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DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

www.revistatudobem.com

edição 04 - verão

entrevista Lícia Fábio uma apaixonada pelo denguinho gostoso da Bahia BEM MAIS:

tradição - design - axé


brinque bem Pra gente, tudo bem é chegar na quinta edição fazendo uma publicação diferente de tudo que se fazia no mercado editorial baiano, é receber elogios dos amigos e dos colegas de profissão.

Quem nos acompanha desde a edição zero, sabe que não gostamos de briga, de fofoca, de mentira, nem de gente chata. Somos uma revista do bem. Gostamos de escrever bem, fotografar bem, ilustrar bem, fazer o bem.

Muito obrigado a todos. Vamos aproveitar este período festivo para comemorar nosso primeiro ano de um jeito bem baiano: trabalhando pra todo mundo fazer a festa. Curta bem, pule bem, beije bem, tudo bem.

quem faz

A TudoBem nasceu no carnaval de 2009 e está completando um ano de bem com a vida. Aliás, não poderia ter época melhor para o nascimento de uma revista como a nossa, que adora falar bem de tudo.

editor responsável Marcelo Sant’Ana DRT 2466 conselho editorial Márcio Sant’Ana Jorge Novaes projeto gráfico Muito Comunicação distribuição WellPark / Central do Carnaval

editoria de texto Márcio Sant’Ana Tatiana Maria Dourado editoria de arte Ari Cabral / Rangel Santana publicidade Aura Bahia Renato Lobão impressão GRASB

colaboradores Alex de Oliveira / Ana Paula Sant’Ana / Caio Silveira / Isac Stern / Élcio Carriço / Pedro Dourado / galera da CCM fale com a gente contato@revistatudobem.com twitter.com/revistatudobem 71 3237.2020

edição

04

Você encontra a TudoBem nos estacionamentos WellPark. Pegue a sua. A revista TudoBem também está na internet: www.revistatudobem.com Turista Cultural Gastronômico Popular Lazer Banco

Acadêmico

Aeroporto Pelourinho Ibis/Mercure (Rio Vermelho) Teatro Castro Alves (Bradesco Garcia) Teatro Jorge Amado (Itaú Pituba) Soho (Shopping Paseo) Madame Champanharia (Rio Vermelho) Cheiro de Pizza (Rio Vermelho e Pituba) São Joaquim São Raimundo (Barris) STS (Nazaré) Rio Vermelho (Próximo à Villa Forma) Real (Iguatemi/Pituba/ACM) Citibank (Tancredo Neves) Bradesco (Canela/Pituba/Calçada/Barão) HSBC (Mercês) Itaú (Mercês) Unifacs Stiep (Pós-Graduação) Unijorge Stiep (Pós-Graduação)

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Torre do Parque (Itaigara) Golden Plaza (Itaigara) Fiesta Convention (Itaigara) Redenção (Tancredo Neves) Costa Andrade (Tancredo Neves) Centro de Convenções (Stiep) Emp. Costa Azul/Elite Comercial (Stiep) TK Tower (Stiep) OAB (Nazaré) Tomé de Souza (Iguatemi) Atlantis Multiempresarial (Itaigara) Itaigara Memorial (Itaigara) Linus Pauling (Itaigara) Professor Fernando Filgueiras (Garibaldi) Odonto-Médico (Itaigara) Diagnosom (Pituba) Multimagem (Pituba) Hospital da Bahia (Magalhães Neto)

www.wellpark.com.br


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bemporna foto Alex Gabiru esta foto foi tirada na Lavagem do Bonfim 2010

bem mais em flickr.com/alexgabiru


Tuíta lá lá iô iô bá bá Se você não entende muito bem as letras da axé music, agora pode perguntar direto para os artistas. Escolhemos uns tweets de alguns nomes que fazem a alegria do carnaval. Mas se ligue: melhor do que seguir essa galera no twitter, é seguir os trios deles no carnaval. Chiclete com Banana www.chicletecombanana.com.br

@ChicleteOficial

“Chicleteiros! A alegria está colocando a sua mais bela roupa para nos esperar na avenida. E nos já estamos indo pra lá...” Banda Eva www.bandaeva.com.br

@oficialbandaeva

“Ouvindo LUGAR DE ALEGRIA pelo site, dá uma vontade de levantar e começar a pular” Margareth Menezes www.margarethmenezes.com.br

@MagaAfroPop

“Bem estou indo, beijo a todos, e vamos participar da campanha para ajudar o Haiti, galera, temos que ajudar de alguma forma.” Ivete Sangalo www.ivetesangalo.com

@Ivetesangalo

“minha gente, a gente tem quase 600.00 seguidores. poaaaaaarrrrr, moral da poooaaaaarrrrr. vcs são massa” Jau www.myspace.com/jauperi “êê surpresa boa no carnaval. É para todo mundo ir e curtir como antigamente”

@jauperi


Psirico www.bandapsirico.com.br

@psirico

“o povo do Ceará ama muito o psi! quero agradecer aos meus fãs eternos como chocolate que saiu de Teresina pra ir ver o psi!” Olodum olodum.uol.com.br

@BANDAOLODUM

“Como diz nosso amigo Ninha, quem não for vai morrer amanhã. Bjos e bom dia a todos!” Claudia Leitte www.claudialeitte.com.br

@CLAUDIALEITTE

“Vou decolar, meus “delícios”! Fiquem com Deus. Assim que eu tiver um tempinho, faço um VIP com vcs. Mts bjs” Asa de Águia www.asadeaguia.net

@bandaasadeaguia

“Galera... amanhã voltamos com tudo! Hoje vamos tentar dar um jeito nessa conexão “mala”! rsrs Até amanhã!!!!” Timbalada www.timbalada.com

@Timbalada_twt

“E as novidades na TIMBALADA seguem explodindo. O Verão 2010 será inesquecível” Alinne Rosa www.alinnerosa.com.br

@Alinne_Rosa

“Inclusive to ensaiando agora a música do Jammil pra tocar no carnaval e por aí... rsrsr @_mannogoes Leve a vida leve!! Linda!” Daniela Mercury www.danielamercury.art.br

@DANIELAMERCURY

“Inventamos raças, classes, tipos de gente diferente, mas somos todos iguais, apenas frágeis mortais. Acho que, às vezes, inventamos demais.” Alexandre Peixe www.alexandrepeixe.com.br

@AlexandrePeixe

“E ai galera, como foi o dia hoje? Andei meio sumido do Twitter por conta da correria do dia...”


bem mais :: blogcampominado.blogspot.com

A influência chinesa na alimentação das entidades indo-africanas no carnaval da Bahia ou vice-versa Num carnaval perdido num passado não muito distante, um acontecimento aparentemente banal chamou minha atenção. Numa das noites da festa, em plena cidade de Salvador e numa rua longe do circuito carnavalesco, vi um homem branco, vestido de Filho de Gandhy, entrando num restaurante chinês.

Falando assim, não parece nada demais, mas se a gente analisar mais detalhadamente pode ver, por trás dessa cena, séculos de história, de intercâmbio cultural e de choque de civilizações. Olha só: um branco, num

bloco predominantemente negro em homenagem a Gandhy, mas que cultua o candomblé africano e não o hinduísmo indiano, comendo num restaurante chinês numa cidade que foi capital de um país colonizado por portugueses, fortemente influenciados pelos árabes, que misturaram sua cultura com a dos índios nativos e dos escravos africanos vindos de diversas regiões do continente. Tudo isso numa festa que tem origens religiosas pagãs, que foram absorvidas pela igreja católica, que surgiu dos ensinamentos de um líder religioso judeu, que se disseminou pelo Império Romano, que acabou adotando o catolicismo como religião oficial e impondo essa religião ao continente de onde vieram os brancos que impuseram

DE TUDO

Victor Mascarenhas é escritor, roteirista e publicitário. É autor de “Cafeína”(um dos livros vencedores do Prêmio Braskem de Literatura 2007), sócio da Terravista Comunicação e também escreve no blog Campo Minado.

essa religião aos africanos e índios que, junto com esses mesmos brancos, inventaram esse país maluco que para uma semana para ir atrás do trio elétrico. Toda essa conversa fiada é só pra lembrar que apesar da padronização de plástico dos blocos, camarotes, coreografias e dos mesmos artistas de sempre, com pouquíssima renovação e cada dia menos inovação (será algum dia vai aparecer uma cantora baiana que não imite Ivete e não seja metida a engraçadinha?).

A singularidade do carnaval da Bahia ainda está por aí, é só procurar direitinho enquanto se espreme pelas ruas da cidade, que a cada ano tem menos espaço para uma espécie que caminha célere para a extinção: o folião pipoca. O afoxé Filhos de Gandhy, fundado por estivadores portuários no dia 18 de fevereiro de 1949, é conhecido como o mais belo Afoxé do carnaval de Salvador. Os princípios de paz de Mahatma Gandhi e a tradição da religião africana são as inspirações, ritmada pelo agogô nos seus cânticos ijexá na língua Iorubá. As cores dos colares e o afoxé evocam Oxalá, o Orixá maior.

Dica para as meninas: para ganhar um colar é só trocar por um beijo!


Êta,

terra festeira!

fotos > Élcio Carriço

Enquanto você se diverte, Lícia trabalha. E quando Lícia trabalha, ela relaxa. Nordestina retada, é sergipana de saudade, mas baiana de dengo, alma e coração. Mente das melhores festas, foi ela quem mudou a cara do maior carnaval do mundo.


Lícia Fábio fala sorrindo, cheia de sotaque. Põe no centro toda a modéstia que não a deixa envaidecer. É uma das melhores promoters do Brasil, com trabalhos mais concentrados em Salvador, São Paulo e outras capitais nordestinas. É grande e colorida, como sua revista Lícia. Também é muito esperançosa, como seus planos de revigorar a tradição cultural da Bahia. Há quanto tempo está na Bahia? Lícia Fábio - Minha filha, há 41 anos. Aqui é minha cara. Me prendeu um amor muito grande, pela terra, pela gente. Você chega num lugar, te pagam um suco e não querem nada em troca. Se você está chateado, para ali na baiana de acarajé, gente, é muito assunto! Não sei aqui se os terapeutas ganham dinheiro. É uma terra que Deus privilegiou, tanto que ele fez três baías no Brasil e colocou duas na Bahia. A família que te trouxe? LF - Minha irmã estava formando em Enfermagem e não queria voltar para Aracaju. Vendi livro, trabalhei em hospital psiquiátrico (Santa Mônica), depois na Secretaria de Saúde...

No dia-a-dia, o que você gosta de fazer quando está aqui em Salvador? LF - Vou para restaurante (quando posso, né?), para shows. Vou à igreja, ao Bonfim. Agora coloquei na cabeça que quero ir toda quinta-feira na Igreja Nossa Senhora da Luz, na Pituba, que o santíssimo está exposto. Eu fui e fiquei encantada. Você é religiosa? LF - Nossa, eu sou muito religiosa. Quantas religiões você tem? LF - Sou católica, apostólica, romana. Acho que Deus é um só. Vou ao meu terreiro do Gantois. Temos que pedir a paz e Ele é quem traz para todo mundo. Tem a missa da Piedade no domingo que é linda. Vou em igreja evangélica...Não tenho esse negócio.

E como entrou na área de eventos? LF - Eu tenho uma grande amiga, a Luiza Olivetto. Ela foi casada com o Washignton, que é apaixonado pela Bahia. Sabe mais coisas lá em SP, às vezes, do que eu aqui. Ele começou a botar isso na propaganda, né? “Faça isso, veja aquilo”. Ele me disse que eu levava jeito. E aí estou aqui, até hoje aprendendo... E teve aquela festa transformadora de vida? LF - Ah, teve. Há 17 anos teve a campanha da Brahma no MAM. Eu só fazia festas pequenas, 100, 200 pessoas... Essa foi para 1.500! Jose Victor Oliva confiou. Quem ia tocar era o Durval, mas ele ficou doente e Bel tava aqui e tocou. Foi uma noite muito bonita. Eu sou muito grata àquela festa.

“Se você está chateado, para ali na baiana de acarajé, gente, é muito assunto!” LF - E qual o festejo preferido? Olha, é uma festa nova, que fizemos ano passado no dia de São Jorge, a ‘Salve, Jorge!’. Sou também apaixonada pela Lavagem do Bonfim, acho uma das coisas mais bonitas que tem. E gosto muito de carnaval. Queria ter tempo, hoje, para a saída do Ilê, descer o Pelourinho com o pessoal do Olodum... Eu sou uma festeira. Mas não dá, é muito trabalho e, aqui na Bahia, são seis dias de carnaval.


Já curtiu muitos carnavais?

E o terceiro circuito que todo mundo fala?

LF - Ave Maria, muito! Eu saia e toda quarta-feira de manhã chegava em casa chorando, porque dizia (aí, paguei a língua, viu?) que tudo demorava, mas carnaval acabava logo. Mamãe já sabia, me dava um bom carão. Nunca esqueço. Quando cheguei aqui, uma das primeiras festas que me levaram foi a da Conceição da Praia e a gente cometeu a maior gafe. Não sabíamos o que era e, como boas sergipanas, viemos de meia, cabelo de laquê e servimos de gozação para as pessoas.

LF - Eu tenho um sonho! Que esse terceiro circuito seja dos blocos afros, do Ilê, Olodum, Muzenza, Mudança do Garcia, Didá. Poderia ser no Comércio, mas antes dessa loucura tem que ver a cidade, porque o Centro é muito bonito. É a história da Bahia e isso não pode morrer.

Este ano você é a homenageada do Habeas Copos, né? LF - Eu fiquei muuuito feliz. Me senti super orgulhosa. Veja bem, tanta gente que ele tem para homenagear e me escolheram. Como é que você fica, né? É o carinho... Os camarotes transformaram o carnaval baiano. Você tem um papel importante nisso com o camarote Daniela. LF - Daniela estava saindo da avenida e indo para a Barra. Queria uma sala de visitas para receber amigos e jornalistas. Pensávamos uma coisinha para 50 pessoas. Graças a Deus, foi lindo e hoje têm camarotes muito mais bonitos que o dela.

“Sou também apaixonada pela Lavagem do Bonfim, acho uma das coisas mais bonitas que tem.” Com 41 anos em Salvador, você ainda mantém relação com os colegas de escola em Sergipe. Você é muito amorosa? LF - Oxe! Fomos fazer um camarote lá no Pré-Caju e mandei a lista de minha galera da escola. Não dá para perder as raízes, as pessoas que foram importantes na formação, os colegas que passaram cola, que abriram sua cabeça para a vida... Quando eu vou a gente sempre faz uma farrinha. O que é tudo bem para você? LF - Tudo bem é a vida, os amigos, a sinceridade, é pensar no próximo.


Outros carnavais Ói Brown aí ói!

fotos > divulgação Central do Carnaval

No século passado, Luiz Caldas e Carlinhos Brown faziam a festa da galera.Nesse carnaval, os dois continuam alegrando a massa. Depois dizem que o Carnaval da Bahia mudou.


“No meu tempo é que era bom”. Já reparou que todo mundo que já foi no carnaval e não vai mais sempre vem com essa conversa? Então se ligue. Na moral, o que eu acho mesmo é que carnaval é sempre bom, desde que você esteja solteiro e vá com um grupo de amigos ou amigas ou os dois, o que é melhor ainda.

O carnaval é o típico momento em que vale a máxima: antes mal acompanhado do que só. Dá até pra ir de casal, mas

a gente sabe que não é a mesma coisa. Dança de cá, conversa de lá, um gaiato brinca com a mulher do sujeito, nego se dana e acaba indo pra casa de mau humor. Mas é nenhuma. Tudo é tempo. Já que o assunto são os outros carnavais, quem já brincou de mortalha sabe que o negócio podia até ser meio feio, mas tinha lá suas vantagens. Dava pra inventar vários tipos de cortes e amarrações, as meninas podiam fazer xixi no meio da rua e tinha gente que ia até sem nada por baixo, pra se sentir livre. Hoje tem o tal do abadá. O nome até faz referência ao traje da capoeira, mas não passa de um short com uma camiseta.

É tudo muito americanizado para o gosto dos mais puristas. Ah, falando em nome, outro dia Pedrinho da Rocha me explicou que “mortalha” vem de roupa de morto, que antigamente a galera vestia como se fosse fantasia e isso virou moda.

Hoje está tudo diferente. Mortalha virou abadá, paquera virou ficante, ligante virou roska, churrasquinho de gato virou sushi de salmão e tem até trio elétrico tocando dance music em plena Castro Alves. Eu hein! No meu tempo é que era bom. Este texto é uma colaboração especial de Punk, o publicitário.


bem mais :: sarno@engenhonovo.com.br

Céu da boca Couvert “Morava numa ilha perdida e deserta Deserta, ilha deserta da dor Sonhava com um índio Que me desse alegria E esse índio era você amor.

Vale tudo no comer comida, de espetinho de gato ao foie gras do camarote metido a besta, e, no outro comer, a exigência dura até o trio chegar na boca de Ondina.

Com um penacho na cabeça, de uma tribo de paz Tocava tambor, eu quero mais, eu quero mais.

Carnaval é festa da carne, é carne vale em bom latim, orgia da loucura, do extravasamento, do politicamente incorreto, em que o único pecado é não comer, pois o jejum a gente deixa pra quaresma.

O seu amor é canibal Comeu meu coração Mas agora eu sou feliz O seu amor é canibal Meu coração Agora é todo carnaval” Composição: Ivete Sangalo e Caco de Telha

A comida preferida do carnaval você já sabe... Como canta Ivete, viramos todos canibais. De uma forma geral, come-se de tudo, e não só o coração... No embalo da cerveja, todo prato fica saboroso. Na verdade, apetite é que não falta na folia, o que é berrado nas músicas, onde o comer e o “comer” só encontram paralelo nas quebradas do forró. Morro de rir com aquelas receitas e dicas culinárias aconselhando o folião a buscar o equilíbrio entre os dois comeres, quando a festa é do excesso, da entrega total, do “seja o que Deus quiser”.

Sei que você concorda que, no carnaval, cabe budistas e vegetarianos que, se vão pra gandaia, com certeza vão se exceder em mantras e espinafre, mas vão. Por isso, aqui, nesta ambiciosa publicação vai a recomendação de que você coma e se deixe comer, conforme suas preferências, sem restrições, pelo prazer de viver e celebrar a alegria, porque a vida dura só um dia, Luzia, e não se leva nada desse mundo. Ou será que a gente leva? Acho que a gente leva sim, o amor, a chuva e o suor dos nossos carnavais. “Eu quero beijar a sua boca louca Eu quero beijar a sua boca louca Eu vou enfiar uva no céu da sua boca Eu vou enfiar uva no céu da sua boca E aí...[...]” Composição: Reinaldo Marcel

FOME DE QUÊ?

Carlos Sarno é apaixonado por gastronomia, foi um dos proprietários do saudoso restaurante Companhia das Índias e é diretor da agência de propaganda Engenhonovo.


A cor do som Entrevista por MSN com Pedrinho da Rocha


O carnaval da Bahia tem as cores dos traços de Pedrinho da Rocha. Baiano, criado nos Barris, Pedrinho conhece o carnaval por dentro. Primeiro como folião, depois como pintor de trio e finalmente como o designer responsável pelas fantasias e campanhas publicitárias dos principais grupos carnavalescos. Um cara gente boa, alegre como a festa que ele pinta todo dia.

TudoBem diz: Você gosta de carnaval? Pedrinho da Rocha diz: Prefiro o som do tambor ao de uma guitarra. Como hoje o carnaval tem muitas guitarras... TudoBem diz: Qual a melhor música de carnaval? Pedrinho da Rocha diz: Não diria a melhor, mas a que mais gosto: “...já é carnaval cidade / acorda pra ver...” de Gerônimo. TudoBem diz: É verdade que você começou, literalmente, pintando trio? Pedrinho da Rocha diz: É isso. Numa época de minha vida o único trabalho que pintou foi pintar. Aí rolaram muros de escolas, quartos de criança, trios e... o carnaval. TudoBem diz: É possível trabalhar para blocos concorrentes? Pedrinho da Rocha diz: Há mais de 15 anos, no “boom” do axé, era comum eu atender a dois ou três clientes ao mesmo tempo. Era tudo uma grande festa e um dava penada no trabalho do outro. Hoje os interesses são muitos e maiores ainda os cuidados. TudoBem diz: Dá pra ter tanta ideia com o mesmo tema? Pedrinho da Rocha diz: Quando crio, exercito a anulação do “EU” e a apropriação do “OUTRO”, assim assumo a identidade de cada cliente. Ou, pelo menos, tento.

TudoBem diz: O que vc acha do terceiro circuito? Pedrinho da Rocha diz: Nunca vi nenhum circuito surgir por decreto. Quem inventou os circuitos foi o folião. Mas, do que se anda falando por aí, acho que o Comércio. Talvez. TudoBem diz: Avenida ou Barra/Ondina? Pedrinho da Rocha diz: Eu nasci na Avenida. Esse carnaval de Salvador também. TudoBem diz: Bloco ou camarote? Pedrinho da Rocha diz: Bloco. Sempre. TudoBem diz: Abadá ou mortalha? Pedrinho da Rocha diz: Com a mortalha TUDO era mais fácil. TudoBem diz: Como surgiu a ideia do abadá? Pedrinho da Rocha diz: As pessoas já dobravam a mortalha, a gente só fez batizar. TudoBem diz: Qual a próxima novidade do carnaval? Pedrinho da Rocha diz: A reedição do “kimono”, que o bloco Cerveja & Cia utilizava há 20 anos e que me inspirou o abadá. Daí a relação: kimono do judô, abadá da capoeira. TudoBem diz: O que é tudo bem pra você? Pedrinho da Rocha diz: Minha consciência e minha família.


O que vai rolar de mais fashion nesse carnaval são os shortinhos curtos, de meia coxa e os modelos boyfriend.

Tênis apenas pra quem vai pra avenida. Nos camarotes, sandália plataforma é uma ótima alternativa. Elas são confortáveis e você pode pular à vontade.

Os tecidos flamê são as melhores opção para a estação, pois são finos e leves.

Nas mãos, o esmalte da vez é o rosa chiclete ou o rosa neon.

As camisetas e os tops, com tons fluorescentes, vão tornar seu look carnavalesco mais fashion.

Para os adereços, apostem nas faixas largas e coloridas no cabelo e braceletes de couro com peças douradas.

ESTILO

Kátia Teixeira é administradora de empresas, apaixonada por moda e empresária do mundo fashion.

Não esqueça de dar um toque especial ao seu abadá. Use miçangas, paetês e fitinhas do Bonfim.

?

Vale tudo para desfilar na avenida!

A moda é ser feliz.


A farra e a fanfarra na Barra fotos > divulgação Habeas Copos

O feijão só sai na manhã de sábado. Até lá, são cerca de quatro horas de percurso na noite da sexta. Há 32 anos, a Banda do Habeas relembra que carnaval é, antes de tudo, fanfarra.


Foliões e agregados, atenção ao percurso:

Marquês de Leão, Miguel Bournier, Airosa Galvão, Cristo, Av. Oceânica, Farol e Habeas! “Se os corpos não podem ser livres, que pelo menos os copos sejam”, e viva! Era ditadura militar em 1976, mas quem é boêmio não se reprime e Sérgio Bezerra abriu mesmo as portas do bar Habeas Copos “em homenagem à revolução”.

Papeavam intelectuais, artistas e jornalistas, mas a protagonista sempre foi a música. No sopro e na percussão de

100 homens, tomaram as ruas da Barra um dia antes do carnaval - em época tradicionalíssima do circuito Campo Grande - para fazerem festa sem cordas e com muita marchinha. Eram a realeza em típico carnaval popular de rua! E realeza não perde a majestade, toma territórios. Desde 1993, no dia da saída ao Rei Momo, a banda do Habeas desfila no Pelourinho. Segundo Bezerra, o circuito recebeu o nome Batatinha graças à ida da banda do Habeas, que misturou o som afro à fanfarra. “Você

tem, na Bahia, a maior banda de sopro do Brasil, bem maior que a banda de Ipanema, no RJ”, orgulha-se.

Fugindo da “trieletrização” da Barra, desfilam na sexta-feira pré-carnavalesca desde 1993. Os 100 músicos pouco ensaiam. Para quê? “Tocam o ano todo em orquestras” e isso basta. Os foliões se esbaldam, cantam com a velha e a nova guarda, abastecidos pelos “amigos isopores” e vestidos com a “camisa mais bonita do carnaval”, produzida por Marco Alemar. Foi ele que desenhou Lícia Fábio, a homenageada de 2010. Em 32 carnavais do Habeas, nessa camisa já estiveram Batatinha, Riachão, Nelson Rufino, Nizan Guanaes e muitos outros (...).

Vista a camisa da Banda do Habeas Copos 5 de fevereiro (Barra) 13 de fevereiro (Pelourinho) www.bandahabeascopos.com.br


O que é que a baiana tem?

fotos > Filipe Cartaxo

Tem tudo aquilo que Caymmi disse que tem e agora também tem frevo, dub, reggae, rock e axé. É o Baiana System, o novo toque da guitarra baiana.


No domingo de carnaval o Baiana System receberá convidados para um tributo a Ramiro Musotto: B Negão e a Orchestra Sudaka. Robertinho Barreto tocou cinco anos no axé da Timbalada (1996-2001) e é um dos fundadores do pop-rockbaião da Lampirônicos. Desde 2008, entre o descanso do Lampirônicos e demais trabalhos, concentra a energia num projeto que tem pretensão de movimento cultural. O Baiana System nasceu para enaltecer o símbolo do axé e do carnaval baiano, em diversas sonoridades. “A guitarra

baiana tem base versátil, cabe muito bem em vários ambientes. Minha ideia foi inseri-la em outros universos musicais, estimulada pela música jamaicana”. Tudo com a concepção

visual do designer Filipe Cartaxo. “A estética traduz muito a linguagem de rua, festejos de largo, grafismos, isso também é importante”, enfatiza. Criada nos anos 40, a “guitarrinha” fez surgir o trio elétrico. Foi nele que Robertinho mais se inspirou para a vida musical: em épocas áureas de Armandinho, Dodô e Osmar e Novos Baianos.

No terceiro álbum dos Lampirônicos, Caia na Madrugada, “há presença marcante do instrumento”, diz. A evolução resulta no atual Baiana System. Com composições de Robertinho, a base rítmica é usada para recriação em vários formatos. “As bases se abrem para ter guitarra baiana, vozes...”, conta. O disco sai depois do carnaval, com 11 faixas e dois remix dub, e terá participação de Roberto Mendes, Gerônimo, B Negão e Lucas Santana.

Baiana System Robertinho (guitarra baiana) Russo (vocal) Marcelo Seco (baixista) André T. (MC) www.myspace.com/baianasystem


O QUE É TUDO BEM PRA VOCÊ? Fim de semana na Bellatrix Bellatrix é o nome de uma estrela da constelação de Órion e também de uma pousada que fica na beira do Lago Aruá, do outro lado da Praia do Forte. Ideal para ver estrelas e esquecer da vida. Dica > Chuca Cardoso, chef de cozinha

WellPark Aeroporto É bem prático e bem econômico. Você também pode usar o LaveBem, que deixa seu carro bem limpinho enquanto você viaja tranquilo. Dica > equipe da WellPark

Ler a Revista Pê Éfe É pocket, é forte, é a pocket da Praia do Forte. É feita pelo mesmo pessoal que faz a TudoBem. Somos suspeitos, mas vale a pena: www.revistapeefe.com Dica > de todo mundo aqui da Muito

Ter uma personal stylist Priscila Coelho sabe tudo de moda. Ela tem um showroom no Itaigara com bolsas e sapatos lindos. priscilacoelho8@hotmail.com Dica > Karina Terso, sócia da 8 Comunicação

Madame Champanharia Ninguém toma champanhe porque está triste. Ou seja: ir na MME é sinônimo de alto astral. A decoração foi inspirada nos bares de Barcelona e a adega tem espumantes para todos os gostos e bolsos. Dica > Dedé, artista plástico e autor do desenho da capa da TudoBem 02


Brincar com segurança Siga as dicas do Coronel Valter Leite, que já foi presidente do Conselho do Carnaval e, há três anos, é coordenador do carnaval no Circuito Barra/Ondina. • Não existem regras pra brincar o carnaval. Siga o bom senso. • Vá de taxi, van ou ônibus. Mesmo quem não bebe fica cansado ou com sono na volta pra casa. • Não leve bolsa. É bom ter as mãos livres para acompanhar as coreografias. • Celular??? O carnaval é uma boa desculpa para você desligar um pouco. • Que jóias, que nada. Deixe que sua alegria seja o brilho mais bonito do carnaval. • Evite locais desertos. Existe lugar melhor para namorar que nas pedras da praia. • Perdeu documento? Todo dia a polícia coloca uma lista dos que foram achados na internet e você pode pegar no Comando Geral da PM, no Quartel dos Aflitos.

Moqueca de peguari Pra quem não sabe, peguari é um bichinho que vive em um búzio e tem uma carne macia e saborosa. O melhor lugar para experimentar é numa das praias de Madre de Deus, na Baía de Todos os Santos. Dica > Marcelo Affonso, professor e personal trainer

Rodavlas Ed Lavanrac

Além de ser “Carnaval de Salvador” ao contrário, é o nome de mais um filme baiano. A previsão de lançamento é o verão de 2011. Dica > Hamilton Ribeiro, produtor cultural

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Os bastidores do Carnaval da Bahia Carnaval é sinônimo de alegria e diversão! Para ver as grandes estrelas

do axé, vale de tudo! Desde ficar na pipoca, ir atrás do trio ou então curtir a festa no conforto dos camarotes.

Para alguns é um período de muito trabalho e época de concretizar tudo o que foi planejado no ano que passou. Para outros é tempo de tirar férias e aproveitar o melhor da festa. Mas o que muitos não sabem é o que está nos bastidores. Vemos hoje que o Carnaval tem uma mega estrutura, fruto da parceria entre produtoras, artistas, governo estadual, prefeitura de Salvador, rede hoteleira dentre outras coisas. A profissionalização da maior festa popular do mundo se deu de maneira gradual. Os trios foram se

aperfeiçoando, as bandas passaram a investir em novas tecnologias, surgiram os camarotes e o Carnaval tomou uma nova forma. Atualmente

existem até empresas especializadas em vender a festa, como a Central do Carnaval, que inicia o seu trabalho já na quarta-feira de cinzas tendo em vista o Carnaval do ano seguinte. A história da Central está ligada ao surgimento do Bloco Camaleão, que surgiu em 1978 percebendo que a festa era um mercado em expansão, e que poderia crescer desde que tivesse uma estrutura mais organizada e inovadora.

O primeiro desfile do bloco foi em 1979 e o sucesso foi reconhecido pela imprensa e pelo público desde a sua primeira apresentação. O Camaleão foi crescendo e passou do desejo de amigos para uma grande empresa.

O Carnaval passou a ser muito divulgado dentro e fora do país, atraindo cada vez mais um público exigente, e para atender essa demanda as entidades carnavalescas tiveram que se aperfeiçoar. Nesse contexto surge a Cara Caramba, produtora vinculada ao Bloco Camaleão que começou a realizar grandes eventos em Salvador e em outros estados. O know how obtido em anos de experiência, juntamente com o crescimento do Carnaval e a grande demanda do público, fez com que o grupo Camaleão, que até então era formado pelo bloco e pela produtora Cara Caramba, criasse a Central do Carnaval, no ano 2000. Hoje a Central é a maior estrutura de vendas do Carnaval do Brasil, com lojas no Aeroporto, Praia do Forte e nos shoppings Iguatemi e Barra. Possui em sua estrutura mais de 23 blocos e 12 camarotes, além de uma boutique, onde é possível encontrar produtos do Camaleão, Nana e do Chiclete com Banana. É o Carnaval cada vez mais no centro das atenções.

OPINIÃO

Joaquim Nery Filho foi professor de geografia dos colégios Sartre e Portinari, é sócio da produtora Cara Caramba, do bloco Camaleão e é diretor executivo da Central do Carnaval.


TudoBem04  

Uma revista de bem com a vida. Tradição - design - axé

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