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edição zero - carnaval

entrevista

MAURÍCIO MAGALHÃES “na bahia você negocia sorrindo”

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

BEM MAIS moda esporte negócios cinema

BEM CHIQUE novo projeto de david bastos


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06. cinema :: filme baiano sobre o Carnaval 2008 08. de tudo :: a mudança de Obama para a Casa Branca 10. entrevista :: Maurício Magalhães fala sobre o lado empresarial do Carnaval de Salvador

16. por msn :: Samuka, o desenho da capa é dele 20. arquitetura :: viver bem segundo David Bastos 24. titular :: o renascimento de Paulo Carneiro 26. pop do bem :: vale tudo por um beijo? 28. moda :: ensaio fotográfico com Marta Rocha 30. estilo :: dicas quentíssimas para o verão 34 opinião :: 2009 na visão de Walter Barretto Jr.

expediente

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editor responsável Marcelo Sant’Ana DRT 2466 conselho editorial Márcio Sant’Ana Jorge Novaes projeto gráfico Muito Comunicação distribuição WellPark publicidade Aura Bahia impressão GRASB - Gráfica Santa Bárbara tiragem 20.000 exemplares

fale com a gente contato@revistatudobem.com colaboradores Ana Paula Sant’Ana Ari Cabral Caio Farias Caio Silveira César Silveira Diego Novaes Derluzia Caires Fabio Lopes Isac Stern Marco Alemar Reginalvo Gama Renata Firpo

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agradecimento A TudoBem agradece a todos que trabalharam, anunciaram e torceram para que esta revista pudesse acontecer

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e aí? tudo bem? Você gosta de trabalhar bem, comer bem, morar bem, andar bem e viver bem? Nós também. Foi pensando nesta coincidência que criamos a TudoBem, uma revista que fala sobre coisas bem interessantes com pessoas bem bacanas. A revista Tudobem é o resultado de uma parceria bem legal entre a rede de estacionamentos WellPark e a Muito Comunicação.

A proposta editorial foi bem pensada, o projeto gráfico foi bem cuidado e todos que trabalharam na revista foram bem intencionados. Como tudo na Bahia, a Tudobem foi bem difícil de acontecer. Mas no final deu tudo bem. Tomara que você leia tudo e goste de alguma coisa. Tudo que a gente quer é que a revista, de alguma forma, faça você se sentir bem. Isso é tudo.

Você encontra a TudoBem nos estacionamentos WellPark. Pegue a sua. A revista Tudobem também está na internet: www.revistatudobem.com Empresarial

Médico

Turista

Cultural

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Torre do Parque (Itaigara) Fiesta Convention (Itaigara) Golden Plaza (Iguatemi) Redenção (Av. Tancredo Neves) Costa Andrade (Av. Tancredo Neves) Centro de Convenções Elite Comercial (Costa Azul) TK Tower (Costa Azul) OAB (Nazaré) Brasil Memorial (Itaigara) Linus Pauling (Itaigara) Prof. Fernando Filgueiras (Garibaldi) Odonto-Médico (Itaigara) Hospital da Bahia (Magalhães Neto) Aeroporto Pelourinho Blue Tree Tower (Rio Vermelho) Ibis/Mercure (Rio Vermelho) Teatro Castro Alves (Bradesco Garcia) Teatro Jorge Amado (Itaú Pituba)

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Gastronômico Porto Gourmet (Contorno) Salvador Dali (Rio Vermelho) Cheiro de Pizza (Rio Vermelho e Pituba) Buongustaio (Rio Vermelho) Hit Music Bar (Pituba) Popular São Joaquim São Raimundo (Barris) STS (Nazaré) Lazer Rio Vermelho (Próximo à Villa Forma) Shopping Paseo (Itaigara) Praia do Flamengo Banco Real (Iguatemi/ Pituba/ ACM) Citibank (Tancredo Neves) Bradesco (Calçada, Garcia e Pituba) HSBC (Mercês e Calçada) Itaú (Mercês e Pituba) Acadêmico Unifacs Stiep (Pós-Graduação) Unijorge Stiep (Pós-Graduação) Carnaval UFBA - Ondina UFBA - Canela


bem baiano

fotos > Goa Pictures

Rodavlas, que também é Salvador ao contrário, tem tudo para ser o novo sucesso do cinema baiano. Só falta uma coisa: o tal do patrocínio.

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“Foi muito bom fazer este filme, cada dia era uma novidade, uma aventura, a gente filmou como se estivesse brincando na avenida” giovani almeida, diretor As filmagens do longa metragem baiano “Rodavlas” aconteceram durante o Carnaval de 2008. Foram 15 dias de trabalho intenso, entre os circuitos do Campo Grande, Barra/Ondina e do Centro Histórico.

O outro lado do carnaval também é mostrado em cenas do camarote de Daniela, os blocos Camaleão, Skol, Corujas, Eva, além de festas particulares em apartamentos de alto luxo.

O filme tem Guilherme Ojis e Emanuelle Araújo como atores principais e também conta com Psit Mota, Marcos Peralta e o maestro Fred Dantas no elenco.

Tudo isso e mais cenas do nosso personagem em feiras populares, bairros da periferia, compondo um cenário completo e complexo das mazelas e belezas de Salvador.

A história de Rodavlas gira em torno de uma promessa feita na Festa de Iemanjá, que em 2008 caiu no sábado de carnaval. De gari a playboy, Rodavlas passeia entre os dois lados da folia, mostrando as diferenças da festa.

A produção da Goa Pictures tem direção de Giovani Almeida e Tiago Lins, roteiro de Márcio Sant’Ana e Tiago Campelo, fotografia de Cesar Pires e Luciano Pedra, produção executiva de Hamilton Ribeiro e todas as cenas filmadas em Salvador.

O filme revela, do ponto de vista de um baiano, os bastidores do carnaval, a realidade dos garis, dos catadores de latas, de quem sai na pipoca.

O filme está em fase de captação de recursos para finalização e, se Iemanjá ajudar, deverá ser lançado no próximo carnaval. O jeito é esperar.

Para saber como ser um dos patrocinadores, acesse: www.tudomuito.com/rodavlas 7

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DE TUDO

Victor Mascarenhas é escritor, roteirista e publicitário. É autor de “Cafeína”(um dos livros vencedores do Prêmio Braskem de Literatura 2007), sócio da Terravista Comunicação e também escreve no blog Campo Minado. bem mais em :: www.blogcampominado.blogspot.com

Dia de mudança - Onde é que eu boto isso, dona Michelle? - Põe ali, do lado do sofá. - Deixa comigo. - Mudança é um saco, ainda mais quando a gente vai morar numa casa que nem é nossa. Por mim, pintava tudo de azul. Esse branco todo é tão sem graça... - Que é isso, dona Michelle! Se seu Barack ouve...

- Que seu Barack, menina! Agora tem que chamar de presidente. - Quem diria que aquele neguinho orelhudo... opa, desculpe, aquele afro-descendente com grandes orelhas, ia ser presidente. - Respeite o presidente, menina! - Desculpe, dona Michelle, é que ainda não me acostumei. Ainda não caiu a ficha direito. - Vai atender o telefone, depois a gente conversa. Vou arrumar esses discos velhos do Barack. Uma hora dessas perco a paciência e peço a Nasa pra mandar isso tudo para o espaço. - Dona Michelle, é uma tal de Laura no telefone. - Diz que eu tô ocupada, manda deixar recado. - Ela disse que morava aqui antes, parece que é a mulher de seu Bush.

- Pergunta o que ela quer e diz que eu tô em reunião com a Hillary. - Ela quer saber se a senhora encontrou um par de botas que seu Bush esqueceu aqui. - Diz que se a gente achar liga pra ela. Era só o que faltava! Ficar procurando bota de caipira no meio dessa confusão! - Mudança é fogo, dona Michelle. O povo fica achando que mudar é fácil, que é só chegar e ir mudando tudo de uma hora pra outra, nem sabe o trabalho que dá.

- Eu falei isso para o Barack a campanha toda, mas ele não me ouve. Ficou com esse negócio de change, change, change... Agora se não fizer uma change da boa rapidinho, vão começar a reclamar. - Pois é... E quando der alguma fucking shit, vão dizer que é porque ele é negão, quer dizer, é um afro-descendente de grande porte. No meu país é assim, sempre dão um jeito de culpar o negão no fim das contas. - E no México nem tem tantos afrodescendentes, não é Lindinalva? - E eu lá sou mexicana, dona Michelle! Vocês americanos acham que todo mundo é mexicano. Deus é mais! Só quero ver se isso vai mudar agora... tudobem

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tudo bem no carnaval

fotos > TudoBem

Carnaval é um negócio bom. Mas será que é um bom negócio? Conversamos sobre isso com Maurício Magalhães, um baiano que trabalha para todo mundo se divertir.

“Minha relação com o carnaval é neurótica, doida para acabar e, quando acaba, fico com dor de corno porque não aproveitei”. tudobem

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Maurício Magalhães, presidente da agência Tudo Eventos & Conteúdo e responsável por comercializar as cotas publicitárias do carnaval de Salvador, destacou-se no mercado do entretenimento como sócio do Eva, a partir da década de 1980. Na Rede Bahia, conduziu a criação e a consolidação do Festival de Verão como o maior evento musical do Brasil.

Como sua experiência no Festival de Verão auxilia na comercialização do carnaval de Salvador? Ajuda porque o Festival de Verão faz parte do movimento de entender eventos como linguagem da ferramenta de comunicação. O que mais mudou nos últimos anos foi o comportamento das pessoas, a evolução da tecnologia. As pessoas trabalham, lutam e querem ser felizes. O entretenimento é como uma bandeira de se divertir. O Festival de Verão sempre foi feito com o olhar nas marcas. Só é possível uma festa com 50 shows, mais de 200 mil pessoas, três palcos, transmissão para o Brasil inteiro, com sponsors, com empresas. Segundo a Saltur, gastou-se R$22,5 milhões e se arrecadou R$8 milhões, em 2008. Por que uma das maiores festas populares do país não se paga? Vamos por etapas. O carnaval do Rio de Janeiro é feito para a televisão. É uma grande cenografia. O carnaval da Bahia é popular, das ruas. Temos dificuldade em metodologia. A gente faz a conta direta, mas e a indireta? Quanto de ICMS é acrescido? Então, a conta é mal feita. Muita gente fala desconectadamente. A festa gastou quanto dos poderes públicos e trouxe quanto? Deve-se buscar coerência entre patrocínios, taxas, impostos como ICMS e ISS. A conta ficará mais correta. Inegavelmente, o carnaval é, talvez, a maior ferramenta de divulgação de Salvador. 11

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A crise mundial afeta patrocínio, folião comum... Como vocês trabalham? Afeta, mas tentamos levantar a bandeira do carnaval sem crise. Já incrementamos o volume de negócios, mas seguramente vai afetar. O carnaval cria no folião uma bolha de felicidade e ele esquece do mundo. Até março, depois do carnaval, a gente vai atestar melhor. Na sua posição, o que dá para mudar? Dar confiança aos contratos de patrocínio, coisa que não existia. Saímos de R$2,6 para R$9 milhões. A pergunta é como chegar aos R$20 milhões. Aí, passa por repensar o modelo. A falta de grandes espaços prejudica, apesar da cena cultural e musical fortes? É catastrófico. Em Recife, existe mais plataformas. Salvador não tem nenhum espaço para eventos. A cidade exporta o maior segmento de música do país, o Axé, tem maravilhosos artistas de teatro, eventos coorporativos e não tem uma casa de espetáculos... É uma anomalia. Eu não entendo porquê. Teria relação com o êxodo dos baianos? Salvador tem problema de geração de riqueza. É uma pena. Salvador já teve muito mais produção intelectual que tem hoje. Se você ver a quantidade de gente que vai fazer faculdade fora, doido para sair da Bahia... Alguma coisa está estranha. O modelo econômico é super-difícil.


Isso desestimula o jovem? Qual é a missão de um jovem de 20, 21 anos? Ganhar R$1 mil, R$1,2 mil para ser assistente de assistente? Não há estratégia definida, com Plano Diretor entendendo as vocações. Você não cria uma injeção de empreendedorismo no jovem. Vai criar outro bloco de carnaval? Se tivesse 20 anos e falasse inglês bem, botava banca de aluguel de lancha na Bahia Marina. Todo mundo que tem quer alugar, pois paga R$1,5 ou R$2 mil/dia. Quando quero alugar, ligo para amigo. Coisa babaca! “É catastrófico. A cidade exporta o maior segmento de música do país, o Axé, e não tem uma casa de espetáculos... É uma anomalia!”. Um baiano com ambição precisa ir para Rio de Janeiro ou São Paulo? Eu acho, pois nossos espaços são limitados. Uma boa idéia talvez não vingue aqui, mas vingue em São Paulo. A estrutura é amarrada demais. De economia, sociedade, cultura. A gente pode ser cosmopolita, mas mal fala português. Salvador encanta as pessoas o ano todo, mas não temos estratégia para trazer o ano inteiro. Não sabemos servir. Você é supersticioso nas decisões? Sou ponderado pra caramba. Penso nos opostos: sim e não. Até demoro em decidir, mas não é por superstição. Não tem manias na vida pessoal? Tenho algumas, mas depende da época. A gente vai ficando mais velho e melhora de um lado e piora em outro. Acho que tenho melhorado na velhice (risos). Sou mais tranqüilo. Júnior, ex-jogador do Flamengo, dizia que, com 19 anos, você corre o campo atrás da bola. Com 35, a bola chega e você já sabe para onde passar: é

mais eficiente. Estou até consciente dos excessos, das roubadas. Em quem você se espelhava no início? Sempre vivi no futuro e não me espelhei em pessoas, mas no que queria. Aos 15 anos, era morar sozinho. Com 25, consegui. Aos 13, administração atraía. Fiz vestibular. O amanhã serve como guia. Mas tem pessoas que admira, independente da área. Caetano Veloso é um maravilhoso poeta e não envelhece no espírito. Nizan Guanaes, meu sócio, tem como maior característica a coragem, independente da genialidade. O cara foi para São Paulo encher o saco de muita gente e quebrou o “status quo”. Brilhante! Tenho um amigo, Eduardo Gil, um dos maiores ortopedistas de coluna da Bahia. Fez dois livros, CDs, está no quarto casamento em busca do sonho dele. Mais que copiar um modelo, você se inspira em quem teve atitude e quebrou a cara. Tenho dois filhos. A filha, ou quebra a cara ou se dá bem, porque ela vai. O menino está sempre cabreiro. Eu gosto de quem vai para frente, arregaça as mangas e trabalha. “Ano passado, a gente trouxe Naomi Campbell para dar posicionamento como celebridade negra. Mas não precisa se preocupar. As celebridades vêm”. Trabalhar com Nizan Guanaes é difícil? É complexo. Muito fácil e difícil, pois ele é um gênio, corajoso e tem uma velocidade que toca um bumbo danado. Um cara que fez um império sozinho - claro que com muitos sócios e executivos competentes. E sua relação com o carnaval? Neurótica, doida para acabar e, quando acaba, fico com dor de corno porque não aproveitei. Tem 30 anos que é assim, mas tudobem

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você se diverte. Na Bahia, você negocia sorrindo. Disputa licitamente negócios, mas de forma mais leve. A turma de blocos e camarotes é sensacional. O modelo de carnaval passou por Manoel Castro, Mário Kertesz, Emerson José, Lídice da Mata, Imbassahy e João Henrique. Como organiza a agenda? Faço a via-crucis. Vou em Daniela (Mercury), Flora (Gil), no Eva, no Planeta (Othon). Como nos últimos anos temos trazido muita gente de fora que investe, levo um aqui e outro no trio ali. Tem o Ilê no sábado, no Curuzu, e por aí vai. Haverá convidados de fora? Ano passado, a gente trouxe Naomi Campbell muito mais para dar posicionamento como celebridade negra, para valorizar o carnaval. Independe da gente. Bono Vox (do U2) veio para sair com Gil. No quesito celebridade, elas vêm. Os circuitos estão saturados? Os circuitos precisam ser pensados sobre horários, desfiles, afros, pipoca, independentes. Se fosse prefeitura e governo, faria uma grande convocação para repensar o carnaval. Este modelo foi vitorioso, mas precisa ser rediscutido para valorizar a Castro Alves, não deixar o circuito decair, organizar a Barra, melhorar o carnaval de bairros, disciplinar camarotes. A Paralela é loucura ou realidade? Loucura, porque o Centro é emblemático, desde o Terreiro de Jesus, até a Praça

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da Sé, Barra. É preciso fortalecer os bairros, Liberdade, Itapoã, Periperi, com qualidade. Não a banda política, que é amiga de não sei quem. Não pode! O Comércio também foi tentado. (Carlinhos) Brown tenta. A gente brincou com o carnaval business center. Ali no Comércio e na Marina tem que se fazer festa para quem tem grana. Formar um point bacana de alegria. É mais um reordenamento que um terceiro circuito. “Caetano é um maravilhoso poeta. Nizan Guanaes tem como característica a coragem, independente da genialidade”. Camarote é melhor que bloco? São coisas diferentes. O camarote só existe por causa do bloco. Os artistas e os blocos são os Romários e os Flamengos. As arquibancadas, os camarotes. Cada vez mais sofisticados, com conteúdos próprios, mas não sobreviveriam sem os blocos. Se o carnaval para no Cristo, não tem Othon nem Salvador. Por que não tem camarote no Rio Vermelho? Os grandes ícones são os artistas e os blocos afros. É seguro o carnaval? Totalmente. A Polícia Militar virou show de bola, é um orgulho para o Brasil no carnaval. As tropas têm toda uma metodologia, câmeras, etc. Há outros problemas, como a favelizaçao, o disciplinamento de ambulantes, mas segurança não é problema.


POP DO BEM

Leonardo Maia, jornalista viciado em música, cinema, literatura e quadrinhos. Ex-repórter de cultura, hoje trabalha com comunicação empresarial.

Onde foram parar as tradições? Para além da túnica com seu indefectível turbante, do tapete branco da paz e da alfazema que já aponta sua chegada minutos antes, hoje o que há de mais importante no afoxé Filhos de Gandhi são os colares. Reza a tradição que eles devem ser oferecidos pelos foliões como uma forma de desejar paz durante todo o ano que se inicia. Bem, há tempos que não se restringe somente a isso. Mais do que doados, os colares recheados de contas são trocados por beijos.

A relação é simples: um colar é igual a um beijo, todo mundo já está careca de saber. O mais comum atualmente é encontrar jovens abastados caçando no final do Circuito Barra-Ondina, enquanto o ijexá rola solto em outro canto da cidade. Muitos nem se dão ao trabalho de colocar os pés no bloco Filhos de Gandhi, afinal o que importa mesmo é dar um upgrade no status de “pegador de mulher”. E os blocos de travestidos? Tradição de velhos Carnavais, vestir-se de mulher tornou-se uma maneira lúdica de mexer com os que passam, arrancando gargalhadas.

É claro que muitos ainda mantêm o estilo peralta de outros tempos, mas o objetivo maior nos dias de hoje é outro: pegar mulher.

O senso comum entre os de classe média e alta de Salvador reza que homem vestido de mulher pega mais mulher. Hein? Como assim? Peço licença para citar mais um exemplo: os blocos de música eletrônica, que estão levando as pick-ups para cima do trio elétrico, subvertendo a lógica axezeira do Carnaval. Seguidores da e-music e muitos gringos compraram a idéia. Mas não é preciso mais que uma rápida olhadela para constatar que a maioria ali não quer nem saber da música. O que interessa é entrar na moda e – adivinhem – pegar mulher (ou homem também, nesse caso). Mas será possível que tantos subterfúgios são necessários para descolar um beijo no carnaval?

Onde está o velho charme e lábia? Vai ver estão morrendo, abraçados com as antigas tradições... tudobem

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bem mais em :: www.desconstrutora.com

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Entrevista por MSN com Samuka tudobem

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Samuel Marinho é de Ipirá e seu trabalho é de pirar. Trocadilhos à parte, Samuka é um artista visual que faz de capas de disco a desenhos animados. Antes de construir a Desconstrutora, ele criou um dos personagens mais famosos da moderna cultura baiana: o rasta do Festival de Verão. Do seu estúdio de frente para o mar de Amaralina ele nos concedeu essa entrevista pelo MSN. Moderno? Tudo bem, Samuka, nosso leitor também é. Tudo Bem diz:

Tudo Bem diz:

E aí, tudo bem? Samuka diz:

Olá, meu velho. Na paz? Tudo Bem diz:

O que você faz da vida? Samuka diz:

Eu sou um empresário tentando ser artista e um artista tentando ser empresário. Como artista, trabalho com ilustração e retoque fotográfico. Como empresário sou o dono da DESCONSTRUTORA, um estúdio de imagem Tudo Bem diz:

O Tio Sam do cartaz “I want you” é o próprio desenhista. O rasta do festival de verão foi inspirado em você mesmo? Samuka diz:

Lá ele. Eu criei, mas quem inventou não fui eu. Rsrs. Eu sou um pouco corcundinho, mas tenho os pés. O rasta na verdade foi um “acaso” do scanner. Era pra ser um guitarrista cabeludo com uma silhueta bem clássica... mas o scanner não pegou todas as manchas que fiz com o nanquim no papel. Tudo Bem diz:

É possível ser artista e empresário ao mesmo tempo? Samuka diz:

Ô! No meu antigo blog eu coloquei que sou empresário pra não morrer de fome e um artista para não morrer de desgosto. Vou me equilibrando assim. 17

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Seu blog era bastante comentado. Por que saiu do ar? Volta quando? Samuka diz:

O ponto positivo foi saber que o blog fez falta para uma parte interessante do mercado. Interessante pra mim, pelo menos. Vou voltar das férias com novo site, mas não sei se volto com o velho blog. Ele me deixa muito regionalizado Tudo Bem diz:

É verdade que você tira 3 meses de férias por ano? Samuka diz:

kkk. A galera se assusta com isso. Eu não trabalho no verão. Parece que sou um “fanfarrão”, mas trabalho o mesmo tempo que um empregado do mercado, mas meu esquema é meio que acumulado de trabalho e de folga. Tudo Bem diz:

Você não cansa de tantas férias? Samuka diz:

Eu me dei uma carreira e não só um emprego ou uma ocupação. Trabalho com o que gosto Tudo Bem diz:

O que você pretende construir com a desconstrutora? Samuka diz:

Um profissional. Tudo Bem diz:

O que é tudo bem pra você? Samuka diz:

Entrevista por MSN. Rsrsrs.


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Dez perguntas para David Bastos Um lugar em Salvador: Baía de Todos os Santos Um lugar na Bahia: Trancoso Um lugar no Brasil: Bahia Um lugar no mundo: Brasil Um sonho de consumo: Um local na praia com todos os mimos e amigos 23

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Um projeto que gostaria de ter feito: Todos que eu não fiz Um projeto que quer fazer: Todos que eu não fiz Um projeto de vida: Paz, saúde e bastante trabalho Um plano para 2009: Colher os frutos de tudo que fiz e investi em 2008 O que é tudo bem pra você? Amigos e música


TITULAR

Marcelo Sant’Ana faz jornalismo por opção. O esporte é necessidade. Sub-editor do Correio, também é comentarista da Equipe Gol, na rádio Transamérica.

Profissionalismo, valores e fantasia O Bahia chocou - e surpreendeu - com a contratação de Paulo Carneiro para gerente de futebol. O ex-presidente do Vitória não é dirigente do Bahia, mas funcionário.

Muitos surpreenderam com comportamento típico de crianças ou velhos, esquecendo o passado, pensando pouco no futuro e desconectando da noção do presente.

Profissional muito bem remunerado, com salário de quem é líder de empresa referência no mercado e, por exemplo, prêmio de R$1 milhão caso cumpra a meta de acesso à Série A, até 2011.

Emoções afloradas. Definitivamente, o ator conseguiu deixar a platéia hipnotizada, embora estivesse há três anos sem atuar diante das câmeras.

A história de Paulo Roberto de Souza Carneiro no futebol baiano seria melhor se adaptada ao roteiro do filme O curioso caso de Benjamim Button. A trajetória aconteceria de trás para frente: da saída como vilão à entrada como salvador após 17 anos. A fábula nos transportaria pelos meandros e pelas encruzilhadas do esporte. Para amores, glórias, traições, decadência e memórias. O tempo apaziguaria todas as adversidades. Cada um de nós reagiu de um jeito à notícia. Depende da idade, das experiências, dos valores e da camisa nas arquibancadas.

A maior beleza do futebol, sua grande fantasia, além desta imprevisibilidade, é exatamente a força do amor desmedido, platônico. Na chance de recomeço a cada 90 minutos. Pelo sucesso do clube, onde o torcedor deposita suas aspirações, aceita-se pagar o preço, ainda mais no jogo cada vez mais inserido como negócio do entretenimento no mundo competitivo. O homem assume sua condição animal pelo orgasmo do gol. Talvez por isto muitas situações se repitam, às vezes até com o mesmo nome. Com prós e contras. Agradáveis ou não. O futebol é assim, um teatro da vida.

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parking closed Fotografamos Marta Rocha. Calma! Marta Rocha é como este Chevrolet 1947 era chamado na época.

Fotos: Élcio Carriço www.elciocarrico.com Styling e Produção de Moda: D’Malicuia www.dmalicuia.com Make up: Carlos Canalli Hair: Rosa Show Hair Casting: Laís Barros (One Models)

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Vestido: Chris Barros para Galpão de Estilo I Colar: Miscelânea Chik Brechó Café I Sandália: Srta. 27

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TudoBem agradece: Jorge Cirne Filho Veteran Car Club do Brasil www.veteranbahia.com.br Tarcísio Santos (motorista Veteran Car Club)

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01 > Blusa: Isabella Giobbi para Galpão de Estilo : : Óculos: acervo D’Malicuia 02 > Casaco: Maria Garcia para Galpão de Estilo : : Saia: Luciana Galeão para Galpão de Estilo 03 > Vestido: Donna Doida para Hífen : : Bolero: Miscelânea Chik Brechó Café : : Sandália: Srta. 29

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ESTILO

Kátia Teixeira é administradora de empresas, apaixonada por moda e empresária do mundo fashion.

Bem Verão Cores, decotes e acessórios se adequam ao sol forte e a pele bronzeada da mulher baiana. O look que faz a cabeça é bem natural: flores no cabelo, cachos, presos despojados. A dica é ousar dentro do seu estilo sem se preocupar com “padrões”. Os shorts acompanhados de camisetas fazem uma combinação perfeita para dias mais quentes. Use e abuse dos tecidos de algodão. Short e camiseta: Nara Ribeiro

Estampas e vestidos longos estão em alta, com destaque para o “tomara-que-caia”. Se tem seios fartos, use modelos de alças largas. Vestido: Clube Domízio

Sandálias rasteiras, óculos grandes e bolsas de ráfia completam looks descontraídos, ideais para a estação. Bolsa, colar e sandália: Salto 15 / Óculos: Óticas Pop tudobem

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O QUE É TUDO BEM PRA VOCÊ? Convento Santa Catalina - Peru O Convento fica em Arequipa. Foi construído no século XVI e tem 20.000 m2. O Convento é uma cidade em miniatura que ficou fechada para o público até 1970. O mais legal é que, mesmo sendo um convento, tem um barzinho dentro. Dica > Alex de Oliveira, gerente de mídias interativas do Irdeb

Shopping Cidade Jardim - São Paulo Se São Paulo é ótima para comprar e comer, esse é o lugar que reúne os dois prazeres. Tem lojas como Daslu e Channel, jardim com jabuticabeiras e gastronomia variada: de um cachorro quente na Lanchonete da Cidade a um jantar no Due Cuochi. O shopping é da JHSF, mesma incorporadora do Horto Bela Vista. Dica > Renata Firpo, diretora de atendimento da África (SP)

nublog.com.br

Disque Bahia Turismo Tudo que o turista precisa para se dar bem em Salvador. Programação de cinema, teatro, shows, festas, transporte, telefones de farmácias, hospitais e órgãos de segurança pública. Dica > Revista TudoBem

Criado pelo jornalista Chico Vasconcellos, um dos fundadores da revista Caros Amigos, o blog fala de vários assuntos de um jeito diferente. De política a cultura, o blog consegue ser sério sem ser chato. Vale a pena. Dica > Emiliano José, jornalista e escritor

Mande sua dica

participe@revistatudobem.com

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OPINIÃO

Walter Barretto Jr. é arquiteto e presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário da Bahia (Ademi-BA). bem mais em :: www.ademi-ba.com.br

Otimistas e confiantes É verdade que existe uma crise econômica, mas também é verdade que o Brasil não foi atingido com a mesma intensidade que alguns países da Europa e os EUA. Podemos seguir confiantes, sobretudo com relação ao mercado imobiliário. Uma boa razão para esse otimismo é a 17ª pesquisa anual da Associação de Investidores Estrangeiros em Imóveis (Afire), feita no final de 2008, mostrando que o Brasil subiu dez lugares no ranking, desbancando a China do segundo mercado mais atraente para investir em imóveis. Outro dado importante é que nos EUA, país líder na preferência dos membros da Afire, a estimativa é que os investidores em ativos planejam aumentar sua atividade em 73% e globalmente o incremento deve ser na ordem de 40%. Isso significa que existe um movimento internacional de ampliação dos investimentos em imóveis, o que deve se refletir no Brasil. Mais um dado otimista é que a classe média, que sempre teve o imóvel como primeira opção para investir, percebeu que a bolsa de valores não é um investimento de baixo risco, como muitos chegaram a acreditar.

Investir em ações sempre terá um alto risco, mesmo para quem é especialista no assunto. Muita gente que apostou na bolsa assistiu, da noite para o dia, as suas economias serem reduzidas. Isso deve fazer com que o imóvel volte a ser um investimento prioritário, tornando este um momento favorável. O governo federal tem feito a sua parte, tanto que a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil continuam oferecendo financiamentos com as mesmas taxas de juros e os mesmos prazos praticados antes da crise. O mercado imobiliário baiano avançou muito nos últimos anos e as empresas da Ademi-BA possuem empreendimentos com localização privilegiada, arquitetura de vanguarda e tecnologia nas construções que, com toda certeza, valorizam o imóvel ao longo do investimento. O momento é de ter confiança no mercado imobiliário, superar o susto das quedas nas bolsas e aplicar as economias em um investimento realmente seguro, que dê conforto para a família, tenha a renda segura do aluguel, estimule o emprego e gere desenvolvimento sustentável para a nossa sociedade: o imóvel. tudobem

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TudoBem 00  

Uma revista de bem com a vida

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