros, o que fizeram com o intuito concretizado de, indevida e artificiosamente, reduzirem os montantes de IRC e de IVA a entregar, ao Estado, pela arguida G. R. G. - Construçþes, Lda. em, respetivamente, 31 604,33 ₏ e 26 547,65 ₏, perfazendo o total de 58 151,99 ₏, valores de que aquela sociedade beneficiou ilegitimamente e que o Estado deixou de recolher em sede de IRC e de IVA. Pela pråtica desses factos a sociedade arguida G. R. G. - Construçþes, Lda., foi condenada por um crime de fraude fiscal qualificada, previsto e punido pelos artigos 103.º, n.º 1, alínea a), e 104.º, n.º 2, com referência ao artigo 7.º, todos da Lei n.º 15/2001, de 30 de dezembro, na pena de 360 (trezentos e sessenta) dias de multa à taxa diåria de 5,00 ₏, perfazendo o montante de 1800,00 ₏ (mil e oitocentos euros); Foi ainda condenada na pena acessória de publicação, a suas expensas, do presente acórdão (por extrato que contenha expressamente a respetiva identificação, a natureza do crime, as circunstâncias fundamentais em que foi cometido, bem como do dispositivo condenatório), com observância do disposto nos artigos 16.º, alínea g), e 17.º, alínea f), ambos do Regime Geral das Infraçþes Tributårias, sendo que tal publicação deve ser efetuada no prazo de trinta dias após o trânsito em julgado da presente decisão, em dois jornais periódicos. A Juíza de Direito Dra. Ana Isabel Mascarenhas Pessoa


26 PUBLICIDADE

Diário de Notícias Quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

AGORA

Estação dos Restauradores do Metro de Lisboa Átrio Sul, loja n.º 11 1250-188 Lisboa Tel: 21 318 74 01 lisboa@lojadojornal.pt

SAÍMOS DO MARQUÊS MAS MANTEMO-NOS PERTO DE SI! VISITE-NOS NA ESTAÇÃO DE METRO DOS RESTAURADORES

Horário Segunda a Sexta 09h00-12h30/13h30-18h


Diário de notícias 14 12 2016