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DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

www.revistatudobem.com

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edição 05 - verde

entrevista Mãe Stella de Oxóssi da África, da Bahia, da Natureza BEM MAIS:

consumo - ação - ecologia

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bem verdinha Ao mesmo tempo, o tema da sustentabilidade chegou para ficar aqui na redação. Fazer a TudoBem Verde fez com que todos que trabalham aqui ficassem mais ecológicos, criando uma nova marca para a revista.

A gente também quer continuar verde. Nos dois sentidos. Depois de seis edições a revista amadureceu muito, mas ainda acreditamos que a próxima edição pode ser sempre melhor que a atual.

Tomara que as matérias e depoimentos presentes nesta edição contribuam para que você também passe a ter uma atitude mais responsável com a natureza. Tudo bem é viver de bem com o mundo.

editor responsável Marcelo Sant’Ana DRT 2466 conselho editorial Márcio Sant’Ana Jorge Novaes projeto gráfico Muito Comunicação distribuição WellPark

editoria de texto Márcio Sant’Ana Tatiana Maria Dourado editoria de arte Ari Cabral / Rangel Santana publicidade Aura Bahia Renato Lobão impressão GRASB

colaboradores Alex de Oliveira / Ana Paula Sant’Ana / Caio Silveira / Isac Stern / Vinícius Xavier / galera da CCM fale com a gente contato@revistatudobem.com twitter.com/revistatudobem 71 3237.2020

edição

05

Você encontra a TudoBem nos estacionamentos WellPark. Pegue a sua. A revista TudoBem também está na internet: www.revistatudobem.com Turista Cultural Gastronômico Popular Lazer Banco

Acadêmico

Aeroporto Pelourinho Ibis/Mercure (Rio Vermelho) Teatro Castro Alves (Bradesco Garcia) Teatro Jorge Amado (Itaú Pituba) Soho (Shopping Paseo) Madame Champanharia (Rio Vermelho) Cheiro de Pizza (Rio Vermelho e Pituba) São Joaquim São Raimundo (Barris) STS (Nazaré) Rio Vermelho (Próximo à Villa Forma) Real (Iguatemi/Pituba/ACM) Citibank (Tancredo Neves) Bradesco (Canela/Pituba/Calçada/Barão) HSBC (Mercês) Itaú (Mercês) Unifacs Stiep (Pós-Graduação) Unijorge Stiep (Pós-Graduação)

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Empresarial

Médico

Torre do Parque (Itaigara) Golden Plaza (Itaigara) Fiesta Convention (Itaigara) Redenção (Tancredo Neves) Costa Andrade (Tancredo Neves) Centro de Convenções (Stiep) Emp. Costa Azul/Elite Comercial (Stiep) TK Tower (Stiep) OAB (Nazaré) Tomé de Souza (Iguatemi) Atlantis Multiempresarial (Itaigara) Itaigara Memorial (Itaigara) Linus Pauling (Itaigara) Professor Fernando Filgueiras (Garibaldi) Odonto-Médico (Itaigara) Diagnosom (Pituba) Multimagem (Pituba) Hospital da Bahia (Magalhães Neto)

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quem faz

“Se depender de mim, nunca ficarei plenamente maduro, nem nas ideias, nem no estilo, mas sempre verde, incompleto, experimental.” O pensamento de Gilberto Freire reflete nosso jeito de fazer a TudoBem.


internet :: papos #ecos têm chamado tuítes de outros mundos de tudo :: onde o homem chega, é uma desgraça entrevista :: Mãe Stella de Oxóssi, ela é a própria natureza consumo :: dá para viver com menos? moda :: Oxóssi, o caçador de uma flecha só estilo :: inverno é a la anos 80 por msn :: Cau Gomez, inspiração em traços fome de quê? :: tempero espiritual... como é isso, Sarno? ecoquiz :: a consciência de cada dia em quatro ping-pongs e se... :: se o mundo fosse diferente? dicas :: todas bem verdinhas opinião :: Tamar: dos idos e para sempre

ção

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esta foto foi tirada em Canudos, Sertão da Bahia

bemporna foto Alex Gabiru

bem mais em flickr.com/alexgabiru

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Opiniões verdinhas

Leia ouvindo Matança

Xangai e Jatobá

#acreditesequiser Um passarinho verde contou que para fazer esta edição o pessoal da @revistatudobem contou com a colaboração de vários seguidores do twitter. E aí pessoal, vamos salvar o planeta? Noé

@noé “já vi que vou ter que aparecer por aí de novo RT @revistatudobem E aí pessoal, vamos salvar o planeta?” Papai Smurf

@papaismurfreal

“Todo mundo só quer saber do verde. Do azulzinho, ninguém fala! Hunft. #green” Incrível Hulk

@hulk_incrivel

“quem disser que não gosta do verde vai tomar porrada!”

E.T.

@o_et

“eu alugo uma bicicleta. aqui todo mundo anda assim telefone minha casa. #planet #green” Castro Alves

@castroalves_opoeta “Aqui de cima vejo que a praça perdeu o verde, perdeu a cor. Assim sendo, o céu não vai mais ser do condor! ” Simonal

@simonal_real “estou num pé de jacarandá tomando suco de limão. Virei life style e voltei a animar: 1,2,3... ‘Uma vez tindô lelê, outra vez, tindô lalá’...”

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Super-Homem

@super-homem “Procurem o @vai_planeta, já me aposentei. RT @revistatudobem E aí pessoal, vamos salvar o planeta?” Garrincha

@garrincha_sete “você viu, @Didi, a Seleção tá de uniforme novo, feito de garrafa pet. com esse papo de #eco a gente vai pegá muita gringa” Karl Marx

@marx_comuna

“Eu bem que avisei que o capitalismo ia dar nisso. ”

Surfista Prateado

@osurfistaprateado “@revistatudobem se tiver sinal de tsunami, me avisem ”

Mussum

@emedemussum “Cacildis! Eu fico bebis e vcs que fzem sujeira no #planeta?”

Eva

@primeira_eva “ah, se a maçã daquela época fosse cheia de agrotóxico como a de hoje, eu não teria comido...! viu, @adao_dacostela?” Capitão Planeta

@vai_planeta

“Mais uma vez, o poder é de vcs. #eco”

Carmem Miranda

@carmemiranda

“alguém sabe onde tem uma feirinha de orgânicos? Tô louca pra fazer um chapéu novo” Dercy Gonçalves

@dercy_real “seus fi*#% da %¨&!! não paro de tossir aqui, q merda! Com tantos buracos aí, vcs ficam querendo furar logo o de Ozônio!”

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bem mais :: blogcampominado.blogspot.com

Quer salvar o planeta? Então é melhor ir morar em outro lugar... Enquanto o mico-leão-dourado, a ararinha azul, o jacaré do papo amarelo e a onça pintada continuam ameaçados de extinção, nós, humanos, continuamos nos multiplicando e destruindo tudo que está no nosso caminho. O pior é que sempre fomos assim, desde os primórdios até hoje em dia.

A história não mente: aonde o homem chega e se instala é uma desgraça.

Antigamente, a gente caçava e coletava tudo numa região e quando os recursos acabavam, prontamente nos mudávamos para acabar tudo em outro lugar. Depois inventamos a agricultura e começamos a derrubar árvores e queimar áreas para o cultivo. Aí veio a revolução industrial e começamos a queimar árvores para fazer carvão, poluir o céu e as águas. Com o passar dos anos, fomos ficando cada vez melhores nisso: com o surgimento dos automóveis, do plástico, das megalópoles e da cultura do consumo desenfreado que produz toneladas de lixo. A verdade é que por mais que existam ecologistas, vegetarianos, o Al Gore, o Gabeira e até Roberto Carlos cantando para salvar as baleias, ninguém parece muito disposto a desligar o ar condicionado para salvar a camada de ozônio ou se recusar a andar num carro que use aço proveniente das siderúrgicas que utilizam o ferroguza produzido com o carvão que sai das carvoarias da Amazônia, nem mesmo Marina Silva. Nunca ouvi falar de alguém boicotando

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DE TUDO

Victor Mascarenhas é escritor e roteirista por paixão e publicitário por obrigação. Autor do livro “Cafeína”, escreve no blog Campo Minado enquanto procura editora para seu novo livro.

um filé porque o boi soltava gás metano na atmosfera ou deixando de tomar leite por causa da flatulência da vaca (e olhe que os peidos bovinos - e certamente os humanos também - são um dos maiores responsáveis pelo efeito estufa). A ecologia é um terreno fértil para mitificações e para hipocrisia, mas ainda assim é muito importante para tornar o mundo menos pior, já que os humanos parecem caprichar na hora de inventar novas formas de destruir o meio ambiente. Aqui na Bahia, por exemplo, vemos o governo empenhado na luta para instalar uma usina nuclear no estado e a prefeitura de Salvador se especializando em esconder o lixo debaixo do tapete, quer dizer, esconder os rios poluídos debaixo de placas de concreto, como fez na avenida Centenário e no Imbuí.

Do jeito que a coisa vai, só falta cobrir o Dique do Tororó para fazer estacionamento para a Fonte Nova e ainda vai ter um monte de gente achando bom.

O que parece mesmo é que além do bacurau de rabo branco, do tucano de bico preto, do sagui bigodeiro, do peixe-boi e do veado campeiro, o bom senso também parece estar em extinção e, por mais que eu simpatize e até tenha boas intenções em relação à humanidade, acho que a razão está com o velho ditado que diz: “De boas intenções o inferno está cheio”. O pior é que a cada dia que passa tenho mais convicção que o inferno é aqui.

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A mãe e a natureza

fotos > Alex Oliveira

O iorubá não é só riqueza oral! Mãe Stella garantiu o dialeto como herança escrita, em livros e artigos que produziu. Assim, somou adeptos à crença africana e firmou seu nome no celeiro das memoráveis mães do Axé.

Leia ouvindo Luz do Sol

Caetano Veloso

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Em 1977, Xangô e os búzios decidiram: Maria Stella de Azevedo Santos, enfermeira, de 49 anos, será a Mãe Stella de Oxóssi Iya Odé Kayode – a ialorixá do terreiro do Ilê Axé Opô Afonjá que, em bom português, é a Casa da Força, orientada por Xangô. Passaram-se 33 anos, e firme ela está à frente da centenária casa-de-santo de 1910, cercada de muita Mata Atlântica.

Seu último livro, o Epé Laiyé- Terra Viva, é uma parábola dedicada às crianças, na luta em defesa da natureza-mãe. Por que escolheu o diálogo direto com as crianças? Mãe Stella - A natureza, as matas, o chão, fazem parte do nosso dia-a-dia. Nós adoramos tudo isso e as crianças são a nossa esperança. Se muitos adultos de hoje, quando crianças, tivessem essa orientação tão enfática do cuidado com a natureza... Agora todo mundo cultua, né? A nossa vivência é cuidar das crianças. Temos projetos (digo projeto porque está na moda agora, né? rs), em que a gente ensina eles a serem cidadãos, a cuidar primeiro do lugar que os acolheu. Vamos cultuar a natureza porque ela é nossa mãe.

fotos > Alex Oliveira

E como é a parábola do livro? Mãe Stella - É a historinha do garoto que plantou uma árvore e ele era todo cuidadoso, até que a árvore herdou o pensamento dele e começou a conversar. Olha ela aqui conversando (aponta), sempre de uma forma muito interessante! A criança conversa tanto que a árvore entende a linguagem e cria pernas. Olha esta árvore, que beleza, foi Carybé quem plantou ela aqui (indica a fotografia do livro)! Ossain (deus das folhas) que dá (as pernas) para ela, para ela trabalhar levando a mensagem. Ói aqui, já subiu aqui na árvore. Eu quero que Epé Laiyé leve a mensagem que uma simples árvore dá muitas coisas boas e limpa os ares. É muito bonito, né?

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Qual Orixá melhor representaria a natureza? Mãe Stella - Cada um deles tem uma parcelinha na mãe natureza. Mas, quando falamos natureza, logo nos lembramos das matas e, nas matas, temos Ossain, morador da natureza e tido como médico do axé. Essas folhas todas aí, cada uma serve de remédio e cada uma tem o seu dono. Tudo tem um sentido. Também temos Oxóssi, que está no mato, uma vez que ele é caçador. Temos Oxum e Yemanjá, que são das águas. E Nanã também, uma água baixinha é dela. Temos Iansã, que está na natureza, porque se as árvores estão sujas, o vento não corre limpo. E se chegar algum espírito de Nero e queimar a natureza, nós temos Xangô, o dono do fogo.

“Cuidar da natureza é nossa maior obrigação, é responsabilidade espiritual.” O que é considerado desrespeito, para o candomblé, no trato humano com a natureza? Mãe Stella - Ah, você fuma o seu cigarrinho e deixa no chão. Grande desrespeito. Chupa a sua bala, é a mesma coisa. O maior desrespeito é esse: não manter a natureza limpa. Nós, que somos de axé, estamos com cuidado agora com as oferendas. Já cometemos muito esse erro, mas não tínhamos informação. O presente de Yemanjá, que todo mundo gosta de dar perfume, temos

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que ter cuidado para não colocarmos vidro no mar. Hoje os presentes de Yemanjá vão em embalagens recicladas, que parece palha, dissolve na água. Cuidar da natureza é nossa maior obrigação, é responsabilidade espiritual. A mesma coisa com as oferendas de orixá, negócio de encher as ruas aleatoriamente... O Exu adora, porque é energia. Mas, depois vai varrer o lugarzinho para deixar limpo? Não. Isso são cuidados, até na forma de cultuar o candomblé: é saber o local determinado para cada orixá. Qual árvore sagrada é a mais antiga? Mãe Stella - Neste espaço, temos diversas jaqueiras, que são centenárias. Tem cajueiro na casa de Oxóssi e na de Omulu. Temos muitas árvores antigas. Existem árvores que são mais cultuadas? Mãe Stella - Sim, o iroko, que o mundo inteiro sabe que é uma árvore de grande culto, tipo gameleira. Como a jaqueira também. A cajazeira é interessante, tem grande valor, porque é um tipo de árvore que não morre, só vai embora se arrancar pela raiz. E essas miúdas têm um número imenso de plantas sagradas. E tantos terremotos e tsunamis são respostas dos deuses ou consequência dos atos mundanos mesmo? Mãe Stella - Tudo é divino uma vez que são fenômenos. Eles sempre existiram, mas agora a gente toma conhecimento com a mídia. O terremoto do Chile, nós soubemos

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no mesmo momento, o que levava dias, meses até. Acreditamos que é castigo, que o Orixá está zangado. Mas não, o sagrado não tem ira. Eles pensam, “se estão errando, vão sofrer as conseqüências”. Se você queimar a madeira para fazer carvão escondido e joga no mar tudo o que não quer mais, isso atrapalha a evolução natural, aquele elemento não é próprio para estar ali. A gente acredita, pensamos na revolta de Yemanjá, justamente provocada pelo homem que poluiu o mar.

“Ah, você fuma o seu cigarrinho e deixa no chão. Grande desrespeito. ” E qual a mensagem que a senhora daria para nós? Mãe Stella - O que dá paz para o ser humano é quando ele sabe que está em harmonia consigo, com o outro, com a natureza, com o mundo inteiro. Se tivermos uma terra bem cuidada, um planeta harmonioso, nós absorveremos essa energia, pedindo à própria natureza e aos orixás que a formam, que nos dê clareza, compreensão, que um irmão conheça o outro e, unidos em um só pensamento, fazer este mundo bem feliz. E o que é TudoBem para a senhora? Mãe Stella - Tudo bem é coerência, harmonia e vontade de servir.

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Leia ouvindo What A Wonderful World

Joey Ramone

Reciclar mais ou consumir menos?

Qual combina melhor quando tentamos ter atos ecológicos diários? Contando, é claro, com todas as tentações consumistas que nos rondam: promoções, promoções e crédito fácil...! Eis o dilema necessário, chega a cabeça embaralha!

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PAPEL OU PAPELÃO

PLÁSTICO

Às 12h, você está no shopping. A praça de alimentação começa a se movimentar para o almoço. Entre alimentos, pratos e talheres, estão os copos, descartáveis. Se cada copo demora de 450 anos para se decompor, imagine as pessoas, no almoço, no shopping, e calcule quantos copos/anos se somam dia-a-dia. Como se comportar? Sendo objetivo, com consumo responsável. “Consumo responsável é conhecer e avaliar a cadeia de produção”, resume Juca Cunha, ambientalista e coordenador do Ingá.

“É perceber se os produtos vendidos pela empresa economizam no uso de água, energia e se é possível descartar a embalagem de modo responsável”, explica. Pessoas como Juca pensam

que na praça de alimentação daquele shopping, o bom mesmo é diminuir a despesa individual, caso não ache solução para um despejo responsável. Ou seja, crê o indivíduo como sócio do mercado, que impacta a economia e influencia diretamente a exploração de recursos naturais. Para quem adota a postura consciente, fugir às tentações é o principal ato pró-ambiente. É tanto que inaugura os três preceitos sustentáveis (os 3 R´s – Reduzir, Reutilizar e Reciclar). Nesta ordem. O objetivo é reduzir os resíduos. “A reciclagem é

uma tentativa necessária de resolver o problema dos dejetos criados pelo consumo/descarte das mercadorias que nos são empurradas como essenciais para a nossa ‘felicidade’”, dispara Robson Véio, do coletivo Arterisco,

propondo que a crítica vá até a raiz.

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VIDRO

METAL

Véio, que também participa da Associação Vegana Húmus, é adepto do lema “não consumir é melhor que reciclar”. O ideal coloca em uso os pensamentos do antropólogo francês Marcel Mauss, que preserva a relação objeto-homem longe das pretensões atuais. “É um modelo das sociedades primárias, em que os valores não eram de mercado. Ele mostra que há outras maneiras de viver”, comenta.

Apresentadora do quadro “Mudança de Hábitos”, do programa Arte Social, Bianca Casali “luta todo dia, o dia todo, por todos”. É uma das poucas. Isso porque se esforça, com todas as forças, para driblar o consumo arrebatador. “Mudar o hábito é muito delicado, e por vezes, dolorido, sacrificante. Por isso compreendo o processo gradativo de mudança ao meu entorno. E o meu também!”, consola-se.

Para reciclar mais

• Faça coleta seletiva • Use os dois lados da folha de papel • Entregue a lâmpada na loja em que vai comprar a nova • Não jogue remédio no lixo, entregue nas farmácias • Escolha os produtos pela quantidade da embalagem

Para consumir menos

• Antes de comprar, pense duas vezes se realmente precisa • Em vez de ir ao shopping, troque roupas com amigas • Não deixe nenhum eletrônico em stand by • Só imprima o indispensável • Use pilhas recarregáveis

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oxóssi é caçador Conhecido como caçador de uma flecha só. No sincretismo é São Sebastião ou São Jorge. Na TudoBem é o tema deste ensaio.

Fotografia: Fábio Abu Styling e Produção de Moda: D’Malicuia e Valéria Meier

Leia ouvindo Jorge da Capadócia Jorge Ben

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Maquiagem e Cabelo: Valéria Meier Modelo: Daniela Alves

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Oxóssi é o orixá das matas, da caça e do alimento.

Dia: Quinta-feira Cores: Verde e Azul-turquesa Comida: Caças em geral, frutas Instrumento: Ofá (arco) e Damatá (flecha) Profissão: Artes, comunicação, advogados, biólogos e veterinários Elemento: Terra Saudação: Òké Arô!

Fotógrafo: www.fabioabu.com | Styling: www.dmalicuia.com | Mais fotos em www.revistatudobem.com

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ESTILO

Kátia Teixeira é administradora de empresas, apaixonada por moda e empresária do mundo fashion.

Inverno 2010 Entre o brilho dos “Embalos de sábado à noite” e os tecidos orgânicos. Anos 1980. Os coletes, cintura alta, camisas e camisões, próprios do glamour da época “disco”, são tendências na coleção inverno 2010. Os coletes boyfriends estão entre os mais requisitados e vão bem com tudo: compõem looks justos, dando mais glamour ao visual. As saias aparecem curtíssimas ou até os joelhos e os leggings estão justíssimos e descem até os tornozelos, fazendo composé com camisões ou batas. Os tecidos orgânicos são as inspirações “verdes”, especialmente no uso de fibras naturais como cashmere, merino e angorá. O teor ecológico da moda também aparece em estampas de bichos (fakes (fakes,, é claro), que ganharam brilho. Ah, e se estiver em temperaturas mais baixas, aproveite para usar botas de cano longo, que vão bem com os trench coats e calças skinny Não esqueçam: estar de bem com skinny. a moda é estar de bem com a natureza!

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ESTILO revista tudo bem 05.indd 19

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O verde e outras cores

Leia ouvindo Politic Amagni

Amadou & Mariam

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www.caugomez.com

Entrevista por MSN com Cau Gomez

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Cau é um mineiro que de tanto gostar “do calor apimentado, da negritude e dos ritmos desta terra” foi homenageado com o título de Cidadão Baiano. Ele já ganhou mais de 40 prêmios internacionais e todo dia nos brinda com sua arte no jornal A Tarde. Este ano é um dos finalistas do World Press Cartoon, em Sintra (Portugal). Como diria o Fradim, Cau é top top. Uh!

TudoBem diz: Como você veio parar na Bahia? Cau Gomez diz: Recebi uma proposta para trabalhar no jornal Bahia Hoje, em Salvador, em 93. TudoBem diz: O que queria ser quando crescesse? Cau Gomez diz: Desenhista mesmo. Uma época até me iludi pensando em ser jogador de futebol, mas logo vi que, para isso, teria de ter oportunidade e sorte. Aconteceu naturalmente e facilmente desenhando. TudoBem diz: Você é um pintor que faz cartum ou um cartunista que faz quadros? Cau Gomez diz: Gosto da possibilidade de me manifestar em diversas linguagens artísticas. Gosto muito quando, mesmo mudando a técnica, alguém identifica um trabalho meu sem ver a assinatura. TudoBem diz: Algum ídolo ou referência artística? Cau Gomez diz: No desenho, minha principal e maior influência é o Ziraldo. Ele tem estilo próprio e é versátil, impõe pela força criativa. Tenho também, como referência, os irmãos Chico e Paulo Caruso, Henfil, Angeli, Mário Vale, Konstantin Christoff, Cássio Loredano, Hermenegildo Sábat e Brad Holland. Nas artes plásticas, Modigliani, Toulouse Lautrec, Picasso e Marcel Duchamp TudoBem diz: Melhor ser maduro ou permanecer sempre verde?

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Cau Gomez diz: O amadurecimento é como um copo cheio. Algo definitivo. É preciso ter espaço para as novidades e assim poder se reciclar. “Permanecer sempre verde” seria o melhor ao meu modo de ver. TudoBem diz: Dá pra melhorar o mundo através do desenho? Cau Gomez diz: Certamente. É possível, por exemplo, sentar num boteco, fazer um desenho ou uma caricatura de alguém e fazer sorrir, naturalmente. Isto nos torna mais leves e assim fica mais fácil conviver com o peso da rotina cotidiana. TudoBem diz: Ecologia é um bom tema pra cartum? Cau Gomez diz: Outro dia li na internet: “Fala-se tanto em deixar um planeta melhor para os nossos filhos quando devemos deixar filhos melhores para o nosso planeta.” Isto é cartum puro! Falta criar uma imagem e botar para circular (rs) TudoBem diz: O que você faz pelo meio ambiente? Cau Gomez diz: Não jogo lixo na rua. Separo os lixos em orgânicos e recicláveis em casa. Uso somente sabão de coco na pia e não compro alimentos que contém substâncias condenadas por entidades que protegem o meio ambiente. TudoBem diz: O que é tudo bem pra você? Cau Gomez diz: Um infinito sentido de paz.

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bem mais :: sarno@engenhonovo.com.br

Temperos espirituais “O tema é ecologia”, segundo ordena meu rigoroso editor, mas não falarei mal dos conservantes, acidulantes, corantes e/ou outros venenos culinários. Sempre prefiro ignorar o ruim e falar bem do bom, do que combina com a luz ruiva dessa tarde de abril, que é, para mim, o mais gentil dos meses.

Darei a minha supérflua opinião sobre o tempero espiritual, essa misteriosa substância, uma espécie de sal d’alma, que faz tudo ficar mais gostoso e bonito de ver e comer. No topo desta original seleção de especiarias, segundo minhas pesquisas, está a Cannabis sativa, planta herbácea da família das cannabiáceas e que, segundo os apreciadores, “retoca a maquiagem” dos alimentos e eleva qualquer espetinho de gato a categoria de comida dos deuses. Dizem os apreciadores que a adição desse tempero provoca uma sensação de fome chamada “canina”, que faz o sujeito se deliciar com quiabo com marmelada, sushi de arraia, pé de galinha ensopado com sangue de coelho e outras coisinhas mais. Tirante a cannabis, outro tempero extraordinário é o chamado Comida da Sogra, especiaria emocional que dá a tudo que é feito pela sogra um gosto especial, maravilhoso... Até mesmo ovo frito ou farofa de azeite queimado. Marcio San Aché, famoso chef basco, argúi que este tempero causa um revista tudo bem 05.indd 22

processo de transferência entre o objeto amado e a comida, dando aos pratos o cheiro e o gosto da pessoa amada, no caso a/o filha/o da sogra. A força espiritual dessa especiaria ultrapassa a de outro tempero também muito apreciado, o Casa da Mãe, que, ao contrário do Casa da Sogra, causa dependência e deixa o sujeito ligado pr’o resto da vida. Já vi vários viciados nessa especiaria reclamar do Filé de Juarez, se reportando ao que consumia feito à moda da Casa da Mãe.

FOME DE QUÊ?

Carlos Sarno é apaixonado por gastronomia, foi um dos proprietários do saudoso restaurante Companhia das Índias e é diretor da agência de propaganda Engenhonovo.

Nesse universo pequeno, mas altamente sofisticado dos temperos espirituais podem ser listados o Paixão Louca, que faz com que a gente goste do que detesta, e o Olho Grande, toque de egoísmo que aumenta o apetite e não tem contra indicação, sem falar no, relativamente banal, Farinha Pouca, Meu Pirão Primeiro, de grande importância nas culturas antropofágicas. Finalizamos com uma especiaria pós moderna, a Luz do Sol, ainda sem grande difusão nos restaurantes, já que é uma dieta restrita aos comedores de luz, mas que vem despertando o interesse e o apetite entre os adeptos da alimentação natural, marajoara, tântrica e avatar, entre outras.

No mais, passo a palavra ao Padre Antonio Vieira, mestre nas artes espirituais: “O maior apetite do homem é desejar ser. Se os olhos vêem com amor o que não é, tem ser” (Paixões Humanas).

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FOME DE QUĂŠ? revista tudo bem 05.indd 23

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Fizemos algumas perguntas a personalidades baianas para saber o que é ou não ecológico e sustentável em diversas profissões e sob diversos pontos de vista.

Ecoquiz

Leia ouvindo

1. é pouco, médio ou 2. Você muito consumista? que o capitalismo 3. Acha irá sobreviver ao colapso

Nothing but Flowers

Você é eco?

Talking Heads

ambiental?

Quem é e o que faz: Durval Lélys, arquiteto e cantor

1. Totalmente, sempre me preocupei Quem é e o que faz: Marcio Mello, vive de inventar e desinventar coisas

1. Sou o louco, que de tanto eco fiquei oco rsrsr

2.

Consumo o necessário, nada além do necessário

3.

Ninguém sobrevive a um colapso e acredito na destruição, no colapso e no homem. Acredito no fim das coisas

O que faz pelo verde, além de pintar o cabelo? Tento não pisar na grama rsrsr revista tudo bem 05.indd 24

com a natureza, é o maior tesouro!!!

2. Nada consumista, só tenho o que é necessário.

3. Espero que haja conscientização por parte de todos. É o momento de nos unirmos em prol dessa causa.

Você desenvolve móveis baseados em preceitos ambientais. As pessoas consomem com esta preocupação ou por causa do designer? As duas causas. As pessoas estão se conscientizando com as questões ambientais. As escolas já educam nossas crianças para esse conceito e isso é maravilhoso.

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indo

thing owers

Heads

Quem é e o que faz:

Quem é e o que faz:

Erika Lins, gestora do projeto Arte Social

Bel Borba, artista plástico

1. Sim, devemos trazer a natureza para

1. Estamos numa era em que todo

o nosso dia-a-dia, pois só cuidamos bem do que conhecemos.

2. Hoje sou médio, mas já fui muito!

Temos que entender que o consumo, apesar de ser uma fonte de prazer, pode piorar a nossa qualidade de vida em longo prazo. Normalmente, consumimos muito mais do que precisamos.

3. Não, porque as consequências

não vão permitir que o homem possa usufruir os chamados prazeres do mundo capitalista. Vamos ter que mudar nossos hábitos.

mundo é ou deveria ser sensível à destruição do planeta. Quem se comporta de modo a agredir o meio ambiente é verdadeira queimação de filme.

2. Muito pouco. Frutas, vinho e só. 3. O exercício de autodestruição do

planeta é implacável. Investem tanto em tecnologia aeroespacial para descobrirem outro planeta e destruí-lo também. Sei que não existe perfeição e que o mal não é do capitalismo, mas do egoísmo, individualismo, egocentrismo e até cinismo. Estes ismos destroem o mundo.

O ArteSocialOnline tem transformado consciências para a prática ambiental?

Dentre seus mosaicos e esculturas, qual foi o mais eco de todos?

Acredito que a informação muda a consciência e os hábitos da sociedade. E essa mudança se dará através da educação. Estamos bastante empenhados em levar a responsabilidade social e a sustentabilidade para a nossa sociedade. Imagine você em um mundo mais justo e sustentável?!

A maior parte das esculturas é de reciclagem de antigos saveiros. Fiz uma em que usamos a peça que substitui a hélice de plataformas marinhas, que pesa 130 mil kg. Dela, elaboramos uma coleção inteira de esculturas para chamar atenção aos saveiros e aos problemas da Baía-de-Todos-os-Santos.

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E se... ...você, em vez de jogar esta revistinha no lixo, entregar a outra pessoa? ...toda vez que você levar o seu querido dog para passear fizer do saquinho catacocô um acessório indispensável? ...os isopores cheios de infraestrutura fossem proibidos na areia do Porto da Barra? ...todo mundo deixar uma caneca na sua mesa de trabalho para evitar o consumo diário de copos descartáveis?

Já pensou como o mundo poderia ser diferente se algumas atitudes mudassem nosso cotidiano? ...a Avenida Sete fosse igual a Calle Florida, em Buenos Aires, que multa quem joga folheto no chão? ...você se despreocupasse com os espíritos e dormisse com televisão e luz desligada? ...deixasse de achar que usar saco de supermercado no lixo de casa é sua única contribuição ecológica para o mundo? ...você só comprasse um produto se ele fosse feito com material reciclado?

...aquela mãe não deixar o seu filho jogar palito de picolé no chão?

...essa discussão sobre ecologia não fosse só um modismo?

...as pessoas realmente usassem suas ecobags para fazer compras no supermercado?

...a gente realmente fizesse alguma coisa em vez de ficar só pensando nestas possibilidades?

Leia ouvindo E se

foto > Vinícius Xavier

Chico Buarque e Francis Hime

...todos fizessem como quem fez esse muro?

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bem mais em flickr.com/viniciusxavier

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foto > VinĂ­cius Xavier

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O QUE É TUDO BEM PRA VOCÊ? Reciclar garrafa pet Usamos para fabricação de vestuário, tecidos de roupas, carpetes, cordas, tintas, resina para piscina e até em rodovias e campos de futebol. Com apoio da Pangea, conseguimos que os bandoleiros saíssem do lixão e hoje eles participam das cooperativas de reciclagem, nossas parceiras. Fiquem ligados, quando vocês usarem um produto Nike ou Osklen, podem estar vestindo uma garrafa pet. Dica > Roberto Souza, da Bahia Pet

Poluir menos Que tal deixar o carro em um estacionamento WellPark e fazer tudo andando? É melhor pra saúde, você economiza gasolina e ainda deixa menos rastros de fumaça pela cidade. Dica > Danilo Laborda, da WellPark

Usar lona biodegradável A Uranus2 tem uma lona biodegradável que é um painel 6x6m e que depois pode virar uma bolsa ou mochila. Se rasgar ou sujar e você quiser jogar fora, também não tem problema. Manda para o aterro que a lona vira adubo. É tão sustentável, que nem precisa de coleta seletiva. Dica > Pedro Dourado, da Uranus 2

Arquitetura comprometida O ambientalismo é a nova revolução do século 21. Nós, arquitetos, trabalhamos em função do desenvolvimento da sociedade, com exigências de qualidade de vida que criam impactos perfeitamente adequados, adaptados ou compensados por medidas mitigadoras, provocando o equilíbrio. Dica > André Sá, arquiteto

Inventar no papel Como diz Edgar Morin, “vai ser preciso ecologizar o pensamento”. Reutilizar papel é uma coisa, reaproveitar é outra. Para reaproveitar, basta usar um papel que era rascunho e escrever no outro lado da folha. Para reciclar, precisamos de mais energia. No meu caso, tudo bem é fazer as coisas que morrem, renascerem mais belas e mais resistentes. Dica > Maria Luedy, criadora da Ophicina do Papel

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Deixar a praia redondamente limpa “Não tem alegria alguma no fundo da folia!”, expressou Bernardo Musse, se referindo às 1.500 latas e lixo que encontrou e catou, junto com três mergulhadores voluntários da ONG Jogue Limpo, na areia do mar do Porto da Barra, na operação conhecida como “Fundo da Folia”. No final de março, a Skol foi a única cervejaria que se manifestou publicamente e, nos dias 27 e 28 de março, organizou um mutirão de limpeza para varrer as águas do Porto até a praia do Cristo. Ação considerada válida pelo biólogo André Papi, coordenador da ONG que denunciou a sujeira. Válida, mas não completa, ressalva. “Jogar o lixo em locais inadequados não é nenhuma novidade”, esclarece o óbvio. O desejo de Papi é “uma ação planejada junto com outras instituições que realizam trabalhos de educação ambiental”. Ele espera mais, considerando que as belas paisagens das praias brasileiras são sempre o cenário “explorado para a venda das bebidas”. Então já sabe: se for beber, não dirija e nem jogue lixo por aí.

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OPINIÃO

Guy Marcovaldi é formado em Oceanografia pela Universidade do Rio Grande-RS e é Coordenador Nacional do Projeto Tamar, Tartarugas-Marinhas bem mais :: www.tamar.org.br

Histórias do Tamar Éramos estagiários do Museu Oceanográfico de Rio Grande e, como de costume, todas as férias organizávamos passeios para praias e ilhas distantes e desertas. Aquela época era de paz e amor. Proteger a natureza era ter uma horta e alimentar animais. Numa dessas

viagens, em 1977, assistimos à matança de onze tartarugas marinhas, de vez, por alguns pescadores. Aquilo motivou a nossa vontade de montar um organismo que defendesse e preservasse as tartarugas marinhas. Matar e comer tartarugas, ovos, vender cascos, era normal para pescadores. Hoje é raro, mas ainda existe. A grande maioria dos pescadores só mata tartaruga acidentalmente e tenta se livrar do “corpo” o mais rápido possível.

O Tamar surgiu de um desses relatórios de viagens, que foi entregue a Maria Teresa Jorge Pádua (ex-diretora do IBAMA, de parques, etc). Então, o governo federal chamou aquele grupo inicial para integrar o Programa Nacional de Conservação Marinha, cujo um de seus desdobramentos foi o Projeto Tamar (Tartaruga + Marinha), no qual eu e Neca (Marcovaldi) estamos desde 1980, um ano após nossa formação universitária em oceanografia. O IBAMA (na época, chamava-se IBDF) atendeu à demanda que surgiu da sociedade e fomos contratados para fazer isso.

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Estávamos no lugar certo e na hora certa. Tivemos essa feliz coincidência. Hoje estamos no ICMBIo, mas sempre com o mesmo projeto. Após três décadas, com 22 sedes no Brasil e baseado numa estratégia múltipla, o Tamar interage com as comunidades envolvidas e outros atores sociais, dando suporte para a sustentabilidade das ações a longo prazo. A equipe do Tamar compreendeu que é preciso cuidar também das pessoas, para que elas tenham condições de proteger a natureza, o mar e as tartarugas marinhas. As populações locais são essenciais no processo, pois podem influir diretamente nas condições do habitat desses animais, reduzindo a pressão sobre os ecossistemas e as espécies.

Estamos num divisor de águas: ou, de fato, as políticas mudam ou vamos sofrer. Principalmente os mais pobres e sem oportunidades. A questão

ambiental, mais que moda ou marketing, precisa de negócios e políticas que dêem sustentação, porém amparada na opinião pública. A maioria da população acha que conservar a natureza é importante, mas poucos realmente praticam. Sem exceção, devemos respeitar as leis ambientais, os conselhos das campanhas de lixo e de água, consumo e economia de água que influem diretamente no aquecimento global.

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Uma revista de bem com a vida. Consumo - ação - ecologia

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