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Cláudio Cunha

Emerson de Almeida Presidente da Diretoria Estatutária da Fundação Dom Cabral

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N E W S

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De um negócio inicialmente pequeno e com poucos recursos, a Fundação Dom Cabral (FDC) cresceu de forma notável e, com muito trabalho e dedicação, conquistou o status de uma das melhores escolas de negócios do mundo. Ao longo dessas quase quatro décadas de história, ninguém lutou tanto pelo sucesso da FDC quanto o professor Emerson de Almeida. Além de fundar a escola, Emerson atuou por 35 anos como presidente-executivo e atualmente ocupa o cargo de presidente da diretoria estatutária.

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TRANSAEX O sentimento de fundar uma corporação e vê-la prosperar com base em muito sonho e trabalho é indescritível. Na TRANSAEX, esse sentimento nos acompanha ao longo dos últimos 20 anos. E a cada nova vitória alcançada a nossa satisfação aumenta. Com Emerson de Almeida, presidente da diretoria estatutária da FDC, não é diferente. À frente da escola desde sua fundação, Emerson viu o seu projeto pessoal ganhar o mundo. Por isso, orgulhosamente, entrevistamos o próprio Emerson, que nos conta a seguir um pouco mais sobre essa trajetória vitoriosa. Tenha uma ótima leitura! Atenciosamente,

Paulo Eduardo Pinto DIRETOR CORPORATIVO

Bruno Netto

DEPOIMENTOS “A busca por excelência e mesmo por sucesso não pode jamais passar por cima das verdadeiras prioridades da vida, que a meu entender são sua família, seus amigos e sua saúde física, mental e espiritual.”

Saman Pahlevan

Renato Grinberg – Autor do best-seller “A estratégia do olho de tigre” STAKEHOLDERS - Abril 2013

“Se não existe comunicação ou se ela está truncada, estática ou não está azeitada a todo o fluxo da cadeia produtiva, certamente essa corporação terá problemas sérios.” Luiz André Rico Vicente – Conselheiro da Ferrous Resources do Brasil STAKEHOLDERS – Abril 2011 A TSX News é uma publicação da TRANSAEX Comércio Internacional. Todos os direitos reservados. Os artigos assinados são de inteira responsabilidade dos autores e não representam a opinião do informativo ou da TRANSAEX. A reprodução de matérias e artigos somente será permitida se previamente autorizada, por escrito, pela equipe editorial, com créditos da fonte. Mais informações: www.tsxnews.com.br.

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Emerson de Almeida

Cláudio Cunha

STAKEHOLDERS

“Procuramos avaliar e conhecer o que acontece na economia, nas empresas, no movimento sindical, nos movimentos sociais para captar sinais que fossem impactar nossos clientes, antecipando soluções. Sempre fui muito leitor de jornais, colunas sobre economia e política. Acho fundamental ter essa lanterna acesa para conhecer o que acontece em torno do cliente.” • A Fundação Dom Cabral é reconhecida como uma das melhores instituições de educação do mundo – feito extremamente difícil de ser alcançado, sobretudo pela concorrência com renomadas escolas do exterior e pelos inúmeros gargalos enfrentados pela educação no Brasil. Quais, em sua opinião, são os atributos que fizeram e fazem da FDC referência no cenário mundial? Há um ingrediente que sempre foi muito presente na trajetória da FDC: o nosso comprometimento com a visão clara de quem é o nosso cliente. Essa visão de cliente ultrapassa os muros da empresa. Na realidade, o nosso cliente fundamental era e sempre foi a própria sociedade. Desde a criação, tínhamos que fazer algo que beneficiasse a empresa e, ao mesmo tempo, gerasse valor para a sociedade. Além disso, sempre tivemos o olhar aguçado para o lado externo da FDC. Sempre procuramos avaliar e

conhecer o que acontece na economia, nas empresas, no movimento sindical, nos movimentos sociais para captar sinais que fossem impactar nossos clientes, antecipando soluções. Sempre fui muito leitor de jornais, colunas sobre economia e política. Acho fundamental ter essa lanterna acesa para conhecer o que acontece em torno do cliente. Então, acredito que a FDC chegou até aqui especialmente pela junção desses três fatores: conhecer o cliente; conhecer o seu entorno; e ter a noção clara de que a sociedade é o nosso cliente final, sempre com um cuidado quase extenuante com a qualidade. • Como a FDC faz para acompanhar as crescentes mudanças no mundo e as novas exigências das empresas e dos próprios profissionais? É importante destacar as nossas alianças e parcerias internacionais. Temos há cerca de 20 anos alianças com

o Insead, na Europa, e a Kellogg, nos Estados Unidos. Geramos conhecimento em conjunto, desenvolvemos programas e soluções educacionais. A FDC participa também de redes de escolas de negócios na América Latina e nos Brics. São oportunidades para acessar a vanguarda do conhecimento em gestão. Além disso, preciso destacar também a capacidade de inovação da nossa equipe. A FDC possui um ambiente interno com uma força criativa e empreendedora que impulsiona os movimentos de renovação. • O senhor criou a Fundação Dom Cabral e, após 35 anos, deixou a presidência-executiva para ocupar a presidência da diretoria es-

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Stakeholders DIbIAREEmerson

tatutária. Como foi esse processo de delegar a presidência para outra pessoa, especialmente em função da forte relação afetiva que o sr. tem com a instituição?

• A propósito, relembrando o início da FDC, o sr. esperava que um projeto inicialmente pequeno ganhasse proporções tão grandes? Qual foi o ponto-chave para essa virada?

O processo de sucessão foi longo e durou mais ou menos cinco anos. Durante esse período, tanto eu quanto a própria instituição nos preparamos. No que se refere à minha vivência, foi um processo, de certa forma, um pouco doloroso. Eu curti o luto, pois estava deixando a operação de uma instituição à qual dediquei grande parte da vida. Mas, ao mesmo tempo, eu me preparei para esta nova situação e procurei dar novo significado à minha vida. Esse processo, que chamo de ressignificação, é criar novas atividades que me ocupem e me dão prazer e realização profissional. Eu criei, juntamente com a comunidade do Capão Grosso, o Instituto Cultural Inhoré e o Parque Ecológico Geraldino José de Almeida, para gerar desenvolvimento social, cultural e educacional deste povoado carente, na região da Serra do Cipó (MG). Nesta iniciativa, estou colocando em prática muito do que desenvolvi na FDC, que é mobilizar as pessoas para que elas queiram fazer e criar um futuro mais promissor. A outra iniciativa é a produção de vinho em Mendoza (Argentina). Estou produzindo meu próprio vinho, o Gracias a La Vida, numa região muito bonita na Cordilheira dos Andes, onde procuro envolver a minha família e os amigos. É muito prazeroso colher as uvas, produzir o vinho na bodega, ver o vinho amadurecer e, depois, desfrutá-lo com os amigos. Aliás, este é o conceito do meu vinho: matar os amigos de inveja! Em vez de chamá-los para tomar o vinho num restaurante, eu os chamo para tomarmos o meu vinho e, juntos, compartilhamos as alegrias da vida! Ou seja, estas atividades me ajudaram a reduzir a perda que tive com o afastamento da operação da FDC. Posso dizer que estou muito satisfeito e muito realizado hoje.

Eu era diretor do Centro de Extensão da PUC Minas, que ajudei a implantar no final de 1972. No Centro de Extensão organizávamos, entre outras coisas, cursos de curta duração para técnicos de empresas. De repente, abríamos 30 vagas e apareciam 100 candidatos. O Brasil crescia à taxas chinesas de hoje (12%, 13%, 14% ao ano). Minas Gerais vivia a implantação da Fiat, a duplicação da Usiminas e a implantação de importantes indústrias. Então, o mercado tinha necessidade de aperfeiçoamento na área de gestão. Não foi fácil criar a Fundação Dom Cabral. Éramos um grupo jovem. Foi um início muito difícil, porque fomos para a FDC sem um professor, não tínhamos salas de aula nem recursos financeiros e estávamos longe dos principais mercados, Rio de Janeiro e São Paulo. Mas tínhamos o principal: o sonho de criar uma instituição relevante. Fomos vencendo as dificuldades com muita persistência e ousadia. Costumo brincar que na FDC o possível a gente faz agora. O impossível leva um tempo maior.

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• De que forma a FDC contribui para o Brasil? A FDC acredita que o conhecimento é o caminho para a verdadeira transformação. Por isso, trabalhamos com as empresas. A FDC surgiu com a crença de que as empresas possuem conhecimento – mesmo que elas ainda não saibam disso. Então, construímos juntos os programas para impulsionar e crescer o saber. Depois, esse conhecimento é socializado, visualizado em outras esferas, e então colabora com outras empresas e outros setores. Acredito também em outro papel fundamental da FDC, que é a formação de líderes responsáveis. Procuramos inspirar para que cada indivíduo e cada organização se sintam responsáveis pela

de Almeida

construção de uma sociedade melhor. • Um dos muitos pontos interessantes da FDC é a frequente realização de programas voltados para o empreendedorismo social. Como surgiu essa ideia? Quais são os principais resultados? Essa questão sempre esteve forte na vida da FDC. Tanto é que a missão da instituição é contribuir com o desenvolvimento sustentável da sociedade por meio da educação de empresários, executivos e gestores públicos. Trabalhamos para que o desenvolvimento das organizações apresente resultados não apenas para os ambientes corporativos, mas para toda a sociedade. Realizamos projetos com foco na sustentabilidade e inclusão social nas comunidades próximas à atuação da FDC. Capacitamos mulheres empreendedoras em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro, no programa 10,000 Women, idealizado pelo Banco Goldman Sachs. São mulheres que não têm renda para qualificação e desenvolvimento em gestão e são multiplicadoras do efeito transformador da educação nas suas comunidades. Já no Programa Dignidade, que começamos há um ano, oferecemos capacitação em gestão para pessoas que têm negócios inovadores com foco na redução das desigualdades sociais. Eles ficam 18 meses na FDC e passam por 140 horas de capacitação e monitoria, montam seu plano de negócio, aprendem estratégias de marketing e saem mais estruturados e com mais chances de verem o seu projeto decolar. O empreendedor social José Maurício Prado, por exemplo, montou uma escola de idiomas numa comunidade carente de BH, passou de 100 para quase 400 alunos e triplicou o número de unidades durante a capacitação na FDC. É muito interessante ver esses movimentos de transformação. Mesmo que ainda existam muitos desafios a serem enfrentados, a gente percebe que é possível avançar.


STAKEHOLDERS - Emerson de Almeida (Maio/Junho - 2013)  

Emerson de Almeida - Presidente da Diretoria Estatutária da Fundação Dom Cabral

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