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A Rua de Todos N贸s


Alameda

__

dos Envolvidos

ESCOLA MUNICIPAL PAULO MENDES CAMPOS 1ª JORNADA LITERÁRIA: LITTERAE JOVEM “Histórias de Ruas” Língua Portuguesa

DIREÇÃO Maria Flávia Horta Barbosa

VICE-DIREÇÃO Severino Pereira dos Santos Júnior

COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA Cristina Raposos

PROFESSOR DE LÍNGUA PORTUGUESA Tristão José Macedo

PROFESSORA DE ARTE Tônia Édea Ribeiro

BIBLIOTECA Coordenadora: Luciana Werneck Auxiliares de Biblioteca: Gislaine Lemos Fernandes Leite e Vânia da Silva Carvalho

ILUSTRAÇÃO Bárbara de Castro Aguiar, Gustavo Rocha Tomagnini Passaglio e todos os autores

PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Ana Flávia da Copiadora Múltipla e todos os autores

Texto revisado segundo o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa


A Rua da Gratidão

para todos aquelesque nos ajudaram na realizaçãodeste livro.


do Sumário

A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A

Rua de Paula Torido, nº 1 Rua de Amanda Batista, nº 2 Rua de Kelvin Lopes, nº 3 Rua de Luiza Ruas, nº 4 Rua de Sabrina Chaves, nº 5 Rua de Paulo Sérgio, nº 6 Rua da Rihanna, nº 7 Rua do Desejo, nº 8 Rua da Vitória, nº 9 Rua de Zé Geraldo, nº 10 Rua de Neco e Maria Doida, nº 11 Rua de Dona Dica, nº 12 Praça de São Geraldo, nº 13 Rua do Sapateiro, nº 14 Rua de Rildo, nº 15 Rua de Birinha, nº 16 Rua de Jéssica Liandra, nº 17 Rua de Seu Joaquim, nº 18 Rua de Seu Daniel e Dona Vanuza, nº 19 Rua de Dona Jucélia, nº 20 Rua de Dona Terezinha, nº 21 Rua de Daniela Do Carmo, nº 22 Rua de Seu Beneval Santana, nº 23 Rua do Menino Doce, nº 24 Rua de Dona Geralda, nº 25 Rua da Padaria de Cima, nº 26 Rua de Vó Ephigênia, nº 27 Rua do Bisavô do Samuel, nº 28 Rua da Avó Marta Maria, nº 29 Rua de Dona Maria José Lopes, nº 30 Rua de Guilherme Oliveira, nº 31 Rua de Gabriella Candian, nº 32 Rua de Vicente Raimundo, nº 33

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A Rua


dos Escritores

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A Rua

Allan Frederick Machado Moreira Amanda Batista Pereira Bruna Rodrigues Porto Bruno Simões de Figueiredo Daniela Do Carmo Lopes Déborah Braga de Albuquerque Denúbia Maria Souza e Silva Gabriella Candian Félix Teixeira Gabrielli Lourenço Teixeira da Silva Guilherme Oliveira de Souza Igor Bruno Alves Malta Isabelle Rodrigues dos Santos Jéssica Fernanda de Souza Bonfim Jéssica Liandra Gomes Rangel Jéssica Nicoly de Souza Galdino Jonathan da Costa Moreira de Souza Júlia Temponi Braga Kelvin Lopes Gonzaga Laura Fernanda Rodrigues Gomes Lívia Ferreira Mendes Luana Lorrayne de Faria Martins Luiz Fernando Rocha Cabral Luiza de Castro Ruas Marco Túlio de Oliveira Rocha Mikhaela Rodrigues Lopes Nayara Felix Moura Macedo Paula Torido Lopes Paulo Sérgio Santos Júnior Sabrina Chaves Martins Samantha Formiga Santana Samuel Dayher Silva Francisco Vitória Ellen da Silva Oliveira William Victor Antunes Martins


A Rua de Paula Torido,

__

n° 1

S

e essa rua fosse minha,

todos teriam um lar e no finalzinho dela teria até um mar. Se essa rua fosse minha, não haveria inimizades. Todos seriam amigos e todos sentiriam saudades. Se essa rua fosse minha, todos teriam um amor e por causa disso, não existiria a dor. Se essa rua fosse minha, o céu teria mais estrelas e as pessoas sempre na rua para vê-las. Se essa rua fosse minha, as meninas teriam bonequinhas e cachorros, suas casinhas. Se essa rua fosse minha, todos os meninos jogariam bola e nenhuma criança deixaria de ir à escola. Se essa rua fosse minha, não existiria maldade. Mas, apesar de tudo, agradeço a Deus por ela fazer parte desta cidade. Paula Torido, 13 anos, poeta da Rua Iguaçu, Bairro Concórdia.


A Rua de Amanda Batista, nº 2

S

e essa rua fosse minha,

ela deixaria de ser torta. Pois de tão torta, no final de cada quarteirão, tenho que procurar por uma placa, pra ter certeza se ela acaba ou continua.

Se essa rua fosse minha, os morros eternos, sem dúvida, seriam extintos.

Se essa rua fosse minha, todos os netos morariam com as avós. Netos gostam de comer bem e existe coisa melhor que comida de avó?

Se essa rua fosse minha, a minha mãe seria dona de uma padaria.

__

E eu comeria sonho todo dia. Amanda Batista Pereira, 15 anos, poeta da Rua Barão de Saramenha, Bairro Santa Tereza.


A Rua de Amanda Batista,

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nº 2

S

e essa rua fosse minha,

ela deixaria de ser torta. Pois de tão torta, no final de cada quarteirão, tenho que procurar por uma placa, pra ter certeza se ela acaba ou continua.

Se essa rua fosse minha, os morros eternos, sem dúvida, seriam extintos.

Se essa rua fosse minha, todos os netos morariam com as avós. Netos gostam de comer bem e existe coisa melhor que comida de avó?

Se essa rua fosse minha, a minha mãe seria dona de uma padaria.

__

E eu comeria sonho todo dia. Amanda Batista Pereira, 15 anos, poeta da Rua Barão de Saramenha, Bairro Santa Tereza.


A Rua de Luiza Ruas, nº 4

S

e essa rua fosse minha, eu mandava...

Ou melhor, eu não mandava nada, eu pediria. Sim, eu pediria às pessoas para cuidar melhor do lixo que cada um produz. e que separasse o lixo para a reciclagem. Se essa rua fosse minha, eu criava um slogan: “Galerinha,

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__

vamos cuidar de nossas ruas”.

Luiza de Castro Ruas, 15 anos, poeta da Rua Pouso Alegre, Bairro Horto.


A Rua de Sabrina Chaves, nº 5

S

e essa rua fosse minha,

eu não mandaria ninguém fazer nada, eu mesma faria.

Na verdade, eu deixaria tudo como está: as casas, os prédios, os carros em seus lugares de sempre.

Deixaria as pessoas com seus cachorros como estão, deixaria as crianças brincando como sempre, deixaria os carros que passam em alta velocidade, deixaria até mesmo o padeiro que passa lá todo dia no mesmo horário.

E, principalmente, me deixaria lá, na minha casa, fazendo as mesmas coisas de sempre... Se essa rua fosse minha, eu deixaria tudo como está!

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___________________ Sabrina Chaves Martins, 15 anos, poeta da Rua Quixadá, Bairro Renascença.


A Rua de Paulo Sérgio, nº 6

S

e essa rua fosse minha,

eu mandava colocar um campo de futebol ao lado da minha casa e todo dia, muitas pessoas iam jogar bola comigo.

Eu colocava um barzinho que tocasse os melhores pagodes, sambas e funk e viveria lotado de gente alegre.

Se essa rua fosse minha, eu colocava muitas crianças brincando, soltando papagaios, andando de bicicletas e etc.

Se essa rua fosse minha, os pais não trabalhavam e nem as mães.

__

Todos ficavam o dia inteiro na rua conversando e se divertindo!

Paulo Sérgio Santos Júnior, 14 anos, poeta da Rua José Arnaldo Teixeira, Bairro Guarani.


A Rua da Rihanna,

__

nÂş 7

S

e essa rua fosse minha,

o sol continuaria a brilhar como brilha alegra e feliz.

Se essa rua fosse minha espalharia mil sorrisos e soltaria as borboletas para voarem livremente com os pĂĄssaros.

Se essa rua fosse minha em vez de esgoto existiria cachoeiras de coca-cola e cheirinho de fruta no ar.

Se essa rua fosse minha, seria o bairro mais alegre, a Rihanna ia ser minha vizinha.

JĂŠssica Fernanda de Souza Bonfim, 15 anos, poeta da Avenida Assis Chateaubriand, Bairro Floresta.


A Rua do Desejo,

__

nº 8

S

e essa rua fosse minha,

eu escreveria uma carta ao prefeito, para se tornar um lugar bem perfeito, uma carta feito a de Pero Vaz de Caminha.

Se essa rua fosse minha, construiria uma pracinha para brincar com as criancinhas.

Se essa rua fosse minha, deixava minha cachorrinha brincar por aí, e, ao invés de água, sempre tomaria açaí.

Se essa rua fosse minha, viveriam nela todos os meus amigos para que eu ficasse bem feliz. Isso é tudo que eu sempre quis, se essa rua fosse minha. Igor Bruno Alves Malta, 15 anos, poeta da Rua Tereza Moreira, Bairro Santa Tereza.


A Rua

do Desejo,

__

nº 8

S

e essa rua fosse minha,

eu escreveria uma carta ao prefeito, para se tornar um lugar bem perfeito, uma carta feito a de Pero Vaz de Caminha.

Se essa rua fosse minha, construiria uma pracinha para brincar com as criancinhas.

Se essa rua fosse minha, deixava minha cachorrinha brincar por aí, e, ao invés de água, sempre tomaria açaí.

Se essa rua fosse minha, viveriam nela todos os meus amigos para que eu ficasse bem feliz. Isso é tudo que eu sempre quis, se essa rua fosse minha. Igor Bruno Alves Malta, 15 anos, poeta da Rua Tereza Moreira, Bairro Santa Tereza.


A Rua da Vitória,

__

nº 9

Q

uero te apresentar um pouco do lugar onde moro.

Na esquina da minha rua, tem uma loja de roupas e acessórios. (A loja fica na Rua Aperê.) E mais no fim da rua é onde tem um bar. Um pouco mais abaixo, na Elísio de Brito, tem dois supermercados, uma mercearia, uma farmácia e ainda três sorveterias. São, aproximadamente, cinco ou seis sorveterias. (A melhor fica na Rua Itajubá!) Na minha rua é onde fica a igreja e virando um pouco, um quarteirão abaixo, é onde fica a Padaria Jaqueline. (Os melhores pães da região!) Mais à frente, tem a Maria Francisca com duas farmácias, uma lojinha de utilidades e ferramentas. (É onde fica o ponto de ônibus.) Estes são os lugares que ficam perto de minha casa.

__ Vitória Ellen da Silva Oliveira, 15 anos, poeta da Rua Teófilo Pires, Bairro Concórdia.


A Rua de Zé Geraldo,

__

nº 10

J

osé

Geraldo

Moreira,

um

conhecido

meu

de

muito tempo, conta a história de uma mata que era abandonada e que aos poucos foi descoberta. Antigamente, no meu bairro só via o verde das matas, não existia luz, só lamparina e nem asfalto. Se você começasse a andar por ele, ia encontrar asfalto no centro da cidade. Para ter água de boa qualidade, os moradores deviam acordar por volta das 3 ou 4 horas da madrugada para ir para fila na casa do vizinho para ter água o dia inteiro. Conta ainda o Zé Geraldo, assim era chamado na rua, que aos poucos foi chegando moradores novos, até que chegou uma dona chamada Nativa que se você quisesse comunicar com algum parente ou conhecido tinha que ir à casa dela para ter este recurso. Com esta história contada, termino a lembrança dos velhos tempos.

Jonathan da Costa Moreira de Souza, 16 anos, entrevistador da Rua Almeida, Bairro Nova Vista.


A Rua de Neco e Maria Doida, nº 11

Q

uando eu era criança, havia um casal muito doido

que morava na minha rua. Era o Neco e a Maria Doida. Eu e minhas amigas morríamos de medo de passar em frente da casa deles de noite, porque eles ameaçavam correr atrás da gente. Então, só passávamos de dia. Em noite de lua cheia, nós nem saímos de casa, porque minha avó e minha mãe falavam que o Neco se transformava em lobisomem. Eu morria de tanto medo e quando minha mãe mandava eu fazer alguma coisa e eu não queria, ela me ameaçava falando que iria chamar o Neco. Eu ia correndo fazer logo. Há uns dez anos, o Neco morreu e até hoje a Maria Doida está viva, mas não mora lá na rua mais.

Bruna Rodrigues Porto, 14 anos, escritora escritora da Rua Coronel Jaime Gomes, Bairro Floresta.


A Rua de Dona Dica, nº 12

H

á vinte anos, a filha da Dona Dica tinha 14 anos e

tinha um coqueiro perto da Igreja Bom Jesus. Era atrás do coqueiro que a filha da Dona Dica ficava com os garotos. Dona Dica desconfiava e, certo dia, foi atrás de Isabel que supostamente ia para a Igreja. A mãe seguiu a filha e se escondeu atrás de um carro. A menina foi se encontrar com o Gilberto, filho da vizinha, e olhou atentamente para todos os lados, quando de repente, o carro que Dona Dica estava escondida arranca. A menina bateu no menino de desespero. Gilberto ficou até vermelho de tanta vergonha. Dona Dica levou a filha para casa e depois de 20 anos, eles já estão casados e têm até filhos. Dona Dica falou também que, hoje em dia, ela pergunta para Gilberto se ele apanha e ele diz que a filha dela é arretada.

Júlia Júlia Temponi Temponi Braga, Braga, 13 13 anos, anos, narradora narradora da da Rua Mendes de Oliveira, Bairro Rua Mendes de Oliveira, Bairro Santo Santo André. André.


A Praça A de Praça São Geraldo, denº São 13Geraldo, nº 13

O

bairro São Geraldo era uma grande área

rural quando começou a ser ocupado por volta de 1950 por funcionários da RFFSA. As primeiras casas eram bem simples e geminadas. O que acelerou a ocupação do bairro foi a construção da Igreja São Geraldo. Hoje, a Igreja continua tendo papel de destaque no bairro pela sua alegre e festiva missa de domingo. Outro ponto de interesse do bairro é a padaria São Geraldo. Durante todo o dia é possível apreciar as deliciosas quitutes, como o pão de queijo, cachorro quente e os saborosos pãezinhos. Mas, sem dúvida, a maior atração do bairro é a Praça São Geraldo. Durante os finais de semana, uma multidão de jovens se reúne na praça para praticar esportes e conhecer novos amigos. Tem-se a impressão de que a Praça Sete se muda para a Praça São Geraldo, tamanha a movimentação de pessoas e veículos. O

bairro

tem

muitas

lojas,

supermercados

e

farmácias, facilitando e muito a vida dos moradores que não precisam ir muito longe para realizar suas compras. Tenho certeza de que você vai adorar a Praça São Geraldo. Bruno Simões dede Figueiredo, 1414 anos, morador dada Bruno Simões Figueiredo, anos, morador Rua Janaitiba, Bairro São Geraldo. Rua Janaitiba, Bairro São Geraldo.


A Rua do Sapateiro, A Rua nº 14 do Sapateiro,

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nº 14

A

Dona Marilene Bueno Braga, 63 anos, conta

que Santa Efigênia era uma maravilha. Todos os moradores se conheciam, eram amigos, trocavam sorrisos e bons-dias e, à noite, sentavam no portão para bater um papo. E, de boca em boca, corriam as histórias sobre um vizinho meu que diziam ser um lobisomem. Toda noite, ouviam-se uivos e a bananeira de sua casa acordava toda arranhada. Se era verdade, ninguém nunca soube. A Dona Lúcia, vizinha de cima, era costureira do bairro e era também quem fazia uns pastéis de goiabada deliciosos. A criançada adorava. Naquele lugar, existiam recantos para todos os tipos de diversão. As ruas sossegadas abrigavam brincadeiras como esconde-esconde, pique-alto e rouba-bandeira. Porém, eram as árvores frutíferas que chamavam atenção das crianças: maçã, ameixa, uva, goiaba, jambo, jabuticaba, romã e por aí vai. O quintal de uma casa antiga era o mais atraente dos olhos da meninada. Seu dono era Seu Getúlio, um sapateiro, por sinal o único do bairro. Havia um pé de manga sempre carregado de frutas que pareciam deliciosas ali. Porém, todos sabiam que de bobo o velho não tinha nada e não gostava que roubassem suas frutas. Várias testemunhas já viram o velho com uma espingarda na mão espantando gente do seu quintal.


Assim, foi se formando na imaginação de um grupo atrevidas a figura de um homem mau, mas o ataque: iriam aproveitar quando o

de

crianças

mesmo assim planejaram

velho estivesse trabalhando à

tarde, pois estaria distraído. Entrariam pelos fundos, os chefes abririam as passagens na cerca de bambu. Tudo acertado, lá se foram. Deram alguns passos corajosamente. Nisso, uma árvore tremeu toda e frutos rolaram no chão e alguns juram até hoje terem ouvido explosões. - É tiro! É tiro! Voltando correndo, as crianças se atiraram pelas passagens na cerca passando por cima de tudo, rasgando roupa e arrebentando sandálias. Com certeza, tiveram castigos de suas mães, mas e a dona da sandália? Certamente, esta teve que

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enfrentar o único sapateiro do bairro.

Déborah Braga de Albuquerque, 14 anos, escritora da Rua Itabirito, Bairro Santa Efigênia.


A Rua de Rildo, nº 15

R

ildo era um jovem de 15 anos e a rua dele

ainda era de terra e pouco movimentada. Em um final de ano, seus amigos e ele organizaram uma partida de futebol, na rua, onde todos estariam vestidos de mulher. Antes do início do jogo, o dono de em bar, onde meu primo e eu trabalhávamos, chamou meu primo para ajudá-lo no bar. Meu primo estressado por não poder jogar, chutou a trave e ela caiu. Rildo foi tirar satisfação com meu primo e este, já nervoso, deu um soco na boca dele, que fez a língua do coitado ficar pendurada. O dono do bar, muito calmo, pegou a língua e a bola. E foi por isso que não aconteceu o jogo dos homens vestidos de mulher.

Lívia Ferreira Mendes, 14 anos, escritora da Praça Guaraci, Bairro São Geraldo.

Lívia Ferreira Mendes, 14 anos, escritora da Praça Guaraci, Bairro São Geraldo.


A Rua de Birinha, nº 16

A

história que vou contar aconteceu há

mais de vinte anos e aconteceu com minha avó Rosária. Um morador de rua conhecido como Birinha tinha atitudes um tanto malucas e engraçadas. Ele sempre ia à casa de minha avó, bêbado, pedir água, comida e sempre na hora do almoço. Certo dia, Birinha chegou até a casa de minha avó e pediu um prato de comida, porém o almoço ainda não estava pronto. Daí, ele ficou muito nervoso e começou a xingar: - O quê? Você num fez o almoço até agora! O que você estava fazendo? Minha avó ficou indignada com tanto desaforo que ao mesmo tempo era muito engraçado. Enfim, ela sempre acabava dando o que ele queria, pois sabia que Birinha tinha uma família que não se importava com ele. Com o passar dos anos, acabamos nos acostumando com ele. Era como se fosse o personagem da rua conhecido por todos. Infelizmente, no mês de agosto, Birinha

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veio a falecer. Jéssica Nicoly de Souza Galdinho, 14 anos, contadora da Rua 1J, Bairro General Carneiro.


A Rua de Jéssica Liandra, nº 17

E

u moro na Rua Leopoldo Gomes, a principal do bairro

Vera Cruz, e aqui, há muito comércio. Um deles é a Mercearia do Seu Milton, além da Padaria Pão e Queijo, do Seu Rafael, onde os moradores compram pão novinho para o café da manhã, principalmente, aos domingos, após a missa na Igreja. A Paróquia Santa Cruz, cujas missas são rezadas pelo Padre Léo, é a única igreja católica do nosso bairro. Lá, há muitas atividades e projetos para a comunidade, como a catequese para as crianças e jovens, o grupo de teatro, aula de Ioga, crochê, capoeira e até aula de Inglês. Em frente a Igreja, tem a Praça Pedro Lessa, onde as crianças se divertem nos finais de semana. Tem também as Escolas Vicente Torres Júnior e Coração Eucarístico, além de duas escolinhas infantis. Ainda na minha rua, a Papelaria R & M, do simpático Senhor Jaime, vende materiais escolares, tiramos xerox e compramos o jornal, já que não temos nenhuma banca por perto. Há também dois depósitos de materiais de construção, lojas de artigos de presentes como a da Nádia, o sacolão e o posto de gasolina Ale, além da casa de ração, da sorveteria Adriana, da farmácia do Léo, dos barzinhos dos Dois Irmãos e do Vanderlei, do posto de saúde e de

__

alguns salões de beleza. Tudo isso na minha rua. Jéssica Liandra Liandra Gomes Gomes Rangel, Rangel, 14 14 anos, anos, escritora escritora da da Jéssica Rua Leopoldo Leopoldo Gomes, Gomes, Bairro Bairro Vera Vera Cruz. Cruz. Rua


A Rua de Seu Joaquim, nº 18

__

O

morador mais velho da minha rua chama-

se Seu Joaquim. Ele tem por volta de 80 anos e mora na rua há mais de 30 anos. Ele me falou que antigamente a rua era de terra e quase não passava carro. A rua fica no Bairro Ribeiro de Abreu, e por ser um morro não dava para fazer muitas coisas. Seu

Joaquim

me

contou

que

as

crianças

brincavam de pique esconde, amarelinha, rouba-bandeira e peteca. Antigamente, era tão bom para viver, não tinha queimada desmatando, poluição não existia e nem o tal de aquecimento global. Quando chovia, as crianças iam para a rua brincar e comemorar a chuva. Soltar pipa era tão bom, porque não existia cerol e as pipas não cortavam as outras. Seu Joaquim dá um suspiro e continua a contar. Para andar de bicicleta não precisava se preocupar com carros. Hoje, se não tiver cuidado, eles te atropelam. A criminalidade era pouca, pois todos tinham medo da polícia. Seu Joaquim falou ainda que hoje está tudo mudado. Fica difícil de sair de casa e ninguém brinca mais.

Allan Frederick Machado Moreira, 14 anos, narrador da Rua Dona Sinvalina Neves, Bairro Ribeiro de Abreu.

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Essas coisas.


A Rua de Seu Daniel e Dona Vanuza, nº 19

__

N

ão há muitos moradores antigos na rua e os

mais antigos moram lá aproximadamente dez anos. Eles dizem que antigamente não havia uma quadra na rua, apenas um campinho de terra em que poucas pessoas brincavam. Dizem que hoje está muito diferente do que era antes. Hoje, há muitas crianças na vila, novos moradores e estabelecimentos. Dizem que tudo mudou. Surgiu uma praça, uma igreja evangélica, uma padaria, o hospital Arapiara. Agora, possui novos recursos e, principalmente, um shopping, o Boulevard. O Ribeirão Arrudas não entorna mais e há um enorme espaço para que as crianças possam brincar. A comunidade se uniu e conseguiram juntar dinheiro para conseguir os recursos. Todo ano em minha rua ocorre uma festa junina e as crianças preferem o esporte a computadores e vídeo-game. Assim é a Rua Ponta Porã.

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Luiz Fernando Rocha Cabral, 13 anos, escritor da Rua Ponta Porã, Bairro Santa Efigênia. Luiz Fernando Rocha Cabral, 13 anos, escritor da Rua Ponta Porã, Bairro Santa Efigênia.


A Rua de Dona Jucélia, nº 20

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D

ona Jucélia é moradora da Rua São Silvestre a

mais de 50 anos e é ela quem conta a história da sua rua.

“Quando eu tinha meus vinte e poucos anos, havia um velhinho que morava no fim da rua. Em todo Natal, ele se vestia de Papai Noel e distribuía doces e brinquedos para todas as crianças da rua, inclusive para os meus filhos. Isso passou de pai para filho, e até anos atrás, a família ainda fazia

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isso. Era uma alegria só!”

Nayara Félix Moura Macedo, 14 anos, ouvinte da Nayara Rua FélixSão Moura Macedo, 14 anos, ouvinte da Silvestre, Bairro Sagrada Família. Rua São Silvestre, Bairro Sagrada Família.


A Rua de Dona Terezinha, nº 21

A

Dona Terezinha mora há sessenta anos na Rua Modestino

Gonçalves, no bairro Nova Vista e tem 65 anos. Ela disse que quando veio morar aqui só tinha mato e pouquíssimas

ruas

de

terra cheias de buraco que só podiam passar carroças e pessoas. Quando ela tinha cerca de cinco anos, a rua só tinha três casas contando com a dela. Os bairros ao redor do Nova Vista não tinham absolutamente nada, apenas mato e mais mato. Para irem até o centro da cidade era preciso usar o bonde, mas ele não passava por ali. Eles tinham que ir até o bairro Horto, pois era o lugar mais perto que se passava o bonde. As brincadeiras mais comuns entre eles eram pular corda, pelada e pique esconde, pois não havia muitas brincadeiras. Eles jogavam no campinho onde, hoje, é uma casa e uma loja mecânica e passavam a maior parte do tempo ali, porque seus pais quase não saíam com eles. Se essa rua fosse minha, chamaria todos pra cá, pois seria a melhor rua do Tocantins ao Paraná. A minha rua seria a maioral, teria festa todo dia pra levantar o astral. Acidente por aqui não se encontraria, pois colocaria de plantão o policial melhor de “bão”. Na minha rua só teria diversão, nada de fome, desamparo, nada de lixo pelo chão. Se essa rua fosse minha, eu mandava esticar, aumentar

daqui,

acrescentar de lá, só pra que possamos todos os dias nela ir e voltar.

__

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Luana Lorrayne de Faria Martins, 14 anos, escritora da Luana LorrayneGonçalves, de Faria Martins, anos, escritora da Rua Modestino Bairro 14 Nova Vista. Rua Modestino Gonçalves, Bairro Nova Vista.


A Rua de Daniela Do Carmo, nº 22

E

u moro no bairro Belmonte, na Rua João Lemos.

Antigamente,

morava

na

minha

rua

uma

senhora

que

demonstrava ser boazinha. Um dia, minha mãe estava jogando água nas plantas e a cachorra que morava com a gente gostava muito de água e minha mãe ficava brincando, jogando água nela e a senhora ficava só observando. Algum tempo depois, a mão da minha mãe inflamou e não ficava boa, até que uma mulher revelou pra minha mãe que a senhora que parecia boazinha havia feito uma macumba pra mão da minha mãe apodrecer e cair, pra ela nunca mais jogar água em nenhum cachorro. Os moradores da rua começaram a querer que a senhora se mudasse, mas ela falava que nada a tiraria dali. Até que, um dia, ela se mudou, mas fez uma macumba pra que todos que morassem na sua casa teriam a vida destruída. Moraram várias pessoas na casa. Só que sempre acontecia algo de errado, que a pessoa se mudava. Até que levaram um pastor que fez uma oração que acabou com o trabalho da senhora e tem dez anos que casa foi alugada pra uma família que está feliz lá. Daniela Do Carmo Lopes, 14 anos, escritora da Rua João Lemos, Bairro Belmonte.


A Rua de Seu Beneval Santana,

__

nº 23

H

oje, eu estava conversando com o meu avô que é um

antigo morador da minha rua. Ele se chama Beneval Santana, tem 86 anos e mora há 72 anos nesta mesma rua. Ele veio do interior, em 1939, a procura de trabalho e me contou que muitas coisas mudaram de lá pra cá, não só na rua, mas também no bairro e na cidade inteira. Ele conta que assim que chegou na rua, havia poucas casas, pouca iluminação e não havia asfalto. Poucos carros passavam na rua, principalmente, em dia de chuva. A rua era tranquila e seus nove filhos podiam brincar sem muito perigo. Eles gostavam de descer a rua de terra em carrinhos de rolimã. Ao longo desses 72 anos, muitos moradores mudaram-se e outros morreram. Entre 1975 e 1982, a rua foi asfaltada e muitas casas foram construídas. Seu Beneval ainda mora na mesma casa com sua esposa, e

Samantha Formiga Santana, 15 anos, escritora da Rua Antônio Olinto, Bairro Esplanada.

__

lá, naquela mesma rua, construiu sua vida e muitas histórias.


A Rua do Menino Doce,

__

nº 24

B

om, primeiramente, eu queria dizer que sou muito

feliz de morar nessa rua, pois ela é muito tranquila e alegre. A minha rua é muito nova, então, eu não tenho muito o que contar, mas eu sei que o meu bairro surgiu através de uma enorme fazenda chamada Fazenda da Serra ou Fazenda dos Menezes. Na minha rua, existe um vendedor de doces que se chama “Menino Doce”. Por que esse nome? Bom, esse nome foi dado a ele pela minha vizinhança, pois todos os dias de manhã, ele saía pelas ruas gritando “olha, o menino doce, olha o doce”. Daí, o apelido. Ele é muito conhecido, mas tem um bom tempo que eu não o vejo. Perto da minha rua, temos também o Parque Municipal Ursulina de Andrade Melo, que é um parque de mata fechada com várias nascentes e árvores muito antigas. Muitos vizinhos costumam fazer caminhada ao redor dele e também passam algum tempo nele. O parque que é tão querido pelos moradores ganhou um apelido também de “Parque da Mata”. Bom, e é isso que eu tenho pra contar da minha rua, que posso chamar de a rua do “Menino Doce” e é também a rua dos meus vizinhos que adoram por apelido em tudo. Marco Túlio de Oliveira Rocha, 15 anos, narrador da Rua Geraldo Magela de Almeida, Bairro Castelo Manacás.


A Rua de Dona Geralda, nº 25

Q

uem conta esta história é a Dona Geralda, de 68 anos.

Ela diz que, em 1965, a maioria das ruas do bairro era cheia de buracos. Algumas eram de terra e havia um córrego grande, alto e fundo que se localizava numa rua abaixo de minha casa, onde moro atualmente. Para se atravessar de um bairro para o outro, usava-se uma tábua grande e bem presa, onde as pessoas passavam, todo dia, por cima do córrego. Havia ônibus somente no bairro Boa Vista e eram dois por hora na Rua Maria Francisca. Só havia trânsito nesta rua e para pegar o ônibus todos tinham que passar pelo córrego. Para se chegar ao comércio e à Igreja São Geraldo, todos tinham que subir escadas de terra que eram escorregadias e se desfaziam facilmente. A Rua Sucuri, minha rua atualmente, cujo nome é de cobra também, se chamava naquela época Olaria, pois no final da rua havia um forno de fazer tijolos. Quando chovia, alagava tudo, parecia até um mar e não tinha saída, nem para um lado nem para o outro. Uma das nossas principais avenidas atualmente é a Elísio de Brito que é a avenida de divisão dos bairros São Geraldo e Boa Vista. A Elísio de Brito, naquela época, era um verdadeiro matagal e na minha rua havia três a cinco casas. Dona Geralda, 68 anos, diz que a minha rua mudou muito, depois de quarenta e cinco anos até o dia de hoje. Mikhaela Rodrigues Lopes, 14 anos, narradora da

__ Rua Sucuri, Bairro São Geraldo.


A Rua da Padaria de Cima, nº 26

A

o se pensar num roteiro de passeio pelo

meu bairro, temos que começar indo à Padaria Almeida Monteiro, mais conhecida como “A Padaria de Cima”, pois são duas padarias em meu bairro, uma fica descendo a rua da minha casa e a outra, subindo a rua da minha casa. É lá, o local onde os policiais tomam o café da manhã e o lanche da tarde. Isso dá uma sensação de segurança para as pessoas. É na Praça Poá que eu costumo ir aos domingos andar de bicicleta e ver os pássaros cantarem. Lá é um local agradável, com muitas árvores e é lá que tem o Clube dos Sargentos (eu nunca fui lá). E tem também, a Igreja São Judas Tadeu. Depois de andar de bicicleta pela Praça Poá, podemos ir até a Igreja. A Igreja São Judas Tadeu é um local onde eu, particularmente, não frequento, pois não sou devoto e nem da religião da mesma. Mas lá é muito frequentada e

William Victor Antunes Martins, 14 anos, morador da William Victor Antunes 14Graça. anos, morador da Rua Macaé,Martins, Bairro da Rua Macaé, Bairro da Graça.

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todo dia 28 eles fazem uma “festa” na Praça Poá.


A A Rua Rua de de Vó Vó Ephigênia, Ephigênia,

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nº nº 27 27

__

E

m frente da casa de minha avó, tinha um pé de

cipreste da altura de um poste, onde ela e os colegas brincavam a tarde inteira. Eles brincavam de “nego fugido”, o famoso esconde-esconde. Um dia, seus colegas acharam todo mundo e não a acharam. Ela estava em cima do pé de cipreste. Depois de um tempo procurando, ela grita lá de cima: “nego fugido”. A hora que ela gritou seus colegas vieram correndo pra ajudála a descer do cipreste, porque tinham vários morcegos voando em sua volta. Vó Ephigênia conta ainda que, quando era pequena, saiu de casa pra pegar peixes no córrego. Um dia, ela levou algumas latas pra colocar os peixes. Depois que ela pegou os peixes, ela foi descer segurando a lata e agarrou uma planta grande. A planta arrancou, ela caiu no córrego e perdeu os peixes. Quando pedi que me contasse alguma coisa de sua rua, ela sempre dizia “parece que foi ontem” e caía na

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risada.

Laura Fernanda Rodrigues Gomes, 14 anos, narradora da Rua Cabrobó, Bairro Sagrada Família.


A Rua do Bisavô do Samuel, nº 28

N

o princípio, era tudo mato e água.

Córregos de águas cristalinas, algumas casas e lojas, escolas distantes e fatigantes. O córrego é encanado e vira rua. O mato vira casa e a terra vira asfalto. Foi instalado um bonde no Horto. Ótimo! Agora, tudo fica mais fácil, ponto de ônibus, padaria. E olha os lotes de valorizando. Foi bom o meu bisavô ter comprado quando tudo era mato. Engraçado, o lote do meu bisavô era muito maior. Ah, me lembro do governo fazendo a avenida e cortando o lote no meio. E para aqueles que querem ser amados, Rua Santo Amaro. E se você quer ver uma avenida linda, Avenida Petrolina. Se duvida de um bairro com pessoas unidas, Bairro Sagrada Família! Meu bisavô coloca o olhar longe, bem longe e,

Samuel Dayher Silva Francisco, 14 anos, morador da Rua Santo Amaro, Bairro Sagrada Família.

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nele, vejo um sorriso.


A Rua do Bisavô do Samuel, nº 28

N

o princípio, era tudo mato e água.

Córregos de águas cristalinas, algumas casas e lojas, escolas distantes e fatigantes. O córrego é encanado e vira rua. O mato vira casa e a terra vira asfalto. Foi instalado um bonde no Horto. Ótimo! Agora, tudo fica mais fácil, ponto de ônibus, padaria. E olha os lotes de valorizando. Foi bom o meu bisavô ter comprado quando tudo era mato. Engraçado, o lote do meu bisavô era muito maior. Ah, me lembro do governo fazendo a avenida e cortando o lote no meio. E para aqueles que querem ser amados, Rua Santo Amaro. E se você quer ver uma avenida linda, Avenida Petrolina. Se duvida de um bairro com pessoas unidas, Bairro Sagrada Família! Meu bisavô coloca o olhar longe, bem longe e,

Samuel Dayher Silva Francisco, 14 anos, morador da Rua Santo Amaro, Bairro Sagrada Família.

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nele, vejo um sorriso.


A Rua da Avó Marta Maria, nº 29

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M

inha avó Marta Maria de 71 anos me contou

como era o meu bairro e a minha rua alguns anos atrás. Ela disse que meu avô construiu a primeira casa do Santa Inês, ou seja, foi a primeira moradora do bairro e ao redor de sua casa não tinham casas. Era apenas mato à direita e mato à esquerda e de frente à casa tinha um córrego que algumas pessoas de bairros vizinhos

vinham lavar suas roupas e nesse

costume, eram as mulheres apelidadas de lavadeiras. E minha avó já com seus 6 filhos deixava suas crianças brincarem livremente e até podia nadar no córrego de tão limpa que era a água. E com o passar dos anos, o bairro foi crescendo sem medidas, e antigamente co lado do córrego tinha um buraco imenso, onde as crianças poderiam brincar sem riscos de sofrerem acidentes e que depois de algumas transformações, o buraco começou a se chamar de Areia Branca, onde as pessoas poderiam se distrair com a paisagem e

as

crianças andarem de bicicleta. O Santa Inês é, hoje, um bairro considerado como de classe média e o buraco, que se chamava Areia Branca, virou Estação do Metrô. A José Cândido e a Santa Inês são as duas estações localizadas no bairro. E, hoje, minha avó conta esta história com orgulho e prazer, por ser a primeira moradora do bairro.

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Isabelle Rodrigues dos Santos, 15 anos, cronista da Isabelle Rodrigues dos Santos, 15 anos, cronista da Rua Timóteo, Bairro Santa Inês. Rua Timóteo, Bairro Santa Inês.


A Rua de

Dona

Maria

José

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Lopes, nº 30

A

Dona Maria José conta que mora no bairro

Santa Tereza desde 1958, na Rua Divinópolis, e que nasceu na Maternidade da Rua Paraisópolis onde, hoje, é o Hospital Mário Pena. Ela diz que houve várias mudanças no bairro e que antes tinha uma favela no local 225 da rua e, hoje, é o Lar de Idosos Santa Terezinha. O comércio cresceu bastante e existem vários barzinhos, restaurantes, novos vizinhos e condomínios. Tem uma praça de lazer muito boa e sempre tem eventos, festival de cinema nacional e seresta. O nome da praça é Duque de Caxias. Tem também, há anos, o bar, restaurante e pizzaria chamado Bolão, com seu tradicional espaguete, desde 1985. Hoje, Dona Maria José casou, tem 6 filhos adultos que moram no lugar. Ela relata ainda que o bairro é tranquilo de morar.

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Gabrielli Lourenço Teixeira da Silva, 14 anos, escritora da Rua Divinópolis, Bairro Santa Tereza. Gabrielli Lourenço Teixeira da Silva, 14 anos, escritora da Rua Divinópolis, Bairro Santa Tereza.


A Rua de Guilherme de Oliveira, nº 31

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M

eu bairro se chama Renascença onde nasci e

fui criado. Já ouvi muitas histórias sobre a minha rua e sobre o meu bairro, que foi muito conhecido por causa da fábrica de tecidos Renascença. Não foi da minha época, mas meus bisavós contavam muitas histórias desta fábrica, porque trabalharam nela. Era um bairro muito movimentado. Hoje, onde era a fábrica, depois de muito tempo desativada, fizeram uma Faculdade chamada Universo. Na época de meus avós e pais, existia um clube bastante grande chamado Clube Renascença, onde, eles o frequentavam durante quase o dia inteiro. Este clube era muito conhecido também porque tinha um grande campo, onde times mineiros como Atlético, Cruzeiro, América, etc. vinham treinar. Quando havia treinos, meu pai, que se chama Marco Aurélio Oliveira, me disse que tinha fila para entrar no clube e que muitas vezes, existia até briga. O bairro cresceu muito e ficou muito perigoso ficar sozinho na rua. Meus pais não deixam mais eu brincar na rua com meus vizinhos. Meus bisavós já morreram, mas tinha uma vizinha que era muito amiga de minha bisavó que me contava várias coisas que tinham no bairro, principalmente, as queimas de São Judas, que especialmente acontecia na minha rua. Os meus pais nasceram e foram criados aqui. Já me contaram muitas histórias. Eu fico triste, porque eles podiam brincar na


rua, porque a rua era muito calma. Eles brincavam na pracinha de brincadeiras diferentes que, hoje, não têm mais. Apesar de não brincar na rua, gosto muito do meu

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bairro Renascença e de suas histórias.

Guilherme Oliveira de Souza, 14 anos, escritor da Guilherme Oliveira Souza, 14 anos, escritor da Rua Paru, Bairrode Renascença. Rua Paru, Bairro Renascença.


A Rua de Gabriella Candian, nº 32

E

u conversei com um morador da Rua Barão de

Saramenha, no bairro Santa Tereza, que reside no local há mais de 50 anos. Ele me informou que, na época em que começou a construir a sua casa, ainda não havia muitas casas e a rua era de terra e cheia de buracos. A rua começou a se desenvolver em Santa Tereza em sentido bairro Horto, mas foi interrompida. A partir de certa altura, havia um imenso brejo e até uma mina d’água que diziam ser mineral. Como não havia movimento de veículos, os meninos da vizinhança se reuniam para jogar bola onde hoje é esta rua. Existia um campinho com traves de bambu, onde todas as tardes, eles faziam suas peladas. Nas poucas casas que já haviam por perto, as pessoas criavam porcos e galinhas, que transitavam tranquilamente pelas imediações. Os poucos moradores acordavam com o tranquilo canto dos galos, o ronco dos porcos e o latido dos cães. Aos poucos foram surgindo uma casa aqui, outra ali até fechar o primeiro e o segundo quarteirões. Faltava apenas o terceiro que seria o encontro com a Rua Pouso Alegre. Hoje, não existe um só lote vago e alguns prédios

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surgiram no lugar de antigas moradas. Gabriella Candian Félix Teixeira, 15 anos, escritora da Rua Barão de Saramenha, Bairro Santa Tereza.


A Rua de Vicente Raimundo, nº 33

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E

u não me lembro, mas o Senhor Vicente

Raimundo sempre ensinou para mim e minhas irmãs que a nossa rua melhorou muito. Ele diz que, mais ou menos uns dez anos, a rua não era asfaltada, era baixa e etc. e, para pegar ônibus, os moradores tinham que andar muito. Hoje, já é totalmente asfaltada, com alguns buracos, é claro, mas está ótima. O ônibus agora para na porta. A vizinhança aumentou demais, mas a amizade não diminuiu. Na realidade, a amizade só aumentou entre os pais, entre os avós e, principalmente, entre os filhos. A violência aqui aumentou sim, mas ele diz que teria mais medo de deixar suas filhas brincando na rua antigamente e que, hoje, não. Há viatura de polícia que circula pelo bairro constantemente. Eu concordo com o Senhor Vicente que diz que os outros fazem má impressão da minha rua, “por causa das pessoas simples que vivem aqui”. Eles não conhecem de

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perto o tipo das pessoas que vivem aqui.

Denúbia Maria Souza e Silva, 14 anos, escritora da Denúbia Maria Souza e Silva, 14 anos, escritora da Rua Hervaldo Braga, Bairro Paulo VI. Rua Hervaldo Braga, Bairro Paulo VI.


A rua de todos nos